30 de abr de 2014

A perseguição desumana e covarde de JB a dois homens indefesos

Ele
Não é justiça. É vendetta.

O que Joaquim Barbosa faz com Genoino e Dirceu não tem nada a ver com o conceito de justiça em si — um ato em que existe ao menos uma parcela de uma coisa chamada isenção, ou neutralidade, para usar uma palavra da moda.

Barbosa é movido por um ódio infinito.

Ele mantém Dirceu confinado na Papuda por raiva. E quer Genoino engaiolado, mesmo com problemas cardíacos, também por raiva.

A precariedade do sistema jurídico brasileiro é tamanha que se dá a um homem poder para fazer o que Barbosa vem fazendo, com uma hipócrita base de fatos que são fabricados para que a perseguição tenha ares legais.

Você escolhe médicos que vão dizer que Genoino está bem, e que não precisa de cuidados especiais. Isto funciona como aqueles repórteres da Veja que são escalados para provar, aspas, teses já definidas antes da primeira entrevista. O objetivo não é descobrir coisas, não é investigar um assunto. É chancelar uma conclusão que vem na frente dos fatos.

E depois que os médicos fazem seu servico abjeto, você exerce sua vingança mesquinha como se fosse um magistrado de verdade.

O caso de Dirceu é igualmente vergonhoso. Uma nota de jornal — um jornal tão famoso pelos erros que conquistou a alcunha de Falha de S.Paulo — vira uma prova contundente contra Dirceu. Numa inversão monstruosa da ideia da justiça, você tem que provar a inocência, e não o contrário.

Num cenário de reiterada desumanidade, destoou o gesto do deputado Jean Wyllys ao se negar a inventar ‘regalias’ para Dirceu. O partido de Wyllys faz oposição ao PT, e era presumível, diante do que se tem visto na cena política do país, que ele denunciasse as condições ‘espetaculares’ de Dirceu na Papuda.

Mas Wyllys optou pela honestidade. Relatou o que viu. Foi fiel ao que testemunhou. Não adulterou o que seus olhos encontraram. Seria um gesto banal, não fosse o ambiente de cinismo, cálculo e desonestidade que domina hoje o debate político nacional numa reprodução do que aconteceu, com trágicas consequências, em 1954 e 1964.

Joaquim Barbosa provavelmente esteja frustrado. O sonho de virar presidente naufragou miseravelmente. Só a mídia queria, além dele próprio e de um punhado de fanáticos de direita.

Ele foi obrigado a despertar para a dura realidade de que os holofotes lhe são dados apenas para dizer o que interessa à mídia. Ele queria falar recentemente do processo que move contra Noblat por alegado racismo. Ninguém na imprensa lhe deu espaço. Tentou trazer este assunto na entrevista que deu a Roberto Davila na Globonews. Davila mudou de assunto com um sorriso.

As declarações de Lula sobre o conteúdo político do Mensalão também não devem ter ajudado no humor de Barbosa. Sua obra magna, aspas, corre um sério risco de se desfazer em impostura.

Joaquim Barbosa é hoje uma fração do que pareceu ser, e amanhã será ainda menor, e o que sobrar provavelmente se cobrirá de ignomínia para a posteridade.

Para Dirceu e Genoino, o problema é que enquanto ele não volta ao nada de que saiu JB se dedica à arte sadica de persegui-los, sem que eles consigam se defender, prostrados que estão pelas circunstâncias, cada qual de seu jeito.

Neste sentido, não é apenas uma vingança, mas uma covardia.

Paulo Nogueira
No DCM
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Entenda o boicote tucano ao leilão de energia. E porque não haverá “apagão”.


Nestes dias em que está difícil escrever de política, o tempo que tenho deve servir para dar ao leitor a informação que ele não terá na mídia ou que terá, mas tão encoberta que se torna difícil compreender.

E num tema que este blogueiro vem estudando atentamente.

Ontem, o comentário de Míriam Leitão na CBN – assim como sua coluna hoje, em O Globo, voltam a bater na tecla de que o Governo Federal deveria decretar um racionamento de energia elétrica, em razão da seca que faz os reservatórios das hidrelétricas ficarem abaixo do ideal.


Nem em um, nem em outro, uma palavra sequer sobre o fato de o abastecimento de água em São Paulo estar numa situação desesperadora.

Esqueça qualquer consideração técnica. O caso é que hoje está sendo realizado um leilão de comercialização de energia elétrica e o objetivo, além de majorar o preço, é evitar que  as geradoras ofereçam eletricidade a um preço viável para as distribuidoras e deixem o mercado de fornecimento a descoberto.

E quebraram a cara no resultado, embora ainda vão tentar sustentar que não se cobriu toda a necessidade de contratação do que é comprado à vista, hoje; 3,2 mil MW, por até 822,83 por MW.

Foram contratados 2,05  mil MW — dois terços do que hoje é comprado à vista — por R$ 268 o MW, ligeiramente abaixo do preço máximo permitido, de R$ 271.

As previsões eram que 50% já seria um sucesso.

E porque isso aconteceu?

Porque não houve piora nas condições de armazenamento hidráulico do Sistema Integrado Nacional, mesmo não tendo havido em março e abril chuvas dentro da média histórica, muito ao contrário.

O armazenamento do Sudeste e Centro-Oeste termina março na casa dos 39%, contra pouco mais de 34% no final de fevereiro. A capacidade armazenada de todo o sistema nacional — que intercambia energia — passou de 38% para 43%.  No Rio Madeira, Santo Antonio voltou a operar algumas turbinas e Jirau colocou mais uma nova unidade em operação e houve o reforço de mais uma um pequena usina, a de Batalha, no Rio Grande, que começou a operar ontem.

Se o esvaziamento dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, o mais crítico, repetir este ano o período seco do ano passado — quando já se utilizou as térmicas como elementos de economia e registrou-se uma redução de 62,4 (29 de abril) para 45% (31 de outubro) — a previsão poderia ser de chegar-se ao período chuvoso com mais de 20% de energia armazenada. Pensando no pior cenário, talvez 15%.

E com a volta das chuvas o cenário teria uma mínima normalização, pois o “período chuvoso” deste ano só teve chuvas, mesmo, no nome. Foi, simplesmente, o pior da história desde que se tem registro.

É isso o que explica o sucesso do leilão.

Óbvio que ninguém vende no atacado por R$ 270 se pode encontrar cliente no varejo da R$ 820.

Mas também não deixa de vender a R$ 270 para guardar e, amanhã, ter de vender a R$ 100.

Exceto, é claro, as estatais do setor de energia nas mão de governos estaduais tucanos, que não venderam energia no leilão, segundo o Valor.

Julgue você se estão sendo usadas politicamente para agravar a crise.

Não creio que a nossa valorosa imprensa se aventure a questionar Aécio sobre a atitude da Cemig ou o tal Beto Richa sobre a da Copel em boicotarem o leilão.

Os tucanos trouxeram a seca para a eleição e vão pagar caro por isso.

Porque ela traz São Paulo para este tema, também. E o quadro é muito mais dramático por lá.

O Cantareira terminará a semana a 10% de sua capacidade.

Há um ano, eram 63% — bem parecido com o volume dos reservatórios das hidroelétricas do Sudeste/Centro Oeste.

Em 31 de outubro, esse nível havia caído para 36,8.

Uma perda, portanto, de 26,2%.

Menos os 10% de reserva atual, tem-se um resultado negativo de -16% do volume útil do sistema, ou 156 bilhões de litros de déficit.

A visão otimista da Sabesp é de retirar até 200 bilhões de litros do “volume morto’.  Cálculo duvidoso, porque são represas de mais de 30 anos, sofridas com o  assoreamento e acúmulo de substâncias nocivas no fundo, sobretudo metais pesados.

Como o amigo e a amiga sabem fazer contas, nota-se que a melhor das hipóteses é “chegar no talo” às chuvas.

Portanto, preparem-se: a pouca chuva, paradoxamente, faz fazer rolar muita água no período eleitoral.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Pronunciamento da Presidenta Dilma Rousseff pelo Dia do Trabalho



A presidenta Dilma Rousseff afirmou, em pronunciamento, nesta quarta-feira (30), que a luta pelo emprego e pelo salário está sendo vencida. Ela ainda revelou ter assinado uma medida provisória que corrige a tabela do Imposto de Renda, como nos últimos anos, garantindo mais dinheiro no bolso do trabalhador. Dilma ainda assinou decreto que atualiza em 10% os valores do Bolsa Família, que é recebido por 36 milhões de brasileiros. A medida assegura que os beneficiários continuem acima da linha da extrema pobreza definida pela ONU.
“Estamos vencendo a luta mais difícil e mais importante: a luta do emprego e do salário. Não tenho dúvida, um país que consegue vencer a luta do emprego e do salário nos dias difíceis que a economia internacional atravessa, esse país é capaz de vencer muitos outros desafios. (…) Nosso governo tem o signo da mudança e, junto com vocês, vamos continuar fazendo todas as mudanças que forem necessárias para melhorar a vida dos brasileiros, especialmente dos mais pobres e da classe média”, disse.
Dilma também destacou que o governo vai continuar com a política de valorização do salário-mínimo, apesar das críticas de que o pagamento tem crescido mais do que devia. Para a presidenta, é um instrumento efetivo para a diminuição da desigualdade e para o resgate da grande dívida social que ainda existe com os trabalhadores mais pobres.
“Nosso governo nunca será o governo do arrocho salarial, nem o governo da mão dura contra o trabalhador. Nosso governo será sempre o governo dos direitos e das conquistas trabalhistas, um governo que dialoga com os sindicatos e com os movimentos sociais e encontra caminhos para melhorar a vida dos que vivem do suor do seu trabalho”, afirmou.
Estabilidade

