1 de nov de 2013

O que Eduardo Cunha quer fazer com a internet

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O papel das mídias sociais nas manifestações de junho no Brasil

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O sistema financeiro em busca de candidata?

Marina só embroma com seu vocabulário peculiar quando fala para o povo. Aos que mandam na economia suas declarações são, agora, cristalinas.


O linguajar da pré-candidata Marina Silva não usa xale. O chega prá lá que deu em Ronaldo Caiado surgiu meio extemporâneo e truculento, mas foi esperto. Quem se abalaria a defender o conhecido ícone do reacionarismo? Ocorre que o senador expulso do noivado Rede-PSB é também um dos representantes parlamentares do agronegócio e foi a este que Marina enviou claro e duro recado. Contribuinte importante do PIB brasileiro por intermédio da produção de alimentos para o mercado interno, o agronegócio responde ainda por enorme fatia das exportações do País.

Em meio a intenso conflito de interesses com o sistema financeiro, disputa com este os valores da taxa de juros e as oscilações do câmbio. A ambos falta a possibilidade de elevar a taxa de extração de mais-valia, vedada pela legislação social existente e pela defesa do valor real do salário mínimo. O lacrimejante empresariado industrial tem sido subalterno nesta peleja, incapaz de aproveitar as oportunidades de negócios constantemente criadas pelas políticas de governo, aguardando, talvez, o cenário em que os investimentos venham a ter risco zero. Foi nesta operação de divide e multiplica que a pré-candidata Marina Silva meteu sua colher, revelando em que prato comeria: o do sistema financeiro.

Menos pelas relações de amizade com familiares do Banco Itaú e muito mais pelos assessores próximos, alguns autorizados, Marina só embroma com seu vocabulário peculiar quando fala para o povo. Aos que mandam na economia suas declarações são, agora, cristalinas. Foi só depois dessa tomada de posição, enfiada sem aviso prévio goela abaixo de Eduardo Campos, que o levou pelas mãos para um encontro com banqueiros em São Paulo. Declarações posteriores igualando os governos de Fernando Henrique Cardoso aos de Luiz Inácio Lula da Silva nada tem de surpreendentes. São avanços naturais no quintal de Aécio Neves, tendo tomado conta, desde já, do de Eduardo Campos. Novas e intensas emoções aguardam o mundo político.

Não dou muito valor aos quase vinte milhões de votos que Marina Silva obteve em 2010. Inesperados, sim, mas sem capacidade de me convencer de que representavam um eleitorado cativo, como o de José Serra, antes que resultado de variáveis conjunturais. Ao contingente anti-petista por convicção, mas ao qual o candidato José Serra não apetecia, como não apetece, somaram-se os desgarrados da esquerda que encontraram na então verde Marina uma saída honrosa, deixando-os em paz com a lembrança da própria consciência. Mais os votos verdes, claro, mas não é para ser esquecido que volume significativo do eleitorado verde encontra-se nas áreas urbanas do Sudeste.

Afirmações contra-factuais são imunes a falsificação e não muito bem vistas. Mas suspeito que se o Rede existisse como partido independente, sua eventual candidata Marina Silva, agora madura, e há muito em circulação, dificilmente chegaria à dezena de milhões de votos em 2014. Exceto, vamos ao ponto, se viesse a receber a benção do sistema financeiro, tal como se encaminha para receber agora. Essa é a principal incógnita da equação eleitoral no momento presente.

Wanderley Guilherme dos Santos
No Carta Maior
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Assine pela democratização do Poder Judiciário


A Associação Juízes para a Democracia (AJD) lança campanha de democratização do poder judiciário. De início, através de petição no site Avaaz, promove a campanha para eleições diretas para as mesas diretoras dos Tribunais de Justiça.

Clique aqui para assinar.

O Poder Judiciário precisa ser democratizado, o que só é possível se o pluralismo das ideias tiver oportunidade de manifestação durante as eleições internas.

Atualmente, a cúpula dos tribunais é eleita por uma minoria. Apenas os desembargadores votam (são 2.380 no Brasil e eles são os julgadores dos recursos). Os juízes de primeiro grau (13.000 juízes que têm contato direto com a população) não podem votar para eleger os que dirigem os tribunais.

O mínimo que se espera de uma democracia é que todos os seus membros possam participar da eleição de seus cargos diretivos, de modo a garantir maior transparência no trato da coisa pública. Se quiserem, os tribunais podem alterar essas regras. O Poder Legislativo também pode promover essa mudança mediante lei.

Assine esta petição para que possamos construir um Poder Judiciário verdadeiramente democrático.

No Gerivaldo Neiva - Juiz de Direito
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Brasil recebeu 30 bilhões de dólares de investimento estrangeiro direto

Imagem: Marcos Santos/USP Imagens

Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil recebeu 30 bilhões de dólares – mais de 66 bilhões de reais – de investimento estrangeiro direto (IED). O cálculo é da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

De Genebra, o economista da UNCTAD, Rolf Traeger, explicou à Rádio ONU que o fluxo de investimento para o Brasil foi estável no primeiro semestre.

“A composição do investimento estrangeiro direto no Brasil mudou em relação ao ano passado. Houve uma queda do investimento estrangeiro direto em projetos novos e em fusões e aquisições. Em compensação, houve um aumento dos lucros reinvestidos das companhias estrangeiras. Como resultado desta estabilidade total, o Brasil ficou na oitava posição entre os países receptores de todo o mundo.”

Entre os países do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, o Brasil só ficou atrás da China e da Rússia, que receberam, respectivamente, 67 bilhões e 56 bilhões de dólares entre janeiro e junho.

Em nível global, os investimentos estrangeiros diretos foram de 745 bilhões de dólares na primeira metade deste ano, um aumento de 4% na comparação com o mesmo período de 2012.

A UNCTAD estima que o fluxo de investimento encerre o ano nos mesmos níveis de 2012, devido aos riscos da zona do euro e o “abismo fiscal” dos Estados Unidos, como destaca Rolf Traeger.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York
No ONUBR
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Globo fica bolada e manda Aécio “Boladasso” para a Sibéria. Mas a gente mostra…

Lá vou eu ler Cafezinho do meu chapa Miguel do Rosário e vejo lá:

Globo derruba matéria sobre Aécio Boladasso


Nesta manhã de sexta-feira, enquanto saboreio um cafezinho quente, faço um tour pelos meus blogs preferidos. Vou ao Tijolaço e vejo um post sobre Aécio Neves, assunto sempre interessante para os aficcionados em política, visto que é o principal candidato da direita.

