17 de out de 2013

A lorota da polarização PT x PSDB


Muito papel e muita conversa da mídia oposicionista sobre as eleições de 2014. A primeira é sobre o fim da polarização PT x PSDB, que estaria ocorrendo agora por causa da candidatura Eduardo Campos-Marina Silva. Ora, essa polarização não existiu em 1989 e nem nas eleições de 2002 e 2010.

Só existiu na de 2006, quando no 1º turno Geraldo Alckmin (PSDB) obteve 41,6% e Lula (PT), 48,6%.  Em 2002, José Serra (PSDB) teve 23%; Anthony Garotinho (então no PSB) teve quase 18%, e Ciro Gomes (então PPS) chegou a 12%. Em 2010, Serra teve 32,6% na 1ª etapa e Marina, 19%.

Essa conversa sobre a polarização, portanto, serve para esconder que, desde 1994, o que existe é a disputa entre dois projetos políticos para o país: um de centro esquerda liderado pelo PT, e o outro de centro direita sob a batuta do PSDB.

São projetos distintos sobre o papel do Estado, dos bancos e empresas públicas, sobre como crescer e a quem beneficiar, sobre a distribuição de renda, a educação e a saúde pública, a política industrial e a externa, a defesa comercial de nossa economia.

Aliados ao projeto derrotado

O fato relevante nesta eleição nacional de 2014 é que dois ex-aliados e responsáveis pelo projeto que levou o presidente Lula ao governo e o país a extraordinárias conquistas econômicas e sociais estão agora aliados ao projeto derrotado que vigorou lá nos anos 90, comandado pelo ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, mas está derrotado desde 2002 pelos presidentes Lula e Dilma Rousseff.

Basta ver hoje na mídia e nos últimos dias a concordância entre Aécio Neves (PSDB), Marina e Campos (PSB-Rede) sobre o tripé macroeconômico, bem na linha do capital financeiro. E também alinhados em todas as outras críticas ao governo Dilma, com Marina “costeando o alambrado”, como dizia o ex-governador Leonel Brizola, rumo a se alinhar com a direita.

Fora o fato de que algumas críticas não passam de falácias ou hipocrisia pura, como a do aparelhamento do Estado e acordos no Legislativo – Marina falou em “chantagem”. Como se em Minas, São Paulo e Pernambuco não fosse igual, os governos tucanos e de Campos não administrassem mediante coalizão com partidos às vezes antagônicos entre eles.

Não passam de falácias e hipocrisias, também, essas críticas sobre os atrasos de obras ou essas mentiras como a que o país deixou de ser prioridade para o Investimento Estrangeiro Direto (IED). Ora, neste ano, somos o 4º maior destino desses investimentos. Resta ver, agora, se Marina-Eduardo Campos vão continuar sua caminhada rumo ao projeto de centro-direita…

José Dirceu
No Blog do Zé
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Médicos reclamam de interferência dos planos de saúde em tratamentos


Pesquisa do instituto Datafolha, encomendada pela Associação Paulista de Medicina (APM) e pela Associação Brasileira de Medicina (AMB), revelou que 92% dos médicos brasileiros afirmaram que os planos de saúde interferem de alguma forma em sua autonomia técnica. Cerca de dois em cada dez doutores alegam que este é um procedimento comum a todos os planos ou seguros de saúde.

Conforme o levantamento, que foi realizado com 2.184 médicos, a interferência ocorre em todas as regiões do país, com índices que variam entre 90% e 95%.

Entre as maiores intervenções relatadas estão as glosas de procedimento ou medidas terapêuticas (78%) e ingerência no número de exames (75%). Em seguida aparecem as restrições a doenças pré-existentes e a interferência em atos diagnósticos e terapêuticos mediante designação de auditores.

Dos médicos entrevistados, 80% atendem apenas por planos ou seguros de saúde, enquanto os outros 20% representam consultas particulares. Atualmente, o Sudeste concentra 55% dos profissionais no país. Na pesquisa, os médicos também atribuíram notas ao trabalho das operadoras. A média nacional ficou em 5 em uma escala que vai de zero a dez. Os mais críticos estão localizados no Centro-Oeste (4) e no Sudeste (4,9).

Segundo o Datafolha, a Cassi foi considerada a operadora que mais interfere na autonomia técnica do médico, tendo sido citada entre os três planos que mais fazem intervenções em todos os sete serviços avaliados. A Amil, mencionada em cinco aspectos, ficou com a segunda posição no ranking de maior presença.

O presidente da APM, Jorge Carlos Machado Curi, observou que a ingerência das operadoras na saúde suplementar, que veio para auxiliar a saúde pública, prejudica a população e traz prejuízos financeiros ao setor, além de colocar em risco, em determinadas situações, a vida de pessoas que necessitam de atendimento rápido.

Os dados do levantamento mostram que infelizmente, não estamos cumprindo o papel que se espera de nós. O exercício da medicina está sendo prejudicado por intervenções em nosso trabalho, afirmou Curi.

Segundo ele, já há casos de pacientes que deixaram o sistema suplementar para recorrer ao setor público, que notadamente carece de financiamentos para ampliar sua cobertura de forma eficaz.

Já o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), José Luiz Gomes do Amaral, avaliou que falta transparência no atendimento da saúde e defendeu a revisão na regulamentação das relações entre as operadoras e os prestadores de serviço.

Deixar isso apenas por escrito é tripudiar sobre os direitos da sociedade. Se não tiver independência, não termos condições de exercer plenamente o exercício da medicina, disse Gomes do Amaral.

A pesquisa foi feita entre os dias 23 de junho e 24 de agosto. A margem de erro máxima, considerando um nível de confiança de 95%, é de cinco pontos percentuais.

No JusBrasil
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Pesquisa Datafolha revela a insatisfação dos usuários de planos de saúde


O Instituto Datafolha divulgou pesquisa, encomendada pela Associação Paulista de Medicina, apresentando um panorama de como anda o atendimento dos planos de saúde aos pacientes no estado de São Paulo. O levantamento, realizado entre setembro de 2012 e setembro de 2013, mostra que 79% dos beneficiários que recorreram à assistência suplementar enfrentaram problemas. Ou seja, das 13,2 milhões de pessoas no estado que possuem plano, 8,2 milhões passam por dificuldades e imprevistos, que podem surgir exatamente no momento em que o consumidor mais necessitar da assistência à saúde.

Clique aqui para conferir a pesquisa na íntegra.

Foram entrevistadas 861 pessoas, homens e mulheres de todas as classes econômicas, usuárias de plano ou seguro saúde e que utilizaram o serviço nos últimos 24 meses. O pronto atendimento (emergência) liderou o índice, com 80% de reclamações, seguido da demora para o agendamento de consultas (66%), exames e diagnósticos (47%). O levantamento mostra, ainda, que 30% dos usuários recorreram ao SUS ou até mesmo ao serviço particular por falta de opções de atendimento no plano de saúde. Isso representa um aumento de 10% em relação a 2012.

Portal Direito à saúde - Pacientes que recorreram ao particular
Pacientes que recorreram ao SUS - Direito à Saúde - Estela do Amaral Alcântara Tolezani 
Fonte: Pesquisa APM/Datafolha 2013

Segundo o Dr. Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina, a população migra para os planos de saúde para fugir do atendimento pelo SUS, devido ao histórico de carência no sistema público, além da falha do atendimento emergencial e também da escassez de vagas hospitalares. Houve aumento dos usuários e não houve aumento na capacidade de atendimento, afirma o presidente da APM.

Quando o paciente busca o pronto socorro é porque algo lhe aflige naquele momento, diz Dr. Florisval sobre o fator mais reclamado apontado na pesquisa, afirmando que a marcação de consultas em algumas especialidades leva de 2 a 3 meses, descumprindo as normas da ANS.

Também participou da coletiva o Dr. João Ladislau Rosa, presidente do Conselho Regional de Medicina. Não estão cuidando bem da saúde das pessoas, vendem planos como produto de consumo, o que não é. Fazem propaganda enganosa e o resultado é esse que estamos vendo aqui, afirma

De acordo com a advogada especialista em Direito à Saúde, Estela do Amaral Alcântara Tolezani, a demanda judicial na área da saúde vem crescendo vertiginosamente. As ações nos Tribunais não fogem das reclamações apresentadas na pesquisa, as negativas de tratamento médico e materiais cirúrgicos acontecem quando os paciente mais precisam, assim como o descredenciamento de hospitais e médicos, explica a advogada.

A especialista afirma que falta uma fiscalização mais rigorosa por parte da agência reguladora. Apesar da ANS suspender a venda de alguns planos, ainda não será essa a solução para a melhoria no atendimento. É necessário um envolvimento maior e fiscalização por parte do Ministério Público, pois o consumidor é o maior prejudicado e continua desprotegido, finaliza.

* * *

Piora o atendimento médico por meio dos planos de saúde


A maioria dos associados aos planos de saúde no estado de São Paulo enfrentou dificuldades na hora em que precisou dos serviços contratados. Os problemas ocorreram nos dois últimos anos, segundo pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pela Associação Paulista de Medicina. O levantamento mostra que a deterioração do atendimento levou 30% dos pacientes a pagar por serviços particulares ou a procurar o Sistema Único de Saúde.

