27 de set de 2013

Banco Rural: MP livrou a cara da Globo

MP fala grosso com o PT e fino com a Globo 


O Conversa Afiada decidiu aprofundar-se numa denúncia do incansável Stanley Burburinho (quem será ele?).

Trata da forma suave, carinhosa até, de o Ministério Público Federal, do Dr Antonio Fernando e, depois, do Dr Gurgel – que o senador Collor, da tribuna do Senado, chama de prevaricador – considerar a participação da Globo – aquela de moleques, segundo o senador Requião, da tribuna do Senado- nas operações do Banco Rural  que incriminaram o PT.

O MP fala grosso com o PT e fino com a Globo – é isso, amigo navegante?

Agora, aqui entre nós: e esse Bessinha, hein? Anda impossível … Coitado do Chico Caruso …

Leia o que Murilo Silva, editor do Conversa Afiada, apurou:
Ao consultar o famoso inquérito 2245 – o inquérito que deu origem ao Mensalão – o incansável amigo navegante Stanley Burburinho encontrou menção à Globo Comunicações e Participação.

O inquérito 2245 teve origem na Justiça de Minas,  e foi registrado no STF  no dia 26 de julho de 2005, porque alguns dos investigados tem foro privilegiado.  

Desse inquérito surgiu a denúncia que o Ministério Público Federal apresentou, um ano depois.

O trecho para o qual  Stanley Burburinho chama a atenção é o que trata da “Gestão Fraudulenta de Instituições Financeiras”.

Basicamente, trata dos empréstimos supostamente fictícios que o Banco Rural fez ao PT e à SMP&B, agência de Marcos Valério.

A Justiça questionou o Banco Central sobre esses empréstimos e, em fevereiro de 2005, o Banco Central instalou uma “Verificação Especial” na área de crédito do Banco Rural (PT 0501301503).

O BC teria constatado uma série de indícios de gestão fraudulenta  nesses empréstimos. Eles seriam incompatíveis com as normas de risco correntes no mercado.

No caso do PT e de Marcos Valério esses empréstimos chegavam a 296 milhões, 10% da carteira do banco.

O banco dissimulou os riscos sobre os empréstimos, segundo o BC.  

O que se lê na página 90 é que, nesse relatório do Banco Central, o (PT 0501301503), além dos empréstimos firmados com o PT e Marcos Valério, aparecem outros contratos suspeitos, com outros clientes.

Entre as pessoas físicas e jurídicas, o relatório cita:

- Moinho de Trigo Santo André S/A;

- Banktrade Agrícola Imp. Exp.;


- Tupy Fundições Ltda.;


- Globo Comunicações e Participações;


- ARG Ltda;


- Securinvest Holdings S/A;


- Ademir Martines de Almeida;


- Agroindustrial Espírito Santo do Turvo;


- Agrícola Rio Turvo;


- Cia. Açucareira Usina João de Deus;


- Usina Carola S/A;


- Viação Cidade de Manaus Ltda.;


- Amadeo Rossi S/A;


- João Fonseca de Goes Filho;

- Enerquímica Empreend. Participações;
- Noroeste Agroindustrial S/A.


O inquérito 2245 sugere que fosse aberta investigação especifica para investigar os indícios de gestão fraudulenta levantados pelo relatório do Banco Central.

Até onde se sabe, a investigação não foi aberta.

Veja os documentos:

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Esta bandeira nunca foi tão alto: a 2 km de profundidade, cobrindo nosso pré-sal


Assista. Não é preciso palavra alguma para falar de emoção, orgulho, Brasil ou futuro.


Fernando Brito
No Tijolaço
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Faltam lojas em shoppings. Que horror!

Qual é a crise, Urubóloga? Chora, Urubologa, chora, não é, Bessinha?


Há 158 shopping centers em construção no Brasil, que oferecem, em média, 200 novos espaços para lojas.

Todo ano chegam ao mercado 23 000 novas lojas.

Há 113 mil lojas em shopping no Brasil.

Trinta por cento dos shopping atuais estão com obras de expansão em curso.

E vão precisar de novas lojas.

Onde buscar esse lojista?

O consumidor está na porta, à espera.

Como substituir os 8% de lojas, que, naturalmente, rodam – não conseguem operar em shopping?

O shopping que abrir com 70% da ocupação que dê graças a Deus.

O pequeno empresário sofre.

Porque, como o shopping precisa de lojas grandes, fortes, âncoras, a conta sobra para o pequeno.

A âncora consegue quase tudo do shopping.

Financiamento da obra de instalação, dispensa de taxa de condomínio.

As lojas satélites  – menores que as âncoras – também se aproveitam da demanda dos shoppings.

O pequeno é quem paga a conta.

Ele tem treze meses de despesas – décimo terceiro – e seis meses de faturamento.

Por causa das liquidações e dos meses fracos.

Se, de um lado, a demanda por lojas cresce, de outro, a pressão sobre o pequeno aperta.

A solução seria – e está em estudos – um “Minha Loja Minha Vida”, para financiar o pequeno e ele poder atender à crescente demanda dos shoppings.

E a crescente demanda do consumidor por shoppings.

Onde há segurança, ar condicionado, estacionamento – e diversidade.

A cidade que não tem shopping perde negócio, arrecadação.

O morador vai fazer compra onde tem shopping.

O maior grupo de shoppings do Brasil é o Multiplan.

O que tem mais lojas, o BR Malls.

É uma crise terrível.

(Clique aqui para ver a crise na cidade de três mil habitantes que se especializou em fabricar calcinhas)

No primeiro semestre, as grandes cadeias aumentaram as vendas em 3%, em termos reais – acima da inflação.

As 600 maiores empresas de varejo do Brasil esperam um aumento de 3% real no segundo semestre.

A Riachuelo vai abrir mais vinte lojas.

A Pet Center, mais 15.

A Le Biscuit, da Bahia, tem 40 em operação e vai abrir mais 12.

A Chilli Beans, de óculos, vai para Israel e os Estados Unidos.

O Boticário já tem 3 mil 600 lojas e vai abrir mais 150 em 2014.

O brasileiro é o maior consumidor do mundo de produtos de beleza e perfumaria.

O brasileiro é cheiroso!

E detesta urubu.

Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Greve e intransigência dos banqueiros

Mariano
A greve dos bancários, que completa nove dias nesta sexta-feira (27), segue ganhando força em todo o país, segundo relatos dos sindicatos da categoria nos estados. Mesmo assim, os banqueiros mantêm-se totalmente intransigentes e garantem que não concederão aumento real de salário neste ano - fato que não ocorre desde 2003. Na maior caradura, eles alegam que passam por dificuldades em decorrência da retração da economia brasileira. Os balanços financeiros, porém, provam que os bancos continuam como recordistas de lucro no Brasil, com taxas bem superiores as obtidas em outros países.

Segundo matéria da Folha, que expressa bem a visão da mídia rentista, "em ano de desaceleração da economia, os bancos já decidiram: não haverá aumento acima da inflação para os bancários. Se não cederem de fato, será a primeira vez desde 2003 que a categoria, uma das mais fortes nas negociações salariais, receberá só a reposição da inflação (6,1%). A negociação dos bancários serve de modelo para os acordos salariais de todo o setor de serviços, segmento de maior pressão para inflação".

"Ninguém está falando em cortar benefícios ou conceder zero de reajuste, o que seria um mau acordo. Ao repor o poder de compra, os bancários continuarão com os melhores salários do mercado, os melhores benefícios e a participação de lucros garantida em convenção coletiva", argumenta Magnus Apostólico, diretor de relações trabalhistas da Fenaban (federação dos bancos). A mentira é descarada e revela toda a arrogância dos banqueiros. Os salários da categoria são ridículos - o piso é de apenas R$ 1.519 e as condições de trabalho são desumanas e estafantes, com inúmeras doenças profissionais.

Como afirma Juvândia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, "a proposta de conceder só a reposição da inflação é indecente. A greve continuará até que haja proposta melhor. Um setor que lucrou R$ 59 bilhões não pode dar aumento real? Mesmo que o lucro não tivesse crescido, ainda seria altíssimo. Não tem cabimento". Os bancários em greve reivindicam reajuste de 11,93%, sendo 5% de aumento real, além da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no valor de três salários mais R$ 5.553,15 fixos, entre outros itens.

"No ano passado, foram nove dias de paralisação, que resultaram em reajuste de 7,5%, sendo 2% de aumento real. Em 2011, os bancários cruzaram os braços por 21 dias e voltaram ao trabalho com reajuste de 9% (1,5% acima da inflação). Foi a maior paralisação desde 2004. Patrões e empregados não sentam para negociar há três semanas. Cada um dos lados espera uma contraproposta. Segundo os bancários, 10.586 agências e centros administrativos nos 26 Estados e Distrito Federal foram fechados devido à greve. A Fenaban não divulga a adesão", relata a Folha.

No Blog do Miro
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É com jeitinho ou sem jeitinho, Marcos Palmeira?


Organização de Marina Silva lança nas redes sociais vídeo com ator global ensinando a Justiça Eleitoral a como agir sobre 95 mil assinaturas que foram rejeitadas em todas as instâncias legais; "isso não parece estar em conformidade com o espírito da lei", sublinha Marcos Palmeira, que rejeita estar pedindo um "jeitinho" para legalizar o partido; no entanto, se for mesmo sem jeitinho, a Justiça já disse que não conseguirá solucionar o caso a tempo de Marina Silva poder ser candidata em 2014; ao Rede não faltaram torcida, tempo e recursos de gente poderosa como Neca Setúbal e Guilherme Leal para nascer, mas a lição de casa para a prova do dia 5 de outubro, prazo limite para quem concorrer no próximo ano, parece ter sido feita às pressas

Assim como sempre teve milhões de técnicos da seleção brasileira de futebol, cada cidadão com sua escalação de preferência para o time, o Brasil ganhou nos últimos tempos milhões de juízes de Direito, em razão dos altos índices de audiência sobre a Ação Penal 470, o chamado mensalão.

Isso é bom, porque floresce o debate e aproxima a população da Justiça. Nem sempre, porém, o que eles dizem coincide com o que verdadeiramente estabelece a lei. Se assim fosse, haveria uma lei para cada cidadão. Na verdade, o que um regime democrático como o brasileiro tem é uma só lei para milhões de cidadãos.

