22 de out de 2013

As novas obras de Banksy que exploram o lado obscuro da sociedade

É provavelmente o mais admirado e polêmico artista de rua do mundo. Banksy, de identidade desconhecida, capaz de radicais críticas à sociedade, à política ou ao cotidiano, de um senso de humor inabalável, voltou este mês às ruas. Durante outubro, presenteou a Big Apple com várias obras novas que você vai conferir nesse post.

O artista se lançou em uma residência artística em Nova York que vai durar um mês, intitulada de Better Out Than In, na qual prometeu pintar regularmente as paredes da cidade durante o mês de Outubro de 2013. Veja alguns dos trabalhos que ele já espalhou por lá:

1) Jardim itinerante

Com direito a cachoeira, borboletas e arco-íris, Bansky criou um jardim dentro de um caminhão, que está percorrendo vários pontos de Nova York, numa reflexão que mostra que as cidades estão cada dia mais longe da natureza. Quem liga para o número 1-800-656-4271 e disca 3, pode ouvir um áudio-guia do jardim. O conteúdo está disponível também no site do artista.


2) Obras originais a preço de banana

Colecionadores de arte e turistas encontraram uma pechincha no fim de semana no Central Park, em Nova York, onde o famoso grafiteiro britânico Banksy montou uma banca para vender pinturas a 60 dólares – preço muito inferior do que suas obras costumam ser vendidas (algumas delas já chegaram aos 150 mil dólares). Resultado? Muitos dos trabalhos não foram vendidos e os que foram levaram as pessoas a pedir descontos.

O vídeo abaixo mostra tudo:

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3) Más notícias para o McDonald’s

Durante uma semana, na hora do almoço, uma pessoa ficará engraxando o sapato do Ronald, bem na porta de uma loja do McDonad’s.


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4) Novas pinturas pelas ruas

Além dessas intervenções urbanas, Bansky também espalhou várias novas pinturas pelas paredes nesse novo projeto. Confira:

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Para não perder os novos trabalhos desse artista único, não deixe de acompanhar o projeto no seu site.

No Hypeness
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O humor chapa branca de Danilo Gentili e assemelhados

Humor economicamente correto

Falei já aqui do que é jornalismo chapa branca: é escrever tudo aquilo que os donos das companhias de mídia querem que você escreva. Você ataca as pessoas e as ideias das quais os barões da mídia não gostam. E é altamente positivo para os favoritos dos empresários jornalísticos, como Joaquim Barbosa e José Serra.

Isto é o jornalismo chapa branca, na versão brasileira do novo milênio. Alguns jornalistas têm dificuldade extrema em reconhecer isso. Dias atrás, a jornalista Míriam Leitão disse que jamais escreveu ou disse qualquer coisa que não fosse ideia exclusivamente dela.

Temos então um caso raro: o de uma absoluta, torrencial, intransponível coincidência de ideias entre os donos da Globo e Míriam Leitão. Eles não devem discordar sequer sobre a escalação da seleção brasileira.

O fenômeno da “chapa-branca-que-não-parece-chapa-branca-mas-é” está presente também no humorismo brasileiro. Seus representantes se apresentam como “politicamente incorretos”, mas quem acredita nisso acredita em tudo.

Como os jornalistas chapa branca, os humoristas chapa branca investem contra pessoas que o chamado “1%” – cuja voz é precisamente a Globo – detesta.

Você já os viu fazer humor politicamente incorreto com a compulsão de sonegar da Globo, por exemplo? Não viu. E não verá. As boas relações com a “turma do dinheiro” são vitais para que os humoristas chapa branca ganhem convite para participar (ou até liderar) programas de rádio e tevê, e para que sejam incluídos em eventos empresários nos quais o cachê é uma beleza.

Um desses humoristas me chamou particularmente a atenção num vídeo que circulou pelo Twitter estes dias: Danilo Gentili.



No vídeo, sob olhares de Lobão e de Olavo Carvalho, Gentili conta uma história que, segundo ele, resume o Brasil: a dele mesmo.

Vou abreviar: ele diz que, por ter nascido num cortiço em Santo André, sabe que os pobres brasileiros detestam a “praga chamada PT”. Sua certeza se funda em bases científicas: os amigos pretéritos de cortiço. Os votos e as pesquisas, naturalmente, não são nada diante da amostragem de Gentili.

A “livre iniciativa” o salvou. Gentili se refere à “livre iniciada” como um fundamentalista evangélico fala da salvação pela “palavra” – a bíblia.

Pesquisei sobre Gentili depois de ver o vídeo. Vi que ele ficou furioso porque a Folha disse que a comédia Mato sem Cachorro, na qual ele trabalha, faz sucesso de bilheteria mesmo sem ter nenhum humorista famoso. Ele se considerou injustiçado, porque é “famoso”.

Vi também uma piada que ele fez quando Dilma era candidata. “Muita gente vai votar nela porque foi presa e torturada”, disse ele. “Eu não. Se ela foi presa e torturada é porque é idiota.” Isso é o que se chama de analfabetismo político num grau irremediável.

Nelson Rodrigues disse certa vez que se a televisão é de baixo nível é porque seu público também é, e o baixo nível de ambas as partes, por isso, fica justificado e mutuamente absolvido. Vale o mesmo para Gentili – e derivados — e sua plateia.

Aquele tipo de piada com Dilma é “politicamente incorreto”. Mas, na verdade, é “economicamente correto”, ou chapa branca. Você não brinca com os donos do poder econômico. Com eles, você é dócil como um poodle amestrado. Abana o rabinho a um estalo dos dedos.

Você granjeia fama como um “rebelde”, “iconoclasta” – sendo exatamente o oposto disso, um defensor sem graça e sem causa do establishment.

Paulo Nogueira
No DCM

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Estudante revela por que virou Black Bloc

"Estamos lutando por algo que ainda não sabemos o que é, mas que pode ser o início de algo muito grande que pode acontecer mais para frente", diz uma integrante Black Bloc


A estudante de 23 anos escolheu o nome fictício de Iuan para conversar com a reportagem da BBC Brasil pelo telefone. Após o primeiro contato pela página Black Bloc RJ no Facebook, a ativista ligou na hora marcada para a redação para dar a entrevista. Não queria divulgar seu número de telefone.

A jovem também se recusou a dar mais detalhes de sua vida e de sua participação no movimento. Só aceitou conversar com a garantia de total anonimato.

A estudante iniciou a entrevista ressaltando que não fala pelo movimento, reafirmando o caráter descentralizado e “sem lideranças” do Black Bloc.

Iuan se define como revolucionária, porém diz ser realista porque avalia que o Brasil ainda não oferece o cenário político e social favorável para uma revolução.

“Eu não diria que a revolução é uma realidade agora. Sabemos que revoluções de pensamento levaram dois séculos para acontecer. Mas posso dizer que isso pode ser o início de uma coisa muito grande daqui para frente”, diz.

A estudante conta ter um “histórico de manifestações”. Em junho, quando o país foi sacudido por uma onda de protestos, ela foi às ruas com o rosto pintado de verde-amarelo. “Aí, um dia, olhei para mim, me vi com verde e amarelo no rosto e pensei: por que eu estou assim, já que eu não tenho orgulho disso? Aí eu pensei: preto combina muito mais”, conta a jovem.

Proteção

Para Iuan, as cores da bandeira nacional, que já haviam sido usadas como propaganda da “ditadura” não estavam à altura de seu nível de indignação.

“Eu não conhecia o movimento Black Bloc antes. Aí você começa a ir para a rua, começa a conhecer melhor e perceber que aquilo (o movimento) te representa muito mais.”

“Principalmente uma pessoa como eu que já tem algum tipo de luta social e não conseguia se enquadrar em lugar nenhum. Eu vi isso (representatividade) no Black Bloc”, acrescenta.