Em comparação a pesquisa anterior, cresceu em 50% a procura da rede pública, por falta de opção de atendimento por meio dos planos. O número de segurados que se sentiram obrigados a buscar atendimento particular cresceu entre 2012 e 2013. No ano passado, 9% declararam ter feito a opção ante 12%, neste ano de 2013. O grupo que recorreu ao sistema público passou de 15%, em 2012, para 22% neste ano.

O presidente da associação dos médicos e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, Florisval Meinão, esclareceu que a “questão está na estrutura da iniciativa privada e não na qualidade do atendimento médico”. Ele observou que a quantidade de leitos oferecidos no Brasil oscila entre dois a três a cada mil habitantes enquanto o recomendado pela Organização Mundial da Saúde é três a cinco. “Nos precisaríamos criar mais 16 mil leitos até 2016”, defendeu.

A principal queixa ouvida pelos pesquisadores do Datafolha diz respeito à sala de espera lotada em prontos-socorros, e a demora no atendimento, apontada por 66% dos entrevistados. As dificuldades em agendar exames e obter diagnósticos atingiu 47% das citações. As reclamações de falhas no pronto-atendimento foram feitas por 80%. A demora em autorizar exames mais complexos ou mesmo a negativa foi citada por 16% dos entrevistados.

A pesquisa foi feita com 861 pessoas das quais 422 residentes na região metropolitana de São Paulo e 439, no interior. Na amostragem projetada, estimou-se que 79% de um universo de 10,4 milhões de usuários ou 8,2 milhões tiveram algum tipo de problema relacionado ao plano de saúde. Cada uma relatou, em média, 4,3 questões de conflito.

O levantamento mostrou também que a maioria dos associados faz a sua queixa diretamente às seguradoras, caso de 11% dos consultados. Apenas 2% recorrem ao Procon e 1% chegaram à Agência Nacional de Saúde.

Marli Moreira
No Agência Brasil
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A liberdade de imprensa segundo 13 policiais: o relato de um fotógrafo espancado

O fotógrafo Boechat dialoga com os PMs

Um aumento de 172% nos casos de agressões, censura judicial e até assassinatos contra jornalistas é o que acusa o relatório para a Liberdade de Imprensa 2012-2013 da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão). O período mensurado vai de outubro de 2012 a setembro de 2013.

Evidentemente as manifestações têm muito a ver com isso e o despreparo da polícia está registrado em centenas de vídeos na internet, com seus abusos de autoridade quase sempre acompanhados de agressão física contra repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Já entramos portanto no próximo período e outubro dá mostras que o relatório 2013-2014 poderá não ser muito animador.

Yan Boechat é mais um que engordará a estatística ainda a ser retratada. Parceiro de rua desde junho, encontrei Boechat novamente nesta última terça-feira, durante a manifestação pela educação. O clima estava tenso desde a saída e ainda na avenida Rebouças. Boechat me disse: “A vibe está estranha hoje.”

Pouco tempo depois a batalha campal começou e não o encontrei mais, nem mesmo na apoteose (o que não é raro, a violência se espalha pelas ruas e muitas vezes termina-se com quilometros de distância, nem todos voltam). No dia seguinte soube que seu pressentimento havia se confirmado. Boechat foi violentamente agredido. Jornalista experiente, colaborador de veículos como Valor, GQ e IstoÉ, ele fez seu relato em sua página do Facebook:

“Neste ano estive em diversos confrontos entre a população civil e as forças de segurança, em diferentes países. As mais violentas que acompanhei, inclusive, não se deram no Brasil. Quando estive na Tunísia, em fevereiro, fazendo uma reportagem sobre os dois anos do início da Primavera Árabe, o líder da oposição local, Cokri Belaid, foi assassinado. Sua morte mergulhou o país em uma semana de protestos, os mais violentos desde a queda do ditador Ben Ali. Foram dias e dias de embates ferozes pelas ruas de Túnis. Lá, como aqui, fotografei todos os acontecimentos, de perto, e nenhum policial fez, sequer, menção de me agredir.

Poucas semanas depois, já no Egito, a absolvição de policiais, que mataram dezenas de manifestantes em Alexandria um ano antes, fez com que a população voltasse às ruas para protestar contra o presidente Mursi. Foram noites e noites de confrontos extremamente violentos entre centenas de jovens e as forças de segurança nas imediações da Praça Tahrir. Em Alexandria e em outras cidades, naquela semana, mais de uma dezena de manifestantes foram mortos. Novamente, nenhum policial me agrediu.

É óbvio ser incorreto afirmar que nesses dois países que mal conhecem a democracia e não compreendem a noção que temos do Estado de Direito, a polícia não seja violenta. Ela é, e muito. Mas foi aqui, no Brasil, no meu país, onde existem leis que me protegem, em que a minha profissão é defendida por quem está no poder, onde a imprensa, em menor ou maior grau, é, sim, livre, que fui agredido por tirar uma fotografia.

Ontem fui espancado por um grupo de 13 policiais. Me agrediram com chutes, socos e cassetetes porque fotografei-os batendo de forma covarde em um dos voluntários do GAPP (Grupo de Apoio aos Protestos Populares). Foi uma agressão gratuita, que tinha como único objetivo me intimidar e impedir que eu praticasse o saudável e fundamental ato de registrar as coisas que acontecem em uma manifestação pública. Sou jornalista com mais de 15 anos de carreira. Já atuei em alguns dos principais veículos de comunicação do país. Já estive a trabalho em países que não prezam exatamente pela liberdade de imprensa, como Irã, Afeganistão ou Angola. Já fui intimidado, mas nunca espancado por forças de segurança do Estado.

Sempre pautei meu trabalho pela seriedade e pela ética que rege minha profissão. Em todas as manifestações assumo única e exclusivamente o papel de observador, de repórter, mesmo, em algumas circunstâncias, tendo a certeza de que injustiças são praticadas diante de mim, seja pelo lado da polícia, seja pelo lado dos manifestantes que, como os policiais, muitas vezes também se excedem. Seja aqui, seja em qualquer lugar do mundo. E, sim, gosto de estar perto da ação, tenho prazer em assistir ao vivo, com meus olhos, o desenrolar da história. (…). Fui agredido pela única razão de estar com uma câmera na mão diante do abuso de poder de um representante das forças de segurança. Minha carteira da Federação Nacional dos Jornalistas, que ampliei e colei em uma antiga credencial para expor ainda mais minha condição, não foi nenhum impedimento para que o soldado da Polícia Militar iniciasse a agressão. Foi tudo rápido. Ele bateu no rapaz, me viu fotografando e disse:

‘Não me fotografa, filho da puta’

Tentei mostrar minha carteira da Fenaj e gritei:

‘Estou trabalhando’

Ele levantou o cassetete e, antes de me acertar pela primeira vez, disse:

‘Eu também’ ”

Sou dos poucos que ainda saem sem máscaras contra gás (o capacete já faz parte dos acessórios básicos) mas preciso repensar isso. O futuro não parece promissor, como disse Yan Boechat, “a vibe está estranha”. Imagina na Copa.

Mauro Donato
No DCM
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Otavinho e Dudu: fome e vontade de comer

Otavinho se alia a qualquer um, contanto que mantenha privilégios e que derrote o PT em 2014.

Lula disse que a imprensa é um partido e não assume esta condição. O que o político trabalhista afirmou é verdade, mas uma verdade que todo mundo sabe, mas que toma uma dimensão maior quando quem fala é um ex-presidente da República, com altos índices de aprovação da população deste País, bem como se trata do político brasileiro mais famoso e com prestígio em âmbito internacional.

Há muitos anos — ainda jornalista novo na profissão — percebi que a imprensa, os profissionais de “confiança” que repercutem o pensamento do patronato e os próprios donos dos meios de comunicação privados tem lado, cor ideológica e partido. Dissimulam e tergiversam quanto às suas ações, mas interferem no processo político brasileiro desde o final do século XIX.

E é exatamente no campo da direita que os megaempresários controladores da imprensa de mercado efetivam suas ações e apóiam quaisquer grupos conservadores que provem que podem conquistar o poder, principalmente se for a Presidência da República.

Não importa, inclusive, se o candidato conservador tenha origem na esquerda, como nos casos de Marina Silva, que, incompetente, não conseguiu legalizar a Rede Sustentabilidade no TSE, e de Eduardo Campos, cujo partido, o PSB, é aliado histórico do PT e que participou, de forma profícua, do projeto de País, que está a ser edificado pelos presidentes trabalhistas Lula e Dilma Rousseff.

A verdade é que os barões de imprensa de negócios privados, a exemplo de Otávio Frias Filho, têm linhagem política, que remonta o Império. Eram aliados do Partido Conservador e que formaram definitivamente seus DNA políticos com o surgimento da UDN e todos os partidos que, posteriormente, ocuparam o seu lugar, em forma de sigla, exemplificadas em Arena, PDS, PFL e, finalmente, DEM.

Acontece que a direita no Brasil não ganha eleições majoritárias, como as de presidente da República. A direita não tem votos suficientes, mas tem dinheiro, os meios de produção e principalmente o controle do sistema midiático empresarial, que se tornou um partido político oficioso e que atua como porta-voz do establishment, que luta, incansavelmente, pela manutenção do status quo das classes sociais ricas e dos países que controlam os sistemas de capitais, como os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, o japão e a Alemanha.

