25 de dez de 2013

Debate sobre corrupção move a política. Mas não engana o eleitor.

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Mujica ofrece una salida al mar a Paraguay y Bolivia

MARIO GOLDMAN / AFP
El presidente de Uruguay, José Mujica, expresó su deseo de dar una salida al mar a Paraguay y Bolivia a través de un puerto situado en la costa de su país.

"Integrar significa construir infraestructura que nos integre, ofrecerle con generosidad a la región la existencia de algún puerto que hasta pudiera ser propiedad de los gobiernos regionales", dijo Mujica citado por la Agencia Boliviana de Información (ABI).

El mandatario uruguayo precisó que la iniciativa serviría para que "Paraguay pueda salir con su madera, sus minerales, su soja hacia el Atlántico desde nuestro país, y que lo propio pueda hacer Bolivia, significa desarrollo para la región y un trabajo logístico de mano de obra para Uruguay".

Según ABI, el propósito de Mujica es que "el nuevo puerto sea regional y participen con presencia independientemente todos los países del Mercosur que quieran".

Además, esta iniciativa apunta a consolidar no solo una mayor integración en la región, sino también a potenciar el intercambio energético entre los países, permitiendo con ello enfrentar de mejor forma las situaciones de déficit que sufren algunos países vecinos.

No RT

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Uma oposição sem rumo


O ano termina com os dois principais candidatos da oposição, Eduardo Campos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o mesmo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e que sofreu três derrotas esmagadoras nas disputas recentes presidencial- buscam um sentido, qualquer direção, para derrotar Dilma Rousseff, do PT, do ex-presidente Lula da Silva, em outubro de 2014.

Do lado de Campos, a grande questão é o que fazer com o evangélico ambientalista Marina Silva, que no primeiro turno das eleições de 2010 levantados quase 20 milhões de votos, forçando um segundo turno entre Dilma e José Serra, do PSDB.

É uma situação esdrúxula: se seu nome aparece nas pesquisas , ao invés de Campos, Marina vai ter quase o dobro de votos do candidato. Ao trazer Marina, Campos aparece como candidato a vice-presidente, votando intenções também vêm para quase o dobro. Acontece que as diferenças entre o partido político Rede – frustrado, já que Marina queria criar e não cumpriu as exigências da lei eleitoral – e o PSB são mais evidentes a cada dia. Harmonizar água e óleo é um desafio antigo e ainda não chegou a uma solução. Campos, por exemplo, lançar intensos acenos com o agronegócio. A Marinha tem uma antipatia pelo agronegócio. Como superar essa diferença? Campos procura um discurso coordenado, para ser sedutor do desiludido centro -PT. O discurso de Marina é cada vez mais incompreensível, e passa milhas seguir um raciocínio claro e coordenada. O natural e lógico, de acordo com pesquisas e levantamentos, seria que Campos cedesse a candidatura presidencial a Marina. Mas seria como dar a sigla a um adversário.

Do lado de Neves, a grande questão é o que fazer para convencer os eleitores de que o seu partido tem um consistência e é viável o suficiente para curar as falhas e levar o país a um programa bem sucedido. E mais: como consolidar sua candidatura contra a sempre presente sombra de José Serra, que foi derrotado em 2002 por Lula e por Dilma em 2010, mas ainda está determinado a, mais uma vez, estar presente. Aécio Neves joga o jogo e é considerado o candidato natural. Mas, para Serra, o natural é que aconteça o que ele deseja, em toda e qualquer circunstância. Na semana passada, lançou um curto manifesto , agradecendo as pessoas que defenderam sua candidatura. O texto foi considerado uma indicação da resistência , mas depois de dois dias o mesmo Serra recusou-se a confirmar que iria disputar qualquer cargo parlamentar. Se há pouco que pode fazer dentro do partido para impedir a candidatura de Aécio Neves, há muito que pode ser feito para impedir o crescimento do rival entre os eleitores de São Paulo, a maior do país.

Enquanto isso, entre um tropeço e outro, entre uma imprecisão e outra, Neves apresentou o que seriam os doze pontos principais de sua agenda. Foi a alegria de Dilma e do PT. Ele defendeu o Bolsa Família , principal programa social lançado por Lula , e o Mais Médicos , o programa para recrutar médicos estrangeiros para cuidar das populações mais necessitadas do país, em cidades que profissionais brasileiros se recusam a ir. Em um mar de indefinição, exibindo um exemplo formidável de clichês e chavões , sem uma única ideia concreta , a conversa de Neves afundou. E deixou espaço para um forte comentário de Dilma: sabendo que Neves tinha defendido em nome do seu partido, o Mais Médicos, a presidente agradeceu a oposição finalmente reconhecer algo positivo em seu governo. E concluiu: ” Pena que se trata de votar o projeto de lei no Congresso não tiveram a clareza que mostra agora o senador. “

A verdade é que o caminho de Dilma Rousseff para a reeleição não é isento de dificuldades e, depois de grandes manifestações em junho e julho, ninguém acredita que será um passeio tranquilo. Ela continua com enorme vantagem sobre os outros dois, e se a eleição fosse hoje, ganharia no primeiro turno. Mas as coisas vão mudar entre agora e as eleições.

Há problemas nas finanças públicas, a inflação continua a pressionar ( as previsões indicam 5,8 por cento este ano ), o país ainda carece de estrutura (portos, estradas e aeroportos são apenas um desastre, uma ofensa), os serviços de educação, saúde e transporte público são cronicamente péssimos, e 66% dos brasileiros querem mudanças. Seria um cenário muito favorável para a oposição, se a oposição fosse capaz de propor um governo alternativo específico, substancial e viável.

Mas o que você vê, no Brasil, é que a oposição tem a consistência e robustez de nuvens flan. Sua luta consolidada é na grande mídia, grandes conglomerados informativos. Mas ninguém vota neles.

Eric Nepomuceno
No CAf
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Elio Gaspari quer ser o novo guru dos coxinhas?


Em sua coluna de hoje, publicada na Folha e no Globo, Elio Gaspari tenta se auto-promover como guru dos coxinhas. Ou como ironizou um colega da blogosfera: “Elio Gaspari convoca Eremildo às ruas. De idiota a incendiário”.

O novo mote revolucionário de Gaspari tem como alvo Renan Calheiros. Rememora podres do senador no passado e bate no mais recente escândalo: Renan usou jatinho da FAB para ir à Recife, onde fez um implante capilar.

Renan já falou que vai devolver o dinheiro correspondente ao custo da viagem, mas o que importa, neste caso, é o comportamento reiteradamente despudorado do senador. Parece que ele vive em outro mundo. Esse tipo de postura, naturalmente, presta uma ajuda solene à campanha midiática para desqualificar o parlamento.

Em vista disso, Gaspari convoca as ruas:

“Em 2014 a turma que paga as contas irá às urnas. Elas poderão ser um bom corretivo, mas a experiência deste ano que está acabando mostra que surgiu outra forma de expressão, mais direta: ‘Vem pra rua você também’.”

