21 de set de 2013

Atrizes de luto revivem o movimento Cansei de ser Canastrona


Atrizes “globais” se encontraram no set da novela “Amor à vida”, e resolveram ficar de luto. Elas “ressuscitaram” o fracassado e ridículo Movimento Cansei, promovido por sindicatos patronais, à frente o empresário João Dória, o presidente da sede paulista da OAB, advogado Luís Flávio Borges D'Urso,além da apresentadora Hebe Camargo, recentemente falecida. Na época, essas pessoas da “elite” paulista contaram ainda com a presença de Ivete Sangalo, Ana Maria Braga, Agnaldo Rayol, Daniela Mercury, Regina Duarte, dentre muitas outras personalidades do mundo artístico, empresarial e político.

O primeiro Cansei aconteceu em 2007, na Praça da Sé, em São Paulo, e teve como propósito protestar contra a “corrupção” e “tudo o que está aí”, como afirmaram, de forma genérica e nada pontual, alguns grupos que no mês de junho deste ano se manifestaram nas ruas do Brasil. Muitos dos protestantes empunhavam vassouras à moda Jânio Quadros, conduta semelhante à da classe média coxinha dos idos de 1960, década que a sociedade brasileira foi vítima de um golpe militar.

Entretanto, percebe-se que tais reacionários e alienados não sabem ou se sabem não se importam em saber que os governos Lula e Dilma foram, por intermédio da Polícia Federal, da Advocacia Geral da União, da Receita Federal e do Ministério Público os que mais empreenderam ações de combate à corrupção na história deste País. Quem duvida do que afirmo, acesse o Portal da Polícia Federal e verifique a verdade que estou a comentar. Agora, algumas pessoas preferem ser informadas sobre as realidades apenas por meio da imprensa de negócios privados, evidentemente que a informação chegará com ruído ou truncada, porque se trata de uma imprensa de mercado de oposição aos trabalhistas e ao PT, que tem lado, ideologia e preferências políticas e partidárias. Ponto.  

Contudo, o “protesto” do Cansei tinha um caráter obscuro, porque, na verdade, visava acusar e culpar o ex-presidente Lula pelo acidente aéreo da TAM, ocorrido em 2007 e que ceifou a vida de 199 pessoas. Um absurdo e perversidade a intenção dos “cansados” da vida boa e da imprensa golpista, pois logo ficou comprovado que o acidente com o avião foi um erro técnico de pilotagem, o acarretou o infeliz desastre, que até hoje machuca os corações das pessoas que tiveram seus parentes e amigos mortos. Lula, anos depois, comentou sobre o terrível episódio, mas a imprensa burguesa jamais se retratou de sua postura irresponsável e que não mede consequências para ter seus interesses políticos e econômicos concretizados.

Voltemos às atrizes. Em silêncio obsequioso, as “divas” que estão em cartaz na televisão protestaram contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de cumprir a Constituição e o Regimento Interno da Corte mais importante do Brasil. Com seus rostos sisudos e olhares decepcionados, demonstraram, “artisticamente”, que são desinformadas, alienadas, bem como sintetizam com seus atos e gestos a essência reacionária e conservadora dos coxinhas ricos e da classe média tradicional. Elas simplesmente retomaram a posição dos artistas do Movimento Cansei, pois engravidam pelo ouvido e se conduzem conforme seus patrões determinam e pensam. Coxinha é coxinha; mas coxinha artista com suas matreirices, caras e bocas é dose pra mamute!

Em pleno estado democrático de direito, tais atrizes, certamente sem saber o que está a acontecer de fato, juntam-se aos jornalistas das Organizações (?) Globo e agradam seus patrões, os irmãos Marinho, que, se pudessem, julgariam os réus do mensalão sem lhes conceder o direito pleno à defesa, ao contraditório, bem como colocariam um camburão da polícia na porta do STF para que os condenados fossem execrados em público. Certamente os fotografariam e os filmariam, além de somente entrevistar aqueles que tivessem dispostos a acusar e condenar os envolvidos com o “mensalão”, principalmente se os personagens são do núcleo político do caso, a exemplo de José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares.

Durma-se com um barulho desse. As globais se vestiram de preto e resolveram posar de luto. Porém, um luto direcionado e premeditado. Por seu turno, se as atrizes pensam que seus gestos vão atrair ou comover os brasileiros podem tirar o cavalinho da chuva, porque a maioria dos cidadãos não se sente mais impactada com a opinião publicada dos jornalistas e muito menos com os trejeitos e matreirices de artistas que vivem em um espaço paralelo, porque pensam que o mundo se resume ao bairro do Leblon e à cidade de Miami. Não vai haver reverberação. O STF decidiu pelos embargos infringentes e quanto a isto não há artista, jornalista e patrão dessa gente que possa mudar tal decisão constitucional e, por sua vez, baseada nas leis do Direito.

Agora, vamos à longa pergunta que se recusa a se calar: Por que as atrizes de luto Suzana Vieira, Carol Castro, Rosamaria Murtinho, Nathalia Timberg e Bárbara Paz não protestam e não se vestem de preto por causa do mensalão tucano, dos desvios do rodoanel, da privataria tucana, do príncipe da privataria, do propinoduto de Furnas, do escândalo do Banestado, da compra de votos de FHC para ser reeleito, dos escândalos do metrô e dos trens de São Paulo (Alstom e Siemens), do escândalo Veja-Época-Cachoeira-Perillo-Demóstenes, da sonegação de impostos das Organizações (?) Globo de quase R$ 1 bilhão, dos dois hábeas corpus cangurus concedidos por Gilmar Mendes ao banqueiro Daniel Dantas, além de outros casos policiais e de terror, a exemplo do estuprador e médico Roger Abdelmassih, do banqueiro Cacciola e do mensalão do DEM?

Não. Nem pensar. As atrizes enlutadas não se interessam por política e por isso não sabem que criminosos no Brasil para os membros e representantes da Casa Grande vestem a cor vermelha, muitos deles são trabalhistas ou socialistas, ganharam as últimas três eleições e votam no PT. E isto a Casa Grande jamais vai perdoar. O mensalão para certos grupos conservadores é apenas o do PT. O mensalão nunca foi comprovado e por isto é um mentirão cujo tempo vai provar e esclarecer. Não surtiu o efeito desejado a campanha feroz, insidiosa, manipulada e distorcida da imprensa cúmplice de golpe de estado contra os réus da AP 470.

O Brasil tem leis e Constituição, que garantem os direitos civis do povo brasileiro. O Movimento Cansei das atrizes coxinhas das Organizações (?) Globo é um paródia mal feita em que a sofrível interpretação delas as colocam em posição de canastronas das realidades sociais e políticas brasileiras. O Movimento Cansei vestido de corvo ou urubu interpretou o jeito coxinha de ser e foi enterrado no próprio luto. É isso aí.

Davis Sena Filho
No 247
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Novo procurador critica 'autismo' e falta de transparência da gestão Gurgel

Sobre 'Mensalão Tucano', engavetado pelo antecessor, Rodrigo Janot diz que trabalhará para evitar prescrições de penas


São Paulo – Em entrevista concedida aos repórteres Felipe Recondo e Andreza Matais, para o jornal O Estado de S. Paulo, o novo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, deixou claro que está disposto a imprimir ao Ministério Público Federal um ritmo menos partidarizado e mais transparente do que seu antecessor no cargo, Roberto Gurgel. Ele critica o “autismo” que tomou conta do órgão não gestão passado, devido ao que ele chama de falta de diálogo com os demais poderes, e se recusou a classificar o chamado mensalão como “maior escândalo de corrupção da História do Brasil” – como fazia Gurgel. Para Janot, “toda corrupção é ruim”. O importante a destacar, segundo o novo procurador,  é que houve investigação e julgamento, o que contrasta com a ideia de suposta impunidade. Perguntado se vai acelerar o processo que tratada do chamado Mensalão Tucano, que ocorreu em Minas Gerais nos governos Fernando Henrique Cardoso e Eduardo Azeredo, ambos do PSDB, Janot respondeu: “Pau que dá em Chico dá em Francisco”. Abaixo a íntegra da entrevista publicada:

O processo do mensalão está acabando. O senhor vai acelerar o processo do mensalão mineiro?

