18 de dez de 2013

O Brasil não cabe na agenda de Aécio Neves


Em oito mil e 17 palavras, a agenda eleitoral do presidenciável Aécio Neves não menciona uma única vez o trunfo que mudou o perfil geopolítico do país: pré-sal

Pode-se discordar — por razões ideológicas — da regulação soberana instituída em dezembro de 2010 para a exploração do pré-sal.

Pode-se conceber, não sem razão, que a energia fóssil é uma fonte crepuscular de abastecimento da civilização.

Da transição dessa dependência para uma matriz menos poluente depende uma parte importante do futuro da sociedade humana.

Pode-se associar as duas coisas e disso extrair uma visão estratégica do passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.

Mas, objetivamente, nenhuma agenda relevante de debate sobre os desafios brasileiros pode negligenciar aquela que é a principal fronteira crível do seu desenvolvimento nas próximas décadas.

Foi exatamente esse sugestivo lapso que cometeu um dos candidatos a candidato do dinheiro grosso em 2014.

O pré-sal brasileiro, a maior descoberta de petróleo registrada no planeta neste século, não cabe na agenda eleitoral de Aécio Neves, divulgada com o alarido previsível nesta 3ª feira.

Em oito mil e 17 palavras encadeadas em um jorro espumoso do qual se extrai ralo sumo, o presidenciável do PSDB não menciona uma única vez — repita-se —, uma única vez — o trunfo que mudou o perfil geopolítico do país: o pré-sal. Não é um simples tropeço da memória.A mais concreta possibilidade de emancipação econômica do país, não se encaixa na concepção de futuro do conservadorismo.

Em outras palavras: a omissão fala mais do que consegue esconder.

O pré-sal, sobretudo, avulta como o fiador das linhas de resistência do governo em trazer a crise global para dentro do Brasil, como anseia o conservadorismo.

Um dado resume todos os demais: estima-se em algo como 60 bilhões de barris os depósitos acumulados na plataforma oceânica. A US$ 100 o barril, basta fazer as contas para concluir: o Brasil não quebra porque passou a dispor de um cinturão financeiro altamente líquido expresso em uma fonte de riqueza sobre a qual o Estado detém controle soberano.


A agenda mercadista não disfarça o mal estar diante dessa blindagem, que esfarela a credibilidade do seu diagnóstico de um Brasil aos cacos.

Seu diagnóstico e a purga curativa preconizada a partir dele são incompatíveis com a existência desse incômodo cinturão estratégico.

Ao abstrair o pré-sal em oito mil e 17 palavras a agenda tucana mais se assemelha a uma viagem de férias à Disneylândia do imaginário conservador, do que à análise do Brasil realmente existente — com seus gargalos e trunfos.


Fatos: desde o início da crise mundial, em 2007, o Brasil criou 10 milhões de novos empregos.

Para efeito de comparação, a União Europeia fechou 30 milhões de vagas no mesmo período.

E condenou outros tantos milhões de jovens ao limbo, negando-lhes a oportunidade de uma primeira inserção no mercado de trabalho.

A Espanha, a título de exemplo, fez e faz, desde 2007, aquilo que o conservadorismo apregoa como panacéia para os males do Brasil hoje.

Com que desdobramentos palpáveis?

‘A Espanha levará 20 anos para recuperar os 3 milhões de empregos perdidos durante a crise global iniciada em 2008. A economia espanhola só conseguirá alcançar a taxa de desemprego de 6,8% — média na zona do euro, à exceção dos países do sul do continente — a partir de 2033’ (PricewaterhouseCoopers (PwC); estudo divulgado pela consultoria nesta terça-feira, 3/12).

A ênfase sobressaltada e seletiva da agenda tucana, insista-se, não decorre de escorregões da lógica.

Ela atende a interesses de bolso, ideologia e palanque.

A prostração inoculada diuturnamente pelo noticiário econômico é um dente dessa engrenagem, não um recorte isento do país.

A escolha menospreza singularidades que podem subverter a dinâmica da crise, entre elas a maior de todas: o impulso industrializante representado pelo pré-sal, uma oportunidade ímpar — talvez a última da história — de regenerar uma base fabril asfixiada por décadas de esmagamento cambial e competitivo.

