28 de out de 2013

Como FHC vendeu a Segurança Nacional

Só um bobo dá a telefonia a estrangeiros. Ele deu.


Amigo navegante carnavalesco enviou o seguinte e-mail:

PH,

Muito, mas muito boa mesmo a matéria sobre o livro branco da defesa.

Cedo ou tarde a questão do poder militar brasileiro como política econômica e garantia defensiva das próprias políticas sociais (que vão depender muito do pré-sal, do xisto do Amapá e por aí vai) tem que ser recuperada pelos progressistas.

A matéria foi estigmatizada pela associação de capacidade atômica e nuclear ao imperialismo americano (década de 50, campanha pelo desarmamento mundial etc).

O FHC assinou o Tratado de Não—Proliferação Atômica.

Para mim, traição nacional, traição mesmo, convicta, essa foi, seguramente.

O resto foi entreguismo barato.

Quero ver como os socialistas históricos do PSB vão se ver com o Atlântico às escuras da Marina que o Miguel do Rosário sublinhou.

A leitura do CAf pela manhã foi um banho de leite de cabra enquanto aguardo realizar uns exames médicos. Sem preocupação, sairei no carnaval fantasiado de Pré-Sal.

Grande abraço

O Príncipe da Privataria cometeu alguns atos de traição.

Pode-se dizer que ele vendeu, deliberadamente, a Segurança Nacional.

Em junho de 1993, ele vendeu à estrangeira Bunge a Ultrafértil, que produzia 42% dos fertilizantes do país.

Junto foi a Petrofértil, que produzia – e só ela – o combustível pesado para acionar os foguetes que saem de Alcântara.

Foguetes demandam combustíveis líquidos e sólidos.

Os sólidos são os mais complicados, porque, altamente poluentes, exigem um transporte complexo.

A Petrofértil foi fechada e o Brasil perdeu o fornecedor doméstico – e estatal – de combustível para foguetes.

(Depois a Petrobras recomprou a Ultrafértil.)

Outra traição à Segurança Nacional se deu em 1º de julho de 1998, no fim do primeiro mandato – para que não houvesse o risco de não conseguir fazê-lo mais tarde.

Foi quando ele assinou o Tratado de Não-Proliferação das Armas Nucleares.

E jogou no lixo décadas de luta da diplomacia brasileira, de JK aos militares, que resistiu à furiosa pressão dos americanos, que, claro, querem o monopólio da energia nuclear.

Assinar o TNP foi a traição MAIOR, na opinião do amigo navegante.

Tem mais traição.

No dia 29 de julho, ele vendeu a Embratel à americana MCI.

Depois comprada pelo mexicano Slim.

Com a Embratel ele vendeu um satélite de comunicações com banda militar e a base terrestre para operá-la.

O Brasil tem que alugá-los ao Slim.

Enquanto não chega, ano que vem, o mega-satélite geoestacionário que a Dilma mandou comprar.

Como diria o então tucano Bresser Pereira, “só um bobo dá a telefonia para estrangeiros”.

O FHC deu.

Mas, de bobo não tem nada.

A outra traição à Segurança Nacional foi deixar de herança ao Lula uma licitação quase pronta de compra de caças.

A pedido dos americanos, ele tirou da licitação os Sukhoi-35 russos.

E deixou os americanos, os suecos – um clone dos americanos e da preferência da 'Tacanhêde' -, e os franceses.

Agora, provavelmente, a Dilma vai ter que incluir os Sukhoi-35 de volta à competição.

O Príncipe da Privataria entregou a mercadoria.

Como lhe encomendaram.

Ele se elegeu para vender e entregar o Brasil aos americanos.

E foi o que ele fez.

Tirou o sapato !

Porque sempre acreditou em tirar o sapato.

Sua famosa “teoria da dependência” não passa disso: o Brasil não tem futuro, mesmo, então, é melhor ser dependente dos americanos.

Qual a surpresa, amigo navegante ?

Quem disse que “o 7 de setembro é uma palhaçada”?

Em tempo do amigo navegante missivista: lembrei: o primeiro ato do Nunca Dantes foi criar o Fome Zero… Essa é a diferença entre um governo que tem a preocupação com a população como inabalável prioridade máxima e seus opositores, qualquer um deles.

Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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A Bomba Atômica brasileira

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Charge online - Bessinha - # 1979

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Procurador “esquecido” se lembra de prender o Dirceu


Esquecer do 'Cerra' fica por isso mesmo? O que fará o Conselho do MP?


Dica de Stanley Burburinho:

O Procurador Federal de São Paulo, Rodrigo de Grandis, é protagonista de um dos episódios mais estarrecedores da História do Ministério Público: ele se esqueceu de atender a pedido da Justiça da Suíça que, inevitavelmente, levaria à punição do 'Padim Pade Cerra' e uma leva de tucanos (de São Paulo !).

Veja, amigo amigo navegante, nessa entrevista ao Heródoto Barbeiro, na RecordNews, como ele é implacável, inflexível, um ferrenho inimigo da impunidade!!!

Viva o Brasil!

E o Conselho Nacional da Magistratura não vai fazer nada?

Dr Janot, a Dilma foi Republicana. O senhor será?

Leia aqui “O MP é o DOI-CODI da Democracia”.

Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Campanha reforça Turismo em Minas Gerais

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Kirchnerismo perde Buenos Aires, mas conquista maioria no Congresso

Na principal província argentina, vitória ficou com Frente Renovadora; Frente de Esquerda conquista resultado histórico em Mendoza

Apoiadores da oposição comemoram resultado das urnas: Kirchner perdeu em distritos-chave, mas mantém maioria do Congresso
Agência Efe

Há exatos três anos da morte do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), os argentinos foram às urnas neste domingo (27/10) para renovar 127 cadeiras – a metade - da Câmara de Deputados e 24 - um terço - do Senado.

Com quase 100% das seções eleitorais apuradas em todo o país, os números mostram que o kirchnerismo foi derrotado nos principais distritos eleitorais. No entanto, a base governista FpV (Frente para a Vitória) e seus aliados se mantiveram como maior bloco em ambas casas do Congresso.

Na Câmara de Deputados, a legenda da presidente Cristina Kirchner manteve o mesmo número de bancas e, com 132 assentos, é a única força que supera os 129 deputados necessários para conformar quórum nas votações da casa. No Senado, a situação da FpV é parecida. Mesmo depois de perder duas bancas, seus 39 representantes superam em dois o mínimo de 37 presentes para conformar quórum.

A aliança governista tem 33,15% do total de votos para deputados nacionais e 32,13% para senadores. Na Argentina, para a Câmara, o número de representantes eleitos por distrito é proporcional ao número de votantes. Já no Senado, cada província (estado) tem três bancas. Algumas províncias e municípios também renovaram parte de seus legislativos locais.

Província de Buenos Aires

A maior derrota kirchnerista foi na província de Buenos Aires, onde se concentra o maior número de eleitores do país, com 37,4% de votantes registrados. O ex-chefe de gabinete de Cristina Kirchner e atual prefeito do município de Tigre, Sergio Massa, liderou a vitória da FR (Frente Renovadora), principal oposição ao governo no distrito. A coalizão encabeçada pelo antigo correligionário da presidente obteve 16 bancas na Câmara de Deputados, com 43.92% dos votos e uma vantagem de cerca de dez pontos percentuais sobre a FpV, que elegeu 12 deputados.

Buenos Aires não elegeu senadores nacionais. No legislativo local, a Frente Renovadora conquistou 13 das 23 bancas para senador provincial, enquanto a FpV ganhou sete assentos. Com 95,66% das seções eleitorais apuradas, a FpV liderou a disputa por deputados provinciais com vantagem de menos de 1% e ganhou 18 bancas locais, enquanto a Frente Renovadora levou 16 dos 35 assentos em jogo na casa.

Capital Federal

Na capital argentina, o PRO (Proposta Republicana), do chefe de governo Mauricio Macri, se impôs como a legenda com o maior número de votos para ambas casas do Congresso Nacional e para a Lagislatura local. Pela primeira vez o PRO terá representação no Senado, dois deles pela Cidade Autônoma de Buenos Aires.

Mauricio Macri será candidato pela oposição às eleições presidenciais de 2015 
Agência Efe

Macri aproveitou a comemoração da vitória nas urnas para anunciar sua candidatura à presidência em 2015. O atual mandatário da capital argentina também rompeu sua aliança com Sergio Massa na província de Buenos Aires ao, de maneira informal, anunciar entre balões de ar e música de festa que em sua lista de 2015 “não vai haver nenhum ex-integrante de gabinete presidencial”, em alusão ao prefeito do município de Tigre.

