29 de nov de 2013

Petrobras: Comunicado sobre política de preços


Informe sobre a política de preços de diesel e gasolina:

“A Petrobras informa sobre a implementação de sua política de preços de diesel e gasolina, após apreciação pelo Conselho de Administração, a ser aplicada a partir de 29 de novembro de 2013.

A referida política de preços visa atender aos seguintes princípios e objetivos:

a) Assegurar que os indicadores de endividamento e alavancagem retornem aos limites estabelecidos no Plano de Negócios e Gestão 2013-2017 em até 24 meses, considerando o crescimento da produção de petróleo e a aplicação desta política de preços de diesel e gasolina;

b) Alcançar, em prazo compatível, a convergência dos preços no Brasil com as referências internacionais;

c) Não repassar a volatilidade dos preços internacionais ao consumidor doméstico.

Já atendendo aos princípios desta política de preços, a Petrobras informa os seguintes reajustes nos preços de venda nas refinarias, a vigorar a partir da 0:00h do dia 30 de novembro de 2013:

Produto                  Reajuste (*)
Gasolina A:                 4%

Diesel:                       8%

(*) média Brasil

Os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado, não incluem os tributos federais CIDE e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS.

Seguindo recomendação de seu Conselho de Administração, por razões comerciais, os parâmetros da metodologia de precificação serão estritamente internos à Companhia.

Caberá ao Conselho de Administração avaliar a eficácia da política de preços da Petrobras por meio da evolução dos indicadores de endividamento e alavancagem da Companhia.”

No Fatos e Dados
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PSDB faz até “showzinho” para abafar propinoduto tucano

José Anibal, Carlos Sampaio, Aécio Neves e Aloysio Nunes.
Foto: George Gianni/site do PSDB

O PSDB, encabeçado pelo senador Aécio Neves (MG), mostra mais uma vez que está sem rumo e  que gosta de se fazer de vítima quando é denunciado por envolvimento em esquemas de corrupção.  Os tucanos gostam de um showzinho para desviar o assunto, mas não conseguem explicar a enxurrada de denúncias que vêm da Justiça da Suiça e que se confirmam em documentos de ex-executivos das multinacionais Alston e Siemens sobre um megaescândalo de corrupção em São Paulo, envolvendo direcionamento nas licitações para aquisição e reformas de trens, construção e extensão de linhas metroferroviárias no estado. Como sempre, tentam abafar o caso com a ajuda da mídia amiga.

É quase surreal, flagrados, com provas documentais de que há algo muito sério no mundo tucano paulista, agora querem culpar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, por ter encaminhado documentos à Polícia Federal para que haja apuração do caso, conforme determina a lei. Tucanos de todas as plumagens estrilam, tentam confundir e não explicam nada à sociedade brasileira, pois há vinte anos, por manobras, abafam CPIs, na Assembleia Legislativa de São Paulo, que poderiam desvendar redes criminosas que operam nos subterrâneos do governo paulista.

A prova maior de como procede o PSDB está no fato de  nenhum deputado estadual desse partido ter assinado o pedido de CPI do Cartel da Corrupção no Metrô. A função do Legislativo é fiscalizar o Executivo. Mas, na Assembleia Legislativa de São Paulo, quem  fala mais alto é o rolo compressor dos  governos do PSDB. Essa intolerância à apuração da verdade caracteriza o modus operandi do tucanato, bem diferente da maneira petista de se relacionar com o patrimônio e o interesse  públicos.

O PSDB  gosta de CPIs… em Brasília

 Os governos dos tucanos Geraldo  Alckmin e José Serra,  em São Paulo, são marcados  pela política do “abafa” a exemplo do que ocorreu nos dois mandatos de FHC, que não enfrentou nenhuma CPI, ao contrário do presidente  Lula, que enfrentou várias em  seus oito anos de  mandato , sendo que três delas foram simultâneas, o que rendeu uma saraivada de acusações contra seu governo e também contra o Partido dos Trabalhadores.

O caso atual, dos tucanos atacando o ministro da Justiça, merece reflexões, pois mostra as diferenças nítidas entre o PT e o PSDB no cuidado com o patrimônio público e no tratamento de denúncias relativas a corrupção. Esse  escandaloso desvio de recursos públicos do metrô de São Paulo faz ressuscitar um personagem de triste memória de nossa história recente: o  procurador-geral da República do governo FHC, Geraldo Brindeiro,  fartamente criticado por sua falta de apetite de colocar corruptos e corruptores na cadeia, durante o período  em que permaneceu à frente daquele órgão, nos anos de 1995 a 2002.

Vamos aos números: de 626 inquéritos criminais que recebeu, Brindeiro engavetou 242 e arquivou outros 217. Somente 60 denúncias foram aceitas. As acusações recaíam sobre 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e quatro sobre o próprio presidente FHC. Por conta disso, Brindeiro recebeu o certeiro apelido de “engavetador-geral da República”. Entre as denúncias que engavetou está a de compra de votos para aprovação da emenda constitucional que aprovou a reeleição para presidente, beneficiando o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Só o comportamento do procurador-geral da República na era tucana serve para ilustrar a  diferença abissal que separa o governo FHC e o modo petista de conduzir os assuntos da Nação brasileira.  Esse contraste é acentuado na forma de se acolher e apurar denúncias contra o Erário e a República. Enquanto o procurador-geral Brindeiro agia de forma facciosa, os governos dos presidentes Lula e Dilma agem de forma republicana, em obediência estrita aos mandamentos de nossa Constituição Cidadã.

Interferência

Não se tem notícias de qualquer interferência governamental, de 2003 para cá, em qualquer investigação ou acolhimento de denúncia em órgão direta ou indiretamente ligado ao presidente ou a seus ministros. O exemplo mais patente é o da Ação Penal 470, que julgou e condenou injustamente diversos companheiros do Partido dos Trabalhadores.

Discordamos frontalmente dos métodos empregados e do conteúdo dessas sentenças, mas até os mais ferrenhos adversários reconhecem que não houve nenhum traço de interferência oficial para o livre desenrolar dessas ações. Não há registro de nenhuma conversa reservada de integrante do alto escalão petista com membros de outros poderes para mitigar, ou mesmo frear, o curso das investigações e o andamento processual da AP 470.

Esse é, em síntese, o modo petista de se portar à frente dos governos. Qualquer que seja sua esfera: municipal, estadual ou federal. Não à toa, os governos petistas, em números absolutos e relativos, são os que mais observam a Lei de Responsabilidade Fiscal e os que menos têm administradores investigados e condenados por atos contra a Administração Pública.

Agora, diante da tentativa do PSDB de tentar desviar o foco da denúncias  sobre o propinoduto em São Paulo, que prosperou durante os quase vinte anos de governos do PSDB naquele estado, o próprio Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reafirmou a continuidade dessa linha de atuação. Disse ele que a “época do engavetador-geral da República já acabou, e que não tem nada de disputa política a investigação da Polícia Federal envolvendo as graves denúncias sobre um grande esquema de propina na compra de equipamentos para o metrô de São Paulo”.

E acrescentou ainda o ministro da Justiça: “É meu dever ético e jurídico encaminhar à Polícia Federal e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) qualquer denúncia que chegue até mim, não importa contra quem quer que seja, o ministro tem que pedir investigação. Senão é prevaricação”.

O ministro Cardozo é movido pelo senso de justiça que sempre o caracterizou. No caso de São Paulo, três pontos são inquestionáveis. Senão, vejamos: O primeiro é que a multinacional Siemens confessou ter atuado em um cartel entre 1998 e 2008 com o objetivo de partilhar obras e elevar o preço das concorrências em São Paulo. Gigantes como a Alstom, a Bombardier, a CAF e a Mitsui teriam integrado o esquema; o segundo é a condenação, na Suíça, de um ex-diretor da CPTM acusado de lavar dinheiro de corrupção; por fim, uma conta atribuída a Robson Marinho, que foi chefe da Casa Civil de Covas, foi bloqueada no mesmo país por suspeita de ter recebido propina.

As investigações do caso Alstom e Siemens  começaram em 2004 na Suíça. Com o acúmulo de provas, a partir de 2008, a Liderança do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo  entrou com mais de 15 representações nos ministérios públicos estadual e federal, que denunciavam direcionamento nas licitações para aquisição e reformas de trens, construção e extensão de linhas metroferroviárias no estado de São Paulo. Denunciou prática de corrupção, formação de cartel, lavagem de dinheiro,  pagamento de propinas a autoridades públicas e prorrogações ilegais de contratos. O Ministério Público alemão condenou a Siemens e apontou pagamento de  propinas de R$ 24,4 milhões para funcionários de alto escalão do governo do PSDB.

