16 de out de 2013

Folha mente, novamente


Resposta à matéria publicada na Folha de S.Paulo sobre o Programa Minha Casa Minha Vida


A matéria "Dilma multiplica viagens e entrega casas sem água e luz", publicada na edição de hoje (16/10) do jornal Folha de S.Paulo, distorceu os fatos para levar o leitor a conclusões que não condizem com a realidade. O programa Minha Casa Minha Vida atende à demanda por moradia da população de baixa renda com toda infraestrutura de água, esgoto e energia elétrica necessária para o conforto das famílias, como aconteceu de fato em Vitória da Conquista (BA).

Como qualquer cidadão que adquire um imóvel novo, o beneficiário do MCMV deve solicitar a ligação do fornecimento de energia e água em cada unidade, de acordo com a sua conveniência. Os imóveis são entregues com as instalações prontas para a concessionária fazer a ligação do serviço. Caso contrário, o beneficiário pagaria pelo fornecimento de água e luz sem estar ocupando o imóvel.

No caso específico do conjunto habitacional de Vitória da Conquista, as instalações também estão prontas e a concessionária já fez as ligações em grande parte das unidades, conforme a própria reportagem da Folha constatou no local. Não há qualquer obstáculo para os beneficiários terem acesso ao serviço de luz, água e esgoto no momento em que ocuparem sua nova casa.

Dessa forma, é má fé atribuir, ao programa Minha Casa Minha Vida, falta de infraestrutura e serviços, como tenta fazer a matéria da Folha de S. Paulo. Presta assim informação inverídica aos seus leitores.

Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
Caixa Econômica Federal

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Petrobras: Esclarecimento

A respeito de notícias sobre pagamento do bônus de assinatura do bloco de Libra, a área de Relacionamento com Investidores da Petrobras informa:
“Sobre notícias veiculadas na imprensa acerca de um possível acordo com estatais chinesas para o pagamento do valor que cabe à Petrobras no bônus de assinatura do bloco de Libra no leilão do pré-sal, a Companhia esclarece:

A estratégia de participação da Petrobras no leilão de Libra configura informação confidencial de caráter estratégico. De acordo com sua política, a Companhia não comenta rumores ou especulações da mídia.

Após a conclusão do leilão, previsto para ocorrer no dia 21 de outubro de 2013, a Petrobras comunicará tempestivamente ao mercado o resultado de sua participação, em cumprimento à legislação vigente.”

No Fatos e Dados
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De seu amável interrogador

Autor da biografia 'Roberto Carlos em detalhes' e do livro 'Eu não sou cachorro, não' contesta afirmações de Chico Buarque a seu respeito

Chico Buarque e Paulo Cesar de Araújo  
Arquivo pessoal

Foi com grande espanto que li, quarta, declaração de Chico Buarque aqui no Globo, afirmando que jamais me deu uma entrevista. Ou seja, ele alega que eu teria faltado com a verdade ao incluí-lo entre as fontes listadas na biografia “Roberto Carlos em detalhes”. Ocorre que Chico Buarque foi, sim, uma das 175 pessoas que entrevistei para a pesquisa que resultou naquele livro. O artista certamente se esqueceu, mas ele me recebeu em sua casa, na Gávea, na tarde de 30 de março de 1992. E esta entrevista, com duração de quatro horas, foi gravada, filmada e fotografada. Falamos muito sobre censura, interrogatórios — creio que por isso ele escreveu, junto com o autógrafo que me deu na capa do disco “Construção”: “Para o Paulo, meu amável interrogador, com um abraço do Chico Buarque. Rio, março/92.”

Naquela entrevista, Chico me falou sobre as principais fases e canções de sua carreira. Uma de minhas perguntas foi sobre sua relação com Roberto Carlos nos anos 60, quando ambos representavam polos opostos na nossa música popular — suas frases estão reproduzidas na página 184 da biografia que escrevi.

No seu artigo o cantor também negou uma declaração dele que reproduzo no meu livro anterior, “Eu não sou cachorro, não”. No livro eu cito a fonte: “Última Hora-SP”, 28/06/1970 — mesmo jornal para o qual, em 1974, o próprio Chico daria uma famosa entrevista, sob o pseudônimo de Julinho da Adelaide. Esta entrevista está no seu site. Resumindo: no seu artigo, Chico dá a entender que o jornal era desprezível, mas ele falava, sim, com seus repórteres. Pois bem. Ele disse no artigo ser impossível ter “criticado Caetano e Gil, então no exílio, por denegrirem a imagem do país no exterior”. Ocorre que a crítica registrada na “Última Hora” não tinha este viés nacionalista. O que ele criticava era o fato de os baianos usarem a condição de exilados para sensibilizar os ingleses e fazer sucesso: “Nos cartazes de publicidade que eles mandaram imprimir, consta que foram banidos do país. Isso é ridículo, querer vencer pela pena.”

Registre-se que na época Chico andava mesmo afastado de Gil e Caetano por conta de rusgas desde a eclosão do tropicalismo — o que Chico confirmou ao “Pasquim”, em 1970. Trecho: “Eu perdi o contato com eles, perdi a amizade deles. Então eu não entendo mais se o Caetano é o mesmo que eu conheci”. Nesse mesmo papo com o “Pasquim”, Chico se mostrou também desconfiado da gravação de “Carolina”, feita por Caetano. “Eu ouvi o disco uma vez só e confesso que não gostei e não quis ouvir mais porque é um problema em que eu não estava a fim de ficar pensando: será que ele gravou de boa-fé ou de má-fé?” Portanto, neste contexto, acho bastante possível ele ter feito também aquela declaração sobre os baianos na “Última Hora”. Por isso, incluí sua declaração no livro. Faz parte do meu ofício de historiador.

Paulo Cesar de Araújo, historiador e escritor
No O Globo
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O artigo de Chico é um avanço no debate sobre as biografias

Chico trouxe luz à escuridão

Nos anos 70 a TV Globo me proibiu. Foi além da Censura, proibiu por conta própria imagens minhas e qualquer menção ao meu nome. Amanhã a TV Globo pode querer me homenagear. Buscará nos arquivos as minhas imagens mais bonitas. Escolherá as melhores cantoras para cantar minhas músicas. Vai precisar da minha autorização. Se eu não der, serei eu o censor.

Aplausos de pé para Chico Buarque. Num artigo publicado pelo Globo Chico trouxe luz, e a dose necessária de complexidade, para um assunto que está sendo debatido de forma simplista, maniqueísta e tola. O trecho em itálico com o qual se inicia este artigo é o fecho do texto de Chico.

Uma pequena atração a mais nas palavras de Chico é a pancada dada na Globo e publicada pelo Globo. Não é que a Globo tenha virado boazinha: são os novos tempos na mídia, apenas.

Provavelmente o roteiro completo é o seguinte. O Globo pediu a Chico um texto. Ele mandou. Em outras épocas – por exemplo, na citada por ele, os anos 1970 – o editor teria amassado o artigo e jogado no lixo. Ninguém ficaria sabendo de nada.

Agora é diferente. Se o Globo não publica, o texto vai parar em outro lugar, provavelmente na internet. Acaba saindo, e o Globo passa por censor de Chico mais uma vez. “Ah, não mudou nada essa empresa”, concluiriam – acertadamente, aliás – muitos.

Chico foi inteligente e o jornal nada pôde fazer além de publicar uma explicação que não explicava nada no final de um artigo que não contribui em nada para o prestígio da Globo ao relembrar um passado de cumplicidade lucrativa e descarada com a ditadura.

Em seu artigo, Chico traz uma revelação. Ele diz que o biógrafo de Roberto Carlos não o entrevistou, embora o tenha colocado na lista das pessoas que ouviu ao longo de quinze anos de trabalho. Tudo é nebuloso, como se vê.

A questão das biografias – voltemos ao tema – é menos fácil de tratar do que muitos gostariam. Dizer que Chico, Caetano e Gil estão fazendo censura é ignorar a desproteção absurda que você tem no Brasil em casos de assassinato de caráter, uma possibilidade frequente em biografias não autorizadas.

Buscar a justiça é virtualmente inútil. Tudo é moroso, angustiosamente moroso, e se você é indenizado a cifra costuma ser ridícula.

É o mesmo caso da mídia, aliás. Tente se ressarcir de uma calúnia. Num caso que mostra o quanto a justiça brasileira é ruim para proteger a privacidade e a reputação das pessoas, diretores da Petrobras caluniados só conseguiram incomodar Paulo Francis por processá-lo nos Estados Unidos.

