1 de dez de 2013

Por que a China é o que é

Shanghai

Leio, no iPad, a monumental História da Inglaterra de David Hume, filósofo, historiador e escritor inglês do século XVIII. (O iPad é uma festa para quem quer encontrar e ler clássicos de graça.)

Hume, um dos grandes ideólogos do liberalismo, viveu e morreu como um verdadeiro filósofo. Era um homem simples, frugal, honesto, leal, corajoso, moderada até em sua única vaidade — literária. Segundo seu amigo e admirador Adam Smith, Hume chegou moralmente ao ponto mais alto que a fragilidade humana permite.

Vários trechos da A História da Inglaterra me despertam a atenção admirada. Num deles, no capítulo que trata de Carlos I, o rei inglês que se bateu com o Parlamento e acabou deposto e decapitado em meados do século XVII na primeira revolução burguesa da humanidade, Hume lança um olhar para a influência da religião entre os britânicos nos dias do monarca infeliz.

Assim disse Hume: “De todas as nações européias, a Grã Bretanha era naquele momento, e por muito mais tempo, a mais influenciada por aquele espírito religioso que tende mais a inflamar o fanatismo do que a promover a paz e a caridade.”

São palavras eternas.

Lamentavelmente, ao longo da história, a religião tem servido muito mais para piorar do que para melhorar as pessoas e a sociedade. Quem acaba dominando-a não são os moderados, os tolerantes, aqueles que aceitam a diversidade. São os radicais, os fanáticos, os que acham que podem matar os infiéis em nome de seu Deus, seja qual for.

O filósofo inglês Bertrand Russell atribuiu ao judaísmo, no Ocidente, a semente da ideia de que uma religião é melhor que outra ao estabelecer que os judeus eram o povo escolhido. Os cristãos, posteriormente, trucidaram ignominiosamente os judeus por entender que escolhidos, na verdade, eram eles. Depois os cristãos se destruíram uns aos outros, quando Lutero inventou o protestantismo. Os muçulmanos já surgiram com a convicção de que Alá é o único deus genuíno.

Tenho para mim que um dos maiores fatores do fenômeno chinês está na ausência de religião e da figura de Deus. A China era a civilização mais adiantada do mundo quando foi pilhada pelos britânicos no século 19, superiores em uma única coisa: canhões. Depois dos britânicos, outras potências militares ocidentais foram tirar sua fatia da China — já então um mercado cobiçado de 400 milhões de pessoas. E quando parecia que nada mais poderia castigar a China apareceram seus vizinhos japoneses.

A China poderia ter virado um figurante no mundo. Mas não: se reergueu depois de tantas agressões predatórias, e ninguém acredita que em dez anos ela já não tenha ultrapassado os Estados Unidos como superpotência número 1. (Sempre existe a possibilidade, é claro, de que os americanos inventem um pretexto para declarar guerra à China.)

A impressionante resistência chinesa deve muito à inexistência de religião tal como conhecemos. Confúcio, o grande filósofo que estabeleceu as bases éticas que governam a China há 2 500 anos, acabou fazendo o papel de Deus para os chineses com a vantagem de não ser Deus e nem ser entendido como tal. Confúcio pregou três coisas, essencialmente: os jovens devem ser muito bem instruídos; os amigos devem ser leais uns aos outros; e os filhos devem cuidar exemplarmente dos velhos.

Confúcio deu aos chineses um guia de conduta prático e sempre atual. A musculatura interior veio do budismo, em que não existe a figura de Deus. Buda era um ser humano como todos nós — entregue às tentações, cheio de dúvidas, repleto de tentações. Na fraqueza aparente de Buda diante dos deuses de outras religiões estava, paradoxalmente, a força do budismo — e em consequência da China.

Paulo Nogueira
No DCM

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China concreta lanzamiento de su primer vehículo de exploración lunar

Lanzamiento de la sonda lunar Chang’e-3.
Foto: teleSUR
Esta nave es la pionera de este país en descansar sobre un cuerpo celeste extraterrestre para retornar a casa al concluir sus experimentos, que incluyen inspeccionar la estructura geológica de la Luna y las sustancias de su superficie, y buscar recursos naturales.

China concretó este domingo el lanzamiento a la luna del vehículo de exploración espacial Chang'e-3, que lleva a bordo un robot denominado Conejo de Jade que analizará la superficie del satélite natural, tomará muestras y realizará otras investigaciones.

A las 17H30 GMT de este domingo se inició la cuenta regresiva del lanzamiento. Tal como estaba previsto, el Chang’e-3 fue impulsado por un cohete Larga Marcha 3B, una nueva versión con tecnología y fiabilidad mejoradas, de acuerdo con los expertos.

La misión espacial indicó que la sonda lunar llegará al satélite en aproximadamente una semana. Esta es la primera misión que viaja a la luna desde 1976, cuando la emprendió la Unión Soviética.

Esta nave es la pionera de este país en descansar sobre un cuerpo celeste extraterrestre para retornar a casa al concluir sus experimentos, que incluyen inspeccionar la estructura geológica de la Luna y las sustancias de su superficie, además de buscar recursos naturales.

Especialistas de la Corporación Aeroespacial de Ciencia y Tecnología de China explicaron recientemente que esta misión circulará la órbita lunar y escogerá el mejor lugar para alunizar, a través del uso de sensores ópticos y de micro ondas que evitarán rocas y cráteres.

Hasta ahora, sólo Estados Unidos y la antigua Unión Soviética habían realizado un aterrizaje suave sobre la Luna. Si tiene éxito, China se convertirá en el tercer país en hacerlo.

No teleSUR
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Lewandowski e a relação mídia e Judiciário

http://pigimprensagolpista.blogspot.com.br/

Palestrante da abertura do Seminário “Democracia Digital e Judiciário” – promovido pelo Jornal GGN com apoio do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) - o Ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, considera que “a relação com a mídia tornou-se muito negativa”. “Precisamos de um movimento de proteção dos magistrados, inclusive de sua segurança pessoal, para que possam exercer com liberdade seus julgamentos”, disse ele.

Na votação da AP 470 – o “mensalão” – Lewandowski divergiu em não mais do que 10% das penas aplicadas. Foi alvo de linchamento midiático, que se propagou pelas redes sociais e resultou em ameaças físicas em aeroportos e outros locais públicos.

Hoje em dia, sua postura no julgamento tornou-se referencial para grande parte do Judiciário, em contraposição ao exibicionismo midiático de vários de seus pares.

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Para Lewandowski, o século 19 pertenceu ao poder legislativo. O século 20, do Executivo. Agora, chegou-se ao século do Judiciário, o da luta pelos direitos gerais, seja através da ação política ou da Justiça. Daí a importância do poder judiciário na concretização desses direitos do homem.

“No Brasil, tenho a convicção de que esse protagonismo maior do poder judiciário, para o bem ou para o mal, veio para ficar. É algo definitivo”, disse ele.

“Além de extenso rol de direitos fundamentais, nossa Carta Magna enuncia uma série de princípios básicos, fundamentais, sobre os quais a própria constituição se assenta”, explicou.

São os pilares, as estruturas, os princípios que consubstanciam conceitos jurídicos indeterminados e podem ser interpretados com certa amplitude.

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Aquele que interpreta a constituição busca dar concreção aos princípios fundamentais, ao republicano, ao democrático, ao federativo, da isonomia, da razoabilidade, da proporcionalidade, da eficiência. E ao valor mais importante que é o da dignidade da pessoa humana.

Ampliou-se em muito o poder do judiciário mas também a sua visibilidade, depois que passou a atuar em áreas antes restritas aos demais poderes.