É um tanto engraçado ver um conservador midiático como Gaspari dando uma de carbonário e guru de black blocs. Provavelmente ele tem em mente um monte de coxinhas protestando contra a viagem da FAB de Renan Calheiros. Sim, porque não imagino que ele queira nada além disso. Protestos contra a grande mídia, por exemplo, nem pensar! Acontece que a mídia é justamente a fonte de poder do neocoronelismo eletrônico brasileiro. De onde vem o poder eleitoral de Renan? Vem do fato dele ser, juntamente com Collor e a família Lyra, o braço político das oligarquias alagoanas, que dominam a política do estado através do controle dos meios de comunicação. Assim como em todos os estados do Nordeste, as famílias que detêm os direitos de retransmissão de Globo (principalmente), SBT, Band e Record, tem uma desproporcional vantagem política sobre todos seus concorrentes.

Há vários estudos sobre isso. E os partidos que mais dominam as mídias nordestinas são DEM e PSDB. Com o lulismo, eles vem perdendo poder, e daí o ódio cada vez maior. O ódio nasce do medo de perder poder. Entretanto, eles ainda têm poder. Perderam governos do Estado, mas ainda tem vereadores, deputados estaduais, prefeituras, e, sobretudo, poder econômico e midiático para desestabilizar governos constituídos.

As ruas serão muito bem-vindas em 2014, desde que não se deixem manipular pela mídia, nem por pseudo-gurus como Elio Gaspari. A viagem de Renan em aviãozinho da FAB é um sintoma. As ruas não devem perder tempo atacando os sintomas, e sim as causas. As ruas deveriam vir pedindo uma profunda reforma política e leis de mídia. Aí sim eu quero ver se o Elio Gaspari vai continuar posando de revolucionário.

Miguel do Rosário
No Tijolaço
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A FAB e os 10.000 fios de cabelo de Renan

Renan Cabelos 
Com tanta coisa para implantar e ele escolheu – cabelo?

Flagrado usando jato da FAB para se deslocar de Brasília a Recife para implantar 10.000 novos fios de cabelo, o presidente do Senado Renan Calheiros se fez de rogado e atentou contra o bom senso, a decência, a moral e a lisura no trato com o bem público. A reação inicial ao clamor midiático foi também estapafúrdia: auscultar a chefia da FAB se o uso da aeronave oficial utilizada em seu deslocamento “teria sido imprópria ou indevida”.

Mesmo criança adentrando a adolescência saberia discernir entre o certo e o errado nessa situação. Funciona assim: bens públicos são bens do público brasileiro, bens privados são privados, é tudo preto no branco e não existem tons de cinza no intervalo de um a outro. A levar a sério tal reação, seria de se convocar uma minuciosa auditoria na gestão Renan Calheiros à frente do Senado da República. O objetivo seria descobrir o que há por trás dessa miopia presidencial em distinguir lícito do ilícito, moral do imoral.

Pelo jeito com que as coisas se encaminham no Senado é urgente o implante em sua gestão dos princípios que devem nortear a gestão pública e que estão inscritos no artigo 37 da Constituição Federal: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. A um rápido passar d’olhos vemos que a viagem para combater a calvície do senador alagoano não se enquadra em qusalquer desses princípios:

1. Não se reveste de legalidade pois que não há ato formal com justificativa para o uso da aeronova oficial, sendo requisitada a título de um evasivo “a serviço”.

2. Não se reveste de impessoalidade pois qualquer um dos demais 80 senadores ou, expandindo, qualquer um dos demais 200 milhões de brasileiros jamais teria acesso ao uso do jato da FAB com o intuito de “fazer cirurgia anticalvície” em hospital pernambucano.

3. Não se reveste de moralidade pois que ofende a este princípio em sua totalidade: em um país em que diversas cidades sofrem enchentes e inundações, com milhares de famílias desabrigadas apenas no estado do Espírito Santo, é totalmente imoral que recursos da União, do Governo Federal, do povo brasileiro sejam usados para fins tão mesquinhos e impróprios, recursos corretamente usados se destinados a socorrer as vítimas de fenômenos naturais.

4. Não se reveste de publicidade pois que não foi noticiado em qualquer dos meios de comunicação oficial do Senado – Jornal do Senado, TV Senado, Rádio Senado, Site do Senado ou em pronunciamento no plenário do próprio presidente da Casa ou mesmo de algum de seus pares.

5. Não se reveste de eficiência pois que por menos de R$ 1.300,00 se compraria um bilhete aéreo para cobrir o percurso Brasília/Recife e menos ainda para o percurso de volta, com destino a Maceió, local de residência do senador.

Ato contínuo, como o espetáculo medíocre precisa continuar sendo encenado, o mesmo presidente do Senado convoca rede de rádio e televisão para autolouvar sua gestão, segundo este, marcada por esses mesmos princípios constitucionais, alardeando economias milionárias, destroçando conquistas dos servidores da Casa – como o serviço médico, supressão adicional por desempenho auferido.

A questão que se impõe ao observador razoavelmente informado da cena política brasileira é:

Por quê acreditar na veracidade, propriedade, necessidade e correção de tais medidas divulgadas pelo senador Renan Calheiros? E se alguém, do alto de sua função republicana, necessita consultar o comando da FAB para saber se agiu certo ou errado ao requisitar aeronave da FAB para lhe transportar ao Recife com o intuito de implantar 10.000 fios de cabelos… como confiar na assertividade e na lisura administrativa de uma pessoa dessas?

Daniel Quoist
No DCM
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Uma democracia manquitola


A polêmica sobre o aumento do IPTU na capital paulista tem produzido nos jornais um noticiário manco, para usar a expressão infeliz do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a respeito dos fundamentos da economia brasileira.

Desde que a questão foi parar no Judiciário, por iniciativa do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a imprensa dedicou muitas páginas exclusivamente a noticiar e discutir a tramitação da ação, que acabou por anular uma decisão da Câmara Municipal de São Paulo.

O episódio segue o roteiro que levou à extinção da CPMF - Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira - ocorrida em dezembro de 2007, por iniciativa do próprio Skaf. Na ocasião, a mobilização do presidente da Fiesp provocou grandes contratempos para o então presidente da República, Lula da Silva, mas o desempenho da economia acabou anulando o efeito da queda do tributo. Um dos resultados da campanha foi a inserção de Skaf entre potenciais candidatos a cargos públicos: em 2014, ele deverá disputar o governo paulista.

Assim como na época da extinção da CPMF, a imprensa brasileira, de modo geral, dispensa aos debates sobre o IPTU uma discussão manquitola, que passa ao largo de questões importantes. No caso do tributo sobre movimentações financeiras, os jornais omitiram enquanto puderam que a CPMF financiava o sistema público de saúde, a previdência social e os programas de erradicação da pobreza. Trata-se de um recurso de gestão pública usado em vários países do mundo para desestimular a especulação e garantir ao Estado receita para necessidades essenciais durante períodos de crise.

