12 de nov de 2013

Quem vai acreditar no que os tucanos falam sobre a Petrobras?


E essa agora? O senador do PSDB e possível candidato à Presidência, Aécio Neves, defendeu ontem a reestatização da Petrobras. Justo eles, os tucanos, que tentaram privatizar a companhia no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Agora Aécio vem com a conversa de que a reestatização seria para reconquistar a confiança dos investidores estrangeiros no Brasil. Ele fez esse discurso ontem durante palestras para empresários em Porto Alegre.

Para ele, é preciso “tirar a empresas das garras do partido”, numa referência ao PT.

Aécio esconde o fato de que a Petrobras hoje é uma das maiores companhias do mundo, teve grande crescimento na última década, tornou-se referência mundial, ampliou seus investimentos, profissionalizou-se cada vez mais, encontrou o pré-sal, inovou em tecnologia e por aí vai. Tudo isso durante o governo do PT.

Muito diferente da época dos tucanos, que tentaram mudar até o nome da empresa para Petrobrax, para facilitar a sua venda.

A diferença em números

Em dez anos, a Petrobras quadriplicou seus investimentos. Em 2002, último ano de FHC, foram R$ 19 bilhões. Em 2012, R$ 84,1 bilhões.

Mais: a produção de petróleo da Petrobras foi de 700 mil barris por dia em 1995 e chegou a 1,5 milhão de barris por dia em 2003. De 2003 a 2012, a produção de petróleo da Petrobras subiu de 1,5 milhão de barris por dia para 2 milhões de barris por dia, e chegará a 2,5 milhões de barris por dia em 2016 e 4,2 milhões de barris por dia em 2020.

E quanto maior é o patamar de produção de uma companhia, maior é o desafio de manutenção e crescimento deste patamar. Isso porque a natureza dos reservatórios de petróleo é o declínio natural da produção.

Há muitos outros números que mostram como a Petrobras mudou – para muito melhor - neste período.

Quem vai acreditar nos tucanos se eles deixaram a Petrobras como deixaram?

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Contas públicas: Tucanos podem abrir a boca para criticar?


O professor João Sicsú publica mais uma tabela da série “Contra Fatos, não há Argumentos”.

Está aí em cima um resumo de alguns dos “fundamentos macroeconômicos” deixados por Fernando Henrique e o nível em que fecharam o ano passado,

Falam por si.

Se a finalidade fosse fazer propaganda, poder-se-ia ter juntado aí o dólar – mais baixo agora e muito mais baixo em dezembro de 2012, quando estava em R$ 3,53. Ah, mas isso era o “fator Lula”, que desestabilizou. Serve 2001? R$ 2,32, valor igual ao de hoje, com 11 anos de inflação da moeda brasileira. Ou, falando nela, a inflação: 14,7% em dezembro de 2002 ou, se você quiser acreditar naquele “fator Lula”, 9,44% em dezembro de 2001.

Mas não é, é trazer informação para um debate sério e sereno sobre algo que é importante: a capacidade de o Estado brasileiro de equilibrar suas contas e poder investir, forte e continuamente, no desenvolvimento brasileiro.

Porque essa tabela mostra o nosso ponto mais fraco – embora menos fraco que há 10 anos – que á a taxa de investimentos, em relação ao PIB. Está maior – e muito maior, em valores absolutos, porque o PIB teve uma notável expansão – mas está muito abaixo dos 23 ou 24% que a Formação Bruta de Capital Fixo – seu nome em economês – deveria representar sobre a soma total das riquezas produzidas no país.

E não é, essencialmente, através do capital privado que vamos chegar a estas taxas, mas pelo investimento público ou paraestatal, como o da Petrobras, da Eletrobras ou pelos financiados pelos bancos públicos ou semipúblicos: BNDES, Caixa, Banco do Brasil, fundos de pensão, etc…Embora não paenas por eles, mas essencialmente por eles, seja pelos recursos que mobilizam de per si, seja pelas parcerias privadas que sua presença viabiliza.

O “escândalo” criado por desequilíbrios episódicos na trajetória superavitária de nossas contas nada tem a ver com uma análise econômica séria. É fruto da exploração política de uma quadra onde se juntam a retração da economia mundial e o intervalo de maturação de investimentos pesados feitos – e continuados – pelo país.

O “terrorismo fiscal” que se sucedeu ao fracassado “terrorismo inflacionário” visa a isso: nos fazer perder o rumo e permitir que os fracassados do passado possam ter a petulância de se apresentar como os austeros, os responsáveis, os “econômicos”.

Eles realmente fecharam as torneiras, mas para o investimento em habitação, em infraestrutura, em serviços sociais, para a logística e a industria de base, a energia e o transporte. E as abriram, escancaradas, para os ganhos de capital financeiro que, embora sigam altos, já não são o maná dos tempos de Fernando Henrique.

São estes os que querem voltar, como grão-senhores. São esses os que devemos apontar, na rua, como os demolidores do Brasil.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Haddad destampou o esgoto. Agora não pode recuar.

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Como a NSA acessa seu e-mail

Saiba em detalhes como funcionam os dois programas de espionagem que recolhem a nossa informação na internet – e, em particular, como acessam seu Gmail

Nas últimas semanas conhecemos muitos detalhes dos programas de espionagem do governo dos Estados Unidos através da sua Agência de Segurança Nacional (NSA).

Snowden revelou diversos programas de espionagem: escutas a líderes mundiais, coleta em massa de chamadas telefônicas, acordos entre agências de espionagem de diferentes países, etc.

Neste post vamos tentar explicar em detalhe como funcionam os dois programas de espionagem que recolhem a nossa informação na internet (e, em particular, como acessam ao Gmail).

Dois programas de espionagem secretos: PRISM e MUSCULAR

Segundo os documentos de Snowden, existem dois programas principais para recolher informação da Internet: PRISM e MUSCULAR.

Apesar de os objetivos de ambos programas serem similares, o funcionamento de ambos é muito diferente. De modo que comecemos pelo princípio.

O que é o PRISM?

O PRISM é um programa de coleta de dados que realiza a NSA com a colaboração direta das grandes empresas de internet.

Neste documento “Top Secret” desvelado por Snowden aparecem as empresas que colaboravam no PRISM. Estão todas as importantes: Microsoft, Google, Yahoo, Facebook, Skype, Apple, etc.


Neste outro documento, a NSA detalha o ano em que essas empresas começaram a colaborar com o PRISM:


Como é que a NSA acessa os dados através do PRISM?

O PRISM coleta dados de 2 maneiras: uma “semi-legal” e outra “completamente ilegal”.

PRISM “semi-legal”

O governo norte-americano, em princípio, não pode espiar os seus cidadãos. A Quarta Emenda à Constituição dos EUA estabelece que o governo precisa de uma ordem judicial para investigar um cidadão.

Mas conseguir uma ordem judicial não é problema para a NSA. Obtém-nas através de um tribunal secreto – mas legal – chamado FISC (Foreign Intelligence Survelliance Court). Este tribunal só admite o advogado que representa o governo e nunca publica as suas decisões.

Desde o ano de 2003, os senadores dos EUA queixam-se de que “não têm nem ideia de como funciona o tribunal, porque os seus procedimentos legais são também secretos para eles”.