Francis disse várias vezes que eles eram corruptos. Como falou no Manhattan Connection, em solo americano portanto, os acusados puderam processá-lo na justiça dos Estados Unidos. Francis teve que apresentar provas. O fim da história é conhecido: Francis não tinha prova de nada e, colocado diante de uma indenização milionária, entrou em desespero. Seu coração não aguentou.

No universo das biografias o cenário não é diferente. Chico lembra um caso exemplar: a Companhia das Letras foi obrigada a pagar um dinheiro para filhas de Garrincha. Injusto? A editora ganhou, o autor ganhou – e as filhas?

No caso de estrelas como Chico, Caetano, Gil e Roberto Carlos, o dinheiro é secundário. Mas o problema – a desproteção na justiça – é o mesmo.

Tanto para a mídia como para as biografias, indenizações severas acabam forçando os autores a ter mais cuidado com o que publicam. É o que acontece nos países mais avançados socialmente. Mas não é o que temos no Brasil.

Todos os países que administram bem os limites da mídia têm nas indenizações rápidas e elevadas um dos pontos cruciais. No Brasil, quando o assunto aparece, a tropa de choque da mídia sai gritando que se trata de “censura”. Nas biografias, a lógica é a mesma.

O que os artistas podem fazer para que a legislação brasileira favoreça menos o assassinato de caráter? Pouco. Mas, em vez de esperar uma justiça decente, eles podem se mexer para se proteger contra a desproteção.

É o que estão fazendo. É o que eu faria. É o que muita gente que os acusa de censores faria.

Paulo Nogueira
No DCM
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Penso eu

Pensei que o Roberto Carlos tivesse o direito de preservar sua vida pessoal. Parece que não. Também me disseram que sua biografia é a sincera homenagem de um fã. Lamento pelo autor, que diz ter empenhado 15 anos de sua vida em pesquisas e entrevistas com não sei quantas pessoas, inclusive eu. Só que ele nunca me entrevistou.

O texto de Mário Magalhães sobre o assunto das biografias me sensibilizou. Penso apenas que ele forçou a mão ao sugerir que a lei vigente protege torturadores, assassinos e bandidos em geral. Ele dá como exemplo o Cabo Anselmo, de quem no entanto já foi publicada uma biografia. A história de Consuelo, mulher e vítima do Cabo Anselmo, também está num livro escrito pelo próprio irmão. Por outro lado, graças à lei que a associação de editores quer modificar, Gloria Perez conseguiu recolher das livrarias rapidamente o livro do assassino de sua filha. Da excelente biografia de Carlos Marighella, por Mário Magalhães, ninguém pode dizer que é chapa-branca. Se fosse infamante ou mentirosa, ou mesmo se trouxesse na capa uma imagem degradante do Marighella, poderia ser igualmente embargada, como aliás acontece em qualquer lugar do mundo. Como Mário Magalhães, sou autor da Companhia das Letras e ainda me considero amigo do seu editor Luiz Schwarcz. Mas também estive perto do Garrincha, conheci algumas de suas filhas em Roma. Li que os herdeiros do Garrincha conseguiram uma alta indenização da Companhia das Letras. Não sei quanto foi, mas acho justo.

O biógrafo de Roberto Carlos escreveu anteriormente um livro chamado “Eu não sou cachorro não”. A fim de divulgar seu lançamento, um repórter do “Jornal do Brasil” me procurou para repercutir, como se diz, uma declaração a mim atribuída. Eu teria criticado Caetano e Gil, então no exílio, por denegrirem a imagem do país no exterior. Era impossível eu ter feito tal declaração. O repórter do “JB”, que era também prefaciador do livro, disse que a matéria fora colhida no jornal “Última Hora”, numa edição de 1971. Procurei saber, e a declaração tinha sido de fato publicada numa coluna chamada Escrache. As fontes do biógrafo e pesquisador eram a “Última Hora”, na época ligada aos porões da ditadura, e uma coluna cafajeste chamada Escrache. Que eu fizesse tal declaração, em pleno governo Médici, em entrevista exclusiva para tal coluna de tal jornal, talvez merecesse ser visto com alguma reserva pelo biógrafo e pesquisador. Talvez ele pudesse me consultar a respeito previamente e tirar suas conclusões. Mas só me procuraram quando o livro estava lançado. Se eu processasse o autor e mandasse recolher o livro, diriam que minha honra tem um preço e que virei censor.

Nos anos 70 a TV Globo me proibiu. Foi além da Censura, proibiu por conta própria imagens minhas e qualquer menção ao meu nome. Amanhã a TV Globo pode querer me homenagear. Buscará nos arquivos as minhas imagens mais bonitas. Escolherá as melhores cantoras para cantar minhas músicas. Vai precisar da minha autorização. Se eu não der, serei eu o censor.

Chico Buarque
No O Globo
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As biografias e a liberdade de pensamento


Recife (PE) - Faz duas semanas que os jornais não se cansam de informar que Roberto Carlos, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Djavan, Erasmo Carlos e Gilberto Gil criaram um tal de grupo Procure Saber. E nem pensaram, os astros, no paradoxo do nome dessa estranha associação, cujo objetivo é a exigência de autorização prévia para os livros que autores e editoras venham a publicar sobre as suas magníficas vidas. Dos compositores, evidente.

Paula Lavigne, presidenta e porta-voz do grupo de compositores contra biografias, parece que pouco lê, e se lê, mal entende de livros e literatura, pois assim falou em seu natural soft:

“Aqui no Brasil parece que só existe liberdade de expressão, o direito à privacidade não é respeitado... Nosso grupo é contra a comercialização de uma biografia não autorizada. Não é justo que só os biógrafos e seus editores lucrem com isso e nunca o biografado ou seus herdeiros. Usar o argumento da liberdade de expressão para comercializar a vida alheia é pura retórica”.

Num capítulo de respostas a semelhante filosofia, mora Alceu Valença com muita razão: “O que é pior: a mordaça genérica ou a suposta difamação?”. Mário Magalhães, jornalista premiado e autor da indispensável biografia Marigella, cravou mais fundo: "De acordo com a lei atual, o Cabo Anselmo poderia impedir a circulação de uma biografia independente. O Cabo Anselmo tem o direito de impor à história uma biografia chapa-branca? Afinal, a ditadura acabou ou não?".

Na verdade, e Paula Lavigne em sua ânsia argumentativa não sabe, os autores de livros são os intelectuais mais miseráveis do Brasil. No geral, não conseguem pagar nem um plano de saúde com a renda dos seus livros. Às vezes nem uma razoável cachaça. É um paradoxo, é uma profunda ironia, que na sociedade capitalista os escritores desfrutem de tão alto conceito, mas ganhem de renda a glória, que gozarão quando os seus ossos forem pó.

Num esforço, até entendemos as contrariedades que os astros pop podem ter com os futuros biógrafos. Na vida dos deuses apareceriam, além de secretos vícios do rosto sem maquiagem, algumas brigas domésticas, rompimentos afetivos, vida íntima, vida sexual, atos escandalosos. E quem sabe, o que talvez mais preocupe Paula Lavigne, alguma análise das últimas declarações de renda, que exibiriam as verdadeiras fortunas não declaradas. “Só eu sei”, entendemos. Os biógrafos são impiedosos.

Mas isso faz parte da sua vida no mercado humano. Ou melhor, do mercado. É curioso que os compositores nada reclamem das mistificações, mitificações, mentiras e falsidades que cercam o seu endeusamento na mídia. Isso eles não estimulam, mas consentem, porque não o desmentem. Servem-se em silêncio da boa fama e vamos em frente. Disso não reclamam. Faz parte do show. Do show business.

Nesse clima de espanto, Benjamim Moser, autor da bela biografia de Clarice Lispector, publicou na Folha de São Paulo: “A liberdade de expressão não existe para proteger elogios. Disso, todo mundo gosta. A diferença entre o jornalismo e a propaganda é que o jornalismo é crítico. Não existe só para difundir as opiniões dos mais poderosos. E essa liberdade ou é absoluta, ou não existe... Não pense, Caetano, que o seu passado de censurado e de exilado o protege de você se converter em outra coisa”.

A discussão é boa e traz para a luz o que estava oculto ou silenciado. A saber, que no terreno do espírito, naquele mesmo terreno mais espiritual, do divino e maravilhoso, artistas brigam não bem por ideias, sentimentos ou ideologias, mas por grana e aura de intocáveis. Nada demais, porque dizem à própria consciência que errar e negar, mentir e jurar, tudo isso, meu bem, é do viver. Pois o artista não seria um grande fingidor?