“Quando o Judiciário se equilibra nessa tênue linha que separa a atividade técnico-jurídica da política propriamente dita, ele de forma fatal, inexorável se vê arrastado para o âmago do turbilhão das paixões populares”, explicou.

“Isso se viu com todo impacto e contundência no julgamento altamente midiatizado da AP 470” . Segundo Lewandowski, o julgamento ainda será objeto de profunda meditação e exame por parte dos especialistas nas mais diversas matérias, pois “como foi identificado por um colega nosso, na sabatina que passou no Senado, foi um ponto fora da curva".

Para ele, muito mais do que em outros julgamentos ficou muito claro o papel da mídia alternativa em comparação à mídia tradicional, sobretudo na identificação dos aspectos heterodoxos desse julgamento”.

Lewandowski está convencido de que a mídia alternativa pode ser hoje uma espécie de quinto poder, fazendo contraponto cada vez maior ao quarto poder. E pode também configurar os demais poderes tradicionais, esclarecendo melhor a opinião pública.

Luis Nassif
No Blog do Miro
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CartaCapital põe Lula e FHC na capa num ringue de boxe, mas regras não permitem luta entre categorias diferentes


Capa da CartaCapital desta semana é mais um dos equívocos da revista. Ela coloca num ringue de boxe, como se lutassem, os ex-presidentes Lula e FHC.

É coisa de quem não entende de boxe ou de política. Ou dos dois. Como Mino Carta conhece ambos os assuntos, ou ele não foi consultado ou, quando o foi, estava confabulando com seus botões...

No boxe, lutadores são divididos por categorias de peso para que não haja disparidade de forças e um homem de 100 kg troque luvas com outro de 50.

E este é o caso dos dois contendores na capa da revista. Em termos de imagem de estadista, de reconhecimento nacional e internacional, a diferença entre os dois é gigantesca.

Lula é uma figura de destaque, amada e louvada, aqui e no exterior. Enquanto FHC... quem fala dele, além da mídia golpista daqui?

Outro parâmetro para julgarmos o peso dos competidores é a eleição presidencial do ano que vem. Aqui e ali é veiculado que, caso Dilma não vá bem (o que não acontece), Lula poderá vir a ser o candidato.

Quem cometeria a asneira de colocar FHC como candidato do PSDB, partido que não vai bem das pernas e se aproxima da extinção como o DEM? Nem os tucanos o querem. E isso não é de agora: o escondem há 11 anos, desde que saiu imensamente reprovado da presidência da República.

Bola fora da Carta que dá sobrevida ao homem que, segundo afirmam, chutou a porta e agrediu a repórter (ou vice-versa), quando essa o informou da gravidez de um filho que seria dele; depois foi refém da Globo para esconder essa paternidade; e depois, para coroar, descobriu-se corno de si mesmo, pois não era o pai da criança.

Todas as recentes pesquisas apontam que Lula seria eleito presidente no ano que vem contra quaisquer candidatos.

Já FHC, nem é colocado como alternativa nas pesquisas, tal a irrelevância de seu nome.

Lula e FHC só estão no mesmo patamar nas fotos enfileiradas de ex-presidentes da República e agora na capa da CartaCapital.

Por último, uma crítica ao artista gráfico: luvas azuis para Lula e vermelhas para FHC, o que foi que você bebeu, meu filho?

No Blog do Mello

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A régua seletiva da imprensa | Um pacto de silêncio


No Imprensa Golpista
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Rejeição a Joaquim Barbosa dispara no Datafolha e supera intenções de votos

Na pesquisa Datafolha de 28 e 29 de novembro, no cenário em que testa o nome do presidente do STF Joaquim Barbosa, ele obteve 15% de intenções de voto, mas teve 22% de rejeição.

Isso significa que para cada 2 eleitores dispostos a votar nele, há outros 3 que dizem não votar nele de jeito nenhum.

Barbosa não está sozinho entre os pré-candidatos com "saldo negativo".

Aécio Neves tem 19% de intenções de voto em seu melhor cenário contra 26% de rejeição.

Eduardo Campos tem 11% de intenções de voto no melhor caso, mas tem 24% de rejeição.

Com saldo positivo, só Dilma e Marina Silva.

Dilma alcança 47% de intenções de voto e rejeição de 25%, o que confirma a recuperação de sua popularidade.

Marina, no melhor caso tem 26% de intenções de voto e rejeição de 17%. Esse resultado é um complicador a mais para Eduardo Campos se impor como cabeça de chapa no PSB.

Serra é o campeão absoluto em rejeição. Ele tem 22% de intenções de voto no melhor caso e rejeição de 35%.

Na pesquisa espontânea, Barbosa e Campos só tem 1% contra 22% de Dilma

Na pesquisa espontânea, onde as pesquisas pesquisadas são perguntadas apenas em quem votariam para presidente da República em 2014, sem citar uma lista de nomes, Dilma desponta com 22%, Aécio com 4%, Marina com 3%. Eduardo Campos e Joaquim Barbosa tiveram só 1%.

Mesmo com Lula declarando reiteradas vezes que sua candidata é Dilma, ele continua aparecendo em segundo lugar, na frente de todos os outros adversários da presidenta.

No Amigos do Presidente Lula
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A agonia do colesterol


Nunca me convenci de que essa obsessão para abaixar o colesterol às custas de remédio aumentasse a longevidade de pessoas saudáveis.

Essa crença - que fez das estatinas o maior sucesso comercial da história da medicina - tomou conta da cardiologia a partir de dois estudos observacionais: Seven Cities e Framingham, iniciados nos anos 1950.

Considerados tendenciosos por vários especialistas, o Seven Cities pretendeu demonstrar que os ataques cardíacos estariam ligados ao consumo de gordura animal, enquanto o Framingham concluiu que eles guardariam relação direta com o colesterol.

A partir dos anos 1980, o aparecimento das estatinas (drogas que reduzem os níveis de colesterol) abafou as vozes discordantes, e a classe médica foi tomada por um furor anticolesterol que contagiou a população. Hoje, todos se preocupam com os alimentos gordurosos e tratam com intimidade o "bom" (HDL) e o "mau" colesterol (LDL).

As diretrizes americanas publicadas em 2001 recomendavam manter o LDL abaixo de cem a qualquer preço. Ainda que fosse preciso quadruplicar a dose de estatina ou combiná-la com outras drogas, sem nenhuma evidência científica que justificasse tal conduta.

Apenas nos Estados Unidos, esse alvo absolutamente arbitrário fez o número de usuários de estatinas saltar de 13 milhões para 36 milhões. Nenhum estudo posterior, patrocinado ou não pela indústria, conseguiu demonstrar que essa estratégia fez cair a mortalidade por doença cardiovascular.

Cardiologistas radicais foram mais longe: o LDL deveria ser mantido abaixo de 70, alvo inacessível a mortais como você e eu. Seríamos tantos os candidatos ao tratamento, que sairia mais barato acrescentar estatina ao suprimento de água domiciliar, conforme sugeriu um eminente professor americano.

Pois bem. Depois de cinco anos de análises dos estudos mais recentes, a American Heart Association e a American College of Cardiology, entidades sem fins lucrativos, mas que recebem auxílios generosos da indústria farmacêutica, atualizaram as diretrizes de 2001.

Pasme, leitor de inteligência mediana como eu. Segundo elas, os níveis de colesterol não interessam mais.

Portanto, se seu LDL é alto não fique aflito para reduzi-lo: o risco de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral não será modificado. Em português mais claro, esqueça tudo o que foi dito nos últimos 30 anos.

A indústria não sofrerá prejuízos, no entanto: as estatinas devem até ampliar sua participação no mercado. Agora serão prescritas para a multidão daqueles com mais de 7,5% de chance de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral nos dez anos seguintes, risco calculado a partir de uma fórmula nova que já recebe críticas dos especialistas.

