10 de out de 2013

Veja transforma em ‘super-herói nacional’ assassinos de Amarildo


Todo policial do Bope sai do quartel com seu saquinho plástico. Serve para pôr na cabeça do marginal, apertando bem na base, que fica amarrada no pescoço. O sujeito sufoca, vomita e desmaia. É meio nojento, mas eficaz. Do livro Elite da Tropa, de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel

Na terça-feira passada, 1º de outubro, a Polícia Civil do RJ entregou ao Ministério Público inquérito pedindo o indiciamento de dez policiais militares que atuavam na UPP da Rocinha.

Os policiais são acusados de terem sequestrado, torturado, assassinado e ocultado o cadáver do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, cujo corpo continua desaparecido.

Detalhe: dentre os dez indiciados, está o ex-comandante da UPP, major Edson.
Trata-se de um oficial formado pelo Bope.

Não há como deixar de lembrar do filme Tropa de Elite.

Isso porque, segundo a polícia, moradores relataram durante as investigações ja terem levado choques elétricos e já terem sofrido asfixia com sacos plásticos por policiais em busca de informações sobre traficantes e armamento.

Ora, não são exatamente essas práticas que o filme retratou?

Mas o que mais chama a atenção é o fato de que, enquanto a tortura deita e rola no filme e na vida real (pelo menos para uma parte da população), a percepção de muitos que assistiram o filme é positiva em relação ao tipo de policial que o filme retrata.

É sintomática a capa da revista Veja, de 10 de novembro de 2010. Sob a imagem do Capitão Nascimento, a chamada anuncia: “O primeiro super-herói brasileiro. Ele é incorruptível, implacável com bandidos e espanca políticos degenerados”. E promete: “Que recado estão dando os milhões de brasileiros que viram e aplaudiram o filme?”.

Não tratarei da reportagem. O leitor do Viomundo não merece tal desprazer.

É inegável. De fato, “milhões viram e aplaudiram o filme”. Mas será que esses milhões não viram que os “super-heróis” sequestram, torturam e matam? Não viram as cenas de asfixia com saco plástico? Não viram, ao final de Tropa de Elite 2, um policial prestes a matar “com a 12″ um traficante já rendido? Claro que viram. E, no entanto, aplaudiram.

Uma parte talvez não se dê conta de que o filme retrata a vida real. Outra parte talvez saiba disso, e não se importa. E há aqueles que sabem e, justamente por isso, aplaudem. Certamente Veja não está entre os primeiros. Duvido que esteja entre os segundos.

O mais inquietante na esdrúxula capa é saber que os crimes praticados no filme por policiais do Bope convivem com a imagem de que estes mesmos policiais seriam “incorruptíveis”, quando na verdade não há corrupção maior do que sequestrar, torturar e assassinar.

Claro está, e não é novidade, que a revista Veja tem um critério não só seletivo mas também bastante sui generis de corrupção.

O ponto é que, ao promover a imagem do policial “incorruptível”, do “super-herói”, Veja ignora solenemente as práticas de tortura e assassinato que o filme retrata, e que ocorrem de maneira recorrente e sistemática na vida real para milhões de brasileiros que vivem em periferias urbanas.

Contudo, o problema maior não está em ignorá-los, mas em transformá-los no seu exato oposto. Na abordagem de Veja, tortura e assassinato praticados por policiais passaram de crimes a algo normal, que deve ser encarado com naturalidade.

Ao cabo, é como se a revista tivesse dito: exatamente porque sequestra, tortura e mata, ou seja, sendo “implacável com bandidos”, é que o capitão Nascimento é o nosso herói.

Ocorre que isso não pode ser dito, pelo menos não de maneira tão explícita e aberta. A naturalização dos crimes praticados pelos policiais do Bope no filme é feita, na abordagem da revista, exatamente quando Veja silencia sobre eles. Passam despercebido.

Temos aqui uma prática recorrente do tipo de direita que se formou no Brasil. O fascismo é naturalizado na medida em que é silenciado, na medida em que passa despercebido, na medida em que é incorporado à paisagem. O fascismo não é explicitado, mas silenciado. A revista Veja não precisa defender abertamente a tortura praticada por policiais. Ela o faz veladamente, quando silencia.

Daí porque a crítica à direita brasileira envolve voltar-se para estes silêncios e fazê-los falar, obrigá-los a falar, exigir que falem – o que verdadeiramente pensam, o que verdadeiramente pressupõem, e que é estrategicamente silenciado.

Que fique claro: ao retratar um torturador e assassino como o “super-herói nacional”, Veja transforma em “super-herói nacional” exatamente os assassinos de Amarildo (e de tantos outros).

Em tempo: reportagem publicada pela Folha de S. Paulo mostra que o número de desaparecidos em 18 regiões onde há UPPs aumentou 56% entre 2008 e 2011

Antônio David é pós-graduando em filosofia na USP e mantém uma página no Facebook para divulgação de pesquisas e análises sobre o Brasil.
No Viomundo
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“As pessoas não aceitam se olhar no espelho”: Luiz Ruffato fala das reações a seu discurso

Ruffato

O dia seguinte à noite de abertura já passou, mas continuam os comentários sobre o discurso do escritor mineiro Luiz Ruffato como porta-voz do convidado de honra da Feira do Livro de Frankfurt, o Brasil. Ele usou expressões duras ao falar das desigualdades sociais em seu país, o que, para muitos, foi um exagero.

Neste quinta-feira (10/10), segundo dia da maior feira literária do mundo, Ruffato falou à DW sobre a intenção de suas palavras e a surpresa causada pelas reações agressivas, grande parte chegada do Brasil através das redes sociais.

DW: Que tipo de reação você esperava para o seu discurso de abertura?

Luiz Ruffato: Eu esperava que as pessoas compreendessem o que eu estava falando, que eu não fiz nenhuma crítica ao governo ou a ninguém. Eu só tracei um retrato da sociedade brasileira. Eu vivo nesse país e sei o quanto esse retrato é desagradável, mas é uma declaração de quem ama profundamente o Brasil e quer que ele melhore.

Acho perfeitas as reações de discordância, mas fiquei espantado com as agressões. Há muitas na internet, e aqui mesmo, na feira, quase fui agredido fisicamente por brasileiros.

Mas aqui na feira, grande parte das reações foi positiva. Agora mesmo alguém acabou de passar e te elogiar. De onde vêm as críticas negativas, então?

Um pouco daqui, mas a maioria vem do Brasil, infelizmente. Principalmente das redes sociais. Há críticas muito pesadas.

O que as pessoas argumentam quando te criticam dessa maneira?

Que eu estou falando mal do Brasil para os alemães e para o mundo. Não estou falando mal, estou apenas mostrando um retrato que me parece ser realista. As pessoas não aceitam esse retrato, não aceitam se olhar no espelho.

Você mesmo reconheceu no discurso que houve melhoras no Brasil…

Não há dúvidas. Eu votei no PT e não tenho nenhuma duvida de que o país é hoje muito melhor do que há 40, 50 anos. Mas estar melhor do que antes não significa estar bom. Minhas críticas são exatamente no sentido de propor uma reflexão para que melhoremos ainda mais.

Quando você recebeu a missão de ser um dos oradores brasileiros na cerimônia de abertura, por que decidiu focar mais na realidade do país do que na literatura?

Eu não acho que eu tenha focado menos na literatura. Para mim a literatura é um espelho da sociedade, uma representação da sociedade, portanto, ela é política. Não me foi feita nenhuma recomendação para o discurso, me deixaram absolutamente à vontade para falar o que eu quisesse. E, em momento algum, tive qualquer intenção de desagradar, ofender ou causar um desconforto para quem quer que seja. O desconforto era todo meu, porque eu tinha que falar do meu país que amo, mas tinha que mostrar como ele é.

Você acredita que toda essa polemica terá algum impacto em sua carreira de escritor?

Eu não sei. E não disse que o que eu falei está certo ou errado, mas queria que as pessoas pensassem a respeito e que houvesse uma discussão, porém, uma discussão civilizada.

Esse tipo de provocação política e a realidade brasileira estão presentes em seus livros também, certo?

Não somente nos meus livros. Em todos os lugares que falei dentro e fora do Brasil, eu disse a mesma coisa. Nunca falei nada de diferente, só que nunca fui ouvido. E vou repetir, até que o país melhore. O dia em que o Brasil melhorar, não falarei mais nada disso.

No DCM
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A pergunta que não quer calar


Tô fora!

