16 de dez de 2013

O pessimismo militante da velha mídia


Dia desses conversava com o executivo de um grande grupo europeu, que  não se conformava com o clima de pessimismo que via em meios empresariais brasileiros, como resultado da cobertura da velha mídia do eixo Rio-São Paulo. Comparava com Portugal e Espanha, desmanchando-se, com a União Europeia, estagnada, com os desastres na Irlanda e na Grécia. Aí, voltava-se para o Brasil com o mercado de consumo aquecido, o desemprego em níveis mínimos históricos, o investimento privado direcionando-se para os leilões de concessão. E me dizia que o Brasil era um país muito louco.

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Há muitas críticas à condução da política econômica e vulnerabilidades que precisarão ser enfrentadas – especialmente o desequilíbrio nas contas externas. Mas nada que nem de longe se pareça com o quadro pintado nos grandes veículos. Aumentos de meio ponto percentual ao ano nos índices inflacionários são tratados como prenúncio de hiperinflação; acomodamento das vendas do varejo, em níveis elevados, como prenúncio de recessão.

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No fundo desse pessimismo renitente há uma guerra política inaugurada em 2005 que, quase nove anos depois, continua sacrificando a notícia no altar das disputas partidárias.

É significativa a cobertura, em um jornal econômico relativamente equilibrado,  do discurso de Dilma Rousseff em um evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

O primeiro parágrafo é dedicado ao discurso de Dilma, à necessidade de uma indústria forte, de não transformar o país em uma mera “economia de serviços”. Em seguida, mencionou programas exitosos, como o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) e ao Ciência Sem Fronteiras.

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Se Dilma permanecesse no encontro, continua a matéria, iria colher relatos bem diferentes sobre o que mencionou. É entrevistada então a superintendente de uma empresa de eletrodomésticos que diz que os programas são bons, “mas chegaram atrasados”. “O problema é que não temos nenhuma garantia de que o empregado no qual investimos tanto seguirá na companhia", é a reclamação. E sugere a criação  de uma “bolsa emprego”, destinada a premiar o funcionário que permanecer mais tempo na empresa.

O que isso tem a ver com a Pronatec? Nada. É um problema interno da empresa, de gestão de recursos humanos em uma economia aquecida, mas que é utilizado como contraponto ao que parecia ser excesso de otimismo na abertura da matéria.

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É um entre muitos exemplos do pessimismo militante que recobriu a cobertura econômica da velha mídia nos últimos anos. E que acaba comprometendo a crítica necessária sobre os pontos efetivamente vulneráveis da política econômica e do processo de desenvolvimento brasileiros.

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Na sexta-feira, a mesma CNI divulgou a pesquisa CNI-Ibope. Os que consideram seu governo bom e ótimo saltaram de 37% para 43% em relação ao último levantamento, de setembro. Desde julho, o crescimento foi de 12 pontos percentuais. O percentual dos que aprovam a maneira de Dilma governar aumentou de 54% para 56%.

É evidente que há muito a melhorar no ambiente e na política econômica. Mas quem está em crise exposta, hoje em dia, é certo tipo de jornalismo que acabou subordinando o senhor fato a disputas políticas menores.

Luis Nassif
No GGN
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Ao desistir, Serra já tinha matado o PSDB

Incompetente e desagregador

O que muda com o anúncio da desistência de Serra de concorrer em 2014 é: nada.

A vida de Aécio, suposto beneficiário, não vai ficar melhor e nem pior. Só um milagre levará Aécio e o PSDB ao segundo turno em 2014.

É um partido vencido pelo tempo. Não tem causa, não tem visão, não tem propósito, não tem militantes, não tem votos, não tem novos líderes, não tem futuro: em suma, não tem nada.

O PSDB vai morrendo como a UDN: rejeitado pelo povo e abraçado com o que existe de mais conservador e retrógrado no país.

A chance de Serra de ganhar era zero. Mesmo assim, ele se comportou, nos últimos meses, como se fosse um candidato forte, num dos mais notáveis delírios da política brasileira desde que Jânio renunciou sob o impacto de “forças ocultas”.

Se você pode apontar um nome como o responsável pelo esfacelamento do PSDB, é o de Serra.

Sua carreira política pode ser resumida assim: matou o PSDB, a golpes de empáfia, inépcia administrativa, desonestidade nas campanhas e atitudes francamente desagregadoras.

Serra foi se deslocando, nos últimos anos, para a direita, e acabou arrastando com ele um PSDB que surgira no centro-esquerda com uma plataforma social-democrata. Basta ver qual é o jornalista mais afinado com Serra, sua alma gêmea: Reinaldo Azevedo.

