9 de out de 2013

Carta de Lula à Nissan sobre questão sindical


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta nesta terça-feira (8) ao presidente e ao executivo chefe de operações da empresa japonesa Nissan. Na mensagem, Lula comunica sua preocupação com os relatos de graves dificuldades impostas à filiação sindical na fábrica da Nissan em Canton, Mississippi, nos Estados Unidos. O ex-presidente lembra que  direito o de sindicalização é um direito humano universalmente reconhecido e uma exigência taxativa da Organização Internacional do Trabalho. Lula apela à alta direção da empresa no sentido de alterar esse tipo de prática anti-sindical que está se verificando em Canton.

Leia abaixo a carta na íntegra:

Sr. Carlos Ghosn
Presidente e CEO
Sr. Toshiyuki Shiga
COO
Nissan Motor Company, Ltd.

São Paulo, 4 de outubro de 2013

Prezados Senhores Ghosn e Shiga-san,

Considero a Nissan uma empresa global de destaque, que fabrica produtos da maior qualidade, e fico muito satisfeito que ela esteja operando unidades de montagem nos Estados Unidos, assim como em meu País.

Contudo, sinto-me obrigado a comunicar-lhes uma séria preocupação que me foi trazida com relação à resposta da Nissan aos esforços de sindicalização nos Estados Unidos.

Já recebi duas delegações de trabalhadores norte americanos da unidade da Nissan em Canton, Mississippi, que me relataram graves dificuldades impostas naquela fábrica às atividades sindicais.

Entendo que o grupo Nissan-Renault mantém relações respeitosas com os sindicatos no Brasil e em outros países. Porém, estou muito preocupado com a campanha anti-sindical que a Nissan tem feito nos Estados Unidos, considerando que o direito de sindicalização é um direito humano universalmente reconhecido e uma exigência taxativa da Organização Internacional do Trabalho, organismo das Nações Unidas, em várias de suas convenções oficiais.

Sendo assim, chega a ser difícil de acreditar – e me causa um sentimento de indignação – que a Nissan mantenha essa atitude de intransigência e intolerância em uma planta norte-americana, cabendo indagar se isso decorre de alguma decisão da própria empresa ou, mais grave ainda, se é fruto de intervenções inaceitáveis do governo dos Estados Unidos.

Apelo, portanto, ao mais alto nível de direção empresarial da Nissan, no sentido de alterar imediatamente esse tipo de prática anti-sindical, colocando-se em sintonia com os valores democráticos nas relações de trabalho que devem nortear todas as empresas nesse início de século 21, abolindo restrições e barreiras que eram próprias dos séculos anteriores ao século 20.

Agradeço sua atenção e espero iniciativas saneadoras.

Muito obrigado.

Luiz Inácio Lula da Silva

No Instituto Lula
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Carta Maior lança novo site


Além do lançamento do novo portal, o evento também conta com um debate sobre o ressurgimento do Observatório Global de Mídia (Media Watch Global), ONG que foi criada na terceira edição do Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Jornalistas do mundo todo poderão publicar textos sobre a imprensa de seus respectivos países nos moldes do observatório de imprensa.

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A polícia em São Paulo

Vídeo flagra policiais espancando jovens em delegacia de São Paulo



Imagens gravadas na delegacia de Caieiras, na Grande São Paulo, mostram dois jovens apreendidos sendo interrogados sob ameaça e agressões, como tapas no rosto.

A Folha apurou que o grupo era formado por policiais civis e guardas municipais.

O registro está em poder da Ouvidoria e da Corregedoria Geral da Polícia Civil, que abriram investigações sobre a sessão de espancamento. Os autores das imagens são mantidos sob sigilo para preservar sua segurança.

A gravação, com 50 segundos, foi feita em 20 de agosto, quando os adolescentes, de 17 anos, foram apreendidos pela Guarda Municipal local sob suspeita de tráfico.


No vídeo, é possível contar ao menos seis pessoas em torno dos dois jovens, que estão algemados e em pé. Ao ser agredido com tapas no rosto, o jovem ouve de um deles: "Tem que apanhar, rapaz, apanhar e apanhar!".

Na sequência, um dos policiais pergunta: "cadê o patrão?", em referência a um suposto chefe do tráfico. Com o silêncio do rapaz, o policial se dirige ao amigo e puxa seu cabelo para também dar tapas no rosto.

É possível ver o policial segurar a cabeça do jovem com a mão esquerda e estapeá-lo com a direita.

"Vocês não falam que lá no [Jardim] Eucalipto [que] são muita treta, que é partido [referência à facção PCC] e o caralho?", questiona um deles. Outro agressor diz: "Que matam polícia [sic] e tal?"

"Cadê os caras lá, cadê os irmãos [membros do PCC], os malandros?", continua.

Enquanto o rapaz diz não conhecer ninguém, o homem volta a bater no seu rosto: "Não chora por que você é homem! Homem não chora". Na sequência, há mais um tapa gravado e o vídeo termina.

"É muito difícil documentar em vídeo a tortura. A punição tem de ser exemplar", diz o advogado Ariel de Castro Alves, do Movimento Nacional de Direitos Humanos e do grupo Tortura Nunca Mais.

Em 10 de setembro, um dos jovens disse ao advogado também ter sido sufocado com um saco plástico. Os jovens também disseram ter sofrido ameaças de morte.

Ainda segundo eles, os policias falavam que, caso eles denunciassem a tortura, ambos seriam mortos, assim como seus familiares.

Após 41 dias internados na Fundação Casa, um dos jovens foi libertado no dia 1º. O outro segue apreendido.

Outro lado

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou ontem, por meio de nota oficial, que o vídeo com as imagens da tortura contra os dois adolescentes está sendo investigado pela Corregedoria Geral da Polícia de São Paulo, desde 30 de agosto.

"A Polícia Civil do Estado de São Paulo não compactua com qualquer tipo de irregularidade no exercício da função policial e adotará as medidas cabíveis de acordo com o resultado das investigações --dentre elas, a eventual exoneração dos policiais", afirma a nota.

Questionada pela Folha sobre as identidades dos homens envolvidos na sessão de agressões dentro da delegacia central de Caieiras, a pasta não se manifestou, assim como um pedido de entrevista com Fernando Grella Vieira, secretário da Segurança.

O órgão informou também que tenta identificar primeiro as duas vítimas da tortura para depois identificar quem eram os policiais que os agrediu dentro da delegacia.

Os nomes dos dois jovens constam no boletim de ocorrência de suas apreensões.

No fAlha
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Ejército colombiano condenado a pagar indemnización por asesinato de civiles

Ejército Nacional deberá pagar hasta 300 mil dólares
a familiares de las víctimas
El Consejo de Estado de Colombia condenó al Ejército Nacional a pagar hasta mil salarios mínimos (más de 300 mil dólares) a los familiares de tres civiles que fueron asesinados por militares en el año 1999, delito por el cual ya fueron condenados un mayor y varios oficiales y soldados del cuerpo castrense.

De acuerdo con la sentencia judicial, los familiares de las víctimas tienen derecho a "recibir la indemnización por los perjuicios morales y la grave violación a los derechos humanos por parte de agentes estatales".

Igualmente, la instancia jurídica aclaró que el monto exacto de la indemnización dependerá de las circunstancias en que se produjo la “lesión” o “afectación”, así como de su gravedad, naturaleza e intensidad.

"Según la jurisprudencia constitucional, el requisito para emplear el artículo 97 del Código Penal como índice en la liquidación del perjuicio inmaterial (...) es que haya sido el Estado directamente a través de sus agentes quien haya cometido el ilícito, la exigencia legal, según el criterio trazado por la Corte Constitucional, se refiere a que el daño sea producto única y exclusivamente de una conducta punible", precisa el fallo.

El asesinato de los tres hombres fue cometido por militares cerca del municipio de Sonsón, en el departamento de Antioquia (noroeste), el 10 de marzo de 1999.

Las víctimas fueron identificadas como Luis Fernando Londoño Gómez, Álex Ariol Lopera Díaz - entonces coordinador de paz del Departamento de Antioquia- y Manuel José Jaramillo Giraldo.

La investigación determinó que los uniformados interceptaron a las víctimas cuando viajaban hacia Sonsón, donde pagarían el rescate de una persona retenida por las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC).

El dictamen agrega que las víctimas fueron interceptadas por las tropas y aunque explicaron para qué era el dinero y pudieron seguir su camino, más adelante fueron detenidos en otro retén por soldados adscritos a la IV Brigada de Medellín, quienes les quitaron el dinero y los asesinaron y arrojaron un abismo con el vehículo.

Por estos asesinatos, un Mayor del Ejército Nacional fue condenado, tras ser demostrada su participación en los homicidios y en el hurto de los 150 millones de pesos (casi 80 mil dólares).

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Golfou!!!

"Marina é intolerante com a veste da delicadeza"



Deputado Ronaldo Caiado leva DEM a expedir nota dura contra ex-ministra Marina Silva; chamado por ela, em entrevista, de "inimigo histórico" dos trabalhadores rurais, ele não vestiu a carapuça; "Não confundo adversário com inimigo", registrou; líder ruralista assinalou que setor é o "mais produtivo da economia, responsável por 23% do PIB"; e disse que havia aderido ao projeto de Eduardo Campos, do PSB, "por entender que ele poderia ter uma postura nova na politica brasileira, democrática, firme e corajosa"; crise iniciada com a aliança entre a Rede Sustentabilidade e o partido sepulta qualquer chance de adesão do DEM ao projeto do governador pernambucano; quem saiu mais chamuscado com essa troca de chumbo quente?

O líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), rebateu através de nota os ataques a ele perpetrados pela ex-senadora Marina Silva, que em entrevista ao jornal O Globo acusou o ruralista de ser “inimigo histórico” dos trabalhadores rurais (aqui). “É preocupante que alguém que postula a Presidência da República seja intolerante e hostil exatamente ao setor mais produtivo da economia, responsável por 23% do PIB e por mais de um terço dos empregos formais do país”, disse Caiado, ao sugerir que a crítica direcionada a ele reflete o “preconceito” da líder da Rede Sustentabilidade com os produtores rurais brasileiros.

