20 de set de 2013

Ignacio Ramonet entrevista o presidente venezuelano Nicolás Maduro

Nicolás Maduro e Ignacio Ramonet
Ignacio Ramonet: A oposição venezuelana lançou uma campanha, que encontra eco em alguns meios internacionais, afirmando que o senhor não nasceu na Venezuela, mas, em Cúcuta, Colômbia; e que possui dupla nacionalidade, o que, segundo a Constituição, o invalidaria como Presidente. Que comentários essa acusação lhe inspira?

Nicolás Maduro: O objetivo dessa loucura lançada por um demente da ultradireita panamenha é criar as condições para uma desestabilização política. Tentam conseguir o que não puderam fazer nem através das eleições, nem dos golpes de Estado, nem através das sabotagens econômicas. Estão desesperados. E se baseiam na ideologia anticolombiana que a burguesia e a direita venezuelanas sempre tiveram contra o povo da Colômbia.

A esse respeito, se eu houvesse nascido em Cúcuta ou em Bogotá, me sentiria feliz de ser colombiano. Porque é uma terra fundada por Bolívar. Se tivesse nascido em Quito ou em Guayaquil, também me sentiria orgulhoso de ser equatoriano, porque é uma terra libertada por Bolívar; ou em Lima, ou em Potosí, ou em La Paz, ou em Cochabamba, me sentiria feliz por ser peruano ou boliviano; e se houvesse nascido no Panamá, terra de Omar Torrijos, terra de dignidade, que fez parte da Gran Colômbia, de Bolívar, também me sentiria orgulhoso de ser panamenho. Porém, nasci e me criei em Caracas, berço do Libertador; nessa Caracas sempre convulsa, rebelde, revolucionária. E aqui estou como Presidente. Essas loucuras serão recordadas como parte da crise de desespero esquizofrênico na qual, às vezes, a direita internacional entra com o objetivo de acabar com essa réstia de luz que é a revolução bolivariana.

Por outro lado, o Presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, declarou recentemente que foram descobertas conspirações contra o senhor, com intenção de atentar contra sua vida.

Nicolás Maduro: Sim, o ministro do Interior, Rodríguez Torres, o Presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello e eu mesmo revelamos um dos planos de assassinato que estava sendo preparado para o dia 24 de julho, aniversário do nascimento de Simón Bolívar, e comemoração dos 190 anos da Batalha Naval de Maracaibo. Dispunham de um conjunto de planos que conseguimos neutralizar e que têm sempre sua origem na mesma direita internacional. Aí, aparece por exemplo, o nome de Álvaro Uribe (ex-presidente da Colômbia), que tem uma obsessão contra a Venezuela e contra os filhos de Chávez. Aparece também a velha máfia de Miami, a de Posada Carriles, que conta com o apoio de importantes instâncias de poder nos EUA. O governo de Barack Obama não quis desmontar essa máfia de Posada Carriles, um terrorista convicto e confesso, perseguido pelas leis de nosso país porque derrubou um avião de Cubana de Aviação, em outubro de 1976...

Posso garantir-lhe que continuaremos defendendo-nos, neutralizando esses planos... e vencendo. Se eles alcançassem seu objetivo, se criaria uma situação que não gostaria nem de pensar nela. A quem menos lhe convém que algo assim aconteça é a direita venezuelana. Desapareceria do mapa político de nosso país por 300 anos... Porque a Revolução tomaria outro caráter, sem dúvida, muito mais profundo, muito mais socialista, muito mais anti-imperialista. Espero que esses planos jamais tenham êxito, porque repercutiria muito mal para eles. E eu veria tudo lá do céu...

O senhor pensa que o fracasso da oposição em sua tentativa de desestabilização se deve à política que o senhor tem impulsionado, ou a uma mudança de atitude da própria oposição ante as eleições municipais do próximo 8 de dezembro?

Nicolás Maduro: Deve-se, principalmente, à fortaleza institucional da democracia venezuelana, e a decisão que tomei, apoiando-me nessa fortaleza, de derrotar o mais cedo possível a tentativa de insurreição e de violência. Neutralizá-lo. Não permitir que se estendesse. Eles tentaram uma espécie de insurreição nas principais cidades, nos dias 15 e 16 de abril.

Qual foi o grau de violência?

Nicolás Maduro: Assassinaram 11 pessoas humildes, entre elas, uma menina e um menino. E feriram a quase 100, dos quais pouco se fala. Teve gente que ficou com sequelas para toda a vida.

A oposição mostrou seu verdadeiro rosto golpista. Aparentava bons modos democráticos, porém, quando [em 5 de março], o comandante Chávez faleceu, decidiu desconhecer o resultado das eleições e tentar impor pela força –com o suposto apoio internacional dos EUA e de outros governos da direita-, uma operação para desestabilizar a Revolução. Conseguimos neutralizá-los e derrotá-los logo. Agora, não lhes resta outro caminho que voltar a tentar, pela via eleitoral, ocupar espaços nas prefeituras. Nós os obrigamos a que assim seja. Se não fosse por nossa decisão, de que a Constituição seja respeitada, eles teriam levado nosso país a uma situação de guerra civil.

Em recentes declarações, o senhor alertou sobre fissuras na unidade da Revolução. O senhor teme uma divisão do chavismo?

Nicolás Maduro: As forças divisionistas e dissolventes sempre ameaçaram qualquer Revolução. As aspirações ao poder de grupos de pessoas são uma negação do projeto da Revolução Bolivariana, que é de caráter socialista, e exige desprendimento e sacrifício. O comandante Chávez foi presidente porque as circunstâncias da história o colocaram nesse posto. E eu sou presidente, não por ambição individual ou porque represento um grupo econômico ou político; sou presidente porque o comandante Chávez me preparou, me designou e o povo venezuelano me ratificou em eleições livres e democráticas.

Assim, que todas essas forças dissolventes sempre existirão. Porém, a Revolução tem a capacidade moral, política, ideológica para sobrepor-se a qualquer tentativa de divisão de suas forças. Eu disse isso no Llano venezuelano, porque estava vendo com meus próprios olhos, lá mesmo, diante de mim, uma pessoa que se diz chavista, porém, por debaixo dos panos, é financiado pelos latifundiários, e ele tem um discurso chavista para dividir. Não é impossível que quando esse indivíduo constate que não é designado pela Revolução como candidato à prefeitura desse município, se lance por sua conta... Estamos em boas condições para conseguir candidaturas unitárias em quase todos os municípios do país; e teremos que fazer um grande esforço para derrotar as forças dissolventes desses setores que se dizem chavistas; mas, no final, acabam sendo aliados da contrarrevolução.

Em relação à prática governamental precedente, o senhor introduziu várias mudanças: crítica da insegurança, denúncia da corrupção e, sobretudo, o que chama o "governo de rua” Por que sentiu a necessidade de insistir nesses temas? E que balanço faz do "governo de rua”?

Nicolás Maduro: Em primeiro lugar, o "governo de rua”, estabeleceu nessa nova etapa um método para que exista uma direção coletiva da Revolução. Segundo: criou-se um sistema de governo onde não há intermediários entre o poder popular local e a instância de governo nacional. Trás solução para problemas concretos; porém, sobretudo, contribui à construção do socialismo, das comunas, de uma economia socialista, e a consolidação de um sistema público de saúde integral, gratuito e de qualidade, e de um sistema educativo público e gratuito de qualidade... E o "governo de rua” é uma revolução dentro da Revolução.

É também uma maneira de combater o burocratismo?

Nicolás Maduro: De vencê-lo. Propondo outro sistema. Porque os modelos de governo que herdamos expressam a forma de governar do Estado burguês, ele mesmo herdeiro da colônia, na América Latina. O presidente Chávez os derrotou mediante as Missões que constituíram um novo modelo de gestão das políticas públicas. Nós, estamos agregando o "governo de rua” às Missões, que, poderíamos dizer, é uma instrução direta do comandante Chávez. Ele nos ordenou, a Elías Jaua que era vice-presidente na época e a mim, que era vice-presidente político, que fôssemos construindo um sistema de governo regionalizado 0”popular”, dizia ele- e eu lhe pus "governo de rua”. Todas são instruções e orientações dentro da filosofia de um modelo socialista no qual o poder não seja das elites –nem elites burguesas, nem l]novas elites que se burocratizam ou se aburguesam-. Queremos que o poder esteja democratizado, que seja uma vacina contra o burocratismo, contra o aburguesamento e, além do mais, que nos permita alcançar a "eficiência socialista”.

Se a oposição ganhar as eleições municipais de 8 de dezembro próximo, é provável que chame a um referendo revocatório em 2015. Como o senhor vê essa perspectiva?

Nicolás Maduro: Estamos preparados para todos os cenários. Sempre diremos a verdade ao povo. Se a oposição conseguisse uma boa votação no 8 de dezembro, tentará aprofundar a desestabilização para dissolver nossa pátria, acabar com a independência e acabar com a Revolução do comandante Chávez, que retomou o conceito de Republica Bolivariana. Vão impor cenários de desestabilização violenta em primeiro lugar e os EUA tentarão acabar com os níveis de independência e de união que a América Latina possui hoje.

Temos uma grande responsabilidade, porque estamos defendendo um projeto que pode tornar possível outro mundo em nossa região e pode contribuir para criar um mundo multipolar, sem hegemonias econômicas, militares, nem políticas do imperialismo estadunidense. Boa parte do nascimento de outro mundo onde se respeitam os direitos dos povos do Sul –e, inclusive, dos povos da Europa, para que a Europa livre-se do neoliberalismo-, depende de que, na América Latina, triunfem definitivamente as ideias de constituir um bloco de força e de equilíbrio para consolidar a ideia de que já não somos nenhum "pátio traseiro/quintal” dos Estados Unidos. Tudo isso depende, em boa medida, do que aconteça por aqui.