Na prática, este tribunal é um expediente legal para contornar a quarta emenda. Para que tenham uma ideia: no ano passado, a NSA e o FBI solicitaram 1.800 ordens de investigação. O tribunal aprovou 98.9%.

Uma vez que a NSA obtenha a sua ordem judicial, as companhias de internet são obrigadas a entregar os dados.

Ah, é verdade: se não és cidadão norte-americano, não estás protegido pela quarta emenda.

PRISM “completamente ilegal”

Além do expediente legal anterior, os documentos de Snowden revelam outra faceta do PRISM completamente ilegal (sem ordem judicial alguma) e que é feita com a completa colaboração das empresas de internet.

Para entender como funciona é interessante analisar as palavras do representante de Facebook quando foram revelados os primeiros documentos:

“Quando o governo pede ao Facebook dados sobre indivíduos, nós só entregamos os estritamente requeridos pela lei” [os que falamos antes sobre o PRISM semi-legal]. “Nunca permitimos um acesso direto aos nossos servidores”.

Atenção à última frase. Os jornalistas do The Washington Post, estudando outros documentos de Snowden publicados semanas depois, encontraram a armadilha linguística que esconde.

O truque era o seguinte: efetivamente, as empresas “não permitiam um acesso direto” aos seus servidores. Mas o que faziam era copiar dados dos seus servidores para outros servidores (que tecnicamente não eram seus, ainda que estivessem dentro das suas instalações) aos quais tinha acesso a NSA. Que malabarismo linguístico foi feito com a expressão “acesso direto”!

Até aqui falamos do PRISM. Agora vamos ver outro programa que a NSA utiliza para acessar aos nossos dados (e em particular o Gmail) e que se chama MUSCULAR.

O MUSCULAR, ou como acessar ao Gmail de maneira simples

Deram-se certamente conta que quando se ligam ao Gmail, na vossa barra do navegador aparece https://“ em vez de “http://“ (diferença da letra “S”). Basicamente, o que isto quer dizer é que a conexão entre o vosso computador e o servidor da Google está encriptada com o protocolo de segurança SSL/TSL.

Se alguém “interceptasse o cabo” que vai do vosso computador ao Google, não poderia ler o e-mail acabado de enviar porque a informação viaja encriptada.

Evidentemente, a Google não tem um só servidor. Quando nos ligamos ao Google, na realidade estamos a ligar-nos ao servidor que faz de “porta de entrada” do Google.

A conexão entre o nosso computador e a “porta de entrada” da Google é segura.

Uma vez que e-mail chega à Google, a empresa copia-o em muitos servidores ao mesmo tempo. Assim, se por exemplo, se cair um dos seus data centers, poderemos continuar a acessar o Gmail.

Problema: as conexões entre os centros de dados da Google não estão encriptadas.

O MUSCULAR é o programa da NSA que intercepta os cabos entre os data centers da Google (ou Yahoo) para ler os e-mails

Talvez seja mais simples entendê-lo com este outro documento da NSA revelado por Snowden:


Na nuvenzinha da esquerda estão as conexões entre os utentes e a Google. Como veem, as flechinhas têm escrito “SSL”. Isto é, as conexões são seguras.

Na nuvenzinha da direita estão as conexões internas entre os servidores da Google. Aí já não está escrito “SSL”. Isto é, as conexões aqui não são seguras.

Entre as duas nuvenzinhas, está o quadrinho “GFE”, a porta de entrada da Google. Aqui está indicado que o protocolo de segurança “SSL” desaparece uma vez que se entra na Google. ATENÇÃO à carinha sorridente!

Como podem ver neste mapa, a Google tem data centers espalhados por todo o mundo:


Muitos desses data centers estão ligados entre si por fibra ótica própria. Com o MUSCULAR, a NSA interceptava esses cabos e tinha acesso a todos os dados que circulavam sem encriptar.

Devemos o conhecimento de todos estes detalhes à enorme valentia de Edward Snowden e ao trabalho de análise que realizaram durante meses os colegas do The Guardian e do The Washington Post.

Alberto Sicilia
Tradução de Luis Leiria
No Fórum
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Ex-secretário tucano de São Paulo encerrou estatal, mas ainda recebe como conselheiro

Mauro Ricardo, braço direito de Serra, homem de confiança de Kassab e 'merecedor' de benesses na gestão Alckmin 
Alesp / al.sp.gov

Mauro Ricardo, o atual secretário de Finanças da prefeitura de Salvador na gestão de ACM Neto (DEM) – e enrolado com o escândalo da máfia do ISS que atuava na prefeitura de São Paulo em sua gestão – manteve uma boquinha no governo de Geraldo Alckmin (PSDB-SP) de R$ 4.937 mensais como conselheiro da Companhia de Seguros do Estado de São Paulo (Cosesp).

Mas os problemas não terminam com o fato de ele morar em Salvador a 2 mil quilômetros de distância da empresa. Há algo mais grave ainda e inusitado. Desde 2007 a Cosesp é praticamente uma empresa "fantasma" no sentido de que só existe ainda para cumprir ordens judiciais que impedem sua liquidação enquanto está obrigada a manter a cobertura de antigos seguros de vida em grupo contratados há anos.


Desde 2007 a companhia não comercializa nenhum seguro por estar no processo de encerramento. Neste contexto, bastaria o corpo técnico atuando como se fossem interventores provisórios para cumprir as obrigações em curso até a extinção da empresa, não cabendo cargos simbólicos, mas onerosos, como este para alguém distante como Mauro Ricardo. Assim, a empresa acaba sendo usada como mero cabide de emprego para ele, sem qualquer retorno para o bem público.

Essa história começa em 2006, ainda no governo anterior de Geraldo Alckmin, quando a carteira de seguros que eram feitos pela Cosesp em parceria com a antiga Nossa Caixa foi vendida para a seguradora privada Mapfre, esvaziando a estatal para extingui-la dentro do programa de privatização do governo tucano.

Em 2007, Mauro Ricardo assumiu o cargo de Secretário Estadual de Fazenda no governo José Serra (PSDB). A Cosesp é subordinada a esta pasta. Mesmo já esvaziada e sem vender nenhuma apólice de seguro, Mauro Ricardo se tornou conselheiro da empresa, regiamente remunerado.

Em dezembro de 2008, o próprio Mauro Ricardo, junto com o governador José Serra, assinava a Lei 13.286, que autorizava o Poder Executivo a liquidar e extinguir a Cosesp, inclusive prevendo a demissão de cerca de 60 funcionários que trabalhavam na empresa. A liquidação foi barrada na justiça, obrigando a empresa a continuar cobrindo os antigos contratos de seguros em grupo que estavam em vigor, a maioria de professores e outros funcionários paulistas que se sentiram lesados com mudanças nas condições, muito menos favoráveis, oferecidas pela Mapfre, que havia comprado a carteira de clientes da Cosesp.

O mais inusitado nesta história toda é que justamente Mauro Ricardo, que tudo fez para liquidar a estatal, inclusive demitindo funcionários, sob alegação de diminuir o tamanho estado, apareça agora "mamando" na estatal, recebendo dos cofres públicos por uma função simbólica, na prática. Assim não há discurso tucano que se sustente em São Paulo, nem mesmo na coerência com o que pregam.

Seria essa "inovação" tucana uma espécie de "privatização fantasma", onde continua estatal apenas a manutenção de cargos comissionados a distância?

