6 de out de 2013

Chico, Caetano, Gil, Milton e Roberto montam a banda dos sonhos (dos censores)

A Velha Guarda reunida

Se um fã de música brasileira fosse montar a banda dos sonhos, escalaria, certamente, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos e Milton Nascimento. Os cinco estão trabalhando juntos, aliás. Apenas, ao invés de música, se dedicam a outra coisa: resguardar seus interesses comerciais a qualquer custo, apelando também para a censura.

O quinteto supracitado, mais Djavan e Erasmo Carlos, fundou o grupo Procure Saber. À frente está Paula Lavigne, a Lady McBeth da MPB, ex de Caetano, empresária, agente e lobista (ou, como ela prefere em entrevista à Folha, “plataforma profissional de atuação política em defesa dos interesses da classe”).

Eles estão contra um projeto de lei, aprovado em abril, que garante que biografias não autorizadas serão válidas para personalidades públicas vivas ou mortas. Ele precisa ainda passar pelo Senado. Hoje, os juízes costumam determinar o recolhimento desse tipo de livro no momento em que o biografado ou sua família recorrem.

Lavigne diz o seguinte: “Vamos correr o risco de estimular o aparecimento de biografias sensacionalistas em um país em que a reparação pelo dano moral é ridícula”. As indenizacões, de fato, não costumam ser impressionantes. Mas, ao invés de proibir as obras, o correto seria batalhar por valores justos. O que os membros do Procure Saber (uma interessante contradição em relação às suas intenções) estão propondo tem um nome e se chama censura.

Não só censura, aliás. É uma esperteza. Você quer lançar um livro sobre, sei lá, os anos no exílio de Gilberto Gil. Você precisa combinar com ele antes. A autorização não sairá de graça, evidentemente. Ele ficará com, digamos, 20% das vendas (ou do patrocínio etc) — ou nada feito.

O Brasil é uma piada em matéria de historiografia musical. Para ficar nesse mesmo universo: John Lennon tem perto de 250 biografias na Inglaterra. Nos EUA, outras tantas. Uma delas foi lançada no ano em que ele morreu e dizia que Lennon foi viciado em heroína em Nova York. Continua em catálogo. Michael Jackson tem 170 livros dedicados a ele. Frank Sinatra, mais algumas centenas. Alguns autores foram processados e perderam. Outros ganharam.

O símbolo maior dessa arbitrariedade é Roberto Carlos, um homem obcecado de maneira doentia com sua imagem, que tem um escritório dedicado a monitorar o que sai a seu respeito. Ele estabeleceu, infelizmente, um padrão. Há alguns meses, RC mandou recolher um volume sobre moda na Jovem Guarda porque não gostou da ilustração (!). Já tinha dado sumiço no ótimo “Roberto Carlos em Detalhes”, de Paulo César Araújo. O escritor e a editora preferiram o recolhimento a ter de pagar a cifra milionária que o velho cantor e seus advogados pediam.

Não há dúvida de que esses artistas têm histórias importantes para entender um período da vida brasileira. Mas a turma de Paula Lavigne não está interessada realmente em aperfeiçoar os mecanismos que resguardam a privacidade ou discutir os limites da exposição da vida pública de pessoas notórias. Isso dá trabalho, mas é democrático. É mais fácil manter uma lei medieval e autoritária. A ironia é que isso, quer queiram, quer não, vai para a biografia deles.

Kiko Nogueira
No DCM
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O assassinato de Kennedy já não é mistério

27 de Setembro de 1964 - após uma investigação de 10 meses foi publicado o relatório da Comissão Warren sobre o assassinato do presidente John F. Kennedy no qual se concluiu que não houve conspiração e que Lee Harvey Oswald, o suposto assassino, agiu sozinho.


No seu leito de morte em Janeiro de 2007 o ex-agente da CIA Howard Hunt (envolvido em casos-chave como o Watergate, a Baía dos Porcos e o Irão/Contra) faz a sua última confissão: "quem matou Kennedy foi um complô liderado pelo próprio Governo dos Estados Unidos apoiado numa equipe de operacionais da CIA". O depoimento, recolhido pelo seu filho John "Saint" Hunt cita em concreto uma lista de nomes (1) envolvidos na operação de assassinato. À cabeça encontra-se o vice-presidente Lyndon B. Johnson, um homem cuja carreira foi orientada por J. Edgar Hoover do FBI, quem deu diretamente as ordens de execução da operação e ajudou depois a guiar a Comissão Warren para a tese do único e solitário atirador. (2)

Escassas horas depois do assassinato, a bordo do Air Force One, Lyndon B. Johnson é empossado como novo presidente. No restrito staff que acompanha o ato (famoso pela piscadela de olho de Johnson) pode ver-se Jack Valenti (nº 2 na foto), o amante que satisfazia as apetências homossexuais de J. Edgar Hoover, que tinha sido instalado na Casa Branca como elemento de ligação entre Kennedy e o vice-presidente Johnson (3). De fato nada se passava dentro da Sala Oval que não fosse dado a conhecer aos conspiradores. A principal razão para a decisão de abater Kennedy foca-se no seu discurso anti-Sionista contra as Sociedades Secretas (4), entre elas a mais poderosa (a Reserva Federal) ameaçada de ser impedida de continuar a emitir a moeda nacional a favor de grupos financeiros privados, leit-motiv para a entrada em cena da Mossad. Neste contexto, toda a Administração Kennedy estava cercada de poderosos delegados do Grupo Bilderberg.

Jack Valenti e Lyndon Johnson
Pela natureza das suas funções Hunt é um homem formado para mentir, manipular e aldrabar – e a sua confissão, dando crédito ao seu descrédito, teve amplas honras de difusão nos meios de comunicação. Estaria Hunt a esconder o envolvimento de certas pessoas a quem se manteve fiel, incluindo pessoas que ainda estão vivas? Certamente que sim. É qualquer coisa de verosímil num operacional caçador de escalpes, e as suas declarações só podem ser aceitas com cautela e um ceticismo saudável. Apesar de tudo, o cenário descrito onde se desenrola a caça mantém um fundo de verdade. A CIA matou JFK utilizando várias personagens, reais e fictícias, mesmo de figurantes vadios que introduziu em cena para tornar a operação complexa e de investigação extremamente difícil. (5)

Kennedy foi alvo de 129 tiros dis-
parados de 43 angulos diferentes

Apesar disso, com a profusão de provas obtidas por uma imensa multidão de testemunhas e historiadores, hoje, 50 anos depois, o crime está resolvido. Falta só conseguir que os responsáveis sejam julgados e condenados – isto é, todas as administrações norte americanas que se seguiram àquela fração de minuto onde foi abatida a ilusão de uma América romântica, sob a mira de uma numerosa equipe de snipers.


Prescott Bush e Nixon
Além de Howard Hunt , quem mais estava nesse momento na Dealey Plaza? Frank Sturgis, David Atlee Phillips, Orlando Bosch, Guillermo Novo, o próprio Herbert Bush. Todos eles membros integrantes da “Operation 40” – e a "Operation 40" é a menina dos olhos do secretário de Estado Allen Dulles, de Richard Nixon, do depois secretário de Estado Henry Kissinger e de George Herbert Bush (depois diretor da CIA, vice-presidente e presidente dos EUA). Investigando qualquer um dos indivíduos da CIA envolvidos na invasão da Baía dos Porcos, é impossível ignorar ou negar as ligações diretas com a criminosa família Bush (6) que se perpetuaram posteriormente em operações secretas na Indochina e na América Latina. George Herbert Bush estava profundamente conectado com um pequeno círculo de elites Texanas ligadas à Máfia, à CIA e aos grupos terroristas Alpha66 de exilados cubanos sediados na Flórida que combatem o regime revolucionário de Cuba. O principal objetivo seria atingido através da Operação Northwoods, conduzida pelo General Lyman Lemnitzer (7) que visava perpretar ataques terroristas contra norte-americanos com a finalidade de culpar Cuba e assim justificar a guerra contra o regime comunista de Fidel Castro. Naturalmente, Kennedy tinha recusado aprovar este plano criminoso que visava primeiro que tudo matar cidadãos norte-americanos.

Esta é na verdade, em linhas gerais, a história real da conspiração, cuja forma mais eficaz de ser combatida é de fato a proliferação de milhares de teorias de conspiração que, consoante o dilúvio de interpretações, ajudam a afogar a verdade.