No Terror do Nordeste
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Campos e Marina lançam campanha “com quem será?”


Em quase 40 anos acompanhando a cena política brasileira, confesso aos amigos que nunca vi nada tão deprimente quanto o comportamento da dupla Eduardo Campos e Marina Silva.

A entrevista “coletiva” (literalmente) concedida pelos dois hoje, em São Paulo – onde o Governador tucano Geraldo Alckmin os recebeu de gravata “marineira” verde – é uma peça que qualquer imprensa séria se encarregaria de chamar pelo nome: ridículo.

Os dois anunciaram (?) que não sabem se serão um com outra, outra com um ou um ou outra com outro alguém os candidatos à Presidência.

Isso, os novos gênios da política descobriram, seria cometer “os mesmos erros das práticas políticas” que a dupla condena.

Ou seja, pedir votos ao eleitor dizendo para quem são estes votos agora é uma “prática política” condenável, antiga.

Dizem que pedirão votos para um programa.

Qual programa?

Ah, eles decidiram hoje que , no dia 29, vão promover um encontro “para estabelecer diretrizes para o programa da candidatura da chapa em 2014″. Diretrizes, vejam bem…

Quer dizer, temos uma candidatura sem candidato e sem programa, visto que ainda vão, daqui a 19 dias, sentar para definir as “diretrizes” para fazê-lo.

Portanto, caro leitor e cara leitora, você não vai saber até lá  se querem seu voto para privatizar ou reforçar o Estado, ou se é para manter o Mais Médicos ou não, se vamos fortalecer a Petrobras para explorar o pré-sal ou se vamos deixar lá nas profundezas esse líquido nojento, viscoso e poluidor, se o Brasil vai caminhar para trás ou para frente, para a direita ou para a esquerda.

E só em meados de 2014 se será Eduardo ou Marina o fiador deste programa que não se sabe qual é.

A única coisa sincera na entrevista foi a declaração de Marina, citada na CBN, de que o encontro entre ambos se deu porque ela tinha uma funda (atiradeira) para derrubar um gigante e Campos tinha cinco pedras na mão para jogar contra ele. Juntos, portanto, são mais fortes para destruí-lo.

Destruí-lo para construir o que? Depois se vê, não é importante.

Porque, para ambos, o poder é apenas uma ambição pessoal, para qual se alimentaram por anos no situacionismo, antes de partirem, famintos, para esse “ninguém é de ninguém, desde que tudo seja nosso”.

Mas a elite brasileira, e seu porta-voz, a mídia, não se importa com isso, porque o Governo não lhes é importante, como é importante ao povo.

O único problema que os move, nas eleições, é que não se venha mais com essa história de colocar gente no Governo que se preocupe mais com o Brasil do que com as pompas e poderes minúsculos que lhes concedem, escravos do “mercado” e do sistema, que absolvem e aplaudem o seu vazio.

O que é ôco, em política, não se engane, está cheio de conservadorismo, que muda apenas para que não lhe reconheçam e o derrotem.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O justo protesto contra os bandeirantes em São Paulo

Monumento pichado

Aconteceu o primeiro protesto contra os bandeirantes em São Paulo.

O protesto foi no monumentos às bandeiras, cartão postal da cidade esculpido pelo italiano Vitor Brecheret, em que os tupis mamelucos ostentam cruzes no pescoço e seguem portugueses gigantes montados a cavalo.

O monumento foi pichado e os bandeirantes e mamelucos foram tingidos de vermelho. Merecidamente: os bandeirantes eram caçadores de escravos guaranis.

São Paulo nasceu de uma aliança entre os jesuítas e uma tribo de mamelucos tupis liderada por João Ramalho, casado com Bartira, a filha do cacique Tibiriçá.

A cidade surgiu de um acordo nepotista para a implantação de um colégio cristão às margens do Tamanduateí, o rio dos tamanduás. Esses escravos tupis integrantes das bandeiras escravagistas é que foram pichados no Ibirapuera – a árvore ou mata desaparecida.

Mas os jesuítas fundaram muito mais que São Paulo. Fundaram mais de 30 reduções, ou missões, em território guarani, no sul do atual Brasil, Argentina e Paraguai. Na época, os territórios eram disputados por espanhóis e portugueses.

Em São Paulo, Raposo Tavares – que dá nome à estrada que segue em direção às missões – é considerado herói. Nas missões jesuítas argentinas, paraguaias e gaúchas ele é chamado de bandido até hoje.

Sob o comando dos sacerdotes jesuítas mais cultos e bem preparados – que incluíam artistas, cientistas e arquitetos – as missões alcançaram um nível avançado de desenvolvimento social, artístico e cultural.

Os guaranis tornaram-se capazes de escrever e tocar música barroca, a esculpir a pedra e a construir e decorar igrejas como as florentinas ou sevilhanas.

Os escravos eram artistas. Os escravizadores, semianalfabetos. Os paulistas acabaram com as missões e com as habitações comunitárias que circundavam a igreja e o colégio centrais de cada uma delas, porque a educação era central no projeto missioneiro.

Liquidaram as escolas e a habitação popular. Reduziram a escombros as casas das reduções missionárias. Destruíram o Minha Casa Minha Vida guarani para obrigá-los a trabalhar de graça nas fazendas paulistas.

Depois de transformar as missões em ruínas e escravizar seus habitantes – coisa que as escolas paulistas ensinam mas não criticam – os paulistas começaram a ser expulsos ao perder pela primeira vez na batalha de Bororé, às margens do rio Uruguai, selando definitivamente a fronteira entre o Brasil e a Argentina. Bororé é o veneno que os índios colocavam na ponta das flechas. O veneno funcionou tanto quanto as armas de fogo que os jesuítas  receberam da coroa espanhola, também inimiga dos bandidos paulistas.

Daí em diante os bandeirantes foram caçar escravos na África e, depois, trouxeram mais imigrantes italianos. Porque eles já estavam aqui muito tempo antes.

Em seguida chegou o capital estrangeiro que salvou os cafeicultores falidos e a indústria recém instalada.

Os escravos passaram a vir do nordeste do país e a habitar as periferias das grandes cidades, que foram cercadas por eles.

Mão de obra barata, recursos naturais à disposição dos caçadores de esmeraldas e mercado nacional cativo.

Afastados os paulistas, os espanhóis expulsaram os jesuítas e os índios das missões. Elas acabaram em ruínas e seus ex-habitantes perambulam por ai até hoje.

Jesus de Tabarangue – hoje no Paraguai – foi a última das missões e a mais bem preservada até hoje. Sua imensa igreja – em estilo mourisco – foi abandonada inacabada com a expulsão dos jesuítas, que deixaram inscrita na pedra a data da partida. Foi assim que a redução de Jesus passou a ser Tabarangue, a aldeia que não ficou pronta.

Até que um jesuíta italiano do outro lado do rio Uruguai virou Papa. Hoje, o ítalo-argentino Jorge Bergoglio é o Papa Francisco. Não se sabe direito se em homenagem a Francisco de Assis – o frade maltrapilho defensor dos pobres e da pobreza – ou a Francisco Xavier, cofundador da Ordem de Jesus, criada com a missão de evangelizar os novos territórios conquistados na América e na Ásia.

Provavelmente, em memória de ambos. Pois não há outra maneira de competir com os demais evangelizadores sem se aliar aos pobres.

Os caçadores de escravos e esmeraldas tornaram-se escravos da escravidão. Derrotados na batalha de Bororé, os bandeirantes se refugiaram no Palácio dos Bandeirantes, uma fortaleza construída por um falso conde italiano em estilo fascista, situada no bairro mais rico da cidade e defendida por militares policiais.

A próxima batalha do Bororé será assistida no Morumbi, que quer dizer “mosca varejeira”. Será que os bandeirantes sabem onde estão sentados?

O Papa sabe. E também sabe que para reconquistar o povo não pode se aliar aos bandeirantes.

O povo quer que Tabarangue, a aldeia inacabada, fique pronta um dia. No Paraguai todas essas traduções do tupi-guarani são dispensáveis. Lá todo mundo entende a língua que os bandeirantes já esqueceram.

