11 de set de 2013

Nota sobre reportagem do Globo de hoje

Escrevo em repúdio à manchete de hoje do jornal O Globo, que me acusa de desafiar o STF. A conclusão exposta pelo jornal em sua primeira página se baseia em entrevista que concedi à TV da Fundação Perseu Abramo. Qualquer um que tenha assistido à entrevista, ainda disponível na internet, sabe que em nenhum momento desafiei o Supremo. A interpretação adotada pelo Globo e sua opção por alçá-la à manchete traem a intenção de interferir no andamento da ação penal 470.
O que fiz na entrevista foi apenas reafirmar meu direito à revisão criminal, procedimento garantido pela Constituição e pelas leis penais. E também meu direito de recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos, de cuja convenção o Brasil é signatário por aprovação do Congresso Nacional, estando submetido a ela não apenas nosso governo, mas também o poder Judiciário.
As Organizações Globo não têm legitimidade para me acusar de afronta à Justiça. Elas, sim, têm em sua história passagem notável de afronta ao STF, ao apoiar o golpe militar, a ditadura e o AI-5, que usurpou os poderes constitucionais do Supremo, eliminou as garantias individuais, o habeas corpus, a liberdade de expressão e organização. Eu estava do outro lado da trincheira, defendendo a democracia.
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Entrevista com Tarso Genro - trechos

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40 Anos do Golpe no Chile

Fora do contexto mais amplo da política dos Estados Unidos para a América Latina, é difícil compreender o golpe no Chile, 40 anos atrás.
Desde a Independência das colônias espanholas e portuguesa, no início do século XIX, e da proclamação da Doutrina Monroe, em 1823, os Estados Unidos consideram, e as potências europeias reconhecem (e muitos latino americanos aceitam), que a América Latina deve estar necessariamente na sua área de influência, isto é, sob a sua hegemonia.
Sobre a América Central e o Caribe os Estados Unidos estabeleceram o seu domínio com a conquista pela força armada de mais da metade do território do México, em 1848; com as seguidas intervenções e longas ocupações militares na Nicarágua, no Haiti, na República Dominicana e outros países; com a conquista de Cuba e de Porto Rico à Espanha; com a promoção da secessão do Panamá, em 1903, e a construção do Canal, com sua Zona de ocupação militar permanente, que perdurou até o ano 2000.
Estava criado o Mar Americano, do novo Povo Eleito.
Sobre a América do Sul, os Estados Unidos demorariam a estabelecer sua hegemonia, em parte devido à maior dimensão dos Estados e em parte devido à presença financeira, comercial e política inglesa até o fim da Primeira Guerra Mundial.
Encontraram os americanos sempre, em suas investidas de articulação política dos países da América do Sul, a oposição argentina, o VI Domínio da Grã-Bretanha, e a cooperação brasileira, desde o Barão do Rio Branco, na chamada Aliança não-escrita.
Após a penosa vitória sobre o Império Alemão, em 1918, conseguida, aliás, somente graças à ajuda econômica e militar americana, começa a se esvair a presença britânica na América do Sul e a se afirmar a influência política e econômica dos Estados Unidos.
O Corolário à doutrina Monroe, de autoria de Teodoro Roosevelt, belicoso tio de Franklin Delano, anunciado em 1904, em que os Estados Unidos se arrogavam o direito de intervir em qualquer país do Continente que se revelasse incapaz de manter a ordem (isto é, os interesses americanos) e o êxito em incluir a Doutrina Monroe entre os princípios do tratado de criou a Liga das Nações, em 1919, revelam claramente a visão americana da América Latina.
Devido à necessidade de aliciar o apoio dos Estados do Continente diante da ameaça nazista no horizonte, os Estados Unidos abandonaram a política do big stick e a diplomacia do dólar e lançaram a Política de Boa Vizinhança, com Zé Carioca e tudo o mais, renunciando retoricamente à sua hegemonia, e passaram a cultivar ativamente as elites e, muito em especial, os proprietários dos meios de comunicação na América do Sul.