É falacioso dizer, como fez o senador Aécio Neves (PSDB-MG) , que tudo não passa de uma reedição do episódio dos “aloprados”, quando petistas foram presos com dinheiro que seria supostamente usado para comprar um dossiê contra Serra.

A atuação das bancadas estadual e federal se pauta dentro das prerrogativas do trabalho parlamentar, entre as quais se inclui a função de fiscalizar as ações do Executivo, diferente de como age o governador tucano Geraldo Alckmin que, ciente das denúncias que apresentam fatos relevantes e robustos sobre a existência de cartel, desconsiderou o Ministério Público e criou uma Comissão de Notáveis que, até o momento, não apresentou nenhum resultado.

Foi ótimo os deputados do PSDB se pronunciarem sobre as tentativas do PT de politizar as denúncias do propinoduto do metrô de São Paulo. Os fatos, por si sós, estão agora desmentindo mais claramente todos os discursos que os tucanos vêm fazendo aqui e em São Paulo. Os órgãos de investigação de São Paulo e os de nível federal já têm provas suficientes para fazer o elo entre as empresas corruptoras e os altos escalões do tucanato.

As justiças da Suiça e da Alemanha vão na mesma linha. As falas dos tucanos só podem ser justificadas por uma questão de desespero, pois eles sabem que é questão de tempo o esclarecimento das perigosas e danosas relações do PSDB paulista com o refinado esquema de corrupção que está vindo à tona.

Amauri Teixeira, Deputado federal (PT-BA), vice-líder do partido na Câmara Federal.
No Viomundo
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Por que Aécio Neves está censurando seus perfis fakes nas redes sociais

Essa página ainda está no ar

Aécio Neves entrou na Justiça contra perfis nas redes sociais que, em tese, o ridicularizam. Seus advogados querem identificar os usuários que estão criando as páginas. Uma das baixas foi o “Aécio Boladasso”, sátira a favor inspirada na Dilma Bolada, que é uma sátira a favor da presidente. “Aécio Boladão” e “Aécio Bolagato” continuavam na ativa.

A ação afirma que “todos os perfis e páginas foram criados recentemente, em datas muito próximas, e possuem conteúdo muito similar, o que denota a criação seriada de perfis ilícitos, os quais, inclusive, foram altamente difundidos nas mídias digitais”.

Nem Twitter nem Facebook teriam fornecido, por enquanto, informações sobre os criadores das contas. Segundo a assessoria do pessedebista, a iniciativa foi inspirada na das ministras Gleisi Hoffmann e Maria do Rosário. O senador é “pessoa pública e respeita os perfis de humor ou que trazem críticas a suas atividades ou posições políticas, mas vem sendo vítima de campanha de calúnia na internet por parte de pessoas que violam a legislação do País e as regras de funcionamento das redes sociais, com a utilização de técnicas proibidas e conteúdos considerados ilegais”.

Por que ele está partindo para cima dos perfis fake?

Porque é assim que ele opera. Em setembro, Aécio incorporou à minirreforma eleitoral a penalização de quem postar conteúdos agressivos ou ofensivos. Na sua proposta, o autor responderá criminalmente e a Justiça Eleitoral será acionada para retirá-la da Internet.

De acordo com um especialista em informações ouvido pelo DCM, é intimidação pura e simples. “A ideia é criar uma prática incriminadora da opinião do cidadão comum, considerado adversário”, diz. “Foi o que aconteceu, por exemplo, em Goiás, onde o governador Marconi Perillo processou jornalistas e blogueiros de oposição. Um deles foi condenado a pagar 200 mil reais por causa de uma frase que era, na verdade, de um agente da Polícia Federal”.

Ele prossegue: “Interpelam-se os gestores das redes sociais, alegando-se supostos ‘crimes de opinião’. Com a confirmação do IP dado pela empresa, começa o inferno da pessoa. Processos, ameaças… Ninguém está livre disso. Basta que um juiz considere a frase ou piada caluniosa”. Haveria, também, um esquema de espionagem ativo. “A espionagem acabou se tornando comum para achacar e intimidar”, disse o especialista.

Em Minas, o Novojornal teria sido submetido a escutas telefônicas. Segundo o diretor Marco Aurélio Carone, foi por causa da “linha editorial independente, não se sujeitando a determinações da censora oficial Andréa Neves”. (Andréa é irmã de Aécio, eminência parda, seu braço direito e esquerdo).  O registro “.com.br” foi cassado em 2008, medida que só foi revogada quatro anos e meio depois. Andrea Neves, conta Carone, ligou para anunciantes, avisando que “eles estariam patrocinando um jornal contra o Governo de Minas”.

No caso das redes, vai ser difícil sua turma controlar um ambiente tão caótico e criativo. “Aécio Boladão” já transformou, por exemplo, em “Aécio Bolado”. “Chegay Tucanada, acharam que tinham me matado né?? Nãaaaaaaaaaaao, os petralhas não me acharam”, escreveu ele no Twitter. “Se dirigir não beba, se for beber me chama”. A zoeira, ela não tem limites.

Aécio Boladão
Aécio Boladão

Kiko Nogueira
No DCM
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Charge online - Bessinha - # 2005

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A opinião pública como gado


O documentado condomínio entre o PSDB, cartéis e a prática sistêmica de sobrepreço nas licitações do metrô paulista era do conhecimento da mídia desde 2009.

A régua seletiva da emissão conservadora vive mais uma quadra de exibição pedagógica.

Vísceras, troncos e membros do grupo proprietário do Hotel Saint Peter, em Brasília, no qual trabalhará o ex-ministro José Dirceu, por apreciáveis R$ 20 mil, diga-se  – se fossem R$ 5 mil ou R$ 10 mil as suspeitas seriam menores? – estão sendo trazidos a público em cortes sugestivos.

Chegam desossados e moídos.

Salgados e pré-cozidos, basta engolir, sendo facilmente digeríveis em sua linearidade.

Sem guarnição, recomenda o chef.

Assim costuma ser, em geral, com as informações que formam o cardápio de fatos ou acusações relacionados ao PT.

Uma farofa seca de areia com arame farpado.

E assim será com o exercício do regime semiaberto facultado ao ex-ministro.

A lente da suspeição equivale desde já a um segundo julgamento.

Com as mesmas características do primeiro.

Recorde-se o jornalismo associado ao crime organizado que não hesitou em invadir o quarto de hotel do ex-ministro, em Brasília, para instalar aparelhos de escuta, espionar gente e conversas no afã de adicionar chibatadas ao pelourinho da AP 470.

O cenário esquadrejado em menos de uma semana – o emprego foi contratado na última 6ª feira — diz que não será diferente agora.

O dono do hotel é filiado a partido da base do governo (PTN), revela a Folha. Tem negócios na área da comunicação. Uma de suas emissoras, a Top TV, com sede em Francisco Morato (SP), conquistou recentemente o direito de transferir a antena para a Avenida Paulista.

Suspeita.

A Anatel informa que não, a licença foi antecedida de audiência pública. Sim, mas a Folha desta 5ª feira argui tecnicalidades, cogita riscos de interferência em outros canais etc.

Não só.

Dono também de rádios, o empregador de Dirceu operou irregularmente uma antena instalada em terraço do Saint Peter, diz o jornal ainda sem mencionar o andar.

Deve ser o 13º.

A mesma Folha investiga ainda encontros do empresário – membro de partido da base aliada – com o ministro Paulo Bernardo. Da Comunicação. A esposa do ministro é pré-candidata ao governo do Paraná.

Vai por aí a coisa.

Alguém com o domínio de suas faculdades mentais imaginaria que o ex-ministro José Dirceu, um talismã eleitoral lixiviado há mais de cinco anos no cinzel conservador, obteria um emprego em qualquer latitude do planeta sem a ajuda de aliados ou amigos?

O ponto a reter é outro.

Avulta dessa blitzkrieg uma desconcertante contrapartida de omissão: quando se trata de cercar pratos compostos de personagens e enredos até mais explosivos, extração diversa, impera a inapetência investigativa.

O braço financeiro da confiança de José Serra, Mauro Ricardo, seria um desses casos de inconcebível omissão se as suas credenciais circulassem na órbita do PT?

A isso se denomina jornalismo de rabo preso com o leitor?

Tido como personalidade arestosa, algo soberba, Mauro Ricardo reúne predicados e rastros que o credenciariam a ser um ‘prato cheio’ do jornalismo investigativo.