Pau que dá em Chico dá em Francisco. O que posso dizer é que, aqui na minha mão, todos os processos, de natureza penal ou não, vão ter tratamento isonômico e profissional. Procuradores, membros do Ministério Público e juízes não têm processo da vida deles. Quem tem processo da vida é advogado. Para qualquer juiz e para o Ministério Público todo processo é importante.

O crime de formação de quadrilha no mensalão mineiro já prescreveu. O senhor vê novos riscos?

Uma das minhas formas de trabalho aqui é dar a prioridade a qualquer processo com risco iminente de prescrição. Isso é buscar efetividade da justiça.

O senhor já disse que não deve pedir prisão imediata dos réus do mensalão. Mas vai agilizar os pareceres aos embargos infringentes?

Eu tenho de esperar o acórdão. Vou me desincumbir do que tenho de fazer o mais rápido possível. Mas não posso dizer se vou usar o prazo todo ou não. Vai depender do acórdão. Eu vou inclusive usar o recesso. Não vou tirar férias.

O senhor considera que o julgamento do mensalão foi um marco contra a impunidade?

Não. Eu tenho muito receio de dizer que um processo é um marco contra a impunidade, que é marco disso ou daquilo. Eu espero que isso contribua, dentro de um contexto maior, para que todo o processo chegue ao final com o resultado que a lei prevê. Será que esse é o grande marco? Não sei se é o grande marco. Eu olho pra trás e vejo que este julgamento, há 20 anos, não teria ocorrido, não existiria o processo. Essa tem que ser a grande mudança.

Por que não haveria processo há 20 anos?

Havia uma resistência a se aplicar igualmente a lei para todo mundo. Hoje a República é mais República.

O senhor comunga da ideia de que foi o maior escândalo da história do País?

O que é maior? Receber um volume de dinheiro de uma vez só ou fazer uma sangria de dinheiro da saúde, por exemplo. São igualmente graves, mas eu não consigo quantificar isso. Não sei o que é pior. Não sei se este é o maior caso de corrupção, não. Toda corrupção é ruim.

Talvez pelo envolvimento da cúpula de um governo.

E a (corrupção) difusa? Envolve também muita gente. Dinheiro que sai na corrupção falta para o atendimento básico de saúde, educação e segurança pública. Toda corrupção é ruim.

O senhor já disse que não defende a prisão agora dos condenados do mensalão com novo julgamento. E os demais?

]Para esses, transitando e julgando a prisão é decorrente. Para os demais (que terão um segundo julgamento), só depois da publicação do acórdão.

O senhor defende a extinção do foro privilegiado ou a mudança poderia gerar mais impunidade?

Quanto mais se sobe o foro, mais diminui a revisão dos julgados. Se você diminui a revisão do julgado, maior é o risco de ter erro. Essas questões têm que ser colocadas de maneira clara na mesa para discutir esse assunto.

O senhor disse que tem disposição ao diálogo. Isso tem a ver com pessoas que o senhor investigará?

Investigação não é diálogo. Falo de relação institucional entre poderes.

Esse diálogo faltou nos últimos anos?

O Ministério Público se fechou. Virou uma instituição autista. Diálogo não é composição. Se eu tiver de investigar, eu vou investigar. Eu sou mineiro ferrinho de dentista.

Como o senhor pretende acelerar processos que estão no Ministério Público?

Vou dar maior transparência às questões que tramitam no gabinete do procurador-geral. A sociedade brasileira tem direito de saber o que tem aqui dentro, como tramitam os processos e os prazos. Eu quero abrir o gabinete. Minha segunda meta é acabar com os processos que ficam na prateleira. O acervo é a massa do diabo. Não podemos ter medo de arquivar e de judicializar.

O senhor é a favor de flexibilização das regras para criação de novos partidos?

Não temos que flexibilizar. Temos que cumprir a lei. A lei fixa os requisitos para a criação dos novos partidos. Nós temos que ver se os requisitos foram cumpridos. Ponto.

O senhor enviará proposta ao Congresso para diminuir benefícios salariais para os membros do Ministério Público, como auxílio-moradia ou licença prêmio?

Eu discuto o estatuto (do Ministério Público) como um todo. Para que eu possa enviar uma proposta cortando o que está previsto no estatuto, tenho que negociá-lo como um todo. Duvido que qualquer colega meu não deixe de trocar privilégio pela garantia de investigação.

Outros procuradores-gerais da República já saíram com a pecha de engavetador e prevaricador. O sr. quer deixar qual marca?

Quero deixar uma marca: simplicidade. Só.

No RBA
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Sem Marina, Dilma vence no 1º turno em 2014?


Dificuldades no caminho do Rede Sustentabilidade, dificilmente, serão superadas até 3 de outubro, último dia de sessão do TSE, para decidir pela criação da legenda da ex-senadora; fora do páreo, é a presidente Dilma quem mais se beneficia do novo cenário; Marina tem até 25% das intenções de voto e é a candidata preferida dos "sem-partido", firmando-se, portanto, como nome principal da oposição, pouco representada por Aécio e Campos que ainda não decolaram; sem a verde, seus votos não migram para nenhum candidato; tendem a se diluir, beneficiando a primeira colocada, que tem uma dianteira superior a 50% perante o 3º colocado, o senador tucano

Ao que indicam os fatos, a ex-senadora Marina Silva não conseguirá viabilizar seu partido, o “Rede Sustentabilidade”, até o próximo dia 5 de outubro para concorrer, novamente, à Presidência da República no próximo ano. Com o tempo expirando, diante de assinaturas necessárias à criação da legenda sendo invalidadas por cartórios e questionadas pela Procuradoria Eleitoral, a ex-petista e ex-Partido Verde, que pontua com até 25% das intenções de votos dos eleitores brasileiros, preferida dos que se declaram “sem-partido”, beneficiará que candidato com sua ausência do pleito? Sem ela, que aparece em segundo lugar nas pesquisas, a presidente Dilma Rousseff (PT) consegue faturar a eleição já no primeiro turno?

Parecer do Ministério Público Eleitoral enviado nesta sexta-feira (21) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informa que a ex-senadora só conseguiu comprovar 304.099 assinaturas, em 14 estados e no Distrito Federal. Marina precisa apresentar 492 mil assinaturas para garantir o registro. Ou seja, em menos de duas semanas, ela teria que apresentar 188 mil novas assinaturas para o TSE julgar. A última sessão do tribunal antes da expiração do prazo das eleições de 2014 é dia 3 de outubro. São apenas quatro sessões até lá, sendo que já há dois partidos na fila esperando por julgamento para serem criados – o Solidariedade e o PROS.

Ou seja, as chances do Rede já existir para o próximo ano eleitoral são mínimas. O que fará Marina? Negará o discurso contrário à política tradicional e se alinhará a algum grupo político (especula-se sua adesão ao Partido Ecológico Nacional, um nanico) ou desistirá de 2014? Marina é o nome preferido dos que participaram das manifestações de junho. Foi quem mais cresceu nas pesquisas, quando desabou a popularidade da presidente do país.

É quem mais dá chances à oposição, tão combalida, diante de nomes que até agora não animaram o eleitor, como o do senador Aécio Neves (PSDB) e do governador Eduardo Campos (PSB) – este último até poderia ser uma novidade na cena política, mas não tem o perfil que o eleitor jovem vê em Marina. Neste quadro, quem mais se beneficia com a saída da ex-senadora da disputa eleitoral do ano que vem é a presidente Dilma, que após os protestos, voltou a subir (devagarzinho, mas de modo constante) nas intenções de voto do eleitorado.

Puxada por índices inflacionários controlados, geração de empregos nas alturas e “Mais Médicos” com quase unanimidade de aprovação, a petista vê as possibilidades de vencer ainda no primeiro turno voltarem ao patamar anterior ao mês de junho deste ano. Não há ainda pesquisas de cenário eleitoral sem Marina, mas dá para se depreender dos dados que o eleitor fornece nas pesquisas existentes que a saída dela não derrama intenções de votos prioritariamente em Aécio ou Campos, tampouco em Dilma, mas postos os números atuais, é a atual presidente com quase 40% de intenções quem passa a surfar no cenário sem Marina, uma vez que a petista possui mais do que o dobro de intenções de voto de Aécio, o terceiro colocado nas sondagens existentes.

