13 de nov de 2013

Algumas reflexões sobre a ação penal 470


Na atual fase da Ação Penal 470, tenta-se trazer uma figura oriunda do direito do trabalho para o processo civil

1. A ação da Procuradoria Geral da República tem se caracterizado, durante todo o processo, como carente de técnica jurídica.

2. A acusação tem uma estrutura montada a partir de ficção literária, conforme a associação de versões verossimelhantes. Nessas confere-se valor jurídico ao plausível. Ocorre que esse tipo de pensamento não se aplica ao direito penal, que exige a comprovação fática do que se alega. Não é suficiente, no direito penal, estabelecer a culpa, pois para se obter uma condenação penal é necessário demonstrar o dolo do agente.

3. Na atual fase da Ação Penal 470, tenta-se trazer uma figura oriunda do direito do trabalho para o processo civil. Trata-se da "sentença da parte incontrovertida da demanada". Esse instituto se desenvolveu no direito do trabalho, no qual, nas reclamações trabalhistas, o que o empregador concorda na reclamação do trabalhador é imediatamente entregue. Por exemplo, o empregado diz que o patrão lhe deve 10 mil reais. O patrão concorda que deve 6 mil. Nesse caso, o empregador deposita os 6 mil e o Juiz do Trabalho entrega esses 6 mil ao trabalhador e a ação prossegue apenas se discutindo os 4 mil, em torno dos quais não há consenso.

4. Então, o atual PGR, Rodrigo Janot, pretende aplicar uma norma do Processo Civil (a sentença da parte incontroversa da demanda) ao direito penal. Ocorre que no Processo Civil se entrega aquilo que é líquido, isto é, aquilo sobre o qual não há mais o que discutir.

Do ponto de vista da técnica jurídica, a PGR atropela toda a história do STF, que nunca aplicou uma pena em ações que não transitaram em julgado.

No caso específico, a sentença da parte incontroversa da demanda exige dois requisitos: (1) que o direito seja disponível, isto é, que se possa dele transigir e (2) que haja consenso sobre o que será antecipado e entregue à parte pelo Juiz.

Definitivamente isso não se aplica no direito penal, sob pena de as garantias e os direitos fundamentais se esfacelaram.

5. Não há execução parcial de sentença penal porque as liberdades são indisponíveis, isto é, não há acordos que resultem em antecipação de penas, pois o regimente jurídico ainda vigente no Brasil é o dos direitos fundamentais.

O que me preocupa é o afobamento, é a falta de cuidado em ultrapassar as barreiras civilizatórias, em que os direitos são negligenciados, fazendo-se coincidir o "fazer justiça" com justiciamento.

Luiz Moreira é membro do Conselho Nacional do Ministério Público e diretor da Faculdade de Direito de Contagem

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Tucanos roubam até no Prêmio Esso

Júri tucano derruba propinoduto no Esso


Clima de revolta no meio jornalístico; com os jurados Ricardo Setti (Veja), Marcus Emilio Gonçalves (ex-editor de Veja), José Marcio Mendonça (economista ligado ao PSDB), Matinas Suzuki (ex-Folha) e Kristina Michahelles (ex-Veja), Prêmio Esso evita conferir o grande prêmio do ano à série de reportagens da Istoé sobre o escândalo Siemens e Alstom; denúncias reabriram investigação suíça, colocaram sob suspeita o promotor Rodrigo de Grandis e já causaram bloqueios judiciais de R$ 60 milhões – repita-se SESSENTA MILHÕES DE REAIS – dos suspeitos; no julgamento, Setti tratou caso como "irrelevante" e a Esso preferiu se desmoralizar de vez

O clima é de revolta no meio jornalístico. Havia praticamente a certeza de vitória pela 58ª Edição do Prêmio Esso de Jornalismo para a série de reportagens publicada pela revista Istoé sobre o chamado propinoduto tucano. As denúncias sobre o esquema de propina entre multinacionais, servidores públicos e políticos do PSDB em licitações do transporte ferroviário do Estado de São Paulo, no entanto, não receberam o prestígio dos jurados. O motivo: o júri era prodominantemente tucano, formado por profissionais ligados à revista Veja. O mais notório deles, Ricardo Setti, em vários momentos, desqualificou as reportagens, tratando-as como "irrelevantes".

No entanto, desde que a série começou a ser publicada, várias consequências práticas já ocorreram. A mais importante foi a abertura da investigação suíça, que foi engavetada durante dois anos pelo procurador Rodrigo de Grandis – aliás, ele próprio será investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público por prevaricação. Além disso, R$ 60 milhões – repita-se SESSENTA MILHÕES DE REAIS – dos suspeitos foram bloqueados.

O escândalo de grandes proporções, que envolve principalmente as empresas Siemens e Alstom, ocorreu durante os governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin no Estado. As reportagens sobre o caso provocaram um dos maiores escândalos em governos ligados ao PSDB.

Entre os jurados da fase final, estavam Ricardo Setti, colunista de Veja, Marcus Emilio Gonçalves, ex-editor de Veja, José Marcio Mendonça, economista ligado ao PSDB, Kristina Michaellis, ex-Veja, e Matinas Suzuki, ex-Folha.

No 247
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Laerte posa sem roupa para a revista Rolling Stone Brasil

Cartunista é capa da edição de aniversário da revista



A edição de aniversário da Rolling Stone Brasil traz na capa a cartunista Laerte - com entrevista e ensaio fotográfico sem roupas. Tendo assumido publicamente seu hábito de se vestir com roupas e acessórios de mulher em 2010, a cartunista fez o termo crossdressing ser conhecido pelo brasileiros. De repente, todos queriam saber "o que aconteceu" com Laerte.

— Eu estava pouco disposta a construir outra blindagem, sabe? — conta à Rolling Stone, já bem acostumada a referir-se a si própria no feminino. — Escolhi não viver a minha homossexualidade por décadas. Não tinha mais como não ser eu.

Sem coragem de enfrentar tabus quando mais jovem, Laerte decidiu suprimir o desejo. Casou três vezes e teve três filhos. Quase 40 anos depois, sem maiores desculpas, resolveu se travestir. Passou batom, depilou as pernas, botou uma peruca e saiu à rua. Porém, o acidente de carro que matou seu filho Diogo o fez repensar o assunto. A entrevista completa sai na edição que chega às bandas no RJ e em SP no dia 14 e na próxima semana nos outros estados.
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Crítica à repressão policial ajuda vitória eleitoral em NY


Na pátria da tolerância zero, críticas à seletividade penal entraram em ação em plena campanha eleitoral. E ajudaram a vitória do candidato de oposição.

Um dos principais temas da campanha do democrata Bill de Blasio, em Nova York, foi justamente a repulsa ao stop-and-frisk, abordagens policiais ao atacado que vinham sendo prioritariamente dirigidas a negros na cidade.

O panorama policial brasileiro não é lá muito distinto.

A abordagem das polícias é o ponto de partida para uma seletividade que acaba determinando a desproporção entre brancos e negros, ricos e pobres, adultos e jovens nas cadeias, ao final dos processos penais que elas fazem nascer.

A diferença é que por aqui o apego ilusório ao marketing da repressão impede que se questione seriamente a injustiça na distribuição do sistema penal.

A maioria dos políticos, de governos e oposições, liberais ou de esquerda, fortemente influenciada pela pressão midiática, ou por motivos de sobrevivência eleitoral, continua apoiando propostas que sempre tonificam a repressão e, por tabela, perpetuam essa seletividade.

O penalista argentino Raul Zaffaroni costuma dizer que a seletividade não é apenas uma perversão, mas conteúdo inerente do sistema penal. A multiplicidade de infrações existentes na lei e a impossibilidade de as agências executivas fiscalizarem a todos acaba por indicar certos nichos preferenciais.

A desproporção nas abordagens entre o centro e as periferias é notória –o volume de mortos pelos agentes policiais também.

Os mais abonados acabam sendo beneficiados pela atávica precariedade das investigações, enquanto os vulneráveis sofrem intensamente os efeitos da ação militarizada –o que uma parte da classe média, e da própria imprensa, pôde ter contato mais próximo durante recentes manifestações de rua.

A seletividade penal, como se sabe, não se resume às abordagens das polícias baseadas na inexplicável “atitude suspeita”. Está presente também na própria legislação que se centra, fundamentalmente, na tutela da propriedade.

A liberdade, a saúde e até a vida em certas situações, são menos intensamente protegidas do que os bens materiais. E o patrimônio público, como se sabe, recebe menos tutela do que a propriedade privada.

Não à toa, é possível extinguir um processo de sonegação com o pagamento atrasado do tributo, ainda que envolva milhões, mas não um de furto, mesmo que se trate de ninharias.

O ciclo se fecha com o altíssimo índice de prisões provisórias autorizadas pelo Judiciário, que, em certos Estados, chega a superar o dos condenados –fazendo da prisão processual uma autêntica pena sem sentença.

Os norte-americanos estão também chegando à conclusão que a política de guerra às drogas tem causado mais danos do que benefícios e avançam os Estados que começam a legalizar uso de entorpecentes como a maconha.

Enquanto isso, no Brasil, o tema continua tabu em campanhas eleitorais, que cuidam, com poucas divergências, de novas formas de aumentar a repressão, com a ingênua expectativa que proporcionarão índices mais baixos de criminalidade.

A esperança, no caso, tem muito mais vigor do que a experiência.

