29 de set de 2013

A cada 5 tomografias uma pessoa recebe radiação equivalente a dos sobreviventes de Hiroshima

O número de tomógrafos por milhão de habitantes, no SUS, no sistema privado brasileiro e em diversos países.

No SUS oferecemos de 30 a 50% do que deveríamos oferecer pelos parâmetros internacionais. O problema nesse caso é a falta de acesso de quem precisa desse exame.

No sistema privado oferece-se o dobro ou o triplo do necessário. Há de duas a três vezes mais tomógrafos nas clínicas privadas brasileiras do que o número de equipamentos disponibilizado para o povo canadense, dinamarquês ou alemão. E o que isso quer dizer?

Quer dizer que essas máquinas precisarão funcionar, que mais médicos precisam fazer radiologia, que mais exames precisam ser solicitados, que mais falsos diagnósticos acontecem, que mais intervenções desnecessárias se sobrevêm, que mais pessoas recebem radiação sem precisar.

Se a cada 5 tomografias uma pessoa recebe radiação equivalente a dos sobreviventes de Hiroshima. Cada clínica de imagem no Japão é uma Fukushima. Eles têm mais do que o dobro de aparelhos do que os americanos. Juan Gérvas.



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Máscaras da violência


A brutal repressão policial contra os professores municipais do Rio de Janeiro, expulsos da Câmara Municipal com uso excessivo da força - incluindo policiais mascarados atacando covardemente e pelas costas cidadãos desarmados, como se pode ver aqui, aqui e em vários vídeos do youtube - é mais uma grave violação do Estado de Direito na capital fluminense e suscita graves preocupações quanto ao livre exercício da democracia no estado.

A ação se deu por ordem direta do governador Sérgio Cabral, atendendo a pedido do prefeito Eduardo Paes ambos do PMDB, principal aliado do PT nos âmbitos estadual e federal. Os professores retomaram a greve no último dia 20, ocupando a Câmara, após terem sido ludibriados pelo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração da categoria apresentado pelo prefeito Eduardo Paes e que, segundo eles, não atende a 93% dos profissionais.

A repressão ao direito constitucional à greve, ainda por cima pacífica já seria, em si, reprovável, por contrariar a Constituição. Sua execução através de inaceitável abuso policial, que humilha uma classe de profissionais historicamente aviltada, figura-se inaceitável em uma sociedade que se quer democrática e demanda uma reação urgente da sociedade civil organizada no9 sentido não só de esclarecer e punir os responsáveis por tal descalabro, mas para cortar na raiz a tendência À repressão inconstitucional e ao excesson de poderio militar que há tempos se verifica no Rio de Janeiro, agravado sobremaneira com o advento das milícias, com as UPPs e como reação aos protestos de junho.

Repressão periférica

A história da cidade do Rio de Janeiro pode ser contada como uma sucessão de processos de reurbanização e reorganização do espaço urbano motivados pela urgência em empurrar os mais pobres para longe das "áreas nobres" da cidade – ou em mantê-los confinados nos morros e subúrbios mais recônditos - e, sob lemas como "progresso", "europeização" e "pacificação", mascarar o apartheid.

Mascarar, no caso, significa forjar uma narrativa positiva e progressista que a um tempo encubra e potencialize a repressão periférica. Esta, em forma de deslocamento ou enclausuramento forçado, assassinato seletivo ou genocídio, repete-se de forma cíclica ao longo da "evolução" da metrópole, de Pessoa de Barros (1889-90) a Eduardo "Milícia" Paes.

A segurança como desculpa

Na administração Pereira Passos (1902-1906), protótipo dessa verdadeira política de "bota-abaixo", tratava-se tanto de um processo de "sanitização" que varresse dos bairros centrais a herança escravocrata quanto de uma operação cosmética que transmutasse a fétida cidade portuária na "Paris dos trópicos". Não é possível entender o ânimo popular e a virulência da "Revolta da Vacina" sem levar em conta tal contexto - que pouco aparece nos jornais da época -, assim como não dá para decifrar as motivações das manifestações de junho último (e sua persistência no Rio de Janeiro) sem atentar para a saturação da paciência popular para temas como (i)mobilidade urbana, carestia e marquetização da política, no bojo de um processo de intensificação de predisposições psicológicas coletivas que, uma vez mais, a mídia mostrou-se incapaz de captar e retratar. A novidade é que foi acompanhada, em sua "distração", pelos blogueiros progressistas, há tempos mais interessados no apoio chapa-branca ao governo petista do que em examinarem com esforço de imparcialidade e desejo verdadeiro de entender os humores da população.

Com picos em períodos em que ao destaque dado ao discurso da "ordem pública" – como na governança de Carlos Lacerda (1960-65), cujos requintes incluíam afogamento sistemático de mendigos – vinha a somar-se a alegada primazia dos assuntos de "segurança nacional" - como com o coronel Etchegoyen à frente da polícia durante o Estado Novo ou com prepostos diversos durante a última ditadura militar, cujo legado maior em relação ao Rio talvez tenha sido, com a ativa colaboração de seu braço midiático, a Rede Globo, a consolidação da imagem do Rio como uma terra de ninguém ultraviolenta sitiada pelo tráfico, a "cidade partida" de que nos fala Zuenir Ventura.

Visão pessoal

A transformação da "Cidade Maravilhosa" em "Cidade Partida" foi um processo longo e doloroso, que acabou por afetar tanto a imagem exterior do Rio, provocando o temor e eventualmente o deboche dos seus vizinhos brasileiros, quanto a autoestima do carioca. Morei no Rio entre 1996 e 2005, quando tal fenômeno atingiu seu auge. Eu adorava a cidade - que me parecia bela, convidativa, sensual, culturalmente mais vibrante (ainda que menos diversificada) que São Paulo – e seus habitantes – que, em sua maioria, me receberam com uma gentileza e um carinho que renovadas vezes me surpreenderam e me emocionam. Mas o abatimento no ânimo carioca era visível, indisfarçável: mesmo pessoas que jamais haviam sido assaltadas ou sofrido qualquer violência física mostravam-se acuadas e temerosas.

Para além do esmero da Globo em manter a população presa a um estado permanente de temor e tensão – muito lucrativo politicamente -, outros dois fatores parecem ter contribuído bastante para tal estado de espírito: a sombra do passado glorioso da Guanabara, a mundialmente celebrada capital federal, berço da bossa nova e da garota de Ipanema, e a certeza de que aquela cidade real ou alegadamente sitiada não estava à altura de sua beleza, de sua pujança, de seu destino, de suas potencialidades.

A aposta na repressão

A soma de tal atmosfera com a baixa autoestima da população propiciou o clima ideal para a adoção sucessiva de medidas truculentas e de soluções repressivas, até chegarmos ao estado atual, em que manifestações públicas são não apenas rotineiramente reprimidas, mas reprimidas com uso excessivo – e gratuito - de força policial. Primeiro veio o endurecimento da legislação concernente ao delito de associação ao tráfico, cuja tentativa de transformá-lo genericamente em "crime hediondo" foi diretamente motivada pela "necessidade" de impedir protestos de habitantes dos morros e de comunidades pobres contra a violência policial indiscriminada – os quais eventualmente interrompiam o trânsito, inclusive na sacrossanta Zona Sul (Cantagalo e Pavão-Pavãozinho), revoltados pelo assassinato de crianças que não pertenceria ao tráfico de drogas, ao contrário do que afirmavam as forças policiais. (O que, por sua vez, deixa clara a institucionalização da ideia de que, se pertencessem, devessem ser mortos - ao invés de submetidos ao devido rito judicial.)

E isso se deu em uma época e que a violência, para além de sua efetividade social, tornou-se, por excelência, a pauta de políticos populistas e de demagogos televisivos, gerando uma visão distorcida da relação entre criminalidade, violência e Direitos Humanos, em que prevalece, de forma quase exclusiva, a ótica punitiva e negativista. Derivam daí os protestos pouco inteligentes que confundem os Direitos Humanos com o que chamam de "direitos de bandido", numa generalização que se baseia em uma confiança irrestrita na distinção ontológica entre "gente de bem" e bandidos, a qual não leva em conta que tal distinção depende, quase sempre e em primeira instância, dos critérios subjetivos de policiais mal pagos e mal treinados – muitas vezes corruptos –, atuando em uma corporação de racismo e classismo entranhados e para uma sociedade em que tais ismos são também correntes, de forma notória, entre as elites políticas e jurídicas que, respectivamente, fazem as leis e julgam os acusados.

UPP, essas esfinge

Nesse cenário, as UPPs surgiram como uma panaceia. Pouco importa que, como demonstra a cientista política Maria Helena Moreira Alves, elas se constituam em ocupações militares que incorporam e significam um estado de exceção que viola sistematicamente a ordem democrática: a sociedade estava disposta a saber que os barracos de seus subalternos seria arrombado no meio da noite, ou que o filho de suas domésticas seriam mortos sob a desculpa de pertencerem ao tráfico, desde que recuperasse autoestima perdida e o prazer de frequentar um boteco no alto do Chapéu-Mangueira.

Assim, mesmo quando as denúncias já se multiplicavam e o modelo das UPPs começava a evidenciar-se como um grande negócio entre poder público, mídia e mercado só possibilitado pela violação rotineira do pacto democrático, o udenismo enraizado no Rio de Janeiro – inclusive entre os setores de centro-esquerda, que apoiaram entusiasticamente as UPPS – preferiu fazer-se de desentendido. Afinal, como observou um taxista, com malícia de filósofo popular e referindo-se ao noticiário de que até o tráfico de drogas persiste, agora com com novas caras, "pelo menos saíram aqueles moleques maltrapilhos e entrou um pessoal fardado. A aparência fica melhor".