Como o senhor explica o resultado da oposição no passado 14 de abril, e como pensa ganhar o próximo 8 de dezembro?

Nicolás Maduro: Há um eleitorado que sempre votou indistintamente na oposição. Porém, no dia 14 de abril, uma boa parte dos que não votaram em nós o fizeram por descontentamento, por coisas mal feitas, problemas acumulados... No entanto, esses eleitores nunca acompanharam as aventuras golpistas e antibolivarianas da direita. A esses venezuelanos, nós, permanentemente, dizemos que estamos na rua, trabalhando para melhorar as coisas. Eles sabem que não tem sido fácil. E que a epopeia maior foi, na véspera do 14 de abril, sobrepassar a tragédia histórica da morte do comandante Chávez; superar o luto coletivo. Quando uma pessoa entra em luto, pode cair em estado de desesperança; não crer em nada. Boa parte do povo venezuelano entrou em luto profundo. E os especialistas em guerra psicológica que acossam nosso país se aproveitaram desse momento e dessa fragilidade para atacar duramente... Por isso, nossa vitória no dia 14 de abril foi realmente heroica.

O que estamos realizando –o "governo de rua”; a recuperação da economia; a atenção a temas intransferíveis, como a segurança cidadã, a corrupção...-. Isso nos dará forças para a grande vitória do 8 de dezembro. E será a garantia de que se abre um novo caminho para a construção do socialismo do século XXI.

Até onde o senhor pensa chegar em sua luta contra a corrupção?

Nicolás Maduro: Até as últimas consequências. Vamos com tudo! Enfrentamos uma direita muito corrupta, herdeira da IV República descomposta e em decadência. Porém, também estamos enfrentando a corrupção que fez ninho no campo revolucionário ou no seio do Estado. Não haverá trégua! Constitui uma equipe secreta de investigadores incorruptíveis que já estão destampando vários casos. Temos alguns detidos de mais alto nível e vamos seguir atacando forte. Serão julgados e irão para onde devem ir: para a prisão!

Como o senhor vê a situação da economia venezuelana? Vários análises alertam sobre o elevado nível da inflação.

Nicolás Maduro: A economia venezuelana está em transição para um novo modelo produtivo, diversificado e ‘socialista do século XXI’, no marco da construção de um novo quadro econômico constituído pela integração sul-americana e latino-americana. Não devemos esquecer que, agora, somos membros do Mercosul; somos membros da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América) e lideramos Petrocaribe. Toda essa massa geográfico-demográfico-econômica reúne 24 países do continente, o que poderia representar quase a quarta economia do mundo... Temos que transformar a economia venezuelana e conectá-la com o desenvolvimento desse novo marco econômico, e, ao mesmo tempo, integrar-nos, em situação vantajosa, na economia mundial. Não de dependência. Por isso digo que estamos em transição.

Sobre a inflação, lhe direi que padecemos um ataque muito forte, especulativo, contra nossa moeda, e estamos superando. Há também uma sabotagem ao abastecimento de vários produtos. Tudo isso produz inflação. Porém, já começamos a controlar, a equilibrar; e estou certo de que superaremos essa situação no que resta do segundo semestre.

Vamos estabilizar a moeda. Já começamos a estabilizar o abastecimento; porém, a chave fundamental para que saiamos desse modelo rentista, dependente, é a diversificação de nossa produção. Estamos realizando grandes investimentos em setores chave da produção de alimentos, da agroindústria e da indústria pesada. Estamos atraindo capital internacional que traga divisas e tecnologia. Recentemente, fizemos um giro pela Europa e estamos otimistas de que venham capitais da França, da Itália, de Portugal... Desejamos que venha capital do Brasil, da Índia, da China, com sua tecnologia para desenvolver a indústria intermediária na Venezuela, diversificando-a. Para que a Venezuela tenha motores próprios e variados e não dependa somente do petróleo que, claro, constitui um motor poderosíssimo para os próximos 50, 80 anos. Poderosíssimo. Não esqueçamos que a Venezuela dispõe de mais importantes resevas de petróleo do planeta e possui a quarta reserva de gás. A Venezuela é uma economia com muito poder financeiro e econômico. O que veremos, sobretudo a partir de 2014, é uma recuperação do nível de estímulo e crescimento da economia venezuelana.

Como se explicam os problemas de desabastecimento, que têm sido muito criticados pela imprensa internacional?

Nicolás Maduro: O desabastecimento faz parte de uma estratégia de "guerra silenciosa”, onde atores políticos, acompanhados por atores econômicos nacionais e internacionais, vendo o estado de gravidade do comandante Chávez, entre dezembro de 2012 e março desse ano, começaram a atacar pontos chave dos processos econômicos venezuelanos. Alentados também por alguns erros cometidos no sistema de câmbio de divisas na Venezuela, que já foram corrigidos. Essas forças antibolivarianas, pouco a pouco, começaram a golpear o abastecimento dos produtos que importamos. Além disso, para explicar a escassez de alguns produtos, devemos levar em consideração que o poder aquisitivo dos venezuelanos não para de aumentar. Temos apenas 6% de desemprego e o salário mínimo urbano aqui é o mais alto da América Latina. Outro ponto importante, reconhecido pela FAO (Organização das nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, siglas em inglês), somos o país do mundo que mais tem feito para combater a fome. Tudo isso -é muito importante considerar- gerou uma capacidade de consumo da população que está crescendo a cada ano acima de 10%. O consumo cresce em um ritmo superior à capacidade de produção do país e à capacidade dos mecanismos que tínhamos para abastecê-lo com importações.

O comandante Chávez, na última vez que falei com ele pessoalmente, no dia 22 de fevereiro passado, quando avaliamos a situação econômica e falamos sobre o desabastecimento, me disse: "Desatou-se uma ‘guerra econômica’ para aproveitar minha doença e a gravidade de minha situação e a possibilidade de chegarmos às eleições presidenciais. Nesse caso, a burguesia tentaria criar circunstâncias econômicas difíceis para, com o apoio imperial, dar o golpe final na Revolução Bolivariana”.

Nós já estamos saindo dessas circunstâncias. Ao povo venezuelano jamais faltou o alimento. Nunca. Pode ir em qualquer bairro popular, desses que eu conheci nos anos 80, onde as crianças eram famélicas, onde as pessoas comiam uma vez ao dia e, às vezes, comida para cachorro... O bairro mais humilde que encontrem no país, onde quiser, pode abrir a despensa e verá carne, arroz, óleo, leite... O povo tem garantido o alimento e isso nas piores circunstâncias da ‘guerra econômica’ que nos fizeram.

Por isso, temos estabilidade social e política. Agora, essa guerra é muito diferente daquela de onze anos atrás. Saía o chefe da patronal, Carmona Estanga, e chamava a paralisação geral. Saía o chefe da velha burocracia sindical, Carlos Ortega, e chamava à paralisação. Eles davam a cara, assumiam a sabotagem da economia e houve grandes desabastecimentos que quase provocam uma explosão social em 2002-2003. Agora, não. Agora é a ‘guerra silenciosa’, uma ‘guerra suave’, ‘diplomacia suave’, segundo consignas de Washington. Em 2002-2003, governava George W. Bush, que era brutal e dizia: "Vou invadir!” e invadia; "Vamos derrocar tal governo” e o derrocava. Agora, é o suave, o escondido, e aparece a direita fascitoide que vai sorrindo e dizendo: "Esse governo é incapaz porque não pode abastecer as cidades”. Quando são eles os que estão por detrás de um plano, com agentes internacionais no campo econômico para causar dano ao país. Porém, vamos superando e vamos nos vacinando. No futuro, lhes será impossível arremeter com esses mesmos mecanismos.

En la economía ¿qué papel le ve usted al sector privado?

Nicolás Maduro: Históricamente, el sector privado en Venezuela tiene poco desarrollo. Nunca hubo burguesía nacional. El sector privado, en lo fundamental, se desarrolló cuando surge el petróleo, como un factor más bien vinculado a la apropiación de la renta petrolera. Casi todas las grandes riquezas de la burguesía venezolana están vinculadas a la manipulación del dólar, sea para importar productos (la burguesía comercial) o sea para apropiarse de la renta y colocarla en cuentas de grandes bancos en el exterior. Así que, en cien años, no tuvimos una burguesía productiva como la tuvo Brasil por ejemplo, o Argentina. Ahora es cuando estamos viendo resurgir sectores privados con proyectos vinculados a la verdadera producción de riquezas para el país.

En el modelo socialista venezolano, el sector privado tiene un papel que jugar en la diversificación de la economía. Desde siempre, el Comandante Hugo Chávez favoreció las relaciones con el sector privado, tanto en la pequeña, como en la mediana o la gran empresa, favoreció el desarrollo de empresas mixtas y la venida de capital privado internacional. Hay un pensamiento económico que, en Venezuela, se ha desarrollado para seleccionar en qué área es necesaria la inversión extranjera. Qué capital puede venir y en qué condiciones. Por ejemplo: aunque nuestro petróleo está nacionalizado, existen modalidades diversas que permiten inversiones, en la Franja del Orinoco, de todo el capital mundial; allá hay empresas de todo el planeta, empresas mixtas: 40% capital internacional, 60% Venezuela. Les cobramos los impuestos debidos –antes se cobraba el 1%, ahora se les cobra el 33%. Venezuela ofrece todas las garantías constitucionales para recibir capital internacional.

¿Se mantendrá el control de cambio?