O episódio que ficará para a história, acima de todos os outros, é o Atentado da Bolinha de Papel, com o qual ele tentou convencer os brasileiros de que fora vítima de terrorismo petista na última campanha presidencial.

Você vê São Paulo – a cidade e o Estado – e constata o tamanho da incompetência de Serra como prefeito e governador. É a pior incompetência, porque se manifesta disfarçada de sabedoria e se apresenta, para enganar os iludidos, de paletó e gravata.

O único serviço em que Serra realmente brilhou foi na liquidação do PSDB. A tibieza colossal de FHC, que jamais conseguiu controlar Serra, também colaborou.

Houve um momento em que o partido poderia aspirar a se renovar, se Serra caísse fora.

Agora, ele pode sumir, pode ir para o Tibete e levar vida de monge, mas já é tarde demais. Já matou o PSDB.

Paulo Nogueira
No DCM
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Aécio Neves faz um inventário de terra arrasada


É claro que não se deve esperar de um candidato de oposição elogios e mesuras com quem está no poder e quer a reeleição. Oposição é oposição, governo é governo, já dizia o velho conselheiro. Seria razoável, no entanto, que um pretendente ao cargo máximo da Nação exponha, com clareza, onde o país está dando certo e o trabalho deve ter continuidade, onde está errando e precisa ser consertado e o que falta ser feito para o povo viver melhor.

Nada disso se encontra no artigo "Para mudar o Brasil", do candidato Aécio Neves, publicado nesta segunda-feira na nobre página 2 da Folha, uma espécie de amostra grátis da "declaração de princípios programáticos" que o tucano pretende anunciar solenemente amanhã em Brasília. Trata-se, na verdade, de um inventário das mazelas nacionais, como se o Brasil fosse uma terra arrasada, onde é preciso começar tudo de novo.

Aécio adverte logo no início que "não se trata de um diagnóstico técnico ou de um programa de governo, mas de reivindicações, cobranças, expectativas e sentimentos vindos dos quatro cantos do país, que constituem pontos de partida para o aprofundamento do diálogo com os brasileiros".

Após contar que ouviu "profissionais e militantes das mais diversas causas" (não diz quais), o senador mineiro afirma: "Constatamos que as urgências de dez anos atrás permanecem as mesmas de hoje. E vimos surgir novos desafios".

Ou seja, o país não fez mais nada desde que os tucanos deixaram o poder. Na visão de Aécio, em suas andanças na pré-campanha eleitoral, o Brasil ficou congelado no tempo, só produzindo desgraças, como podemos ver em alguns exemplos abaixo reproduzidos:

"Testemunhamos a luta diária das famílias nordestinas, vítimas e reféns da seca e os limites do atual projeto de gerenciamento de pobreza extrema, sem horizonte concreto capaz de libertar e habilitar uma nova cidadania". Como se fará isso?

"Fomos impactados pela tragédia de milhares de vidas perdidas impunemente nas grandes cidades, em um país que não tem sequer um arremedo de política nacional de segurança, e pelo desastre cotidiano de um sistema de saúde abandonado em macas pelos corredores de hospitais superlotados, em filas imensas, em demora, desvios e desrespeito". Quais seriam as soluções?

"Foi possível ver de perto, no Centro-Oeste, a contradição entre a alta produtividade brasileira da porteira para dentro e os gargalos da infraestrutura precária que se eternizaram da porteira para fora, travando nosso desenvolvimento". Dez anos atrás, como era?

"É desolador constatar o declínio da indústria de transformação e a extinção dos melhores empregos e como fazem falta ao país o direito básico do cidadão de ter acesso a uma educação de qualidade, os anos perdidos em escolaridade e uma mão de obra mais qualificada". Não custava nada, por exemplo, reconhecer que o país tem hoje os mais baixos índices de desemprego da sua história e os mais altos de renda, mas ainda é pouco.

"Descortina-se um país inteiro ainda a ser construído, que demanda a superação do 'nós e eles', estimulado pelo poder central, e a construção de uma inédita convergência em torno das grandes causas nacionais". Tudo bem, beleza, mas por que os tucanos não fizeram isso nos oito anos em que ficaram no Palácio do Planalto?

Só falta, enfim, combinar tudo isso com Sua Excelência, o eleitor, como lembra hoje nota do site político 247: "Aécio quer ganhar o PIB, antes dos eleitores. O senador mineiro e presidenciável do PSDB deve contemplar reivindicações de empresários no pré-programa do partido para as eleições de 2014(...) Aécio deve focar em uma reforma da política de intervenção estatal na economia, criticada pelo setor privado".