Só se concebe desdenhar dessa fresta — como faz a agenda do PSDB — se a concepção de país aí embutida menosprezar o papel de um parque manufatureiro próprio.

Mais que isso: se a alavanca acalentada para devolver dinamismo à economia for o chamado ‘choque de competitividade’, tão a gosto da Casa das Garças tucana.

Do que consta?

Daquilo que a emissão conservadora embarcada na mesma agenda alardeia dia sim, o outro também.

Uma abrupta redução de tarifas que mataria um punhado de coelhos ao mesmo tempo: dizimaria o parque industrial ‘ineficiente’ — como fez Pinochet no Chile; como fizeram Ernesto Zedillo e Vicente Fox no México, com as maquiladoras; reduziria de imediato a inflação e despejaria boa parcela do operariado industrial na rua, barateando o ‘custo Brasil’ e aleijando os sindicatos e o PT.

É esse o recheio que pulsa na omissão ao pré-sal na agenda tucana.

O velho recheio feito de ingredientes tão excludentes que se recomenda dissimular em um texto eleitoral propagandístico: ajuste fiscal drástico; ampla abertura comercial; livre movimento de capitais; intensa privatização das empresas estatais (quando Aécio fala em ‘estatizar’ a Petrobrás é a novilíngua, em ação beligerante contra o PT); eliminação dos subsídios e incentivos a diferentes segmentos produtivos; cortes de direitos trabalhistas e de poder aquisitivo real dos salários.

Ou seja, o ideário neoliberal que jogou o planeta na crise na qual se arrasta há cinco anos.

Por último, ressuscitar o espírito da Alca e atrelar a diplomacia do Itamaraty aos interesses norte-americanos.

Reconheça-se, não é fácil pavimentar o percurso oposto, como vem tentando o Brasil desde 2008.

O dinamismo industrial que o Brasil perdeu nas últimas décadas, por exemplo —  sob cerco da importação barata da Ásia e do Real valorizado — teria que ser substituído por um gigantesco esforço de inovação e redesenho fabril, a um custo que uma nação em desenvolvimento dificilmente poderia arcar.

O atraso da inserção brasileira nas grandes cadeias globais de fornecimento e tecnologia seria praticamente irreparável.Exceto se tivesse em seu horizonte a exploração soberana, e o refino, das maiores jazidas de petróleo descobertas no século 21.

Que a maior fábrica farão do país o maior fabricante de plataformas de petróleo do século XXI. E que já erguem na ilha do Fundão , na Universidade Federal do RJ, um dos maiores centros de pesquisa tecnológica do planeta associado à energia.

É esse bilhete premiado que a agenda de Aécio omite olimpicamente: o trunfo que avaliza a possibilidade da reindustrialização como resposta brasileira à crise.

O pré-sal não é uma panacéia, mas uma realidade.

Que já produz 400 mil barris/dia.

Em quatro anos, a Petrobras estará extraindo 1 milhão de barris/dia da Bacia de Campos.

Em menos de sete anos serão 2,1 milhões de barris/dia.

Praticamente dobrando da produção atual.

Isso mudou o tamanho geopolítico do Brasil.

E pode mudar o destino do seu desenvolvimento.

Não é uma certeza, mas uma possibilidade histórica.

Os efeitos virtuosos desse salto no conjunto da economia brasileira exigem uma costura de determinação política.

Que a agenda eleitoral do PSDB omite, renega e descarta.

Saul Leblon
No Carta Maior
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O telefonema de Johnny Saad para Fernando Haddad

Herdeiro de uma concessão pública e multimilionário

“Recebi um telefonema de um dono de muitos meios de comunicação dizendo que não daria trégua à prefeitura e que colocaria todos seus veículos contra o IPTU progressivo. Isso não me foi contado. Isso foi dito.”

Bem-vindo ao mundo como ele é, Haddad.

Haddad disse isso a jornalistas. Preferiu não dar o nome do empresário. Mas o site Conversa Afiada logo descobriu de quem se tratava: de Johnny Saad, dono da Band.

