24 de out de 2013

Governo Dilma vive melhor momento desde a posse


Antes mesmo da divulgação da nova pesquisa Ibope nesta quinta-feira, em que a presidente Dilma Rousseff seria reeleita já no primeiro turno em três dos quatro cenários avaliados, mesmo se Marina for candidata, o clima no Palácio do Planalto já era tão bom como faz tempo não se via. "Acho que esta é nossa melhor semana desde a posse", disse-me um dos principais interlocutores da presidente.

Uma vez por semana tenho o hábito de fazer uma ronda entre meus amigos no governo para saber como andam as coisas e já me habituei a ouvir um rosário de queixas sobre a vida difícil de quem lá trabalha, os tiros no pé, as trombadas, a incompreensão da imprensa e dos empresários, e tudo aqui que faz parte da rotina do poder.

Desta vez, antes mesmo de fazer a primeira pergunta, notei um ambiente mais descontraído e nenhuma preoucupação com a pesquisa que seria divulgada poucas horas depois. Não que eles tivessem alguma informação de cocheira, mas os fatos dos últimos dias justificavam o otimismo.

De fato, a palavra crise sumiu do noticiário nas últimas semanas e deu lugar a sucessos do governo como o leilão do pré-sal e a aprovação do programa Mais Médicos. Hoje mesmo, os palacianos tinham boas notícias a dar: Dilma anunciou que vai liberar para mais de 1.000 prefeituras recursos da ordem de R$ 13,5 bilhões para investimentos em saneamento básico e asfaltamento.

Os índices de intenção de votos em Dilma oscilaram entre 39% e 41%. No cenário mais provável, quando seus adversários são o tucano Aécio Neves (14%) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (10%), a presidente tem 17 pontos a mais do que a soma dos dois.

Na verdade, quem ficaria em segundo lugar neste caso seriam os votos brancos, nulos, nenhum deles e não sabe, com impressionantes 35%.

Dilma só não ganha no primeiro turno, se os adversários forem Marina (21%), pelo PSB, e Serra (16%), pelo PSDB, que somados teriam 37% contra 39% de Dilma, em situação de empate técnico. Neste caso, temos um índice de 25% de eleitores que votariam em branco, nulo, em nenhum deles ou ainda não sabem em quem votar.

Quando Marina aparece no lugar de Campos, a ex-ministra do governo Lula teria mais do que o dobro dos votos de Eduardo Campos, por enquanto o candidato que está "colocado" pelo PSB. Da mesma forma, com Marina candidata e Serra no lugar de Aécio, o ex-governador paulista chegaria a 18%, quatro pontos a mais do que seu colega de partido.

Pode ser que com estes números aumente a pressão sobre Eduardo e Aécio para que abram mão das candidaturas em favor das suas sombras, Marina e Serra. No momento, isto parece muito pouco provável. Até abril, no entanto, quando PSDB e PSB prometeram anunciar quem será cabeça de chapa, tudo pode mudar.

Por enquanto, tanto faz quem será o adversário. Se houver segundo turno, Dilma também se reelege contra qualquer dos candidatos. Contra Serra, que Dilma derrotou nas eleições de 2010, a presidente ganharia por 44% a 23%, ou seja, com 21 pontos de vantagem. Se o segundo turno for contra Marina, a diferença diminui: 42% a 29%.

Ricardo Kotscho
No Balaio
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Adeus, jornais impressos


Caí de amores pela Folha de S.Paulo aos 17 anos, em 1984, quando entrei na faculdade e o jornal apoiou a campanha pelas Diretas-Já. Até então, menina do interior da Bahia, não conhecia bem a grande imprensa. O jornal que estampava em sua primeira página o desejo de todos nós, brasileiros, de votar para presidente, me cativou. Como para vários da minha geração, trabalhar na Folha se tornou um sonho para mim.

E de fato trabalhei no jornal, entre idas e vindas, quase 10 anos. Tive espaço, ótimas oportunidades, conheci de perto figuras incríveis: Ulysses Guimarães, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Leonel Brizola, Lula. E principalmente: na Folha escrevi como quis – ninguém nunca mudou meu texto e jamais adicionaram nem uma frase sequer que eu não tenha apurado, ao contrário do que viveria nos oito meses que passei na Veja (leia aqui).

Em 2009 meu respeito pela Folha morreu. Naquele ano, o jornal publicou um artigo absolutamente execrável acusando Lula de ter tentado estuprar um companheiro de cela, um certo “menino do MEP” (antiga organização de esquerda), quando esteve preso, em 1980. Qualquer pessoa que lê o texto percebe que Lula fez uma brincadeira (de mau gosto, ok), mas o autor do artigo não só levou a sério, ou fez de conta que levou a sério, como convenceu o jornal a publicar aquele lixo.

Como eleitora de Lula, aquilo me incomodou. Por que nunca fizeram algo parecido com outro político? Por que o jornal jamais desceu tão baixo com ninguém? Apontar erros, incoerências, fazer oposição ao governo, vá lá. Dizer que Lula estuprou uma pessoa! Por favor. Me pareceu que alguém na direção do jornal estava sob surto psicótico ao permitir que algo assim fosse impresso. Vários amigos da Folha me confidenciaram vergonha e indignação com o texto.

Continuei a ler o jornal nestes últimos quatro anos mais por hábito do que por outra coisa. Quando veio o editorial em que a ditadura foi chamada de “ditabranda” não fiquei surpresa. Quando a Folha publicou a ficha falsa da candidata Dilma Rousseff no DOPS quando atuou na luta armada, tampouco. A minha própria ficha já tinha caído, lá atrás. O jornal a favor das Diretas-Já deixara de existir – ou será que nunca existiu? Afinal, antes disso a Folha havia apoiado o golpe militar. Terei eu caído num golpe – de marketing?

Hoje, 24 de outubro de 2013, tomei a iniciativa de cancelar minha assinatura da Folha de S.Paulo. O jornal acaba de contratar dois dos maiores reacionários do País para serem seus “novos” colunistas. Não é possível, para mim, seguir assinando um jornal com o qual não tenho mais absolutamente nenhuma identificação. Pouco importa que minha saída não faça diferença para o jornal: é minha grana, trabalho para ganhá-la, não vou gastá-la em coisas que não valem a pena. O mundo não é capitalista? Pois não quero, com meu dinheiro, ajudar a pagar gente que me causa vontade de vomitar.

O mais triste é que, ao deixar de assinar a Folha, deixo também de ler jornais impressos. Nenhum deles me representa. Esta é literalmente uma página que viro, dá a sensação de que perdi um amigo querido. Mas a vida é assim mesmo: às vezes amigos tomam rumos diferentes. Sem rancores.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Jornais: quanto mais rezam…


A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está pensando em permitir que as empresas publiquem suas comunicações com o mercado pelas redes sociais. Hoje, a publicação obrigatória de balanços e atas de assembleias, além de outros atos societários, é uma das fontes certas e fundamentais para jornais de todos os tamanhos, na rubrica chamada publicidade legal. E, vamos combinar, a CVM teria toda a razão em alterar a regra – afinal, nenhum “jornal de grande circulação” no mundo tem uma “circulação” maior que a internet, não é?

A proposta não deve passar, pois o lobby contra será furioso, mas se der zebra, aí é que vai ter veículo que não emplaca nem a Copa do Mundo. Leia aqui.

No Coleguinhas, uni-vos!
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Campanha publicitária da ONU Mulheres evidencia sexismo generalizado


Uma série de anúncios desenvolvida pela agência de publicidade árabe Memac Ogilvy & Mather Dubai para a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) utiliza pesquisas do Google para revelar a prevalência do sexismo e da discriminação contra as mulheres.


“Quando nos deparamos com essas pesquisas, ficamos chocados com o quão negativas eram e decidimos que tínhamos de fazer algo com elas”, disse o diretor de arte da equipe de criação, Christopher Hunt.

Nas peças publicitárias, os textos das pesquisas do Google são colocados sobre as bocas das mulheres retratadas, como se suas vozes fossem silenciadas.

“Os anúncios são chocantes porque mostram o quão longe ainda temos que ir para alcançar a igualdade de gênero . Eles nos chamam atenção para a realidade e esperamos que as suas mensagens tenham grande alcance”, acrescenta o redator Kareem Shuhaibar.

Para a ONU Mulheres, as pesquisas confirmam a necessidade urgente de continuar destacando os direitos das mulheres, autonomia e igualdade – causas que a organização defende em todo o mundo. A instituição espera que a forte reação gerada pelos anúncios desencadeiem um diálogo global construtivo.