Helena Sthephanowitz
No RBA
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Feliz, Veja? Agregou valor a indiciado por bater na mulher e filha adolescente


O site G1 presta um serviço à saúde pública brasileira.

Revela que o megacoxinha Alexander Augusto de Almeida, o “Rei dos Camarotes” que virou capa da revista, foi apontado pela mulher e pela filha, então com 15 anos, como espancador.

À filha, então com 15 anos, Alexander a teria chamado ao escritório, após uma discussão e  “desferiu-lhe diversos tapas, acertando-lhe o rosto, olho direito e braços, além de ter xingado a vítima”. Informou ainda que só escapou depois que seu tio, que trabalha no local, destravou a porta e “tirou a declarante das mãos do indiciado”. No documento consta que a estudante ficou com “lesões corporais aparentes”.

À segunda mulher, por ciúmes, segundo seu relato na 5ª Delegacia de Defesa da Mulher, na Zona Leste de São Paulo, “ Alexander “desferiu-lhe socos e pontapés, além de agarrá-la pelo pescoço, produzindo-lhe lesões corporais”. Após isso, a mulher disse que ele tirou o telefone celular de sua mão para que não chamasse a polícia.”.

Nenhuma das duas voltou à delegacia para prosseguir com o caso, embora no caso da menor a polícia sequer precisasse disso para prosseguir a investigação.

Há, como sabemos, dinheiro, advogados e medo.

Foi a um espancador de mulheres e crianças que a revista deu notoriedade e “agregou valor” a babaca de origem sombria.

A Veja serve à barbárie, não à civilização.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Picadinho à brasileira

O miserê da política brasileira exposto em um só acontecimento, a eleição de novos/velhos dirigentes do PT. Um ato que mostrou a mesma coisa por diferentes maneiras: o PT, que foi a organização mais parecida com um partido programático no pós-ditadura, não tem mais absolutamente nada a dizer. O que está evidenciado tanto na tranquila continuidade do imobilismo, como na ausência de ao menos uma palavrinha nova e interessante até entre os derrotados, que deveriam ser contestadores.

Lula ilustrou bem o que é o PT atual, ao pedir que o outrora partido da juventude saia à caça de jovens. Com que ideias, com que ação política que não seja a mera prestação de serviço ao governo? Silêncio.

Como se diz no futebol, a eleição no PT foi só para cumprir tabela.

2) A crítica de Dilma Rousseff ao Tribunal de Contas da União não mereceu maior interesse. Mas se justifica, e não por pouco. A paralisação de obras, sete dessa vez, é contumaz no TCU, quando encontrados indícios ou evidências de irregularidades. Mas não é preciso paralisar obras, por tempo indeterminado e em geral longo, para investigar, corrigir e eventualmente punir, por exemplo, irregularidades financeiras.

Foi o próprio autor do relatório aprovado para as novas suspensões, Walton Rodrigues, a dizer que nesses casos "predominam achados de sobrepreço, restrição ao caráter competitivo da licitação e atrasos injustificados nas obras". A solução de sobrepreço e de atraso não impede a continuidade de obra, cuja sustação tem alto custo para os cofres públicos.

E "restrição ao caráter competitivo da licitação" é o que, até agora, se vê o TCU impor ao leilão dos aeroportos previsto para o dia 22.

3) O problema de José Serra está longe de ser Aécio Neves. É, sim, a disposição de Fernando Henrique e Geraldo Alckmin de impedir sua candidatura à Presidência. O governador, por conveniência pessoal e de sua corrente no partido; o ex-presidente, por velhas convicções e observação atual.

O problema de Fernando Henrique e Geraldo Alckmin está longe de ser José Serra. É, sim, a inconvincente determinação de Aécio Neves de levar adiante sua candidatura. Daí a insistência de Fernando Henrique em que Aécio assuma a posição de candidato do PSDB já em dezembro, no máximo, e não em março como combinado com Serra.

Fernando Henrique não está equivocado quanto à aparente pré-candidatura de Aécio Neves.

4) Ao menos para consideração futura, pelo Supremo ou pelo Congresso, faz sentido o argumento agora apresentado por alguns advogados: dizem eles que a exigência de quatro votos favoráveis, para que certos réus do mensalão ganhem direito a novo recurso, não se justifica se o tribunal fez a condenação quando desfalcado de um ou de dois ministros.

Diz a Constituição, art. 101, que "o Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros". Se não tem onze, o tribunal ainda "compõe-se" de acordo com a Constituição?

Quatro em onze são uma proporção; em dez ou nove são outra, mais desfavorável ao réu.

Nisso está presente, também, a falta de prazo para indicação de novos ministros pela Presidência da República. Dilma Rousseff foi de lentidão injustificável, que impôs muito atraso a numerosas causas.

Janio de Freitas
No fAlha
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Programa Eleitoral do Jô e a propaganda antecipada de Eduardo Campos


No período compreendido entre os dias 15/10 e ontem (11/11), o Programa do Jô entrevistou a ex-senadora Marina Campos e o governador de Pernambuco Eduardo Campos. Convenhamos, é uma "força' e tanto para que ambos possam apresentar sua PLATAFORMA ELEITORAL de forma antecipada e com evidente desproporção em relação aos possíveis outros candidatos. Curioso como o Programa do Jô, no que diz respeito aos assuntos da política, só abra espaço para a oposição, ainda que essa oposição, como no caso de Eduardo Campos, estivesse ao lado do governo até bem pouco tempo, e tenha se beneficiado de todo o apoio desse governo que agora critica, por longos ANOS.



No 007BONDeblog
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Cuba, China e Rússia foram eleitos para o Conselho de Direitos Humanos da ONU

El organismo toma en cuenta la garantía de los derechos
humanos en el mundo
China, Rusia y Cuba fueron elegidas este martes para formar parte del Consejo de Derechos Humanos de la Organización de las Naciones Unidas (ONU).

Cuba y México por Latinoamérica; Argelia, Marruecos, Suráfrica y Namibia por África; China, Vietnam, Maldivas y Arabia Saudí por Asia/Pacífico; Rusia y macedonia por Europa del Este, y Francia y Reino Unido por Europa Occidental fueron elegidas por la Asamblea General.

La entidad tiene la siguiente composición regional: África (13 miembros), Asia-Pacífico (13), América Latina y el Caribe (ocho), Europa Occidental y otros Estados (siete) y Europa Oriental (seis). El periodo de mando es de tres años, sin posibilidades de reelección después de dos gestiones consecutivas.

En 2006, el Consejo de Derechos Humanos sustituyó la Comisión de Derechos Humanos, ente cuestionado por sus manipulaciones y críticas selectivas contra naciones en desarrollo.

De acuerdo con el reglamento del organismo, para obtener el escaño se necesitan al menos dos tercios de los votos de los países que conforman la Asamblea General de la ONU y que se encuentren presentes al momento del sufragio, 129 votos en caso que estén los 193 Estados en la sesión.

No teleSur
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Por que a mídia poupa os do PSDB sobre violência/poder paralelo do crime organizado?

Alckmin na campanha do candidato do PCC
Apesar da gravidade, o assunto tem fugido um pouco da mídia, substituído por outros que dão mais audiência, mas São Paulo continua a viver sob o signo daquela situação em que o crime organizado, se contrariado, parte rapidamente para revanches e sempre do mesmo jeito em suas reações contra o governo.