Ela identifica os black blocs com “uma tática de manifestação cujo objetivo é proteger os manifestantes da repressão policial”, mas admite que, muitas vezes, os ativistas acabam sozinhos “porque as pessoas ficam com medo, saem”.

Questionada sobre se não é contraditório falar em proteger o manifestante quando algumas práticas do grupo acabam gerando reação ainda mais agressiva da polícia, ela menciona a retirada violenta de professores que haviam ocupado o plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro há duas semanas.

“Eles foram expulsos com muita truculência pela polícia, e a atuação dos Black Blocs no dia seguinte deu mais visibilidade ao movimento dos professores”, respondeu, sem entrar em detalhes sobre como, de fato, ocorre a proteção dos manifestantes.

“Tinha gente saindo do trabalho, e todo mundo estava sendo duramente reprimido, com bombas de gás. E as pessoas estavam resistindo. Isso foi importante”, diz, argumentando que a “resistência” só foi possível porque as pessoas se sentiram protegidas pelos Black Blocs que estavam na rua naquele dia “para desafiar a polícia”.

Violência

Além de capuzes pretos e panos cobrindo os rostos, as imagens de quebradeira em agências bancárias e pontos de ônibus tornaram-se outra marca dos Black Blocs.

“Quebrar os bancos é uma revolta contra o sistema bancário”, justifica. “Quanto a quebrar orelhão e lixeiras, isso é parte da tática, para evitar o avanço da polícia, é para fazer uma barricada mesmo”, diz a manifestante.

Iuan enumera vários motivos que a levaram optar pela tática Black Bloc, entre os quais uma reflexão sobre a má qualidade dos serviços públicos de transporte e saúde e a concentração de renda no país.

Não seria então contraditório defender serviços públicos de qualidade enquanto orelhões e lixeiras são quebrados, onerando o Estado, que terá de pagar para repô-los?

Ao responder a pergunta, Iuan cita “os juros abusivos pagos pela União” na rolagem da dívida pública do país. “Uma lixeira ou orelhão não é nada frente a tudo o que a gente paga, os grandes tributos, a falta de serviços públicos”, afirma. “Isso destrói sonhos.”

Os Black Blocs dividem opiniões na sociedade, sendo classificados como anarquistas por alguns e como vândalos e baderneiros por parte da opinião pública e por autoridades. Muitos criticam suas ações, enquanto outros defendem o movimento.

Após o desfecho violento da manifestação dos professores há uma semana, que acabou com bancos e prédios públicos depredados no Rio e em São Paulo, alguns dos trabalhadores em greve chegaram a agradecer os Black Blocs pela presença no protesto.

Apesar de querer atrair a simpatia da opinião pública para a estratégia de protesto, a ativista Black Bloc diz que as pessoas “não precisam quebrar nada”. “Espero que entendam que estamos fazendo isso por todo mundo”, diz a jovem. “É uma luta pela humanidade.”

Representação política

Iuan conta que votou em todas as eleições, mas que ainda não sabe se vai escolher algum representante no próximo ano, em “uma urna eletrônica em que não confia”, como faz questão de ressaltar.

A estudante critica o mau preparo dos candidatos e as ações do governo. Ela fala da necessidade de distribuir melhor a renda, mas diz que não é de todo contra a existência do Estado.

Questionada se não estaria sendo mais reformista do que anarquista, ao reconhecer algum valor no Estado, a jovem contornou a pergunta e respondeu que tem de ser realista.

Mas Iuan diz que descarta a possibilidade de se candidatar a um cargo político no futuro porque não concorda com o atual sistema de arranjo do Estado e, como outros Black Blocs, não quer representação política.
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Obrigado José Chirico, PSDB, PPS, DEMos!

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Para voltar à mídia, Aécio Neves adota 12 beagles

Abandonados no Instituto Royal, os camundongos resolveram criar os Rat Blocs
POSTO 12 - Escanteado do debate sucessório depois da polarização entre Dilma Rousseff e Marina Silva, Aécio Neves resolveu adotar 12 beagles resgatados do Instituto Royal. "Um partido que tem um tucano como símbolo é o verdadeiro defensor dos povos das florestas e dos bichos fofinhos", explicou Aécio, com um dos animaizinhos no colo, assegurando-se de que todos os beagles que levou para casa são fêmeas.

"Aécio é um homem carinhoso, sabe cuidar de todos os seres vivos sem a hipocrisia assistencialista. Suas cadelas serão independentes e terão a liberdade de ir e vir sem a coleira do Estado", explicou o marqueteiro Renato Pereira. A atitude foi elogiada por Fernando Henrique Cardoso e enaltecida por Geraldo Alckmin. A assessoria de José Serra informou que ele ainda não sabe se gosta de beagles. "É um tipo de cachorro?", perguntou a assessores.

Emocionado com a coragem do tucano, Romualdo Azeverde sugeriu uma solução para que as pesquisas científicas não fiquem sem cobaias. "Testem os remédios nos petralhas", escreveu, em negrito. "Usemos as antas", sugeriu o ex-colunista Diego Maionese, depois de longa hibernação.

No final da tarde, Dilma espirrou e Marina se negou a dizer "saúde". A recusa de Marina foi manchete em todos os jornais do país, com destaque para a falta de educação da presidenta, que não colocou a mão na frente do nariz e colocou a adversária em risco.

No The i-Piauí Herald
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Quem perdeu no Pré-Sal


Os críticos do pré-Sal saíram do leilão em posição difícil.

Ao contrário do que sustentaram nas últimas semanas, duas empresas privadas de porte – a Shell e a Total – assumiram um papel relevante no consórcio, equivalente a 40 % de participação.

Para quem garantia que o leilão seria um fracasso porque só seria capaz de despertar o interesse de duas estatais chinesas, dado que por si só deveria ser visto como um desastre inesquecível, o resultado é um saldo humilhante.

A participação somada de duas estatais de Pequim, que dirige a economia que mais cresce no planeta, equivale a parcela assumida por apenas uma das multinacionais europeias.

Para quem avalia o sucesso e o fracasso de qualquer negócio pelo critério ideológico do privatômetro, o saldo é deprimente.

De cada 100 dólares extraídos do pré-Sal, a União irá receber, por caminhos diversos, um pouco mais do que 75%. É o caso de perguntar: os críticos estavam infelizes por que acham pouco? Ou acham que é muito?

Você decide.

O mesmo se pode dizer da crítica ao método de partilha do Pré-Sal. Não faltaram observadores para dizer que ele se mostrou pouco adequado em relação a leilões convencionais. Como a partilha foi criada pelo governo Lula e aprovada pelo Congresso, podemos imaginar aonde se quer chegar. O argumento contra a partilha é que nas outras vezes, apareciam mais empresas interessadas.

Mas, lembrando que não há petróleo grátis é sempre bom questionar. Havia mais concorrentes porque se oferecia um bom negócio para o país ou porque se oferecia o ouro negro na bacia das almas?

Será que a lei da oferta e da procura só funciona para provar as teses que nos agradam?

Claro que é possível ouvir um murmúrio clássico, aquele que consiste em falar que “poderia ter sido melhor”.

O problema é que essa é uma expressão faz-tudo, que se podemos empregar para falar do restaurante em que fomos ontem, do serviço da TV a cabo, e também para a cobertura da mídia no pré-Sal, não é mesmo?

Na prática, o saldo do leilão confirmou duas coisas. De um lado, o imenso desconhecimento de supostos especialistas sobre o mais volumoso investimento da história do país.

De outro lado, o episódio demonstrou uma opção preferencial por subordinar uma análise objetiva da realidade a interesses políticos.

