23 de nov de 2013

Midiazona decide que responsável pela corrupção tucana é o ministro do PT


É impressionante como os casos de corrupção têm dois pesos e duas medidas na mídia tradicional paulista (leia-se Folha, UOL, Estadão, Veja, Globo). Na recente máfia dos auditores fiscais, denunciada pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, as atenções se voltaram contra o secretário de governo Antonio Donato. A máfia que cobrava propina de construtoras em troca de desconto no ISS (Imposto Sobre Serviço) atuava nas gestões Serra e Kassab, e foi desvendada graças à investigação da atual prefeitura que criou a Controladoria Geral do Município. Estima-se que o esquema tenha causado prejuízo de até R$ 500 milhões aos cofres públicos. Mas a mídia voltou todas as atenções de sua cobertura para Antonio Donato, que de forma decente pediu exoneração do cargo para se defender sem causar desgaste à gestão Haddad. Nesta semana, Donato volta à Câmara Municipal para exercer seu mandato de vereador, o mais votado do PT.

Depois de blindar Serra e Kassab e derrubar um secretário de Haddad, o caso dos auditores perdeu destaque, já não ocupa as manchetes dos jornalões e seus portais. Aliás, foi emblemática a capa da Folha de S. Paulo de 8/11, que trazia como manchete “Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação”. A frase induzia o leitor a associar a denúncia ao prefeito de São Paulo, que é Fernando Haddad, mas o fiscal estava se referindo a Kassab, o ex-prefeito da cidade.

Agora a história se repete. Revelado mais um caso de corrupção envolvendo tucanos, quem passou a ser cobrado por explicações é o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na última quinta-feira (21), foi divulgado um relatório entregue ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), onde o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer cita diversos políticos do PSDB como beneficiários de propinas pagas pelo cartel dos trens em São Paulo.

Rheinheimer afirma ter “uma série documentos que provam a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos (Mário) Covas, Alckmin e (José) Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM”. São citados no relatório o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), os secretários estaduais José Aníbal (Energia), deputado (PSDB-SP); e Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico), do DEM.

Estima-se que o cartel dos trens de São Paulo e Distrito Federal pode ter superfaturado os serviços em R$ 577 milhões.

Dois dias depois de revelada o suposto envolvimento com os políticos, as manchetes dos jornais dizem que o ministro da Justiça do PT deve explicações sobre a denúncia contra tucanos.

Mas não seriam os tucanos que deveriam dar explicações? Não seria hora de exigir que se expliquem e cobrar o governador para afastas os denunciados?

Qual nada. Quem deve explicações é o ministro da Dilma, que é do PT. É ele que tem que explicar como políticos tucanos podem estar envolvidos em denúncias de corrupção.

Em nota, o ministério da Justiça “esclarece que, tendo recebido do deputado Simão Pedro denúncias, acompanhadas de documentos, envolvendo a ocorrência de eventuais atos ilícitos na execução de obras do metrô de São Paulo, encaminhou-as, no estrito cumprimento do dever legal, à Policia Federal (PF) para as devidas investigações. O Ministério reafirma que a documentação não foi encaminhada à PF pelo Conselho Administrativa de Defesa Econômica (Cade)”.

A Polícia Federal é submentida ao ministério da Justiça, assim como o Cade. Já o deputado estadual licenciado Simão Pedro (PT-SE) é autor de representações ao Ministério Público sobre o cartel. Vale lembrar que é papel do parlamentar enquanto poder Legislativo investigar irregularidades na aplicação de verbas públicas municipais e estaduais.

Vale a teoria do “domínio do fato” também neste caso. É preciso criminalizar alguém do PT, mesmo que ele seja o investigador ou denunciante. Foi assim com Donato. Está sendo agora com Simão Pedro e José Eduardo Cardozo.

Renato Rovai
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Como Estadão e Globo abriram caminho para Aécio Neves


Quando aloprados petistas supostamente tentaram comprar um dossiê contra José Serra, na campanha eleitoral de 2006, e foram pegos em flagrante com dinheiro vivo, a notícia dominou as semanas finais da campanha.

O fato culminou com o vazamento das fotos do dinheiro apreendido para a mídia na antevéspera do primeiro turno, a tempo de estrelar o Jornal Nacional e as capas de jornais.

A mídia não se debruçou sobre os bastidores do acontecimento. Não se apurou se, como sustenta o repórter Amaury Ribeiro Jr., os petistas caíram numa cilada da inteligência da campanha tucana; nem apurou como se deu o vazamento das fotos, da qual a mídia foi co-partícipe.

Não fosse por um certo blog chamado Viomundo, hospedado então na Globo.com, provavelmente a gravação da conversa entre o delegado da Polícia Federal que vazou as fotos e jornalistas jamais teria sido noticiada. Depois que o fizemos, a Globo se sentiu na obrigação de revelar que tinha tido acesso à conversa gravada — e publicou uma transcrição no portal G1. Mas não saiu no Jornal Nacional. Nunca.

Podemos dizer que o mesmo aconteceu quando foi revelada a relação íntima entre o bicheiro — desculpem, empresário do ramo farmacêutico — Carlinhos Cachoeira e a revista Veja. Noticiou-se a prisão do bicheiro e o envolvimento dele com o senador Demóstenes Torres, mas a mídia não ocupou suas manchetes com a relação incestuosa entre fonte e publicação.

Agora, repentinamente, o critério mudou. A mídia se interessa pelos bastidores da investigação do propinoduto que atingiu em cheio o tucanato paulista. Logo isso vai se tornar ainda mais importante que o desvio de centenas de milhões de reais. É só esperar para ver.

As indicações preliminares são de que as investigações do Cade e da Polícia Federal acertaram em cheio o esquema de financiamento de campanha de um certo partido.

A mídia corporativa tem noticiado o escândalo envolvendo Siemens e Alstom, mas com cuidado para não sugerir que chegamos ao caixa das campanhas tucanas em São Paulo.

Aécio Neves, conforme a manchete acima, vem em socorro dos paulistas. Ganha pontos com Geraldo Alckmin e José Serra. E dá o tom para a cobertura midiática, que começou com o Estadão, passou pela Globo e, como se vê acima, chegou à Folha.

A ideia é dizer que o presidente do Cade, que foi assessor do então deputado estadual Simão Pedro, de alguma forma forçou a barra para investigar o propinoduto tucano. Dizer que as instituições federais estão sendo usadas politicamente pelo PT para prejudicar adversários.

A ideia é lançar uma espessa cortina de fumaça, sob a qual José Serra, Geraldo Alckmin e os tucanos paulistas possam bater em retirada. A ideia é simular uma conspiração petista, como se não tivesse havido cartel, nem envolvimento do alto tucanato, nem corrupção, nem desvio de dinheiro público, nem superfaturamento.

Quando eu vi a reportagem abaixo, no Jornal Hoje, da Globo, tive certeza de que a menção ao petista Simão Pedro, bem no miolo, não era de graça!

Leia aqui os detalhes sobre a tentativa de Globo e Estadão de enrolar o PT na denúncia.




Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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PSDB monta circo para desqualificar provas do Mensalão Tucano

Preso e incomunicável, mesmo sem qualquer condenação, denunciante do esquema criminoso dos tucanos será execrado na tentativa de desqualificar provas


Como vem ocorrendo desde 2003, quando o PSDB assumiu o Governo de Minas, novo “evento midiático”, esta sendo minuciosamente organizado através da máquina de comunicação governamental, comandado por Andréia Neves. Aguarda-se apenas a decisão de um juiz a respeito de denúncia apresentada pela 11ª Promotoria de Combate ao Crime Organizado e Investigações Criminais do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

O intuito é apresentar a imprensa Nilton Monteiro, o delator dos esquemas criminosos montados pelos tucanos, seja através da “Lista de Furnas” ou no “Mensalão Tucano”, como um mega falsário no sentido amplo, sem detalhar quais falsificações são a ele atribuídas, tudo na tentativa de criar no imaginário popular a impressão de que tudo que foi por ele apresentado é falso.

A desconstrução da imagem de Monteiro interessa a outras importantes autoridades mineiras, além dos integrantes do PSDB.