Credit: Memac Ogilvy & Mather Dubai
No ONUBR
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A democracia não é suicida


A partir das passeatas e quebra-quebras de junho, os governos estaduais e os poderes federais voltaram a colocar o problema dos conflitos metropolitanos no quadro mais geral de uma sociedade que se urbaniza com velocidade recorde, sem que os serviços públicos e privados de massa tenham atendido, em quantidade e qualidade, às necessidades daí derivadas. Do ponto de vista das empresas do mercado, as multidões se despersonalizam, perdem humanidade, e passam à contabilidade como números sem rosto, tal qual cabeças de gado. O transporte de verduras e legumes de nossa dinâmica agricultura pelas modernas estradas já construídas ou em vias de inauguração é, seguramente, mais bem cuidado do que o de homens e mulheres, a força de trabalho nacional, que são amontoados aos empurrões em trens, ônibus e vans.

Estatísticas sanitárias e de habitação servem para emoldurar a rotineira paisagem de desconforto e carências que caracteriza a vida dessa população, dentro e fora de casa. Se isto não justifica a prática de atos criminosos, os inegáveis esforços do governo federal na execução do que prometeu não devem silenciar a magnitude dos problemas herdados de um estado oligárquico, destituído de instrumentos de implementação eficiente e eficaz dos programas que cria. O Brasil paga vultosa promissória evidenciada pelo hiato entre o muito que se faz e o tanto que se precisa fazer enquanto se criam as instituições capazes de tornar realidade as boas intenções de qualquer governo. Aí esta a recente criação da PPSal, motivo de gritos espumantes dos conservadores, para atender a um problema que um Estado elitista jamais enfrentaria: como garantir o cumprimento da legislação especial das reservas do pré-sal, particularmente no que se refere aos destinos dos recursos originados pelo petróleo sejam efetivamente dirigidos à educação, à saúde e ao fundo social. Esse problema não ocorreria ao governo de Campos Salles nem ao de seu admirador contemporâneo, Fernando Henrique Cardoso.

Isto posto, vale comentar as crônicas que romantizam o “anarquismo de feição violenta” de black blocs e assemelhados. Não vejo e nunca vi encanto algum no anarquismo. Se os primeiros embates de junho criavam uma compreensível confusão entre os que aderiam de boa fé a uma tática radical em vista de solucionar um problema, hoje não há dúvida alguma de que os “manifestantes” e “ativistas”, como os chamam as suaves apresentadoras da TV Globo, espécie de duas novas ações produtivas a serem incorporadas ao catálogo das profissões do Ministério do Trabalho, mascarados e apetrechados para a depredação e a agressão, não passam de catapora social. Quando entrevistados não conseguem produzir duas frases sucessivas com sujeito, verbo e predicado. Nem anarquistas são, mas simples desajustados, fenômeno corriqueiro em sociedades de urbanização acelerada.

Se o fenômeno é explicável, não é justificável. E nem cabe recorrer à legislação de proteção aos pobres e sacrificados membros da classe trabalhadora para isentar os autores da estúpida destruição de patrimônio público, quando não a petulância de pretender invadir e impedir os trabalhos de instituições fundamentais da democracia. A democracia não é um regime suicida. Se esses tatibitates se acham relevantes porque estariam mostrando à sociedade brasileira uma das variantes da violência anárquica, é hora de que sintam de corpo presente o gosto da violência democrática. Prisão para eles, com ou sem resistência.

PS: Está em pauta para votação na Câmara dos Deputados o projeto de lei 4471/12 terminando com os “autos de resistência” e de “resistência seguida de morte” pelos quais autoridades públicas davam cobertura legal às reiteradas práticas de violência policial. Como de hábito, as vítimas preferenciais do arbítrio eram os pobres, negros com freqüência. Prevista para esta terça-feira, 22/10, os informativos disponíveis ainda não registravam ontem, quarta-feira, 23/10, se houvera a votação.

Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político.
No O Cafezinho
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Eduardo Campos é acometido de amnésia súbita

Em sua crítica ao programa Mais Médicos, o pré-candidato se esqueceu justamente do Nordeste e do estado que governa, Pernambuco.



Na crítica que fez ao programa “Mais Médicos”, Eduardo Campos, que é presidente do PSB, pré-candidato à presidência da República e, nas horas vagas, governador do Estado de Pernambuco, afirmou com todas as letras:

"Se o Brasil hoje importa médicos, é porque ontem não viu a necessidade de organizar um planejamento estratégico na formação de recursos humanos para assistir os brasileiros do Sertão, Pantanal, da Amazônia e das fronteiras com o Uruguai".

E emendou: “Nós precisamos reconhecer publicamente que o Brasil falhou”.
As declarações foram dadas durante o 51.º Congresso Brasileiro de Educação Médica (em Olinda, no dia 20). O governador ombreou-se com o presidente da Associação Brasileira de Educação Médica, que chamou a Medida Provisória que instituiu o programa de "decisão autoritária".

Curiosamente, essa foi uma das poucas declarações dadas pelo governador sobre o programa, até agora. A repercussão foi estupenda. Embora não tenha dito o nome “Dilma” e nem mesmo pronunciado a expressão “Governo Federal”, as manchetes de muitos jornais e telejornais deram uma forcinha e o ajudaram a completar a frase.

Caso o pré-candidato tenha tido dificuldades para balbuciar o nome da presidenta ou de juntar as palavras “governo” e “federal”, o problema pode ser ainda mais grave para alguém que almeja chegar lá.

Para Campos, o problema maior da falta de médicos está nas regiões do Sertão, Pantanal, da Amazônia e das fronteiras com o Uruguai. Esqueceu-se ele, simplesmente, que a maior carência está na periferia das grandes cidades. Um detalhe que afeta pelo menos 20 capitais e 151 cidades em regiões metropolitanas, onde se concentra a maior parte da população brasileira.

Conforme dados do Ministério da Saúde, só na primeira fase do programa, foram enviados 64 profissionais a Pernambuco, sendo 26 brasileiros e 38 estrangeiros. O atendimento realizado por esse grupo alcançou mais de 220 mil pessoas no estado. Isso ainda durante o período em que boa parte dos profissionais estrangeiros aguardava, para iniciar os trabalhos, a emissão do registro profissional pelos conselhos regionais de medicina.

Do total de médicos da primeira fase, 40% foram alocados no Nordeste. Em Pernambuco, 31 municípios aderiram ao programa, solicitando profissionais. Cerca de 15% de todos os médicos encaminhados ao Nordeste estão em Pernambuco. Um número bem maior começa a chegar agora, com a sanção da lei "autoritária" que permite ao próprio Ministério conceder o registro.

Uma pergunta óbvia foi esquecida de ser feita ao pré-candidato e governador: faltou planejamento a Pernambuco, também?

Como se sabe, pela nossa Constituição, o Sistema Único de Saúde reserva aos governos estaduais competências essenciais no planejamento, na coordenação e na gestão do SUS. A crítica de Eduardo Campos até agora não foi entendida como deveria ser: a autocrítica de um governador a quem cabe uma parcela fundamental de responsabilidade nesse assunto tantas vezes esquecido, chamado saúde pública.

Vamos torcer para que as instalações, os equipamentos e as condições de trabalho dos hospitais, que são a cara do planejamento da saúde de cada estado, estejam em dia na vitrine de Eduardo Campos, e que ele se lembre de expô-las, a título de exemplo.

Antonio Lassance | Carta Maior
No Sátiro
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Os urubus da economia têm fome de notícia ruim


O desemprego no Brasil, segundo o IBGE, igualou, em setembro, a menor taxa já alcançada em toda a história para igual mês: 5,4%

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O número é oficial e os jornais receberam os comentários do IBGE sobre a pesquisa com o mesmo gráfico que reproduzo aí acima, onde o que salta aos olhos de qualquer um é a espetacular queda do desemprego em uma década.

Um variação de 0,1% em qualquer pesquisa é o que é, estatisticamente: nada.

Não é outra coisa o que diz a análise do próprio IBGE:

“A taxa de desocupação em setembro de 2013, foi estimada em 5,4% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas. Na comparação com agosto (5,3%), a taxa ficou estável. Frente a setembro do ano passado (5,4%), esse indicador também se manteve estável”

Mas uma variação de um, dois, três ou quatro por cento, sim, é muito significativa.

E foi isso o que aconteceu, na mesma pesquisa, com a apuração do rendimento médio (real, descontada a inflação) do trabalhador.

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Subiu 1% em relação a agosto e 2,2% em relação a setembro de 2012.

Crescimento real, repito, considerada a inflação.

Está aí acima o gráfico do IBGE.

Isso, uma boa notícia, não foi para nenhuma das manchetes, que colecionei na ilustração acima.

O Brasil, um país ainda pobre e carente, está cheio de más notícias.

Não é preciso “arranjar” desgraça.

Salvo para injetar na cabeça de quem só lê o título que as coisas vão mal, mal e piorando.