Esta opção ajuda a entender a cobertura levemente simpática aos protestos realizados contra o leilão. Valia tudo para atrapalhar, até pedir ajuda a filhos e netos de manifestantes que, em 1997, quando ocorreu a privatização da Vale do Rio Doce, foram tratados como uma combinação de criminosos comuns e esquerdistas ressentidos.

Por mais que o debate sobre os rumos da exploração do petróleo tenham toda razão de ser, e não possa ser realizado de forma dogmática nem simplória, essa postura amigável de quem sempre jogou na força bruta não deixa de ser sintomática.

Não era a privatização da Petrobras que estava em jogo, embora sempre se procure confundir as coisas, num esforço para contaminar o debate político possível de nosso tempo com um certo grau de cinismo universal.

Promovido na pior crise da história do capitalismo depois de 1929, o que se pretendia no leilão era reunir meios e recursos para permitir a economia respirar, numa conjuntura internacional especialmente adversa. Quem conhece a história das crises do século XX sabe que há momentos que inspiram mudanças de rumo e orientação que não fazem parte dos manuais e cartilhas.

Com todas as distancias e mediações, pergunto se não seria o caso de pensar na NEP iniciada por Lenin, na Russia, procurando atrair investimentos externos de qualquer maneira?

Realizado um ano antes da eleição presidencial de 2014, o leilão de Libra foi uma batalha política.

Partidários de uma abertura paraguaia aos investimentos externos, típica de países que não possuem base industrial nem um patrimônio tecnológico em determinadas áreas, tudo o que se queria era condenar o governo Dilma por “afugentar investidores,” o que ajudaria a sustentar um argumento eleitoral sobre o crescimento de 2,5% ao ano – número que ainda assim está longe de ser uma barbaridade na paisagem universal, vamos combinar.

Em tom pessimista, poucas horas antes da batida de martelo, um comentarista deixou claro, na TV, que seria preciso esperar uma vitória da oposição, em 2014, para o país corrigir os problemas que tinham gerado um fracasso tão previsível.

O saldo foi oposto. Os investimentos vieram, em larga medida serão privados, como a oposição fazia questão. Estes recursos irão gerar empregos, encomendas gigantescas em equipamentos e, com certeza, estimular crescimento e a criação de postos de trabalho.

Medido pelos próprios critérios que a oposição havia formulado quando passou a divulgar a profecia de fracasso, o leilão foi um sucesso.

A derrota foi política.

Paulo Moreira leite
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Dilma: quem quer mudar a regra do petróleo, que mostre a cara. Assista


A conversa fiada de que são precisos “ajustes” no modelo de partilha do pré-sal, que o pessoal saudoso das concessões de Fernando Henrique anda soprando por aí levou, hoje, o devido “chega pra lá” da presidenta Dilma Rousseff.

- Eu não vejo onde este modelo precisa de ajustes. Sabe por que? Porque aqueles que são contra o conteúdo local querem transferir a receita do petróleo de uma outra forma.(…) Todas as empresas do mundo que quiserem vir para cá podem participar. (…) Não tem porque modificar conteúdo nacional, não tem porque modificar o papel da PPSA, que controla o custo do óleo, não tem porque tirar os 30% da Petrobras.

Dilma desafiou os que querem mudar isso a “mostrar suas faces e defenderem isso”.Ela ironizou as “fontes do Palácio do Planalto” a que se atribuem essas intenções. “Eu fico intrigada. Eu acordo de manhã, me olho no espelho e pergunto a mim mesma quem será essa fonte do Planalto? É uma coisa que me intriga… Eu pergunto para meus botões, mas meus botões são muito ignorantes, não conseguem me responder”, brincou a Presidente.

“O governo está satisfeito com o resultado do leilão, acha o consórcio sólido, está satisfeito com o que lhe cabe da receita e está satisfeito com a destinação dessa riqueza (…) vamos transformar o petróleo em educação, saúde e em desenvolvimento da indústria”, disse.

Tem “fonte do Planalto” suando frio hoje.

Veja a entrevista, abaixo.

PS. Na entrevista, Dilma esclarece os 85% dos quais falou e mostra que não há contradição com o que postamos aqui: 75% para a União,  como se disse aqui, e 10% para a Petrobras.


Fernando Brito
No Tijolaço
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Lei institui dia do Ovo em São Paulo, falta o da banana…

Não é piada, embora pareça.

É com grande júbilo e regozijo que lhes informo que foi sancionada a Lei que institui o dia Estadual do OVO em São Paulo!

Se nos Estados Unidos existe tal data, por que aqui seria diferente? Afinal de contas, somos macacos rsrs…  Atentem para os artigos vetados. Outra piada pronta.

Falando em macacos, por que não instituirmos o dia da Banana? Poderia ser uma data que coincidisse com as eleições, e, por tabela, ofereceríamos tal fruta a certos políticos, que perdem seu precioso tempo com projetos de lei inúteis e idiotas…

Marat
No Viomundo
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O leilão de Libra


Com a vitória do consórcio liderado pela Petrobras, o leilão do campo de Libra terminou com um resultado positivo. Além da assinatura de 15 bilhões, a União e a Petrobrás terão 65% do lucro-óleo, calculado após custos e impostos (41,65% de remuneração direta ao Estado somados aos 40% da participação da Petrobrás sobre os 58,35% restantes). Soma-se a esse montante devido os tributos a serem arrecadados, mais a remuneração da Petrobras como operadora única e obrigatória, conforme determina o regime de partilha. Está abaixo do teto em regimes de partilha (na Venezuela, o lucro-óleo retido pela PDVSA é de 82%), mas não se pode negligenciar a conquista gigantesca que esse modelo representa se o compararmos com o modelo de concessão.

Alguns setores falam em "privatização" e "entreguismo", mas precisam mostrar algo mais para suas palavras serem levadas a sério. Além da apropriação amplamente majoritária, pelo Estado e sua empresa petroleira, do lucro proveniente do campo de Libra, o comitê operacional (que decide todas as questões financeiras, comerciais e logísticas do consórcio) terá 50% de seus votos controlados pela PPSA (a estatal do pré-sal), 15% pela própria Petrobras e 35% divididos pelas empresas do consórcio (incluindo a companhia brasileira, que deterá 7% desses 35% de cadeiras no conselho).

Não há outro caminho para a exploração do pré-sal que não associações sob o comando do Estado e da Petrobras, pois a estatal não possui os recursos totais necessários para os enormes investimentos previstos. Quem defende o adiamento da exploração, até que esses recursos se acumulem ou suba fortemente o preço do barril, comporta-se com alma de financista. O Brasil não pode esperar, há problemas sociais urgentes a serem enfrentados, cuja resolução é fundamental e imediata para a expansão dos serviços públicos e dos direitos populares.

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Quem está certo e quem está errado? Errado está o “tripé” que virou santo


Dois jornais, do mesmo grupo empresarial, produzem este contraste que você vê aí em cima.

São um retrato da esquizofrenia de um modelo que nos exige arrecadar muito, gastar pouco, prestar parcos serviços públicos e transferir recursos para a “turma da bufunfa” financeira.

A arrecadação de impostos é recorde para o mês, mesmo com as desonerações tributárias que o governo concedeu a vários setores da indústria.

Sinal de uma economia em aquecimento e por isso o Valor dá importância à informação.

Já a Folha, claro, prefere o bom e velho catastrofismo, na versão “tripé” que virou moda.

Destaca a queda no superávit fiscal, que é a sobra que as omissões e precariedades do Estado brasileiro tem, a fim de que se reúna dinheiro para pagarmos os “adoráveis” juros altos que os jornais sempre se comprazem em anunciar.

Curioso é que, embora vociferem todo o tempo contra o custo Brasil, jamais desejam que se possa reduzir a carga tributária se isso for tirar dinheiro dos rentistas.

A santíssima trindade do “tripé”, que virou dogma do qual ninguém pode duvidar, sob pena de tornar-se maldito.