O terceiro senador eleito pela cidade de Buenos Aires é o cineasta Fernando “Pino” Solanas. Sua coalizão, Unen, assim como o PRO, terá cinco deputados na Câmara, enquanto a FpV conquistou três bancas pela capital.

Unen, uma aliança entre distintos setores políticos - da centro-esquerda à centro-direita - e única legenda a disputar internas de candidatos durantes as primárias de agosto, se consolidou como segunda força nos três pleitos da Capital Federal. Daniel Filmus, que foi ministro de Educação de Néstor Kirchner, não conseguiu manter o cargo e a FpV ficou sem representação pela capital no Senado.

Cordoba, Santa Fe e Mendoza

Em Cordoba, estado que congrega 8,7% dos votantes e só elegeu deputados nacionais, a FpV ficou em terceiro lugar, com 15,25% dos votos e duas bancas. União por Cordoba, uma aliança integrada pelo peronista PJ (Partido Justicialista) conseguiu uma vitória com vantagem de 2% sobre a UCR. Ambas forças elegeram três deputados.

Em Santa Fe, província onde o governador pelo Partido Socialista Antonio Bonfatti sofreu atentado a tiros duas semanas antes das eleições, a vitória ficou com a FPCyS (Frente Progressista Cívica e Social), integrada pela legenda do executivo provincial. Assim como Cordoba, Santa Fe – onde se encontram 8,3% do eleitorado nacional - só votou por deputados nacionais. A FPCyS conquistou quatro bancas e segundo lugar ficou com a aliança integrada pelo PRO, que leva três assentos, enquanto a FpV, em terceiro, os dois restantes.

Em Mendoza, onde estão 4,3% dos eleitores argentinos e não houve eleição para o Senado, o primeiro lugar ficou com a UCR do ex-vice-presidente Julio Cobos, que rompeu com o governo que integrava em 2008 durante a crise entre Cristina Kirchner e produtores rurais. Das cinco bancas para deputados em disputa, três ficaram com os radicais, enquanto uma ficou com a FpV, segunda colocada na província.

Frente de Esquerda: resultado histórico

Com o terceiro lugar em Mendoza, a FIT (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores) conquistou também um lugar na Câmara de Deputados pela província. O resultado histórico da aliança trotskista conformada pelo PO (Partido Operário), PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas) e IS (Esquerda Socialista) se repetiu na província de Buenos Aires e em Salta.

A FIT e seus aliados chegam dessa maneira ao parlamento argentino e terão três assentos na Câmara de Deputados. Jorge Altamira, referente do PO e candidato pela Capital Federal, ficou de fora, mas festejou a entrada de seu bloco ao legislativo nacional. Em 2011, durante as eleições presidenciais, uma campanha iniciada como piada entre jornalistas pedia “um milagre para Altamira”, para que o então candidato a presidente pudesse superar o piso de 1,5% de votos nas primárias e concorrer ao Executivo nacional. O dirigente do PO chegou ao pleito, mas terminou em penúltimo lugar, com 2,3% dos votos.

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Reinaldo Azevedo, um cãolunista rottweiler ou simplesmente um poodle?

A ombudsman da Folha de S. Paulo escreveu neste domingo (27) sobre a contratação do colunista Reinaldo Azevedo da revista Veja pelo seu jornal. A celebração de boas-vindas não foi tão carinhosa: “A Folha anunciou a contratação de um rottweiler. O feroz Reinaldo Azevedo estreou disparando contra os que protestam nas ruas, contra PT/PSDB/PSOL, o Facebook, o ministro Luiz Fux e sobrou ainda para os defensores dos animais”, diz Suzana.

Azevedo se tornou um representante da direita ranheta, aquela que late, mas não morde. E por isso sua contratação pode ser um sinal de que o periódico dos Frias vai tentar sobreviver mais uns anos às custas do leitorado conservador. Nada muito mais do que isso, até porque a Folha de hoje é apenas um espectro do que foi nos anos 80, 90 e início dos anos 2000, quando de fato tinha alguma influência na opinião pública.

A questão é que como afirma a própria ombudsman, como manter o nível dos debates e trazer argumentos e fatos, e não apenas latidos esbravejadores ao debate político?

Contratar “opinadores” é mais barato do que investir em equipes de reportagem, mas será que ter 102 colunistas, como registrou Singer, não é um pouco demais da conta? Sendo que boa parte desses colunistas tem repetido as mesmas ideias, com raras exceções, como a de Janio de Freitas?

Num momento como o atual, de imensa transformação no cenário midiático, este seria o debate relevante a ser feito pelos veículos de comunicação. Mas pelo jeito o osso é outro. E a coisa descambou para conversa de canil.

Reinaldo Azevedo ficou furioso de ser “chamado de cachorro” e foi para o ataque dizendo que ao fazer isso Suzana Singer adere a “correntes da Internet politicamente orientadas que obedecem a um comando, que têm a sua origem em sites e blogs financiados com dinheiro público, para difamar desafetos”.

Dessa vez eu tô com o Reinaldão. Ele está longe de ser um canino, mas se fosse, nunca poderia ser comparado a um rottweiler. Acho-o muito mais parecido com um pequinês, aquele cachorrinho mala que todas as mães chatas dos meus amigos tinham nos anos 80. O cachorro além de ter um odor terrível, latia sem parar. Latia, latia, latia, mas bastava bater o pé, que ele latia e saia correndo.

Como muita gente já nem sabe mais o que é um pequinês, porque a raça praticamente foi extinta, talvez seja melhor comparar aquele que a nossa ombudsman praticamente chama de cãolunista ao simpático poodle. Seus latidos (claro que estou usando a palavra no sentido figurado) não são para valer.

Renato Rovai
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Propinoduto tucano: 15 anos de mistério e impunidade


Quem escreve é Elio Gaspari numa pequena nota publicada em sua coluna de domingo na Folha, sob o título "Alstom":
"Ou o tucanato paulista tem uma estratégia capaz de causar inveja ao comissariado petista que pretende livrar seus caciques das penitenciárias pelo mensalão, ou está numa tática suicida, jogando o escândalo do propinoduto denunciado pela Siemens para dentro da campanha eleitoral do ano que vem. Pelas provas, depoimentos e cifras, esse caso ultrapassa, de longe, o mensalão. Ali não há o domínio do fato, o que há são fatos dominantes".
Para quem não entende do que se trata, como é o meu caso, parece uma mensagem cifrada. Só sei que está-se falando da denúncia de um caso de corrupção com cartéis e propinas envolvendo duas multinacionais e três governos tucanos nas obras do metrô e dos trens urbanos de São Paulo, um caso que se arrasta há mais de 15 anos.

O caso começou a ser investigado na Suíça, a partir de depoimentos e provas apresentados pelos próprios corruptores sobre o seu "modus operandi", sem que no Brasil se consiga chegar aos chamadores corrompidos. Vira e mexe aparece no noticiário o nome de algum bagrinho tucano do segundo ou do terceiro escalão, mas as investigações feitas no Brasil misteriosamente empacam num determinado ponto, e a impunidade sobrevive impávida.

Os leitores têm dificuldades para entender o que está acontecendo, como se pode ver pelas perguntas feitas nesta mensagem de Nicola Granato (Santos, SP) publicada na Folha do último sábado:
"Será que nos casos Alstom e Siemens, só participou essa arraia-miúda constantemente citada nas reportagens? Será que essas pessoas tinham o poder de, sozinhas, decidirem sobre o destino de tantos milhões de reais? Quando começarão a aparecer os verdadeiros beneficiários desse escândalo cautelosamente chamado de cartel?".
Também gostaria de saber as respostas, mas a cada dia fica mais difícil entender o que está acontecendo. No mesmo dia da publicação da carta do leitor, o jornal informa que "sem apoio do Brasil, Suíça arquiva parte do caso Alstom". As autoridades suíças esperaram por dois anos que os procuradores brasileiros se manifestassem sobre o material que para cá enviaram pedindo que fossem interrogados quatro suspeitos, mas não receberam nenhuma resposta, e desistiram.

Imagina-se que o Brasil seria o principal interessado em esclarecer o caso, já que os cofres públicos paulistas foram as maiores vítimas da armação multinacional, mas não é isso que mostra o Ministério Público Federal brasileiro. É inacreditável a justificativa dada para a falta de colaboração das autoridades brasileiras: a Procuradoria da República em São Paulo atribuiu tudo a uma "falha administrativa". De acordo com esta versão, o gabinete do procurador Rodrigo de Grandis, responsável pelas investigações sobre as ações da Alstom no Brasil, arquivou o pedido dos suíços numa pasta errada e isso só teria sido descoberto na última quinta-feira. Que gracinha!, como diria a nossa amiga Hebe Camargo.