Mas aqui não pode haver compreensões fraternais ou paternais. Irmãos e pais de quem mesmo seríamos? Os monstros criados pela indústria cultural agora mostram os dentes. E não estão a sorrir, nem a cantar os gritos e sussurros do coração. Falam de coisa mais elementar, de grana e privacidade entrelaçadas em uma só pessoa, a do compositor de sucesso. Eu sou rei, eu sou “foda”, como Caetano fala de si e dos imortais músicos num vídeo do youtube. Se sou foda, tudo posso. Esse cara sou eu. Eu oriento o movimento, eu oriento o carnaval, eu inauguro o monumento no planalto central do país. Toda essa gente se engana, não vê que eu nasci pra ser o superbacana.

Em resumo, todo o narcisismo colossal que notávamos antes no pop star agora se mostra mais claro: não pense qualquer miserável biógrafo que tudo pode escrever. Nem vem que não tem. Mamãe passou açúcar em mim. Assim cantava Simonal, o profeta do champignon.

Urariano Mota
No DR
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A pesquisa Vox Populi no Jornal da Record


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O Globo - Caderno Ela: o racismo em todos os lugares

Escravo como peça de decoração no Pão de Açúcar. 
Imagem: Site mundo Negro

Hoje, pela manhã, lendo sobre decoração, deparei-me com esse texto no Caderno Ela do jornal O Globo, assinado por Alberto Renault:
(…) Depois de visitar mais de 300 residências no Brasil, nos deu vontade de ir além-mar, documentar as origens da casa brasileira, aquela tal qual a conhecemos depois que os lusitanos chegaram aqui trazendo telhas, pedras de cantarias, beiras, escravos e, claro, São José de azulejo. (…)
Li o texto umas 5 vezes para ter certeza que eu havia lido a palavra “escravos” em meio a descrição de materiais e objetos de decoração trazidos pelos portugueses ao Brasil e que, de acordo com o trecho “tal qual a conhecemos”, permanecem adornando a “Casa Brasileira” até hoje. Senti-me extremamente aviltada e ludibriada por ler um texto racista em um veículo de comunicação que declara entre seus Princípios Editoriais que as Organizações Globo “(…) defenderão intransigentemente o respeito a valores sem os quais uma sociedade não pode se desenvolver plenamente: a democracia, as liberdades individuais, a livre-iniciativa, os direitos humanos, a república, o avanço da ciência e a preservação da natureza. (…).

De forma bem simples, posso definir o racismo como um conceito social que separa as pessoas em superiores e inferiores, com base na cor de suas peles. Ao mencionar escravos em meio a objetos de decoração, a matéria demostra uma postura racista, já que reduz seres humanos, negros, a objetos e atenta contra os valores pregados pelo jornal, especialmente os relativos ao respeito aos direitos humanos.

Primeiro porque é, ou deveria ser, óbvio que nenhum ser humano deve ser tratado como uma coisa ou um objeto de decoração, segundo porque era assim mesmo, como coisas, que os escravos eram tratados no que foi a maior economia de base escravocrata de todos os tempos, bem aqui em nosso Brasil, período esse que deveria ser lembrado sim, para que não se repita, mas com tristeza, vergonha, respeito e solidariedade aos milhões de homens e mulheres negros que aqui foram explorados de todas as formas, torturados e mortos para a construção de nosso país.

Pessoas, gente, seres humanos, como eu, o Sr. Alberto Renault, que assina a matéria, e como você que lê esse email, e cujo o sofrimento jamais deveria ser esquecido. A escravidão deixou efeitos nefastos em nossa sociedade, evidenciados hoje pelas condições desiguais de vida de brancos e negros em nosso país, desigualdade que prejudica a todos. Para avançarmos como um país onde todos tenham o direito de viver com dignidade, precisaremos superar nossas mazelas de origem, sendo a principal delas o racismo e a matéria Linha Viva, do Caderno Ela, pela naturalidade com que comparou escravos a objetos, nos mostrou que ainda estamos muito longe disso, infelizmente.

Como mulher, negra, militante em defesa dos direitos humanos, gostaria de saber como o Jornal O Globo pretende se posicionar em relação a essa lamentável matéria.

Jaqueline Alves Torres, carioca, moradora do Rio de Janeiro, enfermeira, doutoranda em Epidemiologia em Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz.
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Rede Globo e Ana Maria Braga condenadas a indenizar juíza por dano moral


Decisões judiciais estão sujeitas a críticas, mas estas devem estar embasadas em fatos reais e quem as profere é responsável pelos danos que possa causar. Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação da apresentadora Ana Maria Braga e da Globo Comunicações a indenizar uma magistrada por críticas feitas em rede nacional.

Em seu programa diário na Rede Globo, a apresentadora divulgou o assassinato de uma jovem pelo ex-namorado, que se suicidou em seguida. Foi noticiado ainda que o assassino estava em liberdade provisória depois de haver sequestrado e ameaçado a jovem, cerca de cinco meses antes do crime.

Crítica x ofensa

Ana Maria criticou a decisão judicial que garantiu a liberdade provisória ao assassino e fez questão de divulgar o nome da juíza responsável, pedindo que os telespectadores o guardassem – “como se esta tivesse colaborado para a morte da vítima”, segundo o acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

A apresentadora disse ainda que a liberação do acusado foi fundamentada exclusivamente em bom comportamento. No entanto, segundo o processo, a decisão da magistrada seguiu o parecer do Ministério Público, que se manifestou a favor da liberação, visto que a própria vítima, em depoimento, apontou ausência de periculosidade do ex-namorado.

Dano moral

A juíza e seus familiares tornaram-se alvo de críticas e perseguições populares, o que levou a magistrada a mover ação por danos morais contra a apresentadora e a Globo Comunicações e Participações S/A.

A sentença, confirmada no acórdão de apelação pelo TJSP, entendeu que Ana Maria Braga extrapolou o direito constitucional de crítica e da livre manifestação do pensamento, bem como o dever de informar da imprensa. Pelo dano moral causado, fixou o valor de R$ 150 mil.

A discussão chegou ao STJ em recurso especial da Globo e da apresentadora. Em relação à configuração do dano moral, o ministro Sidnei Beneti, relator, observou que, para reapreciar a decisão, seria necessário o reexame de provas, o que é vedado pela Súmula 7.

Destacou também que a coincidência no entendimento da sentença e do acórdão deixou caracterizado o fenômeno da dupla conformidade na análise fática, o que reforça a segurança jurídica das decisões.

Indenização mantida

Quanto ao valor da indenização, que também foi questionado no recurso, o ministro não verificou os requisitos necessários para sua reapreciação pelo STJ (valores ostensivamente exorbitantes ou ínfimos), razão pela qual os R$ 150 mil foram mantidos.

Beneti comentou que a decisão judicial criticada pela apresentadora foi amparada na legislação vigente à época. “Poderia ter havido crítica à decisão judicial referente ao caso ou, apropriadamente, à lei que a norteou, mas daí não se segue a autorização para o enfático destaque nominal negativo à pessoa da magistrada”, afirmou o ministro.

No STJ
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Podemos ter duas mulheres no 2º turno pela primeira vez


A cada nova pesquisa, desde o ano passado, duas candidatas consolidam suas posições: a presidente Dilma Rousseff na liderança e a ex-ministra Marina Silva vindo em segundo lugar, ambas bem à frente dos demais concorrentes.

Se as pesquisas estiverem certas, a pouco menos de um ano da eleição, e se houver segundo turno, o que hoje é improvável, o Brasil pode ser um dos primeiros países do mundo a ter duas mulheres disputando diretamente a Presidência da República.

A nova pesquisa Vox Populi divulgada pela TV Record na noite desta terça-feira mostra que Dilma Rousseff seria reeleita já no primeiro turno, em qualquer cenário, contra quaisquer candidatos.

No mais provável, a presidente candidata à reeleição tem 43%, contra 20% de Aécio Neves e l0% de Eduardo Campos - 13 pontos a mais do que a soma dos seus principais adversários.

Por enquanto, ainda estão indefinidos os seus concorrentes no primeiro turno: Eduardo Campos ou Marina Silva, pelo PSB, e Aécio Neves ou José Serra, pelo PSDB, que só pretendem definir o cabeça de chapa lá para março ou abril do próximo ano. Contra qualquer um deles, no entanto, o Vox Populi aponta folgada vantagem de Dilma num eventual segundo turno.

Este é o quadro do momento, mas ainda temos entre 19 e 27% de eleitores que não sabem em quem votar ou pretendem votar em branco ou nulo. Ou seja, um em cada cinco eleitores ainda não tem candidato.

Se depender da mídia grande, a principal adversária de Dilma será mesmo Marina Silva, que foi sua colega no governo Lula. Cansados de Serra, que só perde, e sem confiar em Aécio Neves, os principais veículos de comunicação do país estão jogando tudo para a ex-ministra do Meio Ambiente, que teve quase 20 milhões de votos em 2010, ser a candidata do socialismo verde, tomando o lugar que estava reservado para o presidente do PSB, o governador pernambucano Eduardo Campos.