Notas e fontes
(1) O homem que matou John F. Kennedy - Listagem dos envolvidos

(2) A teoria da "bala mágica" que atingiu três alvos numa sentada foi desmontada pelo antigo atirador especial da Marinha Craig Roberts

(3) Jack Valenti viria a tornar-se o homem mais poderoso no controle do meio audiovisual dos Estados Unidos, ao assumir por décadas o cargo de presidente da Motion Picture Association of America. Foi o maior detrator do filme "JFK" de Oliver Stone, o qual apelidou de "uma fraudulenta e monstruosa charada", justificando-se em 1991: "Eu devo tudo aquilo que sou hoje a Lyndon Johnson. Não poderia encarar a mim mesmo se ficasse em silêncio permitindo que um cineasta enxovalhasse a sua memória" (fonte)

(4) Discurso anti-Sionista contra as Sociedades Secretas. Concretizando as palavras com atos, ao assinar o Decreto Executivo 11110 que passava para o Estado a emissão de moeda, Kennedy ditou a sua sentença de morte


(6) O ódio dos Bush aos Kennedys remonta aos tempos da Lei Seca, quando os patriarcas dos dois clãs se digladiaram para abastecer ilegalmente o mercado negro de bebidas alcoólicas (ler mais)

(7) O general Lemnitzer prestou serviço no "Rockefeller Committee" dando cobertura a Howard Hunt e a Frank Sturgis (ABCNews).

(8) Esta última sinistra personagem, Frank Sturgis, viria já na década de 80 igualmente a ser referenciada como envolvida no assassinato do 1º Ministro Francisco Sá Carneiro e do Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, no que ficou conhecido como o "Caso Camarate". O fato desta operação se integrar na famosa operação norte-americana "October Surprise" (cujo objeto foi o escândalo Irão-Contras, só pode significar que a natureza criminosa dos sucessivos governos em Portugal desde há 40 anos é equiparada aos seus congêneres criminosos norte-americanos, aos quais todos eles prestam vassalagem.


No Maré Cinza
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Atentado de Luis Posada Carriles contra avión cubano cumple 37 años de impunidad

Familiares de las vítimas exigen justicia

El atentado terrorista perpetrado por Luis Posada Carrilles contra un avión de Cubana de Aviación, que dejó 73 personas fallecidas, cumplió este domingo 37 años de impunidad.

El pueblo cubano recuerda este domingo el hecho ocurrido el 6 de octubre de 1976, cuando el atentado se perpetró contra el vuelo 455 de Cubana de Aviación. La aeronave había partido desde el aeropuerto internacional de Barbados, con destino hacia La Habana, Cuba.

Sobre este particular el líder de la Revolución Cubana, Fidel Castro, diría en el acto de despedida de duelo de las víctimas, el 15 de octubre de 1976:

“Al principio teníamos dudas si la CIA (Agencia Central de Inteligencia estadounidense) había organizado directamente el sabotaje o lo elaboró cuidadosamente a través de sus organizaciones de cobertura integradas por contrarrevolucionarios cubanos; ahora nos inclinamos decididamente por la primera tesis. La CIA tuvo una participación directa en la destrucción del avión de Cubana en Barbados".

Luis Posada Carrilles
El avión sufrió una explosión, localizada entre las filas de asientos 7 y 11. El piloto Wilfredo Pérez trató de regresar a la terminal aérea e informó a la torre central del fuego, pero su esfuerzo se vio frustrado cuando se registró una segunda explosión en el baño trasero de la cabina de pasajeros y la aeronave se precipitó al mar.

El hecho ocasionó la muerte de 57 cubanos, 11 guyaneses y 5 funcionarios culturales coreanos, que se disponían a arribar en la isla de Cuba luego de que la Selección Nacional de Esgrima había realizado su participación en el campeonato centroamericano de esa disciplina deportiva.

Tras el suceso fueron señalados los terroristas Luis Posada Carriles y Orlando Bosch Ávila, las pruebas demostraron su autoría en el atentado.

El 8 de agosto de 1985, Hernán Ricardo y Freddy Lugo, quienes ejecutaron el ataque, fueron condenados a 20 años de prisión. Luis Posada Carriles, escapó del lugar donde cumplía la sentencia, refugiándose en Centroamérica. Por su parte, Bosch fue absuelto en 1987.

El presidente venezolano Nicolás Maduro, en julio del presente año, hizo un llamado al mandatario estadounidense, solicitando la entrega del terrorista que acabó con la vida de jóvenes luchadores, quien se encuentra viviendo en ese el país.

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Andrea Matarazzo sumiu da mídia


A revista IstoÉ desta semana revela que o grão-tucano Andrea Matarazzo, ministro do ex-presidente FHC e secretário estadual nas gestões de Mario Covas e José Serra, foi peça-chave no esquema de corrupção envolvendo poderosas multinacionais, como a Alstom e a Siemens, e vários governos do PSDB em São Paulo. Apesar da farta documentação, o grosso da mídia continua evitando tratar do explosivo assunto. O propinoduto tucano sumiu das manchetes dos jornalões, não é sequer citado na revista Veja e não causa comentários histéricos nas emissoras de televisão.

Não dá para a mídia seletiva, descaradamente tucana, afirmar que as denúncias são vazias e que apurações não andam. Segundo a reportagem da IstoÉ, “as investigações sobre o escândalo do Metrô em São Paulo entraram num momento crucial. Seguindo o rastro do dinheiro, a Polícia Federal e procuradores envolvidos na apuração do caso concluíram que o esquema do propinoduto tucano começou a ser montado na área de energia, ainda no governo de Mário Covas (1995-2001), se reproduziu no transporte público – trens e metrô – durante as gestões também de Geraldo Alckmin (2001-2006) e de José Serra (2007-2010) e drenou ao menos R$ 425 milhões dos cofres públicos”.

Ainda de acordo com a matéria, “os recursos [do propinoduto] circulavam por meio de uma sofisticada engenharia financeira promovida pelos mesmos lobistas, que usavam offshores, contas bancárias em paraísos fiscais, consultorias de fachadas e fundações para não deixar rastros. A partir dessas constatações, a PF e o MP conseguiram chegar ao topo do esquema. Ou seja, em nomes da alta cúpula do PSDB paulista que podem ter tido voz ativa e poder de decisão no escândalo que foi o embrião da máfia dos transportes sobre trilhos”.

O nome do grão-tucano Andrea Matarazzo surge exatamente nesta fase das apurações, junto com outras dez pessoas ligadas ao PSDB. “Serrista de primeira hora, Matarazzo é acusado de corrupção por ter se beneficiado de ‘vantagens oferecidas pela Alstom’. De acordo com relatório do Ministério Público, as operações aconteciam por meio dos executivos Pierre Chazot e Philippe Jaffré, representantes da Alstom no esquema que teria distribuído mais de US$ 20 milhões em suborno no País. É a chamada conexão franco-tucana”.

Para avançar ainda mais nas investigações, a procuradoria da República obteve judicialmente na semana passada a quebra dos sigilos bancários e fiscais de Andrea Matarazzo e dos outros dez envolvidos no esquema. “A ordem judicial também solicitou informações sobre o paradeiro dos dois executivos franceses. As investigações conduzidas até agora já produziram avanços importantes. Concluíram que parte da propina paga pela Alstom abasteceu os cofres do PSDB paulista”. Apesar de bombásticas, estas denúncias resultaram em pequenas notinhas na mídia tucana.

Globo, Folha e Estadão – e suas agências de notícias e sítios na internet – até mencionaram a decisão da Justiça de quebrar os sigilos bancários e fiscais dos onze “suspeitos” do “suposto” esquema do propinoduto. O nome de Andrea Matarazzo quase não é citado. A sigla PSDB também não aparece com destaque. Uma notinha na Folha de terça-feira passada (1) preferiu dar mais espaço aos acusados, que negam as irregularidades. O portal G1, das Organizações Globo, também avaliou que o caso não exige maiores apurações do tal “jornalismo investigativo”.

O que explica tamanho silêncio frente às graves denúncias contra Andrea Matarazzo, atual vereador do PSDB que se jacta das suas abotoaduras de ouro e de gozar de muito poder no interior do PSDB? A mídia seletiva teme que as investigações prejudiquem seus projetos políticos para as eleições de 2014 e também seus interesses econômicos expressos na generosa publicidade dos governos tucanos? Somente quando os protestos de rua em São Paulo exigiram a apuração do propinoduto, a mídia tratou o tema com alguma imparcialidade. Outros protestos são urgentes!