Bem, ao menos no nível do jornalismo de economia vão piorando mesmo.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O programa do PT desta noite

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Dilma vence em 1º turno nos quatro cenários Ibope


No quadro atual, não tem pra ninguém: a presidente Dilma Rousseff venceria as eleições presidenciais de 2014 em primeiro turno nos quatro cenários pesquisados pelo Ibope; contra Aécio Neves e Eduardo Campos, cenário mais provável, ela teria 41%, contra 14% do tucano e 10% do socialista; contra os "reservas" Marina Silva e José Serra, briga seria mais dura, mas ela venceria com 39%, contra 21% da ex-senadora e 16% do ex-governador paulista

Confira os cenários:

Cenário A:

Dilma Rousseff 41%

Aécio Neves 14%

Eduardo Campos 10%

Dilma 41% - Adversários 24%

Cenário B

Dilma Rousseff 39%

Marina Silva 21%

Aécio Neves 13%

Dilma 39% - Adversários 34%

Cenário C

Dilma Rousseff 40%

José Serra 18%

Eduardo Campos 10%

Dilma 40% - Adversários 28%

Cenário D

Dilma Rousseff 39%

Marina Silva 21%

José Serra 16%

Dilma 39% - Adversários 37%
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Policiais fazem piada com família de Amarildo


“Passamos por tanto sufoco, e agora a família ainda tem que ouvir piadinhas de policiais quando nos encontram nas ruas. Sempre perguntam: 'Cadê o Amarildo?' É difícil.”

Um dia após o Ministério Público divulgar com detalhes como o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza foi torturado e morto por policiais da UPP da Rocinha, parentes da vítima contaram que vêm sendo hostilizados por PMs na favela. Na quarta-feira, na casa onde mora a família da vítima, Michelle Lacerda, sobrinha de Amarildo, afirmou que policiais debocham e fazem piadas quando veem a viúva e a filha de 13 anos:
— Passamos por tanto sufoco, e agora a família ainda tem que ouvir piadinhas de policiais quando nos encontram nas ruas. Sempre perguntam: “Cadê o Amarildo?” É difícil.

A PM informou que não recebeu qualquer denúncia de parentes do pedreiro e que todos os casos que chegam oficialmente ao comando são investigados.

Sobre a denúncia contra 25 PMs, a família de Amarildo, resignada, disse apenas que ela mostrou o que todos já sabiam. Anderson de Souza, filho do pedreiro, quer agora que os policiais revelem onde está o corpo.
— Queremos enterrar nosso pai — afirmou.

Amarildo torturado

Para a Polícia Civil, Amarildo foi torturado e morto depois de ter sido levado por policiais para a sede da UPP da Rocinha, um dia depois de a PM realizar a operação Paz Armada, que investigou o tráfico de drogas na Rocinha.

De acordo com o delegado titular da DH, Rivaldo Barbosa, que coordenou a investigação, as pessoas que se disseram vítimas de tortura de policiais da unidade foram ouvidas de março a julho deste ano para revelar detalhes do esquema do tráfico de drogas no local.

Todas as 22 testemunhas que narraram mecanismos de tortura apontam homens comandados pelo major Edson Santos (ex-comandante da UPP afastado no mês passado após ser denunciado pelo caso Amarildo) como agressores. Pela linha de investigação da polícia, Amarildo seria a 23ª vítima do grupo – e a única que foi morta.

Asfixia com saco plástico, choque elétrico com corpo molhado, introdução de objetos nas partes íntimas e até ingestão de cera líquida eram alguns dos “castigos” aplicados aos moradores da Rocinha, dentro e fora das dependências da UPP — alguns depoimentos falam em sessões de tortura em becos da comunidade, incluindo o beco do Cotó, onde, segundo a polícia, Amarildo foi sequestrado.

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O senhor Alstom


O escândalo de corrupção com obras no Brasil e que vem sendo investigado na Suíça ocorreu na gestão de José Luiz Alquéres, que vencia todas as licitações


MAIS DE 2,5 MIL PÁGINAS de contratos de metrô de São Paulo ocupam a mesa do promotor Silvio Marques. No Rio de Janeiro, o presidente da Light, José Luiz Alquéres, tenta mudar a forma de cálculo para conseguir um reajuste maior no preço da energia. Homens diferentes em papéis distintos que em breve vão se encontrar. O promotor investiga se a multinacional Alstom pagou US$ 6,8 milhões em propina para vencer licitações de US$ 45 milhões do metrô de São Paulo, entre 1998 e 2006. Bem nesta época, Alquéres foi presidente da Alstom. Nada pesa até o momento contra ele. Aliás, quem o conhece como executivo só tem elogios. Ele ficou conhecido pela gestão à frente da Eletrobrás, entre 1993 e 1994. De lá para cá, acumulou uma vasta e bem-sucedida experiência no setor privado. No comando da Alstom, Alquéres não perdeu uma licitação, atraindo a atenção e a inveja dos concorrentes, que diziam que o ponto forte da Alstom era o “fator político”. Conseguiu contratos para construir as turbinas de Itaipu e Tucuruí, as termoelétricas do Rio, Paraná, Bahia e São Paulo. Colocou o País entre os cinco mais importantes da Alstom francesa, com crescimento de 40% ao ano. Em 2006, ele acertou sua saída. Foi para a Light com a promessa de não se desligar totalmente da empresa francesa.

O problema é que autoridades suíças encontraram indícios de pagamento de subornos da Alstom na América do Sul e na Ásia, entre 1995 e 2006, que poderiam somar até US$ 200 milhões. Especializada em transportes e energia, a empresa já foi alvo de outra investigação no Brasil. Em 2006, a PF apreendeu comprovantes de transferência de US$ 550 mil e US$ 220 mil da sede francesa para uma off-shore no Uruguai. O caso foi arquivado por falta de provas. “Sobre a denúncia atual, só tenho os contratos do metrô e estou esperando o material do Exterior”, explicou à DINHEIRO o promotor Silvio Marques. Na França, o presidente mundial da Alstom, Patrick KronKron, nega o envolvimento da empresa. “O grupo tem procedimentos éticos precisos”, diz ele. No Brasil, nenhum comentário. Procurado pela DINHEIRO, Alquéres, o senhor Alstom, evitou falar.

O escândalo de corrupção com obras no Brasil e que vem sendo investigado na Suíça ocorreu na gestão de José Luiz Alquéres, que vencia todas as licitações

Adriana Nicacio
No IstoÉ Dinheiro
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NSA espiona Merkel?


O mal-estar está instalado nas relações entre a Alemanha e os Estados Unidos.

A chanceler alemã, Angela Merkel, já reagiu às informações segundos as quais o seu telefone celular poderia estar sob a vigilância dos serviços de segurança norte-americanos.

A Casa Branca apressou-se a refutar as acusações.

“Posso adiantar que o Presidente dos Estados Unidos não está a vigiar, nem vai vigiar as comunicações da Chanceler. Os EUA valorizam muito as estreitas relações com a Alemanha em temas variados ao nível da segurança”, afirmou Jay Carney, porta-voz da Casa Branca.

A notícia tem lugar no dia em que o Parlamento Europeu aprovou uma proposta para a suspensão do acordo SWIFT, um acordo firmado com os EUA em 2010 e que permite aos norte-americanos acesso limitado a informações interbancárias com vista ao combate do terrorismo internacional.

A proposta de suspensão foi aprovada pelo Parlamento Europeu. A Comissária Europeia dos Assuntos Internos, Cecilia Malmstrom, afirma que já está a averiguar o caso. Apenas a Comissão Europeia tem competência para suspender o acordo SWIFT.

O escândalo surge na sequência das revelações feitas pelo antigo espião norte-americano, Edward Snowden.


No Euronews
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O pragmático marido da programática Marina


Uma das frases mais divertidas da semana vem do marido de Marina, Fábio. Foi o triunfo do pragmatismo contra o programatismo, para usar uma empressão que a mulher de Fábio tem repetido à exaustão.

“Vou pedir demissão não”, escreveu Fábio no Facebook. Aos 51 anos, sete menos que Marina, Fábio tem um bom cargo no governo do petista de Tião Viana, no Acre. Poucos dias antes, também no Facebook, um líder petista no Acre perguntara a Fábio se ele não ia largar o “empregão” num partido que, segundo sua mulher, é “chavista” e foi vital no processo de negação de registro para a Rede de Sustentabilidade.

Pragmaticamente, Fábio disse que fica. E programaticamente alegou que o PT no Acre é ainda “sonhador”, ao contrário do PT nacional.

É um episódio quase anedótico, mas que cresce em importância nas revelações que traz com ele. Primeiro, mostra como é difícil separar o programatismo do pragmatismo, por mais que no plano da retórica Marina venha fazendo portentosos esforços nisso.

Segundo, leva a uma pergunta: como a grande mídia pôde ser tão incompetente num assunto que, afinal, está ligado às eleições presidenciais de 2014?

