25 de set de 2013

Câmara pode, enfim, se livrar de Bolsonaro


O presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PSD-SP), instaurou processo envolvendo o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por quebra de decoro; ele é acusado de ter agredido com um soco na barriga o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), na última segunda-feira; a representação contra o parlamentar fluminense foi apresentada ontem pelo PSOL ao Conselho de Ética, com a justificativa de que o deputado extrapolou todos os limites do decoro parlamentar ao agredir um senador

Brasília - O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), instaurou hoje (25) processo envolvendo o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por quebra de decoro. O parlamentar é acusado de ter agredido com um soco na barriga o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), na última segunda-feira (23), durante visita de deputados e senadores à antiga sede do Destacamento de Operações de Informações-Centro de Defesa Interna (DOI-Codi) , no 1º Batalhão de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro.

Durante a reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Ricardo Izar sorteou os deputados Sérgio Moraes (PDT-RS), Izalci (PSDB-DF) e Zequinha Marinho (PSC-PA). Ele vai conversar com os três sorteados para definir quem relatará o processo preliminarmente. O relator elaborará o parecer baseado nos documentos da representação. Ele poderá recomendar o arquivamento da representação ou a continuidade das investigações. Caberá ao plenário do conselho, decidir sobre o parecer preliminar a ser apresentado pelo relator.

A representação contra o parlamentar fluminense foi apresentada ontem (24) pelo PSOL ao Conselho de Ética, com a justificativa de que o deputado extrapolou todos os limites do decoro parlamentar ao agredir um senador. Na própria segunda-feira, Bolsonaro negou ter dado o soco em Randolfe Rodrigues e disse que tudo não passou de um empurra-empurra com troca de acusações.

Iolando Lourenço
No Agência Brasil
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Fiscais encontram escravos para obra da OAS no Aeroporto de Guarulhos


Ao todo, 111 migrantes do Maranhão, Sergipe, Bahia e Pernambuco foram submetidos a condições análogas à de escravidão de acordo com auditores do Ministério do Trabalho e Emprego e procuradores do Ministério Público do Trabalho. Eles foram contratados para trabalhar na ampliação do aeroporto mais movimentado da América Latina e passaram fome.

A OAS  declarou que “vem apurando e tomando todas as providências necessárias para atender às solicitações” do ministério. A construtora nega que as vítimas sejam seus empregados e afirma que “não teve qualquer participação no incidente relatado”. A reportagem é de Stefano Wrobleski, da Repórter Brasil:

Quando o Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, começou a ser construído em 1980, a população do distrito de Cumbica, onde ele fica, cresceu vertiginosamente. Os novos habitantes, em sua maioria do Nordeste do Brasil, ali se estabeleceram para trabalhar pelos cinco anos seguintes nas obras do aeroporto. Mais de 30 anos depois, os bairros do distrito agora abrigam grande parte dos 4,5 mil funcionários da OAS, uma das maiores construtoras do país e a responsável pelas obras de ampliação do aeroporto mais movimentado da América Latina. Segundo fiscalização conduzida por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), são empregados dela também 111 homens resgatados de condições análogas às de escravos. Para garantir o pagamento de verbas rescisórias e indenizações, o MPT acionou a Justiça trabalhista, que determinou o bloqueio imediato de R$ 15 milhões da empresa.*

Aliciadas em quatro Estados do Nordeste – Maranhão, Sergipe, Bahia e Pernambuco –, as vítimas aguardavam ser chamadas para trabalhar alojadas em onze casas de Cumbica que estavam em condições degradantes. Além do aliciamento e da situação das moradias, também pesou para a caracterização de trabalho escravo o tráfico de pessoas e a servidão por dívida. A primeira denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil em Guarulhos ao MTE, que resgatou os primeiros trabalhadores no último dia 6 de setembro. Na ocasião, a fiscalização visitou três casas com um total de 77 pessoas que chegaram de Petrolândia, interior de Pernambuco, nos dias 13 de agosto e 1º de setembro. Cada uma havia pago entre R$ 300 e R$ 400 ao aliciador (“gato”) pela viagem e aluguel da casa, além de uma “taxa” de R$ 100 que seria destinada a um funcionário da OAS para “agilizar” a contratação. Eles iriam trabalhar como carpinteiros, pedreiros e armadores nas obras de ampliação do aeroporto de Guarulhos, que prometem aumentar a capacidade dele de 32 para 44 milhões de passageiros por ano até a Copa do Mundo de 2014.

Ficha de encaminhamento recebida pelas vítimas para contratação na OAS (Foto: Stefano Wrobleski)
Ficha de encaminhamento recebida pelas vítimas para contratação na OAS
Fotos: Stefano Wrobleski

Em um dos três alojamentos fiscalizados, 38 homens se espremiam na casa de dois andares com quatro quartos e dois banheiros. Devido à falta de espaço para todos, muitos dormiam na cozinha e até debaixo da escada. Quando o segundo grupo chegou, em 1º de setembro, alguns tiveram que passar duas noites em redes do lado de fora, na varanda, por falta de espaço no interior. Só então outra casa foi providenciada, mas em condições também degradantes. Os trabalhadores não tinham nenhum móvel à disposição e já haviam sido orientados a trazer seus colchões. Quem não trazia tinha que comprar um, dividir o espaço dos colchões dos demais ou dormir no chão enrolado em lençóis. Já a cozinha não tinha fogão ou geladeira e a comida era paga por eles mesmos com o pouco que haviam trazido de Petrolândia. A água faltava quase todo dia.

Os empregados haviam recebido a promessa de bons salários, registro em carteira e vales-refeição e transporte. Além disso, todos já tinham feito o exame médico exigido pela empresa e haviam apresentado os documentos necessários para contratação. Eles, no entanto, também tiveram que trazer as ferramentas necessárias para trabalhar. Além disso, ao chegar na empresa, ficaram sabendo que não poderiam apresentar os comprovantes de residência das suas cidades de origem porque esses deveriam ser de Guarulhos. Os migrantes, então, entregaram cópias de comprovantes das casas alugadas pelo “gato”, o que garantiria à OAS o não pagamento dos valores referentes ao alojamento, como o aluguel.

Cozinha de uma das casas: o fogão portátil comprado pelos trabalhadores ficava em cima de uma cadeira, ligado ao botijão de gás no pé do colchão de ar onde um deles dormia (Foto: Stefano Wrobleski)
Cozinha de uma das casas: o fogão portátil
comprado pelos trabalhadores ficava
 em cima de uma cadeira, ligado ao botijão
 de gás, que ficava desprotegido no pé do
colchão onde um deles dormia
A contratação de moradores do mesmo município é uma das exigências do “Compromisso Nacional para o Aperfeiçoamento das Condições de Trabalho na Indústria da Construção”, do qual a OAS é signatária. Ele pode ser firmado voluntariamente pelas construtoras com o Governo Federal e se refere a obras específicas, escolhidas pelas empresas. Em caso de descumprimento, a única previsão que existe é a expulsão da empresa do rol de signatários do compromisso. José Lopez Feijóo, um dos principais articuladores do compromisso,disse à Repórter Brasil em 2012 acreditar que, com o acordo, “serão cumpridos direitos constitucionais que hoje praticamente ninguém exerce”. Uma das regras é que os empregadores devem “contratar, preferencialmente, trabalhadores oriundos do local de execução dos serviços ou do seu entorno”. Quando isso não é possível, a construtora deve informar ao Sistema Nacional de Emprego (Sine) detalhes sobre a obra e as vagas disponíveis para que o órgão federal supervisione a contratação. De acordo com um funcionário administrativo das obras da OAS no aeroporto de Guarulhos, o compromisso lá está “em fase de implantação”. No entanto, os trabalhadores declararam aos auditores do MTE não terem sido orientados pela empresa a buscar o Sine.