O post menciona uma nova fanpage de Aécio Neves, Aecio Boladasso, e dá link para uma matéria no site da Globo.

Pois é. Mas quando tento entrar na matéria, me deparo com a seguinte mensagem:

ScreenHunter_2816 Nov. 01 10.20

Então, para fazer a minha parte na luta contra a censura - veja aqui como, enquanto as teles tentam evitar a neutralidade na rede, a turma da Globo quer mesmo é poder tirar conteúdo do ar – eu faço minha contribuição cívica à democracia reproduzindo a página que o Comitê Central da Globo mandou para a Sibéria.

boladocortado

PS. A página do Facebook segue no ar. Apenas, por piedade, não reproduzo o que o pessoal diz lá.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O canto de cisne do PSDB e do DEM

A oposição partidária brasileira carece totalmente das características que permitiram ao PT crescer sem ser poder. PSDB, DEM e PPS são exemplos disso.

Por miopia ou má-fé, virou hábito atribuir ao Partido dos Trabalhadores todas as mazelas do sistema político. Marina Silva não teve dúvidas ao acusar o PT de “chavismo” porque seu partido, a Rede, não conseguiu o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a tempo de disputar as eleições presidenciais do próximo ano. A falha apontada pela Justiça eleitoral no processo de formação da nova legenda foi a ausência de mais de 50 mil assinaturas, no total de um milhão exigidos por lei para o seu registro – e, convenhamos, a lei não atribui ao PT a obrigação de colher as assinaturas necessárias para a formação de um partido para Marina. Da mesma forma, a debilidade de partidos já constituídos não decorre de uma ação do PT, mas de uma inação dos próprias legendas.

No atual quadro partidário, apenas o PT mostrou capacidade de existir e se desenvolver fora do poder. Desde a sua fundação, em 1980, até 2003, quando assumiu a Presidência da República pelo voto direto, o partido teve um crescimento contínuo. Foi criado e floresceu na oposição a sucessivos governos.

Tomando por base o aumento da bancada federal petista, nota-se que o partido da presidenta Dilma Rousseff teve um crescimento atípico em relação aos demais partidos: em 1982, primeira eleição que concorreu, elegeu oito deputados federais; em 1986, 16; em 1990, 38; em 1994, 49; em 1998, 59. Em nenhuma dessas eleições era ou apoiou um governo.

Em 2002, quando elegeu Luiz Inácio Lula da Silva pela primeira vez para presidente, sua bancada deu um salto, como ocorreu com os demais partidos que chegaram à Presidência no pós-ditadura (PMDB, com José Sarney, em 1985; Collor e seu PRN em 1989 e FHC nos mandatos 1995-1998 e 1999-2002). O PT, no ano em que Lula venceu, pulou de 59 para 91 deputados federais. Mas, ao contrário do que ocorreu com os demais, a única eleição em que reduziu a sua bancada foi em 2006, quando estava no poder: elegeu Lula para o segundo mandato, mas pagou a conta do escândalo do escândalo do chamado Mensalão, ao obter menos votos para a sua bancada na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2010, que levaram Dilma Rousseff ao poder, aumentou ligeiramente sua bancada federal – para 86 deputados -, embora ainda não tenha recuperado o que obteve no boom eleitoral de 2002.

Salvo se errar muito a mão no processo de institucionalização partidária, o PT tende a se manter importante na política brasileira independentemente de ser governo e oposição: tem eleitorado próprio e ainda mantém uma certa organicidade com setores sociais. Essas variáveis garantem que a legenda não se tornará desimportante se descer da ribalta para a arena política, como aconteceu com o PSDB e seu fiel escudeiro, o DEM, ex-PFL. Se aprofundar a dependência que hoje já tem de políticos que dominam clientelas políticas e têm perfil muito próximo ao dos partidos tradicionais, essa vantagem comparativa que possui em relação aos demais tende a desaparecer.

A oposição partidária brasileira carece totalmente das características que permitiram ao PT crescer sem ser poder. Quanto mais fica longe do governo federal, mais dificuldades as legendas que são de oposição têm de sobreviver. O PSDB, o DEM e o PPS são a expressão recente mais acabada das fragilidades de um sistema que tende a concentrar apoios políticos nos partidos de governo e condenar os partidos de oposição à autodestruição.

O PSDB e o DEM (ex-PFL), aliados desde a primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e separados apenas por um breve momento, nas eleições de 2002, vivem esse fenômeno. Ambos incharam nos governos tucanos, quer por aumento de votos, quer pela liberalidade da lei, que permitia aos eleitos mudarem de partido quanto bem entendessem. Em 1990, na primeira eleição para a  Câmara dos Deputados enfrentada pelo PSDB, criado de um racha do PMDB em 1987,  o partido fez 38 deputados, mesmo na oposição – mostrava alguma musculatura na origem, portanto. Em 1994, junto com o presidente Fernando Henrique, elegeu uma bancada de 62 parlamentares. A partir da eleição, exerceu todo o poder de atração que um partido governista pode ter sobre as bancadas de partidos derrotados. Agregou votos obtidos por amplas alianças eleitorais, puxadas pelo fato de estar no poder, e adesões pós-eleitorais de parlamentares que não queriam ficar na oposição.

De 1995 a 1997, logo depois das eleições que deram o primeiro mandato a FHC, migraram para o PSDB um governador, três senadores, 34 deputados federais, 79 deputados estaduais e 124 prefeitos, segundo levantamento feito pelo cientista político Celso Roma. Em 1998, eleição que deu o segundo mandato a FHC em primeiro turno, o PSDB elegeu uma bancada de 99 deputados.

O poder de atração governista quase levou os dois partidos que dividiam a chapa presidencial, o PSDB e o PFL, a um processo de autofagia. Em 1994, o PFL, que nunca tinha estado fora do poder, elegeu uma bancada de 89 deputados (contra 83 em 1990). Em 1998, fez 105 deputados. Ambos disputaram, ao longo dos dois anos de mandato, parlamentares que desejavam migrar para partidos melhor considerados no trato com a máquina administrativa do governo.