Jornais, revistas, telejornais, rádios, tudo isso com exércitos copiosos de repórteres e editores – ninguém deu a informação de que o marido de Marina trabalha no PT. A origem da notícia está no Facebook.

A imprensa local deu primeiro, já há alguns dias. O paradoxo da família permaneceu ignorado da grande mídia, até que uma notinha apareceu. Num comportamento bovino, todo mundo correu atrás – com notável lentidão.

Enfim, esta é a nossa grande mídia, aspas.

Nos próximos dias, vai ser curioso ver a explicação que Marina dá entre programatismo e pragmatismo quando se trata de seu próprio lar.

Paulo Nogueira
No DCM
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Policía de EE.UU. asesinó a niño hispano que llevaba arma de juguete

Los agentes impactaron al menor para advertirle que soltara
el juguete parecido a un arma de fuego
Dos agentes de la policía de California (suroeste) fueron retirados temporalmente de sus puestos de trabajo mientras se desarrollan las investigaciones en torno a la muerte de un joven hispano de 13 años que llevaba un arma de juguete, la cual habría sido confundida por los funcionarios como una arma de fuego, por lo que le dispararon.

El incidente tuvo lugar este martes en la ciudad de Santa Rosa, y la víctima responde al nombre de Andy López, de 13 años. Las autoridades realizaron una serie de entrevistas la noche del suceso, informó el teniente Paul Henry a medios locales.

Los hechos se produjeron alrededor de las 3 de la tarde de este martes, hora local (22.00 GMT), cuando López portaba un arma de juguete, puntualmente la réplica de un rifle, que pertenecía a un amigo.

Mientras llevaba consigo el juguete, fue visto por dos agentes que patrullaban un poblado situado al suroeste de Santa Rosa, que tras confundir el implemento con un rifle real, le dispararon.

En torno a este hecho, el teniente de la policía local, Denis O'Leary, afirmó mediante un comunicado que previo a los disparos, se exhortó al joven a tirar el arma al suelo en diversas oportunidades. Sin embargo, al ver que el adolescente no seguía las órdenes le efectuaron diversos disparos; y fue declarado muerto en el lugar del suceso.

El juguete que motivó los disparos era similar a un fusil AK-47, con un cartucho desechable para balas y culata color café, según precisaron las autoridades. En el 2012, las calles de California fueron protagonistas de una ola de protestas, tras la muerte de los jóvenes latinos, Manuel Díaz, de 25 años, y Joel Acevedo, de 21 años, en manos de la policía local.

Las manifestaciones duraron casi dos semanas y dejaron más 150 detenidos, además de ocasionar varios enfrentamientos policiales. Los actos de calle exigían que las autoridades se responsabilizaran por el exceso policial.

Los policías que intervinieron en el hecho, no identificados, les concedieron un permiso provisional con goce de sueldo, autorizados por sus jefes.

Diversas organizaciones de derechos humanos alertan que alrededor de 500 personas han fallecido en Estados Unidos en los últimos años por el uso indiscriminado de la pistola eléctrica por parte de los policías.

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Marina Silva bajula a mídia amiga


Marina Silva é só amores com os donos da mídia. Ela é tratada com todo o carinho pelos jornalões, revistonas e emissoras de tevê. Quase todo dia é destaque na velha imprensa. Isto talvez explique a defesa apaixonada que a ex-verde fez da atuação da mídia no país durante o programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura nesta segunda-feira (21). “Não acho que deva ter controle porque uma das coisas que ajuda a própria democracia é a liberdade de expressão. Acho que a imprensa dá grande contribuição para várias questões, como na minha área [meio ambiente]”, afirmou a provável vice de Eduardo Campos na campanha presidencial de 2014.

Neste clima de amores, os barões da mídia tendem a reforçar ainda mais o coro para que ela dispute a sucessão pelo PSB – deixando na reserva o governador de Pernambuco. Mas não é só no debate sobre a regulação democrática da mídia – que ela maliciosamente chama de “controle” – que a ex-ministra tem agradado os empresários do setor. A cada dia que passa, Marina Silva explicita a sua completa cedência às teses neoliberais e sua fundamentalista adoração ao “deus-mercado”. No programa Roda Vida, ela voltou a criticar o governo Dilma por ter abrandado o chamado tripé macroeconômico – dos juros elevados, austeridade fiscal e libertinagem cambial.

Mas o conservadorismo da ex-verde não se manifesta apenas na economia. Como ironiza José Carlos Ruy, no sítio Vermelho, no programa da TV Cultura “houve também o lado folclórico, quando ela tratou de homossexualismo, casamento gay, pesquisas com células-tronco, criacionismo... Ela reconheceu que as pessoas devem ter tratamento igual, mas ‘quando se fala em casamento, evoco o sacramento’. Nesta condição, ela não aceita o casamento gay, embora o admita como direito civil. A pérola veio quando falou sobre criacionismo. Não sou criacionista, disse. E declarou acreditar que Deus criou todas as coisas, inclusive a grande contribuição dada por Darwin”.

Para José Carlos Ruy, estudioso da história, “Marina Silva é a recente versão do que há de mais tradicional e conservador na política da classe dominante brasileira. A história tem exemplos desse tipo de ‘novo’; Jânio Quadros, há mais de cinquenta anos, surgiu como uma espécie de alternativa aos partidos e aos políticos; ele bateu de frente com o Congresso Nacional e renunciou melancolicamente sete meses depois de assumir a Presidência da República. Era em tudo parecido com Marina Silva. Na política, rejeitava os partidos e acusava o Congresso Nacional de chantageá-lo (Marina repetiu esse argumento no programa Jô Soares, dia 15, dizendo que Dilma é chantageada pelo Congresso!). Na economia, defendia o mesmo velho e fracassado programa conservador: contenção nos gastos públicos, pagamento de juros, enxugamento da máquina do Estado”.

“No ocaso da ditadura militar, outra versão ‘jovem’, ‘apolítica’ e economicamente conservadora surgiu na figura de Fernando Collor. Durou pouco”, lembra José Carlos Ruy. Isto também ajuda a explicar as juras de amor entre Marina Silva e os barões da mídia. Nos dois casos citados, os tais representantes do “novo” tiveram o apoio da chamada grande imprensa nas suas campanhas presidenciais contra candidatos mais à esquerda. Marina Silva bajula a mídia; e a mídia sabe, sempre, a quem bajular!

Altamiro Borges
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Fim total do voto secreto? E a independência do Parlamento?


Esta aprovação do fim do voto secreto e sua substituição pelo voto aberto para todas as deliberações nas três instâncias de poder legislativo – municipal, estadual e federal – são um retrocesso sem precedentes nos dias recentes. Mas o fato é que a proposta foi aprovada por unanimidade nesta 4ª feira (ontem) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Agora segue para a votação do plenário da Casa.

Como já discutimos aqui, somos contra. O voto aberto deve vigorar apenas no caso de cassação de mandato de parlamentares. Somos contra sua aprovação para a maioria das outras deliberações a serem tomadas pelo parlamento e as razões disso são óbvias, saltam à vista.

Voto aberto para apreciação de diretores de agências reguladoras e para indicação do Procurador-Geral da República – só para dar dois exemplos – vai submeter o Parlamento, deixá-lo exposto à pressão, sim. E não dos cidadãos e ou dos eleitores, mas dos grupos organizados, começando pela mídia. Sem falar nos outros poderes.

Medida expõe à pressão do Executivo, Judiciário, do monopólio da mídia…

Imaginem voto aberto para indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Pior ainda será a pressão do Executivo nas matérias de relevância e de seu interesse. Esta defesa do voto aberto, eu insisto, é puro populismo e demagogia. O voto secreto ainda se constitui em uma garantia de independência e autonomia dos nossos parlamentares para que possam se defender das pressões do Executivo, do Judiciário e do monopólio da mídia.

Há outros aspectos a considerar. O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), com muita razão observa que “no afã de dar uma resposta à opinião pública sobre a trágica votação do episódio do deputado (Natan) Donadon, a Câmara dos Deputados aprovou o voto aberto, sem levar em consideração o que o Senado tem como prerrogativa, como a votação de autoridades”.

Na mesma toada, o líder tucano, senador Aloysio Nunes Ferreira filho (PSDB-SP), afirmou que o fim do voto secreto pode desaguar em perseguições. Faz bem Aloysio ao lembrar que “as duas únicas ocasiões em que foi imposto ao Congresso o voto aberto a vetos (presidenciais) foi em 1937 na Polaca, que instituiu o Estado Novo (ditadura Vargas), e com o ato institucional (AI-5) que impôs ao país duríssimo regime autoritário”.

Lamentável. Vamos agora acompanhar a votação no Plenário do Senado. Ver se prevalece o bom senso e ele derruba o fim do voto secreto para tudo ou se o mantém nos casos indispensáveis.