E o pior é que os “fundamentalistas” do neoliberalismo, ao qual é evidente que Marina Silva aderiu, ainda querem mais arrocho.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Em 35 anos, pré-sal vai nos deixar a todos mais ricos?


Rio de Janeiro, 21 de outubro de 2013.

Se as contas da presidente Dilma Rousseff estiverem todas certas, o tesouro do pré-sal leiloado nesta segunda-feira vai render "o fabuloso montante de mais de R$ 1 trilhão. Repito: mais de 1 trilhão!" ao país, nos 35 anos de exploração do campo de Libra, como ela anunciou solenemente em cadeia nacional de rádio e televisão logo após a assinatura dos contratos.

Tenho algumas dúvidas se a presidente e eu, que temos a mesma idade, vamos viver até lá, para conferirmos o acerto ou não das suas previsões. Afinal, em 2048, estaremos (ou estaríamos...) completando exatamente 100 anos de idade.

Como a expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando ano a ano, quem sabe?

Seja como for, apesar da onda de pessimismo que assola o país, estimulada por sábios da economia e magos das finanças, a maioria deles ex-colaboradores ou admiradores midiáticos do governo de Fernando Henrique Cardoso, que nem são tantos, mas fazem um barulho danado, como os torcedores da Portuguesa, apesar deles, como eu ia dizendo, o leilão do pré-sal só nos dá motivos de otimismo e esperança de vivermos num país melhor sem termos que sair do Brasil.

Basta ver quem foi contra o leilão, para se ter certeza de que o governo acertou no formato de partilha adotado pela primeira vez na exploração de petróleo no país. Além da Petrobras, quatro das maiores petroleiras do mundo, a Shell, a Total e duas estatais chinesas, se uniram para formar um superconsórcio que renderá ao Brasil 85% de toda a renda produzida por Libra.

Após o anúncio do resultado do leilão, as ações da Petrobras dispararam na Bolsa de Valores, mostrando que o mercado - o sagrado mercado! - ficou contente, mesmo com o ágio mínimo a ser pago pelo único consórcio que apresentou proposta.

Só restou ao principal líder da oposição, o tucano Aécio Neves, criticar o leilão por ter sido "tardio e envergonhado", e reclamar que a presidente Dilma utilizou mais uma vez a rede nacional de rádio e televisão para falar de ações do seu governo. Queria o quê? Que ela agradecesse a valiosa contribuição dada pela oposição e pela mídia amiga?

Dilma ainda aproveitou para lembrar que irão para a Educação 75% dos royalties e do excedente de óleo de Libra. Os outros 25% serão investidos em Saúde. Os primeiros barris de Libra ainda vão levar cinco anos para saírem do fundo do mar, mas os ganhos para o país, nas mais diferentes áreas da economia, serão imediatos, com a geração de milhares de empregos e as encomendas para a indústria nacional de 12 a 18 megaplataformas, barcos, gasodutos e demais linhas de produção ligadas à área do petróleo.

Feliz com o desfecho pacífico da história, apesar de alguns corre-corres e arranca-rabos entre manifestantes e policiais diante do hotel na Barra da Tijuca onde foi promovido o leilão, Dilma encerrou seu pronunciamento de dez minutos na TV, lembrando que "a batida do martelo foi também a batida à porta de um grande futuro que se abre para nós, nossos filhos e nossos netos".

Para quem ainda é jovem e tem um pouco de paciência, o que aconteceu ontem pode mesmo ser um divisor de águas na nossa história, o início de um novo tempo no "país do futuro", que finalmente chegou. Não basta o petróleo ser nosso: era preciso ter coragem para captar os recursos necessários, aqui dentro e lá fora, estatais ou privados, para tirar o tesouro das profundezas do mar e colocá-lo a serviço de uma vida melhor para todos os brasileiros.

E o caro leitor do Balaio, o que achou de tudo isso? Mande sua opinião porque, como escrevi na coluna de ontem, não quero ser o dono da verdade.

A sorte está lançada. Na sua opinião, nós ganhamos ou perdemos?

Ricardo Kotscho
No Balaio
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Charlatão desde... Faz tempo.

No baú de Luis Skora
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Top 10 de los mejores presidentes del Mundo.

Evaluación de Mandatarios (Oct/13)


Consulta Motofsky (do México) llevo a cabo una consulta por segunda vez este año, y que la realiza desde hace varios años, donde refleja el estado de aprobación de los ciudadanos de cada país a 19 mandatarios más altos de América y 10 más altos de Europa, Asia y Australia. (Veja aqui o relatório completo.)

El presidente de República Dominicana después de un año de estar en el cargo se colocó en primera posición del ranking de Motofsky de Mandatarios de América y del Mundo, con el 88% de aprobación. En segundo lugar se colocó el Presidente de Ecuador, Rafael Correa con 84%, donde se dice que baja 6 puntos porcentuales que la evaluación realizada en febrero pasado, por lo que es desplazado de la primera posición del Ranking.

En el Tercer lugar se encuentra ahora Ricardo Martinelli con 69% de aprobación. Dándole los ciudadanos una aprobación que concuerda con la forma en que conduce el país canalero. El Comandante Daniel Ortega Saavedra de Nicaragua lo aprueba la población con un 66%, después de que la mayoría de la población ha observado el impacto económico del país hasta ahora el mejor de América Central. Colocando a su país en el Segundo país mas avanzado en energía renovable en América Latina y en el país mas seguro de la región. Le siguen en esta posición Mauricio Funes Presidente de El Salvador con 64%, y luego Evo Morales de Bolivia con el 59%. Enrique Peña Nieto de México al ser aprobado por 56% de los ciudadanos pasa a la séptima a la séptima posición.

Hay que destacar la presencia de Nicolás Maduro que se incluye por primera vez en este ranking cuatro meses después de tomar posesión como presidente de Venezuela y con 48% de aprobación. Tomando en cuenta que fue elegido en sustitución del Comandante Hugo Chávez Frías, configurando un buen liderazgo en la republica de Venezuela.

Podemos decir que el presidente Barack Obama de Estados Unidos solo consiguió un 44% de aprobación por parte de sus gobernados, aprobación similar a la que obtenía en marzo de 2011, su menor nivel pero sobre todo desgastado por la presión que ejerce los republicanos quienes no aprueban la reforma sanitaria en beneficio de los pobres de Estados Unidos.

Centro América coloca a 4 presidentes entre las primeras 7 posiciones, America del Sur 2 y la parte de Norte América solo coloca 1, que en este caso es México.

La peor parada es la presidente de Costa Rica, quién después de verse su gobierno envuelto en escándalos de corrupción por lo que la población de Costa Rica penaliza y esta por verse que pase factura al partido a la que ella pertenece.

No Consulta Mitofsky
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Presidenta Dilma pede desculpas a médico cubano hostilizado ao chegar ao Brasil

Juan Delgado recebeu da presidenta Dilma, nesta terça, a autorização expedida pelo Ministério da Saúde para iniciar o trabalho no Mais Médicos
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Ao sancionar nesta terça-feira (22), no Palácio do Planalto, a lei que institui o Mais Médicos, a presidenta Dilma Rousseff fez uma homenagem aos profissionais estrangeiros que integram o programa. Durante o discurso, a presidenta pediu desculpas, em nome do governo brasileiro, ao médico cubano Juan Delgado, que foi hostilizado ao desembarcar no aeroporto de Fortaleza em agosto deste ano. Dilma Rousseff também fez uma saudação especial aos médicos brasileiros, que segundo ela, “representam uma parte generosa e competente do nosso país”.
“Quero cumprimentar o Juan não apenas pelo fato dele ter sofrido um imenso constrangimento quando chegou, e por isso, do ponto de vista pessoal e do governo, peço nossas desculpas a ele (…) Queria cumprimentar cada um dos médicos, eles representam muito bem a grande nação latino-americana. Por isso, quando nós olhamos é como se nós víssemos os brasileiros representados em cada um deles, como vejo todos os latinos, argentinos, salvadorenhos, cubanos, venezuelanos, equatorianos (…) A todos vocês, o centro desse programa Mais Médicos, médicos de outras partes do mundo, queria dizer uma palavra simples: muito obrigada”, disse.