No noticiário político, a polarização entre Dilma e Marina já ocupa os principais espaços, eclipsando os demais candidatos. Se assim será até outubro de 2014, ninguém arrisca dizer, mas por enquanto temos uma grande novidade: duas mulheres na ponta e nenhum sinal do velho embate entre PT e PSDB.

Quem arrisca um palpite sobre as próximas pesquisas?

Ricardo Kotscho
No Balaio
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Mais Médicos: Justiça rejeita censura contra blogueiro no Paraná

Sindicato dos Médicos do Paraná perdeu primeiro embate judicial acerca do programa do governo federal Mais Médico; juíza substituta Danielle Maria Busato Sachet negou censura e liminar à entidade que não gostou das palavras “pelegos” e “apedeutas” utilizadas pelo blogueiro Milton Alves, do PT; subscritor da ação, o médico Mário Ferrari queria retirar a publicação do blog (www.miltonalves.com) e pedia R$ 15 de indenização por calúnia; em sua decisão, magistrada disse que o blogueiro exerceu a liberdade de opinião prevista na Constituição Federal.

A juíza substituta Danielle Maria Busato Sachet, da 2ª Vara Civil de Curitiba, negou liminar ao presidente do Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), Mário Ferrari, contra o blogueiro Milton Alves, militante do PT (clique aqui e aqui para relembrar).

No calor dos debates acerca do programa Mais Médicos, do governo federal, Ferrari não gostou dos termos “pelego” e “apedeuta” empregados por Milton Alves em sua página pessoa (www.miltonalves.com).

Em sua decisão, a magistrada disse que não houve ofensa e que o blogueiro estava exercendo seu direito de cidadão, previsto na Constituição Federal, de livre manifestação. A juíza também rejeitou pedido para retirada da publicação do blog (clique aqui para ler a íntegra da decisão liminar).

Por causa da repercussão nacional do embate, o presidente do Simepar negou a autoria do pedido de censura e indenização de R$ 15 mil ao blogueiro. Entretanto, de acordo com a petição, Mário Ferrari foi quem subscreveu a demanda (clique aqui para conferir o documento).

Ex-presidente estadual do PCdoB do Paraná, Milton Alves mantém um blog pessoal na internet voltado à sua militância política. Não tem fins lucrativos, apenas emite ideias e propõe-se e a debater o país.

O blogueiro está sendo defendido na causa pelos advogados Luasses Gonçalves dos Santos, Sandro Lunard e André Passos.

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Petrobras anuncia descoberta de gás natural em Neuquén


A Petrobras Argentina informa a descoberta de um novo reservatório de gás natural na área de El Mangrullo, localizada na província de Neuquén, vizinha às cidades de Plaza Huincul e Cutral Co, a 130 km da capital da província.

Esta descoberta foi possível graças à contínua atividade de levantamento de dados nos poços perfurados na área e à reinterpretação dos dados sísmicos e geológicos, em que foram identificados diversos níveis de interesse com condições favoráveis para obter produção de gás de formações que tradicionalmente são improdutivas; usando, adicionalmente, os conhecimentos e a metodologia aplicados com sucesso pela Petrobras Argentina em formações de baixa permeabilidade na bacia de Neuquém.

Foi assim que a perfuração do poço exploratório M.x-1015, na área de El Mangrullo, permitiu a descoberta de gás da Formación Agrio, localizada a cerca de 1300 metros de profundidade, e que até agora não havia sido produtiva na região.

Embora os resultados deste primeiro poço sejam promissores, ainda não é possível estimar as reservas associadas a esta descoberta, que serão quantificadas por meio de novos estudos e perfurações.

Agrio é a terceira formação com produção em El Mangrullo desde sua entrada em operação, em dezembro de 2006. Atualmente, a área produz aproximadamente 2.000.000 m³/d de gás, que correspondem às formações Mulichinco, a 1600 metros de profundidade, e Tordillo, a 2800 metros. Ambos os reservatórios são considerados de baixa permeabilidade.

A Petrobras Argentina é titular e operadora do Contrato para Exploração, Desenvolvimento e Produção na região de El Mangrullo, firmado com a Autarquia Intermunicipal Cutral Co – Plaza Huincul, em 26 de janeiro de 2000.

Trata-se da segunda descoberta anunciada pela Petrobras no último ano. Em novembro de 2012, foi anunciado o sucesso alcançado no poço Estância Campos x-1, da concessão Puesto Peter, localizada na província de Santa Cruz.

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Aécio diz que Marina Silva adota discurso tucano


"A avaliação de Marina Silva sobre o tripé macroeconômico é aquilo que o PSDB historicamente vem pregando. Vejo que há uma aproximação do discurso", afirmou nesta quarta-feira 16 o presidenciável tucano; Aécio Neves confirmou declarações da ex-senadora, segundo quem a presidente é "chantageada pelo Congresso"; para o senador, Dilma Rousseff "age absolutamente pressionada pela sua base"; presidente do PSDB atacou ainda recomendação da presidente para que candidatos "estudem o Brasil"; segundo ele, fala é resultado do fato de que ela foi "ungida à Presidência"

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) considera alinhado o discurso do PSDB com o da ex-senadora Marina Silva, do PSB. Em coletiva de imprensa concedida nesta quarta-feira 16, em Brasília, o presidenciável tucano afirmou que o "tripé macroeconômico" defendido pela ex-ministra nesta semana é um "discurso histórico" do PSDB.

"A avaliação de Marina Silva sobre o tripé macroeconômico é aquilo que o PSDB historicamente vem pregando. A flexibilização dos pilares macroeconômicos é uma das razões do baixo crescimento da economia hoje. Vejo que há uma aproximação do discurso da Marina com aquilo que o PSDB vem pregando. E no Congresso, da mesma forma", disse Aécio.

O tucano também concordou com a declaração de Marina dada em entrevista ao Programa do Jô, da TV Globo, de que a presidente Dilma Rousseff é "chantageada pelo Congresso". "Não sei se o termo é esse, mas ela hoje age absolutamente pressionada pela sua base", afirmou Aécio. "Ela não lidera, ela é conduzida pela sua base no Congresso Nacional", completou.

Leia abaixo as declarações do senador, também sobre outros temas, na coletiva de hoje:

Sobre declarações dadas pela ex-ministra Marina Silva.

A avaliação de Marina Silva sobre o tripé macroeconômico é aquilo que o PSDB historicamente vem pregando. A flexibilização dos pilares macroeconômicos é uma das razões do baixo crescimento da economia hoje. Há um retrocesso na condução da política econômica, e o PSDB tem dito isso de forma incessante ao longo de todos esses últimos anos, inclusive alertando o país para isso.

Vejo que há uma aproximação do discurso da Marina com aquilo que o PSDB vem pregando. E no Congresso, da mesma forma. Aquilo que se intitulou chamar de governo de coalizão, nada mais é que um governo de cooptação, onde os partidos políticos barganham e servem apenas a um projeto de poder.

O PT abriu mão há muito tempo de um projeto de país para se contentar, única e exclusivamente, com um projeto de poder. Isso está muito claro. Tenho certeza que uma eventual candidatura do PSB nasce exatamente por essa visão muito semelhante à nossa, de que esse ciclo de governo do PT, em beneficio do Brasil, tem que ser encerrado. A presidente se submeteu, sim, às piores práticas aqui no Congresso.

A presidente está sob chantagem?

Não sei se o termo é esse, mas ela hoje age absolutamente pressionada pela sua base. Ela não lidera, ela é conduzida pela sua base no Congresso Nacional. Por isso, há uma dissonância, uma distância muito grande entre a pregação e a prática da presidente. O aparelhamento da máquina pública hoje é vergonhoso. Não só pelo número acintoso de ministérios. Isso é o símbolo de um governo aparelhado, desqualificado, em praticamente todas as áreas. O resultado é esse, um baixo crescimento, ineficiência gerencial enorme, que transformou o Brasil nesse grande cemitério de obras inacabadas.

Sobre a presidente entregar casas sem água e sem luz.

É triste para um país como o Brasil. Não temos uma presidente com a agenda de presidente. Temos uma presidente com agenda de candidata. O que temos na verdade, no fundo, é uma candidata no lugar da presidente. As suas movimentações são todas na busca de um segundo mandato.