José Dirceu
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Governo cria novas alternativas para o desenvolvimento do RS

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Irlanda: testes de DNA confirmam paternidade de pais de etnia cigana


Está confirmada a paternidade das crianças retiradas de duas famílias de etnia cigana na Irlanda.

Os testes de DNA comprovaram que os casais são os pais biológicos das crianças que já regressaram para casa.

À semelhança do que aconteceu na Grécia, a pele clara e o cabelo loiro dos menores levantaram as primeiras suspeitas. Uma denúncia, seguida de informações contraditórias levaram as autoridades a retirar as crianças das famílias.

A atuação da polícia, que muitos consideram ter sido motivada pelo caso de Maria na Grécia está a ser, fortemente, criticada por associações de defesa dos Direitos Humanos.

A menina foi encontrada durante uma batida policial na semana passada. Uma história com um desfecho diferente já que os testes de DNA confirmaram que a criança não era filha do casal com quem vivia.

No Euronews
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Crime político


O ato de tortura e morte do pedreiro Amarildo seria mais um da série infinita em que os criminosos são policiais. Um crime vulgar. Revelou-se um crime político. Pouco importa que não o fosse na origem. Nas consequências veio a sê-lo.

As responsabilidades e circunstâncias da morte estão esclarecidas, 25 PMs presos por diferentes presenças no episódio, e é indispensável justiça reconhecer, nesse resultado, a obsessiva competência da promotora Carmen Bastos, de policiais civis representáveis por sua chefe, delegada Marta Rocha, e sempre a de José Mariano Beltrame, secretário de Segurança. Além do PM, ou PMs, com o seu perigoso e iluminador testemunho.

É impossível medir a influência do movimento de opinião pública na ação investigatória. Não há dúvida de que foi forte. Mas não há como avaliar, também, quanto houve de motivação política no lançamento e no incentivo constante das cobranças de esclarecimento do caso. Em pouco, essas cobranças, até à simples menção do nome Amarildo, estavam transformadas em ataque político a Sérgio Cabral, mesmo nas menores oportunidades. "Onde está Amarildo?" tornou-se um slogan político devastador.

O desaparecimento de Amarildo, desde logo dado por sua família como obra da PM, incidiu no momento mais agudo da crise de desgaste que Sérgio Cabral criou para si, com uma sucessão de atitudes pessoais intoleráveis pela opinião pública - por ele desconsiderada com arrogância da qual precisou, por fim, penitenciar-se. Sérgio Cabral passou a ser identificado como responsável pelo desaparecimento de Amarildo e pelo aturdimento de então da polícia, responsabilidade que não podia ser sua. Mas despropósito permitido pela política, com os efeitos esperados.

Até piores do que os efeitos visados. A campanha estendeu-se de Cabral para as UPPs, as unidades policiais criadas para a ocupação pacificante das favelas, e recaiu sobre o secretário Beltrame. Ou seja, o uso político da tragédia de Amarildo levou seu efeito corrosivo ao trabalho social que decorre do modelo de ação nas favelas, ou "comunidades", já com resultados que mudaram o convívio urbano e suburbano em grande parte do Rio.

O cerco a Cabral resvalou ainda sobre Eduardo Paes, o prefeito. Pode ser um efeito de menor duração, porque o prefeito tem um trabalho enorme a apresentar, em variedade geográfica que inclui a tão desprezada Zona Norte da cidade, em modernização de muitos tipos e sentidos, e em presteza de atenção a problemas reclamados como o Rio não via há muitas e muitas décadas. Mas o reflexo de Cabral pode atingir o futuro de Paes se o governador não conseguir recuperar política e eleitoralmente o PMDB que a sua crise enfraqueceu bastante.

O pobre Amarildo foi um morto comum nas mãos de policiais com vocação criminosa, entre tantos cujos nomes e destinos pouco ou nada importam à opinião pública. O morto Amarildo tornou-se arma política.

Janio de Freitas
No fAlha
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Os “bons amigos” da Alston. E o nome dos bois.


Do Estadão de hoje:
“Novos documentos enviados pela Procuradoria da Suíça ao Brasil há 20 dias reforçam, segundo investigadores do caso Alstom, suspeitas de corrupção e pagamento de propina em contratos da multinacional francesa no setor de transportes públicos em São Paulo. Em e-mail de 18 de novembro de 2004, o então presidente da Alstom no Brasil, engenheiro José Luiz Alquéres, “recomenda enfaticamente a diretores da empresa que utilizem os serviços do consultor Arthur Gomes Teixeira, apontado pelo Ministério Público como lobista e pagador de propinas a servidores de estatais do setor metro-ferroviário do governo paulista, entre 1998 e 2003.

Alquéres, que não está mais no comando da Alstom, destaca o “bom relacionamento” com governantes paulistas. Teixeira, segundo as investigações em curso, era o elo da multinacional com estatais do setor de transporte público de massa.

“Temos um longo histórico de cooperação com as autoridades do Estado de São Paulo, onde fica localizada nossa planta”, escreveu. “O novo prefeito recém-eleito participa das negociações que vão nos permitir a reabertura da Mafersa como Alstom Lapa. O atual governador também participa.”
Em novembro de 2004, o ” novo prefeito recém-eleito” é José Serra. E o “atual governador” é Geraldo Alckmin.

De toda a forma, mesmo sem citar-lhes o nome na chamada, o Estadão vai ouvir os não-ditos-cujos, para dizerem, claro, que eram apenas “conhecidos”. Alckmin tem a cara-de-pau, inclusive, de enviar ao Estadão uma foto onde aparece numa solenidade com Alquéres e Lula, com a óbvia insinuação de que “sou, mas quem não é?”

Alquéres sempre foi de ter “bons amigos” tucanos, como você pode ver aqui.
Tanto que acabou sobrando para ele uma briga feia no tucanato.

Quando Aécio comprou parte da Light para a Cemig, colocou-o na presidência da empresa – aliás, uma fase péssima, onde os apagões se sucediam nos bairros do Rio de Janeiro. Em 2009, já na briga com Serra, mandou-o embora, dizendo que ia acabar com “as indicações políticas” na companhia.

Alquéres saiu, mas continuou tendo a “boa amizade” da parte paulista do tucanato.

Que, como se sabe, gosta de um “trem bão”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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FHC e os péssimos serviços das teles

Recentemente, O Globo publicou reportagem comparando os governos FHC e Lula e concluiu que as “duas heranças” tiveram aspectos positivos. Quanta bondade e imparcialidade! No caso do petista, o jornal elogiou a queda do desemprego e do trabalho infantil. Já sobre o reinado tucano, ele destacou a sempre badalada estabilidade da moeda e – acredite – a melhora dos serviços públicos, fruto da privatização de vários setores da economia. Nesta segunda-feira (21), porém, o próprio diário da famiglia Marinho foi forçado a desmentir a sua “generosa” tese.

Reportagem dos jornalistas Francis Bogossian e Marcio Patusco confirma que os serviços de telefonia são caros e de péssima qualidade. “O Brasil está estagnado na implementação de recursos de comunicações e informática. Isso é o que mostra recente estudo da UIT (União Internacional de Telecomunicações), órgão da ONU”. O país ocupa 62ª posição entre as 161 nações analisados pelo órgão no oferecimento de capacitações de tecnologias da informação e comunicações, atrás do Uruguai, Argentina e Chile e outros em nossa região.

“Numa cesta de tarifas que inclui telefonia fixa, celular e banda larga, ficamos num incômodo 93º lugar. Segundo a UIT, existem 92 países com preços mais vantajosos do que os do Brasil. Também aqui não houve progresso, já que no ano passado estávamos em 92º”. A reportagem até insinua que a culpa por este atraso é do atual governo, mas evita criticar o criminoso processo de privatização do setor imposto pelo reinado principado de FHC – que inibe ações mais incisivas diante dos abusos e descalabros do chamado “livre mercado”.

Um trecho da matéria, porém, serve de alerta para a presidenta Dilma Rousseff e de puxão de orelha para o ministro Paulo Bernardo. “O mais ambicioso plano que o governo elaborou para o atendimento de banda larga, o PNBL, vem naufragando nos próprios números. Concebido para dar novos acessos a cerca de 28 milhões de novos usuários de 2010 a 2014, ele contabiliza pouco mais de 2 milhões de acessos, não havendo mais possibilidade de sequer chegar perto da meta estabelecida. A Telebrás, colocada como principal fornecedora desses acessos, luta por investimentos e não vem conseguindo realizar a infraestrutura necessária. Sem contar que todo este esforço se concentra em grande parte no atendimento de acessos com velocidade de 1Mbps (1 Mega bit por segundo), que muitos países já abandonaram como meta”.