Grande parte das vítimas ouvidas pela reportagem já havia feito diversas viagens do tipo: em busca de dinheiro para completar a renda familiar, eles saem de suas cidades no Nordeste atraídos por ofertas de empregos temporários, em geral em grandes construções.

Um jovem de 21 anos resgatado pelo MTE nesta fiscalização disse que já havia ido trabalhar em outras quatro obras em diferentes Estados. Em uma delas, ele ficou impressionado com as condições de trabalho e com a qualidade dos alojamentos, que tinham “até quadra de futebol”. Apesar disso, a construtora informou antes da viagem que o funcionário teria que pagar pelo translado e que a carteira de trabalho seria assinada só quando ele chegasse: “Pelo menos eles [a empresa] foram sinceros”, conformou-se.

De acordo com a legislação trabalhista, as empresas que contratarem pessoas de cidades diferentes do local de trabalho são responsáveis pelo transporte e, além de garantir as condições do veículo e a integridade dos migrantes, devem também pagar pelo translado. Tudo isso deve ser registrado e informado ao MTE, o que nem sempre acontece. O primeiro grupo de trabalhadores da OAS que chegou de Petrolândia, em 13 de agosto, fez a viagem em ônibus precário: a chegada a Guarulhos foi atrasada em um dia porque o veículo quebrou quatro vezes. Em uma delas, o motorista teve que parar depois de ter sido alertado por um caminhoneiro que o motor do ônibus estava em chamas. Uma das vítimas contou à reportagem que o veículo estava com o câmbio quebrado e não engatava duas das marchas, o que não o impediu, contudo, de seguir viagem.

Bairro onde três dos alojamentos foram encontrados no distrito de Cumbica, que fica
a cerca de um quilômetro das obras; ao fundo, grua da construção e torre de controle
do aeroporto de Guarulhos

Outras casas 

Depois do primeiro resgate, a notícia foi se espalhando por Cumbica. Denúncias chegaram ao sindicato, que informou ao MTE. Os auditores retornaram ao distrito nos dias 10 e 16 de setembro, quando fiscalizaram as condições dos empregados em outras oito casas. Todos se encontravam em condições semelhantes aos primeiros, de Petrolândia, e também esperavam o início dos trabalhos com documentos de contratação da OAS.

Fogareiro improvisado na varanda de uma das casas
para preparo das refeições
As 111 vítimas foram divididas em dois grupos que, em dias diferentes, foram à sede da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE) em São Paulo para receber as verbas rescisórias e as guias de seguro-desemprego. A construtora concordou em pagar todas as verbas, mas não em firmar  um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Além do TAC, o órgão entrou com um pedido de liminar (ordem provisória) para assegurar o pagamento e conseguiu que a Justiça determinasse o bloqueio imediato de R$ 15 milhões da empresa.

Ao que tudo indica, o número de trabalhadores nessa condição pode ser ainda maior: durante os trabalhos do MTE para registrar o segundo grupo de trabalhadores, um representante do sindicato presente recebeu ligações denunciando pessoas na mesma condição dos 111 resgatados em ao menos outras duas casas de Cumbica. A OAS também deve responder por trabalho escravo na Justiça, em uma ação que será aberta pelo MPT em até 20 dias, segundo Christiane Vieira Nogueira, Procuradora do Trabalho que acompanha o caso. Uma das intenções do processo é assegurar os direitos de outras possíveis vítimas ainda não identificadas.

Em nota, a OAS declarou que “vem apurando e tomando todas as providências necessárias para atender às solicitações” do MTE. A construtora nega que as vítimas sejam seus empregados e afirma que “a empresa, nas pessoas dos seus representantes, não teve qualquer participação no incidente relatado”.

A construtora 

Além de ser uma das maiores construtoras do Brasil, a OAS é também a terceira empresa que mais faz doações a candidatos de cargos políticos, segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo. Entre 2002 e 2012, a empreiteira doou R$ 146,6 milhões (valor corrigido pela inflação). A OAS é uma das quatro empresas que formam o consórcio Invepar que, junto com a Airports Company South Africa, detêm 51% da sociedade com a Infraero para a administração do Aeroporto Internacional de Guarulhos através da GRU Airport. Para as obras de ampliação do aeroporto, onde foi flagrado trabalho escravo, o BNDES fez um empréstimo-ponte de R$1,2 bilhões.

Entre as vítimas, seis índios 

Dos trabalhadores resgatados pelo MTE em Guarulhos, seis são indígenas da etnia Pankararu. O mais velho deles, de 43 anos, contou à Repórter Brasil que aceitou o emprego para complementar a renda de sua família, como faz há 23 anos, trabalhando provisoriamente como carpinteiro em obras pelo país, sempre voltando à sua aldeia ao final. Segundo ele, um dos contatos do aliciador dos migrantes de Pernambuco dentro da OAS também é Pankararu.

O MTE argumenta que o uso de mão de obra indígena resulta no desfavorecimento da relação de trabalho em razão de etnia, conforme a lei nº 9.029/95. Os auditores fiscais concordam com a visão da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de que os índios “são mais afetados pela pobreza severa e são, portanto, mais suscetíveis a serem vítimas do trabalho infantil, trabalho forçado, tráfico e outras violações de direitos humanos”.

Os Pankararu são bastante conhecidos em Petrolândia (PE), onde ficam suas aldeias. Como acontece com a maioria dos povos indígenas do nordeste brasileiro, o contato com brancos se dá desde os tempos da colônia, o que leva os índios a defender a delimitação legal de suas terras já no século 19, trazendo uma relação diferente da que tinham anteriormente, baseada na ancestralidade. Em 1940, o antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) fez a demarcação das terras sem, no entanto, homologá-las, o que só foi feito 47 anos depois, em 1987. Nesse período, os conflitos entre índios e posseiros, que já existiam, são intensificados nas regiões com solo mais fértil próximas às aldeias. Parte de uma reivindicação histórica, a terra indígena passa por um novo processo de demarcação em 1999, que aumenta sua área de 8 para 14 hectares. A área é homologada só em 2007.

Além dos conflitos fundiários, os Pankararu também foram vítimas da política energética nos anos 1950: a construção do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, no Rio São Francisco, alagou a cachoeira de mesmo nome, que os índios consideravam sagrada.

Na mesma década, iniciou-se um fluxo intenso de saída dos Pankararu, que perdurou até os anos 60. Eles viajavam para São Paulo aliciados por outros índios do mesmo povo para trabalhar em obras na cidade por curtos períodos nos anos de seca em Pernambuco ou em situações emergenciais. A partir da segunda geração de índios migrantes, os primeiros núcleos familiares começaram a se estabelecer na capital paulista, dando origem à favela do Real Parque, na zona sul, que conta hoje com aproximadamente 1,5 mil índios Pankararu, de acordo com o Instituto Socioambiental.

No Blog do Sakamoto
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RS zera fila de espera para transplante de córnea


Brasília –  O número de pacientes a espera de um transplante de órgãos e tecidos caiu 40% em cinco anos. Em 2008, 64.774 pessoas estavam na fila de espera, em 2013, são 38.759. O balanço foi apresentado hoje (25) pelo Ministério da Saúde.

De acordo com o ministério, pacientes não têm enfrentado fila de espera por transplantes de córnea em quatro estados e no Distrito Federal. Com isso, o número de transplantes de órgãos e tecidos feitos no país caiu 6% no primeiro semestre de 2013 quando comparado com o mesmo período de 2012. Foram 12.342, em 2012, e 11.569, em 2013. O transplante de córnea responde por quase 60% do total de transplantes no sistema público.

