23 de dez de 2013

De Escobar aos Perrella


A polícia foi mais ligeira em negar a participação da família de políticos do que em achar o traficante

Em 2 de dezembro, uma romaria de colombianos visitou, em razão do 20º aniversário de sua morte, o túmulo de Pablo Emilio Escobar Gaviria no cemitério dos Jardines Monte Sacro. Nascido em 1949, Escobar era carinhosamente chamado pelos colombianos pobres de “El Patrón”, e isso por ter, com o tráfico de cocaína operado pelo seu Cartel de Medellín, aberto 3 milhões de postos de trabalho, diretos e indiretos.

Fora isso, Escobar, considerado o maior traficante de cocaína andina de todos os tempos, realizou intensa e interesseira atividade assistencial aos carentes. Inspirado na lógica do panem et circenses, ganhou fama de mecenas ao comprar passes de jogadores de futebol, como bem sabem os torcedores do Independiente de Medellín e do Atlético Nacional. Assim, provocava os traficantes rivais, Rodríguez Gacha, padrinho do Millonarios de Bogotá, e os irmãos Rodríguez Orejuela, donos do América de Cali. A propósito, todos eles inflacionavam o mercado da bola e dele se aproveitavam para lavar seus narcodólares.

Além de construir um presídio de luxo para uso próprio e fingir que cumpria pena reclusiva, quando sua meta era evitar a extradição para os EUA, o megatraficante Pablo Escobar montou um gigantesco e moderno centro de refino da pasta-base de coca peruana: refinava 5 mil quilos semanais da droga, como diz Luis Cañón na clássica obra: El Patrón, Vida y Muerte de Pablo Escobar.

Para os colombianos, a refinaria ficava em um lugar apelidado de Tranquilândia, pois a corrupta polícia não incomodava  El Patrón. Quanto ao presídio luxuoso e de onde entrava e saía sem problemas, ganhou o significativo designativo de La Catedral, ou seja, o templo de Escobar. Com as atividades ilegais de Escobar, a Colômbia, que até então pouco contava no tráfico internacional, tomou em importância o lugar do Peru.

A marcante “jogada” de Escobar consistiu em comprar uma empresa de aviação civil, a ‘Servicios Aeroejecutivo de Aviación’, logo apelidada de “El Expreso de la Cocaína”. Sem nenhum helicóptero e com cerca de duas dezenas de pequenos aviões tipos Cessna e Turbo Commander, a empresa não só fazia o transporte da pasta-base do Peru, mas era eficaz, com reabastecimento nas Bahamas, no envio da cocaína em pó para os EUA, com desembarque da droga na Flórida.

Com os desmontes dos megacartéis de Medellín e Cali, a morte de Escobar, as prisões dos irmãos Orejuela e as delações premiadas nos EUA dos irmãos Ochoa, a indústria da cocaína andina sofreu mudanças. No mundo da droga, nenhum grande traficante internacional possui mais uma empresa aérea. Eles preferem terceirizar o transporte e fretar helicópteros, a exemplo do que fazem com as “mulas” humanas. No fundo, mudanças geoestratégicas, com uso maior do sistema bancário e financeiro internacional e a transformar Estados nacionais em narcodependentes, ou melhor, com o PIB a depender também do mercado das drogas proibidas.

Na Colômbia, os traficantes de cocaína andina trocaram os megacartéis pelos “cartelitos”, com estruturas enxutas, ágeis e atuação em rede planetária. Com a terceirização do transporte, as polícias encontram dificuldades na identificação dos mandantes e na prova de se ter agido com dolo no fretamento. Os donos dos helicópteros e aviões, por exemplo, repetem não saber de nada. Como regra, o piloto flagrado no transporte é poupado pelos patrões e, dessa maneira, abre-se espaço para declarar desconhecimento da mercadoria do fretamento.

O helicóptero da empresa familiar dos Perrella, pai senador e ex-presidente do Cruzeiro, e o rebento deputado ­estadual em Minas Gerais, transportava quase meia tonelada de cocaína. Pelo noticiado, até verba pública já serviu para abastecer esse helicóptero. A carga ilegal de cocaína restou apreendida em 24 de novembro passado, após aterrissagem do helicóptero no Espírito Santo, proveniente do Paraguai. Nesta semana, vazou a informação de as investigações policiais, em inquérito, terem concluído pela não responsabilização criminal dos dois Perrella parlamentares. A propósito, ainda não se sabe qual será a reação do representante do Ministério Público sobre essa apuração a envolver Zezé e Gustavo Perrella.

No caso, está claro ter a polícia trabalhado com mais velocidade na apuração de eventual participação criminosa dos Perrella do que na identificação do traficante, ainda um desconhecido. Pelo que se imagina, a cocaína apreendida seria vendida no Brasil. Num pano rápido, pelo menos a “culpa in vigilando” prevalece. Além do odor de cocaína nos Perrella.

Wálter Maierovitch
No CartaCapital
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Fantástico mostra Hospital com atendimento excelente, mas omite que é 100% SUS



O programa Fantástico da TV Globo fez uma reportagem — (ver acima) — sobre Musicoterapia em um hospital com atendimento de alta qualidade e muito humanizado, parecendo os melhores hospitais privados do mundo.

