30 de jun de 2014

A democratização da mídia em Portugal

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
(Chico Buarque)

No ano em que celebramos os 40 anos da Revolução dos Cravos em Portugal um tema parece ter passado em branco nas comemorações aqui no Brasil. Poucos são os que sabem que a Constituição da República Portuguesa que entrou em vigor em 25 de abril de 1976 trouxe grandes avanços para a democratização das comunicações naquele país. Conquistas que permanecem até os dias de hoje do lado de lá, mas que do lado de cá do oceano não foram reproduzidas.

Uma das mais importantes inovações democráticas geradas pela Constituição de 1976 foi a possibilidade de direito de antena para as organizações da sociedade civil nos meios de comunicação. Para quem não reconheceu o termo, “direito de antena” é aquele tempo gratuito de inserção nas televisões e nos rádios que aqui no Brasil somente os partidos políticos dispõem. Pois é, em Portugal não apenas os partidos possuem esse direito, mas também as organizações da sociedade civil, associações, sindicatos, movimentos sociais etc. O artigo 40 da Constituição de Portugal diz o seguinte:

“Art. 40. Os partidos políticos e as organizações sindicais, profissionais e representativas das actividades económicas, bem como outras organizações sociais de âmbito nacional, têm direito, de acordo com a sua relevância e representatividade e segundo critérios objectivos a definir por lei, a tempos de antena no serviço público de rádio e de televisão”.

No caso da televisão o artigo 40 da Constituição de Portugal é regulamentado pela lei 08/2011 que garante “Noventa minutos para as organizações sindicais, noventa minutos para as organizações profissionais e representativas das actividades económicas e cinquenta minutos para as associações de defesa do ambiente, do consumidor e dos direitos humanos”. Já para as rádios o sistema é regulado pela lei 54/2010 e garante “sessenta minutos, por categoria, para as organizações sindicais, profissionais, e representativas das atividades econômicas” e mais sessenta minutos para “associações de defesa do ambiente e do consumidor, e, ainda, às organizações não governamentais que promovam a igualdade de oportunidades e a não discriminação”.

Agora, será que conseguimos imaginar todas as possibilidades que seriam abertas no Brasil se essa lei portuguesa valesse também por aqui? Imagine se o MST tivesse um espaço na televisão e na rádio para convocar para o abril vermelho ou para o grito dos excluídos no 7 de setembro. Imagine as potencialidades do movimento estudantil se a UNE pudesse convocar canal de televisão e rádio para mobilizar para as tradicionais passeatas de 11 de agosto. Imagine o empoderamento que as mulheres feministas teriam se suas associações como a UBM ou a MMM pudessem convidar a população para o 8 de março. Imagine a enorme capacidade de mobilização que as centrais sindicais passariam a ter para o primeiro de maio.

Para que tudo isso não fique apenas na imaginação, mas que torne-se concretude, assim como já ocorre em Portugal, a sociedade civil organizada no Brasil tem recolhido assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática. O nosso Projeto de Lei propõe que as emissoras de televisão e rádio, por serem concessões públicas, assegurem, “como direito de antena, 1 hora por semestre para cada um de 15 grupos sociais relevantes, definidos pelo órgão regulador por meio de edital com critérios transparentes e que estimulem a diversidade de manifestações”. Como por enquanto inexiste no Congresso Nacional qualquer proposta nessa direção, a sociedade civil resolveu ela mesma fazer seu projeto de lei através de iniciativa popular e para isso precisa recolher cerca de um milhão e trezentas mil assinaturas para que o PL entre em tramitação na Câmara dos Deputados.

Em um ano de eleições nacionais como este, o debate sobre a democratização da mídia precisa ocupar a esfera pública. Precisamos conhecer a opinião de cada um dos candidatos sobre o tema, pois dar voz ao povo é necessidade urgente de nossa democracia. A tarefa é difícil, mas como bem disse Chico Buarque, sabemos quanto é preciso navegar, navegar.

Theófilo Rodrigues, cientista político e coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
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Para inverdades, há remédio?


Em 2020, cada medicamento de referência tinha três versões de genéricos. Hoje tem oito. A concorrência triplicou e os preços caíram.

Em períodos eleitorais, são comuns manifestações monotemáticas e desavergonhadas como a do ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB) no artigo "Na saúde, o PT não tem remédio (13/6), no qual dissimula dados do mercado de medicamentos genéricos e ilude acerca da gestão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

No Brasil, como em qualquer país, a presença dos genéricos trouxe benefícios. Aumentou a concorrência e os preços caíram. A lei que criou essa classe de medicamentos foi editada em 1999, depois da aprovação pelo Congresso Nacional de um projeto de lei apresentado em 1991 por um deputado do PT. A obsessão pela paternidade da medida faz com esse senhor se comporte como padrasto que não aceita a possibilidade de o pai ser capaz de cuidar ainda melhor do próprio filho.

Em 2002, os genéricos representavam apenas 3,9% do volume de medicamentos vendidos no Brasil. Em 2006, saltou para 15% e hoje está em 30%. De cada três medicamentos vendidos, um é genérico. Um aumento de quase dez vezes desde 2002, com participação próxima dos 31% observados na França.

Entre 2000 e 2002, foram registrados 512 genéricos no país, apenas 170 ao ano. Em 2012, a Anvisa registrou 413 desses medicamentos. Ao final de 2002, cada medicamento de referência tinha, em média, apenas três versões de genéricos. Hoje tem cerca de oito. A concorrência triplicou nos últimos 12 anos e os preços estão bem mais baixos.

O ex-ministro se esqueceu da exigência que fez em 2002 para que os medicamentos similares passassem pelos mesmos testes de equivalência pelos quais passam os genéricos para serem considerados cópias idênticas dos seus referenciais. O prazo para essa ação expira no final de 2014. E o governos e os setores envolvidos discutem o que fazer para beneficiar o consumidor com essa medida, que deu aos similares as garantias que os genéricos já possuiam.

Omitindo o fato de ter alterado em 2001 a lei que criou a Anvisa para esvaziar o poder de diretores que discordavam dele, o padrasto dos genéricos faz considerações irreais sobre a conduta deles. Desde sua criação, os diretores da Anvisa são indicados pela Presidência da República e dependem de aprovação do Senado para serem nomeados para mandatos de três anos. Tive a honra de passar por esse processo duas vezes, sendo aprovado por senadores de vários partidos, incluindo o PSDB.

Em 2002, 45% da mão de obra da Anvisa era composta por servidores da própria agência, 20% eram concursados oriundos de outros órgãos públicos e 35% eram indicados por critérios nem sempre transparentes e, por vezes, indesejáveis, definidos pelo ex-ministro. O primeiro concurso público foi autorizado pelo então presidente Lula em 2004. Hoje, o número de profissionais técnicos escolhidos por concurso público chega a 99% do total de seus servidores.

Na criação da Anvisa, o ex-ministro incluiu 88 cargos de confiança que eram preenchidos por indicação dele. Hoje, a escolha é feita depois de edital público, análise de currículo, entrevistas e deliberação da diretoria colegiada. Isso fez com que 75% dos cargos existentes fossem ocupados por servidores concursados. É desrespeitoso dirigir-se a eles como loteadores de cargos públicos.

A Anvisa conta com um parlatório onde são atendidos os agentes externos. As reuniões são gravadas e as atas registradas. Se o ex-ministro tivesse identificado aqueles que chama de lobistas e, nas suas palavras, "operam livremente na agência", teria incluído os 43 atendimentos feitos a deputados e senadores do PSDB entre 2010 e 2014.

Como farmacêutico, aprendi a respeitar os números, uma vez que existem casos em que uma pequena variação na dosagem dos remédios representa a diferença entre a vida e a morte. Os economistas gostam deles por outros motivos. Mas uma coisa é certa: os números falam por si e não mentem.

Dirceu Barbano, farmacêutico, diretor-presidente da Anvisa.
No fAlha
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O que faz a Icann?