O economista acompanha Serra desde quando o tucano foi ministro do Planejamento (1995/96); seguiu-o na pasta da Saúde (1998/2002), sendo seu homem na Funasa, de cujos funcionários demitidos Serra ganharia então o sonoro apelido de ‘Presidengue’, na desastrosa derrota presidencial de 2002.

Nem por isso Mauro Ricardo perdeu a confiança do chefe, sendo requisitado por Serra quando este assumiu a prefeitura de São Paulo, em 2004/2006, ademais de acompanhá-lo, a seguir, no governo do Estado.

Quando o tucano foi derrotado pela 2ª vez nas eleições presidenciais de 2010, Mauro Ricardo voltou ao controle do caixa da prefeitura, sob a gestão Kassab.

Esse, o trajeto da caneta que mandou arquivar as investigações contra aquilo que se revelaria depois a maior lambança da história da administração pública brasileira: o desvio de R$ 500 milhões do ISS de São Paulo, drenados ao longo do ciclo Serra/Kassab por uma máfia de fiscais sob a jurisdição de Mauro Ricardo.

O que mais se sabe sobre esse centurião?

Muito pouco.

Seus vínculos, eventuais negócios ou sócios, círculos de relacionamento e histórias da parceria carnal com o candidato de estimação da mídia conservadora nunca mobilizaram esforço investigativo equivalente ao requisitado na descoberta de uma antena irregular num terraço do Hotel Saint Peter, em Brasília.

Evidencia-se a régua seletiva.

Que faculta ao tucano Aécio – e assemelhados – exercitar xiliques de indignação ante as evidências de uma fusão estrutural entre o tucanato de SP, cartéis multinacionais e a prática sistêmica de sobrepreço nas compras do metrô paulista - desde o governo Covas.

Dados minuciosos do longevo, profícuo matrimônio, são conhecidos e circulam nos bastidores da mídia, de forma documentada, desde 2009.

Quem confessa é o jornal Folha de SP desta 5ª feira.

Repita-se, o repórter Mario Cesar Carvalho admite, na página 11, da edição de 28/11/2003 do jornal, que se sabia desde 2009 da denúncia liberada agora pelo ‘Estadão’ – cujo limbo financeiro pode explicar a tentativa de expandir o universo leitor com algum farelo de isenção.

Por que em 2009 esse paiol não mereceu um empenho investigativo ao menos equivalente ao que se destina aos futuros empregadores de José Dirceu?

O calendário político da Folha responde.

Em 2010 havia eleições presidenciais; o jornal preferiu investir na ficha falsa da Dilma a seguir os trilhos do caixa 2 tucano em SP.

No seu conjunto, a mídia tocava o concerto do ‘mensalão petista’. Dissonâncias não eram, nem são bem-vindas.

Transita-se, portanto, em algo além do simples desequilíbrio editorial.

Temas ou versões conflitantes com a demonização petista mereceram, ao longo de todos esses anos, o destino que lhes reserva a prática dos elegantes manuais de redação: ouvir o outro lado, sem nunca permitir que erga a cabeça acima da linha da irrelevância.

Assim foi, assim é.

Só agora – picados e salgados os alvos em praça pública – o pressuroso STF lembrou-se de acionar o Banco do Brasil para cobrar o suposto assalto aos ‘cofres públicos’ da AP 470.

Pedra angular das toneladas de saliva com as quais se untou os autos do maior julgamento-palanque da história brasileira, só agora, encerrado o banquete, cogita-se do prato principal de R$ 70 milhões esquecido na cozinha?

O esquecimento serviu a uma lógica.

Até segunda ordem, perícia rigorosa providenciada pelo BB ofereceu uma radiografia minuciosa de recibos e provas materiais dando conta do uso efetivo do dinheiro nas finalidades de patrocínio e publicidade contratadas.

O documento capaz de trincar a abóboda da grande narrativa conservadora, nunca mereceu espaço à altura de seus decibéis no libreto dominante.

Ao mesmo tempo, o que a Folha admite agora, como se isso mitigasse o escândalo do metrô (‘Papéis que acusam o PSDB circulam há mais de quatro anos’) corrobora a percepção de que estamos diante de uma linha de coerência superlativa.

Ela traz a marca de ferro do que de pior pode ostentar quem se evoca a prerrogativa da informação isenta.

‘Cumplicidade’ diz o baixo relevo inscrito nas páginas e na pele daqueles que ironicamente, destinaram à opinião pública, durante todos estes anos, o livre discernimento que se dispensa ao gado na seringa do abate.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Senador tucano adota postura anti-Brasil e se recusa a apoiar combate à espionagem


Um curioso episódio de miopia política foi escrito na manhã desta quinta-feira (28) na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal (CRE). Como protagonista, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) teve um acesso do complexo de vira-lata, após o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) apresentar um voto de louvor aos governos do Brasil e da Alemanha pela aprovação, em comitê da Organização das Nações Unidas (ONU), do projeto de resolução "O direito à privacidade na era digital", que põe fim da vigilância eletrônica excessiva.

Suplicy obervou que se trata de uma “grande vitória da diplomacia” o fato da proposta brasileira se acatada por consenso. Ele destacou que a resolução conclama os países a respeitar e proteger o direito à privacidade, no contexto da comunicação digital, e a tomar medidas para por fim às violações desse direito, inclusive assegurando que a legislação nacional pertinente seja condizente com as obrigações assumidas pelos Estados, no âmbito do direito internacional relativo aos direitos humanos.

“É um recado direto aos EUA, cuja legislação interna permite a violação sistemática do direito à privacidade, principalmente quando se trata de empresas, governos e cidadãos estrangeiros”, justificou o Eduardo Suplicy, o requerimento de voto de louvor – mecanismo previsto no Regimento Interno do Senado, em seu artigo 222, como forma de enaltecer um acontecimento nacional ou internacional de relevância.

Tomado apenas por um sentimento oposicionista, o senador Aloysio (300 mil) adotou um discurso anti-Brasil e optou por defender a postura dos Estados Unidos a reconhecer a contribuição histórica que a nação brasileira está dando para a preservação de direitos humanos na internet. “Não concordo. Vou votar contra. Não cabe ao Senado brasileiro, a pretexto de louvar iniciativa da política externa brasileira, desferir ataque à legislação americana, como se pudéssemos dar lições aos Estados Unidos”, afirmou.

A reação do tucano demonstra uma profunda confusão entre o que é Brasil e governo petista (ou governo Dilma). Na ONU, não existe um projeto da presidenta Dilma Rousseff e da chanceler Angela Merkel, mas uma resolução brasileira e alemã. Portanto, a vitória é dos Estados-Nações Brasil e Alemanha, e não de Dilma e Merkel.

Votação

A confusão de Aloysio quase impediu a aprovação do voto de louvor. Além dele, o colega de partido, Flexa Ribeiro (PA), votou contra o requerimento; empatando a votação, já que apenas os senadores Eduardo Suplicy e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) se manifestaram favoráveis. O voto de minerva teve que partir do presidente da CRE, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), porque Eunício Oliveira (PMDB-CE) preferiu se abster.

O que se assistiu na última sessão da CRE demonstra o quanto a oposição ainda permanece contaminada pelo sentimento de subserviência que prevaleceu sobre os brasileiros durante tantos anos, felizmente, encerrado no governo Lula. O Brasil deixou de ser mais um figurante para transformar-se, pouco a pouco, em um protagonista altivo no cenário internacional.

Confira aqui o requerimento do voto de aplauso do senador Eduardo Suplicy.

Catharine Rocha
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Esconde esconde

A acusação do senador Aécio Neves e de outras eminências do PSDB ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de envolvê-los em ilicitudes para desviar as atenções postas nos petistas presos, não resiste a um simples olhar aos jornais ou telejornais. Até um exame médico de José Genoino continuou mais importante do que a distensão EUA/Irã, do que um pronunciamento conservador do papa aparentemente inovador, do que manifestações de entidades de magistrados e da OAB contra o presidente do STF - e, claro, do que o tal envolvimento de peessedebistas.

Mas uma parte e outra tornam necessárias mais duas linhas investigatórias nessa história de corrupção nas licitações de metrô e trens em São Paulo. "Mais duas" não é bem o caso, porque até agora sabe-se de investigações que o Ministério Público Federal em SP deixou de fazer, mas nada se sabe com certeza de investigação em processamento. A propósito, as condutas que, por vários anos, evitaram investigações aqui e até uma singela colaboração do MP com a investigação suíça deveriam ser objeto de inquéritos rigorosíssimos. Tanto no próprio Ministério Público Federal no Estado, apesar de pouco promissor contra a força do corporativismo, quanto no plano federal, pelo dano a relações internacionais do país.