Visto como parte de um arcabouço tributário que discrimina e taxa os contribuintes de renda mais elevada, esse tipo de cobrança sempre provocou arrepios nos setores mais conservadores da sociedade, avessos a políticas oficiais de intervenção na questão das desigualdades.

Fiel a suas tradições conservadoras, a imprensa brasileira não poderia ter outro comportamento que não o de contribuir para a extinção desse tipo de recurso.

Ambições desenfreadas

No caso das mudanças propostas no IPTU da capital paulista, os jornais adotaram o mesmo comportamento: fecharam um olho para os aspectos de reorganização do peso do imposto na sociedade e se concentraram em martelar os índices mais elevados de aumento.

Como o cidadão paulistano já tem que conviver com um custo de vida muito alto, falar em porcentagens de aumento é provocar descontentamentos, e foi o que aconteceu.

Certamente se pode observar que faltou destreza política ao prefeito de São Paulo, que imaginou poder implantar tranquilamente seu projeto de redistribuição de custos, de maneira a aliviar aqueles que moram em lugares desprovidos da melhor infraestrutura urbana. A tramitação do projeto, apressada e quase na clandestinidade, ajudou a criar opiniões negativas sobre a medida. Mas ainda não é essa a questão central nesse episódio.

O prefeito poderia ter encaminhado melhor os debates sobre um projeto que tenta corrigir distorções na cobrança do tributo sobre a propriedade, e para isso deveria contar com a pouca disposição da imprensa para discutir o tema da desigualdade social.

A pressa em suprir as perdas provocadas pelo congelamento de tarifas de ônibus, somadas ao prejuízo que vem se acumulando nas contas do município pelo conluio entre grandes incorporadoras e fiscais corruptos, foi má conselheira. De qualquer modo, o sistema de comunicações da Prefeitura não produziu a estratégia adequada para facilitar a digestão da reorganização do IPTU, nem esclareceu a sociedade sobre as urgências observadas nas contas públicas.

No entanto, a questão central está bem distante do contexto municipal: o problema se aproxima do tema que foi abordado pela Folha de S. Paulo no domingo (22/12). Trata-se do apetite descontrolado do sistema judiciário sobre atribuições dos outros poderes. Na Folha, a manchete de domingo, baseada em entrevista do ministro Luís Roberto Barroso, o mais recente integrante do Supremo Tribunal Federal, afirma que a apatia do Congresso Nacional obriga o Poder Judiciário a fazer a História andar.

A imprensa precisa discutir essa visão, e não aceitar simplesmente que um poder substitua outro, mesmo porque, se há inércia no Legislativo, pode-se afirmar que o Judiciário peca pela ambição desenfreada e personalista.

Isso é que faz do Brasil uma democracia manca.

Luciano Martins Costa
No OI
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O Brasil e o asilo a Snowden

http://www.maurosantayana.com/2013/12/o-brasil-e-o-asilo-snowden.html


Um dos principais assuntos da semana, foi a realização de uma reunião da Presidente Dilma, para analisar o asilo a Edward Snowden, em troca de informações sobre as atividades de espionagem da NSA contra cidadãos e autoridades brasileiras.

O assunto surgiu a partir de uma “carta aberta” de Snowden ao povo brasileiro, publicada na “Folha de São Paulo”, e do lançamento de uma campanha em defesa do asilo a ele, com a coleta de assinaturas e o uso de máscaras que reproduzem sua face.

O texto renovou as denúncias a propósito dos riscos que corremos – nós e pessoas de outras nacionalidades - de termos nossas comunicações interceptadas, todos os dias, e de sermos até mesmo chantageados pelos EUA, por nossas atividades na internet.

Ela foi, também, uma mensagem de gratidão ao governo brasileiro, pela atenção dada às denúncias de pelo empenho demonstrado, nas Nações Unidas, para atuar com firmeza em defesa da privacidade como um direito fundamental de todo ser humano.

O que mais chamou a atenção, no entanto, foi a parte em que Snowden afirmava, com relação às investigações que estão sendo realizadas pelo governo brasileiro:

“Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina. Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.”

Esse trecho foi interpretado como uma espécie de barganha, por meio da qual Snowden estaria oferecendo sua colaboração e informações, em troca de eventual concessão de asilo, pelo governo brasileiro.

Hipótese que foi rapidamente desmentida pelo jornalista Gleen Greenwald, espécie de porta-voz oficioso de Snowden, que afirmou, que, na verdade, ele estaria apenas explicando sua impossibilidade de vir ao Brasil pessoalmente, devido à implacável perseguição que lhe é movida pelo governo norte-americano.

Ao tratar o assunto como uma questão de Estado, o Brasil poderia estar superestimando o fato e caindo em uma armadilha diplomática e institucional. O asilo a Snowden, só se justifica por razões humanitárias, caso estivesse correndo risco de vida, na Rússia, onde está agora, o que não é o caso. Aceitá-lo, em troca de informações, equivaleria moralmente a equiparar-nos aos EUA, fazendo o que eles fizeram conosco, que foi meter o bedelho em nossos assuntos internos.

A mensagem mais importante da carta de Snowden está no final, quando ele declara:

“Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.”
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Jornal O Estado de S. Paulo novamente mente


As recentes reportagens do jornal O Estado de S. Paulo - “Dirceu abriu filial de consultoria no endereço de dona de hotel no Panamá” (22.12) e “Empresa de Dirceu alterou finalidade cinco vezes” (23.12) – fazem insinuações sem fundamento sobre a constituição e atividade da JD Assessoria e Consultoria. Lançam dúvida sobre a atuação profissional do ex-ministro exatamente no momento em que ele pede à Justiça autorização para trabalhar em um escritório de advocacia em Brasília.

A JD Assessoria e Consultoria volta a reiterar que nunca atuou ou estruturou qualquer operação no Panamá. Conforme nota publicada no último domingo (22),”o pedido de abertura da filial, feito a partir do Brasil, sequer foi registrado naquele país, sendo revogado por decisão da própria empresa, que seguiu todos os trâmites previstos pela legislação brasileira.” A JDA nunca teve qualquer ligação com os sócios do hotel Saint Peter, que em novembro passado ofertou emprego ao ex-ministro. Qualquer insinuação neste sentido, como já expressa por políticos da oposição, é mentirosa e com claro objetivo de criminalizar José Dirceu.

O jornal afirma ainda, sem a boa prática que recomenda sempre ouvir o outro lado, que o ex-ministro alterou a razão social da empresa seguidas vezes para fazer lobby no governo federal, construindo fortuna nos últimos anos. Nova inverdade. A JDA presta, sobretudo, serviço de consultoria para empresas no exterior. Tanto a empresa quanto o ex-ministro José Dirceu têm suas prestações de contas junto à Receita Federal aprovadas todos os anos.