Nicolás Maduro: El control de cambio es un sistema exitoso. En febrero pasado, para defendernos de un ataque brutal contra la economía y contra la moneda, tuvimos que adecuar, digamos, el bolívar. Venezuela puede manejarse con este tipo de cambio que tenemos, perfeccionándolo. Debemos fortalecer nuestra moneda, vacunarla contra los ataques especulativos y perfeccionar el sistema de manejo de las divisas convertibles.

Usted me habló antes de ‘eficiencia’ ¿Qué progresos ha constatado en materia de ‘eficiencia’, en particular en el campo de la economía?

Nicolás Maduro: En primer lugar, una mejora sustantiva del sistema del Cadivi [Comisión de Administración de Divisas], el organismo que maneja el control de cambio en Venezuela. Realmente ha mejorado mucho en los controles previos, los controles posteriores y la asignación de las divisas necesarias para los agentes económicos. Otro elemento muy importante ha sido la creación del Sicad [Sistema Complementario de Administración de Divisas], un mecanismo de subastas que está funcionando de manera perfecta, pero al que, además, tiene ahora acceso el público en general. Cualquiera puede ir al Sicad. La gente común y corriente puede obtener divisas para su vida normal, sin necesidad de pasar por ninguna alcabala. Esos son progresos concretos.

Pero también hemos constituido un Estado Mayor para la dirección de la economía, dirigido por Nelson Merentes, el vicepresidente de Finanzas. Allí están todos los ministros de los sectores económicos. Cada ministro tiene que supervisar, apoyar y dirigir cada rubro que se produce en Venezuela. Hemos seleccionado 58 rubros fundamentales. Tenemos un seguimiento permanente -pudiera ser hasta diario, ahora es semanal- de cómo va la producción de cada uno de esos productos, qué inversiones hacen falta, qué trabas tienen para su comercialización interna... O sea, vamos logrando un mecanismo clave para gobernar la economía. De igual modo que se gobierna, a nivel político, un país, hay que gobernar la economía. Sobre todo si nos estamos planteando construir el socialismo.

El capitalismo es el reino de la anarquía, y cuando hay anarquía en lo económico gobierna quien tiene más poder: el capital financiero. Hoy ¿quién gobierna realmente Europa? El capital financiero. En Europa, este capital financiero está desmontando el Estado de bienestar que se constituyó después de la Segunda Guerra Mundial. En Venezuela no, estamos construyendo un gobierno económico para edificar el socialismo ¿Para qué debe servir la economía? Para garantizarle a la ciudadanía la salud, la alimentación, la vivienda digna, la educación gratuita... ¿A quién le debemos estos derechos universales? A la Revolución Francesa y a la Ilustración que llegaron a nuestra tierras, traducidas al mestizaje latinoamericano, de la mano de Simón Rodríguez, y que defendió Bolívar. Es parte del patrimonio más grande de la humanidad. Pero el capital financiero niega todo eso.

En estos cien días de gobierno, nuestra impresión es que la principal crisis de política exterior que conoció Venezuela fue con Colombia. ¿Cómo están actualmente las relaciones con Bogotá?

Nicolás Maduro: En estos cien días, hemos logrado consolidar todo el eje de relaciones estratégicas, ante la construcción de una nueva geopolítica regional y de un nuevo sistema de fuerzas para garantizar la nueva independencia del continente. Las diferencias con Colombia han sido tratadas, evidentemente, a través del diálogo. Hemos trazado las líneas de conducta para su superación. Yo confío en la palabra del presidente Juan Manuel Santos, y espero que logremos lo que conversamos. Yo confío en que vamos a tener una relación de coexistencia pacífica y positiva entre dos modelos: un modelo socialista, de revolución cristiana del siglo XXI, igualitario, de democracia popular como el venezolano, y otro modelo que no voy a calificar, pero que es distinto al nuestro. Estamos obligados a coexistir como hermanos siameses. Hemos demostrado que se puede coexistir y ojalá los sectores políticos y económicos dominantes en Colombia y el presidente Santos al mando del gobierno, entiendan que la coexistencia y el respeto son básicos para el desarrollo de nuestros dos países.

¿Cómo van las relaciones con Washington?

Nicolás Maduro: Quisiera decir, primero, que Barack Obama es un presidente circunstancial. Es una circunstancia en el seno de la élite que gobierna Estados Unidos ¿Por qué llega Obama a la presidencia? Porque convenía a los intereses del complejo industrial militar-financiero-comunicacional que dirige Estados Unidos con un proyecto imperial. Quien conozca en profundidad la historia de la fundación de Estados Unidos y de su expansionismo, reconocerá que es el imperio más poderoso que ha existido, con un proyecto de dominación mundial. Sus élites eligieron a Obama en función de sus intereses, y han logrado parte del objetivo que se plantearon: hacer que el país aislado, desprestigiado que era Estados Unidos en la época de George W. Bush, se convirtiera, gracias a Obama, en una potencia que posee de nuevo capacidad de influencia y de dominación. Si no, veamos el caso de Europa, sometida a los dictámenes de Washington como nunca antes.

Lo que pasó con el presidente de Bolivia Evo Morales, cuando cuatro Estados europeos le negaron el acceso a su espacio aéreo, es una demostración gravísima de cómo, desde Washington, se dirige a los gobiernos de Europa. Es muy desconcertante realmente. Yo no sé si los pueblos de Europa saben eso, porque a veces, con el control comunicacional que hay, estas noticias se van banalizando y se van dejando de lado. Pero es muy grave. Obama ha logrado que el Imperio crezca en influencia política.

Los Estados Unidos van preparándose hacia una nueva etapa que es crecer en dominación militar y económica. En América Latina, su proyecto es revertir los procesos progresistas de cambio para volver a convertirnos en su patio trasero. Por eso están retomando –con otro nombre– el proyecto del ALCA [Área de Libre Comercio de las Américas], para dominarnos económicamente y retomar los mismos métodos del pasado. Fíjese, bajo el mandato de Obama: golpe de Estado en Honduras dirigido desde el Pentágono; intento de golpe de Estado contra el presidente de Ecuador Rafael Correa, teleguiado por la CIA; golpe de Estado en Paraguay operado por Washington para sacar al presidente Fernando Lugo... Que nadie se llame a engaño, si los Estados Unidos viesen que hay condiciones favorables, vendrían de nuevo a llenar de oscuridad y de muerte América Latina.

Por eso la relación del gobierno de Obama con nosotros es esquizofrénica. Ellos piensan que nos pueden engañar con la ‘diplomacia blanda’; que nos vamos a dejar dar el ‘abrazo de la muerte’. Nosotros lo hemos planteado muy claro: ustedes allá con su proyecto imperialista y nosotros acá con nuestro proyecto de liberación. La única forma de que haya una relación estable y permanente es que nos respeten. Por eso he dicho: "Tolerancia cero con el irrespeto gringo y de sus élites. No lo vamos a tolerar más”.

Si nos siguen agrediendo, responderemos a cada agresión con mayor fortaleza. Ha llegado la hora de la tolerancia cero.

En la reciente Cumbre del ALBA, usted ha propuesto una articulación ALBA-Mercosur-Petrocaribe. ¿Es una respuesta a la Alianza del Pacífico (1)?

Nicolás Maduro: No. Es una necesidad histórica. Tenemos que consolidar los espacios económicos logrados. Mercosur ha venido viviendo una transformación muy positiva y ahora, con la incorporación de Venezuela, la próxima incorporación de Bolivia y la posible incorporación de Ecuador, comienza Mercosur a ocupar un espacio vital en Suramérica.

Petrocaribe es una realidad maravillosa que ha permitido la estabilidad energética, económica, financiera y social de 18 países del Caribe. Y el ALBA es una vanguardia donde ha habido ensayos económicos como el SUCRE [Sistema Único de Compensación Regional], una unidad de cambio latinoamericana, o como el Banco del ALBA y otros ensayos como las ‘empresas grannacionales’ que han ido adquiriendo experiencia y espacios.

Ha llegado el momento de acercar todos los espacios ya conquistados para definir un nuevo modelo económico. Ha llegado la hora de unir ese inmenso espacio Mercosur-ALBA-Petrocaribe que representaría, repito, casi la cuarta economía del mundo, en un espacio nuestro, y no de falso libre comercio ¡Porque el libre comercio es falso! ¿Cree usted posible la libre circulación, en los mares, de un tiburón y una sardina sin que el tiburón se coma a la sardina? Imposible. El libre comercio es como cambiar pepitas de oro por espejitos, sistema con el cual nos colonizaron hace 500 años. Tenemos que consolidar una zona económica complementaria, diversa, desarrollada, con sus mecanismos financieros, monetarios, y convertirnos en un poderoso bloque económico. Y, a partir de ahí, tener relaciones con Rusia, la India, China, Sudáfrica; redefinir nuestras relaciones comerciales y económicas con Europa, con Estados Unidos, donde nosotros no volvamos a ocupar el papel de colonia.

¿Cómo ve usted las relaciones con la Unión Europea?

Nicolás Maduro: La Unión Europea ha perdido la oportunidad de convertirse en una gran potencia equilibradora del mundo. Todos los pueblos del planeta aspirábamos a que la Unión Europea fuera la fuerza de equilibrio del mundo. Pero parece que no. El capital financiero y los viejos complejos colonialistas de las élites que dirigieron Europa durante 300 años, parece que se van a imponer a la conciencia democrática y democratizadora de la mayoría de los pueblos de Europa. ¿Qué deseamos de la Unión Europea? Que cambie su política, que deje de estar de rodillas ante Washington, que se abra al mundo y que vea a América Latina como una gran oportunidad para volver a restablecer el Estado de bienestar social y para establecer relaciones con nosotros de igualdad, de prosperidad, de crecimiento. De manera natural, podemos desarrollar una alianza Unión Europea-América Latina y el Caribe para el desarrollo conjunto. Estamos preparados para eso. Entendemos perfectamente la cultura occidental, somos parte de ella, aunque tenemos nuestras particularidades mestizas. Pero las élites europeas no nos entienden. Ojalá eso se supere.