Encontram-se envolvidos no esquema por ele denunciado, integrantes do Ministério Público, Poder Judiciário, Polícia Civil, peritos, advogados, veículos da imprensa, grandes empresários e em especial o senador Aécio Neves, que embora tenha junto com sua irmã Andréa sido um dos beneficiados em diversos esquemas criminosos, a exemplo da “Lista de Furnas” e “Mensalão Tucano”, não foram até agora investigados nem responsabilizados pelos crimes praticados.

Evidente que não produzirá qualquer efeito jurídico esta suspeita investigação, conduzida principalmente por promotores, delegados e peritos acusados de integrar o esquema criminoso, e sua posterior denúncia que se aceita, será trazida a público através de pesado esquema midiático. O descrédito é evidente, principalmente pelo quadro de peritos que atuaram na análise dos documentos periciados.

Uma das principais peritas que prestou este serviço é esposa do principal acusado o Delegado Marcio Naback. 
Para se ter uma idéia dos interesses em jogo, segue abaixo uma lista das pessoas citadas em práticas criminosas nos diversos documentos, agora colocados sob suspeita: 

Senadores: Clésio Andrade e José Sarney.

Ministro do Superior Tribunal de Justiça: Doutor Paulo Medina.

Deputado Federal: Eduardo Brandão de Azeredo.

Secretário de Governo do Estado de Minas Gerais: Danilo de Castro.

Ex-governador do Estado de Minas Gerais: Newton Cardoso.

Ex-Ministro do Turismo: Walfrido dos Mares Guia.

Ex-deputado federal e ex-presidente do PSDB de Minas Gerais: Vittorio Medioli.

Desembargadores (as): Elias Camilo, Heloisa Combat,1- ........................, Marcos Lincom, Marcelo Rodrigues, Mota e Silva, Renato Martins, Selma Marques, Tarcísio Martins Costa e Wanderley Paiva.

Ex-Procurador Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais: Jarbas Soares Júnior.

Presidente da Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig: Djalma Moraes.

Promotores de Justiça: Adriano Botelho Estrela, Elaine de Oliveira Godoi, Jaqueline Ferreira Moisés, Rita de Cássia Rolla Mendes, Mário Drumond da Rocha e Roney Oliveira.

Juízes (as) de Direito: Luzia Divina, Sebastião Mattos Mozine, Marcos Henrique Caldeira Brant, Rosimeire das Graças Couto, Ricardo Torres de Oliveira, Tiago Pinto e Wauner Batista Ferreira Machado.

Serventuário do TJMG: Luiz Carlos Eloy.

Delegados (as) de Polícia: Ada do Carmo Martins, Gilberto Nascimento, Márcio Nabak e Ricardo Luiz Ferreira.

Advogados: Antônio Velloso Neto, Arésio Antonio Almeida Damaso e Silva, Ary Oswaldo Campos Pires, Bruno Giusto, Castelar Modesto Filho (ex-procurador do Estado de Minas Gerais), Décio Freire, Elcival Moreira, Francisco Américo França, Felipe Amodeo, Francisco Américo França, José Inácio Francisco Muniz, Joaquim Engler Filho, José Arthur de Carvalho, Lívia Novak, Marcos Moura, Mariela Gracia Amodeo, Mário Genival Tourinho, Milton José da Costa, Milton José Simões, Baeta da Costa, Obregon Gonçalves, Raimundo Cândido Júnior, Ricardo Drumond da Rocha, Rogério Marcoline de Souza, Sidney Safe e Wander Tanure.

Peritos e peritas: Alessandro Ricart Ramos, Áurea Helena Lima, Cleber Fernandes, Daniela Venâncio Mendes,  Eduardo Vaz de Mello, Eliane Agnetti, Flávia Cunha Moretzohn Quintão, Glaucia Vidal, Glaura Malheiros Trindade, Liliam Ramires, Luciana Nabak, Márcia Regina da Rocha, Marco Antônio Fonseca Paiva, Maurício Brandão Ellis e Mauro Ricart Ramos.

Ex-policial aposentado: Ronald Quintão Jones.

Lobista: Andréa Cássia Vieira de Souza.

Empresários: André Vom Rodrigues, o ex-diretor da Samarco Aquiles Gonçalves Freire, Antônio Pontes Fonseca, Cleber Marques Paiva, Evandro Torquete, Fernando Sarney, o diretor da Samarco Itamar Antônio da Silva, o ex-presidente da Samarco José Tadeu de Moraes, Luciano Duarte Penido e Roberto da Cunha Vieira Filho.

Nomes ligados a empresas estatais: Rodrigo Campos Botelho (diretor da Cemig); José Antônio Talavera, o diretor Financeiro da Alston (o nome não é mencionado) e Oswaldo Borges (no BDMG e MGS).

Ex-Secretário de Estado da Administração: Cláudio Roberto Mourão da Silveira, Guilherme da Silveira Mourão (filho de Cláudio Mourão).

Ex-Secretário de Estado da Defesa Social: Maurício Campos.

Ex-presidente de Furnas Centrais Elétricas S/A: Dimas Fabiano Toledo.

Ex-presidente da Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig: Carlos Eloy.

Funcionários da SAMARCO: Aquiles Gonçalves Coelho, Itamar Antônio da Silva, José Luciano Duarte Penido (ex-presidente da empresa), José Tadeu de Moraes, Paulo José Barros Rabelo, Francisco Auderico França.

Padre: Wagner Portugal, Instituto Del Picchia: Celso Mauro Ribeiro Del Picchia e José Del Picchia Filho.

Jornais e Revistas: O Estado de Minas, O Tempo, revista VEJA e Correio Braziliense.

Sociedade do investigado: Paulo César de Farias, o ex-empresário e deputado federal Sérgio Naya e Dimas Fabiano Toledo. Os irmãos Perrela.
Outros nomes citados de participantes do caso, porém sem especificação de funções: Cleiton Melo de Almeida, Regina Cortez, Roberto da Cunha Vieira Filho e Rodolfo Guerra.

1-.............................., deixamos de citar o nome deste desembargador porque estamos proibidos pela Justiça de fazê-lo.

Dando um voto de confiança e considerando ser verdadeiro como divulgado, que as investigações desenvolvidas pela 11ª Promotoria de Combate ao Crime Organizado e Investigações Criminais do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foram isentas e tiveram uma duração de três anos, espera-se que na denúncia já apresentada constem como integrantes da quadrilha os dirigentes da OAB-MG, delegados, escreventes e diversas outras pessoas que produziram os documentos que apontam as irregularidades cometidas.

O principal denunciante Dr. Joaquim Hengler que agora alega não ter dito e nem assinado nada, informando tratar-se de documentos falsos, esqueceu de incluir entre os documentos falsos os produzidos pelos dirigentes da OAB-MG, uma vez que a primeira peça produzida o investigando e apontando o esquema criminoso montado foi da OAB-MG ao investigá-lo.

Embora já venha a quase um ano divulgando que as investigações comprovaram a falsificação de documentos apresentados por Nilton Monteiro, a Secretaria de Defesa Social mantêm o acusado em regime de total isolamento, como um preso político, sem apresentar a imprensa as cópias das investigações, perícia e outras provas que comprovam a falsificação alegada.

Devido ao fato de até agora ter sido solicitado apenas de maneira informal por Novojornal o acesso as perícias, que fundamentam as notícias distribuídas através do sitio da Secretaria de Defesa Social, desta vez no intuito de documentar o fato, encaminhamos solicitação por e-mail ao Secretário de Defesa Social, Rômulo Ferraz, pedindo acesso às perícias que comprovam a falsificação noticiada e ao acusado que encontra-se a quase um ano preso e incomunicável. Até o fechamento desta reportagem nada nos foi respondido.  