A Lei dos Crimes Hediondos foi o maior exemplo desse fiasco.

Deixou atrás de si um rastro de superpopulação carcerária e nos legou as facções criminosas, cujo exército é revigorado pela multidão de jovens que a sociedade exige encarcerar cada vez mais precocemente.

Curiosamente, a repressão se alimenta do próprio fracasso, sendo ponta de lança de ideias ainda mais vigorosas, como a da redução da idade penal.

Como dizia Einstein, “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Marcelo Semer
No Terra Magazine
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Com os dias 'contados' na Bahia, Mauro ataca Haddad


Ex-secretário de Finanças da capital paulista no governo Kassab, Mauro Ricardo Costa diz que "a Secretaria de Comunicação do prefeito Haddad, além de ignorar os fatos já apurados, finge desconhecer a estrutura da Secretaria de Finanças"; em nota à imprensa, ele diz que, "segundo gravação de conversa" dos envolvidos na máfia dos fiscais do ISS, "as fraudes começaram em 2002, época em que o atual prefeito Haddad era o secretário de Finanças substituto e chefe de gabinete"; nos bastidores da política soteropolitana as informações dão conta de que Mauro Ricardo deve cair da Secretaria da Fazenda ainda nesta semana

Com 'os dias contados' na secretaria da Fazenda de Salvador, Mauro Ricardo Costa resolveu atacar a gestão do atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), no embalo dos desdobramentos da máfia dos fiscais do ISS, cujo rombo aos cofres públicos paulistas é estimado em R$ 500 milhões.

Em mais uma nota distribuída à imprensa, Mauro diz que "a Secretaria de Comunicação do prefeito (Fernando) Haddad, além de ignorar os fatos já apurados, finge desconhecer a estrutura da Secretaria de Finanças". O texto diz ainda que o órgão "agride, de forma gratuita e absolutamente irresponsável, a honra e a história de servidores e ex-dirigentes, muitos dos quais permanecem exercendo suas funções na mesma secretaria (de Finanças)".

Mauro Ricardo tenta envolver Haddad no início do esquema de corrupção com recolhimento dos impostos, que, segundo ele, começou em 2002. O tucano diz que , "segundo gravação de conversa", dos envolvidos no caso, "as fraudes começaram em 2002, época em o atual prefeito Haddad era o secretário de Finanças substituto e chefe de gabinete" da secretaria.

O secretário da Fazenda de Salvador faz o chamado morde e assopra com Haddad. "Tenho certeza que, assim como eu, ele não tinha conhecimento das irregularidades praticadas".

Segundo matéria do jornal o Estado de São Paulo, apesar de todos os episódios, Mauro Ricardo ainda não recebeu nenhum convite ou convocação da prefeitura da capital paulista para prestar esclarecimentos.

Dias contados

Os bastidores da política soteropolitana fervilham com a articulação dos vereadores da oposição ao prefeito ACM Neto (DEMo) pela exoneração de Mauro Ricardo. Informações pelos corredores da Câmara dão conta de que ACM já estaria reunindo o núcleo duro do seu governo para escolher o sucessor do tucano.

No 247
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A PF, a ABIN e o Itamaraty


 

O Governo brasileiro fez muito mal ao tentar justificar a suposta “contraespionagem” da ABIN contra países estrangeiros. Poderia ter sido dito, simplesmente, que essas operações não foram realizadas pelo atual governo.

À medida, no entanto, que mais se descobre sobre as atividades da ABIN, e da Divisão “Antiterrorismo” da Polícia Federal, fica mais claro o descompasso entre a situação do Brasil no mundo, e a visão de alguns de seus homens sobre nossas relações internacionais – apesar dos EUA também terem sido “espionados” em território brasileiro.

É preciso que alguém lhes explique que a Al Qaeda, o Hamas, as FARC, os iraquianos, ou os iranianos, – por serem inimigos dos norte-americanos – não são automaticamente nossos inimigos.

Ao contrário dos EUA, não nos metemos na casa dos outros com hipocrisia e mentiras, para invadir e destruir nações como eles fizeram no Iraque e tentam fazer na Síria.

Nós não torturamos prisioneiros estrangeiros, nem os prendemos sem direito a julgamento, em bases extraterritoriais, como Abu Ghraib e Guantánamo.

Não bombardeamos crianças e idosos com aviões não tripulados.

Não julgamos os outros porque não aceitamos ser julgados por gente de fora, e não temos, graças a Deus, nem a disposição ou a arrogância de agir como se fôssemos perfeitos ou os xerifes do mundo.

Que temos grandes colônias árabe e judia, que vivem em paz e harmonia, e que não corremos o risco de ser atacados por “terroristas”.

Que na década de 1970 milhares de brasileiros trabalharam no Iraque e foram muito bem tratados, e que vendíamos armas a Bagdá, na mesma época que os EUA também o faziam, e que eles venderam também armas à Líbia de Kadafi, e até mesmo aos iranianos – à época do caso Irã-contras.

Ou o fato de que, no comércio com a Venezuela, temos grande superávit, enquanto temos prejuízo no comércio com os Estados Unidos.

Ou que não somos aliados das FARC – mas cooperamos para a libertação de reféns que estavam em seu poder várias vezes – e que essa organização já está em processo de negociação - ao que parece bem sucedida - para a sua pacificação, com o governo colombiano.

Se, alguma vez, houver um grande atentado terrorista no Brasil, com certeza, ele não partirá desses "inimigos" mas sim daqueles que querem nos indisponibilizar com o resto do mundo, ou nos arrastar com eles para uma "guerra contra o terror".

Por esta razão, é preciso – e o Congresso deve providenciar isso imediatamente - extinguir qualquer resquício da DAT, a "Divisão Antiterrorismo" da Polícia Federal, devolver os prédios e os equipamentos recebidos, no passado, como forma de “cooperação” - e que são compartilhados por agentes norte-americanos em nosso território - aos Estados Unidos e convidar “educamente”, todos os agentes do FBI, da CIA e da NSA operando em território brasileiro a deixar o país.

Se quiserem, que se disfarcem de diplomatas “normais”, e finjam que são do Departamento de Estado, como fazem em Delhi, Pequim ou Moscou, por exemplo.

É um acinte que operem livremente no Brasil, com seus cartões de visita, como faziam à época de FHC, e foi denunciado pelo ex-secretário Nacional Antidrogas Walter Maierovich.

Quanto às “doações” norte-americanas, na área de segurança, deve se tornar padrão a norma de não receber nenhum prego no futuro.

Não é o Brasil que precisa dos Estados Unidos, mas sim o contrário, se não, nós não seríamos, com quase 250 bilhões de dólares emprestados, o terceiro maior credor dos norte-americanos.

Finalmente, nunca é demais lembrar que o trabalho de informação não deve ser confundido com a atividade policial – embora ele possa ser usado também pela polícia.

Em todo o mundo essa é uma área complexa e de elite, que depende de formação de primeira linha.

Considerando-se, que, para quem está no setor, é mais que recomendável o domínio de línguas estrangeiras, e – como fica a cada dia mais patente – um profundo conhecimento de geopolítica e relações internacionais, a formação de nossos analistas de informações deveria ocorrer paralelamente à da diplomacia.

Concluído o curso do Instituto Rio Branco, os formandos, igualmente bem preparados, poderiam optar pela carreira diplomática ou pela área de informações – com plano de carreira e remuneração semelhantes.
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Em votação, moradores de Munique rejeitam Jogos Olímpicos de 2022


A população de Munique, capital do estado da Bavária, na Alemanha, decidiu que não quer que os Jogos Olímpicos de 2002 sejam realizados na cidade. No último domingo (10), os moradores foram às urnas e o resultado foi que 52% disseram “não” aos jogos.

Ao Deutsche Welle, o deputado do Partido Verde alemão Ludwig Hartmann, que era contra o projeto de abrigar os jogos, disse que a votação não é contra o esporte, mas contra a falta de transparência, a cobiça e os lucros do Comitê Olímpico Internacional (COI). “O COI tem que mudar primeiro. Não são os locais que têm de se adaptar ao COI, mas o contrário”, acrescentou Hartmann.

Os altos investimentos necessários aos jogos olímpicos e à Copa do Mundo, além dos impactos ambientais associados a esses grandes eventos, pesaram mais para os alemães. Não é comum que a população seja consultada sobre esse tipo de decisão. Nesse sentido, a iniciativa de Munique é bem interessante.

Grandes eventos no Brasil

No Brasil, a expectativa é que no ano que vem uma série de protestos aconteçam junto com a Copa do Mundo, como ocorreu na Copa das Confederações. “Teríamos o maior prazer de receber os times da Alemanha, Espanha e outros países, o problema é como são feitos esses grandes eventos, visando ao lucro de multinacionais e da Fifa”, diz o professor Francisco Foureaux, da assembleia popular horizontal de Belo Horizonte.

Essa questão também é questionada pelo Comitê Popular dos Atingidos pela Copa 2014, que acompanha as ações para a realização do evento nas 12 cidades-sede. “Para nós é claro que este megaevento está sendo usado para que diversas empresas e instituições – ou seja, uma minoria privilegiada – possam lucrar e explorar o erário e bens públicos.”

Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, divulgada em julho deste ano, mostrou que 65% dos brasileiros são favoráveis à realização do torneio no país. Um em cada quatro (26%) declarou ser contra, 8% estão indiferentes e apenas 1% não soube responder. Foram entrevistadas 4.717  pessoas em 196 municípios, entre 27 e 28 de junho de 2013.