O hilário é que o jornal destaca a pressão por melhorias no setor dos empresários, os mesmos que defenderam a privatização das comunicações. “A Firjan cobra um plano de atendimento às empresas médias e grandes, que inexiste no Brasil, bem como uma perspectiva para depois de 2014, quando o PNBL se encerra. Em contraposição cita planos de Argentina (80% das empresas atendidas com 50 Mbps até 2016), Índia (universalização dos acessos a 10 Mbps para as empresas nas grandes cidades em 2014), Alemanha (75% das empresas com acesso a 50 Mbps em 2014), Japão (universalização do acesso para empresas a 1Gbitp em 2015), entre outros”.

Ao final da matéria, O Globo prega a redução de tributos para as poderosas operadoras de telefonia e ainda aconselha em tom editorializado: “É chegada a hora de se pensar mais seriamente na mudança do arcabouço regulatório das comunicações nacionais, e não insistir em remendos numa colcha de retalhos que é a atual regulamentação do setor, deixando para trás o período das estagnações”. Não há qualquer crítica às privatizações de FHC (também já batizada de privataria) e nem autocrítica sobre as comparações fajutas do jornalão.

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Em setembro, desemprego foi de 5,4%


A taxa de desocupação foi estimada em 5,4%, não registrando variação significativa frente a agosto de 2013 (5,3%) e setembro de 2012 (5,4%). A população desocupada (1,3 milhão de pessoas) também apresentou estabilidade tanto em relação a agosto de 2013 quanto a setembro de 2012. A população ocupada (23,2 milhões) não variou significativamente frente aos meses de agosto de 2013 e setembro de 2012. O númerode trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,8 milhões) ficou estável em relação a agosto e cresceu 3,5% na comparação anual, representando um adicional de 399 mil postos de trabalho com carteira assinada. O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 1.908) aumentou 1,0% em relação a agosto (R$ 1.888,50) e 2,2% em relação a setembro de 2012 (R$ 1.866,60). A massa de rendimento médio real habitual (44,7 bilhões) apresentou alta de 0,9% frente a agosto de 2013 e de 2,8% frente a setembro de 2012. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (44,5 bilhões em agosto de 2013) cresceu 0,9% na comparação com julho de 2013 e 2,4% na comparação com agosto do ano passado.
A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/.


Desocupação fica estável em todas as regiões frente a agosto
Regionalmente, na análise mensal, a taxa de desocupação não registrou variação significativa em nenhuma das regiões metropolitanas pesquisadas. No confronto com setembro de 2012, foi observada variação significativa apenas em Salvador, onde subiu de 6,2% para 9,3%.


O contingente de desocupados (pessoas sem trabalho que estão tentando se inserir no mercado) em setembro de 2013 foi estimado em 1,3 milhão de pessoas no agregado das seis regiões investigadas, refletindo estabilidade na comparação com agosto de 2013 e também frente a setembro do ano passado. No confronto com setembro de 2012, verificou-se alta no número de desocupados na região metropolitana de Salvador (54,7% ou 67 mil pessoas) e estabilidade nas demais regiões.
Nível da ocupação fica em 54,0%
O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado em 54,0% para o total das seis regiões, não apresentando variação em relação a agosto de 2013. No confronto com setembro de 2012 (54,5%), esse indicador diminuiu 0,5 pontos percentuais. Regionalmente, na comparação mensal, todas as regiões mantiveram estabilidade. Frente a setembro de 2012, esse indicador apresentou redução em Belo Horizonte e em Recife (3,1 e 1,6 pontos percentuais, respectivamente) e nas demais regiões não se verificou variação significativa.
Analisando o contingente de ocupados segundo os grupamentos de atividade, de agosto para setembro de 2013, não houve variação significativa em nenhum dos grupamentos pesquisados no total das seis regiões. Na comparação com setembro de 2012, foi verificada elevação na Educação, saúde, administração pública (3,8%) e declínio nos Serviços domésticos (-10,6%), enquanto os demais grupamentos não apresentaram movimentação estatisticamente significativa.
Na comparação anual, rendimento médio aumenta em quatro das seis regiões
Regionalmente, em relação a agosto, o rendimento dos trabalhadores subiu nas regiões metropolitanas de Salvador (1,9%), Rio de Janeiro (2,4%) e São Paulo (1,0%). Ficou estável em Recife e Belo Horizonte e apresentou declínio em Porto Alegre (2,0%). Frente a setembro de 2012, houve alta no Rio de Janeiro (6,8%), Porto Alegre (3,5%), São Paulo (0,9%) e em Belo Horizonte (0,5%). Caiu em Salvador (2,7%) e Recife (0,8%).
Na classificação por grupamentos de atividade, para o total das seis regiões, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em relação a agosto de 2013 foi na Indústria extrativa (3,2%), e a maior queda nos Serviços prestados á empresas (-2,5%). Na comparação anual, observou-se aumento de 5,1% nos Serviços domésticos e queda no grupamento de Serviços prestados à empresa (-1,0%).


Já na classificação por categorias de posição na ocupação, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido se deu dentre os empregados sem carteira no setor privado, tanto na comparação mensal (2,5%) quanto na comparação com setembro de 2012 ( 8,4%).


No IBGE
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Charge online - Bessinha - # 1975

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Para onde vai a Folha?


Auto-classificado plural, democrático, apartidário e a serviço do Brasil, jornal Folha de S. Paulo acaba de atingir mais um ponto de inflexão em seu longo zigue-zague editorial; na década de 60, comandado pelo "seo" Frias, apoiou a ditadura militar com noticiário a favor e caminhonetes para transportar presos políticos para sessões de tortura; no final dos 70, procurou limpar o sangue de suas rotativas cavalgando a campanha da anistia e, em 84, liderou a cobertura das Diretas Já; depois de abrigar esquerdistas estudantis amigos do diretor Otávio Frias Filho, nos 90, agora aderna outra vez à direita; contratação de Reinaldo Azevedo, crítico de uma nota só aos governos de esquerda dos últimos dez anos, aponta opção preferencial pelo conservadorismo elitista; leitores que consideravam o jornal liberal e de centro vão gostar da novidade obscurantista?

Como um camaleão ideológico, o jornal Folha de S. Paulo está mudando de coloração outra vez – e voltando às suas origens na direita da fauna política. Auto-classificada de plural, apartidária e a serviço do Brasil, a publicação da família Frias passará a ter entre seus colunistas o polemista profissional Reinaldo Azevedo. Trata-se ele de uma marca registrada do que há de mais estreito e antiquado no debate de ideias que, graças à democracia combatida no passado pela mesma Folha, hoje viceja na sociedade brasileira.

Sinaliza a contratação de Azevedo, neste sentido, uma perigosa volta ao passado, que caiu mal, como apurou 247, entre os jornalistas da redação. No quinto andar da rua Barão de Limeira, 425, a chegada do novo vizinho de páginas impactou negativamente o coletivo e lançou no ar uma pergunta: como os leitores que associam o jornal a ideias liberais e centristas irão reagir ao peso à direita representado por Azevedo nos porões daquele grande navio?

Emblemática, a abertura de espaço editorial para Azevedo remonta a Folha às raízes históricas das quais o jornal vem tentando se livrar desde o início da década de 1980. Um típico movimento e meia-volta volver.

Comprada de Nabantino Ramos numa polêmica operação comercial feita pela dupla Otávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho, em 1962, apenas dois anos depois a Folha já apoiava abertamente o golpe militar de 1964.

FRIAS E CALDEIRA NÃO DEIXAM POR MENOS - No auge da repressão política imposta pelo regime, a publicação tisnou suas rotativas de sangue ao emprestar caminhonetes de distribuição do matutino para o transporte de presos políticos de diferentes cárceres ao centro de tortura do Doi-Codi, na rua Tutóia, na zona sul da capital paulista. A própria Folha reconhece o gesto, que considera, hoje, uma questão ultrapassada.

Em 1972, quando o governo do general Emílio Médico pregava o ame-o ou deixe-o ao Brasil, a Folha publicou editoriais negando, com veemência, a existência de presos políticos no Brasil. Um dos subprodutos da empresa, o jornal Folha da Tarde, era considerado, então, uma publicação ligada diretamente à polícia política, com amigos do torturador-mor, Sergio Paranhos Fleury, entre seus redatores e repórteres. Frias e Caldeira não deixavam por menos.

O ocaso da ditadura correspondeu a uma primeira correção de rumo pela Folha. Em 1979, o jornal destacou em sua primeira página o grande ato pela anistia política ocorrido na Praça da Sé, em São Paulo. Em seguida, quando o público foi às ruas na campanha por eleições diretas para presidente, a Folha outra vez mostrou reflexo rápido. Dirigida por Otavio Frias Filho, mas com o "seo" Frias na supervisão de tudo, o jornal abriu mais de uma dezena de páginas para a cobertura do comício que também se realizara na Sé, com todas as principais lideranças políticas do País presentes.