Por aí se tem uma ideia do interesse das autoridades judiciárias e policiais brasileiras em esclarecer o caminho do dinheiro que rendeu à multinacional francesa cerca de 1,5 bilhão de reais, mais do que seus próprios executivos planejavam, e alguns capilés de bom tamanho para quem ajudou seus executivos nesta tarefa.

Na página 66 da última Veja, em reportagem na qual denuncia que "esquema de corrupção da multinacional Alstom também atingiu as estatais Eletronorte e Itaipu", ou seja, o governo federal, claro, a revista junta mais uma peça, assim meio de passagem, ao quebra-cabeças da grande maracutaia do PSDB, sob o título 1 bilhão: "Uma conta bancária descrita pela Polícia Federal como "lavanderia de dinheiro" para empresários e políticos foi utilizada pela Alstom para pagamento de propina a integrantes do governo do PSDB em São Paulo, indicam as investigações".

Que empresários, que políticos, quais integrantes do governo em São Paulo? Isso a revista não conta nem as autoridades brasileiras parecem interessadas em saber.

Mas os cidadãos contribuintes não se conformam. "Inaceitável a resposta do procurador Rodrigo de Grandis de que houve "falha administrativa". A investigação foi arquivada, os cofres públicos lesados, e tudo fica por isso mesmo? Quem pune esta irresponsabilidade?", pergunta a leitora Fabiana Tambellini (São Paulo, SP) na Folha de hoje. Boa pergunta.

Quem tiver respostas para esses leitores perguntadores pode mandar aqui para o nosso Balaio. É grátis. Não paga nada.

Ricardo Kotscho
No Balaio
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Guru de Marina disse que é preciso aumentar a carne e o leite


Convém prestar atenção no que dizem os pensadores que integram o círculo mais influente de Marina Silva, a não-candidata que modificou o quadro da disputa quando aderiu ao PSB de Eduardo Campos

Num momento em que a oposição faz o possível para transformar a economia no ponto central da campanha presidencial, convém prestar atenção no que dizem os pensadores que integram o círculo mais influente de Marina Silva, a não-candidata que modificou o quadro da disputa quando aderiu ao PSB de Eduardo Campos.
Há opiniões surpreendentes e até constrangedoras pelo conteúdo antipopular e pelo caráter elitista.

Apontado como o mais influente conselheiro econômico de Marina Silva, autorizado inclusive a dar entrevistas nessa condição, Eduardo Gianetti da Fonseca elaborou uma formula muito peculiar para executar o programa de desenvolvimento com sustentabilidade, talvez a meta mais associada a líder da Rede. Lembrando que o gado brasileiro responde por emissão de gases que geram grande quantidade de C02, Gianetti afirma que, para evitar novos desastres ambientais, preocupação central de Marina Silva, “o preço da carne vai ter de ser muito caro, o leite terá de ficar mais caro.”

Essas e outras ideias de Gianetti se encontram no livro “O que os economistas pensam sobre sustentabilidade,” do jornalista Ricardo Arnt. Um dos mais preparados jornalistas brasileiros que se dedicam ao assunto, diretor da revista Planeta, Ricardo Arnt procura nesta obra descobrir como quinze economistas tentam combinar a necessidade de manter e até ampliar o crescimento da economia com a preservação ambiental. O livro foi publicado em 2010 e não pode ser visto, obviamente, como a divulgação de receitas de governo para 2014. Não são palavras de assessores de campanha. Se o assunto é explosivamente político, o teor é acadêmico.

Mas é claro que as entrevistas contêm valores, princípios e referências de longa duração, de grande utilidade no momento atual. Entre os entrevistados, há economistas do PT, como Aloizio Mercadante, e também identificados com o governo Lula-Dilma, como Luciano Coutinho. Delfim Netto também foi ouvido. Arnt ouviu vários gurus de Marina Silva e eles chamam muita atenção, por motivos compreensíveis, em função da agenda ambiental em sua identidade.
Pela função que lhe foi atribuída na campanha, o lugar de Gianetti é especial.

Falando de um país no qual a maioria da população começou, apenas nos últimos anos, a experimentar uma melhoria em no padrão de consumo, o que inclui uma melhoria na qualidade da alimentação, Gianetti fala sem rodeios. “Comer um bife é uma extravagância do ponto de vista ambiental.” (página 72).

Outra “extravagância” que o incomoda envolve as viagens de avião. Referindo-se a um benefício que só muito recentemente perdeu caráter luxuoso, para se transformar num progresso acessível a muitos brasileiros, provocando uma irritação nem sempre justificada em cidadãos que passaram a enfrentar filas nos aeroportos, Gianetti fala: “Pegar um avião para atravessar o Atlântico é uma extravagância sem tamanho, do ponto de vista ambiental. Você emite mais dióxido de carbono do que um indiano durante uma vida.”(página 71).

É curioso ouvir de um dos profetas da globalização a todo preço uma queixa contra as "extravagâncias" das viagens aéreas.

Na prática, podemos até discutir o conteúdo “ambiental” do bife e de uma viagem paga em muitas prestações por nossa classe média. Podemos ainda tentar encontrar soluções que preservem a vida no planeta de riscos desnecessários e mesmo evitar medidas suicidas a longo prazo.

O surpreendente é que, convidado a encontrar uma solução para evitar tal “extravagância” Gianetti traga de volta medidas clássicas da história brasileira, aquelas que preservam o consumo dos cidadãos do alto da pirâmide e penalizam o pessoal da parte debaixo. Diz que a “mudança decisiva” consiste em elevar o preço de “tudo que tem impacto ambiental.”

Mostrando uma visão de cima para baixo da economia, longe de qualquer interferência dos interesses do povo, ele deixa claro que os preços podem impor uma realidade que a maioria das pessoas não aceitaria de livre e espontânea vontade. “Eu não acredito que essa mudança virá porque as pessoas se tornaram conscientes e querem ajudar as gerações futuras. (...) Virá por uma mudança de preços relativos: terá de ficar muito caro fazer certas coisas.”

Ameaçando até ecologistas com menos dinheiro no banco, ele afirma: “essas pessoas que viajam alegremente, cruzando o Atlântico, e que se consideram ambientalistas, quando chegar a hora de pagar a conta da extravagância que estão fazendo, vão chiar. “

Numa postura de quem acha que o arrocho no consumo virá de qualquer maneira, como uma fatalidade a que estamos todos condenados, ele faz uma ressalva. “O caminho que estou propondo é sofrido mas preserva a liberdade.” Em seguida, como se merecesse apoio por ser favorável à solução menos ruim, o economista afirma: “Se vier de outra maneira, vai ser impositivo. Será como foi nos países socialistas durante décadas. Fecha-se a possibilidade.” A formula, então, é conhecida. Ou se faz sacrifício. Ou é ditadura.

Dentro do raciocínio, faz lógica. Por trás dessa visão de desenvolvimento e sustentabilidade, encontra-se um ponto de vista externo ao Brasil e aos brasileiros. É uma noção que vem de fora e envolve nosso lugar na história da humanidade.

É fácil entender qual é: os países pobres, com seus bilhões de habitantes, consumistas insaciáveis (Gianetti chega a falar em “corrida armamentista do consumo”) se tornaram uma ameaça a estabilidade e ao futuro do planeta. Diz Gianetti:

“Criamos no mundo moderno um sistema que é quase uma regra de convivência: você busca situações e posses que deem a você algum tipo de admiração, de respeito, daqueles que estão a seu redor. Contrapartida disso, quando se espalha e se massifica em escala planetária, na China, na Índia, no Brasil, é a destruição irreparável da natureza.”

Você reparou: quando chineses, indianos e brasileiros entram no mercado de consumo, ocorre o apocalipse: “a destruição irreparável da natureza.”

Será mesmo da natureza que o assessor de Marina Silva está falando?

É claro que não. Estamos falando da vida daqueles milhões de cidadãos do mundo, inclusive brasileiros, que só agora conquistaram algum direito a melhoria, a um certo bem-estar. Nada revolucionário. Mas um progresso que não cabia no horizonte de seus pais nem de seus avós.

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A direita, os pitbulls, a Secom e 2014


A Folha de S. Paulo é o jornal do marketing. Pretende esconder sua crescente irrevelância atrás de opiniões “selvagens”.

Opinionismo custa relativamente pouco em relação a reportagens investigativas aprofundadas e realmente esclarecedoras.

Mas há mais que dinheiro na contratação de colunistas-pitbulls pelo jornal, mais que controvérsia como valor em si.

Há as redes sociais e a campanha de 2014.