Só que a TV Globo "esqueceu" de informar que trata-se de um hospital que atende exclusivamente pelo SUS.

É o Hospital da Criança de Brasília José Alencar, gerido em parceria pelo Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Organização sem fins lucrativos criada pela sociedade) e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, governada pelo PT (governo Agnelo Queiroz). O atual atendimento será ampliado, pois o Hospital está em expansão.

Os dois vídeos ao final informam bem melhor do que o Fantástico à população que precisa saber os recursos públicos que dispõe, para a hora que uma família do Distrito Federal precisar ter uma criança atendida lá.

O Hospital é de referência, ou seja, não tem emergência e todos os atendimentos são realizados com hora marcada. Os pais devem levar a criança a uma unidade da rede pública (Centro de Saúde, UBS, UPA, posto do Programa de Saúde da Família, ou hospital) para que o médico identifique se a criança necessita de atendimento especializado que deva ser encaminhado ao Hospital.

A TV Record do DF também já fez uma reportagem com espírito de jornalismo de prestar um serviço ao público, o que a Globo não fez:



No Amigos do Presidente Lula
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Joaquim Barbosa mais uma vez mostrou do lado de quem está

Ele

Haddad podia economizar o dinheiro e o tempo gastos na viagem a Brasília.

Só quem acredita em tudo, para usar a grande máxima de Wellington, poderia acreditar na hipótese de Joaquim Barbosa acolher o pedido de Haddad para que vigorasse imediatamente o reajuste do IPTU em São Paulo.

Não se trata apenas do ódio patológico já demonstrado tantas vezes por Barbosa pelo PT. Barbosa parece aquele chefe do Inspetor Clouseau que desenvolve uma raiva de tal ordem pelo subordinado que acaba por levá-lo ao manicômio. Em sua louca cavalgada, ele fez coisas incríveis como negar a Dirceu o direito de ver o enterro de Chávez. Temos visto o que tem feito com Genoino também.

Mas o problema vai além.

Na questão do IPTU, você tem de um lado as pessoas mais ricas de São Paulo, sobre as quais recairia um aumento. Na defesa delas, e de seus privilégios, saiu nada menos que a Fiesp, que congrega as indústrias paulistas.

De outro lado, você tem o Zé do Povo, como o patriarca Globo, Irineu Marinho, segundo está dito em sua biografia, chamava as pessoas da plebe.

O Zé do Povo, ou ZP, é alguém, por exemplo, do Parque do Carmo, uma região remota de São Paulo na qual o IPTU baixaria 12%.

Quem se interessa pelo ZP?

O único problema, para quem não se importa com os desvalidos, é que o ZP vota, e seu voto vale tanto quanto o do presidente da Fiesp.

Barbosa já deu diversas demonstrações de que gosta mesmo é da companhia dos Marinhos e seus assemelhados.

Tente achá-lo com a habitual fisionomia severa em fotos em que aparece ao lado de um Marinho, ou de Aécio, ou de alguém deste gênero.

São risos, risos e ainda risos.

O ZP não existe.

Sua decisão a favor da Fiesp e contra o ZP não surpreende.

Minha única surpresa, na verdade, era e é Haddad crer que o desfecho de sua ida a Brasília pudesse ser outro.

Paulo Nogueira
No DCM
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O senta e levanta de Joaquim Barbosa


Joaquim Barbosa negou a suspensão da liminar que impede a implantação do IPTU progressivo na cidade de São Paulo feita a pedido da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) e do PSDB. Ela foi concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Como a decisão de manter a liminar foi monocrática, ainda poderá ser revertida em plenário.

Segundo Fernando Haddad (PT), prefeito da capital paulista, essa é a primeira vez, desde Jânio Quadros, que um prefeito é impedido de atualizar o valor do imposto municipal. Talvez por ser a primeira vez que isso é feito para beneficiar os mais pobres.

A decisão por si não é de causa surpresa visto as últimas ações de Barbosa no comando do Supremo Tribunal Federal (STF). O que chama a atenção são as fotos das reuniões com Paulo Skaf, presidente da FIESP e com o prefeito de São Paulo. Com o empresário ele se deixou fotografar sentado e com o petista em pé.

Há tempos que se sabe que Joaquim Barbosa sofre de dores na coluna e que por isso fica constantemente em pé nas sessões do STF e em reunião do seu dia a dia. Mas daí a sentir dores que o impossibilitem de sentar, mesmo por alguns minutos, já é caso de aposentadoria por invalidez.

Barbosa, com todas as personalidades com quem se reuniu em seu gabinete, sempre foi fotografado em pé enquanto seus convidados estavam sentados. Simbolicamente isso representa superioridade. No ponto mais alto fica quem é superior.

Por exemplo, nenhuma bandeira, de qualquer que seja o país, pode estar em um ponto mais alto do que a bandeira do Brasil em nosso território. Aqui a bandeira mais importante é a nossa, por isso fica no ponto mais alto.

Então por que Joaquim Barbosa se deixou fotografar sentado ao lado de Skaf? Ele considera o presidente da FIESP um igual? Ou será que deseja que o empresário paulista lhe consiga patrocinadores de campanha, caso a financiamento eleitoral ainda continue valendo para 2014? A ver.

Cadu Amaral
Do Blog do Cadu
No 247
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