Jura Passos
No DCM
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PSDB usa Hebe para promover mulheres na política e é punido pelo TRE

Partido descumpre determinação legal e perde dez minutos do tempo de TV em São Paulo nas próximas inserções. Desembargador diz que propaganda deve mostrar a atuação, de fato, das mulheres

Não colou: desembargador diz que propaganda deve mostrar a atuação, de fato, das mulheres

Por decisão unânime, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) cassou na última terça-feira (8) dez minutos do tempo de propaganda partidária do PSDB estadual na televisão. A punição ocorreu porque o partido “transgrediu”, em seu último programa, a determinação legal de reservar 10% do tempo para “promover e difundir a participação política feminina”.

Pelo mesmo motivo, os tucanos também perderam nove minutos e 45 segundos das inserções de rádio. O outro partido punido foi o PSC, com a perda de cinco minutos no rádio. A punição vale para as inserções do próximo semestre.

As representações contra os partidos foram propostas pela Procuradoria Regional Eleitoral.

Em sua defesa, o PSDB alegou que houve o enaltecimento de mulheres como Hebe Camargo e Lucy Montoro em nome de obras que apareceram nos programas. O argumento, porém, não convenceu o tribunal.

Para o relator do processo, desembargador Mathias Coltro, a propaganda tem de demonstrar de maneira corrente a participação das mulheres, de forma a fomentar a participação delas na vida partidária. O TRE já penalizou este ano o PP, o PSB e o PV pela mesma transgressão. Cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Vaticano aprueba ley contra lavado de dinero tras escándalos financieros

La ley incorpora medidas que el Vaticano ha tomado para
cumplir con los estándares internacionales contra lavado de dinero

El Vaticano aprobó este miércoles una ley para hacer sus finanzas públicas totalmente transparentes, tras décadas de escándalos que implican a la Santa Sede en delitos de lavado de dinero, los cuales sigen siendo investigados por magistrados italianos.

Esta ley sobre transparencia, vigilancia e información financiera, va dirigida a mejorar el actual sistema interno de prevención y lucha contra el lavado de dinero y el financiamiento del terrorismo, según anunciaron fuentes oficiales a través de su boletín diario.

El Papa Francisco, cuyos planes de reformas han sacudido a la Iglesia desde su elección en marzo, ha hecho de limpiar la reputación financiera del Vaticano una de las principales metas de su pontificado.

La nueva ley incorpora y expande medidas que el Vaticano ha tomado en los últimos dos años para cumplir con los estándares internacionales contra el lavado de dinero, la evasión fiscal y el financiamiento del terrorismo.

La norma le da mayores poderes de supervisión y regulación a la Autoridad de Información Financiera (AIF, por su siglas en inglés) del Vaticano, para monitorear las actividades de su banco y otros departamentos de la Santa Sede relacionados con actividades financieras.

También legisla lo referente a la cooperación e intercambio de información a nivel nacional e internacional, tema que compete a la Autoridad de Información Financiera.

"Con esta ley, creo que estamos adhiriéndonos en un 99 por ciento a los estándares en esta área. Lo que resta son detalles", dijo el portavoz del Vaticano, el sacerdote Federico Lombardi.

La ley tendrá validez para los ministerios de la Curia Romana, las entidades dependientes de la Santa Sede y las organizaciones sin ánimo de lucro con personalidad jurídica canónica radicadas en el Vaticano.

El banco del Vaticano, cuya misión es manejar el dinero de la Santa Sede y las órdenes de sacerdotes y monjas alrededor del mundo, publicó la semana pasada su primer reporte anual en sus 125 años de historia.

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FHC, sujeito oculto


No artigo "A Responsabilidade do STF", o ex-presidente FHC resolveu jogar para a multidão no caso do mensalão

A entrada de Fernando Henrique Cardoso no debate sobre a ação penal 470 apenas confirma com pompa e circunstância aquilo que sempre se soube.
O julgamento de réus que integravam o governo Lula, agora em sua etapa final, é um processo politizado, que mobiliza interesses que nada têm a ver com o distanciamento e frieza que se espera numa decisão com base nos fundamentos do Direito.

No artigo “A Responsabilidade do STF”, FHC entrou no debate. O ex-presidente resolveu jogar para a multidão.

Num momento em que se acumulam vários sinais de que a falta de consistência de determinadas acusações pode levar a uma diminuição das penas de 12 réus, o ex-presidente faz um chamado à velha ordem.

Numa postura incompreensível do ponto de vista da democracia e dos direitos individuais, FHC critica o STF pela aceitação de um benefício legal, os embargos infringentes, que seu governo tentou sem sucesso extinguir em 1998. É uma atitude arbitrária.

Implica em sustentar que um direito confirmado pelo Congresso brasileiro em 1998, tão líquido e certo como qualquer outro, inclusive uma simples carta de motorista após exames de praxe, deve ser sonegado a determinadas pessoas, mesmo que não exista nenhuma justificativa legal para isso.

O receio de Fernando Henrique é que alguns condenados sejam capazes, agora, de convencer uma maioria de juízes de que receberam penas injustas e, dessa forma, modificar seu regime prisional. Como aquele cidadão zeloso que não foi capaz de impedir o filho de fumar, FHC agora quer impedi-lo de tragar.

Ex-presidente da República, personagem presente nas lutas contra o regime militar, Fernando Henrique sabe qual é o debate quando os direitos de cada indivíduo se encontram em discussão. O ex-presidente admite, lucidamente, que há temas que é complicado resolver em estádios de futebol.

Imagine se o aumento de salário mínimo fosse resolvido em estádios de futebol. Ou se o casamento entre homossexuais fosse submetido a plebiscito. Ou se a pena de morte fosse definida pela internet. Falando sobre a concessão dos embargos, o ex-presidente admite: a concessão dos embargos pode “parecer razoável às pessoas mais afeitas às garantias e direitos individuais e menos movidas por sentimentos de vingança”.

Diante da ação penal 470, contudo, sua prioridade é outra, Trata-se de “evitar a percepção popular de que tudo não passou de um artifício para livrar os poderosos da cadeia.” Essa argumentação pode ser reproduzida de várias formas, para sustentar vários raciocínios – FHC não desperdiça nenhuma delas.

Num trecho, explica que não quer que a população alimente “sentimento de dúvida, quando não de revolta, com os resultados ainda incertos do julgamento. Afinal, para a maioria dos brasileiros, trata-se de uma das poucas vezes em que habitantes do ‘andar de cima ‘ como se os qualifica no falar atual, estão no pelourinho.” Em outro, FHC fala da “sensação de impunidade”.

Falando sobre a hipótese – legítima – de que determinados réus obtenham uma redução das penas, Fernando Henrique evita debater se a possibilidade tem algum respaldo jurídico. Ressalta seu efeito sobre a visão da população:

“Se essa hipótese vier a se confirmar, estará consagrada a percepção de que “os de cima “são imunes e só os ‘de baixo ‘vão para a cadeia.”

Sujeito oculto num guarda-chuva

Como se não estivesse exprimindo uma opinião pessoal, que traduz uma vontade política de uma parte interessada, de garantir que adversários políticos sejam colocados na cadeia, mesmo que seus direitos legais permitam outra solução, Fernando Henrique recorre a um guarda-chuva. A utilização de expressões “para o povo”, “para a maioria da população,” “percepção popular”, torna possível esconder o sujeito da ação. Diante de expressões como “a maioria dos brasileiros,” fica-se com a impressão de que o ex-presidente não fala pela própria voz, mas faz sociologia pura. É apenas o portador da opinião do homem das ruas, aquele autor que traduz o pensamento da multidão.

Lembra que o julgamento dos embargos irá levar meses e diz “para o povo nada disso é compreensível ou justificável. Por que demorar tanto?”

É difícil deixar de enxergar, nesta argumentação, uma postura que Octavio Ianni, antigo colega de Fernando Henrique na Universidade de S. Paulo, definiria como populista. Não gosto do conceito, mas ele ajuda a entender o que quero dizer.

Decalques sociológicos

Nós sabemos que, EM GERAL, as pessoas de posses tem maiores facilidades para escapar da Justiça. É assim em sociedades divididas em classes, em especial naquelas onde a desigualdade é um traço profundo e perpétuo. Por exemplo: os diretores do antigo Banco Nacional, do qual uma antiga nora de FHC era sócia, e mesmo assim sofreu intervenção do Banco Central durante seu governo, até agora não começaram a cumprir penas entre 17 e 12 anos de prisão a que foram condenados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e outras práticas, num processo que teve início em 1995, ou seja, dezoito anos atrás.