Após a Segunda Guerra, o extraordinário prestígio americano e sua determinação de alinhar os regimes sul-americanos na luta contra o comunismo levou, de um lado, à criação, em 1948, da Organização dos Estados Americanos, a OEA, organismo regional previsto na Carta das Nações Unidas, e, de outro lado, à defesa da livre iniciativa como dínamo do desenvolvimento latino-americano, com atração do capital estrangeiro, o que significava capital americano, visto o estado precaríssimo das economias europeias no pós-guerra.
Com a Revolução Cubana, em 1959, tudo muda. A invasão fracassada da Baía dos Porcos (semelhante à operação que depôs Jocobo Arbenz, na Guatemala, em 1954); a oposição americana, cada vez mais feroz, a Cuba; a arregimentação dos regimes latino-americanos contra Cuba; a resistência de certos governos, entre eles o do Chile, à determinação americana de intervir em Cuba; e a suposta fragilidade dos governos civis latino-americanos diante da imaginada influência cubana e comunista, transformariam a política de Boa Vizinhança na política de instalação de governos militares, na aplicação da teoria da modernização autoritária, da qual fazia parte a Aliança para o Progresso.
O primeiro regime militar a ser instalado na execução da nova política foi o do Brasil, em 1964, em que houve ampla participação americana na preparação do golpe, inclusive na escolha do novo presidente, o general Castelo Branco, amigo do adido militar americano, Vernon Walters, segundo os documentos revelados pelos Estados Unidos e mostrados no educativo filme, O Dia que Durou 21 Anos.
Era a política de mudança de governo (regime change) executada pela CIA, de forma encoberta (covert action) com ações diretas e de espionagem, hoje fartamente documentada, e que nos dias atuais se faz de maneira absolutamente aberta, e até com certa desfaçatez, com a participação de serviços de inteligência e de ação americanos (special operation forces), de fundações públicas e privadas, de ONGs. Tudo com a ajuda da tecnologia mais sofisticada de espionagem, da qual não escapam os aliados (acólitos) mais confiáveis, como a Alemanha de Frau Angela Merkel e a França de Monsieur François Hollande e aqueles Estados amigos, como o México, do Señor Peña Nieto, tão longe de Deus, e o Brasil, da Senhora Dilma Rousseff, surpresa e indignada.
O Chile era, em 1973, um caso de grande importância estratégica para a política americana na América do Sul.
A ascensão democrática de Salvador Allende, sua disposição de implantar um regime socialista democrático e nacional no Chile, sua política externa independente, o receio de que viesse a estimular países latino-americanos a procurarem novas estratégias de desenvolvimento e a se rebelarem contra as ditaduras militares já implantadas no Brasil (1964) na Argentina (1966 ) no Uruguai (1971), na Bolívia (1971) levaram à determinação americana de organizar um golpe militar no Chile com a articulação financeira, política e midiática da direita civil e militar do pais.
Os Estados Unidos articularam a ascensão ao poder de uma das ditaduras mais cruéis, violentas e implacáveis da América Latina, comandada pelo General Augusto Pinochet, pelo jornal El Mercúrio e pelo empresariado chileno.
A ditadura do General Augusto Pinochet reverteu a reforma agrária do Governo Allende e implantou um programa neoliberal de reformas econômicas, sob o comando dos Chicago Boys, um primeiro resultado do programa de formação de pessoal nos Estados Unidos, financiado pela Aliança para o Progresso, fenômeno que se repetiria mais tarde em outros países da América do Sul. A Operação Condor, a articulação dos governos militares para perseguir, capturar e executar as lideranças políticas de esquerda, teve como seu inspirador o Chile, com a famosa DINA, Direção de Inteligência Nacional, cujo chefe era pago pela CIA.
O apoio brasileiro ao golpe militar chileno foi imediato e prolongado no tempo assim como o apoio norte americano e dos países europeus.
Com a crescente oposição americana aos regimes militares devido à sua deriva para uma posição de certa independência em relação aos Estados Unidos, com projetos em especial na área militar (tais como o projeto Condor de mísseis na Argentina e os programas brasileiros nas áreas espacial, nuclear e de informática), e com a nova política americana de direitos humanos, o regime de Pinochet perderia o apoio americano, dos europeus e dos países da região mas somente viria a ser substituído em 1990.