Quando um político aparentemente compromissado com as reformas se bandeia para o outro lado, é sinal que seus interesses pessoais estão acima dos interesses do povo. Eduardo Campos foi picado pela mosca azul e não mede consequências para atingir seus objetivos. Oportunista como uma hiena e voraz, a exemplo de um tubarão, os barões da imprensa de tradição golpista não se fazem de rogados, pois animais políticos calculistas se aproximam quase que instantaneamente daqueles que, porventura, possam chegar ao poder e derrotar o governante e o partido que eles consideram como adversários e até mesmo inimigos.

Eduardo Campos, no momento, é a aposta deles, mesmo com a opção de Aécio Neves, senador mineiro, que na verdade nunca empolgou o baronato midiático e bilionário que pensa que o Brasil de mais de 200 milhões de habitantes e a ser a sexta economia do mundo é o quintal das casas deles. Mas não é; como provaram as duas vitórias de Lula e o triunfo de Dilma Roussef, que candidata novamente a presidenta da República é considerada pelos institutos de pesquisas, alguns deles pertencentes aos magnatas midiáticos, a favorita para vencer o pleito eleitoral, apesar da oposição sistemática e incontáveis vezes desleal da imprensa de negócios privados. Sempre foi essa a atitude desses empresários bilionários.

E não é que o Otavinho Frias vai a Recife se encontrar com o Dudu Campos, aquele que recebeu bilhões de investimentos para Pernambuco ser um canteiro de obras e depois se transformou em um quinta-coluna que deixaria o Joaquim Silvério dos Reis constrangido. Ao chegar a Pernambuco, o magnata paulista e sua trupe de “gênios” e “estrategistas” de mídia e política se encontram com o Dudu, pré-candidato a presidente à Presidência, para logo depois visitar o Porto de Suape, dentre outros investimentos, que tiveram como parceiro principal o Governo Federal administrado pelos presidentes trabalhistas há 11 anos. Otavinho e Dudu: a fome com a vontade de comer.

O Otavinho certamente vai ficar surpreso com o Porto de Suape e as outras obras que vai visitar, porque apesar de ele ser o dono da Folha de S. Paulo e do Datafolha, o barão “desconhece” a existência de milhares de obras espalhadas por este País. Afinal, o jornal que ele comanda não dá publicidade sobre nada o que é realizado no Brasil pelos governos do PT, porque a intenção é fazer com que o povo brasileiro não tenha acesso à informação sobre suas conquistas.

Essa conduta é devida o magnata ter a compreensão que está em jogo a derrota dos petistas, e, consequentemente, concretizar seu desejo, que é o de ter no poder o político que ele considere de sua confiança, e, por sua vez, possa atender os interesses dessa burguesia de passado escravocrata, que ficou quase 500 anos no poder e por isto sente muito ódio por ter deixado de roer o osso e perceber que está a haver distribuição de renda e ascensão social das classes mais pobres.

Esses caras são de amargar, porque é muito diferente você fazer aliança e manter seu projeto de Governo apresentado e prometido ao povo, como o fez o PT, do que as alianças firmadas por Eduardo Paes e Marina Silva que, nitidamente, desmentem seus discursos ao tempo em que dá transparência ao que eles pretendem, que é desacelerar o projeto trabalhista de distribuição de renda e riqueza e de reformas em setores importantes como o político e o tributário.

Dudu continua a dar pedradas na pomba socialista e a cooptar barões da imprensa como o Otavinho.

O dono da Folha — jornal que emprestou seus carros de reportagem aos agentes da repressão da ditadura militar, que chamou tal regime de ditabranda e publicou uma ficha falsa da Dilma, dentre muitas outras leviandades e mentiras — está, na verdade, a sondar as intenções políticas e o projeto de poder do “socialista” Dudu e aproveita para dar sugestões, de preferência nas áreas econômicas e de relações exteriores, os setores mais criticados pela direita brasileira, pois no Governo Lula as relações internacionais deram uma guinada à esquerda, bem como o Brasil buscou novos parceiros, rejeitou a Alca e efetivou a criação e o fortalecimento de blocos políticos e econômicos, exemplificados em Mercosul, G-20, Unasul, Brics e Celac.

Em âmbito interno, Lula e Dilma não vacilaram em proteger, fortalecer e fomentar a economia interna e dessa forma combater com competência a crise internacional iniciada em 2008 e que até hoje aflige duramente os europeus e os segmentos mais frágeis da sociedade estadunidense, realidades essas que não são mostradas como deveriam ser repercutidas, por exemplo, pelo jornal do Otavinho. O jornalismo da Folha de S. Paulo é sectário, provinciano, preconceituoso, conservador e tem lado, ou melhor, lados, pois o barão da imprensa ainda não deve ter batido o martelo para escolher entre Eduardo Campos e o Aécio Neves, do PSDB, partido aliado há 20 anos do partido político Folha de S. Paulo.

Talvez o magnata considerasse mais prático e palatável a união entre Aécio Neves e Marina Silva, chapa de preferência dos irmãos Marinho, outra família midiática, que detesta o Brasil, mas não abre mão de ganhar muito dinheiro nessas querências e de também ter um representante da Casa Grande na Presidência da República. Mas não deu, a começar pela incompetência da tucana de bico verde, Marina Silva, pessoa que quando abre a boca ninguém entende nada, bem como teve que se integrar ao PSB porque não conseguiu legalizar a Rede Sustentabilidade. Ela é um gênio, não?

Contudo, Otavinho Frias é realmente um homem sem “simancol”. Pensa que sua importância é maior do que propriamente o é. O “escriba” patrão se reúne com um governador “socialista”, aliado do PT durante 20 anos e que se beneficiou com a disposição de o ex-presidente Lula fazer de Pernambuco alvo de investimentos bilionários e, por sua vez, gigantescos. A verdade é que Lula “governou” Pernambuco e o Dudu foi e ainda continua a ser um gerente de luxo, que rompeu uma aliança histórica e ainda se dá o direito de ir à televisão pedir respeito, o mesmo respeito que ele não teve com seus aliados de lutas e conquistas, com o apoio da maioria do povo brasileiro.

Antes de o senhor Otávio Frias Filho ir sondar o que pensa e o que quer fazer o Dudu, no dia anterior o seu jornal publicou que a presidenta Dilma Rousseff entrega casas do PAC sem água e luz. Evidentemente que tal matéria não é séria e que visa desqualificar o programa ao tempo em que coloca a mandatária em uma posição de política inconsequente, irresponsável e oportunista, coisa que Dilma não é.

Talvez o Otavinho e seus empregados jornalistas se considerem mais sérios e compromissados que a presidenta no que diz respeito a cuidar dos interesses do povo brasileiro. E como saber quem tem esta preocupação? Dou uma sugestão, e respondo com uma indagação: Que tal pesquisar-se a biografia, a história de ambos e assim verificar-se em que lado cada um está e sempre esteve? Aposto que o filho e herdeiro do magnata Frias seria, inapelavelmente, desmascarado.

O PSB quer entrar em São Paulo. Otavinho é dono do jornal mais poderoso do País, a superar O Globo. Eduardo Campos talvez queira garantir o apoio do megaempresário se passar para o segundo turno das eleições. Entretanto, sabe-se que se o tucano Aécio Neves não decolar como se espera, a direita brasileira vai desembarcar com mala e cuia na candidatura do “socialista” quinta-coluna, que mede esforços para concretizar seus interesses pessoais e dessa maneira acalentar sua incomensurável vaidade.

Otavinho, esperto como seu pai, fareja a oportunidade de longe, e prepara seu bote, que tem a intenção de fazer com que o Dudu seja conhecido nos rincões provincianos, mas ricos do Estado de São Paulo e sul e sudeste do País. Só que o magnata Otávio Frias, como “constitucionalista”, foi derrotado em 1932, pelo estadista trabalhista Getúlio Vargas, o político responsável pela edificação do Brasil moderno e da efetivação das leis trabalhistas, e que essa gente até hoje o odeia exatamente por causa disso.

Agora, uma coisa reconheço: Eduardo Campos sabe como agradar a imprensa de negócios privados, porque a de Pernambuco está nas suas mãos há muito tempo. Dudu fez com a imprensa burguesa o que os tucanos de São Paulo fizeram com a imprensa paulista, cujo um dos mais poderosos representantes é o Otavinho. Como se percebe, tais magnatas da imprensa empresarial defendem o liberalismo econômico com unhas dentes, mas na prática adoram receber agrados do estado, especialmente quando se trata de abertura de crédito bilionária e de publicidade oficial milionária. O Otavinho é o que é, porque seu pai foi o que foi; bem como a Folha é o que é, porque quem a controla é o Otavinho. É isso aí.

Davis Sena Filho
No Palavra Livre
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Petrobras: Comunicado sobre a mobilização

A Petrobras foi informada de que a greve que se iniciou hoje (17/10) tem como principais motivadores o leilão de Libra e o Projeto de Lei 4330, sobre os quais não cabe posicionamento da Petrobras.

A companhia tem como prática nesse tipo de mobilização tomar todas as medidas necessárias para garantir suas operações, de modo a não haver qualquer prejuízo às atividades da empresa e ao abastecimento do mercado, sendo mantidas as condições de segurança dos trabalhadores e das instalações da companhia.

Sobre as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2013, a Petrobras realizou uma série de reuniões com as entidades sindicais e apresentou sua proposta ao longo das últimas semanas. Além de uma proposta completa para as cláusulas sociais (relacionadas ao plano de saúde, benefícios educacionais, saúde, segurança, condições de trabalho etc) , a empresa propôs um reajuste de 7,68% e uma gratificação equivalente a uma remuneração, entre outros ganhos econômicos. A Petrobras afirma que está aberta ao processo de negociação com as entidades sindicais sobre o ACT 2013.