Outro ponto relevante é que é Dilma quem mais desperta confiança dos brasileiros entre os principais políticos do país. A pesquisa Vox Populi, publicada pela Carta Capital do início deste mês, mostra que 46% dos eleitores confiam nela, contra 34% de Marina, 20% de Aécio e 11% de Campos. Até o combalido José Serra gera mais confiança no eleitor do que Aécio. O candidato derrotado nas eleições de 2010 por Dilma tem a confiança de 31% dos eleitores.

Na mesma pesquisa, há ainda outro dado extremamente relevante para a presidente. A avaliação do seu governo, que já foi acima dos 60% chega a 35%, tendo 43% de regular e 22% de negativo. No entanto, dentro dos 43% de regular, dois terços (29%) afirmam que a presidente tem avaliação “regular positiva”. Depreende-se assim que colocados fatos positivos na agenda, com ação mais objetiva do governo diante dos problemas do país, a aprovação com números generosos pode se repetir. E sem Marina, para encantar o eleitorado “sem-partido”, a presidente Dilma poderá se aventurar a ver a reeleição já em primeiro turno.

No jogo das possibilidades e especulações, para onde irá Marina Silva? Uma coisa é certa: sem o Rede, suas pretensões, mesmo em outro partido, ficam prejudicadas. O eleitorado cativo, que lhe deu quase 20 milhões de votos em 2010 e que se mostra fiel para 2014, tende a minguar. Com mais cinco anos pela frente sem partido, dificilmente, irá se manter competitiva, diante da ausência de estrutura que mantenha seu projeto. Os próximos dias serão decisivos para a ex-senadora. E também para Dilma, Aécio, Eduardo, Serra...

No 247
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Conheça o PEN


O partido apartidário de Marina da Silva, a REDE Sustentabilidade, está com dificuldades para colher as 500 mil assinaturas necessárias para a sua criação. Apesar de contar com ajuda de apoiadores de peso como Neca Setúbal (Itaú), Guilherme Leal (Natura) e Walter Feldman (PSDB), o partido itaú-guarani-kaiowá tem grandes chances de não sair do papel.

Vendo os eco-amigos em apuros, o presidente do recém-criado PEN (Partido Ecológico Nacional), Adilson Barroso, ofereceu a sigla para abrigar a candidatura de Marina:
"Esses partidos velhos estão todos batizados, cheios de corruptos. Caso ela queira um partido novo, sustentável e ecológico, eu passo para ela... eu vou oferecer tanto a presidência nacional do partido quanto a candidatura à presidência [da República] para ela"
Um gesto de solidariedade desses só poderia vir de uma pessoa muito especial. E eu, como bom jornalista wando, fui conhecer melhor o ser humano que há por trás desse político do bem.

Nascido em Manda Saia (MG), crescido em Fartura (SP), Adilson foi ainda jovem para Barrinhas (SP), onde decidiu entrar pra política após o empurrãozinho de um pastor local:
"um líder político da cidade me convidou para ser candidato a vereador, mas eu não aceitei. Depois de algumas insistências, fui conversar com o meu pastor sobre o assunto e ele me animou, pediu para ajoelhar, pegou um pouco de óleo, orou, me ungiu e falou, vai, saia candidato que você não vai perder, e assim o fiz. Daí para frente, nunca mais perdi uma eleição. Já foram cinco."
Adilsinho sempre foi um político evangélico do PSC, mas de repente, alguma coisa aconteceu naquele coração. Uma imensa vontade de abraçar uma árvore, regar uma planta e correr na chuva, surgiu. Foi aí que decidiu convocar seus familiares e criou o PEN, o 30º partido do país.

A sigla amiga da natureza chegou se apresentando da forma mais kassabiana possível:
Essa aparente confusão ideológica se dissipa quando nos damos conta que o PEN é norteado por 10 sólidos mandamentos alinhados em forma de pirâmide:

Imagem: Reprodução\Site do PEN
PS: O novo partido passou a receber R$ 40.000 mensais do Fundo Partidário.

PS2: O número de registro do PEN é 51.

PS3: O presidente do PEN é a favor da "redução da menoridade" (SIC) penal.

No Jornalismo Wando
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Revoltada, Nana Gouvêa sensualiza de biquini preto

Susana Vieira e suas amigas vão vandalizar no Sushi Leblon
EGO - Super inn na tendência new revolt iniciada por Susana Vieira e seguida pela família de Carla Perez, Nana Gouvêa realizou um ensaio sensual vestindo apenas um biquininho preto. "Como sou uma modelo e manequim à frente do meu tempo, resolvi ir além: sensualizei com peças de roupa que expressam metaforicamente o tamanho da decência que restou ao STF", explicou Nana, professoral.

Valença Sotero, da revista Caras, identificou a oportunidade para a criação de mais um neologismo. "O jornalismo de celebridades foi a editoria que mais se reinventou nas últimas décadas. Fomos pioneiros no uso da expressão 'herdeiro' para designar os filhos dos famosos, bem como na criação de termos como 'sensualizar'. É chegado o momento de expandir o uso do verbo 'civilizar'. Susana Vieira, por exemplo, quando veste preto, está civilizando com as amigas", explicou.

No final da tarde, Susana Vieira aderiu ao espírito Black Bloc. Assim que saiu do Projac, entrou em confronto com um PM de 23 anos.

No The i-Piauí Herald
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Petrobras vai entrar pesado no leilão de Libra


O impacto da desistência das petroleiras americanas e britânicas de participarem do leilão de Libra já foi absorvido pelo mercado, pela imprensa e pelo governo. Houve um receio de que a mídia brasileira, após a saída dos americanos, levasse adiante uma campanha para melar o leilão. Mas as empresas remanescentes tem boas assessorias e conquistaram a simpatia dos jornais.

A própria presidente Dilma, mediante um assessor, abriu o jogo para o Estadão: o governo federal vai sim jogar pesado para que a Petrobras tenha a maior fatia possível do campo de Libra, além mesmo dos 30% que é a cota mínima. BNDES e Tesouro Nacional poderão emprestar recursos para a estatal entrar de sola no leilão.

O representante da Repsol, que deverá se associar à chinesa Sinopec e à própria Petrobras para explorar Libra, ligou para o Merval Pereira, para acalmá-lo. Ele (Merval) não precisa se preocupar tanto com essa história de “conteúdo nacional”, excesso de presença estatal; o executivo da multinacional espanhola, que demonstra menos medo das cláusulas nacionalistas do leilão do que Merval, esclarece que seria “burrice” não entrar agora.

A Folha amanheceu neste sábado com um caderno especial sobre petróleo, com direito a um belo infográfico sobre o campo:

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A fuga das americanas pode ser explicada por vários motivos. Um deles é a existência de um governo mais “amigo” no México, que prometeu dar condições vantajosas para as gigantes explorarem reservas por lá. Reportagem recente no Washington Post informa, porém, que há um profundo ceticismo, nas cidades mexicanas produtoras de petróleo, acerca dos ganhos sociais decorrentes do plano do presidente da república, Enrique Peña Nieto, de desregulamentar ainda mais o setor no país. Lá não foram aprovadas garantias de investimentos em educação e saúde, como aqui.

Outra razão pode estar em estudo publicado há pouco pela Reuters, segundo o qual a importação de petróleo da China em 2020 atingirá US$ 500 bilhões, enquanto a dos EUA deverá cair dos atuais US$ 300 bilhões para US$ 160 bilhões no mesmo ano, por causa principalmente da substituição do petróleo por xisto.

A China tem necessidades maiores que os EUA e, por isso, está disposta a estabelecer um contrato mais estável com o Brasil.

A previsão de que os EUA substituirão petróleo por xisto, além disso, reforça a necessidade do Brasil acelerar a extração e a venda do petróleo em águas profundas. Não se pode nunca descartar o risco do surgimento de fontes alternativas.

Em entrevista ao caderno especial da Folha, Adriano Pires diz que a Libra vai render “bem menos do que se projeta hoje”. Em se tratando de uma commodity violentamente imprevisível, trata-se de um prognóstico que nem Mãe Dinah se atreveria a fazer. Um especialista, ao rebaixar o valor de Libra às vésperas do leilão, deixa bem claro que interesses representa. Mesmo Pires, contudo, não pôde se furtar a uma obviedade. Os chineses estão dispostos a pagar mais e melhor, por uma questão de segurança energética nacional (a sua própria).