Os frequentadores das redes sociais são, no frigir dos ovos, mão-de-obra gratuita nas campanhas eleitorais contemporâneas. Desde Obama, em 2008, nos Estados Unidos. Aos milhões. No Brasil, cada vez mais.

Eles precisam de “material de campanha” que não seja o oficial, sobre o qual existe desconfiança por ser… oficial e por representar opiniões e pontos-de-vista de partidos e candidatos cuja credibilidade neste momento é questionada, junto com a das próprias instituições da democracia representativa.

Os pitbulls da Folha geram, portanto, material não oficial de campanha para compartilhamento junto aos milhares/milhões de seguidores das redes sociais. Material agressivo, bem ao gosto dos debates inflamados que tomam conta dos espaços virtuais.

A agressividade, aliás, parece atender — talvez por acaso, talvez não — a um objetivo da direita: polarizar os debates a ponto de afastar parte dos leitores/frequentadores das redes sociais.

Quem se impressiona com o vandalismo verbal?

Especialmente a gigantesca maioria silenciosa que lê, ouve, vê, compartilha, mas não se envolve diretamente nos debates. Eu calcularia que representa de 90% a 95% dos leitores de blogues, por exemplo.

O cansaço com o espetáculo da violência verbal, presumo, acaba empurrando parte desta maioria para alternativas políticas, candidatos “novos” e não diretamente relacionados à baixaria do Fla-Flu. No caso de 2014, Eduardo Campos-Marina Silva.

Assim, quando supostos apoiadores do petismo se entregam a ataques virulentos contra antipetistas e qualquer um que não reze pela cartilha do governismo, talvez estejam dando um tiro no próprio pé, já que as redes sociais são o único espaço onde parece haver algum equilíbrio e diversidade de opiniões.

Leitores afastados das redes sociais vão se refugiar… na Folha, Estadão, Veja, Globo, com toda a sua “pluralidade”. Pelo menos lá se acham livres do vale-tudo.

Ao mesmo tempo, é curioso notar a inexistência de uma diretriz — seja do PT, seja do próprio governo federal — para acrescentar ao debate, sem intermediação da mídia corporativa, pontos-de-vista dos formuladores de políticas públicas que estejam em debate, em votação no Congresso ou em implantação.

Os ministros falam, sim, às vezes escrevem, mas raramente sabemos dos técnicos que têm conhecimento minucioso e detalhado das matérias. É um conhecimento que agrada internautas, principalmente os que dispõem de tempo e vontade para pesquisar, debater, escrever seus próprios textos e, especialmente, disseminar.

Em outras palavras, à campanha eleitoral opinionista e agressiva da direita, o PT deveria responder com uma campanha informativa e esclarecedora.

A lógica das comunicações do PT e do governo Dilma é, ainda, a lógica de simplesmente responder ao colunismo antipetista. Nenhuma novidade, já que o antipetismo da mídia tradicional é, em parte, financiado pelo próprio governo do PT.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Fotos de soldados britânicos com saudação nazista no Afganistão


El ministerio de Defensa del Reino Unido intentó minimizar hoy la aparición de una foto en la prensa de dos soldados en camuflaje con saludos nazis delante de la Unión Jack (bandera británica).

Al menos dos fotografías publicadas por el Mail on Sunday muestran a los soldados con el incómodo saludo fascista delante de la Unión Jack y la inscripción Invicta Loyal, nombre de un club de fanáticos de tropas especiales en Glasgow.

El ministerio de Defensa aclaró de inmediato que se trataba de una imagen tomada hace unos tres años en la base de Helmand, en Afganistán, donde se encuentran las tropas de este país, como parte de una misión de la Organización del Tratado del Atlántico Norte.

La citada dependencia explicó que en su momento los uniformados fueron investigados por un falta que podía implicar sanciones administrativas, incluido el despido, pero se abstuvo de confirmar si se materializó alguna sanción en ese caso.

Pero la salida de las fotos en Mail on Suday provocó duras críticas de parte de políticos nacionales como el diputado y jefe del consejo de partidos contra el semitismo, John Mann, según PL.

Tal acción es un insulto a la memoria de aquellos que dieron su vida para poner fin al nazismo, consideró Mann.

"Esos idiotas deben ser llevados al museo del campo de concentración de Aschwitz para que vean lo sucedido allí y constaten la maldad contra la cual luchó tanta gente", declaró el diputado, citado por la publicación.

No ISLAmía
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Dieese: 13º salário injeta R$ 143 bi na economia; valor real dobra em nove anos


Diz a Folha: “Até o final deste ano, cerca de R$ 143 bilhões devem ser injetados na economia brasileira a título de 13º salário, de acordo com cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).”

Isso equivale a 3% do PIB  brasileiro, e distribuído a  82 milhões de brasileiros, o que dá um valor médio de R$ 1.743 por assalariado ou aposentado/pensionista.

Fiz as contas com os dados do Dieese para mostrar como a elevação dos salários e o aumento da massa de trabalhadores formais se refletem no volume de recursos despejado pelo 13º na economia.

O resultado está no gráfico que ilustra o post: 200% em aumento nominal e 100% de aumento real, descontada a inflação do período (48%, medida pelo IPCA, até setembro).

Traduzindo com mais simplicidade: dobrou o valor real colocado no mercado de consumo e poupança pelo 13º.

Resultado de mais trabalhadores formalizados (2,9% mais que em 2012, segundo o Dieese), o valor é 9,8% maior que o registrado no ano passado.

A capacidade multiplicadora deste dinheiro em matéria de emprego, produção, consumo e impostos é imensa e um alento para a economia do país.

Tudo isso por algo que teria “consequências desastrosas” sobre a economia brasileira, inviabilizando as empresas e arruinando o país, como você pode ver na manchete de O Globo, há 51 anos atrás.

O avô da Miriam Leitão já previa uma catástrofe…

Fernando Brito
No Tijolaço
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Os critérios do PIG

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Em silêncio, Brasil exonerou agente suspeito de passar dados para a CIA

Funcionário da Agência Brasileira de Inteligência foi investigado sob sigilo por ter se encontrado com suposto espião americano em 2012, na mesma época em que a Agência de Segurança Nacional dos EUA espionava membros do alto escalão do governo Dilma


Enquanto a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos vigiava alvos do primeiro escalão do governo Dilma Rousseff, o Brasil investigava e exonerava um agente de seu serviço de espionagem, suspeito de passar segredos para a Agência Central de Inteligência (CIA). A ação mostra uma estratégia de vigilância diferente, mas em linha com a revelada pelo ex-agente Edward Snowden, que causa escândalo em vários países.

Sob o manto de um posto diplomático na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, o espião da CIA buscou dados sigilosos sobre a atuação nacional na Tríplice Fronteira e tentou rastrear informantes do governo brasileiro na região onde o País faz divisa com a Argentina e o Paraguai.

A "plotagem" - expressão que na terminologia da arapongagem significa ser descoberto - do espião americano só ocorreu porque durante a operação ele cooptou o analista 008997 da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), um alto funcionário do órgão que chefiara a estratégica subunidade da agência em Foz do Iguaçu, antes de assumir, em 28 de julho de 2011, a superintendência em Manaus.

O caso foi abafado na Abin, sem abertura de um processo administrativo contra o servidor, para evitar o desgaste. Do lado americano, que mantinha, naquela ocasião, o Brasil sob radar, conforme documentos de junho de 2012 divulgados por Snowden, a solução foi abreviar a missão do espião e mandá-lo para outro posto.

Contraespionagem

Foi a simples movimentação funcional do analista da Abin que alertou Brasília e desencadeou uma operação de contraespionagem autorizada pelo diretor-geral Wilson Trezza.

De Manaus, pelo sistema interno da Abin, 008997 passou a acessar remotamente documentos protegidos por sigilo do escritório de Foz de Iguaçu, "que não tinha necessidade de conhecer" e aos quais não poderia ter mais acesso, segundo relato de diversas fontes da área de inteligência consultadas pelo Estado nos últimos dois meses.

As provas documentais extraoficiais do comportamento inadequado do agente brasileiro, uma vez que a Abin não instrui inquéritos, foram obtidas na primeira semana de agosto de 2012, quando 008997 se encontrou para jantar com o americano, em Curitiba, no restaurante Barolo Trattoria.

No jantar, os dois falaram sobre as regiões de fronteira do Brasil, entre outros temas, e foram captados por agentes "novatos", deslocados de outras regionais, que se acomodaram ao lado da dupla de espiões.

O agente brasileiro garantiu ao colega americano que não precisava se preocupar com aquele encontro e outros que viriam porque ele não era vigiado pela Abin. Eles foram filmados na ocasião.