Interessante, antes e após a queda do regime de Pinochet, ditadura cruel e implacável, foi a defesa, por certos órgãos da mídia internacional e brasileira, do regime chileno como modelo para o Brasil, e para outros países latino-americanos, justificando o regime militar como forma necessária de implantar as reformas econômicas.
Agora, redemocratizada a América do Sul, neoliberalizada pelos programas de renegociação da dívida e pela aplicação das políticas, definidas pela academia, Tesouro americano, FMI e Banco Mundial, resumidas no Consenso de Washington, políticas implantadas por economistas treinados nas melhores universidades americanas, futuros banqueiros e empresários, tudo parecia tranquilo para o Império. Mas, como o Continente viu a emergência de movimentos sociais e de Partidos políticos de diferentes matizes de esquerda, eleitos democraticamente, presenciamos hoje operações políticas de regime (ou policy) change nos diversos países da América do Sul que não aderiram ao modelo americano de política econômica, implantado pelos acordos de livre comercio que o Chile, já em 1994, a Colômbia e o Peru celebraram com os Estados Unidos e que tem como princípios a privatização, a desregulamentação, a abertura comercial e financeira, o privilégio ao capital multinacional.
Hoje, os Governos da América do Sul podem realizar programas sociais (no que terão o apoio da Igreja, antiga defensora dos regimes militares, hoje convertida), reduzindo a pobreza e estabilizando sociedades em extremo desiguais, podem construir sua infraestrutura a duras penas e podem ter veleidades de política externa, até aceitas pois agradam os movimentos de esquerda, mas não podem, sob pena de se tornarem alvo de políticas ativas de regime change, tomarem iniciativas concretas para promover políticas que abalariam os pilares da dominação imperialista:
• democratizar a mídia
• fazer a auditoria da dívida pública
• substituir o regime de metas inflacionárias por um regime de metas de desenvolvimento e emprego
• disciplinar o capital multinacional
• desenvolver sua indústria de defesa
Os Estados que respeitarem estes limites, que não tentarem implementar políticas com tais objetivos, continuarão a crescer a taxas muito baixas, cada vez mais desiguais ainda que com menos pobres, sem autonomia tecnológica, vulneráveis política e militarmente, seu Estado endividado, mas, para a tranquilidade e satisfação de suas classes conservadoras (ainda que sempre apreensivas) continuarão a ser parceiros confiáveis (reliable partners) dos Estados Unidos e de sua hegemonia imperial.
Samuel Pinheiro Guimarães
No Carta Maior
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El Ultimo Combate De Salvador Allende

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O 11 de setembro na América Latina

O 11 de setembro da América Latina está completando 40 anos. Trata-se de uma data trágica que corresponde ao golpe comandado pelo general Augusto Pinochet que derrubou o Presidente constitucional Salvador Allende. Muito se denunciou sobre a participação dos Estados Unidos comprovada por inúmeros documentos oficiais demonstrando a culpa no cartório do então Secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger.
Nestes dias, documentos da chancelaria do Chile tornados públicos confirmam a participação também do Governo do então ditador de plantão Garrastazu Médici no golpe sangrento. A embaixada brasileira tornou-se inclusive num espaço de apoio aos golpistas. O chefe da representação diplomática, embaixador Câmara Canto, esteve de braços dados com militares que transformaram o Chile numa espécie de sucursal do inferno. Tanto assim que quando se confirmou a vitória dos golpistas, Câmara Canto comemorou com seus asseclas abrindo champagne.
Logo após o golpe, o Governo brasileiro colaborou financeiramente com a ditadura e assim sucessivamente. Mesmo antes do golpe, a ditadura civil militar vigente no Brasil respaldava os chilenos de extrema direita. Documentos tornados públicos no Chile comprovam a participação de brasileiros em apoio a grupos extremistas de direita como o Patria y Libertad.
Matéria do jornal O Estado de S. Paulo informa que em julho de 1973, o Brasil concedeu asilo político a Eduardo Roberto Keymer Aguirre, identificado como integrante do Patria y Libertad. A concessão ocorreu quatro dias depois que os extremistas assassinaram um ajudante de ordens de Allende, o capitão Arturo Araya Peeters.