El Presidente Chávez quería hacer de Venezuela un "país potencia” en un "mundo multipolar” ¿sigue siendo esa la línea, en materia de política exterior?

Nicolás Maduro: Claro. En su corta vida, Chávez logró no sólo rescatar a Bolívar como idea, inspiración y símbolo, sino que lo convirtió en una estrategia. Logró hacer que, en el mundo, coexistan dos modelos: el capitalista-neoliberal, y el modelo bolivariano-independentista-chavista, de justicia, de socialismo. En todo el planeta hoy se están debatiendo esos dos proyectos: el del regreso de la hegemonía unipolar del imperialismo estadounidense; o el modelo de un mundo multipolar y multicéntrico.

El Comandante Chávez configuró una política de desarrollo de ejes de fuerza, de núcleos de fuerza, de anillos de fuerza para desmontar el mundo controlado por el imperialismo. Y sobre todo para construir un nuevo sistema de relaciones internacionales. La humanidad no podrá existir si no se desarrolla esa política internacional. Lo otro es cruzarse de brazos y rendirse a que el Imperio reconquiste el mundo, lo vuelva a dominar y nos esclavice más temprano que tarde. No lo vamos a permitir.

Nota:
(1) Bloque comercial constituido por Chile, Colombia, México y Perú.

No ANNCOL Brasil
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O dólar vale R$ 2,20. E a Veja vale nada…


Por dica do leitor Marco Antonio, lembro que hoje se completa um mês que a revista Veja, além do medo do motorzinho, fazia seus leitores de sala de espera de dentista se apavorarem com a desintegração da nossa moeda.

Um real em chamas, se acabando, batendo em 2,46 por dólar. A inflação ia chegar a sete por cento, os produtos importados ou que levam insumos estrangeiros disparariam.

Descontrole. Caos.

Um mês depois, pelo segundo dia, o dólar fecha na casa de R$ 2,20, 10% abaixo daquele pico.

E a Veja?

Vai publicar uma capa com o real subindo, em lugar de cair? Seria uma bobagem, como poderia ser aquela de um mês atrás, se não se destinasse a obeter os dividendos políticos do medo.

Capas de Veja são como bilhetes de sequestrador.

Destinam-se a amedrontar, a chantagear, a assustar.

A desta semana com a foto de um Celso de Mello apreensivo e a frase policialesca “Eis o homem”, como a dólar, deu chabu.

Não tem importância, como os fatos não tem importância ali.

Porque não se trata de jornalismo, mas de propaganda política da pior espécie, que não vacila diante de ferir a honra, a autonomia e a dignidade de pessoas nem a vida econômica do país.

A Veja desta semana, a do mês passado ou a que sai no próximo final de semana servem para o mesmo: ir para o lixo.

Ou para aquele montinho de revistas velhas e inúteis que se folheia, nervosamente, nas salas de espera dos dentistas.

Fernando Brito
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Charge online - Bessinha - # 1939

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STF e a nudez do rei


Ninguém quer enxergar uma verdade simples sobre o Supremo Tribunal Federal. Como acontece naquela fábula em que só um menino – em sua inocência – consegue avisar a população do reino que o rei está nu, a votação de 6 a 5 a favor dos embargos infringentes demonstrou uma verdade que poucas são capazes de enxergar: aqueles ministros que, liderados por Joaquim Barbosa, assumiram o compromisso público de condenar os réus do mensalão a penas altíssimas, a altura do “maior escândalo da história, encontram-se em minoria.

Vamos pedir ajuda a matemática e à política. Hoje a maioria liderada por Joaquim reúne cinco votos, os mesmos que asseguraram as condenações no ano passado. Muitas daquelas penas foram obtidas por 7 votos, mas essa vantagem desapareceu com duas aposentadorias e novas indicações.

Comparando os times que votaram nos embargos, é razoável prever uma troca compensatória de posições. Celso de Mello, autor do voto tão sólido a favor do direito aos embargos, logo voltará ao time anterior, pois está convencido da culpa dos acusados.

Carmen Lúcia, que ficou contra embargos infringentes, dando um voto sem informações completas, pois não levou em conta uma decisão definitiva do Congresso a respeito, tem como caminho natural assumir uma posição favorável aos acusados, na hora do debate sobre o mérito de cada embargo. Em 2012, ela foi uma das responsáveis pelos quatro votos que permitem a José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, e outros cinco réus, contestar a condenação por “formação de quadrilha.” Carmen Lúcia mudou de votos em vários momentos do julgamento mas a situação, agora, é um pouco especial.

Qualquer movimento para mudar de posição exigirá uma ginástica difícil, pois não estamos diante de um novo julgamento, mas diante de embargos que pretendem tão somente reduzir penas e mesmo inocentar determinados réus. Embora seja claro que todos podem mudar seus votos de culpado para inocente, é duvidoso que se possa fazer o movimento contrário. já que não está em pauta um embargo para agravar penas e condenações.

Em função disso, ao debater o crime de formação de quadrilha, que envolve diretamente 8 réus, a minoria entra no jogo com quatro votos.

Restam dois votos, trazidos por Luiz Roberto Barroso e Teori Zavaski. Eles vão decidir a parada. Herdeiros dos votos de Ayres Brito e César Pelluso, que votaram contra os réus, eles são vistos, em estado natural, como simpáticos aos réus.

E aí está a surpresa na roupa do rei. Se os dois votos ficarem com a minoria, os réus serão beneficiados.

Caso os dois votos se dividam, caminhando um para cada lado, o julgamento terá o mesmo resultado de 2012.

Tanto Barroso como Zavaski já disseram claramente que têm críticas importantes às sentenças iniciais do Supremo. Barroso admitiu que discordava das penas e de muitas sentenças. Falou em “ponto fora da curva” quando depôs no Senado mas na hora de votar, nos embargos declaratórios, desobedeceu sua consciência com o argumento de que não queria afrontar o trabalho dos novos colegas embora tivesse claro o erro de sua condenação.

Zavaski deixou claro, inclusive, que enxerga elementos para uma decisão ainda mais drástica do que os embargos. Falou em “revisão criminal,” que representa, sim, um novo julgamento. Mas, no voto sobre os declaratórios, também preferiu não chocar-se com os novos colegas.

Nesta situação, a pergunta é saber se, na hora de reduzir penas, condenar ou absolver, Barroso e Zavaski serão capazes de manter-se coerentes com as convicções jurídicas que defenderam ao longo da carreira – e que manifestaram também quando pleiteavam, legitimamente, por uma indicação ao STF – ou se irão corrigir-se. Há antecedentes.

Indicado pela presidenta Dilma Rousseff, como os dois, o novo relator, Luiz Fux, durante sua candidatura a ministro, deixou em seus interlocutores a certeza de que seus princípios jurídicos apontavam para uma postura favorável aos réus. Nomeado, surpreendeu muitos de seus padrinhos com a posição contrária.

A pergunta, agora, é se Barroso e Zavaski terão uma trajetória semelhante à de Fux. Ou se irão demonstrar mais apego com os princípios que defenderam até aqui.

Esta é a questão que vai decidir a ação penal 470. Não há nada que outros ministros possam fazer a respeito. Mesmo Joaquim, com todos os seus poderes de presidente, não tem grande área de ação, até porque colecionou poucos aliados e muitos inimigos na Corte.

Muito menos Fux. Cria-se, assim, a possibilidade de uma decisão soberana por parte do Supremo. Este é o incômodo. É insuportável para muitas pessoas e imensos interesses. Quem aguenta a liberdade de consciência de um juiz quando ela pode desmanchar uma narrativa (palavrinha chique, não?) longamente construída depois da entrevista de Roberto Jefferson?

Quem assistiu ao massacre enfrentado por Celso de Mello sabe muito bem o que se deve esperar. Talvez um pouco mais de sangue. Celso de Mello, de qualquer forma, não debatia uma decisão definitiva, mas o direito aos embargos. O conflito, agora, é saber quem vai para a cadeia, quem terá regime aberto, quem fica no regime fechado.

E claro: qual a foto será exibida na campanha eleitoral de 2014. Quem vai falar o que nos debates. Se houver uma revisão das penas, será possível mostrar que as condenações iniciais possuíam um componente de erro e arbítrio. Se tudo for confirmado, será possível alegar que houve um julgamento justo e mesmo assim "esses mensaleiros" não conseguiram ser inocentados;

Toda a verdade e especialmente, toda mitologia em torno do mensalão, o “maior escândalo de corrupção da história”, estará em jogo.

Em busca de um voto para mudar um placar teoricamente desfavorável, os dois receberão tratamento impiedoso caso queriam preservar sua “isenção, imparcialidade e independência,” como disse tão bem Celso de Mello.

Clientes antigos de Barroso serão examinados, os votos de Teori em instâncias inferiores, onde fez sua carreira, serão revirados, num vale tudo que novamente irá colocar de forma transparente o caráter subdesenvolvido e deprimente em que se debate questões do judiciário em nosso país.

Claro que se fará o possível para criminalizar as indicações de ambos, associando a escolha de Dilma a um interesse partidário. Como se grandes adversários dos réus petistas – como Joaquim Barbosa e, antes dele, Ayres Britto não tivessem a mesma origem.

Cabe esclarecer um ponto de partida. Não acho que o judiciário seja um aparelho político, que deve servir de correia de transmissão de forças partidárias. Mas existem pontos de contato entre as convicções jurídicas de determinados juízes e o universo político do país em que residem. É assim no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, a pauta das campanhas presidenciais inclui o judiciário e a nomeação de juízes identificados com cada partido. É natural. Depois de eleito, um presidente irá escolher juízes que em sua visão, se batem por princípios mais adequados para o país. E é bom que este debate seja feito de forma clara e assumida.