Apesar da segurança demonstrada na conversa, ambos usaram técnicas de contrainteligência tanto na chegada quanto na saída da cantina, dando voltas no quarteirão, fazendo manobras diversionistas.

Durante o jantar, segundo informações obtidas pelo Estado, os dois marcaram o encontro seguinte para Foz do Iguaçu, dali a um mês, na primeira semana de setembro. Em Curitiba, ficou combinado que, no encontro em Foz, o brasileiro apresentaria outra pessoa que poderia "ajudar" o americano a obter mais informações. A cidade, Curitiba, escolhida por 008997 para o encontro, foi considerada "perfeita" porque o filho do brasileiro mora ali e ele teria explicação plausível para a viagem entre Manaus e Curitiba.

Só que o novo encontro marcado para início de setembro em Foz do Iguaçu não ocorreu. O brasileiro foi para o local na data e hora combinada, mas o diplomata americano não apareceu. Mais uma vez, agentes da Abin desconhecidos do alvo, acompanharam toda a espera pelo contato americano.

Operação abafa

O desencontro ocorreu porque houve uma súbita e inesperada remoção do americano. O Itamaraty confirmou ao Estado que o diplomata deixou o Brasil em 12 de agosto de 2012.

Na avaliação de servidores da Abin entrevistados pelo Estado, os americanos, de alguma forma, ficaram sabendo que seu agente tinha sido descoberto e este não poderia mais ficar no país, para evitar problemas diplomáticos. Depois do ocorrido, a Abin teria mantido contato com o governo dos Estados Unidos para pedir explicações. O diplomata americano teria dito que foi procurado pelo analista brasileiro.

Para dar um desfecho menos traumático, apesar de posições em favor da punição, o agente 008997 foi exonerado e aconselhado a se aposentar, e assim o fez em 17 de dezembro de 2012.

Acabou assim, embaixo do tapete, um caso de espionagem americano dentro do território brasileiro que não obteve publicidade.

Tânia Monteiro
No O Estado de S.Paulo
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A serviço de um certo Brasil


A afetação conservadora adicionada às páginas da Folha é um maneirismo que pouco ou nada acrescenta ao repertório original da direita.

A afetação conservadora adicionada às páginas da Folha, um maneirismo que pouco ou nada acrescenta ao repertório original da direita, exceto pancadas de um bate-estaca monótono, talvez cause estranhamento à memória recente de seus leitores jovens. Justifica-se.

A Folha atingiria um milhão de exemplares de circulação ao final dos anos 70,  (hoje caiu a 1/3 disso) atraindo amplas franjas de leitores introduzidos à vida política na esteira das mobilizações  pela redemocratização.

Atilado homem de negócios, com interesses em áreas como a criação de galinhas e o mercado financeiro,  Octávio Frias,  dono do jornal, havia farejado novidades  no vento da história.

Versátil, tratou de sintonizar seu produto, dando-lhe roupagem ecumênica, condizente com o crepúsculo do regime ditatorial iniciado em 1964.

Nomes respeitáveis da intelectualidade e da política foram incorporados à equipe de articulistas do diário, dando à Folha uma aura de caixa de  ressonância do novo ciclo democrático  que pedia para nascer.

Dalmo de Abreu Dallari, Eduardo Suplicy, Almino Afonso, Fernando Henrique Cardoso, Lúcio Kowarick, Plinio de Arruda Sampaio, D. Evaristo Arns, Gerardo Mello Mourão, Franklin de Oliveira, ademais de Alberto Dines, Severo Gomes,  Rafael de Almeida Magalhães, entre outros, passaram a debater no jornal  as aspirações de um Brasil que não cabia mais nos limites de um regime espremido pela crise econômica e pela insatisfação popular.

A verdade, porém, é que nem sempre foi assim. E, pelo visto,  tampouco o será de agora em diante.

Dez anos antes desse aggiornamento empresarial, quando a consolidação do golpe civil-militar de 64  estava em xeque nas ruas, nos meios artísticos e intelectuais, a ditadura brasileira promulgou o Ato Institucional nº 5, que aboliria de vez a liberdade de expressão, de organização e de manifestação no país.

Decretado  em 13 de dezembro de 1968, o AI-5 queimou as caravelas da veleidade ‘constitucional’ do regime e jogou para as calendas a promessa de rápido restabelecimento democrático vinculado à convocação de novas eleições presidenciais.

A repressão asfixiaria a tal ponto a expressão política, a partir de então, que muitos viram na opção armada o único caminho disponível à resistência.

Foi nesse divisor da história, em 1969, que Octavio Frias, pai do atual diretor editorial da Folha , Otavinho, um perdigueiro na arte de farejar o mainstream, convidou Plinio Corrêa de Oliveira para escrever regularmente no jornal.

Plínio Correa, fundador e líder da seita Tradição Família e Propriedade (a TFP), era então o símbolo mais borbulhante do ponto a que pode chegar o extremismo conservador, quando a hidrofobia não se contenta em exercitar o varejo do anti-comunismo.

A TFP era uma espécie de Tea Party radicalizada.

Suas marchas de coreografia fascista, os gigantescos estandartes medievais e as pancadas secas das fanfarras sombrias, quebradas de sopros estridentes,  irrompiam pelas ruas  brasileiras como autênticos mensageiros do terrorismo de Estado.

Sabia-se que aquilo era o braço cenográfico da tempestade que se avizinhava no céu do país.

Se de um lado o moralismo medieval causava desconcerto e derrisão, de outro irradiava medo pelos encadeamentos sabidos com o aparato militar-empresarial que havia empalmado o país.

Bem fornida de recursos, a organização de Plinio Correa oferecia-se como uma azeitada máquina de  apoio à ditadura e aos interesses do conservadorismo.
Suas campanhas evidenciavam disciplina militar e ampla cobertura, que ademais de vasculhar o Brasil atingia outros países.

Com a esquerda reprimida e perseguida, a TFP tinha as ruas à sua disposição. Não raro, seus desfiles eram protegidos por carros policiais.

Plínio Correa tinha trânsito entre militares e o empresariado. Sua determinação de funcionar como uma espécie de guardião da doutrina da fé católica funcionava como um contraponto  ao clero progressista, que perseguia com ódio inexcedível.

Muito já se discutiu a funcionalidade fascistóide dessas falanges a misturar  devoção religiosa fanática, de um lado, e anticomunismo  visceral de outro.

A TFP tentava ser para o Brasil o que a Opus Dei, fundada em 1928, fora para o franquismo, na exacerbação do uso da fé como escudo repressor da sociedade e da esquerda espanhola.

Plínio Correa de Oliveira avocava-se um misto de Josemaría Escrivá de Balaguer, o fundador da Opus Dei, e Joseph McCarthy, o senador americano que durante a guerra fria, nos anos 50, liderou a patrulha anticomunista nos EUA.

A TFP nunca alcançou a abrangência pretendida. Mas funcionou como uma radicalização narrativa do regime, alimentando medos e ódios, justificando preconceitos e perseguições.

A Igreja Católica foi uma das baionetas mais afiadas do golpe de 64. Mas nunca houve monolitismo nesse apoio e, a partir da radicalização opressiva do regime, ele se estiolou.

Quando Plínio Correa foi convidado por Octávio Frias a escrever na Folha, em coluna inaugural em 1969, era  notório o ativismo crescente da ala progressista da Igreja – laica e de batina - contra a ditadura.

O mesmo ocorria no polo oposto da interação empresarial-militar.

O convite de Frias a Plínio era um dente dessa engrenagem em curso.

Documentos recentemente filtrados dos arquivos do Dops, de São Paulo,  mostram o estreitamento das ligações do empresariado paulista com o aparato repressivo, no período mais asfixiante da ditadura, nos anos 70.
   
Um dos lubrificantes desse intercurso, a azeitar as relações entre a Fiesp e o Dops, era um certo ‘Dr. Geraldo’, objeto de detalhada reportagem veiculada recentemente no insuspeito ‘O Globo’ (09-03-2013).

 ‘Dr. Geraldo’ frequentou semanalmente os porões da tortura em São Paulo, entre 1971 a 1978.

No registro de ingresso no bunker, onde reinava soberano o delegado Sergio Paranhos Fleury, ele assinalava a sua presença notificando ao lado do nome a procedência: ‘Fiesp’.

Geraldo Resende de Mattos, o “Dr. Geraldo”, conviveu assiduamente com as câmaras do horror, duas, três vezes por semana, no período da violência de febril, quando o comandante do II Exército em SP,  general Humberto de Souza Mello, havia liberado a matança dos ‘inimigos’ do regime.