As queixas de Marina em relação a Caiado tiveram o objetivo cirúrgico de inviabilizar a tentativa de aliança entre o DEM e o PSB em Goiás - cujas tratativas já estavam em estágio avançado - e dissociar seu projeto do histórico do ruralista goiano depois que a Rede declarou-se unida ao PSB no projeto presidencial de 2014. Surtiu efeito. À rádio CBN, o governador Eduardo Campos, presidente do PSB e virtual nome à sucessão da presidente Dilma Rousseff, respaldou Marina ao afirmar que “não há nenhuma aliança com Ronaldo Caiado nesse conjunto do PSB e da Rede”.

A declaração de Campos é escorregadia. Não só havia conversações avançadas para a formação de uma aliança entre o PSB e o DEM em Goiás como Caiado se apresentava como o nome para encabeçar a chapa ao governo goiano. O ruralista chegou mesmo a defender o apoio do Democratas a Campos, em detrimento de Aécio Neves e do PSDB.

Caiado, contudo, não atacou diretamente o presidente do PSB. Mas ironizou o recuo de Campos ao dizer que ele (Caiado) foi um dos primeiros políticos do País a defender a candidatura do governador pernambucano “por entender que ele poderia ter uma postura nova na politica brasileira, democrática, firme e corajosa”. E continuou: “Foi por crer na pluralidade que tinha me associado ao projeto político do governador Eduardo Campos, cujo discurso rejeitava radicalismos.”

O democrata, surpreendentemente, suprimiu na nota seu estilo agressivo. Durante todo o dia era esperada uma manifestação ainda mais dura. A senadora Kátia Abreu discursou e soltou nota em defesa de Caiado (aqui). Chegou a ser anunciado um pronunciamento bombástico na tribuna da Câmara. O estilo Caiado não se materializou, porém. A resposta limitou-se à nota, onde Caiado afirma que Marina se equivoca ao ver no produtor rural, “o maior empregador do país”, um inimigo do trabalhador. “É um colossal contrassenso. Em meu estado, Goiás, o agronegócio emprega nada menos que a metade da mão de obra ativa e responde por 67% do PIB.”

Caiado ironizou a suposta fragilidade da ex-ministra do Meio Ambiente, a quem classificou de intolerante, mas que se apresenta com a veste da delicadeza. “A candidata tem razão num ponto: somos, eu e ela, coerentes. Só que – e essa é nossa diferença – não sou intolerante. Não confundo adversário com inimigo.”

Abaixo, a íntegra da nota:
Nota Oficial


O veto da candidata Marina Silva não é à minha pessoa, mas ao que represento, em três décadas de vida pública: o setor agropecuário e a liberdade de iniciativa.


É preocupante que alguém, que postula a Presidência da República, seja intolerante e hostil exatamente ao setor mais produtivo da economia, responsável por 23% do PIB e por mais de um terço dos empregos formais do país.


Lamento que alguém, com tais pretensões, demonstre tamanho desconhecimento da realidade agropecuária brasileira e veja no produtor rural – o maior empregador do país – um inimigo do trabalhador. É um colossal contrassenso. Em meu estado, Goiás, o agronegócio emprega nada menos que a metade da mão de obra ativa e responde por 67% do PIB.


A candidata tem razão num ponto: somos, eu e ela, coerentes. Só que – e essa é nossa diferença – não sou intolerante. Não confundo adversário com inimigo. Democracia não é política de terra arrasada, nem se aprimora em ambiente de duelo. Fui – e sou – um político afirmativo. Jamais escondi minhas ideias. Mas sempre convivi em ambiente democrático e civilizado, sabendo lidar com o contraditório. Veemência não é intolerância. Frequentemente, bem ao contrário, a intolerância se apresenta com a veste da delicadeza.


Fui um dos primeiros políticos do País a defender a candidatura do governador Eduardo Campos, por entender que ele poderia ter uma postura nova na politica brasileira, democrática, firme e corajosa.


Foi por crer na pluralidade que tinha me associado ao projeto político do governador Eduardo Campos, cujo discurso rejeitava radicalismos. E foi em nome do pluralismo e do diálogo que dei boas vindas à candidata, que agora me exibe a face da intolerância.Essa ideia de “inimigo histórico” é antiga, retrógrada e preconceituosa e não atende aos interesses do País. Continuarei defendendo, no Congresso Nacional, os interesses do Brasil e do agronegócio, debatendo e apresentando propostas que harmonizem o desenvolvimento do país, compatibilizando-o com a preservação do meio ambiente.


Ronaldo Caiado
Líder do Democratas na Câmara dos Deputados
Brasília, 9 de outubro de 2013

No AmoralNato
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Sanção da MP 615 garante recursos para construção da Casa da Mulher Brasileira


A presidenta Dilma Rousseff sancionou a Medida Provisória 615, nesta quarta-feira (9), garantindo recursos para a construção da Casa da Mulher Brasileira nos 26 estados e no Distrito Federal. De acordo com a ministra Eleonora Menicucci, a MP autoriza a Secretaria de Políticas para as Mulheres a contratar o Banco do Brasil para a construção dos espaços.
“O projeto está praticamente pronto. O Banco do Brasil fará o projeto executivo e licitará a construção nos 27 estados. A Casa é fundamental, é necessária, é a marca do governo federal, da presidenta Dilma, na defesa das mulheres e na luta contra a violência contra as mulheres”, explicou.
A Casa da Mulher Brasileira consiste em espaços onde serão concentrados os principais serviços especializados e multidisciplinares de atendimento às mulheres. Cada uma das unidades terá a finalidade de, em situações de violência, facilitar o acesso da vítima a uma estrutura que a acompanhe de forma integral.

No Blog do Planalto
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Acusação de Marina a TSE é injusta


O figurino de vítima não lhe cabe pela decisão que obrigou a Justiça Eleitoral a tomar

Pode ser que a Rede Sustentabilidade se firme no imaginário político como aquele partido que foi sem nunca ter sido.

Mas a responsabilidade da Justiça Eleitoral sobre isso é nenhuma.

Ao anunciar a filiação e a aliança eleitoral com o PSB, Marina Silva apregoou, com um indisfarçável toque de marketing, que a Rede seria o “primeiro partido clandestino da democracia”.

A acusação é, para dizer o mínimo, injusta.

Clandestina teria sido uma decisão que subtraísse de seu projeto de partido as mesmas exigências que são feitas a todos os demais. Até porque, como ensina o jurista José Afonso da Silva, que muito contribuiu para a redação final da Constituição que completou agora 25 anos, a igualdade constitui o signo fundamental da democracia.

Se Marina Silva vai conseguir manter o rótulo de novo, com as últimas alianças, é tarefa para os analistas da política. Mas o figurino de vítima certamente não lhe cabe pela resposta que obteve da Justiça Eleitoral.

O TSE indeferiu o pedido de registro do partido Rede por um motivo simples: ele foi formulado antes do tempo.

As assinaturas válidas eram em número inferior ao exigido e o partido tinha plena consciência disso quando apressou o pleito.

Foi o partido que obrigou o tribunal à decisão que tomou por larga maioria.

O pedido foi antecipado obviamente por causa do calendário eleitoral –mas caberia aos ministros do
Tribunal alterar as exigências legalmente previstas em razão desta ansiedade?

Deveriam raciocinar, como sugeriu parte da grande imprensa, que a lei é de menor importância quando existe um motivo político em jogo?

A constante redução do debate jurídico pela mídia, conforme se viu no caso dos embargos infringentes do mensalão, acaba por instigar a compreensão do direito pela via estreita do maniqueísmo de interesses políticos.

Pro ou contra o governo não basta para justificar pedidos jurídicos ou obstar a aplicação de princípios constitucionais.

Os cartórios eleitorais funcionaram aceitando e recusando fichas de filiação de vários partidos com base nas mesmas normas existentes, sobretudo, na comparação que lhes é possível fazer, com as assinaturas lançadas nas próprias fichas de alistamento e eleição.

Não podem ser acusados por inconsistências que dizem respeito aos próprios subscritores do apoiamento –lembrando que, em nenhum caso, é vedado que o apoiamento seja, então, regularizado.

Pretender que as recusas fossem interpretadas pelo TSE como válidas, por suposta falta de fundamentação (como se fossem em si decisões judiciais), é mais ou menos como querer reconhecer, sem comparação, assinatura que foi negada, por falta de semelhança, em qualquer tabelionato do país.

Ao TSE jamais caberia avaliar assinatura por assinatura; mas como reconhecer, então, sem comparação, assinaturas que lá chegaram com a presunção da falsidade?

O único voto favorável ao registro sem o cumprimento das condições foi do ministro Gilmar Mendes que, em sua argumentação, utilizou a suposta perseguição que sofrera o partido, que o fizera, em ação própria, paralisar de forma inusitada um processo legislativo.

A decisão liminar de Gilmar, todavia, já havia sido derrotada, também por ampla maioria no próprio STF.

Se Marina está errada, ao menos juridicamente, em expor-se como vítima, não menos estão os órgãos de imprensa que retrataram a decisão do TSE como um veto, como se o partido houvera sido proscrito ou mesmo impedido de nascer.

Os parlamentares poderiam repensar a necessidade de autorização judicial para a criação de partidos ou mesmo o elevado número de assinaturas para fazê-lo. Ou até postergar a exigência pela adoção da cláusula de desempenho.

Mas ao Tribunal não era exigido mais do que aplicasse, de forma equitativa, com imparcialidade, os mesmos requisitos exigidos dos demais partidos. Sem perseguições nem privilégios.

Ninguém pode acusá-lo de ter feito diferente.

Marcelo Semer
No Sem Juízo
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Charge online - Bessinha - # 1961

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Dilma de alto astral e “grandes beijos”. Andou vendo pesquisa?


Dilma Rousseff anda toda prosa, indo a exposição de estátuas de gordinhas sexies, simpatia pura na reunião com as empresárias ontem no Planalto e, hoje, no Congresso dizendo que está na fase de mandar “grandes beijos”.