46 milhões de brasileiros serão atendidos pelo Mais Médicos até abril de 2014


Presidenta destacou importância do Mais Médicos para estruturar atendimento do SUS
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff sancionou, nesta terça-feira (22), a lei que institui o programa Mais Médicos. Segundo Dilma, até abril de 2014 serão 13 mil profissionais atuando pelo programa e cobrindo uma população de 46 milhões de brasileiros. Ela agradeceu aos médicos formados no país e aos que vieram de outros países, “ajudando, apoiando e demonstrando imenso carinho”.
“Até abril de 2014, pretendemos ter em torno de 13 mil médicos participando do programa. Com isso, nós chegaremos a garantir cerca de 46 milhões de brasileiros e brasileiras com atendimento médico de qualidade nos municípios do Brasil afora. Talvez, essa participação de vocês seja a mais perfeita, a mais completa, não só forma de integração da América Latina e outros países, mas também atestado de cidadania brasileira. Muito obrigada”, afirmou.
Segundo a presidenta, o programa, além de tratar da questão da desigualdade no acesso aos serviços de saúde, ainda estrutura o Sistema Único de Saúde, classificado por Dilma como uma grande conquista brasileira. Para ela, a aprovação do Mais Médicos pelo Congresso Nacional reconhece a importância do SUS, dando mais força ao sistema e funcionando como uma coluna vertebral de sustentação.
“Mais médicos nos postos de saúde e na atenção básica vai significar sempre menos doença, e é essa a equação básica fundamental. O Mais Médicos veio efetivamente para mudar esse quadro de distribuição do acesso ao médico. (…) Mas também estamos ampliando a infraestrutura, e tudo isso está sendo feito em parceria com os municípios. Essa estrutura na qual investimos quase R$ 13 bilhões”, completou.


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O que nem Dilma e nem Marina estão dizendo

O petróleo é bom, mas não é suficiente para uma sociedade justa como a falada por Dilma
O petróleo é bom, mas não é suficiente para uma
sociedade justa como a falada por Dilma

Dilma e Marina, os dois principais nomes para 2014, estão falando da questão da desigualdade social – o maior desafio do país e do mundo — sem tocar no ponto central dela.

O ponto: você não faz nada de realmente expressivo contra a iniquidade se não cobrar mais impostos dos mais ricos. Poucas semanas atrás, o Nobel da Economia Robert Schiller disse exatamente isso.

Schiller disse temer que o mundo fique ainda mais desigual, e exortou os governos a taxar mais os ricos. Não por gostar dos ricos, ele disse, mas para que as coisas não fiquem ainda mais malucas.

No Brasil, não se trata nem de fazer os ricos pagarem mais impostos. Estamos um passo atrás. Trata-se de fazê-los pagar impostos. O caso de sonegação comprovada da Globo na compra dos direitos da Copa de 2002 é exemplar. Passados meses desde que documentação denunciadora apareceu num vazamento de alguém da Receita, nada aconteceu.

Repito: nada. Absolutamente nada. Nem a Globo pagou – em dinheiro de hoje, a dívida é calculada em 1 bilhão de reais – e nem, ao que se saiba, o poder público se movimentou para cobrar e punir.

Na Europa e nos Estados Unidos, há um empenho dos governos em fechar o cerco a práticas das grandes corporações catalogadas como “legais mas imorais”, a maior das quais é criar subsidiárias em paraísos fiscais com o único objetivo de não pagar o imposto devido.

É o que no Brasil se chama, eufemisticamente, de “planejamento fiscal”.

Empresas como Google, Amazon, Microsoft e Starbucks estão sofrendo um forte cerco fiscal nos Estados Unidos e na Europa. Vários governos têm divulgado o quanto faturam e quanto pagam de imposto. São taxas fiscais irrisórias, na faixa de 5%, ou às vezes até menos.

Na Inglaterra, até escritórios especializados em oferecer “planejamento fiscal” a grandes empresas estão sendo investigados e, não raro, caçados.

Fora tudo, o uso de paraísos fiscais gera uma enorme desigualdade. Os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres. Para manter as contas em ordem, os governos avançam sobre pensionistas, viúvas etc – a parte mais fraca. E a história contemporânea mostrou que os mais fracos cansaram de ser espremidos, e foram para as ruas protestar.

Na sociedade mais avançada do mundo, a escandinava, a fórmula do sucesso é exatamente cobrar mais impostos dos ricos.

No Brasil, é um tema proibido. A direita não fala nada, por razões óbvias: é beneficiária da desigualdade. E a esquerda tem medo do poder da plutocracia. Quem perde, com isso, é a sociedade.

Veja Dilma e Marina, por exemplo. Dilma afirmou que o leilão de Libra vai contribuir poderosamente para a construção de uma sociedade “mais justa e com melhor distribuição de renda”. A intenção é boa, mas sem cobrar mais imposto dos ricos nem 100 Libras vão resolver a tragédia da iniquidade nacional.

Marina, no Roda Viva, foi sabatinada sobre sua visão tributária por Maria Christina Pinheiro, do Valor.

A maior alíquota no Brasil é de 27,5%, disse Maria Christina. (Na Escandinávia, é cerca de 50%.) Marina pensa em mudar isso?

Loquaz o tempo todo, a ponto de ignorar as tentativas frustradas do mediador do programa de abreviar as respostas, Marina desconversou e logo mudou de assunto.

Enquanto os políticos brasileiros não enfrentarem a verdade – o Brasil é uma espécie de paraíso fiscal para quem pode mais, e isso tem que mudar urgentemente – falar em sociedade justa vai ser pouco mais que uma questão retórica.

Paulo Nogueira
No DCM
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O que o leilão de Libra foi e o que ele não foi


O crítico tem razões que o próprio autor desconhece. Vale para o leilão de Libra.

O que o leilão foi:

1. Foi uma operação financeira. Tinha-se pressa para começar a exploração e a Petrobras não poderia arcar com mais endividamento para os investimentos necessários.

2. Foi uma operação fiscal, que permite ao governo melhorar as contas públicas este ano, à custa da venda de uma fatia do maior campo de petroleo descoberto no país.

Foram essas as razões objetivas. O restante, é ilação sem fundamento:

O que o leilão não foi:

1. Não empenhou a riqueza do subsolo para os estrangeiros. A União mantém controle quase total sobre o destino da produção.

2. Não mudou a geopolítica do petróleo. A associação das europeias e chinesas com a Petrobras foi puramente financeira. Não implica em nenhum desenvolvimento conjunto de tecnologia. E é essencial que seja assim, pois quem domina a tecnologia de águas profundas é apenas a Petrobras.

3. Não mudou a geopolítica nacional, para aproximação maior com a China.

4. Não tornou o Brasil colônia da China, conforme o inacreditável José Serra anunciou.

5. Também não assegurou o sucesso de outros leilões pelo sistema de partilha. Libra era a cereja do bolo, com baixíssimo risco prospectório e não houve competição. Serviu para calar a boca dos que diziam ser o modelo inviável; mas não garantiu a viabilidade dos próximos leilões.

6. Não foi privatização. A União mantém controle total sobre a produção. No máximo pode ser encarado como um desconto de recebíveis - a extração futura de petróleo. E a discussão é se foi barato ou se foi caro.