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Miguel do Rosário
No Tijolaço
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Veja também se atira na cova que ela própria cavou


Assim como seus colunistas, a revista se juntou ao cortejo fúnebre de parte da imprensa brasileira, após a decisão do ministro Celso de Mello, que garantiu a alguns réus uma primeira oportunidade de apelação na Ação Penal 470; na visão da Abril, que está de luto, a Justiça morreu e se curvou aos poderosos; internamente, Eurípedes Alcântara, editor da revista, dá um chilique contra a decisão do decano e afirma que ele "poderia ter poupado a inteligência das pessoas" ao dizer que juiz não cede a chantagens da mídia; na verdade, quem não teve a mínima inteligência foi Veja, ao fazer uma capa, na semana passada, que emparedava o decano e ameaçava até crucificá-lo se ele não obedecesse a revista

Ricardo Setti, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Rodrigo Constantino... um a um, os colunistas de Veja.com foram se juntando, na última quarta-feira, ao enterro simbólico promovido na Marginal Pinheiros, sede da Editora Abril, após a decisão do ministro Celso de Mello, que garantiu a alguns réus da Ação Penal 470 a primeira oportunidade de apelação. Na práticas, tais colunistas se atiraram nas covas que eles próprios cavaram (leia mais aqui editorial do 247 a respeito).

Neste fim de semana, quem se juntou ao cortejo foi a própria Veja. A revista circula de luto, com a imagem da Justiça curvada e a data de seu obituário. Segundo Veja, o 18 de setembro de 2013 é a data da morte da Justiça no Brasil.

Internamente, o editorial "A Justiça falhou", do diretor Eurípedes Alcântara, pode ser definido como um chilique de uma criança mimada. O decano, afinal, mostrou independência e não sucumbiu à chantagem promovida por Veja uma semana antes, quando a revista ameaçava crucificá-lo (leia aqui), caso ele não votasse em linha com os interesses políticos da revista – que, repita-se, são políticos e nada têm a ver com o conceito de Justiça. 

Nesta semana, Eurípedes passa recibo. "O ministro Celso de Mello poderia ter poupado a inteligência das pessoas ao insistir que o Supremo Tribunal Federal (STF) não pode ceder ao 'clamor popular' ou à 'pressão das multidões'. Claro que não pode. Tanto não pode que isso não precisa ser declarado". Na verdade, o diretor de Veja ficou incomodado com a aula magna do decano, proferida na STF, que teve como um dos capítulos principais a mensagem dirigida à mídia que tenta pautar e dirigir as decisões de uma suprema corte.

O 18 de setembro de 2013, na verdade, jamais será lembrado como a morte da Justiça no País. Não há um advogado, procurador, juiz ou estudante de direito que pensem de tal maneira.

A data poderá ser lembrada, talvez, como o obituário da própria Veja, que, tal qual seus colunistas, também se jogou na cova que ela própria cavou.

No 247
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Empresa que doa dinheiro a político tem retorno de 850%

Cada R$ 1 investido em candidato gera R$ 8,50 para empresa se ele for eleito, indica estudo

Após as manifestações de junho, o debate em torno da reforma política dominou o noticiário do País e o financiamento das campanhas políticas se tornou um dos principais temas da discussão. Um estudo feito no Brasil pelo Instituto Kellogg, dos Estados Unidos, indica que as empresas que doam dinheiro para campanhas eleitorais têm um retorno de até 850% em cima do valor que investiram no candidato.
Idealizador da Lei da Ficha Limpa, que impede a participação de candidatos condenados criminalmente em tribunais colegiados, o juiz eleitoral Márlon Jacinto Reis é um dos criadores do movimento de combate à corrupção. Reis, que também é diretor do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral), afirma que o negócio é lucrativo para empresas que investem em políticos.
— Há uma pesquisa do Instituto Kelloggs no Brasil que mostra que a cada R$ 1 investido nas campanhas [políticas] há um retorno em contratos públicos da ordem de R$ 8,50. É um lucro de 850%. É o melhor negócio que conheço até agora. É melhor do que vender água.
Nesta semana, o MCCE se encontrou com a presidente Dilma Rousseff em Brasília para expor os pontos da “Campanha Eleições Limpas”. O projeto prevê o fim do financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas, limite para doação de pessoa física para partidos e eleição para o Legislativo em dois turnos, com a escolha dos partidos no primeiro e dos candidatos propriamente ditos no segundo.
O brasileiro, quando vai às urnas, não escolhe o candidato por ideologia ou pelas propostas de governo que oferece ao eleitor, explica Reis. O processo eleitoral atualmente está focado basicamente em dinheiro, segundo o juiz de direito.
— O começo da coisa [campanha eleitoral] hoje tem a ver com um binômio: dinheiro, que movimenta as eleições; e a maneira como as campanhas são conduzidas, com que as candidaturas são apresentadas. No primeiro ponto, nós identificamos como imprescindível proibir doações empresariais porque o dinheiro usado para comprar votos e para praticar as distorções do processo tem uma origem e precisamos nos preocupar com essa origem. Temos eleições caríssimas, mais caras que a maior parte das democracias.
As eleições de 2010, que escolheram o presidente da República, custaram R$ 4,9 bilhões em financiamentos, de acordo com Reis. As principais doadoras para campanhas são corporações ligadas à construção civil, mineração e bancos. Em comum, todas fornecem produtos e serviços para governos federal, estaduais e municipais, ressalta o juiz eleitoral.
— [Para chegar a esse cálculo], pega-se apenas o financiamento declarado e mesmo assim é um absurdo. Apenas dez empresas, nas últimas cinco eleições, doaram R$ 1 bilhão. Temos uma presença maciça das empreiteras, seguidas pelos bancos no processo de doação. Depois temos outros grupos ligados, de mineração por exemplo. Estão sempre ligados a setores que contratam diretamente com o poder público. São grupos que estão interessados em interferir na Comissão Mista de Orçamento para definir para onde vai o dinheiro.
Após tantas críticas ao financiamento de campanha por empresas particulares, a principal proposta apresentada para controlar o repasse de dinheiro é vetar a doação de dinheiro por empresas e liberar apenas para pessoas físicas. Para o MCCE, o teto seria o valor de um salário mínimo, ou seja, R$ 678 por pessoa.
O financiamento de campanha seria um dos pontos tratados no plebiscito, sugerido pela presidente Dilma Rousseff, mas a proposta de consulta popular não decolou no Congresso Nacional. A ideia é que a nova regra já valesse nas eleições de 2014.
Conforme as regras atuais, qualquer pessoa ou empresa pode dar dinheiro para partidos ou candidatos realizarem suas propagandas eleitorais. Bancos, empreiteiras e empresas de mineração estão entre as organizações que mais investem em políticos.
Para que as mudanças propostas pelo MCCE valessem já nas eleições de 2014, seria necessário que os parlamentares apreciassem e votassem o Projeto de Lei Ordinário até o próximo dia 5 de outubro — exatamente um ano antes das eleições. Cerca de 130 deputados já manifestaram apoio à causa. No entanto, o próprio MCCE admite ser difícil que o texto seja analisado ainda neste ano.
No Amoral Nato, o Blogodita
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Folha embarca na conversa dos tucanos sobre “ingerência” no pré-sal


Hoje a Folha de S.Paulo embarca na conversa da oposição sustentando que a intervenção estatal afastou petroleiras do leilão do pré-sal marcado para outubro.

A reportagem fala em “risco de ingerência” por parte governo, o que teria levado as grandes companhias a ficar fora da disputa.

Esse discurso é o tema preferido do presidenciável Aécio Neves e companhia, dos tucanos. Já nós, então, podemos dizer que a decisão das petroleiras inglesas e norte-americanas foi política…

A Folha de S.Paulo adota esse discurso da ingerência sem nenhuma declaração no próprio texto que o sustente. Ninguém fala sobre isso, mas o título fala.

O que a reportagem mostra é que as empresas falam em risco do negócio – porque existe investimentos financeiros muito elevados –, mas não em risco político. É um risco, alegam, dada a magnitude do investimento.

Perderam no câmbio, e agora fazem campanha vergonhosa contra leilão do pré-sal


A campanha vergonha contra o leilão do pré-sal tem muito a ver com decisão do FED (Federal Reserve) de manter os estímulos monetários que despeja na economia todos os meses. São US$ 85 bilhões mensais.

Ocorre que sofreram uma derrota e tanto os que acreditaram ou especularam com uma desvalorização brutal do real. Como o FED não retirou os estímulos, esses apostadores ou analistas perderam feio.