Dilma afirmou que, mesmo que, em alguns períodos do ano, tenham ocorrido aumentos localizados de preços, motivados, na maioria das vezes, por fatores climáticos, os últimos 11 anos foram o período mais longo de inflação baixa da história brasileira. Ela ainda lembrou que o salário do trabalhador cresceu 70% acima da inflação, com a geração de mais de 20 milhões de novos empregos com carteira assinada, sendo que 4,8 milhões no atual governo.
“E esses aumentos causam incômodo às famílias, mas são temporários e, na maioria das vezes, motivados por fatores climáticos. Posso garantir a vocês que a inflação continuará rigorosamente sob controle, mas não podemos aceitar o uso político da inflação por aqueles que defendem ‘o quanto pior, melhor’”, destacou.
Combate à corrupção

Dilma reafirmou o compromisso do governo no combate incessante e implacável à corrupção e que são órgãos do governo federal que têm revelado novos casos, caso da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União. Segundo ela, mesmo que a exposição dos fatos cause indignação e revolta de todos, isso não inibirá as instituições de apurar e denunciar mais, lutando para os investigados sejam punidos com rigor.
“O que envergonha um país não é apurar, investigar e mostrar. O que pode envergonhar um país é não combater a corrupção, é varrer tudo para baixo do tapete. O Brasil já passou por isso no passado e os brasileiros não aceitam mais a hipocrisia, a covardia ou a conivência”, destacou Dilma.
A presidenta também defendeu a Petrobras, que é um símbolo de luta e afirmação do Brasil, e que nunca vai se confundir com atos de corrupção. Segundo Dilma, tudo que tiver que deve ser apurado vai ser apurado com o máximo rigor.
“Não transigirei, de nenhuma maneira, em combater qualquer tipo de malfeito ou atos de corrupção, sejam eles cometidos por quem quer que seja. Mas igualmente não vou ouvir calada a campanha negativa dos que, para tirar proveito político não hesitam em ferir a imagem dessa empresa que o trabalhador brasileiro construiu com tanta luta, suor e lágrimas”, completou.
Pactos

Dilma lembrou os pactos firmados após as manifestações de junho, que já produziram resultados. Na educação, a lei que permitirá que a maior parte dos royalties e dos recursos do pré-sal sejam aplicados na educação foi aprovada. Na saúde, o programa Mais Médicos viabilizou a chegada, em seis meses, de mais de 14 mil médicos em 3.866 municípios, oferecendo uma cobertura de atenção básica para 49 milhões de brasileiros.

Já o pacto pela mobilidade urbana está investindo R$ 143 bilhões para melhorar o sistema viário e o transporte coletivo público nas cidades brasileiras, com a implantação de metrôs, veículos leve sobre trilhos, monotrilhos, BRTs, corredores de ônibus e trens urbanos. Sobre a reforma política, a presidenta afirmou que fará tudo o que estiver ao alcance para uma mudança na legislação que modifique as práticas, dando condições de construir a sociedade do futuro que todos almejamos.
“Foi assim que encaminhei ao Congresso Nacional uma proposta de consulta popular para que o povo brasileiro possa debater e participar ativamente da reforma política. Sempre estive convencida que sem a participação popular não teremos a reforma política que o Brasil exige. Por isso, além da ajuda do Congresso e do Judiciário, preciso do apoio de cada um de vocês, trabalhador e trabalhadora”, disse.
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O araponga trapalhão encontra a Folha


O Serviço de Inteligência Kroppolone & Ribeiro enviou, ao Conversa Afiada, comentário sobre o vídeo de Dirceu na Papuda, publicado na Folha.

E ao lado da foto da chegada da Comissão da Câmara ao presídio,  pergunta:  onde está Wally?

Clique aqui para ler “Quem filmou Dirceu na Papuda ?”

Em tempo: O Serviço de Inteligência suspeita que o trapalhão usou uma micro câmera instalada num botão ou num crachá.

Ao comentário:

Vá a 1’01” do vídeo. Veja a manga da camisa e o terno do sujeito que filmou Zé Dirceu na cadeia:


Agora, procure Wally nesta foto:


DEPUTADOS INTEGRANTES DA COMITIVA

— Nilmário Miranda (PT-MG) – coordenador da comitiva e vice-presidente da CDHM
— Luiza Erundina (PSB-SP) – integrante da CDHM
— Jean Wyllys (PSol-RJ) – integrante da CDHM
— Arnaldo Jordy (PPS-PA) – suplente da CDHM
— Mara Gabrilli (PSDB-SP) – não integrante da CDHM

Assessoria técnica que acompanhou a comitiva:

— Marina Basso Lacerda, assessora da CDHM
— Letícia Gobbi, assessora da CDHM
— Rafael Henrique Barzotto, assessor da CDHM
— Debora Bithiah de Azevedo, consultora legislativa
— Wilson Silveira, repórter da SECOM/Câmara dos Deputados
— Gabriela Korossy, fotógrafa, que não foi autorizada a entrar no complexo penitenciário
— Gidalva Cardozo, cuidadora da Deputada Mara Gabrilli
— Renato Jaqueta Benine, assessor da Deputada Mara Gabrilli
— Vicente Evaristo Santos Bezerra, secretário parlamentar do Deputado Federal Arnaldo Jordy
— William Pereira Dos Passos, Assistente Técnico da liderança do PPS.

Na véspera da visita, a CDHM comunicou os nomes dos integrantes da comitiva à Vara de Execuções Penais, mas os servidores que acompanharam o deputado Arnaldo Jordy (William e Vicente) não constavam na lista, já que a presença deles não havia sido comunicada à CDHM.

De todos os assessores que acompanharam a visita, apenas WILLIAM PEREIRA DOS PASSOS, do PPS de Roberto Freire — pior que ex-comunista, só… — esteve dentro da cela onde ocorreu a gravação.

William foi visto, ao final da visita, em conversa com o repórter fotográfico da Folha.
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Joaquim Barbosa determina que Genoino volte para Papuda em 24 horas

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, decidiu nesta quarta-feira (30) que o ex-presidente do PT José Genoino terá que se apresentar em 24 horas no presídio da Papuda, em Brasília.

A decisão de Barbosa foi baseada em laudo feito por médicos da UnB (Universidade de Brasília), que diz que o ex-parlamentar apresenta um quadro “clínico plenamente estabilizado” e “aparente ótimo estado geral”. Genoino está desde o ano passado em regime domiciliar devido a problemas cardíacos.

De acordo com decisão de Barbosa, Genoino deverá se apresentar no presídio no prazo de 24 horas, sob pena de expedição de mandado de prisão. Segundo o presidente do STF, Genoino deve voltar a cumprir a pena no Centro de Internamento e Reeducação (CIR), pois dois laudos, feitos pela junta médica, concluíram que o “quadro clínico do condenado não apresenta a gravidade alegada”. Na decisão, Barbosa também destacou que o ex-deputado poderá ser acompanhado pelos médicos de sua escolha e terá garantia de atendimento médico, se precisar.

Na defesa apesentada ao Supremo, o advogado do ex-parlamentar, Luiz Fernando Pacheco, defendeu que ele cumpra prisão domiciliar definitiva. De acordo com o advogado, Genoino é portador de cardiopatia grave e não tem condições de cumprir a pena em um presídio, por ser “paciente idoso, vítima de dissecção da aorta”. Segundo Pacheco, o sistema penitenciário não tem condições de oferecer tratamento médico adequado ao ex-parlamentar.
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Dirceu processa Veja


Os advogados do ex-ministro José Dirceu acabam de dar entrada, nesta quarta-feira 30, no fórum João Mendes, em São Paulo, a um pedido ao Tribunal de Justiça de indenização por danos morais contra a revista Veja, publicação do Grupo Abril. Na semana de 19 de março, a revista dedicou o espaço da capa para uma foto 'roubada' de Dirceu dentro da cadeia. “Mesmo um condenado à prisão perpétua tem direito ao respeito como homem”, alega a defesa do ex-deputado, na petição.

O ex-presidente do PT, condenado na AP 470, não autorizou ser fotografado e, antes disso, trata-se de prática ilegal divulgar imagens de presos sem permissão judicial. Na edição, reportagem com todas as fontes mantidas em sigilo insinuava que Dirceu desfrutava de regalias dentro do Complexo da Papuda, onde cumpre em regime fechado a decisão do STF que impôs a ele uma pena em regime semiaberto.

Dirceu quer o direito de responder no mesmo espaço da revista dedicado à matéria 'A vida na cadeia' e mais R$ 100 mil de indenização. A petição, datada do último dia 23 e assinada pelo advogado Fernando K. Lottenberg, aponta que a reportagem tem "intuito difamatório" e "uma série de inverdades com o nítido propósito de ridicularizar" Dirceu, "fazendo o leitor acreditar que, a despeito de estar encarcerado, gozaria de inúmeros privilégios". Texto atingiu a "imagem, honra e nome" do ex-deputado, diz ainda o documento.

Os advogados destacam a opinião de dois colunistas que, em artigos na imprensa, criticaram a qualidade da reportagem de Veja. "Jornalistas de expressão, como Alberto Dines e Ricardo Melo, o primeiro no Observatório da Imprensa e o segundo na Folha de São Paulo chamaram a atenção dos leitores para a péssima qualidade do que foi publicado", aponta a defesa. A liberdade de imprensa não se trata de um direito "incondicionado, fora de qualquer regra", acrescentam os advogados.