No coração da internet, corporação responsável para liberar solicitações de novos endereços, necessita de autorização do Departamento de Comércio norte-americano para trabalhar
A Icann tem muitas funções e coordena componentes técnicos da internet. É seu papel controlar o uso de nomes de domínios — as terminações finais no endereço de um site, como o “.com” —, além de estabelecer os parâmetros técnicos que permitem que um computador converse com outro em qualquer lugar do planeta. Ou seja, o acesso de qualquer máquina a qualquer página se deve à existência de um sistema central que compreende o endereço da página como algo único. Sem essa centralização, a internet seria caótica, com mais de uma página tendo endereço idêntico. Por isso, atribuir e conceder os chamados top-leveldomain (TLD, domínios de topo da internet, que também podem aparecer como gTLD) é uma das atribuições da Icann, que ainda centraliza as informações de todos os “servidores-raiz” da rede.

Um domínio de topo é identificável pelo que vem após o “ponto” nos endereços. Por exemplo: “www.google.com” está no domínio de topo “.com”. O que vem antes do ponto seria equivalente, num endereço físico, ao número de uma casa, e o que vem após, à rua em que ela se localiza. Para atribuir os endereços referentes aos casos “.com”, “.net”, “.name”, “.tv” e “.cc”, a Icann tem um contrato com a empresa americana de segurança de redes VeriSign, atualmente a responsável por essas terminações.

Cada país possui um gTLD específico, chamado de ccTLD — “cc” corresponde ao “código de país”. É o caso, por exemplo, do “.br” brasileiro. Assim como os gTLD comuns, os ccTLDs respondem a diferentes entidades que facilitam a localização dos endereços cadastrados. O “.br”, por exemplo, é de responsabilidade do “registro.br”, um departamento do NIC.br.

Há também alguns gTLDs mantidos por instituições privadas ou não, que não são geridos pela Icann, como o “.edu” — controlado pelo instituto Educause — e o “.gov” — controlado pelo governo dos EUA. No ano passado, a Icann fez uma expansão dos gTLDs, elevando os 22 gTLD habituais para 1,4 mil possibilidades, alguns curiosos, como “.pink”, “.luxury”, “.guitars”, “.tatoo” e “.sexy”.

A corporação possui ainda solicitações pendentes, como “.google”, “.android” e “.youtube”. Outras companhias de tecnologia também fizeram pedidos, mas ainda não foram atendidas. A Apple quer “.apple”, e a Microsoft, “.microsoft”, “.skype” e “.bing”. A Amazon queria registrar o endereço “.amazon”, mas o conselho da Icann se manifestou contra a empresa de comércio eletrônico, porque a expressão representa uma área geográfica, a Amazônia. Governos de países da região amazônica, como Brasil e Peru, fizeram pressão para que a autorização não saísse.

No mês passado foi divulgado que as Organizações Globo são a primeira entidade brasileira a obter um dos novos gTLDs, cuja extensão será “.globo”. O custo de uma terminação personalizada não sai barato. O Icann cobra, em média, 185 mil dólares só para analisar um pedido, mas os custos totais, incluindo exigências técnicas e jurídicas, chegam a 700 mil dólares. A manutenção do domínio pode chegar a 150 mil dólares anuais.

A Icann também coordena o Sistema de nomes de Domínio (DNS, na sigla em inglês). Para acessar, por exemplo, www.retratodobrasil.com.br, existe uma central que identifica esse domínio e o traduz para o endereço IP correto — uma sequência de números única, que mostra aos computadores o local exato em que eles devem buscar os dados para a navegação. Cada servidor possui um endereço de IP único. Logo, cada domínio leva a um IP específico. Nesse trato, a Icann basicamente faz o gerenciamento dessas traduções — dos nomes para os endereços numéricos. Por isso, os sites precisam estar armazenados em servidores registrados nas entidades que administram os gTLDs, para que seus domínios sejam compreendidos pelo Icann.

Em relação aos “servidores-raiz” do sistema, que funcionam como um índice principal dos livros de endereço da internet, das 13 máquinas principais existentes em todo o mundo, dez estão nos EUA — grande parte controlada por agências governamentais americanas —, duas na Europa e outra no Japão. No entanto, existem centenas de “máquinas-espelho” em outros países, inclusive no Brasil, que armazenam a mesma informação das principais e podem substituí-las a qualquer momento, o que facilita a comunicação e a operacionalidade. Como disse um dos pioneiros da internet, Jon Postel, “os servidores-raiz sabem que procuramos algo pelo nome e o traduzem para um endereço de IP”. Pelo contrato do governo americano com a Icann, mudanças nas listas da raiz só podem ser feitas com autorização do Departamento de Comércio.

Thiago Domenici
No Jader Resende
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Eleições 2014 — Quem está com quem


DILMA ROUSSEFF (PT)

PT (Partido dos Trabalhadores)

PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro)

PDT (Partido Democrático Trabalhista)

PCdoB (Partido Comunista do Brasil)

PP (Partido Popular)

PR (Partido da República)

PSD (Partido Social Democrático)

PROS (Partido Republicano da Ordem Social)


AÉCIO NEVES (PSDB)

PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira)

DEM (Democratas)

PTB (Partido Trabalhista Brasileiro)

SDD (Solidariedade)

PMN (Partido da Mobilização Nacional)

PTC (Partido Trabalhista Cristão)

PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil)

PTN (Partido Trabalhista Nacional)

EDUARDO CAMPOS (PSB)

PSB (Partido Socialista Brasileiro)

PRP (Partido Republicano Progressista)

PPS (Partido Popular Socialista)

PSL (Partido Social Liberal)

PPL (Partido Pátria Livre)


 






PASTOR EVERALDO (PSC)

PSC (Partido Social Cristão)








EDUARDO JORGE (PV)

PV (Partido Verde)








LUCIANA GENRO (PSOL)

PSOL (Partido Socialismo e Liberdade)









ZÉ MARIA (PSTU)

PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado)














MAURO IASI (PCB)

PCB (Partido Comunista Brasileiro)









LEVY FIDELIX (PRTB)

PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro)














JOSÉ MARIA EYMAEL (PSDC)

PSDC (Partido Social Democrata Cristão)










RUI COSTA PIMENTA (PCO)

PCO (Partido da Causa Operária)

Até a tarde desta segunda-feira (30), três dos 32 partidos do país ainda não tinham anunciado a decisão em relação à disputa presidencial – PHS (Partido Humanista da Solidariedade), PRB (Partido Republicano Brasileiro) e PEN (Partido Ecológico Nacional).
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Rufiano Rulk

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Elio Gaspari errou: nada se equipara ao ódio da direita


Um vídeo em que uma senhora septuagenária profere insultos copiosos ao comunobolivarianismo do PT me remeteu a um assunto sobre o qual eu queria falar já faz alguns dias.

O tema é o ódio político.

Num artigo, Elio Gaspari disse que o PT não tinha moral para falar em ódio. Elio estava respondendo a Lula, que dissera que o PT, nestas eleições, levaria a esperança a vencer o ódio.

O ponto de Elio é que o PT tem, ele também, um histórico de raiva.

Na internet, o assunto foi intensamente debatido. Gostei de ver meu antigo chefe da Veja e na Exame, Antonio Machado, um dos melhores jornalistas com quem trabalhei, se manifestar.

Não lia nada dele fazia muito tempo. Foi como rever um velho amigo.

Machado contestou Elio, a quem chamou, ironicamente, de Doutor. Foi um contraponto divertido ao fato de que Elio chama Dilma de “Doutora”.

Machado, e aí acho um exagero, quase que igualou Elio a Reinaldo de Azevedo.

Elio não é Azevedo, a começar pela diferença de que é um genuíno jornalista, e dos brilhantes.

É, sim, um colunista de centro. Talvez gostasse de se movimentar um pouco mais para a esquerda, mas ele deve saber que não duraria muito nem na Folha e nem no Globo se fizesse isso.

Barbara Gancia, e é um caso exemplar, fez este movimento. Começou a falar em Casa Grande — um lugar comum que me enfastia, aliás — e logo perdeu a coluna na Folha.

Mas o ponto central sobre o qual eu queria falar é o ódio. Nisso, estou inteiramente com Machado e contra Elio.

Nada, rigorosamente, nada se iguala ao ódio da direita. As raízes são profundas e distantes: ao longo de toda a ditadura militar os brasileiros foram submetidos a constantes propagandas anticomunistas.

O “comunismo ateu” era apresentado, sempre, como a quintessência da maldade, do horror.

No plano internacional, Stálin era o demônio supremo. No plano nacional, este papel era atribuído a nomes como Lamarca e Marighella.

Neste ambiente, surgiram e floresceram entidades como o Comando de Caça ao Comunismo e a Tradição, Família e Propriedade — dedicadas a semear ódio patológico na sociedade.