A grande questão, a grande pergunta que tem de ser feita: para quê um segundo mandato? Para eternizar os amigos no poder? E o Brasil? O Brasil está ficando no final da fila. Acabo de chegar de um grande evento internacional e as expectativas em relação ao Brasil são as piores. Não há mais confiança em relação à gestão da política econômica brasileira. Não há mais confiança em relação à capacidade do governo de criar infraestrutura necessária para a retomada do crescimento. A agenda do crescimento, da geração de empregos, da refundação dos pilares macroeconômicos que nos trouxeram até aqui é uma prioridade para o PSDB. Isso que eu vou conversar agora com a nossa bancada na Câmara dos Deputados e estou muito confiante de que este ciclo de governo do PT, em benefício do Brasil, vai se encerrar.

Sobre declaração da presidente Dilma que candidatos têm de estudar.

Acho que é uma declaração em razão da sua própria experiência. O fato de ter sido ungida à Presidência da República sem ter tido qualquer outra experiência mais importante na gestão pública trouxe este resultado. Mas eu concordo. Todos nós temos de estudar, temos de nos preparar. A vida é um aprendizado permanente. Triste são aqueles que, no meio da caminhada, acham que já sabem tudo. Esses são um perigo. No meu caso, e acho que em todos os outros, a busca do aprendizado é algo permanente. Até o último dia da minha vida quero estar aprendendo alguma coisa.

Sobre a orientação ao PSDB na reunião de hoje

É uma conversa entre companheiros. O PSDB tem uma proposta para o Brasil. Uma proposta clara, da retomada do crescimento, da geração de empregos, da reinserção das empresas brasileiras nas cadeias globais de produção, dos avanços nas políticas sociais. Essa é a cara do PSDB. E estamos muito felizes, porque há um partido hoje absolutamente motivado, mobilizado e um Brasil carente dessa agenda. O que percebo a cada instante é que esse ciclo de governo do PT caminha para o seu encerramento. Não temos mais, infelizmente para o Brasil, uma presidente da República com uma agenda presidencial.

Temos uma candidata a presidente em campanha permanentemente. O resultado para o Brasil, infelizmente, é muito ruim. Acabo de chegar de um grande evento internacional e a percepção dos investidores, que são essenciais para o Brasil retomar o crescimento ao qual me referi é a pior possível. Não há mais confiança em relação a investimentos no Brasil, não há segurança jurídica para se investir no Brasil. E as próprias políticas sociais que foram o grande carro chefe do governo do PT mostraram também esgotamento. O PNAD de poucas semanas atrás mostra que o incrível aconteceu. O analfabetismo voltou a crescer no Brasil. E a presidente da República teve que ir em Nova York fazer uma agenda para pregar aquilo que haviam pregado 15 anos atrás, o respeito aos contratos para buscar atração de investimentos.

Esse ciclo de governo do PT encerrou-se e é muito importante que o PSDB se posicione com absoluta clareza para apresentar uma nova agenda. Essa reunião é uma etapa importante para que possamos dar visibilidade e clareza a essa nova agenda que, repito, passa pelo crescimento, pelo avanço dos programas sociais e pela reinserção do Brasil no mundo.

No 247
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Nota pública sobre falsas declarações atribuídas à Ministra Maria do Rosário


A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) informa que a ministra Maria do Rosário solicitou à Polícia Federal criteriosa investigação e responsabilização dos autores da notícia mentirosa publicada no blog http://joselitomuller.wordpress.com/ e amplamente repercutida na internet desde ontem (15). Da mesma forma, estamos solicitando à empresa que hospeda o site que retire o conteúdo difamatório do ar.

Ao atribuir falsas declarações à ministra, o blog comete um ato criminoso e fere princípios éticos fundamentais. “Sou defensora plena da liberdade de expressão, mas a manipulação é inadmissível”. O blog inventou declarações da ministra sobre o caso de um assaltante que foi baleado por um policial. “No caso específico, minha opinião é clara: o policial agiu dentro da lei”, disse a ministra.

A ministra alertou ainda que a internet tem, na maioria das vezes, se tornado uma aliada essencial para democratização da informação. No entanto, não pode converter-se em um território de espionagem nem tampouco de difusão de informações que violem os direitos das pessoas.

Brasília/DF, 16 de outubro de 2013.

Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
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Charge online - Bessinha - # 1967

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Pioramos, mas estamos bem, sei lá, entende?


Eu tenho dito aqui que está cada vez mais difícil ler noticias econômicas no Brasil, porque a necessidade de dar notícia ruim parece ter se tornado uma obsessão.

Por isso, nem falo nada da matéria de hoje do Valor, que, mesmo com um pouco de nariz torcido registra os fatos:

“A confiança dos empresários brasileiros caiu nos últimos seis meses, mas ainda se manteve acima do nível registrado em outros emergentes, como China, México e África do Sul, onde também houve recuo no otimismo, de acordo com a 9ª edição do Índice Global de Confiança Comercial, realizado semestralmente pela companhia inglesa de gestão de escritórios Regus. Na contramão, a confiança dos homens de negócios dos países desenvolvidos cresceu no período.

Entre abril e outubro, o índice brasileiro recuou sete pontos, para 129 pontos, mas ainda seguiu acima da média dos países em desenvolvimento, que cedeu nove pontos, para 117. A desaceleração econômica foi a causa dessa retração. No grupo dos emergentes, a maior queda de confiança foi registrada no México, com queda de 24 pontos, para 111 pontos. Também houve recuo na confiança chinesa, porém com menor intensidade: dois pontos (121). Na África do Sul, o indicador cedeu de 121 para 114 pontos.”

Agora, olhe o gráfico lá de cima, tirado do mesmo relatório, fresquinho, e veja se não era mais simples escrever assim:

“O Brasil ocupa, ao lado da Índia, o segundo lugar o Índice de Confiança de Negócios (Business Confidence Index) da consultoria multinacional Regus. Os dois países têm 129 pontos, e só ficam atrás da Alemanha, que lidera o ranking, com 131. O índice brasileiro caiu sete pontos desde o último ranking, enquanto a Índia perdeu oito. China, com 121 pontos, e África do Sul, com 114, também caíram, dois e sete pontos, respectivamente. A média dos países em desenvolvimento ficou  em 117 pontos. “

Mas parece que passou a ser obrigatório ter no título algo do tipo “cai”, “desaba”, “despenca”, “explode”. Dizer, então, que o Brasil tem a segunda mais alta confiança empresarial do mundo? “Nem morta, santa!”, como diria o Caetano Veloso…

Pobre leitor…

Fernando Brito
No Tijolaço
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O Brasil e a América Latina, segundo Perry Anderson

O neoliberalismo segue aprofundando seu poder no mundo. Só na América do Sul a direção adotada tem sido a contrária, com maior ênfase no papel do Estado e no controle público e menos nas privatizações. A América Latina está no contrafluxo, sendo portadora de uma esperança que não existe em nenhum outro lugar do mundo hoje. E esse processo traz uma novidade importante. A maior nação do continente, o Brasil, não está na retaguarda como estava em 1820, mas sim na linha de frente. O Brasil foi o primeiro país latino-americano a cancelar uma viagem aos EUA, que costuma ser um tradicional exercício de humildade para os governos da região. Tudo isso ainda é uma obra em andamento, concluiu, mas é um processo no contrafluxo da ideologia mundial dominante que representa uma esperança para outros lugares do mundo.

A avaliação é do historiador marxista britânico, Perry Anderson, que esteve em Porto Alegre, segunda-feira (14), para uma conferência no evento Fronteiras do Pensamento. De 1815 a 2013: a América Latina e o concerto político das nações. Esse foi o tema abordado pelo historiador na conferência proferida no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Perry Anderson partiu de uma sugestão básica: a coisa mais próxima do sistema internacional de estados que vemos no início do século 21 é a ordem política estabelecida na Europa, na primeira metade do século 19, com o Congresso de Viena, conferência entre embaixadores das grandes potências europeias de então, realizada entre 1814 e 1815, com o objetivo de redesenhar o mapa político do continente após a derrota de Napoleão. Essa conferência, assinalou o historiador, resulto em um novo concerto político entre as nações europeias que se estendeu até por volta de 1853, quando eclodiu a Guerra da Crimeia. Esse concerto instituiu uma frente política entre as cinco grandes potências da época – Inglaterra, Rússia, Prússia, Áustria e França - cujos objetivos principais eram evitar o surgimento de levantes revolucionários e de novas guerras no território europeu.

Os governos dessas potências formaram uma pentarquia com o objetivo de preservar a paz no continente e, é claro, defender seus interesses políticos e econômicos. Assim como ocorre em nossos dias, como nos casos do Iraque e do Afeganistão, os integrantes da pentarquia do Congresso de Viena enfrentaram tentativas de sublevações no território europeu. Essas tentativas vieram, indicou Perry Anderson, e foram reprimidas na Itália, na Espanha e na Hungria, por tropas da Áustria, da França e da Rússia, respectivamente. Estabeleceu-se uma forma de equilíbrio, uma coordenação estabilizadora, que a Europa até então não conhecia. Durante cerca de quarenta anos, até a Guerra da Crimeia, não houve qualquer guerra importante na Europa e nenhuma sublevação.