Os vínculos da extrema direita chilena com extremistas brasileiros não se resumiram a este fato. Anos atrás, o cientista político René Dreifuss em seu livro “A Internacional capitalista” revelou que o jornalista Aristóteles Drummond, uma figura nefasta vinculada até hoje a antigos golpistas da pior espécie, fornecia armas para os extremistas do Patria y Libertad. Há tempos este espaço democrático divulgou a informação veiculada no importante trabalho de pesquisa de René Dreifuss sobre o extremista brasileiro acusado inclusive de responsável pela explosão de uma bomba numa exposição soviética no Rio de Janeiro.
Pois bem, na reportagem do Estadão sobre os documentos divulgados nestes dias no Chile aparece novamente o nome de Aristóteles Drumond como um dos brasileiros que teria transportado recursos para os chilenos que preparavam o golpe contra Salvador Allende.
Questionado pelo jornal paulista, Aristóteles Drummond preferiu não assumir diretamente a ajuda fornecida, mas a sua resposta é um reconhecimento da ajuda. Analisem bem o que disse este senhor que todo ano aparece no Clube Militar para comemorar o golpe que levou o Brasil a ingressar numa noite escura de 21 anos. "Eu não levei, mas teria levado. Tenho o sentimento de que os brasileiros amigos do Chile tenham (enviado dinheiro). Sou de classe média, mas, se corresse uma lista aqui para dar US$ 500 (a grupos anti-Allende), eu daria do meu bolso. Acho que o general Pinochet foi decisivo para evitar a criação de uma sucursal de Cuba no Pacífico. Pinochet salvou o Chile, assim como os militares salvaram o Brasil." 
Aristóteles Drummond, que chegou a ocupar um cargo de confiança no governo Negrão de Lima na área de habitação, não foi perguntado pelo Estadão sobre a denúncia de René Dreifuss do  fornecimento de armas ao gupo Patria y Libertad, Mas se em algum momento for perguntado sobre o tema, provavelmente não confirmará integralmente a ação, mas o teor da reposta será nos moldes da que deu ao Estadão.
Tais fatos são importantes de serem conhecidos pela opinião pública e ajudarão também à Comissão da Verdade a concluir seu relatório sobre os trágicos acontecimentos ocorridos no Brasil depois do golpe de estado que derrubou o Presidente constitucional João Goulart.
O caso de Aristóteles Drumond é bastante emblemático e não será nenhuma surpresa se outros documentos a serem tornados públicos apontarem a participação de outros brasileiros que seguiram impunes ao longo do tempo. É também uma demonstração concreta segundo a qual o golpe no Brasil não foi apenas de conotação militar, mas civil também
Por estas e muitas outras não bastam apenas autocríticas de estilo marqueteiro, como fez recentemente O Globo, sobre o golpe de 64. No caso das Organizações Globo, que ao longo dos anos se transformaram numa espécie de diário oficial dos detentores de fato do poder, teria que acontecer um reconhecimento que além do “erro editorial” do apoio ao golpe, o grupo midiático então comandado por Roberto Marinho, como diria Leonel Brizola, engordou na estufa da ditadura.
Mário Augusto Jakobskind
No DR
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11th September

 Republico o post de terça-feira, 21 de setembro de 2010  

Este vídeo mostra os métodos utilizados pelos "defensores da democracia" para desestabilizar, assassinar e subjugar.
Mostra o papel dos militares covardes, pusilânimes e traidores, na história da América Latina.
11 diretores foram convidados para fazer um filme sobre a queda das torres gêmeas em 11 de setembro.
Essa é a brilhante contribuição de Ken Loach que traça um paralelo com um outro 11 de setembro, aquele de 1973 no Chile.

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Após 4 votos a favor e 2 contra, STF adia decisão sobre infringentes

Se aceito, esse tipo de recurso pode até levar a um novo julgamento.
Ainda faltam votos de 5 ministros; debate será retomado nesta quinta (12).
Com quatro votos a favor da validade dos embargos infringentes e dois contra, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deixou para quinta-feira (12) a decisão sobre se aceitará o recurso para condenados que obtiveram ao menos quatro votos favoráveis, o que pode levar a um novo julgamento desses réus no processo do mensalão.