Ao contrário do previram, o Brasil não ganhou espaço não apenas com relação ao câmbio – O real foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar em setembro, com 5,21% –, mas também no acesso ao mercado de crédito internacional com taxas baixas de juros para empresas e governos.

Como tiveram essa derrota, oposição e mídia concentram agora o foco na campanha contra o leilão do pré-sal.

Sobre a desistência de empresas norte-americanas e britânicas do leilão, convém não desprezar o dado político e a motivação nessa rara e estranha decisão. Particularmente da BP. Há de se levar em conta até mesmo o dedo do governo desses países. Empresas de petróleo e governos sempre atuam junto. Até guerra são – e eram – feitas a pedido delas.

ZéDirceu
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Eleição alemã: Vejam só a "neutralidade" do Bild-Zeitung

Cliquei no link sobre as eleições de amanhã.

E olhem o que aparece "discretamente" atrás da página do jornal.

E depois tem alemão que diz que a mídia alemã é neutra e a melhor do mundo.

Putz!

Aqui você encontra a imoralidade.

Algo que a porcaria da midia brasileira não ousaria fazer.

Creio eu.

Mas que no "primeiro mundo" acontece.

Por incrível que possa parecer.

No banner - que fica mudando - está escrito:


 "Dê amanhã seus dois votos ao CDU!"

"A Alemanha é forte"

"E deve continuar assim"
No Brasil, mostra a tua cara!
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Destino de médicos cubanos, Curralinho teve revolta popular contra corrupção na Saúde; tucano acusado de desviar R$ 9 mi


Na falta de atendimento local, a ambulancha; os pacientes são avisados pelo médico: faltam luvas descartáveis


“Calma! Por favor, tenham calma. Me escutem”, pede o médico a um grupo de cerca de 30 pessoas, no hospital municipal. Ali está um gastroenterologista contratado a peso de ouro: para cada dia de trabalho, recebe R$2 mil. No entanto, diante de dezenas de pacientes que dizem esperar há mais de três horas no local, é obrigado a ficar de braços cruzados. “Prestem atenção: eu não tenho luva. Como eu vou fazer uma endoscopia em vocês se eu não tenho luva?”.

A cena se passa no interior do hospital de Curralinho, no arquipélago do Marajó, região paraense pertencente à Amazônia Legal brasileira e que impressiona tanto pela imponência das águas quanto pela pobreza da população. É aqui que deverão passar três anos de suas vidas as médicas Maria Caridad Rodriguez Driggs, de Santiago de Cuba, e Maria Carmen Ceruto Machado, de Havana.

Nos leitos do hospital, pacientes se queixam da falta de medicamentos. “A minha filha só vai tomar esse remédio porque emprestaram pra ela”, diz uma mãe.

As vacinações foram interrompidas por falta de algodão e as roupas têm de ser lavadas à mão, já que a máquina de lavar está quebrada. Finalmente, trazem ao médico uma caixa de luvas descartáveis. “Pronto, agora eu vou poder começar a atender. Não todos vocês, alguns. Só até a luva acabar.”

A ambulância, com os vidros quebrados e um pneu furado, está nitidamente abandonada.

“Outro dia, um paciente foi levado para o hospital num carrinho de mão”, conta o vigia Eliel de Jesus Benjó.

“Se falta luva? Falta tudo! Algodão, remédios, injetáveis… tudo”, confirma Ana Paula Favacho, há dois dias nomeada diretora do hospital, cargo que concilia com o de psicóloga responsável pelo Caps (Centro de Atenção Psicossocial).

Ao chegar à cidade, imaginei um encontro com o secretário de saúde local, que havia contatado anteriormente. Logo descubro, no entanto, por qual motivo ele não atendia mais minhas chamadas: na sexta-feira passada, a população de Curralinho tomou a Câmara dos Vereadores exigindo melhorais na saúde pública.

Funcionários do hospital, alguns sem receber há meses, pediam a cabeça do então secretário Gérson Sacramento. O movimento foi organizado pelo Conselho Municipal de Saúde.

“Eu não dou conta disso, não”, diz-me o recém-exonerado secretário, confirmando sua saída. “Cansei de ver meus amigos falecendo”, diz. “A saúde é uma bola de neve”.


A vida na região é sempre nas margens dos rios; abaixo, os matapis para pescar camarão


Saneamento básico e desvios de verba

Às margens do rio Pará, crianças nadam, mulheres lavam roupa, pescadores lançam n’água matapis, armadilha de pesca que retorna carregada de camarões. A poucos metros dali, vê-se desembocarem os canos que trazem o esgoto de cada uma das pequenas casas e palafitas do bairro Ponte do Cafezal, um dos mais pobres de Curralinho.

Segundo a prefeitura, cerca de 90% dos domicílios não possuem saneamento básico. E se a coleta de lixo chega a quase 70% da população, o despejo é realizado sem qualquer tratamento, a céu aberto. Abaixo das palafitas, a maré retorna os resíduos à terra, formando pequenos lixões ao lado das águas em que todos se banham.


O lixão e as crianças: próximos


Ao lado do porto principal – distante oito horas de Belém, em viagem de barco – uma grande placa anuncia: PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) – “Implantação do Sistema de Abastecimento de Água”.

A obra previa a construção de tubulações, caixas-d’água elevadas, filtros, bombeamento e sistema de distribuição. Prevista inicialmente para ser concluída no fim deste ano, está completamente paralisada, tendo apenas parte das tubulações sido precariamente instalada. Em terreno descoberto, dois grandes filtros, de cerca de quatro metros de altura, envelhecem abandonados.

No Portal da Transparência, do Governo Federal, Curralinho consta como inadimplente. Segundo o site, os R$ 700 mil previstos foram integralmente repassados ao município, sendo que o último repasse, de R$ 300 mil, foi feito em junho do ano passado. Quase um ano antes, o MPF (Ministério Público Federal) encaminhava à Justiça sete ações por improbidade administrativa contra o então prefeito, Miguel Pedro Pureza Santa Maria (PSDB).

Com a participação do ex-prefeito Álvaro Aires da Costa (PMDB), Pureza teria desviado, de acordo com a Procuradoria, R$ 9,7 milhões de recursos destinados à saúde.

À época, moradores indignaram-se e depredaram o prédio da Câmara Municipal, logo após o término de uma sessão em que os vereadores votaram contra a abertura de processo investigatório sobre os desvios.

A cidade é área endêmica de malária, leishmaniose, hanseníase, tuberculose e doença de chagas, dentre outros males associados à ausência de saneamento básico. Só entre 2009 e 2010, foram mais de 17 mil casos, o equivalente a mais da metade da população.

“Você veio pra cá no barco da companhia Bom Jesus?”, pergunta-me o atual secretário de saúde, Deja Santo. “Vim”, respondo-lhe.

Ficara surpreso com a estrutura da embarcação, que dispunha de três andares, duas lanchonetes, camarotes com ar-condicionado e, na parte superior, uma espécie de discoteca em que um DJ/barman comandava dois freezers e um notebook, ligado a duas grandes caixas de som. “Pois todas as vezes que você deu a descarga, no banheiro do barco, você lançou os dejetos no rio Pará.”

Ana Paula, a diretora do hospital
“Trabajando en equipo”

Voltando do bairro Ponte do Cafezal, saio do meio da rua para ceder espaço a uma caminhonete da Polícia Civil. Quem a conduz é Ana Paula, a diretora do hospital. A viatura lhe havia sido cedida pela delegada para que uma senhora, vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral), fosse conduzida até a “Ambulancha”. De lá, a paciente seguiria pelo rio para ser encaminhada a Breves, cidade vizinha que dispõe de um hospital de média e alta complexidade.

“Nossa ambulância é pré-histórica, não funciona há muito tempo. Eu sei que dia 15, agora, deveria ter chegado uma nova. Mas não sei o que aconteceu.”

Em outra ocasião, Ana Paula conta ter sido obrigada a pedir emprestado o carro de um vereador. “O município vem sendo depenado há muitas gestões. Só pode ser desvio de dinheiro público. Agora, estamos tentando organizar, mas a gente ainda não acertou o compasso”, diz.

Os mesmos que pediram a cabeça do ex-secretário indicaram o novo: Deja Santos, enfermeiro, especialista em epidemiologia e doutorando em biologia parasitária.

Insistentemente elogiado por funcionários, conselheiros e moradores, Deja pretende reorganizar o sistema e, assim que puder, retornar à academia.