No Fatos e Dados
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Chico Buarque responde ao biógrafo de Roberto Carlos

'Eu não me lembrava de ter dado entrevista alguma a Paulo Cesar Araújo', diz o compositor em comunicado

Em 1992. Paulo César conversa com Chico Buarque
Acervo pessoal
O cantor e compositor Chico Buarque se desculpou publicamente hoje com o biógrafo Paulo César de Araújo, autor de Roberto Carlos em Detalhes (Planeta). Em artigo publicado no jornal O Globo na edição de quarta-feira, Chico dizia não ter sido entrevistado por Araújo sobre Roberto. O biógrafo, porém, documentou o encontro, que aconteceu no dia 30 de março de 1992. Leia a íntegra da explicação de Chico:

"Eu não me lembrava de ter dado entrevista alguma a Paulo Cesar Araújo, biógrafo de Roberto Carlos. Agora fico sabendo que sim, dei-lhe uma entrevista em 1992. Pelo que ele diz, foi uma entrevista de quatro horas onde falamos sobre censura, interrogatórios, diversas fases e canções da minha carreira. Ainda segundo ele, uma das suas perguntas foi sobre a minha relação com Roberto Carlos nos anos 60. No meio de uma entrevista de quatro horas, vinte anos atrás, uma pergunta sobre Roberto Carlos talvez fosse pouco para me lembrar que contribuí para sua biografia. De qualquer modo, errei e por isto lhe peço desculpas.

Quanto à matéria da Última Hora, mantenho o que disse. Eu não falaria com a Última Hora (de São Paulo) de 1970, que era um jornal policial, supostamente ligado a esquadrões da morte. Eu não daria entrevista a um jornal desses, muito menos para criticar a postura política de Caetano e Gil, que estavam no exílio. Mas o biógrafo não hesitou em reproduzí-la em seu livro, sem se dar o trabalho de conferí-la comigo. Só se interessou em me ouvir a fim de divulgar o lançamento do seu livro. Não, Paulo Cesar Araújo, eu não falava com repórteres da Última Hora em 1970. Para sua informação, a entrevista que dei ao Mário Prata em 1974 foi para a Última Hora de Samuel Wainer, então diretor de redação, que evidentemente nada tinha a ver com a Última Hora de 1970, que você tem como fonte."

Confira a íntegra de um debate sobre a proibição de biografias não autorizadas:

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Lula recebe o Prêmio Interamérica 2013


Nesta quinta-feira (17), o Congresso das Américas sobre Educação Internacional (CAEI), no México, concedeu o Prêmio Interamérica 2013 ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paulo Speller, secretário de Educação Superior do Ministério da Educação e ex-reitor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, representou o ex-presidente na cerimônia

Lula enviou um vídeo de agradecimento e declarou: “recebo essa distinção com muita emoção, porque ela reconhece os grandes avanços que o Brasil experimentou na educação na última década. Um conjunto de conquistas e realizações promovidas em meu governo e no da presidenta Dilma Rousseff permitiu que começássemos a reverter umas das mais terríveis marcas da injustiça social: a exclusão dos mais pobres da escola e da dificuldade do conhecimento e da formação”.

Durante a mensagem Lula lembrou algumas conquistas de seu governo, foram 14 novas universidades e mais de 120 extensões, 290 novas escolas técnicas e o Programa Universidade Para Todos, o Prouni, que facilitou o acesso de mais de um milhão e trezentos mil brasileiros e brasileiras ao ensino superior. E além disso, milhões desses estudantes se beneficiaram da expansão do crédito estudantil, com o FIES, que é hoje o maior programa de financiamento estudantil do mundo.

A trajetória de Lula foi reconhecida em numerosas ocasiões no âmbito internacional. Entre outros, Lula recebeu o Prêmio para a Paz 2008 da Unesco; Estadista Global 2010 do Fórum Mundial de Davos; Homem do Ano 2009, Le Monde; Personalidade do Ano 2009, El País; Prêmio Indira Gandhi para Paz, Desarmamento e Desenvolvimento, 2010; World Food Prize, 2011; Prêmio Norte-Sul; Doutorado Honoris Causa, outorgado por universidades brasileiras, o Grupo Coimbra (Portugal) e o Institut d’études politiques de Paris.

O Prêmio Interamérica CAEI foi concebido para destacar e reconhecer a grandes personalidades das Américas que têm mostrado seu respaldo ao Ensino Superior, apoiado – neste campo – atividades de cooperação internacional a nível interamericano e favorecido, com suas contribuições, o desenvolvimento de laços culturais entre as diferentes nações das Américas.

No Instituto Lula
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Suborno

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Chico Buarque é um ser humano


Chico Buarque é um misto de santo e super herói para muitos da minha geração, da do meu pai e da minha filha. Chico é aquele cara do qual muitos de nós adoraríamos ter como amigo de cerveja ou de pelada. Hábitos que ele ainda cultiva. Dizem que Chico também foi o sonhado genro de muitos da geração do meu avô. E sonhado príncipe de muitas e muitos da geração da minha mãe, das minhas amigas e até de amigas da minha filha. O cara é realmente fueda, sendo direto e reto.

Mas Chico não é santo e nem super herói. Alvíssaras. E também não é um filho de uma @#@%* porque decidiu apoiar a cruzada artístico cultural mercadológica de Paula Lavigne, que há algum tempo se transfomou na gerente do banco dos músicos de uma geração querida. Aliás, Paula Lavigne, que show deprimente o seu, hein? Tentar constranger alguém, como você fez com Bárbara Gancia, revelando em público sua homossexualidade é de envergonhar escroques da ditadura militar. Alguns deles eram mais respeitosos ao tratar da orientação sexual alheia. E isso não tem nada a ver com censura, liberdade ou pastéis de feira.

Mas Paula Lavigne e seu deprimente show à parte, vale a pena entender Chico Buarque. Porque Chico vale a pena. O nosso principal músico da MPB cometeu duas derrapadas seguidas. Entrou num grupo que está mais preocupado em ganhar algum no final do mês e colocou sua história e reputação a serviço de interesses mesquinhos. Chico deve estar sinceramente preocupado em manter sua vida privada protegida. Muitos dos que estão neste grupo estão muito mais preocupados com uns tostões a mais para poder ficar mais tempo não compondo mais nada. Aliás, se há uma área da cultura em que produzir muito pouco não é sinônimo de ganhar pouco é a música. Isso não é para muitos. É para muito poucos. Mas é um fato.

A segunda derrapada de Chico foi a de dizer que não tinha sido entrevistado pelo biógrafo de Roberto Carlos e que acha mais é justo que as filhas de Garrincha cobrem uma baita grana para que o pai possa ser biografado, mesmo numa biografia não autorizada. A primeira parte já foi desmentida. O vídeo de Paulo César Araújo é inquestionável. Em relação ao livro de Garrincha, só cabe a reflexão.

Chico defende um contar histórico que se resume a autorizações? Se alguém não autorizar, que não se registre? É isso mesmo, Chico? Ou o que vale para livro de biografia não vale para o livro de história? Ou o que vale para a biografia não vale para matéria em jornal, site, TV, rádio? Qual é o limite entre privacidade e liberdade de expressão? É o autorizar e transformar em negócio o relato?

O Brasil deu um passo a frente por muito do que Chico e outros músicos fizeram na época da ditadura em relação à liberdade de expressão. E agora os têm na tricheira do passo atrás. Esse movimento criado por uma conciliação ainda nebulosa de interesses que levaram Roberto Carlos a ir ao Congresso lutar contra o Ecad precisa ser combatida, a despeito de Chico estar do lado de lá.

Ele está equivocado e seria muito interessante que reavaliasse sua posição. Chico se mostra humano ao cometer um erro atrás do outro neste episódio. Seria ainda mais humano se ponderasse, à luz do que pode estar ajudando a construir, sua posição.

A liberdade de expressão não pode ser refém de uma suposta luta por privacidade. E a história não pode ser apenas tratada como um negócio.

Renato Rovai
No Blog do Rovai
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Que mancada! Meu caro amigo Chico entrou numa fria


Lá longe em Paris, onde está escrevendo seu novo livro, bem distante da muvuca armada pela empresária Paula Lavigne para coibir a publicação de biografias não autorizadas sobre artistas e, se possível, descolar uma graninha de editores e autores, Chico Buarque, meu caro amigo dos tempos de Colégio Santa Cruz, poderia ter ficado sem essa.

Ao se meter sem necessidade nesta confusão, com um artigo publicado no jornal "O Globo", em que se coloca ao lado de Paula, Caetano, Gil e Roberto Carlos, e critica os autores de biografias não autorizadas, Chico deixou de seguir um conselho dele mesmo, dado ao ex-presidente Lula logo no início do primeiro mandato.

Diante da profusão de ministérios e das atribulações do novo governo, o grande compositor sugeriu a criação de mais um: o "Ministério do Vai Dar Merda". A única função do novo ministro seria alertar o presidente quando alguém lhe desse alguma ideia de jerico.