A glória vivida pelos dois partidos nos oito anos de governo de FHC começou a se mostrar que efêmera já no primeiro turno de 2002, quando a bancada federal dos partidos foi definida junto com os dois candidatos presidenciais que foram para o segundo turno, Luiz Inácio Lula a Silva (PT) e José Serra (PSDB). Dos 99 deputados tucanos eleitos em 1998, sobraram 70; o PFL viu despencar sua bancada de 105 para 84 deputados. Em 2006, quando Lula se reelegeu, o PSDB fez apenas 66 deputados; o PFL, 65. Nas eleições de 2010, quando Dilma Rousseff foi eleita para exercer um terceiro mandato pela legenda petista, os dois principais partidos de oposição tinham 54 deputados (PSDB) e 43 deputados (o ex-PFL, já DEM na época). Com a formação do PSD, no final de 2011, e a dos recentes PROS e Solidariedade, o PSDB perdeu mais oito deputados e tem, hoje, uma bancada de 46 parlamentares na Câmara dos Deputados. O DEM ficou com uma bancada inexpressiva, de 25 parlamentares. E o PPS, fiel escudeiro tucano mas muito pequeno, tornou-se nada além do que um partido nanico: elegeu 12 deputados e hoje tem 7.

Esse encolhimento tem mais consequências do que a mera capacidade de atuação da oposição no Legislativo. A análise sobre o canto do cisne do PSDB e do DEM continuará na próxima coluna.

Maria Inês Nassif
No Carta Maior
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Problema de Roberto Carlos com biografias não está na perna, mas no rabo, mora? São 'Traumas' do 'Careta'


O acidente que lhe teria decepado parte da perna não é a causa da proibição por Roberto Carlos de qualquer um que queira fazer sua biografia. Esse é o segredo mais conhecido do Brasil. O problema de Roberto Carlos é outro: as inúmeras acusações de plágio na Justiça.

Uma delas recebeu decisão definitiva, sem possibilidade de apelação: foi impetrada pelo compositor Sebastião Braga, que provou na Justiça que a composição O Careta, assinada pela dupla Roberto-Erasmo era plágio de uma canção de sua autoria.

Sebastião Braga não é o único. Uma consulta ao Google juntando Roberto Carlos e plágio apresenta mais de 100 mil resultados. Há o caso da professora de ensino municipal Erli Cabral Ribeiro Antunes, que afirma que a canção de Roberto Carlos "Traumas" é plágio da sua “Aquele amor tão grande”. Ela contratou o advogado Nehemias Gueiros para defendê-la e afirma que Traumas copiou 16 compassos e 64 notas de sua composição.

Numa entrevista, o advogado deu detalhes da estratégia de defesa de Roberto Carlos [grifo meu]:
Nehemias Gueiros Jr: Se considerarmos que o primeiro processo de plágio contra Roberto Carlos levou 11 anos para ser concluído podemos contar com um tempo razoável de andamento da ação. Entretanto, já fomos procurados pelos advogados do Rei, que ofereceram um acordo de apenas R$ 150.000,00 para a desistência da ação, imediatamente rejeitada por minha cliente. Devemos estar citando Roberto e Erasmo nos próximos 30 dias. [Fonte]
Sebastião Braga também falou desse tipo de negociação de Roberto Carlos, numa reportagem da IstoÉ:
“Ele [Roberto Carlos] colocava a mão no peito, dizia que era cristão e não havia plagiado minha música”, conta Sebastião. Roberto, segundo o advogado e compositor, chegou a sugerir uma indenização num valor bem menor, de R$ 300 mil. “Esta proposta foi absurda. Só a multa do processo foi calculada em R$ 380 mil”, diz ele.

Para seu azar, Sebastião Braga parece ter ficado muito empolgado com a vitória na Justiça, que poderia lhe render algo em torno de R$ 5 milhões. Disse que pretendia lançar um livro contando tudo o que ficou sabendo sobre plágios de Roberto Carlos durante seu processo e, numa entrevista, deu até o título do futuro livro: “O rei do plágio: detalhes e emoções da queda de um mito”.

Roberto Carlos entrou com ação contra ele. E ganhou. No frigir dos ovos, uma ação contra outra, Roberto Carlos pagou apenas R$ 200 mil a Braga pelo plágio. Mas, na real confissão e aceitação do plágio cometido, retirou a música "O careta" de seus discos e ela não é citada nem em sua página.


Para aguçar a curiosidade de você que me lê, publico o vídeo a  seguir. Dê uma conferida, a partir dos 38" e pense se a música lhe faz lembrar alguma outra... coincidentemente de Roberto Carlos.

Roberto Carlos plagiou Charles Chaplin - Publicado neste ContextoLivre em 10/03/2010

No Blog do Mello
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Quem decide pela liberação de agrotóxicos são os prórpios fabricantes

"Perigo, perigo, perigo”, alertava o robô do seriado “Perdidos no Espaço”, produzido pela CBS para a TV dos EUA, entre 1965 e 1968, sucesso também no Brasil.

A imagem aparece sempre que percebo pressões de confederações e associações ligadas ao agronegócio, contra ou a favor de rotinas ou medidas de órgãos que regulam a agropecuária ou instituições de pesquisa que os referendam.

Não que alguns pleitos não sejam legítimos. Afinal, se de um lado vigora pouca lucidez burocrática, de outro sempre haverá interesses econômicos inconfessos.

Agrotóxicos comercializados no Brasil são proibidos em outros países. Pesquisadores independentes, Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e mesmo folhas e telas cotidianas têm sido pródigos nessa divulgação.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e outras entidades vêm pedindo mudanças nos atores e métodos de análise para as aprovações.

Hoje em dia, Anvisa e ministérios do Meio Ambiente, Agricultura e Saúde conduzem os processos de cabo a rabo. Reclama-se da demora, o que fez crescer a ideia de criar-se a Comissão Técnica Nacional de Agrotóxicos, com 13 membros.

E de onde sairiam tais membros? Dos mesmos órgãos hoje encarregados da tarefa, somados, talvez, a porta-vozes das associações de fabricantes de agrotóxicos.

Curioso

Nesta Federação de Corporações, para abreviar processos, cria-se novas instâncias de aprovação. Estas reservarão os ossinhos duros de roer aos supostos eliminados que, ciosos do antigo feudo, os enterrarão em novos quintais, atrasando as liberações.