A lógica da proibição

O debate recente sobre a cômica proibição do uso de máscaras em eventos públicos relaciona-se diretamente com essa lógica. Ela evidencia a primazia dos critérios racistas e classistas em nossa sociedade – não apenas para as forças policiais, que frequentemente dão mostras de se basearem em tais critérios -, mas da própria sociedade: um dos (falsos) argumentos mais recorrentes entre os governistas que se apressaram em criticar as manifestações de junho foi que seria um ato de classe média, "coxinha": - "Basta olhar as fotos", diziam (num afirmação cujo sentido último é "basta ver a porcentagem de negros e mulatos entre os manifestantes").

Não obstante essas constatações acerca do quão pervasivos são o racismo e o classismo entre nós, é perfeitamente cabível debater se é oportuno ou recomendável o uso de máscara e o apelo à violência nas manifestações, debate que está longe de chegar a um consenso, contrapondo quem defenda a validade de qualquer método de luta política e os que temem que tais usos possam semear a discórdia interna e a antipatia do público, além dos defensores de uma série de posições intermediárias. Mas não se pode "apontar o dedo para aqueles que estão mascarados e esquecer que os protestos foram marcados pela violência do Estado, da violência da policial que, esta sim, em função pública e com boa parte de seu efetivo sem a devida e obrigatória identificação", como apontou o cientista político Walter Hupsel, em seu alerta sobre a criminalização dos protestos. Por fim, não pode ser aceito em uma democracia que o Estado determine, de forma autocrática e unilateral, os rumos dessa discussão, e o faça através de uma proibição contrária à Constituição e que atenta contra os direitos fundamentais da cidadania.

Luta por território

Tudo somado, é preciso ter claro que o grau desproporcional de repressão policial aplicada contra os manifestantes no Rio de janeiro, desde junho, não é "apenas" a decorrência dessa militarização da vida pública, da irresponsabilidade dos governantes ou dos resquícios ditatoriais das forças policiais: ela vem imbuída de um sentimento de vingança pelo fato de os manifestantes terem posto a nu, nacionalmente, a falácia das UPPs – notadamente através do caso Amarildo, que se tornou icônico. Portanto, para além do que revela de despreparo e de certeza de impunidade por parte das forças policiais, evidencia o papel preponderante que estas desempenham em tal esquema, direta ou indiretamente, lícita ou ilicitamente, em público ou em privado. Trata-se um ovo da serpente, de uma militarização do Estado, transferência de poder da esfera civil para a arena militar.

Maria Helena Moreira Alves, em seu livro e em sua entrevista, alerta para o perigo de que o estado de exceção das UPPs, com sua sistematização da repressão periférica – a qual, naturalmente, a cientista política abomina – contamine o restante do tecido social, a começar da classe média. Na noite de ontem, a máscara de sangue no rosto de alguns professores foi a evidência de que tal contágio saiu do período de encubação e se dissemina. Cabe aos democratas estancá-lo.

No Cinema & Outras Artes
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Eike e Barbosa: heróis de Veja dão novos vexames


Petroleira OGX e estaleiro OSX entram com pedido de recuperação judicial nos próximos dias; concordatas das empresas de Eike Batista, dadas como certas pelo mercado, mostram que joias da coroa mostradas pela revista Veja eram, na verdade, de vidro; presidente do STF, Joaquim Barbosa pode ser o motivo da prisão temporária da jornalista Cláudia Trevisan, do Estadão, nos EUA; “crime” dela foi querer acompanhar palestra dele; ‘super brasileiro’ que também foi capa da revista exigiu que repórteres fossem mantidos longe dele; personagens criados pela mídia não batem com a realidade

Duas das maiores apostas editoriais da revista Veja, publicação semanal do Grupo Abril, estão dando novos vexames. A primeira, o empresário Eike Batista, que foi retratado como o maior exemplo de empreendedorismo do Brasil, vai, tecnicamente, assumir a quebra de duas das mais emblemáticas companhias do Grupo X nos próximos dias.

Conforme adiantou 247 na semana retrasada, o mercado já dá como certo que a petroleira OGX e o estaleiro OSX entrarão com pedidos de recuperação judicial. Na prática, serão duas concordatas, que garantirão às empresas o não pagamento de compromissos assumidos com fornecedores, acionistas e credores. Coisa de bilhões de reais em dívidas junto a bancos e ao mercado. Um papelão para aquele que Veja chamou de Eike Xiaoping, a quem os brasileiros deveriam seguir.

Igualmente foi bufão o presidente do STF, Joaquim Barbosa. Ele que foi o principal conferencista da assembleia da Associação Interamericana de Imprensa (Iapa), em maio, em Santo Domingo, mostrou, mais uma vez, que não gosta de repórteres – à exceção, talvez, dos que trabalham para a revista Veja.

Na semana passada, Barbosa fez uma palestra na Universidade de Yale. Entre as exigências, a ausência de jornalistas no auditório. Não se sabe exatamente o que o presidente do STF temia, além de perguntas objetivas, mas o certo é que sua atitude motivou a prisão por cinco horas de uma das principais correspondentes brasileiras no exterior, a jornalista Claudia Trevisan, do jornal O Estado de S. Paulo.

Depois de cumprir todas as formalidades de credenciamento, Claudia entrou no campus de Yale para chegar ao local da conferência. No percurso, foi barrada e presa, sob alegação de descumprimento de determinação policial. Essa determinação era, exatamente, o cumprimento do desejo de Barbosa, de não ter repórteres em seu raio de visão.

Quem leu a capa O Menino Pobre que Mudou o Brasil, de Veja, não poderia ter se surpreendido mais. Do perfil dele sobressaiu um campeão da democracia e dos bons costumes, valente diante dos poderosos, originário da base da sociedade e, portanto, compreensivo com os humildes.

Desde então, o verdadeiro Barbosa, aquele que Veja nem chegou perto de mostrar os seus leitores, gastou quase R$ 100 mil em verbas públicas para reformar os banheiros de seu gabinete no STF, mandou outro jornalista do Estadão "chafurdar no lixo" e, agora, prefere as palestras sem a presença de profissionais da mídia. Até aqui, não se conhece qualquer gesto de solidariedade dele pelo constrangimento a que foi submetida Claudia Trevisan, quanto mais um pedido formal de desculpas.

Pela repetição em endeusar personagens que, do ponto de vista ideológico, pensam como os donos do Grupo Abril, os irmãos Gianca e Titi Civita, é Veja quem deveria pedir desculpas ao seu público. Os perfis de Eike e Barbosa mostraram homens que eles, simplesmente, não são.

Muito menos que um gigante do capitalismo, capaz de estimular o povo a enriquecer, Eike Batista é um anão de grandes jogadas fracassadas. Ele está sendo investigado pela Comissão de Valores Mobiliários, o xerife do mercado de ações, por ter induzido a erro milhares de pequenos investidores, que perderam milhões com o derretimento das ações de suas companhias. A OGX, por exemplo, teve seus papeis cotados a R$ 21, graças a expedientes de divulgação como a capa de Veja. Na sexta-feira 27, cada ação valia tanto quanto uma bala de hortelã, menos de R$ 0,50.

Barbosa é outro que foi apresentado como alguém que nunca foi. Humilde, quem assistiu às transmissões do julgamento da Ação Penal 470 sabe que ele jamais se mostrou. Democrata, condição que deveria constar de sua qualidades como brasileiro que "mudou o país", ele comprova a cada entrevero com jornalistas que nem sempre – ou quase nunca – é.

Bem mais forte que o antigo compromisso de publicar notícias verdadeiras está em vigor em Veja, nos últimos anos, a lei do vale tudo ideológico, pela qual são promovidos os pensam igual aos seus patrões e detratados os demais. Perde quem apostar que Veja vai se emendar.

No 247
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“FHC inventou ‘mensalão’ ‘ao comprar’ sua reeleição”


O coordenador nacional do Movimento dos Sem Terras (MST), economista João Pedro Stédile, diz, com exclusividade ao Diário da Manhã, que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) teria inventado, durante a sua gestão, o mensalão. Para garantir a aprovação, no Congresso Nacional, da emenda da reeleição, em 1997. “Deputados federais foram comprados”, denunciou a Folha de S. Paulo, mas enterraram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que poderia investigar o escândalo, atira o “enfant terrible”.

Aos 59 anos de idade, o torcedor do Grêmio de Porto Alegre (RS) e simpatizante do Corinthians avalia que o Brasil “popular” que foi às ruas, em maio, junho e julho, saiu fortalecido e obteve um aprendizado pedagógico de que a mobilização social é o único caminho para a realização de mudanças estruturais no País. “Dilma Rousseff fez uma autocrítica ao afirmar que precisa ouvir mais as vozes das ruas, mas o seu governo não segue a sua linha”, diz o inimigo público nº 1 do latifúndio e do agronegócio

Animado, ele cobra, hoje, ação enérgica de Dilma Rousseff e do Congresso Nacional para a democratização dos meios de comunicação. Acabar com o pensamento único e os monopólios, metralha. Stédile defende a reforma agrária, lembra que nos últimos dois anos a União não desapropriou terras e quer que Guido Mantega, ministro da Fazenda, e Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, abandonem o projeto de manutenção do superávit primário para impedir a “farra dos banqueiros”.

O dirigente admite que nos últimos quatro anos as lutas no campo perderam intensidade. Existe, hoje, uma avalanche de invasão do capital financeiro internacional na área rural, denuncia. O que alterou a correlação de forças, completa. Com o agronegócio como modelo, eles adquiriram terras e investiram na produção, relata. “Hoje, 68% da produção da cana, no Brasil, que inclui açúcar e álcool, é controlada apenas por quatro empresas: ADM, Bunge, Cargill e Shell”, fuzila, em tom de indignação.