Adriana Delorenzo
No Blog das Cidades
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Brasil agregará mais petróleo ao mundo até 2025 do que o Oriente Médio


Quem quiser se iludir, que se iluda.

Pode ficar achando que a mídia está preocupada com a receita da Petrobras ao defender o aumento – necessário, aliás – dos preços dos combustíveis.

Ou que a turma do “vende-país” que se assanha para voltar, de carona com Aécio Neves ou Eduardo Campos – tanto faz, como diz FHC – é que sabe fazer “leilão bão”.

Ou ainda que não insuflam os bem intencionados – mas ingênuos – que acham que se pode deixar o petróleo dormindo lá no pré-sal, esperando que o Divino Espírito Santo nos arranje o dinheiro para explorarmos sozinhos, com tudo o que isso envolve de centenas de bilhões de dólares de investimento.

Agora, que quiser entender, de verdade, o que está por detrás dessa história, olhe o gráfico acima, divulgado ontem pela Agência Internacional de Energia, em seu relatório anual. A Agência é  um órgão da OCDE reúne os países desenvolvidos e alguns poucos em desenvolvimento, e o Brasil não é um deles.

Sim, é isso mesmo que você está vendo lá nos dados: o Brasil vai contribuir MAIS que o Oriente Médio no crescimento da produção de petróleo mundial até 2025. E o resto do mundo tem previsão de queda na produção.

Entendeu? Vamos ser mais importantes para suprir o crescimento da demanda de petróleo do que a Arábia Saudita, do que o Iraque, do que o Irã, do que o Kuwait somados!

Será que você se recorda do quanto foi investido em guerra, armamento, sabotagem e intervenção nestes países nos últimos 30 anos?

Será que aqui não vale uns tostõezinhos para quem gastou tanto, em dólares e em vidas humanas, para garantir seu suprimento de petróleo?

A partir daí, meu preclaro amigo e minha arguta amiga, deixo por sua conta imaginar.

Só digo ainda duas coisas, apoiado neste segundo gráfico.

agencia
A primeira é de que previsão da AIE para o Brasil é modesta e conservadora, sobretudo no segundo período, de 2025 a 2035. O potencial de nosso pré sal é maior que esse e nem está integralmente revelado.

A segunda é para tomar cuidado com a conversa de “fontes limpas” de energia que, embora seja correta e deva ser perseguida por todos os países – e são os ricos que mais resistem a essa obrigação – é usada, com frequência, com a mesma hipocrisia com que se fala da Amazônia, depois de terem devastado as florestas de seus próprios países.

Nossa matriz energética para a geração de energia elétrica é e será muito, mas muito menos, poluidora do que a do restante do mundo, sobretudo a dos países desenvolvidos, que são verdes só no quintal dos outros, depois de terem cimentado os seus.

A poluição é um fato econômico e, como todos os fatos econômicos tem um lado perdedor e um ganhador. O perdedor somos toda a humanidade, mas o ganhador sabemos muito bem quais são.

Fernando Brito
No Tijolaço
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PF flagra aliado de Eduardo Campos desviando máquinas do PAC para sua fazenda


A presidenta Dilma, desde o ano passado, incluiu no PAC a entrega de retroescavadeiras e caminhões caçamba para os municípios poderem cuidar de estradas vicinais, pequenas obras, e no caso do Nordeste, também para enfrentar a seca, com perfuração de poços e limpeza de açudes. A foto acima é da recente visita em Serra Talhada, onde a presidenta entregou as máquinas para diversas prefeituras.

Mas na terça-feira (12), a Polícia Federal apreendeu duas dessas retroescavadeiras e um caminhão caçamba que estavam sendo usados para serviço particular dentro da fazenda do secretário de Planejamento e filho do prefeito de Serrita, a 539 Km de Recife. O prefeito Carlos Eurico Cecílio é do PSB, partido do governador Eduardo Campos.

Assim fica complicado Campos e Marina Silva dizerem que o PSB é o partido paladino da ética.


Salgueiro/PE - A Polícia Federal apreendeu, nesta segunda-feira, 11/11, máquinas do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal) que foram usadas indevidamente pelo Secretário de Planejamento da cidade de Serrita/PE em uma fazenda de sua propriedade. Foram apreendidas duas retroescavadeiras e um caminhão caçamba.

Os operadores das máquinas que estavam no local admitiram que receberam a determinação tanto do Secretário de Agricultura quanto do Secretário de Planejamento para trabalharem na fazenda em questão. Também informaram que o combustível usado nas máquinas foi pago pela Prefeitura de Serrita/PE e o posto utilizado para abastecimento pertence ao filho do prefeito. Seus salários também são pagos pela prefeitura de Serrita/PE e estavam trabalhando na fazenda desde a última sexta-feira, 08/11.

Os veículos haviam sido doados e adquiridos pelo Governo Federal com recursos do PAC 2 para a Prefeitura, com o objetivo de atender às associações rurais em obras de convivência com o semiárido em função da estiagem prolongada, em perfuração de cacimbas e poços e na construção e manutenção de estradas vicinais.

Inquérito Policial foi instaurado e todos os envolvidos serão chamados até a Delegacia de Salgueiro/PE para prestar esclarecimentos sobre os fatos.




No Amigos do Presidente Lula
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Ritalina, a droga legal que ameaça o futuro


É uma situação comum. A criança dá trabalho, questiona muito, viaja nas suas fantasias, se desliga da realidade. Os pais se incomodam e levam ao médico, um psiquiatra talvez.  Ele não hesita: o diagnóstico é déficit de atenção (ou Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH) e indica ritalina para a criança.

O medicamento é uma bomba. Da família das anfetaminas, a ritalina, ou metilfenidato, tem o mesmo mecanismo de qualquer estimulante, inclusive a cocaína, aumentando a concentração de dopamina nas sinapses. A criança “sossega”: pára de viajar, de questionar e tem o comportamento zombie like, como a própria medicina define. Ou seja, vira zumbi — um robozinho sem emoções. É um alívio para os pais, claro, e também para os médicos. Por esse motivo a droga tem sido indicada indiscriminadamente nos consultórios da vida. A ponto de o Brasil ser o segundo país que mais consome ritalina no mundo, só perdendo para os EUA.

A situação é tão grave que inspirou a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, a fazer uma declaração bombástica: “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro”, disse ela em entrevista ao  Portal Unicamp. “Quem estão sendo medicadas são as crianças questionadoras, que não se submetem facilmente às regras, e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de mil  anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes. E isso é terrível”, diz ela.

O fato, no entanto, é que o uso da ritalina reflete muito mais um problema cultural e social do que médico. A vida contemporânea, que envolve pais e mães num turbilhão de exigências profissionais, sociais e financeiras, não deixa espaço para a livre manifestação das crianças. Elas viram um problema até que cresçam. É preciso colocá-las na escola logo no primeiro ano de vida, preencher seus horários com “atividades”, diminuir ao máximo o tempo ocioso, e compensar de alguma forma a lacuna provocada pela ausência de espaços sociais e públicos. Já não há mais a rua para a criança conviver e exercer sua “criancisse”. E se nada disso funcionar, a solução é enfiar ritalina goela abaixo. “Isso não quer dizer que a família seja culpada. É preciso orientá-la a lidar com essa criança. Fala-se muito que, se a criança não for tratada, vai se tornar uma dependente química ou delinquente. Nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona. E o que está acontecendo é que o diagnóstico de TDAH está sendo feito em uma porcentagem muito grande de crianças, de forma indiscriminada”, diz a médica.

Mas os problemas não param por aí. A ritalina foi retirada do mercado recentemente, num movimento de especulação comum, normalmente atribuído ao interesse por aumentar o preço da medicação. E como é uma droga química que provoca dependência, as consequências foram dramáticas. “As famílias ficaram muito preocupadas e entraram em pânico, com medo de que os filhos ficassem sem esse fornecimento”, diz a médica. “Se a criança já desenvolveu dependência química, ela pode enfrentar a crise de abstinência. Também pode apresentar surtos de insônia, sonolência, piora na atenção e na cognição, surtos psicóticos, alucinações e correm o risco de cometer até o suicídio. São dados registrados no Food and Drug Administration (FDA)”.

Enquanto isso, a ritalina também entra no mercado dos jovens e das baladas. A medicação inibe o apetite e, portanto, promove emagrecimento. Além disso, oferece o efeito “estou podendo” — ou seja, dá a sensação de raciocínio rápido, capacidade de fazer várias atividades ao mesmo tempo, muito animação e estímulo sexual — ou, pelo menos, a impressão disso. “Não há ressaca ou qualquer efeito no dia seguinte e nem é preciso beber para ficar loucaça”, diz uma usuária da droga nas suas incursões noturnas às baladas de São Paulo. “Eu tomo logo umas duas e saio causando, beijando todo mundo, dançando o tempo todo, curtindo mesmo”, diz ela.

Roberto Amado
No DCM
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Câncer de Próstata: cuidar ou piorar a saúde do homem?


O rastreamento (check-up) do câncer de próstata não diminui a mortalidade geral e nem a mortalidade por câncer de próstata.

O rastreamento do câncer de próstata provoca mais danos do que benefícios porque muitos homens são submetidos a exames que levam a falsos positivos e intervenções desnecessárias.