Esse período costuma ser apontado por historiadores como um avanço civilizatório, assinalou ainda Perry Anderson. Desde o Renascimento a Europa não conhecera um período de paz tão prolongado. Os países que compunham a pentarquia tinham, é certo, importantes diferenças entre si. A Rússia czarista estava numa categoria a parte, pois ainda era uma monarquia feudal. A Grã-Bretanha, por sua vez, era a única potência capitalista avançada. Esses dois países eram as duas potências militares da época: a Grã-Bretanha possuindo o maior poder naval, e a Rússia o maior poder terrestre. Esses dois poderes hegemônicos, destacou o historiador, expandiram seus impérios, enquanto os demais disputaram franjas na periferia (a França, na Argélia e na Indochina, por exemplo, os Estados Unidos no México e outros países europeus na África, especialmente).

O que vai acabar destruindo a paz de Viena são conflitos na periferia desses impérios, como ocorreu com o barril de pólvora dos Balcãs que detonou a Primeira Grande Guerra Mundial. A partir daí, instala-se um período de anarquia competitiva entre as grandes potências que resultará em duas sangrentas guerras mundiais, como se sabe. Depois, entre 1945 e 1989, o sistema político internacional será regido pela Guerra Fria, com dois blocos opostos disputando influência no mundo. Esse período chegará ao fim em 1991, com a desaparição da União Soviética. Hoje, destacou Perry Anderson, vivemos outra metamorfose do sistema político internacional com o surgimento de uma espécie de nova pentarquia, constituída por Estados Unidos, União Europeia, Rússia China e Índia. O historiador apontou as particularidades desses novos candidatos a donos do mundo:

A União Europeia comanda o maior PIB do planeta, mas segue sendo uma confederação incompleta de Estados. A Rússia, embora bem menor que a União Soviética, ainda possui a maior massa de terras do mundo e o segundo arsenal nuclear. A Índia, em breve, será o país mais populoso do mundo e também é uma potência nuclear. Os Estados Unidos são o maior poder econômico, financeiro, tecnológico e militar. E a China é um regime comunista que preside a economia mais dinâmica do pós-guerra.

Na avaliação de Perry Anderson, estamos vivendo um lento processo de cristalização de um consenso entre essas nações. Um consenso baseado em algo mais prosaico, do que ocorreu no Congresso de Viena, mas, por outro lado, mais complexo. O perigo maior não é a ameaça da guerra, mas sim a interdependência econômica que prende essas nações em um abraço mútuo. “As principais ameaças para a estabilidade vêm da possibilidade de desordem econômica. É por isso que algo equivalente ao que foi feito no Congresso de Viena, foi criado por meios dos fóruns do G4, G7 e G20”, observou o historiador.

O risco maior para a estabilidade política internacional hoje, enfatizou, é o estouro de crises financeiras como a que ocorreu em 2008. “O início do século 21 está muito distante do universo polarizado do pós-guerra. A globalização unificou os interesses objetivos subjacentes desses países e a legitimidade interna dessas grandes potências depende da manutenção do crescimento econômico. O temor comum de todas elas é o de um colapso desse crescimento”.

E a América Latina o que tem a ver com tudo isso? Perry Anderson estabeleceu um paralelo entre os movimentos de independência e de libertação colonial que ocorreram no continente latino-americano quando o sistema político europeu era regido pelo Congresso de Viena e o recente ciclo de governos progressistas na região que caminham na contramão da ortodoxia neoliberal que domina a economia mundial. Quando a contrarrevolução triunfou na Europa, com o Congresso de Viena, a América Latina viveu um momento de emancipação. Um dos fatores que contribuiu para isso, no âmbito da política europeia, foi o enfraquecimento da Espanha que era objeto de preocupação por parte da pentarquia. Em 1823, exemplificou o historiador, uma revolução liberal na Espanha foi esmagada pela França. E será a Grã-Bretanha que ditará as condições e os termos da independência brasileira.

Com o colapso do sistema do Congresso de Viena, a América Latina ganhou espaço para respirar e se reavivar politicamente. A primeira grande revolução do século XX, lembrou Anderson, ocorreu no México. “Os Estados Unidos estavam muito preocupados com a Primeira Guerra Mundial e a situação de anarquia internacional”. Seguiram-se outros processos revolucionários em países como Nicarágua, El Salvador, Cuba, Bolívia, Chile, Peru e Venezuela, entre outros. Onda após onda, as revoltas populares marcaram a América Latina no século 20. No último quarto do século, houve uma guinada neoliberal em praticamente todo o continente. Pela primeira vez, destacou o historiador, o continente estava alinhado com a ideologia dominante do capitalismo global.

No século 21, isso mudará abruptamente com o surgimento de governos de esquerda e progressistas na Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador, Peru e Chile. “Raramente essas experiências se articulavam como ocorreu no início deste século”, apontou. Nenhuma dessas experiências é igual, reconheceu Perry Anderson, mas elas apresentam um fato comum. “Com todas as restrições e ressalvas necessárias, há um fato que é expressivo. O neoliberalismo segue aprofundando seu poder no mundo. Só na América do Sul a direção adotada tem sido a contrária, com maior ênfase no papel do Estado e no controle público e menos nas privatizações. Esse é um panorama similar ao que tivemos no século 19. Com as guerras no Iraque e no Afeganistão, os Estados Unidos deixaram a região um pouco de lado. A América Latina está no contrafluxo, sendo portadora de uma esperança que não existe em nenhum outro lugar do mundo hoje”.

E uma novidade importante desse processo, disse ainda Anderson, é que a maior nação do continente, o Brasil, não está na retaguarda como em 1820, mas sim na linha de frente. “O Brasil não faz parte da pentarquia (“por não ter armas nucleares e estar muito longe da Eurásia, entre outras razões”, mas em vez disso, oferece ao mundo um novo horizonte de reformas sociais”. Falando sobre o recente episódio da espionagem praticada pela Agência Nacional de Segurança dos EUA contra o governo e empresas do Brasil, Perry Anderson destacou a reação da presidenta Dilma Rousseff: “Foi o primeiro país latino-americano a cancelar uma viagem aos EUA, que costuma ser um tradicional exercício de humildade para os governos da região”. Tudo isso ainda é uma obra em andamento, concluiu, mas é “um processo no contrafluxo da ideologia mundial dominante que representa uma esperança para outros lugares do mundo”.

Marco Aurélio Weissheimer
No Carta Maior
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As peças do jogo no discurso velho-novo de Marina Silva


Na grande disputa pela política econômica, existem três personagens distintos:

·       partidos políticos
·       grupos econômicos
·       escolas de pensamento.

O estudo da política exige que os três grupos sejam analisados de forma independente. Em cada momento histórico, há uma confluência de interesses possibilitando alianças mais ou menos duradouras. Mas todos os grupos preservando suas próprias características.

As escolas de pensamento


No final dos anos 80, as escolas de pensamento se dividiam entre os desenvolvimentistas da Unicamp, aportando no PMDB, e os mercadistas da FGV-RJ e, depois, da PUC-RJ a cavalo no PSDB.

Não por acaso, os desenvolvimentistas tinham extração paulista e os mercadistas vinham do Rio de Janeiro.

A partir do Plano Real, os mercadistas dominaram o PSDB. A cereja do bolo eram as estatais em processo de privatização e a política econômica, fortemente anti-desenvolvimentista, privilegiando os movimentos de juros e câmbio.

No final do governo FHC, o mercado financeiro o tratava como o maior presidente da história; os industriais, como o pior. O eleitor comum, como o mais rejeitado.

Quando o PT assume o poder, Lula passa a exercitar seu esporte favorito: juntar todas as pontas. Garantiu aos mercadistas o controle sobre o Banco Central e a Fazenda; abriu espaço para os desenvolvimentistas no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social); fortaleceu o setor produtivo dando dimensão maior ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e à Agricultura. E incluiu o ingrediente novo, das políticas sociais inclusivas.

A crise de 2008 desbalanceou o jogo. Os desenvolvimentistas lograram crescer a partir da ascensão de Guido Mantega e do novo ativismo dos bancos públicos – inevitável ante o refluxo do crédito bancário.

Lula saiu aclamado por banqueiros, industriais e com aprovação popular.

O governo Dilma tornou-se francamente desenvolvimentista, pela formação unicampista da presidente, com fortes acenos ao setor real da economia e a aposta nos seus próprios campeões nacionais. Problemas na implementação de políticas explicam volteios e recuos.