Mas, quando se trata de processos políticos, a situação costuma ser muito diferente. O decalque sociológico pode ficar subordinado a outras prioridades. Aliado de João Goulart, um dos homens mais ricos do Brasil de 1960, Mário Wallace Simonsen, foi perseguido de todas as formas pelo regime militar. Perdeu inclusive a TV Excelsior, a campeã de audiência, na época. José Ermírio de Moraes, pai de Antonio Ermírio, empresário que seria um dos principais patrocinadores do PSDB, foi cassado e perseguido, também. O deputado e empresário Rubens Paiva, aluno da Universidade Mackenzie, com estatura para disputar obras públicas, foi torturado e executado como tantos estudantes e trabalhadores que participaram da resistência a ditadura. Apesar do prestígio que possuía – era amigo pessoal de Fernando Henrique, que duas décadas depois se tornou presidente da Republica – a família de Rubens Paiva não conseguiu, até agora, nenhuma notícia confiável sobre seu paradeiro. O país se democratizou, o regime civil é uma realidade, os amigos chegaram ao Palácio, e nada. Os restos daquele pai de família amoroso, membro da “elite”, do “andar de cima”, continua desaparecido há 43 anos. A condição social dos herdeiros de Rubens Paiva torna seu pleito menos legítimo ou urgente do que o dos filhos do operário Virgílio Gomes da Silva ou dos familiares do estudante Honestino Guimarães?

Numa observação incrivelmente comprometedora, FHC ignora o debate jurídico sobre a qualidade das provas para apontar a atividade política de determinados réus como agravante que deveria impedir a redução de suas penas:

“Tal abrandamento implicará mudança de regime prisional apenas para membros do “núcleo político”.

Quando um ex-presidente da República convoca o elemento “povo” como elemento retórico tão importante, parece difícil esconder uma verdade cada vez mais evidente -- o enfraquecimento dos argumentos jurídicos da acusação, fato já apontado de forma clara por um número cada vez maior de advogados e juristas importantes.

A dura realidade: as provas são fracas

Oito anos depois da denúncia de Roberto Jefferson, que iria desvendar o “maior escândalo de corrupção da história”, surge uma dura realidade. Se é possível apontar falhas nas denuncias contra os publicitários Ramon Hollerbach e Cristiano Paz e erros clamorosos no caso do diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, para citar dois exemplos particulares, as provas contra o “núcleo político” já não servem tão bem assim para animar o espetáculo. Era ali que se encontravam os troféus políticos da ação penal 470 e é ali que, juridicamente, se situa o grande debate que envolve os embargos infringentes.

Com honestidade, ninguém seria capaz de alegar que os réus do mensalão foram beneficiados por uma investigação indulgente nem por uma denúncia generosa. Todos tiveram sua vida pessoal, profissional e financeira devassada. Enfrentaram investigações paralelas, acumuladas mais tarde, por parte do Ministério Público e da Polícia Federal. Nem todos tiveram acesso a provas que poderiam beneficiá-los no momento adequado e sequer foram informados de dados incluídos em inquéritos mantidos em segredo durante o julgamento. Auditorias oficiais de valor inestimável foram desprezadas. Várias conclusões da Polícia Federal, testemunhos idôneos, inclusive de executivos de grandes empresas privadas, como a TV Globo, foram ignorados. E apesar de tudo isso, de toda essa imensa vontade de punir e castigar, verifica-se uma dura realidade: as provas contra o “núcleo político” são fracas, tem pouca consistência. Geram dúvidas. Justamente a acusação de formação de quadrilha foi rejeitada por quatro ministros. Pode, teoricamente, ser rejeitada por mais dois na fase dos embargos, o que pode ter duas consequências. A primeira, para os réus. Eles continuarão condenados em outros crimes, mas poderão cumprir pena fora do regime fechado. A outra é que a noção de que havia “uma quadrilha” em atividade no governo será abandonada. É isso, do ponto de vista político, que está em jogo.

Num debate civilizado, entre “pessoas mais afeitas às garantias e direitos individuais e menos movidas por sentimentos de vingança”, como escreveu FHC, a situação seria vista sem aflições nem sobressaltos. Quem achou muito natural que, com outros ministros, o STF chegasse a determinado resultado em dezembro de 2012, não deveria ver motivos para contestar uma possível mudança nos próximos meses, em função dos embargos. Deveria até reconhecer que, de seu ponto de vista, poderia ser muito pior se os réus tivessem tido direito ao desmembramento do processo, como aconteceu com os integrantes do mensalão PSDB-MG e também do mensalão do DEM-DF. Neste caso, a chance de uma revisão completa estaria assegurada por lei. Na ação penal 470, os embargos que tanto incômodo causaram é um troco, quase uma esmola, uma moedinha, comparado direito à dupla jurisdição, o que torna ainda mais constrangedora, nefasta, e até vergonhosa, a campanha contra sua aceitação.

No entanto, num comportamento que politiza decisões que deveriam ser jurídicas, Fernando Henrique argumenta:

“Numa sociedade já tão descrente de seus líderes, com um sistema político composto por mais de 30 partidos, num ambiente corroído pela corrupção, com um governo com 40 ministérios, uma burocracia cada vez mais lenta e penetrada por interesses partidários, não teria sido melhor evitar mais uma postergação, reforçando a descrença na Justiça?”

Nem quero comentar a frase “numa sociedade já tão descrente de seus líderes”. Por incrível que pareça, a afirmação se refere a “uma sociedade” onde o governo é aprovado por mais de 50% da população, a presidente conta com 38% de intenções de votos para disputar a reeleição e seu principal aliado político, Luiz Inácio Lula da Silva, é o mais popular presidente em 124 anos de história republicana. Vamos combinar que é muito sujeito oculto numa frase menor que os 140 caracteres do Twitter, certo?

Quem acompanhou o julgamento com atenção sabe que a Teoria do Domínio do Fato teve seu momento de deslumbramento e glória passageira antes de entrar num regime de esquecimento forçado. Parecia o instrumento perfeito para assegurar a denúncia contra vários acusados, a começar por José Dirceu, contra os quais sempre se soube que nunca havia prova material, bastando ler o relatório da Polícia Federal para se descobrir isso. A teoria seria útil mais tarde para condenar José Genoíno que, no início, era acusado de ter assinado empréstimos fraudulentos em nome do PT. Na medida em que se demonstrou que os empréstimos eram verdadeiros, só era possível condenar Genoíno por seu papel em encontros de governo e de partido que foram descritos como atividade do “núcleo político.”

Depois que um dos autores da teoria deixou claro que discordava de sua apropriação pelo ministério público brasileiro, lembrando que ela se aplicava para organizações militarizadas, com disciplina compulsória, ela foi deixada de lado na argumentação final, sem que ninguém se perguntasse por que. Fernando Henrique registra: “independentemente da teoria do domínio do fato, formou-se na opinião pública a convicção de que os mais notórios personagens, por menos rastros que tivessem deixado, foram, sim, responsáveis ”.

Domínio do fato levaria ao PSDB

Ao longo do julgamento, ficou claro que, se a teoria do domínio do fato fosse aplicada a todos os envolvidos, poderia trazer complicações surpreendentes para figurões do governo Fernando Henrique que também se envolveram no esquema. Não estou falando do mensalão PSDB-MG. Não.
Ficou demonstrado por uma auditoria no Banco do Brasil que Henrique Pizzolato, condenado (absurdamente, a meu ver) a 12 anos de prisão como responsável pelo desvio de R$ 73 milhões, não agiu nem poderia ter agido sozinho. Suas decisões foram assinadas, rubricadas e partilhadas por cinco diretores e gerentes do Banco do Brasil, com grau até maior de responsabilidade. E ele estava subordinado a executivos que nada tinham a ver com o PT nem com Delubio Soares, mas eram dirigentes indicados e empossados no governo de Fernando Henrique Cardoso. Foram eles, como homens de confiança do PSDB, que antes da posse de Lula assinaram o primeiro contrato do Banco do Brasil com a DNA, a agencia de Marcos Valério que servia tanto ao esquema financeiro do PT como ao similar original do mensalão PSDB-MG, e que foi apenas prorrogado no início do governo Lula. O responsável por todos pagamentos feitos a DNA – e que eram “fraudulentos”, “criminosos” “simples desvio” segundo a denuncia -- chamava-se Leo Batista, foi escolhido no governo FHC e mantido no posto depois da posse de Lula. Como se sabe, nenhum desses executivos foi sequer indiciado na Ação Penal 470. Não digo que eram culpados. Eram inocentes como Pizzolato. Mas se houve um crime, deveriam ser considerados cúmplices, não é mesmo? Nem precisa falar em domínio do fato para saber disso.