Abaixo, os dados da iniciativa jurídica de José Dirceu contra a Veja e a íntegra da petição:

1. TJ-SP
Disponibilização: quarta-feira, 30 de abril de 2014.
Arquivo: 1597 Publicação: 37
Fóruns Centrais Fórum João Mendes Júnior 17ª Vara Cível
Processo 1037556-25.2014.8.26.0100 - Procedimento Ordinário - Indenização por Dano Moral - Jose Dirceu de Oliveira E Silva - Editora Abril S.A. - Vistos. Cite-se, com as formalidades legais. Intime-se. - ADV: LUCIANO MARCEL MANDAJI DE MEDEIROS (OAB 207163/SP)
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Reclama de haitianos no Brasil e ainda diz que somos todos macacos

Fico descrente diante de comentários de colegas jornalistas, espumando preconceito e desinformação, criticando o “peso” dos imigrantes haitianos para a estrutura de atendimento de saúde, educação e assistência social e reclamando do estorvo econômico que seria a chegada desse pessoal.

Como se eles mesmos não fossem frutos de alguém que deixou sua terra natal por desalento ou esperança (quando a migração foi voluntária) ou trazido à força em um porão de navio.

Os haitianos não vêm simplesmente buscando oportunidades (não encontradas no país abalado pelo terremoto de 2010, que matou 300 mil pessoas, pondo abaixo suas já frágeis economia e instituições), mas também atendendo a um chamado por mão de obra – assim como ocorre com os bolivianos. Sim, esse fluxo migratório atende à demanda por força de trabalho no Brasil, em que determinadas ocupações já não são preenchidas apenas por brasileiros, como empregadas domésticas, costureiras, além de operários da construção civil e de frigoríficos.

Sob a perspectiva mal informada de parte população, contudo, vêm “roubar” empregos. Isso quando o preconceito não descamba para o medo de roubo de relógios, jóias, carros e casas.

A verdade é que muita gente, do Acre a São Paulo, passando por Brasília, não sabe de onde vem o incômodo que sente ao constatar centenas de haitianos chegando e andando pelas ruas.

Tenho certeza que, se tivéssemos loiros escandinavos pedindo estada ao contrário de negros, a história seria diferente. Ou seja, para esse pessoal o problema é o racismo mesmo. Com todas as letras. Somado, é claro, à sempre presente discriminação por classe social – negros ricos são menos queridos do que tolerados em uma sociedade preconceituosa como a nossa.

Algumas das pessoas que pensam dessa forma devem estar postando selfies com bananas, dizendo que somos todos macacos – um lema ridículo que faz uma crítica vazia, funcionando muito mais como modinha para oportunistas do que ajudando na conscientização sobre as causas e as consequências do preconceito. Aliás, essa pataquada foi ótima para mostrar o que já sabíamos: no dia a dia, #somostodosridículos.

Por fim, o fato da maioria de nossos antepassados ter sido explorada até o osso quando aqui chegou é mais um motivo para tratarmos com respeito os que, agora, chegam para ajudar nosso crescimento econômico e em busca de seu sustento.

O governo federal, que é o principal responsável por organizar esse processo, demorou para viabilizar e financiar estruturas de acolhida, apoio e intermediação oficial de mão de obra de modo a evitar a superexploração de haitianos que já começa a acontecer. Ou seja, falta que Brasília assuma responsabilidades.

Se o fluxo migratório boliviano ocorre, principalmente, para a capital e o interior do Estado de São Paulo, os haitianos espalham-se pelo país, com especial interesse nos Estados do Sul. Na gestão federal passada, ocorreram ações, como a intermediação de contratos com empreiteiras e que empregaram milhares de haitianos. Por que não desenvolver a política?

Enquanto isso, a sua vulnerabilidade se traduz em números: 21 haitianos foram libertados do trabalho escravo em uma ação de fiscalização do poder público em Cuiabá (MT), em uma obra do “Minha Casa, Minha Vida”, e outros 100 acabaram resgatados da escravidão em uma obra da mineradora Anglo American, em Conceição do Mato Dentro (MG) – ambos os casos no ano passado.

Coordenamos, há anos, uma “força de paz” no Haiti com a justificativa de ajudar a garantir a ordem e a reconstruir o país. O Brasil sempre disse que o Haiti deveria vê-lo como um irmão do Sul. Nada mais justo portanto que, no momento de necessidade, passarem um tempo na casa desse irmão. Ou, se quiserem, estabelecerem-se por aqui.

Ou não te incomoda agirmos como os idiotas agiam há 200, 100, 50 anos atrás?

Leonardo Sakamoto
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Em áreas estratégicas, Haddad bate Serra-Kassab


Números com realizações do primeiro ano da gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo formam base para relance de sua imagem; ele triplicou o número de pontos de instalação de luz na cidade, reduziu em mais de 100 mil lugares a fila para marcação de exames de saúde e investiu R$ 3 bilhões em obras diversas; volume é semelhante ao da soma do que foi aplicado nos primeiros anos das gestões de José Serra, em 2005, e Gilberto Kassab, em 2009; distante das grandes articulações políticas da campanha eleitoral, prefeito está empenhado em ser reconhecido como grande administrador

Após enfrentar um duro primeiro ano de mandato, no qual a sede da Prefeitura foi depredada durante as manifestações de junho e, no segundo semestre, sobraram derrotas no campo jurídico, especialmente em relação ao reajuste do IPTU, o prefeito Fernando Haddad finalmente tem números à mão para mostrar ao que veio.

Num levantamento produzido por assessores, com o sentido de comparar as primeiras realizações da atual gestão com administrações anteriores, o primeiro número destacado é o volume de investimento que os cofres municipais estão despejando na cidade.

Enquanto em 2005, primeiro ano da gestão de José Serra, os investimentos somaram R$ 1,018 bilhão, Haddad performou em 2013, seu ano de estreia no cargo, nada menos que R$ 3,719 bilhões. Esse número é praticamente igual ao da soma dos investimentos iniciais da gestão Serra com o do primeiro ano de Gilberto Kassab no cargo. Em 2009, quando ele deixou ser vice-prefeito para assumir o lugar de Serra, que fora eleito governador no ano anterior, a cidade investiu R$ 2,705 bilhões.

Nas contas da Prefeitura, o primeiro ano de Haddad no governo municipal criou 434 novos leitos em hospitais municipais, bem perto da totalidade dos leitos inaugurados nos oito anos anteriores, segundo a mesma fonte. As gestões de Serra e Kassab teriam chegado a 610 leitos, marca que Haddad deve deixar para trás já este ano, a seguir no mesmo ritmo.

Num ponto que o prefeito tem tocado com insistência — a longa fila para consultas e exames na rede de saúde municipal —, ele pode exibir uma redução significativa. Aumentando constantemente, à razão de mais de 20 por cento ao ano, até chegar a 810 mil pessoas em dezembro de 2012, de acordo com a assessoria de Haddad, a fila passou a ser atendida com maior velocidade. Em dezembro de 2013, ainda estava grande, mas com um total de 668 mil pessoas — ou 142 mil a menos que no mesmo período do ano anterior. O número 156, para a marcação de consultas, recebeu 5 milhões de ligações no ano passado.

A decisão de implementar faixas exclusivas para o transporte coletivo gerou polêmica, mas, na prática, foi levada adiante. Até 2012, a cidade exibia 80 quilômetros de faixas exclusivas, mas em 2013 ganhou mais 300 quilômetros.

Promessa de campanha, a renovação e implantação da iluminação pública também está em curso — e novamente a comparação feita pelos técnicos municipais favorece, de longe, a atual administração. Contra 6 mil novos pontos de iluminação colocados na gestão anterior, 18 mil, ou três vezes mais que o total dos quatro anos anterior, foram inaugurados em 2013.

No Programa Bolsa Família, os cadastramentos até 2012 chegaram a 228.121 na cidade de São Paulo, mas apenas no ano passado eles atingiram 127 mil. Sobre mais esse quesito Haddad pode mostrar uma boa performance. Ciente de que perdeu pontos junto ao eleitorado, o prefeito está somando suas realizações para acelerar o resgate de sua imagem como bom gestor.
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Preconceito no esporte: pesos e medidas


Em 2012, na Turquia, o jogador Emre insultou Didier Zokora. A punição de Emre deveria ser de 4 a 8 jogos, mas a federação o puniu por apenas 3 jogos. A pena risível da federação deve ter irritado muito os atletas do Trabzonspor que no jogo seguinte contra o Fenerbahce, foram à forra! O jogador Emre tomou várias bordoadas desleais (ou não) de seus adversários, a mais forte delas, do próprio Zokora.


[Enquanto isso, lá do “trono do futebol”, o rei Pelé fica calado, mineiramente quietinho...].
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Ministro do TSE anula decisão do TRE-RJ que condenava Garotinho e Rosinha

O ministro Dias Toffoli, que a partir de maio presidirá o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), anulou na noite desta terça-feira (29) uma condenação do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE) sobre o casal Garotinho por causa de uma entrevista de rádio feita em 2008. Na época, o ex-governador e deputado federal, Anthony Garotinho (PR-RJ), entrevistou a esposa Rosinha Garotinho, em seu programa de rádio, quando ela anunciou a intenção de disputar as eleições para a Prefeitura de Campos dos Goytacazes (RJ).