“Depois que as coisas começarem a caminhar, eu pretendo voltar pra docência. A docência é melhor, sabe por quê? Porque infelizmente, na Amazônia, as opiniões políticas prevalecem sobre as opiniões técnicas.” Já teve um “gênio”, exemplifica, que queria lavar e reutilizar as luvas descartáveis.

A verba municipal varia conforme a arrecadação do município e, nos últimos meses, diminuiu de R$ 150 mil para R$ 70 mil.

O governo do Estado do Pará, afirma o secretário, há cerca de um ano não tem realizado repasses à cidade – algo que ocorre, segundo ele, na maioria dos municípios do Arquipélago do Marajó. “E os repasses federais também não são suficientes. Chegam R$300 mil por mês, mas só a folha do hospital dá R$ 200 mil. Então eu não tenho como fazer investimentos, comprar equipamentos novos etc”.

O hospital da cidade e, nos fundos, a casa onde ficarão as duas médicas cubanas 
(diante dela, Noélio, o único médico fixo da cidade)


Na parte dos fundos do terreno do hospital, em uma pequena casa com dois dormitórios, sala, cozinha e banheiro, serão hospedadas as duas Marias de Cuba.

Pelos termos do programa Mais Médicos, tanto a hospedagem como a alimentação dos profissionais recebidos é de responsabilidade do município. Para comer, cada uma das médicas, promete a prefeitura, deve receber um auxílio mensal de R$700.

Durante a entrevista, uma funcionária traz ao secretário um pequeno papel, com um texto em espanhol. “‘Trabajando en equipo e compartiendo nuestros logros’”. O secretário, à caneta, faz uma correção. “É “logros”, mesmo, aqui, tá? ‘Juntos hacemos historia. Agradecemos de corazón’. Isso, está certo. Pode mandar fazer a faixa”.

O camarão e o açaí são duas das principais fontes de renda da cidade


Energia de açaí

A atual administração, do prefeito Leo Arruda (PT), promete realizar esforços para retomar as obras de saneamento, mas diz estar engessada: alega que o mau uso de recursos públicos das gestões anteriores impede-a de receber novas verbas da União, impossibilitando novos investimentos. Um dos exemplos de intenções forçosamente proteladas diz respeito a uma das principais atividades econômicas da cidade: a extração de açaí.

Vastas áreas de plantação de açaizeiros margeiam os rios; na cidade, não se caminham dez metros sem passar por ao menos uma placa indicando a venda de suco de açaí. É, de fato, do extrativismo que vive a ampla maioria da população, que leva diariamente açaí, camarão, farinha de mandioca e peixe a barcos com destino, principalmente, a Macapá e Belém.

Em 2010, Curralinho teve o menor PIB (Produto Interno Bruto) per capita de todo o Brasil; segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cada habitante produziu, naquele ano, o equivalente a R$ 2,2 mil.

Espalhados por toda a cidade, mais do que as placas que anunciam a venda do suco, estão os caroços de açaí. Pequenas montanhas se acumulam na frente das casas e na beira do rio; bem procurado, no meio das ruas e na sola dos sapatos algum caroço sempre pode ser encontrado.

Kilber Nunes mostra o caroço do açaí; o detrito, que polui toda a cidade, poderia ser usado para gerar energia


“Nós produzimos 4 toneladas deste caroço por dia”, conta-me Kilber Nunes, assessor de gabinete do prefeito, que estava em viagem a Brasília.

Segundo ele, a usina termoelétrica que alimenta a cidade, funcionando à base de óleo diesel, poderia retirar sua energia da queima do caroço do açaí, livrando a cidade do detrito e economizando recursos com combustível.

“Em Ananindeua [na região metropolitana de Belém], já se produz energia assim. Aqui, entretanto, nós não temos dinheiro para comprar os equipamentos necessários.”

Mesmo com os impedimentos de transferência de recursos, este ano uma verba de R$1,5 milhão foi liberada pelo Ministério da Saúde para que a prefeitura construa uma unidade móvel fluvial – cuja entrega está prevista para janeiro de 2014 –, embarcação em que as médicas cubanas devem passar grande parte de seu tempo.

Em Curralinho, apenas 30% da população vive na zona urbana. O restante se espalha ao longo das matas ribeirinhas, numa disposição que dificulta ainda mais a chegada de serviços públicos.

O posto de saúde de Piriá; abaixo, um poço artesiano vizinho a um banheiro



A caminho da vila de Piriá, a cerca de uma hora de lancha da área urbana, paramos em uma das diversas casas de palafita espalhadas ao longo do rio.

Ali, Joana d’Arc de Sousa Silva, grávida de nove meses de seu décimo filho, diz-me ter ido diversas vezes ao hospital de Curralinho durante a gravidez. Só conseguiu, entretanto, uma consulta. “Não tinha médico. Ou, às vezes ele estava muito ocupado, atendendo ainda fichas do dia anterior.”

Em Piriá, um pequeno posto de saúde da família funciona com dois técnicos de enfermagem e sem nenhum equipamento básico. “Ontem eu tive de fazer um parto com as mãos, sem luvas”, conta-me Vanderléia Barros da Costa, agente comunitária e parteira da comunidade.


Vanderléia fez o parto sem luvas; o posto presta atendimento às crianças ribeirinhas

Mais Médicos, mais recursos

“O atual prefeito”, conta o médico Noélio Pereira Raiol, 63, “veio perguntar minha opinião sobre a vinda dos cubanos. Eu disse pra ele: ‘você tem de agarrar isso com unhas e dentes’”.

Secretário de saúde, diretora do hospital, técnicas de enfermagem, moradores, pacientes e – vejam só – o médico do hospital municipal: não foi possível a este repórter encontrar em Curralinho nenhuma pessoa que não considerasse positiva a vinda das médicas estrangeiras.

“A crítica das entidades médicas foi precipitada. Porque o governo determinou a finalidade do médico, que é a atenção básica”, diz Noélio. Ana Paula, a diretora do hospital, concorda: “A gente está encaminhando pacientes de atenção básica. Nós deveríamos encaminhar apenas casos de média e alta complexidade.”

Mas não seria mais eficiente, barato e urgente investir recursos na compra de medicamentos e materiais essenciais? Não ficará o médico estrangeiro de mãos atadas, tal como aquele gastroenterologista que não tinha luvas descartáveis? Não é preciso, enfim, investir antes em estrutura do que em pessoal qualificado?

“Evidentemente que só o profissional não é suficiente”, diz Noélio. “Mas o programa vai ajudar, porque ajuda financeiramente os municípios.”

O secretário Deja concorda: “Não ia adiantar a gente colocar o médico em um posto sem estrutura. Mas, com essa economia, eu tenho mais dinheiro pra comprar medicamentos e materiais, por exemplo”.

Os municípios se queixam de que a bolsa de R$ 10 mil, paga pelo governo federal aos médicos, é descontada do valor total da verba que lhes é repassada mensalmente. Na prática, contudo, este corte orçamentário representa menos de um terço do valor atualmente gasto por Curralinho para manter Noélio, seu único médico fixo.

Para estas prefeituras, carentes de recurso, o programa do governo federal funcionaria, então, como uma estratégia astuta por meio da qual as pequenas cidades do interior passariam a contratar médicos por preços muito inferiores aos atualmente praticados. Livra-as, assim, desta difícil negociação em que o outro lado da mesa, sabendo-se tão raro quanto necessário, dita os termos do acordo.
“Os conselhos e entidades de medicina nunca quiseram debater conosco essa situação. Ao contrário, sempre a utilizaram como moeda de troca”, diz Kilber. “No seu município, falta o quê? Falta isso, falta aquilo? Então o médico, aí, vai custar “tanto” [diriam as entidades]. É quase uma extorsão”.

O governo federal afirma que as prefeituras cadastradas no Mais Médicos contarão com uma verba de R$ 15 bilhões, no total, para melhorias estruturais. Ocorre que, ao menos por aqui, manter os equipamentos públicos funcionando adequadamente, com todos os materiais de que eles necessitam, parece ser um problema muito maior do que captar verbas para construí-los ou ampliá-los. O mesmo hospital que não tem algodão ou luvas descartáveis possui aparelhos de raios-X e de ultrassom.

Em Curralinho, notam-se esforços para ampliar os mecanismos de participação da população na gestão de saúde – estratégia que é considerada um dos principais modos de se dar transparência e eficiência ao trato dos recursos públicos. O maior exemplo é a existência do Conselho Municipal de Saúde.