Apesar disso, 100 mil famílias estariam, hoje, acampadas no País. Sob a Era Luiz Inácio Lula da Silva e na administração de Dilma Rousseff o número de mortos no campo caiu para 20 ao ano, diz. Mortos de etnias indígenas, em sua maioria, revela ao Diário da Manhã. “Na época da União Democrática Ruralista (UDR), haviam, em média, 150 assassinatos por ano. Com Fernando Henrique Cardoso ocorreram dois grandes massacres: o de Eldorado do Carajás, no Estado do Pará, e o de Corumbiara, em Rondônia”, observa.

A Polícia Federal, que caçava subversivos durante a ditadura civil e militar e início da Nova República, hoje é aliada do MST nas investigações de trabalho escravo no campo, registra. Stédile afirma que em torno de dois mil casos seriam registrados por ano no País. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) avalia que o número é maior, aponta. Para ele, Dilma Rousseff está em dívida com a reforma agrária. O líder do MST conta que ganhou ação judicial em 1ª e 2ª instâncias contra Veja, mas perdeu no STJ.

Tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto o Supremo Tribunal Federal (STF) são reféns da influência política, acusa. “O Poder Judiciário no Brasil é um poder monárquico, que não passou pela República”, insiste. Stédile acredita que a Ação Penal 470 foi um “Tribunal de Exceção”. Uma vergonha, dispara. O ex-ministro-chefe da Casa Civil é inocente. É um homem pobre. Não se beneficiou de esquema nenhum. Estou convencido disso”, frisa. Nunca Karl Marx foi tão atual quanto hoje, filosofa.

Renato Dias
No Diário da Manhã
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Policiais espancam professores na Câmara Municipal do Rio de Janeiro


Mídia Ninja
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Falso audio de Hugo Chávez busca desmoralizar las fuerzas revolucionarias

El segundo vicepresidente del Psuv, Diosdado Cabello,
dijo que la oposición quiere hacer que el pueblo no vote
en las próximas elecciones.
El primer vicepresidente del Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, afirmó que el falso audio difundido en ese país donde se hace pensar que el Comandante Supremo Hugo Chávez está vivo, busca desmoralizar las fuerzas revolucionarias.

Al respecto, el también presidente de la Asamblea Nacional venezolana, señaló que detrás del sonido con una supuesta llamada del mandatario a su hermano Adán Chávez el pasado 16 de septiembre, está el venezolano J.J. Rendón a quien calificó como “vendepatria” y “malnacido”.

Dijo que estas acciones buscan lograr que el pueblo no salga a votar en las próximas elecciones del 8 de diciembre que se realizarán en Venezuela para elegir las representaciones locales.

“Eso es para desmoralizar a nuestra gente, para que un sector nuestro se inhiba como se inhibió el 14 de abril y no vaya a votar” dijo el alto político venezolano.

Insistió en la necesidad de acoger las palabras del Comandante Hugo Chávez del 8 de diciembre cuando pidió unidad, lucha, batalla y victoria al pueblo y la militancia revolucionaria.

“Nos lo pidió y nos dio una orden, y esa orden hay que cumplirla”, sostuvo.

Con respecto al sonido, expresó que todos los revolucionarios quisieran que el audio fuera cierto y que el Líder de la Revolución bolivariana estuviera con vida.

“Ojalá eso fuera cierto, que en verdad nuestro compañero, camarada, hermano Hugo Chávez estuviera vivo (…) seríamos los más felices de la tierra, porque nosotros sí queremos a Hugo Chávez, amamos a Hugo Chávez, lo respetamos, lo adoramos y no nos da pena decirlo”, concluyó.

Un supuesto audio del Líder de la Revolución, Hugo Chávez, que fue colgado en el sitio web SoundCloud, se propagó por las redes sociales. El mensaje con la supuesta voz de Chávez pretende hacer creer a los venezolanos que no está muerto y que el Gobierno mintió sobre su fallecimiento.

El Sistema Bolivariano de Información y Comunicación (SibCI) informó este sábado que la grabación parece ser en realidad una nota de voz grabado en septiembre de 2011 por Chávez, horas antes de viajar a La Habana, capital de Cuba, para someterse a quimioterapias, como parte de su tratamiento y lucha contra el cáncer.

Juan José Rendón, conocido como J.J Rendón, asesoró a los fallecidos expresidentes venezolanos Carlos Andrés Pérez y Rafael Caldera durante sus campañas para las elecciones de 1987 y 1993.

Fue el cerebro detrás del triunfo de la campaña del actual presidente de Honduras, Porfirio Lobo, cuya elección se realizó en el marco de golpe de Estado contra Manuel Zelaya

J.J Rendón, consultor político internacional y quien ha asesorado además las campañas presidenciales de Juan Manuel Santos, Álvaro Uribe, en Colombia; y Enrique Peña Nieto, en México, manifestó en medios internacionales sus “dudas” con respecto a la enfermedad que padeció el comandante Hugo Chávez y que lo llevó a su muerte el pasado 5 de marzo.

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Não é fácil ser Zé Dirceu

Marcação cerrada

Não é fácil ser Zé Dirceu. E nem ter qualquer tipo de relação com ele. Namoradas, então, são um alvo constante.

Recebi logo pela manhã, pelo Facebook, o link de um artigo de Josias de Souza, blogueiro do UOL. Ele espalhava uma (suposta) informação que saíra na Veja: a (alegada) namorada de Dirceu conseguira um emprego no Senado.

Você pode imaginar os detalhes dados, do salário à carga horária: em suma, segundo a Veja e Josias, ela ganha muito e trabalha pouco.

Não vou discutir aqui a credibilidade da Veja. Mas não posso deixar de lembrar que, em sua louca cavalgada rumo à direita, a revista apresentou Maycon Freitas como “a voz que emergiu das ruas”, nos protestos de junho.

A credencial de Maycon, logo se veria, era falar exatamente o que a Veja queria que ele falasse. Sozinho, ele não mobilizava pessoas capazes de lotar uma padaria no domingo.

Mas volto ao caso em questão.

A funcionária do Senado apedrejada, Simone Patrícia Tristão Pereira, tem vida profissional anterior, como uma simples pesquisa no Google mostra.

Em 2011, o governador do Estado de Tocantins, Siqueira Campos, a nomeou assessora especial da Secretaria da Cultura.

O governador, apenas para registro, é do PSDB. Isto quer dizer o seguinte: a informação que você está lendo aqui, no DCM, não vai aparecer em nenhum lugar que quer atacar Simone e, por ela, Dirceu.

Também é bom lembrar que o “moralismo” impregnado na “denúncia” não se manifestou, jamais, quando Serra arrumou empregos para Soninha e familiares no governo paulista.

A mídia também jamais colocou em dúvida a competência do então genro de FHC, David Zylbersztajn, quando ele foi colocado à frente da Agência Nacional do Petróleo no governo do sogro.

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Ninguém questionou sua competência para o cargo

Antes da ANP, e já genro do FHC, o então governador Mário Covas deu a ele a Secretaria da Energia. Mas claro: aí era, para a mídia, talento, mérito, e não nepotismo.

Zylbersztajn deixou a ANP pouco depois de se separar da filha de FHC. Hoje, ele tem negócios da área de energia, e ninguém questiona a ética disso. Assim como ninguém cobra de Malan, ou de Gustavo Franco, posições pós-governo lucrativas.

Dirceu, em compensação, é constantemente massacrado por qualquer coisa que faça. Lembro de um Roda Viva em que ele fez a pergunta vital: “Não posso trabalhar?”

A Veja simplesmente ignorou a notícia do emprego que a Globo deu ao filho de Joaquim Barbosa. Cinicamente, alguém poderia dizer: mas é uma empresa.

Ora, quem acredita nessa desculpa acredita em tudo. É o chamado “nepotismo cruzado”. Emprego seu filho, mas você sabe que me deve um favor.

A Globo está no meio de um escândalo – não coberto pela mídia – de sonegação e trapaça fiscal. Neste caso apenas (há outros), deve em dinheiro de hoje 1 bilhão de reais.

O presidente do STF deve empregar o filho numa empresa em tal situação?

O Brasil tem que ser reformado, é verdade. Mas a reforma que a mídia propõe se centra na manutenção de todos os seus privilégios, acrescidos de mais alguns, se possível.

Para isso, vale tudo – a começar por dar ares de escândalo a qualquer coisa que possa atingir quem ela julga ser seus inimigos, como Dirceu.

Paulo Nogueira
No DCM
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Diretor do beneficente “Conselho para a Pobreza dos Judeus” é acusado de roubar milhões


Pouco depois que William E. Rapfogel se tornou líder de uma das organizações de serviços sociais mais influentes de Nova York, em 1992, começou a roubar, dizem os promotores.

Ele recebeu envelope atrás de envelope recheado de propinas em dinheiro de acordo com uma queixa-crime apresentada na última terça-feira (24). Também foram citados um cheque de US$ 27 mil em nome de um empreiteiro que reformava seu apartamento, cerca de US$ 100 mil para ajudar seu filho a comprar uma casa, e um esquema de financiamento de campanha que manipulou as regras de financiamento, aumentando as contribuições de campanha de forma fraudulenta para favorecer políticos municipais que forneciam subsídios do governo à sua organização.

Durante mais de duas décadas na organização sem fins lucrativos ‘Conselho Metropolitano de Nova York Para a Pobreza dos Judeus’, Rapfogel e dois cúmplices roubaram mais de US$ 5 milhões, a maior parte em dinheiro dos contribuintes, informa a denúncia, que detalha os esquemas e acusa Rapfogel de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e outros crimes.