Altamiro Borges
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P-55 deixa estaleiro em Rio Grande rumo à Bacia de Campos


A plataforma P-55 saiu neste domingo (06/10) do Estaleiro Rio Grande 1 (ERG-1), localizado na cidade de Rio Grande (RS), após serem concluídos os serviços de integração dos módulos e comissionamento da plataforma, conclusão dos testes e inspeções para obtenção das certificações necessárias.

A semissubmersível P-55 está entre as nove novas unidades que serão instaladas nos campos de petróleo em 2013, contribuindo para o aumento da produção de petróleo e o alcance da meta de produção de 2,75 milhões de barris por dia, prevista para 2017.

Com capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo e tratar 4 milhões de metros cúbicos de gás por dia, a plataforma P-55 entrará em operação ainda em 2013 e é uma das maiores semissubmersíveis do mundo e a maior construída no Brasil.

Projeto integrante do Módulo 3 do Campo de Roncador, localizado na Bacia de Campos, a P-55 ficará ancorada a uma profundidade de cerca de 1.800 metros e será ligada a 17 poços, sendo 11 produtores e seis injetores de água. A exportação de petróleo e gás natural da plataforma será realizada por dutos submarinos acoplados à unidade.

A obra gerou cerca de 5 mil empregos diretos e 15 mil indiretos e alcançou o índice de 79% de conteúdo nacional, proporcionado principalmente pelo fato de a construção e a integração terem sido feitas totalmente no Brasil. A edificação da plataforma foi realizada em duas partes construídas de forma simultânea, casco e topside, e posteriormente unidas.

O casco da unidade teve as atividades executadas no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, de onde seguiu para o ERG-1, em Rio Grande (RS), para continuidade dos serviços. No ERG-1, foram feitas as instalações do convés e dos módulos, bem como a integração dos sistemas da plataforma. A construção dos módulos de Remoção de Sulfato e Compressão de Gás também foi feita no local; já os módulos de Remoção de CO2, Compressão Booster e TEG foram construídos em Niterói (RJ) e, quando concluídos, transportados até Rio Grande.

A operação que acoplou as duas grandes partes da plataforma (convés e casco), chamada de DeckMating, é considerada o marco mais desafiador da construção da unidade e uma das maiores já executadas no mundo, em função do peso da estrutura (17 mil toneladas) e a altura a que foi levantada (47,2 metros). A manobra foi realizada dentro do dique-seco do ERG-1, em junho de 2012.

O tempo de reboque da P-55 até a Bacia de Campos será de aproximadamente 12 dias, quando iniciarão os procedimentos para ancoragem da unidade e interligação aos 17 poços.
Dados da P-55:

Processamento de petróleo: 180 mil barris/dia

Tratamento de gás: 4 milhões m3/dia

Conteúdo Local: 79%

Tratamento de água de injeção: 48 mil m/dia

Geração elétrica: 100 MW

Profundidade de água: 1.800 m

Número de linhas de ancoragem: 16

Número de risers: 42

Tripulação: 100 pessoas

Peso total da plataforma: 52 mil toneladas

Aérea total: aproximadamente 10 mil metros quadrados.

Altura total: 130 metros

Geração de empregos: 5 mil diretos e 15 mil indireto

No Fatos e Dados
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Cicatrizes da cidadania

Foto: Hudson Pontes / Agência O Globo

Os recentes acontecimentos nas ruas do Rio de Janeiro, envolvendo conflito entre policiais, professores e o pessoal do Black Bloc, impõem-me um posicionamento. Afinal, sou professor e carioca, duas condições de que muito me orgulho.

Sérgio Cabral e Eduardo Paes têm, nos últimos tempos, dominado o cenário político do Rio e vencido, com relativa facilidade, as eleições de que vêm participando. Várias razões explicam isso. Uma das principais, seguramente, tem sido a ausência de opositores que inspirassem, mais do que eles, o voto popular, dentro de um contexto em que os políticos andam por baixo (infelizmente, porque a política é componente necessário em um jogo democrático).

Houve, porém, outras razões. Uma delas, a criação das UPPs que, mal ou bem, mudaram (ou mascararam) a cara do Rio, fazendo da violência do tráfico algo menos terrível (ou menos visível). Eu mesmo colhi depoimentos de moradores do vizinho morro Dona Marta, que davam conta das mudanças positivas comandadas por Beltrame, secretário de Cabral, embora registrando que “sumiram as armas, mas permaneceram as drogas”.

Além disso, a política de alianças com Lula (e depois com Dilma) foi capaz de garantir ao estado e à cidade recursos que as anteriores administrações não obtiveram. O governador e o prefeito surfaram nos êxitos e no dinheiro do Governo Federal.

Mas creio que esses motivos não se seguram mais. Acredito que fluminenses e cariocas estão preparados, agora, para navegar em outras águas, ainda que se acene com a manutenção do Beltrame na chefia da Polícia, ainda que se garanta o prosseguimento das UPPs, ainda que alianças pragmáticas sugiram a continuidade dos atuais elos políticos.

Temos assistido, nos últimos tempos, a cenas lamentáveis no tratamento das reivindicações dos professores públicos, seja na esfera municipal ou estadual. As agressões perpetradas reeditam momentos sombrios de nossa história recente, trazem à memória comportamentos contra os quais lutaram todos os que estiveram nas ruas nos anos de chumbo.

Não dá para aceitar a truculência policial contra professores, a covardia dos gases malignos e das bombas e balas, e, também, um certo cinismo das declarações oficiais, que usam como pretexto as ações dos Black Bloks.

Não sou professor público. Minha condição de funcionário do Banco do Brasil vedava essa possibilidade. Sempre desempenhei o magistério fora o horário do Banco, e em instituições particulares. Mas sou, serei sempre, grato ao ensino público, desde a escola Sarmiento, na rua Vinte e Quatro de Maio até o Colégio Pedro II, na Barão do Bom Retiro, ambas no subúrbio do Engenho Novo, em que me criei.

Experimentei diretamente, como estudante, uma escola pública de qualidade, que abrigava então alunos de todas as classes sociais e lhes propiciava a continuidade do estudo para voos mais altos. Como professor, depois, presenciei a sua derrocada, pela incúria dos governantes e pela cumplicidade das autoridades condutoras do ensino. Transformou-se a educação em algo que, para ter qualidade (altamente discutível, em muitos casos), tinha que ser particular, tinha que ser pago.

E a escola pública, paradoxalmente, vem deixando cicatrizes na cidadania, um rastro demagógico de aberrações como “aprovação automática” e coisas do gênero. Não se discute que o objetivo de “abrir vagas” na escola pública será sempre altamente meritório, mas é indispensável que essa disposição venha acompanhada da fundamental busca da qualidade, que passa inevitavelmente pela valorização do professor. Do contrário, o que se terá é algo bem parecido com o panorama na área da saúde: um jogo de cartas marcadas que, desmoralizando o público, valoriza o particular, inserindo a educação em uma lógica sinistra que passa pelo lucro dos tubarões de ensino por um lado, a perpetuação das elites, por outro. Ironicamente, o ensino público vem servindo para manter acentuadas as desigualdades sociais. Quando se tentou, tempos atrás, algo realmente revolucionário – os CIEPs de Brizola -, as elites trataram de transformá-los nas ruínas pedagógicas em que a maioria hoje se transformou.

Claro que existem os centros de excelência na rede pública, verdadeiros bastiões que provam que é possível o ensino gratuito de qualidade. E é notório que muitos professores vivem por aí fazendo milagres para suprir as precárias condições em que têm que trabalhar. A bem da verdade, também há muitos registros, aqui e ali, de investimentos na Educação, em diversos âmbitos, no plano federal e mesmo no Rio de Janeiro. Isso nos inspira a considerar que nem tudo está perdido, porque depende mesmo, no fim, de uma vontade política comprometida com o social.

Pode haver exageros nas últimas reivindicações dos professores, como fruto do jogo de pressões e contrapressões que caracterizam os momentos de negociação. E será sempre lastimável que se deixem sem aulas os alunos mais carentes. É também óbvio que os problemas de nossa Educação não passam apenas pelos professores e suas folhas salariais, porque atingem em cheio a responsabilidade de toda a sociedade, com suas famílias omissas no processo de formação dos jovens e sua mídia coberta de vulgaridades e de despreocupação cultural, que leva à deformação.