Quer apostar um doce que chegaram a ela pesquisas sobre o resultado do “imbroglio” que arrumaram Marina Silva e Eduardo Campos?

Puro palpite? É, mas com base em coisas mais do que conhecidas.

Todos sabem que a presidenta, assim como tem um “tracking” diário da inflação, também tem pesquisas contínuas sobre sua situação, sem os “jeitinhos” que as promovidas pelos meios de comunicação costumam embutir.

É claro que, se ainda nao chegaram completas, a essa altura já se captaram tendências.

E se Dilma anda rindo à toa, o pessoal da “nova política” que se faz à base de arranjos de caciques e da mídia, talvez se surpereenda com o fato de o resultado da oposição ficar, como a gente vem vem dizendo, dizendo, bem abaixo da soma das parcelas.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O Brasil descobriu Cabral

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O anarquismo pequeno burguês do Black Block que favorece a direita


Os jornais deliram diariamente, nestes dias de crescentes manifestações populares de toda ordem, em mostrar para o conjunto da população, que tudo termina em quebra quebra.

Configura-se assim impropriedade destes atos, onde tudo termina com a depredação de bens públicos, orelhões, lixeiras, prédios, e indo até veículos da imprensa, agências bancárias, e queima de ônibus.

Os movimentos populares são diversificados: sem tetos, bancários, carteiros, professores, motoristas de ônibus, sem terras.

Em todos estes movimentos ajunta-se um grupo de anarquistas, que ao longo das manifestações procuram uma forma de desvirtuar o ato para uma violência e a depredação.

É o chamado grupo Black Block.

De composição tipicamente pequeno burguesa, onde a origem de sua formação está na classe média reacionários, que sempre vociferou, no isolamento de suas casas, que nunca votaria em ninguém, que nenhum político prestava, e nada prestava no governo, com seus impostos, e uma bolsa família que criava vagabundos.

Este é o pensamento de classe média muito corrente no país, depois da vitória da aliança de centro esquerda, com Lula, a agora Dilma.

Estes jovens de classe média foram criados achando tudo uma porcaria, e que nada prestava.

Daí a encontrar uma ideologia esdrúxula que só propõe o ser do contra, e a fechar-se a qualquer forma de gestão popular.

Por isto cresceu neste período o Black Block, movimento essencialmente reacionário, travestido de esquerda, cuja finalidade única é a de provocar a sanha reacionária a fazer o mesmo.

Esta atitude só ajunta lenha na fogueira daqueles que desejam um golpe de estado ditatorial no país.

Muitos dizem que a ditadura, hoje, é inviável no país.

A estes respondo que o Brasil República vive um pêndulo secular de democracia e autoritarismo, e que o momento democrático está visivelmente se esgotando.

O problema é que, na perspectiva de um país mais democrático e socialista, o crescimento do movimento social organizado é fundamental.

Ocorre que o movimento social ainda é pequeno e seu crescimento atual ainda é pequeno.

Nesta circunstância, qualquer provocação de violência pode gerar uma reação ainda mais forte, que pode comprometer as conquistas já alcançadas.

Assim o Black Block deve ser visto: como movimento essencialmente reacionário, voltado a confundir o movimento social organizado, e mesmo a prejudicar o seu desenvolvimento.

No Pó das Estradas
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Marina agrava divisão em seu partido e aos poucos vai inviabilizando sua legalização


Ao anunciar, em entrevista ao blog do jornalista Gerson Camarotti, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, como candidato a presidente da República e ela como candidata a vice na chapa, a ex-senadora Marina Silva agrava a divisão da Rede Sustentabilidade e aos poucos vai inviabilizando a legalização do partido depois das eleições.

Fora o fato de que vai abrindo mão de sua liderança e, seguramente, de uma parcela expressiva dos votos que tinha – ela já vinha caindo nas pesquisas. Na conversa com o jornalista-blogueiro, Marina correu para reafirmar seu apoio a Eduardo Campos, com medo da repercussão negativa na Rede e da rebelião que cresce nas suas bases, daqueles que se sentem traídos com sua decisão monocrática e soberana, bem ao seu estilo, de ir para o PSB.

A Camarotti, a ex-senadora diz o óbvio com relação a uma inexistente candidatura do ex-presidente e Lula – afirma que ela e o parceiro Eduardo Campos se manteriam na disputa mesmo que o ex-presidente fosse candidato. Já Eduardo Campos, nas suas falas de ontem, repete o mantra do caráter de terceira via para acabar com a polarização PSDB-PT.

Objetivo é tirar o PT do governo

É sua forma de evitar dizer que seu objetivo é tirar o PT do Governo já que a polarização não é entre PT e PSDB, mas entre dois projetos para o país, dois programas, e para quem se governa, para quem nós do PT governamos e para quem os tucanos do PSDB governaram no país e governam nos Estados em que detém o poder.

Agora, independentemente do que digam e pretendam fazer Marina Silva e Eduardo Campos, quem vai decidir o rumo do país é o povo e o eleitor cidadão. E este optará por programas, rumos, propostas… Para tanto levará em conta, sim, o que o PT e o PSDB fizeram e fazem, a quem defendem e como governam.

E nesse processo as lideranças pesam. E muito. Pesam a imagem e a memória que o povo tem dos dois partidos, PSDB e PT, e dos governos de ambos. Pesa, também, o atual governo, a presidenta da República, os partidos e pesará a campanha eleitoral. Assim a questão não é a polarização entre os dois partidos, mas sim, e muito, as propostas de cada um. Vamos ver quais são as pretenções da dupla Campos-Marina, que em termos de projetos, propostas e metas não disse até agora a que veio.

ZéDirceu
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Como fatos são maiores que desejos, Marina devastou a oposição


A ex-senadora Marina Silva diz hoje em O Globo que não quer “urubuzar” a candidatura de Eduardo Campos a Presidência.

Pode até não querer – duvido eu, cá com meus botões e lembranças de 40 anos de vida política, quase – mas já o fez.

Fez, e faz, como se pode ler na entrevista que dá à Folha, onde afirma que ela e o Governador de Pernambuco “são possibilidades” e que “se a aliança prospera com ele, e a candidatura dele posta, a Rede terá ali o caminho da sua viabilização”.

Marina, que aparente e provavelmente não é candidata – a máquina partidária é de Eduardo Campos e sem ela não há candidato – faz um jogo dúbio, com declarações pernósticas, mas tomou, objetivamente, toda a “personalidade” – se é que havia alguma – da candidatura Campos.

O governador de Pernambuco, candidato a lìder nacional, parece ter se tornado um coadjuvante dos planos de Marina Silva, que coerente com seu projeto personalista e egocêntrico, passou a ser “a dona do pedaço” na mídia e o “coronel” político da candidatura, embora seja uma “sem-terra” no partido.

A humildade arrogante – sim, isso é possível – com que se apresenta transpira falsidade e é difícil que hoje, isso não seja visto até por quem acreditou nela.

A “campeã” da transparência e da sinceridade faz um jogo de dubiedades e deixa aberta a possibilidade de substituir Campos, em lugar de afirmar a liderança que ele, como candidato, precisa construir. Nem sequer elenca os pontos – vai sair depois uma listinha, creia – que os une, senão em manifestações que parecem sólidas e substanciosas como algodão doce:

Não há aqui (no embrulho com o PSB) uma incoerência com um partido de direita que não tenha nenhuma realidade fática para esse encontro. Obviamente que a Rede é uma atualização da política. Uma atualização que está acontecendo no mundo inteiro e que ninguém ainda sabe quais serão as novas estruturas e os novos processos para esse novo sujeito político que está surgindo.

Cinco dias depois de ter aparecido como “um gênio da polìtica” Eduardo Campos murchou como uma mosca sugada por uma aranha.

O outro neto, que fugiu da teia viajando para os Estados Unidos, envia de lá sinais desesperados de que não aceita o “esqueceram de mim” que a mídia lhe dá, agora.

Lá, apresenta-se como  o ”líder da oposição no Brasil” numa reunião com investidores, onde diz tudo o que estes gostariam de ouvir e, por isso, o classificam como “mais amigável ao ambiente de negócios”.

Mas o fato é que, como ironicamente ilustra a foto da matéria da Folha, ninguém parece estar prestando muita atenção nele.

moneymakesNão é a toa que Aécio envia estes sinais. Ele, talvez mais do que Eduardo Campos, também sabe que o predador está no seu ninho.

Serra, tal como Marina, também não assume uma postura de apoio inequívoco a “seu candidato”.

Seus métodos são, porém, silenciosos, embora tão egocêntricos quanto os de Marina.

O processo político é impiedoso.

Os dois “líderes” da oposição, embora formalmente seguros em suas posições de candidatos, vivem ameçados.

Pior, perderam o brilho.

Um, ofuscado por Marina.

Outro, sob a sombra de José Serra.

O quadro sucessório ainda não está fechado.

A realidade tem o péssimo hábito de prevalecer.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Quando a barganha funciona


Em meio à polêmica sobre a aliança entre a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, quase passa sem a devida atenção a notícia de que o Conselho Federal de Medicina recuou de sua posição contrária ao Programa Mais Médicos.

Um acordo simples faz com que a entidade aceite transferir para o governo a atribuição de conceder registros aos profissionais formados no exterior, para atuar no programa de emergência. Em troca, a base aliada no Congresso vai discutir a criação de uma carreira para os médicos no funcionalismo federal.

Termina assim, na base do toma-lá-dá-cá, um dos casos mais desgastantes de confronto entre uma entidade profissional e o poder público. Desde a criação do programa, as representações dos profissionais de saúde, lideradas pelo Conselho Federal de Medicina, vinham protagonizando ações de boicote, cuja principal consequência tem sido o atraso no atendimento de populações carentes.

Os jornais de quarta-feira (9/10), com exceção do Estado de S.Paulo, descrevem o processo de negociação – que chegou a ser tumultuado por manobra da bancada ruralista mas foi confirmado pela votação, que ocorreu na madrugada.

Com seu processo de edição encurtado pelas mudanças feitas em abril, o Estado informou seus leitores apenas que a Medida Provisória que cria o Programa Mais Médicos havia “começado a ser discutida no plenário da Câmara”. O Globo e a Folha de S.Paulo foram além, acompanhando a sessão até o início da madrugada, e puderam oferecer aos seus leitores uma versão mais atualizada, que muda completamente a interpretação dos fatos.