“A queda de 6% no primeiro semestre foi porque aceleramos o número transplantes e, com isso, zeramos a fila em estados que tinham a maior participação no transplante de córnea. Precisamos continuar zerando as filas de transplante de córnea e, combinado com isso, podemos manter essa elevação de transplante de outros tipos de órgãos”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Em Pernambuco, no Paraná, no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Distrito Federal, não há mais fila de espera para o procedimento de córnea, de acordo com o ministério. Em sete estados, o tempo na fila por transplante de córnea foi reduzido. Os dados mostram também queda na quantidade de pessoas aguardando por transplantes, de 64.774, em 2008, para 38.759 em 2013.

Apesar da queda no resultado total, houve aumento de transplantes de alguns órgãos em relação aos primeiros semestres de 2013 e de 2012. O transplante de pulmão cresceu 113%, e o de medula óssea 13%. Os órgãos sólidos (pulmão, coração, pâncreas, rim e fígado) apresentarem alta de 3,8%, no mesmo período de comparação.

Padilha destacou que a descentralização dos transplantes das regiões Sudeste e Sul do país está entre os fatores responsáveis pelos dados positivos. “Em 2010, os transplantes eram muito concentrados em estados do Sul e Sudeste do país e agora começamos a caminhar para a descentralização. Estados que não faziam transplante de fígado, rim, coração, começaram a fazer”, disse.

Para o presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), José Osmar Medina, é preciso melhorar a estrutura em estados como Bahia, Mato Grosso e Maranhão. "O desafio principal é você aprimorar a logística do programa de transplante, corrigir as disparidades geográficas em estados como Bahia, Mato Grosso e Maranhão que tem número pequeno de transplantes. E também fazer com que todo brasileiro se manifeste em relação à doação de órgãos após a morte, se ele é favorável ou não", disse.

“O Brasil é o segundo país do mundo em transplantes, tem um sistema muito bem estruturado e justo que aloca o órgão doado ao primeiro da fila ou àquele que tem compatibilidade”, destacou.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é o responsável por 95% dos transplantes feitos no país. O ministério lançou hoje campanha para estimular a doação com o lema Não Deixe a Vida se Apagar. O protagonista da campanha é uma criança de 7 anos que recebeu um transplante de coração aos 7 meses.

Yara Aquino
No Agência Brasil
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Carta ao Metri: quem leva quanto e porque em Libra


Caro Paulo Metri,

Não preciso apresentá-lo aos leitores deste blog. Nao apenas seu nome é conhecido e respeitado entre todos os que defendem o petróleo brasileiro como, antes, já o fiz aqui.

Mas quero dizer ao querido companheiro que, em seu último artigo, você parte de uma premissa correta e chega a uma falsa conclusão.

Primeiro, que dizer que, desde o início, concordo – e já gritei aqui  faz tempo, no dia 21 de julho – que a fixação de um bônus elevado de assinatura é imensamente prejudicial à Petrobras. Permito-me reproduzir um parágrafo, apenas para marcar o que disse:

“Ora, se a Petrobras tem a capacidade técnica e empresarial para explorar bem a maior jazida do nosso pré-sal, porque o Governo brasileiro – o mesmo que há três anos capitalizou fortemente a empresa – quereria descapitaliza-la, provocando um desembolso-monstro de recursos de caixa no pagamento do bônus, em lugar de fazê-la ter folga de caixa e capacidade para ofertar um lance onde a parcela estatal do petróleo fosse forçada para cima?”

Mas, daí em diante, creio que o amigo labora em erro.

Primeiro, não tem sentido afirmar que o governo abriu mão de 25% do valor esperado de 65% de participação para elevar o bônus. Sim, é verdade que o lance mínimo poderia ser mais alto, mas nem eu nem você podemos estimar que fosse ser de X% a não ser por comparaçäo a outros países.

Assim, usando o exemplo da ação com que a Aepet e a Federaçao dos Petroleiros tentaram barrar o leilão, trabalhemos com o preço do petróleo a 100 dólares.

O custo de extração que está fixado ali, de 40 dólares, é totalmente irreal. O cálculo da Fundaçao Getúlio Vargas para o custo de extrair um barril do pré-sal  seria de 14 dólares. Campos de alta produtividade, como Libra, tem custos menores mas, para não brigarmos por isso vamos fazer um custo 60% maior do que o calculado pela FGV: 20 dólares.

Sobram, portanto 80% para serem partilhados, certo? Ou 80 dólares.

Digamos que o lance vencedor seja de 45%, bem baixo pelo que acredito que ficará. Cabem ao Governo, portanto, 45% de 80 dólares, ou 36 dólares. Haverá variaçoes, porque esta oferta tem acréscimos e decréscimos de acordo com volume de produção e preço do petróleo. Usemos, porém, esta média.

Isso que dizer que a empresa ou o consórcio ficarão com 44 dólares?

Não, porque está lá  no artigo 2º da Lei 12.734, o novo parágrafo primeiro do artigo 42 da Lei de Partilha ( 12.3519))que os royalties ficam de responsabilidade de quem produz “sendo vedado, em qualquer hipótese, seu ressarcimento ao contratado e sua inclusão no cálculo do custo em óleo”.

Logo, ficam 29 dólares para o consórcio contratado, dos quais ainda saem mais uns dois dólares de impostos e contribuições federais devidos, não integrantes do custo em óleo.

Portanto, dos 80 dólares líquidos ficaram 36 + 15 + 2 = 53 (ou 66%) para o Estado brasileiro e 44-15-2 = 27 (ou 33%) para o consórcio.

Não é correto colocar como ganho do consórcio aquilo que é custo, certo?

Bem, destes 27 dólares, no mínimo, 30% serão da Petrobras, cerca de 9 dólares. Mesmo que a brasileira ficasse com o mínimo, apenas, seriam 18 dólares para o seu sócio. Ou um ganho de 18% sobre o barril extraído, com os custos que você mesmo narra no seu cálculo, de R$ 200 bilhões – acho que passa disso – de investimentos, dos quais lhe caberia desembolsar R$ 140 bilhões.

Esta margem, de 82% para o estado (incluí propositalmente a Petrobras, porque vamos tirar paulatinamente as açoes que o FHC vendeu lá fora desta festa) está na média do que os contratos de partilha pelo mundo atingem.

take2 
Aí em cima está a curva de participação estatal na Indonésia, criadora, nos anos 60, do regime de partilha. OC é Oil Company, a empresa que explora. Outras, como Malásia e Angola, são bem semelhantes, como pode ser visto no gráfico principal, lá em cima. Embaixo, o que é hoje, segundo as regras dos contratos de concessão de Fernando Henrique Cardoso, um desastre para o Brasil.

take3
Todos os gráficos podem ser conferidos no excelente estudo do BNDES sobre partillha vs. concessão de petróleo, que se encontra aqui.

Agora, meu caro amigo, se tranquilize. Algo me diz que a oferta vai ficar mais alta do que estes 45% que usamos no exemplo. E o Brasil vai se sair muito bem deste embrulho.

Fernando Brito
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Repórter revela esquema de cachê no auditório de Jô Soares

Foto: Francisco Cepeda/AgNews/Divulgação/Montagem Acabou o Brasil!

Ser convidado para participar da primeira fileira do auditório do Programa do Jô [Soares] rende um bom cachê, entregou a repórter/manequim Monica Apor, que estreou na TV fazendo figuração-paga no talk-show.

A remuneração é curiosa porque era mais comum em programas menos procurados e de emissoras miúdas, ou seja, aqueles que ninguém quer ir. Tem agência que manda modelos de graça, em troca apenas da exposição.

Com os auditórios mais disputados do País, até a Globo paga para garantir a beleza ao telespectador e seduzir o anunciante, agregando valor à atração.

Além do cachê, a produção providencia transporte, figurino e maquiagem.

"Inteligência para bater palmas"

Entrevistada pelo CQC, a também modelo Monica Apor dedurou o ex-patrão:
— Comecei [na TV] fazendo a primeira fileira do Jô. É tudo pago, viu gente! E tem que ser inteligente para estar lá, viu.