De fato, Aécio, assim como Eduardo Campos, já mantiveram longas reuniões com o empresariado nacional, em São Paulo, Rio e Brasília. Aécio tem mais um jantar hoje marcado pelo ex-ministro Armínio Fraga com o PIB do Rio de Janeiro.

Tanto Aécio como Eduardo investiram muito nos encontros com empresários este ano, o que talvez explique a sofreguidão com que a oposição e sua mídia aliada combatem o projeto contra o financiamento privado de campanhas, que está em votação no Supremo Tribunal Federal. Até agora, o placar está 4 a 0 contra o financiamento privado, que é o que interessa aos candidatos de oposição. Por mais poderosos que sejam, os donos do PIB não têm tantos votos assim.

É preciso chegar ao coração do eleitor por outros meios e não será, certamente, o escolhido por Aécio para encerrar este artigo na Folha: "É hora de somar forças para a construção coletiva de um novo projeto para mudar de verdade o Brasil". Isto poderia ser subscrito por qualquer candidato, a qualquer cargo, em qualquer época, em qualquer lugar. Que novo projeto é esse, ainda não sabemos.

Aécio prometeu que vai anunciar amanhã "as primeiras ideias recolhidas em encontros regionais, que, acreditamos, podem representar as bases de uma nova agenda para o Brasil". Aguardemos, pois. A campanha eleitoral, que já começou, está precisando exatamente disso: novas ideias, e não antigas lamúrias.

Ricardo Kotscho
No Balaio
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Obras da Copa: seus padrinhos e seus mortos

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Abaixo a dignidade

Fazendo coro a Tuminha, Roberto Freire apenas confirma que sua linha de trabalho é o ressentimento

O deputado Roberto Freire deu um mergulho abaixo da linha da dignidade quando solicitou a Comissão da Verdade que investigue Luiz Inácio Lula da Silva pela suspeita de ser informante da ditadura. Como se sabe, a acusação foi feita por Romeu Tuma Jr, um ex-delegado, ex-deputado, ex-secretário nacional de justiça.

Ao fazer coro a Tuminha para questionar o passado do mais popular presidente do país, sem apoio no mais leve indício real, Roberto Freire ajuda a entender sua linha de trabalho político – o ressentimento. No caso, que não é único, estamos falando de um comunista ressentido.

Explicando, muito resumidamente, Já tivemos comunistas stalinistas, trotskistas, maoístas, castristas.... Hoje, temos os ressentidos. São aqueles políticos e intelectuais que abandonaram ideias cultivadas a vida inteira depois que o Muro de Berlim caiu, a União Soviética se dissolveu e a China parecia ter-se tornado a principal locomotiva do capitalismo. Deformados por uma visão dogmática e estreita da evolução humana, incapazes de enxergar oportunidades diferentes e caminhos inéditos para seguir no esforço pelo progresso dos mais humildes e excluídos, aceitaram o papel de novos reacionários, transportando uma herança com muitos aspectos admiráveis para qualquer palanque onde tivessem direito a pão, água e um punhado de empreguinhos.

Sua função era justamente essa: empregar o passado a esquerda para servir como tacape da direita, tentando negar toda e qualquer possibilidade de contestação a velha ordem mundial.

Mas deram muito azar. Foi exatamente neste período histórico que, contrariando tanto saber estabelecido, a humanidade evoluiu em vários lugares. Povos inteiros fizeram conquistas impensáveis poucos anos antes. Foi assim na China, na Índia, na África inteira, e também no Brasil, sabemos todos.

Nessa situação, só restou ao recém-convertido uma atitude negativa: a torcida contra, com base no ódio contra tudo aquilo que representa seu fracasso e sua arrogância.

É o caso do sujeito que, convencido do naufrágio iminente, abandonou um barco no meio do Atlântico – apenas para perceber que jogou-se numa embarcação ainda mais precária, muito mais insegura.

No olhar do ressentimento, o governo Lula-Dilma não apenas vai dar errado. Tem que dar errado, ainda que a população não se canse de dizer que está muito satisfeita com aquilo que vê - distribuição de renda, melhoria na vida dos mais pobres, desemprego baixo, consumo alto.

A transformação de Roberto Freire em papagaio de pirata de Tuminha é isso.