É um episódio que traz diversas conclusões.

Primeiro, e antes de tudo, ele mostra como funciona a mídia corporativa. O dono manda seus empregados defenderem a causa dele próprio, e a sociedade é bombardeada com um noticiário viciado.

Saad é dono de imóveis em São Paulo, e isso significa que ele teria que pagar mais IPTU.

O brasileiro ingênuo – cada vez em menor número, felizmente – tem uma fé cega naquilo que ouve, vê e lê na mídia. Não tem ideia dos interesses por trás do noticiário.

Depois, há uma questão de moralidade. Saad tem uma concessão pública, a televisão. Como ele se atreve a usá-la em seu favor?

Algum tempo atrás, o executivo da ONU que trata da liberdade de expressão, Jacques de la Rue, notou um fato curioso.

Em muitos países, o Brasil entre eles, as pessoas que receberam concessão pública para ter uma tevê ou uma rádio usam isso com a única finalidade de enriquecerem.

Para ficar no caso mais dramático, os três herdeiros de Roberto Marinho estão no topo da lista das maiores fortunas pessoais do Brasil.

Concessão pública não foi feita para que um pequeno grupo se locuplete.

Por isso, há necessidade de regras que coíbam abusos e fiscalizem o uso decente de concessões.

Cristina Kirchner deu um exemplo de combatividade ao enfrentar a mesma situação na Argentina, ao preço de um colossal desgaste derivado da resistência feroz do grupo Clarín.

Terceiro, o episódio do telefonema mostra uma coisa importante: na Era Digital, uma boa forma de tornar públicos absurdos privados é por vazamentos.

Nenhum órgão das empresas jornalísticas – Folha, Veja, Globo, Estadão – publicaria a denúncia de Haddad, e os brasileiros não saberiam da brutalidade de Saad ao telefone.

A informação foi vazada, e a Band é obrigada a enfrentar a vergonha do telefonema de seu dono.

Foi fruto de um vazamento, também, o furo do ano no Brasil: a trapaça fiscal da Globo na aquisição dos direitos da Copa de 2002. O site Cafezinho publicou a documentação, passada por alguém inconformado da Receita Federal.

O Brasil foi ocupado – na acepção do Movimento Ocupe Wall St – pelas companhias de mídia. Elas se valem de tudo para manter seus privilégios e os do pequeno grupo a que pertencem. Usam seus empregados como se fossem gado para propalar mentiras que lhes convêm.

Vazar informações que ajudem num processo imperioso de desocupação  é um ato que beneficia toda a sociedade.

Paulo Nogueira
No DCM
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O caso do IPTU de SP mostra como é duro fazer coisas pelos pobres no Brasil

Não é fácil

É difícil fazer coisas para os pobres no Brasil.

O 1% não gosta. Não deixa.

Getúlio criou as leis trabalhistas. Impediu a exploração de menores pelas empresas. Estabeleceu férias. Tornou secreto o voto, o que acabou com a farra dos patrões que acompanhavam seus funcionários na cabine eleitoral para checar se eles escolhiam quem era para eles escolherem. Fora isso, GV estendeu o voto às mulheres.

Getúlio terminou morto.

Jango, como ministro do Trabalho de GV, no começo dos anos 1950, acabou com a prática segundo a qual greve era coisa de polícia. Obrigou as empresas a negociar com os sindicatos em caso de confronto.

http://3.bp.blogspot.com/-sNUDgb4tfgo/Ucw7K0d35bI/AAAAAAAAAGU/gG2tcCeRrYw/s289/Contra+o+d%C3%A9cimo+terceiro+sal%C3%A1rio.jpg 
Mais tarde, como presidente, criou o 13.o salário, tratado pelo Globo numa manchete antológica como um grave risco ao país.

Jango terminou deposto.

As coisas não mudaram tanto assim.

Veja, por exemplo, o “IPTU dos Pobres”, que Haddad vem tentando com imensas dificuldades emplacar em São Paulo.