Foi quando a jornalista, ex-capa da Playboy, concluiu:

— Eles [do Programa do Jô] só pegam modelos que fazem faculdade para ficar na primeira fila. Lá na Globo é tudo tão chique que só "pra bater palma" tem que ser inteligente.

Foi o que disse a repórter, com a boca no microfone da Band, sua atual firma. Inteligente!

No Acabou o Brasil
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Descoberto mais um crime bárbaro e covarde da ditadura


Sob a coordenação da Comissão Nacional da Verdade (CNV) começou nesta 3ª feira (ontem) o processo de exumação de mais uma vítima da ditadura: o dos restos mortais que podem ser do líder camponês Epaminondas Gomes de Oliveira, morto na década de 70 quando ele já estava sob custódia do Exército.

A CNV – que investiga violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988, o que engloba, portanto, o período da ditadura, 1964/1985 – descobriu documentos que mostram o local onde o corpo de Epaminondas foi sepultado, informação desconhecida há pouco por seus familiares. Os restos mortais do camponês foram descobertos pela Comissão no cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

Os trabalhos para retirar os restos mortais da terra para a exumação começaram na manhã de ontem e a previsão é de que se estendam pelo dia, hoje, de acordo com a Polícia Civil de Brasília. Epaminondas foi do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT) e do PC do B.

Atestado fala de morte por anemia. A família nunca acreditou

Pelo que apuraram seus familiarea e organizações de direitos humanos, Epaminondas foi morto em 20 de agosto de 1971, aos 68 anos, sob custódia do Exército. Havia sido preso dias antes em um garimpo na cidade de Ipixuna do Pará em decorrência de uma operação do Exército para prender lideranças políticas da oposição na região, segundo levantou a CNV.

Há registros de que ele passou pelos municípios de Jacundá (PA) e Imperatriz (MA), até ser levado a Brasília. A certidão de óbito do camponês indica que ele morreu no Hospital da Guarnição Militar, na capital federal, de anemia e desnutrição. A família nunca acreditou nessa versão.

“Uma pessoa que estava com ele contou que ele foi torturado até a morte”, disse o neto do camponês, Epaminondas Neto. “O atestado de óbito nunca convenceu a família. A gente sabia que ele foi espancado em Imperatriz”. Com a exumação, a família espera a revelação de vestígios que mostrem eventuais marcas de tortura.

E nós ainda temos que suportar os Bolsonaros da vida…

“Queremos esclarecer, ver de que forma é possível identificar marcas de tortura, esclarecer essa verdade. A gente quer saber a verdade porque se comprovar que os restos mortais realmente são do meu avô, vamos fazer o sepultamento junto com a minha vó”, disse Epaminondas Neto, presente no Campo da Esperança durante a escavação.

Temos, assim, a descoberta de mais um crime bárbaro e covarde da ditadura. Até quando a impunidade? Até quando a mentira vai prevalecer? E nós ainda temos que suportar os Bolsonaros da vida com mandato parlamentar e imunidade para agredir seus próprios colegas, violar a lei Afonso Arinos e pregar a ditadura…

Como fez neste início de semana o deputado capitão Jair Bolsonaro (PP-RJ) – integrante do Bloco das Trevas, como diz hoje o colunista Ancelmo Gois, em O Globo – com provocações e agressões (até físicas, um soco no senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) à delegação que foi visitar as antigas instalações do DOI-CODI-Rio.

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Charge online - Bessinha - # 1942

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Cartel fraudador: Petistas pedem que MP investigue Serra por omissão


No final de julho, deputados petistas entraram com representação no Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP) contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) por indícios de omissão nas fraudes em licitações e contratos superfaturados com o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Agora, eles ingressaram com ação semelhante contra o ex-governador José Serra (PSDB). Ela é assinada pelos deputados estaduais João Paulo Rillo, Adriano Diogo, Carlos Neder e Francisco Campos (Tito).

“Pedimos a investigação de Serra sobre possível improbidade administrativa,no período de 1º de janeiro de 2007 a 31 de março de 2010”, diz Rillo. “Há indícios de que Serra sabia da atuação do suposto cartel denunciado pela Siemens e não tomou nenhuma medida para coibir a atuação dele, o que configuraria omissão”
Três fatos pegam em cheio a gestão do ex-governador Serra, como mostra esta representação baseada em outras 15 ingressadas pelo PT no MP e em denúncias publicadas mídia.

FATO 1: R$ 20 MI A MAIS PARA ALSTOM, COM BASE EM ADITAMENTO ILEGAL

Há cinco anos, mais precisamente em 4 de junho de 2008, a IstoÉ revelou que, sem licitação, Metrô de São Paulo pagou à Alstom R$ 20 milhões a mais por trens. 

Em 7 de maio de 2007 – portanto,  primeiro ano da gestão do governo Serra –, a direção do Metrô assinou um aditamento, que previa a aquisição de 16 trens pela empresa sem concorrência e com indícios de superfaturamento.

Na ocasião, utilizou-se de uma licitação “caduca”, de 1992, para aditar ilegalmente um contrato de 2007, celebrado entre Mafersa (posteriormente incorporada pela Alstom) e o Metrô. Ou seja, 15 anos depois, quando a lei já previa vigência de uma licitação e contrato por, no máximo, cinco anos.

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) abriu investigação — TC 14593/026/92– para apurar o aditamento. Seis anos depois, mesmo com todos os indícios de ilegalidade, ele ainda não foi julgado pelo TCE.

Em 2008, o então líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Roberto Felício, protocolou representação junto ao MPE-SP para apurar as eventuais fraudes na compra destes trens.

O MPE-SP abriu o inquérito civil 396/2008, sob a responsabilidade do promotor Silvio Marques. Aparentemente este é um dos inquéritos reabertos pelo MP após a delação da Siemens. Antes, ele talvez tenha sido arquivado por “falta de provas”, assim como aconteceu com outros.

FATO 2: LINHA 5-LILÁS DO METRÔ SUPERFATURADA EM R$ 330 MI

Outro fato apontado na representação diz respeito à concorrência da Linha 5-Lilás do Metrô. Alckmin respalda a direção do Metrô em dar continuidade ao processo licitatório desenvolvido na gestão Serra.

Reportagem de outubro de 2010 da Folha de S. Paulo informou que os vencedores de oito lotes da concorrência da Linha 5  já estavam definidos seis meses antes de ela ser efetuada.

Em 3 de novembro de 2011, o MPE-SP entrou com ação na Justiça, pedindo anulação dela e o afastamento do presidente do Metrô, Sérgio Avelleda.

A direção do Metrô ignorou e decidiu prosseguir as obras da Linha 5, com o respaldo do governo Alckmin, que, na ocasião, em nota disse que não havia “qualquer fundamento jurídico” que justificasse a anulação da licitação.

Nessa mesma nota, Alckmin defendeu Avelleda, afirmando que a decisão de levar adiante o processo foi tomada pela diretoria do Metrô.

Porém, segundo O Estado de S. Paulo de 23 de abril de 2013, juíza Simone Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública, aceitou a ação pública movida pelo MPE-SP e mandou citar Avelleda, já então ex-presidente do Metrô, e mais 14 das maiores empreiteiras.

Os citados terão de responder ação por improbidade administrativa por suposto prejuízo de, pelo menos, R$ 330 milhões, decorrentes de contratos firmados entre o Metrô e as seguintes empreiteiras: Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Serveng-Civilsan, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Heleno & Fonseca, Tiisa, Carioca Christiani-Nielsen, Cetenco, Odebrecht, OAS, CR Almeida e Consbem.

Curiosamente, Serveng e Tiisa estão citados no cartel denunciado pela Siemens e a Camargo Correia na Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. Houve aditamentos de R$ 170 milhões, dos quais R$ 37 milhões no lote da Serveng.