Com o fim da União Soviética, e do comunismo, o ódio da direita não cessou. Apenas foi remanejado para a esquerda em geral.

Na Venezuela, Chávez foi alvo de campanhas de fúria inacreditável. Até sua mãe era insultada cotidianamente pela mídia e pela direita venezuelana.

No Brasil, o anticomunismo de antes se transformaria em antipetismo. Mudou o nome, mas não o ódio, ou mesmo sua intensidade.

Em suas manifestações mais vis, a raiva nos últimos anos se traduziu em pragas para que o câncer se abatesse novamente sobre Lula e Dilma.

Não é, ao contrário do que Elio afirmou, um ódio que encontre contrapartida na esquerda.

Não que a esquerda aprecie e admire a direita. Mas não é a mesma coisa. Historicamente, não é. Definitivamente, não é.

Até por questões culturais. Faz parte da cultura da esquerda endereçar o melhor de sua raiva às correntes rivais dentro da própria esquerda.

Marx abominava Bakunin. Os bolcheviques viam os mencheviques como seu maior obstáculo. No Brasil, integrantes do PC e do PC do B mutuamente se abominavam.

No Brasil de hoje, repare como os petistas enxergam grupos de esquerda por trás de protestos e como estes vêem o que chamam, desdenhosamente, de “governistas”.

O ódio da esquerda como que se dispersa. O da direita se concentra.

Nada se compara ao ódio da direita — e meu velho chefe Machado, nisso, não poderia estar mais certo.

Paulo Nogueira
No DCM
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A Internacional do Capital Financeiro

Diferentemente das crises clássicas do capitalismo, a atual se diferencia por encontrar o capital com um grau organização mais complexo e sofisticado.

A revista Forbes publicou em maio deste ano que 5% do PIB brasileiro está nas mãos de quinze ilustres famílias, que detém um patrimônio de 269 bilhões de reais. Thomas Piketty, autor do "O Capital no Século 21" —  mencionado por Paul Krugman como provavelmente o mais importante livro de economia desta década — é autor de uma frase de uma obviedade alarmante nos dias que correm, mas que passa ter valor especial porque é formulada, não por um inimigo do capitalismo, mas por um insatisfeito com os seus rumos atuais: "os poucos que estão no topo  — diz Thomas — tendem a apropriar-se de uma grande parcela da riqueza nacional, à custa da classe média baixa" e que "isso já aconteceu no passado e pode voltar a acontecer no futuro".

O remédio apontado pelo autor, um imposto global progressivo, vai precisamente contra a tendência autorizada pelas grandes agências financeiras, públicas e privadas, de importância no mundo, como se vê nas medidas em andamento nos países da União Europeia, que pretendem recuperar suas combalidas economias. Estudo recente, publicado pelo "El País" (22 jun. 2014), mostra 10% de queda nos gastos de alimentação da população espanhola no ano de 2013, o que atinge diretamente o consumo básico dos assalariados, aposentados e desempregados, que vivem da parca ajuda estatal.

No âmbito da crise, os índices de pobreza, já alarmantes, aumentaram gravemente  nos Estados Unidos, pois hoje já afetam 46 milhões de norte-americanos, maior cifra dos últimos 50 anos, que deve ser combinada com o aumento da renda dos 1% mais ricos, em 9%, nos últimos 35 anos. ("Página 12", 23 jun.14, baseado em estudos do professor Abraham Lowenthal, emérito da Universidade do Sul da Califórnia). Os Estados Unidos, como se sabe, superam a União Europeia em desigualdade, pois nesta a maior concentração de renda está com 10% da população e nos EUA a maior concentração de renda, em termos relativos, está com 1% da população.

Cabe um comparativo latino-americano, para verificarmos como os diferentes países colocados na cena mundial globalizada, reagem perante os dissabores da atual crise do capital. Recentemente os nossos "especialistas" em desastres econômicos — sempre atentos aos interesses especulativos e manipulações políticas no mercado de ações — passaram a mostrar a genialidade da direita mexicana para lidar com o baixo crescimento e a pobreza. Quando se depararam com as estatísticas — a partir de 2003 a economia brasileira cresceu 45,44% e a economia mexicana, no mesmo período, cresceu 30,471% — o México desapareceu das suas colunas proféticas. Mormente porque ficaria chato revelar que a participação dos salários na renda nacional, no Brasil é de 45% e no México é de 29%. Ou seja, o Brasil cresceu muito mais com menos desigualdade.

Esse rápido repasse na crise do capitalismo, presidido pela agenda neoliberal, serve para ilustrar a guerra de interpretações travada no meio intelectual, pelas redes e pelos órgãos de imprensa tradicional, entre as lideranças das mais diversas posições do espectro político. De um lado, estão os que entendem que a crise ocorre  porque todas as "reformas", necessárias para o reinado completo do capital financeiro sobre a vida pública e sobre os estados (capturados pelas agências que  especulam com a dívida pública, para acumular sem trabalho) aquelas reformas, repito, não foram feitas pelos governos. Por isso, as baixas taxas de crescimento, o aumento da pobreza e do desemprego.

Num outro polo, os que, por diversos meios e com diversas gradações,  sustentam que a decomposição da socialdemocracia, em nome de um "ajuste" conservador e predatório dos direitos sociais  (com a renúncia de uma agenda socialista ou democrático-social verdadeira), significou a vitória dos valores dos que "estão no topo", como diz Piketty. E que a pretensão verdadeira daquela agenda é desapropriar os direitos sociais, que vem sendo conquistados desde o Século 19, para conformar uma sociedade dos mais aptos, dirigida pelos mais fortes e mais ricos, capazes de se servir das grandes transformações tecnológicas, distribuindo migalhas de sobrevivência para a maioria da população, tendo como intermediária uma pequena e rica classe média, apartada nos seus condomínios ou pequenos bairros com segurança privada.

A campanha contra o Governo brasileiro e contra o Estado brasileiro, desencadeada pelos órgãos de imprensa e partidos políticos vinculados à primeira posição, no mundo inteiro,  passava a imagem de um país degradado na sua vida pública, com autoridades incapazes de acolher um evento como a Copa do Mundo, incompetentes para dar segurança às autoridades de fora do país e ineptos para a realização da própria competição. Esta campanha, no entanto,  não foi um mero mau humor da direita mundial. Foi nitidamente uma orquestração política de caráter estratégico  para desmoralizar um BRIC que, com seus avanços e recuos, com as suas vacilações e posições ousadas, já tinha demonstrado que é possível crescer, distribuir renda, cuidar da vida dos mais pobres e excluídos e, ainda,  exercer um papel político no cenário internacional,  com certa margem de autodeterminação e soberania, criticando o neoliberalismo com as "costas quentes". À esquerda ultra-radical isso parece pouco, mas,  examinada a situação internacional e a própria fragilidade interna das bases políticas para desenvolver estas ações de resistência, convenhamos que é um feito extraordinária que nenhum governo, pelo mundo afora, conseguiu realizar com tal amplitude.

O mais grave é que os veículos de comunicação tradicionais do país, não só repassaram este pânico desmoralizante da nação e das suas instituições, como alimentaram com falsas informações os veículos externos. Trabalharam diretamente contra o Brasil, embora já ensaiem uma autocrítica oportunista, Não se tratou de mero equívoco, mas de parceria política, porque, para estes grupos, nunca se coloca como real a disjuntiva "Soberania X Dependência", ou "Estado Social x Estado Mínimo", ou "Cooperação Interdepende x Subordinação Dependente", ou mesmo "Democracia x Autoritarismo". Porque soberania, estado social, cooperação sem submissão, sempre apontam para mais democracia (não menos democracia), para mais participação das pessoas na política e na renda (não menos participação) e as receitas europeias para resolver as crises são incompatíveis com tais conquistas da modernidade.