Para a defesa de Garotinho, a entrevista — ocorrida no dia 14 de junho de 2008, período pré-eleitoral — não teve gravidade ou potencialidade para desequilibrar as eleições daquele ano e nem justifica a gravíssima sanção aplicada pelo TRE fluminense.

Garotinho: "Sempre disse que era vítima de covardia"

Garotinho comemorou a decisão do ministro Toffoli em seu blog. "Sempre afirmei que era uma covardia a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE) de condenar a mim e a Rosinha por uma simples entrevista de rádio feita em 2008. Tudo sempre foi uma perseguição. O ministro Dias Toffoli terminou de vez com qualquer dúvida sobre quem estava com a verdade neste caso", disse o ex-governador.

Garotinho aproveitou para criticar o ex-presidente do TRE que, segundo ele, sempre o perseguiu. "Inúmeras vezes, rebatendo reportagens maldosas publicadas em veículos de comunicação que queriam me prejudicar, afirmei que a condenação imposta pelo TRE-RJ, comandado à época por Luiz Zveiter, era um absurdo pois proibia um radialista de exercer sua atividade profissional".

Pré-candidato ao governo do Rio pelo PR, Anthony Garotinho também desabafou contra parte da imprensa.

"Fomos perseguidos, tentaram nos humilhar em rede nacional, setores da mídia nos caçaram e sofremos juntos eu e Rosinha. E agora a legalidade foi restabelecida. Fomos abençoados por Deus com uma decisão justa que acaba com qualquer dúvida. Foi uma vitória da lei contra a injustiça; uma vitória que certamente mostrará a muitas pessoas que outras injustiças ainda precisam ser corrigidas e serão".
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Nota de Joaquim Barbosa revela que ele não sabe de nada

Irritado com as declarações do ex-presidente Lula à Rádio e Televisão Portuguesa (RTP), contrárias à condução do processo do mensalão, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, soltou uma nota em defesa do processo e externando sua visão sobre o STF.

Nela, afirma que Lula tem “dificuldade em compreender o extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma democracia verdadeiramente digna desse nome” e arremata dizendo que o STF é um "pilar essencial da democracia brasileira".

Barbosa avalia que a declaração de Lula "é um fato grave que merece o mais veemente repúdio", e que emite um sinal ruim ao "cidadão comum".

"Cidadão comum", como sabemos, é uma daquelas expressões orwellianas, usadas por quem acha que todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros. Há cidadãos e "cidadãos comuns".

Na condição de "cidadão comum", creio que o fato mais grave e que merece repúdio é alguém que se diz parte de um "pilar da democracia" não admitir o direito de quem quer que seja de criticar o STF, assim como podemos hoje criticar qualquer governo e o Congresso. São todos órgãos do Estado, fundados e mantidos pelo cidadão.

O grave é uma autoridade do Estado se utilizar de seu cargo para conclamar, em uma nota assinada enquanto presidente do Supremo Tribunal Federal, o repúdio a pessoas e a opiniões.

Se alguém tem dificuldade para compreender alguma coisa em matéria de democracia, de uma forma que seja "verdadeiramente digna desse nome", esse alguém é o próprio Joaquim Barbosa.

Qualquer aula de introdução à Ciência Política e qualquer cursinho sobre instituições políticas brasileiras mostram que o pilar da democracia é o princípio da soberania popular.

Nossa Suprema Corte não é constituída por esse princípio. Não é sócia fundadora da democracia. É fundada por ela. É ramo, e não raiz.

Barbosa poderia ter dito, por óbvio que seja, que o Judiciário é um pilar da Justiça, da liberdade, dos direitos humanos, inclusive contra os riscos dos governos da maioria.

Barbosa poderia e até deveria ter dito que esse não é um órgão democrático e representativo, pois não é eleito, mas que não deve se envergonhar disso. Trata-se de um órgão meritocrático, e até isso pode ser posto em dúvida. Até que ponto os ministros que vão para o Supremo são, de fato, os melhores? Há controvérsias saudáveis a respeito.

A confusão de Barbosa explica, em grande medida, sua dificuldade de distinguir entre a missão do Judiciário e o serviço do justiceiro.

Tal confusão demonstra de onde vem sua obsessão por invadir o espaço reservado aos demais Poderes. Em seu cálculo, o risco institucional vale menos que uma manchete. Daí o gosto pelos saltos triplos carpados hermenêuticos, como disse um ex-ministro daquele mesmo STF, que também gostava de praticar ginástica institucional.

O raciocínio rasteiro que subjaz à sua baboseira retórica revelou-se, não faz muito tempo, na indecisão de Barbosa quanto a sair ou não candidato. Embora já não possa se candidatar em 2014, até hoje ele continua falando e agindo como candidato, e não como presidente de um Poder da República.

Sua "lição" de estadista contra Lula mostra o quanto Barbosa se desentende com o que é ser um estadista. Nem mesmo seu cargo de presidente do Supremo; nem sua assessoria; nem sua toga esvoaçante foram capazes de encobrir seu despreparo na hora de redigir uma nota em que deva expressar uma correta definição sobre o que é e para que serve o STF.

O Supremo é um um órgão essencial, mas hoje tristemente comandado com mão de ferro — e como se isso fosse uma virtude, e não um veneno — por quem não tem qualquer traço de estadista, muito menos de democrata.

Antonio Lassance
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Roteiro para Horário Eleitoral de sucesso


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Jornalixo investigativo ou invasivo? Folha ajudada por deputada tucana filma Dirceu na prisão




Agora responda;

Como a Folha, bem como a Veja já o fez, conseguem imagens de Dirceu de dentro do presídio da Papuda?

Para termos estas respostas, basta nos perguntarmos a quem interessa continuar destruindo a imagem do líder petista e com qual finalidade...

Ai é jogar abelha no mel...

Ou tucano na merda... O que daria o mesmo sentido!

Percebe-se que José Dirceu nem sabia que estava sendo filmado. Como se vê pela qualidade da gravação com gente passando na frente, e por vezes a imagem fica escura, típica de quem está escondendo o celular em uma bolsa.

A suspeita é que tenha sido filmado pela deputada Mara Gabrilli do PSDB que não pode entrar na cela por ser cadeirante, e as imagens parecem ter sido feitas de baixo pra cima o que faz sentido.

Outro ponto forte que reforça ainda mais as suspeitas, é que a deputada tucana deu declarações dizendo que Dirceu tem regalias e foi contestada por Jean Wyllys do PSOL, que disse que ela não poderia dizer isso, pois ficou fora da cela por ser cadeirante. Ele afirma que a cadeira dela não passou.

A deputada Mara Gabrilli afirmou: "Existe sim um tratamento diferenciado", contrariando o que viram os parlamentares.

Mara Gabrilli faltou com a verdade e quem é capaz disso também é capaz de ter filmado José Dirceu para fornecer as imagens para a Folha. Que seja feita uma perícia da filmagem, portanto.

O fato de ser uma pessoa com deficiência física tão grave não a torna merecedora de ser tratada de forma diferenciada dos outros parlamentares. Que responda pelas suas atitudes, pois a pior das deficiências é a do caráter.

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Como pode-se ver no artigo;




No Xeque-Mate
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Orgulho hétero


Caro Gregório-mais-velho,

quem te escreve desse endereço do zipmail é o Gregório de 13 anos de idade.

Quero muito ser você quando eu crescer, rsrsrs. Falando serião: não queria que você se transformasse numa pessoa careta. Existe uma patrulha do politicamente correto que não para de crescer. Como eu quero que você seja comediante, eu acho que você tem que lutar contra essa hipocrisia do politicamente correto. Queria que você botasse o dedo na ferida e falasse umas verdades que ninguém tem coragem de dizer. Por exemplo, estou escrevendo um texto bom. Diz assim: todo o mundo pertence a uma minoria. A pessoa ou é negra ou parda ou deficiente ou gay ou mulher ou tudo junto (se for tudo junto é o Michael Jackson, hahaha). Eu, que sou homem, branco, heterossexual, ateu, acabo fazendo parte de uma minoria ínfima. Por que é que não fazemos o dia nacional da consciência branca, hahaha? Ou a passeata do orgulho hétero, kkkkk? Por que toda feminista é feia, rsrsrs? Bom, você já tem material para um stand-up.

Caro Gregório-mais-novo,

eu virei aquilo que você mais odeia. Você ainda não sabe disso, mas você é reacionário. Só que você tem a sorte de conviver com pessoas progressistas. Isso é uma sorte. Mas é, também, uma falta de sorte (nisso a gente se parece: eu também não falo a palavra azar. Merda). Você confunde o mundo com as pessoas ao seu redor: artistas, feministas, humanistas, ativistas.

Você acha que ser contra essas pessoas é ser contra a corrente. Más notícias (você talvez não ache que são boas). O mundo, assim como você, é machista, racista e homofóbico. Não cabe aqui inserir números e gráficos que provam isso. E eu não quero encher sua caixa do zipmail, que lota tão rapidinho.

Mas é bom explicar uma coisa: minoria é um conceito político, e não demográfico. O Senado tem 81 senadores dos quais apenas um se declara negro ou pardo. Nenhum deles se declara gay. Gays são espancados todo dia por serem gays. Você acha que inventou o "Orgulho branco", mas esse era o slogan da Ku Klux Klan. Suas piadas são mais velhas que o mundo. Ouve o Millôr, de quem você gosta tanto: "Uma coisa é ser o rei dos palhaços, outra é ser o palhaço dos reis". Quanto às mulheres: você não vai pegar ninguém sendo machista. Você reclama que as mulheres não gostam de você, mas você parece que não gosta delas. Lê um pouco sobre feminismo antes de odiar o feminismo. Ah, e pare de usar onomatopeias de risada.