A casa que serve como sede da consultoria foi adquirida por um terço do valor publicado pela reportagem e ainda hoje está financiada, com prestações quitadas mensalmente pela própria empresa. O jornal não faz referência ainda à crescente valorização dos imóveis na cidade de São Paulo, numa forçosa tentativa de aludir a um suposto enriquecimento do ex-ministro.

Assessoria de Comunicação do ex-ministro José Dirceu
No Blog do Zé
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Alckmin cria taxas e aumenta outras com apoio do partido de Paulo Skaf


A Bancada do Partido dos Trabalhadores declarou seu voto contrário ao PL 916/13, de iniciativa do governador, que dispõe sobre o tratamento tributário relativo às taxas no âmbito do Poder Executivo Estadual.

O projeto, enviado neste final de ano à Assembleia Legislativa e aprovado às pressas com apoio da base governista, cria 10 novos serviços na Secretaria de Segurança Pública que serão cobrados. Entre eles estão a licença para queima de fogos ou espetáculo pirotécnico e emissão de certificado de registro de carro de passeio blindado. Isso significará um aumento de 195% nas taxas da Segurança Pública no Orçamento de 2014.

No Detran também serão criados 17 novos serviços que incidirão taxas. Outros serviços já taxados do órgão terão aumento muito acima da inflação, como é o caso da estadia de automóveis no pátio de recolhimento com aumento previsto de 29,09% e o reboque com elevação de 30,82%. No caso de veículos pesados, o aumento das taxas chega a ser abusivo: para recolhimento aumento de 233,64% e reboque, 213,82%.

Os serviços de emplacamento têm taxas que podem chegar a 133% de elevação. Somente com as novas taxas de emplacamento que o governador Alckmin pretende criar, o Estado arrecadaria R$ 336 milhões a mais por ano.

O aumento das taxas no caso da estadia dos pátios de recolhimento está diretamente ligado a Parceria Pública Privada (PPP) do Pátio Veicular Integral, onde o governo do Estado dá como garantia ao concessionário a utilização dos recursos provenientes das taxas de estadia e de remoção.

Em seu voto contrário, a Bancada do PT enfatiza que a receita de taxas cresceu 29% de 2010 até 2013, alcançando o valor de R$ 4,3 bilhões.

Para o líder da Bancada do PT, deputado Luiz Claudio Marcolino, o governo paulista vem aumentando a carga tributária frente ao PIB paulista. Em 2005, a carga tributária representava 7,85% do PIB paulista e, em 2012, chegou a 8,3%. O PIB paulista alcança mais de R$ 1,3 trilhão e esta elevação representa em valores quase R$ 6 bilhões. Os investimentos estranhamente caíram nos últimos anos, ficando abaixo de 1%. Boa parte desta elevação se deve à substituição tributária e a elevação das taxas fará com que a carga tributária paulista cresça ainda mais.

“Esta elevação de pelo menos R$ 354 milhões por ano penaliza o cidadão paulista e se mostra abusiva, visto que as taxas já são atualizadas anualmente pelo IPC da Fipe e tiveram crescimento expressivos, chegando em alguns casos a 133%. Deste modo, a Bancada do PT se coloca frontalmente contra o mérito do referido projeto”, declarou Marcolino.

PS do Viomundo: Compõem a base de sustentação do governador Geraldo Alckmin os seguintes partidos: PSDB, PSB, PPS, DEM, PTB, PMDB, PDT, PV, PR, PSD, PSC, PEN, PRB . Eles votaram a favor do projeto das taxas.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)  Paulo Skaf, que foi à Justiça contra o aumento do IPTU na capital paulista, é pré-candidato do PMDB ao Palácio dos Bandeirantes.

Foram contra o PT, o PCdoB e o Psol. Os deputados Major Olímpio (PDT) e Joji Hato (PMDB) também votaram contra.
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Novo salário-mínimo, de R$ 724, faz valorização real passar de 72,4% desde a posse de Lula


O anúncio de que a Presidenta Dilma Rousseff assinou hoje o decreto que fixa o salário mínimo em R$ 724, faz com que o ciclo de aumentos reais do salário mínimo – já descontada, portanto, a inflação – chegue a 72,4%.

Ainda é pouco, certamente, diante dos R$ 2.800, em números redondos, que o Dieese calcula ser o mínimo necessário para o sustento de uma família de quatro pessoas.

Mais é muito, muito mais, do que trabalhadores humildes e a grande massa de aposentados recebeu, ao longo das últimas décadas

Como eu disse que é pouco, é bom comparar com o salário mínimo necessário, segundo a estimativa do Dieese.

Em janeiro de 2003, na posse de Lula, o salário necessário seria de R$ 1.385,91 ou 6,93 vezes o salário mínimo efetivamente pago.

Em janeiro de 2013, aceitando a mesma inflação (exagerada) de 0,8% em dezembro, o mínimo do Dieese seria de 2783,68, ou 3,84 vezes maior que o efetivamente pago.

Poderíamos ter avançado mais?

Certamente, se não fosse a ditadura do mercado financeiro e suas imposições tirânicas de que tenhamos de aceitar todos os ditames, em matéria de política fiscal e monetária que ele nos impõe.

O salário mínimo poderia hoje, estar na casa de R$ 1 mil, não fosse a necessidade de fazermos superávit fiscal e de dispender dinheiro público com juros indiscutivelmente acima da realidade.

Mesmo assim, tudo isso estará em jogo em outubro.

Eduardo Campos já contestou a política de correção real do salário mínimo automática. Aécio Neves, pelos antecedentes do PSDB, nem precisa falar.

Desta vez, a regra de reajuste de inflação mais variação do PIB de dois anos antes foi amarga para os trabalhadores, porque o crescimento em 2012 foi de 1%, apenas. Assim como, em janeiro de 2012, incorporou o PIB de 7,5% de 2010.

É uma regra, e não um simples casuísmo.

A luta é por melhorá-la, não para derruba-la.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O Time dos Sonhos do atraso e do reacionarismo


Bem, final de ano é tempo de retrospectiva.

O DCM acompanhou a mídia com atenção, e então vai montar sua seleção de jornalistas do ano, o Time dos Sonhos do atraso e do reacionarismo, o TS, o melhor do pior que existiu na manipulação das notícias.

A cartolagem é parte integrante e essencial do TS: Marinhos, Frias, Civitas, Mesquitas etc.

À escalação:

No gol, Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo. Devemos a ele coisas como a magnífica cobertura da meia tonelada de cocaína encontrada no famoso Helicóptero do Pó, pertencente à família Perrella.

Kamel é também notável pela sagaz tese de que não existe racismo no Brasil.

Na ala direita, dois jogadores, porque pela esquerda ninguém atua. Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes são os selecionados. Os blogueiros da Veja são entrosados, e pô-los juntos facilita o trabalho de treinamento do TS.

Azevedo se notabilizou, em 2013, por ser comparado por diferentes mulheres a diferentes animais, de pato a rottweiler.

Nunes brilhou por lances de genialidade e inteligência – e total ausência de preconceito —  como chamar Evo Morales de “índio de franja” e classificar Lula de “presidente retirante”.