Os embargos infringentes estão previstos no artigo 333 do Regimento Interno do Supremo, mas não constam na lei 8.038/1990, que regula as ações no STF. É a primeira vez que a Corte discute a validade de embargos infringentes para questionar decisões dentro de ação penal, como é o caso do mensalão.
Para parte dos ministros, contrários ao recurso, a lei de 1990 revogou tacitamente (quando não há anulação explícita de um artigo) a existência dos infringentes.
Outros magistrados consideraram que a lei simplesmeste não tratou do recurso e que, por isso, o regimento do Supremo é válido para definir sua existência. Os que defendem os infringentes também destacaram que os embargos de declaração não estão na lei, mas mesmo assim foram julgados pelo Supremo.
Na semana passada, o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, se manifestou contra a validade do recurso. Nesta quarta (11), foi acompanhado pelo ministro Luiz Fux.
Não há porque sujeitar um processo tão emblemático a uma decisão casuística, de última hora"
Luís Roberto Barroso, ministro do STF
Os ministros Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber e Dias Toffoli divergiram e entenderam que os infringentes são cabíveis.
Ainda faltam os votos dos ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.
Os embargos infringentes possibilitam a reanálise de provas e podem mudar o mérito de uma condenação no Supremo. No entanto, só devem ser apresentados depois da publicação da decisão dos embargos de declaração, que contestam omissões, contradições ou obscuridade e cujo julgamento foi concluído na semana passada.
A discussão sobre a validade dos infringentes foi antecipada porque o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares apresentou o recurso. Em decisão individual, Joaquim Barbosa negou por entender que não era cabível, e a defesa recorreu para que o plenário decidisse sobre a validade.
A favor dos infringentes
Primeiro a votar nesta quarta, o ministro Luís Roberto Barroso disse que, apesar dos protestos que pedem punição aos condenados no mensalão, um juiz precisa julgar pelo que "é certo e justo".
"Ouvi a todos com respeito e consideração. Mas o momento de decisão é um momento solitário. A nós cabe, no meio da turbulência das paixões, encontrar o ponto de equilíbrio. A única paixão é pelo que é certo e justo. A verdade não tem dono. A única coisa que um juiz pode fazer em meio ao vendaval é ser leal a si mesmo, à sua verdade."
Para Barroso, rejeitar os infringentes seria uma "decisão casuística". "Não há porque sujeitar um processo tão emblemático a uma decisão casuística, de última hora. A exemplo de toda sociedade brasileira, eu também estou exausto desse processo. Ele precisa chegar ao fim. Temos que virar esta página. [...] Ninguém deseja o prolongamento desta ação. Mas é para isso que existe a Constituição, para que o direito de 11 não seja atropelado pelo interesse de milhões."
O ministro Teori Zavascki argumentou que, se os embargos infringentes não forem válidos, também serão inválidos os embargos de declaração, já julgados pelo Supremo.
"Ou vale para tudo [o entendimento de que a lei revogou o regimento] ou não vale para nada. Invocá-lo para afastar os embargos infringentes levaria por idêntica razão afastar os demais recursos. Não seriam cabíveis os embargos de declaração."
A ministra Rosa Weber concordou com Zavascki. "Acabamos de julgar inúmeros embargos de declaração que, como sabemos, são recursos. Não haveria incompatibilidade, portanto, na norma do regimento interno interno que prevê infringentes em decisões condenatórias não unânimes. [...] Ainda que se trate de recurso arcaico, anacrônico, excessivo ou contraproducente, como muitos respeitáveis doutrinadores entendem e também a jurisprudência, entendo eu que o emprego da técnica jurídica não autoriza a concluir pela sua revogação."
Dias Toffoli também argumentou que não houve revogação. "Acompanho a divergência pelo fato de a lei 8.038 ter confirmado o regimento interno como o meio normativo processual para a realização do julgamento e o seu prosseguimento, e ele prevê os embargos infringentes."
Contra os infringentes
Ao votar na semana passada, o presidente do tribunal e relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, entendeu que os embargos infringentes foram revogados e que aceitá-los seria uma forma de "eternizar" o processo.