Gregório Duvivier
No fAlha
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29 de abr de 2014

Três homens e uma sentença: a absolvição de Gentili no caso em que ofereceu bananas a um negro

1) Na Espanha, o torcedor do Villarreal que atirou uma banana para Daniel Alves foi banido do estádio El Madrigal.

O time liberou um boletim oficial:

“O Villarreal quer comunicar que lamenta e rechaça profundamente o incidente ocorrido ontem (domingo) na partida contra o Barcelona, na qual um torcedor atirou um objeto sobre o campo de jogo. Obrigado à equipe de segurança e à estimável colaboração exemplar da torcida amarela. O clube já localizou o autor e decidiu retirar o carnê e proibir o acesso ao estádio El Madrigal por toda a vida”.

O Villarreal ainda corre o risco de ser punido pela federação espanhola de futebol.

2) Nos EUA, Donald Sterling, dono do Los Angeles Clippers, foi flagrado numa conversa de teor racista com a namorada V. Stiviano.

O empresário lhe dava uma dura por publicar uma foto ao lado de Magic Johnson no Instagram. “Fico muito incomodado em você querer aparecer ao lado de pessoas negras. Por que você faz isso? Você pode dormir [com eles], pode fazer o que quiser. A única coisa que peço é que não divulgue isso. E não os traga aos meus jogos”.

Houve uma onda de indignação parecida com a que se seguiu ao ocorrido com Daniel Alves. Obama se declarou enojado. Os atletas dos Clippers usaram meias pretas e camisas do avesso em protesto.

Sterling foi suspenso para sempre da NBA e terá de pagar uma multa de 2,5 milhões de dólares (em torno de 5,5 milhões de reais). Ele também não poderá frequentar nenhuma quadra da liga de basquete em dias de jogos ou treinos.

3) No Brasil, a 10ª Vara Criminal da Justiça do Estado de São Paulo absolveu Danilo Gentili da acusação de racismo.

Em 2012, após uma troca de posts com o redator Thiago Ribeiro, Gentili escreveu o seguinte: “Quantas bananas você quer para deixar essa história para lá?”. Thiago entrou com um processo.

O juiz Marcelo Matias Pereira não enxergou intenção de ofender. Sua sentença é uma pérola: “Não comprovado este animus, não há que se falar em crime contra a honra”.

“Se a afirmação do réu tivesse sido feita em uma situação completamente descontextualizada, fora do ambiente em que costuma criar piadas com os ‘posts’ de seus seguidores, poderíamos pensar naquele intuito de ofender”.

“Seria necessário algo a mais do que uma piada grosseira e infeliz, vale dizer, um intuito de realmente ofender a vítima, desqualificando-a pela cor de sua pele, o que não ocorreu no caso em questão”.

Como Thiago já se autointitulara “King Kong”, estava tudo liberado. “São pelo menos três mensagens que o ofendido dizia ser um ‘King Kong’, bem como que iria fazer o réu pagar por supostos crimes cometidos”.

O juiz Pereira se permitiu apenas uma chamada paternal no humorista: “O réu tem que entender que há limites para as brincadeiras, ainda mais quando direcionadas a um indivíduo específico”.

* * *

Além da derrota, Thiago Pereira está sendo xingado pelas horas de fãs do comediante. Nas redes sociais, um deles já escreveu que ele merece ser chicoteado. Outro, que, se ele quer aparecer, coloque uma banana no pescoço. E por aí vai.

Thiago avisou que, agora, vai “processar Gentili, Band e o Estado! Sem mais!” Provavelmente, vai ganhar mais uma banana, só que da Justiça brasileira.

Kiko Nogueira
No DCM

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Parlamentares do PPS e PSDB partidarizam vistoria na Papuda, diz Jean Wyllys

Eles: Jordy e Gabrilli
Os cinco deputados da Comissão de Direitos Humanos e Minorias que vistoriaram hoje as condições em que se encontra preso o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu não encontraram nada que pudesse ser considerado regalia em relação aos outros detentos da Penitenciária da Papuda, em Brasília. Dirceu está numa cela comum, possui inclusive menos objetos que outros presos — apenas uma televisão pequena e livros — e faz os mesmos trabalhos que os demais presos, como lavar o pátio do presídio. No entanto, na saída da penitenciária, diante das câmeras de TV, a deputada tucana Mara Gabrilli afirmou o contrário: que a cela de Dirceu é maior que as dos demais e que ele dispõe de várias regalias. O mesmo fez o deputado do PPS, Arnaldo Jordy. Os repórteres, à espera dos parlamentares na saída da Papuda, nem sequer deram a devida atenção aos demais deputados, Jean Wyllys (PSOL), Luiza Erundina (PSB) e Nilmário Miranda (PT), como se só quisessem ouvir o que lhes interessava ouvir.

“Na minha opinião, infelizmente a Mara e o Jordy resolveram partidarizar a questão. A Mara foi enfática ao dizer aos jornalistas que a cela de Dirceu é ‘ampla e iluminada’, sendo que nem pôde entrar no local, porque a cadeira de rodas não permitia a passagem”, disse Wyllys. “Respeito muito a Mara, mas ela não visitou a cela. Acho estranho afirmar categoricamente uma coisa sem ter entrado. Ficou na porta.” Segundo Wyllys, a cela de Dirceu está cheia de infiltrações e é compartilhada com outros presos, que não estavam presentes porque, ao contrário dele, receberam o benefício de sair para trabalhar. “Não tem privilégio algum, aquilo lá é um horror. O próprio Ministério Público apontou isso, é um absurdo dizer o contrário. Eu não tenho relação alguma com Zé Dirceu, meu partido faz oposição ao PT e posso afirmar o que vi com meus próprios olhos: não existem regalias.”

Os deputados puderam checar a veracidade da história divulgada pela imprensa de que José Dirceu teria comido feijoada, o que seria uma “regalia”. Na verdade, Dirceu comprou uma lata de feijoada na cantina do presídio, o que é possível a qualquer detento. Durante as visitas, os presos podem receber dos familiares até 125 reais em dinheiro para gastar dentro da Papuda. Absolutamente todos podem fazer isso, de acordo com a direção da penitenciária, que também explicou aos deputados que as diferenças entre as celas são estabelecidas de acordo com a periculosidade do detento. Por exemplo: se a direção considerar que determinado preso pode queimar um colega, não recebe autorização para possuir um forno em sua cela. “É este o critério”, disse Wyllys. Dirceu está magro, porém com postura “digna”, nas palavras do parlamentar.

No último dia 14, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deu parecer favorável a que Dirceu, preso desde novembro do ano passado, saia para trabalhar durante o dia — direito que possui qualquer condenado ao regime semiaberto, como ele, mas que lhe tem sido negado pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, em razão das supostas “regalias” apontadas pela imprensa. O ex-ministro pediu para trabalhar como auxiliar em um escritório de advocacia em Brasília. Resta saber como ficará sua situação agora, com três deputados dizendo que o ex-ministro não possui regalias e dois outros, da oposição, dizendo que sim. Barbosa liberará Dirceu para trabalhar ou atenderá à mídia e à oposição e o manterá encarcerado, ao arrepio da lei?

Cynara Menezes
No Socialista Morena

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Ustra soube antes da morte de Malhães

Site de torturador noticiou 31 minutos ​na frente


Do infatigável Stantley Burburinho:​

Rio – Entre as primeiras pessoas que souberam da morte do coronel reformado do Exército Paulo Malhães na sexta-feira está o também coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi de São Paulo (1970-1974). O DIA descobriu no Twitter do site de Ustra “A Verdade Sufocada” uma postagem sobre o assassinato de Malhães às 13h08 — 31 minutos antes da primeira notícia em página de empresa jornalística, às 13h39. O site “A Verdade Sufocada” tem o mesmo nome do livro escrito por Ustra, com sua versão sobre a repressão.

No site de Ustra, a informação sobre a morte do coronel Malhães foi divulgada às 13h08 da sexta-feira Foto: Reprodução Internet

A postagem no Twitter traz um link para a matéria no site do militar. A notícia diz que Malhães foi morto com quatro tiros. Há também uma referência ao assassinato do coronel Júlio Molinas Dias em 2012, e que ele guardava em casa documentos do caso Rubens Paiva.

A polícia informou na sexta-feira que o corpo de Malhães tinha sinais de asfixia. A viúva, Cristina, contou que os bandidos cortaram o telefone da casa. O coronel Ustra mora em Brasília.

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, considerou a informação importante para as investigações. “Esse levantamento vai ser importante. Acredito que vão ter que ouvir pessoas em função disso. É uma informação relevante”, afirmou Dallari, que ressaltou que todas as hipóteses devem ser investigadas.

O assessor da Comissão da Verdade de São Paulo Ivan Seixas disse que o site é uma referência entre os militares. “É a mais importante referência dos torturadores. É altamente suspeito ter essa notícia antes mesmo da própria imprensa. Isso chama a atenção e acho que devíamos exigir que a PF entre no caso”, observou Seixas.

Durante entrevista ao DIA em março deste ano, Malhães contou que ele e Ustra tinham trabalhado juntos em algumas operações. Ustra também prestou depoimento à Comissão da Verdade, em maio de 2013. Na ocasião, negou sua participação em torturas e assassinatos.

Procurado para falar sobre o caso do coronel Paulo Malhães, Brilhante Ustra não retornou até o fechamento da edição.