Ele teve uma longa convivência com Lula, complicada por um traço típico de cidadão formado em aparelho político. Com a presunção de que estava pré-destinado, por uma cultura e formação, a dirigir aquele peão de pouco estudo do ABC, Roberto Freire pretendia dizer a Lula o que fazer, como, quando. No início, essa atitude provocava estranheza em quem estava por perto. Depois, produzia irritação. Hoje, os ares de dirigente político que pretendia dirigir Lula provocam risos.

Há pelo menos um relato público, disponível em livrarias, que esclarece as alegações de Tuminha sobre Lula.

Sem qualquer simpatia pelas ideias do PT, José Nêumane Pinto descreve, no livro O Que Eu Sei de Lula, os esforços de um oficial do Centro de Informações do Exército para tentar cooptar o líder metalúrgico como aliado da ditadura, nos anos finais do regime militar. Nêumane conta que levou Lula para uma conversa com o coronel Gilberto Zenkner, nome importante na área de informações, que procurava infiltrar-se entre os metalúrgicos do ABC, liderados por Lula. Testemunha integral do encontro, Nêumane deixa claro que Lula não deixou o interlocutor avançar um milímetro na conversa assim que foi possível perceber suas reais intenções. “Nada foi dito que desabonasse sua condição de legítimo e leal representante dos interesses do operariado,” escreve Nêumane, ä pagina 135.

Referindo-se às relações entre Lula e Romeu Tuma, que era o operador do Centro de Informações do Exército em São Paulo, conforme eu mesmo pude apurar naquele período, Nêumane diz ainda: “Lula nunca negou suas relações amistosas com Tuma mas daí a concluir que os tiveram qualquer relação que ultrapassasse a amizade pessoal e algumas visitas vai uma distância abissal.”

Se tivesse interesse genuíno sobre os informantes que ajudaram a repressão, um assunto relevante para a história de qualquer país, Roberto Freire poderia dar uma grande contribuição a antigos companheiros se olhasse dentro do Partido Comunista, do qual foi líder importante e até candidato a presidente da República.

Poderia começar investigações a partir Adauto Alves dos Santos, um infiltrado denunciado e conhecido de muitos de seus colegas de partido. O veterano dirigente do PCB Armênio Guedes, um dos homens mais honrados que conheci, denunciou, em público e em privado, que atribuía a Adauto Alves dos Santos a operação que resultou na execução de seu irmão, Célio, quando atravessava a fronteira uruguaia como motorista de um alto dirigente do partido. Célio, que era dentista na vida civil, foi reconhecido, capturado, torturado e morto em poucos dias.

O papel de Adauto nunca foi esclarecido, embora Armênio, comunista disciplinado, tenha feito sua denúncia como se deve. Em vez de ir aos jornais, ou esconder-se atrás de um teatro sem credibilidade, procurou os dirigentes do partido para expor suas dúvidas e suspeitas, como relatou várias vezes, inclusive em entrevista que publiquei no livro A mulher que era o general da casa.

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O jornalismo tem jeito?


Os nossos empresários do jornalismo são estranhos. Eles não gostam do jornalismo, não acreditam no jornalismo, trabalham contra o jornalismo e, para não deixar dúvidas, odeiam com todas as forças os jornalistas. É uma forma estranha de ganhar dinheiro, solapar seu próprio negócio. Ou então a prova definitiva de que, afinal das contas, não é com a venda de jornais que eles aumentam suas fortunas pessoais na mesma medida que invariavelmente conduzem seus negócios para a bancarrota.

Ah, tem outra coisa que causa invariavelmente urticária nos empresários de comunicação no Brasil: leis. Eles não suportam se submeter a nenhuma regulação. A “lógica” que guia a Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) – principal organização do empresariado de comunicação das Américas – é “lei melhor é lei nenhuma”.

São eles que retroalimentam a tese do fim do jornalismo. São os mesmos que abdicaram do jornalismo em nome do entretenimento e da espetacularização. São os que apelidaram a notícia de hardnews (dura e indesejável) e guindaram o entretenimento à condição de softnews (molinho e bom). São os mesmos que, ao contrário dos EUA, por exemplo, criaram um divórcio obscurantista e medíocre entre o negócio e as universidades e cursos que ensinam e pesquisam sobre jornalismo. Sim, adivinharam, são eles que reduziram o jornalismo contemporâneo a um arremedo do que era praticado no século 18, um festival de opinião conduzido por centenas de “colunistas” que substituíram os repórteres e editores em número e importância.