Intriga atual articulação que questiona o poder decisório de Incra (Instituto Nacional para Colonização e Reforma Agrária), Funai (Fundação Nacional do Índio), Anvisa e ONGs contrárias ao novo Código Florestal.

Tremei, pois, assentamentos para reforma agrária, demarcações de terras indígenas e quilombolas, agroecologia, áreas de preservação permanente, reservas legais.

A encrenca com a Anvisa tomou dimensão maior devido a uma lagarta de nome Helicoverpa armigera.

Depois de se deliciar com soja, milho e algodão, ela se alimenta com dieta bem menos nobre. Matos, ervas daninhas e, segundo relatos de pesquisadores, até copos de plástico. É como maneiram o apetite até a chegada do banquete da nova safra.

Apesar de o ministério da Agricultura ter liberado, em regime de urgência, a importação de produto supostamente eficaz (benzoato de emamectina), o ato foi embargado pelo Ministério Público, em razão de sua alta toxicidade.

Daí a quizumba

Fala-se que a Helioverpa causou, na última safra, prejuízos da ordem de 2 bilhões de reais nas culturas de soja, milho e algodão, valor que pode aumentar no novo plantio.

Amedrontados, os produtores mandam ver altas doses de inseticidas de outras marcas, o que os faz aumentar o custo e não deitar a lagarta.

Vários simpósios têm sido realizados. Pesquisadores atiram pra todos os lados. O plantio de grãos com sementes transgênicas que eliminam os inimigos naturais das larvas, como verificado nos EUA para o milho Bt. Desrespeito ao período de vazio sanitário em certas regiões. Até se cogitou de bioterrorismo.

Diante de tragédia tão grave, é de estranhar as poucas referências aos controles biológicos já existentes, disponíveis comercialmente, e testados e usados com eficácia em vários campos de lavouras.

Como tais produtos não são fabricados pelos principais gigantes do setor, suas massivas divulgação e aplicação poderiam fazer o agricultor acreditar que a salvação das lavouras não seja feito exclusivo dos agrotóxicos.

Na semana passada, presenciei apresentação de cientistas, proprietários de empresa de Campinas (SP) que detém tecnologia para fabricar controles biológicos capazes, inclusive, de fazer a Helicoverpa, em poucos dias, parecer café torrado.

Sem matar uma joaninha ou qualquer outro predador natural.

Existe e basta procurar. Alerta do robô: não será fácil furar o bloqueio.

Rui Daher
No MST
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Iate de Eike que vai virar sucata

Sem comprador para o iate, que custou US$ 19 milhões, empresário vai desmanchá-lo e vender a preço de sucata

Um dos símbolos do auge de Eike Batista, o iate Pink Fleet foi enviado para um estaleiro em São Gonçalo (RJ) para ser desmanchado. Suas peças serão vendidas a preço de sucata. Antes dessa medida drástica, Eike tentou vendê-lo para se livrar dos custos de manutenção, estimados em 300.000 reais por mês. Sem compradores, quis doá-lo para a Marinha, que não se interessou. Veja, a seguir, o navio que será desmontado - e que custou 19 milhões de dólares a Eike.

A miss Brasil 2007, Natália Guimarães, no "Fashion on Board":
o iate de Eike foi palco de vários eventos, enquanto esteve em operação
O iate Pink Fleet foi construído na Alemanha em 1973 e tem 54 metros de comprimento
A Miss Brasil de 2007, Natália Guimarães, na festa de abertura da 13ª Fashion Rio 2008, no navio Pink Fleet

Carol Castro em ensaio fotográfico no navio:
iate foi usado como locação para desfiles e fotografias

O navio foi reformado em 2007 por Eike Batista, a um custo de 19 milhões de dólares

O Pink Fleet era tão luxuoso, que contava com uma loja da joalheria H.Stern a bordo

Interior do iate, durante a festa de inauguração, em 2007:
projeto era um dos mais luxuosos do país

Interior do Pink Fleet:
para não desmanchar o navio, Eike chegou a propor sua doação à Marinha,
que não o aceitou

Vista de um dos ambientes do Pink Fleet, o iate de Eike que será desmanchado

Vista de um dos ambientes do Pink Fleet:
iate está no estaleiro Canissu, em São Gonçalo (RJ) para ser desmontado

Vista de uma das áreas externas do Pink Fleet, na festa de sua inauguração,
em dezembro de 2007

Vista do navio Pink Fleet, na noite de sua festa de inauguração, em dezembro de 2007

Vista do interior do Pink Fleet, no dia de sua inauguração, em dezembro de 2007

Vista do Pink Fleet, no dia de sua inauguração, em dezembro de 2007

Detalhe do Pink Fleet, o navio de Eike Batista que será desmontado

Eike Batista inaugurando o seu navio Pink Fleet, na Marina da Glória,
em dezembro de 2007

Eike Batista com os filhos de seu casamento com Luma de Oliveira,
Thor, acompanhado da namorada Jéssica Lopes, e Olin,
inaugurando o seu navio Pink Fleet, em dezembro de 2007

Eike Batista inaugurando o seu navio Pink Fleet, em dezembro de 2007

Eduardo Paes, então secretário estadual de Esportes, Eike Batista, e Sérgio Cabral,
governador do Rio, na festa da inauguração do navio Pink Fleet,
em dezembro de 2007

Eike Batista na cabine de comando do Pink Fleet, na festa de inauguração do iate,
em dezembro de 2007

Eike Batista e a namorada, Flávia Sampaio, no "Fashion on Board",
desfile beneficente em prol do Instituto Consciência, no navio Pink Fleet,
em novembro de 2008

Carolina Magalhães no "Fashion on Board", desfile beneficente em prol
do Instituto Consciência, no navio Pink Fleet

Renata Dominguez no "Fashion on Board", desfile beneficente em prol
do Instituto Consciência, no navio Pink Fleet, em novembro de 2008

O ator Rodrigo Santoro, em festa de Carnaval promovida por empresas de telefonia
móvel, em 2009, na Marina da Glória

O DJ Zé Pedro no barco Pink Fleet, onde comandou a festa de réveillon da virada
de 2008 para 2009

Festa de abertura da 13ª Fashion Rio 2008, no navio Pink Fleet:
os eventos eram uma das fontes de receita do iate

Festa de abertura da 13ª Fashion Rio 2008:
custos de manutenção da embarcação eram de 300.000 reais por mês

Festa de aniversário de 50 anos da jornalista Leilane Neubarth, no navio Pink Fleet,
na Marina da Glória, em novembro de 2008

Com capacidade para cerca de 450 pessoas, o Pink Fleet foi projetado para receber
eventos e fazer passeios turísticos diários pela Baía da Guanabara

O Pink Fleet possui quatro conveses, seis ambientes com restaurantes, bares,
pistas de dança e salão de reuniões

Fotos: Maurício Melo,Rafael Campos, Fernando Lemos, Tony Andrade/AGNews, Reginaldo Teixeira, Vera Donato
No Exame
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Eike simbolizou não a nova economia, mas a velha mídia

Como alguém tão frívolo podia dar certo?