Uma disputa interessante entre Nunes e Azevedo é ver quem utilizou mais a palavra “mensaleiros”. Gênios.

Na zaga, uma inovação: duas mulheres. Temos a cota feminina no TS do DCM. Eliane Cantanhede, colunista da Folha, e Raquel Scherazade, a versão feminina de Jabor.

Ambas defenderam valentemente o país dos males do lulopetismo, e fizeram a merecida apologia de varões de Plutarco da estatura de Joaquim Barbosa, o magistrado do apartamento de Miami.

No meio de campo, três jogadores de visão: Jabor, Merval e Míriam Leitão. Sim, a cota feminina subiu durante a montagem do TS.

Jabor se celebrizou em 2013 pela rapidez com que passou da condenação absoluta à louvação incondicional das jornadas de junho quando seus superiores na Globo lhe deram ordem para mudar o tom.

Merval entrará para a história pelo abraço fraternal em Ayres de Britto, registrado pelas câmaras. Merval conseguiu desmontar a tese centenária e mundialmente reverenciada de Pulitzer de que jornalista não tem amigo.

E Míriam Leitão antecipou todas as calamidades econômicas que têm assaltado o país, a começar pela redução da desigualdade e pelo nível de emprego recorde.

Numa frase espetacular em 2013, Míriam disse que só escreve o que pensa. Aprendemos então que ela é tão igual aos patrões que poderia ser o quarto Marinho, a irmãzinha de Roberto Irineu, João Roberto e Zé Roberto.

No ataque, dois Ricardos, também para facilitar o entrosamento. Ricardo Setti e Ricardo Noblat. Setti foi uma revelação, em 2013, no combate ao dilmismo, ao lulismo, ao bolivarianismo, ao comunismo ateu e à varíola. Noblat já é um jogador provado, e dispensa apresentações. Foi o primeiro blogueiro a abraçar a honrosa causa do 1% no Brasil.

Para completar o trio ofensivo, Eurípides Alcântara, diretor da Veja. Aos que temiam que a Veja pudesse se modernizar mentalmente depois da morte de Roberto Civita, Eurípides provou que sempre se pode ir mais adiante.

Suas últimas contratações são discípulos de Olavo de Carvalho, o astrólogo que enxerga em Obama um perigoso socialista. Graças a Eurípides, em todas as plataformas da Veja, o leitor está lendo na verdade a cabeça privilegiada de Olavo.

Na reserva do TS, e abrindo espaço para colunistas que não sejam necessariamente jornalistas, dois selecionados.

O primeiro é Lobão, novo colunista da Veja e novo olavete também. No Roda Viva, Lobão defendeu sua reputação de rebelde ao fugir magistralmente de uma pergunta sobre o aborto.

O outro é o professor Marco Antônio Villa, que conseguiu passar o ano sem acertar nenhuma previsão e mesmo assim tem cadeira cativa em todas as mídias nacionais.

O patrono do TS é ele, e só poderia ser ele: José Serra.

Mas Joaquim Barbosa pode obrigar Serra a cedê-la a ele, JB, nosso Batman, nosso menino pobre que mudou o Brasil e, nas horas vagas, arrumou um emprego para o júnior na Globo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Charge online - Bessinha - # 2012

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Miguel Arraes e Reginaldo Rossi, o rei dos sem rei


Quando eu era menino, gostava de impressionar a professora Termutes, lá no Ginásio Ipiranga em Água Fria. E o modo de impressionar a doce Termutes era um tanto oportunista: para mostrar compreensão de gramática, eu escrevia lá no meu caderno do dever de casa, por exemplo, “Jesus Cristo é o rei dos reis”. Isso me levava a ser olhado com atenção por ela, que parecia se perguntar, de onde esse menino tira tais imitações?

Esse “rei dos reis” me veio agora ao procurar um título para esta lembrança de Reginaldo Rossi, em pleno dia de Natal. A intenção não era bem profana, era de esperteza, porque cheguei a pôr o título de “Reginaldo, o rei dos reis”, mas me corrigi a tempo, porque não devo enganar a boa-fé de ninguém.  Portanto, sejamos sinceros, desde o começo. Aqui não haverá fraude ou burla. Acompanhem o que conto por favor.

Lembro de um comício de Miguel Arraes em 1986, em campanha para governador de Pernambuco. Isso se deu na praça da Vila dos Comerciários, em Casa Amarela, no Recife.  Camisa aberta ao peito, calças justas, cabelo black power, Reginaldo Rossi era uma atração máxima, aquela que chamava o público mais despolitizado. Arraes sempre foi um político de ideias de esquerda, mas isso ele fazia ao lado de um grau imenso de pragmatismo. Quem era o rei que atraía o povão? – Reginaldo Rossi. Então vamos a ele. E assim foi.

É verdade que Reginaldo Rossi sempre esteve ao lado de um ideário que se assemelhava à esquerda. O que é isso? Era não ficar ao lado dos que apoiaram a ditadura. Mas o diabo é que Reginaldo sabia do poder de sedução da sua arte, e não se intimidava diante dos deuses mais sagrados da esquerda em Pernambuco. O que isso queria dizer, amigos? Imaginem e acompanhem. Quando ele tomou a frente do palanque, depois das palavras de apoio ao líder Arraes, em uma fala misturada de  gíria maluca dos palcos e do povão, o rei Reginaldo mandou ver:

“Ai,  amor
Você diz isso com jeitinho
Ai,  amor
Quando eu te faço algum carinho
Ai,  amor
Esse suspiro vem de dentro de você
Ai, amor
É tão gostoso ver teu corpo estremecer, ai, amor

Quando eu te aperto em meus braços, ai amor
E quando eu sinto teu mormaço, ai amor
Também suspiro e fico louco sem querer, ai amor
Essa loucura do amor me faz dizer
Que eu não vivo sem você
Que só você me satisfaz
Que eu morreria nos teus braços
Feliz ouvindo esses teus ‘ais’!
Ai, amor

Ai amor, também suspiro e fico louco sem querer
Ai amor, essa loucura do amor me faz dizer
Que eu não vivo sem você
Que só você me satisfaz
Que eu morreria nos teus braços
Feliz ouvindo esses teus ‘ais’!

Ai amor. Ai, ai.”

A essa altura, o povo aumentou na praça, em grupos os mais caóticos, chamados primeiro pelo som dos alto-falantes que estrondava com a voz de Reginaldo Rossi. Mas não só. E vamos ao mais importante: além da letra da canção, quando ele cantava, havia uma entonação, ia dizer safada, mas não era isso. Havia um tom de deboche, de saber o que a massa queria ouvir, pois ele sabia o que a população gostava de fazer e não declara de modo público. Quando Reginaldo suspirava em voz quente o apelo “ai, amor”, uma nuvem de poeira subia. As camisas giravam por cima das cabeças, que deliravam como se estivessem em uma encenação pornográfica, em um verdadeiro e popular império dos sentidos. Não era cinema, mas sem olhos oblíquos do oriente, com de índio do Recife, era um império dos sentidos. “Ai, amor”, Reginaldo repetia num requebro. Olhem, declaro que me senti muito envergonhado, ao mesmo tempo que não conseguia tirar os olhos do palco. E por isso, cravei os olhos no candidato Arraes, que estava recuado, mal escondido dos volteios de Reginaldo.