Documentos que fundamentam a matéria:









No Novo Jornal
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Sociopata Barbosa quer afastar juiz por "benevolência" com réus


Presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, está insatisfeito com a conduta do magistrado Ademar de Vasconcelos, responsável pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal; segundo ele, o juiz estaria sendo benevolente com os réus; sua intenção é substituí-lo por Bruno Ribeiro, a quem enviou as ordens de prisão mesmo durante suas férias; manifesto de juristas condenou atitudes ditatoriais de Joaquim Barbosa, que age como se fosse dono do Poder Judiciário; jurista Celso Bandeira de Mello propõe que Barbosa seja processado

Uma notícia estarrecedora acaba de ser publicada pelo jornal Estado de S. Paulo. Segundo os repórteres Andreza Matais e Felipe Recondo, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, estaria agindo para afastar o magistrado Ademar Silva de Vasconcelos do Distrito Federal, responsável por acompanhar as prisões de José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino – este, internado no Instituto do Coração para uma avaliação médica (leia mais aqui). O motivo: segundo Barbosa, Vasconcelos estaria sendo benevolente com os presos.

A intenção do presidente do STF, que age como se fosse dono do Poder Judiciário no Brasil, é colocar em seu lugar o substituto Bruno André Silva Ribeiro. Curiosamente, foi para ele que Barbosa enviou as ordens de prisão no dia 15 de novembro – Bruno estava de férias e isso fez com que os réus condenados ao semiaberto fossem submetidos vários dias a um regime fechado de prisão (leia mais aqui).

Depois das prisões, um manifesto assinado por juristas como Celso Bandeira de Mello e Dalmo Dallari condenou as atitudes ilegais e arbitrárias de Joaquim Barbosa (leia mais aqui). O texto afirma que o Supremo Tribunal Federal deve agir com rapidez para não se tornar refém de seu presidente. Em entrevista, Bandeira de Mello defende que Barbosa seja processado (leia aqui).

Neste sábado, nota publicada por Ilimar Franco, do jornal O Globo, revelou que Lula tem dito que a escolha de Joaquim Barbosa foi o maior erro cometido em seus oito anos de governo (leia aqui).

Ao que tudo indica, o Brasil tem hoje um desequilibrado à frente do Poder Judiciário – o que já se suspeitava há muito tempo. Felipe Recondo, um dos autores da reportagem do Estado de S. Paulo, é o jornalista que já foi insultado por Barbosa dentro do STF, quando o presidente da corte disse a ele que chafurdasse no lixo.

No SQN

Teste psicológico detectou em Barbosa uma personalidade insegura, agressiva, com profundas marcas de ressentimento


Charge de Aroeira

Antes de se tornar juiz, o atual presidente do STF, Joaquim Barbosa, tentou a carreira diplomática (imagine...), mas foi reprovado no exame psicológico que o definiu como "uma personalidade insegura, agressiva, com profundas marcas de ressentimento".

Meus parabéns à equipe que aplica os testes no Itamaraty, porque, no caso de Barbosa, acertou em cheio, você não acha?

No Blog do Mello
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O mau caratismo monstruoso de Caruso

Que fique registrado para a história, o mau caratismo sem limites, inescrupuloso, desumano e vil de Chico Caruso. Fazer piada com a desgraça alheia é torpe. Quando se trata de um homem torturado pela segunda vez pelo sistema, um homem dessa vez alquebrado, doente, com problemas no coração, é um caso patológico de sadismo e imoralidade.

E depois ainda vem falar de ética…

Mais uma vez, o blog O Cafezinho (e este blog) se solidarizam com Genoíno e protestam, com nojo, contra o baixo nível da imprensa brasileira.

Charge de Caruso:

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Capa do Globo hoje:

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Na edição de hoje do Globo, na página 3, gostaria de comentar duas coisas:

Uma é a foto que ilustra a página:

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A legenda diz que a “prisão dos mensaleiros” foi pedida nas manifestações. Bem, até foi, por grupos de extrema-direita infiltrados. Assim como se pediu a volta da ditadura. Mas uma demanda muito maior foi o fechamento da Rede Globo. Então, se a sociedade quiser cumprir a vontade das “ruas”, deveria cassar o registro da TV Globo, e aprovar uma rigorosa regulamentação dos meios de comunicação, nos moldes existentes em todos os países desenvolvidos do mundo, e agora na Argentina e outros hermanos.

É muita manipulação!

A outra coisa interessante é um artigo publicado na mesma página, assinado por Sergio Fadul:

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Parece-me que a Globo começa a ficar na defensiva. Sim, porque esse artigo apenas passa o recibo de que a Globo sabe que o julgamento do mensalão tem sido cada vez mais questionado por setores influentes da sociedade, incluindo aí a comunidade acadêmica e jurídica.

No O Cafezinho
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Justiça do espetáculo


Numa atitude que vem se tornando recorrente, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, mais uma vez usou as prerrogativas de que dispõe para conturbar o delicado ambiente que envolve a ação penal 470. A maneira pela qual decidiu o início da execução das sentenças parece obedecer mais a fins de publicidade do que a necessidades objetivas.

Não se questiona aqui que condenações transitadas em julgado fossem executadas, ainda que diversos aspectos do processo permaneçam duvidosos. Mas o "modus faciendi" altera bastante o resultado final, dando conotação de parcialidade aos atos do ministro. Em lugar de amenizar os aspectos espetaculares das medidas, como seria de esperar caso houvesse preocupação profunda com o espírito da lei, ele os potencializou, em uma demonstração de que o janismo pode reaparecer onde menos se espera.

A entrevista de Marco Aurélio Mello, colega de tribunal, ao jornalista Josias de Souza, não deixa dúvida a respeito. Em primeiro lugar, não havia nenhuma necessidade de açodamento, disse Mello, em relação à execução das sentenças. Acrescente-se que, depois de uma sessão confusa na quarta, 13 de novembro, Barbosa ainda precisava explicar, no dia seguinte, ao plenário, qual era a situação de cada um dos condenados.

Não só não o fez, como, para surpresa geral --o que, aliás, é parte da "síndrome Quadros" que o atinge--, resolveu utilizar um feriado extenso, em que não há notícias para disputar o espaço noticioso nem mobilização para contestar o decidido, e colocar em presídio de segurança de Brasília um trio de altos ex-dirigentes do PT. O fato de ser a data da comemoração da República completa o simbolismo ideal para um possível futuro candidato a chefe do Executivo.

Em segundo lugar, afirma Marco Aurélio, Barbosa acabou por produzir uma desnecessária prisão provisória em regime fechado para cidadãos que tem direito ao semiaberto nos lugares em que residem. Caso os devidos ritos fossem cumpridos com calma, teria havido situação bem diferente, com os acusados livres ao menos durante o dia. Assim, além de ser ilegal a reclusão a que estão submetidos José Dirceu e Delúbio Soares, foi ameaçada gratuitamente a integridade de José Genoino, cuja frágil situação de saúde é de todos conhecida.

A concessão de tratamento em hospital ou domicílio a Genoino, anteontem, começou a reparar a série de abusos praticados no aparente intuito de causar sensação. Passada a fervura midiática e com a aparição de vozes divergentes em cena, espera-se que os demais atropelos também sejam corrigidos. Fica, no entanto, a impressão de que há um incendiário no comando, o que lança dúvidas sobre a condução que impôs a todo processo anterior.

André Singer
No fAlha
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Apoiar Joaquim Barbosa foi das coisas mais baixas que FHC fez em sua vida

Apoiar a brutalidade de Joaquim Barbosa foi uma das coisas mais baixas que Fernando Henrique Cardoso fez em sua vida política.

Não sei o que é pior no martírio de Genoíno: o silêncio de Lula ou a voz de Fernando Henrique.

Se Lula acha que basta dizer, privadamente, que está com Genoino, comete um grande engano.

Há situações que exigem bravura, e até o risco que a audácia traz sempre, e esta é uma delas.

Genoíno não pode ser triturado física e mentalmente sem que Lula se manifeste claramente em sua defesa.

Lula vai esperar que Genoíno morra para berrar sua solidariedade a um companheiro de tantas jornadas? Vai deixar que os carrascos liderados por Joaquim Barbosa comandem os acontecimentos e submetam Genoíno a uma tortura ainda mais infame que a que ele sofreu na ditadura?

Repito: ainda mais infame, porque teoricamente vivemos hoje uma democracia. E é essa democracia que vai matando Genoíno sob a omissão de tantos, e mais que todos Lula.

Não é um espetáculo edificante a falta de palavras de Lula, decerto. De certa forma, ela está no mesmo patamar das abjetas declarações de Fernando Henrique Cardoso sobre o deprimente espetáculo das prisões dos reus do Mensalão.