Faltou alguém assim ao lado de Chico para o aconselhar a não entrar numa fria com a publicação do seu infeliz artigo, que o deixou numa situação bastante constrangedora, ao acusar o escritor Paulo César Araújo, biógrafo de Roberto Carlos, que teve sua obra proibida em 2006, de ter inventado uma entrevista com ele sobre o líder da Jovem Guarda.

"Pensei que o Roberto Carlos tivesse o direito de preservar sua vida pessoal. Parece que não. Também me disseram que sua biografia é a sincera homenagem de um fã. Lamento pelo autor, que diz ter empenhado 15 anos de sua vida em pesquisas e entrevistas com não sei quantas pessoas (175 no total), inclusive eu. Só que ele nunca me entrevistou", acusou Chico.

Quem agora deve estar se lamentando é ele. No mesmo dia, o biógrafo Paulo César Araújo enviou ao jornal fotos e um vídeo da entrevista gravada em duas fitas de VHS, em março de 1992, durante uma conversa que durou mais de quatro horas, na casa de Chico, na Gávea. Muito à vontade, de camiseta, bermuda e chinelos, Chico falou de tudo.

"O importante era restabelecer a verdade. O mundo vai ver que ele se enganou: me acusou de ter usado o nome dele sem tê-lo entrevistado. Era a minha credibilidade que estava em jogo. Acredito que ele se esqueceu", desabafou Araújo em entrevista a Jotabê Medeiros, do "Estadão".

A associação "Procure Saber", criada há algumas semanas por artistas como Chico, Caetano e Gil, Erasmo e Roberto Carlos, Djavan e Milton Nascimento, é presidida por Paula Lavigne, que já anunciou a contratação de advogados para defender as causas da entidade. Paula não é artista nem se tem notícia de alguém que esteja interessado em escrever sua biografia. Trata-se apenas da ex-mulher e empresária de Caetano Veloso, que está vivendo seus 15 minutos de celebridade.

O que eles querem, violando a liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal, é a autorização prévia do artista ou seus herdeiros para a publicação de biografias e a participação nos direitos autorais. O objetivo principal, segundo ela, é preservar o direito à privacidade dos biografados.

Para completar a lambança, Chico Buarque defendeu os herdeiros de Garrincha que, segundo ele, conseguiram uma alta indenização da editora Companhia das Letras pela publicação da biografia "Estrela Solitária", de Ruy Castro. Também neste caso, Chico foi desmentido, desta vez por Luiz Schwarcz, presidente da Companhia das Letras, que por ironia do destino publica os livros do próprio Chico.

O editor negou que a empresa tenha sido condenada pela Justiça a pagar indenização à família de Garrincha, mas, para evitar a proibição do livro, admitiu ter feito um "volumoso acordo", que custou uma grana preta à empresa. "Pela lei vigente, os herdeiros se transformam em historiadores, editores e, desculpem-me, censores, sim", escreveu Schwarcz em seu blog.

Tantas vezes vítima da censura durante o regime militar, Chico Buarque agora corre o risco de ter seu nome associado a um movimento que, em última análise, quer censurar escritores de biografias.

Faz sentido isso?

Ricardo Kotscho
No Balaio
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Meu caro Chico

Chico Buarque em leitura do seu livro “Leite Derramado”
Foto Danilo Verpa/Folhapress

Caríssimo Chico Buarque, eis o artigo do Código Civil que o grupo Procure Saber, ao qual você pertence, batalha para eternizar:

“Salvo se autorizadas [...], a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais”.

Quando você lançou a obra-prima “Apesar de você”, o ditador Médici presidia o Brasil. Era um tempo em que agentes públicos torturavam milhares de pessoas. Hoje, para biografar o general, só com autorização dos herdeiros. Dá para pensar no rame-rame laudatório que eles exigiriam?

A legislação em vigor permite que Fernando Collor barre uma biografia não autorizada, em nome de sua “boa fama”. Idem o juiz Lalau e o torturador Brilhante Ustra. É assim porque a lei vale para todos, artistas ou não. Pense bem: a prerrogativa de contar a história passou ao coronel Ustra.

No seu elegante artigo “Penso eu”, generoso com meu livro “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”, você menciona, sem título, uma biografia do Cabo Anselmo. Conheço três obras focadas no infiltrado que entregou a mulher grávida para repressores da ditadura a matarem (ela se chamava Soledad, e não Consuelo; todos tropeçamos, não somente os biógrafos).

As de 1984 e 99, com depoimentos mentirosos do covarde, assemelham-se a autobiografias. A de 81 é um breve perfil independente. A tragédia: publicado ainda durante a ditadura, este livro poderia ser proibido hoje, na democracia, amparado no Código Civil de 2002. A norma obscurantista transfere a Anselmo o poder de definir o conteúdo de uma biografia.

Concordo: é inaceitável a impunidade de biógrafo leviano ou criminoso que difunda informação “infamante ou mentirosa”. Mas a decisão tem de ser da Justiça, e não de censura prévia. Se o Judiciário é lento e a lei dócil com difamadores, aperfeiçoemos ambos. Somos contra o indulto de Natal porque, entre milhares de presos, meia dúzia foge? Crimes pontuais não devem abolir direitos coletivos. O conhecimento da história consagra-se como direito humano. Roberto Carlos é, sim, dono da vida dele. Mas não é dono da história.

Biografias são reportagens, que constituem gênero do jornalismo. Pagar royalties a personagens descaracteriza biografias não autorizadas - você propõe mesmo dar uns caraminguás aos netos do Médici? Se defende que as filhas do Garrincha recebam pelo trabalho árduo do biógrafo, já pensou em remunerá-las, por ter citado o Mané junto com Pelé, Didi, Pagão e Canhoteiro? “O futebol”, sua música, não tem também “fins comerciais”? A imprensa de “fins comerciais” publica perfis. E se o Sarney e o Bolsonaro resolverem cobrar? Devemos reeditar a censura de outrora ou persistir no bom combate a ela?

Chico, perdoe o tom. Você merece interlocutores do “tempo da delicadeza” evocado em “Todo o sentimento”. Aceite um abraço e o carinho deste fã irrevogável.

Mário Magalhães nasceu no Rio em 1964. Formou-se em jornalismo na UFRJ. Trabalhou nos jornais “Folha de S. Paulo”, “O Estado de S. Paulo”, “O Globo” e “Tribuna da Imprensa”. Recebeu mais de 20 prêmios. É autor da biografia “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”.
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Vídeo mostra entrevista de Chico Buarque a autor de biografia de Roberto Carlos


Em artigo, Chico afirmou que nunca conversou com Paulo Cesar Araújo sobre o compositor que foi tema de livro não autorizado

Escritor rebateu a acusação com artigo, foto e registro audiovisual

Ele levanta a hipótese de haver no apoio do Procure Saber à causa uma compensação à adesão de Roberto Carlos ao grupo



RIO - A discussão sobre as biografias não autorizadas vem ganhando novos contornos. Em artigo publicado na quarta-feira no Globo, Chico Buarque afirmou que Paulo Cesar de Araújo, autor de "Roberto Carlos em detalhes" (obra que foi recolhida das livrarias), cita na obra uma conversa que não existiu: "Lamento pelo autor, que diz ter empenhado 15 anos de sua vida em pesquisas e entrevistas com não sei quantas pessoas, inclusive eu. Só que ele nunca me entrevistou".

O biógrafo respondeu a acusação em artigo publicado nesta quarta-feira no site do Globo: "Foi com grande espanto que li, quarta, declaração de Chico Buarque aqui no Globo, afirmando que jamais me deu uma entrevista. Ou seja, ele alega que eu teria faltado com a verdade ao incluí-lo entre as fontes listadas na biografia “Roberto Carlos em detalhes”. Ocorre que Chico Buarque foi, sim, uma das 175 pessoas que entrevistei para a pesquisa que resultou naquele livro. O artista certamente se esqueceu, mas ele me recebeu em sua casa, na Gávea, na tarde de 30 de março de 1992".

No vídeo acima, veja o trecho da entrevista em que Chico fala de Roberto Carlos.

A 'compensação' do Procure Saber


Em entrevista ao Globo nesta quarta-feira, Paulo Cesar de Araújo especula que um acordo entre Roberto Carlos e o Procure Saber seria a justificativa para que os grandes nomes da MPB estivessem defendendo a necessidade de autorização para a realização de biografias.

- Por que eles entraram nessa briga? Essa é a pergunta que não quer calar - diz o historiador. - Me parece que houve ali uma espécie de compensação. Roberto iria apoiar a agenda do grupo no caso do Ecad (que pedia, entre outras coisas, a fiscalização do órgão) e, em contrapartida, eles apoiariam a causa contra as biografias não autorizadas. Eles próprios falaram que foi Roberto que trouxe essa questão para o grupo, que curiosamente nasceu pedindo transparência, acusando o Ecad de ser uma caixa-preta. Mas isso é só uma hipótese, uma tentativa de entender o que levaria esses artistas a se posicionar dessa forma.

Araújo nota que a tese do Procure Saber tem seus pilares nos processos que Roberto Carlos moveu contra ele e que levaram à proibição da biografia "Roberto Carlos em detalhes".

- Roberto não está se pronunciando agora porque fez isso em 2007, em seus processos contra mim. Quando vi os argumentos do Procure Saber me dei conta de que já tinha lido aquilo em algum lugar. Claro, tinha lido nos meus processos. As duas teses estão lá, a privacidade e o fato de estarem ganhando dinheiro em nome do artista. E o Procure Saber encampa exatamente as duas teses, não há nenhuma originalidade, eles não criaram nada. Agora eles estão tendo dificuldade para defender essa tese estapafúrdia.