Paulo Moreira Leite
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Libra: começou o jogo bruto, preparem-se


A partir de agora, a pressão pelo adiamento do leilão de Libra vai subir, e muito.

Os jornais vão começar a falar em “fracasso anunciado” com a saída das empresas americanas (e assemelhadas) da disputa.

As três, é claro, não saíram juntinhas por acaso.

Houve conversa com seus “bons amigos” da Secretaria de Estado americana.

Recordem que é “war for oil”, muito mais do que esse “came out, guys!”

Saíram juntas porque isso foi combinado.

Resta a Chevron, sobre a qual não se sabe muito e ainda está “pendurada” por um campo operado diretamente – Frade – justamente o que vazou e a deixou “bem na fita” por aqui.

Talvez entre para fazer fachada. Os R$ 2 milhões da inscrição, para ela, são troco.

A jogada é colocar pressão política sobre o “fracasso anunciado” do leilão.

Fracasso só para eles, que sabiam que iam perder, para a Petrobras, com o reforço dos chineses e de mais duas ou três petroleiras, com ela no leme do navio.

Também não é fracasso para o Brasil.

Explico:

O lance de R$ 15 bilhões é fixo, não varia.

O que varia é a parcela de petróleo oferecida ao Governo, que é o dono da Petrobras.

Que, por sua vez, está pronta a dar a parcela máxima que não comprometa a viabilidade econômica da exploração.

Os chineses também não estão de olho no lucro fácil, querem é o fornecimento seguro.

Topam.

Galp, Repsol e Statoil dizem: ôba, os “miricano” estão fora, que bom pra nós.

Índia e Japão, “amigos de 2ª classe” dos americanos, talvez não lhes tenham tanta solidariedade assim.

O jogo é esse, meus amigos, é geopolítica de poder mundial, não uns pocinhos que não fazem cócegas nas gigantes do petróleo. Até porque todo mundo – muito mais os espiões americanos – sabem que há mais, muito mais por ali e em outras partes.

Quem botar o pezinho nessa, está dentro. Quem não botar, vai ter de esperar uma sonhada “retucanização” do país.

Abram o olho, meus sinceros amigos que – como eu próprio – desejam que todo o petróleo brasileiro seja do Brasil. Vamos deixar de ser um “produtor interno” e entrar na briga de cachorro grande.

Vamos perder os nossos complexos de vira-latas e saber que temos um país e uma petroleira que é capaz de liderar, defender e desenvolver a exploração do pré-sal.

E lembrar que o ótimo, muito frequentemente, é o inimigo do bom.

E, portanto, às vezes, um aliado do mal.

* * *

Três multis fogem do leilão de Libra: será que está caindo a ficha, pessoal?



Para entender o que é isso, peço sua paciência para uma introdução necessária sobre o que significa essa desistência.

Compreendo todas as boas e patrióticas intenções de alguns – só de alguns – brasileiros que desejam ver adiado o leilão do megacampo de petróleo de Libra.

Acho, apenas que não deveriam dizer adiar ou suspender, mas cancelar e anular, porque o que querem – e eu também quereria, se fosse possível – é a entrega direta do campo à Petrobras, como sugeriu o geólogo Guilherme Estrela, o maior responsável pela descoberta do pré-sal e um homem a quem este país deveria homenagear em praça pública.

O caso é o seguinte: a Petrobras não tem dinheiro, sozinha, para uma empreitada destas.

Tem todo o resto: tecnologia, capacidade operacional, condições de projetar e encomendar equipamentos e de gerir e administrar sua instalação.

Mas para o dinheiro, não tem solução sozinha.

Tomar emprestado em bancos ou lançando títulos no mercado internacional é endividar a companhia acima do limite prudente. Muito acima, aliás.

A outra alternativa é a composição de um consórcio empresarial onde ela, operadora exclusiva, é ressarcida de investimentos e gastos operacionais na proporção da sociedade ou até maior, com a eventual transferência de parcela da produção futura.

O que vai definir a qualidade desta composição são o tipo do interesse do parceiro e seu timming.

É por isso, e não por informação privilegiada, que há tempos se está afirmando aqui que uma associação dos chineses é o caminho natural. Eles tem sobrando capital e faltando petróleo seguro, por conta de seu crescente consumo e sua dependência, em pouco mais de 50%, de petróleo árabe (Arábia Saudita, Irã, Iraque, Omã e outros).

É nesse quadro que entra a crise aberta com os Estados Unidos por conta da espionagem no Brasil.

As empresas americanas e a eles associadas – Chevron, Exxon, BP, Shell, as remanescentes das “Sete Irmãs” ficaram sem condições políticas de formar um consórcio exclusivo capaz de enfrentar o capitaneado pelo Brasil. Tanto é assim que a Folha, agora à tarde, anuncia a decisão da BP, BG e Exxon de não participarem do leilão.

E desistiram por uma única razão: sabem que não vão levar. Como as demais sabem que não irão, se não forem procurar um espacinho na composição entre a Petrobras e os chineses.

A pergunta é: quando haverá condições políticas tão favoráveis ao Brasil num leilão deste porte? E se amanhã os entreguistas não estiverem tão emporcalhados como hoje ou até, deus nos livre, voltem ao poder?

É por isso que este Tijolaço defende o leilão já. Se fosse possível, amanhã.

Porque adiar é meio caminho andado para perder.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Rato encontrado em garrafa de Coca-Cola

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Mais Médicos é aprovado por 70,38%


Instituto Paraná Pesquisas entrevista 2,5 mil pessoas em todo o País; crítica ao programa Mais Médicos está na remuneração dos profissionais cubanos: apenas 24,78% concordam que os salários sejam destinados ao governo de Cuba; no entanto, 86,56% reconhecem que faltam médicos no sistema de saúde pública do País; entre as cinco regiões, Nordeste apresenta a maior aprovação ao programa, com 90,35%; índices podem melhor ainda mais com o desenvolvimento do programa

O governo pode ter atirado no que viu e acertado no que não viu. Ainda enfrentando a oposição de entidades e profissionais de Medicina em todo País, a implantação do programa Mais Médicos está confirmada como um sucesso de público que poderá provocar reflexos favoráveis no projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Nada menos que 70,38% dos brasileiros, segundo levantamento nacional realizado pelo Instituto Paraná Pesquisa, já aprovam o programa coordenado pelo Ministério da Saúde. Ao mesmo tempo, porém, 86,56% declararam considerar ruim ou péssimo o sistema de saúde público do País.

A pesquisa foi feita por meio de 2.502 entrevistas, em todas as regiões do País, com margem de erro de 2%.

A crítica mais pesada ao Mais Médicos é a forma como ficou estabelecida a remuneração dos profissionais de Cuba. Em razão do sistema socialista da ilha dos irmãos Castro, a Organização Panamericana de Saúde intermediou um acordo pelo qual o governo brasileiro remunera o governo cubano que, de posse dos recursos, os transfere apenas parcialmente para cada cubano envolvido no programa. Nada menos que 71,35% discordam dessa intermediação do Estado no pagamento dos médicos.

Outro número aponta a extrema debilidade do sistema público brasileiro de saúde. Para 86,56%, faltam médicos tanto em hospitais quanto em postos de saúde pertencentes a governos e prefeituras.

A informação sobre o Mais Médicos já chegou a 82,62%. O maior índice de aprovação se dá no Nordeste, onde 90,35% apoiam a iniciativa.

No 247
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"Igreja cresceu obcecada pregando contra aborto e casamento gay", condena papa

Segundo Francisco, Igreja Católioca deveria ser uma “casa para todos” e não uma “capela pequena” focada na doutrina, na ortodoxia e em uma agenda de ensinamentos morais 

'Temos de encontrar um novo equilíbrio ou o edifício moral da Igreja poderá cair como um castelo de cartas'
Tiziana Fabi/AFP Photo
Na primeira longa entrevista em seis meses de papado, o papa Francisco declarou que a Igreja Católica Romana cresceu “obcecada” pregando contra o aborto, casamento gay e contracepção, e que ele escolheu não falar desses assuntos apesar das críticas.

Falando em uma linguagem direta, Francisco mostrou estabelecer um novo tom para a Igreja, ao dizer que esta deveria ser uma “casa para todos” e não uma “capela pequena” focada na doutrina, na ortodoxia e em uma agenda de ensinamentos morais.

“Não é preciso falar sobre esses temas o tempo todo”, disse Jorge Mario Bergoglio ao reverendo Antonio Spadaro, jesuíta e editor chefe de La Civiltà Cattolica, publicação jesuíta cujo conteúdo é rotineiramente aprovado pelo Vaticano. “Os ensinamentos dogmáticos e morais da Igreja não são todos equivalentes. O ministério pastoral da Igreja não pode ser obcecado com a transmissão de uma multidão incoerente de doutrinas a serem impostas insistentemente.”

“Temos de encontrar um novo equilíbrio ou até mesmo o edifício moral da Igreja poderá cair como um castelo de cartas, perdendo o frescor e a fragrância do Evangelho.”

De acordo com o jornal americano The New York Times, a entrevista foi conduzida em italiano ao longo de três encontros no mês de agosto na Casa Santa Marta, alojamento em que ficam os cardeais durante os conclaves.

Foi a primeira vez em que Francisco explicou os comentários que fez sobre homossexualidade em julho, a bordo de um avião, quando voltava para Roma do Rio de Janeiro, onde esteve para a Jornada Mundial da Juventude. “Se um gay procura Deus, quem sou eu para julgar?”, questionou. Na época, a frase provou polêmica e levou muitos a questionarem se ele se referia a gays no sacerdócio, mas nesta entrevista ele se fez claro ao dizer que se referia a homossexuais em geral.