Luis Nassif
No GGN
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Chomsky: “Se está produciendo un cambio histórico en América Latina”

Noam Chomsky
En una entrevista con un diario estadounidense, el profesor Noam Chomsky declaró que se está produciendo “un cambio histórico en América Latina”, la cual se “ha liberado a sí misma” de EE.UU., cuyo poder está en pleno proceso de declive.

“En los últimos años, por primera vez en su historia, América Latina se ha liberado sustancialmente a sí misma de la influencia extranjera. [..] Por ejemplo, no queda una sola base militar de EE.UU. en América Latina”, lo que indica, entre otras razones, un “cambio histórico” en la región, según recoge el diario estadounidense ‘The Washington Times’. El escritor explica que durante todo el período durante el que Latinoamérica estuvo bajo la dominación de EE.UU., “la estructura típica que ha guiado América Latina ha sido una pequeña élite europeizada, a menudo blanca, enormemente rica, y orientada hacia el Oeste, no hacia su propio país”.

Los países de América Latina también “se están moviendo hacia un tipo de integración”, añade. Para Chomsky, en el pasado, bajo el dominio exterior, los países de la región estaban bastante alejados entre sí. “Las interacciones de las pequeñas élites que les gobernaban eran con Occidente, y no con otros países de América Latina. Eso está cambiando”, insiste el profesor.

EL DECLIVE DE ESTADOS UNIDOS

En su opinión, con la “liberación” de América Latina y la primavera árabe, que ha “barrido Oriente Medio”, muchos han especulado que estamos ante el principio del fin del imperio americano. Sin embargo Chomsky señala que más que al fin, “estamos asistiendo al declive del poder estadounidense”.

Para Chomsky, el poder de EE.UU. sigue siendo abrumador pues continúa siendo “una fuerza aterradora muy intimidante en los asuntos internacionales”, pero [su poder] está disminuyendo”, aclara.El profesor estadounidense continuó exponiendo que tal disminución era de esperar, dada la historia del ascenso de EE.UU. a su condición de superpotencia: ”El poder estadounidense llegó a su cima en 1945, el fin de la II Guerra Mundial [...]. La guerra fue muy beneficiosa para la economía estadounidense”, llegando a poseer tras la contienda el 50% de toda la riqueza del mundo.

Sin embargo, desde los años 1970, cuando el mundo se volvió tripolar (con tres grandes centros de poder: EE.UU., Europa y Japón), tuvo que compartir su poderío económico descendiendo esta hasta el 25% de la riqueza del mundo. Y “ese proceso continúa en descenso desde entonces”, asevera el profesor.Chomsky, de 84 años de edad, ha sido citado más veces que Platón o que el fundador del psicoanálisis, Sigmund Freud. En las encuestas de opinión, es a menudo considerado uno de los principales intelectuales públicos del mundo, a pesar de estar en gran medida ausente de los medios de comunicación.

No CubaDebate
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País de primeira, não pode ter emprego de terceira


Em artigo sobre o marco regulatório da terceirização, Vicentinho reafirma luta por empregos mais dignos e legislação moderna e desmascara os coronéis da política.

Emprego de Terceira


Está em discussão na Câmara dos Deputados o marco regulatório da terceirização. As bancadas do PT e do PC do B e outros parlamentares compromissados com os direitos dos trabalhadores e as Centrais Sindicais, em especial a CUT, são contra o PL 4330/04. Isto porque lutamos por melhores condições de trabalho e renda, emprego decente, desenvolvimento sustentável com justiça social e distribuição de renda.

Defendemos uma proposta que assegure aos trabalhadores terceirizados condições diferentes das que vivem hoje. Entendemos ser possível produzir uma legislação que venha aperfeiçoar as relações de trabalho. Infelizmente, o PL 4330/04 não assegura isso. Esse projeto legaliza a interposição fraudulenta da mão de obra, reduz salários e benefícios, coíbe a representação sindical, entre outros pontos muito negativos.

O fenômeno é moderno, mas o projeto não. Impossível aceitar as condições ali impostas , pois a atualidade requer mais dignidade para a classe trabalhadora e os terceirizados não vivem isso e nem terão contemplados os seus interesses por parte dos que defendem esse projeto de lei.

Aliás, tentam desqualificar seus oponentes, empobrecendo o debate. Quem não tem razão ou argumentos tenta atingir a honra dos que são contrários às suas propostas. O primeiro passo é acusar o opositor de oportunismo. O segundo, dizer que tem as melhores intenções do mundo.

É assim que agem os “modernos” coronéis da política brasileira. Eles trocaram os ternos de linho branco por ternos escuros, de grife. Não são mais chamados de doutor e sim, excelência. Saíram das fazendas, usinas, empresas e ocuparam cadeiras no Congresso Nacional. Mas, no trato com a classe trabalhadora, nada mudou. Querem operários servis, desinformados e obedientes que ignorem direitos e digam sempre: “amém!”

As tentativas de parte do empresariado brasileiro de aprovar a qualquer custo o Projeto de Lei 4330/2004, de autoria do também empresário e deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), é uma prova do que estou dizendo.

Os defensores do projeto não hesitam em distorcer argumentos. Dizem que o objetivo do PL é gerar mais empregos e melhorar a vida dos trabalhadores. E, para desqualificar os representantes da nossa classe que lutam contra a perda de direitos, dizem que as centrais sindicais, em especial a CUT, estão preocupadas apenas com os recursos do Imposto Sindical.

Falam em competitividade, segurança jurídica e outros argumentos, para esconder o objetivo óbvio que é o de aumentar as margens de lucro a qualquer custo, inclusive, comprometendo a saúde e a vida dos trabalhadores.

De acordo com um estudo de 2011 do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o trabalhador terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada de três horas a mais semanalmente e ganha 27% a menos. A cada 10 acidentes de trabalho, oito ocorrem entre terceirizados.

Caso seja aprovado como está, o PL ampliará ainda mais as condições precárias de trabalho e colocará em risco todos os contratados com carteira assinada, já que permitirá a terceirização sem limites, em qualquer setor da empresa.

Dizem que a CUT é contra o PL 4330 porque tem medo de perder arrecadação e poder.

Nada mais falso. A CUT, maior central sindical do país, é a única que luta contra o imposto sindical, contribuição compulsória que contribui para a criação de sindicatos fantasmas, de gaveta. Desde a criação da central, há 30 anos, a CUT tenta acabar com esse imposto.E sempre se preparou, com organização e ação sindical forte, para isso. Tanto é que organizamos a maioria das entidades do setor público e rural e esse setor não têm imposto sindical.

Só para constar, a CUT tem 3.806 entidades filiadas, 7.847.077 sócios e representa 23.981.044 trabalhadores em todo o País. Os trabalhadores financiam os seus sindicatos da forma como eles mesmos deliberam. Para a CUT, quem deve decidir sobre a existência ou não do sindicato e sua forma de financiamento são os trabalhadores e não o Ministério do Trabalho e Emprego.

Queremos um Brasil justo e para todos, com oportunidades e direitos iguais. Situações essas que o PL 4330/04 nunca proporcionaria.

Vicente Paulo da Silva, Vicentinho (PT-SP)
No Blog do Vagner Freitas
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Marina Silva não é criacionista, mas acha que Deus colocou Darwin no mundo

“Deus criou Darwin”
Marina Silva é criacionista? No final do ‘Roda Viva’, ela teve de responder essa pergunta pela enésima ocasião.

Falou o seguinte: “Eu não sou criacionista. Isso foi um criacionismo que criaram para mim. Acredito que Deus criou todas as coisas, inclusive as contribuições trazidas por Darwin.”

O que Marina está dizendo, no fundo, é que não acredita na Teoria da Evolução de Darwin — ou melhor, que Deus, em sua infinita benevolência, permitiu que um inimigo como Darwin se manifestasse. Ele é tão seguro que inventou um sujeito como Darwin para desmascará-lo. Ou algo do gênero.