A educação brasileira, a despeito de tudo, vem dando seus saltos positivos. Há setores efetivamente preocupados em fazer dela um vetor de combate à exclusão. Mas será sempre injustificável a violência no lidar com o magistério. Quem trata a educação como um caso de polícia – a mesma polícia que mata pessoas nas UPPs “pacificadas” – está beirando perigosamente o fascismo, o que merece, a meu ver, todo o repúdio dos cidadãos conscientes.

Rodolpho Motta Lima
No DR
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Marco Civil da Internet vai pautar proposta do Brasil na ONU, afirma Dilma

A presidenta Dilma Rousseff afirmou, neste domingo (6), em sua conta no Twitter, que o projeto do Marco Civil da Internet no Brasil será o ponto de partida para a proposta a ser encaminhada à ONU. Durante discurso de abertura da 68ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, no dia 24 de setembro, Dilma defendeu a criação de uma governança global para internet. Segundo a presidenta, a votação do projeto pelo Congresso deverá acontecer nas próximas semanas.
“Enviei ao Congresso um novo Marco Civil da Internet, iniciativa que irá ampliar a proteção da privacidade dos brasileiros (…) Denunciei o caso na ONU em defesa dos direitos humanos e de nossa soberania. Exigimos explicações e mudanças de comportamento por parte dos americanos”, escreveu Dilma.
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Aumentan a 34 los fallecidos durante choques con la policía en Egipto

Aumentan a 34 los muertos en Egipto por represión policial.
Foto: AFP

El Ministerio de Sanidad de Egipto, citado por RT, informó este domingo que la cifra de fallecidos por los enfrentamientos entre los partidarios del depuesto presidente Mohamed Mursi y la policía aumentó a 34.

Fuentes de seguridad, citadas por Reuters, señalaron que la mayoría de los muertos presentaban heridas de bala.

El alto funcionario del Ministerio de sanidad, Khaled al-Khatib, dijo a través de un comunicado, que 30 personas murieron en El Cairo (capital), y cuatro al sur de la capital, mientras que 209 personas resultaron heridas.

Un funcionario del Ministerio del Interior, citado por la agencia internacional AFP, indicó que ningún policía murió en los enfrentamientos.

En El Cairo (capital), la policía disparó gases lacrimógenos para dispersar a los seguidores de Mursi mientras marchaban hacia la plaza Tahrir, donde los detractores del depuesto presidente se reunieron para celebrar el aniversario de la guerra de 1973.

Por otro lado, un testigo citado por la agencia internacional AFP, indicó que la policía persiguió a los manifestantes y los golpeó antes de detenerlos.

Previamente el Ministerio del Interior había dicho que respondería con "firmeza" a cualquier intento de desorden durante las celebraciones del 40 aniversario de la guerra de 1973 contra Israel, para el que se habían anunciado manifestaciones rivales.

Este domingo se realizan varias marchas y manifestaciones en Egipto. Por una parte seguidores de Mursi pedían su restitución en la presidencia del país y por el otro egipcios salieron a conmemorar la menciona fecha.

El Ejército, que desde hace dos meses reprime cualquier manifestación que realicen los seguidores de Mursi, había desplegado varios tanques en El Cairo (capital), ya que seguidores y detractores de Mursi asistirían a manifestaciones para conmemorar dicha fecha y se presumía la posibilidad de enfrentamientos.

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Voces para la Paz

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Spray aos baldes

'O jato parecia de extintor. Pus a camiseta na cara', diz o professor

Historiador diz que a polícia da ditadura militar era menos violenta que a atual PM carioca - transformada, segundo ele, em guarda do poder

RIO - Desde junho, o professor titular de História Contemporânea da UFRJ Francisco Carlos Teixeira da Silva acompanha de perto as manifestações no Rio. Ele prepara com o documentarista Eryk Rocha, filho de Glauber, um filme sobre o que acontece nas ruas. Na terça, porém, sua proximidade com o tema chegou a deixá-lo sem respiração. Silva recebeu um jato de pimenta de um spray gigante, recente aquisição da Polícia Militar, e precisou tirar a camisa e cobrir o rosto para se proteger das bombas de gás lançadas pelos policiais na Cinelândia.

O professor diz que o Rio virou o epicentro dos protestos no País por ser uma cidade essencialmente de classe média e porque houve total falta de sensibilidade das autoridades e perda de governabilidade no Estado. Também afirma não temer comparações entre o que ocorre hoje e os protestos estudantis do período militar: "A polícia da ditadura era menos violenta do que a polícia do governador Sérgio Cabral".

Especializado em história social, com pós-doutorado na Alemanha, Silva criou o Laboratório de Estudos do Tempo Presente da UFRJ e foi subsecretário de Educação no governo Brizola, na década de 1980. Conhece bem a causa dos professores, em greve há 51 dias. Para ele, o plano de cargos e salários da categoria do prefeito Eduardo Paes é "absurdo", assim como sua aprovação por uma Câmara de Vereadores sitiada. "Me deixa perplexo que o Legislativo não tenha tido pudor em continuar legislando com a rua tremendo de bombas."

O refluxo da maré

"Está claro que o Rio virou o epicentro das manifestações. Embora tenham começado em Porto Alegre e explodido em São Paulo, as maiores ocorreram no Rio. Teve um refluxo, mas nunca parou. E abriu-se um período de greves setoriais. A bancária é muito forte. O Rio centralizou isso porque, em primeiro lugar, é uma cidade de classe média, de funcionários, ao contrário de São Paulo, com base operária. Em segundo, porque houve total falta de sensibilidade e perda de governabilidade. A qualquer momento outra categoria pode explodir. Além disso, o Rio se tornou uma das cidades mais caras do mundo, com especulação imobiliária enorme, favorecida pelo governo. É possível que o governador, quando deixou black blocs e moradores de rua quebrarem muito em julho, tenha tentado afastar a classe média do movimento. Agora a coisa voltou. Outro elemento virou clamor público. Quando o Choque entrou na terça, a população gritava: "Cadê o Amarildo?". O nível de desmoralização é muito grande.

Secundarista, professor, universitário

"Falaram que havia mascarados. Vou te dizer: eu pus a camiseta na cara. Recebi um jato de pimenta que parecia de extintor, um troço industrial. A sensação é de paralisia respiratória. A maioria dos que tinham algo no rosto estava sem camisa. Era proteção contra o uso indiscriminado de bombas. Havia black blocs, mas não estavam quebrando. Depois duas agências bancárias foram destruídas, mas a PM já batia muito. Era uma reação. A maioria absoluta era de secundaristas, professores e universitários. Não tenho relação pessoal com o Black Bloc nem quero ter. Mas houve uma inflexão dos black blocs, uma mudança na atuação.

Casa sem pudor

"Tanta repressão, só vi uma vez na Bolívia e outra em Beirute, mas nunca no Brasil. Foi brutal. Me deixa perplexo que o Legislativo não tenha tido pudor em continuar legislando com a rua tremendo de bombas. A função da PM foi de uma guarda pessoal do poder convocada para cumprir não a lei do Estado, mas a vontade do dirigente. Fuzileiros navais fizeram o controle de multidão no Haiti, em situação bem mais difícil, sem esse tipo de ação. Quando o Choque entrou na Rio Branco e foi vaiado intensamente, deram tiro de escopeta para o alto. São funcionários públicos agindo como pretorianos do governador e do prefeito.

O PT e a guarda pretoriana

"É interessante ver o PT se transformar em partido que apoia o uso de guarda pretoriana para votar uma lei. O que o Rio está mostrando é que o PT perdeu as ruas. Se a oferta de um ministério ao Cabral se configurar, fica claro o total desdém da Dilma. Seria suicídio político.

Velho é o poder

"Lamentei que dois amigos, oriundos do PC, tenham dito que black blocs fazem o jogo da direita. É o que se falava na ditadura. Se nos anos 1970 eu brigava contra a PM e agora continuo brigando, sou jovem. Quem é velho é o poder. Estive em manifestações na Cinelândia em 1973 e 74. A polícia era menos violenta. Estou falando sério. A polícia da ditadura tinha mais critério e era menos violenta do que a polícia do Cabral."