No primeiro “Ai, amor”, foi bem clara a desaprovação do candidato. Ele olhou atravessado para o rei e pigarreou alto. Para quê? Reginaldo abriu um sorriso e os braços para um mais largo ainda “ai, amor, também suspiro e fico louco sem querer”. Então Arraes baixou a cabeça, como quem diz “isso é muito constrangedor, as bandeiras da frente ampla do Recife estão muito amplas para mim”, mas calou, e na continuação do “é tão gostoso ver teu corpo estremecer, ai, amor”, Arraes entrou em um mudo e imóvel silêncio. Para maior liberdade do rei Reginaldo, que tinha a massa de revoltados sem rumo na canção. Isso eu vi naquela eleição, e tratava essa lembrança até então como um fato curioso, cômico, entre a gravidade de Arraes e a interpretação de Reginaldo Rossi. Mas a morte de uma pessoa, vocês sabem, desperta na gente novos ângulos do que nem imaginávamos antes.

Havia em Reginaldo Rossi um tom escrachado, o que é diferente da depravação. Às vezes – é da natureza do escracho – havia também um tom chulo, que a higiênica e impoluta classe média chama de “baixaria”. Mas ao lado do apelo aos sentidos mais imediatos – ele queria fazer sucesso -, havia também um modo civilizatório em Reginaldo Rossi. Por exemplo, vem dele, em muitas frases de entrevistas, algumas das primeiras manifestações contra a homofobia, entre artistas populares. Vem dele também, numa terra de machos, duvidosos machos, que assassinam mulheres nos chamados crimes de honra, uma suavização do homem que vira corno. De Reginaldo Rossi jamais pôde vir qualquer palavra de reforço ao preconceito contra pobres e marginalizados.

Ai, amor. No comício de Arraes em 1986, o povo pulava, agitava-se, gritava, diante da ambiguidade do cantor a girar os quadris em movimentos que imitavam um coito em pé. Ou melhor, Reginaldo fazia movimentos, meneios do puro oferecer, um convite irresistível ao que virá, ou devia vir. Aqueles quadris eram uma representação do ato amoroso, da dor que não é dor embora lembre a dor.

Dor que não é dor embora lembre a dor. Acho que Reginaldo Rossi iria gostar muito, e por isso não tenho pejo nem vergonha de homenageá-lo da maneira a seguir: Reginaldo iria gostar muito de associar sua música a estes versos de Camões, o rei dos sonetistas em português:

“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer”

Ai, amor. Mas por que faço este reconhecimento tardio? Porque nunca disse antes que para mim A Raposa e as Uvas mereceria uma crônica à parte, que falasse dos amores suburbanos, cheios de cafonice e de sentimento? Mais, por que nunca esclareci, de modo mais preciso, que a composição A Raposa e as Uvas cantava a classe média dos subúrbios, porque os jovens então que eu conhecia nem sequer sonhavam com a lambreta, que era a moto daqueles anos, porque o sonho   máximo dos pobres fudidos era ter uma bicicleta? (Fudidos mesmo, não fodidos.)

Por que somente agora escrevo? – É que o povo me deu uma lição nestes últimos dias. O povo maior é pobre e sem vergonha. É pobre e sincero, mas seu sentimento não é miserável nem mesquinho. Foi de comover até as pedras as declarações de pessoas feias, como a estúpida juventudezinha alienada as chama, “gente feia”, foi comovente ver  as domésticas, os motoristas, os garçons, as mulheres e homens enfim de todas as categorias profissionais, que sem vergonha e sem pudor gritavam no Recife, no dia do enterro:

- Rei. Rei, Reginaldo é nosso rei!

Creio que teria mais a dizer sobre Reginaldo Rossi neste dia de Natal. Mas não falo mais porque seria fora de tom nesta data de fraternidade.  Termino aqui, por enquanto. Vaidade das vaidades, Reginaldo Rossi não foi bem o rei dos reis. Foi Reiginaldo, ou mais simplesmente, o rei dos sem rei.

Urariano Mota
No Viomundo
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O especial de Roberto Carlos é o símbolo da ressaca do Natal e do autismo dele e da Globo


Um espectro ronda o fim de ano: o espectro do especial de Roberto Carlos.

Enquanto Justin Bieber, a criança mais chata do show bis, anuncia sua aposentadoria, Roberto continua firme numa atração que, se depender dele, deve durar até o fim dos tempos.

Rumando para a edição número 40, o programa é símbolo de duas coisas, uma ancestral e outra moderna: a ressaca do dia 25; a irrelevância, hoje, dele e da Globo. No ano passado, RC marcou meros 10 pontos no Ibope. Em 2000, chegou a ter mais de 40.

É como assistir a um funeral em praça pública. Um cantor de 72 anos fazendo o mesmo de sempre, cantando as mesmas coisas de sempre, para um público que diminui e diminui. E ainda com a exposição de suas manias e do TOC.

De acordo com a Folha, ele queria um clima de Oscar. Encanou com a cacofonia do nome do lugar onde haverá a gravação, a Cidade das Artes (“das ar”, “azar”). Queria entrar de carro no palco, como acontece em alguns de seus shows, o que não foi possível porque não há acesso no teatro.

Erasmo Carlos apareceu de preto, com seu figurino tiozinho Harley Davidson. Roberto, como se sabe, só admite o azul ou o branco. Erasmo explicou que não tinha outra roupa. Ganha uma calça Tremendão quem acreditar nisso. Erasmo deu uma trolada bonita no amigo.

Ele receberá convidados como Lulu Santos, Tiago Abravanel, Anitta e a atriz Tatá Werneck, além dos DJs que fizeram “Remixed”, uma coletânea de versões emasculantes de hits de RC, pretensamente lançada para uma audiência mais jovem.

Todo artista tenta se rejuvenescer. É uma questão de sobrevivência.  RC já tem mais de 50 anos de estrada e, se ainda dependesse somente das ex-adolescentes dos anos 60, estaria frito. Mas o que seu programa mostra, vivamente, é um artista caquético de corpo e espírito. Uma espécie de Norma Desmond, a ex-estrela do cinema mudo de “Crepúsculo dos Deuses”, que tinha um chimpanzé para lhe fazer companhia e vivia num mundo à parte. “Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos”, dizia ela, em sua piração decadente.

A única razão para ver o especial de Natal de RC é testemunhar o fim de um mundo. Agora, mesmo para isso, teria de ser um final apoteótico, algo que valesse a pena. Não é. Uma sugestão seria ele anunciar sua aposentadoria. Como isso não vai ocorrer, o programa vai minguar lentamente até que o último chimpanzé se lembre de que tem mais o que fazer e desligue a televisão.