Se reduzir os níveis de colesterol não confere proteção, por que insistir nas estatinas? Porque elas têm ações anti-inflamatórias e estabilizadoras das placas de aterosclerose, que podem dificultar o desprendimento de coágulos capazes de obstruir artérias menores.

O argumento é consistente, mas qual o custo-benefício?

Recém-publicado no "British Medical Journal", um artigo baseado nos mesmos estudos avaliados pelas diretrizes mostrou que naqueles com menos de 20% de risco em dez anos as estatinas não reduzem o número de mortes nem de eventos mais graves. Nesse grupo seria necessário tratar 140 pessoas para evitar um caso de infarto do miocárdio ou de derrame cerebral não fatais.

Ou seja, 139 tomarão inutilmente medicamentos caros que em até 20% dos casos podem provocar dores musculares, problemas gastrointestinais, distúrbios de sono e de memória e disfunção erétil.

A indicação de estatina no diabetes e para quem já sofreu ataque cardíaco, por enquanto, resiste às críticas.

Se você, leitor com boa saúde, toma remédio para o colesterol, converse com seu médico, mas esteja certo de que ele conhece a literatura e leu com espírito crítico as 32 páginas das novas diretrizes citadas nesta coluna.

Preste atenção: mais de 80% dos ataques cardíacos ocorrem por conta do cigarro, vida sedentária, obesidade, pressão alta e diabetes. Imaginar ser possível evitá-los sentado na poltrona, às custas de uma pílula para abaixar o colesterol, é pensamento mágico.

Dráuzio Varella
No fAlha
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E a Veja passou a Globo como símbolo do que existe de pior em ‘jornalismo’

Gongorismo de Taquaritinga

Graças a um trabalho cotidiano, persistente, meticuloso, a Veja conseguiu uma coisa que parecia impossível: deixou para trás a Globo no topo da lista do que existe de mais infame, mais abominável e mais primitivo no jornalismo, aspas, brasileiro.

Tive, pessoalmente, uma breve ilusão de que os filhos de Roberto Civita combateriam ao menos a canalhice editorial da revista, mas foi exatamente isso, uma ilusão.

Com seu gongorismo caipira de Taquaritinga, com sua vasta cultura que cabe num livro de bolso, o blogueiro Augusto Nunes se tornou um símbolo disso.

Em sua louca cavalgada para agradar aos patrões, ele vai extrapolando limites da sanidade jornalística.

Você lê e pensa: “Onde o editor para conversar com ele?” E então você lembra que os editores da Veja são quem são e entende que ninguém dirá a Augusto Nunes: “Isso não dá.”

Pouco tempo atrás, ele se gabou de ter vencido uma disputa judicial com Collor, a quem chamou de bandido e outras coisas do gênero.

Li a sentença, para entender um pouco mais.

Vi que Collor tinha sido absolvido das denúncias pelo mesmo STF que Augusto Nunes tanto louva ao tratar do Mensalão. Um dos juízes que o absolveu é Celso de Mello, para o qual Nunes reserva sua verve caipira no que ela tem de mais louvaminheira.

É sabida a influência que a Abril exerce em certas varas da Justiça, e então não havia ali propriamente surpresa. A não ser a afirmação da juíza de que Augusto Nunes não ultrapassara os limites do razoável ao chamar Collor de ladrão – mesmo com a absolvição do Supremo.

Quer dizer: nem os juízes brasileiros respeitam o Supremo.

Dias atrás, Augusto Nunes produziu mais uma de suas palhaçadas destinadas a boçais que o lêem e aos patrões que ele imagina agradar.

O alvo era Dirceu. Mais uma vez.

Uma rápida olhada nos textos de Nunes – deve ser rápida ou você sente embrulhos – mostra o seguinte. Nenhuma palavra sobre a meia tonelada de cocaína apreendida num helicóptero de amigos de Aécio, nenhuma palavra sobre os 33 milhões de reais pagos por governos paulistas do PSDB a um ex-dirigente do Metrô processado por corrupção na Suíça, nenhuma palavra sobre nada que faça sentido.

Vale a pena ler na íntegra:

“O presidiário José Dirceu, alojado na cela S 13 da Papuda por corrupção ativa e formação de quadrilha, exerce o ofício de xerife de cadeia enquanto espera que a Justiça o autorize a disfarçar-se de gerente-administrativo de hotel. Se a ameaça for consumada, os hóspedes do St. Peter terão de fazer o contrário do que fazem, desde o aparecimento da primeira estalagem, todos os fregueses  de todos os estabelecimentos do gênero.

No mundo inteiro, o manual de instruções básicas recomenda ao cliente que, para não ter o patrimônio reduzido por larápios que agem nas ruas, deixe guardados nos cofres do hotel objetos de valor e quantias consideráveis em dinheiro. Com a mudança de gerente, o St. Peter será o primeiro e único a inverter a regra. Os hóspedes tratarão de  carregar nos bolsos maços de cédulas, joias valiosas ou mesmo bijuterias de R$ 1,99.

Não faltam ladrões nas avenidas e superquadras de Brasília. Mas a cidade é bem menos insegura que qualquer espaço controlado pelo gerente-geral do mensalão.”

Num país em que imprensa e o judiciário não fossem tão primitivos, pode-se imaginar o que ocorreria.

Apenas para lembrar, Paulo Francis por muito menos foi intimado pela Justiça dos Estados Unidos a mostrar as provas de que diretores da Petrobras eram corruptos.

Os executivos puderam processá-lo lá porque as calúnias de Paulo Francis foram proferidas em solo americano.

Se Paulo Francis fosse processado no Brasil, fatalmente ampliaria as acusações contra os homens da Petrobras, na certeza da impunidade.

Fui ler os comentários dos leitores. A manada delirou. Não existe nada de pior, entre os leitores da mídia brasileira, que os da Veja.

Havia uma única exceção.

Um leitor, Francisco, tentou falar, pelo que entendi. Foi censurado.

Sabemos todos o conceito de livre expressão de Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo et caterva: “livre expressão é me elogiar”.

É mais fácil o Corinthians fazer um gol do que você emplacar uma crítica nos blogs da Veja.

Pelo menos isso – evitar a censura feroz – os irmãos Gianca e Titi Civita talvez pudessem fazer. Já seria um avanço.

Bem, o leitor tentou ponderar.

“Eu não leio …”

Foi interrompido imediatamente. E em negrito.

“Então não comente. Se não leu, como o Lula, fala do que ignora. Cai fora.”

No futuro, uma peça dessas mostrará à posteridade quanto era ruim o jornalismo praticado na Veja, notadamente por Augusto Nunes.

Paulo Nogueira
No DCM
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Charge online - Bessinha - # 2007


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Uuuuuuuuu...

— Vovó, você se lembra da sua primeira vez?

— Primeira vez o que, minha filha?

— Que fez sexo.

— Uuuuuuuu...

— Faz tanto tempo assim?

— Espera que eu ainda não terminei. Uuuuuuuuuu...

— Foi com quem?

— Um cadete. Ele ia ser mandado para o front no dia seguinte e disse que queria levar com ele a lembrança da nossa última noite juntos. Não pude recusar. Dali a duas semanas recebi a notícia de que ele tinha morrido.

— Que front era esse, vovó?

— O front. Da guerra. Não me lembro qual delas. Fiquei chocada com a notícia e me internei num convento, onde fiquei pelo resto da vida.

— Vovó, você viveu num convento?

— Não vivi? Espera um pouquinho. Acho que estou misturando as coisas. Isso foi um romance que eu li. Ó cabeça.

— Então, quem foi o primeiro?

— O primeiro o quê?

— Com quem você fez sexo, vovó.