Nesta sexta-feira 27, um novo magistrado despontou nas redes sociais. Desta feita, especializado em Direito Eleitoral. O ator Marcos Palmeira, galã de novelas da Rede Globo, gravou um depoimento a favor do registro do Rede Sustentabilidade, o partido de Marina Silva. Em 1min17s, entre logos do Rede e com uma locação que foi editada, ele ensina como os cartórios eleitorais, as cortes regionais e também o Tribunal Superior Eleitoral devem agir diante de um lote de 95 mil assinaturas que foram glosadas – e separam o Rede de Marina do registro para funcionamento.

O ator inicia dizendo que "tem gente falando que a Rede queria dar um jeitinho para se legalizar como partido, como se a gente precisasse de um pequeno desvio da lei para criar o nosso partido". Em seguida, afirma que a única coisa que a agremiação está pedindo é o "cumprimento da lei". Em seguida a um corte de edição, entra no assunto das 95 mil assinaturas que não foram consideradas válidas, até aqui, em todas as instâncias judiciais em que foram examinadas. Neste ponto, Palmeira, após outros cortes em sua locução, acrescenta que o não reconhecimento desses signatários "não parece estar em conformidade com o espírito da lei".

O vídeo é mais um instrumento usado pelo Rede para, de fora para dentro, tentar sensibilizar a Justiça sobre a legalidade de sua criação. No entanto, isso vai se mostrando uma verdadeira missão impossível, tal a unanimidade legal manifestada em torno da não validade do lote de assinaturas. A tempo de a ex-ministra Marina Silva se candidatar a presidente em 2014, o Rede não parece ter meio de comprovar, além dos limites do períplo da própria Marina sobre as cortes ou esse vídeo com o discurso de um cidadão que é ator, que tem razão em suas reclamações.

A verdade é que a organização do Rede demorou a se dar. Antes disso, houve uma lentidão de mais de seis meses, no ano passado, até que Marina e sua cúpula de conselheiros decidissem romper com o Partido Verde, onde estavam, para montar uma legenda para emoldurar sua candidata. Nesse processo, outra vez demoraram para sair à cata de assinaturas pelo País, num trabalho mais voluntarista do que de organização. O resultado foi como uma lição de casa mal feita, aquela que o professor percebe ter sido feita às pressas e com conteúdo incompleto.

Não parece haver prazo legal, agora, para que o Rede nasça a tempo de estar na urna eletrônica do próximo ano. E esse é um problema do Rede, não da Justiça. As leis que estabelecem as exigências para a criação de partidos desde que os amigos de Marina resolveram estimulá-la a ter sua marca. Amigo diga-se, influentes como Marcos Palmeira e endinheirados como a herdeira do banco Itaú Neca Setúbal e o presidente da Natura Guilherme Leal, ambos entre os mais ricos do Brasil.

O que o vídeo com o ator global não conta é que, mesmo com tempo e dinheiro, o Rede, efetivamente, não soube conduzir sua tropa de maneira eficiente a ponto de cumprir, sem choro nem vela, as regras da Justiça Eleitoral. Houve tempo, não faltou dinheiro.


No 247
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A nova fronteira do petróleo é o Nordeste


Pela primeira vez a grande mídia dá a notícia que este Tijolaço vem antecipando (aqui e aqui) desde o início de agosto: as acumulações de petróleo nas costas nordestinas são enormes. A agência de notícias  Reuters, uma das maiores do mundo, em reportagem feita no Brasil e na dia, anunciou a descoberta de um campo de dimensões superiores a um bilhão de barris no litoral sergipano.

Ali, um após outros, poços pioneiros estão revelando a existência de óleo a profundidades superiores a cinco mil metros. Como estou entrando no debate, colo a longa reportagem da Reuters e volto depois.

RIO DE JANEIRO, 26 Set (Reuters) – Uma campanha exploratória na costa de Sergipe mostra que uma área controlada pela Petrobras e um parceiro indiano possivelmente possui mais de um bilhão de barris de petróleo, disseram à Reuters fontes do governo e da indústria, reforçando esperanças de que a região se tornará em breve a maior nova fronteira petrolífera do país.

A Petrobras e a IBV Brasil, uma joint venture igualmente dividida entre as indianas Bharat Petroleum (BPCL) e a Videocon Industries, avaliaram que o bloco marítimo de exploração SEAL-11 contém grandes quantidades de gás natural e petróleo leve de alta qualidade, segundo cinco fontes do governo e da indústria com conhecimento direto sobre os resultados da perfuração.

O bloco SEAL-11 e suas áreas adjacentes, a 100 quilômetros da costa do Estado de Sergipe, podem conter mais de 3 bilhões de barris de petróleo “in situ”, segundo duas das fontes. Se confirmada, a descoberta seria uma das maiores do ano no mundo. A Petrobras detém 60 por cento do SEAL-11, enquanto a IBV possui 40 por cento.

A Petrobras tem apostado, desde que comprou os direitos de perfurar a área há uma década, que as águas de Sergipe possuem grandes quantidades de petróleo e gás. Como operadora do bloco, a Petrobras registrou descobertas na área junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nos últimos anos, conforme é exigido por lei, mas ainda tem que anunciar suas estimativas sobre o tamanho potencial da reserva. A última perfuração deixa claro o quão grande a descoberta pode ser, disseram as fontes.

A área, onde a Petrobras está agora perfurando poços de avaliação, também oferece a oportunidade de aumentar a produção brasileira, com reservas de perfuração mais fácil e barata do que no pré-sal, gigantesca reserva em águas profundas, no litoral do Sudeste brasileiro. A primeira produção em SEAL-11 e suas áreas adjacentes é esperada para 2018, disse a Petrobras em nota.

“Sergipe, sem dúvidas, tem um grande potencial e excelentes perspectivas”, disse à Reuters uma fonte do governo brasileiro com conhecimento direto sobre as descobertas da Petrobras e da IBV e de seus planos de desenvolvimento. “Eu diria que Sergipe é a melhor área do Brasil em termos de perspectiva depois do pré-sal.”

Pré-sal é o nome dado a uma série de reservas de petróleo preso muito abaixo do leito marinho, sob uma camada de sal, nas Bacias de Campos e Santos.

As estimativas e perspectivas sobre Sergipe às quais a Reuters teve acesso se baseiam em pelo menos dez indícios de petróleo e gás em sete poços, conforme comunicados enviados à ANP desde 16 de junho de 2011.

Em respostas enviadas por email, a Petrobras declinou dizer quanto petróleo estima haver em SEAL-11 e seus blocos adjacentes, mas disse que 16 poços perfurados desde 2008 na região de águas profundas de Sergipe encontraram vários acúmulos de petróleo, “que compõem uma nova província de petróleo na região”.

O número exato somente será conhecido quando os planos de avaliação forem concluídos em algum momento de 2015, disse uma fonte da BPCL na Índia sob condição de anonimato. Alguns especialistas da indústria acreditam que os testes podem demorar mais, pelo fato da Petrobras estar atualmente sobrecarregada com outros investimentos gigantescos e estar enfrentando dificuldades para levantar fundos.

A fonte da BPCL disse que o SEAL-11 provavelmente possui entre 1 e 2 bilhões de barris de “petróleo in situ”, um termo que inclui reservas impossíveis de recuperar e aquelas que podem ser economicamente produzidas. O volume pode aumentar quando as reservas nos blocos subjacentes forem incluídas.

Se a área revelar possuir 3 bilhões de barris “in situ” ou mais, ela seria capaz de produzir 1 bilhão de barris, com base nas taxas de recuperação do Brasil, de 25 a 30 por cento do petróleo existente, disse um especialista do setor petrolífero com conhecimento direto sobre o programa de perfuração.

A Petrobras e seus parceiros continuam a perfurar a área e solicitaram que a ANP aprove 8 planos de avaliação de descoberta para a região marítima, último passo antes do campo ser declarado comercialmente viável.

GIGANTE OU SUPER GIGANTE?

Além SEAL-11, a Petrobras fez pelo menos mais oito descobertas no bloco vizinho SEAL-10, que é 100 por cento de propriedade da estatal brasileira, e mais duas descobertas no bloco SEAL-4, com 75 por cento detidos pela Petrobras e 25 por cento pela indiana Oil & Natural Gas Corp (ONGC), segundo dados da ANP.

As descobertas não indicam, necessariamente, que há petróleo ou gás em quantidades comerciais. Todo óleo e gás encontrados durante perfurações, por mais insignificantes, devem ser comunicados à ANP.

A relutância da Petrobras para estimar as reservas no campo de Sergipe não é incomum na indústria do petróleo, onde muitas empresas só confirmam as estimativas de reservas após extensas perfurações.

Tal atitude, no entanto, contrasta com a avidez das autoridades brasileiras em enaltecer a área super gigante de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos. Em maio a ANP disse que Libra possui de 8 a 12 bilhões de barris de óleo recuperável, com base na perfuração de um único poço. O governo planeja leiloar os direitos de produção em Libra, maior descoberta petrolífera do Brasil, em 21 de outubro.

Caso a descoberta de Sergipe seja confirmada, o petróleo e o gás encontrados em SEAL-11 podem se tornar a primeira descoberta brasileira “super gigante” (na casa dos bilhões de barris) fora da região do pré-sal, onde Libra está localizada.

Recentes perfurações também sugerem que um campo gigante de gás natural pode se estender para muito além de SEAL-11, com gás suficiente para suprir todas as necessidades atuais do Brasil “durante décadas”, disse uma das fontes.

Mesmo que o volume recuperável em Sergipe fique na categoria “gigante”, ou seja, na faixa das centenas de milhões de barris, a área ainda seria a primeira grande descoberta marítima no Nordeste do Brasil, uma das regiões mais pobres do país.

“A descoberta é muito grande, e caso seja desenvolvida poderia transformar a economia do nosso Estado e da nossa região”, disse à Reuters o subsecretário de Desenvolvimento Energético do governo de Sergipe, José de Oliveira Júnior.

Oliveira Júnior disse que não poderia dar uma estimativa do tamanho das reservas em SEAL-11, mas que elas são tão grandes que a Petrobras teria dito ao governo que provavelmente não será capaz de considerar o desenvolvimento da área por cerca de seis anos.

Autoridades em Sergipe estão ansiosas para desenvolver a área rapidamente. Petróleo há muito tempo tem sido produzido no Estado, principalmente em terra, mas os volumes são pequenos. A produção mensal em Sergipe é menor do que os maiores campos brasileiros produzem em uma questão de horas.

Os frutos da descoberta, no entanto, podem levar anos para chegar até os acionistas e residentes de Sergipe, apesar de sua proximidade da costa, da qualidade do óleo e de os reservatórios de menor complexidade sugerirem que seria mais barata para desenvolver do que os campos gigantes do pré-sal, disseram as fontes.