O mundo impessoal, mais uma vez

De novo, voltamos ao mundo impessoal, das responsabilidades ausentes, da realidade automática. “Formou-se” na opinião pública a “convicção de que os mais notórios, por menos rastros que deixaram, foram responsáveis.“

Quem formou-se?

A “opinião pública” de um país não é um produto espontâneo de homens livres, que discutem os assuntos do dia em ambiente de pluralismo e liberdade no café da manhã. Nós sabemos o que acontece com o “percepção popular” quando uma sociedade é alimentada por uma cobertura tendenciosa e facciosa, como escreveu mestre Janio de Freitas. Há países que discutem uma situação desse tipo como uma forma de “publicidade opressiva,” que se define quando uma das partes é massacrada de modo unilateral pelos meios de comunicação, numa intervenção que tem influencia direta sobre uma decisão da Justiça.

Quando assume um tom unificado dessa maneira, a opinião publicada, aquela que pertence aos editores e donos de jornal, é transformada em opinião pública, como se fosse a voz de todos – exercício que me foi explicado, há mais de 20 anos, quando o próprio Fernando Henrique me recebeu em seu apartamento, em São Paulo, para esclarecer sobre uma denuncia injusta que fora publicada numa revista onde eu trabalhava. Numa distinção inesquecível, o sociólogo explicou que não era correto invocar o interesse da opinião pública para justificar a publicação de uma notícia mas apenas a “opinião publicada.”

O acúmulo de incidentes, desculpas e retratações envolvendo o presidente do STF Joaquim Barbosa e diversos jornalistas, demonstra os riscos, perigos e recompensas da confusão entre “opinião pública” e “opinião publicada” na cobertura do julgamento.

Um pouco de teoria política

Esse culto “para o povo”, o discurso em nome da “percepção popular” me leva a pensar em Hanna Arendt, uma das mais aplicadas estudiosas das ditaduras do século XX.

Para Arendt, que produziu a maior parte de sua obra nos anos 1950 e 1960, o conceito de “ralé” que mais tarde assumiu uma conotação pejorativa, e mesmo preconceituosa, envolvia uma categoria social específica, de cidadãos deserdados e sem raiz, que perderam identidade de classe, muitas vezes foram afastados de sua realidade nacional, tornando-se disponíveis para diversos tipos de aventura política.

Hanna Arendt distinguia “ralé” de “povo” – para definir os cidadãos de várias camadas que, com um lugar reconhecido na vida social, tem compromissos com a defesa dos valores democráticos.

Avaliando a emergência das grandes ditaduras da primeira metade do século passado, em As Origens do Totalitarismo Hanna Arendt escreveu:

“O que perturba os espíritos lógicos é a indiscutível atração que esses movimentos (totalitários) exercem sobre a elite da sociedade e não apenas sobre a ralé.”

Logo a seguir, ela acrescenta: “Essa atração da elite é um indício tão importante para a compreensão dos movimentos totalitários quanto sua ligação com a ralé. Denota a atmosfera específica, o clima geral que propicia o surgimento do totalitarismo.”

Hanna Arendt observa, no mesmo texto, que um dos elementos essenciais da construção de regimes totalitários foi a percepção de que “o mal, em nosso tempo, exerce uma atração mórbida.” Ela acrescenta: “para a ralé, os ‘atos de violência podiam ser perversos, mas eram sinal de esperteza.”

O mal, para ela, não tinha nenhum sentido religioso. Implicava no comportamento de cidadãos que abrem mão de seus princípios políticos e morais, de convicções, para acomodar-se burocraticamente dentro de uma nova ordem, mesmo que isso contrarie sua formação e suas crenças pessoais.
Já vivemos este processo em outras épocas. Este é o debate do Brasil atual.

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A recepção

A recepcionista que me recebe na porta do céu é simpática. Digita meu nome no computador, sorrindo. Mas o sorriso desaparece de repente. É substituído por uma expressão de desapontamento.

— Ai, ai, ai... — diz a recepcionista. — Aqui onde diz “Religião”. Está: “Nenhuma.”

— Pois é...

— O senhor não tem nenhuma religião? Pode ser qualquer uma. Nós encaminhamos para o céu correspondente. Ou, se o senhor preferir reencarnação...

— Não, não. Não tem céu só pra ateu?

— Não existe um céu só para ateus. Nem para agnósticos. Também não são permitidas conversões post-mortem ou adesões de última hora. E me deixar entrar numa eternidade em que nunca acreditei, talvez tirando o lugar de um crente, não seria justo, eu não concordo?

— Espere! — digo, dando um tapa na testa. — Me lembrei agora. Eu sou Univitalista.

— O quê?

— Univitalista. É uma religião nova. Talvez por isso não esteja no computador.

— Em que vocês acreditam?

— Numa porção de coisas que eu não me lembro agora, mas a vida eterna é certamente uma delas. Isso eu garanto. Pelo menos foi o que me disseram quando me inscrevi.

A recepcionista não parece muito convencida, mas pega um livreto que mantém ao lado do computador e vai direto na letra U. Não encontra nenhuma religião com aquele nome.

— Ela é novíssima — explico. — Ainda estava em teste.

A recepcionista sacode a cabeça, mas diz que irá consultar o supervisor. Eu devo voltar ao meu lugar e esperar a decisão.

Sento ao lado de outro descrente. Que pergunta:

— Você acredita nisto?

— Eu... — começo a dizer, mas o outro não me deixa falar.

— É tudo encenação. Tudo truque. Quem eles pensam que estão enganando?

E o outro se levanta e começa a chutar as nuvens que cobrem o chão da sala de espera.

— Olha aí. Isto é gelo seco! Você acha mesmo que existe vida depois da morte? Você acha mesmo que nós estamos aqui? É tudo propaganda religiosa! É tudo...

Salto sobre o homem, cubro sua cabeça com a camisola, atiro-o no chão e sento em cima dele. Para ele não estragar tudo. Claro que também acredito que aquilo é uma encenação. Mas, seja o que for, durará uma eternidade.

TCHAU

Vou dar férias aos meus dezessete leitores. Volto quando novembro chegar. Tchau, e comportem-se.

Luís Fernando Veríssimo
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CIA faz devassa em busca do mapa da mina

A notícia de que a CIA realizou uma verdadeira devassa no Ministério das Minas e Energia, agora num mutirão com o serviço secreto canadense, confirma uma tradição. A agencia é um labrador dos interesses norte-americanos em busca do mapa da mina brasileira – no caso, mais literal que metafórico.

Um livro de mil páginas lançado no Brasil em 1998, "Seja Feita a Vossa Vontade”, dos jornalistas americanos Gerard Colby e Charlotte Dennett , detalha, sem muita repercussão então, a abrangência, os métodos e a intensidade das violações cometidas pelos EUA para avaliar e controlar recursos do subsolo brasileiro.

O livro foi lançado num momento sensível, digamos assim, o que talvez explique sua repercussão contida na emissão conservadora.

Um ano antes, o governo FHC havia privatizado a Vale do Rio Doce, o primeiro e um dos mais polêmicos episódios de uma série.

O valor da venda, em torno de R$ 3,3 bi então, seria superado, com folga, pelo lucro anual de uma das maiores mineradoras e detentoras de jazidas do planeta.

Em "Seja Feita a Vossa Vontade", Colby e Charlotte não tratam da Vale. Mas mostram o entrelaçamento entre a cobiça privada de Nelson Rockefeller e os serviços de espionagem dos EUA na rapinagem das riquezas minerais do país.

Nessas investidas, Rockefeller e a CIA não hesitariam em recorrer a missionários para dominar áreas indígenas, bem como agir para derrubar governos que colocassem obstáculos às suas operações e negócios.

Os golpes, de 1954, contra Getúlio, frustrado pelo seu suicídio, e aquele contra Jango, dez anos mais tarde, segundo os jornalistas, tiveram o dedo de Rockefeller diretamente.

As denúncias atuais, baseadas em informações vazadas por Edward Snowden, que vem se somar às já veiculadas tendo como alvo a Petrobrás, mostram uma grau de ousadia ímpar.

A desfaçatez, no caso do pente fino nas Minas e Energia, pode estar associada à pressa em obter informações estratégicas, antes da votação do novo Código Mineral proposto pelo governo.