Parte do dinheiro foi para os cúmplices, que não foram citados na denúncia; parte foi dirigido para políticos e organizações políticas. Rapfogel, um homem cujas ações e ligações tornaram seu nome quase um sinônimo das causas filantrópicas judaicas da cidade, foi acusado de guardar mais de US$ 1 milhão para si.

Os envelopes recheados de dinheiro claramente somavam esse valor. Os investigadores encontraram US$ 400 mil escondidos em seu apartamento no Lower East Side – uma fatia considerável em seu armário – e em sua casa em Monticello, Nova York, de acordo com a queixa e uma pessoa a par do assunto.

Rapfogel reconheceu ilegalidades, sem especificar, quando a organização de caridade, conhecida por muitos como Met Council, descobriu as impropriedades financeiras e o demitiu no mês passado. Ele fez uma declaração dizendo: “Lamento profundamente os erros que cometi que levaram à minha saída.”

Na terça-feira, Rapfogel, vestido com um terno azul, camisa branca e sem gravata, foi acusado num breve processo perante o juiz Kevin McGrath no Tribunal Criminal de Manhattan. Ele não entrou com um apelo e renunciou ao direito de um julgamento rápido, uma atitude que sugere que ele estava ou estará envolvido em negociações de apelo. McGrath o libertou sob uma fiança de US$ 100 mil.
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EUA: Republitucanos trocam a reforma da saúde pelo orçamento do Estado


O congresso estadunidense prossegue a batalha orçamentária com os republicanos, majoritários na câmara dos representantes, a fazerem passar uma emenda que retarda um ano a entrada em vigor do Obamacare.

A reforma da saúde implementada por Barack Obama está a impedir a aprovação do novo orçamento, que deve entrar em vigor a 1º de outubro.

Para os republicanos, os custos da reforma são insuportáveis. O congressista Jack Kingston lembra que ascendem a um sexto do orçamento.

Por seu lado, Obama continua a repetir que está fora de questão abdicar daquela que foi a sua maior promessa aos americanos:

"Alguns ameaçaram fazer cair o governo se não conseguirem derrubar esta lei. Outros ameaçaram criar o caos econômico recusando pagar as contas do país, se não conseguirem atrasar a reforma. Isso não vai acontecer enquanto eu for presidente".

Com o veto presidencial e a rejeição da emenda pelo senado, milhões de americanos poderão começar já na terça-feira a subscrever uma cobertura de segurança social subvencionada pelo Estado.

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Blogs atormentam Gilmar Mendes


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve ter pesadelos diários com os chamados blogs progressistas – também rotulados por seu fiel amigo, José Serra, de “blogs sujos”. Ele já ingressou com processos contra blogueiros e jornalistas independentes e também tentou asfixiar financeiramente as páginas na internet que o criticam. Nesta semana, em matéria no sítio da revista Veja, ele voltou a explicitar o seu trauma.

Diante das críticas do ministro Celso de Mello ao assédio que sofreu da velha mídia por ocasião do seu voto favorável aos embargos infringentes, o truculento Gilmar Mendes se fez de vítima: “Muitos ministros ficaram sob um ataque fortíssimo de blogs e de órgãos da mídia que são vinculados a determinados réus. E nem por isso ninguém tem reclamado”. Ele e outro ministro do STF, Marco Aurélio Mello, também defenderam a cobertura da “grande imprensa” no midiático julgamento do chamado “mensalão do PT”.

Depois do ex-senador Demóstenes Torres, que foi chamado de “mosqueteiro da ética” pela Veja, o ministro Gilmar Mendes é hoje um dos principais ícones da mídia tradicional. Tudo o que ela fala é destaque nas revistonas, jornalões e emissoras de tevê. Até suas bravatas e besteiras! Quem patrocinou “ataque fortíssimo” no julgamento do STF foi exatamente a mídia monopolizada e manipuladora – que julgou, condenou e executou sumariamente os réus do “mensalão”. Gilmar Mendes sabe disto, mas se finge de inocente!

Ele teme as criticas na internet – na qual já foi batizado de “Gilmar Mentes” e “Gilmar Dantas”. Sabe que os “blogs sujos” fazem o contraponto às distorções do Partido da Imprensa Golpista (PIG). Mas o truculento ministro não tem como barrar os avanços no setor. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta semana, 83 milhões de pessoas, com 10 anos ou mais, declararam ter acessado a rede mundial de computadores no ano passado, o que corresponde a 49,2% da população nesta faixa de idade.

Na comparação com 2011, quando 77,7 milhões de brasileiros acessaram a internet, o crescimento foi de 6,8%. E o aumento do número de internautas se deu principalmente entre os mais jovens. Segundo reportagem da Agência Brasil, “no grupo de 15 a 17 anos, a proporção chega a 76,7%. Entre os que têm 50 anos ou mais, 20,5% acessam a internet”. Estes números devem atazanar os sonhos do ministro Gilmar Mendes. Se dependesse dele, a internet nem teria sido inventada ou seria censurada. Ela dá muitos pesadelos!

Altamiro Borges
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Unos 40 estudiantes mueren en Nigeria tras ataque de grupo radical islámico


Militantes del grupo radical islámico armado, Boko Haram, asesinaron en la madrugada de este domingo a 40 estudiantes, tras atacar la residencia de un centro de educación secundaria del estado de Yobe, al norte de Nigeria.

La información fue confirmada por fuentes del hospital general de Damatru (capital de lo estado), donde ingresaron a los heridos.

"Ahora tenemos 40 cadáveres en la morgue", dijo la fuente citada por la agencia AFP. Según el informante, se cree que todas las víctimas son estudiantes de la facultad de Agricultura de Gujba.

Otras cuatro personas están siendo tratadas por heridas de bala, añadió la misma fuente que pidió permanecer en el anonimato.

Por su parte, el director del Colegio de Agricultura, Molima Idi Mato, confirmó el hecho, así como también informó que los atacantes prendieron fuego a las aulas del colegio, del que alrededor de mil estudiantes lograron escapar.

El hecho ocurrió la madrugada de este domingo, en la localidad de Gubja, a unos cincuenta kilómetros al sur de Damatru, la capital del estado.

El ataque comenzó a primera hora del mañana, cuando "terroristas de Boko Haram entraron en la escuela y abrieron fuego contra los estudiantes" mientras dormían indicó Lazarus Eli, un portavoz militar de Yobe.

El ataque sucedió horas después que el Gobierno nigeriano informara de la muerte de 27 personas en otros dos ataques del grupo fundamentalista en el estado de Borno (sureste).

Boko Haram, cuyo nombre significa "la educación occidental es pecado", ha matado a cientos de personas en cuatro años de insurgencia y lucha por imponer la Sharía o Ley Islámica en el país africano, de mayoría musulmana en el norte y predominantemente cristiana en el sur.

El grupo terrorista ha perpetrado una serie de ataques contra escuelas y universidades del estado de Yobe, matando a cientos de estudiantes de diferentes edades.

El pasado mes de julio, el gobernador del estado de Yobe, Ibrahim Geidam ordenó el cierre de las escuelas de esta zona tras un atentado contra otro centro educativo en Mamudo en el que murieron 29 estudiantes y un profesor. Las centros de educación reabrieron hace apenas dos semanas.


No teleSUR
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A Folha, suas “folhices” e o pundonor da hipocrisia


A capa da Folha de S. Paulo, hoje, é um primor.

Manchete em letras garrafais para um enorme escândalo de corrupção.

Doze pessoas, todas pobres, no Mato Grosso e no Piauí, aparecem “doando” entre R$ 300 e 600 reais para a campanha presidencial de Dilma Rousseff quando teriam, na verdade, trabalhado como “cabos eleitorais” remunerados no segundo turno.

Jesus!  Como sabemos, todas as pessoas que seguravam placas e faixas de candidatos, de sol a sol, o faziam por intensa militância e consciência política, não é?

A República está chocada com esta revelação.

Já não se trata de um escândalo de sonegação como o da Globo, coisa pouca, aí de R$ 1,2 bilhão, com um processo misteriosamente roubado de dentro da receita e que deu até condenação criminal para uma humilde agente administrativa apanhada para “bode expiatório”.

Nem de coisas insignificantes, como a venda da Vale por um cinquenta avos do seu valor, ou a entrega de alguma grande estatal…

Não, agora é um caso gravíssimo, que justifica mandar um “enviado especial” para o Piauí e para o Mato Grosso e abrir manchete dominical!

Claro, um jornal comprometido com a verdade como a Folha, incapaz de publicar levianamente acusações ou armações, como uma falsa ficha policial de Dilma Rousseff às vesperas da campanha eleitoral, um jornal que é o esteio da moralidade pátria, não pode concordar que dois motoboys, por terem recebido 300 reais e uns dez litros de gasolina para encherem o tanque de seus possantes veículos, jamais poderia se calar diante de situações que, pela sua gravidade, influíram decisivamente num pleito de 120 milhões de eleitores.

Não, a Folha não abre mão do seu papel exemplar, até porque tem compromissos com as formação de nossas crianças, expressos – vê-se como – nos 5.200 exemplares que lhe compra o Governo Alckmin para distribuir nas escolas paulistas.

E, de forma exemplar assim, certamente vasculhou as contas eleitorais de Serra e Alckmin onde, é claro, não considerou relevante a sra. Ana Maria Gontijo, mulher de um dos filmados – veja aqui como ele, o “Zé Pequeno” é bonzinho com a turma do Arruda – ter doado R$ 8,25 milhões à campanha do tucano em 2010.