Felipe Werneck
No O Estado de S. Paulo
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A direita se disfarça. E a esquerda vai se mostrar mais?


Passadas as primeiras horas da rearrumação – ainda não concluída – do campo conservador para as eleições de 2014, seria bom que a esquerda popular também olhasse para si e avaliasse seus próprios comportamentos e erros.

Porque, a rigor, as coisas só não são promissoras para a direita brasileira por três fatores essenciais.

O primeiro, claro, é Lula, cuja empatia popular e a memória dos avanços que produziu, no Governo, permanecem e funcionam assim como uma espécie de “bomba atômica”  diante dos assanhos do conservadorismo, que sabe e teme o que ele vá representar quando se colocar como referencial de voto.

O segundo, a respeitabilidade da figura de Dilma Rousseff, que tem austeridade e autoridade, e sobre quem, até hoje, não se conseguiu tisnar a imagem séria que ela transpira. Isso, em parte, ajuda a compensar o silêncio e a invisibilidade de seu Governo, que só aparece para o combate político quando ela própria toma a iniciativa. O “Mais Médicos” e a reação à espionagem americana são os mais recentes – e evidentes – exemplos disso. No resto do tempo, o silêncio e a falta de definições compreensíveis para as políticas de Governo, que não são – ou quando são, envergonham-se em dizer -

O terceiro fator é externo: a incapacidade da direita de ter produzido quadros novos e, com isso, apresentar faces diferentes para suas velhas idéias. Aécio Neves não tem carisma algum e construiu-se como candidato mais pelo esgotamento de José Serra que por suas virtudes políticas. Em matéria de alianças, pouco ou nada foi além daqueles locais, onde o poder do governo de Minas e os “rachas” e equívocos do PT mineiro, que de alguma forma o legitimou com o apoio da seus indicados em Belo Horizonte. Além do mais, pela disputa interna em que se viu envolvido e por sua própria falta de discurso, Aécio passou meses “dependurado” em Fernando Henrique Cardoso, o que dispensa maiores comentários sobre representar “o novo”.

Comecemos, então, por este último fator.

Ainda é cedo para dizer com todas as letras, mas fica claro que a direita (a que manda, a turma da bufunfa, na genial expressão de Paulo Nogueira Batista Júnior) está construindo um caminho que exclui Aécio e que, talvez, exclua o próprio PSDB como alternativa eleitoral, ainda que não de poder. Eduardo Campos tem algumas coisas que, em geral, faltam aos pretendentes a “enfant gâté”, menino mimado da direita.

Uma origem nordestina, de esquerda hereditária, mas apoiada em uma capacidade de convívio e relacionamento com as oligarquias conservadoras e livre da pecha de anti-Lula, não apenas porque apoiado por ele em duas eleições como, também, pela renitente esperança do ex-presidente de trazê-lo, num segundo turno, para as forças de apoio a Dilma.

O que, para mim, torna-se mais difícil pelas alianças à direita que construiu para sua candidatura e, agora mais ainda, pela presença rancorosa de Marina Silva em sua composição.

Como é cedo para dizer o rumo que a sucessão tomará com as “novidades” do final desta semana, manda a prudência política que o governo e o PT se conservem num certo “resguardo” pessoal de Lula e de Dilma nesta questão.

Mas, ao mesmo tempo, parece ter chegada a hora de reavivar o significado e os projetos deste projeto de governo que, não se pode negar, perdeu parte de suas forças de apoio partidárias, embora isso não queira dizer, neste momento, perda eleitoral.

Tanto Lula quanto Dilma, que por diversas razões vinham, até pouco tempo atrás, se poupando de exposição, estão chamados, imediatamente, a expor-se mais e, sobretudo, a expor mais direta e claramente compromissos, realizações e objetivos de seu governo.

A reforma ministerial pré-eleitoral deve sofrer uma antecipação, não apenas em busca de recomposição política mas, sobretudo, para tirar a máquina pública do marasmo comunicativo em que se encontra, ausente como se percebe (salvo raras exceções, como o Ministro Alexandre Padilha) da polêmica.

O “núcleo mole” do Governo – um lote generoso, no qual se destacam Paulo Bernardo e José Eduardo Cardoso – também precisa ser substituído por pessoas que possam, ao lado de tirar a administração do marasmo e da “pomada” lubrificante que marca estes personagens travar a polêmica com a ofensiva conservadora que certamente virá.

Será um enorme engano contar que a mídia – e as armações que, sob sua batuta, a direita produzir –  são incapazes de produzir novidades na disputa eleitoral.

É verdade que a direita brasileira está, ainda, sem cara. Mas também é verdade que, como de outras vezes, ela pode produzir uma cara nova e palatável para suas ideias. Ou ir buscar no estoque de velharias, sua cara hoje mais velha, a de José Serra, retomando, com Eduardo Campos, o papel divisionista que se esperava de Marina Silva.

Fernando Brito
No Tijolaço 
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Charge online - Bessinha - # 1957

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Todos contra a Dilma


O fenômeno tem se repetido – na Bolívia, na Argentina, no Equador, no Brasil. Setores que saem dos governos – ou que sempre tinham se oposto – supostamente pela esquerda, percorrem uma trajetória que os leva a se situarem como oposições de direita.

Evo Morales, Rafael Correa, os Kirchner, Lula e Dilma – teriam “traído”. E seriam piores que outros contendores, porque seguiriam fingindo que defendem as mesmas posições que os projetaram como grandes líderes nacionais. Por isso tem que ser frontalmente combatidos, derrotados, destruídos, sem o que os processos políticos seguiriam retrocedendo e não poderia avançar.

Foi assim que setores que eram parte integrante do governo de Evo Morales declararam que ele é o inimigo fundamental a combater, porque teria “traído” o movimento indígena. Daí a proposta de uma frente nacional contra ele, que incorporaria a todos os setores opositores, não importa quão de direita sejam.

A mesma coisa com Rafael Correa. Teria “traído” a defesa da natureza e se passado a um modelo extrativista, tornando-se o inimigo fundamental a combater. Daí que setores que se reivindicam porta-vozes dos interesses dos movimentos indignas e ecologistas, se aliam expressamente à direita, para combater a Correa.

Na Argentina, os Kirchner teriam “traído” o peronismo, daí setores que faziam uma critica de esquerda ao governo – expressados, por exemplo, no peronista Pino Solanas – se aliam a setores de direita – como Elisa Carrió, entre outros -, para combater ao governo de Cristina Kirchner.

Poderíamos seguir com a Venezuela, com o Uruguai, porque o fenômeno se repete. Para poder operar essa transição de uma oposição de esquerda a uma de direita, é preciso demonizar os lideres desses processos, que seriam, piores do que a direita, daí a liberação para alianças com esses setores contra os governos.

No Brasil o fenômeno se deu, inicialmente, com o PSol e Heloisa Helena, que abertamente fizeram aliança com toda a oposição contra o governo Lula. Com a Globo, com os tucanos, com todos os candidatos opositores, na ação desenfreada e desesperada para tentar impedir a reeleição do Lula.

Abandonaram as críticas de esquerda – sobre o modelo econômico e outros aspectos do governo – para se somarem à ofensiva do “mensalão”, sem diferenciar-se do tom da campanha da direita.

O fenômeno teve continuidade com a Marina, que repetiu de forma mecânica a trajetória da Heloisa Helena na volúpia contra o governo Lula e a Dilma, quatro anos mais tarde. O destempero faz parte do processo de diabolização, que se caracteriza sempre, também, pela ausência de qualquer tipo de critica à direita – à mídia monopolista, ao sistema bancário, aos tucanos, aos EUA.

A relação desses setores com a direita tradicional é explicita: a essa ausência de criticas à direita corresponde uma promoção explícita dos candidatos que se dispõem a esse papel: Heloisa Helena, Marina, agora Eduardo Campos.
Todos contra o Evo, todos contra o Rafael Correa, todos contra a Cristina, e assim por diante. Aqui, agora, todos contra a Dilma.

Não há nenhuma duvida que o campo opositor está composto pelas candidaturas do Aecio, do Eduardo Campos, ao que se soma agora a Marina. As reuniões de Eduardo Campos com Aecio, a entrada do Bornhausen, do Heraclito Fortes, entre outros, para o PSB e o discurso “anti-chavista” da Marina, completam o quadro. Vale tudo para tentar impedir que o PT siga apropriando-se do Estado brasileiro para seus fins particulares, impedindo que o Brasil se desenvolva livremente.