Plínio Correa de Oliveira passou a escrever na Folha no escopo dessa convergência de matança e intensificação das relações entre o aparato repressivo, as fileiras do empresariado paulista e a polarização politica dentro da Igreja católico.

A  exemplo de Plínio, o ‘Dr Geraldo’ era um radical de direita.

Proprietário de fábricas de vidros e lâmpadas,  seu acesso ao círculo dirigente da Fiesp, segundo ‘O Globo’, foi facilitado pelo amigo do peito, o industrial Nadir de Figueiredo, um dos fundadores e por anos o mais influentes líder da entidade, cujos presidentes dependiam de seu aval para se eleger.

Como eles, o empresário dinamarquês Albert Henning Boilesen, assassinado em abril de 1971 por um comando guerrilheiro, também diretor da Fiesp/Ciesp com apoio de Nadir Figueiredo, era outro habitué dos porões da tortura no Dops.

A principal função de Boilesen na engrenagem empresarial-militar era coletar fundos para o aparato repressivo da ditadura. Consta que tinha planos de organizar algo de contundência superior à ação do Dops e da Oban.

‘Dr. Geraldo’, por sua vez, fazia a mediação direta entre o empresariado e a linha de frente da repressão.

Plínio Correa vocalizava, através da Folha, a legitimidade da luta sem trégua contra o comunismo e a degeneração dos costumes, aqui e alhures.

A endogamia do trio era perfeita.

Em 16 de setembro de 1973, por exemplo, apenas cinco dias depois do golpe de Pinochet no Chile, o líder da TFP publicaria na ‘Folha de São Paulo’  uma coluna eufórica.

O texto não apenas celebrava o golpe de Estado (cantando o ‘Magnificat’, diz no título, em menção a um hino religioso à Maria), como justificava o banho de sangue em curso.

O que era execrado em todo o mundo humanista e democrático desfrutava de um espaço de júbilo na Folha.

‘No momento em que escrevo – sexta-feira pela manhã’ - o Chile parece estar acabando de fumegar’, começava assim o artigo de Plínio na Folha. E fuzilava: ‘... a seita comunista era no Chile como um leão solto. Pôs-se a devorar, com furioso ímpeto, os membros da nação (...)  Foi indispensável, para salvar o Chile, derramar sangue do leão...’ (leia ao final desse post a íntegra do texto ‘Magnificat pelo Chile’, publicado na Folha, pouco depois do golpe contra Allende).

Boilesen, o ‘Dr Geraldo’, Plínio Correa de Oliveira, Nadir Figueiredo, entre outros, de uma longa lista de sabidos e muitos ainda não investigados, não eram ilhas perdidas, mas um articulado e vulcânico arquipélago político da extrema direita em ação no país.

“(...) sabe-se que foi expressivo o fluxo de dinheiro para a repressão, a partir de coletas na Fiesp e em reuniões promovidas por Gastão de Bueno Vidigal (Banco Mercantil de São Paulo), João Batista Leopoldo Figueiredo (Itaú e Scania), Paulo Ayres Filho (Pinheiros Produtos Farmacêuticos), e o advogado Paulo Sawaia, entre outros. Empresas como Ultragaz, Ford, Volkswagen, Chrysler e Supergel auxiliaram também na infraestrutura, fornecendo carros blindados, caminhões e até refeições pré-cozidas”, diz o mencionado texto de ‘O Globo’.

A reportagem finge ignorar, mas à detalhada lista à qual não faltou incluir até  refeições ‘pré-cozidas', omitiu-se o empréstimo de viaturas da ‘Folha’ para ações camufladas do aparato repressivo em São Paulo.

Quando o regime já não se sustentava no êxito econômico e a luta armada fora derrotada, Geisel/Golbery entenderam que a hora era oportuna para afrouxar o sistema político, gradualmente.

Áulicos cronistas que hoje pontificam lições de democracia ao governo do PT, encontrariam nessa brecha uma saída honrosa para limpar a trajetória profissional marcada de cumplicidade com a ditadura.

Extremistas como Nadir Figueiredo, ademais de Plínio Correa e magnatas da ditadura, como o construtor Adolfo Lindenberg, caminhariam em sentido oposto.
Articulados à alas radicais do Exército tentaram abortar a ‘abertura’.

Perderam.

Foi nesse trânsito entre dois tempos que o velho Frias farejou a tendência vencedora e abriu o jornal à opinião democrática brasileira.

Por via das dúvidas, conservaria o líder da TFP entre os seus articulistas, até 1990.

Desse posto avançado, Plínio Correa continuaria a vociferar a agenda do grupo. Teve tempo, ainda para investir contra a reforma agrária, as greves do ABC e a eleição da então petista Luiza Erundina, em São Paulo, em 1989.

Os replicantes de hoje, não tem o mesmo peso e carecem da articulação política do original.

O ponto, porém, é que a Folha sob o comando de Otavinho, aparentemente decidiu que é hora de uma nova viragem à direita, como aquela arquitetada pelo velho Frias,  em 1969.

Se o filho tem o dom paterno de se antecipar aos ventos, ou apenas enfia os pés pelas mãos na trajetória reconhecida de apequenar a herança recebida, a história dirá.

O certo é que a Folha percorre uma nova mutação.

Como as anteriores, a serviço de um certo Brasil.

Nisso seu slogan é crível.

Leia, a seguir, o artigo de Plínio Correa de Oliveira sobre o golpe no Chile, publicado na Folha de São Paulo, em 16 de setembro de 1973.

"Magnificat" pelo Chile

No momento em que escrevo – sexta-feira pela manhã – o Chile parece estar acabando de fumegar. Os boatos irradiados sobretudo de Buenos Aires, Havana e Moscou não logram persuadir o grande público. E o noticiário dos jornais vai apresentando um quadro contraditório, do ponto de vista sentimental. Os gestos de alegria pela vitória se mesclam com a tristeza ou até a cólera pelo sangue vertido.

O momento da reflexão fria e lúcida já chegou. E se patenteia assim, com nitidez, a linha geral dos acontecimentos. Poucas palavras bastam para defini-la. O Governo de uma grande nação sul-americana caíra nas mãos de uma seita de fanáticos, isto é, do Partido socialista-marxista. Essa seita resolvera aplicar ao Chile – custasse o que custasse – sua doutrina materialista, igualitária, dirigista e anticristã. A partir deste fato ideológico, desdobraram-se múltiplas conseqüências políticas e econômicas. Uma série de leis socialistas e confiscatórias se foram aplicando sucessivamente ao país, sem atender ao descontentamento da maioria da opinião pública. Em conseqüência, uma crise política começou a abalar os próprios fundamentos do Estado. Também a partir do fato ideológico se desenrolou, paralelamente à crise política, uma crise econômica. O pior dos patrões é o Poder Público. Sentiram-no bem os operários das cidades e dos campos, que pouco depois de "beneficiados" pela socialização, começaram a revoltar-se contra a miséria que sobre eles ia baixando. Porque mau patrão, o Estado é mau produtor. A pobreza foi se estendendo por toda a nação como uma gangrena. As crises política e econômica somaram seus efeitos e produziram um caos. Greves imensas paralisaram o país. Ele estava à beira de uma aniquilação total.

Sobrevieram então as Forças Armadas, destituíram do poder os sectários, e estão repondo o país em condições de salvar-se.

Esta é a linha geral dos fatos, e diante dela, a única atitude que cabe é aplaudir. Pois, se é verdade que o bem comum é a suprema lei, o fato puro e simples da salvação de um país que afundava, não pode deixar de ser apoiado.

A serem coerentes consigo mesmos, os esquerdistas do mundo inteiro – que vivem a apregoar a supremacia total do bem comum – ficariam sem resposta. Mas ei-los que se transformam bruscamente em defensores dos direitos individuais, e, fechando os olhos para a salvação pública, começam a entoar pelo mundo inteiro seu De profundis laico e melado, a propósito do sangue que correu. Sangue dos esquerdistas é claro. Não dos soldados!

* * *

Esse sangue vertido, também nós o deploramos. Em outros termos, quanto preferiríamos que a trajetória ideológico-política e ideológico-econômica do Chile não tivesse conduzido o país à verdadeira catástrofe que foi a ascensão da seita marxista ao poder. Quanto fez a TFP chilena para alertar os seus conterrâneos para o perigo do progressismo "católico" e do demo-cristianismo, os quais iam empurrando sorrateiramente a nação para o precipício de onde agora ela se reergue tinta de sangue. Quanto atuaram as TFPs de todo o continente sul-americano para criar condições internacionais desfavoráveis a uma colaboração com esse processo de ruína e morte. Basta lembrar, neste sentido, a enorme difusão – que vale por uma epopéia – do best-seller de Fábio Vidigal Xavier da Silveira, "Frei, o Kerensky chileno".