“Uma vez uma pessoa me perguntou, de uma maneira provocativa, se eu aprovava a homossexualidade”, disse o papa ao padre Spadaro. “Eu respondi com outra questão: ‘Diga-me: quando Deus olha para uma pessoa, ele endossa a existência dessa pessoa com amor ou rejeita e condena essa pessoa?’ Devemos sempre considerar a pessoa.”

Além das declarações sobre a visão de Francisco em relação à homossexualidade, a entrevista também serviu apresentar um lado mais humano do pontífice, que disse amar o compositor Mozart, o escritor Fiodor Dostoevsky e o cineasta Federico Fellini, cujo seu filme favorito é La Strada.

No CartaCapital
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Charge online - Bessinha - # 1938

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O cidadão Teletubbie

Pensar pra quê? Ouvir pra quê? Conheça o método Telettubies de assimilação política 
O método Teletubbies de assimilação política: basta ver uma imagem e repetir “bo-bo, “ban-di-do”, “sa-fa-dos”
Há um momento da vida em que o mundo ao redor é um amontoado de signos sem significados. Chama-se infância. Nessa fase, uma pedra não é uma pedra. Não tem sequer nome. É apenas um material disforme que simplesmente existe. À medida que aprendemos que uma pedra é uma pedra e não um ovo, passamos a assimilar a ideia de valor e grandeza. De significado, enfim. Leva tempo.

Mal resumindo, é assim que aprendemos a compreender o mundo, até então uma associação inicial e pouco sofisticada de ideias projetadas em sílabas repetidas vagarosamente. Como numa peça de Lego, encaixamos as sílabas “a” “ma” “re” e “lo” e associamos o borrão apresentado em um cartaz, ou na tevê, ao nome das cores. Vemos o desenho de um arco ascendente e alguém explica ser um “sor-ri-so”. E descobrimos que a bola de fogo a-ma-re-la de-se-nha-da é o “sol”. Daí o sucesso de programas como Teletubbies na formação dos nossos quadrúpedes (porque ainda engatinham) não alfabetizados. Peça por peça, eles aprendem a codificar o mundo. E se tornam adultos.

Nessa nova fase, aprendemos – ou deveríamos aprender – que existe uma infinidade de tamanhos, formas e cores de pedras, algumas com muito mais do que cinquenta tons numa mesma superfície, tenham elas nomes inventados ou não. Umas têm valor de uso, e servem para a guerra. Outras têm valor de troca, e vão parar nos pescoços mais endinheirados. Alguns dirão a vida toda que, não importa o que te ensinam, é sempre bom desconfiar de afirmações categóricas de quem jura que uma pedra é uma pedra e que isto não se discute. E se uma pedra é capaz de provocar tanto embate, o que não se vê e nem se toca é nitroglicerina pura. Ao longo dos séculos, o que dá dentro da gente e e não devia também recebe nome, valor e peso, mesmo sem ter forma nem espessura. Com base nestes nomes, criamos as leis (filosóficas, físicas, jurídicas e até sentimentais). São elas as responsáveis por regular as mais complexas, inconfessáveis, inacabadas, incompletas, mal diagnosticadas e muitas vezes inomináveis relações humanas. Alguns estudam estas leis. Por anos. Pela vida toda. Mais do que qualquer outro bípede, que a essa altura da vida já não engatinha.

No mundo ideal, seria prudente ouvi-los antes de tomar posição. Mas, no mundo real, ainda estamos conectando peças de Lego, as sílabas jogadas por variações de um mesmo Teletubbie que nos ensinou a falar quando nossa manifestação verbal era ainda gutural. Tornamo-nos bípedes, mas continuamos babando, repetindo com a boca e os olhos hipnotizados, com vozes vacilantes, as associações criadas neste grande programa Teletubbies que é a televisão, o rádio, a revista, o jornal, o meme de duas frases do Facebook e o e-mail da tia indignada: “ban-di-do”, “im-pu-ni-da-de”, “is-so-é-u-ma-ver-go-nha”, “cor-ruP-Tos”, “cu-ba-nos-mal-va-dos”, “va-mos-a-ca-bar-como-a-Ve-ne-zu-e-la” (custa crer que alguns aprenderam a repetir as sílabas dos “embargos infringentes” sem a ajuda do lexotan).

As associações, muitas vezes, são criadas por cores ou rostos. Não é preciso saber o que é massa nem energia nem teoria nem relatividade para associar Albert Einstein a valores como “in-te-li-gên-cia”, “ge-ni-a-li-da-de”. Não é preciso sequer formular uma frase inteira. Basta repetir uma ideia pronta. Ou praguejar. Dizer se é bom ou ruim sem explicar os porquês. E dar sequência às reações coletivas, de manada, diante do vermelho. Ou do azul. Ou da foto um ex-presidente com barba. Ou de um ex-presidente sem barba. Não é preciso ler jornal, só a primeira frase do título; basta reagir diante de uma foto. Não é preciso sequer analisar o conteúdo. Nem diferenciar uma Constituição de uma capivara. Operamos, afinal, com símbolos prontos, acabados, imutáveis. E, assim, basta ao rockeiro boa-pinta colocar um nariz de palhaço para, como um bom Teletubbie, se comunicar com a sua plateia de Teletubbie: “bo-bo, “ban-di-do”, “sa-fa-dos”, “ca-na-lhas”.

Pensar pra quê? Ouvir o decano, ou quem quer que seja, para quê? Não importa o que se diga, nem em que se embase. No fim a única associação que conseguimos fazer do amontoado de palavras voadoras de significantes sem significados durante o voto de um ministro da Suprema Corte é que tudo é só uma grande “piz-za”. Ou uma vitória da “de-mo-cra-cia”. Ou uma resposta aos “gol-pis-tas”. Ou uma “in-fâ-mia” à opinião pública que grita, sonolenta, “A-cor-da-Bra-sil” e sonha com o dia em que o Congresso e o Judiciário se transformem em um grande estacionamento privado. No país do “que país é este”, os porta-vozes da suposta maioria se ressentem pela “o-fen-sas” constantes de uma corte de 11 juízes que usam as leis para afrontar a “jus-ti-ça” e proclamar a “im-pu-ni-da-de”. Ou de 594 parlamentares, “pa-gos-às-nos-sas-cus-tas” para, “on-de-já-se-viu”, criarem leis. Leis para quê? Dependesse dessa maioria de pensamento binário, todas as contradições e penas e direito de defesa se resumiriam a uma grande enquete. “Se você acha que eles erraram e devem morrer, curta. Se acha que devem ser linchados, compartilhe. Participe. A sua opinião é muito importante. O final, você decide”. Nesta forma curiosa de aprimoramento democrático, pensar é dispensável, mas grunhir, feito porco, é exercício pleno de cidadania.

Matheus Picchonelli
No CartaCapital
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Aécio não está entendendo nada

Ele parece estar num planeta paralelo

Aécio não entendeu as manifestações de junho, como se tem visto em suas falas, incluídas as da noite desta terça-feira no programa de tevê do PSDB..

E se ele não entendeu os protestos ele não está entendendo nada. É possível que ele se lance candidato à presidência da República em 2014 sob a mais espessa ignorância, com o previsível desfecho de ruínas e lágrimas.

Os protestos, ao contrário do que disse hoje Aécio, não giraram em torno da “corrupção” ou mesmo dos “serviços públicos”.

Na raiz das manifestações estava o descontentamento com a desigualdade social, e com a velocidade – muito aquém da desejável – com que o PT vem enfrentando esta tragédia nacional em dez anos de poder.

O que as ruas disseram foi que não queriam mais aturar alianças do PT como as feitas com Paulo Maluf e os ruralistas porque o preço social é muito alto.

Mais inclusão foi a principal bandeira das chamadas Jornadas de Junho.

Quando a direita tentou encampar as manifestações, ela trouxe à cena a batidíssima – corrompida, é melhor — causa da “corrupção”.

Sabemos quantos crimes foram cometidos, ao longo da história, em nome do “combate à corrupção”.

Os genuínos mobilizadores – sobretudo o pessoal do Passe Livre de SP – debandaram quando os espertalhões quiseram se apropriar dos protestos. E então eles micharam.

Ecos dos ganidos anticorrupção de ouviram em frente do STF em Brasília nos dia em que Celso de Mello desempatou a votação em favor dos embargos infringentes. Segundo um tuíte de uma jornalista da Globonews, o protesto no STF juntou “50 pessoas e uma vuvuzela”.

Aécio não entendeu nada. Ele é a continuação, pela política, da voz obsoleta e cada vez menos ouvida da mídia.

Coloquemos assim. Aécio está para a política assim como Merval Pereira ou Reinaldo Azevedo estão para o colunismo político. Vivem, todos eles, numa espécie de universo paralelo, e parecem não se dar conta de que ninguém os ouve fora de um círculo cada vez menor.

O espírito do tempo é a indignação contra a iniquidade, contra a predação feita por um pequeno grupo contra os chamados 99%.

Mas Aécio não enxerga isso. Por isso é um candidato tão ruim – ok, quase tão ruim – quanto Serra seria.

O PSDB, caso não queira marchar para a extinção, vai precisar de um homem como o Papa Francisco. Alguém que empurre o partido na única direção possível num Brasil como o que temos: rumo aos pobres.

Qualquer partido que queira desafiar o PT terá que batê-lo aí – na arena do combate à iniquidade.

Existe um homem à Francisco no PSDB? Não sei. Suspeito que não. Mas não tenho certeza.

O que é batata, como dizia Nelson Rodrigues, é que Aécio não é esse cara.