Nenhuma palavra sobre o tipo de modelo econômico e social que desenvolveria caso ganhassem. Nenhuma palavra sobre o tipo de inserção internacional do Brasil. Nada sobre o papel do Estado. Silêncio sobre tudo o que é essencial, porque do que se trata é de tentar derrotar a Dilma.

Na verdade hoje a direita – seus segmentos empresariais, midiáticos, partidários – já se contentaria em conseguir que a Dilma não triunfasse no primeiro turno. O que vier depois disso, será lucro.

Em todos os países, esses setores tem sido derrotados fragorosamente. Suas operações politicas não tem dado resultados, por falta de plataforma, de lideranças e de apoio popular.

Aqui também tem acontecido isso. O PSol foi ferido de morte por suas atitues em 2006. Marina abandona a plataforma ecológica para assumir o anti-comunismo de hoje (o anti-chavismo) e se somar à politica mais tradicional, sem sequer ter conseguido as assinaturas para registrar seu partido.

Termina no Todos contra a Dilma, cada um do seu jeito, mas com o objetivo comum. Esse cenário politico tem Evo, Correa, Cristina, como teve a Lula e agora tem a Dilma, como referência central. Os outros são os outros, sem plataforma, sem lideranças e sem apoio popular.

Emir Sader
No Blog do Emir
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Que renovação é essa?


Marina e Eduardo Campos formaram um condomínio político que constitui um enigma da campanha de 2014

No mesmo dia em que a Veja dava uma contribuição específica ao culto à personalidade de Marina Silva, dizendo que na véspera ela fora dormir com a esperança de “ter um sonho” que pudesse ajudar a decidir o rumo na campanha presidencial, a líder da Rede deu provas de que passou os últimos dias acordadíssima.

Numa união destinada a garantir a Marina um espaço na campanha que a Rede não foi capaz de obter, e a Eduardo Campos, uma projeção que ele dificilmente teria como 4º colocado nas pesquisas de intenção de voto, os dois formaram um condomínio político que constitui um enigma da campanha de 2014.

Filiando-se ao PSB, Marina assegurou um palanque para seguir em sua verdadeira prioridade, cada vez mais semelhante a plataforma básica dos vencidos por Lula e Dilma em 2002, 2006 e 2010: impedir de qualquer maneira e por todos os meios uma quarta vitória do PT e seus aliados em 2014.

Dramatizando a própria situação, ela chegou a dizer que o Rede era primeiro partido “clandestino” da democratização – afirmação de caráter retórico, que não faz sentido para quem levou a sério a luta clandestina contra o regime militar de 64 e reconhece o valor da democracia conquistada depois.

Vamos combinar: se acredita, de fato, que o Rede foi perseguido por adversários políticos, que teriam boicotado o apoio dos 50 000 eleitores que poderiam ter legalizado seu partido, Marina faria um favor ao país se divulgasse indícios e provas para sustentar o que diz. Sabemos que a Justiça eleitoral abriga cidadãos indicados pelos principais partidos políticos, que devem ser substituídos de 5 em 5 anos. É razoável até imaginar uma imensa má vontade aqui, outra mais adiante. É assim, no Brasil e em outros países.

Mas é um universo com tantas surpresas e imprevistos que ninguém consegue adivinhar o que acontece sem uma apuração real. No caso mais avançado que conheço até aqui, um advogado do Rede chegou a dizer de forma vaga, para uma repórter, que “certamente” ocorreram boicotes em algumas prefeituras. Onde? Em Minas Gerais. E agora?

Ironicamente, Marina e Eduardo Campos se comprometeram ontem, justamente, a enterrar a República Velha e a renovar os métodos tradicionais da política. Também falaram do esgotamento do nosso sistema como seu maior compromisso político. Mas não disseram com clareza o que pretendem fazer nem como. Até porque estas são verdades tão fáceis de anunciar mas difíceis de explicar.

Quem tem o direito de dizer que o sistema político está esgotado é o eleitor. Ele fez isso em 1984, quando foi as ruas para pedir eleições diretas em pleno regime militar. Como o Congresso rejeitou as diretas naquele ano, o eleitor repetiu a dose cinco anos depois, em 1989, no primeiro pleito em urna após ao regime militar. Destruídos pelos fracassos de sucessivos planos econômicos, os dois herdeiros do governo Sarney não conseguiram somar 6% dos votos. E foi neste cemitério que nasceu Fernando Collor: sem partido, com ideário confuso, vagas promessas moralizantes e absoluto suporte dos meios de comunicação, tornou-se presidente da República. Seu programa era eliminar privilégios e favores do Estado, sintetizados na palavra marajá, usada para definir altos burocratas do serviço público. Parecia uma causa nacional, capaz de unir ricos e pobres, irmanados pelo infortúnio de sustentar privilegiados com dinheiro do contribuinte.

Falar que o sistema político está esgotado, hoje, é enxergar o mundo pelo olhar dos desejos, de quem não aprova determinado governo mas é duvidoso que seja expressão do pensamento do conjunto da população. É um diagnóstico exagerado, no mínimo, quando o governo federal tem aprovação superior a 50% e a presidente lidera as pesquisas de opinião com 38% das intenções de voto. Quando seu padrinho, Lula, é o mais popular político brasileiro da história. Quando o PT, alvo indiscutível da “publicidade opressiva” praticada pela maioria dos meios de comunicação na ação penal 470, segue o mais popular partido político do país, com 25 ou mesmo 30% da simpatia dos eleitores.

Quem está esgotada, até agora, é a oposição. Se é possível falar em algo perto de esgotamento, fim de linha, o problema encontra-se aí e é mais localizado. E é tão grave que ela procura alimentar-se, na verdade, de músculos e cérebros extraviados do governo, como Marina e Eduardo Campos.

As ruas de junho deixaram claro que nem todo mundo pensa a mesma coisa dos nossos políticos. Os milhões de brasileiros que não querem Dilma também recusam personalidades, nomes e ideias que lhes são oferecidas como alternativa. Esses cidadãos Dizem que querem livrar-se de políticos tradicionais quando, na verdade, querem outros políticos – sejam direitistas, revolucionários, reacionários ou simples camelôs ideológicos. Aqueles manifestantes que tinham pontos específicos a reivindicar – como transportes – voltaram para casa depois que a reivindicação foi atendida. Os outros, permaneceram. Tinham mais a cobrar. Alguns mais quebraram vidros, fizeram provocações. Denunciam o sistema político em nome do fascismo, do anarquismo ou lá o que for.

Em qualquer caso, e é constrangedor lembrar, Dilma ficou sem aliados em seu empenho para aprovar uma reforma política que, bem ou mal, poderia dar uma resposta à nova situação. Não inventou nada. Apoiou um projeto que reúne o apoio de entidades representativas. Não lembro de qualquer manifestação de apoio dos aliados de Marina Silva. O PSB foi explícito. Divulgou nota a favor das reformas – desde que elas não valessem para 2014.

O empenho de Marina para falar do “novo” ajuda a encobrir que, entre seus assessores econômicos, encontra-se André Lara Rezende, banqueiro e profeta da decrescimento econômico, advogado da teoria primeiro-mundista de que os recursos da Terra se esgotaram e que quem não ficou rico até agora deve desistir até de chegar a classe média baixa. Foi padrinho do Plano Cruzado – que ajudou Sarney a tornar-se imperador do país por um semestre, em 1986 – e do Plano Real, berço de tantas heranças, inclusive da privatização das teles, joia da coroa do governo FHC. Seu homem na Justiça é Gilmar Mendes, capaz de dar dois habeas corpus, em apenas 48 horas, a um dos banqueiros aliados de FHC. Seu maior patrocinador financeiro é a herdeira de um banco que esteve ao lado de todos, absolutamente todos os governos brasileiros nas ultimas décadas, sem distinção de cor, credo, religião ou traje – podia ser fardado ou à paisana.

“Novo”?