Não tenho simpatia ou admiração por alguém que, como Eike Batista em seus dias dourados, diz que seu sonho é ser o homem mais rico do mundo.

É muita pobreza de espírito. Mesmo em concurso de misses você vai encontrar respostas mais interessantes sobre sonhos e aspirações.

Mas, posto isto, o que estão fazendo com Eike na queda me lembra o que fizeram com Gatsby, o grande personagem de Fitzgerald. É um massacre abjeto, desprezível e cínico em que a maior vítima é a verdade.

Em seu Twitter, o ex-colunista da Veja Diogo Mainardi postou um vídeo em que Dilma aparece elogiando Eike. Postou também, modestamente, um artigo em que um blogueiro da Veja saúda sua capacidade profética.

Mainardi teria visto antes que os outros, segundo o blogueiro, que Eike era uma “farsa”. Em seu currículo de profecias, Mainardi carrega uma – que correu as redações como piada por muito tempo – em que ele dizia o seguinte, em janeiro de 2005. “Dentro de um ano, Serra vai subir a rampa do Planalto”.

Pausa para rir.

Vejamos agora o que a Veja dizia de Eike quando ele subia, em 2008.

“O empresário Eike Batista acaba de se tornar o símbolo do novo empreendedor brasileiro. A oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) da OGX, sua companhia petrolífera, captou 4 bilhões de dólares nesta sexta-feira, quando foi realizada. É a maior operação desse tipo já feita no país. [...]

O sucesso de Eike Batista rendeu-lhe a reportagem de capa de VEJA desta semana.

[...]

Eike virou assim a cara do capitalismo que começa a se instalar no país, no qual o empreendedorismo se sustenta no mercado de capitais e não nas benesses estatais.

[...]

Tudo isso forma o cenário definido por um experiente analista do mercado de capitais como “alinhamento dos astros”. Graças a esse alinhamento e a uma eficiente capacidade de contratar as pessoas certas, Eike manteve o rumo nos momentos ruins e disparou nos bons. Isso não explica completamente o sucesso alcançado pela OGX. Para compreender o que se passou na Bovespa na sexta-feira, é preciso levar em conta um fator subjetivo, que vem sendo chamado de “Efeito Eike”.”

Bem, uma nova pausa para rir.

A Veja, como toda a mídia, comprou Eike. Chegou a compará-lo, numa das capas mais pavorosas dos 45 anos da revista, com Deng Xiao Ping.

Mas, caído ele, a mídia finge que não adulou Eike, convenientemente colocado agora, na desgraça, como uma invenção de Dilma.

Não que Dilma não tenha culpa de muitas coisas, como atestam os índios. Mas vinculá-la ao colapso de Eike é uma falácia.

http://4.bp.blogspot.com/-NOyr2oLugOs/TxSR4cgMOxI/AAAAAAAAWAU/qaDzkRlaIMI/s1600/eike-batista-revista-veja-18012012.jpg
Capa histórica

Tenho minha própria visão.

Um empresário tão preocupado com coisas frívolas não poderia dar certo. Nas palavras da Veja:

“Mora numa casa de 3.500 metros quadrados, construída em um terreno de 60.000 metros quadrados, sem vizinhos que o separem do Cristo Redentor. Além do Mercedes de 1,2 milhão de euros que fica estacionado em uma das salas da mansão, tem catorze automóveis na garagem, três lanchas, três aviões e um helicóptero. Brinda a cada novo contrato com champanhe junto a uma fonte em seu jardim, de onde se descortina uma das mais lindas vistas da Lagoa Rodrigo de Freitas. Faz negócios e corre riscos à luz do dia.

Mais Eike tornaria o ambiente de negócios no Brasil melhor? Sem dúvida. “Isso é muito bom para um país que precisa ser mais assumidamente capitalista, globalizado e moderno”, afirma o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. “Ele foge do estereótipo do empresário chapa-branca, atrasado, que não gosta de capitalismo.””

Se algum leitor da revista acreditou no que leu e comprou ações de Eike, por causa de sua fabulosa “capacidade de contratar as pessoas certas” e outras virtudes, pode talvez reclamar no Procon ou coisa parecida.

Eike era um símbolo, é certo, mas não da nova economia, mas da velha mídia.

Lembremos as “benesses estatais” das quais fala, acusadoramente, o texto da Veja. Agora relembre coisas como a reserva de mercado da mídia e o chamado “papel imune”, sobre o qual numa camaradagem extrema não incide imposto, e os cofres sempre franqueados do BNDES e do Banco do Brasil para as grandes corporações jornalísticas.

Pronto. Agora uma pausa para todos nós rirmos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Campanha eleitoral vira uma batalha de ombudsman


Esta campanha eleitoral fora de época está ficando mesmo muito engraçada e deve deixar malucos os jornalistas estrangeiros encarregados de entender quem é quem e explicar o que, afinal, está acontecendo nestes últimos dias no Brasil.

O protagonismo na mídia é de personagens que não são candidatos (Lula, Marina e Serra), deixando em segundo plano os que devem disputar para valer as eleições de 2014 (Dilma, Aécio e Eduardo).

Correspondentes e enviados especiais (já fui um deles) quando chegam a um país estrangeiro em época de campanha eleitoral buscam duas fontes para terem uma primeira ideia sobre o que está em jogo: motoristas de táxi e os jornais locais.