— Uuuuuuuuu... Deixa ver. Como era o nome dele... Gilbert qualquer coisa. Gilbert Roland!

— Acho que esse era um ator.

— Não, não, não. Era nosso vizinho. Nos encontrávamos no fundo do quintal, sob a goiabeira. Até hoje não posso sentir cheiro de goiaba que me lembro do Gilbert Roland. Foi o primeiro e o único. Nunca mais amei ninguém.

— Vovó. Você casou com o vovô. Teve cinco filhos com o vovô. Você amava o vovô.

— Tudo fingimento.

— E há quanto tempo você não faz sexo?

— Uuuuuuuuuuu...

— Com quem foi a última vez?

— Eu já era viúva. Um dia bateram na porta. Era o Juan Carlos da Espanha. Na época ele ainda era príncipe. Tinha errado de porta, estava procurando não sei quem. Mandei entrar e começamos a conversar. Assuntos gerais. Ele pediu para ver o meu quarto... E aconteceu. Nunca mais nos vimos. Mas ele não deixa de me escrever.

— Vovó, você tem cartas do rei Juan Carlos da Espanha?

— Estão por aí, em algum lugar.

— E são cartas amorosas?

— Uuuuuuuuuuuu...

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Retratação

Tudo é vaidade.

Tem aquela do cara que invade uma delegacia de polícia e exige falar com o desenhista.

— Com quem?

— Com o desenhista. O que faz retratos falados. Quero falar com ele agora!

— Espera aí. Você não pode entrar aqui assim e...

— Não interessa. Quero falar, imediatamente, com quem fez isto.

E o homem mostra um cartaz em que aparece o desenho de um rosto e escrito, em cima, “Procura-se”. Insiste:

— Se ele não aparecer logo, eu quebro esta joça!

— Calma, cidadão. Calma.

Tantas o homem faz que o desenhista é localizado e trazido à sua presença. O homem mostra o cartaz e pergunta:

— Isto se parece comigo?

— Isto se parece comigo?

— Bom, eu...

— Não. Me diga. Esta cara se parece vagamente com a minha?

— É que eu...

— Olha o meu nariz e olha o nariz do desenho. Desde quando eu tenho um nariz assim? E a boca?

— É que eu me guiei pela descrição da testemunha...

— Não. Não tente transferir sua culpa. O desenho é seu. É a minha cara falsificada que está por aí, colada em tudo que é poste da cidade. E eu exijo retratação. Ou, no caso, rerretratação.

Um policial de plantão interfere:

— Você está preso.

— Eu sei — diz o homem. E, para o desenhista:

— Assim você terá o tempo que quiser para refazer meu retrato, usando o original como modelo.

— Está bem — diz o desenhista.

— Certo, desta vez!

PAPO VOVÔ

Às vezes sou recrutado para o papel de príncipe encantado, nos brinquedos da Lucinda, nossa neta de 5 anos (“e meio”, como ela faz questão de dizer). No outro dia cumpri minha missão e ressuscitei a princesa envenenada com um beijo. Mas não consegui levá-la para o meu castelo, ela preferiu ficar na rua. Agora essa: princesas republicanas.

Luís Fernando Veríssimo
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Dilma cresce, os outros caem, e FHC perde o bonde


No mesmo sábado em que era divulgada a nova pesquisa Datafolha mostrando que a presidente Dilma Rousseff cresceu e aumentou sua vantagem sobre todos os adversários, que caíram, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda o principal líder da oposição, foi a Ribeirão Preto fazer uma palestra e, como de costume, malhou o governo, sem apresentar nenhuma alternativa para o país.

A vantagem de Dilma sobre o tucano Aécio Neves aumentou de 21 para 28 pontos (47 a 19); sobre Eduardo Campos, do PSB, cresceu de 27 para 36 pontos (47 a 11). Dilma tem 17 pontos a mais do que seus mais prováveis adversários somados, o que indica uma tranquila vitória no primeiro turno, confirmando as pesquisas anteriores (isso só não aconteceria se Marina Silva fosse a candidata socialista, o que é pouco provável).

Certamente sem saber destes números, FHC perdeu o bonde ao abrilhantar o aniversário de uma cooperativa de crédito, sempre olhando pelo retrovisor e tocando o mesmo disco já arranhado: "Pararam dez anos os investimentos em infraestrutura no Brasil por preconceito ideológico", disse ele, segundo relato de Isabela Palhares, da Folha, como se nos seus dois mandatos o país tivesse sido transformado num imenso canteiro de obras.

O ex-presidente criticou tudo: dos mecanismos de controle da inflação à taxa de juros, do afrouxamento da Lei de Responsabilidade Fiscal ao endividamento dos municípios e Estados, dando a entender que o país está vivendo uma profunda crise, à beira do precipício.

Ao final da palestra de 40 minutos, pregou que "o Brasil precisa de gente nova, gente moderna, que acredita no Brasil", sem citar os nomes dos dois pré-candidatos do seu partido, Aécio Neves e José Serra", e deu a receita: "O Brasil precisa se reinventar. Não só economicamente, mas socialmente. Acabar com a ilusão do marquetismo".

Será que este tipo de discurso acrescenta algum voto aos candidatos tucanos?

Conviria que FHC lesse atentamente as análises sobre os números da pesquisa publicadas neste domingo pela Folha, a começar pelo editorial "Retomada presidencial", em que o jornal afirma: "A taxa de desemprego é historicamente baixa e a renda continua a crescer; os protestos de junho criaram insegurança, que se dissipou com a percepção de que o país não entraria em crise aguda".

"Presidente termina 2013 em alta graças à oposição ineficiente" é o título do artigo de dois diretores do Datafolha. "Ambiente até esteve propício, mas ninguém conseguiu formular discurso adequado às demandas brasileiras."

O abismo entre o discurso sempre negativista de FHC, que passa muito tempo no exterior, e os números da pesquisa, que revelam maior otimismo sobre o poder de compra, embora a inflação ainda preocupe, mostram que, enquanto a oposição não se dispuser a dialogar com o país real, a presidente Dilma Rousseff continuará nadando de braçada, embora dois terços da população queiram mudanças no governo (o marqueteiro presidencial João Santana gosta de ressaltar que são mudanças no governo e não de governo).

Os números de Dilma nesta pesquisa só não são melhores do que os do ex-presidente Lula, que venceria em qualquer cenário no primeiro turno, com intenções de voto variando entre 52% e 56%. Ao mesmo tempo em que a oposição e a mídia aliada não conseguem definir um candidato para bancar, o PT tem dois favoritos. Este é o quadro, a dez meses da sucessão presidencial. O resto é o resto e não adianta espernear.

Ricardo Kotscho
No Balaio
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Pelé deveria abraçar a luta contra o racismo no futebol. O problema é o Edson

Pelé

Pelé nunca foi bom fora de campo e é duro discordar de Romário quando diz que o rei, calado, é um poeta. Pelé poderia — deveria — abraçar uma causa importante. Por que não a luta pelo fim do racismo no futebol?

Na última rodada do campeonato espanhol, o zagueiro Paulão, do Betis, foi expulso quando o time perdia para o Sevilla. Animais de sua torcida passaram então a seu rito sagrado: imitaram macacos em sua homenagem. Paulão foi flagrado chorando no banco de reservas (o que é um pouco demais).

Antes dele, Yaya Touré, do Manchester City, ouviu o mesmo tipo de provocação dos torcedores do CSKA de Moscou. Não são fatos isolados. A Fifa tenta fazer “campanhas de conscientização”. Eventualmente, multa o time ou diminui o número de ingressos da equipe cujos torcedores pratiquem discriminação. Dura um domingo.