"A reapreciação de fatos e provas pelo mesmo órgão julgador é de toda indevida. A Constituição e as leis não preveem privilégios adicionais. Esta Corte já se debruçou cinco meses em 2012 e agora no segundo semestre de 2013 já ultrapassamos um mês de deliberação. Admitir embargos infringentes no caso seria uma forma de eternizar o feito", frisou Barbosa.
O ministro Luiz Fux contestou argumentos de Barroso de que anular os infringentes seria "casuísmo". "Evidente que não tem nenhum propósito de casuísmo. [...] Sob a minha ótica, o referido regimento foi recepcionado como lei ordinária e restou suplantado por legislações ordinárias posteriores. [...] Referido recurso é inadmissível no Supremo Tribunal Federal. Isso não é casuísmo. Nós temos 400 ações penais."
Fux rejeitou a possibilidade de que haja novo julgamento. "Pretende-se que o mesmo plenário se debruce sobre as mesmas provas e decida novamente sobre o mesmo caso. Tratar-se-ia, isso sim, de uma revisão criminal simulada."
Quem pode entrar com infringentes
Na semana passada, o tribunal terminou a fase de julgamento dos embargos de declaração. Dos 25 condenados na ação penal, as penas de 22 foram mantidas. Dois tiveram tempo de prisão reduzido - Breno Fischberg e João Cláudio Genu - e um teve a punição convertida em prestação de serviços à comunidade (Enivaldo Quadrado).
A decisão sobre os embargos de declaração ainda precisa ser publicada no "Diário de Justiça Eletrônico", o que não tem prazo determinado para ocorrer. Só depois disso é que os condenados devem ser presos. Caso sejam aceitos os infringentes, os que poderão entrar com recurso também devem aguardar o julgamento em liberdade.
Dos 25 condenados pelo Supremo, 12 teriam direito aos infringentes. São os casos de João Paulo Cunha, João Cláudio Genú e Breno Fischberg, que nas condenações por lavagem de dinheiro obtiveram ao menos quatro votos a favor.
Outros oito réus (José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Kátia Rabello, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e José Roberto Salgado) foram condenados no crime de formação de quadrilha por seis votos a quatro. Simone Vasconcelos também obteve quatro votos favoráveis no crime de quadrilha, mas a punição prescreveu e ela não pode mais pagar por este crime. No entanto, ela ainda poderá recorrer caso os infringentes sejam aceitos.
Uma das preocupações dos que defendem a revogação dos embargos infringentes é a intenção de advogados de defesa de tentar ampliiar o alcance desse recurso. Advogados têm afirmado que pretendem entrar com embargos infringentes em diversas questões fora da condenação em que tiveram quatro votos favoráveis. Por exemplo, um réu condenado por unanimidade, mas que teve pena mais alta definida só por seis ministros sendo que quatro ficaram vencidos, poderia entrar com infringentes para tentar diminuir a pena.
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40 anos do golpe no Chile – O papel sujo do Partido da Imprensa Golpista… deles

El Mercurio Miente. A faixa pendurada pelos estudantes da Universidade do Chile no dia 11 de agosto de 1967, é o equivalente chileno a “O povo não é bobo, abaixo a rede Globo”. Assim como acontece aqui, a frase vem à baila toda vez que se denuncia o conglomerado midiático número 1 do país pela manipulação da informação. Naquele ano, o centenário jornal da família Edwards assumiria uma posição radicalmente contra a possibilidade de reformas no país. Seis anos depois, conspiraria para derrubar o presidente eleito Salvador Allende.
Em editorial sobre a greve dos estudantes, El Mercurio apontou “inspiração comunista” no movimento estudantil, daí a faixa; as passeatas que tomavam o Chile pedindo reforma agrária eram obra de “agitadores”. Desde o primeiro momento, o jornal se posicionou abertamente contra a virtual eleição do senador de esquerda Salvador Allende à presidência. Quando Allende se elegeu em 1970, saiu-se com a manchete: “Maioria relativa de Allende: 1.075.616 votos contra”. Fosse hoje em dia, diríamos que tucanou a vitória da Unidade Popular.
El Mercurio entendeu que era o fim da sociedade oligárquica chilena. Isto o levou a ser um jornal não só anti-Allende mas anti-democrático. Um jornal golpista. E uma vez que justificou e promoveu o golpe, teve que defender toda a violação de Direitos Humanos que se seguiu”, diz o sociólogo e cientista político chileno Manuel Antonio Garretón no documentário El Diario de Agustin.