MPF apreende documentos e computadores

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro e a Polícia Federal cumpriram ontem mandado de busca e apreensão na casa do coronel reformado Paulo Malhães, em Marapicu, em Nova Iguaçu.

Durante as buscas foram apreendidas três computadores, mídias digitais, agendas e documentos do período da ditadura, inclusive relatórios de missões das quais Malhães participou.

O mandado, feito no sábado por procuradores da República do grupo de trabalho Justiça de Transição, foi concedido pelo juiz federal Anderson Santos da Silva. Segundo o MPF, o objetivo era apreender documentos e possíveis provas que possam contribuir para a elucidação de crimes cometidos por servidores públicos durante a ditadura militar.

Paulo Malhães foi agente do Centro de Informações do Exército na década de 1970. Os procuradores já investigavam o militar devido aos relatos em que confessou ter torturado e assassinado presos políticos.

Em dezembro de 2013 e março de 2014, o MPF tentou, inclusive, intimá-lo a depôr, mas o militar recusou-se a receber a intimação. A recusa foi antes de ele ser ouvido pela Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Em março, antes do depoimento à CNV, Malhães admitiu ao DIA que participara de torturas e mortes durante a ditadura e que integrara uma missão em 1973 para desenterrar e ocultar a ossada do ex-deputado federal Rubens Paiva, desaparecido dois anos antes.

/Dica @mariolobato -

http://mariolobato.blogspot.com.br/2014/04/noticia-da-morte-do-coronel-paulo.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter

http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-04-29/noticia-da-morte-do-coronel-paulo-malhaes-saiu-primeiro-em-site-de-militar.html

No Conversa Afiada
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Como os grandes grupos de mídia recebem publicidade oficial sem a Certidão Negativa de Débitos

Recebo de um colega que trabalhou como secretário de um município rico no estado de São Paulo um relato que reproduzo aqui.

FLM me contou de sua rica experiência com alguns grandes grupos de mídia e de sua surpresa com um dado: eles não precisam de Certidão Negativa de Débitos, a CND, para receber verbas públicas — no caso, de publicidade. A CND é necessária para qualquer fabricante de, digamos, pregos.

Como isso é possível? Porque eles usam agências com fichas limpas como intermediários.

A seguir, o relato de FLM:

Uma casa de abrigo de idosos na zona leste paulistana, região mais populosa e com carências sociais exacerbadas, corria o sério risco de fechar suas portas. Uma senhora aposentada, que assumiu a presidência da entidade mantenedora do abrigo no final do ano passado após desvios da diretoria passada, descobriu que o repasse mensal da verba ­­— fruto de um convênio com a prefeitura — foi suspenso pela falta da Certidão Negativa de Débitos, popularmente conhecida como CND, para quem recebe pagamentos de órgãos públicos.

Dona Julia contava com a solidariedade e a doação de comerciantes da região para continuar atendendo 70 idosos após constatar que a exigência da CND é uma barreira legal intransponível para receber o repasse mensal da prefeitura. Acórdãos das mais altas cortes e jurisprudência do Tribunal de Contas da União eram inquestionáveis diante do apelo social da senhora aposentada.

Afinal, o texto é claro e direto: o pagamento de verba pública está condicionado à regularidade do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), como, por exemplo, não existir débitos com a Fazenda Federal, Estadual e Municipal.

Dona Julia não perdeu a esperança em recuperar a CND da entidade, cogitando até um empréstimo pessoal para quitar os impostos atrasados. Uma saída financeira a contragosto da família e sem nenhuma projeção de reembolso por parte da diretoria.

Mas o que diriam juízes das mais altas cortes, juristas e representantes do poder público se dona Julia apresentasse sua fatura para receber, mesmo sem a CND, sendo proprietária de um veículo de comunicação? Esqueçam os acórdãos e as jurisprudências, pois o valor seria pago legalmente por intermédio das agências de publicidade contratadas pelos órgãos públicos.

Dona Julia, representando agora uma confessa devedora de impostos, seria beneficiada por uma brecha legal. Os barões da mídia brasileira que fazem fortunas com verbas publicitárias públicas não precisam preocupar-se com a famosa CND para receberem suas gordas fatias.

Lembram-se da barreira legal intransponível? As agências de publicidade são uma espécie de trampolim para os veículos de comunicação. Não é bem um milagre, já que está escrito nos contratos dos órgãos públicos com as agências de publicidade.

A obrigação em manter a regularidade fiscal é da agência de publicidade, pois cabe somente a ela manter sua CND em dia para fazer o repasse milionário das verbas publicitárias públicas aos veículos de comunicação.

A senhora aposentada aprendeu como driblar as instransponíveis barreiras legais ao participar de um evento beneficente com a presença de vários barões da imprensa brasileira. 

Convidada a sentar em uma mesa com desconhecidos, logo reconheceu na figura de um empresário, ao seu lado, um famoso participante de recentes escândalos nacionais. Suspeitas de caixa dois, corrupção, sonegação fiscal e tráfico de influência em negócios com o poder público nunca foram problema para abastecer seu jornal de generosas verbas publicitárias governamentais.

Ao degustar um cálice de vinho do porto após a refeição, o empresário sentiu-se confortável para ensinar Dona Júlia. Direto e didático, como o curto espaço de tempo do homem de negócios exige, explicou que a exigência da CND só era problema para os contratos diretos de suas empresas com o Poder Público. No caso do jornal, só precisava publicar notícias negativas dos governantes que logo negociariam fatias maiores de dinheiro para diminuir a onda negativa.

Fatores técnicos, como tiragem do jornal, número de assinantes ou vendas em bancas ficam excluídos da negociação, já que o repasse de verbas atenderia o critério político, disse a Dona Julia. Mas e a exigência da CND para receber as verbas públicas?, reforçou a senhora, lembrando da sua angústia inicial.

“Não precisa, devo imposto em tudo que é lugar, tenho ações trabalhistas de ex-funcionários”, rebateu o empresário. “A agência de publicidade nos repassa o dinheiro e nossa única preocupação legal é demonstrar a publicação do anúncio com a verba pública”.

Ao chegar do almoço, Dona Julia convocou sua diretoria para anunciar mudanças de planos. Ela pretende, agora, abrir um pequeno jornal, na esperança de que possa receber uma pequena fatia da milionária publicidade pública.

O jornal seria mensal, com poucas páginas e nenhuma preocupação com o leitor ou a audiência. Afinal, a verba da publicidade seria revertida para manter aberto o abrigo de idosos, já que para sua entidade continua sendo impossível receber recurso público sem a famosa CND.

Kiko Nogueira
No DCM
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O discurso de Collor: Resgate da História

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O Globo tem pressa em atacar Dilma e erra até o ano da eleição


Alguém precisa avisar ao pessoal de O Globo que a eleição é agora em 2014, e que na recente Pesquisa CNT, a presidente Dilma continua vencendo a eleição ainda no primeiro turno, sendo portanto, MENTIRA que a atual pesquise aponte segundo turno.

Matéria da Agência Brasil traz a pesquisa sem apresentar falsas Manchetes e interpretações duvidosas

Avaliação do governo Dilma cai 3,5 pontos percentuais entre fevereiro e abril
29/04/2014 - Brasília
Carolina Sarres - Repórter da Agência Brasil Edição: Davi Oliveira

A avaliação do governo da presidenta Dilma Rousseff caiu entre fevereiro e abril deste ano, segundo pesquisa divulgada hoje (29) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Há dois meses, 36,4% da população avaliavam positivamente o governo. Em abril, esse percentual caiu para 32,9%. A avaliação negativa do governo, em contraponto, aumentou, alcançando 30,6%, contra os 24,8% da pesquisa anterior. O desempenho pessoal da presidenta também oscilou para baixo, passando de 55% para 47,9%.

Com relação à corrida eleitoral, a presidenta Dilma Rousseff mantém a liderança nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2014, com 20,5% nas intenções de voto espontâneas (quando não são sugeridos nomes de candidatos aos entrevistados), segundo a pesquisa. Na sondagem anterior, em fevereiro, Dilma tinha 21,3% das intenções de voto.

De acordo com o documento, nas intenções de voto espontâneas, a presidenta está à frente do senador Aécio Neves (9,3%), do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (6,5%), da ex-senadora Marina Silva (4,5%) e do ex-governador Eduardo Campos (3,6%). Em fevereiro, Aécio tinha 5,6% das intenções; Lula, 5,6%; Marina, 3,5%; e Eduardo Campos, 1,6%.

Os pesquisadores da CNT entendem que o cenário para as eleições deste ano mostram a "arrancada de Aécio Neves e de Eduardo Campos, no momento em que ambos começam a capitalizar votos que a presidente Dilma vem perdendo" e concluem que, "com isso, aumenta-se a possibilidade de segundo turno".

Para a CNT, a deterioração das expectativas da população em relação a índices sociais e a vinculação do governo ao caso da compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras contribuíram para a queda das intenções de voto e a migração para os candidatos da oposição.

Quando a pesquisa pede que o eleitor vote em um cenário em que Dilma concorre com Aécio Neves e Eduardo Campos em primeiro turno, a presidenta alcança 37% das intenções de voto, contra 21,6% e 11,8% dos concorrentes, respectivamente. Em fevereiro, contra os mesmos candidatos, Dilma estava com 43,7% das intenções.

Em um possível segundo turno contra Aécio, Dilma venceria com 39,2% das intenções, contra 29,3% do oponente. Com relação a Eduardo Campos, a presidenta venceria com 41,3%. Caso Aécio Neves e Eduardo Campos se enfrentassem em um segundo turno, Aécio venceria com 31,3% dos votos contra 20,1%.