Situada em áreas com rochas mais porosas e permeáveis, o óleo leve poderia ser relativamente mais fácil de ser extraído em relação ao petróleo do pré-sal, mais pesado e preso em rochas mais compactas, disse uma fonte da indústria no Brasil.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro, Prashant Mehra em Mumbai e Nidhi Verma em Nova Délhi)

Fernando Brito
No Tijolaço

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Leia também: Jazida do pré-sal é muito maior

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Brasil é destaque em relatório da ONU

Pobreza extrema despenca nos últimos anos no Brasil
Fonte: Banco de dados do Banco Mundial

Ações do governo brasileiro nos últimos 10 anos reduziram as desigualdades sociais no País, aponta relatório da ONU

Lançado em Nova York nesta segunda (23) durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o estudo Investimentos para o Fim da Pobreza aponta que as ações do governo brasileiro nos últimos 10 anos diminuíram as desigualdades sociais no País e permitiram uma forte redução da pobreza e da miséria, sendo um importante exemplo para o resto do mundo.

O Brasil é um dos destaques do relatório da organização internacional Iniciativas para o Desenvolvimento (Development Initiatives, no original, em inglês). Ele reconhece o Programa Bolsa Família como um dos importantes instrumentos utilizados pelo Brasil para diminuir a pobreza em 40%, ampliar o acesso à alimentação a 52% dos domicílios e reduzir a mortalidade infantil. Isto com um baixo custo, de acordo com o estudo.

“O orçamento de R$ 24 bilhões [do Bolsa Família] representa menos de 1% do orçamento federal de 2013, enquanto o investimento era 0,46% da renda nacional em 2012.”

Brasil e China são reconhecidos no relatório por sua estratégia de investimento social para promover o desenvolvimento sustentável. De acordo com o documento, os recursos governamentais cresceram rapidamente nos dois países, chegando a US$ 4 mil (cerca de R$ 9,2 mil) por pessoa no Brasil e a US$ 1,76 mil (pouco mais de R$ 4 mil) por pessoa na China.


O Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal foi citado como uma iniciativa importante para o sucesso na decisão de investimentos sociais pelo grande volume de informações armazenadas, que permitem uma boa focalização dos programas.

Leia abaixo a tradução de um trecho do relatório sobre os programas brasileiros de combate à fome:

Transferências de renda e a vontade política do Brasil

O Brasil tinha cerca de 11,9 milhões de pessoas abaixo de uma linha de pobreza de US$1,25 por dia em 2009. Sua estratégia de redução da pobreza está assentada sobre reformas políticas e econômicas do passado, com um sistema único articulando diversos programas interligados, entre eles o Bolsa Família (introduzido em 2003), o Brasil Sem Miséria (introduzido em 2011) e o Brasil Carinhoso (introduzido em 2012).

O Bolsa Família, quiçá o mais conhecido, transfere dinheiro diretamente para famílias pobres.

A transferência mínima é de R$70 por mês (cerca de US$35) para famílias sem filhos, mas famílias com filhos recebem mais se atenderem certas exigências, tais como frequência escolar e exames de saúde. Em 2009 o pagamento médio era R$95 (US$47,50).

O Brasil Sem Miséria visa pessoas ainda não atendidas pelo Bolsa Família.

O Brasil Carinhoso amplia o Bolsa Família por atender famílias extremamente pobres com crianças pequenas, assegurando uma renda mínima de R$70, mas com os pagamentos condicionados ao grau de pobreza e não à composição familiar.

Em fevereiro de 2013 a presidenta Dilma Rousseff declarou que a meta de pobreza do governo tinha sido quase alcançada. Cerca de 28 milhões de pessoas foram tiradas da pobreza extrema (com base na linha de pobreza nacional) desde 2003. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada comprovou a eficiência do Bolsa Família, verificando uma redução de 40% das taxas de pobreza (Figura 1) e um aumento de 52% no número de famílias recebendo alimentação suficiente. Acredita-se que o Bolsa Família tenha reduzido a mortalidade dos menores de cinco anos.

O enfoque do Brasil sobre os segmentos mais pobres da sociedade reduziu a desigualdade de renda: o comumente usado coeficiente de Gini caiu de 55,3% em 2002 para 50% em 2011, uma queda bastante rápida.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico observou que sem a redistribuição de renda, a economia do Brasil necessitaria ter crescido com maior rapidez – 4 ou mais pontos percentuais por ano – para conseguir a mesma redução de pobreza.

O crescimento econômico permitiu um aumento dos recursos domésticos – o total despendido por pessoa pelo governo subiu de uma paridade de poder de compra de $2.730 em 2000 para cerca de $4.000 em 2011 – para investimento em programas sociais, estimulando a economia à medida que os pagamentos vão sendo gastos. Cada R$ 1 investido no Bolsa Família deu um retorno de R$ 1,44 para o PIB. Embora o programa tenha contribuído para a redução da pobreza em 2004–2009, o mais importante foram a geração de emprego formal através do crescimento econômico e as políticas de fortalecimento do salário mínimo.

A Fundação Getúlio Vargas estima que cerca de 1/6 da redução da pobreza entre 2003 e 2009 pode ser atribuído exclusivamente ao Bolsa Família, e uma mesma proporção a pensões mais altas.

O Bolsa Família tem ainda um baixo custo de operação: seu orçamento de R$ 24 bilhões (aprox. USD 12 bilhões) representou menos de 1% do orçamento federal de 2013, enquanto seu gasto era 0,46% da renda nacional em 2012.

Atualmente, mais de 48 milhões de pessoas, um quarto da população do Brasil, estão registradas em algum programa social do governo.

O Cadastro Único fornece informação detalhada sobre quem é a maioria dos pobres e onde mora. Dados do censo sugerem que até 700.000 famílias, 2,5 milhões de pessoas segundo algumas estimativas, ainda estão na pobreza, embora ainda não oficialmente cadastradas como tal.

Acesse aqui o relatório completo (em inglês).
No Instituto Lula
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Dilma real e Dilma Bolada conversam no twitter

A presidente recebeu em seu gabinete Jeferson Monteiro, criador da Dilma Bolada, e aproveitou para reativar sua conta no twitter e anunciar entrada no Facebook e Instagram


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Com fidelidade partidária liquidada, cálculos indicam que 50 deputados podem mudar de partido

Manchete principal e do alto de capa de jornal hoje (Folha de S.Paulo), notícia nos demais veículos de comunicação já há alguns dias, o mercado de troca-troca de partido está aquecido, vive o auge de sua temporada de pré-eleição de 2014, com o registro concedido pelo Tribunal Superior eleitoral (TSE) nesta semana a mais duas legendas – o Solidariedade e o Partido Republicano da Ordem Social (PROS). Com eles legalizados, o Brasil chega a 32 partidos.

E continua na bica, prestes a ter decisão, o Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, que quer obter o seu registro até o próximo dia 5 para poder ser candidata por ele à Presidência da República. Cálculos feitos pela Folha de S.Paulo, com base em prognósticos fornecidos por estes três partidos e por outros indica que nada menos que 50 deputados federais estão na “fila”, a espera da legalização de todas essas legendas para trocarem de partido.

O que os jornais não destacam, nem sequer lembram, é que o mercado de tempo de TV e rádio, e do dinheiro fundo partidário, foi criado pelo TSE e pelo Supremo Tribunal Federal, que autorizaram o parlamentar que muda de legenda a levar para a nova o tempo de propaganda e horário eleitoral na mídia eletrônica e parte da verba do fundo partidário.

Ninguém diz que essa barbaridade que liquidou com a fidelidade partidária e criou um mercado de compra e venda de mandatos – essa é a verdade – foi feita pelo TSE, o mesmo que impôs a fidelidade absoluta no início do governo do presidente Lula (2003-2010) para impedir que, na migração de senadores, ele fizesse maioria no Senado.

Primeiro impôs a fidelidade absoluta para impedir que parlamentares da oposição engrossassem a base aliada do governo. Depois flexibilizaram a saída dos partidos criando esse monstro, autorizando a mudança a torto e a direito e validando até que aqueles que mudam levem tempo de rádio e TV e dinheiro do fundo.

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Charge online - Bessinha - # 1944


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A tarefa de buscar um vice ideal para o PT disputar o governo de SP em 2014


Muito boa a entrevista que o ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza deu ao Valor Econômico de hoje. Ele foi indicado para concorrer à presidência do PT em São Paulo com o apoio de cinco correntes do partido e de deputados federais e estaduais. Ele lança hoje sua candidatura, com o apoio e a presença do ex-presidente Lula.

Se confirmar o favoritismo e for eleito, ele vai ajudar a coordenar a campanha do candidato do PT ao governo de São Paulo. O nome mais forte para a disputa é o do ministro Alexandre Padilha (Saúde).

Emídio chama a importância para o candidato a vice-governador. Ele diz que a ideia é repetir a estratégia que ajudou a eleger Lula em 2002, ao escolher um empresário para a função.

“Vamos encontrar um vice com esse perfil (…), alguém que seja reconhecidamente bem visto no meio empresarial e que possa nos ajudar a formular um projeto de desenvolvimento do Estado”, diz Emídio na entrevista ao Valor.

Ele também ressalta que o PT precisa se reciclar. “Talvez, seja hora de aproveitar o recado das ruas e retomar um caminho de diálogo com os movimentos sociais. O PT não é um partido só de governo. Ele nasceu da rua, do movimento social e da proximidade com os sindicatos. Não há razão para se afastar disso.”

Emídio ainda lembra que o PT vem forte para disputar o Estado e acabar com a hegemonia dos tucanos nestes últimos 20 anos.

“Será a primeira vez que vamos disputar a eleição estadual tendo ao mesmo tempo o comando do governo federal e a Prefeitura de São Paulo. Em 2002, tínhamos a prefeitura, mas não o governo federal, ao contrário de 2006 e 2010. Além disso, temos uma força imensa na Região Metropolitana de São Paulo, o cinturão vermelho, e reconquistamos feudos que eram do PSDB, como Jundiaí e São José dos Campos. No total, temos 73 prefeituras no Estado e estamos coligados com outros partidos em grandes cidades, como Presidente Prudente, Bauru e Rio Claro”, afirma.