Pelo fato do câncer de próstata ter uma progressão muito lenta, a grande maioria de homens morre COM o câncer mas não DO câncer. Ao fazerem o check-up retiram a próstata sem necessidade.

Em torno de 1/3 dos homens que se submetem à cirurgia para retirada da próstata ficam com impotência ou incontinência urinária.

As principais instituições que estudam as melhores evidências sobre rastreamento (check-up) não recomendam o check-up do câncer de próstata.

Na Inglaterra se um homem deseja muito fazer o check-up da próstata é obrigado a assinar um documento se responsabilizando pelas consequências desses exames.

Somente homens com sintomas prostáticos devem se submeter a exames.

Novembro azul pode ser um chamado para cuidar ou para piorar a saúde do homem. Vamos refletir!

Paulo Poli
Screening for Prostate Cancer
No Blog do Mário
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Jango


"Jango" retrata a carreira política de João Belchior Marques Goulart, presidente deposto pelos militares em 1º de abril de 1964. Na obra, Tendler procurou mostrar a política brasileira da década de 60, desde a candidatura de Jânio Quadros, passando pelo golpe militar, as manifestações da UNE e os exílios. O filme é narrado pelo ator José Wilker e conta com depoimentos de Magalhães Pinto, Aldo Arantes, Raul Ryff, Afonso Arinos e Francisco Julião, entre outros.

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Duas Repúblicas


João Goulart, o presidente que foi vilipendiado e tratado, entre tantas desqualificações, como corrupto - da mesma forma como fizeram com JK e, antes dele, com Getúlio Vargas -, terá finalmente seu ato de desagravo republicano. Quase 50 anos depois, a memória viva de Jango retorna a Brasília e nos traz sobretudo a ideia de uma República que foi podada em sua luta por ampliar a democracia e promover desenvolvimento com inclusão social.

Nesta semana, comemora-se o 125º aniversário da Proclamação da República. Para além da efeméride, o 15 de novembro será precedido por dois eventos carregados de simbolismo e que traduzem o embate entre duas ideias de República.

Na quarta-feira (13), serão exumados, em São Borja (RS), os restos mortais do ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe de 1964. No dia seguinte, o corpo chega a Brasília e será recebido com honras de chefe de Estado pela presidenta Dilma Rousseff. Será a primeira vez que Jango, morto em 1976, retornará a Capital Federal, desde que foi afastado do poder.

No mesmo dia, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve concluir parte do julgamento da Ação Penal 470 (o julgamento do dito “escândalo do mensalão”) e pode expedir os primeiros mandados de prisão contra alguns dos réus.

Jango trará consigo o cortejo de todas as memórias do golpe, ainda em busca da verdade. O presidente que foi vilipendiado e tratado, entre tantas desqualificações, como corrupto, da mesma forma como fizeram com JK e, antes dele, com Getúlio Vargas, terá finalmente seu ato de desagravo republicano.  Jango nos traz sobretudo a ideia de uma República que foi podada em sua luta por ampliar a democracia e promover desenvolvimento com inclusão social. É disso que se trata quando se fala de Jango e de República.

A segunda ideia de República, emanada pela decisão a ser tomada pelo STF, é a de que a política, quando transformada em mercado eleitoral e contaminada pela corrupção de suas práticas, distorce não apenas a representação parlamentar e governamental. Pior: desvirtua as funções do Estado quando associado a interesses privados escusos.

Essas duas ideias diferentes de República atravessam o debate político nacional, a todo momento. Seu confronto inspira a conclusão de que só uma agenda permanente de reformas de base, entre elas, a reforma das regras de nosso sistema eleitoral, é capaz de situar o debate político em nível elevado e talhar os representantes eleitos a estarem à altura de seu momento histórico, condizentes com as exigências de nossa cidadania e livres do autoritarismo que permanece à espreita.

Antonio Lassance
Publicado originalmente no Boletim Semanal de Conjuntura nº 3, da Fundação Perseu Abramo.
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Jango: uma agenda interrompida


Em 13 de março de 1964, Jango pronunciou um discurso memorável, que dava a essa agenda o lugar que ela ainda cobra na história brasileira.

O Brasil, sobretudo as novas gerações, foi induzido a dispensar a Jango a atenção que se dedica a um tio marcado pelo estigma do fracasso. Toda família tem um.  Simpático, concede-se. Mas uma simpatia derrisória, da qual só se guarda a memória das derrotas. Jango foi reduzido a isso pelo preconceito conservador que espetaria nele a condenação a um Brasil torto, mas, sobretudo, a uma agenda de desenvolvimento que precisou ser endireitada com um golpe de fuzil, em 1964.

Em 13 de março daquele ano, Jango pronunciou um discurso memorável (veja e ouça um trecho abaixo), que dava a essa agenda o lugar que ela ainda cobra na história brasileira. É para esta exumação fundamental, de uma construção interrompida, feita de reformas ainda hoje interditadas, mas que reafirmam sua pertinência nos dias que correm, que Carta Maior chama a atenção. E o faz dando a Jango e ao discurso do 13 de março o espaço que eles merecem.


Leia, a seguir, a íntegra do comício na Central do Brasil:

Devo agradecer em primeiro lugar às organizações promotoras deste comício, ao povo em geral e ao bravo povo carioca em particular, a realização, em praça pública, de tão entusiasta e calorosa manifestação. Agradeço aos sindicatos que mobilizaram os seus associados, dirigindo minha saudação a todos os brasileiros que, neste instante, mobilizados nos mais longínquos recantos deste país, me ouvem pela televisão e pelo rádio.

Dirijo-me a todos os brasileiros, não apenas aos que conseguiram adquirir instrução nas escolas, mas também aos milhões de irmãos nossos que dão ao brasil mais do que recebem, que pagam em sofrimento, em miséria, em privações, o direito de ser brasileiro e de trabalhar sol a sol para a grandeza deste país.

Presidente de 80 milhões de brasileiros, quero que minhas palavras sejam bem entendidas por todos os nossos patrícios.

Vou falar em linguagem que pode ser rude, mas é sincera sem subterfúgios, mas é também uma linguagem de esperança de quem quer inspirar confiança no futuro e tem a coragem de enfrentar sem fraquezas a dura realidade do presente.

Aqui estão os meus amigos trabalhadores, vencendo uma campanha de terror ideológico e sabotagem, cuidadosamente organizada para impedir ou perturbar a realização deste memorável encontro entre o povo e o seu presidente, na presença das mais significativas organizações operárias e lideranças populares deste país.

Chegou-se a proclamar, até, que esta concentração seria um ato atentatório ao regime democrático, como se no Brasil a reação ainda fosse a dona da democracia, e a proprietária das praças e das ruas. Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas.

Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reinvindicações.

A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia antipovo, do anti-sindicato, da anti-reforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam.

A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício.

Ainda ontem, eu afirmava, envolvido pelo calor do entusiasmo de milhares de trabalhadores no Arsenal da Marinha, que o que está ameaçando o regime democrático neste País não é o povo nas praças, não são os trabalhadores reunidos pacificamente para dizer de suas aspirações ou de sua solidariedade às grandes causas nacionais. Democracia é precisamente isso: o povo livre para manifestar-se, inclusive nas praças públicas, sem que daí possa resultar o mínimo de perigo à segurança das instituições.

Democracia é o que o meu governo vem procurando realizar, como é do seu dever, não só para interpretar os anseios populares, mas também conquistá-los pelos caminhos da legalidade, pelos caminhos do entendimento e da paz social.

Não há ameaça mais séria à democracia do que desconhecer os direitos do povo; não há ameaça mais séria à democracia do que tentar estrangular a voz do povo e de seus legítimos líderes, fazendo calar as suas mais sentidas reinvindicações.

Estaríamos, sim, ameaçando o regime se nos mostrássemos surdos aos reclamos da Nação, que de norte a sul, de leste a oeste levanta o seu grande clamor pelas reformas de estrutura, sobretudo pela reforma agrária, que será como complemento da abolição do cativeiro para dezenas de milhões de brasileiros que vegetam no interior, em revoltantes condições de miséria.

Ameaça à democracia não é vir confraternizar com o povo na rua. Ameaça à democracia é empulhar o povo explorando seus sentimentos cristãos, mistificação de uma indústria do anticomunismo, pois tentar levar o povo a se insurgir contra os grandes e luminosos ensinamentos dos últimos Papas que informam notáveis pronunciamentos das mais expressivas figuras do episcopado brasileiro.

O inolvidável Papa João XXIII é quem nos ensina que a dignidade da pessoa humana exige normalmente como fundamento natural para a vida, o direito ao uso dos bens da terra, ao qual corresponde a obrigação fundamental de conceder uma propriedade privada a todos.

É dentro desta autêntica doutrina cristã que o governo brasileiro vem procurando situar a sua política social, particurlamente a que diz respeito à nossa realidade agrária.

O cristianismo nunca foi o escudo para os privilégios condenados pelos Santos Padres. Nem os rosários podem ser erguidos como armas contra os que reclamam a disseminação da propriedade privada da terra, ainda em mãos de uns poucos afortunados.

Àqueles que reclamam do Presidente de República uma palavra tranqüilizadora para a Nação, o que posso dizer-lhes é que só conquistaremos a paz social pela justiça social.