Pira do capital

Está certo, eles têm aliados e cúmplices, mas foram eles que transformaram suas empresas em partidos políticos. Por isso é difícil acreditar nos seus diagnósticos e vaticínios sobre o futuro desta atividade. Não se pode confiar nem na perícia, na capacidade de gestão ou análise sobre o porvir. É patético ver o segmento empresarial mover-se como moscas tontas em torno de uma luz que os cega, atordoa, e quase sempre os leva ao desastre. Nestes últimos tempos as palavras mais usadas para explicar, justificar ou anunciar medidas quase sempre drásticas são: crise do jornalismo.

Assustados com tecnologias que os coloca na necessidade de decidir se afinal estão no negócio do jornalismo ou no showbizz, eles recorrem, assim como os antigos gregos, à inexorabilidade do destino. Os deuses, afinal, estão tramando contra eles, pedindo sacrifícios. E eles prontamente atendem a estes vingativos seres e rapidamente fazem suas oferendas prediletas: jornalistas. Afinal, é para isto que servem estes tipos descartáveis que insistem em fazer jornalismo.

De tempos em tempos, jornalistas são colocados na pira do capital em nome da crise. O ritual assume variadas e criativas formas. Alguns simplesmente fecham seus negócios e vão embora para Miami. Outros, mais escrupulosos, “digitalizam” suas redações, ou seja, trocam a prosaica verificação e averiguação pelo mais barato “copia e cola”. Existem aqueles que, finalmente, assumem o mundo do circo. Mas o resultado é sempre o mesmo, jornalistas desempregados e população sem informação.

Função social

A vinda do principal jornal espanhol ao Brasil, El País, no entanto, parece demonstrar que existem ainda empresários que compreenderam que o jornalismo é uma necessidade social e que não foram eles, empresários de comunicação, nem mesmo nós, jornalistas, que inventaram esta forma peculiar e singular de relato. Os espanhóis acreditam, vejam só, que ainda existem leitores no Brasil. Mais do que isso, acreditam que existem anunciantes que apostam nestes leitores e, na contramão do pessimismo nacional, querem se instalar aqui. Mas eles podem? A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) acha que não. A representante nacional daqueles que odeiam jornalismo não quer deixar o El País vir. E usa um argumento inusitado: a lei. Sim, aquela mesma que eles odeiam, porque “regula”! Para evitar a concorrência internacional, os empresários se valem dos restos da Constituição que eles mesmos remendaram em 2001 para permitir a entrada de 30% de capital estrangeiro.

E a ANJ tem razão, eles precisam de 70% de capital nacional para poder se instalar aqui. É a lei que diz isto. Para isto a lei serve. Garantir aos mais fracos a proteção contra os mais fortes. O estado da lei é a superação do estado natural da barbárie. A mesma lei que a sociedade precisa para se proteger dos desmandos, erros e interesses escusos que podem acometer o “negócio” do jornalismo e da comunicação.

Mas o interesse do jornal espanhol é revelador. Traz alento para quem acredita no jornalismo e pode servir de estímulo para empresas brasileiras que desconfiam que esse pessimismo nacional é mais fruto de um cenário concentrado e vertical que viabilizou empresas sem o cacoete para a concorrência – e para a função social do Jornalismo – do que a decisão inexorável de um deus raivoso antijornalístico.

Celso Schröder é presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da Federação dos Jornalistas da América Latina e do Caribe (Fepalc) e vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas
No OI
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Quem faz jogo político com droga é a turma “cheirosa”. É na elite que está a “massa cheirante”


É muito curioso que Eliane Cantanhêde venha dar lições de moral, tachando de indigna a referência de Lula à indiferença da mídia em investigar o episódio do helicóptero do filho do senador José Perrella apreendido com uma imensa carga de cocaína.

Até o título é cuidado para fazer intriga: “A cocaína de Lula”

Qualquer pedra da estrada sabe que, se o helicóptero pertencesse a alguém ligado a Lula ou ao PT, haveria uma legião de repórteres esmiuçando tudo e mais um pouco: como o helicóptero fazia viagens ao Paraguai sem o conhecimento de seus donos, porque fez uma rota absurda de São Paulo para o Espírito Santo desviando-se quase o dobro do caminho para “abastecer-se”  em Divinópolis, MG e muitas outras coisas mais.

Mas admitamos que Cantanhêde pense realmente assim.

Fui procurar, e não achei, algum artigo da colunista da “massa cheirosa” verberando contra a acusação do então vice de José Serra, Índio da Costa, que acusou o PT de “ser ligado às Farc, ao narcotráfico”.

Aí, pode, D. Eliane?

Mais: houve alguma palavra de protesto quando Mauro Chaves, jornalista ligadíssimo a Serra desferiu o petardo do artigo no Estadão com o famoso “pó pará, governador”?