Aécio Neves começou por acusar de manobra a entrega à Polícia Federal, pelo ministro, de uma carta em que é feito o envolvimento de políticos do PSDB com a corrupção. Mas o que Cardozo deveria fazer senão entregá-la à PF? Ao que parece, o que se deseja é exatamente que toda suspeita de corrupção, como faz a carta, seja encaminhada à PF e suas congêneres. O original da carta, porém, segundo as eminências do PSDB, não incluiria citação alguma ao seu partido, só existente na versão divulgada. Ao que Cardozo responde com a informação de que a carta exibida pelo PSDB, sem as incriminações, tem menos folhas, ou menos texto, do que o original por ele recebido e encaminhado à PF.

Nesta altura, os dois lados nos lançaram no terreno do inacreditável. Aécio Neves, José Eduardo Cardozo e José Aníbal são igualmente inimagináveis como autores ou como coniventes em acréscimos ou supressões documentais para incriminar adversários políticos. Há algo estranho e encoberto no confronto de leviandades mutuamente atribuídas.

Estar encoberto é o traço característico da sequência que começa em dinheirama correndo debaixo de mesas governamentais, segue em contratos que escondem os valores corretos e mergulha no arquivo do Ministério Público Federal em São Paulo, onde uma correspondência de investigação se esconde e esconde a própria investigação - esta, feita na Suíça porque o Brasil não a faz. É necessário e urgente interromper a característica do caso, para esclarecer os sigilos da carta. Um dos lados vai sair mal do esclarecimento. Mas isso, provavelmente, começará a esclarecer o mais importante. Talvez, o mais escondido na história toda. 

Janio de Freitas
No fAlha
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Jango, JFK e Globo

Dois acontecimentos de densidade histórica, como a exumação dos restos de Jango e sua recepção em Brasília foram relegados à parte inferior de O Globo.

São Borja e Brasília - Para ler o jornal O Globo em São Borja “geralmente temos que esperar até o meio-dia quando ele vem pelos ônibus que chegam de Porto Alegre”, diz um taxista que me leva até o centro da cidade, na praça 15 de Novembro, em frente à Igreja Matriz, onde o presidente João Goulart foi velado com o caixão aberto em dezembro de 1976. Naquela noite os saoborjenses desafiaram a ditadura lotando a igreja para dar um adeus (não sabiam que era só o primeiro) ao seu líder, apesar de as autoridades do III Exército terem ordenado que ele fosse enterrado imediatamente após chegar da Argentina, onde faleceu no dia 6 de dezembro de causas até hoje não esclarecidas.

“Eu me lembro do velório de Jango, quando o povo quis ir se despedir do presidente. Ele era muito querido aqui, havia uma multidão de gente na Igreja”, recorda outro taxista, coincidentemente apelidado de Jango, que veste uma camiseta colorada do Internacional enquanto me conduz até o Cemitério Jardim da Paz onde os restos do ex-mandatário foram exumados na madrugada de 14 de novembro para, horas mais tarde, serem recebidos pela presidenta Dilma em Brasília com honras de Estado.

Na cidade de São Borja a memória da ditadura continua tão viva que impregna a vida cotidiana: as suspeitas sobre o envenenamento de Jango são compartilhadas pelo ancião com bombachas e chapéu de gaúcho parado em frente ao cemitério e pelos estudantes de Ciências Políticas da Universidade Federal participantes da audiência pública onde se exigiu do governo federal que seus restos sejam devolvidos logo depois dos estudos que se realizam em Brasília.

O país visto desde São Borja, onde Goulart é uma espécie de Camelot mitológico, é diferente do narrado no jornal O Globo e outros veículos de propriedade dos herdeiros de Roberto Marinho.

A exumação do presidente morto no exílio quando estava na mira do Plano Condor, responsável pelos assassinatos (alguns por envenenamento) de vários líderes da região, possivelmente seja o acontecimento mais consistente ocorrido no Brasil no caminha na direção do resgate da memória e da verdade sobre o que ocorreu sob a ditadura, a menos investigada da América Latina.

Fatos similares, como a exumação sob a supervisão de especialistas internacionais (como ocorreu com Goulart) do ex-presidente Salvador Allende e, posteriormente, do prêmio Nobel Pablo Neruda, no Chile, absorveram a atenção pública e o interesse da imprensa por semanas. Aqui não foi assim.

Dois acontecimentos de densidade histórica, como a exumação dos restos de Jango e sua recepção em Brasília por Dilma, Lula e outros ex-presidentes, foram relegados à terça parte inferior da capa do jornal O Globo, no dia 15 de novembro. A parte superior foi dedicada à notícia da possibilidade de que o ministro Joaquim Barbosa ordenasse a detenção dos condenados pelo mensalão. A Folha de S.Paulo adotou uma perspectiva similar. Para a empresa de Frias Filho, o fato de maior destaque foi o engarrafamento de 309 quilômetros ocorrido em São Paulo, publicado como manchete com uma generosa foto, muito acima do retorno de Goulart a Brasília, 37 anos depois de sua morte e 49 do golpe de Estado que o destituiu para estabelecer uma “ditabranda”.

Nada se fará até 2029

Os crimes de Estado, de Júlio César até John Fitzgerald Kennedy, foram perpetrados por uma teia de interesses nunca revelados por completo, disse o procurador norte-americano Jim Garrison em sua intervenção perante uma corte de Nova Orleans em 1969, quando apresentou vasta informação sobre a participação de agentes da CIA combinados com mafiosos anticastristas no assassinato do presidente dos EUA, no dia 22 de novembro de 1969. A grande imprensa, denunciou o solitário Garrison, foi cúmplice do encobrimento excitando o público com mentiras sonoras, campanhas patrióticas e outras artimanhas de desinformação, para desviar a atenção da verdadeira trama escondida debaixo dos disparos que destroçaram o crânio do presidente a bordo do Lincoln preto na sulista e racista Dallas.

A autópsia de Kennedy foi manipulada por peritos militares, testemunhas incômodas e cúmplices suspeitos da conspiração morreram em circunstâncias estranhas. Uma comissão tutelada pela Casa Branca concluiu que o magnicídio havia sido urdido e executado por um mitômano Lee Oswald, caracterizado como um sujeito antissocial e pervertido pelo ideário comunista da União Soviética. Uma tese tão discutível como a que assegura que foram naturais as causas da morte de João Goulart e ridiculariza a suspeita de um plano para envenená-lo, como denunciou o ex-agente dos serviços uruguaios Mario Neira Barreiro, preso na penitenciária de Charqueadas, no Rio Grande do Sul.

Questiona-se, e é correto fazê-lo, a credibilidade de alguém como Neira Barreiro que foi parte da organização terrorista Condor e confessa ter participado na morte de Goulart e no plano para eliminá-lo.

Os anais dos crimes políticos estão repletos de personagens como Neira Barreiro, cujas confissões (se verdadeiras) são chave para descerrar o véu da mentira. Um exemplo é o colaborador da CIA, David Ferrer, membro da organização que teria matado Kennedy, que, ao ver-se cercado por seus companheiros, aceitou colaborar com o promotor Garrison. Antes de depor perante o júri, o anticastrista e anti-Kennedy Ferrer apareceu morto em seu apartamento. Derrotado na corte e ridicularizado pela indústria midiática, Garrison se limitou a dizer que essa derrota jurídica era o primeiro passo para uma vitória política que chegaria em 2029, quando serão liberados os arquivos da Casa Branca.

O glamour do golpista

Em São Borja já se fala do segundo enterro de Jango previsto para 6 de dezembro (37 anos depois do primeiro) quando seus restos retornaram ao jazigo familiar do Cemitério Jardim da Paz depois de terem sido analisados no Instituto de Criminalística de Brasília e suas mostras enviadas a laboratórios estrangeiros onde se procurará, se ainda for possível, determinar a causa de sua morte.

Em uma audiência pública realizada no centro de tradições gaúchas, a ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e seu colega da Justiça, José Eduardo Cardozo, firmaram, ante a comunidade de São Borja, uma ata de compromisso que garante o retorno do corpo de Jango a sua terra. Surpreende o contraste entre a memória vida do povo de São Borja e a imprensa que ainda domina, com menos hegemonia que outrora, as estruturas de formação da opinião de massas.