Kiko Nogueira
No DCM
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Mídia descobre que Aécio pode não ser candidato


Jornal do Brasil deu a informação em agosto

No dia 11 de agosto, o Jornal do Brasil publicava em sua edição que o tucano Aécio Neves poderia não ser o candidato do PSDB à presidência da República. Quase cinco meses depois, a mídia começa a descobrir a possibilidade do senador mineiro, como ele próprio já está admitindo, não concorrer mais ao cargo por seu partido. No editorial publicado no JB, Aécio seria o vice de Fernando Henrique Cardoso.

Aécio Neves declarou a um colunista de um grande jornal do Rio que se vier a constatar a fraqueza de sua candidatura, não terá nenhum constrangimento em se aliar a quem estiver melhor. A declaração do senador, no entanto, causa a impressão de não ter condições de se sustentar por muito tempo. Aécio, se realmente declarou o que foi publicado, se esquece que como membro de um partido (rachado) terá que consultar seus pares para dar apoio a quem quer que seja. Sua, vontade, por enquanto, ainda não dita os rumos do PSDB.

“Há ainda terrenos indefinidos, com nomes de peso e de muitos votos em busca das alianças onde haja o melhor diálogo”, destacava o editorial do Jornal do Brasil para indicar que a possível chapa Fernando Henrique-Aécio Neves poderia contar com apoio, em vários estados, onde a preferência do eleitorado poderá ser favorável aos tucanos, com essa formação, é claro.

No JB
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Tarso comemora crescimento do RS e prevê luta ideológica acirrada em 2014

Porto Alegre - Em entrevista à Carta Maior, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, faz um balanço de três anos de governo e responde críticas de partidos de oposição. Tarso prevê um debate programático e ideológico em 2014 e avalia que luta política e luta ideológica estão plenamente fundidas no Estado que foi governado recentemente pelo PSDB mais puro (com Yeda Crusius) com apoio de um “polo ideológico mais histórico, originário da ditadura militar, a velha Arena representada pelo PP”. Respondendo às críticas de que o atual governo estaria “gastando demais”, o governador afirma:

“Nosso programa parte do pressuposto que é possível fazer o Estado sair da crise, qualificar os seus serviços, combater a pobreza extrema, com crescimento que gere empregos e não com encolhimento que gera pobreza e desemprego. Ele se opõe a este olhar simplista e medíocre, representada especialmente pelo Governo Yeda, cuja síntese foi a visão meramente contábil do "déficit zero", que, aliás, é uma invenção midiática”.

E enfatiza os atuais números da economia do Estado, cujo desempenho foi superior à média nacional em 2013. O Produto Interno Bruto gaúcho deverá fechar 2013 em torno de 6%, mais que o dobro do índice nacional. No segundo trimestre, enquanto a média brasileira apontou um crescimento de 3,3%, a economia gaúcha cresceu mais de 15%. O acumulado no primeiro semestre chegou a 8,9%, de acordo com a Fundação de Economia e Estatística (FEE), índice superior aos 2,6% registrado para o conjunto de regiões do Brasil. O valor exportado do ano alcançou a cifra de US$ 17,5 bilhões, um aumento de 28,6%, o terceiro Estado em exportação. A safra gaúcha bateu recordes este ano e a indústria cresceu 6,1%, o maior crescimento segundo pesquisa do IBGE, enquanto a média brasileira situa-se em 1,6%.

Na entrevista, Tarso também fala sobre as eleições de 2014 e diz que a sua candidatura à reeleição ainda não está definida. “Estamos criando as condições externas e internas para declarar, ou não, a minha candidatura. Penso que não serei o candidato mais indicado, por exemplo, se  o nosso partido, nacionalmente, decidir que a Presidenta deverá ter aqui dois palanques”, afirma.

Carta Maior: O Rio Grande do Sul apresenta o maior índice de crescimento do país este ano. No entanto, partidos de oposição como o PP e o PSDB criticam a orientação do atual do governo dizendo, entre outras coisas, que está gastando demais? Qual a sua resposta a essas críticas?

Tarso Genro: Talvez o nosso Estado seja aquele em que a luta política e a luta ideológica estejam mais plenamente fundidas, não somente porque recentemente o Governo esteve nas mãos do mais "puro" PSDB - que se elegeu num lance de sorte e com um  apoio galopante da maioria da mídia - mas também porque tem um polo ideológico mais histórico, originário da ditadura militar, a velha Arena representada pelo PP,  que aqui sempre fez opções à direita e não ao centro, como eventualmente ocorre em outras unidades da Federação.

Desta união de partidos e setores de classes, articula-se, ora ganhando para seu campo outros partidos tradicionais, um bloco com apoio majoritário dos grandes empresários locais e cujo centro programático parte sempre do seguinte: as finanças públicas estão em ruína porque o Estado tem funcionários demais, os incentivos fiscais devem predominantemente atrair grandes montadoras para "puxar" o desenvolvimento, o salário mínimo regional faz o Estado "perder competitividade", os agentes públicos em geral são incompetentes, o mal do "corporativismo" é que sempre impediu o Estado de decolar e o que nós precisamos é de mais incentivos fiscais, menos impostos, mais obras de infraestrutura e mais privatizações.

Como se funde, no concreto, a política e a ideologia?  De uma parte, reduzindo as funções públicas do Estado para mostrar, a partir daí, que ele é uma máquina lenta que só atrapalha os bons empresários e, de outra, criticando os gastos públicos de natureza social e os que são destinados a recuperar aquelas funções públicas, que eles desbaratam quando estão no Governo.

Carta Maior: Em que aspectos fundamentais sua visão de governo difere da oposição?

Tarso Genro: O nosso programa de governo só foi possível ser implementado com apoio do Governo Federal. Ele se opõe a este olhar simplista e medíocre, representada especialmente pelo Governo Yeda, cuja síntese foi a visão meramente contábil do "déficit zero", que, aliás, é uma invenção midiática. Nosso programa parte do pressuposto que é possível fazer o Estado sair da crise, qualificar os seus serviços, combater a pobreza extrema, com crescimento que gere empregos e não com encolhimento que gera pobreza e desemprego. Para tanto, é preciso atrair investimentos públicos e  privados que energizem a base produtiva local, que se acoplem nela - por exemplo ajustando as  encomendas dos seus  insumos para dentro do Estado - e  saindo do sufoco financeiro pela reestruturação da dívida pública, o que já está em curso.

É preciso, neste novo contexto político e econômico, não sucatear, mas ampliar os  direitos sociais: melhorar os salários dos servidores, ampliar o quadro de funcionários de acordo com as reais necessidades da prestação de serviços e utilizar as agências financeiras do Estado para incentivar a produção de baixo para cima, ou seja, desde a agricultura familiar, até as médias e pequenas empresas locais, que aqui no Rio Grande do Sul compõem uma vasta rede com centenas de cooperativas de grande importância na história econômica e produtiva  do Estado.