O traço material desta aliança e da campanha contra o Brasil é o interesse em ganhar dinheiro com a dívida pública, gerando instabilidade e desconfiança nos governos ou submetendo as nações a governos dóceis e à agenda da redução das funções públicas do Estado. A ideologia da aliança é o liberalismo econômico, ora ornamentado com traços de fascismo e intolerância, ora casado com a austeridade fiscal. Ela tanto pode arrastar as classes médias para os protestos, como atiçar o "lúmpen" para fazer quebradeiras de bens públicos e privados — principalmente bens públicos — assim esvaziando os movimento sociais e políticos de esquerda, que estão insatisfeitos, com justiça, com os limites que já bloqueiam o crescimento econômico e impedem  a melhoria da qualidade do serviços públicos nas áreas da saúde, transporte e segurança, principalmente nas grandes regiões metropolitanas. A repressão, então, por este mecanismo perverso de isolamento dos lutadores sociais, aparece legitimada para a maioria da sociedade, que não se identifica com a violência gratuita à margem da lei, aceitando uma violência do Estado, que julga "necessária", mesmo que muitas vezes também à margem da lei.

Arrisco dizer que, diferentemente das crises clássicas do capitalismo — como na crise de 29 e  na crise "do petróleo" nos anos 70 — a crise atual se diferencia, enquanto crise política conjugada com a crise econômica, por encontrar o capital com um grau organização mais complexo e sofisticado, sem aparência imediata, mas mais capaz de interferir rapidamente sobre os Estados, sem guerras extensivas e ocupações militares em todos os territórios de domínio. De um lado, há uma verdadeira "Internacional do Capital Financeiro", com seus tentáculos internos na mídia e nos partidos tradicionais  -que já avança sobre os não tradicionais através do financiamento privado das campanhas eleitorais-  e, de outro, há uma visível fragmentação na estrutura material e espiritual das classes populares,  com a correspondente fragmentação dos seus movimentos e partidos.

Os bancos centrais dos países ricos, as agências privadas de risco, as instituições financeiras destinadas a especulação, juntamente com as grandes cadeias de comunicação globais, são organizados diretamente pelo dinheiro e apoiadas na reprodução ficta do dinheiro, com um manto ideológico e político que carece de coerência programática, mas que se amplia no próprio movimento do dinheiro, como acumulação artificial incessante. Esta vai aparelhando e submetendo instituições, grupos e indivíduos, em todas as esferas da vida pública, assim tornando os próprios partidos liberais e neoliberais supérfluos, como inteligência política, constituindo-os como mera extensão e reprodução daquele movimento do dinheiro, promovendo a irrelevância das suas construções programáticas.

O surgimento de partidos de extrema direita e de caráter fascista em toda a Europa, com base de massas, também é uma agonia da política burguesa democrática em seu sentido clássico e, em termos humanos, imprime nestes  partidos o mesmo conteúdo ideológico de barbárie que move as atuais guerras de conquista territorial pelas fontes de energia fóssil: ambos os processos são inspiradas pelo espírito patriótico, ambos dependem de aplicação de doses maciças de violência para serem vitoriosos, ambos respaldam o poder dos mais fortes e mais decididos a dominar e vencer, ambos não tem a aniquilação da vida do outro como limite moral do seu projeto de poder.

Ao tentar desmoralizar o Brasil, sem qualquer rubor e apostando que a Copa fosse um festival de incompetência e violência generalizada, a direta conservadora e antidemocrática do país — associada material e ideologicamente ao capital financeiro e sua estrutura de poder internacional — mostrou mais uma vez que não conhece o Brasil. Nem o que tem de bom, produtivo e organizado, no Estado brasileiro. Não conhece o seu povo, porque não convive com as suas lutas nem compreende a sua linguagem, como demonstraram quando quiseram impedir o Prouni e o Bolsa-Família, por exemplo. Não conhecem o Estado Brasileiro, porque prestam atenção somente nas suas imperfeições e mazelas históricas, com os olhos de quem quer destruir o que ele tem de público para construir uma nação soberana, pautada pela Justiça e pela Liberdade.

Tarso Genro, Governador do Estado do Rio Grande do Sul
No Carta Maior
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Mais Médicos supera meta; PSDB adoece!


No programa “Café com a Presidenta”, nesta segunda-feira (30), Dilma Rousseff anunciou que o programa “Mais Médicos” superou as metas de cobertura e já beneficia 50 milhões de pessoas em todo o Brasil. Para ela, esta é uma das mais importantes conquistas dos brasileiros nos últimos anos. O plano inicial previa atingir 46 milhões de pessoas. Animada com os resultados, a presidenta informou que todos os pedidos dos prefeitos foram atendidos e que o programa já está presente em 3.819 municípios. São 14.462 médicos (brasileiros e estrangeiros) atuando em postos de saúde no país. “O Mais Médicos é uma das nossas ações que aumenta a capacidade de atendimento do SUS [Sistema Único de Saúde]”, festejou.

A presidenta lembrou que “muitas cidades não tinham sequer um médico. A pessoa que precisasse de atendimento tinha que se deslocar para outra cidade, às vezes, a dezenas e dezenas de quilômetros de distância — de carro, de ônibus e até mesmo de barco, algumas iam a pé”. Graças ao programa de atendimento básico houve redução de 21% do número de encaminhamentos a hospitais, segundo pesquisa feita pelo Ministério da Saúde. “Quando a gente trata o problema de saúde lá na base, lá no posto de saúde do bairro, a gente trata as doenças no início. Assim, você consegue controlá-las e até curá-las. E isso desafoga os hospitais e os serviços de urgência”.

Dilma Rousseff ainda destacou que a oferta de vagas em cursos de medicina está aumentando. O programa prevê a criação de 11,5 mil vagas em cursos de graduação até 2017. Para residência médica — quando um profissional se especializa em determinada área da medicina — serão criadas mais 12,4 mil vagas até 2018. "Uma coisa importante é que a maior parte dessas vagas está também sendo criada em cidades do interior. Essa é uma estratégia fundamental para fixar os médicos na própria região onde são formados. Isso faz parte do nosso esforço de descentralizar a graduação e a especialização de médicos, que antes só se formavam nos grandes centros urbanos, em especial nas regiões Sul e Sudeste.”

O anúncio da superação da meta deve adoecer vários demotucanos — como Álvaro Dias e Ronaldo Caiado. Eles fizeram de tudo para bombardear o programa, inclusive incentivando protestos agressivos contra a chegada de médicos estrangeiros. Chegaram a explorar o anticomunismo mais tacanho para atacar profissionais cubanos reconhecidos internacionalmente por sua competência no tratamento básico de saúde. Alegaram que não havia necessidade de mais médicos no país, apesar de um levantamento do Tribunal de Contas da União, divulgado em abril, ter constatado que a falta de médicos é o principal problema enfrentando por 81% dos hospitais do Brasil. A histeria oposicionista, porém, foi derrotada.

Recente pesquisa do Datafolha confirma que 70% dos entrevistados — beneficiados pelo programa — consideram o atendimento ótimo ou bom e duas em cada três pessoas aprovam a decisão de trazer médicos formados fora do Brasil para melhorar o atendimento médico na rede pública. Na região Nordeste, a iniciativa do governo é aprovada por 72% dos beneficiados. O programa “Mais Médicos” será uma das principais vitrines da campanha pela reeleição da presidenta Dilma Rousseff. O que a mídia tucana escondeu até hoje poderá ser exposto nos programas de rádio e tevê da candidata. Muitos tucanos ficarão doentes de raiva e inveja! Talvez procurem algum médico cubano!

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O taxista, eu e a Copa do Mundo

Saudando a decisão do STF de derrotar Barbosa e começar a recolocar as coisas em ordem, o jornalista Paulo Moreira Leite escreveu em seu blog um artigo primoroso, no qual diz que "há oxigênio no ar" no Brasil. Também senti O² na conversa que tive com um taxista na volta para casa, na noite desta sexta-feira, véspera de Brasil x Chile.

Bepe — E aí, como está a Copa do Mundo para vocês do táxi?

Taxista — No início estava fraco. Sei lá, os gringos só queriam andar de transporte público no começo. Era só ônibus e metrô. Mas de uns dias para cá passaram a pegar táxi também. Ainda bem.

Bepe — Pelo que você observa, esses passageiros estrangeiros estão gostando da Copa?

Taxista — Nossa senhora! Não entendo línguas estrangeiras, mas dá para perceber a felicidade deles. Os que conseguem falar alguma coisa da nossa língua  fazem questão de dizer que nunca houve Copa como essa.

Bepe — Engraçado, a imprensa não dizia antes da Copa que ia cair reboco na cabeça de quem fosse aos estádios, que os transportes públicos não funcionariam e que os aeroportos dariam um nó?