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PT anuncia oficialmente Padilha como candidato ao governo de São Paulo


SÃO PAULO - Agora é oficial. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é o candidato a governador de São Paulo pelo PT. O ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, reafirmará a posição em evento marcado para esta sexta-feira na Casa de Portugal, em São Paulo, num evento em que o PT aproveitará também para o lançamento da candidatura de Emidio de Souza para presidente estadual do PT. Lula já lançou o nome de Padilha num evento em Bauru e outro há uma semana, num encontro estadual do partido, afetado pela morte do ex-deputado Luiz Gushiken. Por isso, Lula promete agora, num ato mais formal com a militância petista, para lançar o nome de Padilha na dipusta pelo governo paulista, que está nas mãos dos tucanos há 20 anos.

— Dizem que Lula já elegeu dois postes, Dilma e Haddad (prefeito Fernando Haddad). Agora vai eleger um terceiro. Mas Padilha é o tipo de poste que qualquer partido gostaria de ter. É um poste com luz própria — disse nesta quinta-feira o presidente estadual do PT de São Paulo, Edinho Silva.

Silva diz que o programa do Ministério da Saúde, “Mais Médicos”, será para Padilha na campanha eleitoral no ano que vem, o que foi o Prouni na alavancagem da candidatura de Haddad para a prefeitura de São Paulo no ano passado.

— A ideia do partido, e do Lula, é fazer um grande ato favorável a Padilha a cada 20 dias, em horários em que ele não está trabalhando no Ministério, evidentemente — disse Edinho, para quem o ideal é que o ministro deixe o cargo já em janeiro para começar a campanha pra valer, com viagens ao interior do Estado.

O presidente estadual do PT explicou que o programa Mais Médicos já é uma vitória do governo Dilma perante a sociedade, enquanto política pública.

— É uma das maiores vitórias do governo Dilma. E nesse contexto, o ministro Padilha é o interlocutor dessa vitória. As entidades representativas dos médicos erraram muito no tom. Infelizmente os médicos que atuam na saúde pública já não tinham uma boa imagem junto à população que utiliza o SUS, claro que com exceções. Se recusam a dar o registro para os médicos estrangeiros, de ter um discurso muito pesados contra o Mais Médicos. As entidades sabem que em São Paulo não se consegue preencher as vagas em concurso público, imagina nas regiões mais empobrecidas do país? Ao carregarem no discurso contra, elas estão colaborando para um desgaste histórico dos médicos - disse Edinho Silva, afirmando que apesar de tudo o “programa já deu certo”.

Sobre o fato do ministro pegar “carona” no sucesso do programa de governo, Edinho Silva, é direto: acha que Padilha vai se promover eleitoralmente com o programa.

— O programa já deu certo. Eu penso que o Padilha é um quadro muito preparado. Foi um ministro muito bom da Secretaria de Relações Institucionais. Muitos limitam a atuação do Padilha à atuação dele agora no Ministério da Saúde. Foi ministro muito imporante na implantação de programas do governo Lula junto aos municípios, na relação com estados. Um ministro muito capaz na articulação política com o Congresso Nacional e já no Ministério da Saúde já vinha fazendo um trabalho excepcional de repensar o modelo de administração da Saúde no Brasil — disse Edinho Silva.

É evidente, segundo Edinho, que o setor tinha problemas que Padilha procurou enfrentar à frente do ministrério, administrando problemas graves e recursos escassos.

— A preocupação do Padilha é que efetivamente o dinheiro aplicado dê os melhores resultados posíveis - disse Edinho, entendendo que os problemas da saúde podem ser abordados na campanha, mas que Padilha está preparado para esse debate com seus adversários.
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Dilma apresenta novo Portal Brasil

(clique na imagem)

Junto com a estreia de sua fan page no Facebook, o novo Portal Brasil pretende ser a porta de entrada da relação do cidadão com o governo federal

O Gabinete Digital é uma iniciativa online do Governo Federal para ampliar o acesso do cidadão à informação pública, serviços, prestação de contas e participação popular nas decisões. O Gabinete Digital vai coordenar a integração das redes sociais oficiais e simplificar os canais de acesso do cidadão ao governo. O eixo da ação é a percepção que o cidadão é um só e precisa, portanto, de um canal unificado de acesso ao governo. O Gabinete Digital irá agregar as informações dos ministérios e políticas públicas para auxiliar a tomada de decisões estratégicas do governo; alinhar a divulgação das políticas públicas nas redes sociais; aprimorar a comunicação do Governo com os servidores e aperfeiçoar os canais de interação com a população.

A primeira entrega do Gabinete Digital é a reformulação do Portal Brasil, em um trabalho conjunto com a Secom e o Ministério do Planejamento. Estreando uma página no Facebook, o novo Portal Brasil pretende ser a porta de entrada da relação do cidadão com o governo federal, reunindo num único local informação, serviço, prestação de contas e participação social.

Informação – O novo Portal Brasil será a principal fonte de informação pública na internet. Ele irá agregar, em tempo real, todas as notícias divulgadas pelas assessorias de comunicação dos ministérios. Contará, ainda, com conteúdos da TV NBR, com destaque para as transmissões ao vivo.

Serviços – Por meio do Portal Brasil, o cidadão terá acesso a 583 serviços públicos online, como emissão de um Darf ao pedido de passaporte, cálculo da Previdência e pedido de inscrição no FIES, dentre outros.

Transparência – O Portal Brasil também dará acesso ao Portal da Transparência (a página da Controladoria Geral da União, com dados detalhados sobre a execução orçamentária e financeira do governo federal) e ao Portal da Legislação (mantido pela Casa Civil, com um sistema atualizado diariamente de todas as leis e decretos em vigor no País).

Servidor – Reformulado, o novo Portal do Servidor será o principal canal de informação de interesse do servidor. Ele terá informações da carreira, dos concursos e notícias que ressaltem o papel dos servidores como protagonistas das politicas públicas.

Fale com a Presidenta – Por meio do Portal Brasil o cidadão poderá enviar uma pergunta, uma sugestão ou uma crítica que será respondida pela assessoria da Presidência da República.

Dados Abertos – O novo Portal oferecerá 2.900 sistemas de dados, livremente disponíveis para todos utilizarem e redistribuírem como desejarem, sem restrição de licenças, patentes ou mecanismos de controle.

Aplicativos – Estarão disponíveis no portal 30 aplicativos públicos para celulares e tablets.

Identidade visual – O novo Portal Brasil inaugura a nova identidade de comunicação digital do governo, a ser seguida no futuro por todos os órgãos públicos. Além de uma identidade unificada, o projeto assegura acessibilidade, para que pessoas com deficiência possam interagir com seus conteúdos, facilidade na navegação e responsividade, que permite a visualização do mesmo conteúdo em computadores, smartphones e tablets.

Em outubro, o Gabinete Digital irá ampliar os canais de diálogo online com a sociedade. O Portal Planalto (com notícias da Presidência da República) será reformulado, com versão interativa no Facebook. E será criado um canal de participação social, privilegiando o debate e a proposta das políticas públicas.

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Ibope: mais importante que os números, a trajetória dos índices


Ontem, ao comentar o resultado da pesquisa Ibope, aqui, dissemos que Dilma Rousseff “ vai dissolvendo a imagem de rejeição que se tentou construir para ela.”

Com acesso aos dados da pesquisa, fui conferir esta impressão.

Os dados aí nos dois gráficos a comprovam, e com grande intensidade.

A rejeição a Dilma, na pesquisa de julho, chegava a 48%. Despencou, agora, para 34%, a menor entre todos os candidatos.

Já o potencial de votos, obtido pelas respostas “votaria com certeza ” e “poderia votar” subiu de 49 para 55%.

Com Marina, deu-se exatamente o inverso.

A rejeição subiu de 29 para 36%, a maior depois de Serra, que não aparecia na pesquisa anterior, e a aceitação caiu de 50 para 43%.

A confirmar-se a recuperação da economia, mesmo lentamente, vai ser preciso mais que a campanha permanente de mídia para mudar a tendência das eleições de 2014.

Intrigante, na pesquisa, é o longo prazo entre a sua conclusão e a divulgação dos resultados. Fechada no dia 16, levou dez dias para ser divulgada. Como é de duvidar que o Ibope tabule os questionários à mão, dá para pensar, não é?

Fernando Brito
No Tijolaço 
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Avaliação positiva do governo Dilma sobe de 31% para 37%, aponta Ibope


Pesquisa foi encomendada pela CNI e divulgada nesta sexta-feira (27).
Aprovação pessoal da presidente Dilma também subiu de 45% para 54%.

A avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff subiu seis pontos percentuais e atingiu 37%, segundo pesquisa do Ibope  encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta sexta-feira (27). No final de julho, quando havia sido realizada a última pesquisa do Ibope a pedido da CNI, o percentual dos que consideraram o governo "ótimo" ou "bom" havia sido de 31%.

A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O Ibope ouviu 2002 eleitores em 142 municípios do país entre os dias 14 e 17 deste mês.

A alta de seis pontos percentuais registrada pela presidente na pesquisa de setembro em relação à realizada em julho não foi suficiente para a retomada dos índices de aprovação anteriores à manifestações que tomaram as ruas do país em junho e julho.

A presidente tinha 63% de aprovação no mês de março, passou para 55% em junho e caiu para 31% em julho, numa edição especial da pesquisa para avaliar o impacto das manifestações.

O percentual de eleitores que considerou o governo Dilma como "ruim" ou "péssimo" registrou redução de nove pontos percentuais - de 31% para 22%. Entre os demais, 39% avaliaram como regular - em julho haviam sido 37% -e 1% não soube responder.

A aprovação pessoal da presidente subiu nove pontos percentuais em relação ao levantamento de julho - passou de 45% para 54% em setembro. Com isso, a maneira de Dilma governar voltou a contar com mais da metade dos ouvidos pelo Ibope. O índice dos que desaprovam caiu de 49% em julho para 40% na pesquisa atual.

O percentual de eleitores que confiam na presidente Dilma também voltou a superar os 50%. Subiu de 45% para 52%.

Entre os ouvidos, 44%¨consideraram o governo de Dilma igual ao do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Outros 42% avaliaram como pior do que o governo Lula. Dos entrevistados, 13% consideraram melhor e 2% não responderam.

Áreas de atuação

A pesquisa realizada em setembro avaliou ainda a aprovação do governo por áreas de atuação. No último levantamento, em julho, não foi realizada a pesquisa por áreas - o foco foi a popularidade do governo e a pessoal da presidente. Por isso, a comparação em relação aos temas foi feita com o levantamento de junho, anterior à onda de protestos. O resultado é que em todas as áreas de atuação foram registradas quedas.