Sair da crise crescendo, não caindo na armadilha funesta do neoliberalismo, que reza ser um dever penalizar os mais pobres, para melhorar a vida de todos num dia inatingível. As grandes empresas pautam, hoje, seus investimentos mais pelo ambiente social e político das regiões, do que exclusivamente por incentivos unilaterais que elas sabem que nem são bem recebidos pelas comunidades em que elas se instalam.

Carta Maior: Considerando os governos anteriores, quais são, na sua opinião, as principais mudanças alcançadas nestes três anos de governo? Foi possível fazer alguma mudança qualitativa?

Tarso Genro: Nosso Estado está crescendo mais do que o dobro do Brasil, a nossa rede de microcrédito já financiou milhares de pequenas e microempresas com 262 milhões de reais, incorporamos no nosso programa de renda para combate à miséria extrema 62 duas mil famílias e queremos chegar a 100 mil em 2014.

Nosso Pronatec é o maior do Brasil em termos absolutos; promovemos aumentos inéditos no salário mínimo regional para aumentar o consumo de mais de um milhão de trabalhadores que dependem deste salário; reformamos o sistema de incentivos fiscais e adotamos uma política industrial específica para o Estado, tendo atraído já quase trinta bilhões de reais de investimentos privados - alguns em andamento e outros já feitos, como o da Companhia Rio-grandense de Celulose, o maior da história do Estado, com 5 bilhões de reais.

Dobramos os recursos para a saúde pública e estamos chegando a uma mortalidade infantil com menos de um dígito por mil nascituros; a resolução dos homicídios pela Polícia Civil, reequipada e reformada, subiu de em torno de 20 por 100, para 70 por 100. Já montamos três planos Safras Regionais, com mais de três bilhões de reais em cada ano para financiar a agricultura familiar e de porte médio, no Estado; retomamos os investimentos em estradas através de financiamentos obtidos em agências nacionais e internacionais.

Instituímos uma espécie de "passe livre" estudantil, nas regiões que o Estado tem o controle do transporte coletivo com recursos do Tesouro do Estado; instituímos, aqui, um sistema de participação popular inédito, integrando Orçamento Participativo, Consulta Popular Direta através da forma "plebiscitária", a participação virtual pela internet (via Gabinete Digital), Conselhos Regionais de Desenvolvimento e Plenárias Consultivas no interior.

Essas são mudanças feitas dentro da democracia, que conseguimos graças a um sistema de alianças que nos permitiu governar com maioria e ir até o limite do possível. Algumas delas são mudanças qualitativas, que terão reflexos no futuro, inclusive para oxigenar as classes empresariais locais, que são extremamente conservadoras, cuja agenda é praticamente sempre a mesma: menos impostos e arrocho no salário mínimo regional.

Carta Maior: A oposição já está apresentando seus argumentos e críticas. Quais devem ser, na sua avaliação, os principais pontos do debate eleitoral no Estado em 2014?

Tarso Genro: O debate será programático e também ideológico. Hoje é impossível desconectar a oposição a nós, aqui no Estado, do que foi o Governo Yeda e o Governo Britto,  governos mais expressivos das posições programáticas e ideológicas desta turma. Não estou falando, aqui, de competência nas gestões nem de questões penais. Estou falando de programas mesmo, de ações de governos, de tratamento das aspirações populares, de visão de desenvolvimento dentro do sistema capitalista e dentro do regime democrático.

É de se notar, por exemplo, que nas lutas mais corporativas  — radicalizadas por uma extrema-esquerda carente  de programa e sem propósitos de governar o Estado — esta oposição da direita ideológica sempre deu cobertura política ao esquerdismo voluntarista, seja na Assembleia Legislativa, seja junto ao movimento das categorias profissionais.

Estamos plenamente preparados para o debate, no terreno dos números, no terreno ideológico e nas questões de natureza programática, para debater com os dois extremos, a partir de uma visão de esquerda que aceita a responsabilidade de governar e governa dentro da ordem democrática da Constituição de 88.

Carta Maior: O calendário eleitoral vem se acelerando nas últimas semanas, com os partidos se movimentando em torno de possíveis alianças. O pré-candidato do PDT ao governo do Estado, Vieira da Cunha, estaria cogitando uma aliança com Aécio Neves em nível federal. Qual sua opinião sobre essa possibilidade?

Tarso Genro: Vieira da Cunha é uma liderança histórica do PDT do Estado, que esteve conosco, no Governo, até há poucos dias atrás e que governou conosco totalmente integrado e leal, com três secretários importantíssimos: esportes, saúde e relações federativas. Estranhei este movimento do Vieira e creio que se trata, na verdade, apenas de um tiro de pólvora seca, pois o Aécio, em especial, não significada nada para as bases eleitorais do PDT aqui no Estado, pelos menos do PDT de Brizola.

De qualquer forma não devo fazer qualquer juízo de valor, pois esta é uma questão que deve ser analisada nas instâncias internas do PDT, partido que eu respeito e considero nosso aliado estratégico. O fato é que nós, da esquerda, devemos nos preparar para um novo período histórico no Brasil, a partir de 2015, quando o modelo lulo-desenvolvimentista, como eu gosto de chamar, estará esgotado. Esgotado porque deu certo, não porque deu errado. Isso significa que deveremos reciclar, não só o nosso sistema de alianças, mas também preparar as condições políticas e econômicas para acabar, não mais somente com a miséria extrema no país, mas acabar com a pobreza e com as humilhantes desigualdades sociais que permanecem uma marca bem brasileira.

Creio que nem Aécio nem Eduardo Campos, estão preocupados efetivamente com isso, pois o que se tem visto quando se une choque de gestão com desenvolvimentismo liberal, é mais riqueza e poder concentrados e mais desigualdades sociais e regionais. O México, o Chile, o Peru e outros já passaram por isso.

Carta Maior: Quando será anunciada a sua decisão sobre a candidatura à reeleição ao governo do Estado?

Tarso Genro: Estamos criando as condições externas e internas para declarar, ou não, a minha candidatura. Penso que não serei o candidato mais indicado, por exemplo, se o nosso partido, nacionalmente, decidir que a Presidenta deverá ter aqui dois palanques. Isso seria contraditório com o papel que eu assumi aqui no RS, inclusive  no confronto político com os partidos adversários mais duros da Presidenta. É preciso levar em consideração, inclusive, que não só o nosso Estado é um dos mais politizados no país, como também aqui, os votos que saem do nosso campo não tem ido em direção à direita, mas em direção a posições  tidas como de "esquerda", como, por exemplo, em direção à Marina e ao PSOL.

Quando comento este assunto estou tratando de estratégia eleitoral e de tática eleitoral no plano local, não de fidelidades abstratas ou sentimentais e, muito menos, do meu futuro político pessoal. O meu futuro possível eu já estou vivendo plenamente, com muita responsabilidade.

Marco Aurélio Weissheimer
No Carta Maior
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