A quem FHC pensa que engana com aquela conversa de virgem num lupanar? Apoiar a brutalidade de Joaquim Barbosa foi uma das coisas mais baixas que FHC fez em sua vida política.

Octogenário, esperto, FHC não tem o direito de achar que alguém possa acreditar, como ele disse, que a Constituição foi defendida com as prisões.

Ora, FHC comprou a Constituição em 1997 para poder se reeleger. Como contou à Folha na época um certo “Senhor X” – que até os mortos do cemitério de Brasília sabiam tratar-se do deputado Narciso Mendes, do Acre – sacolas com 200 mil reais (530 mil, em dinheiro de hoje) foram distribuídas a parlamentares para que a Constituição fosse alterada.

Os detalhes oscilam entre a comédia e a tragédia, como contou Mendes. Os parlamentarem tinham recebido um cheque, como garantia. Comprovado o voto, os cheques foram rasgados e trocados por sacolas cheias de dinheiro, como numa cena de Breaking Bad, a grande série em que um professor de química com os dias contados vira um traficante de metanfetamina para garantir o futuro da família.

E sendo isso de conhecimento amplo, geral e irrestrito FHC defende, aspas, a Constituição que ele comprou há 16 anos?

FHC, no fim de sua jornada, lamentavelmente vai se tornando parecido com o sinistro Carlos Lacerda, o homem – ou o Corvo, como era conhecido – que esteve por trás da morte de Getúlio e da deposição de Jango.

FHC, em nome sabe-se lá do que, se presta hoje a fazer o jogo de uma direita predadora que, à míngua histórica de votos, faz uso indecente de “campanhas contra a corrupção” para derrubar administrações populares.

Sêneca, numa de suas passagens mais inspiradas, disse o seguinte: “Quando lembro de certas coisas que disse, tenho inveja dos mudos”.

É uma passagem que se aplica perfeitamente a FHC.

Espremido entre a loquacidade falaz de um ex-presidente e o silêncio inexpugnável de outro, Genoíno vai vivendo seu martírio – o segundo numa vida só, o primeiro na ditadura, este nessa estranha democracia.

Paulo Nogueira
No Carta Maior
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STF: Aécio responderá por ter recebido recursos do Mensalão Tucano

Com base em Relatório da PF, Aécio Neves passa a integrar nova denúncia da PGR, contra mensaleiros tucanos com prerrogativa de foro perante o STF

Com base em Relatório da PF, Aécio Neves passa a integrar
nova denúncia da PGR, contra mensaleiros tucanos com
prerrogativa de foro perante o STF
Os Ministros do Supremo Tribunal Federal, na tarde desta quarta-feira (20), mostraram-se bastante assustados com a informação chegada da Procuradoria Geral da República, dando conta de que nova denúncia será apresentada a Corte, contendo mais 10 autoridades com prerrogativa de foro no processo conhecido como mensalão tucano.

Aécio recebeu R$ 110.000,00 do esquema criminoso, conforme consta nas pág. 14 e 15 do relatório da Polícia Federal. Fontes da PGR informam que a denúncia correrá separada da Ação Penal a que já responde o ex-governado e atual deputado federal Eduardo Azeredo. Fato idêntico ao que vem ocorrendo em relação ao senador Clesio Andrade. Na nova denúncia, segundo a mesma fonte da PGR, constaria além de Aécio Neves, mais nove deputados federais.

Indagado por jornalistas, Aécio Neves declarou na manhã desta quinta-feira (21) não temer o julgamento do chamado mensalão tucano. Em entrevista à rádio CBN de Goiânia, o pré-candidato do PSDB à Presidência da República afirmou que, "esta ação já deveria ter sido julgada há tempos. Os responsáveis têm que ser punidos. Nós do PSDB não temos que temer absolutamente nada", disse Aécio à jornalista Fabiana Pulcineli, rechaçando qualquer envolvimento com o caso. 

Políticos próximos de Aécio, confirmam que a principal preocupação do senador é que a apresentação desta nova denúncia está ocorrendo no momento em que os condenados no chamado mensalão do PT estão presos, e diversas críticas se voltam para o processo que envolve o PSDB em Minas Gerais. 

Hoje, por exemplo, a “Folha de S. Paulo” cobrou o julgamento do caso pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o jornal, "após o desfecho do processo do mensalão petista, a Suprema Corte brasileira não pode dar espaço à interpretação de que funciona em regimes distintos de acordo com a coloração partidária dos acusados".

Documento que fundamenta a matéria:

No Novo Jornal
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Eduardo Cunha: a Ação Penal 858 vem aí

Cunha é lobista e réu no Supremo. Defende os portos do Dantas, as mineradoras e as telefônicas no Marco Civil.


No Conversa Afiada
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Morcego não é corvo

http://www.william.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/10/superjoaquim-145x145.jpg 

Escrevo porque é impossível ficar calado diante do espetáculo dantesco a que estamos assistindo.

Ver mais alta Corte brasileira transformada em palco de mesquinharias, vaidades e crueldades desumanidades é impensável, para nós, que lutamos pelo restabelecimento de sua grandeza no Estado de Direito.

Joaquim Barbosa transformou-se num imperador inclemente, que exerce seu cargo sem grandeza.

E que apequena a todos os ministros, porque vemos reduzidos ao silêncio os seus pares que, como o nome indica, não poderiam se omitir. Alegar, apenas, que é sob o comando da presidência do STF que se encontra a execução da pena dos condenados da Ação Penal 470 não os absolve deste papel, pois o dever de preservar a Justiça se reparte igualmente entre todos.

Nem mesmo durante a ditadura a nossa Corte Suprema acovardou-se como agora.

Victor Nunes, Hermes Lima e Evandro Lins e Silva, cassados, ficaram como tributo à virtude de um Tribunal onde remanesceu o pior dos vícios judiciais: a covardia.

O poder das baionetas, porém, acovardou-o menos que o poder incontrastável de uma mídia uníssona e tomada do ódio mais irracional.

Os jornais brasileiros tornaram-se uma espécie de República do Galeão, aquela onde a única lei e a única ordem era transformar Getúlio Vargas num criminoso.

O cinismo de todos eles é tanto que são incapazes sequer de falar sobre a correria da captura, desatada num feriado, para alguns dos réus, enquanto os demais, na mesma condição jurídica, permanecem uma semana à espera que Sua Excelência determine-lhes o mesmo que aos outros réus despachou sobre a perna.

De igual forma, a demora em atender uma situação evidente de perigo físico para José Genoino torna evidente quanto apequena o cargo a atitude de Joaquim Barbosa.

Ou melhor, o quanto Barbosa faz a Presidência do STF caber numa capa miúda, como seria a de beleguim do Tribunal da Mídia, esta possuída pelo espírito de Roberto Jefferson, despertos seus instintos mais primitivos.

Javert, de Os Miseráveis, foi-lhe indevidamente comparado outro dia, em um blog. Não! Em Javert, o Estado perseguidor não apagou nele o ser capaz do gesto final de humanidade com Jean Valjean, atirando a si mesmo nas águas do Sena.

Não se sugere, em absoluto, o mesmo para Barbosa, nas águas de Key West, na Flórida, a Paris dos sem-luz de hoje.

Os dias farão melhor, porque o que se constrói com a histeria desfaz-se e evapora na serenidade.

Joaquim Barbosa nem mesmo é um Lacerda de toga.

A imagem do morcego, cego e incapaz de viver sem o abrigo da caverna da escuridão, cai-lhe melhor que a de Corvo.

Fernando Brito
No Conversa Afiada
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Secadora em oferta

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Presos: o que se quer é justiça ou revanche? punição ou vingança?

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Genoíno linchado pela mídia, salva o jornalista Caco Barcelos (Rede Globo) de linchamento


Caco Barcellos com José Genoíno na retaguarda, Caco tenta escapar de agressão em 2000 durante manifestação em Brasilia.