Perdem seu tempo os que temem que o governo passe a empreender uma ação subversiva na defesa de interesses políticos ou pessoais; como perdem igualmente o seu tempo os que esperam deste governo uma ação repressiva dirigida contra os interesses do povo. Ação repressiva, povo carioca, é a que o governo está praticando e vai amplia-la cada vez mais e mais implacavelmente, assim na Guanabara como em outros estados contra aqueles que especulam com as dificuldades do povo, contra os que exploram o povo e que sonegam gêneros alimentícios e jogam com seus preços.

Ainda ontem, trabalhadores e povo carioca, dentro da associações de cúpula de classes conservadoras, levanta-se a voz contra o Presidente pelo crime de defender o povo contra aqueles que o exploram nas ruas, em seus lares, movidos pela ganância.

Não tiram o sono as manifestações de protesto dos gananciosos, mascarados de frases patrióticas, mas que, na realidade, traduzem suas esperanças e seus propósitos de restabelecer a impunidade para suas atividades anti-sociais.

Não receio ser chamado de subversivo pelo fato de proclamar, e tenho proclamado e continuarei a proclamando em todos os recantos da Pátria – a necessidade da revisão da Constituição, que não atende mais aos anseios do povo e aos anseios do desenvolvimento desta Nação.

Essa Constituição é antiquada, porque legaliza uma estrutura sócio-econômica já superada, injusta e desumana; o povo quer que se amplie a democracia e que se ponha fim aos privilégios de uma minoria; que a propriedade da terra seja acessível a todos; que a todos seja facultado participar da vida política através do voto, podendo votar e ser votado; que se impeça a intervenção do poder econômico nos pleitos eleitorais e seja assegurada a representação de todas as correntes políticas, sem quaisquer discriminações religiosas ou ideológicas.

Todos têm o direito à liberdade de opinião e de manifestar também sem temor o seu pensamento. É um princípio fundamental dos direitos do homem, contido na Carta das Nações Unidas, e que temos o dever de assegurar a todos os brasileiros.

Está nisso o sentido profundo desta grande e incalculável multidão que presta, neste instante, manifestação ao Presidente que, por sua vez, também presta conta ao povo dos seus problemas, de suas atitudes e das providências que vem adotando na luta contra forças poderosas, mas que confia sempre na unidade do povo, das classes trabalhadoras, para encurtar o caminho da nossa emancipação.

É apenas de lamentar que parcelas ainda ponderáveis que tiveram acesso à instrução superior continuem insensíveis, de olhos e ouvidos fechados à realidade nacional.

São certamente, trabalhadores, os piores surdos e os piores cegos, porque poderão, com tanta surdez e tanta cegueira, ser os responsáveis perante a História pelo sangue brasileiro que possa vir a ser derramado, ao pretenderem levantar obstáculos ao progresso do Brasil e à felicidade de seu povo brasileiro.

De minha parte, à frente do Poder Executivo, tudo continuarei fazendo para que o processo democrático siga um caminho pacífico, para que sejam derrubadas as barreiras que impedem a conquista de novas etapas do progresso.

E podeis estar certos, trabalhadores, de que juntos o governo e o povo – operários , camponeses, militares, estudantes, intelectuais e patrões brasileiros, que colocam os interesses da Pátria acima de seus interesses, haveremos de prosseguir de cabeça erguida, a caminhada da emancipação econômica e social deste país.

O nosso lema, trabalhadores do Brasil, é “progresso com justiça, e desenvolvimento com igualdade”.

A maioria dos brasileiros já não se conforma com uma ordem social imperfeita, injusta e desumana. Os milhões que nada têm impacientam-se com a demora, já agora quase insuportável, em receber os dividendos de um progresso tão duramente construído, mas construído também pelos mais humildes.

Vamos continuar lutando pela construção de novas usinas, pela abertura de novas estradas, pela implantação de mais fábricas, por novas escolas, por mais hospitais para o nosso povo sofredor; mas sabemos que nada disso terá sentido se o homem não for assegurado o direito sagrado ao trabalho e uma justa participação nos frutos deste desenvolvimento.

Não, trabalhadores; sabemos muito bem que de nada vale ordenar a miséria, dar-lhe aquela aparência bem comportada com que alguns pretendem enganar o povo. Brasileiros, a hora é das reformas de estrutura, de métodos, de estilo de trabalho e de objetivo. Já sabemos que não é mais possível progredir sem reformar; que não é mais possível admitir que essa estrutura ultrapassada possa realizar o milagre da salvação nacional para milhões de brasileiros que da portentosa civilização industrial conhecem apenas a vida cara, os sofrimentos e as ilusões passadas.

O caminho das reformas é o caminho do progresso pela paz social. Reformar é solucionar pacificamente as contradições de uma ordem econômica e jurídica superada pelas realidades do tempo em que vivemos.


Trabalhadores, acabei de assinar o decreto da SUPRA com o pensamento voltado para a tragédia do irmão brasileiro que sofre no interior de nossa Pátria. Ainda não é aquela reforma agrária pela qual lutamos.

Ainda não é a reformulação de nosso panorama rural empobrecido.

Ainda não é a carta de alforria do camponês abandonado.

Mas é o primeiro passo: uma porta que se abre à solução definitiva do problema agrário brasileiro.

O que se pretende com o decreto que considera de interesse social para efeito de desapropriação as terras que ladeiam eixos rodoviários, leitos de ferrovias, açudes públicos federais e terras beneficiadas por obras de saneamento da União, é tornar produtivas áreas inexploradas ou subutilizadas, ainda submetidas a um comércio especulativo, odioso e intolerável.

Não é justo que o benefício de uma estrada, de um açude ou de uma obra de saneamento vá servir aos interesses dos especuladores de terra, quese apoderaram das margens das estradas e dos açudes. A Rio-Bahia, por exemplo, que custou 70 bilhões de dinheiro do povo, não deve bemeficiar os latifundiários, pela multiplicação do valor de suas propriedades, mas sim o povo.

Não o podemos fazer, por enquanto, trabalhadores, como é de prática corrente em todos os países do mundo civilizado: pagar a desapropriação de terras abandonadas em títulos de dívida pública e a longo prazo.

Reforma agrária com pagamento prévio do latifundio improdutivo, à vista e em dinheiro, não é reforma agrária. É negócio agrário, que interessa apenas ao latifundiário, radicalmente oposto aos interesses do povo brasileiro. Por isso o decreto da SUPRA não é a reforma agrária.

Sem reforma constitucional, trabalhadores, não há reforma agrária. Sem emendar a Constituição, que tem acima de dela o povo e os interesses da Nação, que a ela cabe assegurar, poderemos ter leis agrárias honestas e bem-intencionadas, mas nenhuma delas capaz de modificações estruturais profundas.

Graças à colaboração patriótica e técnica das nossas gloriosas Forças Armadas, em convênios realizados com a SUPRA, graças a essa colaboração, meus patrícios espero que dentro de menos de 60 dias já comecem a ser divididos os latifúndios das beiras das estradas, os latifúndios aos lados das ferrovias e dos açudes construídos com o dinheiro do povo, ao lado das obras de saneamento realizadas com o sacrifício da Nação. E, feito isto, os trabalhadores do campo já poderão, então, ver concretizada, embora em parte, a sua mais sentida e justa reinvindicação, aquela que lhe dará um pedaço de terra para trabalhar, um pedaço de terra para cultivar. Aí, então, o trabalhador e sua família irão trabalhar para si próprios, porque até aqui eles trabalham para o dono da terra, a quem entregam, como aluguel, metade de sua produção. E não se diga, trabalhadores, que há meio de se fazer reforma sem mexer a fundo na Constituição. Em todos os países civilizados do mundo já foi suprimido do texto constitucional parte que obriga a desapropriação por interesse social, a pagamento prévio, a pagamento em dinheiro.

No Japão de pós-guerra, há quase 20 anos, ainda ocupado pelas forças aliadas vitoriosas, sob o patrocínio do comando vencedor, foram distribuídos dois milhões e meio de hectares das melhores terras do país, com indenizações pagas em bônus com 24 anos de prazo, juros de 3,65% ao ano. E quem é que se lembrou de chamar o General MacArthur de subversivo ou extremista?

Na Itália, ocidental e democrática, foram distribuídos um milhão de hectares, em números redondos, na primeira fase de uma reforma agrária cristã e pacífica iniciada há quinze anos, 150 mil famílias foram beneficiadas.

No México, durante os anos de 1932 a 1945, foram distribuídos trinta milhões de hectares, com pagamento das indenizações em títulos da dívida pública, 20 anos de prazo, juros de 5% ao ano, e desapropriação dos latifúndios com base no valor fiscal.

Na Índia foram promulgadas leis que determinam a abolição da grande propriedade mal aproveitada, transferindo as terras para os camponeses.

Essas leis abrangem cerca de 68 milhões de hectares, ou seja, a metade da área cultivada da Índia. Todas as nações do mundo, independentemente de seus regimes políticos, lutam contra a praga do latifúndio improdutivo.

Nações capitalistas, nações socialistas, nações do Ocidente, ou do Oriente, chegaram à conclusão de que não é possível progredir e conviver com o latifúndio.

A reforma agrária não é capricho de um governo ou programa de um partido. É produto da inadiável necessidade de todos os povos do mundo. Aqui no Brasil, constitui a legenda mais viva da reinvindicação do nosso povo, sobretudo daqueles que lutaram no campo.