Taxista — Rapaz, nem me fale. Minha mulher é evangélica e estava preocupada comigo, com o meu trabalho no táxi durante a Copa. Dava no jornal todo dia que só ia ter confusão. Tudo mentira.

Bepe — Por que será que a imprensa do Brasil mente tanto?

Taxista — É. Só gostam de falar de coisa ruim. Eu não entendo nada de política. Mas acho que essa coisa da Copa era tudo contra a Dilma.

Bepe — Também acho que todo esse terrorismo sobre a Copa só explica pela política. O que eles querem é derrotar o PT.

Taxista — Mas bem que eles podiam separar as coisas, né? Onde já se viu achar que Copa do Mundo não vai dar certo logo aqui onde todo mundo adora futebol?

Bepe — Pois é, isso não faz a cabeça de ninguém. E você, como tem se virado para ver os jogos da Copa tendo que rodar tanto no táxi?

Taxista — Nos jogos do Brasil, paro antes e vou para casa assistir. Depois, volto para a batalha. Não dá para perder. Em dia de jogo tem muita gente querendo táxi. Mas eu gosto muito de futebol e tento ver pelo menos pedaços dos outros jogos quando paro para almoçar ou para dar um descanso. Mas, em casa, à noite, vejo um programa esportivo que mostra os lances e os gols dos jogos.

Bepe — Qual o programa que você costuma assistir ?

Taxista — Um da ESPN que tem uns caras muito inteligentes falando sobre os jogos. E não vejo mais jogo na Globo. Ninguém suporta mais o tal do Galvão Bueno.

Bepe — Também estou vendo a Copa pela ESPN e não perco essa resenha noturna que se chama Linha de Passe.

Taxista — Muitos amigos e parentes também não estão vendo a Copa pela Globo. Já chega, né? É preciso dar vez para as outras.

Chegamos ao destino, me despedi do taxista e entrei em casa de alma lavada.

No Blog do Bepe
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Com confirmação das alianças, tempo de propaganda política na TV é definido

A presidenta Dilma Rousseff, com nove partidos coligados oficialmente terá aproximadamente 9 minutos e 40 segundos na propaganda eleitoral


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Facebook manipuló información de 700 mil usuarios para realizar estudio

Facebook realizó un estudio donde manipuló las informaciones de unos 700 mil usuarios anglófonos para un indagar sobre el "contagio emocional" de los grupos, generando un amplio rechazo de internautas, quienes expresaron su "profunda pena" y lo describieron como "alarmante".

Los ejecutivos de la red social Facebook manipularon las informaciones de unos 700 mil usuarios anglófonos para un estudio científico sobre el "contagio emocional" de los grupos, generando preocupación sobre la privacidad de los usuarios.

El estudio se realizó del 11 al 18 de enero de 2012, donde Facebook y los investigadores de las universidades de Cornell y California modificaron en secreto el sistema de algoritmos de la red para manipular los contenidos. El objetivo era saber si el número de mensajes positivos o negativos leídos por los miembros de la red social tenía influencia sobre lo que publican.

Según el resultado de la intrusiva investigación, publicado el 17 de junio en la revista de la Academia Nacional de las Ciencias de Estados Unidos (PNAS), se evidenció que los usuarios utilizan más palabras negativas o positivas de acuerdo al alcance de los contenidos a los que sean expuestos.

"Los estados emocionales son comunicativos y pueden transmitirse por un efecto de contagio, lo que conduce a las personas a sentir las mismas emociones sin ser conscientes de ello", escribieron los autores, quienes dan por demostrada la supuesta "realidad de un contagio emocional de masas por medio de las redes sociales".

Como era de esperarse, el estudio pasó desapercibido al principio pero luego se destaparon las alarmas y causó la indignación de los internautas luego de una serie de artículos publicados este sábado en la revista en línea de Slate y en las páginas web de The Atlantic y Forbes.

"Es sin duda legal pero ¿es ético?", se preguntaba The Atlantic en un artículo. Mientras, algunos internautas expresaron su "profunda pena" y lo describieron como "alarmante" y "demoníaco". "Llegó el momento de cerrar tu cuenta de Facebook", escribió indignado un usuario en Twitter.

Susan Fiske, de la Universidad de Princeton y editora de la PNAS, evadió la responsabilidad al ser cuestionada sobre el estudio, reconoció que el estudio irritó a los usuarios e indicó "que es Facebook el que debe aportar una respuesta al desasosiego" de sus usuarios.

No teleSUR
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A Fifa é um “bando de velhos fdp”, diz Mujica


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Por que a torcida da seleção é tão bunda mole?

Torcida que não costuma frequentar estádios
O Brasil havia acabado de perder a Copa de 1998 para a França. Derrota por 3 x 0 na final, a pior da seleção na história das Copas. Uma campanha de TV tentou recuperar a autoestima brasileiro com um dos vilões daquela partida: o goleiro francês Fabián Barthez. Pessoas comuns — e não comuns, como Millene Domingues, a rainha das embaixadinhas, antes de casar com Ronaldo e de ser a mãe de Ronald — batiam pênaltis que o campeão do mundo daquele ano não conseguia defender. Até que um menino bate e o goleiro defende, mas, vendo a decepção do garoto, joga a bola para o próprio gol.

A campanha era dos chinelos Rider e foi produzida pela W/Brasil. “Em 1999, você vai marcar o gol dos seus sonhos, e o Brasil vai acertar o pé”, dizia. A trilha sonora era “sou brasileiro/com muito orgulho/com muito amor”, grito cooptado dos chilenos, que o introduziram naquela mesma Copa.

A canção foi adotada pela torcida da seleção. Um canto que ecoa nos estádios de futebol, nos jogos de vôlei ou de qualquer modalidade. Até mesmo nas manifestações de rua do ano passado ela foi lançada. Nunca muda. É sempre a mesma nota.

O brasileiro não tem lá muito jeito de torcer pela sua seleção. Não somos tão criativos como os ingleses, que costumam rir da ruindade de seus times, nem tão apaixonados como os argentinos, que nunca deixam de cantar. Não temos a irritante energia dos mexicanos, que não param um só minuto — inclusive com a indefectível “Cielito Lindo”, aquela do “ai, ai, ai/tá chegando a hora”. Nem mesmo os gritos extasiados de japoneses ou a empolgação de uma batucada africana.

No lugar disso, vamos com o que temos na mão. Da Copa do México, importamos a “olla”, a famosa onda das arquibancadas. Todo jogo de seleção tem uma dessas. Nos jogos deste Mundial, a torcida aderiu ao grito mexicano de “PUTO” quando o goleiro rival vai bater o tiro de meta.

Não falta só criatividade. Às vezes falta mesmo paciência. E isso não é atributo apenas da torcida paulista, como se acostumou dizer. Na Copa América de 89, a seleção foi vaiada em todas os jogos na Fonte Nova. O Mineirão protestou contra o time de 1994. O Rio, contra o de 1998. Mas sejamos justos: os paulistas sempre foram chatos com o time amarelo, até em campeonato de bafo. O xingamento a Dilma vai nesse bolo.

Mas a questão não é ser chato. É como nos apegamos a um grito que uma agência de propaganda encomendou para uma marca de chinelos há 16 anos e como isso virou o hino oficial da torcida. É a praga desta Copa. Até no jogo Rússia x Coreia do Sul, em Cuiabá, um coro do tipo foi puxado.

Como é que somos tão chatos na arquibancada se, nos campeonatos locais, nossas torcidas são tão criativas? Mesmo nas provocações — lembro da hilária demonstração da torcida do Vasco quando Romário fez o seu 999º gol e provocou a do Flamengo, que tinha então o centroavante Souza, que depois passaria por Corinthians e Bahia: “Puta que o pariu/Só faltou 1000 pro Souza fazer mil”. A do rubro-negro já adaptou “Poeira”, de Ivete Sangalo”, e marcou um título carioca com ela. O Botafogo tem o “Ninguém cala/esse nosso amor”. O Flu tem o João de Deus. O Corinthians inventou o “Loco por ti”; o Palmeiras adotou o porco; o Santos tem seus cantos, o São Paulo também.

Será que é por que o público da seleção, por ser mais abastado, não gosta de ir a estádios e só vê os jogos pela televisão? Ou por que os que vão ao estádio torcem o nariz para o time nacional? Mas a gente pode reduzir a pergunta a uma só: por que a torcida da seleção é tão bunda mole nesse quesito?