Ademais de elevar alíquotas de royalties, o projeto em negociação no Congresso, transfere a uma estatal o gerenciamento público da pesquisa no país.

Hoje vale a lei do velho oeste: quem chegar primeiro, registra e tem o direito de lavra. E pode dormir sobre uma reserva de mercado à espera de valorização das cotações, frequentemente em detrimento das urgências do país. Como aconteceu durante anos com minas de fosfato detidas pela iniciativa privada.

Talvez a devassa da CIA e dos canadenses tenha exatamente o objetivo de abastecer os congêneres atuais de Rockefeller com o máximo de informações possíveis para obtenção de registros. Antes de vigorar a nova lei.

Em 2000, Colby e Charlotte concederam uma entrevista a Kátia Melo, da IstoÉ, sobre suas investigações. Alguns trechos, abaixo, revelam a extensão dos interesses por trás de uma ação da CIA:

Colby – Como presidente do Grupo Especial do Conselho Nacional de Segurança, (Nelson Rockefeller) conhecia todos os segredos da CIA e suas atividades, incluindo tentativas de assassinatos, experimentos de controle da mente, envolvimentos em golpes.

Charlotte – Se você quer ter recursos naturais e expandir seus negócios, precisa do serviço de inteligência. Precisa saber com quem está lidando e quais são os obstáculos que irá enfrentar. E fica claro no livro que Rockefeller obteve um considerável avanço em seus negócios depois de conseguir essas informações como coordenador das políticas interamericanas.

Colby – Em cada país, incluindo o Brasil, Rockefeller instaurou um conselho local administrativo formado por empresários dos países latinos e empresários americanos que nesses países residiam. Eram essas pessoas que passavam a ele informações sobre como atuar no país e como implementar seus programas. Mas o mais importante era como ganhar suporte dos governos para seus projetos. Esses contatos que ele fazia se estenderam para a área militar, como com o general Eurico Gaspar Dutra, que foi operacional no golpe de 1945 contra o presidente Getúlio Vargas. Quando assumia cargos públicos, Rockefeller estabelecia contatos que depois ele usava como empresário.

Colby – (...) a CIA ainda retém em seu poder a maior parte desses documentos. Nos papéis que conseguimos, descobrimos que os homens de Rockefeller no Brasil tinham entre 1964 e 1969 uma ligação direta com o Serviço Nacional de Informação (SNI).

Charlotte – Rockefeller estava sempre nos bastidores nos grandes momentos da política brasileira. Em 1945, no golpe que depôs Vargas, a pessoa-chave era Adolf Berle, o embaixador americano no Brasil e o protegido de Nelson Rockefeller. Depois veio o golpe de 1964 e lá estava ele agindo novamente.

Charlotte – Vargas e Jango foram os grandes obstáculos para Rockefeller realizar o que chamava de o “sonho brilhante”, o plano de desenvolvimento da Amazônia. Jango o incomodava muito porque denunciava os ricos na Amazônia, entre eles o coronel John Caldwell King, que mais tarde tornou-se o grande homem da CIA em toda a América Latina.

Colby – King também era o chefe da operação que mandava dinheiro dos EUA para o Brasil para financiar os projetos aos golpistas. A CIA também controlava as operações de financiamento para projetos no Nordeste. E a Corporação Internacional de Economia Básica (Ibec), comandada por Rockefeller no Brasil, também foi acusada de distribuir dinheiro antes do golpe contra Jango (um relatório da CIA menciona em até US$ 20 milhões).

Inclusive foi a Ibec que escreveu as leis bancárias do Brasil para estabelecer linhas de crédito mais flexíveis a negociações para continuar com as operações na Amazônia, anunciada pelos generais brasileiros.

Charlotte – Ele (Rockefeller) acreditava que o desenvolvimento da Amazônia daria um novo respiro econômico aos EUA, assim como foi a colonização do Oeste americano.

Charlotte – Cheguei a ler memorandos de Rockefeller para seus assessores em 1963 que diziam que Kennedy não estava cooperando. E ele colocava Kennedy e João Goulart na lista das pessoas que eram obstáculos para seus objetivos. Kennedy morreu em novembro de 1963 e Goulart sofreu um golpe em março de 1964.

Charlotte – Simplesmente a proteção dos interesses americanos. E isso faz parte da História. As corporações americanas sempre quiseram estabilidade para seus investimentos. E por isso apóiam os governantes que se alinham com o pensamento americano. Caso saiam da linha, pagam as consequências.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Paula Lavigne e a lei das biografias

Ela

Paula Lavigne não canta e nunca tocou nenhum instrumento, mas tornou-se a personalidade mais comentada da MPB. Ela está no coração da polêmica em torno da lei das biografias. Empresária de Caetano Veloso, seu ex-marido e pai dos dois filhos, criou um “movimento” batizado “Procure Saber” — que advoga, em suas palavras, “apresentar uma alternativa que atenda aos escritores mas não crie uma situação de exploração da obra e da vida alheia sem a remuneração correspondente e sem que a vida privada e a intimidade do biografado sejam violados”.

Paula quer “acomodar interesses comerciais de todas as partes — escritores, editoras, biografados e seus herdeiros —, cuidando de preservar a intimidade e a vida privada do biografado”.

Numa entrevista à Folha de S.Paulo, afirmou que o grupo — que inclui, além de Caetano, Chico Buarque, Gilberto Gil, Roberto Carlos e Djavan –, “é contra a comercialização de uma biografia não autorizada”. Paula e seu pessoal foram acusados por diversos escritores e jornalistas (eu, inclusive) de querer praticar censura prévia.

A coisa culminou numa troca de palavras duras com a colunista Mônica Bergamo, da Folha, no Twitter. Paula reclamava que a reportagem fora manipulada. Mônica negou e afirmou que Paula quis ler a matéria antes de ela sair. A certa altura, depois de Mônica lembrar que Lavigne havia retuitado um post do perfil “Globo Mente”, Paula perdeu as estribeiras e mandou bala: “Deixe de ser chata e recalcada. Eu nem vi de quem era o perfil! Você não tem mais o que fazer, não? Mulher encalhada é foda!” O tuíte do Globo Mente foi apagado logo depois.

Muito da revolta generalizada à iniciativa do “Procure Saber” se deve à maneira como Paula lida com isso publicamente. Há uma discussão rica, aí, sobre direitos autorais, invasão de privacidade, censura, as indenizações baratas que se pagam por crimes de calúnia e ataques à honra etc. Mas Lavigne, tudo indica, não é a pessoa mais indicada para tocar o debate.

Ela é uma empresária de sucesso. Paula Lavigne é uma espécie herdeira brasileira do estilo Allen Klein de agenciamento de artistas. Klein foi empresário dos Stones e dos Beatles. De origem pobre, judeu de Newark, era um negociador implacável. Grosseiro, falastrão, inventou a figura do “business manager”, o homem que tratava com as gravadoras em nome de seus agenciados. Mick Jagger o indicou a John Lennon em 69, quando os Beatles perdiam dinheiro com a Apple. Num encontro, Lennon se impressionou com o conhecimento que Klein tinha de sua obra e com sua “sabedoria das ruas”, uma alusão à quantidade de palavrões do interlocutor.

Um crítico inglês disse que Klein detinha “um recorde qualquer de linguagem impublicável”. Klein renegociou o contrato com a EMI e saneou as contas da Apple. Tudo com seu jeitinho de estivador. “Não me fale de ética”, disse numa entrevista à Playboy. “Todo homem faz a sua própria. É como na guerra. Eu sou o maior fodão do vale”. A relação com Beatles e Stones acabou num vale de lágrimas e processos, mas isso é outra história.

Eles
Eles

Paula é filha de um advogado criminalista famoso, Arthur Lavigne. Tem uma produtora de audiovisual, ex-Natasha, hoje Uns, que faz DVDs. Lançou o DVD “Músicas para Churrasco”, de Seu Jorge, e cuida dos shows de Criolo e Emicida. É dona também de uma editora musical. Não mede esforços para proteger os interesses sua clientela — o que é, afinal, sua função. Num depoimento à revista TPM, há alguns anos, explicou sua visão de negócio e de mundo. Alguns trechos:

“Os artistas não tinham a menor noção de quanto eles geravam. Todo mundo fala: ‘Ah… A Paula fez o Caetano’. Eu não fiz o Caetano. O Caetano já era o Caetano. A única coisa que eu fiz foi desobstruir as vias e fazer o dinheiro chegar até ele.”