Se fizerem isso no Brasil, estão perdidos. Motoristas de táxi não se interessam muito pelo assunto e também não estão entendendo nada, como a maioria da população. E os principais órgãos de imprensa parecem birutas de aeroporto em busca de um candidato de oposição confiável e competitivo para chamar de seu e ser capaz de tirar o PT do poder. Se procurararem os jornalistas nativos, então, os coitados receberão diferentes e antagônicas versões de cada um.

Na última semana, a julgar pelo espaço que ocuparam no noticiário, os principais candidatos são o ex-presidente Lula e a sua ex-ministra Marina, com Serra correndo por fora, pegando nos calcanhares de Aécio, que parece não saber se vai ou se fica, e qual seu papel nesta história.

Todos eles, na verdade, parecem estar numa batalha de ombudsman - palavra sueca que não tem flexão de plural nem feminino e, segundo a Wikipédia, significa "profissional contratado por órgão, instituição ou empresa que tem a função de receber críticas, sugestões, reclamações e deve agir de forma imparcial no sentido de mediar conflitos entre as partes" -, uns batendo nos outros, sem apresentar uma única ideia nova ou um projeto para o país que pretendem governar.

Os pré-candidatos da oposição (as definições de chapa do PSDB e do PSB só devem acontecer em março) agem como ombudsman do governo Dilma, usando os mesmos argumentos e limitando-se a criticar a presidente por tudo o que ela faz ou deixa de fazer, sem apresentar, em suas pajelanças, qualquer sugestão viável para melhorar a vida dos brasileiros.

Lula, por sua vez, atua como ombudsman da imprensa e dos governos do seu antecessor Fernando Henrique Cardoso, atirando para todo lado e avisando que poderá voltar em 2018 se lhe encherem muito o saco.

Favorita em todas as pesquisas, com índices variando em torno de 40%, a presidente Dilma circula impávida pelos quatro cantos do país, garantindo que não está em campanha, mas não perdendo nenhuma chance de garimpar seus votinhos por onde passa, montada nos programas sociais lançados pelo seu antecessor, que está de volta à ribalta com a corda toda.

Com sua campanha limitada a entrevistas coletivas em Brasília, Aécio reapareceu nesta quinta-feira para dizer que Lula "vai criando uma sombra sobre Dilma, mesmo sem querer", como se ele mesmo não estivesse enfrentando a enorme sombra de Serra, que mais parece um fantasma a atormentá-lo.

"O que eu vejo é o PT hoje muito ansioso, aflito, duvidando das condições da presidente da República, que eu acho que não são boas", analisou o ombudsman tucano, sem se dar conta de que está há meses empacado em terceiro lugar nas pesquisas, com um terço das intenções de voto da presidente candidata à reeleição.

Da mesma forma, o presidenciável Eduardo, que ficou em segundo plano depois de se associar a Marina, agora chama Lula de "cover" de Dilma, também sem olhar para o lado e ver o que acontece na sua própria casa com o embate entre sonháticos sustentáveis e pragmáticos socialistas. Não é pitoresco isso?

Teoricamente, Serra e Aécio pertencem ao mesmo partido, mas agem como se a disputa presidencial se desse apenas entre eles e não com os adversários de outros partidos.

Enquanto emissários de Aécio, o candidato oficial lançado por FHC e apoiado pela imensa maioria dos tucanos, se queixam da desenvoltura com que Serra se movimenta pelo país também se apresentando como candidato presidencial (apenas dele mesmo e de uma parcela da imprensa mais conservadora), o ex-governador paulista orienta o eterno aliado Roberto Freire, proprietário do PPS, a apoiar o PSD de Eduardo para enfraquecer seu concorrente interno no PSDB.

É para deixar mesmo qualquer jornalista estrangeiro com vontade de largar a cobertura no meio, dar uma banana pra todo mundo, e só voltar ao Brasil quando as coisas ficarem um pouco mais claras.

Não me lembro de ter visto nada parecido nas muitas coberturas de eleições presidenciais que já fiz por este mundão de Deus nos últimos 50 anos. O Brasil, de fato, não é para amadores e não dá a menor bola para os velhos manuais da política. Fora isso, qualquer previsão é mero chute.

Apesar de tudo, um bom fim de semana a todos.

Ricardo Kotscho
No Balaio
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Inauguração da Via Expressa Baía de Todos os Santos em Salvador


Foi inaugurada nesta sexta-feira (1º) a Via Expressa Baía de Todos os Santos, que ligará a BR-324 ao Porto de Salvador, na Bahia. A presidenta Dilma Rousseff participou da cerimônia de inauguração e visitou a obra, que tem aproximadamente 4,5 km. A via foi concluída a partir de parceria entre os governos federal e estadual e recebeu R$ 480 milhões, sendo uma das principais realizações da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) na cidade.
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Censura a Amaral mostra face autoritária de Marina. E seu poder sobre o PSB


A censura do site do PSB ao próprio vice-presidente nacional do partido, retirando do ar seu artigo – no qual critica a turma “neoliberal” com quem Marina Silva e Eduardo Campos andam tomando “lições” de economia – mostra toda a hipocrisia que há no discurso “de nova política” da dupla de candidatos.

Mesmo que Roberto Amaral, com a solidariedade de seus companheiros de partido não lhe tem, tente se fazer de “desentendido” sobre o que se passou, como fez numa entrevista ao O Globo, o episódio revela que Marina Silva, mesmo que sem cargo formal no PSB, assumiu o papel de dona da legenda, desmoralizando publicamente seu vice-presidente sob o silêncio cúmplice e acovardado do candidato “posto” e presidente da sigla, Eduardo Campos.

Pior, mostrou na truculência, dos métodos que serão usados para “enquadrar” qualquer diferença de opinião.

Alias, Roberto Amaral, em O Globo, diz que “ tenho direito de ter opinião”.

Não tem, não.

Seu partido foi abduzido pelo estranho casal que reúne ambição e oportunismo e um homem de esquerda, como é Amaral, ex-ministro de Lula, terá de se curvar e se calar.

Agora, no PSB, o que vale é o diktat de marina, que com a nova trupe fernandista que agora lhe faz a cabeça.

Se alguém achava que Marina tinha apenas um ar autoritário, enganou-se. Pratica, ela própria o autoritarismo.

Não quer um partido que reúna pessoas, quer um onde lhe obedeçam.