No fim das contas, passados três meses de confronto, período em que muitos médicos saíram às ruas, chegando a agredir colegas estrangeiros, e as associações médicas tentaram obstruir na Justiça a aplicação do programa, fica demonstrado que a motivação das entidades profissionais da saúde era o velho e bom interesse corporativo.

Nesse processo desgastante, consultas à opinião pública mostraram que a maioria da população apoiava o plano de contratar no exterior os médicos que faltam às periferias das grandes cidades e às comunidades mais distantes das metrópoles.

A prática do discurso

O episódio mostra como, em determinadas circunstâncias, até mesmo o jogo de barganhas que caracteriza o regime democrático pode ser produtivo, no interesse da sociedade, mas também confirma a percepção de muitos analistas de que algumas forças políticas legalmente eleitas funcionam exclusivamente nos seus interesses específicos.

Um exemplo é a obstrução dos trabalhos feita terça-feira (8) na Câmara dos Deputados pela bancada ruralista, que tentou impedir o acordo na área da saúde. Os representantes do agronegócio queriam forçar a instalação de uma comissão especial destinada a apressar a tramitação de uma Proposta de Emenda Constitucional que dá ao Congresso poderes para decidir sobre a demarcação de terras indígenas. Não faltou em suas intervenções nem mesmo a referência ao conceito da “função social” da propriedade agrícola.

Aqui é que as duas vertentes do noticiário encontram um ponto comum: a ser levada a sério a aliança entre o PSB e o grupo político liderado pela ex-ministra Marina Silva, essa será uma questão importante a ser observada nos debates eleitorais de 2014.

Uma das origens da falta de representatividade do Parlamento reside no fato de que as alianças compostas apenas para a disputa das urnas se desfazem imediatamente com a posse dos eleitos, e todas as decisões que chegam pelo Congresso precisam passar pelos diversos filtros corporativistas, onde o interesse público se corrompe na massa das ambições particulares.

Se quiserem ser realmente considerados como agentes de mudança, os “sonháticos”, utopistas e quaisquer outros ativistas de uma ação progressista precisam identificar claramente onde estão os pontos contaminados do sistema democrático, e fazer de sua extinção um objetivo de governo.

Assim como a questão das desigualdades sociais foi enfrentada com políticas públicas assertivas, o problema do aperfeiçoamento do sistema republicano exige propostas objetivas.

O discurso quase esotérico, com frases de efeito do tipo “um ato de legítima defesa da esperança”, pertence ao campo da religião. Em política, é preciso definir claramente o que fazer com aliados que, depois de eleitos, vão atuar exatamente como fazem os “socialistas” da bancada ruralista.

Luciano Martins Costa
No OI
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Jornalista surpreendeu o RS ao anunciar que será candidato em 2014

Se eleito, Lasier Martins promete Festa da Uva com energia eólica

Aiiii, aiiiiiii
PORTO ALEGRE, C.F – O anúncio feito pelo jornalista Lasier Martins durante seu comentário no Jornal do Almoço pegou muita gente de surpresa. Lasier usou o espaço para se despedir dos telespectadores e revelou que será candidato a senador pelo PDT nas eleições de 2014. Após décadas no jornalismo, Lasier agora será candidato. E como bom candidato já saiu fazendo promessas. A mais polêmica delas é o projeto para que a Festa da Uva tenha energia eólica.

- Todos sabemos os males causados por choques na Festa da Uva. Prevenção será uma das minhas metas como senador – disse Lasier.

Lasier Martins protagonizou um dos curiosos e semi-trágicos episódios da tevê Gaúcha. Num link ao vivo durante o Jornal do Almoço, Lasier entrevistava a Rainha da Festa da Uva quando tomou um choque violento ao tocar num fio escondido num cacho de uva. Desde então o jornalista e agora candidato vem trabalhando para acabar com fios desencapados.

- Creio que a energia eólica pode ser o primeiro passo para essa mudança – afirmou o candidato.


No O Bairrista
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Vitória de Dilma: Câmara aprova Mais Médicos


Após mais de seis horas de obstrução da votação pelos partidos de oposição e também pelos deputados da bancada ruralista, deputados aprovaram o texto principal; presidente Dilma Rousseff e o ministro Alexandre Padilha superam boicote de classes médicas e de críticos da mídia e avançam no programa que visa levar profissionais para o interior do país

A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada de hoje (9), em votação simbólica, o texto principal da Medida Provisória (MP) 621, que cria o Programa Mais Médicos, ressalvados os destaques. O objetivo do programa é levar médicos para o interior do país e áreas das periferias das grandes cidades onde há falta desses profissionais. O texto aprovado foi apresentado pelo relator da MP, deputado Rogério Carvalho (PT-SE), depois de mais de seis horas de obstrução da votação pelos partidos de oposição e também pelos deputados da bancada ruralista.

A MP 621 autoriza a contratação de médicos estrangeiros para atuação na atenção básica de saúde, em regiões que não dispõem desses profissionais e também muda parâmetros da formação em medicina no Brasil. Entre as modificações feitas no texto original do governo e aprovadas pelos deputados, estão a transferência da responsabilidade de registro para o Ministério da Saúde e a obrigatoriedade de revalidar o diploma após quatro anos no programa, além da avaliação de estudantes de medicina a cada dois anos.

Os governistas tentaram um acordo com a oposição que viabilizasse a aprovação da MP, uma vez que o governo tem pressa em aprovar a legislação para que o Ministério da Saúde possa emitir os registros provisórios necessários para os médicos estrangeiros começarem a trabalhar. Como o acordo não foi possível, a oposição obstruiu a votação com a apresentação de vários requerimentos protelatórios, que foram rejeitados pelos aliados do governo.

O relator Rogério Carvalho defendeu o texto aprovado pela comissão mista do Congresso que apreciou a MP. Segundo ele, o texto melhorou a proposta do governo e trouxe avanços para o programa como a determinação para que o Sistema Único de Saúde (SUS) tenha um prazo de cinco anos para montar a infraestrutura necessária nas unidades básicas de Saúde.

Outra modificação aprovada pelos deputados foi a que transfere a responsabilidade para a emissão do registro provisório dos médicos estrangeiros dos conselhos regionais de Medicina para o Ministério da Saúde. No texto aprovado pela Câmara, foi mantido os artigos que estabelecem a bolsa de formação de R$ 10 mil para os participantes do programa, sem qualquer direito trabalhista, como 13º salário e contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

A obstrução da bancada ruralista, que também apresentou diversos requerimentos protelatórios, foi uma forma para pressionar o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a instalar a comissão especial destinada a apreciar o mérito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere para o Congresso as prerrogativas para a demarcação das terras indígenas.

Os partidos de oposição criticaram o texto aprovado pela comissão mista. O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), principal opositor à aprovação da MP, disse que o texto apresentado pelo relator é muito pior do que o enviado pelo governo. Segundo ele, a proposta dissolve todos os conselhos regionais de Medicina, as entidades de especialização, além de invadir as prerrogativas das universidades em definir as grades curriculares.

Foram votados mais de dez requerimentos da oposição e da bancada ruralista para tentar adiar a votação da MP do Programa Mais Médicos. Como a oposição é minoria na Casa, todos os requerimentos foram rejeitados pelos aliados do governo.

Ao término da votação da MP, Henrique Alves propôs adiar para tarde desta quarta-feira a votação dos 13 destaques que visam a alterar o texto. O líder do governo Arlindo Chinaglia (PT-SP) propôs então que a votação fosse feita sem obstrução, alegando que de outra forma não seria possível concluir a apreciação dos dispositivos hoje, O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), acompanhado de outros líderes oposicionistas, não concordou com a proposta de Chinaglia. Com isso, Henrique Alves convocou nova sessão extraordinária para esta madrugada a fim de iniciar a votação dos destaques, mas Chinaglia alegou falta de quórum e o presidente da Casa encerrou a sessão, marcando outra para a tarde desta quarta-feira.

Iolando Lourenço
No Agência Brasil
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Charge online - Bessinha - # 1960

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Freire ganhava sem trabalhar no DF


Denúncia foi feita pelo deputado Chico Vigilante: "mesmo residindo em Recife, capital do Pernambuco, presidente do PPS abocanhou mais de R$132 mil como integrante do Conselho Administrativo da Terracap, durante o governo de José Roberto Arruda; arrogante em seu discurso de ética e moralidade, não se afastou da função nem mesmo durante o maior escândalo político do país, que culminou na prisão do então governador, a Caixa de Pandora do DEM"

O deputado Chico Vigilante, do PT-DF, aponta série de irregularidades que teriam sido cometidas por Roberto Freire, hoje presidente do PPS, durante o governo de José Roberto Arruda no DF. Leia a nota divulgada pelo deputado:

O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, que posa de pai da moralidade nas interseções do horário político do partido dele na televisão, que ataca sem dó nem piedade, com ferocidade o Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Lula, pasmem toda gente, esse mesmo senhor, foi durante muito tempo membro do Conselho Administrativo da Terracap, durante o governo de José Roberto Arruda, então pelo DEM.

O presidente do PPS ingressou no Conselho da Terracap no dia 25 de maio de 2007, onde recebeu como membro um montante correspondente a R$132.479,12 na totalidade. Sendo R$ 49.164,44 no ano de 2008; R$42.643,03 no ano de 2009 e o equivalente a R$14.745,35 em 2010.

Se considerarmos que Roberto Freire, mesmo residindo em Recife, capital do Pernambuco, abocanhou mais de R$132 mil como integrante de um Conselho no governo de Arruda, chegaremos à óbvia conclusão de que o presidente do PPS, arrogante em seu discurso de ética e moralidade, não se afastou da função de conselheiro do governo Arruda e do DEM no DF nem mesmo durante o maior escândalo político do país, que culminou na prisão do então governador, a Caixa de Pandora do DEM.