Não faz o menor sentido, claro. Mas Marina é uma mulher de fé e tem razão numa coisa: o fato de acreditar que Deus criou o universo não a torna criacionista. Todo cristão evangélico — e ela é da Assembleia de Deus — acha isso. Está no Gênesis.

O criacionismo é outra coisa. Se vende como uma “alternativa científica” ao evolucionismo. Algumas correntes reinterpretam passagens bíblicas. Os seis dias da Criação seriam, na verdade, seis eras biológicas. E por aí vai.

Marina Silva já entrou nessa seara algumas vezes. A culpa não é totalmente dela. Como as perguntas que lhe fazem são quase sempre as mesmas, as respostas não variam. Que diferença faz se Marina pensa mesmo que Deus abençoou o dia sétimo, e o santificou, porque nele descansou de toda a sua obra?

Para uma larga fatia do eleitorado brasileiro, faz toda a diferença. Como revelou uma pesquisa Datafolha, para esse pedaço do bolo o fato de uma pessoa crer a torna melhor. Marina Silva sabe disso.

Não há nada que permita dizer que ela esteja sendo política quando fala de sua fé.

A questão é se isso não é pior ainda.

Kiko Nogueira
No DCM
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Importar sementes de maconha não é tráfico, decide Justiça Federal


O desembargador Toru Yamamoto, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, concedeu liminar a um homem que alega ter importado as sementes “por mera curiosidade”; a semente da maconha não é considerada matéria-prima para a produção da droga; portanto, a importação do insumo não pode ser caracterizada como tráfico; o acusado teve apreendidas sementes da planta Cannabis durante fiscalização dos Correios e da Receita Federal; o produto, comprado pela internet, foi enviado por correspondência do Reino Unido e tinha como destino Santana do Parnaíba (SP), onde mora o réu

A semente da maconha não é considerada matéria-prima para a produção da droga. Portanto, a importação do insumo não pode ser caracterizada como tráfico. Esse foi o entendimento do desembargador Toru Yamamoto, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que concedeu liminar a um homem que alega ter importado as sementes “por mera curiosidade”.

A ação contra ele foi ajuizada pelo Ministério Público à 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo. O acusado teve apreendidas sementes da planta Cannabis durante fiscalização dos Correios e da Receita Federal. De acordo com a denúncia, o produto, comprado pela internet, foi enviado por correspondência do Reino Unido e tinha como destino Santana do Parnaíba (SP), onde mora o réu. Mas acabou embargada ainda em São Paulo.

De acordo com a Lei 11.343/06 (que institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas), importar matéria-prima para a produção de drogas é crime com previsão de pena de cinco a 15 anos de reclusão.

Porém, a defesa, representada pelos advogados Ismar de Freitas Neto e Pedro Fleury, do escritório Freitas e Fleury Sociedade de Advogados, sustentou que a semente não poderia ser considerada matéria-prima. Isso porque o gérmen não possui a substância THC (tetrahidrocanabinol), que causa o efeito narcótico proibido pelo Lei de Fiscalização de Entorpecentes (Decreto-Lei 891/38).

O argumento foi acolhido pelo desembargador Yamamoto, que afirmou que apenas a partir do momento em que a semente se torna planta — e, consequentemente, adquire o THC — é que deve ser classificada como matéria-prima. “A droga conhecida como maconha é extraída de folhas produzidas pela planta germinada e não da semente”, afirmou Yamamoto.

De acordo com defesa, o acusado não tinha intenção de produzir a droga. A compra das sementes teria sido ato de mera satisfação da curiosidade por parte do réu.

“Achamos absurda a acusação do Ministério Público. Tanto é que a denúncia nem sequer foi acatada Polícia Federal, não entendemos porque ela foi apreciada pelo juiz. Ao menos agora, com a liminar, evitaremos um constrangimento grande do réu, que, caso contrário, teria de depor em juízo, que também convocaria testemunhas”, afirmou o advogado Pedro Fleury.

Outros argumentos constantes do recurso foram a falta de antecedentes criminais do acusado e o fato de ele ter ocupação lícita e residência fixa.

O mérito do recurso será julgado pela 1ª Turma do TRF-3.

Frederico Cursino, do Consultor Jurídico
No 247
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Stephen Fry entrevista Jair Bolsonaro, vergonha nacional

Stephen Fry no Brasil
Divulgação/BBC

“Um dos mais estranhos e sinistros encontros que já tive na vida”: assim o famoso comediante inglês Stephen Fry define a entrevista que fez com o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) para seu documentário Out There, atualmente em exibição pela BBC no Reino Unido. No documentário, Fry mostra como a homofobia avança em várias partes do mundo. Infelizmente, para nossa vergonha, o Brasil aparece ao lado de Uganda e Rússia como um dos países onde existem políticos e líderes religiosos que perseguem homossexuais.

Fry, que é gay assumido, chegou a tentar o suicídio durante as filmagens, certamente deprimido com o que presenciou. “Ver tanta ignorância, brutalidade, estupidez e horror não ajudou”, reconheceu. No encontro com Bolsonaro, o comediante conta que se concentrou para não perder a calma diante dos absurdos que ouviu. “Nenhum pai tem orgulho de ter um filho gay”, afirma o deputado, atribuindo as agressões a homossexuais em nosso país ao uso de drogas e à prostituição. “Mas não há razão para clamor, não existe homofobia no Brasil”, dispara, antes de cair na gargalhada.

(Parêntese: não adianta se irritar: o único jeito de se livrar de figuras como Bolsonaro é não votando nele. Espalhe essa ideia.)

Assista o trecho do documentário, com legendas em português, onde Stephen Fry entrevista a mãe de Alexandre Ivo, garoto carioca de 14 anos assassinado em 2010 por skinheads, e Jair Bolsonaro. Íntegra de Out There aqui (sem legendas).

No Socialista Morena
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Fotógrafo registra ato sexual da própria mãe

O fotógrafo americano Leigh Ledare, 37, registra imagem de sua mãe, Tina Peterson

A própria mãe fazendo sexo. O fotógrafo americano Leigh Ledare, 37, foi além de uma das fantasias mais difíceis de administrar. Não só imaginou, como assistiu e fotografou Tina Peterson, sua mãe, transando.

E não parou por aí. As fotos foram divulgadas ao público, que pode ver a mãe dele, uma ex-bailarina profissional, fazendo sexo com homens mais jovens. Sem cortes.

O trabalho de Ledare desperta a curiosidade e o debate em Londres na exposição "Duras Verdades: Fotografia, Maternidade e Identidade", aberta no dia 11 pela Photographer's Gallery.

A que mais impressiona os visitantes é a "Mom on Top of Boyfriend" (mamãe no topo do namorado). Tina Peterson, nua e completamente depilada, está de frente para a lente do filho, enquanto ela recebe sexo oral de um homem.

Em "Mom Fucking in Mirror" (mamãe fodendo no espelho), Tina aparece de costas, transando, em cima do namorado. Parte do corpo de Ledare surge na foto, feita por ele por meio de um espelho.
Graduado pela Universidade Columbia, Ledare é discípulo de Nan Goldin e de Larry Clark ("Tulsa" e "Kids"), uma escola marcada pela polêmica por explorar imagens da realidade de drogas, sexo e prostituição. Ledare trabalhou com ambos.

A mostra em Londres também tem fotos de outros profissionais sobre a maternidade, mas em contexto diferente, sem o apelo sexual das imagens de Ledare.

A Folha visitou a exposição, que vai até janeiro. Alguns visitantes passam rápido, tentam disfarçam o constrangimento inesperado. Outros ficam estáticos por alguns minutos no local, refletindo o que leva um fotógrafo a registrar, por exemplo, a mãe se masturbando.