Há um poder paralelo e institucionalmente estabelecido na prática. E desde maio de 2006, quando o crime organizado – à frente, então, o Primeiro Comando da Capital (PCC) – resolveu medir forças com o Estado, naquele confronto que parou São Paulo por três dias e deixou mais de 400 mortos.

Depois daquele confronto, travado no governo Cláudio Lembo, José Serra foi governador, Geraldo Alckmin também, voltou a ser governador pela 3ª vez, e o negócio deles é fazer vistas grossas, fingir que o problema do poder paralelo do crime organizado não existe…

Há um poder paralelo, o do crime organizado, operando no Estado

Veja a situação agora, em episódio de pouquíssima repercussão na mídia: três ônibus e um carro foram incendiados em Sapopemba, na Zona Leste paulistana, após um suspeito ser morto em uma perseguição policial na noite do último domingo. No início daquela noite, uma viatura em patrulhamento cruzou com quatro adolescentes em um Chevrolet Onix roubado, sem placa.

Os suspeitos escaparam da abordagem e, na fuga, o motorista perdeu o controle e bateu em um poste. Segundo a PM, este condutor, o adolescente Wellington Matheus Sena, de 16 anos, ainda tentou fugir a pé e trocou tiros com os policiais. Atingido, foi conduzido ao PS do Hospital Municipal Jardim Iva, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Os outros três homens ficaram no carro, sem reagir, e foram presos. Falam do confronto, mas nenhum PM ficou ferido.

Cerca de cinco horas depois desse tiroteio, por volta da meia noite do domingo, um grupo com cerca de 20 homens, em 10 a 15 motos, percorreu a área da ocorrência e iniciou uma onda de depredação. Dois ônibus foram incendiados na Estrada da Barreira Grande, o bando ateou fogo em um terceiro coletivo, tudo totalmente consumido pelas chamas. O grupo ainda queimou um carro e fugiu. Ninguém ficou ferido ou foi preso.

A ação, a reação, a repressão e o banditismo vêm tudo igual

Sempre se repetem. Mas a mídia esqueceu o assunto e os governantes de plantão, então – em São Paulo, tucanos nos últimos 20 anos -, acham ótimo. Mas nunca é demais perguntar, nem ofende: o que dois presidenciáveis tucanos, o senador Aécio Neves e o ex-governador José Serra têm a dizer a respeito?

E a mídia, por que não publica mais reportagens a respeito, não cobra em seus editoriais? E por que nem pergunta a respeito a esses presidenciáveis que falam o dia inteiro em segurança pública/violência, por que os poupa desses temas?

José Dirceu
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20 motivos que fazem de José Serra um cara do povão

Ele cumprimenta os salgadinhos da padoca.
Joga bola no terrão.
Tira um cochilo no ombro dos amigos.
Faz churrasco na laje.
Come no bandejão,...
...apesar dos olhares desconfiados.
Se assusta quando recebe o saldo do pré-pago por SMS.
Faz cosplay.
É juiz do joquempô dos amigos.
Faz carinha de quem tá gostando demais.
Toma cappuccino sem açúcar na padoca (pingado já seria demais).
Bate uma sinuquinha.
Anda de trem e apoia no ombro da moça. Quem nunca?
Bebe um chopinho no boteco.
Limpa o salão.
É religioso e preza a família.
Auxilia cadeirante.
Brinca com as crianças.
Pratica esportes radicais.
É amado pelas mulheres.
No Limpinho & Cheiroso
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O realismo maior que o do rei da Folha


A ombusdman da Folha, a quem respeito pela tarefa hercúlea de criticar o incriticável, deveria pensar em usar um pouco da acrimônia com que classificou Reinaldo Azevedo como “rotweiller” – um exagero verbal e de grau – para algumas atitudes da redação do jornal.

Suzana Singer observa, como destacamos aqui, que a “manchete de sexta-feira passada da Folha -”Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação”- induzia o leitor a erro. O prefeito de São Paulo é Fernando Haddad, mas a referência no grampo era a seu antecessor, Gilberto Kassab.”.

As explicações da Redação, obviamente, são pífias, justamente porque  a indução do leitor a erro foi deliberada.

A Folha optou por transcrever a declaração do fiscal de forma literal, já que ele não citou nenhum nome e exerceu funções de confiança tanto na gestão atual como na anterior”, diz a Secretaria de Redação.

O excesso de zelo ficou só na manchete, já que a hipótese de que a frase do fiscal pudesse ser uma referência a Haddad não foi explorada na reportagem. O “outro lado” foi apenas com Kassab, que classificou as declarações de falsas, mas não cogitou que o fiscal estivesse falando de outra pessoa.

O jornal foi mais realista que o rei, numa cobertura bem delicada(…)”

Deduza o sábio leitor e a atilada leitora o que vêm a ser realismo e rei, neste caso.

Bem, afinal, a Folha também tem agora o “Tio Rei”, o rottweiller de Singer, para simbolizá-lo.

Mas, em matéria canídea – da qual o jornal parece imbuído –  a atitude se parece mais com a do lobo da fábula, que dizia ao cordeiro que quem sujou a água do rio, “se não foi ele, foi seu pai ou seu avô”.

E se justifica, tristemente, com o fato de um dos acusados citar, sem maiores elementos, um dos atuais secretários da prefeitura.

A arrogância do jornal é tanta que o poder de crítica interna acaba tendo de caminhar no mesmo trilho para não ter de condenar o erro ao seu remédio possível: assumi-lo e tentar corrigir, mesmo que em letras miúdas.

Mas isso é impossível à Folha: a decadência é sem elegância.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Freira em Crise de Fé



Stephen Fry e Ben Elton - Legendado

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Argentina e os ganhos da liberdade de expressão

Entrega do Premio Nuevas Miradas, da TV da Univesidade de Quilmes
Mídia brasileira ainda silencia sobre o avanço da democracia nas comunicações, quatro anos depois da Lei de Meios argentina. Assunto deveria ser tema obrigatório em nossas faculdades de Comunicação

Está no ar na Argentina o primeiro canal de televisão indígena do país. É o Wall Kintun (“olhar em volta”, no idioma mapuche), dirigido e operado por comunidades da região de Bariloche. Dezenas de prefeituras, universidades e escolas também receberam autorização para utilizar frequências de rádio e TV. Há mais de 500 solicitações para a instalação de rádios de baixa potência em zonas de grande vulnerabilidade social. Essa nova realidade deve-se à implantação da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, conhecida como Lei de Meios, vigente desde 2009, que vem revolucionando o setor audiovisual.

Quatro artigos foram contestados na Justiça, durante quatro anos, pelo grupo Clarín, maior conglomerado de mídia do país. No último dia 29 de outubro a Suprema Corte julgou-os constitucionais. Será o fim do domínio do setor exercido pela empresa – que possui 240 licenças para TV a cabo, nove para rádios AM, uma para FM e quatro para TV aberta. Com toda a lei em vigor, um mesmo empresário não poderá mais controlar canais de TVs abertas e fechadas ao mesmo tempo e o sinal de uma empresa de TV por assinatura não poderá chegar a mais de 24 localidades nem atender mais de 35% do total de assinantes do país.