Ninguém que aprecie futebol pode ser a favor de que xingamentos sejam banidos. Ficaria insuportável. Mas fazer gestos emulando símios e atirar bananas no gramado estão em outro patamar de incivilidade. Vão para o terreno da patologia, da imbecilidade e da violência em seu sentido mais puro, primitivo, boçal.

O racismo existe no futebol desde sempre, de maneira mais ou menos explícita. Me lembro de uma visita aos bastidores do Chelsea, na Inglaterra. No vestiário, camisetas marcavam os armários de cada atleta. Todos os africanos estavam juntos num canto. Os brancos, no outro.

A Espanha é um caso à parte. Daniel Alves, do Barcelona, vem falando no preconceito há algum tempo. Após uma partida contra o Real Madrid em que foi ofendido pela enésima vez, protestou veementemente. “O racismo no futebol é uma batalha perdida até que medidas drásticas sejam tomadas”, disse. Num país cujos fãs de F-1 pintaram o rosto de preto para sacanear o piloto Lewis Hamilton, Alves foi ridicularizado pela imprensa especializada.

A voz mais ativa contra a discriminação é a de Paul Elliott, o primeiro capitão negro do Chelsea (nos anos 90). Numa palestra, Elliott lembrou que, quando na ativa, engolia calado os impropérios nos estádios. “O que Touré aguentou é inaceitável no século 21. Ninguém aceitaria em seu local de trabalho. Por que seria diferente com um jogador?”, disse.

Na NBA, um dirigente foi massacrado quando acusou o chefão da entidade, David Stern, de agir como o dono de uma “plantation” e “tratar os homens da NBA como se fossem seus crioulos”. Uma das razões por que no futebol não acontece coisa alguma é que, por motivos misteriosos, ele é gerido como se fosse a maçonaria, apegado a ideias do século XV. Se não são instaladas sequer câmeras nos gols, é demais esperar punição para gente que coça a cabeça e a barriga enquanto emite sons guturais. Paulão, mesmo, numa atitude incompreensível, se autoflagelou pedindo desculpas à torcida e aos companheiros por seu desempenho.

Em 2011, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, declarou que não havia mais racismo. Depois teve de se desculpar. O futebol precisa de um símbolo forte para essa causa. Paul Elliott não tem a estatura de Pelé. A questão é que, na única vez em que se manifestou sobre o assunto, ele declarou o seguinte: “Na minha época, a gente ia jogar no interior e os adversários passavam a mão, xingavam a mãe, a mulher… Ninguém falava nada. Agora, qualquer coisinha é racismo. É um absurdo. Estão dando muita ênfase a isso”.

Se ao menos o Edson ficasse quieto…


Kiko Nogueira
No DCM
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Aécio a tucanos: "somos o partido da privatização"


Tema sempre delicado para o PSDB nas disputas eleitorais, as privatizações estarão presentes no discurso de campanha do senador Aécio Neves, presidenciável do partido; em evento com tucanos na cidade de Franca, em São Paulo, o presidente nacional do partido disse ainda que fará a defesa do legado dos dois governos de FHC; "acho que nós temos que recuperar nosso legado. Porque hoje, se o Brasil é um Brasil melhor, é porque houve um governo do PSDB", afirmou

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidenciável do PSDB, começa a dar pistas de como pretende defender sua candidatura em 2014 e o seu partido, que governou o país entre 1995 e 2002. Em encontro do PSDB em Franca (SP), ele afirmou que a defesa das privatizações e do "legado" do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) será um dos temas da campanha do partido no próximo ano.

Durante o evento, Aécio contrapôs os dois mandatos de FHC aos governos do PT, do ex-presidente Lula e do atual da presidente Dilma Rousseff. "Eu acho que nós temos que recuperar nosso legado. Porque hoje, se o Brasil é um Brasil melhor, é porque houve um governo do PSDB. Se não tivesse havido o governo do presidente Fernando Henrique, com estabilidade, responsabilidade fiscal, privatizações, não teria havido o governo do presidente Lula", disse.

"[Somos] o partido da estabilidade da moeda, da modernização da economia, das privatizações, sim, que foram fundamentais para o Brasil crescer em setores que não deveriam ser de responsabilidade do Estado", completou Aécio. Na visita a Franca, Aécio estava acompanhado pelo deputado federal Duarte Nogueira, presidente estadual do partido, e pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

No 247
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A imprensa e o suposto caso de tráfico

Foto: Divulgação/Polícia Militar

A imprensa está sendo acusada de minimizar um suposto caso de tráfico internacional que supostamente envolveria parlamentares oposicionistas supostamente ligados a Aécio Neves. Até o insuspeito Zé Simão entrou na onda acusatória:
Pesquisei o assunto com cuidado e posso garantir aos meus leitores que trata-se do mais absoluto trololó. Vamos aos fatos: Gustavo Perrella, deputado estadual mineiro pelo Solidariedade e filho do senador Zezé Perrella, foi traído por um de seus melhores funcionários. Infelizmente, o empregado abusou da confiança - e vocês sabem como está complicada essa gente hoje em dia! - e foi flagrado usando o helicóptero particular de Perrella para transportar quase meia tonelada de pasta de cocaína.


O deputado mineiro foi tão surpreendido com a barbaridade que estava sendo cometida em sua aeronave, que imediatamente acusou o piloto de outro crime: o roubo do helicóptero. Diante do desmentido do funcionário, Perrela subitamente lembrou que havia autorizado aquela viagem através de duas mensagens de celular, e então mudou sua versão. Admitiu que a aeronave não tinha sido roubada e confirmou a liberação do transporte de "insumos agrícolas".

Bom, por que a acusação dirigida a nós da grande imprensa é injusta? Ora, com Dirceu, Delúbio e Genoíno presos, estádios da Copa desabando, e todo o caos político, econômico e social que vivemos, um caso desses automaticamente ganha menor importância. Um simples piloto que trafica drogas escondido do patrão não é e não deve ser um assunto do interesse público.

Eu e outros colegas da imprensa, por exemplo, mal estávamos "acompanhando esse caso":



Entenderam por que não damos tanto destaque ao assunto? Isso é papo de piloto, uma pauta no máximo para o jornalismo especializado em aviação civil, não para quem cobre os acontecimentos políticos do dia a dia.

Perguntam também o que nos levou a abafar um suposto escândalo de 2011 envolvendo a família de Aécio Neves, apenas porque esta é intimamente ligada à família Perrella. Conto-lhes mais este trololó: Tancredo Aladin Rocha Tolentino, primo de Aécio, carinhosamente conhecido como "Quêdo", foi preso por chefiar uma quadrilha acusada de vender absolvições para traficantes de drogas, além de ter sido condenado em 97 por crime contra o patrimônio e contra a economia popular. Quase na mesma época, outro primo de Aécio, Rogério Lanza Tolentino, havia sido condenado a 7 anos e 4 meses de prisão por lavagem de dinheiro. Todos esses assuntos não tiveram destaque no Jornal Nacional, não tocaram na CBN e não foram analisadas na A2 da Folha. Claro! As provas contra eles são escassas. Isso fica claro quando constatamos que Quêdo conseguiu um habeas corpus e, logo em seguida, tentou sair candidato à prefeitura de Claudio (MG) pelo PV, quando foi barrado pelo Ficha Limpa.

Poucos sabem, mas Quêdo é uma pessoa muito família, um cara do bem. Organiza as cavalgadas com familiares seus (e dos Perrella) em sua fazenda, comanda a cachaçaria da família Neves em Cláudio (MG) e sempre foi muito querido por todos da região. Quando Aécio caiu do cavalo quebrando 5 costelas, quem estava lá oferecendo o ombro amigo? Ele, o dono da fazenda, o primão Quêdo.