Os moradores dos 25 bairros mais pobres de São Paulo pagariam menos IPTU. No Parque do Carmo, por exemplo, o imposto se reduziria em 12%.

Os moradores dos bairros mais “nobres” pagariam mais pela excelente razão de que podem mais.

Mas quem tem voz não são as pessoas da periferia. São os privilegiados.

E então começou uma monstruosa resistência contra o IPTU dos Pobres. A Justiça de SP, absolutamente alinhada aos privilegiados, acabou vetando o projeto.

Agora a prefeitura deve recorrer ao STF.

Mas um momento: como você espera que vai votar Gilmar Mendes, classificado pela jornalista Eliane Cantanhede, num perfil bajulador escrito tempos atrás para uma revista da Folha, como “muito tucano”?

Ou Joaquim Barbosa? Ou Fux?

Com quem eles estão? Com os desvalidos? Bem, pausa para gargalhadas.

O ponto positivo, aí, é a insistência de Haddad. Você não faz nada pelos desvalidos sem lutar, lutar e ainda lutar contra grupos extraordinariamente acostumados a mamatas do Estado.

Por coisas assim, considero o Mais Médicos a coisa mais importante deste ano. Como sempre, houve uma reação formidável contra o projeto.

Médicos que jamais iriam pensar em trabalhar em cidadezinhas remotas se ergueram contra o programa.

A mídia corporativa fez seu habitual papel abjeto de defensora dos privilégios, e não do interesse público. Lideranças médicas infestaram as páginas de jornais e revistas para tentar matar o Mais Médicos.

Mas o governo – ao contrário de outras ocasiões, em que hesitou diante da resistência conservadora – foi adiante.

Os médicos cubanos hoje são amados pelos desvalidos brasileiros. Não apenas eles têm alguém que os atenda mas também se sentem queridos pelos médicos cubanos, um sentimento jamais despertado pelos doutores brasileiros, subtraídas as exceções de sempre.

Não.

Não é fácil ajudar os pobres no Brasil.

Torço, daqui de meu canto, para que o IPTU dos Pobres afinal triunfe, ainda que todas as probabilidades apontem para a direção oposta.

Paulo Nogueira
No DCM

Com IPTU, Haddad descobre lado obscuro dos 'donos da cidade'


Prefeito relata declaração de guerra feita por dono de um grupo de comunicação por causa da cobrança progressiva do imposto

Fernando Haddad não precisou chegar ao fim de seu primeiro ano de mandato à frente da maior cidade do país para concluir que nem só de boas intenções e competência técnica se faz uma gestão. Queira ou não, o prefeito petista de São Paulo tem de conviver com estratégias jogadas em cenas obscuras protagonizadas por aqueles que se consideram donos de São Paulo.

“Recebi um telefonema de um dono de muitos meios de comunicação dizendo que não daria trégua à prefeitura e que colocaria todos seus veículos contra o IPTU progressivo. Isso não me foi contado. Isso foi dito”, relata, durante uma conversa com jornalistas, realizada ontem (16) à noite na sede da administração municipal. O prefeito não revelou o nome do barão midiático que declarou guerra abertamente. Segundo o site Conversa Afiada, o empresário seria Johnny Saad, dono do Grupo Bandeirantes e "proprietário de muitos imóveis urbanos em São Paulo".

Questionado se já não sabia que seria assim, dado o histórico de governos do PT no Palácio do Planalto e na própria prefeitura, Haddad parece indicar que conhecia o problema, mas desconhecia seu tamanho, e admite a necessidade de repensar sua política de comunicação para evitar distorções.

O caso do IPTU resume bem o problema. Após quatro anos sem reajuste, o prefeito conseguiu aprovar na Câmara Municipal um projeto de lei para aplicar um aumento maior nos bairros mais valorizados, e baixar o valor do tributo em regiões que gozam de menor infraestrutura urbana. Mas a medida se tornou impopular devido à dificuldade da gestão de explicar justamente isso à população e à resistência de parte da mídia tradicional, que, em parceria com a Fiesp e o PSDB, conseguiu que o Tribunal de Justiça concedesse liminar congelando a aplicação dos novos níveis de cobrança.