A lei obriga as empresas que superam esses limites a devolver as licenças excedentes no prazo de um ano. A maioria já se adequou a essas normas, mas não o grupo Clarín, que vinha usando de todas as armas para não abrir mão dos seus privilégios.

O princípio mais geral da lei é que o total de frequências de rádio e TV esteja dividido em três partes iguais: para as emissoras privadas, para as públicas e para as que operam sem fins lucrativos. Trata-se de uma política destinada a ampliar a liberdade de expressão, dando voz aos setores da sociedade emudecidos pela força dos monopólios.

Em quatro anos, a aplicação dos outros 162 artigos não contestados na Justiça mostra a importância da lei para a da democracia. Os números são impressionantes e, claro, desconhecidos no Brasil. A Lei de Meios argentina é quase invisível na grande mídia brasileira. Quando aparece é para ser demonizada, confundida ardilosamente com uma forma de censura. Isso porque ocorre exatamente o contrário.

Com a lei em vigor, houve uma explosão criativa no país, ampliando as vozes com acesso aos meios de comunicação eletrônicos. Os números revelam o aumento da diversidade de ideias circulando, e também uma grande expansão no mercado de trabalho, além de avanços nas conquistas tecnológicas.

A lei de Meios dá frutos
Inauguração da FM Pachacuti 89.9, a primeira rádio
indígena argentina 
Coodinadora de Comunicación Audiovisual Indígena Argentina
Foram concedidas 814 licenças para operação de emissoras de rádio, TV aberta e TV paga. Dessas, 53 de TV e 53 de rádio FM destinaram-se a universidades e 152 a emissoras de rádio instaladas em escolas primárias e secundárias. Enquanto aqui o número de operadoras de TV a cabo é reduzido, dominado por conglomerados internacionais, na Argentina esses serviços são oferecidos por 45 cooperativas, com 2.800 horas diárias de programação própria. Para tanto, foram realizados 50 cursos de capacitação e criados, segundo o órgão que regula o serviço audiovisual, cerca de 100 mil postos de trabalho.

A TV digital aberta cobre 82,5% do país, com 31 canais. Foram doados ao público 1,2 milhão de decodificadores. Criou-se um banco de conteúdos audiovisuais, com cerca de 5 mil horas de produções destinadas aos canais não comerciais. O silêncio da mídia brasileira sobre esses dados reflete-se também no meio acadêmico, no qual o caso argentino é ignorado. A Ley de Medios deveria ser texto de estudo obrigatório em nossas faculdades de Comunicação.

Sem esquecer a ação política dos docentes argentinos, que em 2009 saíram às ruas para apoiar a aprovação da lei. Agora buscam adaptar seus cursos à nova realidade audiovisual. Na Universidade de Quilmes, por exemplo, foi criado um programa transversal sobre tecnologia digital e instituído o “Premio Nuevas Miradas” para “reconhecer os conteúdos da nova televisão federal e antimonopolista”, segundo o reitor Mario Lozano.

A inserção da academia nos projetos de democratização da comunicação acaba de ganhar uma importante referência simbólica. A Faculdade de Jornalismo da Universidade de La Plata outorgou ao presidente da Bolívia, Evo Morales, título de professor honorário da nova cátedra livre denominada “Por uma comunicação social pela emancipação da América Latina”.

Na homenagem, Morales lembrou o papel da rádio Soberania, criada pelos trabalhadores da região em que ele vivia quando era sindicalista para se contrapor à única emissora então existente, controlada pelos Estados Unidos. Hoje, a Soberania integra uma das várias redes comunitárias que cobrem a Bolívia. Vozes antes caladas, como a dos Mapuche, de Bariloche, essas emissoras bolivianas agora “educam e informam, mas também dizem a verdade e contribuem para a liberação dos povos”, frisou Morales ao se tornar professor honorário na Argentina.

Lalo Leal
No RBA
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Aécio controla mídia para evitar críticas ao “choque de gestão”


O lançamento será nesta quarta-feira no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo.

Desvendando Minas, Descaminhos do projeto neoliberal é uma coletânea de 13 artigos sobre os governos Aécio Neves-Antonio Anastasia em Minas Gerais, um contínuo de quase 11 anos de poder marcado pelo que se convencionou chamar de “choque de gestão”.

Os organizadores são Gilson Reis e Pedro Otoni.

A ideia por tras do “choque de gestão” é que o Estado é perdulário, lento e incompetente para lidar com a maior parte de suas atribuições. Deve ser “enxuto, eficiente e gastar bem”, tirando o peso da carga tributária dos ombros dos empresários e soltando as amarras do espírito animal dos capitalistas. Estes, livres do peso do Estado, produzirão tanta riqueza que, eventualmente, haverá um efeito “trickle down” — de que tanto falava o ex-presidente Ronald Reagan. Ou seja, aquela riqueza acumulada no topo eventualmente irrigará toda a sociedade. Acompanhei de perto o governo Reagan, como correspondente nos Estados Unidos, a partir de 1985.

O problema do discurso de Reagan é que o Estado nunca foi de fato reduzido. Ele cortou impostos dos ricos, mas promoveu uma gigantesca corrida armamentista, deslocando investimentos sociais para a indústria bélica. Washington continuou injetando bilhões e bilhões de dólares em subsídios na agricultura, em torno dos quais se articularam as grandes corporações do setor. Ou seja, apesar de todo o discurso, o intervencionismo estatal continuou intacto.

Houve uma intensa onda de terceirização e precarização do trabalho, com a perda de direitos sociais que acompanhou o combate aberto aos sindicatos e a criminalização de movimentos sociais como a ACLU, a American Civil Liberties Union, uma entidade dos direitos civis que, no discurso de Reagan e dos republicanos, era muito “liberal”, ou seja, “esquerdista” (ficava feio usar esta palavra por estar associada à caça às bruxas promovida pelo senador Joseph McCarthy nos anos 50. Mas, o espírito foi o mesmo).

Na avaliação de Gilson Reis, vereador em Belo Horizonte pelo PCdoB e um dos organizadores da coletânea que faz o raio xis da gestão Aécio-Anastasia, também se deu em Minas Gerais uma dissociação entre o discurso e a prática.

Segundo os dados de Gilson, o governo triplicou a dívida — hoje em R$ 80 bilhões — e consumiu parte dela em projetos sem retorno social, como o novo centro administrativo em Belo Horizonte, uma obra de R$ 2 bilhões.

A carga tributária de empresários, comerciantes e mineradoras foi relativamente reduzida, mas sem que isso resultasse na dinamização da economia local, que ainda depende eminentemente dos setores agrícola e minerador de exportação. O PIB de Minas registrou queda de 0,1% no segundo trimestre de 2013 em relação ao mesmo período do ano anterior (enquanto crescia 1,5% no Brasil), o que foi atribuído à queda no preço das commodities.

Por outro lado, os investimentos sociais se concentraram em “focos”: escolas ou hospitais de referência, com objetivos propagandísticos — segundo Gilson.

Na educação, por exemplo, Minas não paga o piso salarial nacional, os professores não tem plano de carreira e cerca de 500 desistem de dar aulas no setor público por mês. Os investimentos se concentraram em 400 escolas de referência, quando a rede toda tem 5.000.

Não é bem o que dizem os admiradores de Aécio (veja aqui o site com o discurso oficial).