A pesquisa da CNT ouviu 2.002 pessoas entre os dias 20 e 25 de abril, nas cinco regiões brasileiras, em 137 municípios de 24 unidades da Federação. A margem de erro é 2,2 pontos percentuais.

No 007BONDeblog
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A bananização do racismo


Não gosto muito de escrever textos assim, no calor do momento, mas acho que dessa vez vai com emoção mesmo, porque o caso passou dos limites. Principalmente porque seria melhor esclarecer vários pontos dessa história, que não é tão simples como parece. Por enquanto, o que se sabe é que a ideia partiu do pai do Neymar, que me parece ser também quem gerencia seus negócios: “O pai do Neymar nos telefonou e pediu que criássemos alguma coisa. Surgiu essa ideia de que a melhor maneira de acabar com o preconceito é usar isso”, http://www1.folha.uol.com.br/esporte/folhanacopa/2014/04/1446747-campanha-inciada-por-neymar-contra-o-racismo-foi-criada-por-agencia.shtml disse Guga Ketzer, sócio e vice-presidente de criação da agência Loducca, que é responsável por essa campanha envolvendo Neymar e auxilia o jogador em relação à publicidade.


Campanha que, aliás, Guga Ketzer tenta revestir de outro nome, mais palatável, chamando-a de “movimento”.


Talvez, inclusive, para pegar carona na ideia de movimento negro. Segundo ele, a campanha criada pela agência, junto com o staff de Neymar, não tem teor publicitário, pois não estão vendendo nada. Ora, mas é exatamente esse o princípio das agências de publicidade, que conheci bem trabalhando na área por mais de 13 anos: vender alguma coisa enquanto fingem que estão prestando um favor. É claro que estão vendendo a imagem de seu cliente como o garoto propaganda do antirracismo na Copa, já que tem sido amplamente divulgado que esse seria o mote, “Copa Contra o Racismo e Pela Paz”. Eu, com certeza, aplaudiria a atitude de Neymar e de seu pai se, em vez de procurarem uma agência de publicidade (será que pagaram pela campanha, receberam, ou foi na base de troca de visibilidade?), procurassem instituições ou pessoas que entendem de luta antirracista. Ou usassem o prestígio do jogador para colocar a agência a serviço dessas instituições. Porque o que se viu foi um case de grande alcance, e com um resultado extremamente danoso para quem leva a luta à sério e não apenas na época em que dá visibilidade.

O ativista Douglas Belchior explica: “O racismo é algo muito sério. Vivemos no Brasil uma escalada assombrosa da violência racista. Esse tipo de postura e reação despolitizadas e alienantes de esportistas, artistas, formadores de opinião e governantes tem um objetivo certo: escamotear seu real significado do racismo que gera desde bananas em campo de futebol até o genocídio negro que continua em todo o mundo.”


Pois é. E é essa atitude despolitizada da agência de propaganda de Neymar, comprada por milhares de pessoas a quem o racismo diz muito pouco, porque não os fere diretamente, que gera “conceitos” e certezas assim, ditas por seu sócio e vice-presidente de criação: “Descobrimos que a melhor forma de combater o racismo seria ridicularizar os racistas”. Ou seja: esse bando de negros incompetentes, há séculos tentando achar daqui e dali uma maneira de combater o racismo, ainda não havia descoberto a moderníssima técnica de ridicularização da qual são vítimas quase que diariamente. Ou ainda: “É uma maneira brasileira de lidar com isso. Tem um problema? Então me dá aqui que eu vou comer. (…) É uma coisa bonita.”. É lindo mesmo ver mais um branco dizendo quem é brasileiro e quem não é, porque muitos movimentos negros, nos quais atuam brasileiros, querem mesmo é não ter que engolir mais racismo. Mas esse, de acordo com Guga Ketzer, é mesmo o nosso destino: “Como quando somos crianças e sofremos com um apelido. Se você se incomodar muito ele com certeza vai pegar. Por isso a nossa ideia era de não fugir da briga, de encarar a polêmica e engolir o problema.”


Na boa, fico aqui me perguntando se já tinha sido combinado antes que o próximo jogador que fosse vítima de uma bananas iria comê-la, porque me parece tudo muito orquestrado. Pode ser paranoia minha, claro, mas esse discurso de engolir parecia já estar pronto… E haja garganta e estômago! Que não são os de Guga Ketzer, claro. Porque, para essa campanha, ele apenas empresta o cérebro, para resolver tudo e de uma vez, por nós: “A melhor maneira de acabar com preconceito é tirar a palavra. Disso, veio a ideia de criar um ícone para expressar isso, que é a pessoa comendo a banana” http://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/noticias/2014/04/28/Todos-somos-macacos-e-acao-da-Loducca.html&utm_content=#ixzz30EhJ0DFl

É isso, pessoal, simples e direto. Leiam novamente: a melhor maneira de acabar com o preconceito é tirar a palavra. Daí a ideia de criar um ícone para expressar isso: a pessoa comendo banana. Não dá nem pra rir desse conceito porque o caso é grave. Milhares, talvez milhões, de pessoas compraram a ideia de que estão fazendo alguma coisa relevante e decisiva para a causa antirracista exibindo suas fotos comendo banana. Será que Ketzer perguntou a seus funcionários negros (sim, eles sempre são chamados para validar uma atitude do patrão branco, numa versão corporativa do “tenho amigos negros”) o que eles achavam da ideia?

Ideias… Recentemente participei de uma reunião com a presidente Dilma. Fomos convocados praticamente de um dia para o outro, através da SEPPIR, sem saber muito bem o motivo. O que nos foi passado é que a presidenta estava convocando uma reunião com ativistas dos movimentos negros. Apenas isso. Sobre o que aconteceu lá, deixo os textos do Douglas Belchior http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2014/03/17/na-pratica-dilma-tem-pouca-sensibilidade-as-demandas-do-movimento-negro/ e da Ana Paula Magalhães Pinto.


Na época também pensei em escrever alguma coisa, mas confesso que outras escritas e até mesmo uma esperança de que as coisas tomassem outros caminhos adiaram a ideia. Porque, lá no fundo, realmente queria acreditar que a Copa podia ser uma oportunidade de fazer um trabalho interessante contra o racismo. Houve a promessa de novas reuniões, inclusive, e a de que participaríamos ativamente da elaboração da campanha que estava sendo gestada. Se tais reuniões aconteceram, não sei. E também acho que não iria, porque saí de lá me sentindo mal, pensando nas barbaridades que tem sido feitas para que essa Copa aconteça. Mas essa campanha do Neymar, apoiada pela Dilma, me fez decidir de vez que, se tem “Copa contra o racismo”, estou na oposição. Da Copa e da campanha. Quero deixar claro que continuo dando todo meu apoio à SEPPIR, que vem realizando um excelente trabalho dentro das condições mais desfavoráveis, mas acho um absurdo que seja tratada como mero coadjuvante nessa jogada mercadológica da presidência e do Ministério dos Esportes. Vai ter campanha contra o racismo na Copa? Que a articulação seja da Secretaria para a Promoção da Igualdade Racial, e não do Ministério dos Esportes.

A ideia que ouvimos nessa reunião, da presidenta Dilma, é que o slogan da adotado será “Copa contra o racismo e pela paz”. Fico que perguntando que racismo e que paz, porque pelo jeito a articulação de um e de outro estão nas mãos de jogadores, cartolas e figuras midiáticas oportunistas e alienadas que nunca se interessaram seriamente pelo assunto; e da PM, das Forças Armadas e de mercenários estrangeiros. Atenho-me aqui a falar apenas de racismo, assunto para o qual me sinto melhor informada, e a essa altura do campeonato algumas das figuras que temos em campo são:

— O Ministério dos Esportes, encabeçado por Aldo Rebelo. Segunda a presidenta, foi dele a ideia de combater o racismo e proclamar a paz, através de vídeos com personalidades brasileiras e estrangeiras que seriam exibidos nos estádios, antes dos jogos. Seria dele também a ideia de colocar jogadores em campo, carregando flâmulas e faixas contra o racismo e pela paz. Ou seja: nada de novo no front, nem nada que fuja do padrão “pra inglês ver”. E olha que, em 2012, ele e a ministra Luiza Bairros haviam se reunido para discutir projetos para a Copa: http://www.seppir.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2012/09/luiza-bairros-e-aldo-rebelo-discutem-igualdade-racial-em-megaeventos-esportivos

“Destacamos a demanda da criação de oportunidades para empreendedores negros e negras e também da criação de observatórios da discriminação, uma ideia que surgiu na Bahia e que pretendemos espalhar por todas as cidades-sede da Copa 2014”, resumiu Luiza Bairros. (…) “Paralelamente a isso, no caso específico da Copa, o observatório também pode prever a realização de festas populares, de maneira que possamos, em todos esses lugares, aproveitar a inclusão efetiva de artistas e grupos culturais populares”, acrescentou Luiza.

Parece-me que as sugestões da Ministra não foram ouvidas. Inclusive, parece-me que Aldo Rebelo se esqueceu completamente dessa reunião, porque disse à presidenta Dilma que a ideia de fazer algo contra o racismo durante a Copa tinha sido dele. Interesse que soa, no mínimo, contraditório com sua trajetória em relação aos interesses da população negra. Ou em completo acordo com a sua atitude de não nos ouvir. Quando boa parte dos movimentos negros estava combatendo a presença de racismo em Caçadas de Pedrinho, livro infanto-juvenil distribuído pelo governo, Aldo Rebelo foi do contra.