Para Araújo, em seus artigos sobre o tema, Chico, Djavan, Gil e Caetano parecem "amarrados":

- Eles tinham que escolher defender ou a privacidade ou o dinheiro. Há uma dificuldade de defender a proibição de biografias não autorizadas para pessoas que sabem o valor do livro, que além de leitores, são autores. Você vê que Caetano é de partir para cima, de surfar em cima de um assunto. Não foi assim nesse caso. Sinto eles amarrados. Porque eles estão defendendo uma tese que no fundo não acreditam. Roberto nesse sentido foi sincero, porque ele acredita nisso. Ele vive num outro mundo, do mercado imobiliário, do cartão de crédito, o mundo do dinheiro. Não tem maiores intimidades com a literatura. Você até entende ele querer queimar um livro. Mas não os outros.

O historiador chama atenção para outra diferença entre Roberto e os artistas do Procure Saber.

- Eles falam como se estivessem sufocados por biografias não autorizadas. O artigo de Djavan é como se fosse um basta aos milhares de livros escritos sobre eles. E não existe nenhuma! Nenhum deles tem. A do Milton é autorizada, a do Gil é autorizada, o Chico tem perfis autorizados... O único que enfrentou essa situação de ter uma biografia não autorizada de fôlego sobre ele foi Roberto.

Araújo demonstra desânimo na voz ao comentar o fato de ter recebido acusações diretas vindas de Roberto Carlos (que num dos processos pediu sua prisão) e de Chico Buarque (que diz que o historiador mentiu), dois artistas que admira:

- Encarar duas instituições nacionais, o príncipe da MPB de um lado e o Rei da música brasileira do outro, não é fácil. Só os fortes sobrevivem.

No O Globo
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A utopia improvável de Marina Silva


Ontem, no meu blog, tentei entender os movimentos em torno da candidatura de Marina Silva a partir de três atores importantes no jogo político: os grupos econômicos, os partidos políticos e as escolas de pensamento.

A noiva são os grupos econômicos, cada qual com seu leque de interesses. A mediação entre os grupos e os partidos se dá através de escolas de pensamento ou dos chamados intelectuais oportunistas, buscando discursos eficientes.

O discurso mais eficiente é aquele que, incorporando os interesses dos grupos econômicos parceiros, seja vendido como uma utopia ao eleitor.

Em países de pouca tradição programática, os partidos políticos são o chamado cavalo de umbanda. Quando não servem mais, as escolas procuram um novo cavalo para baixar o santo. É o caso de André Lara Rezende, um dos pais do Real, que pulou do PSDB para Marina.

* * *

Historicamente, o jogo da política econômica sempre operou de forma binária. Numa ponta, a fatia nacional da economia, defensora do ativismo do Estado e representada pelos economistas desenvolvimentistas.

Na outra, a fatia internacionalizada do país, mercado financeiro, grandes gestores de fundos, multinacionais brasileiras. Para esses interessa menos estado e maior liberdade do capital. Seguem a chamada escola neoliberal.

* * *

FHC abraçou as teses mercadistas. Deixou o poder enaltecido pelos financistas, amaldiçoado pelos industrialistas e rejeitado pela opinião pública.

Lula abriu espaço para os mercadistas no Banco Central e na Fazenda; para as chamadas forças produtivas no Ministério do Desenvolvimento e Agricultura. E para as forças sociais no Ministério do Desenvolvimento Social e no Bolsa Família. Só conseguiu fechar todas as pontas devido a uma conjuntura internacional favorável.

* * *

Nas últimas eleições, a campanha da oposição concentrou-se em formulações um tanto folclóricas, como ameaça de comunização, farquismo, bolivarismo etc.

Hoje em dia as críticas são mais objetivas, quanto ao voluntarismo, pressa, intervencionismo na economia etc.

Acontece que esses temas  têm pouco impacto na opinião pública.

Mas, tendo como formulador o mesmo André Lara Rezende, há uma confluência de grandes grupos paulistas em criar a utopia Marina.

Essa utopia consiste em substituir o sonho do desenvolvimento pelo sonho da felicidade. O planeta não pode manter o crescimento, sob risco de esgotar totalmente seus recursos.

* * *

Há duas formas de distribuir renda: crescendo, e distribuindo o excedente; ou não crescendo, e expropriando de quem tem para dar a quem não tem. Qual caminho André sugere?

Cidadania e distribuição de renda consistem em levar energia aos mais pobres. Marina chegou a sugerir a proibição até de novas usinas hidrelétricas.

A simbiose André-Marina é tão evidente que, nos últimos dias, ela se pôs a defender até o tripé inflação-rigidez fiscal-câmbio flexível.

* * *

Entre oposicionistas de carne e osso - como Eduardo Campos e Aécio Neves - e fantasias de Avatar, é importante que a oposição não embarque em aventuras.

Luis Nassif
No GGN
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Eduardo Campos esconde da agenda oficial encontro com barão do PIG, para trair Lula


Um dos principais barões do PIG (Partido da Imprensa Golpista), o dono do jornalão demotucano Folha de São Paulo, Octávio Frias Filho, está em viagem a Recife hoje (17) para encontrar-se entre quatro paredes com o governador Eduardo Campos (PSB).

Não se trata de reportagem, nem de entrevista. É o empresário dono do jornal, acompanhado da alta cúpula da diretoria, quem almoça com Campos. Daí presume-se que as conversas girem em torno de apoio político do jornal à candidatura dele. Seria a coligação informal PIG-PSB.

Frias é um dos mais radicais barões da mídia anti-Lula. Além de seu demotucanismo, Frias nunca escondeu o preconceito de não admitir que um ex-trabalhador de chão de fábrica, sem curso superior formal, chegasse à Presidência da República. Mesmo depois de Lula ter provado ser o melhor Presidente que o Brasil já teve, saindo com aprovação popular quase unânime, com a economia próspera interna e externamente, e com o Brasil ganhando inédita projeção e presença internacional.

No encontro, Campos comete mais um ato de traição ao presidente Lula e ao povo, ao aliar-se a mais um dos adversários reacionários do lulismo.

O ato de traição fica mais evidente quando Eduardo Campos procura esconder a divulgação do encontro na agenda pública.

No "site" do governo de Pernambuco, a agenda do governador mostra "O GOVERNADOR EDUARDO CAMPOS NÃO TERÁ AGENDA PÚBLICA NESTA QUINTA-FEIRA (17/10)".

Logo, o encontro é privado, apesar dele levar Frias a visitar órgãos públicos do governo pernambucano.

Frias também trai o pré-candidato do PSDB, Aécio Neves. Talvez porque o jornalão nutra maior paixão pela candidatura tucana de José Serra, um candidato paulista. Ou talvez esteja indo em missão para negociar o apoio do PSB paulista ao governador tucano Geraldo Alckmin, outro "amigo" do jornal. Aliás, mais do que amigo, cliente. Afinal o governo Alckmin fez assinaturas em massa da "Folha de São Paulo", sem licitação, com dinheiro público da educação, o que socorreu a queda na circulação diária, decadende nos últimos anos.

Mais do encontro não se sabe. Se nem foi divulgado na agenda, o que já revela falta de transparência, imagine as conversas entre quatro paredes. Em todo caso é bom ficar de olho nos empenhos de despesas do governo de Pernambuco, se não aparecerão propagandas do governo pernambucano no jornal coincidindo com matérias simpáticas ao governador. Ou, quem sabe, assinaturas em massa feitas pelo estado de Pernambuco, como fez Alckmin em São Paulo.

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Preço da gasolina perto de “empatar” com dólar mais baixo. E os “aumentistas”, quietos…


Uma reportagem do Valor, hoje, mostra como é perigoso, em matéria de petróleo, fazer raciocínios simplórios e imediatistas.

A Petrobras, vocês se recordam, ia “quebrar” por conta da defasagem entre os preços internacionais da gasolina e do diesel, na casa dos 30%.

Agora, eles admitem que essa defasagem caiu para 9%. Talvez menos, porque o preço internacional do petróleo teve uma ligeira queda, em torno de 4%, nos últimos dias.

Não é lúcido tentar negar o óbvio, pois é evidente que o preço da gasolina – ao menos nas refinarias – está contido, embora o “mercado livre” pratique diferenças de preço que chegam a mais de 15% entre os preços nas bombas.

Mas é evidente que as forças políticas que, através da imprensa, clamavam por “reajuste já” visavam o desgaste político não apenas do governo Dilma quanto, sobretudo, da própria Petrobras, justo no momento em que ela será, como nunca antes, a ferramenta do país na apropriação para o Brasil da maior reserva de petróleo do pré-sal.

O reajuste, quando vier, virá na hora e no tamanho certo para ser absorvido, sem danos, política e economicamente, embora os “aumentistas”, aí, preparem uma nova temporada de “o mundo vai acabar”.

Da mesma forma, acreditem, vai seguir o leilão de Libra. A greve dos petroleiros, algo delicado, porque envolve a segurança das operações de extração e refino de petróleo, deve ser vista com serenidade, sem atropelos.

Dia 21, com o resultado do leilão, acabam as pressões.