Dirigido por Ignacio Agüero em 2008, o filme narra o papel sujo que teve El Mercurio como partícipe do golpe de Estado que derrubou Salvador Allende há exatos 40 anos, completados hoje, 11 de setembro. A adesão descarada e a cumplicidade integral do jornal fariam corar até mesmo os donos da mídia brasileira. Aqui, pelo menos, houve alguma reação, por menor que tenha sido. No Chile, os jornais dos Edwards foram os únicos poupados pela ditadura de Pinochet do empastelamento. “Menos mal que escapamos, não é? Não vou dizer que a suspensão das atividades da concorrência foi uma notícia ruim”, diz cinicamente no documentário um ex-diretor de El Mercurio.
O golpe militar no Chile e o grupo El Mercurio foram irmãos siameses. No dia seguinte à eleição de Allende, o dono do jornal, Agustín Edwards (são vários Agustín consecutivos à frente do diário), viajaria a Washington, nos EUA, onde teria reuniões pessoais com o secretário de Estado, Henry Kissinger, e com o diretor da CIA. Hoje se sabe, com base em documentos, que o motivo dos encontros já era como evitar que o novo presidente tomasse posse. Falou-se inclusive em “opção militar”. Nos anos seguintes, a organização de mídia de Edwards receberia 2 milhões de dólares da CIA – em torno de 11 milhões de dólares em valores de 2008 – como parte da estratégia golpista norte-americana contra os governos de esquerda na América do Sul.
Allende enfim tomou posse e El Mercurio, La Segunda e La Tercera, os jornais do grupo, começaram a fazer seu papel: manchetes e mais manchetes contra o governo. Allende tinha a noção exata do inimigo que enfrentava. “Se deforma, se mente, se calunia, se tergiversa. Os meios de comunicação com que contam (a direita) são poderosos, jornalistas vinculados a interesses estrangeiros e a grandes interesses nacionais. Não só não reconhecem como deformam nossas iniciativas”, disse o presidente na conversa que teve com Fidel Castro em 1971.
A aliança do jornal com a direita golpista e com os EUA culmina no enredo que conhecemos: o bombardeio do palácio de la Moneda e a morte do presidente, que ganharia uma chamada lacônica na primeira página, abaixo da notícia sobre a tomada do poder pela junta militar: “Morreu Allende”. Nos anos seguintes ao golpe, os anúncios de “procura-se” dos inimigos de Pinochet eram publicados com desfaçatez em primeira página por El Mercurio, ao lado da manchete do dia. O documentário relata episódios escabrosos em que o jornal foi utilizado pela ditadura para dar veracidade às farsas governamentais para encobrir a prisão, tortura e morte de oposicionistas. Somente na década de 1990 o diário deixaria de usar a expressão “suposto” quando se referia às vítimas de Pinochet.
Em uma das muitas histórias mal contadas do período, 119 desaparecidos aparecem mortos na Argentina. A notícia sai primeiro em um jornal de Curitiba e em uma revista portenha. Nas páginas de El Mercurio, se transforma em “executados pelos próprios camaradas”. O jornal La Segunda faz pior e celebra a morte dos “terroristas” em primeira página: “Exterminados como ratos”.
Em 1976, os jornais da família Edwards noticiam o assassinato de uma militante comunista, sob tortura, como se fosse “crime passional”, legitimando a versão encenada pelo governo. O bom trabalho seria seguidamente prestigiado por Pinochet com sua presença nas festas de aniversário de El Mercurio e com frases como “El Mercurio, trincheira contra o totalitarismo” estampadas, é claro, em manchetes do próprio jornal.
É um filme para se assistir com o estômago embrulhado, principalmente quando se lembra que, em todos estes anos, a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) jamais foi capaz de condenar El Mercurio, assim como tampouco foi capaz de condenar qualquer jornal brasileiro por ter apoiado a ditadura. A mesma SIP que volta e meia é utilizada pela nossa mídia para criticar Cristina Kirchner, Evo Morales ou Hugo Chávez como “ditadores”. Imaginem se um governante chileno resolvesse fazer uma Lei de Meios no país e acabar com o poderio dos Edwards, donos de 20 jornais regionais e três nacionais. Claro, seria imediatamente acusado de “atentar contra a liberdade de expressão”. Mas e acobertar assassinatos, é o quê?