A saúde foi a área com pior avaliação - a aprovação caiu de 32% em junho para 21% em setembro e a desaprovação passou de 66% para 77%.

Na educação, a aprovação passou de 47% para 33%, enquanto a desaprovação foi de 51% para 65%.

Na área de segurança pública, a aprovação caiu de 31% para 24%, enquanto a desaprovação foi de 67% para 74%.

O setor melhor avaliado foi o combate à fome e à pobreza. Mesmo assim, a aprovação caiu de 60% para 51%, enquanto a desaprovação foi de 38% para 47%. No combate ao desemprego, a aprovação de 52% foi para o percentual de 39%. a desaprovação subiu de 45% para 57%.

A pior queda na aprovação dentro das áreas de atuação foi na política de juros. O índice caiu 16 pontos percentuais, de 39% para 23%. A desaprovação foi de 54% para 71%. No combate à inflação, a aprovação caiu de 38% para 27% e a desaprovação passou de 57% para 68%.

Espionagem e Mais Médicos

Considerando as notícias mais lembradas pelos ouvidos, a primeira se refere à espionagem norte-americana ao Brasil - 21% lembraram do tema. A presidente Dilma e a Petrobras teriam sido alvos de espionagem. Dilma reagiu duramente ao episódio e afirmou em discurso na ONU, nesta semana, que a espionagem fere a soberania de um país.

O programa Mais Médicos, que visa ampliar o número de profissionais na periferia e no interior, foi o segundo tema mais citado, por 18% dos ouvidos. A iniciativa é criticada por entidades médicos porque permite a atuação de profissionais estrangeiros sem a necessidade de revalidação do diploma de medicina.

No G1
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Requião denuncia “molecagem” da Globo


O senador Roberto Requião criticou nesta quinta-feira (26), no plenário, matéria publicada domingo passado (22) pelo jornal "O Globo" que fala de processos contra políticos brasileiros em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

Por conta do voto do ministro Celso de Melo, acatando a possibilidade de recursos dos réus do chamado "mensalão", o jornal afirma que quase uma centena parlamentares podem se beneficiar dos "embargos infringentes". A matéria lista o senador Roberto Requião mas não esclarece o conteúdo do processo que é movido contra ele.

O senador diz que a matéria é um caso típico de sonegação de informação e que foi por causa disso que ele elaborou o projeto de Direito de Resposta, aprovado por unanimidade pelo plenário do Senado.

A seguir, a comunicação feita por Requião nesta quinta-feira (26).

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Uma capa resume tudo

Veja não surpreende. Espanta quem acredita nela entre privilegiados e aspirantes ao privilégio

"Estarrece que larga porção da sociedade acredite
nas interpretações de Veja e repita seus pareceres
mirabolantes"
Berlusconi é o político mais bem-sucedido da Itália dos últimos 20 anos. Como se sabe, foi um desastre, e não espanta que tenha sido, com o condão de pagar agora pelas mazelas cometidas. Espanta, isto sim, que metade dos italianos tenha votado nele. Passo a falar de Brasil. A capa de Veja desta semana é o símbolo irretocável de um singular humor em que se misturam má-fé e estupidez. A revista da Abril mesmo assim não nos surpreende, já sabemos do que é capaz de longa data. Estarrece que larga porção da sociedade nativa, privilegiados e aspirantes ao privilégio, acredite nas interpretações de Veja e repita passagens dos seus pareceres mirabolantes.

O espetáculo midiático proporcionado na cobertura do chamado “mensalão” é, em geral, estarrecedor ao revelar em toda a sua evidência o atraso intelectual e cultural dos tais cidadãos a que me referi, jornalistas e seus patrões, leitores, espectadores, ouvintes. Todos unidos na demonstração de uma parvoíce movida a raiva, ódio de classe, medo, preconceito, hipocrisia, inveja, abissal ausência de espírito crítico.

A tigrada dita de classe média (média até agora não sei por quê) é, aliás, a própria, definitiva, irremediável prova da incapacidade de cumprir o papel que compete à burguesia. Aquele, digamos, de precipitar a Revolução Francesa. Pelo contrário, aí está a provar a ignorância, mau gosto, provincianismo, pavor da mudança. Dizia Lévi-Strauss ao definir os senhores paulistanos 80 anos atrás: “Eles se têm em alta conta e não sabem como são típicos”. Illo tempore, os senhores viam em Paris o umbigo do mundo. A tipicidade aumentou, e hoje, ao comporem uma categoria muito mais vasta, substituem a Ville Lumière por Miami.

Pouparei os amáveis frequentadores deste espaço das minhas considerações a respeito das gravatas amarelo-ouro ou da descoberta do vinho que alguns carregam aos restaurantes em bolsas apropriadas. De couro cru, para o desconforto de quem sonha com estes luxos e ainda não chegou lá. Citarei a leitura escassa ou mesmo nula: há mais livrarias em Buenos Aires do que no Brasil todo. O estudo precário, a péssima lida com o vernáculo, a eterna expectativa do favor dos amigos ou do arreglo por baixo do pano.

Cabe evocar tudo aquilo que certifica a mediocridade da turma. O caos arquitetônico, isento de módulos e linhas mestras, frequentemente inspirado em Gotham City, quando não entregue à imitação de modelos de outros cantos do mundo, escolhidos conforme a veneta do dia, sem excluir telhados normandos na previsão da neve. Ou mesmo a certeza, tipicamente local, de que São Paulo é capital gastronômica do planeta, alimentada por quem até ontem mastigava espaguete regado a uísque.

Vezos burgueses, amparados em tradições seculares, ou em modismos momentâneos, carecem de maior importância, está claro. Resta o fato desta ferocidade desvairada, para não dizer demente, diante de um episódio, embargos infringentes justificados pelas leis, e que tanto podem abrandar as penas dos condenados quanto agravá-las, conforme esclareceu em vão o ministro Celso de Mello. Cresce, na moldura do evento, a desinformação generalizada, o desconhecimento do código e do quem é quem.

Ocorre-me um amigo que eu chamava de samurai, Luiz Gushiken, ministro de Lula no primeiro mandato, primeira vítima do “mensalão” sem qualquer culpa em cartório, de fato aquele que percebeu o papel devastadoramente daninho do banqueiro Daniel Dantas, visceralmente envolvido no processo e tão chegado a petistas de outro naipe, como Márcio Thomaz Bastos, José Dirceu, Luiz Eduardo Greenhalgh, sem contar o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Gushiken morreu dia 13 passado, honrado e, receio, infeliz.

Outro injustiçado é José Genoino, que, segundo Veja, gargalha com o voto de Celso de Mello. A malta não sabe que Genoino é um herói brasileiro, esperançoso e iludido até as últimas consequências, acreditou que o Araguaia seria a Sierra Maestra brasileira, e, ao lado de 80 companheiros, lutou contra 10 mil soldados da ditadura. Torturado brutalmente, ressurgido das cinzas, ainda espera que o Brasil deixe de ser o país da casa-grande e da senzala. Ao contrário do que afirmam seus inquisidores a pretendê-lo “mensaleiro”, não sabe onde cair morto, se me permitem a linguagem rasteira.

Mino Carta
No CartaCapital
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Faltam 8 dias para o haraquiri do Serra

"Cerra" tem medo da sombra. Inclusive a dele


O "Padim Pade Cerra" tem oito dias para definir se fica no PSDB ou se vai para o PPS, do ex-comunista Roberto Freire (pior que ex-comunista só …)

Se ficar no PSDB tem que destruir o Aécio.

Aécio tomou conta dos programas do PSDB – que definha no Congresso, sob a liderança do "Cerra" e do FHC.

E aparece com essa obra-prima do marquetismo político “vamos conversar?”.

O que o amigo navegante teria para conversar com o Aécio?

Sobre a frota de carros da rádio dele?

Sobre o bafômetro?

Porque como líder político, como diz um amigo navegante, ele é o “picolé de tofu”.

E o "Cerra"?

Depois de assistir ao trepidante programa do horário eleitoral, o ansioso blogueiro disse que o Aécio não seria candidato.

E que em duas ou três pesquisas – do Globope e do Datafalha – ele passava o Aécio e com um trator por cima da cabeça do Aécio.

Para isso, "Cerra" precisa ficar no PSDB.

Numa pesquisa – nessa em que a Dilma pode ganhar no primeiro turno -, ele ficou do mesmo tamanho do Aécio.

É seis por meia dúzia.

"Cerra" tem mais duas para virar o jogo e devolver Aécio ao Rio de Janeiro.

O amigo navegante desavisado dirá que "Cerra" não se decidiu até agora por cálculo político, maquiavelismo, por estratégia eleitoral.

Ledo engano.

Não se decidiu porque ele não sabe o que fazer.

"Cerra" tem medo da sombra.

Inclusive a própria.

"Cerra" está imobilizado pela fraqueza.

Por falar nisso: de que vive o "Cerra"?

Paulo Henrique Amorim
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Por que a recuperação de Dilma era previsível


Segundo a pesquisa Ibope/Estadão, Dilma Rousseff abriu 22 pontos sobre Marina Silva (a segunda colocada) e venceria, no primeiro turno, as próximas eleições.

Em 1o de julho passado, no auge do desgaste de Dilma (e dos políticos em geral) com as passeatas, previ esse movimento no post “Os desafios de Dilma nos novos tempos da Política”.

Dois fenômenos explicam sua recuperação.

O “overshooting”

Essa expressão refere-se a movimentos agudos de opinião pública, para baixo ou para cima. Vale para o mercado de opiniões em geral, seja o mercado de capitais, na análise de políticos ou personalidades públicas em geral.

Para esse mercado, nenhum governante ou ativo ou empresa é bom ou ruim. Ele é caro ou barato.

Quando há um longo período de celebração  da pessoa, ela se torna “cara”. Isto é, a opinião pública começa a se dar conta de que ela não era tudo aquilo e começa a reparar nos defeitos. Ou seja, o fator novo são os defeitos, não as qualidades – que foram supervalorizadas no período anterior.

A avaliação começa pelos círculos formadores de opinião e vai se espraiando pelo público em geral. Até que ocorre um fenômeno qualquer – na Bolsa, uma queda brusca nas cotações; na política, alguma crise – e observa-se o fenômeno do “overshooting”. Há uma radicalização da avaliação negativa, um abandono de todas as avaliações positivas, que joga a imagem no fundo do poço.

O desafio é saber até onde irá a queda. Se for longe demais, a pessoa (ou ação) vira pó. Se a queda for até pisos suportáveis, diz-se que bateu na “linha de resistência”, o piso da queda.