Hoje em dia, os think tank econômicos dividem-se assim:

Casa das Garças – assumiu o protagonismo do pensamento mercadista, desbancando as instituições de ensino – PUC-RJ e FGV-RJ.

Unicamp-UFRJ – seu desenvolvimentismo evoluiu para conceitos sistêmicos, incluindo desenvolvimento industrial, geração de emprego, distribuição de renda e inclusão social.

IEDI - Há uma vertente industrialista dos grandes grupos paulistas, reunidos no IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), juntando temas como internacionalização, inovação e gestão.

Fora isso, há organizações, como a MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação), MBC (Movimento Brasil Competitivo) juntando grandes empresas nacionais e internacionais em torno de temas específicos.

Os grupos econômicos


Com o desenvolvimento econômico das últimas décadas, consolidaram-se os seguintes grupos econômicos:

Mercado – grandes bancos de investimento, bancos comerciais, investidores em geral, gestores de fundos, administrando carteiras bilionárias, de grupos e famílias que venderam suas empresas e aderiram de vez à nova etapa de capitalismo financeiro. A Casa das Garças é seu porta-voz. Tem na velha mídia o principal canal de influência.

Grupos paulistas – entram aí os grandes grupos empresariais que se modernizaram e se internacionalizaram na última década, tendo tanto interesses industriais como financeiros. Tem uma perna no mercado e outra no IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial). Dependem das grandes políticas públicas, do apoio do BNDES, mas atuam majoritariamente no mercado privado.

Indústria – a enorme cadeia de empresas pequenas e médias, reunidas em torno da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e das federações de indústria ou de associações como a ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Clientela basicamente privada.

Campeões nacionais – grandes empresas cujo principal cliente é o governo (como na infraestrutura) ou apoiadas maciçamente pelo governo.

Ruralistas – reunidos em torno da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), que ganhou outra dimensão no governo Dilma, com o ativismo de sua presidente Katia Abreu e da bancada no Congresso.

De todos esses grupos, apenas os dos primeiros articulam-se politicamente e atuam como “fornecedores” de conceitos e ideias para os agentes políticos graças à influência que ainda detêm sobre a velha mídia.

Os agentes políticos


É em cima das peças listadas que se movem os agentes políticos.

O jogo funciona assim:

1.     As escolas de pensamento serão mais ou menos influentes dependendo da sua capacidade de alinhar os interesses dos grupos econômicos com as demandas populares.

2.     A partir desse alinhamento, os discursos são desenvolvidos para serem apropriados pelos partidos políticos e seus candidatos; e financiados pelos grupos econômicos.

Vamos ver a situação do jogo a partir do ataque à dama (a presidente)

Dilma Roussef – inicialmente fez uma aposta desenvolvimentista com inclusão social. Sem o traquejo de Lula, tem procurado atender a um arco amplo de interesses econômicos e políticos. Manteve o apoio das Confederações e federações empresariais tornando-as parcerias de programas bilionários. Investiu fortemente na economia real, ampliou o programa de concessões.  Em tese, tem o apoio dos campeões nacionais, das lideranças ruralistas. Os problemas que têm enfrentado residem na execução dos programas. E na necessidade de, permanentemente, equilibrar as forças políticas e as demandas econômicas – sem dispor de um timoneiro seguro na Fazenda. As ressalvas dos industrialistas são muito mais em relação à execução da política do que a seus princípios. Os grandes grupos paulistas têm ressentimento em relação à perda do protagonismo e aos movimentos do BNDES, mas jamais irão se indispor publicamente com o grande financiador.

Contra Lula, o discurso brandido era profundamente ideológico. Prenunciava a invasão das FARCs, o chavismo, o bolivarianismo, o aparelhamento, a destruição do equilíbrio fiscal, o populismo desvairado. No final do governo Lula, a maioria dos bordões tinha se esvaziado.

Com seu estilo, Dilma desarmou ainda mais esses bordões. As críticas contra ela são muito mais em relação à forma do que ao mérito das políticas implementadas. Não subsistiram as baboseiras contra as políticas sociais. E as críticas contra as gambiarras fiscais da dupla Mantega-Agustin têm sido respondidas.

Restaram as críticas em relação à sua teimosia, voluntarismo, à pressa se impondo sobre a técnica, ao fato de não permitir ministros fortes. São críticas consistentes, mas com baixo poder de destruição.

Hoje em dia, Eduardo Campos e Aécio Neves procuram se diferenciar atuando sobre esse enquadramento: Campos se propondo a ser uma Dilma melhorada; Aécio criticando pontualmente cada declaração de Dilma.

Marina vai além.

O fator Marina


É aí que entra o fator Marina.

Sua base ideológica está se dando dada por mercadistas mais elaborados e pelos grandes grupos econômicos paulistas. Sua defesa do “tripé” econômico jamais fez parte do seu repertório político. É fruto de aulas particulares, mas tem gerado um discurso oposicionista eficiente. O povo sabe lá o que é o tal tripé, mas na boca de Marina ganha força.

Mas o discurso de Marina é mais que isso.

André: a alegria está nas pequenas coisas da natureza


Seu teórico será André Lara Rezende, que usou o PSDB enquanto lhe convinha e agora procura um novo porto. E aí cria-se uma situação curiosa, que acaba juntando os grandes investidores internacionais e os ambientalistas: o discurso anti-desenvolvimento.

É mais ou menos assim: o mundo não pode crescer mais, pela exaustão dos recursos naturais. Há que se pensar em novas formas de felicidade, diferentes do modelo consumista dos últimos séculos.

Longe de André abrir mão dos prazeres da carne, dos cavalos de corrida, dos automóveis e de sua quinta em Portugal. O que está por trás desse neo-malthusianismo é uma questão tão velha quanto a economia política: desarmar o ativismo do governo e qualquer veleidade de projeto nacional. E desarma-se enfraquecendo a bandeira do desenvolvimentismo com os sonhos do silvícola sendo abastecido unicamente pela mãe natureza.

É evidente que a nova utopia não responde a questões básicas: como dividir a renda, sem que ela cresça? André abriria mão dos dólares acumulados a partir do Plano Real para dividir com os mais pobres? Inclusão significa levar energia a todos os lares. Como casar o ambientalismo radical de Marina, que só acredita na energia dos ventos e do sol, com as necessidades dos mais pobres? Como garantir empregos melhores, sem um aprimoramento da industrialização, dos serviços?

Mas para que isso, diria o velho André, se a felicidade está nas pequenas coisas. É uma bela esperteza, de sentir os novos ventos e criar uma nova utopia para atender os velhos objetivos.

É esse o novo discurso com o qual Marina pretenderá se diferenciar de seus colegas de oposição.

Luis Nassif
No GGN
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Bomba! Globo revela as Marinas do Jô

A “entrevista” da Marina de ontem, com perguntas pré-agendadas e reveladas ainda na segunda, me deu uma ideia.
Marcio Palma – SSA


No Conversa Afiada
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Marina Silva em entrevista ao Programa do Jô


Marina critica fisiologismo na política e diz que Dilma é chantageada pelo Congresso


Ex-senadora disse também que é preciso acabar com a polarização entre PT e o PSDB



SÃO PAULO A ex-senadora Marina Silva voltou nesta terça-feira a criticar o governo federal, em especial a base de apoio da presidente Dilma Rousseff. Em entrevista ao Programa do Jô, da TV Globo, a ex-ministra do Meio Ambiente afirmou que não consegue imaginar como a presidente possa se sentir tranquila em mais quatro anos sendo chantageada pelo Congresso Nacional. Segundo ela, ninguém mais suporta o atual atraso na política brasileira, marcada por práticas pragmáticas e fisiológicas.

- A gente não suporta mais o que está aí. Eu acho que a gente pensa sempre, no processo político, na perspectiva de projeto de poder. Eu insisto que é preciso um projeto de país e essa disruptura será boa para todo mundo. E eu não consigo imaginar que a presidente Dilma Rousseff possa se sentir tranquila em mais quatro anos sendo chantageada pelo Congresso Nacional afirmou.

Segundo ela, é preciso acabar com a polarização entre PSDB e PT, que levou a uma estagnação no país. Marina criticou, ainda, a atual política de distribuição de cargos aos partidos da base aliada e ressaltou que não se pode entregar um posto a uma pessoal sem identidade para ocupá-lo. A ex-senadora disse que uma eleição apenas com os dois partidos não teria proposta, e seria resumida apenas por embate entre as duas siglas.

- A composição não precisa ser feita na distribuição de partes do estado. É possível ter uma base de sustentação a partir de um programa disse Marina Silva, que defendeu ser necessário aposentar a Velha República.