A gestão promete apresentar recurso à decisão. “Quando discute IPTU progressivo, cobrando mais de quem pode mais, cobrando menos de quem pode menos, você está discutindo a fonte de financiamento de um Estado de bem-estar social que ainda está muito no começo no Brasil. Tem muito para avançar”, defende o prefeito, que parece manter uma característica que ajudou a levá-lo ao cargo: a clareza de ideias, a intenção de enxergar os macroproblemas a partir das microsituações, a transferência das ideias do acadêmico ao mundo da execução política e a consciência de que, na macropolítica, a filosofia de gestão é um espaço demarcado de disputa de projetos.

“Está em discussão no Brasil o modelo de Estado que nós queremos. Queremos o Estado mínimo, acreditando que o mercado vai resolver os problemas da população mais pobre, ou queremos um Estado com protagonismo, que tenha condições de dar resposta às questões sociais?”

Questionado se não gosta de fazer política, como se tem ouvido em bastidores até no meio petista, ele afirma que apenas vê sentido em que as pessoas se dediquem a algo voltado ao interesse comum, visão que tem de ser resgatada no país. Na conversa, Haddad volta a cravar que não tem problemas em sacrificar sua reeleição e reitera que entende a política como uma prática voltada à construção de soluções para o cidadão. Considera que o fundamental é pensar projetos de longo prazo e garantir a máxima execução possível nos quatro anos a que tem direito, sem que se deva preocupar se as futuras administrações darão sequência a isso ou não.

Ao traçar um balanço da gestão, Haddad parece satisfeito com aquilo que prometeu pouco mais de um ano atrás: Bilhete Único Mensal e eficiência no transporte público, Arco do Futuro, revisão do Plano Diretor Estratégico, melhoria dos serviços de saúde. Se terá tempo para fazer tudo, não sabe, mas entende que uma região da cidade estará transformada rapidamente. “A zona leste vai mudar. Vou dar alguns exemplos. Ficando pronto o Rodoanel Leste, os caminhões saem da Jacu-Pêssego. A Jacu-Pêssego, juntando com o polo de Itaquera, é a zona incentivada da prefeitura. O que queremos é geração de emprego. Você vai ver uma grande transformação física. Conglomerados econômicos, dois ou três, vão investir ali para geração de emprego. Talvez tenhamos uns 100 mil empregos.”

A principal fonte de preocupação do petista continua a ser a mesma, e nada indica que será outra quando encerrar o mandato: a baixa capacidade de investimento da prefeitura de São Paulo. R$ 18 bilhões de pagamento de precatórios, R$ 55 bilhões de dívida, R$ 2 bilhões a menos graças ao congelamento da tarifa de transporte público e R$ 1 bilhão da decisão judicial do IPTU somam um montante muito superior ao orçamento anual de R$ 40 bilhões. A esperança reside agora no sinal verde do Ministério da Fazenda para que o Senado vote a renegociação da dívida de estados e municípios com a União, o que, espera, virá até fevereiro.

Na conversa, o prefeito afirmou ainda que a mudança de modelo de gestão das subprefeituras entra agora numa segunda etapa. Neste primeiro ano de mandato, Haddad apostou na desmilitarização das estruturas, legado de Gilberto Kassab (PSD). Agora, com a eleição dos integrantes dos conselhos participativos municipais, o petista imagina ser possível aproximar representantes populares eleitos da administração da cidade.

Confira aqui trechos da entrevista conduzida por Eduardo Maretti, da RBA, Renato Rovai, da revista Fórum, Maria Inês Nassif, da Carta Maior, Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, e Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.

No RBA
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Segundo turno?

Aécio Neves e Eduardo Campos têm mais espaço para crescer do que José Serra e Marina Silva. Com eles, a chance de dois turnos fica maior

Na última pesquisa do Ibope, a presidenta Dilma chegou a 43%
José Cruz / Agência Brasil
Há cerca de três meses, os analistas da oposição mal continham seu entusiasmo. Ao olhar as pesquisas disponíveis em junho e julho, alegremente prognosticavam dificuldades para Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2014.