Mais: “Hoje a gente tem quem cuide só da carreira internacional dele, na verdade é um império. E é justo que seja. Ele é um artista importante. Hoje o Caetano tem um patrimônio mais de dez vezes maior do que tinha. Vivemos bem. Somos ricos. Temos um apartamento maravilhoso na Vieira Souto, uma casa maravilhosa na Bahia e um apartamento incrível em Nova York. Minha ambição agora é manter isso que a gente já conseguiu”.

Continua: “E acho que mereço ser rica. O que a pessoa deve fazer com dinheiro eu faço. Não vem com essa de que dinheiro é ruim! É como tudo, se você tem muito, dá trabalho para lidar. Emprego pessoas, faço o dinheiro girar. Tenho uma relação saudável com o dinheiro. Acho dinheiro bom. É difícil lidar porque tem gente que não tem nenhum. Agora, para viver, precisa ter dinheiro”.

Essa força da natureza é naturalmente atraente para outros artistas. Se ela construiu um império para Caetano, pode ajudar Djavan a ter um imperiozinho azulzinho, decerto. E, como era de se esperar, ela causa repulsa, também. Numa carta aberta sobre um encontro em Brasília sobre o ECAD, por exemplo, o velho parceiro de Milton Nascimento, Fernando Brant, se refere a ela como “dona do pedaço”, entre outros epítetos.

O debate em torno da lei das biografias pode ser muito rico. Mas o estilo trator de Paula não ajuda a causa. Com a montanha de dinheiro que diz que faturou e faz outros faturarem, uma medida inteligente que ela poderia tomar era contratar um porta-voz. Tem espaço no orçamento. Não é possível que não tenha. Allen Klein, que Deus o tenha, lhe recitaria seu mantra: “Eu posso encontrar os dólares que você nunca achou que tivesse”.

Kiko Nogueira
No DCM
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Lula no Carta Maior: "a política é a única força que rivaliza com o mercado"

Lula gosta de conversar. É um líder de massa. Um homem que pensa falando. Que precisa falar para formular e avaliar as próprias ideias. Ser um orador de fluidez arrebatadora é decorrência desse traço que faz com que as palavras não encavalem na voz não tão rouca, depois do câncer curado. As palavras não congestionam na sua frase. Vão se compondo, escolhidas e corrigidas durante a  conversam com um interlocutor invariavelmente cativado por elas.

Não importa se um ou um milhão, será sempre o interlocutor de uma conversa privilegiada em que a oralidade versátil se nutre do imenso depósito de uma memória elefantina, que frequentemente afronta as anotações de auxiliares e invariavelmente com razão.

Fiel ao seu chão e ao mesmo tempo cosmopolita, Lula integrou Garanhuns ao ABC e este a Brasília,  Washington,  Pequim, Davos,  Moscou...

Seu idioma é a política, esse esperanto da grande conversa da humanidade com o qual se faz entender e captura o interlocutor, devorando-o com um sensor de rusticidade ao mesmo tempo telúrica e altamente sofisticada.

O ex-presidente de 58 milhões de votos, que fez a sucessora e carregou 80% de aprovação ao deixar Brasília está preocupado com a política assim entendida, como o amálgama da sociedade.

Vorazmente intuitivo, Lula sabe que a política é a  única força que rivaliza com a do mercado, que também recorre a ela, comprando-a aqui e ali, mas sem nunca se apoderar totalmente das suas rédeas. 

Preocupa-o, desde os protestos de junho, o cerco midiático e  a desvalorização desse espaço, o único espaço de liberdade dos que não tem espaço, nem voz na sociedade.

Foi com essa obsessiva determinação de chamar a juventude à política, que Lula conversou longamente com Carta Maior.

Ele cobra argumentos dos que se dizem  a-políticos.

Sobretudo, dos que pretensamente se apresentam como fundadores da ‘política pura’, aquela sem partido, sem erros, sem negociação, imune aos corruptos e, sobretudo, aos corruptores, que por definição habitam o circuito do dinheiro grosso.

A política assim entendida, não para um outro mundo, mas de um outro planeta, é só mais uma armadilha destinada a congelar a sociedade real, dividida em classes conflitantes, com gente de carne e osso que espelha o seu tempo e as instituições que o modelam.

Lula chama à política com a experiência de quem já viveu o outro lado.

 ‘A maior ignorância é ser um analfabe analfabeto político)’, ilustra sem resguardo, puxando a cena exata dos anos 70:

“Com o bonezinho preto e a barba negra eu dizia: eu não gosto de política e não gosto de quem gosta de politica’.

E debochado fuzila: “ A elite paulista e a imprensa deliravam: 'ele não gosta de política!'

Três meses  depois, como relata na entrevista à CM, estava em cima de um caminhão fazendo campanha para FH ao Senado, contra Franco Montoro e o Claudio Lembo.

Dois anos mais tarde estava criando aquele que seria o maior partido de trabalhadores da América Latina e um dos mais importantes do mundo.

Trinta e cinco anos depois, a criatura esfericamente política, duas vezes presidente da República, fala a Carta Maior, um site que já nasceu mergulhado na política. Mas, que a exemplo de Lula, também, se olha e se questiona, renovando-se, como nesta nova fase, a perseguir seu objetivo maior: ser um espaço de encontro e reflexão da esquerda e das forças progressistas brasileiras, na construção de uma força política, capaz de transformar o Brasil.

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“Meia dúzia de índios e alguns vagabundos pintados”


O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), representante ruralista, afirmou que “meia dúzia de índios e alguns vagabundos pintados” conseguiram impedir a instalação da PEC 215, pleito da bancada ruralista e que busca transferir do Executivo para o Legislativo a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas.

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) entrou com uma questão de ordem e pediu que o discurso do ruralista fosse retirado das notas taquigráficas, além de fazer uma defesa enfática dos Direitos Indígenas.

Outro ruralista, Luiz Carlos Heinz (PP-RS) não gostou do pedido e partiu para a agressão física contra Ivan Valente, ameaçando-o e dizendo: “vamos resolver lá fora!”.


Pedro Brandão
No Viomundo
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STJ derruba liminares e autoriza ANS a suspender venda de planos de saúde


Brasília – A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) voltou a suspender a venda de 246 planos de saúde de 26 operadoras, como punição por descumprimento da legislação. A medida foi tomada depois de o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Felix Fischer, suspender liminares concedidas a favor das operadoras e decidir pela manutenção do sistema da ANS usado para avaliar os planos de saúde, baseado em reclamações de consumidores. A medida não afeta clientes que usam atualmente os planos punidos.

A determinação do STJ, comunicada hoje à ANS, sobrepõe-se a liminares dos tribunais regionais federais (TRF) da 2ª Região (no Rio de Janeiro) e da 3ª Região (em São Paulo), que questionaram o sistema de avaliação da agência reguladora e determinaram a suspensão da punição aplicada às operadoras. As liminares foram concedidas pelos tribunais à Federação Nacional de Saúde Complementar (FenaSaúde) e à Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge).

Para o presidente do STJ, as liminares anteriores violam o princípio da presunção de legitimidade dos atos administrativos trazendo "risco de grave lesão à ordem pública e à saúde de uma imensa coletividade".

Ele acrescentou que não cabe ao Judiciário estabelecer a forma como devem ser executadas as normas que regulamentam a atividade da agência. “Desta forma, tenho que as decisões impugnadas alteraram aspectos de procedimentos internos da agência que, certamente, nasceram para proteger com maior eficácia o consumidor em importante aspecto da vida, qual seja, a saúde”, disse Fischer, em nota.

No dia 20 de agosto, a agência determinou a suspensão da venda de 212 planos de saúde de 21 operadoras por três meses. A determinação ocorreu porque as operadoras descumpriram prazos de atendimento para consultas, exames e cirurgias e também por negativa de procedimentos da cobertura obrigatória, após o sexto ciclo de monitoramento da ANS. Somaram-se à lista de planos com venda suspensa, mais 34 planos de cinco operadoras que já tinham sido punidas em processo de avaliação anterior. Com isso, 246 planos estavam impedidos de ser vendidos pelas operadoras.

No mesmo dia do anúncio da punição, a FenaSaúde ingressou com ação judicial alegando que identificou “equívocos no processo de monitoramento dos prazos de atendimento aos beneficiários de planos”. Ainda no dia 20 de agosto, o TRF da 2ª Região deferiu liminar determinando revisão das reclamações usadas pela ANS para avaliar a proibição da venda de cada plano. Portanto, até ontem (8) a punição não estava valendo.