Não quer rede, quer mordaça.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A diferença entre manifestação e revolta popular


Desde o inicio das manifestações de junho que o perfil do engajamento é questionado. Tidas como evento de classe média branca, organizadas por universitários da USP, marcadas para ocorrer em áreas nobres como avenida Paulista ou Largo de Pinheiros, obtiveram o desdém de boa parte da população. Era discurso recorrente que, enquanto a periferia não aderisse ou enquanto o morro não descesse para o asfalto no Rio, a coisa não deveria ser levado a sério. Isso sim era algo temido. Que a revolta aflorasse.

Pois bem, ela parece ter tido sua primeira fagulha neste final de semana. Pequena e ainda aparentemente sem indícios de continuidade, não deve ser desprezada (os primeiros protestos do MPL lá em 2011 ou mesmo antes, também não foram observados com atenção e deu no que deu).

Embora as notícias, as polícias e os governos estejam dispostos a jogar tudo no mesmo balaio, o que ocorreu na zona norte no último final de semana é algo diverso (mas nem tão desconectado) das manifestações que se espalham via internet. O que ocorreu foi revolta.

E há diferença? Sim, em número, gênero e grau. Manifestações são marcadas com antecedência, local e horário definidos. A adesão é ideológica.

A revolta explode após o transbordamento da paciência, e exigir racionalidade durante a ocorrência é que é irracional. A manifestação tem queima lenta como a madeira. A revolta é como pólvora.

No mais, não se pode fechar os olhos para o que está ocorrendo. A aparente desconexão entre as manifestações do centro e a revolta da periferia pode ser não ilusória mas apenas momentânea. “Um exemplo é a Turquia. Primeiro a população se manifestou contra a construção do shopping center para defender o espaço verde do local. Depois essa manifestação se transformou em uma revolta contra o governo”, explica Tania Regina de Luca, professora do departamento de história da Unesp (Universidade Estadual Paulista). De fato, já corre nos últimos dias uma aproximação entre manifestantes da “classe média branca” junto à revolta da “periferia”. A página Jardim Brasil Manifestação (local onde ocorreu uma das mortes) criada na terça-feira, já possui 1.629 seguidores em dois dias de existência, com vários participantes de outras causas dando “todo apoio à luta”. Esse muro pode estar para ser derrubado. Todos já vimos que é possível a união fora do facebook também. Ali é só o começo.

O Jaçanã, imortalizado por Adoniran Barbosa como um bucólico e longínquo bairro paulistano, aproximou-se do centro com a velocidade de um trem-bala. Ganhou as manchetes pelo que há de mais brutal no Brasil: a desigualdade.

As mortes de dois adolescentes, executados por PMs no intervalo de 24 horas, acenderam o pavio da revolta. Revolta porque o garoto Douglas Rodrigues (17 anos), pegou o trem das onze mais cedo do que devia. Revolta porque o garoto Jean Nascimento (17 anos), foi condenado à morte em situação ainda nebulosa.

São situações inimagináveis nas manifestações centrais da cidade. Em duas oportunidades (em 11 de junho e no recente 25 de outubro), policiais chegaram a sacar suas armas e apontar contra manifestantes. Mas não houve disparo. Nem mesmo diante do espancamento de um coronel. Na periferia, o buraco é mais embaixo. No mesmo Jaçanã, há cerca de um ano, sete pessoas foram mortas num intervalo de apenas quatro horas dois dias após um soldado da Rota ser baleado. À época, vizinhos contaram que viaturas estiveram duas vezes no local antes da chacina realizando abordagens em busca de informações a respeito dos autores do atentado contra o policial e eram informados de que não deveriam ficar na rua depois das 20 horas. Toque de recolher oficial.

Na periferia, não só a polícia atira primeiro para perguntar depois, como o tratamento dado durante a reação popular é muito mais violento do que os presenciados nas regiões centrais. Mães e avós dos garotos assassinados foram intimidadas pela ronda policial até mesmo durante entrevistas à redes de TV. Isso é muitas vezes mais cruel que as bombas de gás e balas de borracha atiradas, aí sim idênticas tanto na avenida Paulista quanto na rua Bacurizinho do Jardim Brasil.

Como consta em um post de um morador: “Verme não quer saber não! E sabe de uma coisa? Se fosse um morador de Perdizes quem tivesse sido assassinado, queria ver se haveria ASPAS na palavra inocente. Tem polícia que não tem respeito com ninguém, que dá tiro assim de graça, porque se é preto e da perifeira FODA-SE né? E depois que o povo se revolta, ainda acham ruim. Porque eu digo, essa POLÍCIA MILITAR tem que acabar, enquanto houver esses vermes o Brasil não vai ter paz, pelo menos não na periferia.”

Isso é revolta, não manifestação.

Mauro Donato
No DCM
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Chega de comprar em Miami


 

Neste ano, até o mês de setembro, o déficit de transações correntes – diferença entre o que enviamos e recebemos de dinheiro do exterior – alcançou mais de 80 bilhões de dólares. Boa parte do rombo advindo de dois hábitos adquiridos com o aumento da renda da população: um deles, o de andar de automóvel. O outro, o de viajar para fazer compras no exterior.

No primeiro caso, a isenção do IPI preservou empregos. Em 2002, o Brasil produzia um milhão de automóveis, hoje fabrica quase quatro milhões.

Mas o consumo de combustível, nacional e estrangeiro, teve que subir na mesma proporção.

Só de gasolina, as importações aumentaram, em 42 mil vezes, de 2009 para cá.

O programa Inovar-Auto foi, também, importante. Mas não obrigou as montadoras a oferecer modelos mais econômicos, a não ser em caminhões.

Outras opções teriam sido zerar os impostos, ou até mesmo subsidiar, a produção de etanol, que é pago em reais, e não em dólares. Ou a fabricação de carros elétricos para uso, por exemplo, como veículos de entrega nas grandes cidades. Mas só agora isso começa a ser pensado com relação, primeiro, a veículos híbridos.

A classe média reclama do governo - a crise está em todos os jornais - mas não deixa de comprar carro nem de viajar para fora. O brasileiro é o turista que mais gasta, hoje, nos EUA.

As despesas com turismo no exterior aumentaram 37%, para US$ 2,168 bilhões no mês passado, contra US$ 1,703 bilhão, no mesmo mês de 2012. E já passam de 40 bilhões de dólares nos primeiros nove meses de 2013.