Aguardei sem sucesso durante dois finais de semana a publicação de grandes suplementos históricos sobre a saga de Goulart, de volta à vida política 36 anos depois do enterro. Supus que seriam editados extensos cadernos com reportagens investigativas e ensaios sobre o líder democrático das reformas de base deposto, de modo similar ao que ocorreu na imprensa do Chile em setembro deste ano por ocasião dos 40 anos do golpe e da morte de Salvador Allende, ou na imprensa dos EUA, nos 50 anos do assassinato de Dallas.

Nada ou quase nada foi publicado nos grandes jornais do eixo Rio-São Paulo, no formato de caderno especial, sobre João Goulart reposto em sua condição de presidente em Brasília. Por outro lado foram editadas páginas especiais dedicadas a John Fitzgerald Kennedy.

O ápice do despropósito editorial, além de condenar Goulart à morte noticiosa, foi ter tratado o mandatário norte-americano como um personagem fascinante ou, para citar O Globo de 22 de novembro, “Presidente Celebridade”. Em rigor, para os brasileiros, Kennedy foi algo muito distinto ao galante democrata de acordo com o olhar do diário da família Marinho, provincianamente fascinado com o mito de Camelot.

Longe dessa leitura global, a realidade histórica brasileira, materializada no golpe de 1964, ensina que JFK, na verdade, foi um anticomunista primário, um conspirador que avaliou desde o Salão Oval da Casa Branca, durante um encontro com o embaixador Lincoln Gordon, a progressão da desestabilização contra Jango, como ficou refletido no notável documentário “O Dia que durou 21 anos”.

DarioPignotti
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
No Carta Maior
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Farinhaço na ALMG - Caso do helipóptero de cocaína dos Perrela

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Por que o papa Bento 16 renunciou?

Repórter da BBC investiga os motivos que levaram Joseph Ratzinger a abandonar o cargo
Em fevereiro deste ano, o agora papa emérito Bento 16 chocou o mundo quando se tornou o primeiro pontífice a renunciar em quase 600 anos. Mas a atenção rapidamente se voltou para a sua sucessão, e a consequente eleição do argentino Francisco.

Em meio ao episódio dramático, uma pergunta nunca foi totalmente respondida – por que Bento 16 renunciou?

Em sua declaração oficial de renúncia, o papa Benedito creditou sua saída à fragilidade de sua idade avançada e às exigências físicas e mentais do cargo, mas sempre houve a suspeita de que algo não havia sido contado. A minha apuração confirmou isso.

Fui visitar o cardeal nigeriano Francis Arinze em seu apartamento, com vista para a Praça de São Pedro, no Vaticano. Arinze é uma das figuras mais importantes da Igreja Católica atualmente e conhece o Vaticano como ninguém. Ele foi, inclusive, ainda que por pouco tempo, considerado um provável sucessor do papa Bento 16. Além disso, Arinze era um dos poucos cardeais a quem o alemão contou pessoalmente a notícia de iria renunciar.

Levantei o assunto dos escândalos que precederam o anúncio bombástico do papa e, em particular, o vazamento dos documentos papais, conhecido como Vatileaks, pelo ex-mordomo de Bento 16, Paolo Gabriele. Isso poderia ter contribuído para a renúncia do então pontífice? A resposta de Arinze foi inesperada.

"É legítimo especular e dizer "talvez", porque alguns de seus documentos foram furtados secretamente. Claro que poderia ser uma das razões (para a renúncia de Bento 16)", afirmou Arinze.

"Talvez ele tenha ficado tão triste ao tomar conhecimento de que seu próprio mordomo, em quem tinha confiança, vazou tantas cartas que um jornalista poderia escrever um livro. Não esperava que ele estivesse contente com isso".

No Vaticano, membros jovens e ambiciosos da Igreja são aconselhados a "ouvir muito, ver tudo e não dizer nada". O fato de que uma figura tão importante dentro da Igreja não siga à risca tal cartilha é minimamente surpreendente.

Na essência, o papa Bento 16 era um acadêmico, um téologo e um intelectual. "Para ele, o inferno seria participar de uma semana de treinamento sobre como melhor gerir a Igreja", ironiza uma fonte.

O azar do agora pontífice emérito foi ascender ao trono de Pedro em um momento em que havia um vácuo de poder, no qual um número considerável de integrantes de meio escalão da Cúria, a máquina administrativa da Igreja, se tornaram "pequenos Bórgia" (em alusão à família espanhola-italiana de mesmo nome que produziu três papas, lembrados por seu governo corrupto e ganância pelo poder).

Essa última declaração veio da figura mais importante da Igreja atualmente, o próprio papa Francisco, conhecido por não medir suas palavras. "A corte é a lepra do papado", disse ele certa vez. O argentino descreveu a Cúria como narcisista e egoísta. Foi a mesma Cúria com a qual Joseph Ratzinger teve de lidar.

Intrigas e interesses

Cardeal Arinze | Crédito: AFP
Para cardeal nigeriano Francis Arinze,
Vatileaks teria influenciado decisão de Bento 16
No período que antecedeu à morte do papa João Paulo 2º (1920-2005), o coração da Santa Sé foi dominado por intrigas e brigas internas. Essa foi a justificativa para o ex-mordomo do papa, Paolo Gabriele, tornar público documentos confidenciais.

Mas Gabriele afirmou que sua relação com o papa Bento 16 era como "a de um pai com um filho". Sendo assim, por que ele agiu de forma a constranger o homem de quem era tão próximo?

"Ele disse que havia visto muitas coisas ruins acontecendo dentro do Vaticano. Em um dado momento, ele afirmou que havia chegado a seu limite", disse a mim a advogada de Gabriele, Cristiana Arru, enquanto agarrava as contas de seu rosário, em sua segunda entrevista pública.

"E então ele buscou uma saída para tudo isso. Ele diz que viu mentiras sendo contadas. Meu cliente pensou que o papa não estava sendo informado sobre alguns assuntos importantes que estavam acontecendo."

Gabriele foi considerado culpado de "furto qualificado" e passou três meses sob custódia antes de ser perdoado pelo Papa. Mas isso não foi o fim de tudo. O líder da Igreja convocou um inquérito sobre o caso.

Três cardeais foram incumbidos de produzir um relatório de 300 páginas, a ser mantido a sete chaves. Mas um importante jornal italiano informou que havia conseguido ter acesso a parte de seu conteúdo. O resultado? Vazamentos ainda mais embaraçosos, desta vez com rumores sobre a existência de uma rede de sacerdotes homossexuais que exercia "influência inadequada" dentro do Vaticano.

As dores de cabeça continuaram a incomodar o papa alemão. O estopim ocorreu com o episódio envolvendo o presépio anual montado na Praça de São Pedro durante o Natal.

Durante anos, acordos fechados no Vaticano foram superfaturados. Quando um delator tentou reformar o sistema, funcionários da corte papal conveceram o pontífice a "promovê-lo" a um cargo a 6,5 mil quilômetros de Roma.

Episódios semelhantes ocorreram no Banco do Vaticano, durante anos uma fonte de manchetes constrangedoras para a Igreja Católica. A instituição financeira havia sido criada para ajudar as ordens religiosas e as fundações em transferir dinheiro para partes distantes do mundo. Mas quando uma proporção considerável das transações é feita em dinheiro e está sendo enviada para regiões politicamente instáveis do planeta, não é preciso ser um gênio para prever que algo possa dar errado.

Parece que os funcionários do banco tomaram decisões importantes sem informar o Papa. Quando o conselho da instituição demitiu seu presidente reformador, Ettore Gotti Tedeschi (convenientemente no dia em que a notícia da prisão de Gabriele recebia toda a atenção da imprensa), o pontífice foi um dos últimos a saber do ocorrido. Posteriormente, disse, por meio do seu secretário, que ficou "muito surpreso". Tedeschi era um membro da Opus Dei (organização católica dedicada à evangelização) e pensava que estava próximo do papa, mas, no final, isso não o protegeu.

Mudança

Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano | Reuters
Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano,
disse que Igreja precisa de alguém com
maior energia

Será que tudo isso foi um fardo muito grande para um Bento 16 envelhecido?

A resposta talvez esteja nas palavras do porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi. Disse ele: "A Igreja precisava de alguém com mais energia física e espiritual que seria capaz de superar as adversidades e os desafios de governá-la neste mundo moderno em constante mudança".

Na minha avaliação, a Igreja Católica tem agora uma grande oportunidade para seguir em frente e enfrentar os desafios do século 21. Muitas vezes vista como remota, sua liderança agora precisa debater questões polêmicas como a contracepção e casamento gay. A reforma chegou na esteira do escândalo. Isso é algo que não passou batido pelo cardeal Arinze.