No ápice da fantasia, chegaram a prognosticar: a presidenta era “carta fora do baralho”. Que nunca se recuperaria do desgaste das manifestações e marchava para a derrota inexorável.

Os porta-vozes oposicionistas afobaram-se e decretaram prematuramente o fracasso de uma candidatura petista. Não foi a primeira vez. Em 2001, para nove entre dez, Lula jamais venceria, pois o “povo brasileiro” nunca aceitaria um presidente da República como ele. Em 2005, pontificavam que o “mensalão” havia destroçado as chances da reeleição. Em 2009, apostavam no “erro” de Lula ao indicar Dilma Rousseff. Ela “não ia pegar”, afirmavam, e terminaria atrás de José Serra.

Não foi diferente neste ano. De tanto torcer pelo insucesso da presidenta, falaram bobagens. Agora, são obrigados a dar meia-volta. Com base nas pesquisas de novembro e dezembro, resta-lhes fazer contas para calcular a probabilidade de um segundo turno.

A partir da avaliação dos números atuais, o cenário mais provável é aquele no qual a vantagem da petista é maior. Perante o tucano Aécio Neves e o pessebista Eduardo Campos, ela teria votos suficientes para resolver a disputa no primeiro turno.

Daí o desejo quase unânime dos antigovernistas de que os dois tenham “bom senso” e cedam as vagas aos pesos-pesados de seus partidos. Não há pesquisa publicada sem o comentário de que, com José Serra e Marina Silva, a eleição ficaria mais competitiva e a possibilidade de um segundo turno aumentaria.

Apesar de parecer lógico, o raciocínio está errado. Marina e Serra são nomes mais conhecidos e, portanto, largam melhor. Mas não significa serem eles os candidatos que mais longe podem chegar. Ao contrário, sua performance de hoje está perto do “teto”, o máximo que poderiam alcançar na urna.

Aécio e Campos ainda têm espaço para crescer, mesmo que seus índices atuais tenham ultrapassado o “piso”. Com eles, a chance de um segundo turno, na verdade, é maior.

É uma hipótese admissível de acordo com os resultados dos levantamentos deste momento. O que não significa ser verdadeiro o pressuposto de que um segundo turno seria complicado para Dilma. Quem disse?

Na última pesquisa do Ibope, a presidenta chega a 43%. Aécio e Campos somam 21%, ante 36% de brancos, nulos e indecisos. Estes, em nenhum cenário, ficam abaixo de 27%. Ou seja, nem sequer quando se apresentam os nomes de Marina e Serra cai a menos de um quarto a proporção do eleitorado que não quer ou não consegue escolher um candidato. Em outras palavras: há 75% do eleitorado a ser distribuído entre quem vai disputar a eleição. Caso se aceite esta premissa, a chance de segundo turno aumentaria se o agregado, Aécio Neves e Campos, passasse de 37%. Não é impossível.

Se os prováveis nanicos (“encorajados” por tucanos e simpatizantes de Campos) alcançarem de 3 a 4 pontos porcentuais, se o mineiro e o pernambucano crescerem 6 pontos cada um, em média, teríamos o segundo turno. É uma probabilidade pequena (pois implica a queda de Dilma, que nada indica ser provável), mas existente.

Só quem pouco conhece a política brasileira acreditaria, no entanto, que, nesse hipotético segundo turno, haveria transferência integral dos votos dos candidatos derrotados para o oposicionista remanescente.

Se Campos não fosse para o segundo turno, apenas uma parcela de seus eleitores ficaria com o PSDB. Especialmente no Nordeste, onde seu desempenho tenderia a ser melhor, muitos optariam por Dilma, pelo apoio de Lula e por não restar um nordestino no páreo. Quanto aos verdes de Marina, somente a minoria é tucana em segunda opção.

Algo semelhante aconteceria se Aécio naufragasse no primeiro turno. Em Minas Gerais, onde teria parte expressiva da votação, muitos de seus eleitores admitem perfeitamente votar no PT. Não tivemos o “lulécio” (a combinação de votos em Lula e Aécio), em 2006, e o “dilmasia” (de Dilma com Anastasia), em 2010?