Vale relembrar que a operação Caixa de Pandora foi deflagrada no dia 27 de novembro de 2009 pela Polícia Federal. E agora, senhor Roberto Freire, o que o senhor tem a dizer sobre isso? Contra fatos não há argumentos. Ou há?

Denuncia também foi repercutida no site do Diário do Poder. Leia:

Petista acusa Freire de haver recebido R$ 132 mil do governo do DF, entre 2007 E 2010


Freire teria recebido dinheiro do governo Arruda, residindo no Recife

O deputado distrital Chico Vigilante, que é líder do PT na Câmara Legislativa do Distrito Federal, denunciou ao Diário do Poder, esta tarde, que o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), muito embora morasse na cidade do Recife, em Pernambuco, recebeu mais de R$ 132 mil, entre os anos de 2007 e 2010, como membro do conselho de administração da empresa pública Terracap.

A remuneração de Roberto Freire teria sido parte do acordo para seu partido apoiar o governo de José Roberto Arruda, iniciado em 2007. Em novembro de 2009, a Operação Caixa de Pandora interrompeu o governo de Arruda, que seria afastado do cargo em cassado em março de 2010. Arruda cumpriu o acordo: enquanto esteve à frente do governo, o presidente do PPS recebeu a remuneração de conselheiro da Terracap.

Chico Vigilante fez um levantamento e descobriu que, no total, o deputado Roberto Freire embolsou r$ 132.479,12 como conselheiro da Terracap, sendo R$ 25.926,30 no primeiro ano, R$ 49.164,44 em 2008, mais R$ 42.643,03 no ano de 2009 e finalmente R$ 14.745,30.

O parlamentar petista considera a possibilidade de exigir, na Justiça, a devolução do dinheiro que pode ter sido recebido irregularmente.

Roberto Freire disse há pouco que nada tem a responder sobre a denúncia do deputado Chico Vigilante. Esclareceu no entanto que a única remuneração recebida foi referente aos trabalhos realizados na época em que era conselheiro da Terracap. Questionado sobre os valores, especificados ano a ano por Vigilante, Freire continuou negando e chamou Vigilante de irresponsável, ameaçando processá-lo.

Fundador e presidente do PPS há anos, Roberto Freire é pernambucano, mas ficou sem mandato até quando, a convite do ex-governador José Serra, mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo e conquistou mandato de deputado federal.

No 247
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Dudu e Bláblárina: nem alto nem baixo

Quando a coisa aperta ela convoca um plebiscito.


O rápido desmanche da aliança-bomba entre um candidato a Presidente com 4% das intenções de voto – em obscuras “pesquisas” eleitorais – com uma vice com o triplo das intenções – ??? – demonstra que a dupla não tem substância política.

E, portanto, não tem futuro eleitoral.

(Agora, a 'Bláblá' diz – segundo a Folha – que os dois juntos são “possibilidades”, no plural.)

A 'Bláblárina' é fruto de um recall decadente, que se origina num equívoco retumbante: a mistificação “religiosa” que o 'Padim Pade Cerra' imprimiu à campanha de 2010.

Aquela campanha gloriosa, da bolinha de papel, da condenação do aborto – no Chile, tudo bem -, do cano da Sabesp que ia de Sergipe ao Ceará.

A mistificação só teve gás porque a Dilma era uma ilustre desconhecida, do ponto de vista eleitoral.

Ela era a “mãe do PAC”, mas isso não bastava.

Foi preciso o 'Nunca Dantes' suar a camisa, em cima de um Governo espetacular – como se comprova na PNAD – e uma popularidade sem rival.

'Bláblárina' não levou uma ideia ao debate eleitoral.

Quando a coisa apertava ela convocava um plebiscito.

Montou na “sustentabilidade” e se sustentou, numa fraude científica: a sustentabilidade se sustenta em práticas sustentavelmente corretas, de impacto sustentável, com reflexos que se sustentam por sua própria sustentabilidade.

O que se misturava à “responsabilidade social” de empresários que, se o sindicato bobear, pagam salários de regime servil.

O “sustentabilismo” de 'Bláblárina' tem a vantagem de pairar acima da realidade dos fatos.

Ignora a distribuição de renda, o passado escravista, a marginalização da mulher, do pobre e do negro.

Do homossexual.

A teoria de Darwin.

O “sustentabilismo” no Brasil – não é assim nos Estados Unidos, por exemplo – se sustenta acima da luta pelo reparte do bem público – fica com o rico ou com o pobre?

É apolítico, ou seja, reacionário.

É último reduto da Big House.

É o jardim dos conservadores “indignados”.

E os socialistas do 'Eduardo Campriles'?

Foi, vê-se agora, um socialismo de ocasião.

Como o sindicalismo do 'Pauzinho do Dantas', seu aliado na MP dos Portos, ou do Tio Patinhas, como disse o Garotinho.

Tem a lógica do jogador de futebol que jura amor eterno ao clube que acabou de contratá-lo.

Eduardo foi socialista enquanto vinha dinheiro do Lula para Pernambuco.

Quando o vento soprou para outro lado, o socialismo evaporou-se no ar fino.

O dois não têm programa, não tem rumo, não tem proposta.

Não entendem nada de Brasil.

Não distinguem Juiz de Fora de Engenho de Dentro

Não aguentam um debate público com a Dilma – nem com o Ciro.

Até aqui tratamos de “cima”.

Do ideológico, ou da falta de.

Ou da omissão ideologicamente apropriada – vai para qualquer lado e acaba na Direita do Bresser.

Vamos falar de “baixo”.

Eduardo não demonstra ser capaz de sair de Pernambuco.

Não confundir com sair no Diário de Pernambuco.

Sair de…

Chegar ao Ceará, por exemplo, ou à Bahia, dois estados nordestinos que não têm nenhum compromisso com candidato pernambucano.

'Bláblárina' não conseguiu arrumar as assinaturas para fundar um partido.

O Pros conseguiu, o Kassab conseguiu, o 'Pauzinho' conseguiu.

E ela “deu mole” – disse o Sirkis.

Deu mole, não.

Deu com os burros n’água.

Não tem base, não tem estrutura, não tem capilaridade, diriam os “cientistas políticos”.

Nem entre evangélicos.

É mediática.

O amigo navegante lembra quando o ACM queria lançar o Adib Jatene para enfrentar o Lula?

Quando o Bornhausen foi procurar o Sílvio Santos para enfrentar o Lula?

Achou outro Sílvio…

Paulo Henrique Amorim

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IPCA de setembro fica em 0,35%


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de setembro apresentou variação de 0,35% e ficou acima da taxa de 0,24% registrada no mês de agosto em 0,11 ponto percentual. Contando com setembro, a variação no ano foi para 3,79%, próxima a de igual período de 2012, quando havia se situado em 3,77%. Considerando os últimos 12 meses o índice ficou em 5,86%, abaixo dos 6,09% relativos aos 12 meses anteriores. Em setembro de 2012 a taxa havia ficado em 0,57%.

A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/defaultinpc.shtm.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco mostraram resultados superiores aos verificados no mês anterior e quatro ficaram abaixo:


Foi o Transporte que, de agosto para setembro, apresentou a mais forte aceleração, passando de -0,06 % para 0,44%. Com isto, o impacto em setembro foi de 0,08 ponto percentual ao passo que, em agosto, havia ficado em -0,01 ponto, uma diferença de 0,09 ponto percentual. No topo dos principais impactos, as passagens aéreas se destacaram, com 0,08 ponto percentual tendo em vista a alta de 16,09%. Além disso, as tarifas dos ônibus urbanos se apresentaram estáveis, deixando o fim da queda no mês de agosto, cuja taxa foi de -0,20%. Por outro lado, o litro da gasolina caiu mais do que em agosto, passando de -0,15% para -0,42%, enquanto a variação de preços do litro de etanol foi de -1,16% em agosto para -0,72% em setembro.

Alimentação e Bebidas também subiu, passando de 0,01% em agosto para 0,14% em setembro já que os alimentos de consumo no domicílio saíram de -0,34% para -0,03%, configurando uma queda bem menos intensa de um mês para o outro. Os principais produtos em alta encontram-se a seguir, com destaque para o pão francês, que ficou 3,37% mais caro:


Quanto aos alimentos em queda no mês, o destaque ficou com o feijão carioca, que ficou 13,95% mais barato e exerceu o principal impacto para baixo, com -0,04 ponto percentual. Outros produtos também apresentaram queda, como é mostrado a seguir:


Em Habitação, que passou de 0,57% em agosto para 0,62% em setembro, a pressão foi exercida pelo gás de botijão (de 0,28% para 2,01%), aluguel residencial (de 0,74% para 0,80%) e artigos de limpeza (de 0,35% para 0,71%). Mesmo assim houve redução na taxa de itens com peso expressivo no orçamento das famílias, como condomínio (de 0,92% para 0,23%), mão de obra para pequenos reparos (de 1,08% para 0,60%) e energia elétrica (de 0,57% para 0,36%).

Os artigos de Vestuário também mostraram aceleração nos preços de agosto para setembro, saindo de 0,08% para 0,63%, com destaque para as roupas femininas (de -0,37% para 1,43%) e calçados (de -0,11% para 0,58%), enquanto o grupo Saúde e Cuidados Pessoais manteve o mesmo nível do mês anterior, com 0,45% em agosto e 0,46% em setembro.

Do lado dos grupos que apresentaram redução nas taxas em relação ao mês anterior, os itens mobiliário (que passou de 1,22% em agosto para -0,19% em setembro) e conserto de equipamentos domésticos (que foi de 1,16% para 0,84%) foram destaques nos Artigos de Residência (de 0,89% para 0,65%). Nas Despesas Pessoais (de 0,39% para 0,20%) sobressaíram os itens recreação (indo de 0,80% para -0,24%) e empregados domésticos (de 0,53% para 0,46%).

Dentre os índices regionais, o maior foi o de Brasília (0,70%), onde as passagens aéreas, com peso de 2,11% e variação de 17,68%, causaram impacto de 0,37 ponto percentual. O menor foi o índice de Salvador (0,03%) em virtude dos alimentos consumidos no domicílio, que apresentaram queda de 1,17%:


O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além de Brasília e do município de Goiânia. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 29 de agosto a 30 de setembro de 2013 (referência) com os preços vigentes no período de 30 de julho a 28 de agosto de 2013 (base).