Paulo Nogueira
No DCM
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Justiça do Pará condena mandante do assassinato de Dorothy Stang a 30 anos de prisão

A Justiça do Pará condenou, no fim da noite de hoje (19), o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, a 30 anos de prisão, inicialmente em regime fechado, pela morte da missionária Dorothy Stang, na qualidade de coautor e mandante do crime. O julgamento, o quarto realizado após recursos dos advogados, durou mais de 14 horas. A sentença foi lida pelo juiz Raimundo Moisés Alves Flexa.

Dorothy Stang foi morta a tiros no município de Anapu, no sudoeste paraense, em 12 de fevereiro de 2005. De acordo com o Ministério Público, ela foi assassinada porque defendia a implantação de assentamentos para trabalhadores rurais em terras públicas que eram disputadas por fazendeiros e madeireiros da região.

As investigações das polícias Civil e Federal na época do crime indicaram que Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Batista foram os autores do assassinato. Amair Feijoli Cunha, o Tato, foi apontado como intermediário. Ele foi contratado por Bida e por Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, que pagaram R$ 50 mil pelo assassinato da missionária, conforme a investigação. A defesa de Bida alegou que não havia evidências suficientes que comprovasse o envolvimento do fazendeiro no caso.

Condenado a 30 anos no primeiro julgamento, em 2007, Bida teve direito a novo júri em 2008, quando foi absolvido. O segundo julgamento, no entanto, foi anulado por fraude processual. No terceiro julgamento, que durou mais de 50 dias, Bida voltou a ser condenado, mas os advogados conseguiram a anulação alegando cerceamento de defesa.

Na ocasião, o fazendeiro foi a júri representado por um defensor público, que admitiu posteriormente não ter tido acesso a todo o processo, o que foi usado pela defesa posterior de Bida para pedir a anulação do julgamento.

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Vamos combater o pessimismo no Brasil


As recentes declarações da presidenta Dilma Rousseff e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, sobre o pessimismo difundido por alguns setores são fundamentais para fazer o contraponto a essa corrente. Precisamos de fato combater o pessimismo.

“Não vou dizer que somos absolutamente perfeitos e que está tudo andando, mas acho que tem um pessimismo adversativo no país”, afirmou Dilma ontem ao ser questionada sobre leilões e obras de infraestrutura.

Ela deu como exemplo o leilão da BR-050 (MG-GO), cujo vencedor ofereceu um pedágio 42% menor do que o teto. Mas a imprensa preferiu dar a essa informação uma abordagem negativa. “Vi nos jornais uma observação que me surpreendeu: que a empresa ganhou porque era aventureira, dando deságio de 42%. Sabe de quanto foi o deságio da segunda colocada? De 37% ou 36%, se não me engano. Da terceira e da quarta também. Você tem um deságio das quatro empresas bastante significativo”, afirmou a presidenta, com toda a razão.

Tombini também já disse que há um pessimismo infundado no país. Para ele, essa visão sobre a economia do país não encontra respaldo na “realidade dos números”.

Lembram-se do dólar?

Existem diversos exemplos desse pessimismo infundado. Um deles era a previsão, ou aposta, de que o FED (Federal Reserve) iria retirar os estímulos monetários à economia e o caos iria reinar no Brasil. Pois os estímulos continuam.

Outro era em relação à disparada do dólar. Pregavam que seria a catástrofe, que a inflação iria ficar descontrolada…. E hoje vemos o dólar abaixo de R$ 2,20.

São previsões, ou desejos, da oposição que não tinham como se concretizar. O caso dos leilões também é sintomático.

ZéDirceu
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Brizola Neto: quadrilha se instalou na direçao do PDT e se encastelou no MTE


A sequência de escândalos que tem atingido o Ministério do Trabalho e Emprego desde o segundo semestre de 2011 tem uma causa e um nome: Carlos Lupi. Ele e seus aliados formam uma “quadrilha que se instalou na direção do PDT” e, devido ao “pragmatismo eleitoral” do governo federal, continua encastelado no MTE, na opinião do ex-ministro Brizola Neto, demitido no último mês de maio.

Para Carlos Daudt Brizola, neto do gaúcho Leonel Brizola, a falta de protagonismo e de iniciativas na formulação de políticas públicas, principal papel do MTE durante a maior parte de sua história, também decorre do aparelhamento da pasta pelos mesmos personagens das páginas policiais, que Brizola Neto ressalta não serem o PDT, mas o comando da agremiação. “O que aconteceu no PDT é que a direção do partido parece querer usar o Ministério do Trabalho para se locupletar. E acha que, dentro da composição política, o MTE é o seu quinhqão”, diz.

Após a consolidação dos direitos trabalhistas no decorrer das décadas de 1930, 40 e 50, até o governo de João Goulart, o Golpe de 1964 “esvazia esse processo”, lembra o ex-ministro. “Perdeu-se a capacidade de articulação dos movimentos sociais, dos sindicatos se sustentarem e manterem aquelas conquistas, alguns direitos durante a própria ditadura foram retirados, como a estabilidade no emprego, e depois ainda vimos isso avançar com mais força nos anos neoliberais.”

Para Brizola Neto, após o período do regime (1964-1985) o MTE voltou a passar por dificuldades na chamada era FHC (1995-2002). “Aí, começaram a propor realmente a concreta derrubada e a substituição deste momento histórico brasileiro por uma nova ordem. O presidente Fernando Henrique chegou a anunciar isso: ‘É o fim da Era Vargas’, e com essa frase queria dizer também o fim das instituições, dos direitos que o trabalhador brasileiro tinha adquirido ao longo daquelas décadas”.

O ex-ministro lembra que se chegou a votar na Câmara dos Deputados a flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “A partir daí o Ministério do Trabalho foi perdendo seu protagonismo. A gente viu esse ministério ser esvaziado, com figuras que eram nomeadas sem compromisso com a história, e o capital produtivo se atolar de cabeça na economia financeira, criando um endividamento brutal. Ali, nos anos duros de Fernando Henrique, se tiraram praticamente as condições de se produzir no Brasil.”

Em consequência disso, com o “desemprego absurdo” e a diminuição da massa de trabalhadores com carteira assinada, e, portanto, organizados, que contribuíam também para a Previdência Social e fundos como o FAT e o FGTS, “o protagonismo do ministério, sem dúvida, foi diminuindo”, analisa.

Por fim, após um período comandado por figuras representantes do trabalho na luta contra o capital, como Ricardo Berzoini e Luiz Marinho, ambos do PT, a entrada do grupo ligado a Carlos Lupi esvaziou ainda mais a capacidade de operar políticas públicas do MTE.

Lupi, do PDT, assumiu o ministério em março de 2007, no lugar de Marinho, e em dezembro de 2011 caía, vítima de denúncias de fraudes e cobrança de propina de ONGs prestadoras de serviços ao ministério, além da acusação de desvios de verbas para o caixa do PDT, entre outras.

Carlos Lupi foi substituído interinamente por um homem de sua confiança e politicamente criado por ele, Paulo Pinto, ex-funcionário de uma agência do Banco do Brasil em Nova Friburgo (RJ), que se mudara para Brasília assim que o padrinho assumiu o MTE, em 2007.

Brizola Neto chegou ao comando da pasta após quatro meses de interinidade de Pinto, sem apoio do presidente do PDT, e afastou vários membros do alto escalão do MTE, incluindo Paulo Pinto e Anderson Brito Pereira, ex-assessor especial no ministério.

Perguntado por que em maio de 2013 foi demitido do MTE, agora comandado pelo catarinense Manoel Dias, Brizola responde: “Porque o partido pressionou a presidente dizendo que eu não atendia as pretensões do partido”. Segundo ele, a primeira dessas pretensões era a nomeação de Paulo Pinto como secretário-executivo, o que ocorreu logo em seguida a sua saída. Agora, Pinto cai novamente, acusado de ser parte da quadrilha desmontada pela Operação Esopo, realizada em 9 de setembro.

Em entrevista à RBA por telefone, Brizola fala desse tema e do que pensa do seu partido, o PDT e da atual conjuntura no MTE.

Por que o senhor saiu do ministério?

Porque o partido pressionou a presidente dizendo que eu não atendia as pretensões do partido, e não atenderia mesmo.

Quais eram essas pretensões?

A primeira delas, a nomeação do Paulo Pinto como secretário-executivo. Exigência da direção do partido através do Lupi. Sentou num café da manhã e me disse: ‘Olha, para ter apoio do partido tem que botar o Paulo Pinto lá’. E eu sei de quem se trata, conheço essa figura, não tem nenhum lastro partidário, nunca foi do PDT, a única razão da permanência dele lá é sua amizade pessoal com o Lupi e eu não estava no MTE para isso. Essa foi a primeira de muitas divergências.

O que fez, em sua gestão, para retomar o chamado protagonismo do MTE?

Quando a gente trouxe para as concorrências do MTE o sistema S, as escolas técnicas, estávamos fazendo um marco para priorizar e destinar direto os recursos para as escolas técnicas, mais ou menos como faz o Pronatec, e a gente estava desagradando de novo. Pegamos aqueles programas assistenciais, eleitorais, e igualamos ao Pronatec. Fizemos reunião do Codefat.

Cheguei a conversar, quando cheguei lá, com as escolas técnicas, com o sistema S. Por que não participavam das concorrências do Ministério do Trabalho? Eles falavam: porque a tarifa é muito baixa, você não consegue qualificar de verdade. Explicamos a necessidade de aumentar a tarifa [paga] para atrair as escolas técnicas e o sistema S para as concorrências, estávamos preparando um marco para dar prioridade às escolas técnicas e depois ao sistema S, mas não deu tempo de ser feito. E para nossa surpresa, depois de fazer isso tudo, com o retorno do Manoel Dias, eles reduziram a tarifa de novo. E aí o que acontece? Você tira o sistema S, tira as escolas técnicas das concorrências, cria o ambiente ideal para instituições que não têm compromisso nenhum com o país nem com os trabalhadores.