Aí, também, a “culpa” é do governo. Embalado pelo aumento da renda e do emprego e do valor do real, nos últimos anos, o setor turístico, com destaque para a hotelaria – amplamente controlada por estrangeiros - tem metido a mão no bolso do consumidor e enviado gordas remessas de lucro para o exterior.

Só em 2013, as tarifas já aumentaram entre 7 e 10%, e estudos mostram que os preços das diárias dos hotéis em cidades da Copa do Mundo vão ficar até 583% mais caros até a competição.

Apesar disso, todo o lucro e empregos gerados hoje pelos consumidores brasileiros em viagens de compras em outros países e os dólares que eles gastam, poderiam ficar por aqui mesmo, se:

- o brasileiro tivesse a opção de pagar, em reais, os mesmos preços pelos mesmos serviços e produtos que compra lá fora.

- e pudesse ter acesso aqui a hospedagem e atrações semelhantes, sem precisar viajar para o exterior.

Independente da ZF de Manaus, e em parceria com a China – especialista em erguer cidades em questão de meses, e na produção de gadgets de qualquer tipo – Governo e Congresso poderiam estudar a criação de uma Área Especial Restrita, de interesse turístico e comercial.

Com jogo liberado e venda de produtos eletrônicos, e sob controle do BNDES, da CEF e da Embratur, ela poderia ser construída a meio caminho entre o norte e o sul do país, e o público teria acesso a ela com o pagamento de uma pequena taxa por dia.

Com um projeto como esse, seriam gerados milhares de empregos, e os impostos, em vez de ficar na Flórida, ou no Paraguai, viriam para o nosso país.

Faz mais de 50 anos que Brasília foi inaugurada. Já que não dá para evitar que o pessoal viaje, precisamos – só do ponto de vista econômico, é claro – de uma Miami para o Brasil.
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Sigilo? O MP é fiscal da lei, não dono da lei


A saída de Roberto Gurgel da chefia do Ministério Público Federal parece ter preenchido uma lacuna na aplicação da lei neste país.

Ontem, a corregedoria do Ministério Público Federal abriu sindicância para apurar a razão que levou o Procurador Rodrigo de Grandis a deixar engavetado o pedido de investigação suíço sobre a propinagem que correu solta sobre os trilhos do Metrô e da Companhia de Trens Metropolitanos dos governos tucanos de SP. A corregedoria Conselho Nacional do Ministério Público, que não é composta apenas de membros do MP, também abriu investigação.

Hoje, na Folha, revela-se que a história da “gaveta errada” é uma farsa: e-mails do Ministério da Justiça e de promotores de São Paulo ligados às investigações do caso Alstom  é, simplesmente, mentira.

A democracia não pode conviver com “engavetadores-gerais da República”, como tivemos durante o governo Fernando Henrique, muito menos com a “ferocidade seletiva” que Gurgel implantou: contra a esquerda, pressa; contra a direita, desídia.

Mas há, ainda, outro obstáculo a ser superado.

Pode e deve haver sigilo em investigações criminais, mas não sobre atos administrativos.

O procurador Rodrigo de Grandis é um servidor público e seus atos estão sob o comando do artigo 37 da Constituição, de determina a publicidade das ações de Estado.

Por conseguinte, também das razões da não-ação, da omissão.

Se o MP deve dizer o que fez e porque fez, também deve explicar o que não fez e a razão de não fazer.

No caso do chamado mensalão, Gurgel parecia uma matraca.

Não se pede o mesmo.

Mas se exige a transparência, a menos que o sigilo, como parece, seja privilégio do que envolve os tucanos ou a Globo, no caso de sonegação fiscal ao qual o MP deu de ombros.

Fernando Brito
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Português é a língua da moda e do emprego na China

Português já é a segunda nota mais alta de entrada em algumas universidades chinesas. Dentro de cinco anos, depois dos países Lusófonos, será a China quem mais fala português.

Estudantes chineses da Universidade de Xangai celebram 
conclusão da licenciatura
Nos últimos "cinco ou seis anos a explosão [do ensino] do português na China foi fantástica" disse ao Expresso o Professor Carlos Ascenso André, um dos oradores no painel "Ensino da Língua Portuguesa na China", um dos temas em debate na 2ª Conferência Internacional "Língua Portuguesa no Sistema Mundial", que hoje terminou em Lisboa.

O Professor Carlos Ascenso André da Universidade de Coimbra mudou-se para Macau em 2012, para dirigir o Centro Pedagógico e Científico de Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau. Aí chegado, decidiu meter a 'mão na massa' e fazer um levantamento sobre o ensino de português na China.

Apurou que num intervalo de cinco anos "passámos de seis ou sete universidades para 28 instituições onde 1350 estudantes aprendem português, essencialmente ao nível da licenciatura".

"Há mais de 100 docentes a leccionar português no Ensino Superior. É um corpo muito jovem, 65% dos professores são chineses e têm problemas de formação", explica Carlos André. Os outros 35% são docentes de nacionalidade portuguesa ou brasileira.

Português abre portas nas empresas, jornalismo e diplomacia

"A China olha para o longo prazo. Ao perceber que havia mudanças na geopolítica começou a apostar no ensino do português, porque tem muita população jovem", disse ao Expresso, Ana Paula Laborinho, presidente do Instituto Camões.

Carlos André confirma a "ideia de que aprender português é uma garantia de empregabilidade. Os estudantes chineses acham que lhes abre portas no jornalismo, na diplomacia e nas empresas".

Portugal não pode assegurar sozinho a formação dos professores que ensinam português nas universidades chinesas: "precisa de parcerias locais", diz Carlos André. "As instituições universitárias portuguesas também não podem cair no equívoco de julgar que resolvem sozinhas esta questão", acrescenta.

Na opinião de Ana Paula Laborinho, Macau "tem importância como base" de trabalho.

Mas Carlos André estende o alerta de prevenção de equívocos às instituições do território "onde o dinheiro não é problema. "A Universidade de Macau, o Politécnico de Macau e o Instituto Português do Oriente têm de trabalhar em conjunto" para responder ao desafio do ensino do português na China.

Dentro de cinco anos, "teremos mais de cinco mil universistários chineses a aprender português. Nalgumas universidades o português já é a segunda nota mais alta de entrada".

Cidades chinesas onde há universidades que leccionam português
No ContrapontoPIG
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