No Blog Ideia Certa
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Quem é e como operava o informante

Mais do que uma testemunha, o ex-diretor da Siemens, Everton Rheinheimer, delator do propinoduto tucano, era um dos expoentes do esquema


O homem que pode abalar o Palácio dos Bandeirantes. Assim integrantes da força-tarefa responsável pela apuração do propinoduto tucano descrevem Everton Rheinheimer. A definição atribuída ao ex-diretor da divisão de transportes da Siemens não está relacionada apenas às suas mais recentes revelações ao Ministério Público, que fizeram com que o escândalo chegasse à cúpula tucana. Além de ser uma testemunha que acompanhou de perto toda a tramoia, Rheinheimer, na condição de dirigente da empresa alemã, era um dos expoentes do esquema. Reunia-se com lobistas, transitava com desenvoltura entre autoridades da CPTM e do Metrô e, segundo relato dele a interlocutores, chegou até a distribuir propina a mando da Siemens e com o conhecimento e o aval de políticos do PSDB.

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O CARA
O ex-diretor da Siemens reunia-se com lobistas, transitava entre
autoridades da CPTM e do Metrô e até distribuía propinas

Ao longo de mais de duas décadas na Siemens, Everton Rheinheimer fez carreira até chegar à direção da bilionária divisão de transportes da companhia em 2001. A pessoas próximas, o ex-executivo narra que, ao participar de reuniões com autoridades do setor de transporte sobre trilhos, autorizar pagamento de propina e assegurar a participação da multinacional no cartel, ele apenas deu continuidade a uma prática recorrente na gestão de seu antecessor. A prática usual, mas nada lícita, era o único caminho para a Siemens conseguir amealhar contratos com o poder público, costuma dizer o ex-executivo. Sob sua gestão e com a ajuda dos lobistas Arthur Teixeira e Sérgio Teixeira, a Siemens sagrou-se vencedora de uma série de licitações que lesaram os contribuintes do Estado de São Paulo e do Distrito Federal. Foi com base nessa atuação e no que presenciou durante os governos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra (2001 a 2007) que Rheinheimer enviou, na manhã de 12 de junho de 2008, uma carta anônima, de cinco páginas, ao ombudsman mundial da Siemens. No documento, com 77 tópicos e seis anexos, o ex-executivo relatou as ilegalidades praticadas pela filial brasileira e suas concorrentes. Na carta e em depoimentos prestados ao Ministério Publico e à Polícia Federal, ele revela uma lista extensa de políticos e servidores corrompidos pela Siemens, entre eles os secretários estaduais Edson Aparecido (Casa Civil), José Aníbal (Energia) e o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP). O informante relata ainda o “estreito relacionamento” entre o principal lobista do cartel, Arthur Teixeira, e os também secretários Jurandir Fernandes (PSDB) e Rodrigo Garcia (DEM), além do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), o deputado federal Walter Feldman (PSB-SP) e o deputado estadual Campos Machado (PTB). Segundo o ex-executivo, o propinoduto abasteceu o “caixa 2 do PSDB e do DEM”. Todos os políticos negam envolvimento com as irregularidades.

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PARCERIA
O lobista Arthur Teixeira, o diretor da CPTM, José Luís Lavorente, e o secretário
Jurandir Fernandes (da esq. para a dir.): segundo o informante, os três participaram do esquema

Para pessoas de seu circulo íntimo, Everton Rheinheimer alega que resolveu abrir o verbo porque teria se revoltado com a maneira como o esquema era operado. Seu estado de ânimo teria se transformado após ele, pela primeira vez, ter feito a entrega da propina pessoalmente. Em meados de 2006, sem poder contar com a ajuda dos portadores frequentes ou lobistas, o ex-executivo teve de levar uma mala de dinheiro a um político paulista. “Foi um constrangimento para mim”, disse ele a interlocutores. Daí em diante, resolveu registrar e colher provas das práticas ilegais do cartel dos transportes. A versão heroica do ex-executivo contrasta com relatos de diretores de empresas subcontratadas pela Siemens. Segundo um executivo de uma empresa que teria participado do esquema, Rheinheimer não se constrangia em cobrar as comissões. “O dinheiro é para a base aliada do governo do PSDB”, alertava sempre Rheinheimer, segundo testemunho da fonte ouvida por IstoÉ. “Sem a grana, não tinha negócio, dizia ele”, acrescentou a fonte.

Como ponta de lança do esquema, Everton Rheinheimer não teria dificuldades em reunir provas que incriminassem autoridades e políticos. Uma parte dessas provas já se tornou pública em reportagens publicadas por IstoÉ desde julho. Entre elas, os contratos de fachada entre o conglomerado alemão e as consultorias radicadas em paraísos fiscais Leraway S/A e Gantown S/A, dos lobistas Sérgio Teixeira – morto em 2011 – e Arthur Teixeira. Este, indiciado pela Polícia Federal pelos delitos de corrupção ativa por subornar agentes públicos da área de transporte, lavagem de dinheiro e crime financeiro e alvo de bloqueio de bens por decisão da Justiça Federal. Também foram entregues por Everton, como IstoÉ publicou com exclusividade, planilhas de saques da firma MGE de valores destinados a pagamentos a autoridades e cópias de contratos de serviços nunca prestados, segundo ele, firmados entre a empresa e a Siemens para esconder a origem da propina.

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Se há controvérsias quanto aos reais motivos que o levaram a detonar o esquema, o fato é que Rheinheimer só resolveu contar o que sabia um ano depois de a Siemens ser apanhada num dos maiores escândalos corporativos do mundo e lançar uma campanha para acabar com a prática de corrupção a agentes públicos em suas filiais em 2007. A carta enviada ao ombudsman da Siemens, no entanto, não teve o efeito que ele esperava inicialmente. Contrariado com o fato de a Siemens não levar adiante suas denúncias, o ex-executivo procurou a bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo. Nos primeiros contatos, deixava documentos ou relatos das falcatruas em um local próximo à sede do Legislativo paulista e ligava de um orelhão, sem se identificar, para que assessores do partido buscassem a papelada. Os documentos serviram de base para uma série de representações da bancada petista endereçadas ao Ministério Público – a maior parte se refere a contratos das estatais paulistas hoje sob investigação. Meses depois, identificou-se e passou a municiar ainda mais os parlamentares do PT. Acompanhado do então deputado estadual Simão Pedro, chegou até a conversar com um promotor paulista, mas não quis prestar depoimento por temer represálias de pessoas ligadas ao cartel. Foi então que recorreu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão ligado ao Ministério da Justiça responsável por punir crimes que afetam a livre concorrência de mercado, como o de cartel. A proximidade com autoridades o fez sonhar com voos mais altos. Segundo documento da PF, Rheinheimer teria sugerido trocar dados sobre o cartel por um emprego na mineradora Vale, o que não se concretizou. Mesmo sem o emprego, ele forneceu informações suficientes para que a instituição pressionasse a Siemens a fazer um acordo de leniência – em que, em troca de denunciar todo o esquema, garantia imunidade a si e a seus antigos e atuais executivos –, trazendo à tona, em julho, o escândalo do propinoduto tucano. Desde então, de acordo com pessoas próximas ao ex-executivo, a Siemens passou a pagar sua defesa e viagens à Alemanha para retirá-lo do assédio de jornalistas. A preocupação com cortejo é tanta que ele removeu fotos suas da internet e tem evitado ficar em casa.

Fotos: Leonardo Rodrigues/Valor/Folhapress; Julien Pereira/Fotoarena; Mônica Zarattini/AE
Pedro Marcondes de Moura, Sérgio Pardellas e Alan Rodrigues
No IstoÉ
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Da série Hitler descobre


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Joaquim Barbosa manda prender mais três e pede música no Fantástico

O time do STF se apresentou para julgar o Mensalão Mineiro

GOTHAM CITY - Com apurado faro de Justiça, Joaquim Barbosa mandou mais três acusados para a cadeia. "Vou pedir Se gritar pega ladrão no Fantástico", comemorou no Supremo, batucando numa caixinha de fósforos.

A atuação chamou a atenção da CBF e da FIFA. "Venho acompanhando o desempenho de Barbosa há muito tempo. É um profissional com atuações seguras e, até onde apurei, não almeja se nacionalizar espanhol. Pode ser o juiz brasileiro na Copa de 2014", adiantou José Maria Marin.