"O que você tem de se lembrar", diz ele , "é de que muitas vezes Deus escreve certo por linhas tortas."

Mark Dowd
No BBC Brasil
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FIFA es nominada al premio "Nobel de la Vergüenza"

"Nobel de la Vergüenza" es un premio que se entrega
a la "peor" compañía del mundo
La FIFA fue postulada al "Public Eye Awards" tras las masivas manifestaciones celebradas en junio pasado en diferentes ciudades brasileñas, en demanda de mejores servicios públicos y contra las colosales inversiones públicas ejecutadas para el Mundial de 2014.

La coordinación nacional de los Comités Populares de la Copa (Ancop), una red de movimientos sociales brasileños críticos al Mundial Brasil 2014, postuló a la Federación Internacional de Fútbol Aficionado (FIFA) al "Nobel de la Vergüenza", un premio que se entrega a la "peor" compañía del mundo.

En el sitio web de "Public Eye Awards", que se entregan en enero en el Foro Económico Mundial de Davos, la FIFA tenía el jueves seis 443 votos, de los cuales tres mil 551 son de Brasil.

El órgano rector del fútbol mundial marchaba segunda en la votación, detrás de la petrolera rusa Gazprom -con más de 15 mil 590 votos- denunciada por la explotación petrolera en el Ártico.

La FIFA fue postulada como consecuencia de las masivas manifestaciones celebradas en junio pasado, en pleno desarrollo de la Copa Confederaciones, en demanda de mejores servicios públicos y contra las colosales inversiones públicas ejecutadas para el torneo del año próximo.

"La entidad presidida por Joseph Blatter es acusada de incentivar violaciones de derechos y mal uso de dinero público en los países que reciben el evento", indicó en un comunicado la Ancop.

La ONG brasileña denuncia también que en las 12 ciudades sedes, cerca de 250 mil han sido expulsadas de sus viviendas o amenazadas de desalojo, para la ejecución de diferentes obras de infraestructura del Mundial.

El premio Public Eye, conocido como el "Nobel de la vergüenza", es coordinado por las organizaciones suizas Greenpeace y Declaración de Berna. La votación está abierta en internet.

Tras conocerse la votación, la FIFA emitió un comunicado en el que manifestó estar "muy sorprendida" con la postulación pues "no está involucrada en la construcción de la infraestructura" para el Mundial.
"La FIFA nunca ha solicitado desalojos o reasentamientos de nadie en Brasil para levantar la infraestructura para la Copa del Mundo, ni tampoco es un requisito", indicó el texto.
El organismo agrega que "está consciente que su responsabilidad va más allá del desarrollo del fútbol y de la organización de nuestras competencias. Sin embargo, hay límites para una organización como la nuestra al momento de intervenir en el proceso de planificación, a largo plazo, de una ciudad o estado".

Además de la FIFA y Gazprom, también están nominados el banco HSBC, la cadena de tiendas de ropa Gap y el fabricante de pesticidas Syngenta.

En 2012, la gigante minera brasileña Vale fue electa por el público para recibir el título, basado en denuncias de violaciones de los derechos humanos y daños ambientales por sus actividades.

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Assessor do tucano Beto Richa operava rede de boataria contra Gleisi


A batata do governador Beto Richa (PSDB-PR) está assando com o desbaratamento de uma central de boataria instalada dentro do governo paranaense para fazer campanha negativa contra a ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR). Os dois devem se enfrentar nas urnas em 2014 na disputa do governo do Paraná.

O esquema tucano era tão profissional que além de montar perfis falsos nas redes sociais para espalhar boatos e mentiras anonimamente, ainda pagava anúncios patrocinados no facebook para ampliar o alcance da difamação de Gleisi com as mentiras e baixarias.

A quebra de sigilo pela Justiça Eleitoral do perfil falso “Gleisi não” no Facebook encontrou uma bomba: o responsável era José Gilberto Maciel, que ocupa cargo público no governo de Richa, na Agência Estadual de Notícias do Paraná. É cargo nomeado por indicação política, sem concurso.

O fato pode configurar uso da máquina pública para o cometimento de crime eleitoral, campanha negativa antecipada, além de calúnia e difamação. A depender do que vier a ser descoberto na sequência da investigação pode complicar bastante a situação do governador tucano.

A ministra emitiu a seguinte nota à imprensa:

Considero lamentável e preocupante a informação de que um funcionário comissionado do Governo do Estado do Paraná tenha criado um perfil falso e anônimo na internet com o único objetivo de me insultar e caluniar.

Mais grave ainda, o falso perfil operava na modalidade patrocinada nas redes sociais, ou seja, era pago pelo funcionário responsável, José Gilberto Maciel, servidor comissionado da Agência de Notícias do governo do estado do Paraná, para amplificar a exposição de suas mentiras.

Uma das grandes infâmias do perfil anônimo foi a tentativa de me indispor com as APAES, instituição da qual sou aliada histórica. Este conjunto de ações me levou a recorrer à Justiça que concordou com nossos argumentos e determinou a quebra do sigilo do site.

Foi por meio desta quebra de sigilo, mediante ordem judicial, que se descobriu a identidade por trás do perfil anônimo. Na sentença, o juiz reconheceu que a página na internet violava meus direitos “com referências grosseiras” e determinou a divulgação do nome do caluniador, bem como a exclusão do perfil da internet.

Assim, acredito que agora cabe ao chefe do poder executivo estadual, ao governador, esclarecer explicar as atividades de seu servidor quando, em seu horário de trabalho, me atacava e difamava por meio de um falso perfil, bem como a origem dos recursos utilizados para o pagamento das faturas que espalharam mentiras pelas redes sociais.

Como já disse mais de uma vez, até entre adversários tem de haver limites.

No Amigos do Presidente Lula
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Explosão na Refinaria Presidente Getúlio Vargas em Araucária-PR


Acidente aconteceu na Unidade de Destilação; há risco de contaminação do rio Barigui e de desabastecimento do mercado

O rompimento de uma tubulação nas proximidades da bomba de carga para os fornos da U2100 (Unidade de Destilação) causou uma explosão na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária. O acidente ocorreu por volta das 22h30 de quinta-feira (28) e o incêndio só foi controlado por volta da zero hora de hoje.

Informações de trabalhadores dão conta que a equipe de combate de emergência ainda atua na U2100 para resfriá-la, que segue totalmente interditada. Apesar da grande proporção do acidente, não há registros de feridos. O calor do fogo causou grandes danos estruturais, chegando a entortar vigas de sustentação de equipamentos e dutos. Dirigentes do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina estão na Repar para averiguar os fatos.

Uma grande quantidade de óleo vazou para as canaletas de águas pluviais e o fluxo chegou à Unidade de Tratamento de Descartes Industrais (UTDI). Por enquanto o problema está controlado, mas existe o risco de contaminação do Rio Barigui. A equipe do Centro de Defesa Ambiental da Petrobrás (CDA-Sul), localizada em Itajaí-SC, foi acionada e se desloca para a Repar.

Desbastecimento

A U2100 é o primeiro setor industrial da cadeia de processamento do petróleo. Dessa forma, a produção de todas as demais unidades está comprometida. Algumas já estão paradas, como é o caso do Coque. Outras estão com carga reduzida, mas devem parar de operar em breve, como a unidade do craqueamento catalítico. “A perspectiva é de que refinaria pare de operar e prejudique o fornecimento de derivados ao mercado”, afirma Silvaney Bernardi, presidente do Sindipetro.

Procop e Efetivo reduzido

Há tempos o Sindipetro Paraná e Santa Catarina alerta para os riscos de acidentes na Repar. O motivo é o efetivo insuficiente de trabalhadores. Com as obras de ampliação do parque industrial, a capacidade de produção da Refinaria dobrou e o número de funcionários próprios não acompanhou a evolução. Existe uma situação emblemática, onde apenas um petroleiro é responsável por duas unidades de operação, sendo que estão há mais de cem metros de distância.

Além do efetivo reduzido, a situação se agrava com o Programa de Otimização de Custos Operacionais (Procop), que reduz os investimentos em manutenção de equipamentos e contratação de trabalhadores.

Tragédia anunciada

O Sindipetro protocolou em agosto deste ano um dossiê com mais de 500 páginas junto ao Ministério Público do Trabalho da 9ª Região (MPT) onde alertava para os riscos de acidentes na Repar em função do efetivo reduzido de trabalhadores próprios, elevada taxa de terceirização, principalmente na manutenção de equipamentos, cortes nos investimentos em serviços fundamentais, além de liberação de trabalhadores para outras unidades da Petrobrás. O Sindicato não recebeu qualquer notificação do MPT sobre as denúncias encaminhadas.