Para Gilson, os bons resultados que de fato foram obtidos por Minas em alguns testes oficiais estão relacionados ao foco estrito em português e matemática e na herança de uma rede pública que antecedeu Aécio e que resiste sustentada pelo empenho da população de pequenos municípios — são mais de 800 no Estado.

O livro também aponta a precariedade do setor público em outras áreas, especialmente Saúde e segurança pública.

Em vez de promover concursos públicos, Minas optou por assumir o papel de indutor da terceirização, através da empresa pública MGS, que segundo Gilson controla mais de 300 mil “precarizados” que cumprem funções de servidores públicos.

Na avaliação do organizador do livro, o “choque de gestão” teve o efeito de transferir renda da população em geral para os grandes empresários, no chamado “estado empresarial”.

Mas, e os bons resultados eleitorais de Aécio no Estado?

Segundo Gilson, o hoje senador conseguiu isso às custas de propaganda (aliás, Reagan era chamado de O Grande Comunicador e se reelegeu com o mote propagandístico “É manhã de novo nos Estados Unidos”).

De outra parte, através do estrito controle dos meios de comunicação — o que merece um capítulo especial no livro. Segundo Gilson, existe uma estrutura no governo, com mais de 30 jornalistas, cuja função é exercer o controle sobre a mídia local.

A importância da publicação está em oferecer um contraponto ao discurso unificado que o Brasil ouve sobre Minas Gerais sob Aécio-Anastasia.

Ouçam, abaixo, a entrevista na íntegra.




Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Os clichês criminosos do caso do menino Joaquim

Joaquim
Diante da morte de um menino de 3 anos, que teria sido assassinado, qualquer palavra de indignação é um clichê demasiadamente óbvio.

Quando vejo fatos como esse e vejo a facilidade e a rapidez com que se chega a um veredicto sobre a existência e autoria de um crime, é a lição de Evandro Lins e Silva que me vem à cabeça. Além de Ministro do Supremo Tribunal Federal, aposentado compulsoriamente pelo regime militar, Evandro foi um dos maiores advogados brasileiros. Dizia que é preciso sempre ter em mente que os acusados “podem ser inocentes ou vítimas de armadilhas que o destino tece e prepara do modo mais imprevisto e desgraçado.”

Assim que vimos as matérias na mídia, tiramos rapidamente nossas impressões, interpretando sempre os fatos da pior forma possível para o suspeito. Invariavelmente, essas impressões são exatamente as que o delegado ou promotor quer que tiremos.

O garoto sumiu de sua casa no dia 5 de novembro e imediatamente surgiram as suspeitas de que teria ocorrido assassinato cometido pela mãe e pelo padrasto do garoto. No dia seguinte, o promotor já havia requerido a prisão temporária dos dois. Quando foi encontrado o corpo, no dia 10, o promotor disse: “Temos agora certeza de que foi um homicídio”.

Tudo parecia certo e a investigação parecia uma tourada, cujo final já se sabe de antemão.

Pois bem, hoje vem a notícia de que o garoto pode ter morrido por erro na aplicação de insulina e o promotor admite essa possibilidade. A mudança no quadro é gritante. Se a morte decorreu de um erro, teria ocorrido homicídio culposo e ocultação de cadáver, e pelo primeiro crime a mãe, se autora do crime foi, poderia nem receber pena, por aplicação de um perdão previsto em lei.

Não me aventuro a dar palpites sobre qual crime teria ocorrido. A questão que me move é a facilidade com que se decreta a prisão provisória no Brasil. A prisão temporária, que foi decretada contra a mãe e o padrasto, foi criada por medida provisória, de iniciativa do então presidente José Sarney, e nada mais foi que a consagração da prisão por averiguações, que foi proibida pela Constituição de 1988. No fundo, os dois estão presos para que se averigue a culpa dos dois.

Insurjo-me contra essa prisão porque, a rigor, ela não é necessária, já que a investigação pode existir sem a prisão e ela pode gerar um dano imensurável.

O casal foi colocado em um camburão e a turba vociferava contra os dois. E se ficar provado que não houve assassinato?

É possível imaginar a dor de uma mãe que perdeu o filho em morte trágica e ainda é presa acusada tê-lo matado?

Notem que a certeza que o promotor disse ter não é diferente da certeza que tinham os delegados do caso Escola Base e dos acusados da morte da garota Tayná.

A certeza é apenas um estado mental, nada tem a ver com a consistência das provas. Não por acaso, Fernando Pessoa, por seu heterônimo Álvaro de Campos, disse: “Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!”

Todos os erros judiciários foram cometidos porque alguém tinha certeza de alguma coisa. Em muitos casos, a prisão açodada nada mais significa que acrescentar à dor do crime a dor de uma prisão injusta. Quis evitar o clichê dos lamentos pela morte do garoto, mas não consigo fugir do clichê de dizer que, em termos de processo penal, a pressa é inimiga da perfeição.

José Nabuco Filho
No DCM
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Ironia difícil

Vigora, em diversos meios, a opinião - errada - de que em política as versões são mais importantes do que os fatos

A ironia incompreendida de Antônio Prata, na Folha, diz muito sobre o Brasil, hoje. Como observou Suzana Singer, com a sutileza necessária, “tempos estranhos estes em que a imprensa tem que ser explícita sobre o que é real e o que é ficção.”

As ironias são um recurso sofisticado da crítica social, mas só podem ser compreendidas numa sociedade em que os fatos estão bem estabelecidos e o leitor não tem dificuldade para entender a intenção real do autor.

É preciso não ter dúvidas sobre a realidade em que se vive para compreender um texto cuja graça reside – particularmente – em dizer o contrário do que se escreveu. A ironia não quer enganar ninguém. Quer estimular a reflexão de forma divertida, explorando seu próprio absurdo.

Muitas vezes, a ironia é uma forma de driblar uma situação de opressão. Permite ao autor dizer, de forma elíptica, aquilo que não pode ser dito de forma tão clara.

Era um recurso comum sob os regimes absolutistas que antecederam a Revolução Francesa. Mas também fazia escola nos anos 1979 e 1980 na imprensa sob vigilância da censura do regime militar.

É um exercício intelectual finíssimo, um caminhar sobre o fio de navalha, e está longe de ser pedante. Basta saber o que “é real e o que é ficção.” Caso contrário, o feitiço se vira contra o feiticeiro - como ocorreu com todas as pessoas que, confundindo fatos com suas opiniões, imaginaram que o texto de Antonio Prato deveria ser compreendido ao pé da letra.

A dificuldade de compreensão do público é uma demonstração do universo em que a sociedade brasileira está envolvida.

Não acho que o conflito de ideias e opiniões políticas que polariza o país seja prejudicial. Uma polarização semelhante se verifica em outras sociedades e ninguém tem problemas para distinguir um texto irônico de uma argumentação séria. É parte do processo de educação política da população.

O problema se encontra em outra camada do conhecimento, mais básica – os fatos. No Brasil de hoje, está difícil separar os fatos das opiniões.

E aí, peço desculpas a meus colegas jornalistas, mas é obvio que isso tem uma relação direta com o trabalho dos meios de comunicação. Envolvidos, de forma cada vez mais intensa, num esforço político para impedir uma nova vitória do condomínio Lula-Dilma em 2014, eles se encontram numa permanente luta ideológica para criminalizar o governo federal, fazer denúncias de qualquer maneira e não se importam em confundir, em vez de esclarecer. Sua cobertura é tendenciosa e facciosa, até.