Aliás, o Estadão, tal como se acusava Stálin de “sumir” com a presença de Trotsky nas fotos da revolução russa, fez apagar a página, que o navegante Rei Lux recuperou nos arquivos da internet.

E mais ainda, porque a colunista da Folha não procura seu novo colega de Folha, Reinaldo Azevedo, o último serrista assumido da grande mídia, para perguntar porque ele  escreveu que “A estranha história do helicóptero dos Perrella, lotado de cocaína, não fecha quer na narrativa, quer na matemática“?

Só falta agora vir o Merval Pereira vir reclamar, logo ele que publicou a foto de um presidente de associação de moradores de um morro (o do Telégrafo, na Mangueira) ao lado de Brizola dizendo que o então candidato a Presidente tirava fotos com traficantes…

Aliás, Brizola, que enfrentava na própria família o sofrimento causado pelo abuso de drogas, foi o tempo todo chamado de protetor do  tráfico pelos congêneres de Cantanhêde.

Se fosse Brizola e não a Globo quem patrocinou o primeiro Rock in Rio, será que não iam dizer que o governador usava um espetáculo para a juventude para estimular o uso de drogas e favorecer o tráfico?

É curiosa esta indignação seletiva.

Acusar gente de esquerda, que não tem uma visão de “cura policial” para o problema das drogas – um dos raros traços de lucidez de Fernando Henrique, aliás – de ser ligada às drogas, pode.

Quem faz demagogia com drogas, curiosamente, é o antigo ídolo de Cantanhêde, José Serra, em seu artigo na própria Folha, acusando o governo brasileiro de ser negligente com seus “apenas” 8 mil quilômetros de fronteira, quando ele sabe que, com cerca, muro e todo o poderio americano, toneladas de drogas entram nos EUA pela fronteira com o México, que mede apenas 40% disso?

E é engraçado que, ao tocar nesta questão, tudo o que se consegue tratar é de mandar polícia para as favelas e periferias, onde estão os pequenos “aviões” – e não helicópteros – da droga.

Porque é que, quando se trata de reprimir o consumo de drogas nunca se pensa em fazer o que se faz nas favelas nos bairros e “points” de elite, onde fica, de fato a “massa cheirante”?

A imprensa faz matérias sobre como traficantes desfilam livres no morro, mas não como o consumo de drogas é “arroz de festa” nos encontros da elite.

A imprensa americana publica. A daqui, cala.

A droga, nos jornais brasileiros, é um mal do mundo dos pobres, não do dos ricos.

O delegado Hélio Luz, que teve a ousadia de dizer que “Ipanema brilha à noite” foi, como se sabe, devidamente “apagado” de posições de mando na polícia.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Com medo de morrer, delator do mensalão tucano fica em presídio de segurança máxima e se diz perseguido por Aécio

Monteiro: um encontro nos bastidores do Fórum

Quem vê aquele homem de cabelo grisalho, algemado, com uniforme de presidiário e chinelo de dedo nos pés, sendo escoltado por dois policiais militares pelos corredores do Fórum Lafayette, no centro de Belo Horizonte, não tem ideia de que se trata da mesma pessoa que entregou à Polícia Federal um esquema de corrupção do PSDB.

Nilton Monteiro é a principal testemunha contra a cúpula do partido em Minas Gerais. Em 2005, revelou a trama urdida pelos tucanos para desviar dinheiro público para o financiamento das campanhas de Eduardo Azeredo à reeleição ao governo do Estado e de parlamentares de vários partidos, em 1998.

Preso desde maio de 2013, agora no complexo penitenciário de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de BH, sob a acusação de coagir testemunhas em um processo em que aparece como falsário, Monteiro decide denunciar quem tem interesse em vê-lo atrás das grades. Ele se declara inocente e jura ser vítima de uma armação de políticos denunciados no esquema do mensalão tucano, que querem mantê-lo na cadeia afastado dos holofotes.

O nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) encabeça a relação. “Por detrás da minha prisão está o Aécio Neves… Eu fui operador do esquema junto com o Marcos Valério”, frisa.



A lista com os nomes dos políticos arrolados no mensalão tucano é extensa. O senador Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República, é um dos que aparecem, como beneficiário de R$ 110 mil.

O dinheiro chegou a suas mãos pelo esquema do publicitário Marcos Valério, que esquentava os recursos públicos nas agências de publicidade que comandava: a SMP&B e a DNA, as mesmas empresas acusadas de servir ao mensalão petista anos mais tarde.