No Sindipetro PR/SC
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Os fracos e o Fortes


O Conversa Afiada reproduz a abertura da imperdível “Rosa dos Ventos”, de Mauricio Dias, na Carta Capital.

(A observação de que o PT e Dirceu não tinham articulação institucional com o poder permanente vale um livro – PHA)

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“Consultores” da Folha criam o inédito: maior campo do mundo é “problema” para a Petrobras


Hoje, a Folha de S. Paulo “descobriu” o que o Tijolaço vem afirmando há um mês.

Que “o campo de Franco sozinho teria reservas maiores do que Libra, leiloado em outubro, que teria entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris”.

Mas, ao contrário do que aconteceria em qualquer jornal do mundo, diante do maior campo de petróleo da face da Terra, hoje, essa informação vem lá no meio da matéria.

E pior, como um “problema” para a empresa que detém 100% dos direitos exploratórios sobre ele, ainda que limitados contratualmente à pouco menos da metade de um volume que deve superar os 10 bilhões de barris.

Isso, apesar de o próprio contrato já prever opções de reavaliação de valores e volumes, prevista para o ano que vem.

Claro está que a Folha, antes disso, trata da questão vital para o desenvolvimento do país, que é, ao que parece, sabermos se sai um reajuste de sete ou oito centavos no litro de gasolina, menos do que varia conforme o posto que você abasteça.

Mas, regressemos à questão. A Folha vai ouvir dois consultores, ambos adversários da Petrobras.

O primeiro é o inefável Adriano Pires, homem da ANP no Governo Fernando Henrique, durante o qual, aliás, a Agência pediu R$250 mil reais apenas para entregar uma área que hoje é parte do campo gigante de Libra.

Pires, um gênio, diz que “para ficar com o excedente, a empresa (Petrobras) teria que pagar à União algo em torno de R$ 44 bilhões”.

Bem, se o excedente for de cinco bilhões de barris- e isso é um cálculo modestíssimo, ainda mais se consideradas as outras áreas nas mesmas condições, onde já se descobriu  muito petróleo – o custo seria de menos de R$ 9 por barril. O que, convenhamos, é muito pouco, se sabemos que o preço no mercado petroleiro passa de  100 dólares por barril.

Mesmo com o cálculo aloprado de extração que Adriano passou a sua pupila Miriam Leitão outro dia – US$ 45 por barril –  ainda seria um baita negócio.

Ainda mais porque isso seria pago, como prevê o contrato de cessão onerosa, à medida em que a extração fosse sendo processada.

E, mais vantajoso ainda: porque metade ou pouco menos do investimento para explorá-lo já está em plena execução.

O segundo é um consultor da Câmara dos Deputados, Paulo César Ribeiro Lima, que é de outa linha: aquela que usa o ótimo como inimigo do bom e, por isso, acaba resultando no ruim.

Lima diz que tudo é muito vantajoso para a Petrobras e ruim para o Estado.

Os R$ 44 bilhões de Pires, para ele, serão só R$ 4 bilhões. “Há margem para manobras que podem fazer a Petrobras pagar pouco na revisão, em torno de R$ 4 bilhões”, diz ele à Folha.

Ele acerta ao dizer que a Petrobras vai precisar de uma nova capitalização, porque é impossível uma empresa triplicar seu tamanho sem capitalizar-se.

Mas erra grosseiramente, ao dizer que a capitalização de 2010 “já foi pelo ralo”. A menos que ele chame 28 navios sonda, um dúzia de superplataformas navais, dezenas de poços, gasodutos, linhas de produção, bilhões de investimento e centenas de milhares de empregos diretos e no parque de fornecedores for lixo. E, sobretudo, seja lixo termos recuperado para o Estado 8% do capital da Petrobras, um quarto do que Fernando Henrique dissipou na Bolsa de Nova York.

Pires e Lima, como dois homens que dão a volta ao mundo em sentidos opostos, acabam por se encontrar no mesmo ponto de lesão ao interesse brasileiro: bloquear, com razões diversas, o papel decisivo que o petróleo do pré-sal e a Petrobras começam a jogar na transformação deste país.

Eles, como a imprensa, se servem do intervalo de alguns anos em que esse desafio exige para ser vencido, para afirmar que tudo é um desastre. O “investidor” que Pires defende é aquele que compra e vende ações da Petrobras ao sabor das manchetes. Já Lima “defende” o Estado dizendo que tudo poderia ser bem melhor do que a Petrobras faria.

E quem faria?

As empresas estrangeiras, que querem nossas jazidas, não estão absolutamente interessadas em comprar equipamentos no Brasil, em empregar brasileiros, em acelerar nossa atividade econômica e, muito menos, em arcar com pesadíssimos e lentos investimentos em refino, para ter de vender a preços baixos, como faz a Petrobras, embora o furor fiscal dos Estados e as margens de lucro na distribuição camuflem esta verdade aos olhos de muitos.

Então, estamos diante de um problema inédito no mundo: temos muito petróleo. E a Petrobras, diante de outra novidade “problemática”: detém jazidas gigantescas de óleo.

Infelizmente, não é “non-sense” que o fato de que o nosso país tenha, agora, os dois maiores campos de petróleo do mundo seja tratado com tom lamurioso.

São interesses.

A exploração de jazidas de petróleo que vão nos colocar na quinta ou sexta colocação mundial não é como organizar uma festinha de aniversário, onde a gente pode decidir se é melhor comprar os docinhos ou fazê-los em casa. As decisões terão uma repercussão imensa na vida da sociedade brasileira, que não se resume à (importantíssima)  destinação dos royalties à educação e à saúde. Vão determinar se teremos emprego, investimento, fábricas, tecnologia, progresso sustentável.

Ou, então, se vamos faturar um dinheirinho para pagar aos rentistas sedentos, como fizeram por anos, sem que isso nos tirasse do endividamento e do atraso.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A 'Veja' vai fechar?

Em entrevista ao jornal Valor nesta quinta-feira (28), Giancarlo Civita, presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril - que edita a asquerosa revista Veja - anunciou que a empresa está mudando o foco das suas atividades. Num linguajar tipicamente patronal, ele informou que o objetivo é montar uma estrutura "mais enxuta" - o que significa, na prática, mais demissões e arrocho salarial. "O que eu venho defendendo é que a editora é um pilar, mas temos também outros pilares, que valem ser desenvolvidos", afirmou. Seu plano empresarial visa fortalecer o setor de livros didáticos e cortar os investimentos na área das revistas - o que deve fazer tremer os adoradores da Veja.

Neto de Victor Civita, o direitista importado dos EUA na década de 1950, Giancarlo aposta tudo na Abril Educação e na DGB, que opera na distribuição e logística. "No grupo Abril nós temos mais de 80 empresas. Estamos fazendo uma reestruturação para que essa estrutura fique mais simples, mais limpa, para que seja uma estrutura mais eficiente do ponto de vista fiscal", explica. Enquanto estes dois setores crescem, o Valor informa que a divisão das revistas tem um desempenho preocupante. "A receita deste ano, que deve chegar a R$ 2,7 bilhões, vai ser 'flat' [sem crescimento]", afirma Fábio Barbosa, que comanda esta divisão. "Estamos tentando adiar a queda da curva da receita".

A entrevista dos dois chefões do Grupo Abril ao jornal Valor confirma a violenta crise no setor de revistas deste império midiático. Nada indica, porém, que a abjeta revista Veja esteja com seus dias contados. Ela pode até dar prejuízo, mas é um instrumento indispensável das elites dominantes para interferir nos rumos políticos do país. Além disso, ela conta com os bilionários anúncios publicitários dos governos tucanos e com a ajudinha da Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República, que deve ter algum complexo masoquista.

Altamiro Borges
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Misión internacionaI informa irregularidades en comicios hondureños

Una misión de la Federación Internacional de Derechos Humanos (FIDH) que participó en las elecciones del pasado domingo en Honduras dio a conocer un informe que relata irregularidades en esos comicios después de haber inspeccionado más de 100 mesas electorales.

Entre las irregularidades encontraron que a muchos ciudadanos
se les privó del derecho al sufragio declarándolos muertos.
La misión de la Federación Internacional de Derechos Humanos (FIDH) señala en un informe su preocupación por el traslado arbitrario de miembros de la Fiscalía Especial de Derechos Humanos y anticorrupción en las elecciones presidenciales efectuadas el pasado domingo en Honduras.