O fato do marido desta fada madrinha ter uma empresa que prestou serviçoes no Governo Serra e Alckmin não é interessante jornalisticamente.

Afinal, são negócios, mesmo que prostituídos.

Grave, mesmo, é o motoboy do Piauí não ter trabalhado apenas por apenas por amor.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Desenhista frustado

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O cuco infatigável: Serra, FHC e Economist


Com a sincronia infatigável dos ponteiros de um cuco, e uma notável harmonia de enredo e afinação, três paladinos dos interesses conservadores vieram a público, na semana que finda, opor reparos à condução das coisas no país.

A perda de confiança no governo é o diapasão que rege o conjunto.

Que os indicadores da economia, os da confiança dos consumidores – a dos eleitores, inclusive, mostra o Ibope, com Dilma a vencer no 1º turno - desenhe uma curva inversa, pouco lhes importa.

Importa-lhes, acima de tudo, desautorizar um governo que trocou a ênfase nas reformas neoliberais pelo intervencionismo econômico.

‘"Vamos ter de nos reorganizar para restabelecer a confiança", convocou FHC em ordem unida ministrada a empresários mineiros, na quarta (25).

‘Quando o Estado sufoca, ‘os que empreendem ficam com medo’, pontificou o tucano, de longe um especialista na arte de encorajar o capital.

Na quinta (26), foi a vez de José Serra ir ao ponto.

“O governo decidiu, em 2010, implantar um modelo de partilha para novas explorações no pré-sal, obrigando a Petrobrás a deter pelo menos 30% do capital e criando uma nova estatal - Petrosal! que controla o comitê gestor de cada campo’, arrepiou-se em exclamativos, no seu artigo no jornal ‘O Estado de SP’.

O resumo da ópera veio impresso na edição especial da revista The Economist, que seguiu na mesma toada: ‘"Será que o Brasil estragou tudo?", pergunta a bíblia neoliberal para oferecer suas respostas em 14 páginas.

Nenhuma dedicada à questão essencial do desenvolvimento brasileiro nos dias que correm: o desafio de recuperar a competitividade da indústria e inscreve-la na grade das cadeias globais.

Nada que se resolva com a bala de prata da abertura radical do mercado, receitada como panaceia pelos cucos de bico longo.

Ao contrário até.

A tarefa convoca um salto em tecnologia, a coordenação do câmbio e a blindagem do país contra a volatilidade financeira internacional.

Mais que isso.

A rigor, coloca na ordem do dia a questão do controle de capitais. 

Não é essa, por certo, a hierarquia das prioridades grasnadas por Serra, FHC ou a The Economist.

O oposto que os mobiliza condensa-se na inquebrantável disposição de frustrar o modelo de partilha do pré-sal, cujo 1º leilão ocorrerá dia 21 de outubro.

O que uma coisa tem a ver com a outra?

Para entender é importante conhecer melhor um regime regulatório que tem sido alvo, ao mesmo tempo, da dureza crítica da esquerda e do mutirão conservador.

Basta ir direto ao anátema que mereceu um exclamativo eriçado no artigo de Serra, a Pré-Sal Petróleo S.A, para entender o que está em jogo.

Trata-se da operadora estatal exclusiva de todos os campos do pré-sal.

Na prática, exerce o papel equivalente ao da gerência de um projeto público que tenha sua execução fatiada (por leilão) a agentes privados.

A estes, no caso, caberá prestar um serviço: a extração do petróleo.

Cujo dono continua sendo o país.

As relações da PPSA com as petroleiras serão tensas.

A estatal controlará toda contabilidade da exploração, incluindo-se o grau de eficiência das múltis, seus custos e lucros.

Para exercer seu poder de comando, terá o controle de metade das cadeiras do comitê gestor de cada campo.

Cabe ao comitê decidir, por exemplo, qual será o custo equivalente em barris da exploração do petróleo.

Fixado o parâmetro, define-se a sua contrapartida: o petróleo excedente (excedente do custo de exploração).

É sobre esse ‘excedente’ que incide a parte do governo no volume total extraído dos campos: a ‘partilha’ do pré-sal, que será, no mínimo, de 41,5% .

É esse, portanto, o lance mínimo do leilão que ocorrerá no dia 21 de outubro. Mas o objetivo é justamente forçar a competição para produzir lances maiores, com ofertas de partilha mais vantajosas ao país.

Há, ainda, os royalties, elevados de 10% para 15% por barril na regulação do pré-sal.

A PPSA controlará toda essa contabilidade.

Com poderes incontrastáveis.

Em caso de impasse no comitê gestor, ela detém o voto de Minerva.

Cabe-lhe, ademais, o poder de veto sobre decisões que possam ferir o interesse nacional.

Quais decisões?

Por exemplo, controlar o ritmo da exploração; controlar o volume de petróleo exportado; controlar o índice de nacionalização dos equipamentos e encomendas requeridos em cada etapa do processo.

Esse poder dosador dá ao Estado brasileiro a possibilidade de transformar o ciclo do pré-sal num impulso industrializante gigantesco.

E de características inéditas na história do desenvolvimento: reside aí o vínculo com a disjuntiva que separa a visão progressista da receita conservadora para os gargalos da industrialização brasileira.

A singularidade mais relevante do modelo de partilha consiste em agregar um estratégico espaço de planejamento à luta pela regeneração da estrutura industrial do país.

A PPSA funciona como um pé de cabra que arromba a caixa preta introduzida pelo governo FHC na história do petróleo nacional.

A perda de controle veio com a quebra do monopólio , em 1995, seguida da sua operacionalidade, o regime de concessão, adotado em 1997.

Essa modalidade, ainda vigente em poços fora do pré-sal, faz da empresa exploradora a dona absoluta do óleo.

Mediante pagamento de bônus de assinatura e royalties, petroleiras internacionais se autorregulam (afinal, os mercados são autorreguláveis, não?).

Compete-lhes, assim, definir seus próprios custos, estabelecer o ritmo da exploração e exercer a prerrogativa sobre o destino do óleo extraído.

No limite, podem exportar o ‘seu’ petróleo mesmo havendo escassez interna.

A mudança introduzida no regime do pré-sal, se bem sucedida, sobretudo em tonificar a estrutura industrial do país, provocará redefinições sensíveis na disputa política e no imaginário social.

Pode regenerar a combalida imagem do interesse público como planejador e gestor direto do desenvolvimento da Nação.

Entende-se, portanto, a inquietação do infatigável cuco encarregado de nos lembrar, de hora em hora, de ciclo em ciclo, de crise em crise, que o Brasil não sabe, o Brasil não deve e o Brasil não pode, sob quaisquer critério, assumir o comando do seu próprio destino.

Nunca é suficiente repetir: ‘assumir o comando do seu próprio destino’, era assim que Celso Furtado definia a luta épica embutida na palavra 'desenvolvimento'.

O cuco conservador arrepia as penas só de ouvir.

Saul Leblon
No Blog das Frases
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Sedução

(Da série “Poesia numa hora destas?!”)

Esta sacada para o Gran Canal

esta Lua de cartão-postal

(depois de um pôr de sol do Tiepolo)

este salão descomunal

e um mordomo chamado Manolo...

As lagostas do jantar

os filés, o manjar

o cheque sob o “rechaud”

as frutas do meu pomar

e os vinhos do meu “chateau”...

Um final de fantasia

pavê e ambrosia

junto com um grande “apfelstrudel”.

E ao fundo (covardia)

Miles Davis no “flugel”...

Na cama em forma de nau

ela não pode conter um “uau”

de sacudir o palazzo inteiro.

Não sei se foi meu “know-how”

ou a joia no travesseiro.

Pois o chocolate suíço

os pavões e o serviço

o Rolls-Royce e este show...

Será que ela liga pra isso

ou me ama pelo que eu sou?


O IMITADOR

“João, imita cachorro”

dizia a cruel Maria

dando o pé pra ser lambido.

“Agora imita cavalo”

e virava no outro sentido.

“João, imita tapete”

dizia a cruel Maria

quando o queria rasteiro.

Ou “imita caixa automática”

quando queria dinheiro.

E um dia a cruel Maria

disse “João, imita gente”

e disse o João “imito quem?”

“Sei lá, qualquer pessoa,

você vai pensar em alguém”

E João, o imitador,

imitou Jack, o Extirpador.


OBSERVAÇÃO ANTROPOLÓGICA

Se agarram, rolam pelo chão, abraçados, e se beijam com fervor...

Ou foi gol, ou é amor.


O SEDUTOR MÉDIO

Vamos juntar

nossas rendas e

expectativas de vida

querida,

o que me dizes?

Ter 2,3 filhos

e ser meio felizes?


O SEDUTOR INTELECTUAL

Eu diria algo brilhante sobre soutiens com enchimento

Mas não é o momento, não é o momento...

Te contei que minha miopia regrediu?

Desculpe, é nervosismo, viu?

Não vá, espere, não desista de mim

eu nunca desisti, não me deixe assim.

Daqui a pouco, garanto, um outro se ergue,

eu sou só a ponta de um iceberg.

Luis Fernando Verissimo
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Exjefe de policía secreta del dictador Pinochet se suicidó este sábado

El general Odlanier Mena, de 87 años, estaba condenado
a seis años de presidio por la muerte de tres militantes
socialistas, en 1973.
(Foto: Elcomercio.pe)
El exdirector de la Central Nacional de Informaciones (CNI), Odlanier Mena, quien trabajó durante la dictadura militar en Chile en 1973, se suicidó este sábado de un disparo en la sien, a pocas horas de materializarse un traslado de la cárcel donde estaba a otra.