Ela contou que optou pelo PSB tanto pela história do presidente nacional da sigla, Eduardo Campos, quanto pelo histórico de votações da legenda favorável às causas ambientais. Segundo Marina, nem o PT nem o PSDB se comprometeram a adotar uma agenda ambiental efetiva na campanha de 2010. Ela explicou que não escolheu o PPS porque o partido poderia ser acusado de ser um partido de aluguel e sua candidatura seria desconstruída.

Marina Silva disse ainda que a decisão do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) de não apoiar o PSB foi correta, uma vez que, segundo ela, ele não defende o desenvolvimento sustentável nem as causas ambientais
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Entidades médicas precisam mesmo falar com o povo


Mesmo com a vitória do Mais Médicos e a derrota do corporativismo e da demagogia de parte da categoria que estava contra o programa, alguns dirigentes de entidades ainda insistem em atacar a iniciativa. Agora, dizem que vão tentar influenciar o voto de seus pacientes nas próximas eleições, para tentar favorecer a oposição.

É isso mesmo. O presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira Filho, que se aproximou dos tucanos para derrubar o programa, disse ontem que “vai fazer barulho” na eleição de 2014. Ele não está sozinho: o presidente da Associação Médica Brasileira, Florentino Cardoso – o mesmo que chamou os médicos cubanos de “escória” – foi além.

“É muito comum os pacientes perguntarem para a gente, em período eleitoral, em quem vamos votar, principalmente nas regiões menos favorecidas. Há um movimento grande da classe médica para participar da política dessa forma. Não é o candidato A ou B, o sentimento é escolher um candidato que, certamente, não será a presidente Dilma”, diz Florentino Cardoso.

Falem com a população

Espero que na eleição eles falem mesmo com o povo, já que nós já estamos falando, por meio do Mais Médicos, cuja importância até a oposição reconhece. A mais recente pesquisa CNT sobre o assunto mostra que 73,9% dos brasileiros apoiam a contratação de médicos estrangeiros pelo programa.

Isso sem falar no forte apoio dos prefeitos, que tinham como antiga demanda a presença de médicos em suas cidades, principalmente as mais distantes dos grandes centros.

E vamos também aumentar os investimentos em saúde com os recursos do pré-sal e os 15% das receitas líquidas, além das 50% das emendas parlamentares impositivas que serão destinadas obrigatoriamente para o setor.

José Dirceu
No Blog do Zé
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Mais Médicos já atinge 3,5 milhões de brasileiros


O número poderia ser ainda maior, diz Ministério da Saúde, caso os conselhos regionais não retivessem os registros provisórios dos estrangeiros.

Brasília - O programa Mais Médicos, cuja medida provisória que o instituiu passa a trancar a pauta de votações do Senado esta semana, já garante atendimento médico a 3,5 milhões de brasileiros. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que 1.020 profissionais estão atuando no programa lançado em julho pelo governo federal, mas o número poderia ser ainda maior, caso os conselhos regionais de Medicina liberassem os registros provisórios de 237 estrangeiros que estão sendo retidos para além do tempo legal.

“A atuação desses profissionais começa a fazer diferença. Já temos relatos de cidades que conseguiram dobrar o atendimento com a chegada dos médicos do programa. A nossa expectativa é que o total de profissionais atendendo nas regiões que mais precisam aumente muito mais”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo ele, mais 2.597 médicos, estrangeiros e brasileiros, estão em treinamento na segunda fase do Mais Médicos. O desafio é garantir que as entidades médicas não atrasem o início de sua atuação, que garantirá atendimento médico para um total de 13,3 milhões de brasileiros.

Na semana passada, a Câmara aprovou uma proposta para a MP do Mais Médicos que põe fim ao boicote das entidades médicas, ao permitir que os registros sejam concedidos pelo próprio Ministério da Saúde. A mudança ainda precisa ser aprovada pelo Senado para começar a valer.

Na Câmara, foi uma votação difícil. Por conta das tentativas de obstrução, a apreciação da matéria levou mais de 8 horas para ser concluída. DEM e PSD obstruíram a votação, em defesa dos interesses corporativos das entidades médicas. Os deputados da bancada ruralista também se recusaram a votar a matéria, exigindo a criação da comissão que analisará a demarcação de terras indígenas.

Uma semana antes, até o PMDB ameaçou entrar em obstrução, caso PT, PCdoB, PDT e PSB não se comprometessem a votar a minirreforma eleitoral proposta pelo Senado. Uma reunião da presidenta Dilma com os líderes da base aliada, um dia antes, conseguiu conter o impasse. O PMDB aprovou o Mais Médicos e os demais partidos se comprometeram a votar a minirreforma, ainda que com posição contrária a sua aprovação.

Números do Mais Médicos

Dos 1.020 profissionais já em atividade pelo Mais Médicos, 577 se formaram no Brasil e 443 no exterior. O Nordeste concentra o maior número de pessoas beneficiadas pelo programa: 1,4 milhão. Do total de médicos em atividade, 40% estão alocados nos estados da região, com destaque para Bahia e Ceará que, juntos, reúnem 205 profissionais, com capacidade para cobrir mais de 707 mil pessoas.

No Norte, o programa atinge cerca de 740 mil pessoas, com a atuação de 20% dos profissionais. No Sudeste, a iniciativa já chega a mais de 585 mil pessoas e, no Sul, a mais de 480 mil, enquanto no Centro-Oeste a população beneficiada é de quase 245 mil.

Os médicos contratados na primeira etapa do programa estão alocados em 577 municípios e 17 distritos sanitários indígenas: 71% dos locais atendidos ficam no interior do país. Do total de locais atendidos, 423 são cidades com 20% ou mais de sua população em situação de extrema pobreza, além de regiões indígenas. As demais áreas atendidas são periferias de 20 capitais e 151 regiões metropolitanas.

Najla Passos
No Carta Maior
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Datafolha e Vox: diferença é grande, mas Marina é a candidata


A pesquisa Vox Populi, é claro, não vai merecer a repercussão que alcançou o Datafolha de domingo.

Nao é tão boa para a “onda Marina 2″ que a mídia vai levantar nas próximas semanas.

Mas é, sem dúvida, mais coerente com os resultados anteriores, como o do Ibope da última semana de setembro – Dilma, 38%; Marina, 16%, Aécio, 11% e Eduardo Campos, 4% – quanto com a roda anterior do próprio Vox Populi, realizada no início do mesmo mês, que marcou os mesmo 38% para Dilma e apontou Marina Silva com 19%, Aécio com 13%, e Eduardo Campos com 4%.

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No cenário ortodoxo, isto é, aquele em que os candidatos são aqueles que correspondem à tendência natural dos partidos, sem a interferência de fatores externos, e o votos de Marina se distribuem entre eles, Aécio e Eduardo Campos ganham, cada um, seis dos 19 pontos de Marina, enquanto Dilma fica com cinco. Ou outros dois vão para nulos ou indecisos, que passam de 26 para 27%. Um ponto se perde nos arredondamentos de fração.

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O mesmo movimento se repete no cenário onde Serra toma o lugar de Aécio, variando apenas dentro da margem de erro.
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Em ambos, a vitória de Dilma se daria no primeiro turno, por ter índice maior do que a soma dos adversários.
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O quadro só tem mesmo algumas pequenas mudanças nos cenários onde a candidatura Marina Silva é mantida, porque há uma expressiva redução no número dos que dizem que vão anular o voto e, em menor, dos que dizem estar indecisos.









Isso acontece tanto quando se oferece o nome de Aécio Neves quanto o de José Serra, aparentemente indicando que, nos cenários onde ela não aparece como candidato, parcela de seus simpatizantes migrou para os votos nulos, o que é compatível com o discurso marinista de desencanto político.

É evidente que o impacto da decisão inesperada de Marina Silva e a intensa exposição de mídia da ex-senadora deu-lhe novo oxigênio, sobretudo porque persiste e até se consolida a impressão de que ela já devorou a candidatura Eduardo Campos em favor de seu próprio nome.

Mesmo com a menção expressa de que ela seria vice, a dobradinha com Campos ficou significativamente abaixo dos resultados de intenção de voto que, solitariamente, ela obtém.

De todos os detalhes e interpretações desta primeira de rodada de pesquisas após o “fato novo” criado por Marina Silva o que ficou mais claro – e o Datafolha, com suas “ratas” e erratas fez questão de frisar – é que ela se tornou uma alternativa real para a direita, frente a um Aécio insosso e um Serra impalatável.

Mas, como a pesquisa Vox Populi repõe na devida medida,  muito longe de ser um vendaval na política, até porque ela vem de velhos carnavais, embora, na época, desfilasse por escolas diferentes.

Fernando Brito
No Tijolaço
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