PS: O canto “Sou brasileiro/com muito orgulho/com muito amor” está registrado no Inpi por Nelson Biasoli desde 1979. É uma versão de “It’s a Heartache”, de Bonnie Tyler, que também ganhou uma versão em espanhol com o Boca Juniors anterior ao registro de Biasoli — o nome dela é “Boca de Mi Vida”. A versão cantada pelo Chile na Copa da França é uma adaptação dessa. A brasileira começou a cantá-la logo depois do encontro entre as duas seleções, nas oitavas de final do Mundial de 1998. Para deixar bem claro: o texto não fala sobre a origem da música, mas sim quando ela se popularizou. E isso aconteceu depois do comercial da Rider, no fim de 1998.


Mário Sérgio Silva
No DCM
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Pesquisão UOL Copa: para imprensa estrangeira, Brasil fez a melhor Copa

Os jornalistas estrangeiros estão gostando da Copa do Mundo do Brasil. Um pesquisa feita pelo UOL Esporte com 117 profissionais constatou que o Mundial deste ano é o melhor já visto pela maioria deles.

O levantamento ouviu jornalistas na primeira fase e concluiu que 38,5% dos entrevistados consideram o Mundial brasileiro como o melhor já visto. A Copa do Mundo de 2006, que foi realizada na Alemanha, aparece na segunda posição da pesquisa, com 19,7% das respostas. Vale destacar que 16,2% dos jornalistas disseram estar cobrindo sua primeira competição.

O torneio organizado na África do Sul, em 2010, fica em terceiro lugar na lista, com 5,1%. Já o palco do tetracampeonato brasileiro em 1994, nos EUA, foi o quarto melhor mundial na opinião dos profissionais.

Aparecem na sequência Itália—1990 (3,4%), França—1998 (3,4%), Japão e Coreia—2002 (3,4%), México—1986 (1,7%), México—1970 (1,7%) e Alemanha—1974 (0,9%). Entre os entrevistados, 1,7% não respondeu a pesquisa.


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Imagina nas eleições

Se com a Copa foi assim, imagine doravante, quando está em jogo o cargo mais importante da República.

Poucas vezes viu-se tamanha desinformação como antes desta Copa. A previsão era dantesca. Caos nos aeroportos, estádios incompletos, gramados incapazes de abrigar jogos de várzea, tumulto, convulsões sociais, epidemias. Os profetas do caos capricharam: alguns apostaram que as arenas só ficariam prontas após 2030. Só faltou pedirem à população que estocasse alimentos em face da catástrofe.

Diante de um cenário diametralmente oposto, os mensageiros do apocalipse ensaiam explicações. A principal é a de que a alegria do povo brasileiro suplantou a penca de problemas que estava aí, a olhos vistos, e ninguém queria enxergar. Desculpa esfarrapada.

Se é inquestionável que os brasileiros têm uma tradição amistosa, ela por si só não ergue estádios decentes, melhora aeroportos, acomoda milhares de turistas e garante acesso aos locais das partidas. Problemas? Claro que houve, mas infinitamente menores do que os martelados pela imprensa em geral. Muita gente mentiu, ou, no mínimo, não falou toda a verdade — o que em geral dá no mesmo.

Durante um tempo quase infinito, os brasileiros foram vítimas de uma carga brutal de notícias irreais. Se tudo estava tão atrasado e fora dos planos, como a Copa acontece sem contratempos maiores do que os de outros eventos do gênero? Talvez o maior legado deste choque entre fantasia e realidade seja o de que, acima de tudo, cumpre sempre duvidar de certas afirmações repetidas como algo consumado.

A profusão de instrumentos de informação atual, ainda bem, oferece inúmeras alternativas para que opiniões travestidas de certezas sejam postas à prova. Mais do que nunca, desconfiar do que se ouve, assiste e lê é o melhor caminho para tentar, ao menos, aproximar-se do que é real.

No final das contas, é bom que essa distância entre versão e fato tenha ficado escancarada num ano eleitoral. Se com a Copa foi assim, imagine doravante, quando está em jogo o cargo mais importante da República. A enxurrada de algarismos para mostrar um país à beira do abismo ocupa boa parte do noticiário "mainstream". Na outra ponta, estatísticas de toda sorte surgem para falar o inverso. Quem tem razão?

Nessa hora, o decisivo é avaliar como está a vida do próprio cidadão e como ela pode ficar se vingar a proposta de cada candidato. O mais difícil, como sempre, é descobrir se estes têm coragem de dizer o que realmente pretendem realizar.

Me suga que eu te sugo

O ciclo de convenções partidárias dá uma ideia do nível da campanha pela frente. A convenção do PSB de Campos e Marina elegeu como lema tirar o país do "atoleiro". Antes disso, porém, seria preciso tentar resgatar a própria legenda do lodaçal. Anunciado como terceira via, o acordo entre Campos e Marina até agora não exibiu nada de diferente da velha política que dizia combater. Mas suas alianças país afora parecem autoexplicativas.

Já a convenção estadual paulista do PSDB seria apenas cômica, não fosse ainda mais cômica. O ponto alto, se é que houve algum, foi o discurso do candidato à Presidência Aécio Neves. Ao se referir ao PT, ele disse: "Infelizmente, a vitória para eles não significou apenas uma oportunidade de exercer uma proposta de poder mas a possibilidade de ascensão econômica."

O impressionante é que ele não ficou sequer ruborizado, embora seu partido acoberte pessoas como Robson Marinho, para citar apenas São Paulo, e outros tantos que enriqueceram na base da rapinagem do dinheiro do povo. Bem, tudo se pode esperar de quem outro dia recomendou a eventuais futuros aliados hoje no governo federal: "Vão sugar um pouco mais. Façam isso mesmo: suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado". De preferência com a mala cheia.

Ricardo Melo
No fAlha
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Jovens invadem sites em protesto contra a Copa e têm equipamentos apreendidos


O computador de um jovem da periferia de Salvador foi usado para invadir sites de instituições como a Nasa, órgãos governamentais e empresas patrocinadoras da Copa do Mundo. Os irmãos e a mãe do adolescente, que dividiam com ele o uso da máquina, sequer desconfiavam que o garoto não só sabia modificar sites, mas tinha, com outros hackers baianos, invadido cerca de 1.500 páginas em cerca de um ano.

A forma contemporânea de protestar foi descoberta e gerou a apreensão de quatro adolescentes e de equipamentos como computadores, HDs externos, pen drive e DVD, em operação do Grupo Especializado de Repressão aos Crimes por Meios Eletrônicos (GME) da Polícia Civil da Bahia, ontem (26). Os materiais foram encaminhados para perícia no Departamento de Polícia Técnica (DPT). Por serem menores de idade, os jovens foram liberados, mas podem ter que cumprir medidas socioeducativas.

A investigação teve início quando foram invadidas as páginas da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP) e da Academia de Polícia Civil (Acadepol). Segundo o delegado responsável pelo caso, Charles Leão, o GME chegou a três grupos de hackers que compartilhavam informações e colaboravam no ataque aos sites. “Eles estavam plenamente em vigor na operação contra a Copa do Mundo”, informou Leão. O delegado avalia que por trás das ações “não havia uma bandeira, uma política partidária. Havia jovens que se divertiam, descobrindo vulnerabilidades dos sites”.

Com idade entre 15 e 17 anos, os hackers foram localizados em suas casas, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, e convidados a depor. Leão conta que todos foram ouvidos na frente dos pais, que não só colaboraram com as investigações como “ficaram surpresos com o nível dos ataques” organizados pelos filhos. Estes, para eles, apenas gostavam de tecnologia. O delegado conta que, durante os depoimentos na delegacia, os jovens se mostraram arrependidos.

Outros integrantes de grupos hackers, ligados aos adolescentes descobertos na operação, continuam sendo investigados. As provas das ações devem ser reunidas e encaminhadas para o Ministério Público, a fim de que a Justiça adote as medidas necessárias.

Charles Leão espera, contudo, que os jovens não sejam criminalizados. Ele avalia que os adolescentes agiram para buscar autoafirmação e desafiar as instituições, e salienta que eles “têm um potencial enorme, que pode ser utilizado para produzir coisas boas para eles mesmos e para a própria sociedade”.