Fuentes policiales informaron que Mena se encontraba en su domicilio gozando de un beneficio de fin de semana, siendo el único de diez internos que contaba con dicho privilegio en el penal Cordillera, ubicado en el oriente de Santiago (capital) .

El portal emol.com, reseñó que fuentes cercanas a la Fiscalía, informaron que el deceso se produjo en horas de la mañana en su domicilio. Al lugar acudió “el fiscal de la zona oriente Roberto Contreras para constatar si efectivamente se trató de un suicidio o si hay participación de terceras personas” destaca el medio.

Por su parte, el teniente de Carabineros, Claudio Rojas, detalló en una emisora radial local que Mena estaba en su departamento "acompañado de su esposa y familiares", pero se quitó la vida en la escalera de servicio del edificio.

La CNI era denominada la policía secreta durante la dictadura de Augusto Pinochet. Mena era el general y exjefe de la mencionada central policial. Con 87 años, fue condenado por la muerte de tres militantes del Partido Socialista por el caso conocido como Caravana de la Muerte.

El pasado jueves, el presidente de Chile, Sebastián Piñera, anunció el cierre del penal Cordillera, en Santiago y que serán trasladados a otra prisión especial para violadores de los derechos humanos, situada a 35 kilómetros al norte de Santiago.

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'Competência penal do Supremo deveria ser reduzida'

Hoje, qualquer tema criminal chega ao Supremo Tribunal Federal, seja ele constitucional ou não. Por isso, a corte deveria ter sua competência reduzida. A opinião é do ministro Teori Zavascki, que assumiu o posto em novembro do ano passado e já teve de julgar o processo mais volumoso da história da corte, a Ação Penal 470, sobre o mensalão. “No meu voto sobre o cabimento de Embargos Infringentes, eu disse que a competência originária deveria ser reduzida drasticamente, ou até ser eliminada em matéria criminal”, afirma. 

O ministro foi o homenageado do XVII Congresso Internacional de Direito Tributário da Associação Brasileira de Direito Tributário (Abradt), que acontece em Belo Horizonte desde a última quarta-feira (25/9). O evento tem como tema central o Federalismo e a Tributação.

Zavascki falou ainda sobre a dependência das políticas fiscais em relação ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Para ele, como cada estado no tem poder de veto no conselho e mudanças dependem de decisão unânime, basta apenas um voto contrário para vetar qualquer política fiscal. E isso estimula a guerra fiscal.

“A exigência da unanimidade no Confaz estabelece limites e um tratamento formalmente igualitário, mas que pode importar numa desigualdade material. Isso é um problema político”, diz.

Leia e entrevista:

ConJur — Com o fim do julgamento do mensalão, o Supremo volta à sua rotina. Quais são os temas mais relevantes a serem apreciados?

Teori Zavascki — Só de Direito Tributário temos mais de 120 processos esperando julgamento. O Supremo está com um déficit muito grande de processos pendentes. O sistema de repercussão geral impôs ao Supremo ônus adicional de julgar essas matérias. São temas selecionados que têm, como o próprio nome diz, repercussão geral, e suspendem a tramitação de todos os processos desse assuntos no Brasil.

— Os ministros estão ansiosos para julgar outras matérias?

 Já começamos a julgar outros processos. Essa semana tinha programado oito ou nove desses temas em matéria administrativa e tributária, além de alguns processos penais. Na quinta-feira (26/9) começamos o julgamento de um processo contra um deputado federal. O juiz não pode ficar ansioso por temas, o juiz não escolhe os processos.

— O julgamento da AP 470 vai ficar para o ano que vem?

 Não sei.

— Cinquenta e três sessões de julgamento apenas de um caso não é um exagero levando-se em conta tantos outros processos?

 Sim. Os processos de competência originária são um problema, por exemplo. No meu voto na Ação Penal 470 sobre o cabimento de Embargos Infringentes, eu disse que a competência originária deveria ser reduzida drasticamente ou até ser eliminada em matéria criminal.

— Apesar de ter repercussão geral, ainda chegam ao Supremo muitas ações que não tratam de questões constitucionais, principalmente na área criminal.

 Esse é o principal problema. Hoje, qualquer tema criminal chega ao Supremo, seja constitucional ou não. O STF dedica um tempo muito grande a questões penais não constitucionais. E isso tem o custo da demora e de travar processos. Sou partidário de que o Supremo, para se viabilizar institucionalmente, tenha sua competência reduzida no futuro.

ConJur — Como isso seria feito?

 Mediante reformas constitucionais que abordem, por exemplo, o foro por prerrogativa de função. A essa altura, o tema está maduro. Parece que há um consenso no sentido de que a redução de competência do Supremo em matéria penal é um passo que tem que ser dado.

— Apesar do federalismo, o país, principalmente na área tributária, vê desequilíbrios entre os entes. Como o ministro avalia esse quadro?

 O país segue o modelo federalista, mas tem vários problemas, inclusive operacionais. O federalismo foi implantado a partir de uma certa autonomia dos estados e municípios, e tem a União que, na área fiscal, mantém uma posição de preponderância. Compete à União estabelecer políticas publicas para reduzir a desigualdade.

— A crítica é que os estados e municípios não têm autonomia financeira e, consequentemente, acabam não tendo autonomia política. A guerra fiscal é fruto de uma crise do federalismo?

 Sim. Essas iniciativas estaduais de conceder isenções e incentivos fiscais para atrair indústrias são um mecanismo de defesa contra os estados mais ricos e industrializados. Isso estabelece a guerra fiscal, que é um problema de federalismo.

— Mas buscando mais autonomia, os estados atropelam o Confaz.

 Exatamente. Porque hoje as políticas fiscais na área de ICMS são muito dependentes do Confaz. E o conselho só pode tomar certas decisões por unanimidade. Cada estado tem poder de veto. Basta um estado ser contra que fica vetada qualquer política nessa área. Então, se estabelece a guerra fiscal.

— A necessidade da votação unânime no Confaz é um entrave?

 Sim. A exigência de unanimidade no Confaz estabelece limites e um tratamento formalmente igualitário, mas que pode importar numa desigualdade material. Isso é um problema político. No âmbito jurídico, as coisas estão estabelecidas.

Livia Scocuglia
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Denúncias de espionagem podem favorecer Marco Civil da Internet

Rio de Janeiro – No duro discurso contra a espionagem eletrônica praticada pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) realizado na abertura da 68ª Assembleia Geral da ONU, a presidenta Dilma Rousseff sugeriu a adoção de um “marco civil multilateral para a governança e o uso da internet” e anunciou que o Brasil está prestes a adotar seu próprio Marco Civil da Internet, que poderia servir como base para uma proposta global baseada em pontos como a neutralidade da rede, a garantia de privacidade e de liberdade de expressão para os usuários, a orientação inclusiva e a gestão democrática, entre outros. Com forte repercussão internacional, as palavras de Dilma podem ter funcionado no plano político interno como o impulso que faltava para que o Projeto de Lei que cria o Marco Civil, que tramita há dois anos na Câmara e teve sua votação pautada – e depois retirada – três vezes no ano passado, seja finalmente aprovado.

Incluído na lista de prioridades do governo desde o começo do ano, o Marco Civil da Internet, relatado pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), seguia com suas discussões travadas pelos parlamentares da oposição e pelo lobby das empresas do setor de telecomunicações, contrárias à sua aprovação, até que surgiram as denúncias acerca da espionagem da NSA sobre as comunicações eletrônicas e telefônicas da presidenta Dilma e também da Petrobras. Logo em seguida às denúncias, o Executivo pediu ao Congresso Nacional que o PL que do Marco Civil da Internet passasse a ser tratado em regime de urgência constitucional. Com isso, se não for votado até 28 de outubro, passará a trancar a pauta da Câmara, com exceção das votações de Medidas Provisórias e Propostas de Emendas Constitucionais: “Eu espero que a Câmara tenha a responsabilidade de votar antes que o projeto tranque a pauta”, afirma Molon.

Para que a votação ocorra desta vez, o deputado tem se dedicado a aparar as últimas arestas com o presidente da casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e a contornar os focos de resistência que ainda restam na oposição e até em alguns partidos da base aliada ao governo, especialmente o PMDB: “Esse escândalo de espionagem certamente contribui para aumentar a pressão para a votação do Marco Civil na Câmara. O Marco Civil já está pronto para ser votado há um ano e, lamentavelmente, a resistência a esse projeto tão importante pelas empresas operadoras vem impedindo sua votação. A presidente, em sua manifestação na ONU, deixou claro que para enfrentar esse problema [da espionagem de dados] são necessárias medidas legislativas, tecnológicas e de adoção de determinados mecanismos para impedir novos episódios como esse. A medida legislativa mais importante nesse sentido é a aprovação do Marco Civil”, diz.

Em relação a seu conteúdo, o ponto principal – e mais polêmico – do Marco Civil da Internet permanece inalterado. É o que trata da neutralidade da rede, conceito que pretende garantir que todos os dados possam trafegar normalmente, em igualdade de condições e sem sofrer discriminação. A neutralidade da rede tem a oposição do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), entidade que reúne as maiores operadoras de internet do país. Segundo a proposta de Marco Civil, no entanto, as empresas de telecomunicação não podem fazer qualquer tipo de distinção técnica ou tecnológica entre os diversos pacotes de navegação na internet oferecidos aos usuários.