FATO 3: REFORMA DE TRENS DAS LINHAS AZUL E VERMELHA DO METRÔ

Em 2009, no governo Serra, o Metrô abriu concorrência para reformar 96 trens das linhas 1 ( Azul) e 3 (Vermelha) em um valor total de R$ 1,75 bilhão. Segundo contratos oficiais, um trem novo custava R$ 23 milhões e o reformado saía por R$ 17 milhões. Ou seja, os trens reformados teriam um custo final de 86% de um trem novo.

Isso levou em  fevereiro de 2011 e em maio de 2012 o então deputado estadual Simão Pedro (PT-SP), hoje secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo, a entrar com representações  no MP para apurar  conluio entre empresas para que ganhassem as licitações para reformas de trens do Metrô com eventuais pagamentos de propinas para agentes públicos e privados de  São Paulo.

O próprio TCE-SP apontou que quatro contratos, para reformas de trens do Metrô,  realizados entre 2008 e 2009, custaram aos cofres públicos do Estado de São Paulo R$ 1,8 bilhão. Em despacho sobre esses mesmos contratos do Metrô, o TCE-SP concluiu:

 “A análise das presentes contratações revelou um contexto no qual houve apenas uma proposta do licitante único de cada lote. Em outras palavras, não houve propriamente uma disputa licitatória, mas, uma atividade de consorciamento, reunindo duas ou três empresas em cada consórcio, que por sua vez, ofereceu a proposta única de cada respectivo lote”.

Serra assim como Alckmin alegam não sabiam das fraudes em licitações e superfaturamento de obras, envolvendo as direções do Metrô e da CPTM.


Outros indícios de que Serra sabia foram dois alertas feitos pelo TCE-SP e um pelo MPE-SP, todos ignorados.

O período delatado pela Siemens vai de 1997 a 2008.

No entanto, reportagem de o Viomundo, mencionada na representação ao MP, mostra que o cartel continuou atingindo de 2009 a 2013. E que o atual governo Geraldo Alckmin contratou, em 2013, por R$ 2,7 bilhões empresas acusadas de envolvimento no propinoduto tucano.

“O Ministério Público daqui só começou a se mexer depois das denúncias e medidas tomadas internacionalmente pela Siemens”, arremata Rillo. “Esperamos que, agora, o MP e o TCE-SP investiguem mesmo as denúncias em vez de sentarem em cima delas, como ocorreu nos últimos 20 anos de sucessivas administrações do PSDB no Estado de São Paulo”.

Conceição Lemes
No Viomundo
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Em Nova Iorque, Dilma concede entrevista coletiva sobre denúncias de violação de comunicações


O Brasil não negocia a sua soberania. Foi o que disse a presidenta Dilma Rousseff nesta quarta-feira (25), em Nova Iorque, em entrevista coletiva, sobre denúncia de violação das comunicações e de dados do governo brasileiro pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos. Nesta terça-feira (24), durante discurso de abertura da 68ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, Dilma propôs estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet e de medidas que garantam uma efetiva proteção dos dados.

“Nada do que foi dito era do desconhecimento das autoridades americanas, nada. Todo processo que desencadeou isso, do qual nós não temos a menor responsabilidade, ele implica necessariamente em uma atitude do país, porque não se transige, nenhum governo pode transigir nem com os direitos civis e a privacidade da população, nem tampouco pode negociar sua soberania”, disse a presidenta.

Dilma afirmou que é possível elevar o patamar das relações entre Brasil e Estados Unidos, mas para isso as condições têm que ser construídas.

“Eu enxergo que essa resposta, de como é que se prosseguirá, é uma resposta que terá que ser construída a partir de medidas que devem ser tomadas. O que nós colocamos sempre é que era necessário, primeiro, para tratar do que tinha ocorrido, desculpas; segundo, para tratar do futuro, uma clara determinação de não acontecer. E isso terá que ser construído porque a relação do Brasil com os Estados Unidos é um relação estratégica para os dois países e não é possível deixar algo como isso sem controle”, afirmou.

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Lembrando a frase: "O que é bom para os EUA é bom para o Brasil..."


A população norte-americana sabe muito bem onde se encontram seus interesses. O direito à privacidade está entre eles


Primeiro embaixador em Washington depois do golpe de 64, Juracy Magalhães entrou para a história com uma frase famosa: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

Hoje, costuma-se justificar uma postura de submissão até risível diante dos Estados Unidos, naquela época, pelo contexto da Guerra Fria. Não era. Havia países que procuravam uma alternativa que não fosse nem alinhamento automático pró-Moscou nem pró-Washington. Antes do golpe, o Brasil era um desses países, com uma política externa que procurava ser independente, iniciada por Jânio Quadros e assumida por João Goulart.

Lembro da frase lendária do embaixador para tentar entender a reação de muitas pessoas ao discurso de Dilma Rousseff na ONU. Até a imprensa internacional deu um tratamento respeitoso ao pronunciamento, uma forma de reconhecer sua importância. 

Entre observadores brasileiros, cheguei a ouvir comentários em tom de ironia. Com aquele jeito de quem sabe de realidades ocultas que escapam a mim e a você, ouvi dizer que nos Estados Unidos, ninguém mais dá importância a denúncias dessa natureza. A sugestão é que isso é coisa de gente atrasada – ou de político demagogo, populista...

Há bons motivos para suspeitar que se pretende, com essa atitude, ressuscitar o espírito do embaixador Juracy Magalhães. O segredo dessa postura é nunca inverter a ordem dos fatores e perguntar, por exemplo, se o que é bom para o Brasil é bom para os EUA.

Na verdade, é difícil acreditar que o tratamento seja tão descontraído assim, digno de piadinhas. Bradley Manning, o soldado que cedeu documentos secretos da diplomacia americana para o Wikileaks, acaba de ser condenado a mais de 35 anos de prisão. Julius Assange, que publicou o material, vive há mais de um ano trancafiado na embaixada do Equador, em Londres, sob o risco de ser expatriado para os EUA. Edward Snowden conseguiu refúgio na Russia pelo receio do que poderia lhe acontecer se fosse capturado pelo Exército norte-americano. O presidente da Bolívia, Evo Morales, chegou a fazer um pouso forçado, na Europa, porque se suspeitava de que pudesse estar levando Snowden para fora do velho mundo.

A espionagem é assunto tão grave e tão sério, nos EUA, como em qualquer outro lugar. Até mais, na verdade. Acusados de trabalhar como espiões para a União Soviética, o casal Julius e Ethel Rosemberg foi condenado a pena de morte, na década de 1950. Vinte anos depois, Richard Nixon foi forçado a renunciar em função do escândalo Watergate, uma história de espionagem interna, quando operadores do partido republicano tentaram fotografar documentos e instalar sistemas de escuta para captar os planos e diálogos dos adversários.

Conclusão: ao contrário do que procuram nos fazer acreditar, a população norte-americana sabe muito bem onde se encontram seus interesses – e não trata com piada assuntos que são sérios de verdade. A soberania nacional e o direito a privacidade estão entre eles, vamos combinar.

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Caetano Veloso está certo sobre os leitores de Reinaldo Azevedo


Caetano Veloso machucou Reinaldo Azevedo. Magoou. Feriu.

Em sua coluna no Globo, ao falar sobre direita e esquerda no Brasil, ele disse que Azevedo parece se alegrar em ser lido por malucos que acham que a Globo está a serviço do comunismo internacional.

Foi uma definição dura, precisa e nada lisonjeira do público que Reinaldo Azevedo gosta tanto de invocar.

Num texto sobre as revelações de Glenn Greenwald veiculadas no Fantástico, muitos leitores de Azevedo disseram que a Globo estava cada vez mais à esquerda.

Pausa para risada.

Semanas atrás, sobre o mesmo assunto, eu dissera algo parecido sobre as pessoas que frequentam o blog: Reinaldo Azevedo escreve coisas repulsivas para leitores repulsivos.