“O conselho se resume a uma dúzia de pessoas preocupadas com o município”, conta o conselheiro e agente comunitário de saúde Reginaldo Pontes. “Mas, aos trancos e barrancos, ele funciona. Nós derrubamos o secretário. Se a saúde daqui não está pior, é por causa do conselho.”

Reginaldo se queixa do déficit de participação da comunidade. “Estou há três anos como conselheiro e nunca vi uma reunião com participação popular.” Para além da implementação de dispositivos participativos, como o conselho, a garantia da gestão coletiva parece exigir a criação de uma cultura política democrática. Se esta é inexistente, há de se compreender as raízes históricas de tal ausência.

Havia dias que tentava, em vão, me recordar do nome de um famoso político, ex-governador biônico do Pará, cuja ascensão se deu durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985).

Ministro do trabalho de Costa e Silva e ministro da educação de Médici, assinou o Ato Institucional nº 5 – símbolo do período mais sombrio do regime golpista. Lembro que, na reunião que precedeu a edição do ato, pronunciara a célebre frase: “Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”. Mas não me lembro de seu nome.

Enfim, percebendo que estou na via principal e mais movimentada de Curralinho, pergunto como ela se chama. Ao que me respondem: “Essa é a avenida Jarbas Passarinho.”


Vítima de um AVC sendo transferida; atualmente, Curralinho transfere mesmo casos de baixa e média complexidade


Dario de Negreiros viaja financiado pelos leitores do Viomundo.
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A opinião pública e o mensalão


Recife (PE) - Nas notícias do voto do ministro Celso de Mello, boa parte da grande mídia preferiu destacar um aparente desprezo do ministro pela opinião pública. Segundo jornalistas dos veículos de grande massa, Celso de Mello, ao desempatar no STF uma decisão a favor dos réus, teria agido como um ser imperial, ou imperador, que dá as costas ao povo e à cidadania. Calma, amigos, esse tipo de relato que acusa pela distorção é típica de madrastas de cruéis quadros da infância. Maledicência de menos e mais verdade e justiça seriam bem-vindas.

Notem que antes do esperado voto de minerva, ninguém viu ou leu nos magníficos colunistas qualquer condenação às artimanhas da sessão anterior de 11 de setembro, quando os ministros Marco Aurélio, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa manobraram para adiar o voto que adivinhavam discordante para outro dia. Nada demais, até porque esses modelos de moralidade articulavam com o maior desembaraço a favor da condenação dos réus, na maior cara de pau e chicana. Mas tudo conforme a ética de torcedores de time de futebol, para que desabassem sobre Celso de Mello as mais desonestas e covardes pressões, da mídia, dos amigos e da população.

Nos artigos de hoje, nas reportagens, perde-se uma oportunidade de ouro para analisar os conflitos entre ética pública e privada. Eu deveria escrever, para ser mais preciso, ética da privada. Seria um oásis para a inteligência e sensibilidade de todo o povo se comentassem os julgamentos do passado que na verdade foram autênticos linchamentos, na justiça cega das ruas, que terminavam em forca, sangue, faca e pedras. Seria didático trazer para o grande público a discussão da peça Um Inimigo do Povo, de Ibsen, onde um médico honrado se vê transformado em inimigo público número 1 de uma cidade, pela simples razão de falar a verdade contra os interesses comerciais do lugar.

Mas devo estar sonhando. Menos, voltemos ao chão. O fato é que não se atentou para um momento raro de homem público, que se envolveu ele próprio no destino comum dos réus ao atrair contra si a fúria de um linchamento político. Preferiram, os formadores de opinião, destacar o trecho em que o ministro afirma que as decisões judiciais não podem se curvar às manifestações do povo, uma vez que “O Judiciário não pode se contaminar pela opinião pública”, conforme o relato maldoso das madrastas de contos infantis.

Cabe uma pergunta: que diabo é mesmo essa tal de “opinião pública”? Os dicionários a definem como “o conjunto de todas as ideias, opiniões, critérios de valor etc. de uma sociedade, com relação a qualquer campo de interesse”. Ou desta maneira: “a opinião prevalecente da maioria dos membros de uma sociedade sobre determinado assunto, e que expressa sua vontade, seu critério, sua tendência”. Mas esse não é o conceito de “opinião pública” dos grandes comunicadores. No que se refere ao julgamento de petistas no STF, a maioria dos jornais confunde opinião pública com opinião publicada. Se os editores olhassem mais críticos para suas “cartas à redação”, veriam a partir delas que as letras saídas nos jornais não são bem a voz da sociedade, porque mais de uma vez as cartas se inventam. As opiniões ali são falsas ou por claro exercício da mentira, ou por seleção rigorosa do que interessa publicar, o que é outra forma de invenção. Disso os editores até sabem. Digamos, numa concessão à sua inocência, que eles parecem não ver é outra coisa.

Na verdade, os formadores de opinião, os mais bem pagos jornalistas brasileiros moram bem longe do povo do Brasil. Em mais de um sentido, alguns repórteres e colunistas se tornam desfazedores da opinião. Em um sentido familiar, nordestino, desfazem de, zombam, diminuem, depreciam a opinião pública. A verdade, acreditam, é aquilo que o jornal noticia. A verdade é a sua versão, repetida até o limite que sature, até um limite que, aí sim, gere descerebrados. "O sucesso de um jantar é o que sair no jornal", falam. Ou seja, o leitor seria um perfeito idiota, uma tábula rasa, que receberia passivo a imagem e as palavras que lhe forem impressas. A opinião pública é a opinião da imprensa, acreditam, e caem no mais profundo erro.

Daí que em lugar de uma análise pedagógica, de uma discussão política e filosófica, sonha, menino, os formadores preferem açular a massa contra o PT e passam a incentivar opiniões do gênero “ladrão comum, no Brasil, vai para a cadeia, já os políticos petralhas fazem dos tribunais um circo”. E concluem que o voto do ministro Celso de Mello levou a quadrilha de mensaleiros a zombar do povo brasileiro. Mas nem tudo está perdido, amigos. Recomendo aos raros leitores que passem um olho, pelo menos no resumo de Um Inimigo do Povo,  clique aqui. Nada mais pedagógico hoje, neste momento dos 92 anos do educador Paulo Freire. 

Urariano Mota
No DR
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Negro gaúcho. Memória farroupilha ou lanceira?

Lanceiro Negro
Baseado no discurso do senso comum, nas poucas vezes que sai do Rio Grande do Sul, fui olhada com estranhamento, quando me apresentava como gaúcha: em alguns lugares ainda se imagina que é um estado sem negros.

O Rio Grande do Sul é tido como o estado mais europeu do Brasil. É fato que as correntes migratórias foram fortes por aqui (açorianos em 1740, alemães em 1824, italianos em 1875). Mas antes desses imigrantes chegarem, diversas etnias indígenas já habitavam o território, além dos negros, que chegaram a partir 1737.

Chamado “Terra de Ninguém”, o território passou a ser ocupado oficialmente em meados do Século XVIII, com distribuição de Sesmarias (lotes de terra) pelo Rei de Portugal, destinadas à criação de gado e estimulando a imigração e o povoamento. Com a miscigenação entre os nativos e os recém chegados imigrantes, surge então o gaúcho brasileiro, a partir de 1732. Antes disso, com o Tratado de Tordesilhas (1494), o território pertencia a Espanha. Resultado de acordos políticos, a região necessitava de um “povoamento civilizado”, pois outrora era habitado por populações indígenas, portanto, Terra de Ninguém.
Os negros no Rio Grande do Sul foram trazidos para trabalhar nas charquedas, que eram grandes fazendas que produziam charque. Esse produto era comercializado para servir de alimento para os escravos de todo país, e por isso o estado vendia muito.

O charque foi uma solução encontrada para aproveitar melhor a carne, que salgada e seca tinha uma durabilidade maior, e era comercializada, mas vinha sendo desvalorizado cada vez mais, o seu valor reduzia-se basicamente ao couro e ao sebo.