A reforma agrária é também uma imposição progressista do mercado interno, que necessita aumentar a sua produção para sobreviver.

Os tecidos e os sapatos sobram nas prateleiras das lojas e as nossas fábricas estão produzindo muito abaixo de sua capacidade. Ao mesmo tempo em que isso acontece, as nossas populações mais pobres vestem farrapos e andam descalças, porque não tem dinheiro para comprar.

Assim, a reforma agrária é indispensável não só para aumentar o nível de vida do homem do campo, mas também para dar mais trabalho às industrias e melhor remuneração ao trabalhador urbano.

Interessa, por isso, também a todos os industriais e aos comerciantes. A reforma agrária é necessária, enfim, à nossa vida social e econômica, para que o país possa progredir, em sua indústria e no bem-estar do seu povo.

Como garantir o direito de propriedade autêntico, quando dos quinze milhões de brasileiros que trabalham a terra, no Brasil, apenas dois milhões e meio são proprietários?

O que estamos pretendendo fazer no Brasil, pelo caminho da reforma agrária, não é diferente, pois, do que se fez em todos os países desenvolvidos do mundo. É uma etapa de progresso que precisamos conquistar e que haveremos de conquistar.

Esta manifestação deslumbrante que presenciamos é um testemunho vivo de que a reforma agrária será conquistada para o povo brasileiro. O próprio custo daprodução, trabalhadores, o próprio custo dos gêneros alimentícios está diretamente subordinado às relações entre o homem e a terra. Num país em que se paga aluguéis da terra que sobem a mais de 50 por cento da produção obtida daquela terra, não pode haver gêneros baratos, não pode haver tranquilidade social. No meu Estado, por exemplo, o Estado do deputado Leonel Brizola, 65% da produção de arroz é obtida em terras alugadas e o arrendamento ascende a mais de 55% do valor da produção. O que ocorre no Rio Grande é que um arrendatário de terras para plantio de arroz paga, em cada ano, o valor total da terra que ele trabahou para o proprietário. Esse inquilinato rural desumano é medieval é o grande responsável pela produção insuficiente e cara que torna insuportável o custo de vida para as classes populares em nosso país.

A reforma agrária só prejudica a uma minoria de insensíveis, que deseja manter o povo escravo e a Nação submetida a um miseravel padrão de vida.

E é claro, trabalhadores, que só se pode iniciar uma reforma agrária em terras economicamente aproveitáveis. E é claro que não poderíamos começar a reforma agrária, para atender aos anseios do povo, nos Estados do Amazonas ou do Pará. A reforma agrária deve ser iniciada nas terras mais valorizadas e ao lado dos grandes centros de consumo, com transporte fácil para o seu escoamento.

Governo nenhum, trabalhadores, povo nenhum, por maior que seja seu esforço, e até mesmo o seu sacrifício, poderá enfrentar o monstro inflacionário que devora os salários, que inquieta o povo assalariado, se não form efetuadas as reformas de estrutura de base exigidsa pelo povo e reclamadas pela Nação.

Tenho autoridade para lutar pela reforma da atual Constituição, porque esta reforma é indispensável e porque seu objetivo único e exclusivo é abrir o caminho para a solução harmônica dos problemas que afligem o nosso povo.

Não me animam, trabalhadores – e é bom que a nação me ouça – quaisquer propósitos de ordem pessoal. Os grandes beneficiários das reformas serão, acima de todos, o povo brasileiro e os governos que me sucederem. A eles, trabalhadores, desejo entregar uma Nação engrandecida, emancipada e cada vez mais orgulhosa de si mesma, por ter resolvido mais uma vez, pacificamente, os graves problemas que a História nos legou. Dentro de 48 horas, vou entregar à consideração do Congresso Nacional a mensagem presidencial deste ano.

Nela, estão claramente expressas as intenções e os objetivos deste governo. Espero que os senhres congressistas, em seu patriotismo, compreendam o sentido social da ação governamental, que tem por finalidade acelerar o progresso deste país e assegurar aos brasileiros melhores condições de vida e trabalho, pelo caminho da paz e do entendimento, isto é pelo caminho reformista.

Mas estaria faltando ao meu dever se não transmitisse, também, em nome do povo brasileiro, em nome destas 150 ou 200 mil pessoas que aqui estão, caloroso apelo ao Congresso Nacional para que venha ao encontro das reinvindicações populares, para que, em seu patriotismo, sinta os anseios da Nação, que quer abrir caminho, pacífica e democraticamente para melhores dias. Mas também, trabalhadores, quero referir-me a um outro ato que acabo de assinar, interpretando os sentimentos nacionalistas destes país. Acabei de assinar, antes de dirigir-me para esta grande festa cívica, o decreto de encampação de todas as refinarias particulares.

A partir de hoje, trabalhadores brasileiros, a partir deste instante, as refinarias de Capuava, Ipiranga, Manguinhos, Amazonas, e Destilaria Rio Grandense passam a pertencer ao povo, passam a pertencer ao patrimônio nacional.

Procurei, trabalhadores, depois de estudos cuidadosos elaborados por órgãos técnicos, depois de estudos profundos, procurei ser fiel ao espírito da Lei n. 2.004, lei que foi inspirada nos ideais patrióticos e imortais de um brasileiro que também continua imortal em nossa alma e nosso espírito.

Ao anunciar, à frente do povo reunido em praça pública, o decreto de encampação de todas as refinarias de petróleo particulares, desejo prestar homenagem de respeito àquele que sempre esteve presente nos sentimentos do nosso povo, o grande e imortal Presidente Getúlio Vargas.

O imortal e grande patriota Getúlio Vargas tombou, mas o povo continua a caminhada, guiado pelos seus ideais. E eu, particurlamente, vivo hoje momento de profunda emoção ao poder dizer que, com este ato, soube interpretar o sentimento do povo brasileiro.

Alegra-me ver, também, o povo reunido para prestigiar medidas como esta, da maior significação para o desenvolvimento do país e que habilita o Brasil a aproveitar melhor as suas riquezas minerais, especialmente as riquezas criadas pelo monopólio do petróleo. O povo estará sempre presente nas ruas e nas praças públicas, para prestigiar um governo que pratica atos como estes, e também para mostrar às forças reacionárias que há de continuar a sua caminhada, no rumo da emancipação nacional.

Na mensagem que enviei à consideração do Congresso Nacional, estão igualmente consignadas duas outras reformas que o povo brasileiro reclama, porque é exigência do nosso desenvolvimento e da nossa democracia. Refiro-me à reforma eleitoral, à reforma ampla que permita a todos os brasileiros maiores de 18 anos ajudar a decidir dos seus destinos, que permita a todos os brasileiros que lutam pelo engrandecimento do país a influir nos destinos gloriosos do Brasil. Nesta reforma, pugnamos pelo princípio democrático, princípio democrático fundamental, de que todo alistável deve ser também elegível.

Também está consignada na mensagem ao Congresso a reforma universitária, reclamada pelos estudantes brasileiros. Pelos universitários, classe que sempre tem estado corajosamente na vanguarda de todos os movimentos populares nacionalistas.

Ao lado dessas medidas e desses decretos, o governo continua examinando outras providências de fundamental importância para a defesa do povo, especialmente das classes populares.

Dentro de poucas horas, outro decreto será dado ao conhecimento da Nação. É o que vai regulamentar o preço extorsivo dos apartamentos e residências desocupados, preços que chegam a afrontar o povo e o Brasil, oferecidos até mediante o pagamento em dólares. Apartamento no Brasil só pode e só deve ser alugado em cruzeiros, que é dinheiro do povo e a moeda deste país. Estejam tranqüilos que dentro em breve esse decreto será uma realidade.

E realidade há de ser também a rigorosa e implacável fiscalização para seja cumprido. O governo, apesar dos ataques que tem sofrido, apesar dos insultos, não recuará um centímetro sequer na fiscalização que vem exercendo contra a exploração do povo. E faço um apelo ao povo para que ajude o governo na fiscalização dos exploradores do povo, que são também exploradores do Brasil. Aqueles que desrespeitarem a lei, explorando o povo – não interessa o tamanho de sua fortuna, nem o tamanho de seu poder, esteja ele em Olaria ou na Rua do Acre – hão de responder, perante a lei, pelo seu crime.

Aos servidores públicos da Nação, aos médicos, aos engenheiros do serviço público, que também não me têm faltado com seu apoio e o calor de sua solidariedade, posso afirmar que suas reinvindicações justas estão sendo objeto de estudo final e que em breve serão atendidas. Atendidas porque o governo deseja cumprir o seu dever com aqueles que permanentemente cumprem o seu para com o país.

Ao encerrar, trabalhadores, quero dizer que me sinto reconfortado e retemperado para enfrentar a luta que tanto maior será contra nós quanto mais perto estivermos do cumprimento de nosso dever. À medida que esta luta apertar, sei que o povo também apertará sua vontade contra aqueles quenão reconhecem os direitos populares, contra aqueles que exploram o povo e a Nação.

Sei das reações que nos esperam, mas estou tranqüilo, acima de tudo porque sei que o povo brasileiro já está amadurecido, já tem consciência da sua força e da sua unidade, e não faltará com seu apoio às medidas de sentido popular e nacionalista.