Leão conta que três dos quatro envolvidos são integrantes de famílias humildes, que tiveram contato com os demais jovens a partir de jogos online. “A partir daí, foi muita persistência na busca do conhecimento e na transmissão de conhecimento”, disse o delegado. Ele espera que o Estado “pegue todo esse conhecimento e aplique para o bem”.

Helena Martins
Agência Brasil
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BOMBA! Eis a prova definitiva de que a Copa foi comprada!

E paga na lotérica. Lógico, né?

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29 de jun de 2014

Comparações deflacionadas

Em 20 anos de Real inflação subiu mais no governo FHC do que nos governos Lula e no primeiro mandato de Dilma

Estamos assistindo aos primeiros sinais de que o 20º aniversário do Plano Real deverá ser comemorado em grande estilo.

Não é para menos. No caminho da sexta eleição presidencial desde que o Real foi anunciado, o plano é uma bandeira prioritária da oposição para reivindicar a chance de retornar ao Planalto, após três derrotas consecutivas.

Mas é um debate que os criadores do Real devem encarar com cautela. Se em duas décadas a inflação jamais retornou aos planos absurdos de 1993 (2477% ao ano) ou de 1994 (916%) a atuação do PSDB para proteger o bolso dos brasileiros, especialmente os mais humildes, aqueles que mais sofrem com a alta dos preços, foi o pior em 20 anos. Quando os dados são expurgados do prestígio e da preferência que a maioria dos analistas devota aos economistas ligados ao PSDB, verifica-se que a realidade é muito diferente. Coube a governo de FHC cravar as piores médias do período.

Aos números: no primeiro mandato do governo Fernando Henrique, eleito a bordo da nova moeda, o IPCA foi de 22,4 em 1995, 9,5 em 1996, 5,22 em 1997 e 1,6 em 1998. Média anual: 9,3%.

No segundo mandato, a inflação subiu 8,9 em 1999, 5,9 em 2000, 7,6 em 2001 e 12,5 em 2002. Média anual: 8,6%.

No primeiro mandato do governo Lula, as altas foram de 9,3 em 2003, 7,6 em 2004, 5,6 em 2005 e 3,1 em 2006. Média anual: 6.4%

No segundo mandato do governo Lula, as altas foram de 4,4, 5,9, 4,3 e 5,9. Média anual: 5,1%

No governo Dilma, as altas foram de 6,5 em 2011, 5,8 em 2012, 5,9 em 2013 e 6,4 na projeção em 2014. Média anual prevista: 6,1%.

Colocando a avaliação no plano puramente inflacionário, está claro que os melhores números foram obtidos nos dois mandatos de Lula. O governo Dilma fica em 3º lugar, enquanto o governo FHC ocupa as piores posições.

Alguma dúvida?

Paulo Moreira Leite
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FIFA, Governança Global e a Copa do Mundo no Brasil


A realização da Copa do Mundo no Brasil é uma das muitas comprovações das teses críticas e céticas sobre o poderoso — e simpático! — conceito de Governança Global, elaborado nos anos 1990. Basicamente, a ideia era a de sustentar e legitimar a horizontalidade de arranjos e multiplicidade de atores globais na condução de uma “governança sem governo”, isto é, demonstrar que a nova ordem mundial multipolarizada caminhava para uma concertação de interesses cada vez mais convergentes e distantes de um mundo maniqueísta, autoritário e bélico. Governo? Uma palavra muito dura e até ultrapassada, com autoridade vinculante a um determinado território… No mundo político, a palavra Governança veio a captar um estágio bastante particular do sistema-mundo capitalista.

Na década de 1990, a noção de uma sociedade civil global ganhou igualmente força, embalada pelo debate sobre a Reforma da ONU no seu cinquentenário, pela série de conferências internacionais temáticas, pelos riscos classificados como globais, pelas novas tecnologias de informação e comunicação, pela explosão do chamado Terceiro Setor, entre outras razões. Neste espírito aparentemente colaborativo, um conjunto de agendas com potencial primeiramente transformador foi cooptado e neutralizado com outros nomes simpáticos: desenvolvimento sustentável, segurança humana, qualidade da democracia, empresa cidadã, responsabilidade social empresarial — para citar apenas alguns.

Não tardou para um debate crítico contrapor-se à construção deste cenário: a Governança Global seria como uma espécie de nuvem “nebulosa”, na qual as relações de poder e as formas de dominação tornavam-se mais sutis e difíceis de se rastrear e enfrentar. Por dentro e nos meandros, ela não era representativa, transparente, accountable e democrática, apesar dos discursos, receitas e das “boas práticas” incentivadas.

Esta curta e recortada história parece ser bastante útil e significativa para o debate sobre os impactos da Copa do Mundo que está sendo realizada neste exato momento no Brasil. Este é um caminho complementar e alternativo para tentarmos entender como a ausência de democracia nesta nova conformação do sistema internacional afeta radicalmente os níveis locais e nacionais que afinal os compõe. Vivemos em um mundo no qual a decisão de um pequeno número de pessoas do outro lado do planeta tem o poder de vida e morte sobre comunidade inteiras — este foi o diagnóstico de David Held para atestar os abalos à validade da teoria da democracia confinada para dentro dos Estados.

A FIFA, fundada em 1904 e sediada na Suíça, passou por este grande processo de “modernização” tributário da lógica da Governança Global. Possuindo mais membros filiados do que a própria ONU, da qual também faz parte, ela procura acompanhar os discursos e as agendas dos atores amigáveis à democracia, responsabilidade social, desenvolvimento sustentável… Cada vez mais a organização preocupa-se em projetar uma imagem preocupada com práticas democráticas e transparentes, uma resposta às constantes denúncias da forma como é exercido e acumulado seu poder.

O que é o privado e o público na forma como a FIFA atua? Em que medida falar em “corrupção” realmente enquadra o principal objetivo hoje da FIFA? Qual é a importância política global de se negociar limpo? No estágio do turbocapitalismo no qual vivemos, a FIFA estimula um mercado e uma indústria inéditos na profissionalização do futebol, com um toque missionário do esporte como desenvolvimento. O poder político, econômico e simbólico que hoje a FIFA representa e alimenta faz com que a forma como se constrói sua representação política interna importe muito na sua representação política internacional.

Hoje, certamente a FIFA é um dos atores da sociedade civil global mais poderosos da Governança Global no ramo desportivo. A organização carece de todas as práticas que aparentemente estimula: democracia e accountability. A palavra corrupção talvez seja inadequada para pensar a FIFA, como infelizmente o é para o mundo dos negócios e dos interesses privados. Absolutamente descomprometida com o interesse público, embora faça uso de uma paixão muito pública para muitos países, a FIFA se comporta e se movimenta na obscuridade e nebulosidade das poderosas instituições internacionais com fins lucrativos.

Ao sugerir que a FIFA é um típico e representativo ator da Governança Global, não podemos esquecer o papel do Estado, geralmente interlocutor e facilitador da Governança. A controvérsia entre soberania e ingerência é intencionalmente por ele apagada. E aqui chegamos ao Brasil.

Assim como foi na África do Sul e o será na Rússia, o Brasil integra o grupo dos BRICS, o Sul Global de maneira geral, com a perspectiva de projetar uma contra-hegemonia dentro da hegemonia. A realização da Copa do Mundo no Brasil pode ser um gol de placa no que se refere à movimentação da economia interna e à projeção internacional do Brasil; mas, o que realmente não tem preço e nem medida é o encontro de muitas culturas, povos, etnias e nacionalidades dentro do nosso país. Trata-se de uma interessante convivência mista entre nacionalismos e cosmopolitismo em nome do futebol, ainda que não livre de estereótipos, preconceitos, machismos e racismos… Lembra-se que com todas as suas contradições e limites, a campanha contra o racismo levada pela FIFA é extremamente importante política e simbolicamente.

Um dos outros lados da história é o conjunto de injustiças, violências e exclusões nos níveis locais da vida em função da realização do campeonato mundial. A ausência de democracia e justiça no nível internacional se conecta diretamente com os impactos locais de uma Copa que não é popular e não é pública. Um dia o foi? A possibilidade de responsabilização direta sobre a FIFA é praticamente nula; existem muitos níveis governamentais locais e subnacionais que podem e foram pressionados pela sociedade. O “padrão FIFA” foi e é contestado das mais diferentes maneiras. E sabemos que a contestação pública é um dos motores de uma democracia ativa e pulsante, mesmo que a repressão policial desproporcional e descabida às manifestações nos indique exatamente o contrário.