No final da tarde, entidades como a CNBB, OAB e Procure Saber assinaram um documento exigindo que Joaquim Barbosa emita mandados de prisão para Cristiano Ronaldo, Messi e Mario Balotelli.

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Lula: "Não entendo quem não acredita no Brasil"


Ex-presidente bateu duro contra o " complexo de vira-latas" dos que "torcem contra o Brasil" e fulminou o tucano José Serra sobre as insinuações da oposição acerca de suas participações em eventos públicos desde que deixou o Planalto; "Quando eu era presidente, incomodava muita gente porque ia em inauguração de tudo quanto é fabrica. O Serra falava assim: 'o Lula vai até em cerimônia de empréstimo do BNDES. Eu ia porque queria participar de coisas positivas"; Lula participa da inauguração da fábrica da cerveja Itaipava em Alagoinhas

Ex-presidente Lula fez discurso inflamado, semelhante ao da presidente Dilma Rouseff em entrevista exclusiva ao Brasil 247, sobre "os que torcem contra o Brasil" nesta sexta-feira (22) no município de Alagoinhas, onde participou de inauguração da primeira fábrica de produção de cerveja do Grupo Petrópolis Itaipava no Nordeste.

"Não entendo a cabeça de quem não acredita no Brasil, de quem acha que o que é de fora é melhor", disse o ex-presidente.

Ele também fulminou sobre as insinuações da oposição acerca de suas participações em eventos públicos desde que deixou o Planalto. "Quando eu era presidente, incomodava muita gente porque ia em inauguração de tudo quanto é fabrica. O Serra falava assim: 'o Lula vai até em cerimônia de empréstimo do BNDES. Eu ia porque queria participar de coisas positivas".

O ex-presidente voltou a reclamar da "imprensa de elite" e brincou com o presidente do Grupo Petrópolis. Disse que gosta de beber com ele "porque não precisa pagar". "Tem que beber com moderação. Quando tomarem uma, lembrem que o Lulinha vai passar para tomar a outra".

Alagoinhas possui ainda fábricas da Brasil Kirin e das Indústrias São Miguel. Unidade da Itaipava vai gerar 3.600 postos de trabalho diretos.

Romulo Faro
No 247
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Por que os médicos cubanos são tão queridos?

Exigiram a volta deste médico cubano em Feira de Santana

Os médicos brasileiros aprenderam uma coisa rapidamente com a chegada de seus colegas – ou rivais, segundo a visão dominante entre eles – cubano: são detestados.

Exagerei?

Então vou colocar a coisa de forma mais branda: não são amados. Especificamente entre os brasileiros desvalidos, esta é uma verdade doída que nem os médicos brasileiros podem contestar sem enrubescer.

O episódio de Feira Santana é particularmente revelador. A força do tema é tanta que Feira de Santana, pela primeira vez em muitos anos, virou assunto nacional.

Um médico cubano teria escrito no papel uma dose errada para uma criança com febre. Na consulta em si, segundo a mãe da criança, o médico explicou tudo com clareza e acerto.

Alguém teve acesso à receita e a usou para denunciar o cubano. Ele foi afastado.

E isso gerou uma revolta entre as pessoas, as humildes pessoas, que tinham sido atendidas pelo cubano.

A primeira da lista da revolta era a própria mãe do garoto. Ela se mobilizou pela reintegração do cubano. Em sua simplicidade, disse o que todos sabemos: os cubanos tratam seus pacientes com carinho e atenção, enquanto os brasileiros, retiradas como de hábito as exceções, sequer os olham.

De certa forma, os mal-amados médicos brasileiros são vítimas. Eles foram e são educados num sistema mercantil em que a saúde é uma mercadoria com finalidades estritamente lucrativas.

São fortemente influenciados por gigantescos laboratórios multinacionais que simplesmente quebrariam se a humanidade, subitamente, se tornasse saudável.

Por viverem da doença, os laboratórios estimulam os médicos – sempre convidados a bocas livres em hotéis e cidades especiais – a receitar remédios sempre.

É raro você sair de uma consulta sobre um colesterol alto sem que o médico indique medicamentos, em vez de uma vida mais saudável com exercícios e uma dieta menos assassina.

A internacionalmente aclamada medicina cubana tem outra visão da saúde.

Para os médicos cubanos, a chave está na prevenção. Tenha bons hábitos. Em Cuba, existe o chamado doutor comunitário. Como um amigo, ele acompanha as pessoas de uma determinada região.

Uma vez por ano, o doutor comunitário faz uma visita de surpresa ao paciente, em sua casa, para ver se seus hábitos estão de acordo com uma vida de saúde.

É por isso que é comum, em Cuba, você ver idosos se exercitando na praia. O resultado é que a expectativa de vida em Cuba, a despeito das limitações econômicas impostas pelo duríssimo embargo americano, é uma das maiores do mundo.

Além de tudo, a medicina, em Cuba, conservou algo do sacerdócio e do idealismo que o império do dinheiro foi destruindo no Ocidente, incluído o Brasil.

A principal motivação de um candidato a médico, no Brasil, é a remuneração. É uma das profissões mais bem pagas.

Dentro dessa lógica pecuniária, o jovem médico vai se estabelecer onde pode ganhar mais dinheiro: São Paulo, por exemplo.

Por isso, e pela inação de tantos governos, milhões de desvalidos em cidades remotas ficaram ao longo dos tempos sem um único médico.

Ou, como no caso de Feira de Santana, com médicos que gostariam de estar em outro lugar, com uma clientela disposta a pagar 400, 500, 600 reais por uma consulta.

Os médicos brasileiros, diante da chegada dos cubanos, têm agora duas alternativas.

Uma é ficar sabotando-os. É a mais fácil.

Outra é, humildemente, aprender com eles. É a mais sábia, tanto para os médicos brasileiros como para a sociedade como um todo.

A não ser que os médicos brasileiros se reinventem, logo as pessoas – e não estou falando apenas das desvalidas – passarão a sonhar em ter um médico cubano para cuidar delas.

Paulo Nogueira
No DCM
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Enfim, um negro chega lá

Ao indicar ministro negro para
o STF, Lula manda mensagem
emblemática à sociedade

Policarpo Junior
Veja - Edição 1 802 - 14 de maio de 2003

Fotos acervo STF
acervo STF
Hermenegildo de Barros (à esq.) e Pedro Lessa: mulatos no Supremo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tomado iniciativas que misturam ineditismo e forte conteúdo simbólico. Depois de tomar posse, levou uma caravana de ministros a uma favela em Pernambuco. Dias atrás, saiu do Palácio do Planalto à frente de 27 governadores para entregar ao Congresso Nacional as propostas das reformas previdenciária e tributária. Na semana passada, ao anunciar o nome dos três novos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula também aproveitou a oportunidade para mandar uma mensagem à sociedade que o elegeu presidente. Entre os escolhidos, está o procurador da República Joaquim Benedito Barbosa Gomes, 48 anos, o primeiro negro indicado para compor a mais alta corte do país desde sua criação, em 1829. Nascido em Minas Gerais, diplomado em Brasília, com doutorado em Paris e trabalhando no Rio de Janeiro, Barbosa Gomes construiu sua carreira a partir de uma origem humilde. Filho de pedreiro, sempre estudou em escola pública, morou em pensionato enquanto cursava a Universidade de Brasília e, para se sustentar, trabalhava, de madrugada, como digitador.

Festejando sua indicação, Barbosa Gomes foi o primeiro a reconhecer o simbolismo de sua ascensão. "Vejo como um ato de grande significação que sinaliza para a sociedade o fim de certas barreiras visíveis e invisíveis", disse. "Posso vir a ser o primeiro ministro reconhecidamente negro", completou. Isso porque, na história do STF, já houve dois negros – um mulato escuro, Hermenegildo de Barros, ministro de 1919 até a aposentadoria, em 1937, e outro mulato claro, Pedro Lessa, ministro de 1907 até sua morte, em 1921. Ambos nasceram no interior de Minas Gerais, como Barbosa Gomes, mas nenhum era "reconhecidamente negro" nem de origem tão humilde – o que empresta à indicação de agora um simbolismo ao mesmo tempo étnico e social. Na juventude, Barbosa Gomes trabalhava de madrugada, estudava de manhã e dormia à tarde. Na universidade, sustentou-se como funcionário da gráfica do Senado e, antes de se formar, prestou concurso para o Itamaraty. Como oficial de chancelaria, serviu na Finlândia. Mais tarde, fez doutorado em Paris e tornou-se professor visitante de duas universidades americanas – Columbia, em Nova York, e Ucla, em Los Angeles. É fluente em inglês, francês e alemão. Tem dois livros publicados. Um em francês, sobre o Supremo no sistema político brasileiro, e outro em português, a respeito da questão legal das ações afirmativas em favor dos negros.