Tinha me chamado a atenção, particularmente, o conteúdo homofóbico, preconceituoso e ignorante dos leitores de Azevedo ao comentar um texto sobre o parceiro de Greenwald, que fora detido em Heathrow.

Caetano fez uma conexão entre os leitores de Azevedo e os do filósofo, aspas, Olavo de Carvalho. Para os últimos, de acordo com Caetano, o NY Times é um perigoso agente do comunismo.

Nova pausa.

Outro blogueiro da Veja, Rodrigo Constantino, entrou na briga. Sua maior contribuição – além de sugerir que Caetano está senil – foi apoiar a hipótese de que o NY Times é realmente subversivo.

Bem, sobre o comunismo da Globo Constantino silenciou.

Reinaldo Azevedo parece transmitir a seus leitores com desvelo a chamada ignorância enciclopédica. Nos últimos dias, por exemplo, foi cômico vê-los combater, como se fossem Cíceros, as bases do voto com o qual Celso de Mello aprovou os embargos infringentes. Não sei se Mello agradeceu pelas aulas recebidas, em jurisdiquês, de Azevedo e amigos de jornada.

No texto que doeu em Reinaldo Azevedo, Caetano Veloso citou uma frase de Paulo Francis. Francis, em sua monumental arrogância, dizia que leitor que escreve carta para jornal só entrava a bala em sua casa.

É um absurdo, naturalmente. Mas no caso específico dos leitores de Reinaldo Azevedo – um grupo pequeno e ruidoso que costuma perder todas as eleições e cujo poder de convencimento fora do gueto exíguo é zero – a frase de Paulo Francis até que faz sentido.

Eles são grosseiros, toscos, desinformados, egoístas, maldosos. Torcem fanaticamente pelo câncer dos “petralhas”. Parecem acreditar que vivemos numa ditadura “bolivariana” e que os médicos cubanos são espiões comunistas.
Como o padrão dos comentários é constante, suponho que sejam sempre as mesmas pessoas que se conectam o tempo todo ao blog e ali se animam a compartilhar diariamente suas convicções com a humanidade.

O nível conta muito sobre o próprio Reinaldo Azevedo, uma vez que é ele quem aprova – ou censura – cada comentário. O que ele publica é, portanto, o que ele tem de melhor a oferecer no que diz respeito ao cérebro de seus seguidores.

Caetano Veloso não poderia estar mais certo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Aprovado projeto que cria profissão de vaqueiro


Brasília - O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (23) projeto de lei que reconhece oficialmente a profissão de vaqueiro. A sessão foi acompanhada por vários vaqueiros, vestidos com chapéu e gibão, que estiveram no Senado durante todo o dia pedindo a votação e aprovação da matéria.

O texto define o vaqueiro como profissional responsável pelo trato, manejo e condução de animais como bois, búfalos, cavalos, mulas, cabras e ovelhas. Além disso, estão entre as atribuições do vaqueiro: alimentar os animais, fazer a ordenha, treinar e preparar animais para eventos culturais e socioesportivos com a garantia de que não sejam submetidos a atos de violência; e, sob a orientação de veterinários e técnicos qualificados, auxiliar com os cuidados necessários à reprodução das espécies.

Com a aprovação do projeto, os vaqueiros também terão direitos previstos em todas as profissões, mas que atualmente não são respeitados pela maioria dos patrões, como horas extras, adicional de insalubridade ou de periculosidade e adicional noturno.

Foram aprovadas duas emendas ao projeto quando ele estava na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária. No entanto, elas foram retiradas do texto no plenário para que o projeto não precisasse retornar à Câmara. Com isso, a matéria segue agora para sanção presidencial.

Mariana Jungmann
No Agência Brasil
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Bruce Springsteen venceria Dilma e Lula em primeiro turno


PALCO MUNDO - Após bater recordes de popularidade por sua apresentação no Rock in Rio, o cantor Bruce Springsteen foi apontado como único nome capaz de vencer Dilma ou Lula no primeiro turno das eleições de 2014. "I´m very happy. But I can´t run for president. I was born in the USA", cantarolou, enquanto fazia polichinelos.

Carismático, bonito, cheio de energia e rato de praia, Springsteen foi observado de perto por Aécio Neves. "Fizemos uma benchmark com todos os seus gestos e atitudes. Ele é tudo que eu queria ser", disse o pré-candidato do PSDB ao Rock in Rio 2015.

Aliviado com o sucesso do festival, Sérgio Cabral implorou para Roberto Medina estender o Rock in Rio até o final do seu mandato. "Foram dois finais de semana sem críticas à minha pessoa. Medina tem carta branca para ocupar a Cidade do Rock até 2014", disse o governador, com uma bandana na cabeça.

No The i-Piauí Herald
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Lázaro Ramos e Camila Pitanga vetados pela Fifa

Camila Pitanga e Lázaro Ramos
Crédito: Renato Rocha Miranda/Rede Globo

Entre as exigências da Fifa até Lázaro Ramos e Camila Pìtanga tiveram que ficar de fora da Copa de 2014. Na verdade, a Rede Globo enviou um pedido à FIFA para que os artistas pudessem ser os apresentadores oficiais do sorteio para o Mundial, marcado para o dia 6 de dezembro, na Costa do Sauípe (Bahia), mas recebeu um “não”.

As informações foram publicadas pelo colunista Lauro Jardim, na Revista Veja, que ainda antecipou um dos argumentos para tal decisão enviado pelo Comitê Organizador Local (COL): “Isso aqui não é um programa da Globo, é Copa do Mundo”.

No João Alberto
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Médica Coxinha - Enfim, os cubanos!!!

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Jornais internacionais destacam ataque 'feroz' de Dilma à espionagem dos EUA


A presidente Dilma Rousseff fez um ataque "feroz" à espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos em seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, na avaliação do jornal britânico The Guardian.

Em seu discurso nesta terça-feira, Dilma afirmou que as ações da NSA, que teriam incluído a espionagem direta das comunicações da presidente brasileira e da Petrobras, representam uma violação dos direitos humanos e um desrespeito às soberanias nacionais.

As revelações sobre a espionagem da NSA foram feitas pelo jornalista americano radicado no Rio de Janeiro Glenn Greenwald, com base em documentos vazados pelo ex-analista da NSA Edward Snowden.

Para o Guardian, jornal que publicou as primeiras revelações do escândalo de espionagem da NSA, o discurso "bravo" de Dilma "foi um desafio direto ao presidente Barack Obama, que estava esperando ao lado para pronunciar seu próprio discurso à Assembleia Geral da ONU".

O diário avalia que a fala de Dilma "representou a reação diplomática de mais alto nível até agora" às revelações feitas por Snowden e lembra que Dilma já havia adiado sua visita de Estado aos Estados Unidos, prevista inicialmente para o mês que vem, por conta do escândalo.

'Denúncia quente'

O discurso também ganhou espaço no americano The New York Times, que classificou a fala da presidente brasileira de "denúncia quente" contra os Estados Unidos sobre as ações da NSA.

"Obama tomou nota das queixas, dizendo que os Estados Unidos estão repensando suas atividades de vigilância como parte de uma reavaliação mais ampla que incluía a restrição do uso de drones e a transferência de prisioneiros da prisão da Baía de Guantánamo, em Cuba, e finalmente o seu fechamento", diz o jornal.

Para o New York Times, as palavras de Obama lembraram um discurso que ele proferiu há alguns meses sobre a necessidade de os Estados Unidos abandonarem sua "perpétua posição beligerante".

Outro jornal americano, The Washington Post, afirma que Dilma proferiu uma "reprimenda pungente" da espionagem eletrônica feita pela NSA.

O diário espanhol El País comenta que a presidente brasileira "não se referiu de maneira expressa aos Estados Unidos em nenhum momento de seu discurso", mas se mostrou "taxativa na hora de denunciar a espionagem internacional".