Nada foi capaz de obstar a que a "saparia" chilena, conluiada com o clero esquerdista, entregasse o país a Allende.

Junto cantaram, na Catedral de Santiago, com rabinos, pastores protestantes, comunistas e terroristas, o Te Deum da vitória. E em seguida a tragédia começou. Desde logo se podia prever que, como um marxista nunca entrega voluntariamente o poder, ou ela terminaria no sangue, ou liquidaria o Chile. De fato, ela terminou em sangue, com o Chile quase liquidado. Os primeiros culpados por isto, não é difícil encontrá-los. Foram os que cantaram o estranho Te Deum ecumênico.

* * *

Libertada assim de entraves, e com o supremo poder em mãos, a seita comunista era no Chile como um leão solto. Pôs-se a devorar, com furioso ímpeto, os membros da nação. Diante de ameaças dos defensores do país, nem deixou o poder, nem cessou suas devastações. Foi indispensável, para salvar o Chile, derramar sangue do leão. Pergunto: a não ser isto, o que se deveria ter feito? Deixar o país ir à garra? – Esta pergunta só pode ter como resposta um "sim" ou um "não". Peço aos melados cantores do laico De profundis que me digam se sua resposta é "sim".

Mas, dir-se-á, deposto o governo marxista, era absolutamente indispensável atirar sobre os redutos comunistas que ainda resistiam de armas na mão? – A resposta pressupõe o conhecimento de uma série de pormenores que a imprensa não noticiou ainda, e de considerações morais que não há espaço para desenvolver aqui. Entretanto, o certo é que os militantes da resistência comunista se opõem criminosamente, e de armas na mão, à salvação do país. Seu fanatismo os leva a resistir à bala quando toda resistência já é inútil. Assim, os responsáveis principais pelo sangue ora vertido no Chile, são os que intoxicaram de doutrinas marxistas e fanatizaram os resistentes. Estes, sim, a História cristãmente imparcial os tachará sempre de criminosos.

Se do lado dos restauradores da nação houve ou está havendo excessos, a História também o dirá. E com imparcialidade igualmente cristã os censurará. Aguardemos.

Mas o fato é que a História cristãmente imparcial jamais considerará em igual plano o sangue dos fanáticos que morrem agredindo o país, e o dos heróis que tombaram na defesa deste.

Perón, dotado de meios de informação presumivelmente excelentes, admitiu como certo que a morte de Allende tenha sido por suicídio. E não hesitou em qualificar o ato desesperado do malogrado presidente, como "atitude valente”, de um homem que tem vergonha e por isso se "suicida".

Seria o caso de perguntar ao octogenário apologista do suicida se lhe faltaram valentia e vergonha quando, deposto em 1955, em lugar de se suicidar, foi viver no seu opulento exílio de Madrid.

De minha parte, como católico, só posso censurar o suicídio do teimoso chefe comunista. E lamentar que lhe tenha sido de tão pouco socorro espiritual a Bíblia pressurosamente ofertada pelo cardeal Silva Henriquez.

* * *

Em síntese, expulso do Chile o comunismo, ipso facto perdeu ele terreno no continente sul-americano. Como brasileiro e amigo do Chile alegro-me. E, sem prejulgar em minha alma pormenores que possivelmente Deus e a História não aprovem, entôo interiormente o Magnificat.

Sim, o Magnificat (*) que o cardeal Silva Henriquez por certo não estará cantando.

NR (*) É um cântico entoado (ou recitado) frequentemente na liturgia dos serviços eclesiásticos cristãos.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Mídia repete 64 ao denunciar baderna e vandalismo


Corajoso e lúcido depoimento do prof. Francisco Carlos Teixeira (UFRJ e IUPERJ) sobre a ação fascistizante da PM e a criminalização dos movimentos sociais no país.

Ao final da entrevista, Chico Teixeira — frequentemente convidado pela Globo News para debater temas de política internacional — informa que não mais aceita convites dessa emissora de TV que criminaliza os movimentos sociais.

Um exemplo a ser imitado!

Caio Toledo
No Viomundo

Para ouvir a entrevista na íntegra, clique aqui.
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E sobre o pré-sal...

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Leilão de Libra é passaporte para um futuro de prosperidade para o Brasil, afirma Dilma


A presidenta Dilma Rousseff explicou, no programa Café com a Presidenta desta segunda-feira (28), a importância e os principais benefícios do leilão do Campo de Libra para o país.
“Com esse leilão, demos um grande passo para a exploração do petróleo no pré-sal, usando um novo modelo, chamado modelo de partilha. Nesse novo modelo, o Brasil fica com 85% do petróleo retirado do fundo do mar e pode transformar essa riqueza em educação, em saúde, em desenvolvimento e criação de empregos para o povo brasileiro.”
De acordo com a presidenta, além de render R$ 1 trilhão para o Brasil nos próximos 35 anos, a exploração ainda vai fortalecer a indústria naval brasileira.
“Exigimos que o fornecimento de plataformas, navios, equipamentos, serviços tenha o que a gente chama de conteúdo nacional. Isso significa que o que pode ser produzido no Brasil deve ser produzido no Brasil. Com isso, vai haver mais investimentos, mais tecnologia será produzida e vai haver mais emprego e mais renda para os nossos trabalhadores.”
Dilma ainda detalhou como os recursos do petróleo serão investidos em educação – “o principal pilar para transformar o Brasil em uma grande nação”. De acordo com a presidenta, serão criadas mais creches por todo o país, principalmente para as crianças mais pobres. Também será ampliado o número de escolas com educação em tempo integral. “Creches e ensino em tempo integral são fundamentais para alfabetizar as nossas crianças na idade certa”, destaca Dilma.



No Blog do Planalto
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Veja: que jornalismo e que jornalistas!

O ex-presidente da Alstom José Luiz Alquéres

A cobertura – se é dá para chamar assim – da revista Veja sobre as denúncias de corrupção em contratos do governo de São Paulo durante a gestão do PSDB evidencia mais uma vez como essa publicação da editora Abril age. Que jornalismo e que jornalistas!

Na edição desse fim de semana, a reportagem tenta tirar o foco dos tucanos e colocar a Eletronorte e a Itaipu como destinatárias do esquema.

Isso mesmo. A Veja pega um escândalo cujas investigações mostram profundas ligações com o PSDB de São Paulo – incluindo o pagamento de propinas – e tentam levar o caso para a esfera federal, blindando o tucanato.

Notem que até na escolha das fotos a Veja é cuidadosa em sua estratégia política disfarçada de jornalismo. Nenhuma das imagens é de tucanos.

Mas a realidade desmente a Veja. Até os jornalões – que fazem de tudo para amenizar o caso e deixam no meio das reportagens os fatos mais importantes – mostram que o escândalo foi gestado e gerido nos governos do PSDB em São Paulo.

No Blog do Zé
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A solidariedade seletiva da presidenta Dilma

A ação da PM na 1ª manifestação em São Paulo, no mês de junho

Em junho, por ocorrência da primeira manifestação do Movimento Passe Livre por redução na tarifa de ônibus urbano, quando a Polícia Militar do Estado de São Paulo barbarizou e chocou o país com agressão aos manifestantes (a ponto de retirar pessoas de dentro de bar, que nada tinham com a manifestação, para espancar), a Presidenta Dilma Rousseff foi à TV e fez  pronunciamento sobre os protestos. Naquele momento não havia presença dos Blacks Blocs. Em nenhum momento, Dilma condenou a violência policial. A presidenta sequer mencionou a violência policial, sendo que ali foi a violência da PM que fez alavancar as manifestações.

Ela fez o contrário. De forma transversa, tentou previamente atribuir culpa aos manifestantes para justificar a atuação desproporcional da PM, sem nominá-la diretamente, com a manjada desculpa da necessária coibição à violência por partes dos manifestantes.

Nitidamente, Dilma se omitiu em apontar culpados quando a ação violenta partiu do Estado. Fiz questão de assistir ao pronunciamento e foi essa observação que à época fiz.

Se não teve coragem de criticar a PM que havia acabado de cometer a barbárie na avenida Paulista, que ela permanecesse neutra em relação ao coronel que apanhou.

Preferiu ratificar a afirmação do guru da esquerda, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, de que é detentora de “grande insensibilidade social”.