Dois pesos e duas medidas

Apesar de a lista do mensalão tucano ou mineiro, como a grande mídia prefere classificar o escândalo, ter sido reconhecida por peritos da Polícia Federal como verdadeira, nenhum dos envolvidos no desvio de dinheiro público pelo esquema de corrupção do PSDB foi julgado até agora.

Em 2009, o relator do processo no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, atendendo a solicitação dos réus, entre eles Marcos Valério, desmembrou o inquérito e remeteu para Minas os casos dos envolvidos no mensalão tucano que não tinham foro privilegiado.

Desmembramento semelhante não aconteceu no caso dos petistas.

Quatro anos depois, Valério foi condenado por Joaquim Barbosa a mais de 40 anos de prisão em regime fechado pelo mensalão que teria sido encabeçado pelo ex-ministro José Dirceu. O crime pelo qual Valério foi julgado é absolutamente similar ao que teria cometido no esquema do PSDB. Nos dois casos, sua função era mesma: dar cobertura legal a esquemas de desvio de dinheiro público.

Neste caso, Valério será julgado pela justiça estadual mineira.

Em Brasília só permaneceram os casos do agora senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), do senador Clésio Andrade (PMDB-MG), além do ex-ministro do Turismo e das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (PSB-MG), por terem foro privilegiado. Posteriormente, quando deixou a pasta ministerial, o processo de Mares Guia também seguiu para Minas. Ele teria se beneficiado da prescrição do crime ao completar 70 anos, no ano passado.

A conta-gotas

O processo que tramita na Justiça de Minas envolve 10 réus. O promotor de justiça de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte João Medeiros Silva Neto, responsável pela acusação, considera que os réus do mensalão tucano devem ser julgados no final de 2014, início de 2015. Ele considera o prazo plausível devido ao número elevado de testemunhas arroladas no processo.

Antecipa que vai pedir a condenação dos réus por peculato e lavagem de dinheiro. Esses crimes prevêem penas de dois a 12 anos e de três a 10 anos de reclusão, respectivamente.

“O Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470 fixou penas bem elevadas. Esperamos que isso sirva de parâmetro para as penas na justiça estadual”, ressalta o promotor.

Até agora só testemunhas foram ouvidas no processo. A próxima fase prevê o depoimento dos réus, mas ainda não há data marcada para que isso aconteça. No último dia 10, a oitiva de uma testemunha foi cancelada.

A reportagem do Viomundo procurou a juíza da 9° Vara Criminal, Neide da Silva Martins, no fórum de Belo Horizonte, para obter mais detalhes sobre o processo. Ela solicitou, por meio de sua secretária, que as perguntas fossem encaminhadas por escrito, mas ainda não retornou o contato.

Personagem conturbado

Nilton Monteiro tornou-se peça-chave no esquema de acusação contra os tucanos, conduzido pelas mãos de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha de Eduardo Azeredo e ex-secretário do governo de Minas.



De aliado político, Mourão passou a desafeto do ex-governador. O motivo seria uma dívida de campanha, da ordem de R$ 700 mil, que Azeredo não queria saldar com o filho do ex-secretário Mourão. Nilton Monteiro teria passado, então, a pressionar Azeredo com a lista de Mourão que denunciava o mensalão mineiro.

Azeredo entrou em acordo com Mourão e os dois reataram politicamente. O que eles não contavam é que Monteiro não devolvesse a lista, que em seu poder se transforma em instrumento de poder político.



Pressionados pelas denúncias, os tucanos passaram a desqualificar as acusações. Monteiro, de repente, começou a ser identificado por eles como aliado PT, quando é cria do ninho tucano.



Apesar de afirmar que não se arrepende de ter denunciado o esquema de corrupção do PSDB, Monteiro viu sua vida virar de ponta cabeça. De braço direito do ex-empreiteiro e ex-deputado federal Sérgio Naya, hoje Nilton Monteiro dorme em um colchão no chão da cela que divide com outro detento e trabalha como jardineiro no presídio.

A escolha por uma prisão de segurança máxima foi dele, que teme pela própria vida. Ele acusa o delegado Márcio Nabak de comandar várias retaliações que já sofreu. Segundo Nilton, Nabak seria aliado de políticos denunciados no esquema de corrupção tucana.



O medo de retaliação à família também preocupa Monteiro. Ele quer a federalização dos seus processos.



Ele não tem dúvida sobre o futuro difícil que terá pela frente.



Mesmo assim prefere partir para o ataque e denunciar o controle do PSDB sobre a mídia, para abafar denúncias contra quadros do partido.