Mas o que o helicóptero de Perrellinha fazendo tráfico internacional* tem a ver com Aécio Neves, que indicou Zezé Perrella para o Senado e cujo primo vendia absolvição para traficantes de drogas? Absolutamente nada. Mas, claro, os patrulhadores da pauta alheia insistem em enxergar nuvens nesse céu de brigadeiro. Tudo isso para tirar foco do que realmente interessa: a prisão dos mensaleiros e os escândalos que a envolve. A gente sabe muito bem como se comporta essa gente chicaneira. #AcordaBrazil

* (atualização via @rei_lux) "Faltou informar que o helipóptero fez uma parada em Divinópolis, onde o primo Tancredinho (Quêdo) liberava traficantes."

No Jornalismo Wando
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Justiça quebra sigilo de ex-presidente da Siemens no Brasil

Medida foi requerida pela Polícia Federal no inquérito sobre cartel de trens; Coaf aponta ‘operações atípicas’ de Adilson Primo

Coaf apontou "operações atípicas" na conta de Primo
Nilton Fukuda/Estadão
SÃO PAULO - Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou "operações atípicas" em conta do ex-presidente da Siemens do Brasil Adilson Antonio Primo, logo após a saída dele da multinacional alemã. A movimentação incomum e suspeitas envolvendo uma outra conta de Primo no exterior levaram a Justiça Federal em São Paulo a decretar a quebra do sigilo bancário e fiscal do executivo por suspeita de "indícios de delitos" de crime financeiro.

A abertura dos dados bancários de Primo alcança um lapso de 10 anos, entre 2001 e 2011 - período em que ele dirigiu a empresa. Em agosto, o juiz Fabio Rubem David Müzel, da 6.ª Vara Criminal Federal, determinou ao Banco Central que encaminhe em planilha e dados tabulados "todas as informações sobre remessas e recebimentos de recursos internacionais e de operações de câmbio, além de outros recursos no exterior e declarações de bens e capitais relacionados ao sr. Adilson Primo."

A Receita vai levantar as declarações de imposto de renda dos últimos 5 anos.

O juiz ressalta que as medidas são "pertinentes e adequadas às investigações, com o fim de averiguar se a evolução patrimonial do investigado condiz com os rendimentos percebidos nos últimos anos, bem como se eventuais recursos mantidos no exterior foram declarados às autoridades fiscais".

O afastamento do sigilo foi autorizado nos autos do inquérito da Polícia Federal que investiga o cartel dos trens - conluio de poderosas companhias para conquistar licitações milionárias no setor metroferroviário de governos do PSDB em São Paulo, entre 1998 e 2008.

A PF e a Procuradoria investigam pagamento de propinas a agentes públicos e políticos. A Siemens fechou acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para denunciar o cartel. Executivos da Siemens prestaram depoimento à PF. Nenhum deles imputa qualquer prática ilícita a Primo.

Ele foi demitido no dia 11 de outubro de 2011 após a Siemens descobrir que € 6 milhões da empresa foram enviados para a conta de um banco no paraíso fiscal de Luxemburgo que tinha Primo entre seus titulares. A descoberta ocorreu em meio a uma auditoria interna da Siemens que apurou suposto esquema de corrupção em diversos países.

Ao autorizar a quebra do sigilo do executivo, a Justiça acolheu pedido da PF e manifestação da Procuradoria da República baseados no relatório de inteligência 6789 do Coaf.

O documento mostra que Primo solicitou, na semana seguinte à sua demissão, a transferência, para a mulher, Thalita Cravieri Vicente, das cotas de fundo de investimento exclusivo mantido com a Siemens no valor de R$ 1 milhão. "É de se ressaltar que as movimentações financeiras tidas como atípicas ocorreram logo após a demissão de Adilson da presidência do Grupo Siemens do Brasil, em virtude das supostas irregularidades", assinala o juiz.

Segundo o Coaf, ao ser advertido de que a transferência não poderia ser feita, Primo teria informado que faria o resgate dos investimentos e enviaria para a conta da mulher. No dia 17 de outubro, Primo zerou o fundo e transferiu o dinheiro.

Escudo

O juiz anotou: "Há indícios da prática de delitos afetos à competência desta vara (crimes financeiros e lavagem de dinheiro), tendo em vista a informação de que o representado teria supostamente movimentado conta no exterior, razão pela qual se mostram pertinentes os pleitos (da PF)."

"Patente a necessidade-utilidade e a pertinência da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Adilson Primo", destaca o juiz.

Müzel pondera que "direitos fundamentais não podem servir de escudo protetor para empreitadas criminosas e, existindo indícios concretos de ocorrência de atividades ilícitas, é razoável que se autorize o sacrifício do direito/garantia individual em prol do legítimo interesse da repressão estatal".

Sediada no Banco Itaú Europa Luxemburgo, no Grão Ducado de Luxemburgo, a conta tinha como titular a offshore Singel Canal Services CV, com 99,99% das suas cotas em mãos da fundação privada Suparolo Private Foundation - formada por Primo e três sócios.

Em agosto, Primo afirmou que a conta de Luxemburgo era uma "conta de compensação" criada e operacionalizada pelo diretor financeiro da Siemens Brasil com aval da matriz alemã, o que, segundo ele, era praxe na empresa em todo o mundo até 2007.

A Siemens diz que não pode comentar o assunto porque há um processo sobre o caso que corre sob segredo - Primo questiona na Justiça do Trabalho sua demissão por justa causa. Na ação, advogados da multi declaram que a conta não pertencia a ela e nem a nenhuma de suas afiliadas e indicam que o repasse de dinheiro para o paraíso fiscal não era autorizado.

Fausto Macedo e Fernando Gallo
No O Estado de S. Paulo
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Gobierno de España autoriza extradición de franquistas a Argentina

La medida alcanza a dos españoles a los que se acusa de secuestro y tortura en los años 70 bajo el régimen de Francisco Franco. Hasta ahora, la decisión del Ejecutivo es "de mero trámite" y no significa la entrega de los dos imputados.

Víctimas del franquismo se sienten satisfechas
por la detención de los expolícias.
El Gobierno de España autorizó continuar con el procedimiento de extradición a Argentina de dos españoles acusados de secuestro y tortura durante los últimos años del franquismo, en el marco de una causa que lleva adelante desde la nación española la jueza María Servini de Cubría.

La decisión había sido propuesta por el Ministro de Justicia, Alberto Ruiz Gallardón para tramitar el procedimiento de extradición contra Juan Antonio González Pacheco, alias “Billy el Niño” y el exguardia civil Jesús Muñecas Aguilar, dos exaltos cargos de las fuerzas de seguridad acusados por delitos de torturas durante el franquismo.

Medios locales informaron que la decisión del Ejecutivo es "de mero trámite" y no significa la entrega de los dos imputados. Por ello, la Audiencia Nacional deberá citar a los expolicías para saber si desean ser entregados a Argentina.

Entre los posibles resultados, se encuentran que de negarse la entrega, la solicitud será estudiada por la sala de lo Penal de la Audiencia en una vista de extradición. Pero, si la solicitud de entrega es denegada, la causa quedaría cerrada.

Vale recordar que, la extradición la pidió la jueza argentina María Servini a raíz de una querella contra ellos por homicidio agravado, privación ilegal de libertad, torturas y sustracción de menores - en alusión a la trama de los bebés robados- durante la época franquista.

El Ministerio de Justicia español precisó que la petición de extradición se dirige contra González Pacheco, Muñecas Aguilar y otras dos personas que aparecen en la querella: el exescolta del general Francisco Franco, Celso Galván Abascal, y el excomisario José Ignacio Giralte.

En 1977, en España se aprobó una ley de Amnistía que perdonó los crímenes ocurridos durante el franquismo, tras lo cual, víctimas y familiares de este período político acudieron ante la justicia de Argentina.