Gerson Carneiro
No Viomundo
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Novembro será marcado por pressão popular pela reforma política


Integrantes da Coalizão pelas Eleições Limpas decidiram iniciar o mês com mobilização e intensificar campanha para coleta de assinaturas ao projeto de iniciativa popular

A manifestação de uma centena de entidades da sociedade
civil não tem sido suficiente para o Congresso
Gustavo Lima/Câmara
Brasília – O dia 12 de novembro será marcado por uma grande manifestação nacional pela reforma política e para coleta de novas assinaturas ao projeto de iniciativa popular sobre o tema, que está sendo coordenado pela chamada Coalizão Democrática pelas Eleições Limpas. O movimento, que conta com o apoio de mais de 160 parlamentares e é formado por 91 entidades, deu início a partir de hoje (25) à formalização de apoio de outras instituições, que até a data da manifestação já estarão engajadas na campanha. Além disso, definiu, durante reunião realizada ontem, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a estratégia para intensificação de atos e seminários em todos os estados brasileiros a partir de novembro.

Por trás da ampliação da iniciativa está o fato de os trabalhos do grupo técnico da reforma política – instituído pela Câmara para tratar do assunto – encontrar-se em fase de conclusão dos trabalhos sem apresentar propostas concretas de mudança na legislação política e eleitoral do país. Há também as preocupações com o atraso na tramitação do projeto de decreto legislativo (PDL) que pede a realização de um plebiscito para que a população decida quais itens quer ver discutidos num projeto de reforma política.

Atualmente, o PDL está parado na Comissão de Finanças e Tramitação da Casa e foi objeto de um requerimento de urgência na sua apreciação por parte do autor, o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE). “Sem participação popular, a reforma não será votada no Congresso”, afirmou o deputado Henrique Fontana (PT-RS), que apoia a mobilização, em uma crítica à demora, que considera intencional.

“Estamos aguardando uma discussão sobre esse tema desde 2002 e tudo o que foi tratado na Câmara e no Senado até agora terminou sem qualquer utilidade”, acrescentou a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que preside a Frente Parlamentar pela Reforma Política há mais de dez anos e tem cobrado, no Congresso, maior apoio e comprometimento para com o trabalho da Coalizão pelas Eleições Limpas. Erundina foi uma das parlamentares presentes à reunião da OAB.

“A ideia inicial que já estava definida e foi melhor organizada neste encontro é que temos de dar continuidade ao trabalho. Quando construímos esse projeto, a intenção era reunir várias entidades da sociedade civil que também tinham campanhas pedindo pela reforma política para consolidar um único texto, eliminando o que exige ser aprovado na forma de PEC (proposta de emenda constitucional), de forma que a reforma possa sair por uma lei complementar. Agora, a intenção é consolidar ainda mais tudo o que estas entidades desejam e buscar o maior número de assinaturas”, destacou uma das integrantes do movimento, a servidora pública federal Jovita José Rosa, auditora do  Ministério da Saúde e membro do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

Insatisfação


Para Jovita Rosa, as declarações de Erundina e de Fontana refletem toda a insatisfação que as entidades da sociedade civil sentem com a demora pelo projeto. “Estamos nos mobilizando para fazer o papel do parlamento porque não esperamos mais grandes novidades por parte do Congresso em relação à questão. Os deputados e senadores trabalham para a perpetuação deles no poder e para que as coisas continuem da forma como estão. Nossa esperança é no sentido de aumentar o número de entidades e conseguir as assinaturas”, ressaltou.

No mesmo sentido, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coêlho, enfatizou a importância de envolver a sociedade na defesa do projeto, motivo pelo qual a Ordem está disposta a contribuir com sua estrutura nos estados. “A OAB tem como pauta prioritária a reforma e busca esse debate coletivo”, frisou. Por parte da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a intenção é colaborar com a iniciativa e fazer com que as camadas da sociedade tenham representatividade política. “A democracia precisa ser participativa e é preciso regulamentar mecanismos de participação popular, como o plebiscito ou o referendo”, disse o presidente da confederação, dom Raimundo Damasceno, que enviou dois representantes ao encontro.

Já o coordenador da coalizão, juiz Marlon Reis, deixou claro que “enquanto a Lei da Ficha Limpa afetava uma parte dos parlamentares, esse projeto pelas eleições limpas afeta a vida de todos os deputados e senadores indistintamente”. "Por conta disso, é importante a pressão popular neste momento."

Mais entidades


Atualmente, a coalizão conta com 91 entidades organizadas. Até novembro, várias outras deverão ter formalizado seu apoio ao grupo, como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Via Campesina. Participaram da reunião de ontem o presidente da Comissão Especial de Mobilização para a Reforma Política da OAB, Cézar Britto; o secretário executivo da CNBB, padre José Ernanne Pinheiro; o assessor político da CNBB, dom Joaquim Guimarães, e o membro da Comissão Brasileira da Justiça e Paz da OAB, Marcelo Lavenére.

Além deles, também estiveram presentes o diretor-executivo da CUT Antonio Lisboa; a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Virgínia Barros; a secretária-geral do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil, pastora Romi Márcia Bencke; o diretor-presidente do Instituto Atuação, Pedro Bernardo; e o diretor do Instituto  Atuação, Ramon Bentivenha, entre diversos outros representantes de entidades da Coalizão.

A mobilização – a mesma que trabalhou pela aprovação da Lei da Ficha Limpa – já conta com 300 mil assinaturas de apoio popular ao projeto. Para o encaminhamento da matéria ao Congresso e sua consequente formalização são necessários 1,5 milhão de assinaturas.

A proposta para reforma política defendida pelas entidades prevê o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais, com sugestão de que passe a ser permitida a contribuição individual no valor máximo de R$ 700 por eleitor e sem ultrapassar o limite de 40% dos recursos públicos recebidos pelos partidos nas eleições.

A coleta de assinaturas está sendo feita em papel ou pela internet, com homologação automática do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para assinar e conhecer a proposta, basta acessar o endereço eletrônico www.eleicoeslimpas.org.br.

No RBA
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EE.UU. espió al menos 60 millones de llamadas telefónicas en España


Espionaje de la NSA se dio entre el 10 de diciembre de 2012
y 8 de enero de 2012
Medios españoles revelaron este lunes que la Agencia de Seguridad Nacional de Estados Unidos (NSA, por su sigla en inglés) espió alrededor de 60 millones de llamadas telefónicas en España, en el lapso comprendido entre el 10 de diciembre de 2012 y el 8 de enero de este año, de acuerdo con documentos filtrados por el exanalista de la NSA, Edward Snowden.

Los reportes indican que la información recabada no incluyó el contenido de las llamadas, pero sí los números de teléfono del receptor y emisor, sus ubicaciones, la duración y el número de serie de los teléfonos.

La revelación se da días después de que el embajador de EE.UU. en España, James Costos, fuera citado por el Gobierno de Mariano Rajoy, la mañana de este lunes, para discutir las denuncias anteriores sobre el espionaje de Washington sobre ciudadanos y políticos españoles.

Costos está citado para las 10H30 locales de este lunes (09.30 GMT) y será recibido por el secretario de Estado ante la Unión Europea, Íñigo Mendez de Vigo, y el director general para América del Norte, Asia y Pacífico, Ernesto de Zulueta.

El presidente Mariano Rajoy informó el viernes pasado, desde Bruselas (capital de Bélgica), que había dado instrucciones a la Cancillería para que convocara al embajador Costos. Asimismo, señaló que el Ejecutivo no tiene constancia alguna del espionaje sobre dirigentes políticos, pero aseguró que espiar es impropio de una relación entre "socios y aliados".

Igualmente, explicó que hasta no tener toda la información y una "total y absoluta certeza" de lo ocurrido, no tiene previsto adoptar ninguna medida, esto ante la posibilidad de encargar una investigación al Centro Nacional de Inteligencia (CNI).

En ese sentido, la prensa española reseña que el Gobierno de Rajoy decidió dar una respuesta de “bajo”, ya que “su objetivo es no deteriorar la estrecha colaboración entre los servicios secretos de ambos países”.

El CNI, en principio, asumió que el espionaje electrónico masivo perpetrado por la NSA hubiera interceptado masivamente comunicaciones privadas en España, pero descartaba que hubiera tomado como objetivos selectivos a políticos españoles.

Esa percepción cambió tras las revelaciones de que el correo electrónico de la presidenta de Brasil, Dilma Rousseff, y el móvil de la canciller alemana, Angela Merkel, fueron interceptados por la NSA. Incluso, documentos difundidos por el diario británico The Guardian destacaron que los espiados fueron un total de 35 líderes mundiales.

En España, la interceptación de comunicaciones y el acceso a datos (identidades del emisor y receptor de la llamada, mensaje de texto o correo electrónico; fecha, hora y duración), sin el requerido control judicial, constituye un delito.

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