Procura-se confundir, em vez de esclarecer. Abandona-se o compromisso com a apuração dos fatos, que exige um esforço de conhecimento, um ato de humildade, para submetê-los a uma opinião pré-estabelecida.

Vigora, em diversos meios, a opinião – errada – de que em política as versões são mais importantes do que os fatos. Este é o melhor caminho para uma ditadura, alertava Hanna Arendt.

A visão que submete os fatos às opiniões é puro absurdo. Procura dar ares legítimos à manipulação e à mentira, formas clássicas de sabotar um regime democrático.

Convém lembrar disso esta semana, quando João Goulart, presidente que foi deposto depois de ter sido vítima de uma campanha sórdida por parte dos meios de comunicação da época, será exumado.

A finalidade da exumação é saber se Jango morreu envenenado, como vítima de uma política de assassinatos de lideranças populares do Continente, que incluiu casos comprovados como a morte do presidente da Bolívia, Juan José Torres, do general Carlos Prats e do chanceler Orlando Lettelier, leais a Salvador Allende.

A partir de historiadores competentes, bem informados e rigorosos, como Muniz Bandeira e Jorge Ferreira, simpáticos a Jango e adversários do golpe que o derrubou, encaro com prudência as denúncias que sugerem que havia uma conspiração para matar Jango. Convém apurar com cuidado, sem eliminar qualquer hipótese com antecedência e sem permitir, tampouco, que interesses da propaganda de qualquer lado submetam a verdade factual.

Não há dúvida, no entanto, de que a queda de Goulart foi produzida por uma mentira interesseira.

Seus adversários civis, alinhados em torno dos principais jornais da época, sustentavam que ele pretendia dar um golpe de Estado e instalar uma república sindicalista no país. Era uma grande mentira e foi ela que arrastou uma parcela da classe média para a oposição.

O que se queria era quebrar a legalidade democrática, que previa a realização de eleições em 1965 – num ambiente que deixava claro que a oposição conservadora não tinha a menor chance de uma vitória nas urnas.

Este é o perigo de resistir num país onde não se sabe a diferença entre fatos e opiniões.

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Blogueiros apoiam Miguel do Rosário

Em reunião encerrada no último sábado (9), em São Paulo, a comissão nacional do "movimento dos blogueiros progressistas" (BlogProg) aprovou total apoio ao jornalista carioca Miguel do Rosário, do blog Cafezinho, que foi vítima de mais um processo judicial do chefão da Globo, Ali Kamel. Além da solidariedade política, os representantes dos nove estados presentes decidiram utilizar o dinheiro arrecadado na campanha "SOS-Blogueiros" para auxiliar nas suas despesas jurídicas.

Lançada em maio passado, como resposta à crescente onda de perseguição à blogosfera, a campanha "SOS-Blogueiros" arrecadou R$ 4.562,88 - 38 pessoas, de diversos estados, fizeram doações na conta bancária, que variaram de dez a 300 reais. Por sugestão de Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador - outro processado por Ali Kamel - a reunião aprovou, por unanimidade, que esta quantia servirá para a defesa jurídica de Miguel do Rosário, já que seu caso é emblemático da violência contra a blogosfera. A reunião também decidiu encerrar a conta do "SOS-Blogueiros".

Além desta resolução, a reunião definiu a data do IV Encontro Nacional dos Blogueiros e Ativistas Digitais, que ocorrerá de 16 a 18 de maio de 2014 em São Paulo. O temário do evento e sua dinâmica também foram debatidos e passarão agora por consultas com outros movimentos - principalmente da juventude e dos coletivos digitais. A ideia da comissão nacional é garantir, a exemplo das outras três edições, o alojamento e a refeição dos inscritos. As viagens ficam por conta dos participantes, que têm tempo agora para comprar as passagens por preços mais baratos.

A reunião ainda decidiu reforçar a luta pela aprovação do Marco Civil da Internet. Uma delegação de cinco blogueiros irá a Brasília nesta semana para pressionar os deputados. Outra resolução foi sobre o fortalecimento da campanha de coleta de assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular pela mídia democrática, liderada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). A comissão nacional de blogueiros também ficou de analisar as sugestões apresentadas pela deputada Luciana Santos (PCdoB-PE) sobre o financiamento da mídia alternativa

No Blog do Miro
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Lei da Mídia Democrática será debatida hoje na Câmara

Deputados e convidados debaterão o projeto de lei em audiência pública conjunta das Comissões CCTCI, CCULT e CE

Deputados Federais debaterão hoje (12) a democratização dos meios de comunicação no Brasil e mais especificamente a Lei da Mídia Democrática, projeto de lei de iniciativa popular que propõe a regulamentação dos setores de rádio e televisão brasileiros. 

A plenária acontecerá às 16h, em audiência conjunta das comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática,  Comunicação e Informática, da Comissão de Cultura e da Comissão de Educação, a pedido das deputadas Luciana Santos, Jandira Feghali, Alice Portugal (PCdoB), Iara Bernardi e Fátima Bezerra (PT) e do deputado Izalci Lucas Ferreira (PSDB). 

O projeto de Lei da Mídia Democrática, um instrumento da campanha Para Expressar a Liberdade, foi lançado no dia 1º de maio por centenas de entidades do movimento social e da sociedade civil. Coordenado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), é uma proposta de regulamentação do setor de radiodifusão que busca garantir os direitos da liberdade de expressão e do direito à comunicação expressos na Constituição Federal Brasileira.

Propõe a regulamentação, por exemplo, dos artigos da carta magna que proíbem o monopólio dos meios de comunicação e daqueles que impedem que políticos sejam donos de rádios e tvs.  Apesar da proibição expressa, menos de dez famílias concentram empresas de jornais, revistas, rádios, TVs e sites de comunicação no país. E centenas de parlamentares são proprietários de meios de comunicação.  “Esta situação leva à ausência de pluralidade e diversidade na disseminação e acesso à cultura, à informação e ao debate público no país, assim como interfere no direito à voz, à liberdade de expressão”, explica Rosane Bertotti, coordenadora do FNDC, que participará do debate. O projeto já possui mais de 50 mil assinaturas e precisará de cerca de 1,3 milhão para ingressar no Congresso Nacional como vontade da população.

Segundo a Agência Câmara, os parlamentares requerentes lembram que o Código Brasileiro de Telecomunicações, que regulamenta atualmente o setor, é de 1952, quando não existia internet, redes sociais, telefones celulares nem TV por assinatura. A revolução tecnológica e as mudanças sociais, políticas e econômicas, que aconteceram neste período, alteraram drasticamente a forma de comunicação. Por isso defendem uma nova legislação que contemple toda essa convergência tecnológica.

Foram convidados para a audiência o jornalista e editor do Blog Viomundo, Luiz Carlos Azenha; a Coordenadora Nacional do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertotti; o presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Miro Borges; o presidente da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (AlterCOM), Renato Rovai; e a presidente do Instituto Palavra Aberta, Patricia Blanco Belmonte.

Também foram convidados para o debate o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slaviero; o presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), Frederic Zoghaib Kachar; e o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Carlos Fernando Lindennberg Neto.

A coordenadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular, deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e o relator do Marco Civil da Internet, deputado Alessandro Molon (PT-RJ) também farão parte da discussão do tema.