Falar da velhice alheia é um dos atalhos mais conhecidos para uma pessoa fingir-se de jovem e seduzir os menos atentos naquela hora da festa em que a maioria dos seres vivos parece parda. Não vamos falar do PSB de Eduardo Campos. O governador admite que nem estava pensando em termos politicamente geriátricos até a noite de sexta-feira, dedicando-se a recolher, no laço, quem pudesse reforçar suas fileiras de qualquer maneira. Chegou a trazer para sua casa conservadores notórios, inclusive com ligações diretas com o regime militar. Estranho? Nem um pouco. A política brasileira é feita assim.

O errado é querer tingir o cabelo, fazer uma lipo, tomar um banho de butique e pensar que ninguém enxerga os sinais da plástica. Para quem é adversaria assumida das usinas hidroelétricas, é que Marina Silva tenha ingressado no mesmo partido do ex-ministro Roberto Amaral, um dos poucos políticos brasileiros que é partidário declarado de pesquisas nucleares, seja para fins pacíficos, e mesmo para conhecimento da fissão atômica, necessário para a produção de artefatos militares. (Estou 100% de acordo com o ministro nesse ponto).

Que renovação é essa, meus amigos?

Simples. É a renovação de quem procura um palanque, confunde a memória e quer nos fazer acreditar que não houve história. Eduardo Campos é um dos melhores políticos de sua geração. Tem luz própria, formação e capacidade de articulação real.

Mas não vamos esquecer que é produto direto do Brasil envelhecido de repente que agora denuncia. Talvez seja o grande filhote daquilo que a oposição chama de lulismo. Alimento maior de sua popularidade, o crescimento econômico de Pernambuco, muito superior a média brasileira, foi irrigado por verbas preferenciais de Brasília, com tanto empenho que levou os conservadores preconceituosos do Sul-Sudeste a denunciar em 2010 o favorecimento “aos nordestinos” por parte de Lula.

A herança política de Marina é familiar, também. Segundo o Ibope, a segunda opção de 50% de seus eleitores é Dilma. Em função do receio de explicitar a estes cidadãos o enorme grau de sua ruptura do Lula, Dilma e o PT, referencias que fazem parte de sua identidade política essencial, na visão de tantos brasileiros, Marina Silva tem sido bastante cuidadosa em suas declarações. Evita afirmar, em público, os chavões reacionários, inspirados no golpismo venezuelano, que o conservadorismo nativo utiliza para comparar o Brasil de Lula-Dilma com o país de Chávez-Maduro.

Cada eleitor tem o direito de imaginar que tipo de renovação é essa.

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A Amazon do tráfico: como eu comprei drogas na ‘Deep Web’, a Internet que você não vê


Caros agentes do FBI, meu nome é Carole Cadwalladr e em fevereiro deste ano fui convocada para investigar a chamada “Dark Net” para este jornal. Eu baixei o Tor no meu computador, o navegador anônimo desenvolvido pela Marinha dos EUA, pesquisei “drogas da Rota da Seda” (drugs on Silk Road) e depois recortei e colei este link http://silkroadvb5piz3r.onion/ no campo de endereço.

E bingo! Lá estava: Silk Road, o site que o FBI fechou na quinta-feira, quando prendeu um americano de 29 anos de idade, em San Francisco. Era o mais notório mercado da web.

A “Dark Net” ou “Deep Web”, a parte oculta da internet, invisível para o Google, pode soar como um submundo inacessível e obscuro, mas a realidade é que ele está aí, a um clique de distância, no final do seu mouse. Levei cerca de 10 minutos pesquisando e dando download até encontrar e acessar o site naquela manhã de fevereiro, e ao chegar à home page da Rota da Seda foi como tropeçar em um universo paralelo, um universo onde o eBay tinha sido tomado por cartéis internacionais de drogas e uma Amazon que oferece livros, DVDs e alucinógenos.

As drogas eram apenas mais um mercado, e na Silk Road era um mercado exposto, diferenciadas por preço, qualidade, ponto de origem, supostos efeitos e opiniões de usuários de luxo. Havia categorias de “cannabis ” , “dissociativos”, “ecstasy”, “opióides”, “prescrição”, “psicodélicos”, “estimulantes” e, meu favorito, “precursores”. (Se você assistiu “Breaking Bad“, saberá o que é o material que você precisa para fazer determinadas drogas e por que Walt teve de roubar trens e assaltar fábricas por causa de algumas. Ou, se ele soubesse da Silk Road, apenas clicaria em um link de seu navegador).

E, assim como no eBay, havia classificação por estrelas para os vendedores, feedback detalhado, garantias de atendimento ao cliente, um sistema de depósito e um fórum movimentado no qual os usuários postavam dicas. Olhei no fórum de cannabis do Reino Unido, que teve 30 mil postagens, e um vendedor chamado JesusOfRave foi recomendado. Ele teve retorno de 100%, prometeu embalagem especial e vangloriou-se das excelentes opiniões dos clientes: “O nível de atendimento ao cliente faz você muitas vezes esquecer que este é um mercado ilegal de drogas”, disse um deles.

E assim eu pedi “1g de Manali Charras [cannabis] (entrega gratuita no Reino Unido)”, custando 1,16 bitcoins (a “moeda local” então valia cerca de £ 15). Eu usei um nome falso com o meu endereço, e dois dias depois um envelope chegou em minha porta com um endereço em Bethnal Green Road, East London, e um pequeno pacote embalado a vácuo com um torrão de maconha.

Ele ainda está em seu envelope original na gaveta da minha escrivaninha.

Pouco menos de um mês atrás, eu fiquei intrigada ao ver que a revista Forbes tinha conseguido uma entrevista com o “Infame Pirata Roberts”, o administrador do site. E então, na semana passada, veio a notícia de que o Infame Pirata Roberts tinha 29 anos de idade, se chamava Ross Ulbricht, cursava pós-graduação em Física na Universidade do Texas e, de acordo com documentos do FBI, não apenas comandava o site – que alega ter rendido US $ 80 milhões -, mas havia contratado um assassino por US $ 80.000 para apagar um funcionário que tentou chantageá-lo.

Se isso soa muito forçado, papéis apresentados na quinta-feira mostraram que ele tentou um contrato com uma segunda pessoa. O assassino contratado por Ulbricht era um agente federal. Era um final absurdo, surpreendente, de um crime, para um site absurdo e surpreendente.

Exceto, é claro, que não era o fim de tudo. Há dois outros sites semelhantes já em funcionamento – Sheep e Black Market Reloaded – que têm visto uma alta dramática de usuários nos últimos dias, e outros irão certamente aparecer. Porque o que o Silk Road fez pelas drogas era o que o eBay fez por artigos usados e o Airbnb fez por hospedagem: criou um sistema de confiança que beneficiou compradores e vendedores.

Nicholas Christin, professor da Carnegie Mellon University, em Pittsburgh, Pensilvânia, que realizou seis meses de pesquisa no site, disse que o que mais o surpreendeu foi o quão “normal” era. E, embora muitas pessoas estivessem alarmadas com a perspectiva de seus filhos adolescentes comprarem drogas online, a Silk Road era muito mais profissional, regulada e controlada do que o mercado off-line.

O que é evidente na entrevista do pirata Roberts com a Forbes e os comentários que ele fazia no fórum do site é que a motivação por trás do site não parece ter sido ganhar dinheiro (embora claramente ele tenha feito cerca de US$ 1,2 bilhão), ou a crença de que as drogas são a chave para algum tipo de auto-realização mística, mas que o estado não tem o direito de interferir na vida dos indivíduos. Um dos detalhes que permitiram ao FBI rastrear Ulbricht foi o fato de que ele “favoritou” vários clipes do Ludwig von Mises Institute, uma organização libertária baseada no Alabama, dedicada a promover o que é conhecido como a escola austríaca de economia. Anos mais tarde, o Pirata Roberts citaria a mesma teoria no fórum do Silk Road.

“O que estamos fazendo não é vender drogas ou alimentar os traficantes”, disse o Pirata Roberts na entrevista à Forbes. “Trata-se de defender os nossos direitos como seres humanos e nos recusarmos a nos submeter quando não fizemos nada de errado.”

E é isso que é, possivelmente, o aspecto mais interessante da história. Porque, enquanto Edward Snowden e suas revelações mostraram como é abrangente a vigilância do Estado, passou a ganhar tração um movimento de contracultura de ativistas digitais defendendo a importância da liberdade e do individualismo e o direito a uma vida privada longe do controle do Estado.

É a filosofia por trás de inovações tão diversas como sites de armas em 3D e sites mainstream como Paypal, e seus proponentes são jovens idealistas, gênios do computador com habilidades digitais para inventar novas maneiras de contornar o poder do Estado.