O jornal observa ainda que Dilma "propôs uma regulação que assegure um controle maior do uso da internet para evitar esse tipo de atividades de vigilância, que qualificou como um atentado à 'soberania dos Estados' e à 'liberdade de expressão' e como uma 'violação dos direitos humanos'".

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Calle 13

Uma obra-prima em forma de canção, em homenagem à América Latina, com participações de Totó la Momposina, Susana Baca e Maria Rita.

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Jogadores lançam movimento por mudanças no futebol brasileiro

75 jogadores profissionais se uniram em um movimento que pretende entrar em queda de braço com a CBF. 

Alex, do Coritiba, é um dos líderes do movimento de jogadores que quer mudanças no futebol brasileiro

Por mudanças no calendário do futebol nacional, 75 jogadores profissionais das Séries A e B do Campeonato Brasileiro se uniram em um movimento que pretende entrar em queda de braço com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Em sua edição desta terça-feira, a ‘Folha de S.Paulo’ traz detalhes do movimento de atletas, insatisfeitos com as datas divulgadas pela CBF para 2014 – com os jogadores dos principais clubes do país tendo apenas quatro dias de pré-temporada, já que os Estaduais começam já no dia 12 de janeiro de 2014.

Assinam o manifesto jogadores com Alexandre Pato, do Corinthians; Alex e D’Alessandro, do Internacional; Elias, do Flamengo; Rogério Ceni e Luis Fabiano, do São Paulo; Zé Roberto, Dida e Barcos, do Grêmio; Dedé e Júlio Baptista, do Cruzeiro; Valdívia, do Palmeiras; entre outros (veja lista completa abaixo).

Detalhes

Em assembleia, ainda sem data para acontecer, os jogadores pretendem basear as mudanças em cinco pontos. O primeiro seria para “enxugar” as datas do calendário; o segundo, estabelecer um número máximo de partidas por mês; o terceiro e quarto, discutir férias e pré-temporada; e o quinto, seria a criação de uma espécie de fair-play financeiro.

Em relação ao calendário, os jogadores são favoráveis à adequação ao calendário europeu, com a temporada começando no meio do ano. Os líderes do movimento acreditam que a Conmebol seria o principal empecilho para o modelo, já que a Libertadores teria que terminar em maio, exigindo da entidade sul-americana manobras com todas outras confederações do continente.

Veja o manifesto divulgado pelos 75 jogadores:

Nós, atletas profissionais de futebol, com representantes em clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro, vimos, de forma oficial, demonstrar nossa preocupação com relação ao calendário de jogos divulgado na última sexta-feira (20/09) pela Confederação Brasileira de Futebol para o ano de 2014.

Devido ao curto período de preparação proposto e ao elevado número de jogos em sequência, decidimos nos reunir, de forma inédita e independente, para discutir melhorias em prol do futebol e da qualidade do espetáculo apresentado por nós a milhões de torcedores.

Queremos ser uma parte mais efetiva deste movimento que se faz extremamente necessário e, para tanto, solicitamos uma reunião com a entidade que administra o futebol brasileiro (CBF) para tratar de questões propositivas e de comum interesse.

Estamos convictos de que dar esse primeiro passo significa caminhar na direção do profissionalismo, da transparência e da busca pela excelência no futebol de alto rendimento praticado no Brasil.

Contamos com o apoio de outros atletas e convidamos todos os profissionais do futebol e apaixonados pelo esporte a se unirem a nós nesta iniciativa em benefício do futebol brasileiro.

Informaremos ao público o andamento e os resultados desta nova discussão assim que possível

Sem mais para o momento

assinam:

Alessandro (Corinthians)

Alex (Coritiba)

Alex (Internacional)

Alexandre Pato (Corinthians)

Anderson (Paraná Clube)

André Rocha (Figueirense)

Arouca (Santos)

Barcos (Grêmio)

Bolívar (Botafogo)

Cássio (Corinthians)

Ceará (Cruzeiro)

Cícero (Santos)

Corrêa (Portuguesa)

Cris (Vasco)

D’Alessandro (Internacional)

Dedé (Cruzeiro)

Deivid (Coritiba)

Dida (Grêmio)

Diego Cavalieri (Fluminense)

Douglas (Corinthians)

Edson Bastos (Ponte Preta)

Edu Dracena (Santos)

Edu Schimidt (Sem Clube)

Elano (Grêmio)

Elias (Flamengo)

Fabinho (Criciúma)

Fábio (Cruzeiro)

Fábio Santos (Corinthians)

Fabrício (São Paulo)

Fahel (Bahia)

Felipe (Fluminense)

Fernando Prass (Palmeiras)

Gilberto Silva (Atlético-MG)

Ibson (Corinthians)

Jadson (São Paulo)

Jefferson (Botafogo)

Juan (Internacional)

Júlio Baptista (Cruzeiro)

Juninho Pernambucano (Vasco)

Kleber Gladiador (Grêmio)

Lauro (Ponte Preta)

Léo Moura (Flamengo)

Leonardo (Criciúma)

Lima (Portuguesa)

Lincoln (Coritiba)

Lúcio Flávio (Paraná Clube)

Luís Alberto (Atlético-PR)

Luís Fabiano (São Paulo)

Luís Ricardo (Portuguesa)

Maldonado (Corinthians)

Marcel (Criciúma)

Marcelo Lomba (Bahia)

Marco Antonio (Atlético-PR)

Moisés/Meia (Portuguesa)

Moisés/Zagueiro (Portuguesa)

Neto Baiano (Goiás)

Paulo André (Corinthians)

Paulo Baier (Atlético-PR)

Paulo Cesar (Sem Clube)

Rafael Moura (Internacional)

Rafael Sobis (Fluminense)

Roberto (Ponte Preta)

Rodrigo (Goiás)

Rogério Ceni (São Paulo)

Serginho (Criciúma)

Souza (Portuguesa)

Thiago Ribeiro (Santos)

Tinga (Cruzeiro)

Titi (Bahia)

Valdívia (Palmeiras)

Valdomiro (Portuguesa)

Victor (Atlético-MG)

Wendel (Vasco)

William (Ponte Preta)

Zé Roberto (Grêmio)
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El quirófano global, de la mano de Google Glass

La combinación de nuevas tecnologías permite enseñar prácticas médicas a miles de personas a la vez

Son una ayuda, pero no suplen las manos del especialista


Un médico con dos gafas superpuestas no parece un ejemplo de confianza. Pero si el segundo par es una de las ya famosas (aunque todavía no comercializadas) Google Glass, la cosa cambia. Así intervino ayer Pedro Guillén, de la Clínica Cemtro, a un hombre de 37 años con una lesión en la rodilla. Más de 265 lugares del mundo (universidades, hospitales, sociedades médicas) se conectaron en este último alarde de la tecnología: retransmitir una operación desde el punto de vista del cirujano principal. Como Guillén dice, se trataba de crear un “quirófano global”. “Los había de todas partes o, al menos, de casi todas. Faltaba el centro de África. Y China, donde hay problemas para que entre Internet”, afirma con orgullo el cirujano.

Aparte de algunos incidentes técnicos — en el salón de actos de la clínica a veces se perdía la señal de las gafas, que, sin embargo, podía seguirse en YouTube —, las dos horas de intervención fueron un ejemplo de cómo puede ser la docencia de la medicina (y, seguramente, de muchas otras disciplinas) del futuro. “Hemos pasado de las peceras de los quirófanos antiguos [las salas con paredes de cristal detrás de las cuales los alumnos seguían las explicaciones del profesor] a esto”, comenta Guillén probándose las gafas antes de la operación.