Segundo o Sinditelebrasil, as empresas apenas defendem sua “liberdade de oferecer de forma transparente qualquer serviço diferenciado aos clientes”. Na prática, as operadoras querem se reservar o direito de oferecer aos consumidores pacotes com velocidade de tráfego de dados – e preços – diferentes, o que, segundo o texto do Marco Civil, feriria a neutralidade da rede: “Assim como está, o projeto vai tirar a liberdade de escolha dos internautas de ter planos que possam ser mais simples ou mais complexos, não vai mais permitir que possam pagar menos por alguma coisa. Isso acontecerá se nós só pudermos oferecer o mesmo tipo de acesso para todos os clientes”, diz o diretor executivo da entidade, Eduardo Levy. O deputado Molon, no entanto, garante que nada será alterado: “A questão da neutralidade será preservada, sem dúvida nenhuma. Ela é intocável, é o coração do projeto, por isso não é admissível qualquer brecha ou concessão à neutralidade da rede”.

Armazenamento de dados

Outro ponto que promete ganhar destaque nas discussões sobre o Marco Civil da Internet na Câmara dos Deputados após o escândalo da espionagem da NSA e o pronunciamento de Dilma Rousseff na ONU diz respeito ao armazenamento de dados dos internautas brasileiros. Na ONU, a presidenta afirmou a disposição do governo brasileiro para aprovar regras que obriguem o armazenamento de dados no país: “É muito importante para o Brasil que os dados que dizem respeito ao Brasil sejam arquivados, localizados e mantidos em base de dados dentro do Brasil”, disse.

Por conta dessa disposição do governo, pode ser incluída no projeto de Alessandro Molon a exigência de que as empresas internacionais de conteúdo instaladas no Brasil – como Facebook, Twitter ou Google, entre outras – mantenham armazenadas no país as informações sobre os usuários nacionais. Embora seja impossível tecnicamente impedir a replicação desse conteúdo no exterior, a obrigatoriedade de armazenamento no Brasil fará com que as empresas tenham de responder perante a Justiça brasileira pelas informações armazenadas e sua eventual oferta ou transmissão a terceiros.

Segundo Molon, a inclusão no Marco Civil da Internet de uma deliberação sobre o armazenamento de dados dos internautas brasileiros em território nacional ainda não está decidida: “Os técnicos do governo estão estudando para propor a melhor saída”, diz o deputado, acrescentando que outra possibilidade é a inclusão deste tema no Projeto de Lei sobre Proteção a Dados Pessoais que está sendo elaborado pelo Ministério da Justiça. As empresas, por sua vez, são contra o armazenamento de dados no Brasil, pois isso implicaria, segundo o Sinditelebrasil, em “custos adicionais de operação” que fariam encarecer ainda mais o valor do produto final oferecido ao consumidor.

Apesar da urgência do governo em votar o Marco Civil, as divergências em torno do armazenamento de dados ainda são um fator de risco para a aprovação do projeto. Impedidas pelo texto do projeto de guardar informações sobre as conexões feitas pelos usuários, as empresas operadoras pedem isonomia de tratamento, já que as empresas de conteúdo estão no olho do furacão da espionagem da NSA: “É preciso ter igualdade de possibilidades entre operadoras e empresas de conteúdo. Se o Marco Civil diz que as empresas de telecom não podem guardar as informações dos clientes, eu acho que as empresas de conteúdo também não podem. Não vejo diferença de privacidade para um conjunto de empresas de conteúdo e um conjunto de empresas de conexão”, diz Eduardo Levy.

Levy é claro nos seus exemplos: “O Google saberá, por exemplo, se uma parte dos clientes da Tim, da Vivo, da Oi ou da Telefonica quer comprar uma geladeira, e poderá vender essa informação. Ou nós, os provedores de conexão, podemos guardar as informações e eles também ou eles não podem e nós também não. Não entendemos e não aceitamos a hipótese de que o provedor de conteúdo pode guardar e nós somos proibidos de guardar. Temos uma discordância profunda em relação a isso”, diz.

Maurício Thuswohl
No Carta Maior
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Não é surpresa que a Índia tenha virado alvo tão importante de vigilância, diz Greenwald


"Quanto mais os EUA souberem sobre o que os outros países estão fazendo – não só seus governos, mas suas empresas e sua população – mais poder os EUA têm sobre aquele país." De acordo com o jornalista norte-americano, é por isso que os EUA investigam a emergente Índia e "eliminam a privacidade do mundo".

Já faz algum tempo que as pessoas no mundo todo suspeitam que seus emails são lidos e seus telefones estão grampeados por agências governamentais. Os piores medos de todo mundo se tornaram realidade em junho quando Edward Snowden, um administrador de sistema da National Security Agency dos EUA, revelou informações sobre programas de vigilância eletrônica em massa feitos pela agência desde 2007. Glenn Greewald deu o furo da história no The Guardian.

Desde então, o jornalista norte-americano, que vive no Rio de Janeiro, fez uma série de histórias bombásticas, que expuseram até onde ia o alcance das operações secretas de vigilância da NSA. A revelação feita por ele de que a NSA espionou telefonemas e emails da presidenta Dilma Rousseff fizeram com que fosse cancelada uma viagem dela aos EUA em que ela visitaria a Casa Branca.

Agora colaborando com o The Hindu em uma série de matérias sobre a espionagem da NSA na Índia, o sr. Greenwald conversou com Shobhan Saxena durante encontros em lobbies de hotéis e em sua casa, que ele divide com seu companheiro, David Miranda, dez cachorros e um gato, no meio da Floresta da Tijuca, no Rio. Veja alguns trechos da conversa:

Qual você acha que foi o impacto mais importante que suas histórias trouxeram?

É que não só os norte-americanos, mas pessoas do mundo todo, agora sabem os verdadeiros objetivos do sistema de vigilância dos EUA: coletar e armazenar toda forma de comunicação entre seres humanos. Em outras palavras, o objetivo é, por definição, eliminar a privacidade no mundo. E essa percepção tem produzido debates intensos e profundos em todos os continentes sobre o valor da privacidade e da liberdade da internet, os perigos representados pela vigilância secreta dos EUA, e mais amplamente, o papel que os EUA desempenham no mundo.

Sua matérias revelaram que os EUA são um enorme estado de vigilância. Essa é uma imagem bem diferente dos que os EUA tem de si mesmo, de um farol da liberdade individual e protetor da liberdade e privacidade. Como essas revelações afetaram a imagem dos EUA no mundo?


No começo, as pessoas presumiram que o foco das nossas matérias seria no que a National Security Agency estava fazendo e no que é a política de vigilância dos EUA, e o que mudaria seria como os norteamericanos pensavam na espionagem e como as pessoas no mundo viam a questão da privacidade. Mas o que mais mudou a partir dessas histórias é como as pessoas veem os EUA – exatamente do jeito que você falou na sua pergunta.

Essas histórias revelaram um programa de vigilância que funcionava não apenas sem o conhecimento das pessoas ao redor do mundo mas dos próprios americanos, que supostamente têm poder sobre seu governo eleito democraticamente; está claro que os EUA não respeita nenhum limite ético ou legal em sua busca por poder. É completamente contrário à imagem que eles mostram para o mundo.

Como republicanos e democratas falam a mesma língua no que diz respeito às questões de segurança nacional, será esse processo irreversível? Pelo jeito como a administração Obama reagiu às matérias, parece não haver nenhuma vontade de se refletir sobre tudo isso internamente.

Eu não acho que nada seja irreversível quando se fala de tendências políticas. Nós vimos como nos últimos três ou quatro anos como as tiranias mais enraizadas do mundo árabe se enfraqueceram, foram subvertidas e até mesmo destronadas. Há todo tipo de exemplo na história de mudanças radicais que as pessoas sequer esperavam. Então não acho que seja irreversível. Eu acho que é muito difícil mudar por causa dessa incorporação dos dois partidos não só dos assuntos de segurança nacional em geral mas também do papel dos EUA no mundo como um império. Mas uma das coisas que já se pode ver é que nas cinco a seis semanas que nós temos publicado essas matérias tem havido uma confusão na divisão partidária. Então, metade dos apoios mais contundentes a essas histórias vem dos republicanos, tanto os mais conservadores quanto os mais liberais; a outra metade vem de liberais e de pessoas de esquerda.

Isso realmente embaralhou as categorias normais de ideologia de uma maneira nunca vista; também se pode ver nas pesquisas de opinião pública que há um aumento no número de pessoas seriamente preocupadas com os excessos do estado de vigilância, os abusos das liberdades civis e os ataques à privacidade. Tudo isso sugere que mudanças serão inevitáveis.

Seu companheiro David Miranda foi detido em Londres por conta de uma lei antiterrorismo. Você acha que eles estavam mesmo atrás dos documentos que ele tinha com ele ou eles queriam intimidar você?

Não há dúvidas de que o principal objetivo deles era intimidar. Se eles quisessem confiscar o que ele estava levando, eles poderiam tê-lo detido por nove minutos. Mas eles o detiveram por nove horas, o máximo permitido pela lei. E eles não só o detiveram, fizeram isso usando-se de uma lei “antiterrorismo”. Especialmente para quem não é cidadão nem dos EUA nem da Inglaterra, é muito aterrorizante ouvir que você está sendo detido por conta de uma investigação de “terrorismo”, devido aos péssimos registros no que diz respeito aos direitos humanos no país nos últimos dez anos.

Um membro do governo dos EUA disse à Reuters que o propósito da detenção de David era de “mandar uma mensagem” para nós, que falávamos dessas histórias, pararmos. Foi um ataque bruto contra a liberdade de imprensa.

Tem havido tentativas, nos EUA, de criminalizar o jornalismo, como aconteceu no caso da Fox News e da AP? Isso não te incomoda?


Eles têm tido sucesso em criar um clima de medo entre denunciantes e fontes. Por isso alguns advogados federais me disseram, pelo menos por enquanto, que eu não deveria voltar para os EUA, eu não devo tentar entrar no país. É algo muito extraordinário para um advogado norteamericano falar para um jornalista norteamericano que ele não deve tentar entrar de novo no seu próprio país, pois eles podem tentar prender você.