INPC variou 0,27% em setembro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação de 0,27% em setembro, acima do resultado de 0,16% de agosto. Com isto, a variação no ano está em 3,61%, abaixo da taxa de 4,11% relativa a igual período de 2012. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 5,69%, abaixo dos 6,07% dos doze meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2012 o INPC havia ficado em 0,63%.

Os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,05% em setembro, enquanto os não alimentícios ficaram em 0,37%. Em agosto, os resultados foram -0,14% e 0,29%, respectivamente.

Dentre os índices regionais, o maior foi o de Porto Alegre (0,63%) onde os alimentos, apresentaram variação de 1,28%. O menor índice foi o de Salvador (-0,06%) em virtude da queda de 1,16% nos preços dos alimentos consumidos no domicílio:


O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de um a cinco salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além de Brasília e do município de Goiânia. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 29 de agosto a 30 de setembro de 2013 (referência) com os preços vigentes no período de 30 de julho a 28 de agosto de 2013 (base).
No IBGE
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Black blocs, lições do passado, desafios do futuro


Uma das grandes novidades que as manifestações de junho de 2013 introduziram no panorama político brasileiro foi a dimensão e a popularidade que a tática black bloc ganhou no país.

Repito: dimensão e popularidade – pois, ao contrário do que muita gente pensa, esta não foi a primeira vez que grupos se organizaram desta forma no Brasil, e muito menos no mundo.

Aliás, uma das questões que mais saltam aos olhos no debate sobre os black blocs no Brasil é a impressionante falta de disposição dos críticos em se informar sobre essa tática militante que existe há mais de 30 anos.

É claro que ninguém que conhecia a história da tática black bloc quando ela começou a ganhar popularidade no Brasil esperava que os setores dominantes da sociedade nacional tivessem algum conhecimento sobre o assunto.

Surgida no seio de uma vertente alternativa da esquerda europeia no início da década de 1980, a tática black bloc permaneceu muito pouco conhecida fora do Velho Continente até o fim do século XX.

Foi só com a formação de um black bloc durante as manifestações contra a OMC em Seattle, em 1999, que as máscaras pretas ganharam as manchetes da imprensa mundial.

Natural, portanto, que muita gente ache que a tática tenha surgido com o chamado “movimento antiglobalização” e tenha se baseado, desde o início, na destruição dos símbolos do capitalismo.

O que realmente assusta é a ignorância e a falta de disposição de se informar sobre o assunto demonstradas por certos expoentes e segmentos da esquerda tradicional brasileira.

O desconhecimento e a falta de informação levaram grandes representantes do pensamento crítico brasileiro ao extremo de qualificar a tática black bloc de “fascista”.

Ao se expressarem nesses termos, esses grandes lutadores, que merecem todo o respeito pelas inúmeras contribuições que deram à organização da classe trabalhadora no Brasil ao longo de suas vidas, caíram na armadilha de reproduzir o discurso da classe dominante diante de toda forma de contestação da ordem vigente que não pode ser imediatamente enquadrada em categorias e rótulos familiares.

Ao não compreenderem a novidade do fenômeno tentaram enquadrá-lo à força em esquemas conhecidos.

Fetichização

Essa incompreensão aparece, de cara, na própria linguagem usada tanto pela mídia conservadora quanto por certos setores da esquerda tradicional para se referir à tática black bloc.

Em primeiro lugar, usam um artigo definido e letras maiúsculas para se referir ao objeto, como se “o Black Bloc” fosse uma organização estável, articulada a partir de algum obscuro comando central e que pressupusesse algum tipo de filiação permanente.

Ora, tratar um black bloc desta forma seria o mesmo que tratar uma greve, um piquete ou uma panfletagem como um movimento.

Talvez a melhor forma de começar a desfazer os mal-entendidos sobre os black blocs seja combater a fetichização do termo.

Como chegou ao Brasil por influência da experiência americana, essa tática manteve por aqui seu nome em inglês, mas não é preciso muito esforço para traduzir a expressão.

Por mais redundante e bobo que possa parecer, nunca é demais lembrar que um “black bloc” (assim, com artigo indefinido e em letras minúsculas) é um “bloco negro”, ou seja: um grupo de militantes que optam por se vestir de negro e cobrir o rosto com máscaras da mesma cor para evitar serem identificados e perseguidos pelas forças da repressão.

Fazer isso não significa se filiar a uma determinada organização ou movimento. Da mesma forma que operários que decidem fazer um piquete para impedir a entrada de outros trabalhadores em uma fábrica em greve não deixam de fazer parte de seus respectivos sindicatos para ingressar em uma misteriosa sociedade secreta.

Eles apenas optaram por uma determinada tática de luta. É exatamente o que fazem os militantes que decidem formar um bloco negro (leia-se, “black bloc”) durante uma manifestação.

Não há dúvida de que a opção pelo anonimato e a disposição para o enfrentamento com a polícia são peculiaridades que diferenciam profundamente o bloco negro de outras táticas, mas nem por isso a opção por esse tipo de ação dá margem para confundi-la com um movimento.

Aí entramos em um segundo ponto fundamental para a discussão da tática black bloc: seus métodos. De cara, é preciso esclarecer que os próprios métodos dos black blocs mudaram ao longo do tempo e por isso é fundamental conhecer o contexto histórico, político e social em que nasceu e se desenvolveu essa tática.

A origem

Os primeiros black blocs surgiram na então Alemanha Ocidental, no início dos anos 1980, no seio do movimento autonomista daquele país.

Como o movimento autonomista europeu é muito pouco conhecido no Brasil (para não dizer completamente desconhecido), quem quiser se informar melhor sobre o assunto pode recorrer a um ótimo livro sobre o tema escrito pelo militante e sociólogo americano George Katsiaficas: “The Subversion of Politics – European Autonomous Social Movements and the Decolonization of Everyday Life”, disponível para download no site do autor (http://www.eroseffect.com).

Surgido a partir da experiência da autonomia operária na Itália dos anos 1970, o autonomismo se espalhou pela Europa ao longo das décadas de 1970 e 1980.

Um dos países onde o movimento mais se desenvolveu foi na Alemanha. Fiel ao espírito revolucionário original do marxismo, mas renegando o fetiche pelo poder das burocracias sindicais e partidárias, o autonomismo se desenvolveu como um conjunto de experimentos sociais organizados por setores que optaram por se manter à margem do modo de vida dominante imposto pelo capitalismo e criar focos de sociabilidade alternativos no seio das próprias sociedades capitalistas, mas pautados por valores e práticas opostos aos dominantes.

Na Alemanha Ocidental, o movimento autonomista surgiu no fim dos anos 1970, quando grupos começaram a organizar ações diretas contra a construção de usinas nucleares no interior do país por meio da criação de acampamentos nos terrenos onde as centrais seriam erguidas.

O mais famoso deles foi a República Livre de Wendland, um acampamento criado em maio de 1980 na cidade de Gorleben, na região de Wendland, no norte da Alemanha, onde estava prevista a construção de uma usina nuclear.

Enquanto os acampamentos antinucleares surgiam no interior da Alemanha Ocidental, em grandes cidades, como Berlim e Hamburgo, grupos de jovens e excluídos começaram a ocupar imóveis vazios e transformá-los em moradias coletivas e centros sociais autônomos.

Assim nasceram os primeiros squats alemães, inspirados pela experiência de grupos que já faziam isso havia anos na Holanda e na Inglaterra.

A mobilização contra a construção de usinas nucleares no interior e as ocupações urbanas nas grandes cidades se tornaram os dois pilares do movimento autonomista alemão.

Para os envolvidos nesses processos, a criação de espaços autônomos era uma forma de questionamento da ordem capitalista na prática, por meio da criação, no interior da própria sociedade capitalista, de pequenas ilhas onde vigoravam relações sociais opostas às vigentes no entorno dominante.

Obviamente, quando acampamentos e squats começaram a proliferar pelo país, o governo da República Federal Alemã se deu conta de que era preciso cortar pela raiz aquela agitação social.

Em 1980, lançou uma grande ofensiva policial contra acampamentos antinucleares e squats em diferentes partes do país.

A República Livre de Wendland foi desarticulada em junho, e os squats de Berlim sofreram um violento ataque policial em dezembro.

Diante da ofensiva policial, os militantes alemães se organizaram para resistir à repressão e proteger seus espaços de autonomia. Desse esforço nasceu a tática black bloc.

Durante a manifestação de Primeiro de Maio de 1980, em Frankfurt, um grupo de militantes autonomistas desfilou com o corpo e o rosto cobertos de preto, usando capacetes e outros equipamentos de proteção para se defender dos ataques da polícia.

Por causa do visual do grupo, a imprensa alemã o batizou de “Schwarzer Block” (“Bloco Negro”, em alemão).

Desse momento em diante, a presença de blocos negros se tornou um elemento constante nas ações dos autonomistas alemães, e sua função original era a de servir de força de autodefesa contra os ataques policiais às ocupações e outros espaços autônomos.

Um relato em alemão sobre o surgimento dos black blocs pode ser encontrado no seguinte endereço: http://www.trend.infopartisan.net/trd0605/t370605.html.

O caminho para Seattle

Da Alemanha, a tática se difundiu pelo resto da Europa, e, no fim dos anos 1980, chegou aos Estados Unidos, onde o primeiro bloco negro foi organizado em 1988, para protestar contra os esquadrões da morte que o governo americano financiava em El Salvador.

Uma ótima fonte sobre a história dos black blocs nos Estados Unidos é o livro “The Black Bloc Papers”, editado por David Van Deusen e Xavier Massot e disponível para download em http://www.infoshop.org/amp/bgp/BlackBlockPapers2.pdf.

Ao longo dos anos 1990, outros black blocs se organizaram nos Estados Unidos, mas a tática permaneceu praticamente desconhecida do grande público até que um bloco negro se organizou para participar das manifestações contra a OMC em Seattle em novembro de 1999.