O que denunciávamos ali, inclusive, era o racismo presente em Tia Nastácia ser chamada de macaca de carvão. Veja bem: macaca. Termo no qual, apenas agora, ele passou a ver problema? Aldo Rebelo é ferrenho defensor de Monteiro Lobato, racista que lamentava, entre outras coisas, não termos tido uma Ku Klux Klan no Brasil: “País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan é país perdido para altos destinos. (…) Um dia se fará justiça ao Kux-Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca – mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destroem (sic) a capacidade construtiva”.


É a Lobato que Aldo Rebelo homenageia ao propor o Dia do Saci, http://partidodaimprensagolpista.wordpress.com/2012/03/19/e-noticia-aldo-rebelo/ e era o Saci que Aldo Rebelo gostaria de ter como mascote da Copa.


Ou seja, estamos bem de proponente de ações contra o racismo, né?

— O pai do Neymar, que foi quem encomendou a campanha, e deve tê-la aprovado também. Entendo e me solidarizo com a dor de um pai vendo o filho ser alvo de racismo. Principalmente quando esse filho não se vê como preto, caso de Neymar.


Mas os ataques racistas contra ele já acontecem há algum tempo. Só agora tornou-se importante fazer algo? Fica parecendo sim, oportunismo, ou birra para provar-se certo em outro caso polêmico envolvendo Neymar e Alexandre Pires, no clip dos macacos.


— A presidenta Dilma, de quem gostaríamos de ver muito mais empenho em causas importantes para a população negra, como as descritas no texto do Douglas Belchior, apoia essa campanha da Loducca e ainda escreve um tuíte que perigosamente resvala na retomada da ideia de democracia racial: “Vamos mostrar q nossa força, no futebol e na vida, vem da nossa diversidade étnica e dela nos orgulhamos. ‪#‎CopaSemRacismo‬” .


Não, a Copa não será sem racismo. A não ser que nos surpreendamos todos com as recém-descobertas propriedades antirracistas da banana. O nosso bom e velho racismo continuará durante e depois da Copa, e talvez apenas não se manifeste durante os jogos. Adoraríamos ser ouvidos e respeitados para além das exigências da FIFA. Racismo é crime! É muito sintomático da impunidade desse crime, perigoso e inaceitável — frise-se: inaceitável — que uma chefe de nação apoie uma campanha que, em vez de pedir punição para um crime do qual muitos brasileiros são alvo todos os dias, incentive o consumo de bananas. A digníssima presidenta tem noção do que ela fez? Racismo no Brasil é crime, presidenta. Inafiançável. Imprescritível. Crime! Anos e anos de luta dos movimentos negros para que racismo seja considerado crime, em um país que aos trancos e barrancos vem relutando em se admitir racista, vão por água abaixo quando uma presidenta acha que está tudo bem “punir” criminosos — frise-se: criminosos — com a “resposta ousada e forte” (palavras dela no Twitter) de se comer banana! Que ela desmonte os sistemas judiciário e penal e instale fazendas de bananas pelo país inteiro, oras; de preferência com uns pretos realizando o trabalho de plantar, colher, recolher e comer. Fiscalizados, é claro, pelo Ministério da Agricultura, como era na época da escravidão.

Será que ainda dá tempo de se testar essa estratégia durante a Copa? E exportar a tecnologia inovadora para todos os países participantes que também lutam contra o racismo? Olha aí, Luciano Huck, grande oportunidade de investimento! Porque tem ele também, correndo pelas laterais:

— Luciano Huck, que parece ter sido super importante para a propagação dessa campanha, com seus milhões de seguidores no Twitter. Tentando lucrar em cima da dor alheia, porque ele e sua família loira nunca foi nem será alvo de racismo, descascou rapidinho a banana de Andy Warhol (ou a camiseta já estava pronta também, assim como a campanha, apenas esperando uma “oportunidade”?), apropriou-se do mote da campanha publicitária e vestiu dois modelos brancos para tripudiar da nossa causa e vender camisetas a R$ 69,00. Esse site avisa que a camiseta está sendo vendida em uma seção chamada “Camisetas do Bem” http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2014/04/28/marca-de-luciano-huck-vende-camiseta-apos-caso-de-racismo-contra-dani-alves.htm#fotoNav=37

Eu me arrepio toda quando vejo o termo “do bem” associado a qualquer coisa relacionada ao racismo, porque, se vocês não sabem, “Cidadão do Bem” era o nome do principal jornal publicado pela Ku Klux Klan. Eles que, debaixo dos seus capuzes, se consideravam cidadãos do bem.


Luciano Huck, bem provavelmente, assim como boa parte dos que aderiram a essa campanha que incentiva a impunidade de um crime, deve se considerar um cidadão do bem. Na luta contra o racismo, armados com uma banana justiceira.

Da mesma maneira que qualquer coisa dita depois de “eu não sou racista, mas…” é racista, essa campanha também é, e estão tentando nos empurrá-la garganta abaixo, dizendo que não. Essa campanha é vazia, burra, rasa, oportunista, leviana, desrespeitosa, criminosa. Reforça estereótipos e barra o diálogo, e por isso o seu sucesso, já que ninguém quer mesmo se envolver muito com o assunto. Está se sentindo ofendido ao ler isso aqui, porque aderiu e/ou achou o máximo? Vá brigar com a Loducca, o pai do Neymar, o Neymar, o Luciano Huck, a presidenta Dilma, as pessoas que nunca levaram a sério a tentativa de diálogo que os movimentos negros estão, há décadas, tentando estabelecer. Se a gente tivesse conseguido ter esse diálogo, uma das coisas que daria para perceber é a dificuldade de se esvaziar a simbologia impregnada em um ícone racista. A banana é um ícone racista, usado por racistas para xingar negros de macacos. Não é um publicitário que, de uma hora para outra, vai declarar que ela não é mais e, como num passe de mágica, ela passa a não ser. Esse pensamento mágico já foi tentado durante várias décadas, com a democracia racial. A gente sabe que não funciona, e bananas atiradas em campo, guinchos e trejeitos imitando macacos ainda estão aí para provar. Não para negar. Numa comparação bem baixa e um pouco falha, eu sei, mas necessária porque é preciso colocar as coisas em perspectiva, será que o Luciano Huck teria coragem, por exemplo, de vender camisetas estampadas com a suástica, símbolo impregnado de nazismo/racismo, porque um publicitário e um jogador de futebol dizem que, de uma hora para outra, comer biscoitinhos em forma de suástica, e fotografar-se comendo-os, é a melhor maneira de ressignificar esse símbolo e transformá-lo em seu contrário, apagando sua história e acabando com o racismo contra judeus? Pois é. Queria ver. Bem como queria ver também outro chefe de nação dizendo a seus cidadãos judeus que tenham sido vítimas de um “Heil Hitler” com seu gesto característico e com a intenção de ofender e humilhar, que é ousada e forte a atitude de, em vez de exigir punição, brincar de “engolir” a humilhação?


O que aconteceu em campo, com o Daniel Alves (a quem presto toda a minha solidariedade), poderia ter provocado uma discussão produtiva, se não tivesse sido esvaziada por essa campanha infeliz e tivesse sido seguida, principalmente por parte dele, de um discurso um pouco mais consciente e consistente. Dá para perceber o despreparo da maioria dos nossos atletas ao lidar com o racismo quando ficamos sabendo, por exemplo, da atitude (essa sim) dos jogadores de basquete do Los Angeles Clippers. Os caras protestaram contra declarações racistas do dono do time — sim, do dono, não de um torcedor — reunindo-se antes de uma partida, no centro da quadra, retirando seus uniformes e usando as camisas de aquecimento do lado do avesso, escondendo o logo do time.


Na verdade, dá é vergonha de comparar, e lá racismo nem é crime. E dá mais vergonha ainda quando sabemos da atitude (essa sim) de Obama, que foi a público condenar a atitude incrivelmente ofensiva e racista: “Temos que, constantemente, estarmos atentos às manifestações racistas que nos dividem mais do que salientam nossa diversidade como uma força. Os Estados Unidos continuam a lutar contra o legado da escravidão e da segregação, que ainda está aí, os vestígios da discriminação. (…) E eu acho que temos que ser claros e firmes em denunciá-la, ensinando nossas crianças de uma maneira diferente, mas também permanecendo esperançosos de que parte do motivo pelo qual declarações como essa se sobressaem tanto é porque já houve uma mudança no modo como nos vemos”.


Enquanto isso, temos uma presidenta que se presta ao papel de ficar batendo palma para internautas dançarem sobre nossas dores, involuírem com as nossas lutas e comerem banana. Porque ela acha que salientar a nossa origem comum de primatas vai fazer com que racistas, que nem se assumem e nem se sabem racistas, deixem de ser racistas. Às vésperas de uma Copa na qual quer mostrar ao mundo que somos modelo de combate ao racismo.

Se a gente não quer passar mais vergonha ainda, e nem digo como nação, mas como seres pensantes e atuantes em causas que nos são caras (racismo e paz, além de outras coisinhas mais), está é mais do que na hora de tomarmos as rédeas dessa campanha. Na raça. Porque não dá pra confiar nesse povo que está aí no comando, fingindo que pensa o problema, que planeja, que se preocupa e que resolve, enquanto só o empurra pra baixo do tapetão. Que tal pensarmos juntos numa campanha paralela, realista, denunciatória e que eleve o nível dessa discussão?


Ana Maria Gonçalves
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