A reportagem do Viomundo entrevistou Nilton Monteiro em uma sala reservada dentro do gabinete do juiz da 3° Vara Criminal de Belo Horizonte, Guilherme Sadi, no último dia 6, quando ele compareceu ao fórum da capital mineira para participar de audiência. O recinto é reservado para conversas entre réus e advogados. Durante toda a entrevista Nilton foi mantido algemado e um policial militar permaneceu dentro da sala. A pedido do advogado de Nilton, William Souza, a reportagem garantiu que a fotografia do réu não o identificaria com as algemas.

Aqui, a entrevista completa:



Lúcia Rodrigues, de Belo Horizonte,
No Viomundo
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Bachelet derrota a Matthei y se convierte en la nueva presidenta de Chile

Más del 62 por ciento de los chilenos dieron su votos a la
candidata por Nueva Mayoría, Michelle Bachelet.
Este hecho representa una segunda victoria consecutiva, luego de la primera vuelta de las elecciones celebradas el pasado 17 de noviembre, en la que Bachelet compitió con otros ocho aspirantes, entre ellos la aspirante de la derecha Evelyn Matthei, un momento inédito para la historia de la democracia en Chile.

Por segunda vez y después de cuatro años, la abandera de la Nueva Mayoría, Michelle Bachelet se convierte nuevamente en presidenta de Chile, tras vencer este domingo en una segunda vuelta a la candidata oficialista Evelyn Matthei con 3 millones 468 mil 389 votos lo que representa un valor porcentual de 62,16 por ciento de los votos válidos emitidos en un 99,97 de las mesas escrutadas por el Servicio Electoral chileno.

La candidata Evelyn Mattehi obtuvo 2 millones 111 mil 306 votos, representado por un valor porcentual de 37,83 por ciento.

Este hecho representa una segunda victoria consecutiva, luego de la primera vuelta de las elecciones celebradas el pasado 17 de noviembre, en la que Bachelet compitió con otros ocho aspirantes, entre ellos la aspirante de la derecha oficialista, Evelyn Matthei, un momento inédito para la historia de la democracia en Chile.

Los resultados fueron ofrecidos por Servicio Electoral de Chile, (Servel) a través de su portal web.

Este domingo, los chilenos votaron por un sucesor del presidente derechista Sebastián Piñera entre dos candidatas, Michelle Bachelet y Evelyn Matthei, luego que en la primera vuelta se disputarán entre la silla de La Moneda (sede de Gobierno) nueve candidatos, un número inédito en la historia electoral chilena.

La jornada electoral en Chile inició a las 08H00 locales (11H00 GMT) de este domingo con la apertura de más de 41 mil mesas receptoras, que permanecieron abiertas por unas 10 horas, para que unos 13,5 millones de chilenos, habilitados para sufragar, asistan a las urnas, aun cuando las expectativas de participación no fueron superadas, debido a la alta abstención.

No es la primera vez que Bachelet gana en una segunda vuelta, ya que en las elecciones presidenciales de 2005 se adjudicó el triunfo frente a Sebastián Piñera, quien le entregará el cargo en esta oportunidad.

Dos caras por La Moneda

Dos visiones distintas fueron determinantes para esta elección donde se definía la conquista nuevamente de la izquierda en Chile o la continuidad de la derecha. Aunado al característico detalle, las dos candidatas presidenciales son mujeres, las protagonistas de esta contienda electoral se conocen desde la infancia; ambas compartían juegos en el barrio Antofagasta (norte).

En este lugar sus padres, oficiales de la Fuerza Aérea chilena, estaban destinados. Fernando Matthei, padre de Evelyn fue el mejor amigo de Alberto Bachelet, progenitor de Michelle.

Meses después del golpe de Estado propinado contra Salvador Allende Fernando Matthei fue nombrado director de la Academia de Aviación y próximo a su oficina Alberto Bachelet era maltratado por los funcionarios de Augusto Pinochet.

Al parecer, nunca levantó la voz para reclamar la injusticia. Los cronistas atribuyen esta circunstancia a que Alberto Bachelet aceptó un cargo de rango ministerial durante el gobierno de Salvador Allende, que ejerció hasta el 11 de septiembre de 1973, cuando, como otros tantos, fue detenido.

En marzo de 1974, el padre de Bachelet falleció producto de un infarto, que fue, al parecer, directamente inducido por las torturas sufridas. Un año después, Michelle Bachelet fue detenida junto a su madre, Ángela Jeria, concretamente durante el mes de enero.

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