Quero agradecer, mais uma vez, esta extraordinária manifestação, em que os nossos mais significativos líderes populares vieram dialogar com o povo brasileiro, especialmente com o bravo povo carioca, a respeito dos problemas que preocupam a Nação e afligem todos os nossos patrícios. Nenhuma força será capaz de impedir que o governo continue a assegurar absoluta liberdade ao povo brasileiro. E, para isto, podemos declarar, com orgulho, que contamos com a compreensão e o patriotismo das bravas e gloriosas Forças Armadas da Nação.

Hoje, com o alto testemunho da Nação e com a solidariedade do povo, reunido na praça que só ao povo pertence, o governo, que é também o povo e que também só ao povo pertence, reafirma os seus propósitos inabaláveis de lutar com todas as suas forças pela reforma da sociedade brasileira. Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação econômica, pela justiça social e pelo progresso do Brasil.

Saul Leblon
No Carta Maior
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JN narra “mesada”; Prefeitura quer ouvir Mauro Ricardo

A coreografia do JN dentro da sede do MP: Donato com os corruptos e com Haddad



Fiscal preso em SP diz que Antônio Donato recebia parte da propina

O então vereador Antônio Donato, do PT, teria recebido R$ 20 mil mensais do dinheiro da propina de dezembro de 2011 a setembro de 2012.

O Jornal Nacional teve acesso a informações inéditas sobre a investigação de corrupção entre auditores fiscais da Prefeitura de São Paulo. Nesta terça-feira (12), mais um suspeito fechou um acordo de colaboração com o Ministério Público.

O fiscal Eduardo Barcellos, que ficou preso dez dias acusado de corrupção, prestou nesta terça-feira (12) depoimento de mais de oito horas no Ministério Público de São Paulo.

Acompanhado de advogados, abriu o jogo sobre o esquema de cobrança de propina. Eduardo admitiu que, juntamente com outros três fiscais investigados, cobrava dinheiro de construtoras para liberar o Habite-se e permitir que elas pagassem menos Imposto Sobre Serviços, o ISS.

Eduardo Barcellos disse que recebia dinheiro vivo dentro da própria prefeitura e depois dividia os valores com os colegas envolvidos no esquema.

Além disso, o fiscal revelou ao promotor que de dezembro de 2011 a setembro do ano passado pagou R$ 20 mil por mês em dinheiro vivo para o então vereador Antônio Donato, do PT, que se tornou este ano secretário de governo do prefeito Fernando Haddad.

Eduardo Barcellos revelou que a mesada era paga diretamente no gabinete de Donato, na Câmara Municipal. Ele disse ainda que outro fiscal, Ronilson Bezerra Rodrigues, também dava dinheiro para Donato.

Os valores repassados a Donato, segundo Eduardo Barcellos, eram uma espécie de investimento futuro. Ele e Ronilson queriam continuar em bons cargos na prefeitura caso o PT ganhasse as eleições, como aconteceu.

Com Donato na secretaria de governo, já este ano, Barcellos disse que foi trabalhar no gabinete dele e Ronilson foi nomeado diretor da SPTrans, a empresa que gerencia o transporte público de São Paulo.

O fiscal acusado de corrupção assinou embaixo tudo o que disse no Ministério Público para o promotor Roberto Bodini e ainda passou os números de telefone que ele falava com Antonio Donato desde 2011. O promotor Bodini vai agora pedir a quebra do sigilo desses aparelhos para comprovar as ligações de Eduardo Barcellos para Antonio Donato.

“Que era dinheiro de propina, era. Isso o Eduardo Barcellos esclarece que parte do dinheiro que ele recolhia a título de propina, ele repassava ao Donato. Ele esclareceu, é bom que se registre, que em momento algum ele disse ao vereador que aquele dinheiro era proveniente de propina, disse não ter cientificado o vereador de que aquilo era, de fato, uma cobrança criminosa, mas vamos ficar aí com os números, que cada um vai fazer sua avaliação”, revela Roberto Bodini, promotor.

A assessoria de imprensa de Antonio Donato declarou que todas essas acusações de Eduardo Barcellos sobre a mesada de R$ 20 mil são mais uma tentativa de desviar o foco da investigação, que está centrada na gestão passada, e de tentar atingir a atual administração na Prefeitura de São Paulo.

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12/11/2013 18h55
Nota – Antônio Donato

O secretario do Governo, Antônio Donato, comunica que está pedindo afastamento do seu cargo na Prefeitura de São Paulo e reassumindo o mandato de vereador na Câmara Municipal, de onde poderá, com a mais ampla liberdade, se defender de denúncias infundadas atribuídas à quadrilha de servidores municipais que fraudava o ISS (Imposto Sobre Serviços) e que a administração do PT desmantelou por meio da Controladoria Geral do Município.

Donato reafirma que, desde o início da apuração, colaborou de forma direta com o trabalho conduzido pelo controlador Mário Vinicius Spinelli, incluindo o cronograma de exonerações dos servidores investigados. Ressalta que a própria CGM, bandeira da campanha do PT, foi estruturada no âmbito da Secretaria de Governo até obter ela mesmo o status de secretaria, em abril passado.

Ao identificar uma orquestração por parte dos servidores investigados para envolvê-lo de forma leviana e, assim, atrapalhar o curso das investigações, o secretário comunicou no final da manhã de hoje ao prefeito Fernando Haddad o pedido de afastamento imediato — inclusive para evitar o risco de a quadrilha tentar atingir o governo do PT na cidade de São Paulo e prejudicar o andamento das investigações.

Assessoria da Secretaria do Governo Municipal
SP, 12/11/2013

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12/11/2013 18h50
Nota – Sindicância

Devido a citações em depoimentos e escutas a respeito do relacionamento de trabalho entre autoridades das administrações atual e anteriores com o grupo de auditores fiscais investigados na Operação Necator, a Controladoria Geral do Município informa:

1. Instaurou, na última segunda-feira, dia 11, procedimento de sindicância para apurar se existe irregularidade na conduta do secretário de Governo, Antônio Donato, em seus contatos com os suspeitos. O secretário prestou depoimento na mesma data a seu pedido.

2. Chamará o ex-secretário de Finanças, Mauro Ricardo, para prestar esclarecimentos no âmbito da operação Necator sobre o seu grau de conhecimento da atuação do grupo e a relação que ele mantinha com parte da estrutura do seu gabinete envolvida nas operações irregulares.

PS1 do Viomundo: Mauro Ricardo é o braço direito de José Serra, que foi secretário das Finanças da “gestão passada”, de Gilberto Kassab.

PS2 do Viomundo: Quem governa com e para a Globo e a Folha, morre com ambos.

PS3 do Viomundo: E quem é que aparece na cobertura do G1?, das Organizações Globo? Lula, com Haddad e Donato…


No Viomundo
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Desde quando Gaza é território israelense?


"Eu digo de forma muito clara: nenhum navio chegará a Gaza. Nós não permitiremos que nossa soberania seja prejudicada”, disse Avigdor Lieberman , quando ministro de relações exteriores de Israel, a uma rádio, referindo-se ao bloqueio naval da entidade sionista ao território Palestino controlado pelo Hamas.

A informação é da agência Reuters e repercutida por toda a mídia.

A pergunta é simples.

Desde quando Gaza é território israelense?

Se Israel reconhece que Gaza é território israelense, por que não concede cidadania a seus habitantes?

A verdade é que Israel não pode conceder cidadania aos palestinos por uma simples razão.

O pais deixará de ser estado judaico-teocrático e correrá o risco de se tornar uma democracia.

Fato impensável para os dirigentes do país.

O conceito de democracia deles exclui todos os que não professam a religião judaica.

No entanto, o estranho nisso tudo não é a arrogância dos governantes de Israel, mas o silêncio da mídia, que jamais questiona qualquer atitude do estado judaico.

Nem mesmo quando constrói muralhas abomináveis e mantém em campo de concentração mais de um milhão e meio de seres humanos.

Abaixo, uma entrevista com o historiador judeu Ilan Pappe sobre os Mitos e a propaganda israelenses, com legendas em português


No Blog do Bourdoukan
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Aécio: o esvaziamento do que é vazio


A intriga política é como certas infecções: só se instala se o organismo está debilitado.

É isso o que está ocorrendo com a candidatura Aécio Neves.

Difícil imaginar que um governo a caminho da reeleição pudesse passar por um período mais difícil do que o de Dilma passou este ano, num processo que somou situações reais difíceis com projeções – imaginárias, mas poderosíssimas – catastróficas diariamente desenhadas pela mídia.

Mesmo assim, Aécio permaneceu empacado, com resultados pífios nas pesquisas, sobretudo porque seu provável bom resultado em Minas, acima de 40%, revela que, no restante do país, sua média não vai além de 10%.

É por isso que Janio de Freitas falou, ontem, da preocupação de Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin com a “inconvincente determinação de Aécio Neves de levar adiante sua candidatura”.

A Folha de hoje traz mais uma iniciativa politicamente ridícula dos marqueteiros aecistas: mandar e-mails com um “tema da semana”, para que os tucanos falem da mesma coisa, ao mesmo tempo, bem ensaiadinhos, com argumentos pré-fabricados.

Vai funcionar tanto quanto o “jenial” Aécio Boladasso no Facebook, que jaz, abandonado, há mais de uma semana, o mesmo tempo em que “viveu”, mesmo com a promoção grátis de O Globo.

A pior notícia para Aécio, entretanto, está hoje na coluna Painel.

É a de que, para pressionar Dilma, o empresariado paulista ameaça apoiar um candidato de oposição: Eduardo Campos.