A estudante Chiari Salvi, 20, foi à exposição sem saber da proposta. "O mundo mudou muito, não me surpreende", disse. Mas admitiu o susto. "É lógico que você não imagina ver algo assim, mas gostei da mensagem de tentar mostrar a intimidade da mãe", disse. Ed Anderson, 30, elogiou o resultado, mas foi enfático: "Não viria com meus pais aqui".

A curadora da mostra, Susan Bright, minimiza qualquer polêmica. "O choque inicial é o que menos interessa, isso na verdade passa rápido", disse. "Ver o trabalho dele com o romantismo do artista transgressivo é não considerar toda essa obra e a posição que alcança o projeto."

"O trabalho desafia e demanda muito do espectador como qualquer outra arte deveria. É importante para o espectador explorar as muitas emoções que terá ao olhar as fotos", ressalta Susan.

Ledare não quis dar entrevista, mas se manifestou por escrito, ao lado das fotos, aos visitantes da mostra.

Ele explica seu projeto: "Eu vejo o desempenho da sexualidade de minha mãe como tendo uma série de funções, entre elas, desafiar o clima de moralismo e conformismo em torno dela, como uma forma de proteger-se do seu envelhecimento".

As fotos foram feitas entre 2000 e 2008, período em que a mãe estava na faixa dos 50 anos. A ideia, segundo Ledare, surgiu quando, após um ano e meio sem vê-la, foi recebido por ela na porta, nua, e sem esconder que no quarto havia um namorado. Para ele, a atitude dela foi proposital, para mostrar que havia recuperado a autoestima.

Leandro Colon
No fAlha
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O peixe e o gato - O acordo com a UE e o futuro do Mundo




Pressionada pelos que procuram rotular seu governo como intervencionista, e por reportagens como a que saiu anteontem na The Economist – acusando o Brasil de protecionismo, a Presidente Dilma desvia os olhos do peixe e os coloca no gato.

Para responder aos adversários e à pressão do “establishment” financeiro internacional - exercida via FMI, The Economist, The Wall Street Journal, et caterva, como o El País - o governo pretende enviar a Bruxelas, na próxima quinzena, os Ministros das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, para estabelecer cronograma definitivo para a negociação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia.

Na semana passada, o Vice-Presidente da Comissão Europeia, Antonio Tajani, esteve no Brasil para discutir o assunto, e é compreensível que o Palácio do Planalto queira mostrar resultados nessa questão, antes das eleições do ano que vem.

Um acordo de livre comércio com a União Europeia esvaziaria o discurso de que o Brasil é protecionista e faria o mesmo com o Mercosul, vilipendiado como o menino feio e mal educado, frente a alunos bem mais “bonitinhos” e bem comportados, como o México e a Aliança do Pacífico, por exemplo.

O que não pode ocorrer, no entanto – e é preciso que se atente a isso - é que uma decisão dessa natureza seja tomada a toque de caixa, porque se está prestando mais atenção ao gato – no caso, os adversários - do que ao peixe – nosso mercado e interesses nacionais.

A questão, como sempre ocorre, entre grandes nações e grupos de países, é mais de natureza geopolítica, do que meramente econômica.

Em primeiro lugar, para decidir o melhor caminho, é preciso não aceitar, a priori, a alegação de que o Brasil é um país protecionista.

Protecionistas são os Estados Unidos, a Europa, o Canadá.

Tão protecionistas que já os derrotamos várias vezes em contendas internacionais – inclusive na Organização Mundial do Comércio – como nos casos do algodão, do suco de laranja, do frango congelado, ou dos subsídios à fabricação de aviões, por exemplo.

O Brasil tem direito a ter política industrial, o que é diferente.

Temos tanto direito de exigir conteúdo nacional nas compras da Petrobras, por exemplo, quanto tem os EUA de exigir da Embraer a construção de uma fábrica de aviões nos Estados Unidos, com participação minoritária da empresa brasileira em associação com um sócio local – como condição, sine qua non, para vender aviões de guerra Super-Tucanos para a Força Aérea dos EUA.

Condição, aliás, à qual está sujeito qualquer empresa que queira vender e fornecer – mesmo que apenas parafusos – para o governo norte-americano.

O segundo argumento para se assinar, rapidamente, um tratado com a UE, seria a iminência da assinatura de um Acordo de Livre Comércio entre a Europa e os EUA, que criaria o maior bloco comercial do mundo.

A conclusão das negociações entre o Mercosul e os europeus – dizem os defensores da tese – permitiria que o Brasil entrasse, no futuro, no mercado EU-EUA, evitando que ficássemos isolados.

A pressa, nesse caso, também não se justifica, O acordo de livre comércio entre a Europa e os Estados Unidos recém começou a ser negociado em julho, há uma série de atritos – a França, por exemplo, quer deixar a indústria cultural de fora – e a revelação da espionagem da NSA, também contra alvos europeus, esfriou consideravelmente o entusiasmo inicial com a proposta.

Por causa do escândalo revelado por Snowden, a França ameaçou suspender as negociações, depois aceitou a sugestão alemã de continuar com os encontros e exigir esclarecimentos dos norte-americanos. A Comissária de Assuntos Europeus, Cecilia Malmstroem, em carta à Secretária norte-americana de segurança interna, afirmou:

"Vivemos um momento delicado em nossas relações com os Estados Unidos. A confiança mútua foi seriamente erodida e espero que os EUA façam tudo o que estiver ao seu alcance para restaurá-la".

Finalmente, duas considerações: o Mercosul, com todos os seus defeitos, não pode ser comparado com a Aliança do Pacífico. Ela é uma ilusão, na qual o maior sócio, o México, tem 90% de seu comércio internacional com outro grupo, o NAFTA ( 80% com os Estados Unidos).

Nem o Mercosul vai tão mal, nem a Aliança do Pacífico é a oitava maravilha da qual estão falando. O Brasil, por exemplo, vai crescer este ano 2,5% enquanto o México crescerá menos da metade, 1,2%. Com nosso país recebendo cinco vezes mais Investimentos Estrangeiros Diretos – 65 bilhões de dólares contra 12 bilhões de dólares – do que o México no ano passado.

Finalmente, antes de fazer um casamento com a Europa, de papel passado e tudo, cabe analisar o futuro do mundo.

A UE – principalmente por causa das crises recorrentes e do acelerado processo de envelhecimento de sua população, terá, no futuro, cada vez menos consumidores.

A diminuição do seu mercado interno e a concorrência com os Estados Unidos não nos daria qualquer chance na exportação de manufaturados.

Na agricultura, continuaríamos reféns de seus subsídios e barreiras, Abriríamos, em troca, nossas fronteiras, para que eles colocassem aqui bens industriais e manufaturas que não teriam como vender dentro da zona do euro.

A China e a Índia, por outro lado – para ficar só nos BRICS - estão agregando dezenas de milhões de consumidores à sua economia todos os anos. Pequim abandona paulatinamente sua dependência dos mercados externos, para, do alto de seus quase 4 trilhões de dólares em reservas – dedicar-se, cada vez mais, ao desenvolvimento de seu mercado interno.

Qual será, então, o melhor caminho para o Mercosul?

Atrelar-se a um mercado envelhecido de 880 milhões de habitantes que consomem cada vez menos e que crescerá a uma média de menos de 1% este ano – ou a um mercado de 3, 4 bilhões de habitantes, que crescerá a uma média de mais de 6% em 2013, que tem fome de todo o tipo de produto e agrega dezenas de milhões de consumidores a cada ano?

Um caminho pode até não excluir obrigatoriamente o outro, mas é melhor pensar primeiro no peixe, e menos no que o gato quer que façamos, na hora de escolher qual será o nosso lugar e o nosso destino nos próximos anos.
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