E os que estão contra, por ingenuidade e desconfiança, vão ver que a mídia vai falar muito em “fracasso” do leilão”

Fracasso, para eles, claro, é a Petrobras ganhar.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Pergunte ao gás (lacrimogêneo)


Os olhos começam a lacrimejar, a pele se irrita com a sensação de um ardor de queimadura e torna-se muito difícil respirar. Na forma de spray, o jato pode ser direcionado ao rosto; como verdadeiras granadas, são lançadas para dispersar a turba. Na desocupação do Parque Gezi, na Turquia, ou nas jornadas de junho em todo o Brasil, o gás lacrimogêneo foi – e ainda é – usado indiscriminadamente na dispersão e repressão aos manifestantes.

Com efeitos que duram de 5 a 10 minutos, o eufemismo do gás “não letal” esconde a realidade da “arma química”. Para se fazer guerra, há regras. “O objetivo é você eliminar meios e métodos que causem sofrimentos desnecessários ao objetivo da guerra”, afirma Tarciso Dal Maso Jardim, assessor e consultor legislativo do Senado Federal para defesa nacional e relações exteriores.

A arte da guerra é tão complexa e contraditória quanto o fato de existir uma convenção que limite o guerrear. Tanto o Comitê Internacional da Cruz Vermelha quanto as Convenções de Genebra, para citar dois exemplos, se mantêm por meio do ininterrupto surgimento de disputas. “O desenvolvimento na área humanitária é uma construção histórica”, explica Dal Maso.

A Convenção de Armas Químicas (em inglês Chemical Weapons Convention – CWC), criada em 1925 em consequência do Protocolo de Genebra, proíbe o uso militar de gases tóxicos, asfixiantes, e métodos biológicos. Adotada apenas a partir de 1997, a CWC levou à criação da Organização para a Proibição de Armas Químicas (em inglês Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons – OPCW), que se tornou encarregada de supervisionar a destruição de arsenais químicos, também assegurando a sua não proliferação. A OPCW ganhou neste início de mês o prêmio Nobel da Paz. “Se dedica a combater, não só o uso, mas a fabricação, a estocagem, também a colaboração técnica para a produção desse tipo de arma. Ela tem um sistema de visitas surpresas no país, tem um grande poder de inspeção”, ressalta Dal Maso.

Em entrevista ao Repórter do Futuro/Nota de Rodapé, o consultor legislativo foi categórico com relação ao Brasil e o não cumprimento de alguns tratados e convenções já ratificadas, como as Convenções de Genebra na década de 1950. A não implementação, além do paradoxo do posicionamento humanitário internacional e as crises internas, significa algo muito mais perigoso do que parece. “Boa parte dos crimes de guerra que estão definidos nas Convenções não são considerados crimes aqui no Brasil.”

Os discursos são dúbios. No mês de setembro, a ONU confirmou a adesão da Síria ao tratado global contra armas químicas. O país era um dos sete que não aderiram à Convenção nos anos 1990. Os EUA, por outro lado, iniciaram o fornecimento de armas a rebeldes com o argumento de terem sido atacados por armas químicas. O mercado do gás lacrimogêneo, considerado arma química pela mesma ONU, é dominado justamente por empresas norte-americanas.

"Dá falta de ar e aí
começa a arder tudo"

“Eu já tomei bala de borracha, spray de pimenta e esse [lacrimogêneo]. Só não tive a experiência com estilhaço de bomba. Mas, de todos, o pior é o gás.” Letícia Carvalho, estudante de jornalismo, aos 23 anos já teve de lidar diversas vezes com a “queimação” causada pelo gás de efeito moral. Das lembranças das manifestações do Movimento Passe Livre (MPL) de junho, em São Paulo, Letícia considera seus piores dias os dos segundo (7) e quinto (17) atos. “No segundo, eu tava na linha de frente”, conta a estudante, que chegou a enfrentar uma situação em que quatro bombas estouraram tão próximas a ponto de secar a máscara que usava para se proteger.

As bombas de gás são estruturas que, após a explosão, liberam uma substância conhecida como CS (clorobenzilideno malononitrilo). Ao se misturar a solventes, pode causar lacrimejamento intenso nos olhos, irritação na garganta, sensação de sufocamento, náuseas, entre outros efeitos físicos. “É horrível, dá um desespero porque parece que aquilo não é respirável. Dá falta de ar e aí começa a arder tudo”, diz Letícia.

A exposição prolongada, no entanto, pode levar a danos mais graves. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, em ambientes fechados a inalação do tear gas pode encadear uma parada respiratória. Neste ponto, o grupo “Facing Tear Gas” organizou uma campanha contra o papel dos EUA nos negócios de gás lacrimogêneo no mundo e em solidariedade às pessoas que sofrem com a repressão em diversos países atualmente. Entre as justificativas: “porque é uma ferramenta de repressão”, “porque as nossas cidades estão desmoronando” e “porque mata”, há uma petição online que pode ser assinada no site do movimento, que também critica a empresa brasileira Condor Non-Lethal Technologies pelo fornecimento de gás para a dispersão de manifestantes na Turquia, em junho.

A naturalização do uso do gás lacrimogêneo, após os anos 1960, esconde em seu discurso de defesa a preocupação excessiva com a propriedade e a resposta repressiva do Estado ao direito de expressão. “Tem coisas que [se] proíbe na guerra e não [se] proíbe na sociedade, na manutenção da ordem pública”, diz Dal Maso.

Milena Buarque, estudante do último ano de jornalismo no Mackenzie, integrante do 12º Curso de Informação sobre Jornalismo em Situações de Conflito Armado e Outras Situações de Violência, do Projeto Repórter do Futuro, onde foi confeccionado este texto publicado pelo NR
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Projeto quer acabar com autos de resistência


É um caminho para indicar a opção do Estado brasileiro pela legalidade

Combater o crime com mais violência nunca foi uma ideia sensata. O resultado é mais crime e uma confusão quase insolúvel, toda vez que a polícia ultrapassa a margem da legalidade.

Um projeto que está pronto para votação na Câmara dos Deputados pretende diminuir o espaço pelo qual a violência policial tradicionalmente se oculta, os ‘autos de resistência’.

Por intermédio deles, muitos mortos foram simplesmente transformados em suspeitos, para que os homicídios da repressão fossem esquecidos.

A resistência seguida de morte tinha como principal consequência o escamoteamento da morte, sendo na prática um inquérito de resistência arquivado pelo falecimento do suspeito.

Quem supunha que a criminalidade podia servir de álibi para a violência policial, paulatinamente vai percebendo que ela só a alimenta, como se viu no caso Amarildo ou mesmo no assassinato da juíza Patrícia Acioly.

O projeto de Lei 4471/12 busca inverter essa lógica e fortalecer a investigação nos casos de mortes em decorrência da ação da polícia. Afinal, se testemunhas são desprezadas, cenas de crime alteradas, perícias postergadas ou contaminadas, não surpreende que, ao final, nenhuma responsabilidade penal seja mesmo averiguada.

Entre os pontos que o projeto altera, estão a proibição do acompanhamento do exame de corpo de delito por pessoa estranha ao quadro de peritos, a obrigatoriedade de documentação fotográfica e coleta de vestígios em casos de morte violenta e exame interno do cadáver, sempre que a morte ocorra em com envolvimento de agentes do Estado.

O laudo pericial, que deve ser produzido em até dez dias, deverá ser obrigatoriamente encaminhado à autoridade policial e à Corregedoria da Polícia, ao Ministério Público e à família da vítima.

Nos casos de resistência, sempre que do emprego de força resultar ofensa à integridade corporal ou à vida do resistente, a autoridade policial deverá instaurar imediatamente inquérito para apurar esse fato específico -não apenas embutido na resistência. E ainda deverá fazer comunicações imediatas ao Ministério Público e à Defensoria Pública, à Corregedoria da Polícia e à Ouvidoria.

Enfim, o propósito é superar a deficiência crônica das investigações sobre excessos policiais, que seguidamente viola direitos humanos, inclusive tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Como exemplo, os princípios das Nações Unidas para a prevenção efetiva e investigação de execuções sumárias, arbitrárias e extralegais, de 1989:

“Os governos devem proibir por lei todas as execuções extralegais, arbitrárias ou sumárias e devem zelar para que todas essas execuções sejam tipificadas como delitos em seu direito penal e que sejam sancionáveis com penas adequadas que levem em conta a gravidade de tais delitos”.

O projeto dos ‘autos de resistência’ não tem força para alterar esse quadro por si só, em especial pela conivência social com as torturas e as execuções.

Mas é um caminho para indicar a opção do Estado brasileiro pela legalidade.

Até porque, à margem da lei, somos todos marginais.

Marcelo Semer
No Sem Juízo
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Vejam como é a democracia tucana na USP


Com a reitoria ocupada há três semanas por estudantes, que também fazem manifestações e protestos de rua frequentes pela escolha do reitor da universidade pelo voto direto de toda a comunidade – professores, alunos e servidores -, o governador Geraldo Alckmin faz ouvidos moucos e continua irredutível em sua política de vir a nomear o reitor por uma lista tríplice elaborada por uma minoria – e põe minoria nisso! – de membros da comunidade acadêmica.

Na USP a democracia tucana funciona de uma forma que leva, na prática, o reitor a ser escolhido por apenas 855 votantes integrantes do grupo de 1.089 professores titulares com direito a voto. Estes 855 constituem, assim, 78,5% dos componentes do chamado colégio eleitoral que elabora a lista tríplice.