Miles de personas vieron la operación 'con los ojos del cirujano'

Para hacerla más completa, la lección magistral se seguía además por medios que, a estas alturas, pueden considerarse casi tradicionales: cámaras de ambiente, que recogen la actividad del quirófano, y otra pantalla en la que el endoscopio (los auténticos ojos de los médicos dentro de las incisiones cada vez más pequeñas que practican) muestra al detalle el trabajo fino dentro del cuerpo, desde la aspiración de la sangre a la colocación de la membrana con las células madre (obtenidas del propio cartílago del paciente unas semanas antes), y acabando con los puntos dados para sujetar el material que, tras disolverse en tres meses, habrá dejado sembrada la lesión de condrocitos para su recuperación. “Este es el único uso hasta ahora demostrado clínicamente de las células madre”, insiste Guillén ante unas expectativas, que él considera exageradas, de este material biológico.

Decir que se trata de una operación mínimamente invasiva es, a estas alturas, algo casi redundante. No hay cirugía que se precie (y que se preste) en la actualidad que no se haga así. Solo dos incisiones, uno en un lado de la rodilla para introducir la cámara con su luz, y otra, de unos 10 centímetros cuadrados, en la parte contraria, por donde se manipulará la lesión y se introducirá el cultivo reparador. Esta deriva de la cirugía hacia lo pequeño — insistimos, siempre que se pueda — es una de las causas para que el uso de tecnologías cada vez más complejas sea imprescindible. Si tradicionalmente se decía que los traumatólogos eran los carpinteros del cuerpo (y los estomatólogos o internistas, los fontaneros), ahora, en casos como este de uso de ingeniería tisular, los médicos se parecen más a un orfebre. No es alarde (o no solo). La recuperación del enfermo es mejor cuanto menor sea la herida. En este caso, a las tres o cuatro horas el paciente iba a recibir el alta y podía empezar a moverse de inmediato.

Operación con "Google Glass", en la
Clínica Cemtro.
El uso de aparatos portátiles, sin cables, que pueden usarse en cualquier lugar — “en una selva, en un sitio sin luz” — es la última innovación de esta especie de compendio de tendencias médicas que fue la tarde de ayer.

Como corresponde a una lección magistral, el sistema tiene otra ventaja: la intercomunicabilidad. Guillén escogió tres lugares de los que recibir preguntas (Stanford, la Universidad de EE UU con la que ya había ensayado en junio el sistema, y otros dos de Suiza y Japón), aunque pudieron oírse voces mexicanas que entraban por otros cauces. Podía — no fue el caso — incluso pedir ayuda o recibir sugerencias.

Pero la docencia es solo una parte de la utilidad de esta conjunción de tecnologías. La posibilidad de asesorar a un médico poco experto en una técnica es la otra. Si este dispusiera de un sistema de transmisión como el de las gafas de Google, un especialista podría orientarle casi al milímetro en una intervención, indica el médico. Si en fútbol se dice que debe correr el balón y no los jugadores, en este caso la idea es que viaje el conocimiento, y no los pacientes.

El caso de ayer fue solo la última muestra del virtuosismo al que puede llevar la tecnología en la medicina. Solo la falta de equipos y líneas de conexión suficientemente potentes impide que las consultas a distancia sean algo generalizado.

Los vídeos son actualmente claves para aprender una técnica

Y quien dice la consulta, dice el seguimiento. La famosa telemedicina, cuyo nombre puede acabar gastado antes de su completa implantación, está todavía en mantillas. Cuando ya la humanidad es capaz de analizar a distancia el agua que contienen o no las rocas de Marte, todavía se considera un caso excepcional — digno de atención y de seguimiento — que una mujer, Susana Ruiz, vaya a recibir atención a su diabetes desde Basurto (Vizcaya) mientras está escalando el Everest. O que, ante posibles imprecisiones humanas o falta de expertos, el robot quirúrgico Da Vinci sea una revolución (al olvidar que detrás de él hay cirujanos que lo programan y lo usan). Son solo la punta del iceberg de un uso de la tecnología que aún tiene que ofrecer muchos beneficios.

Aunque esa utilización siempre estará condicionada por las manos del médico. Ningún técnico ha diseñado todavía un sistema por el que un estudiante de medicina no tenga que empuñar un bisturí para aprender. Óscar Gorría, vocal de Médicos en Formación de la Organización Médica Colegial, afirma sin dudar que este uso de la técnica es “una gran ayuda”. “Pero obviamente, eso no evitará el trabajo posterior. En especialidades quirúrgicas, como la mía, mientras mejor prepares la teoría, mientras más vídeos veas, mejor será la práctica. Y más ahora con los recortes que no se viaja a congresos, o en procesos como este, que solo hace un médico”.

Es la única forma de explicar una practica si solo la hace un médico

Ese toque de humanidad lo dio, en un ataque de espontaneidad, el propio Guillén, cuando sus propias gafas captaron, para miles de espectadores, cómo insistía en hacer personalmente una sutura: “No quisiera estropearlo al final”.

Una vía de múltiples velocidades



La modernización de la medicina es una vía de mil velocidades. Dentro del mismo país — este, para no ir más lejos —, de la misma comunidad y, a veces, del mismo hospital hay grandes diferencias. En el Gregorio Marañón de Madrid, por ejemplo, conviven un sistema digitalizado para gestionar las citas con los viejos carritos de supermercado llenos de sobres sepia donde se reparten las historias clínicas a las consultas. O en Andalucía, Galicia y País Vasco la receta electrónica permite, por ejemplo, que los pensionistas no paguen más que los ocho euros que les corresponden al mes por los medicamentos, mientras que en Madrid tuvieron que crear cartillas para llevar ese control.


Pero más allá de su uso como herramienta de gestión, increíblemente retrasada cuando con otros campos de la Administración, como Hacienda o la Seguridad Social, ya no se puede interactuar sin un ordenador, la práctica médica es un terreno abonado para aplicaciones tecnológicas, desde los múltiples blogs o médicos tuiteros que aparecen (y hablamos de los serios, no de los charlatanes) y a, un nivel cotidiano, la implantación, aunque lenta, de sistemas de control a domicilio de la tensión arterial, azúcar, temperatura o colesterol conectados con el centro médico.


Pero, si algo se le puede reprochar a las nuevas tecnologías, es que hayan llegado tarde a la práctica de la medicina podríamos decir de poco lustre, mientras que ha habido grandes avances en lo más espectacular. Ahí están los robots Da Vinci, capaces de operar con una precisión que a la mano del cirujano puede fallarle. O los modelos anatómicos informatizados para evitar, al menos en parte, tener que abrir ranas o cadáveres para estudiar los órganos. Como en el juego infantil que elimina a quien no sea capaz de extraer con unas pinzas un riñón de un muñeco sin rozar los bordes, técnicas como las laparoscopias permiten ahora operar por orificios diminutos. O se fabrican maniquíes para ensayar unos primeros auxilios, un masaje cardiorrespiratorio o una primera exploración a un niño, como los que se presentaron el año pasado en la Universidad Menéndez Pelayo de Santander. En el extremo más complicado de este tipo de tareas, las conexiones neuronales a los ordenadores permiten trabajar con prótesis dirigidas con la mente, o en programas como el europeo Levántate y Anda, para que personas paralizadas puedan caminar con un exoesqueleto.


Tanto avance no oculta los retos. Los trabajos con células madre sobre estructuras biológicas descelularizadas han permitido acercarse a lo que sería un hígado o un riñón biosintético, pero el corazón y el cerebro, los órganos principales, se resisten. Aunque este verano se han publicado dos avances, los cerebroides creados a partir de células madre y los corazones reconstituidos que van en esa dirección.


Podría decirse que son esfuerzos excesivos que benefician a pocos, cuando lo importante son las vacunas, la higiene o la nutrición. Lo mismo se ha dicho de la carrera espacial, sin tener en cuenta que el velcro, el microondas y el papel de aluminio vienen de ahí.

No El País
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