Como o movimento foi radical, gradativamente o mercado começa a se dar conta de que o ativo ficou “barato”. E aí se dá a reavaliação.

Em sentido inverso, gradativamente o mercado passa a identificar pontos positivos – que ficaram esquecidos na fase anterior. E o “preço” – cotação de ativos ou melhoria de popularidade nos políticos – começa a se recuperar. Na maioria dos casos, não volta aos picos anteriores, mas, pelo menos, ficará  em níveis confortáveis.

A “segunda chance”

Trata-se de outro fenômeno social – pouco analisado pelos cientistas. O ídolo caído traz um sentimento de nostalgia, mesmo que tenha cometido erros graves – como foi o caso de Paulo Maluf e outros. E a opinião pública confere a segunda chance.

Tem que se saber aproveitar a chance.

Em artigo no dia 22 de julho – “A bola ainda está com Dilma” procurei explicar porque Dilma já tinha começado a dar a volta.

Duas pesquisas seguidas mostraram que Dilma parara de cair e os níveis de popularidade ficaram em pisos confortáveis.

Alguns comentaristas falaram em “estagnação” – pelo fato de não ter caído nem subido por duas pesquisas seguidas. Não se deram conta de que a análise relevante era outra: ela não virou “pó” e estacionou em níveis que facilitariam a recuperação.

Não existe terceira chance. Daí a importância de não se permitir o acúmulo de problemas e o distanciamento da opinião pública, que precedeu a primeira queda.

A oposição

Contou, e muito, para essa recuperação, a ausência quase total de propostas por parte da oposição.

Do lado do PSDB, a velha mídia demorou para aceitar seu novo campeão, Aécio Neves. O espectro Serra continuou puxando o partido para baixo. E o PSDB ainda não conseguiu se libertar de seu estilo cansativo – negativista, um garimpeiro que, em cada ato de governo, procura o cascalho, em vez de apontar a pepita.

O estilo “urubulino” de Serra é tão forte que, na campanha de 2010, um dos pontos era a velhice sadia. Em vez de mostrar idosos de bem com a vida, a campanha mostrava idosos doentes, presos às cadeiras de rodas, às macas de hospitais.

Ou Aécio dá uma cara jovem ao PSDB, ou vai para o asilo com Serra. Para isso, precisa articular um discurso alternativo eficiente, algo que não conseguiu.

Eduardo Campos apostou muito na desorganização total da economia. De fato, em junho havia uma soma assustadora de visões do caos: queda da economia China arrastando as commodities; fim dos fluxos financeiros para o país; ameça de rombo não financiável nas contas externas; povo na rua, querendo mudar tudo. O caos não veio, e Campos terá que refazer sua visão de futuro.

Marina Silva não conseguiu seu partido. E há uma percepção crescente de que, no embate direto da campanha político, enfrentará muitas dificuldades em se apresentar como o novo junto ao público jovem – que poderia ser a base mais animada de seu eleitorado.

Luis Nassif
No GGN
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É Dilma subindo, os outros caindo e o rancor de Freire


A presidente petista Dilma Rousseff subiu mais 8 degraus no Ibope, foi a 38% das intenções de voto, e abriu 22 pontos de vantagem sobre a segunda colocada, Marina Silva (sem partido), que caiu de 22 para 16%. Na nova pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira, só a presidente subiu, todos os outros candidatos caíram. Aécio Neves (PSDB) foi de 13 para 11% e, Eduardo Campos, caiu de 5 para 4%.

No mesmo dia, Dilma recebeu outras duas boas notícias, que devem se refletir positivamente nas próximas pesquisas: a taxa de desemprego caiu para 5,3%, a menor do ano, e a renda média dos trabalhadores subiu 1,7% em agosto.

Enquanto isso, a rede nacional de televisão foi ocupada durante 10 minutos pelo PPS de Roberto Freire para denunciar, mais uma vez, que os governos petistas estão acabando com o país. Carregado de rancor, o programa parecia uma novela de época dos tempos da Guerra Fria, que fez lembrar a imagem assustadora das viúvas globais fantasiadas de negros fantasmas após o voto do ministro Celso de Mello a favor dos embargos infringentes na semana passada.

A impressão que me deu é que o programa foi gravado há mais tempo e estava na gaveta aguardando o momento oportuno para ir ao ar. O proprietário do PPS, velha linha auxiliar do PSDB, caminhando para a irrelevância, certamente não poderia ter escolhido dia melhor. Pena que os fatos não o tenham ajudado.

Após as manifestações de protesto de junho e o julgamento do mensalão, Freire deve ter avaliado com o seu estado-maior que Dilma e o PT estavam no chão, e chegara a hora de soltar os seus canhões, já um tanto desgastados pelo tempo. Sem noção do seu tamanho, acreditando no espaço que a mídia sempre lhe deu, na proporção inversa da sua importância política, Roberto Freire chegou a ser candidato a presidente da República, em 1989, quando foi contemplado com 1,06% dos votos

Com seu conhecido senso de oportunidade, carisma, simpatia e sofisticada estratégia política, o dono do PPS, partido que ele fundou em 1992 para substituir o antigo Partido Comunista Brasileiro, e preside até hoje, deputado federal eleito por José Serra em São Paulo, em 2010, Freire escolheu como assistente de palco Stepan Nercessian, ator reserva do segundo time da Globo. Até Soninha Francine (lembram-se dela?), agora sem mandato e sem uma boquinha, deu uma aparecida. O resto nem sei quem é.

Freire entoou o discurso "ético", bufando contra a inflação, os desmandos administrativos e a corrupção, mas só se esqueceu que o artista convidado para ser o âncora do programa, também deputado federal, foi acusado no ano passado de ter pedido e recebido R$ 175 mil do notório bicheiro Carlinhos Cachoeira, o que não o impediu de caprichar no sorriso sarcástico para atacar Dilma e o PT. Na época, o ator deputado garantiu que devolveu o dinheiro, o caso foi arquivado e não se falou mais no assunto.

Memória e coerência não são o forte desse pessoal. Ainda esta semana, o jornalista Sebastião Nery lembrou em sua coluna que o "comunista de carteirinha" Roberto Freire fora nomeado para seu primeiro cargo público, o de procurador do Incra, no Recife, pelo general Médici, no auge da repressão dos anos 1970.

Este ano, Freire ensaiou, primeiro, uma aliança com Eduardo Campos. Depois, tentou fazer a fusão do seu partido com o PMN para criar o MD (Movimento Democrático) com o objetivo de  abrigar uma nova candidatura presidencial do parceiro José Serra, que até hoje não decidiu o que pretende fazer da vida. Sempre em negociações, o führer do PPS também ofereceu a sigla a Marina Silva, que até agora não conseguiu viabilizar sua Rede da Sustentabilidade, seja lá o que isso quer dizer. Sendo contra o PT, para Freire, qualquer candidato serve.

Na salada de siglas da política brasileira, que ganhou mais duas esta semana, chegando a 32, o PPS ocupa atualmente o 13º lugar no ranking, atrás do PCdoB, com 12 deputados e R$ 8 milhões do Fundo Partidário para gastar este ano, sem falar nos seus valorizados minutos na televisão, que Freire pode destinar a quem quiser, dependendo da conversa. Na próxima semana, quando se encerra o prazo para filiações e criação de novos partidos, saberemos finalmente  em qual onda o PPS vai surfar desta vez.

Já escrevi aqui outro dia e repito: com estes candidatos e esta oposição, Dilma corre o risco de ganhar as eleições do próximo ano por WO.

Ricardo Kotscho
No Balaio
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Pepe Mujica deu um soco no estômago do mundo inteiro


Dilma Roussef puxou o orelhão de Obama.

Pepe Mujica deu um soco no estômago do mundo inteiro.

Ela levantou a bola, ele cortou.

Se o discurso de Dilma foi considerado áspero, contundente ou agressivo por jornais de vários países, o do presidente do Uruguai foi demolidor de toda a ordem internacional vigente.

Foi pedra pra todo lado, sobrou pra todo mundo. Não chegou a propor o socialismo global, mas deixou implícito.

Para mau entendedor, nenhuma palavra basta.

Só poupou os pobres. Poupou não, defendeu. Como raramente se vê na ONU, além das declarações para as câmeras e dos releases para os jornais. Não por acaso, o próprio release da ONU descreve o discurso com um desdém digno de um mero papo cabeça de maconheiro. Ban Ki-Moon reconheceu e agradeceu a intensa presença dos soldados uruguaios nas forças internacionais de paz. E chega.
Por diversas vezes Mujica aludiu ao pequeno tamanho do Uruguai. Isso pode se tornar um problema para os uruguaios, na medida em que país vai se tornando, cada vez mais, a pátria dos 99%.

Não vai caber todo mundo que começa a sonhar em viver num país onde o presidente não veste gravata e sonha com o mesmo mundo que todos sonhamos.

Todos menos os restantes 1%, que tudo vêem, ouvem e controlam, sem sequer admitir pitos.

Se fosse brasileiro, Pepe seria Zé. Pois, no fundo, ele é importante por ser exatamente isso: o Zézinho, nosso vizinho, um cara que a gente conhece e gosta, que vive como nós e entende o que a gente sente.

“Sou do sul, venho do sul. Moro ali na esquina do Atlântico com o Prata”.

Foi assim que o Zé puxou o papo na ONU. Poderia ser da avenida Atlântica com a rua da Prata, mas da zona norte.

Prosseguiu lembrando o dia que o time dele venceu o nosso numa final de Copa no Maracanã.

“Quase 50 anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva. Hoje, ressurgimos no mundo globalizado, talvez aprendendo de nossa dor”.

E que, como nós, também amava os Beatles e os Rolling Stones.

“Minha história pessoal, a de um rapaz — por que, uma vez, fui um rapaz — que, como outros, quis mudar seu tempo, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes.”

É ou não é nosso vizinho da esquina?

E, daí pra frente, o Zé não deixou pedra sobre pedra.

“Carrego as culturas originais esmagadas, com os restos de colonialismo nas Malvinas, com bloqueios inúteis a este jacaré sob o sol do Caribe que se chama Cuba.”

Cortou a bola levantada pela vizinha Dilma, da rua de cima…

“Carrego as consequências da vigilância eletrônica, que não faz outra coisa que não despertar desconfiança. Desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego uma gigantesca dívida social, com a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos grandes rios na América.”

Prometeu uma força pra galera da rua Colômbia, não aquela dos Jardins.