Diante da hesitação do concorrente O Estado de S. Paulo e do boicote à notícia praticado pelo jornal O Globo, a Folha deu grossas pinceladas de verniz democrático em sua fachada. Ato contínuo, Otavinho abriu a redação para jovens que tinham frequentado os bancos da Universidade de São Paulo e traziam ares novos para a publicação. Comunista, ali, é claro, não entrava, mas havia espaço para profissionais que, na pessoa física, combatiam, pela esquerda, as correntes mais comprometidas com a superação do regime militar. Naquela Folha, nada era moderno o suficiente, tudo precisava ser gritantemente oposicionista.

A fórmula deu certo. A circulação do jornal cresceu vertiginosamente, a ponto de fazer da publicação o veículo mais vendido diariamente nas bancas de São Paulo, batendo nacionalemente, algumas vezes, o consolidado O Globo – e deixando na poeira do conservadorismo o inimigo mortal O Estado de S. Paulo, da família Mesquita.

Essa conformação político-editorial vinha prevalecendo até o final do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Antes dele, em novo sopro da sorte, o então presidente Fernando Collor estava no poder quando a Polícia Federal invadiu a sede do jornal em busca de documentos que supostamente seriam usados contra ele. O tiro, é claro, saiu pela culatra – e, como mártir, mais uma vez a Folha teve campo para crescer.

CONFLITOS AMPLIADOS COM LULA NO PODER - Os conflitos ideológicos aumentaram para o jornal com o início do governo Lula. A Folha nunca compreendeu, corretamente, o movimento sindical do final dos 70, início dos 80, liderado por Lula a partir do ABC paulista. As greves operárias relembravam o jornal da paralisação de jornalistas, logo após a compra pelos Frias e Caldeira, que quase fechou as portas da publicação. Em consequência, as relações que com Lula nunca foram amistosas, deterioram-se gradativamente.

Na Era Dilma Rousseff, nota-se que a Folha, em seu noticiário, renova praticamente todos os dias sua aposta no fracasso econômico. Na política, sinalizou na semana passada que vê com simpatias o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Afinal, para Recife, em caravana para entrevistá-lo, seguiram do patrão Otavinho a editores-assistentes, incluindo nesse arco o diretor de redação Sergio D'Ávila.

Mas agora, de modo inequívoco, firma-se uma radicalização, graças à chegada do pesado Reinaldo Azevedo. Ligado ao ex-governador José Serra, a contratação demostra, inicialmente, que o jornal vê com reticências a candidatura do presidenciável tucano Aécio Neves. Ele e Serra são adversários na mesma trincheira – e inserir Azevedo em seu ninho significa um recado da Folha sobre com quem o jornal vai estar nos momentos decisivos.

Azevedo, como se sabe, é um polemista que vocaliza forças obscuras. Ele já chegou a escrever um artigo em que defendia a proibição de o ex-presidente Lula viajar pelo País livremente. Irritadiço, ele clamou por um julgamento sumário dos réus da Ação Penal 470, o chamado mensalão. Primeiro, incensando o decano do STF, Celso de Mello, quando este discursava contra os réus, mas defenestrando-o sumariamente no momento em que deu seu voto histórico de garantismo, ao aceitar os embargos infringentes que alegraram as comunidades jurídica e democrática.

A contratação de Azevedo mostra ao público que, para a Folha, a campanha eleitoral de 2104 acaba de começar – e já não restam dúvidas, apesar de tão cedo, sobre qual lado o jornal vai ficar.

Nunca à esquerda e esforçando para manter-se até aqui no centro, a barca do Otavinho avisa que vai mesmo é guinar para a direita. Segure-se quem puder.
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Greenwald: espionagem dos EUA pouco tem a ver com terrorismo

Em entrevista à Carta Maior, o jornalista Glenn Greenwald fala sobre o seu trabalho de divulgar as práticas de espionagem dos EUA.


O ex-agente da CIA e da NSA norte-americana, Edward Snowden, e o jornalista norte-americano Glenn Greenwald acabam de desferir um novo golpe no esquema de espionagem global patrocinado pelos Estados Unidos. O jornal Le Monde publicou a totalidade dos documentos que revelam a amplitude da espionagem dos EUA contra a França. Espionagem massiva de indivíduos, espionagem industrial e econômica, nada falta no cardápio. Glenn Greenwald voltou a fazer tremer os alicerces das relações internacionais. Os drones, a luta contra o terrorismo, a nefasta herança da administração do ex-presidente George Bush, as zonas obscuras da administração de Barack Obama e a espionagem globalizada montada pelos Estados Unidos a partir do dispositivo Prisma: Glenn Greenwald conhece esses temas com o rigor e a paixão que lhe conferem seu compromisso e uma trajetória profissional que vai muito mais além do caso das revelações de Snowden.

Glenn Greenwald é o segundo ator central desta trama de espionagem. É este jornalista do Guardian que, mês após mês, destilou neste jornal o conteúdo do enorme dossiê que Snowden entregou a ele em Hong Kong antes de se refugiar na Rússia. Snowden não o escolheu por acaso. Greenwald é um reputado autor de investigações que sacudiram o sistema político norte-americano e o converteram em um dos 50 comentaristas mais influentes dos Estados Unidos. Aqueles que conhecem seu nome através de Snowden e do caso da espionagem tentacular do sistema Prisma ignoram a sólida trajetória que o respalda. Advogado de profissão, em 2005 Greenwald deixou sua carreira de representante de banco e de grandes empresas e se lançou na defesa dos direitos cívicos, das liberdades públicas e das investigações de fôlego.

Nesse mesmo ano, um caso de espionagem por parte da NSA revelado pelo jornal The New York Times o impulsionou através de seu blog, “How Would a Patriot Act, que logo se tornará um livro, “How Would a Patriot Act? Defending American Values from a President”. No ano seguinte, este ativista rigoroso publicou um livro feroz sobre a espantosa herança da administração Bush, “A Tragic Legacy: How a Good vs. Evil Mentality Destroyed the Bush Presidency”. Em 2008, publicou outro livro acerca dos mitos e hipocrisias dos republicanos, Great American Hypocrites: Toppling the Big Myths of Republican Politic”, e, em 2012, outra obra sobre a forma pela qual a lei é utilizada para destruir a igualdade e proteger o poder, “With Liberty and Justice for Some: How the Law is used to destroy equality and protect the Powerful”.

Entre um livro e outro, Greenwald realizou investigações explosivas sobre Wikileaks, Julian Assange e o soldado Bradley Manning – o militar que entregou correspondência secreta a Assange. Premiados várias vezes por seu trabalho, Glenn Greenwald define o jornalismo de uma maneira militante: “para mim, o jornalismo é duas coisas: investigar fatos sobre as atividades de quem está no poder e procurar impor-lhes limites”. Este é o homem a quem, em maio deste ano e logo depois do Washington Post ter se recusado a publicá-los, Edward Snowden entregou os documentos da abismal espionagem estruturada pela NSA através do dispositivo Prisma com a colaboração de empresas privadas como Google, Facebook, Yahoo, Microsoft e tantas outras.

Glenn Greenwald vive no Brasil há vários anos. O duplo caso Snowden e Prisma mudou muitas coisas em sua vida. Seu companheiro, David Miranda, foi detido e interrogado em Londres durante muitas horas em virtude de uma lei antiterrorista. Ambos sabem que suas conversações e seus gestos estão permanentemente vigiados. Adaptaram-se a essa vida sem renunciar a continuar o trabalho de denúncia. Nesta entrevista exclusiva realizada no Rio de Janeiro, para a Carta Maior, Glenn Greenwald revela aspectos inéditos sobre Edward Snowden, conta as dificuldades de sua vida e dá novas informações sobre a nova indústria norte-americana: espionar a cada cidadão do mundo.

Os Estados Unidos argumentam que a espionagem planetária tem como objetivo lutar contra o terrorismo. No entanto, a leitura dos documentos que Snowden entregou a você não fornece a prova para esse argumento.

Se olharmos os últimos 30 anos e, sobretudo, a partir dos atentados de 11 de setembro, há uma ideia de que os norte-americanos querem aplicar: utilizar o terrorismo mundial para que as pessoas tenham medo de agir com as mãos livres. É uma desculpa para torturar, sequestrar e prender. Agora estão usando a mesma desculpa para espionar. Os documentos sobre a maneira pela qual os EUA espionam e sobre os objetivos da espionagem pouco têm a ver com o terrorismo. Muitos têm a ver com economia, empresas e os governos, e estão destinados a entender como funcionam esses governos e essas empresas. A ideia central da espionagem é essa: controlar a informação para aumentar o poder dos Estados Unidos pelo mundo.