Aécio, portanto, faz mais medo que um candidato que não tem praticamente nada como patrimônio político no Sudeste, exceto a duvidosa transferência de Marina Silva, a cumplicidade de Alckmin e uma imensa vontade de servir ao capital.

Aécio, entretanto, consegue produzir um milagre entre os tucanos: fazer coincidirem as opiniões de Fernando Henrique e José Serra: a de que não seria “nenhuma tragédia” Campos tomar o segundo lugar do mineiro.

Como diz José Serra, ainda vão acontecer muitas surpresas nesta eleição.

Mas nenhuma delas, porém, em relação ao caráter e ao espírito público de certos candidatos.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Charge online - Bessinha - # 1991

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Haddad: um desastre na Comunicação

O escândalo dos auditores é um escândalo do Serra e do Kassab. Ok. Mas outro escândalo é Haddad – o “homem novo” – achar que pode governar São Paulo sem mexer na comunicação.  Mais que isso: monitoramento nas redes sociais aponta que o governo Haddad tem, a essa altura, 73% de avaliação negativa, 17% de positiva e só 10% de avaliação neutra. Desastre.

Haddad acha que cultiva boas relações com "Folha", "Globo" etc...
Para entender o que se passa com a gestão de Fernando Haddad em São Paulo, peço sua atenção. E alguma paciência. Haddad, em sete atos…

1) Junho de 2012. Festa de aniversário de um bom amigo, advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP) – a mesma onde estudou o prefeito. À época da festa, Haddad era um candidato que patinava, nos 5% de intenção de voto. Lá pelas duas da manhã, um dos advogados senta no sofá perto de mim, e a conversa é sobre o petista. Quero saber como era o Haddad na época da faculdade. “O Haddad tem duas características fortes: ele não ouve ninguém, quando você fala parece que ele não está ouvindo de verdade; mas, por outro lado, ele é um sortudo sem tamanho, sempre teve muita sorte”, diz meu interlocutor, relembrando as peripécias de Haddad e outros estudantes, nas disputas pelo Centro Acadêmico no começo dos anos 80.

2) Algumas semanas depois (2012 ainda), a campanha de Haddad procura um grupo de blogueiros: o petista queria “conversar” sobre Comunicação, sobre a cidade. Haddad seguia em baixa nas pesquisas (um dos levantamentos chegara a apontá-lo com 3% de intenções de voto). A assessoria do candidato fez o favor de divulgar a conversa, reservada, como se fosse um “ato de apoio dos blogueiros à campanha petista”. Bela assessoria… Além disso, naquela noite, tive a comprovação de que Haddad não é mesmo muito treinado para ouvir – como dissera meu interlocutor na festa. Educado, escutava perguntas e observações, sem preocupação de travar um diálogo. Estava ali pra ser escutado.

3) Em setembro, reta final da campanha, o petista comprovou que também era sortudo. Ficaria de fora do segundo turno, se não fosse uma declaração desastrada de Russomano sobre Transporte. Haddad aproveitou o delize do adversário para ir ao segundo turno contra Serra. Virou prefeito – graças também a mobilizações que reuniram milhares de pessoas em atos na praça Roosevelt (centro de São Paulo), convocados pelas redes sociais.

4) Na semana seguinte à eleição, alguns daqueles blogueiros (que Haddad buscara quando estava com 3%) procuraram o prefeito eleito: queríamos conversar, sugerir políticas de comunicação inovadoras para o homem que ganhara o pleito com o discurso de “homem novo”. Haddad não recebeu ninguém, mandou dizer que a política e os nomes para a área de comunicação já estavam decididos. E avisou que essa área de inovação digital, e de incentivo à diversidade informativa, ficaria sob os cuidados de uma subsecretaria na área de Cultura.

Esse é o Nunzio...
Logo entendemos o jogo. Haddad nomeou para a secretaria de Comunicação Nunzio Briguglio Filho…  Quem? A função dele, basicamente, seria manter boas relações com a mídia convencional. Ou seja, o “homem novo” achava que política de comunicação para São Paulo seria dar uns telefonemas para a “Folha”, a “Globo” e a “Abril”. Ah, eu já ia esquecendo: cabe à secretaria do Nunzio, também, a distribuição das verbas públicas de publicidade. Hum…

5) Os meses passam. Haddad mostra-se um desastre de comunicação durante as manifestações de junho. Perde a chance de reduzir as tarifas diante do Conselho municipal, mostra ali certa arrogância professoral (“não sabe ouvir”). Depois, vai a reboque de Alckmin e anuncia a redução da tarifa de forma tão atrapalhada que, ao final da coletiva no Palácio dos Bandeirantes, um repórter até pergunta: “mas então voltou pra 3 reais ou não?”.

6) Os meses avançam. Haddad toma então duas medidas que me parecem corretas: muda a tabela do IPTU, com aumentos substanciais nos bairros mais ricos (ok, nem todo mundo que mora nessas regiões é “rico”, e alguns nem remediados são) e redução nas áreas mais pobres da cidade; cria dezenas de quilômetros de corredores exclusivos para ônibus.

A imprensa (rádios, jornais, TVs) parte para um jogo de desinformação. Haddad não consegue explicar que o IPTU vai subir para alguns, mas baixar para outros. Sofre um massacre. Contava com as “boas relações” com a velha imprensa. Hum…

No caso dos corredores, o mesmo: motoristas de carros, irritados, vêem o espaço para os automóveis cair nas avenidas. E as faixas de ônibus, por princípio corretas, parecem ficar vazias a maior parte do tempo. A Prefeitura não fala, não se explica. Conta com a “Folha” e a “Globo”. Hum…

7) Agora, vem o escândalo dos auditores. Está claro que Haddad foi no caminho correto. Enfrentou a máfia, que parece ter-se instalado em gestões anteriores. Na sexta passada (8/11), a “Folha” saiu-se com manchete histórica: “Prefeito sabia, diz auditor investigado…” Quem passava pelas bancas e lia só a manchete logo entendia que Haddad sabia de tudo, participava do esquema. Só que, na gravação, estava claro que o auditor investigado e grampeado se referia ao prefeito anterior – Kassab.

Nas redes sociais e nos blogs deu-se gritaria contra a “Folha”, o jornal de colunistas (e manchetes) rotweiller. O que fez Haddad? Finalmente gritou também contra a manipulação midiática. Ah, percebeu ali que poderia se reaproximar das redes, dos ativistas digitais… Uma virada na comunicação, certo?

Nada disso. A virada não durou 48 horas. Domingo (10/11), Haddad já estava na “Folha” a bater em Kassab… Erro duplo: chamou Kassab diretamente para a briga e, de quebra, legitimou a “Folha” como foro onde se dá o debate político em São Paulo.

Quem conhece a imprensa, sabe o que deve ter acontecido depois da manchete absurda de sexta. O tal Nunzio passa a mão no telefone e liga pra redação da Folha: “poxa, assim vocês me arrebentam, que manchete foi aquela”. Do outro lado, o editor matreiro: “que é isso, estamos à disposição pro prefeito falar; abrimos espaço pra uma exclusiva, ele explica tudo”.

E lá se foi o Haddad. Mordeu a isca da “Folha”, o que significa morder a isca do Serra.

Agora, Haddad demitiu o secretário de governo, Antônio Donato. Pautado pela Globo! Um investigado, membro da máfia, disse que pagou propina a Donato quando ele era vereador (ou seja, ainda na gestão Kassab). Só que Donato está (ou estava) no centro do governo petista.

A mídia paulista transformou um escândalo investigado por Haddad num escândalo que ameaça se voltar contra o governo petista. Onde está Mauro Ricardo, o secretário da gestão Serra? Sumiu das manchetes. Mas o petista Donato foi para o olho do furacão.

Ok, o petista Donato tem que se explicar. Ok, o escândalo dos auditores é um escândalo do Serra e do Kassab. Mas outro escândalo é Haddad – o “homem novo” – achar que pode governar São Paulo sem mexer na comunicação. Os sinais que surgem da Prefeitura são péssimos. Há quem diga que as denúncias contra Donato teriam chegado às redações pelas mãos de gente ligada à Comunicação da Prefeitura. Fogo amigo?

Lula está preocupado. Fez chegar a Haddad a seguinte avaliação: “mexa na sua comunicação, troque. Você está perdendo o jogo.”  

Mais que isso: monitoramento nas redes sociais aponta que o governo Haddad tem, a essa altura, 73% de avaliação negativa, 17% de positiva e só 10% de avaliação neutra. Desastre.

Haddad agora vai ter que mostrar se é um “sortudo”, como dizia o ex-colega da faculdade de Direito. E ter sorte, a essa altura, significa enfrentar aquela outra característica forte: não ouvir ninguém.

O prefeito é um homem inteligente, e parece bem intencionado. Mas resolveu jogar no campo dos adversários: seguiu a tradição petista de não confrontar com a mídia. E ainda enveredou pelo discurso moralista dos escândalos. Esqueceu que escândalo e moralismo seletivo são a especialidade do outro lado.

Na mão de Nunzios e outros gênios, Haddad seguirá dando verbas e entrevistas exclusivas para a velha mídia. Sem perceber que o objetivo é transformá-lo num Pitta. Dá tempo de mudar. Tomara que Haddad seja mesmo um homem de sorte, porque do outro lado está a turma que conhecemos tão bem…

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
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