“Carrego o dever de lutar por pátria para todos…

Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz…”

“O combate à economia suja, ao narcotráfico, ao roubo, à fraude e à corrupção, pragas contemporâneas, procriadas por esse antivalor, esse que sustenta que somos felizes se enriquecemos, seja como seja. Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo com o deus mercado, que nos organiza a economia, a política, os hábitos, a vida e até nos financia em parcelas e cartões a aparência de felicidade.”

E botou toda a vizinhança na roda.

“Nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como vamos, não é possível satisfazer esse sentido de esbanjamento que se deu à vida. Isso se massifica como uma cultura de nossa época, sempre dirigida pela acumulação e pelo mercado.”

Mandou um recado para os donos do bairro.

“Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe da convivência humana.”
E para os donos do circo.

“Talvez nosso mundo necessite menos de organismos mundiais, desses que organizam fóruns e conferências, que servem muito às cadeias hoteleiras e às companhias aéreas e, no melhor dos casos, não reúne ninguém e transforma em decisões…”

Para o general da banda também.

“Ouçam bem, queridos amigos: em cada minuto no mundo se gastam US$ 2 milhões em ações militares nesta terra. Dois milhões de dólares por minuto em inteligência militar!! Em investigação médica, de todas as enfermidades que avançaram enormemente, cuja cura dá às pessoas uns anos a mais de vida, a investigação cobre apenas a quinta parte da investigação militar.”

E bota o dedo na ferida.

“As instituições mundiais, particularmente hoje, vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem reter sua cota de poder.
Bloqueiam esta ONU que foi criada com uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade. Mas, pior ainda, da democracia no sentido planetário, porque não somos iguais. Não podemos ser iguais nesse mundo onde há mais fortes e mais fracos. Portanto, é uma democracia ferida e está cerceando a história de um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e verdadeiramente existente. E, então, remendamos doenças ali onde há eclosão, tudo como agrada a algumas das grandes potências. Os demais olham de longe. Não existimos.”

Não poupou a globalização, nem a China.

“Paralelamente, devemos entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, mas da humanidade toda, e esta deve, como tal, globalizada, empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com decência de maneira autônoma. Os recursos necessários existem, estão neste depredador esbanjamento de nossa civilização.

Há pouco tempo, na Califórnia, o corpo de bombeiros festejou uma lâmpada elétrica que está acesa há cem anos! Cem anos acesa, amigos!! Quantos milhões de dólares nos tiraram dos bolsos fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem, comprem, comprem e comprem?”

A solução? Incorporar a ciência à política.

“Há mais de 20 anos que discutimos a humilde taxa Tobin. Impossível aplicá-la no tocante ao planeta. Todos os bancos do poder financeiro se irrompem feridos em sua propriedade privada e sei lá quantas coisas mais. Mas isso é paradoxal. Mas, com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem, passo a passo, é capaz de transformar o deserto em verde.

O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar vegetais que vivam na água salgada. A força da humanidade se concentra no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de energia. O que sabemos da fotossíntese? Quase nada. A energia no mundo sobra, se trabalharmos para usá-la bem. É possível arrancar tranquilamente toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível para as gerações vindouras, se conseguirem raciocinar como espécie e não só como indivíduos, levar a vida à galáxia e seguir com esse sonho conquistador que carregamos em nossa genética.”

E nós com isso?

“Mas, para que todos esses sonhos sejam possíveis, precisamos governar a nos mesmos, ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar à altura da civilização que, de fato, nós criamos.

Este é nosso dilema. Não nos entretenhamos apenas remendando consequências. Pensemos nas causas profundas, na civilização do desperdício, na civilização do usar e jogar fora, que despreza tempo mal gasto de vida humana, esbanjando coisas inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico, acima de todas as coisas, é respeitar a vida e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie somos nós.”

Jura Passos 
No DCM

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"Soy del Sury vengo del Sur"



Versão em inglês:


Amigos, sou do sul, venho do sul. Esquina do Atlântico e do Prata, meu país é uma planície suave, temperada, uma história de portos, couros, charque, lãs e carne. Houve décadas púrpuras, de lanças e cavalos, até que, por fim, no arrancar do século 20, passou a ser vanguarda no social, no Estado, no Ensino. Diria que a social-democracia foi inventada no Uruguai.

Durante quase 50 anos, o mundo nos viu como uma espécie de Suíça. Na realidade, na economia, fomos bastardos do império britânico e, quando ele sucumbiu, vivemos o amargo mel do fim de intercâmbios funestos, e ficamos estancados, sentindo falta do passado.

Quase 50 anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva. Hoje, ressurgimos no mundo globalizado, talvez aprendendo de nossa dor. Minha história pessoal, a de um rapaz — por que, uma vez, fui um rapaz — que, como outros, quis mudar seu tempo, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes. Meus erros são, em parte, filhos de meu tempo. Obviamente, os assumo, mas há vezes que medito com nostalgia.

Quem tivera a força de quando éramos capazes de abrigar tanta utopia! No entanto, não olho para trás, porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou para reverberar memórias.

Me angustia, e como, o amanhã que não verei, e pelo qual me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez, hoje, a primeira tarefa seja cuidar da vida.

Mas sou do sul e venho do sul, a esta Assembleia, carrego inequivocamente os milhões de compatriotas pobres, nas cidades, nos desertos, nas selvas, nos pampas, nas depressões da América Latina pátria de todos que está se formando.

Carrego as culturas originais esmagadas, com os restos de colonialismo nas Malvinas, com bloqueios inúteis a este jacaré sob o sol do Caribe que se chama Cuba. Carrego as consequências da vigilância eletrônica, que não faz outra coisa que não despertar desconfiança. Desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego uma gigantesca dívida social, com a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos grandes rios na América.

Carrego o dever de lutar por pátria para todos.

Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, e carrego o dever de lutar por tolerância, a tolerância é necessária para com aqueles que são diferentes, e com os que temos diferências e discrepâncias. Não se precisa de tolerância com aqueles com quem estamos de acordo.

A tolerância é o fundamento de poder conviver em paz, e entendendo que, no mundo, somos diferentes.

O combate à economia suja, ao narcotráfico, ao roubo, à fraude e à corrupção, pragas contemporâneas, procriadas por esse antivalor, esse que sustenta que somos felizes se enriquecemos, seja como seja. Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo com o deus mercado, que nos organiza a economia, a política, os hábitos, a vida e até nos financia em parcelas e cartões a aparência de felicidade.

Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até autoexclusão.

O certo, hoje, é que, para gastar e enterrar os detritos nisso que se chama pela ciência de poeira de carbono, se aspirarmos nesta humanidade a consumir como um americano médio, seriam imprescindíveis três planetas para poder viver.

Nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como vamos, não é possível satisfazer esse sentido de esbanjamento que se deu à vida. Isso se massifica como uma cultura de nossa época, sempre dirigida pela acumulação e pelo mercado.

Prometemos uma vida de esbanjamento, e, no fundo, constitui uma conta regressiva contra a natureza, contra a humanidade no futuro. Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais.

O pior: civilização contra a liberdade que supõe ter tempo para viver as relações humanas, as únicas que transcendem: o amor, a amizade, aventura, solidariedade, família.

Civilização contra tempo livre que não é pago, que não se pode comprar, e que nos permite contemplar e esquadrinhar o cenário da natureza.

Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe da convivência humana.

Cabe se fazer esta pergunta, ouvimos da biologia que defende a vida pela vida, como causa superior, e a suplantamos com o consumismo funcional à acumulação.

A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à economia e ao mercado. De salto em salto, a política não pode mais que se perpetuar, e, como tal, delegou o poder, e se entretém, aturdida, lutando pelo governo. Debochada marcha de historieta humana, comprando e vendendo tudo, e inovando para poder negociar de alguma forma o que é inegociável. Há marketing para tudo, para os cemitérios, os serviços fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas secretárias, pelos automóveis e pelas férias. Tudo, tudo é negócio.

Todavia, as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as crianças, e sua psicologia para influir sobre os adultos e ter, assim, um território assegurado no futuro. Sobram provas de essas tecnologias bastante abomináveis que, por vezes, conduzem a frustrações e mais.

O homenzinho médio de nossas grandes cidades perambula entre os bancos e o tédio rotineiro dos escritórios, às vezes temperados com ar condicionado. Sempre sonha com as férias e com a liberdade, sempre sonha com pagar as contas, até que, um dia, o coração para, e adeus. Haverá outro soldado abocanhado pelas presas do mercado, assegurando a acumulação. A crise é a impotência, a impotência da política, incapaz de entender que a humanidade não escapa nem escapará do sentimento de nação. Sentimento que está quase incrustado em nosso código genético.

Hoje é tempo de começar a talhar para preparar um mundo sem fronteiras. A economia globalizada não tem mais condução que o interesse privado, de muitos poucos, e cada Estado Nacional mira sua estabilidade continuísta, e hoje a grande tarefa para nossos povos, em minha humilde visão, é o todo.

Como se isto fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente produtivo, está meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo, são o vértice do poder mundial. Mais claro, cremos que o mundo requer a gritos regras globais que respeitem os avanços da ciência, que abunda. Mas não é a ciência que governa o mundo. Se precisa, por exemplo, uma larga agenda de definições, quantas horas de trabalho e toda a terra, como convergem as moedas, como se financia a luta global pela água e contra os desertos.

Como se recicla e se pressiona contra o aquecimento global. Quais são os limites de cada grande questão humana. Seria imperioso conseguir consenso planetário para desatar a solidariedade com os mais oprimidos, castigar impositivamente o esbanjamento e a especulação. Mobilizar as grandes economias não para criar descartáveis com obsolescência calculada, mas bens úteis, sem fidelidade, para ajudar a levantar os pobres do mundo. Bens úteis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais rentável que fazer guerras. Virar um neo-keynesianismo útil, de escala planetária, para abolir as vergonhas mais flagrantes deste mundo.

Talvez nosso mundo necessite menos de organismos mundiais, desses que organizam fórums e conferências, que servem muito às cadeias hoteleiras e às companhias aéreas e, no melhor dos casos, não reúne ninguém e transforma em decisões…

Precisamos sim mascar muito o velho e o eterno da vida humana junto da ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade não para enriquecer; com eles, com os homens de ciência da mão, primeiros conselheiros da humanidade, estabelecer acordos para o mundo inteiro. Nem os Estados nacionais grandes, nem as transnacionais e muito menos o sistema financeiro deveriam governar o mundo humano. Sim, a alta política entrelaçada com a sabedoria científica, ali está a fonte. Essa ciência que não apetece o lucro, mas que mira o por vir e nos diz coisas que não escutamos. Quantos anos faz que nos disseram coisas que não entendemos? Creio que se deve convocar a inteligência ao comando da nave acima da terra, coisas assim e coisas que não posso desenvolver nos parecem impossíveis, mas requeririam que o determinante fosse a vida, não a acumulação.