En la actualidad, diversos grupos de abogados desarrollan acciones para anular la ley, amparados en el derecho internacional.

Las víctimas del franquismo se acogen a la justicia universal, que permite juzgar crímenes contra la humanidad en cualquier país, independientemente de dónde se produjeran los hechos.

El franquismo es el término empleado para referirse a la ideología política y movimiento social de corte fascista que sirvió de apoyo y sustento al régimen dictatorial surgido en España durante la Guerra Civil entre 1936 y 1939, y que liderado por el general Francisco Franco, prevaleció hasta su muerte en 1975.

El pasado mes de septiembre, las asociaciones de víctimas presentes en la demanda argentina contra crímenes del franquismo se mostraron satisfechas con la resolución de la justicia de ese país de ordenar la detención de cuatro expolicías españoles. Calificaron la decisión como histórica y llamaron al Gobierno de España a cumplirla.

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Tucano faz com que o Paraná tenha pedágio mais caro do mundo

Beto Richa, que se desloca basicamente pelo ar, de helicóptero, autorizou novo reajuste nas tarifas de pedágio
do Paraná a partir deste domingo (1º); descida de Curitiba para a praia, cujo percurso é de apenas 100 km,
por exemplo, ida e volta, custará R$ 30,80 para carro de passeio — é o pedágio mais caro do mundo;
tucano tem agido como se fosse advogado das concessionárias em detrimento do interesse dos paranaenses;
entidades técnicas e do mundo produtivo, órgãos de controle, vinham defendendo redução nos preços,
bem como a CPI do Pedágio, que, como o aumento, foi transformada pelo governador em “CPI dos Patetas”.

O governador Beto Richa (PSDB) autorizou novo aumento nas tarifas do pedágio a partir deste domingo, 1º de dezembro, antecipando o presente de Natal às concessionárias das rodovias que cortam o Paraná. Quem paga a conta, como sempre, é o usuário das estradas privatizadas ainda no governo Jaime Lerner.

Uma “ingênua” descida de 100 km até às praias paranaenses pela a BR-277 custará R$ 15,40 para ir e R$ 15,40 para voltar de Curitiba, por exemplo. A ida e volta sairá por R$ 30,80, portanto, se configura o pedágio mais caro do mundo.

O governo do estado autorizou a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná (Agepar) e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgãos do governo do estado, que deveria zelar pelo usuário das rodovias, a concederem reajuste médio de 5,72% às concessionárias que exploram as 27 praças de pedágio.

Com o aumento de amanhã, Richa se mostrou “insensível” aos apelos dos deputados estaduais que compõem a CPI do Pedágio (clique aqui). Na prática, o tucano os fez de patetas. Poder-se-ia chamar aquela comissão, de agora em diante, de “CPI dos Patetas” (clique aqui).

O governador Beto Richa tem se revelado um bom advogado das concessionárias de pedágio. É bom recordar, inclusive, que ele levou pleitos das pedageiras até a presidenta Dilma que o fez “caminhar” ao dizer não à renovação de concessões (clique aqui). Na sequência, “inaugurou” mais praças de pedágios na PR-445 (entre Londrina e Mauá da Serra) e na PR-323 (entre Maringá e Guaíra). Além disso, o tucano retirou da Justiça ações “ganhas” contra as concessionárias (clique aqui).

Sobre aos serviços das concessionárias de pedágio no Paraná, várias entidades técnicas, dentre as quais o Crea, têm relatórios apontando que os usuários das rodovias privatizadas vêm sendo roubados há 15 anos com a anuência ou conluio do poder público (clique aqui para relembrar).

Órgãos de controle, como Tribunal de Contas da União (TCU) e Tribunal de Contas do Estado (TCE), vinham recomendando a redução das tarifas porque obras previstas em contratos não foram executadas. Ou seja, ter-se-ia argumentos de sobra até mesmo para que o estado encampasse as rodovias.

E agora, qual será a reação da CPI dos Patetas? Nunca é demais lembrar que essa comissão já havia afrouxado o sutiã quando se recusou a quebrar sigilos fiscais, bancários e telefônicos nas suas “investigações” (clique aqui). Também é salutar destacar que esse colegiado foi criado justamente no Dia Internacional da Pizza.

No Blog do Esmael
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É grave o estado de saúde do governador Marcelo Déda


Em São Paulo o hospital Sírio-Libanês informa que governador de Sergipe, Marcelo Déda, apresenta piora progressiva em seu quadro clínico e que seu estado de saúde é grave; pelo Facebook, o governador em exercício Jackson Barreto (PMDB) disse que está "muito apreensivo e angustiado com as informações do agravamento do estado de saúde do Governador, do amigo e do companheiro Marcelo Déda"; ele pediu orações aos sergipanos por Déda.
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O direito de não o ter

O maior avanço do Brasil no pós-ditadura é nos direitos humanos. Os neoneoliberais dirão que é nas privatizações, até porque direitos humanos só lhes ocorrem para falar de China e Cuba. Tão logo terminada a era das transgressões desumanas, os direitos humanos se puseram em marcha ininterrupta, acelerada pela Constituição. Mas tudo o que se caminhou nessa direção é ainda muito, muito pouco.

O reconhecimento do racismo, a maior repressão à violência contra as mulheres, a ajuda financeira contra a miséria alimentar, os programas habitacionais e de melhoria material estão sob ataque constante, mas são fatos. Visíveis em suas formas humanas. Nem por serem assim e projetarem benefícios também sobre as classes abastadas, sem as prejudicar em nada, foram capazes de disseminar nelas uma mentalidade menos apegada às raízes das desigualdades brasileiras.

A prisão dos três petistas na Papuda revelou aos não brasilienses o padecimento extra dos familiares de presos comuns. Mesmo que chova e faça frio, são obrigados a dormir na rua como puderem, para conseguir as senhas distribuídas ao número limitado de visitantes às quartas e quintas-feiras. Nenhuma autoridade, local ou federal, deu atenção a isso, nem antes nem depois desse tratamento tornar-se notícia, reiterada para acusar privilégios dos petistas. Aos brasilienses que veem as famílias noturnas, é como se não vissem.

São direitos humanos violentados, no entanto. Repito o que foi dito aqui: são pessoas não condenadas mas submetidas a um sofrimento adicional ao de terem um filho, o marido, o pai no presídio. A explicação: "há visitantes demais". É mentira. São dias de menos para visitas e horários de menos para fazê-las. Se há condições para visita na quarta, pode haver nos demais dias. É só um probleminha de direitos humanos, no entanto, sentido por uns poucos milhares de pessoas.

Entre alguns milhares e vários milhões, porém, não há diferença. As perdas causadas aos detentores de cadernetas de poupança por quatro planos econômicos vêm desde o governo Sarney, e o processo sobre sua devolução se arrasta ao ritmo próprio do que chamamos de nossa Justiça. Coisa de 150 economistas e ex-ministros, diz o noticiário, assinaram um manifesto ao Supremo Tribunal Federal advertindo para os terríveis efeitos que o sistema financeiro, leia-se os bancos, sofreriam com uma sentença favorável à restituição do usurpado aos poupadores - R$ 150 bilhões.

Se tal é o valor que não deve ser restituído, os próprios defensores do calote reconhecem que foram tomados da chamada poupança popular, as velhas e suadas "economias", R$ 150 bilhões que ficaram com os bancos.

O Idec, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, que tem cumprido sua utilidade com muita competência, informa que das 1.030 ações de restituição só 15 sobrevivem a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, há dois anos, sobre prazos para as reclamações. Com isso, uma sentença favorável à restituição só totalizaria R$ 8,650 bilhões.