O segundo turno não é a hipótese mais provável, mas possível. Para as oposições, contudo, o problema é que ele não alteraria o favoritismo de Dilma.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
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Série Lead: microcontos poéticos

 Conceito espacial | Óleo sobre tela | Lúcio Fontana | 1949

COMO? "Aprendeu a desrespeitar a distância do tempo nos buracos da tela. Uma questão de método, enquanto prepara o chá. Ciente: o corte na claridade abandona o paraíso após sua partida, e retorna espremido um passo à frente no sinal da discordância, que tudo acelera."


                     Fotografia | Tatiana Altberg | Santiago de Cuba | 1999

ONDE? “Sobre a pele corre histórias de ausências cortadas ao meio. As palavras acrescidas de amargura e calma recordam que nem tudo é dor. E o corpo alonga-se perante a noite. Percorre a montanha: ver o sonho de perto.”

Carmen Miranda | Joana Vasconcelos | Instalação sapato gigante de panelas
    no gramado | 2008
   
POR QUE? ”Os dias correm. O tempo passa. Há qualquer momento, há qualquer coisa vazia no mundo. No exercício estético, a mulher não fala, é falada, experimentando, olhando e inventando sapatos. Ser possível relação, na lacuna do pensamento catavento. Bendito.”

A Caravela - Sec. XX | Bruno Giorgi | Escultura | Selo Casa
               da Moeda do Brasil | 1976
              
QUANDO? "Segundo a aparência da tinta, é obscura uma abertura política estampada de ideias. Complementa de onde veio, longe do fundo do mar, o borrado café com leite pau-de-arara. Em síntese, a realidade floresceu há pouco como uma ilha grande debaixo da porta. A carta chegou com 37 anos de atraso."

Poeta | Roberto Magalhães | Aquarela | Coleção Particular | Rio de Janeiro | RJ | Brasil | 1994

QUE? "Diabos. Atores. Anjos. Editores. Cambistas. Rifaram nuvens noturnas: ficou assim mesmo, completamente sem cabeça. Se é metáfora, se é corte, obscuro, pois diz escondendo a folha do rosto? O poeta levanta palavras, produzindo fragmentações que balançam a decoração do céu."


Para o homem de madeira | Mônica Rubinho |Colagem, vidro
              jateado e madeira | 45x29 cm |
Coleção particular |
              Belo Horizonte | MG | Brasil | 2004
             
QUEM? "Morreu. Tomou conhecimento pelos jornais, no Sábado de Aleluia. Pintava quadros há tempos, e cozinhava todos os dias um hábito estranho: carne de tartaruga. Cadê o molho ecológico?"
* * *
José Aloise Bahia (Belo Horizonte/MG). Jornalista, escritor, pesquisador, ensaísta, colecionador e crítico de artes plásticas e literatura. Estudou Economia (UFMG). Graduado em Comunicação Social e pós-graduado em Jornalismo Contemporâneo (UNI-BH). Autor de Pavios curtos (Belo Horizonte: Anomelivros, 2004). Primeiro lugar na Primeira Mostra de Vídeo-Poema Londrix 2012, 8º. Festival Literário de Londrina, PR, Brasil. Participa, dentre outras, das antologias O achamento de Portugal(Lisboa: Fundação Camões/Belo Horizonte: Anomelivros, 2005) e H2HORAS (São Paulo: Cronópios/Dulcinéia Catadora, 2010), dos livros Pequenos milagres e outras histórias (Belo Horizonte: Grupo Galpão, Editoras Autêntica e PUC-Minas, 2007), Folhas verdes (Belo Horizonte: Edições A Tela e o Texto, FALE/UFMG, 2008), Poemas que latem ao coração! (São Paulo: Editora Nova Alexandria, 2009), Rodrigo de Souza Leão: tudo vai ficar da cor que você quiser (Rio de Janeiro: Edições Pinakotheke, 2011) e Literatura Futebol Clube (Rio de Janeiro: Editora Multifoco, 2012). 
E-mail: josealoise@gmail.com  
No Cronópios
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