Obviamente, não somos tão iludidos, nada disso acontecerá, nem coisas parecidas. Nos restam muitos sacrifícios inúteis daqui para diante, muitos remendos de consciência sem enfrentar as causas. Hoje, o mundo é incapaz de criar regras planetárias para a globalização e isso é pela enfraquecimento da alta política, isso que se ocupa de todo. Por último, vamos assistir ao refúgio de acordos mais ou menos “reclamáveis”, que vão plantear um comércio interno livre, mas que, no fundo, terminarão construindo parapeitos protecionistas, supranacionais em algumas regiões do planeta. A sua vez, crescerão ramos industriais importantes e serviços, todos dedicados a salvar e a melhorar o meio ambiente. Assim vamos nos consolar por um tempo, estaremos entretidos e, naturalmente, continuará a parecer que a acumulação é boa, para a alegria do sistema financeiro.

Continuarão as guerras e, portanto, os fanatismos, até que, talvez, a mesma natureza faça um chamado à ordem e torne inviáveis nossas civilizações. Talvez nossa visão seja demasiado crua, sem piedade, e vemos ao homem como uma criatura única, a única que há acima da terra capaz de ir contra sua própria espécie. Volto a repetir, porque alguns chamam a crise ecológica do planeta de consequência do triunfo avassalador da ambição humana. Esse é nosso triunfo e também nossa derrota, porque temos impotência política de nos enquadrarmos em uma nova época. E temos contribuído para sua construção sem nos dar conta.

Por que digo isto? São dados, nada mais. O certo é que a população quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no último século. Desde 1990, aproximadamente a cada seis anos o comércio mundial duplica. Poderíamos seguir anotando dados que estabelecem a marcha da globalização. O que está acontecendo conosco? Entramos em outra época aceleradamente, mas com políticos, enfeites culturais, partidos e jovens, todos velhos ante a pavorosa acumulação de mudanças que nem sequer podemos registrar. Não podemos manejar a globalização porque nosso pensamento não é global. Não sabemos se é uma limitação cultural ou se estamos chegano a nossos limites biológicos.

Nossa época é portentosamente revolucionária como não conheceu a história da humanidade. Mas não tem condução consciente, ou ao menos condução simplesmente instintiva. Muito menos, todavia, condução política organizada, porque nem se quer tivemos filosofia precursora ante a velocidade das mudanças que se acumularam.

A cobiça, tão negatica e tão motor da história, essa que impulsionou o progresso material técnico e científico, que fez o que é nossa época e nosso tempo e um fenomenal avanço em muitas frentes, paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a cobiça que nos impulsionou a domesticar a ciência e transformá-la em tecnologia nos precipita a um abismo nebuloso. A uma história que não conhecemos, a uma época sem história, e estamos ficando sem olhos nem inteligência coletiva para seguir colonizando e para continuar nos transformando.

Porque se há uma característica deste bichinho humano é a de que é um conquistador antropológico.

Parece que as coisas tomam autonomia e essas coisas subjugam os homens. De um lado a outro, sobram ativos para vislumbrar tudo isso e para vislumbrar o rombo. Mas é impossível para nós coletivizar decisões globais por esse todo. A cobiça individual triunfou grandemente sobre a cobiça superior da espécie. Aclaremos: o que é “tudo”, essa palavra simples, menos opinável e mais evidente? Em nosso Ocidente, particularmente, porque daqui viemos, embora tenhamos vindo do sul, as repúblicas que nasceram para afirmas que os homens são iguais, que ninguém é mais que ninguém, que os governos deveriam representar o bem comum, a justiça e a igualdade. Muitas vezes, as repúblicas se deformam e caem no esquecimento da gente que anda pelas ruas, do povo comum.

Não foram as repúblicas criadas para vegetar, mas ao contrário, para serem um grito na história, para fazer funcionais as vidas dos próprios povos e, por tanto, as repúblicas que devem às maiorias e devem lutar pela promoção das maiorias.

Seja o que for, por reminiscências feudais que estão em nossa cultura, por classismo dominador, talvez pela cultura consumista que rodeia a todos, as repúblicas frequentemente em suas direções adotam um viver diário que exclui, que se distância do homem da rua.

Esse homem da rua deveria ser a causa central da luta política na vida das repúblicas. Os gobernos republicanos deveriam se parecer cada vez mais com seus respectivos povos na forma de viver e na forma de se comprometer com a vida.

A verdade é que cultivamos arcaísmos feudais, cortesias consentidas, fazemos diferenciações hierárquicas que, no fundo, amassam o que têm de melhor as repúblicas: que ninguém é mais que ninguém. O jogo desse e de outros fatores nos retém na pré-história. E, hoje, é impossível renunciar à guerra cuando a política fracassa. Assim, se estrangula a economia, esbanjamos recursos.

Ouçam bem, queridos amigos: em cada minuto no mundo se gastam US$ 2 milhões em ações militares nesta terra. Dois milhões de dólares por minuto em inteligência militar!! Em investigação médica, de todas as enfermidades que avançaram enormemente, cuja cura dá às pessoas uns anos a mais de vida, a investigação cobre apenas a quinta parte da investigação militar.

Este processo, do qual não podemos sair, é cego. Assegura ódio e fanatismo, desconfiança, fonte de novas guerras e, isso também, esbanjamento de fortunas. Eu sei que é muito fácil, poeticamente, autocriticarmo-nos pessoalmente. E creio que seria uma inocência neste mundo plantear que há recursos para economizar e gastar em outras coisas úteis. Isso seria possível, novamente, se fôssemos capazes de exercitar acordos mundiais e prevenções mundiais de políticas planetárias que nos garantissem a paz e que a dessem para os mais fracos, garantia que não temos. Aí haveria enormes recursos para deslocar e solucionar as maiores vergonhas que pairam sobre a Terra. Mas basta uma pergunta: nesta humanidade, hoje, onde se iria sem a existência dessas garantias planetárias? Então cada qual esconde armas de acordo com sua magnitude, e aqui estamos, porque não podemos raciocinar como espécie, apenas como indivíduos.

As instituições mundiais, particularmente hoje, vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem reter sua cota de poder.

Bloqueiam esta ONU que foi criada com uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade. Mas, pior ainda, desarraigam-na da democracia no sentido planetário porque não somos iguais. Não podemos ser iguais nesse mundo onde há mais fortes e mais fracos. Portanto, é uma democracia ferida e está cerceando a história de um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e verdadeiramente existente. E, então, remendamos doenças ali onde há eclosão, tudo como agrada a algumas das grandes potências. Os demais olham de longe. Não existimos.

Amigos, creio que é muito difícil inventar uma força pior que nacionalismo chovinista das grandes potências. A força é que liberta os fracos. O nacionalismo, tão pai dos processos de descolonização, formidável para os fracos, se transforma em uma ferramenta opressora nas mãos dos fortes e, nos últimos 200 anos, tivemos exemplos disso por toda a parte.

A ONU, nossa ONU, enlanguece, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e, sobretudo, de democracia para o mundo mais fraco que constitui a maioria esmagadora do planeta. Mostro um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno país tem, em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz em todos os países da América Latina. E ali estamos, onde nos pedem que estejamos. Mas somos pequenos, fracos. Onde se repartem os recursos e se tomam as decisões, não entramos nem para servir o café. No mais profundo de nosso coração, existe um enorme anseio de ajudar para que o homem saia da pré-história. Eu defino que o homem, enquanto viver em clima de guerra, está na pré-história, apesar dos muitos artefatos que possa construir.

Até que o homem não saia dessa pré-história e arquive a guerra como recurso quando a política fracassa, essa é a larga marcha e o desafio que temos daqui adiante. E o dizemos com conhecimento de causa. Conhecemos a solidão da guerra. No entanto, esses sonhos, esses desafios que estão no horizonte implicam lutar por uma agenda de acordos mundiais que comecem a governar nossa história e superar, passo a passo, as ameaças à vida. A espécie como tal deveria ter um governo para a humanidade que superasse o individualismo e primasse por recriar cabeças políticas que acudam ao caminho da ciência, e não apenas aos interesses imediatos que nos governam e nos afogam.

Paralelamente, devemos entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, mas da humanidade toda, e esta deve, como tal, globalizada, empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com decência de maneira autônoma. Os recursos necessários existem, estão neste depredador esbanjamento de nossa civilização.

Há poucos dias, fizeram na Califórnia, em um corpo de bombeiros, uma homenagem a uma lâmpada elétrica que está acesa há cem anos. Cem anos que está acesa, amigo! Quantos milhões de dólares nos tiraram dos bolsos fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem, comprem, comprem e comprem.

Mas esta globalização de olhar para todo o planeta e para toda a vida significa uma mudança cultural brutal. É o que nos requer a história. Toda a base material mudou e cambaleou, e os homens, com nossa cultura, permanecem como se não houvesse acontecido nada e, em vez de governarem a civilização, deixam que ela nos governe. Há mais de 20 anos que discutimos a humilde taxa Tobin. Impossível aplicá-la no tocante ao planeta. Todos os bancos do poder financeiro se irrompem feridos em sua propriedade privada e sei lá quantas coisas mais. Mas isso é paradoxal. Mas, com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem, passo a passo, é capaz de transformar o deserto em verde.

O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar vegetais que vivam na água salgada. A força da humanidade se concentra no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de energia. O que sabemos da fotossíntese? Quase nada. A energia no mundo sobra, se trabalharmos para usá-la bem. É possível arrancar tranquilamente toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível para as gerações vindouras, se conseguirem raciocinar como espécie e não só como indivíduos, levar a vida à galáxia e seguir com esse sonho conquistador que carregamos em nossa genética.

Mas, para que todos esses sonhos sejam possíveis, precisamos governar a nos mesmos, ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar à altura da civilização em que fomos desenvolvendo.

Este é nosso dilema. Não nos entretenhamos apenas remendando consequências. Pensemos na causa profundas, na civilização do esbanjamento, na civilização do usa-tira que rouba tempo mal gasto de vida humana, esbanjando questões inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico, acima de todas as coisas, é respeitar a vida e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie é nosso “nós”.

Obrigado.
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