Nos documentos da NSA há alguns sobre o terrorismo, mas não são a maioria. O gasto de milhões de dólares para coletar toda essa informação contra o terrorismo é uma piada. Espionar a Petrobras, a Al-Jazeera ou a OEA não tem nada a ver com o terrorismo. O governo está tentando convencer as pessoas de que elas devem renunciar a sua liberdade em troca de segurança. Trata de assustá-las e fazer crer que sacrificar a liberdade é algo necessário para estar a salvo e protegido das ameaças que vem de fora.

O passo que Edward Snowden deu ao entregar-lhe os documentos que revelam o modo como Washington espiona o planeta inteiro é surpreendente. Como se explica que alguém tão jovem, que fazia parte do aparato de inteligência, opte por esse caminho?

Há exemplos na história de pessoas que sacrificam seus próprios interesses para pôr fim a muitas injustiças. As razões pelas quais agem assim são complicadas, complexas. Neste caso, há duas coisas importantes: uma é que Snowden valoriza o ser humano e os direitos. Snowden tinha clareza sobre um ponto: ou continuar com esse sistema, perpetuar este mundo destruindo a privacidade de centenas de milhões de pessoas no planeta, ou romper o silêncio e atuar contra esses abusos.

Creio que Snowden comprovou que se tivesse seguido permitindo a existência desse sistema não poderia seguir com a consciência tranquila para o resto de sua vida. A dor, a vergonha, o remorso e o arrependimento como sentimentos para o resto de seus dias despertavam medo nele. Era muito grave para guardar em sua consciência. Ele viu que não havia muitas opções e que devia tomar partido.

O outro ponto importante é que Snowden tem 30 anos e sua geração cresceu com a internet como uma parte central de suas vidas. As pessoas um pouco mais velhas não se dão conta da importância da internet para a existência dessas pessoas. Snowden me disse que a internet ofereceu a sua geração todo tipo de ideias, campos de exploração, contatos com outras pessoas no mundo e uma capacidade de entendimento inédita. Então decidiu proteger esse patrimônio. Não queria viver em um mundo onde tudo isso desapareceria, onde as pessoas não pudessem utilizar a internet nunca mais.

Mas Snowden, apesar disso, foi um homem do sistema.

Sim, mas era muito jovem quando começou. Tinha 21 anos. Com o correr do tempo foi mudando seus pontos de vista sobre o governo dos Estados Unidos, a NSA e a CIA. Snowden mudou de forma gradual, progressiva. Começou a se dar conta de que essas instituições que pretendiam fazer o bem não estavam fazendo bem, mas sim o mal.

Snowden me disse que, desde 2008 e 2009, pensava em se converter em um vazador de documentos. Como muitas outras pessoas no mundo, Snowden também pensou que a eleição de Barack Obama iria fazer com que os abusos diminuíssem. Confiava nisso. Pensou que Obama reverteria o processo, que seria diferente e melhor, mas se deu conta de que não era assim. Essa foi uma das razões. Teve consciência de que Obama não só não resolvia nada, como seguia perpetuando o império norte-americano.

O poder dos Estados Unidos praticamente não tem limites a partir do controle das tecnologias da informação. Muitos pensam que, em certo sentido, Obama é pior que Bush.

É difícil dizer que Obama é pior que Bush. Não é preciso que Obama diga: espionemos mais. É claro que Obama tem uma parte da responsabilidade no crescimento deste sistema de espionagem. Obama continuou com as mesmas políticas de antes, mas mudou o simbolismo e a imagem. Creio que o escândalo provocado pelo vazamento destes documentos mudou a visão que as pessoas tinham de Obama. Snowden e eu passamos muito tempo em Hong Kong falando sobre o que iria acontecer com as revelações. Não podíamos calcular as consequências. Tínhamos consciência da importância, mas pensávamos que poderia haver uma reação apática. Mas desde que se publicou a primeira história o interesse não parou de crescer.

Isso está se convertendo em um freio para que os governos sigam abusando de seu poder, para que continuem atuando em segredo. Mas há indivíduos como Snowden, como o soldado Bradley Manning, ou entidades como o Wikileaks que trazem a informação à luz. Julian Assange é um herói pelo trabalho que fez com Wikileaks. Em muitos sentidos foi ele que tornou isso possível, foi Assange que expôs a ideia segundo a qual, na era digital, era muito difícil para os governos proteger seus segredos sem destruir outra privacidade. Essa é a razão pela qual o governo dos EUA está em guerra contra as pessoas que fazem isso: quer assustar outros indivíduos que estejam pensando em fazer o mesmo no futuro. Eu me apoiei na coragem de Snowden para publicar esses documentos. Edward Snowden é hoje uma das pessoas mais procuradas do mundo. É possível que passe os próximos 30 anos na cadeia. O que ele fez é uma das coisas mais admiráveis que já vi alguém fazer em nome da justiça.

Os governos de Argentina, Brasil e de outros estados no mundo estão pressionando para romper o cerco da espionagem e o controle quase absoluto que os Estados Unidos têm sobre a internet. Qual é a solução, na sua opinião?

Eu creio que a solução seria criar um lobby entre os países, que os países se unam para ver como construir novas plataformas para a internet que não permitam que um país domine completamente as comunicações. O problema reside também em que cada país começa a ter mais controle sobre a internet e isso pode fazê-los cair na tentação de fazer o mesmo que os Estados Unidos: tentar monitorar e utilizar a internet como uma forma de controle. Há uma consciência real de que Argentina e Brasil estão construindo uma internet própria, assim como a União Europeia, algo que até agora só a China tinha feito. Mas o risco está em que esses governos imitem aos Estados Unidos criando seus próprios sistemas não para permitir a privacidade de seus cidadãos, mas sim para comprometê-la. Isso é um perigo.

É importante ter a garantia de que o controle dos Estados Unidos sobre as comunicações não termine em uma transferência a outros poderes. Li um documento no New York Times que mostrava o imenso poder e influência que os EUA têm graças ao controle dos serviços de internet. De fato, os Estados Unidos inventaram a internet. Muitos países se deram conta de que não serão capazes de garantir sua confidencialidade se seguirem usando sistemas abrigados em servidores norte-americanos. Por isso estão pensando em como desenvolver sua própria internet independente.

No Brasil, por exemplo, a primeira reação do governo quando se soube da espionagem dos Estados Unidos consistiu em propor seriamente a criação de uma internet própria. E creio que outros países vão começar a fazer o mesmo, ou seja, criar redes que não passem pelos Estados Unidos nem tampouco que os dados fiquem armazenados em servidores de empresas norte-americanas. Creio que especialmente na Europa, onde há recursos financeiros para tanto, isso será proposto seriamente. Agora, é claro, a Europa não é muito dada a ser independente dos EUA. Ela gosta de ser tratada como um adolescente, algo assim como uma colônia com direitos que caminha ao ritmo do tambor dos EUA.

A presidenta Dilma Rousseff propôs a criação de um órgão independente de controle da internet. Você acredita que essa é uma ideia viável?

Não estou seguro de que isso pode resolver o problema. A ideia da internet é de uma irrestrita e não controlada forma de comunicação entre os seres humanos para compartilhar informações sem regulações. Então, não sei se é uma boa ideia colocar a internet sob o controle de organismos internacionais. Pode ser que seja pior assim. Quando foi criada, a internet não estava sob o controle de nenhum governo e cada um podia usá-la como bem quisesse. Esse é o motivo pelo qual ela se converteu em uma ameaça. Creio que esse é o modelo que devemos recuperar.

Você é hoje um homem ameaçado. Sua vida mudou muito desde que colocou em circulação os documentos de Snowden?

Sim, bastante, muito stress, é muito difícil todo o tempo. Meus advogados me dizem que é perigoso para mim regressar aos Estados Unidos, perdi minha privacidade individual. Sei que me espionam e monitoram. Tudo mudou em minha vida. Mas não estou assustado. Não vou parar. Vou publicar todos os documentos que tenho em meu poder.

Entre os atores ocidentais mais questionados está a União Europeia. Sua reação, após as revelações de Snowden, foi de uma tibieza impressionante.

A debilidade e a covardia da União Europeia nunca me surpreenderam, Creio que o que podemos esperar da Europa é que seja tão débil e covarde como qualquer outro país. Foi surpreendente ver como aparentaram indignação com as revelações de Edward Snowden para logo em seguida se fazerem de desentendidos. É muito perigoso que exista um mundo onde um só país pode ditar o que se deve fazer. Os governos têm que ter coragem. O governo do Equador foi muito valente quando deu asilo a Assange em sua embaixada de Londres. Foi algo muito elogiável. O que o Equador fez foi proteger os Direitos Humanos, não um jornalista ou um divulgador de documentos.

Eduardo Febbro
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
No Carta Maior
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