O escravo gaúcho, no campo, normalmente se dividia em dois grupos: o da charqueada e o campeiro. A lida de um escravo campeiro, em geral, não era tão ”penosa” como nas charqueadas, visto que se trabalhava a cavalo e entre poucas pessoas. Essa função era vista como perigosa pois a estes cativos eram entregues instrumentos de trabalho e andavam a cavalo sem nenhuma vigilância. Isso reforça o mito de que a escravidão no Rio Grande do Sul tenha sido mais branda, pois nas charqueadas e nas fazendas cafeicultoras e açucareiras, não se encontrava escravos com tais níveis de “liberdade”, no entanto não há um consenso entre os historiadores a respeito da participação do escravo na atividade pastoril.

No entanto, sabemos que a exploração da mão de obra negra tenha sido amena nesse estado. A realidade, é que a população negra tinha um grande crescimento, o que impulsionou o envio de imigrantes para “clarear” a terra.
O gentílico “gaúcho” foi aplicado aos habitantes do atual território do Rio Grande do Sul, de forma pejorativa por motivos políticos, no período da Revolução Farroupilha (1835-1845). Como a terminologia surgiu em razão da pobreza e da mestiçagem, a expressão não era vista com dignidade e valor. Mas de uma utilização pejorativa, o termo gaúcho passou o a ser incorporado pelos próprios rio-grandenses, ao final do conflito, com a assinatura do tratado de Paz, e a incorporação dos soldados gaúchos ao Exército Brasileiro.
O Rio Grande do Sul passou por um episódio, lembrado saudosamente pelo movimento tradicionalista, que foi a Revolução Farroupilha, entre 1835 e 1845. Esse foi um conflito, onde a elite local reivindicava menores impostos para o charque gaúcho ao Império. A briga era entre os grandes latifundiários da terra, mas quem acabou lutando foram os pobres e escravos: no começo do conflito, a população negra gaúcha era de 30%.

Mas a saber, os negros foram convocados a lutar por seus senhores, que ocupavam grandes postos nos exércitos, enquanto os seus escravos compunham o front de batalha: os lanceiros negros. Negros estes que receberam apenas lanças para lutar, e ficava a frente da cavalaria, popularmente, “bucha de canhão”.

Nos anos finais, a manutenção do conflito era muito cara e custosa, as negociações de paz estavam tramitando. Negociando o preço dos impostos sobre o charque, os revolucionários farroupilhas receberiam a anistia e seriam incorporados ao exército imperial (para lutar a Guerra do Paraguai). No entanto, os negros que lutaram, nada receberiam… os boatos de que os que lutaram receberiam a liberdade não passava de um blefe, para que não fugissem para o Uruguai, onde a escravidão já havia acabado.

Os negros sofreram um grande golpe dos farroupilhas: na noite de 14 de novembro de 1844, foram desarmados a mando do General David Canabarro, e mortos na chacina do Cerco de Porongos, na atual cidade de Pinheiro Machado.

Os negros foram entregues à morte pelo comandante do exército farroupilha, em um (dos vários) acordo(s) que desencadearam no Tratado de Paz de Ponche Verde, em 1º de março de 1845.

A Revolução Farroupilha, conflito burguês que massacrou os pobres e negros do Rio Grande do Sul, hoje, no Vinte de Setembro é comemorado como data máxima do povo gaúcho.
É inegável que a Ronda Gaúcha (posteriormente chamada Crioula) teve importante papel para a formação do atual Movimento Tradicionalista. Em 1947, um grupo de estudantes do Colégio Julio de Castilhos, de Porto Alegre, criou um Departamento de Tradições Gaúchas, com fins de preservar a cultura gaúcha, recordando a realidade do campo. De acordo com os documentos do MTG - Movimento Tradicionalista Gaúcho, esses jovens, atuaram em parceria com a Liga da Defesa Nacional, que os incumbiu de fazer o translado dos restos mortais do herói farrapo David Canabarro, que seria transladado de Sant’Ana do Livramento para Porto Alegre. [...] Da última centelha do Fogo Simbólico da Pátria, se acendeu a Chama Crioula, que se mantem viva de do dia sete até o vinte de setembro. E com o Grupo dos Oito, é inaugurado o desfile cívico-militar, realizado pela Brigada Militar e pelos jovens tradicionalistas do Vinte de Setembro.
Da memória de um conflito que não atendeu interesses populares, se criou uma data comemorativa, para a memória de um grupo social. Que naturalmente, não foram os negros: quando o herói de um povo é o assassino dos que lutaram por esse povo, existe algo de errado, seja no conceito de “herói”, seja o conceito de “memória”, seja o conceito de “pátria”

A concepção de cultura, patrimônio, e, sobretudo tradição, utilizada pelo movimento tradicionalista gaúcho é bastante peculiar: vai ao encontro do projeto político defendido e voltado a um passado glorioso, com vistas às gerações futuras.

O tradicionalismo, nesse sentido, é um elemento difusor ideológico, a serviço do Estado e de uma classe social, através do qual é de interesse que sentimentos e valores sejam disseminados, juntamente com um progressivo discurso moralista, presente nas mais diversas ações e costumes.
Aquele que não pertence ao meio recordado pelo movimento não faz parte da cultura gaúcha. Este se torna alheio ao gauchismo, na medida em que o tradicionalismo cria um passado mítico, constrói-se e dissemina um “gaúcho” ideal, que além de não condizer com o real, exclui uma significativa parcela da população do pertencimento territorial, cultural e político.
De alguma forma, não há problemas em um povo homenagear a sua cultura e cultivar as suas tradições. Na teoria, isso é bonito. No entanto, a cultura gaúcha comemorada nos piquetes e nos acampamentos farroupilhas espalhados Rio Grande a fora, não passam de uma versão da história, construída na década de 1940, com início no Estado Novo e fortemente disseminada durante a Ditadura Militar.

A representação de um setor da sociedade, em detrimento dos demais, é algum muito ruim. É opressor. Violenta os demais.

O Rio Grande do Sul é um estado onde vivem negros. Um estado onde negros colaboraram com sua cultura, com sua historicidade, com seus valores, com sua religião.

Nós, negros, estamos aqui. Reivindicamos a memória aos Lanceiros Negros, que viveram, lutaram e morrem por liberdade.

Letícia Maria
No Blogueiras Negras
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Susana Vieira, a Mimada, dá show de preconceito


A atriz das Organizações (?) Globo, Susana Vieira, a Mimada, sempre demonstrou ser arrogante ao tempo que nunca a vi falar em público com tanto preconceito, que, pelo que vi e ouvi, também faz parte de seus caráter e personalidade alienados, bem como de seus princípios e valores, afinal ela mora no Itanhangá, na Barra da Tijuca.

De temperamento difícil, pois explosivo e mimado, tal atriz que está de luto porque o STF votou pelos embargos infringentes, o que é constitucional e da lei, não se faz de rogada e dá um show de arrogância, deboche e prepotência após errar o texto do grandioso e famoso espetáculo "A Paixão de Cristo", que todo ano é encenado em Nova Jerusalém, localizada nos arredores de Caruaru, em Pernambuco.

A atriz ora enlutada se irritou com as vaias, e deitou falação, porque, segundo Susana, sua "cabeça e a inteligência estão perfeitas"! Sempre escrevi sobre a alma distorcida e cruel dessa "elite", bem como já recebi agressões e ofensas publicadas por esse colonizado e intolerante grupo social, que derrama seu ódio porque não concorda que milhões de brasileiros, por exemplo, conquistem a emancipação e subam a escada da ascensão social.

Susana Vieira é apenas um exemplo de milhões de exemplos deste País e mundo afora. Acostumada, no decorrer de sua vida, a ser bajulada e dizer poucas e boas a quem é obrigado a conviver com seus caprichos, desejos e neuroses, a atriz que está de luto por causa da Ação Penal 470 não se enluta de jeito nenhum a usar suas palavras que cortam como navalha aqueles que moram no Nordeste e especificamente em Pernambuco.

Afinal, ela mora no Itanhangá, na Barra, e neste bairro carioca não tem agreste, sertão, bem como não falta água. Contudo, a "diva" global não deixa de se movimentar pelo Brasil para ganhar dinheiro, inclusive no Nordeste, pois, evidentemente, a moeda, o real, é a mesma no território nacional e neste momento Susana Vieira esquece do seu ar superior, de sua cabeça perfeitamente coxinha e de sua arrogância tão comum àqueles que desejam um mundo VIP e para poucos privilegiados.

Susana Vieira é um show. Um show de preconceito e arrogância. E ainda tem a cara de pau de ficar de luto ou vestida de corvo ou urubu.


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