Desde o início, Lula queria nomear um paulista, um nordestino e um negro. O nordestino escolhido é Carlos Ayres Britto, de Sergipe. Com posições de esquerda, já foi candidato a deputado federal pelo PT e assinou, há pouco tempo, um manifesto de juristas contra os acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O paulista é o desembargador Antonio Cezar Peluso, cujo perfil levemente conservador despertou resistência no ministro da Casa Civil, José Dirceu, para quem o ministro ideal era Eros Grau, jurista de formação à esquerda. Com sua indicação patrocinada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que insistiu em seu nome até o último minuto, Peluso acabou ganhando a parada. Antes, ele teve uma longa conversa com um velho amigo de Lula, o deputado Sigmaringa Seixas. Na conversa, Seixas quis sondar as posições do futuro ministro a respeito das reformas previdenciária e tributária – e não saiu com a impressão de que seu interlocutor era um jurista de postura conservadora. "Ele tem posições avançadas", comentou o ministro Thomaz Bastos, no auge das discussões em torno de nomes. O resultado final satisfez o Palácio do Planalto, pois, pelo menos em princípio e em tese, os três indicados têm posições simpáticas às reformas, o principal projeto político em curso do presidente Lula.

A indicação de Barbosa Gomes, que parecia ser a menos complexa, acabou sendo a mais trabalhosa. Ele foi um dos primeiros escolhidos, pois sua biografia contemplava à perfeição os aspectos que Lula queria prestigiar: negro, de origem humilde e com boa formação acadêmica. No meio do caminho, porém, o ministro Márcio Thomaz Bastos, a quem coube ouvir os candidatos e apresentar os nomes ao presidente, foi informado de um episódio constrangedor da biografia de Barbosa Gomes. Muitos anos atrás, quando ainda morava em Brasília, ele estava se separando de sua então mulher, Marileuza, e o casal disputava a guarda do único filho – Felipe, hoje com 18 anos. Na ocasião, Barbosa Gomes descontrolou-se e agrediu fisicamente Marileuza, que chegou a registrar queixa na delegacia mais próxima. O governo ficou com receio de que Barbosa Gomes se transformasse num caso como o de Clarence Thomas, o juiz negro da Suprema Corte americana que, ao ser nomeado para o cargo, foi acusado de assédio sexual, gerando um desgastante escândalo.

Enquanto o governo decidia o que fazer, os comentários pipocaram no próprio Supremo. A ministra Ellen Gracie, a única mulher da corte, no intervalo entre uma sessão e outra, mostrou-se preocupada. "Vai vir para cá um espancador de mulher?", perguntou ao colega Carlos Velloso. "Foi uma separação traumática", conciliou Velloso. "Mas existe alguma separação que não é traumática?", interveio o ministro Gilmar Mendes. Para desanuviar o ambiente, o ministro Nelson Jobim saiu-se com uma brincadeira machista, a pretexto de justificar a agressão: "A mulher era dele". O governo preocupou-se à toa. Indagado sobre o episódio pelo ministro da Justiça, Barbosa Gomes explicou que fora um desentendimento árduo, mas superado. Dias depois, Barbosa Gomes encaminhou ao Gabinete Civil da Presidência da República uma carta, assinada pela ex-mulher, reafirmando que tudo fora superado. Mais que isso, na carta Marileuza abonou o ex-marido – que não voltou a se casar e hoje mora com o filho do casal. "Na verdade, houve uma agressão mútua. Isso aconteceu num dia de ânimos acirrados. Somos amigos até hoje", disse Marileuza a VEJA. "Foi uma briga de família provocada por ressentimentos naturais numa separação", explicou Barbosa Gomes à revista. Com isso, o governo completou a trinca do Supremo sem temor. Agora, falta apenas o Senado aprovar o nome dos três candidatos.
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O esquecido Globo Rural

Globo usou esquema igual ao mensalão!


Documentos do STF, referentes ao inquerito que mais tarde se tornaria a Ação Penal 470, até hoje jamais publicizado pela imprensa, mostram que os empréstimos do Banco Rural, os mesmos que foram destinados ao PT, foram para varias empresas importantes no país, incluindo a Globo.

Onde estaria a apuração disso? Estaria no Inquérito 2474, chamado vulgarmente “Gavetão”?

Segue trecho do documento:

* * *

Denúncia do inquerito 2245, que depois virou a Ação Penal 470.

Página 90:

A vistoria realizada pelo Banco Central no Banco Rural demonstrou que essa instituição financeira estava envolvida em uma série de operações ilegítimas, contabilizadas de forma a mascarar a verdadeira natureza da operação, encobrindo a prática de operações vedadas e também de lavagem de dinheiro resultante de crimes contra o sistema financeiro nacional.

Além das operações ilícitas desenvolvidas com as empresas SMP&B e Graffiti, e com o Partido dos Trabalhadores, acima narradas, o PT 0501301503 também revela outras situações caracterizadoras de práticas fraudulentas envolvendo, principalmente, operações com as seguintes pessoas físicas e jurídicas:

- Moinho de Trigo Santo André S/A;

- Banktrade Agrícola Imp. Exp.;

- Tupy Fundições Ltda.;

- Globo Comunicações e Participações;

- ARG Ltda.;

- Securinvest Holdings S/A;

- Ademir Martines de Almeida;

- Agroindustrial Espírito Santo do Turvo;

- Agrícola Rio Turvo;

- Cia. Açucareira Usina João de Deus;

- Usina Carola S/A;

- Viação Cidade de Manaus Ltda.;

- Amadeo Rossi S/A;

- João Fonseca de Goes Filho;

- Enerquímica Empreend. Participações; e

- Noroeste Agroindustrial S/A.


No O Cafezinho
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Hannah Arendt e o prazer de Joaquim Barbosa com a luz dos refletores

Hannah Arendt

Em 1961, a filósofa alemã de origem judaica Hannah Arendt foi a Jerusalém cobrir para a revista New Yorker o julgamento de Adolf Eichmann. Eichmann havia sido capturado em Buenos Aires pelo serviço secreto. Durante o nazismo, fora chefe da Seção de Assuntos Judaicos e responsável pela organização do esquema de deportação para os campos de extermínio.

A reportagem saiu em duas edições e, posteriormente, virou o livro “Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal”. Essa expressão, que ela consagrou, estava na última linha do último capítulo do livro. Arendt se assombrou com a mediocridade de Eichmann, um burocrata que só se utilizava de clichês para falar, sem traços de anti-semitismo, um funcionário ambicioso sem discernimento moral e dotado de cega obediência aos superiores. Onde estava o monstro?

Publicado seu relato, ela foi acusada de nazista, perdeu amigos, recebeu ameaças de morte. Tocava no assunto delicado da cooperação de organizações judaicas no transporte para os campos. E criticou duramente o julgamento.

O que ela conta sobre o sensacionalismo em torno da corte cabe no que se viu aqui, transmitido ao vivo, durante o processo do mensalão.

Segundo Arendt, o julgamento, que deveria ser grandioso, perdia dimensão com a pequenez do réu e a atitude da promotoria e com o clima de “acerto contas”. Era algo que o estado israelense queria transformar em um espetáculo inesquecível para as próximas gerações. Ela insiste na teatralidade que colocava em xeque a noção de justiça do caso.

Para Arendt, o julgamento “foi instaurado não para satisfazer as exigências da justiça, mas para aplacar o desejo e talvez o direito de vingança das vítimas”. Enxergava a o seguinte paralelo: “Um julgamento parece uma peça de teatro porque ambos começam e terminam com o autor do ato, não com a vítima”. Eichmann se transformou no símbolo do nazismo e estava pagando por todos os crimes do regime — e também pela perseguição histórica aos judeus. Foi condenado e enforcado (Arendt, diga-se, não o absolve).