Graças à ação desse black bloc, a tática ganhou as páginas dos grandes jornais no mundo inteiro, principalmente porque, a partir de Seattle, os black blocs passaram a realizar ataques seletivos contra símbolos do capitalismo global.

A mudança se explica pelo contexto em que se formou o black bloc de Seattle. A década de 1990 foi a era de ouro das marcas globais, quando os logos das grandes empresas se transformaram na verdadeira língua franca da globalização.

Nesse contexto, o ataque a uma loja do McDonald’s ou da Gap tinha um efeito simbólico importante, de mostrar que aqueles ícones não eram tão poderosos e onipresentes assim, de que por trás da fachada divertida e amigável da publicidade corporativa havia um mundo de exploração e violência materializado naqueles logos.

Ou seja: o black bloc de Seattle inaugurou uma dimensão de violência simbólica que marcaria profundamente a tática a partir de então.

Daquele momento em diante, os black blocs, até então um instrumento basicamente de defesa contra a repressão policial, tornaram-se também uma forma de ataque – mas um ataque simbólico contra os significados ocultos por trás dos símbolos de um capitalismo que se pretendia universal, benevolente e todo-poderoso. Foi nesse contexto que a tática chegou ao Brasil.

Os primeiros black blocs no Brasil

Os acontecimentos de Seattle levaram grupos de militantes brasileiros a se articular em coletivos para construir no país o movimento de resistência mundial à globalização neoliberal. Assim surgiram os núcleos brasileiros da Ação Global dos Povos, uma rede de movimentos sociais surgida em 1998 que criou os Dias de Ação Global, articulações mundiais para organizar protestos simultâneos em várias partes do planeta contra as reuniões das instituições internacionais que sustentavam a globalização neoliberal.

O primeiro Dia de Ação Global que contou com ações no Brasil foi 26 de setembro de 2000, marcado contra a reunião do FMI em Praga. Neste dia, em São Paulo, um grupo de manifestantes atacou o prédio da Bovespa, o que gerou confronto entre policiais e ativistas. Na época, o incidente não ganhou destaque na imprensa e o termo “black bloc” não foi mencionado, mas a lógica da ação desses militantes, em sua maioria ligados ao movimento anarcopunk de São Paulo, seguia a lógica da tática black bloc.

O segundo Dia de Ação Global que contou com atos no Brasil foi 20 de abril de 2001. Em São Paulo, foi organizada uma manifestação na Avenida Paulista como parte dos protestos convocados em todo o mundo contra a Cúpula das Américas, reunião realizada na cidade de Quebec, no Canadá, na qual líderes dos países do continente discutiram a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Esta foi a primeira vez que uma manifestação contra a globalização neoliberal realizada no Brasil ganhou as manchetes da imprensa nacional.

Em São Paulo, um grupo entre os manifestantes adotou a mesma tática do black bloc de Seattle, em 1999, e atacou símbolos capitalistas na Avenida Paulista, como uma loja do McDonald´s. Mais uma vez, a imprensa nacional não fez referência ao termo “black bloc”, mas a tática utilizada na Paulista foi claramente a dos blocos negros. O curioso é que a mesma edição de 21 de abril de 2001 da Folha de São Paulo que noticia o protesto na Paulista traz uma matéria do enviado do jornal ao Canadá sobre o “bloco de preto” que atuou em Quebec.

O debate sobre a violência

Mas se nessa época a imprensa brasileira não usava o termo “black bloc” na cobertura dos protestos no país, ele já era bem conhecido da mídia internacional, principalmente da europeia e da norte-americana.

E ganhou ainda mais projeção durante as manifestações contra a reunião do G8 realizada em Gênova, na Itália, em julho de 2001.

O Dia de Ação Global marcado para 20 de julho de 2001 foi a maior mobilização do gênero até então e nesse dia as ruas de Gênova foram tomadas por mais de 300 mil pessoas, entre as quais marchou o maior black bloc organizado até então.

O grau de confronto com a polícia atingiu um novo patamar e um jovem italiano que fazia parte daquele black bloc, chamado Carlo Giuliani, foi morto pela repressão com um tiro na cabeça.

Gênova marcou um divisor de águas para a tática black bloc e para o chamado “movimento antiglobalização” como um todo.

Assim como acontece hoje no Brasil, o debate sobre o uso da violência nas manifestações – mesmo que apenas contra lojas e outros objetos inanimados – criou uma divisão entre ativistas “violentos” e “pacíficos” que contribuiu muito para a desmobilização do movimento como um todo dali para frente.

A semelhança do debate sobre o black bloc na época e agora é impressionante.

Quem quiser conhecer um pouco das discussões e das respostas de adeptos da tática black bloc na época pode encontrar uma boa seleção de textos de ativistas reunidos na coletânea “Urgência das ruas – Black block, Reclaim the Streets e os Dias de Ação Global”, organizada por um anônimo que se identifica como Ned Ludd (referência a um dos líderes do Movimento Ludita na Inglaterra do século XIX) e publicada no Brasil pela editora Conrad.

Com o fim dos grandes protestos contra a globalização neoliberal, o debate sobre os black blocs saiu das manchetes da grande imprensa internacional e brasileira.

A tática continuaria a ser adotada em manifestações na Europa e nos Estados Unidos nos anos seguintes, e militantes libertários no Brasil certamente sabiam muito bem o que eram os black blocs, mas o tema nunca repercutiu fora dos meios militantes.

E assim foi até que começaram as manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus e metrô convocadas pelo Movimento Passe Livre em junho de 2013.

As manifestações de junho

Assim como os black blocs, o MPL estava longe de ser uma novidade no Brasil, mas, pela primeira vez, ambos começaram a ganhar um protagonismo inédito conforme as manifestações cresciam.

Até o dia 13 de junho, aquela era uma mobilização muito parecida com as que o MPL vinha organizando desde 2004.

Era um movimento restrito a um núcleo militante que reunia ativistas do próprio MPL, integrantes de partidos e coletivos libertários – alguns dos quais formaram black blocs durante os atos.

A violência policial contra a marcha do dia 13 de junho em São Paulo, no entanto, mudou tudo.

Os ataques contra jornalistas e jovens da classe média e da elite indignaram uma parcela da população normalmente avessa à militância política.

O choque diante da brutalidade da PM de São Paulo e a simpatia por uma causa que se tornou quase uma unanimidade – barrar o aumento das tarifas do transporte público na cidade – “levaram o Facebook para a rua”, para usar a feliz expressão que o jornalista Leonardo Sakamoto usou para definir a marcha de 17 de junho.

De repente, centenas de milhares de brasileiros se deram conta de que podiam, de alguma forma, usar as ruas para expressar sua insatisfação com algum aspecto da política brasileira.

Em um desses raros momentos da história nacional, o cidadão comum percebeu que a política não é propriedade privada dos políticos profissionais, e se deu conta de que ela se faz no dia a dia, na rua, em vários lugares. De vez em quando, até no Congresso.

As manifestações de 17 de junho abriram a caixa de Pandora, e gente de absolutamente todas as tendências políticas foi para a rua. Por um breve momento, a elite mais reacionária marchou ao lado do militante mais revolucionário. Mas em algum momento a contradição teria de aparecer.

As contradições de junho

A partir de agora, minhas observações se restringem ao que aconteceu na cidade de São Paulo, pois foi o único lugar onde acompanhei as manifestações in loco, e não acho que os movimentos nas várias partes do Brasil possam ser analisados sob uma única perspectiva.

Em cada cidade ou região teve especificidades que não sou capaz de avaliar.

Quem esteve na Paulista no dia 18 de junho já podia farejar, de certa forma, o que aconteceria no dia 20.

Aquilo era a Revolução Francesa. As reivindicações mais contraditórias conviviam nos cartazes empunhados por grupos sociais muito diferentes entre si, muitos deles antagônicos.

O pessoal das bandeiras verde-amarelas e dos slogans moralistas era claramente uma elite que tinha pouco ou nada a ver com os anarquistas e trotskistas que circulavam com palavras de ordem anticapitalistas.

A direita, a extrema-direita e a extrema-esquerda já estavam ali. Faltava a esquerda moderada, dos partidos no poder. E, quando ela apareceu, a bomba-relógio explodiu.

Pode-se acusar o PT de muitas coisas por ter convocado sua militância a ir para a Paulista no dia 20 de junho, mas uma coisa é certa: aqueles militantes tinham todo o direito de estar lá.

O problema é: vai explicar isso para a elite raivosa que, estimulada pelas mobilizações, passou a expor em praça pública seu ódio pelo PT…

Olhando em retrospecto, o ataque fascista aos militantes partidários no dia 20 de junho parece um desdobramento natural do que vinha acontecendo: com a revogação do aumento das tarifas, a única bandeira que unificava aquela multidão de opostos deixou de existir.

Sem o elemento unificador, apareceram as profundas contradições que já existiam entre os inúmeros grupos que saíram às ruas.

A elite queria a cabeça do governo do PT, a extrema-esquerda queria a revolução social, e, espremida entre os dois extremos, sobrou para a esquerda moderada o papel de defender o status quo, sobrou para a esquerda moderada a posição conservadora – no mais literal sentido da palavra.

Os meses seguintes só vieram confirmar a tendência que apareceu pela primeira vez no 20 de junho em São Paulo.

A grande mobilização que prometia unificar todos os setores da esquerda para responder ao ataque fascista virou um ato dominado pelas centrais sindicais e seus militantes profissionais, no dia 11 de julho, que foi incapaz de atrair o cidadão comum que saíra às ruas em junho.

As convocatórias da direita contra a corrupção se tornaram pequenos atos isolados, dissipando o medo de alguns militantes da esquerda de que as manifestações de junho pudessem abrir caminho para uma escalada fascista.

Por fim, a extrema-esquerda se deu conta de que o mar humano que saiu às ruas em junho não era tão anticapitalista assim, e passou a organizar também seus atos isolados.

Essas três tendências ficaram claras nas manifestações do 7 de setembro em São Paulo.

Pela manhã, marcharam os movimentos sociais ligados à esquerda moderada, que, em sua maioria, continuam defendendo o governo do PT.