Audiência Pública Conjunta - "Debate acerca da democratização dos meios de comunicação, mais especificamente sobre o projeto de lei de iniciativa popular em fase de coleta de assinaturas"
Dia 12/11, às 16h
Câmara dos Deputados - Plenário 4

No FNDC
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Serra não conseguiu reunir 160 pessoas para assistir sua palestra


Muitos se perguntam: Como vive o eterno candidato á presidência José Serra, desde que ficou desempregado? Segundo a coluna, Poder on line, do Ig, com palestras, o tucano não tem ganhado nada. De acordo com a coluna desse sábado (09), a Juventude do PSDB preparou com pompa os fundos da sede diretório estadual do PSDB para receber o ex-governador José Serra.

Cerca de 160 cadeiras foram colocadas no espaço, além da decoração. No entanto, a lotação esperada não foi alcançada e a palestra foi transferida para uma sala com cerca de 60 pessoas.

Acompanham o evento o senador Aloysio Nunes, o deputado líder do governador Geraldo Alckmin na Assembleia, Barros Munhoz, o presidente do diretório estadual, deputado Duarte Nogueira, o presidente do diretório municipal, Milton Flávio, e o vereador líder da bancada tucana na Câmara, Floriano Pesaro.

No Amoral Nato
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Globo comete gafe e exibe carta com conteúdo erótico de esposa para Breno

Atenção:
O vídeo foi removido pelo usuário, provavelmente a pedido da Globo.
Mas o mais importante está na imagem abaixo, captada do vídeo.
É possível ver parte do conteúdo da carta íntima.


O erro aconteceu durante matéria especial do Esporte Espetacular sobre o ex-jogador do São Paulo

Em matéria especial sobre a vida de Breno, ex-zagueiro do São Paulo, que está cumprindo prisão por ter ateado fogo na própria casa e hoje está no regime penitenciário semi-aberto na Alemanha, a Globo cometeu um grande descuido e levou ao ar, em uma montagem de efeitos especiais no Esporte Espetacular, parte de uma carta que contém conteúdo erótico enviado da esposa do zagueiro para o jogador.

Confira no vídeo abaixo o trecho da reportagem que flagrou esse momento intimo do casal:

Em trecho da entrevista do jogador Breno ao Esporte Espetacular, a Globo colocou imagens das cartas enviadas pela esposa de Breno enquanto o mesmo se encontrava na prisão. É possível identificar o conteúdo erótico das cartas pausando o vídeo.


Relembre o "caso Breno"

Breno teve uma carreira meteórica ao conquistar o título brasileiro de 2007, primeiro ano dele como profissional. Na Alemanha, porém, nunca se firmou e acabou emprestado pelo Bayern ao Nuremberg antes de se envolver no incidente que o levou à prisão.

Em setembro de 2011, o ex-jogador do São Paulo foi considerado o principal suspeito de ter colocado fogo em sua própria casa, em Munique. O jogador foi preso por cerca de duas semanas, pagou fiança, deixou a cadeia e se reintegrou ao elenco do Bayern de Munique. No entanto, Breno não chegou a reestrear por causa de uma lesão no joelho.

O brasileiro foi julgado em julho de 2012, quando foi direto para a prisão. De lá para cá, Breno vinha mantendo o bom comportamento e está trabalhando internamente no Bayern de Munique.

Repórter: Victor Costa
Fonte: Com informações do Doentes por Futebol
No 180 graus
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A Globo tem que passar pelo mesmo processo imposto ao Clarín

A Globo é altamente rejeitada pela sociedade

Os leitores do Diário do Centro do Mundo costumam ser excepcionalmente indulgentes com Lula e Dilma.

Uma vez critiquei as palestras de Lula – um dos mais nomes mais caros do circuito mundial de seminários – e os leitores correram maciçamente em sua defesa.

(A mim incomoda que ex-presidentes, capturados por gananciosos agentes, façam fortunas fáceis com palestras em que ganham numa hora o que ganhavam num mandato. No Brasil, a prática foi inaugurada por FHC e, pelo menos nisso, Lula seguiu-o fielmente.)

Pelo histórico de simpatia irrestrita por Lula no âmbito dos leitores do DCM, chama a atenção o resultado de uma enquete em que lhes foi perguntado por que, na opinião deles, a Argentina tem sua Lei de Mídia e o Brasil não.

Eram duas alternativas postas aos leitores. Uma era que as circunstâncias entre os países eram diferentes. Cristina Kirchner, por exemplo, tem maioria no Congresso.

A segunda alternativa era que Kirchner é mais combativa do que Lula e Dilma. A expressão utilizada na enquete foi mais crua, na realidade. Kirchner tem mais cojones, esta a hipótese levantada.

Para minha surpresa, quase 70% dos leitores optaram pelos cojones de Cristina Kirchner.

Como interpretar?

Primeiro, é verdade, é preciso considerar que os leitores foram ouvidos pouco depois da aprovação pela Suprema Corte da Argentina da lei. Havia, então, uma vaga de entusiasmo no ar que se iniciou na Argentina e logo chegou aos progressistas brasileiros.

Mas, depois, e acima de tudo, estava sendo extravasada uma mensagem, ou um desabafo: “Vamos acelerar as reformas vitais para o avanço social. Chega de acomodação. Algum confronto é necessário para quebrar velhos privilégios.”

Compare.

Qualquer que seja, no futuro, o legado do kirchnerismo, Cristina prestou um serviço extraordinário à sociedade argentina ao vencer epicamente o Clarín para forçar a quebra de um monopólio que é negação da democracia em algo que não pode ser tratado como um sabonete: a informação.

Na batida tese falaciosa da direita, Cristina Kirchner cometeu um crime, aspas, contra a liberdade de expressão. É o que a mídia corporativa no Brasil diz quando o assunto vem à cena.

Para usar a grande frase de Wellington, quem acredita nisso acredita em tudo. O Clarín poderá continuar a escrever tudo o que quiser. Apenas não terá o monopólio da voz.

Quem ganha não é o governo Kirchner. É a democracia. É a sociedade. São os argentinos, enfim.

No Brasil, uma corrente do público grita por uma lei que regule a mídia brasileira e quebra o monopólio de umas poucas famílias. Isso pode se ver nos cartazes que, nos protestos, manifestam repulsa ao símbolo máximo desse monopólio no Brasil, a Globo. Foi dentro desse mesmo quadro que black blocs gritaram umas verdades à revista Veja na sede da Editora Abril, em São Paulo.

Alguma luz para o Brasil? Por enquanto, acreditar numa Lei de Mídia brasileira parece, infelizmente, um triunfo da esperança.

Ainda nesta semana, numa entrevista ao jornal Zero Hora, a própria Dilma falou em mídia com os habituais truísmos sobre a importância da livre opinião. Um momento: todos prezamos a livre opinião. Apenas não queremos que a livre opinião pertença a três ou quatro famílias.

É isso que tem que ficar claro nesse debate. Para quem tem alguma dúvida sobre o perigo do monopólio da voz, é só lembrar 1954 e 1964.

A posteridade haverá de cobrar – justificadamente — o PT se, em sua gestão, o partido não se inspirar, em algum momento, nos cojones de Cristina Kirchner.

Paulo Nogueira
No DCM
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