A grande maioria das críticas, absolutamente fundamentadas, disse respeito à forma como foram conduzidas as obras e suas cifras, alimentando o cerco ao estrangulamento da vida nas cidades e nas periferias que vêm aumentando há muitos anos em várias metrópoles do Brasil. Neste sentido, as preparações para a Copa intensificaram o fenômeno da privatização do espaço e da vida pública crescentemente sentidas em muitas capitais do país. Para milhares de pessoas, as consequências foram ainda mais tragicamente concretas.

Por fim, chego então a uma das consequências mais significativas em torno da realização da Copa do Mundo no Brasil: a politização, a mobilização e a discussão sobre os impactos e as injustiças geradas internamente por uma entidade internacional cuja receita orbita para cima de quatro bilhões de dólares. A FIFA e a Copa estão na boca do povo, sem e com oportunismos da oposição política à esquerda e à direita, incluindo nesta última a mídia hegemônica.

Veja-se a declaração do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke: “Vou dizer algo que é maluco, mas menos democracia às vezes é melhor para se organizar uma Copa do Mundo”. Esta declaração é desanimadora e assustadora para pensarmos o próprio futuro das ações da FIFA, mas faz muito sentido para nos orgulharmos do Brasil. Ao que tudo indica, o Brasil inaugurou um cenário de contestação pública importante para a viabilização das futuras Copas. E a escolha para as próximas de países como a Rússia e o Qatar já começa a ser globalmente questionada, com chance de reversão no caso do último. Não intencionalmente, o Brasil contribuiu para o mundo ao demostrar a urgência da conexão entre a democratização da vida local e internacional, cada vez mais indissociáveis para o combate às injustiças e para a realização da própria democracia.

Luciana Ballestrin
No Aldeia Gaulesa
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Tucanos escondem que Aécio foi nomeado diretor da Caixa por Sarney, aos 25 anos

O Partido Pirata do Brasil, ainda em processo de criação, divulgou a página 15 de um suposto relatório interno do PSDB cujo teor contém estratégias e análise de conjuntura da pré-candidatura presidencial. Não há confirmação da autenticidade do relatório, não há assinatura que identifique a autoria, por isso não é possível tomá-lo como verídico, nem levá-lo a sério.


Mas não deixa de ser curioso um parágrafo, onde diz: "A execução da campanha será feita por Andrea Neves, irmã do nosso candidato. Ela já deu as dicas para não se associar de forma alguma com Sarney, e está estritamente ligada as pesquisas para prover a candidatura de forma dura contra o PT. Deve se encaminhar toda informação para o grupo que ela está trabalhando. O cuidado deve ser redobrado com os grupos ligados a Sarney".

Independentemente da veracidade ou não deste texto, em recente entrevista de Aécio Neves (PSDB), quando perguntado se o PMDB e Sarney comporiam sua base de apoio caso ele fosse eleito, o tucano deu uma resposta em cima do muro, dizendo que não fariam parte do núcleo central do governo.

Na entrevista dá para perceber uma preocupação do tucano em desvencilhar-se da imagem de proximidade com o senador José Sarney (PMDB), hoje em palanque oposto, mas com quem teve uma longa história de relacionamento político.

Ao fim da ditadura em 1985, o PMDB da época lançou a candidatura de Tancredo Neves, avô de Aécio, a presidente ainda em eleições indiretas pelo colégio eleitoral. Dissidentes do PDS, partido de apoio à continuidade civil da ditadura, criaram o PFL e Sarney foi escolhido vice. Tancredo adoeceu, faleceu, e Sarney tornou-se presidente.

Antes da missa de 30º dia de Tancredo, no dia 14 de maio de 1985, o Diário Oficial da União publicava decreto do então presidente José Sarney nomeando um jovem recém-formado de 25 anos para Diretor de Loterias da Caixa Econômica Federal. Era Aécio Neves.

O decreto era assinado também pelo então ministro da Fazenda, atual senador Francisco Dornelles (PP-RJ), primo de Aécio.

A nomeação política, e com nepotismo, do inexperiente Aécio Neves há 29 anos para um cargo tão alto, em uma espécie de primeiro emprego, desconstrói todo o discurso do tucano sobre gestão, meritocracia, aparelhamento político do estado, e outros bordões que os tucanos gostam de dizer, mas não praticam.

Por isso, o relatório divulgado pelo Partido Pirata pode ser ou não verdadeiro, mas a preocupação em não associar o nome de Aécio ao de Sarney faz sentido, pois traz de volta um passado que os tucanos preferem manter abafado, longe do conhecimento e da memória do grande público.

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As duas caras de Aécio, recuos para inglês ver

Aécio com Armínio Fraga (à sua direita) e João Dória Jr., do “Cansei”. Alguma dúvida sobre a sua real cara?
O senador Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência da República, é um camaleão em busca de votos.

Sem convicções realmente democráticas, ele apela apenas ao “marketing político”.

Nos últimos meses, foi possível flagrarmos alguns exemplos desse comportamento.

O mais escrachado foi em decorrência dos xingamentos à presidenta Dilma pelos VIPs do camarote do Itaú na abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, em São Paulo.

Aécio disse: os xingamentos foram a resposta à “arrogância” da presidenta.

Maciçamente a sociedade rechaçou os xingamentos. Foram um tiro no pé da elite brasileiros e de setores reacionários da mídia brasileira.

Aécio, então, provavelmente orientado por seus marqueteiros, repentinamente voltou atrás. Afirmou que críticas não devem “ultrapassar limites do respeito”.

Esse ziguezague mostra bem os dois Aécios: o que caminha junto com a direita brasileira e internacional aquele que, ao perceber o custo político-eleitoral da estratégia, recua.

Isso ficou bem claro anteriormente quando, em encontro com empresários, Aécio disse a Mônica Bérgamo, da Folha de  S. Paulo: “estou preparado para [implementar] decisões impopulares”.

Nessa mesmo matéria, Aécio e seu guru econômico, o ex-presidente do Banco Central de FHC, Armínio Fraga, foram muito claros sobre a necessidade de implantar medidas contra a população.

Diante dos ataques de seus adversários, Aécio voltar atrás. Mas de mentira.

Em entrevista recente ao Estadão, Armínio Fraga, que é o coordenador do programa econômico de Aécio,  diz que deve ser revista a política para o salário mínimo, reduzindo os seus aumentos, que provocará menor consumo e terá impactos no crescimento do PIB brasileiro.

Armínio Fraga defende também criar um teto para o gasto público e, assim, aumentar o superávit primário e cortar gastos, muito provavelmente nas áreas sociais, como fez no governo Fernando Henrique Cardoso. Além disto, pensa em diminuir o papel dos bancos públicos, reduzindo o crédito e levando o país à recessão.

O fato simbólico de Aécio ter entrado de mãos dadas com FHC na convenção tucana sinaliza bem como será o seu eventual governo: uma continuidade das políticas neoliberais que quase arruinaram o Brasil nos anos 90.

O governo FHC, para quem não se lembra, aumentou brutalmente a carga tributária, não gastou nas áreas sociais, ampliou o desemprego e quebrou três vezes o Brasil.

Portanto, muito diferente do que se vê hoje, em que mesmo enfrentando o sexto ano da maior crise internacional, o Brasil ainda se aproxima do pleno emprego e gera milhões de empregos.

Nesse sentido, que declarações de Aécio que valem?

As primeiras manifestações, claro, e não os recuos, para inglês ver.

Elas expressam com clareza a linha ideológica neoliberal e a prática política do governo FHC, que concorda em transformar a política e as eleições em partida de futebol e aprofundar o clima de ódio que vê nas redes sociais.

É terrível um candidato à presidência achar normal a agressão de baixo calão à sua adversária e sinalizar que nas eleições teremos um vale tudo.

Esta tragédia é reforçada com a nova declaração de Aécio que sinaliza para os partidos da base aliada “sugarem tudo” [de Dilma] e depois passarem a apoiá-lo.

Esta frase mostra que Aécio, sempre querendo parecer como paladino da moralidade, aprova as ações suspeitas e aceita a possível imoralidade com recursos públicos.

Ainda tem dúvida sobre a cara que vai um eventual governo Aécio?

Antônio de Souza
No Viomundo
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