À tarde, duas convocatórias distintas dividiram o vão livre do Masp: de um lado, um grupo formado pela elite de direita e extrema-direita, que era, supostamente, contra todos os partidos, mas que destilava seu ódio de classe contra o PT; do outro, um black bloc que também se dizia contra todos os partidos, mas que mirava prioritariamente no governo Alckmin, do PSDB.

Os black blocs no Brasil de hoje

Isso nos traz de volta ao nosso tema central: os black blocs.

Aqui é preciso abrir um pequeno parêntese para falar do Rio de Janeiro, pois este foi o único lugar em que os protestos de fato continuaram com força depois da revogação do aumento das passagens.

Acontece que, além da tarifa, lá havia outra bandeira que unificava o movimento: a oposição ao governador Sérgio Cabral.

E talvez seja por isso mesmo que lá os black blocs tenham se tornado mais fortes e atuado de forma mais coerente.

Vale lembrar que o movimento contra Sérgio Cabral girou em torno de uma ocupação urbana – o acampamento montado em frente à residência do governador – e, não por acaso, os black blocs cariocas desempenharam um importante papel de autodefesa do movimento contra a repressão policial.

Ou seja: justamente no momento em que caiu na boca do povo no Brasil, a tática black bloc estava voltando às origens, atuando como uma organização popular de defesa dos movimentos sociais.

Na minha opinião, a situação no Rio ajuda a explicar porque em São Paulo os black blocs nunca chegaram a contar com o apoio que tiveram na capital fluminense.

Em São Paulo, a partir do fim de julho os black blocs se formaram como uma força isolada, inicialmente em solidariedade aos cariocas, e depois lançando uma campanha contra o governador paulista, Geraldo Alckmin.

Ao se voltar contra Alckmin, os black blocs paulistas poderiam se articular com a esquerda moderada, por terem um inimigo comum, mas a incompreensão mútua impossibilitou a aproximação.

E aqui chegamos ao x da questão: a desconfiança mútua entre duas culturas militantes distintas, mas que compartilham muitos objetivos, está acabando com as possibilidades de aproveitar a incrível energia social gerada pelas manifestações de junho para construir novos espaços de debate e mobilização que poderiam abrir perspectivas inéditas de ação política no Brasil.

Não se trata aqui de querer apagar as diferenças entre a cultura de militância partidária – baseada na hierarquia, na centralização e na estabilidade – e a cultura libertária que está na base da tática black bloc – horizontal, descentralizada e instável – mas de propor que, apesar de suas diferenças, estes dois setores podem trabalhar juntos em prol de causas que os unem.

Por uma assembleia das ruas

O ponto de partida para essa aproximação é o diálogo aberto entre as partes, reconhecendo as diferenças e os equívocos de parte a parte, mas buscando achar formas de cooperação que respeitem as especificidades de cada um.

Os momentos em que os black blocs foram mais fortes foram justamente aqueles em que atuaram no seio de movimentos mais amplos, que englobavam grupos com táticas muito diferentes, todos lutando por causas comuns.

E esta é, na minha opinião, uma das fraquezas dos black blocs hoje (pelo menos em São Paulo): uma certa fetichização da tática, tomando a formação de blocos negros como um fim em si mesmo.

Olhando para a história dos black blocs, me parece que os melhores momentos dessa tática foram quando ela serviu de instrumento para um movimento mais amplo.

E esses momentos foram marcados por avaliações de que tipo de ações serviam mais aos fins buscados.

Por exemplo: a condenação, a priori, da destruição de propriedade privada corporativa me parece absurda por parte de qualquer um que sonhe com uma sociedade mais igualitária.

No entanto, cabe questionar, sim, se essa tática é a mais acertada em um determinado momento da luta.

O ataque contra símbolos das grandes corporações globais promovido pelo black bloc de Seattle fazia todo sentido no seio de um grande movimento que desafiava, justamente, o poder dessas grandes corporações.

Mas será que o simples ataque a agências bancárias e concessionárias de carros de luxo faz sentido em mobilizações que não passam de algumas centenas de pessoas sem uma bandeira clara, em uma São Paulo cuja população tende a repudiar esse tipo de ação? Para que serve essa ação?

Os black blocs têm força social suficiente para sustentar uma mobilização sem buscar apoio de outros setores? Na minha opinião, a resposta para todas essas perguntas, hoje, é “não”.

Por outro lado, as organizações tradicionais da esquerda, como partidos e sindicatos, claramente não estão conseguindo se sintonizar com as pessoas que saíram às ruas em junho justamente por insistirem em restringir suas mobilizações aos seus próprios quadros, olhando com desconfiança para qualquer um que não seja filiado a uma organização formal.

Ao fazerem isso, reproduzem no nível da rua a mesma lógica de quem está no poder: a ideia de que a política é um assunto para iniciados e especialistas, da qual só podem participar aqueles devidamente credenciados por organizações estabelecidas, sejam elas partidos, sindicatos ou movimentos sociais.

Ora, foi justamente isso que levou as pessoas às ruas em junho: a revolta contra o distanciamento entre aqueles que formulam a política e aqueles que apenas sofrem suas consequências.

Os gritos histéricos de “sem partido” podiam ter uma conotação fascista em alguns casos, mas eles também expressavam esse mal-estar profundo de uma política que se vê como cada vez mais autônoma do resto da população.

O grito de junho foi, acima de tudo, um grito contra o autismo da política institucional no Brasil – e nesse autismo se incluem absolutamente todos os partidos com alguma representação parlamentar (com exceção, talvez, do PSOL, cujos militantes estavam nas ruas desde o começo).

Foi um grito contra o abismo que existe entre a política institucional e o cidadão comum, criado por políticos profissionais (de todos os partidos) que colocam o jogo da politicagem acima da defesa de bandeiras concretas de interesse da população.

Nesse sentido, mesmo o combate à corrupção, que em geral tem um viés claramente conservador, se torna parte de uma crítica mais ampla a um sistema representativo que, cada vez mais, é ditado apenas pelos interesses dos representantes, e não dos representados.

Ao insistir em mobilizações restritas aos iniciados, as organizações tradicionais da esquerda reproduzem a barreira que afasta o cidadão comum da política, e por isso são hostilizadas por aqueles que se sentem excluídos da política.

Os black blocs, por outro lado, oferecem justamente o contrário: a possibilidade de qualquer cidadão participar da mobilização política sem necessidade de filiação prévia.

Enquanto partidos e sindicatos são vistos como uma porta fechada para os não iniciados, os black blocs são vistos como uma porta aberta para a política.

Disso decorre, em grande parte, a atração que vem exercendo sobre muitos jovens que estão saindo às ruas pela primeira vez na vida.

Muitas vezes essa distinção leva alguns a se apegarem a um fetiche que opõe “velhas” e “novas” formas de organização, como se fossem irreconciliáveis.

A pergunta mais importante hoje, na minha opinião, é: seria possível romper com essa visão binária e criar espaços onde as diferentes lógicas pudessem dialogar?

Acredito sinceramente que sim. Até porque isso já aconteceu no passado.

Em Gênova, por exemplo, o black bloc optou por marchar ao lado dos Comitês de Base (Cobas) dos sindicatos italianos; na Alemanha, os black blocs muitas vezes marcharam ao lado dos sindicados no Primeiro de Maio; e, aqui mesmo no Brasil, lembro perfeitamente de militantes do PSTU que participavam das reuniões da Ação Global dos Povos para a organização dos atos em São Paulo.

Ou seja: o que nos falta são espaços de articulação que abram espaço para o diálogo entre culturas militantes distintas, mas que compartilham certos objetivos.

O que nos falta é um fórum de lutas, uma assembleia das ruas.

Um espaço assim, que não fosse controlado por nenhuma organização, mas que estivesse aberto aos militantes de qualquer organização e a quem não é filiado a nenhuma delas, poderia servir de convite à participação dos não iniciados e agregar a experiência dos iniciados, abrindo a possibilidade de diminuir a desconfiança mútua e abrir caminho para uma cooperação entre grupos que adotam táticas distintas, mas que podem ser complementares.

Outra condição fundamental para que um espaço assim pudesse florescer é que não se pautasse pela lógica eleitoral.

Uma das razões do desgaste da política institucional no Brasil (e em várias outras partes do mundo) é a necessidade de reduzir todas as discussões ao calendário eleitoral.

Uma verdadeira assembleia das ruas seria um espaço de discussão e formulação de um projeto popular para a cidade, para o estado e para o país, que articulasse seus integrantes em torno de bandeiras comuns, mas que não se colocasse a serviço de campanhas eleitorais de A,B ou C.

Um espaço que pudesse se tornar um poder constituinte da multidão, definindo o que o povo quer do seu governo. Caberia ao governo de turno, a partir daí, lidar com essas demandas.

Os zapatistas, no México, já nos forneceram um modelo desse tipo de organização ao lançarem, em 2006, sua “Outra campanha”, uma mobilização nacional que pretendia ir além do calendário eleitoral e formular um verdadeiro projeto popular independente das ambições dos partidos da ordem.

É claro que em um espaço como esse a participação de militantes partidários e sindicais seria mais do que bem vinda, mas sempre como indivíduos, e não como representantes de suas organizações, o que exigiria daqueles mais acostumados com as formas tradicionais de militância um esforço para abrir mão da ambição de ditar a linha política a ser seguida por todos os participantes dessa articulação.

Por outro lado, exigiria dos adeptos da tática black bloc um esforço para coordenar suas ações com as dos demais grupos, muitas vezes se abstendo de realizar ataques ao patrimônio público e privado quando esse tipo de ação puder comprometer outros grupos que adotam táticas distintas.

Acredito, sinceramente, que a criação de um espaço plural como este poderia diminuir o fosso entre a “velha” e a “nova” esquerda e abrir novas e estimulantes perspectivas para a luta popular no Brasil.

Mas, para isso, seria preciso um exercício de compreensão mútua que fosse além dos preconceitos e buscasse aprender a respeitar a diferença e a diversidade, vendo nela não uma fraqueza, mas uma força do movimento.

Bruno Fiuza, jornalista, historiador e mestrando em História Econômica na Universidade de São Paulo

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