Ulbricht certamente não parece ter vivido a vida que você imaginaria de um chefão do crime. Ele morava em um apartamento com um amigo. Se tinha milhões escondidos em algum lugar, eles não foram gastos em carros ou coberturas.

Sua página no LinkedIn, apesar de não ser ideal para a auto-expressão de um homem caçado pelo FBI, demonstra que suas crenças são baseadas na ideologia libertária: “Eu quero usar a teoria econômica como um meio de abolir o uso da coerção e da agressão entre os homens”, escreveu ele. “O uso mais difundido e sistêmica da força ocorre entre as instituições e os governos… a melhor maneira de mudar um governo é mudar as mentes dos governados… para esse fim, eu estou criando uma simulação econômica para dar às pessoas uma experiência em primeira mão do que seria como viver em um mundo sem o uso sistêmico da força.”

A Silk Road, ao que parece, pode ter sido esse mundo.

Carole Cadwalladr | Business Insider
No DCM
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Walters

O Stanislaw Ponte Preta, grande humorista, também escrevia “sério”, mas com outro nome. Escrevia contos e comentários que assinava com seu nome verdadeiro, Sérgio Porto. Stanislaw Ponte Preta era ao mesmo tempo o criador de personagens inesquecíveis e ele mesmo um personagem inesquecivel, criado por Sérgio Porto — seu Walter Ego, como diria o próprio Lalau. Já o Millôr fazia humor e falava sério sem mudar de nome, e nos ensinou que você pode tratar das últimas questões da existência sem perder a graça, ou das mais bobas sem ser bobo.

Graham Greene não mudava de nome, mas dividia sua obra em literatura e o que chamava de “entretenimentos”, que incluíam policiais e comédias. Sua literatura “séria” era fortemente marcada pela desilusão política e a busca da salvação numa conduta ética particular ou na religião. Pode-se imaginar Greene começando um “entretenimento” como quem tira férias das suas angústias, ou troca sapatos apertados por chinelos de dedo.

Nunca ficou claro por que o Fernando Pessoa usava tantos heterônimos, já que a poesia de Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e os outros que ele inventou não era muito diferente da sua. Talvez fosse apenas a vontade, comum a artistas, de ser muitos. No meu caso — note a naturalidade com que pulei de Fernando Pessoa à minha pessoa — foi por necessidade. Quando comecei a trabalhar em jornal uma das minhas funções era escrever para a página de opiniões quando faltavam articulistas, e usava dois pseudônimos que muitas vezes se contradiziam. Nunca chegou a haver polêmica aberta entre os dois, mas o Luis Volpe e Fernando Lopes claramente se odiavam, e viviam trocando farpas.

Luís Fernando Veríssimo
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Arauto das más notícias


Folha destaca apenas dados negativos da Pnad, apesar de a pesquisa ter apontado aumento de renda em 2012

A edição que a Folha fez da pesquisa Pnad, que traça anualmente um quadro social do país, é um prato cheio para quem acha que o jornal só publica más notícias. Todos os destaques pinçados no levantamento eram negativos.

O título na capa informava que "Analfabetismo e desigualdade ficam estagnados no país" (28/9). Em "Cotidiano", havia o aumento da diferença de renda entre homem e mulher, os salários inchados pela falta de mão de obra especializada e o celular como o único tipo de telefone em mais da metade dos lares. A análise dizia que o resultado da pesquisa pode significar "o fim da década inclusiva".

Outros jornais optaram por manchetes do tipo uma no cravo outra na ferradura: "Renda média sobe, mas desigualdade para de cair" ("O Globo"), "Analfabetismo para de cair no país; emprego e renda sobem" ("Estado"), "Em todas as regiões houve aumento de renda, mas a desigualdade ficou estagnada" (Jornal Nacional).

Com seu característico catastrofismo, a Folha fez uma leitura míope da pesquisa, que é muito importante pela sua abrangência - são 363 mil entrevistados respondendo sobre escolaridade, trabalho, moradia e acesso a bens de consumo.

O dado mais surpreendente era que a renda do brasileiro cresceu em 2012, ano em que o PIB subiu apenas 0,9%. Na Folha, esse fenômeno só foi citado no meio de uma reportagem sobre a desigualdade.

Coube ao colunista Vinicius Torres Freire, no dia seguinte, chamar a atenção para o fato de que o Brasil estava mais rico "e não sabíamos". "É possível dizer que a taxa de pobreza deve ter caído bem no ano passado", escreveu Freire.

Pelos cálculos de Marcelo Neri, 50, presidente do Ipea, 3,5 milhões de brasileiros saltaram a linha de pobreza em 2012. "No conjunto das transformações, foi a melhor Pnad dos últimos 20 anos", diz Neri.

A desigualdade parou mesmo de cair, mas foi porque os muito ricos (1% da população) ficaram ainda mais ricos (a renda subiu 10,8%), num ritmo mais rápido do que os muitos pobres (10% na base da pirâmide) ficaram menos pobres (ganho de renda de 6,4%). É claro que não se deve desprezar o abismo social, mas não dá para ignorar que houve uma melhora geral no ano passado, o que é um mistério a ser explicado pelos economistas.

Se o jornal subestimou o dado da renda, deu espaço demais para o fato de o analfabetismo ter parado de cair. Teve nesse ponto a companhia dos outros jornais e da TV.

Depois de 15 anos de queda contínua, a taxa de analfabetismo variou de 8,6% para 8,7%. A diferença, irrisória, pode ser apenas uma flutuação estatística. Nem o fato de a taxa ter parado de cair é importante, segundo os especialistas.

Os analfabetos brasileiros concentram-se, principalmente, na faixa etária mais alta (60 anos ou mais). Os mais velhos, que não tiveram acesso à escola na infância, são mais difíceis de serem alfabetizados. "Entre os jovens, a proporção de analfabetos continua caindo. A conclusão é que, embora nossa educação tenha muitos problemas, este não é um deles", explica Simon Schwartzman, 74, presidente do Iets.

O destaque dado à diferença entre a remuneração de homens e mulheres também foi descabido. Em 2011, a brasileira recebia 73,7% do salário de um homem. No ano passado, era 72,9%.

Além de não ser uma variação muito significativa, pode ser um problema amostral. "As mulheres não estão necessariamente ganhando menos do que os homens. Se elas já têm uma renda média menor, basta crescer a participação feminina no mercado de trabalho para aumentar a diferença entre os sexos", afirma Marcio Salvato, 44, professor de economia do Ibmec.

Entre os bens de consumo, o jornal destacou o celular e as motos. Wasmália Bivar, 53, presidente do IBGE, ressalta a máquina de lavar roupa, presente em 55% das casas. "Para a vida das famílias mais pobres, é um bem de grande significado, porque dá mais tempo livre para as mulheres."

Não é fácil escolher o que há de mais relevante em uma pesquisa extensa como a Pnad, mas não dá para adotar o critério dos piores números. O jornalismo deve ter como primeira preocupação o que vai mal, apontar os problemas, só que o necessário viés crítico não pode impedir que se destaque o que é de fato o mais importante.

Suzana Singer
No fAlha
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Entrevista com Rafael Correa, presidente do Equador


“Em entrevista exclusiva a Russia Today TV, o presidente do Equador, Rafael Correa, compara as declarações de Barack Obama sobre o “excepcionalismo” norte-americano e o discurso nazista, e destaca a dupla moral que há nas relações: para os EUA, na América Latina só há ditaduras; na Europa, só democracias.

Reflete sobre a aliança antinatural entre a imprensa-empresa latino-americana corrupta de direita e uma pseudo extrema esquerda – e comenta os chamados “neoecologistas” (“que lhes interessa a ecologia? Nenhuma direita, antes, jamais se preocupou com a natureza. Agora, de repente, são os maiores defensores da natureza?!”) [ouviu bem, Al Gore?! Ouviu bem, Marina Silva, sua udenista moralista DETESTÁVEL, metida a “excepcional”? Ouviram bem?] que trabalham hoje para prejudicar governos progressistas”.

Ante a pergunta do jornalista sobre “a alternância de poder, a questão da reeleição nos governos”, Rafael Correa riu: “Excelente pergunta para fazer a Angela Merkel”.

Assistam a entrevista completa (em espanhol) a seguir:


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