Então você não foi mais aos EUA desde que começou a publicar essas matérias?

Não, não fui. Eu fui para Hong Kong e voltei para o Brasil por Dubai. Não estou dizendo que eu vou ser preso, mas o fato de ser motivo de discussão, e muita gente se sentir livre para defender isso publicamente sem perder sua posição ou sua credibilidade, já fazem disso uma possibilidade real. Quando se fala de ser processado pelos EUA por espionagem, não é um risco que você pode lidar com leveza.

Por que você acha que a NSA mirou na missão diplomática e em interesses da Índia, um país com quem os EUA tem laços de amizade estreitos?

A Índia é um país com cada vez mais importância em diversas áreas: econômica, política, diplomática e militar. O objetivo dos EUA é submeter virtualmente todo mundo a vigilância em massa, mas não é nenhuma surpresa que a Índia tenha se tornado um alvo tão importante dessa vigilância. Em última instância, é uma questão de poder: quanto mais os EUA souberem sobre o que os outros países estão fazendo – não só seus governos, mas suas empresas e sua população – mais poder os EUA têm sobre aquele país.

Uma das revelações mais chocantes de suas matérias foi o envolvimento de diversas democracias ocidentais, como Inglaterra e Alemanha, nos programas secretos de vigilância. Parece que há bem poucos países dispostos a enfrentar os EUA.


Acho que o mundo pode ser dividido, de maneira muito ampla, no que diz respeito às relações com os EUA, em três categorias. Uma é de países extremamente subservientes aos EUA, que sempre capitulam aos seus ditames. Uma segunda categoria é de países que são abertamente hostis aos EUA, então há uma grande maioria que fica no meio, de países independentes. Eles se aliam aos EUA se eles têm interesse, e ficam contra se acham que devem.

A maioria dos países europeus fica bem posicionada na primeira categoria, de governos que capitulam sem nenhuma força, de maneira subserviente, aos ditames dos EUA. Então se viu muita raiva fingida e indignação artificial quando essas revelações vieram à tona, porque os cidadãos europeus foram alvo e eles se importam com a privacidade. Então seus governos precisavam fingir que estavam bravos, mas pode-se ver suas verdadeiras cores quando os EUA mandaram que eles negassem passagem pelo espaço aéreo ao presidente da Bolívia, Evo Morales. Eles obedeceram direitinho, ao extremo, negando passagem ao presidente de um país soberano. Eles fizeram isso porque são cúmplices, virtualmente todos esses governos europeus. Ao passo que na América Latina e em alguma medida na Ásia, e certamente em alguns países do Oriente Médio, há muito mais independência. Então a raiva expressa é, em alguma medida, falsa, mas também é mais genuína.

Para não haver quase nenhuma indignação com empresas de tecnologia como Facebook, Skype, Google, que praticamente colaboraram com o governo dos EUA na coleta de informações sobre pessoas no mundo todo. Agora essas empresas dizem que não tiveram escolha. Elas podiam ter dito “não” para a NSA?

Há enquadramentos legais que exigem que elas colaborem com os programas de vigilância do governo dos EUA mas elas fizeram muito mais do que a lei exigia, como as empresas de telecomunicação fizeram na era Bush. O motivo é que elas se beneficiam de todas as formas possíveis por terem boas relações com o governo dos EUA. Só os benefícios dessa colaboração com o governo dos EUA nos termos desse programa de vigilância massiva compensam de longe o que eles consideram como custo das relações com o consumidor ou da imagem deles no mundo. Uma das razões que fez com que eles chegassem a essas contas é que eles pensaram que tudo isso seria feito secretamente; ninguém sabia que eles colaboravam tanto, e um dos benefícios de se revelar o que eles têm feito é que isso altera o cálculo deles, se as pessoas começam a perceber que eles são tão cúmplices do governo e que suas comunicações não são assim tão seguras, e elas podem começar a buscar alternativas.

O problema agora é que Facebook, Skype e Google são tão gigantes que é quase impossível não usar nenhuma delas. Se você tem 22 anos, você pode até se incomodar com o fato de o Facebook invadir sua privacidade, mas quando todos os seus amigos, todo mundo que você conhece, seus patrões estão no Facebook e exigem que você esteja, é muito difícil seguir os seus princípios e dizer “não uso mais o Facebook e o Skype”.

Suas matérias expuseram também o que se pode chamar de grande mídia, como o New York Times e a CNN, que publicaram muito mais histórias sobre a vida pessoa de Snowden do que sobre os programas de vigilância. Até você foi atacado em algumas colunas. Você acha que o espaço para o jornalismo bom e investigativo está diminuindo na mídia global?


Sim e não. Acho que era completamente previsível o que eles fariam. Mesmo antes de revelarmos a identidade de Snowden, eu escrevi um artigo predizendo que eles tentariam tirar a atenção das denúncias, porque servir ao governo é sua função. Eles iriam demonizá-lo, bem como a qualquer pessoa, incluindo jornalistas, que trabalhassem com ele por transparência. Foi isso que eles fizeram em cada um dos casos. Eles fizeram isso com Daniel Ellsberg 30,40 anos atrás. Fizeram com o Wikileaks, com Bradley Manning. Nós sabíamos que eles fariam isso com Snowden e, eventualmente, comigo.

Mas não importou muito. De alguma forma o espaço para o jornalismo investigativo diminuiu por causa do que a mídia corporativa de massa virou, mas como a internet abriu espaço para todo tipo de mídia alternativa, o espaço para um jornalismo investigativo está maior do que nunca. Eu sou uma criatura da internet. Eu comecei meu próprio blog sete anos atrás e mesmo hoje, trabalhando para o Guardian, eu topei exigindo total liberdade editorial. Eu tenho minha própria voz e eu não estou preocupado. Minha carreira não depende de favores dos poderosos. Eu pude desenvolver esse modelo alternativo por causa do poder da internet, de encontrar meus próprios leitores e não depender dessas grandes instituições. Há várias pessoas fazendo esse tipo de coisa em diversas áreas, em todas as culturas, em todo canto do planeta e isso mudou definitivamente o jornalismo. Há muita auto-reflexão acontecendo agora dentro do New York Times e outros veículos sobre por que eles ficaram completamente de fora de um dos maiores – se não o maior – escândalo da mídia em muitos anos. E o motivo é que Snowden não confiava neles para contar a história de verdade. Ele não confiava que eles fossem resistir às exigências do governo, assim como Bradley Manning não confiou no New York Times e no Washington Post e foi para o Wikileaks. Então vamos ver cada vez mais isso acontecendo à medida que mais histórias vão parar em gente como eu, ou como o Wikileaks, e não nas mãos do New York Times ou do Washington Post. O modelo de jornalismo dele vai perder cada vez mais a credibilidade. Isso já está acontecendo.

Você está trabalhando num livro sobre todo esse caso. O livro é sobre Edward Snowden?

Só uma parte do livro vai falar sobre mim, sobre como eu me envolvi nessa história, e como eu desenvolvi uma relação de fonte com Snowden, como eu consegui os documentos, como eu escrevi as matérias, minha experiência em Hong Kong e depois disso. Mas o grosso do livro vai ser sobre como os EUA construíram esse estado de vigilância e quais são as consequências e os riscos disso. Vai haver também novas revelações, baseadas nos documentos.

Algumas pessoas sugeriram que Snowden poderia ainda ser um agente disfarçado. Naomi Wolf até escreveu um artigo dizendo que poderia ser tudo um grande esquema. Você teve alguma dúvida sobre Snowden ou sobre a autenticidade dos documentos antes de sentar para escrever suas matérias?

Não, cair nessa teoria seria tão imbecil que eu não gastei um segundo do meu tempo nisso. Parte do que fazemos como seres humanos se baseia na intuição. Você precisa julgar quem está mentindo para você e quem está contando a verdade, quem não merece crédito, quem está enganando você e quem está sendo verdadeiro. Quando eu fui para Hong Kong, meu primeiro objetivo nos primeiros quatro ou cindo dias era entender tudo que eu poderia sobre Edward Snowden e me certificar que ele não estava escondendo nada e que ele era sincero nas alegações dele. Como eu nunca havia encontrado com ele, eu passei horas e horas sozinho com ele na primeira semana. Falando frente a frente com ele – a dois metros dele, olhando nos meus olhos – e eu não tive dúvidas sobre quem ele era e do que ele estava falando. Eu prefiro que as pessoas sejam céticas em excesso do que ingênuas em excesso, mas essa teoria em particular não merece nenhuma atenção.

Você mora no Rio de Janeiro há oito anos. Como se sente morando no Brasil?

Eu amo o Brasil. Por isso que eu moro aqui há tanto tempo. Claro, eu vim para cá por causa da lei de imigração discriminatória dos EUA, que impede que meu parceiro vá para lá, ainda que eu pudesse emigrar para cá.

Mas há uma forte presença da CIA no Rio de Janeiro; a polícia do Rio e de todo o Brasil é notoriamente muito agressiva em seus métodos. Então eu presumo que eu tenha sido espionado e monitorado. Tivemos um incidente, quando o laptop do meu companheiro sumiu de casa. Mas eu me sinto tão seguro aqui quanto em qualquer outro lugar. Não me sinto especialmente inseguro aqui. Você não tem como estar muito seguro carregando dez mil documentos altamente secretos da agência mais secreta do governo mais poderoso do mundo. Não há segurança completo, mas não me sinto muito inseguro também.

Shobhan Saxena
No Carta Maior
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