Entre os autores, colaboradores e apoiadores daqueles planos desastrados e, de outra parte, o Idec, este me parece preferível por três razões: está sempre muito mais certo no que faz do que estão aqueles economistas no que se presumem capazes de fazer; há concordâncias importantes com o Idec na OAB; e o Idec não tem ações de bancos, logo, não está defendendo o seu cofre sob argumento aparentemente desinteressado.

A informação do Idec leva à conclusão de que os participantes do manifesto, ou cometem a leviandade de tomar uma posição pública sem saber o que de fato está em questão, ou têm as informações necessárias e valem-se de uma quantia impressionante para evitar que os bancos restituam à poupança popular um valor insignificante para o sistema bancário mais lucrativo do mundo.

Não se trata, porém, de uma questão meramente financeira. É de direitos sociais, de direitos econômicos pelo desrespeito à lei e ao contrato das cadernetas com os depositantes, e, portanto, de direitos humanos pelos males infligidos à vida de milhões de pessoas.

Na quarta-feira, o Supremo adiou o julgamento para 2014. Com pressa, como não se cansaram de reiterar os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, devia ser concluído só o processo do mensalão.

Janio de Freitas
No fAlha
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Da série: Como é que ficou?

 IstoÉ - 15 de novembro de 2006 

Feliz aniversário, Suzane!


Prisioneira ganha bolo de aniversário, está em busca das contas da família na Suíça e pode sair da cadeia em dois anos, com 10 milhões de euros

Naquela manhã ensolarada de sábado, 4 de novembro, era mais um dia de visita na Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto. Dezenas de pessoas se aglomeravam na entrada do presídio. Com um bolo de chocolate nas mãos, encimado pelo número 23 escrito em letras de glacê, o advogado Denivaldo Barni rompeu as grades de aço das celas da área de segurança e abriu um sorriso diante da prisioneira mais famosa do Brasil. Cumpria-se, naquele momento, o 105º dia da pena de 39 anos e seis meses de reclusão a que Suzane Louise von Richthofen – a aniversariante do dia – foi condenada pelo assassinato dos pais. As notícias, porém, eram boas: na matemática da Justiça, Suzane, com seus tenros 23 anos de idade, ganhará a liberdade em mais dois.

O largo sorriso de Suzane durante a pequena festa pode ter, ainda, outra razão de ser. Ela, que havia acabado de limpar o “seguro”, como sua cela é chamada pelas outras 347 detentas, pode se tornar uma milionária. Promotores públicos desconfiam que estão no nome dela duas bem fornidas contas num banco suíço. Uma denúncia anônima encaminhada aos Ministérios Públicos federal e estadual dá como certo que as contas 15.616 e 15.6161, abertas em 1988, no Discount Bank and Trust Company (DBTC), atual Union Bancaire Privée, pertencem a família Richthofen. Estima-se que essas contas abriguem pelo menos dez milhões de euros, dinheiro supostamente desviado das obras do Trecho Oeste do Rodoanel – uma estrada que circunda a cidade de São Paulo, orçada em R$ 339 milhões, mas que acabou consumindo mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos. A construção do trecho foi administrada pela autarquia Companhia de Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), empresa da qual o pai de Suzane, Manfred von Richthofen, era diretor quando foi assassinado. Os promotores desconfiam que essas contas estejam em nome de Suzane. Se essa impressão se confirmar, acreditam que a condenada tem boas chances, uma vez em liberdade, de manter seus direitos sobre elas – e a fortuna nelas guardada.

Além dos números das contas suíças, o documento encaminhado aos MPs detalha outras instituições financeiras com as quais Manfred operava. Segundo a denúncia, parte do dinheiro passava pela agência da avenida Paulista do Citibank, na conta 00031025587, e de lá migrava para fundos de investimentos da própria instituição. Outras duas contas correntes, ambas na Nossa Caixa, teriam recebido aportes consideráveis pouco antes da morte de Manfred. E mais: os promotores suspeitam que a viagem que o casal Richthofen fez à Suiça, um mês antes de morrer, foi exatamente para tratar das finanças aportadas no Exterior. Ainda segundo a denúncia, Manfred usou a documentação de sua filha para lavar esses milhões de reais. Ou seja, tecnicamente ela é dona do dinheiro.

Os promotores, é claro, estão prontos para inquirir Suzane sobre o assunto. Nos próximos dias, tanto ela como os irmãos Daniel e Christian Cravinhos, que executaram os crimes, serão chamados para contar o que sabem. Logo após os assassinatos, Daniel, então namorado de Suzane, chegou a falar no inquérito policial sobre essas possíveis contas de Manfred no Exterior. Ele acrescentou que Suzane fora levada pelo pai a assinar vários documentos bancários sem saber, precisamente, a finalidade.

Na bolsa de apostas internas na Dersa e nos corredores da Assembléia Legislativa de São Paulo, onde um pedido de CPI para investigar o caso foi abortado, os palpites para o suposto superfaturamento do Rodoanel chegam às cifras dos R$ 100 milhões. A obra, que a denúncia anônima aponta como sendo a torneira dos euros nas contas dos Richthofen, foi condenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que a julgou irregular. Os promotores já sabem que Manfred era reconhecido na Dersa como um expert em operações financeiras. A denúncia sobre a existência das contas no Exterior já fora feita anteriormente, três anos atrás. Na ocasião, os promotores estaduais arquivaram o processo que fora aberto. Desta vez, porém, eles acreditam que a história se tornou mais crível, devido às qualidades dos documentos apresentados. Extremamente meticuloso, num texto de seis páginas, o denunciante expõe quem é quem no suposto esquema mafioso traçado por Manfred. Apresentam-se endereços e CPFs e, nas duas últimas páginas da carta, uma detalhada relação das propriedades da família Richthofen, as contas bancárias no Brasil e no Exterior, além dos comprovantes de empresas de Manfred que ainda estão na ativa. “Aparecem na nova denúncia vários nomes, números de contas e até empresas de Manfred com dados de seus sócios que nós não conhecíamos”, disse a IstoÉ um representante do MP. As possíveis testemunhas já começaram a ser ouvidas. Uma semana antes de comemorar o aniversário de Suzane, o advogado teve de comparecer diante do promotor da cidadania Eduardo Rheingantz para falar sobre o assunto. Barni, além de ser ex-tutor de Suzane, é procurador da Dersa. “Seu depoimento foi muito bom”, limita-se a dizer o promotor Rheingantz. O processo corre em segredo de Justiça.

Rica, poliglota – fala inglês, francês e alemão com fluência – e vaidosa, Suzane foi criada numa mansão em uma área nobre da cidade de São Paulo. Hoje, na Penitenciária de Ribeirão Preto, ela vive em silêncio boa parte do dia. Em muitos momentos, dedica-se a uma compulsiva leitura da Bíblia e mantém contato com o mundo externo através de um pequeno aparelho televisor. Sua cela é dividida com outras duas detentas, acusadas de ser advogadas da organização criminosa PCC. Mesmo responsabilizada pela morte do pai e da mãe, Suzane trava uma briga judicial com o irmão Andreas pelos R$ 2 milhões de patrimônio oficial deixado por Manfred. Andreas já recebeu R$ 300 mil pelo seguro de vida do pai – e também a parte desse dinheiro Suzane considera ter direito. O rapaz tenta se recuperar da perda debruçando-se sobre os livros, dizem os amigos. Andreas, 19 anos, é estudante de farmácia na USP. Ele carrega uma dúvida, que tem a ver com o homem que levou o bolo de chocolate para sua irmã. “Se esse Barni era realmente amigo de meu pai, como eu nunca ouvira falar dele antes do crime?”, costuma perguntar a seus colegas. O irmão define a relação de Suzane com o ex-tutor como “estranha”.
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