16 de mar de 2014

Veja prepara mais um assassinato de reputação


Recebo telefonema do promotor Roberto Tardelli. Foi o mesmo que atuou no caso Suzane Richthofen. Seu filho está prestes a se tornar mais uma vítima de assassinato de reputação pela revista Veja.

Tardelli conhece os métodos da revista. No caso Suzane, foi o único veículo que colocou em sua boca declarações que jamais deu, frases que jamais proferiu. Na época, foi informado por jornalistas da própria revista que a culpa não foi do repórter, mas do editor que jogou as frases para dar mais molho à matéria.

O filho tornou-se alvo por fazer parte dos Advogados Ativistas, um grupo de jovens advogados que decidiu dar apoio jurídico a manifestantes (www.advogadosativistas.com).

Na última manifestação em São Paulo, apoiaram inclusive 15 jornalistas detidos. E encaminharam a um hospital uma repórter de O Globo que teve o braço quebrado — fato não noticiado pela mídia.

São jovens idealistas, conta Tardelli, empenhados em melhorar o mundo, como todo jovem. Andam de ônibus, comem sanduíches, enquanto atravessam a fase mais bonita da vida, a do idealismo de jovens.

Por sua atuação nas manifestações, entraram na mira da Veja. Tardelli foi alertado por outros jornalistas sobre os telefonemas que a repórter da revista deu a colegas, para buscar informações. Foi entrevistado inclusive um advogado, policial aposentado, que faz parte de uma das comissões da OAB-SP e foi desautorizado pelo próprio presidente da Ordem.

Pelo relato dos jornalistas, virá matéria pesada, criminalizando a atuação dos jovens advogados, colocando-os como integrantes dos Black Blocs e — pior — expondo-os a direitistas fanáticos que hoje pululam nas redes sociais.

A família inteira aguarda com o coração na mão o que virá amanhã da revista. Para Tardelli, não há dúvida de que a Veja há muito ultrapassou as fronteiras que limitam a atuação jornalística.

Luis Nassif

A reposta dos advogados ativistas

Nassif, segue a resposta dos Advogados Ativistas, postado no perfil deles no facebook:

A revista Veja entrou em contato com os Advogados Ativistas para que fosse concedida uma entrevista. Apesar de ter sido avisado que não falamos com este veículo de comunicação, a publicação insistiu e nos mandou algumas perguntas, deixando claro que a matéria sairá com ou sem as nossas respostas.

Os jornalistas que realizam um trabalho sério têm a nossa admiração e respeito, o que se traduz na ótima relação do grupo com eles. Porém, é intolerável que publicações mal intencionadas queiram, mais uma vez, desinformar, mentir e difamar aqueles que realizam trabalhos relevantes.

Portanto, achamos por bem responder publicamente as perguntas que nos foram enviadas, para que uma possível matéria que cite o Advogados Ativistas já tenha seu contraponto. Segue abaixo:

Veja: Como surgiram os Advogados Ativistas?

AA: Advogados Ativistas sempre existiram, apenas uma parte deles se uniu.

Veja: Há lideranças?

AA: Não.

Veja: Quais são as causas mais emblemáticas pelas quais o movimento já lutou desde junho de 2013?

AA: Principalmente a defesa da Democracia e da Constituição, as quais vêm sendo incessantemente violadas.

Veja: Quais são suas bandeiras?

AA: Não carregamos bandeiras.

Veja: O que é necessário fazer para participar? 

AA: Não ser leitor da Veja é um bom começo.

Veja: Hoje há quantos advogados ativistas?

AA: O suficiente.

Veja: Os senhores atuam apenas em São Paulo ou em outras cidades brasileiras? Se sim, em quais?

AA: Através da internet somos capazes de levar informação para qualquer lugar.

Veja: Em redes sociais do grupo há publicações, como fotos de protestos em cidades como o Rio de Janeiro. Vocês viajam para atuar em causas fora da cidade?

AA: Advogados Ativistas possuem amigos em muitos lugares. Se for preciso viajar, viajaremos.

Veja: Como vocês se mantém?

AA: Somos advogados, ora.

Veja: Quanto tempo do dia se dedicam ao ativismo?

AA: Não o quanto gostaríamos, mas quando o fazemos a dedicação é total.

Veja: Pode definir o conceito de advocacia “pro bono”?

AA: É a advocacia gratuita para o bem do povo. Bastava jogar no Google, essa foi fácil. 

Veja: Quais os obstáculos que enfrentam para garantir o direito de ampla defesa dos manifestantes?

AA: A Veja, por exemplo, é um dos obstáculos, pois criminaliza qualquer forma de pensamento diferente do seu. 

Veja: Os senhores declararam que sofreram intimidação na OAB-SP no último protesto em São Paulo, de que forma isso aconteceu?

AA: Sofremos intimidação de um grupo inexpressivo, o qual falou indevidamente em nome da classe. Como explicado pelo Presidente da Ordem, a atitude destes não reflete o pensamento da entidade. Assunto superado.

Veja: Advogados ativistas já deram declarações de que a OAB-SP não está cooperando com o trabalho de vocês e se portando de maneira governista. Como é a relação entre os senhores e a entidade? Os senhores publicaram um artigo afirmando que a entidade criminaliza a ação de vocês. De que maneira isso acontece?

AA: A política de relação com outros grupos ou entidades é discutida internamente. No entanto, informamos que o Presidente da OAB/SP, em conjunto com o Presidente da Comissão de Prerrogativas, apresentaram nota pública em defesa de nosso trabalho, disponibilizando, inclusive, amparo emergencial caso cada um de nós tivesse seu ofício prejudicado.

Veja: Os senhores já receberam honorário de algum cliente que atenderam nas manifestações?

AA: Não visamos lucro algum, mas podemos começar a receber quando a Veja informar quem paga a tal "Bolsa Manifestação".

Veja: Quais são as principais orientações do Manual do Manifestante? Por quais mudanças ele já passou desde a primeira versão?

AA: O Manual está disponível na página do Advogados Ativistas e é de fácil compreensão. Recomendamos a leitura.

Veja: Os senhores declararam que já sofreram ameaças de morte. Pode descrever em quais situações e como essas ameaças se deram?

AA: A investigação está em andamento. É um trabalho para a polícia.

Veja: Os senhores foram apontados como advogados de Humberto Caporalli e Fabricio Proteus, apontados pela policia como adeptos à tática black bloc. Qual a posição dos senhores sobre os black blocs?

AA: Não generalizamos estereótipos e tão pouco criamos inimigos fictícios, isso é trabalho da Veja.

Veja: Na confusão das manifestações e porta de delegacias, é possível distinguir os manifestantes adeptos e não adeptos da tática black blocs?

AA: Não entendemos no que se aplica ao grupo esta pergunta.

Veja: Os senhores prezam pelo direito de se manifestar e defendem todos sem restrições?

AA: Ao contrário do que algumas pessoas (e a Veja) pregam, de acordo com a Constituição todos tem Direito a Defesa. Veja só que coisa (com o perdão do trocadilho).

Veja: Já se recusaram a defender algum manifestante?

AA: Nunca, inclusive se algum repórter da Veja for preso em alguma manifestação pode nos contatar que iremos defendê-lo, já que o direito de defesa é para todos, mesmo que este veículo propague o contrário.

Fernando Souto
No GGN

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