Agora parece que as provas estão sendo produzidas por quem tem de produzir, a Polícia Federal.

Durante o governo Lula e Dilma houve reconquistas importantes, como o aumento da massa de trabalhadores empregados e formalizados, do emprego, novo marco regulatório do petróleo. Isso, é claro, trouxe de volta, poderia ter trazido de volta, algum protagonismo ao ministério, o problema é as gestões que se apresentaram por lá. Criaram-se programas, mas esses programa preparavam pouco para as necessidades da economia brasileira, para os setores do desenvolvimento. Era meio impossível com os parâmetros daqueles cursos você conseguir fazer preparação para a indústria do petróleo, agroindústria, setor industrial, indústria naval.

A gente ia verificar os cursos que o ministério dava, e eram na verdade subempregos.

O absurdo é o Estado ter perdido a capacidade de exercer e de executar suas próprias políticas e depender de terceirização. Quando o governo contrata essas instituições [como as ONGs envolvidas em escândalos], está contratando uma instituição para prestar o serviço que na verdade deveria ser obrigação do Estado.

Como encara os escândalos que envolvem o PDT?

Com muita tristeza. Você vê um partido que por muito tempo foi visto com esperança por milhões de brasileiros, líderes como Brizola, e hoje está condenado a ter na direção pessoas como Lupi e Manoel Dias. Verdadeiros companheiros do Brizola que ainda estão vivos, todos eles saíram do partido. O Fernando Brito, que acompanhou Brizola trinta anos como assessor de imprensa, o Nilo Batista, está todo mundo saindo do partido. Todo mundo vendo que aquela instituição à qual muitos deram a vida já não representa mais o sonho e a esperança de brasileiros, de um país mais justo que defende os trabalhadores, soberania nacional, educação, que eram as marcas do Brizola.

E seu futuro no partido?

Eu não posso ter futuro na política se não for o de tentar retomar esse partido. Até porque o cenário partidário é muito ruim para mim, não tem uma alternativa. Você pega os outros partidos e o cenário não é tão diferente, não se vê um partido onde a democracia interna seja tão forte assim, onde não tenha também pessoas sendo investigadas, e o pior de tudo, eu não tenho a segurança de ir para nenhum partido que tenha a história que é a razão de existir do PDT. Se ainda existe PDT, não é pelo que acontece no presente, é o que aconteceu no passado, pela sua história, e é por essa história que acho que vale a pena lutar. É uma história que não se pode jogar fora e pela qual vale a pena lutar contra essa quadrilha que se instalou na direção.

Podiam dizer que o Brizola era duro, que em determinados momentos era intransigente, mas jamais que era envolvido com corrupção. Eu saí do ministério porque meu partido me tirou. Me tirou porque eu não atendi a seus interesses. Aí você me pergunta quais são. São esses que estão sendo revelados pela Polícia Federal.

Como vê particularmente a situação do PDT no Rio?

Não é diferente. O único estado em que o partido ainda conserva um pouco da sua identidade política é o Rio Grande do Sul. Aqui no Rio de Janeiro, onde era muito forte, tiveram as seguidas traições, a traição do Cesar Maia, depois do Marcelo Alencar, depois do Garotinho, principalmente do Garotinho. Isso esvaziou muito o partido. Hoje a gente funciona infelizmente aqui como um apêndice do PMDB. E um governo desgastado, desmoralizado, que do ponto de vista das políticas é uma espécie de negação do que era o governo Brizola.

Principalmente na questão da segurança, essa ilusão de que se vai acabar com a violência no Rio de Janeiro armando as comunidades e ocupando esses territórios como tem feito a Polícia Militar, ao invés de se fazer um investimento social, de se promover escola de tempo integral para as crianças poderem estudar e ter oportunidade na vida, e o PDT apoiando este governo sem nenhuma vergonha.

Como avalia o fato de esse grupo do PDT estar dentro de um governo de esquerda, considerado progressista?

Vamos ser claros. O governo acabou cedendo ao pragmatismo eleitoral, que pode até ser justificado em parte, mas não dá para que todo mundo concorde com ele, porque o resultado é muito ruim. Tem gente que defende esse pragmatismo eleitoral; tem gente que acha que ele acaba levando ao descaminho, e no caso do Ministério do Trabalho ficou muito claro. É um descaminho republicano, mesmo.

O senador Cristóvam Buarque disse a seguinte frase: “É triste reconhecer, mas desde que assumiu o ministério, o PDT ficou irrelevante politicamente e suspeito eticamente”.

Não, acho que ele está querendo inverter as coisas. O problema não está no governo. O problema pode até estar dentro da coalizão política, mas dentro desta coalizão o problema está dentro do PDT. O que eles estão propondo diante desta crise? Sair do governo. O PDT está corrupto porque tem uma direção corrupta, inclusive que ele [Cristóvam Buarque] apoia. Apoiou reiteradamente. Em um ano na minha gestão não teve um único escândalo, um único caso de corrupção. O MTE saiu das páginas policiais. Bastou voltar a direção do partido, através do Manoel Dias, que não durou quatro meses.

Como vê o quadro político para 2014?

A gente está caminhando num processo firme de retomada do desenvolvimento nacional, mas a gente teve alguns recuos, é inegável que tivemos alguns recuos na economia, houve uma retomada no aumento na taxa de juros. A gente vê também algumas concessões a setores midiáticos, e também na questão política. Como é que a gente vai achar que não há nenhum retrocesso, quando o pragmatismo eleitoral falou tão alto nesse processo? Mas, apesar de todos estes retrocessos, não há nenhuma alternativa no país que caminhe para o desenvolvimento da nossa nação, que garanta soberania nacional, e com isso desenvolvimento econômico e justiça social, como é a alternativa da presidente Dilma.

Eduardo Maretti
No RBA
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Charge online - Bessinha - # 1937

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Jornalista que se mete a juiz pode custar bem caro


Ao classificar o magistrado Luiz Roberto Ayoub como um juiz “de quinta”, a jornalista Eliane Cantanhêde foi condenada a pagar uma indenização de mais de R$ 100 mil; nesta quinta-feira, ela reincidiu no risco, ao comparar o ministro Ricardo Lewandowski a três réus do chamado “mensalão”, dizendo que o juiz do Supremo Tribunal Federal também poderá “rir por último” depois da aceitação dos embargos infringentes; ela gosta de viver perigosamente

Uma coluna publicada pela jornalista Eliane Cantanhêde, colunista da Folha, no dia 10 de junho de 2008, custou bem caro a ela. O texto "O lado podre da hipocrisia" classificava o magistrado Luiz Roberto Ayoub, responsável pelo processo de recuperação judicial da Varig, como um "juiz de quinta". Eis o trecho:
Já que a lei não vale nada e o juiz é "de quinta", dá-se um jeito na lei e no juiz. Assim, o juiz Luiz Roberto Ayub aproximou-se do governo e parou de contrariar o presidente, o compadre do presidente e a ministra. Abandonou o "falso moralismo" e passou a contrariar a lei.
Inicialmente, Eliane foi condenada a pagar R$ 35 mil e o juiz André Pinto proferiu uma sentença dura, enfatizando que a conduta da jornalista deveria ser inibida, em defesa da própria democracia.

“O direito à informação e liberdade de expressão não pode ter o condão de achincalhar um renomado magistrado, como fizeram as rés, causando-lhe ofensas deliberadas. Esse direito deve ser exercido com moderação e dentro dos limites do razoável, sem insultos ou ofensas difamatórias ou injuriosas. Nesse diapasão, o manifesto abuso na conduta das rés, de extrapolar o direito a liberdade de expressão de critica e opinião, colocando em risco a reputação do autor, denegrindo a sua pessoa, merece reprimenda adequada, a fim de preservar a Democracia instituída e o bem estar social."

Eliane recorreu, mas teria feito melhor negócio se aceitasse pagar a primeira indenização. No tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a condenação, em vez de revista, como ela esperava, foi elevada para R$ 100 mil. E a sentença também foi dura:

“Há, de fato, caráter ofensivo em matéria jornalística que imputa ao autor, como magistrado, conduta de subserviência e de falta de independência funcional, diante de pressões supostamente advindas do Governo Federal, no processo de recuperação judicial da Varig, o qual preside."

O caso foi então levado ao Superior Tribunal de Justiça e, desta vez, nada mudou. A condenação foi mantida, assim como o valor da indenização: R$ 100 mil. Segundo o juiz, não se pode admitir "ataques puramente pessoais, desprovidos tanto de embasamento quanto de conexão demonstrada com a realidade, ou que visem simplesmente a atingir a honra ou a imagem da pessoa objeto dos comentários”.

A derradeira instância foi, então, o Supremo Tribunal Federal, quando o ministro Ricardo Lewandowski fez com que a condenação de Eliane Cantanhêde transitasse em julgado, com "baixa definitiva dos autos" para o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

No entanto, nesta quinta-feira, a jornalista reincidiu no risco. Ao abordar o tema dos embargos infringentes, na coluna "Quem ri por último...", ela tratou Lewandowski como se ele fosse quase um dos réus do processo:

E assim caminham a humanidade, o Brasil, a política, o STF e o julgamento do mensalão, confirmando uma velha lei popular: quem ri por último ri melhor. Pode valer para Dirceu, Delúbio Soares, João Paulo Cunha. E para Lewandowski.

Pelo jeito, a colunista da Folha gosta de viver perigosamente.

No 247
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