De acuerdo al informe que pudo constatar la agencia Prensa Latina la FIDH teme por el impacto que eso tenga en la superación del importante nivel de impunidad que atraviesa el país.

La misión internacional encontró irregularidades después de haber inspeccionado más de cien mesas electorales, y haber hablado con autoridades y muchos sectores de la sociedad civil, durante los comicios.

El informe indica que entre las irregularidades observadas está que a muchos ciudadanos se les privó del derecho al sufragio declarándolos muertos, incluso a varios que habían participado el año anterior en las primarias de sus partidos.

Respecto a aquellos que tuvieron la oportunidad de presentarse al Tribunal Supremo Electoral (TSE) durante la jornada de comicios para demostrar que estaban vivos, la misión constató que no se les reintegró su condición para votar.

Otra de las irregularidades es que se le negó el derecho a votar con el traslado a mesas electorales muy distantes de los sitios donde regularmente han votado impidiéndoles ejercer el voto, detalla el informe.

La misión internacional denuncia la entrega por voceros del Partido Nacional de tarjetas de descuento en comercios y servicios como telefonía celular, servicios médicos, farmacia y restaurantes a quienes entregaran sus datos a esa formación política.

De esta denuncia se tiene evidencia en vídeos, fotos y testimonios, que se instalaron carpas y puestos para ofertar esas tarjetas y otros objetos en lugares próximos a centros electorales como las escuelas Mixta Cerro Grande y José María Casco.

Este caso, según la organización, “debería ser objeto de investigación de alcance penal a los promotores y financiadores de esa iniciativa que por su diseño y desarrollo pudo influir en los resultados electorales”.

El grupo de la FIDH integrado por 11 personas dice haber constatado que existió falta de transparencia en la financiación de las campañas políticas y en el origen de los fondos de las mismas y mostró preocupación por la fuerte presencia militar en las elecciones.

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Propinoduto tucano: O jogo das manchetes alopradas


Para PSDB, PT reedita ‘aloprados’; época do ‘engavetador’ acabou, reage ministro

Sob o comando de Aécio Neves, tucanos pedem demissão de titular da Justiça e dizem que petistas usam o caso do cartel de trens para tentar abafar prisões do mensalão; Cardozo afirma que investigações não são uma disputa política e ironiza os adversários

Andreza Matais – O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – O PSDB do senador Aécio Neves pediu nesta terça-feira, 26, a demissão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e acusou o PT de comandar uma operação “aloprada” envolvendo denúncias do cartel de trens para atingir políticos tucanos e tentar, com isso, abafar as prisões do mensalão. Ato contínuo, Cardozo negou motivações políticas nas investigações do escândalo que recai sobre os adversários e afirmou que o País não vive mais a “época do engavetador”.

A polêmica se instalou após o Estado revelar, na quinta-feira passada, o conteúdo de um relatório escrito pelo ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer. No texto, o ex-executivo diz ter provas de caixa 2 do PSDB e do DEM e cita propina ao chefe da Casa Civil do governador tucano Geraldo Alckmin, Edson Aparecido.

Segundo Rheinheimer, outros políticos, como o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), são próximos do lobista Arthur Teixeira, suspeito de intermediar propinas do cartel. Ainda na semana passada, Cardozo disse que foi ele quem encaminhou as denúncias aos federais após recebê-las do petista Simão Pedro, que há anos ajuda na investigação do cartel.

Reunidos em Brasília, os tucanos, incluindo os citados no relatório pelo ex-diretor da Siemens, chamaram, nesta terça, o ministro de “aloprado”, “manipulador”, “irresponsável”, “farsante”, “indigno”. “Acho que ele (Cardozo) perdeu as condições de ser o coordenador dessas investigações como ministro da Justiça, pelo açodamento e omissão nesse processo”, disse Aécio. “O PT faz um mal enorme para a democracia, ao fazer do poder sua razão de existir.”

O PSDB acusa o ministro de ter dado credibilidade para um relatório apócrifo, encaminhando a papelada com o objetivo de atingir o partido para “igualar” o PSDB ao PT. Os tucanos se apegam ao fato de o relatório não trazer a assinatura de Rheinheimer. O ex-diretor da Siemens, porém, confirmou ser o autor do texto em conversas com os policiais federais.

O secretário de Energia do Estado de São Paulo, José Aníbal, disse que o PT tinha a denúncia que acusa os tucanos já em junho, mas só “deixou vazar” a informação após a prisão dos condenados do mensalão. “O ministro passou a agir como operador do submundo”, disse.

Após a entrevista dos tucanos, Cardozo também convocou a sua. “Pode envolver meu partido, pessoas da minha família. Aqui tem o nome de pessoas que respeito muitíssimo, embora adversários. Imaginar que iria rasgá-lo é imaginar que estamos numa época de ‘engavetador’”, afirmou, recorrendo, ele também, ao “dicionário informal” político.

Léxico. “Engavetador” é uma referência ao ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, acusado por adversários de não dar seguimento a denúncias contra o PSDB. Já o “aloprado” usado pelos tucanos nesta terça é uma referência ao escândalo de uso de dossiês por petistas na campanha de 2006 a fim de atingir a candidatura de José Serra (PSDB) ao governo paulista. Foi o próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem cunhou o termo, ao falar dos petistas envolvidos no caso.

“A única diferença desse episódio para o caso dos aloprados é que esse caso envolve um deputado, um ministro e o presidente do Cade”, afirmou Carlos Sampaio, líder do PSDB na Câmara. O deputado citado pelo líder tucano é Simão Pedro, hoje secretário municipal de Serviços da gestão Fernando Haddad (PT) em São Paulo. A citação do presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) se deve ao fato de Vinícius Carvalho, que comanda o órgão federal que fiscaliza a concorrência empresarial no País, ser petista e ter trabalhado no gabinete de Simão Pedro na Assembleia Legislativa.

O Cade fechou em maio um acordo de leniência com a Siemens. A empresa admitiu a existência do cartel em São Paulo e no Distrito Federal entre 1998 e 2008. Em troca da admissão de culpa, a multinacional espera ter a redução de futuras punições. Nesse acordo, não há menção a propina paga a políticos. Everton Rheinheimer é um dos seis ex-diretores da Siemens que assinam o acordo.

‘Ditatorial’. Acompanhado de Carvalho e do diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello, Cardozo foi duro ao responder às críticas tucanas. “Acho muito ruim investigações se transformarem em disputa política. Todos são iguais perante a lei. Só em mentalidades ditatoriais se pensa que todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.”

Cardozo reafirmou que recebeu um conjunto de papéis de Simão Pedro no dia 12 de maio deste ano. Ele justificou que o encontro se deu em sua casa, na capital paulista, num domingo, porque o deputado tentou ser recebido durante a semana mas sua agenda não permitiu o encontro. Para evitar que o colega petista tivesse que viajar a Brasília, abriu as portas de sua casa.

“Então encaminhei (o relatório) a ele (diretor da PF) e pedi o máximo de cautela, porque havia a menção a algumas pessoas, algumas das quais sempre tive e continuo a ter como amigos pessoais, embora adversários, pessoas que respeito, que sempre respeitei e continuarei respeitando. E falei: com esse tipo de situação se toma cautela.”

Segundo o ministro, após a análise preliminar a PF vislumbrou que alguns fatos tinham correlação com uma investigação instaurada em 2008, o que motivou os federais a anexarem o relatório a esse inquérito.

“Não há nada sendo investigado a partir de uma denúncia anônima. Já existia o inquérito”, afirmou o diretor-geral da Polícia Federal. Ele acrescentou que o relatório foi encaminhado para outras superintendências do órgão, sinalizando, sem dar mais detalhes, que as investigações podem atingir outros Estados além de São Paulo e do Distrito Federal.

Representação. O PSDB afirmou que encaminhará uma representação à Comissão de Ética Pública da Presidência sobre Cardozo por causa do episódio. Também tentará convocar o ministro da Justiça para depor na Câmara e no Senado e irá representar contra ele no Ministério Público por improbidade administrativa.

Os tucanos acusam o ministro de ter assumido o envio do documento à PF para proteger o Cade – nos documentos internos da Polícia Federal, consta que as acusações de corrupção chegaram via Cade.

PS do Viomundo: Há uma desconexão entre as capas que ficam expostas nas bancas de todo o Brasil e o conteúdo. Não demora e o propinoduto será atribuído ao PT.

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