Arendt denunciou a vontade insaciável do promotor Gideon Hausner de aparecer. Estava na imprensa o tempo todo, lançava olhares para a plateia, gostava das câmeras e sabia se utilizar delas (o julgamento foi televisionado; está no YouTube). Hausner ganhou elogios públicos de John Kennedy por sua atuação. Mais tarde, teve ele mesmo uma carreira política.

“A Justiça não admite coisas desse tipo”, disse ela, referindo-se à vaidade e ao exibicionismo.”Ela exige isolamento, admite mais a tristeza do que a raiva, e pede a mais cautelosa abstinência diante de todos os prazeres de estar sob a luz dos refletores.” Luz sem a qual Joaquim Barbosa, por exemplo, não sobrevive.

A história da filósofa em Jerusalém, aliás, está no bom filme “Hannah Arendt”, lançado neste ano no Brasil. Existe em DVD.

Kiko Nogueira
No DCM
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Pizzolato, uma história esquecida

O ex-diretor do Banco do Brasil recebeu do valerioduto para incriminar Luiz Gushiken

O ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato: de nome
favorito de Daniel Dantas para comandar fundos de pensão
à fuga para a Itália
Interpol
Nestes anos de longa e insana disputa política provocada pelo escândalo do “mensalão”, os fatos tomaram uma goleada no confronto com as versões. Muitas histórias importantes para entender os acontecimentos se perderam pelo caminho. Foram convenientemente esquecidas por não se encaixar na tese central que conduziu o julgamento no Supremo Tribunal Federal.

É claro que o ex-diretor de Marketing do Banco Brasil Henrique Pizzolato não poderia ter pagado sozinho a conta dos repasses de dinheiro ao fundo Visanet, dada a lista de funcionários do BB que assinaram autorizações semelhantes ou que tinham mais poder no processo de decisão. É óbvio que os publicitários Cristiano Paz e Ramon Hollerbach reuniram provas suficientes do uso legal da verba publicitária do cartão de crédito. A documentação, periciada por consultoria independente, não deixa dúvidas sobre os repasses a meios de comunicação e a esportistas patrocinados pelo cartão de crédito do banco. Ou seja, os mais de 70 milhões foram parar nos cofres da Globo e companhia e não no bolso de políticos.

Mas há um furo neste roteiro. Pizzolato recebeu 326 mil reais de Marcos Valério. Ele garante ter repassado os recursos ao PT. Nunca explicou, porém, o motivo de ter lançado à lama o nome de Luiz Gushiken. Vamos relembrar: pressionado, Pizzolato, em vez de dizer que os contratos das agências de Valério com a Visanet foram assinados no governo Fernando Henrique Cardoso e que ele apenas seguiu o padrão ao autorizar os repasses, preferiu jogar a responsabilidade da liberação do dinheiro sobre as costas do então secretário de Comunicação do governo Lula. Seu depoimento baseou a denúncia do Ministério Público contra Gushiken, mais tarde inocentado pelo Supremo. Vilipendiado e doente, o ex-ministro ainda teria tempo de ver sua inocência confirmada antes de morrer.

À época do depoimento de Pizzolato estava em curso o maior lobby feito por Marcos Valério no governo: a defesa dos interesses de Daniel Dantas. O banqueiro queria submeter à sua vontade os fundos de pensão de empresas estatais sócios do Opportunity em telefônicas privatizadas. Gushiken estava do lado dos fundos. Outros integrantes do governo se associaram a Dantas em uma guerra intestina por trás dos muros palacianos.

Marcos Valério foi a Lisboa, naquela famosa viagem tão noticiada, em companhia de Emerson Palmieri, então tesoureiro do PTB, para negociar a venda da Telemig Celular à Portugal Telecom por 5 bilhões de reais. O dinheiro seria usado pelo Opportunity para comprar a parte da Telecom Italia na BrT, que operava no Centro-Oeste e Sul do Brasil.

Era necessário, porém, obter o aval dos fundos de pensão. Sob a liderança de Sérgio Rosa, presidente da Previ, fundação do Banco do Brasil, os dirigentes da Funcef (Caixa) e Petros (Petrobras) resistiam. Quem lhes dava sustentação política era Gushiken.

O plano de Dantas e seus aliados no governo visava derrubar Rosa da Previ, o mais rico e influente dos fundos, e instalar um nome simpático à transação que beneficiaria o banqueiro e prejudicaria os cofres públicos. Quem? Pizzolato estava entre os cotados.

CartaCapital narrou este enredo em mais de uma edição ao longo de 2005 e 2006. Consta que um inquérito paralelo ao do “mensalão” de número 2474, em tramitação, reuniria novos detalhes do caso e evidências da participação de Dantas no esquema. Falta Joaquim Barbosa adotar o mesmo “padrão Fifa” de eficiência e tirar o processo da gaveta.

PS: Quando o governo costurou a patranha da BrOi, a fusão da BrT com a OI, operação que rendeu mais de 1 bilhão de reais a Dantas, Pizzolato mudou seu depoimento e retirou as acusações contra Gushiken.

Sergio Lirio
No CartaCapital
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Joaquim Barbosa e a face tenebrosa da maldade


A disputa política permite toda sorte de retórica. Populistas, insensíveis, reacionários, porra-loucas, o vocabulário é abrangente, da linguagem culta à chula.

Em todos esses anos acompanhando e participando de polêmicas, jamais vi definição mais sintética e arrasadora do que a do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello sobre Joaquim Barbosa: “É uma pessoa má”.

Não se trata se julgamento moral ou político. Tem a ver com distúrbios psicológicos que acometem algumas pessoas, matando qualquer sentimento de compaixão ou humanidade ou de identificação com o próximo. É o estado de espírito que mais aproxima o homem dos animais.

O julgamento da bondade ou maldade não se dá no campo ideológico. Celso Antônio Bandeira de Mello é uma pessoa generosa, assim como Cláudio Lembo, cada qual com sua linha de pensamento. Conheci radicais de lado a lado que, no plano pessoal, são pessoas extremamente doces. Roberto Campos era um doce de pessoa, assim como Celso Furtado.

A maldade também não é característica moral. O advogado Saulo Ramos, o homem que me processou enquanto Ministro de Sarney, que conseguiu meu pescoço na Folha em 1987, que participou das maiores estripulias que já testemunhei de um advogado, nos anos 70 bancou o financiamento habitacional de um juiz cassado pelos militares. E fez aprovar uma lei equiparando direitos de filhos adotados com biológicos, em homenagem ao seu filho.

A maldade é um aleijão tão virulento, que existe pudor em expô-la às claras. Muitas vezes pessoas são levadas a atos de maldade, mas tratam de esconde-los atrás de subterfúgios variados, com o mesmo pudor que acomete o pai de família que sai à caça depois do expediente; ou os que buscam prazeres proibidos.

Joaquim Barbosa é um caso de maldade explícita.  Longe de mim me aventurar a ensaios psicológicos sobre o que leva uma pessoa a esse estado de absoluta falta de compaixão. Mas a  natureza da sua maldade é a mesma do agente penitenciário que se compraz em torturar prisioneiros; ou dos militares que participavam de sessões de tortura - para me limitar aos operadores do poder de Estado. Apenas as circunstâncias diferem.

A natureza o dotou de uma garra e inteligência privilegiadas. Por mérito próprio, teve acesso ao que de mais elevado o pensamento jurídico internacional produziu, a ciência das leis, da cidadania, da consagração dos direitos.

Nada foi capaz de civilizar a brutalidade abrigada em seu peito, o prazer sádico de infligir o dano a terceiros, o sadismo de deixar incompleta uma ordem de prisão para saborear as consequências dos seus erros sobre um prisioneiro correndo risco de morte.

Involuntariamente, Genoíno deu a derradeira contribuição aos hábitos políticos nacionais: revelou, em toda sua extensão, a face tenebrosa da maldade.

Espera-se que nenhum político seja louco a ponto de abrir espaço para este senhor.

Luis Nassif
No GGN
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