Mesmo com a nova decisão do STJ, o diretor-presidente da ANS, André Longo, anunciou hoje (9), em nota, que a agência reguladora vai criar um Grupo Técnico do Monitoramento da Garantia de Atendimento, com o objetivo de aprimorar permanentemente a metodologia de avaliação. O novo grupo será constituído de imediato, com representantes de cada entidade representativa das operadoras de planos de saúde, de defesa dos consumidores e com técnicos da agência.

O resultado do sexto ciclo de monitoramento, que agora é retomado, refere-se à avaliação que ocorreu entre 19 de março e 18 de junho de 2013. Das 553 operadoras com pelo menos uma reclamação sobre o não cumprimento dos prazos máximos para atendimento ou de negativa de cobertura registrada nesses três meses, 523 são médico-hospitalares e 30 voltadas exclusivamente à assistência odontológica.

A ANS alerta os consumidores a não contratar os planos punidos e denunciar se receberem ofertas.

Aline Valcarenghi
No Agência Brasil
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Dueño del diario chileno El Mercurio reconoce vínculos con la CIA


Agustín Edward, dueño del imperio mediático chileno El Mercurio, reconoció este miércoles sus vínculos con la Agencia Central de Inteligencia (CIA, por su sigla en inglés) durante el golpe de Estado contra el presidente mártir chileno, Salvador Allende.

Edwards, sin embargo, negó durante las declaraciones ante el juez Mario Carroza haber incidido en la planificación del golpe militar.

Carroza ordenó una investigación sobre la campaña comunicacional conocida como Operación Colombo, enmarcada bajo la sombra de la Operación Cóndor, plan de operaciones de los servicios de inteligencia estadounidenses en los países suramericanos contra los movimientos de izquierda.

Ante el juez, el empresario dijo que al siguiente día de ser electo Allende presidente, él viajó a Estados Unidos, pero que no se reunió el 14 de septiembre de 1970 con el entonces director de la CIA, Richard Helms, como precisan informes de esa agencia, desclasificados en 2008.

Sin embargo, reconoció que días después por encargo del presidente Richard Nixon, y a través del magnate de la empresa estadounidense Pepsi en ese entonces, Donald Kendall, viajó de Nueva York (noreste) a Washington (capital), donde fue recogido en el aeropuerto por Richard Helms, director de la CIA.

Según su testimonio, Helms lo fue a buscar para una reunión conjunta con Henry Kissinger, consejero de Seguridad Nacional de Nixon, pero niega que en esa conversación se acordaran los ejes para fraguar el derrocamiento de Allende.

Archivos desclasificados de la CIA y el Informe Church evidencian que en dicha cita, en la que también menciona a Nixon, quedaron definidos los lineamientos para desestabilizar al Gobierno de la Unidad Popular, y las sumas de dinero que serían enviadas a El Mercurio como medio de subversión y propaganda.

"Tuve una reunión en Washington con Kissinger y con Helms. Además esta reunión se efectuó días después de la elección de Salvador Allende, oportunidad donde se comentó las circunstancias de haber salido un presidente comunista en un país democrático, pero en ningún caso se pensaba en un golpe de Estado o algo parecido, ni menos de un financiamiento hacia el diario El Mercurio", alegó Edwards.

El operativo Colombo fue montado por la Dirección de Inteligencia Nacional (DINA) chilena en 1975, para encubrir la desaparición forzada de 119 opositores a la dictadura, la mayoría de ellos integrantes del Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR).

El juez Carroza ha indagado sobre el rol que jugaron los diarios bajo control de Edwards durante el derrocamiento de Allende, y después en sus reportes que estuvieron en sintonía con la Operación Colombo.

El vespertino La Segunda, parte del holding El Mercurio, tituló "Exterminados como ratones" la información referente al supuesto enfrentamiento de los 119 integrantes del MIR en Argentina, y que en realidad fueron ejecutados por la DINA.

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Minha vizinha Norma Bengell


É muito triste. Acabei de ouvir no Jornal da Globo uma inverdade, para não dizer o pior, sobre Norma Bengell. A apresentadora dizia que Norma Bengell era conhecida por ser desbocada. Chocante. Mais alguém com a memória borrada. E pela Globo. Norma Bengell foi uma grande artista, militante contra a ditadura que ousou lutar. Este país precisa parar com esta intolerância. A Norma foi um grande exemplo para a minha geração. Pouco falava. Ficava observando a garotada engajada dos anos 70. Não a conheci pessoalmente. Mas morei um tempo na mesma rua. Nunca ninguém viu a Norma ofender quem quer que fosse. Ela tinha um olhar condescendente e sempre saia com frases:-” essa garotada é uma loucura. Não pára de dar festas”. E nunca se aborrecia com o barulho. A gente ria muito. E o comentário que se seguia: até a Norma me perguntou como eu aguentava festa dia e noite, dizia um dos pais das adolescentes.

Os anos 70 foram do barulho. Ditadura militar e Lei de Segurança Nacional causam um incômodo em gente que não gosta de ser controlada. Quando a Norma Bengell voltou do exílio perto do processo de abertura política tivemos a curiosidade natural de quem só a conhecia na tela grande. Ela dizia que havia voltado mas que sabia que o país estava aquela loucura. E estava mesmo. O Rio fervia. Cada um buscava uma válvula de escape para suportar aquela situação que parecia nunca terminar. Pela manhã quando a gente estava indo dormir ou indo para o trabalho ela pegava uma bicicleta de aro grande, toda paramentada e pedalava junto com a sua amiga em outra bicicleta, uma mulher loira alta e magra e seguiam as duas para a praia.

Elas nos olhavam como pirralhas que dão trabalho aos pais. Daquele tempo eu me lembro somente de duas pessoas que pareciam querer viver a vida, passar aquela chuva, encontrar com os amigos. E que tinham um gato grande e cinza chamado Afonso a quem as duas chamavam à noite. E ele sempre desobedecia. Vendo hoje o que foi dito sobre ela me causa uma dor profunda em meu coração. Este país precisa mudar. Parar de sujar o nome do outro. Norma Bengell é parte da nossa história. Seu nome está na cultura, nas artes, na crônica desse país. É muito triste saber que Norma Bengell ficou doente, sem dinheiro e foi processada por apropriação indébita dos recursos do filme Guarani. E é bom lembrar que nos últimos vinte anos pessoas vêm sendo processadas e têm as suas biografias destruídas.

Eu sempre me lembrarei de Norma Bengell como uma grande artista e estas palavras profanas que eu ouvi na Globo as jogarei na lata de lixo. Em lugar dela a crônica de um Rio de Janeiro que apesar da brutalidade do poder ainda se permitia sonhar. Na mesma rua havia um som de piano, músicos e artistas consagrados que desciam e subiam alegres e eu e a minha turma de amigas que tínhamos o privilégio de assistir aquela cena como se estivéramos em um filme em algum mundo delicado em que cabem gatos e cachorros, porteiros, jovens rebeldes e muita festa e muita música.

Que Deus tenha pena dos que profanaram a tua memória Norma Bengell. Os que mesmo de longe como eu te conheceram e puderam alcançar a sua essência contarão outra história sobre você. Obrigada Norma Bengell por mesmo só te conhecendo de vista trazer dentro de mim tantas história boas de um tempo duro mas solidário.

Julia Silveira
No DCM

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Ele voltou! Serra começa campanha. Aécio que se cuide.


Ontem, José Serra apareceu “de surpresa” numa visita de Geraldo Alckmin na zona leste de São Paulo.


Voltou, e com seu velho estilo de desprezo por quem é fraco.

Chamou, de novo, o Mercosul de “bobagem”, reclamou de fazermos “fru-fru” com a Bolívia, “um exportador de coca” e, perguntado sobre um acordo comercial com a Palestina, debochou: ”Nem sei se (lá) tem economia”.

Mas o mais flagrante foi a resposta que deu à pergunta sobre se tentaria ser candidato.

Segundo a Folha – aliás cheia de matérias sobre ele – questionado sobre sua intenção de concorrer, “Serra citou o exemplo do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que definiu sua candidatura meses antes da votação em 2007, para afirmar que não vê a necessidade de precipitação”.

Uma semana depois de se encolher pelos cantos do PSDB, desprezado e humilhado, Serra volta, de “dono do pedaço”.

Aécio, Aécio, falta de aviso não foi…

Fernando Brito
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