No restante da comunidade, entre os 4.805 outros professores (associados, doutores ou assistentes), apenas 814 têm direito a voto; dos 58.303 alunos da graduação, só 98 têm direito a voto; dos 28.494 da pós-graduação, 67 têm direito a votar; e dos 16.837 funcionários, só 69 podem participar do processo.

Dentre os milhares de antigos alunos, apenas 13 têm direito a voto. Entre auxiliares de ensino, só 4 votam. Como “representantes da classe trabalhadora”, só 1 tem direito a voto. E por aí vai. Essa é a democracia que os tucanos gostariam para o Brasil. Assim eles sempre governariam o país…

No Blog do Zé
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As estratégias capitalistas do MST, segundo o iG

Com agricultura familiar, MST adere a estratégias capitalistas



Apenas 7 cooperativas do movimento faturam cerca de R$ 100 milhões por ano, um negócio e tanto para quem imagina que da roça dos sem-terra só saem conflitos

Novo no ramo, o representante comercial mostra o folder do suco de uva integral Monte Vêneto, produzido em Cotiporã, na serra gaúcha, e anuncia que é a mais moderna indústria de sucos da América Latina, produto 100% natural. “É a única que só produz suco de uva”, enfatiza.

Num belo catálogo, produzido com papel e imagens de alta qualidade (a capa é ilustrada com fotos de vacas holandesas saudáveis pastando numa propriedade rural sustentável), ele aponta os 57 produtos derivados do leite.

Em seguida, apanha e exibe com indisfarçável orgulho o produto que pode se tornar top do novo empreendimento: arroz orgânico embalado a vácuo.

“A sociedade não sabe o que fazemos. Acha que só invadimos terra. Muitas pessoas ficam surpresas quando mostramos nossos produtos”, diz Altamir Bastos, gaúcho de Panambi, 44 anos, 23 deles como militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Nascido nas brechas da ditadura, em 1979, e há 28 como movimento, o MST está acoplando à sua estrutura de esquerdista os métodos e estratégias do capitalismo de mercado.

Sem o cacoete dos tradicionais comerciantes, o agora com terra Altamir é um símbolo do empreendedorismo e da nova trincheira do MST no enfrentamento ao seu arqui-inimigo, o agronegócio.

Há 15 dias ele fechou um contrato no valor de R$ 2,4 milhões com a Prefeitura de São Paulo para fornecer 930 toneladas de arroz orgânico para a merenda escolar do município e, em contrapartida, melhorar a renda de 1.400 famílias da Cooperativa dos Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap).

Foi um lance estratégico. Permite ao MST enganchar um pequeno vagão na “locomotiva” da economia do país e, assim, ampliar seu controle no chamado mercado institucional (órgãos públicos em geral) para entrar naquilo que mais lhe interessa: a rede de distribuição de alimentos que abastece a classe média no mercado dominado pelos médios e grandes produtores rurais.

O contrato com a Prefeitura de São Paulo inclui ainda 480 toneladas de arroz parboilizado e outras 470 de feijão, produzidos, respectivamente, em assentamentos de Querência do Norte (RS) e Itapeva (SP). No total a cooperativa faturou e repassará aos assentados R$ 5, 984 milhões.

A Prefeitura de São Paulo é um pequeno naco setor público, aberto com a decisão do governo federal em determinar, por lei, que 30% de alimentos para o setor público tenham origem na agricultura familiar.

Nessa seara, que já pertenceu aos médios e grandes, o MST é hoje o líder. Controla mais de 10 milhões de hectares de terra, tem cerca de 400 mil famílias assentadas e – ancorado no cooperativismo — produz em suas agroindústrias derivados de grãos e de leite com qualidade e sabor de fazer inveja aos grandes empreendimentos rurais.

Apenas sete cooperativas — duas no Rio Grande do Sul, uma em Santa Catarina, duas no Paraná e duas no interior paulista — faturam cerca de R$ 100 milhões por ano, um negócio e tanto para quem imagina que da “roça” dos sem-terra só sai conflito.

Esse desempenho já colocaria o MST num ranking de empresas de médio para grande porte, conforme critérios do BNDES. Mas o faturamento, segundo Altamir, é bem maior, uma vez que o MST, embora não disponha de um banco de dados sobre produção e comercialização, está organizado em todo o país.

A parceria com a gestão do prefeito Fernando Haddad, do PT, abriu as portas para ampliar o mercado institucional e conquistar administrações de todos os partidos, inclusive do PSDB, como em Santos e Suzano, que já fecharam contratos.

No ABC paulista, os negócios estão prosperando tanto que a Prefeitura de São Bernardo do Campo, gerida pelo petista Luiz Marinho, passou a usar os 100% de sua receita para a comprar alimentos da merenda escolar nas cooperativas do MST.

No total, segundo Altamir, 20 prefeituras de São Paulo — uma mais, outras menos — já estão na carteira de clientes.

Essas parcerias, segundo o militante, permitem aos assentados traçar metas de produção em escala e, seguindo estratégia de mercado, conquistar no longo prazo quase o monopólio dos alimentos orgânicos, um mercado tratado com certo desdém pelo agronegócio, mas um ponto de afirmação para o MST.

Ainda que modestamente, o movimento domina a cadeia produtiva dos orgânicos e avança na produção de leite longa vida, leite em pó, iogurtes e achocolatados em geral, sempre criando marcas e produtos que se contraponham aos da concorrência.

É o caso, por exemplo, do Terrinha, um achocolatado mais natural, colocado na merenda para invadir a faixa ocupada hoje pelo Toddynho, galinha dos ovos de ouro da Pepsico do Brasil Ltda na linha infantil.

“O dinheiro não tem ideologia, mas a opção por produzir alimentos orgânicos faz parte dos nossos compromissos e da nossa história. Eles fazem parte da luta da agricultura familiar contra os transgênicos, que são símbolos do agronegócio”, explica Altamir.

Ele diz que a prioridade dos assentamentos é a produção de alimentos saudáveis, com sabor e qualidade, para escolas públicas, especialmente aquelas em que estudam os filhos dos sem-terra.

“Mas queremos entrar no mercado tradicional”, afirma Altair Bastos, que está fazendo prospecção para a implantação de um projeto ousado: construir na capital paulista um centro de distribuição de produtos originários de assentamentos do Sul e do Sudeste.

O governo do tucano Geraldo Alckmin ofereceu de graça um terreno ao longo da Rodovia Castelo Branco, mas o local está a mais de 100 quilômetros da capital.

O MST está priorizando uma área que fique num dos assentamentos mais próximos de São Paulo e que esteja situado num eixo rodoviário com infraestrutura e condições de mobilidade. Uma das opções é Franco da Rocha, na região metropolitana.

Os gastos previstos para o entreposto são da ordem de R$ 10 milhões e o alvo, claro, são as demais 625 prefeituras paulistas, as de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de Goiás, regiões em que Altamir Bastos atua como representante comercial.

Nos estados do Sul, o MST já domina boa parte do fornecimento e, em lugares como o Rio Grande do Sul – matriz do movimento — abastece universidades, escolas estaduais e toda a rede de presídios.

Potencial institucional 


A potencialidade do mercado institucional é estimulada por lei federal criada em 2009 pelo governo e aperfeiçoada. Ela garante um naco do mercado aos movimentos envolvidos na luta pela reforma agrária, mas vincula o sistema de comercialização às cooperativas e cria um limite de R$ 20 mil de faturamento para cada família.

Atualmente 95% da produção dos assentamentos do MST são vendidos para escolas, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e ao Programa de Aquisição de Alimentos do governo federal.

“Estamos lutando para mudar a lei e, assim, permitir que cada família possa vender pelo menos R$ 30 mil”, diz Altamir.

Segundo ele, as prefeituras têm potencial de um grande e cobiçado mercado consumidor, já que atualmente, conforme estima, os produtos do MST cheguem a menos de 5% dos 5.564 municípios brasileiros.

O crescimento nesse segmento, segundo o militante, daria ao MST musculatura para, mais à frente, com os pés no chão, entrar num embate com o agronegócio pelas prateleiras dos grandes supermercados depois de uma frustrada tentativa de parceria com o Grupo Pão de Açúcar.

“Eles nos espremeram por todos os lados. Cobram até o espaço em que o produto é colocado na prateleira”, queixa-se Altamir.

No ano passado o MST colocou nas lojas do Pão de Açúcar da região Centro-Oeste arroz orgânico, mas o negócio está se mostrando inviável.

Embora chegue aos supermercados do grupo em Brasília a R$ 3, 20 o quilo e seja vendido ao dobro ao consumidor, a cooperativa gaúcha tinha de arcar com todos os encargos e, assim mesmo, o produto ficava escondido, dificultando a estratégia de marketing do MST, de se apresentar a classe média com um produto saudável e barato.

A simples disputa pelo mercado institucional já provocou uma reação de produtores médios e de seus atravessadores. Em São José do Rio Preto, depois de ouvir indecorosas propostas de propina para dividir um contrato com uma falsa cooperativa, Altair denunciou o caso ao Ministério Público.

“Tem gente criando cooperativa para fraudar o processo de compra. É para tentar desmoralizar o movimento e sacanear nosso projeto”, diz Altamir, um tanto sem jeito para brigar com adversários que o MST desconhecia, mas que fazem parte da guerra entre capitalistas, contra os quais as táticas barulhentas nem afetam os tímpanos.

Vasconcelo Quadros – iG
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