Foram 2279 mortos e 28l456 as vítimas de prisão e tortura durante o bárbaro regime de Pinochet. Quando essa cifra veio à tona, em 2004, o presidente Ricardo Lagos perguntou: “Como pudemos viver 30 anos de silêncio?” Uma vergonha para a imprensa e os jornalistas do país. Ao se associar a Pinochet, o grupo de comunicação mais poderoso do Chile se tornou cúmplice de cada uma dessas violações dos Direitos Humanos. No 40º aniversário do golpe de Estado no Chile, porém, El Mercurio nem sequer deu mostras de arrependimento em suas páginas. É até melhor assim. Quem precisa de cinismo uma hora dessas?
(Não deixe de ver o documentário El Diario de Agustín, de Ignacio Agüero, no link abaixo. Infelizmente não existe ainda a versão com legenda em português no youtube, mas vale a pena. O filme não foi exibido até hoje na TV chilena. Os defensores da liberdade de expressão não permitiram.)
No Socialista Morena
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Não bastam “Mais Médicos”, é preciso “Algum Caráter”

A notícia entrou ontem à noite no UOL: o médico brasileiro Patrick Henrique Cardoso foi afastado do “Mais Médicos” por ter, três dias depois de começar a trabalhar num posto de saúde na periferia de Brasília, se declarado “de férias”, abandonado o posto e viajado para os Estados Unidos.
Sim, “pediu” licença, concedeu-a a si mesmo e foi.
O UOL, apesar de ter visitado a página de Patrick Henrique Cardoso – isso não é um nome, é uma definição! – não diz que ela é um amontoado de campanha contra o Mais Médicos, contra os profissionais cubanos, contra o governo e um amontoado de “coxices”. Parece um “white bloc”.
É obvio que o “Dr. Patrickinho” não pretendia atender na periferia, com esse programa. Foi apenas para tumultuar.
Veio-me à cabeça o artigo do correto e respeitável médico Dráuzio Varella que, apesar de defender a vinda dos médicos estrangeiros, critica o  Governo pela “esperteza de jogar o povo contra a classe médica”.
Dr. Drauzio, com todo o respeito, quem está jogando o povo contra a classe médica são os “patrickinhos” que agem assim e de mil outras maneiras, como temos visto. Contra eles, não se vê sequer uma reação “ética” corporativa, nenhuma vaia, nenhum cartaz, nenhuma crítica.
O restante do artigo tem observações corretas e não há nenhuma dúvida de que o programa não é uma solução estrutural para a saúde brasileira, mas uma emergência. Afinal, como diz o próprio Dr. Dráuzio, “é melhor um médico com formação medíocre, mas boa vontade, do que não ter nenhum, ou contar com um daqueles que mal olha na cara dos pacientes”.
Nem podemos afirmar que estes têm formação medíocre nem, como o autor do artigo admite, que os formados aqui não sejam medíocres.
Quanto ao “improviso”, e isso ter sido uma “resposta às manifestações”, eu sugiro que o Dr. Dráuzio peça ao Ministério da Saúde a cópia dos processos administrativos nos quais se tratou dessa questão. Um deles, há bem mais de um ano, passou em minhas mãos, porque tratava do registro junto aos conselhos e o encaminhei à representante da Advocacia Geral da União pedindo muita atenção ao tema, porque sabia que a reação corporativa iria ser imensa. A ideia de os contratos terem a forma de “bolsa”, em parte, visava superar – quanta ingenuidade tivemos! – essa objeção das entidades médicas.
Sendo um médico honrado, capaz de examinar a ação médica a partir do interesse humano, o Dr. Dráuzio verá que não houve oportunismo, embora tenha havido oportunidade, porque é muito bom exigir saúde “padrão Fifa” quando se esquece de que ela não pode prescindir, de jeito algum, de médicos.
E o fato, que o Dr. Dráuzio já tantas vezes mencionou, é que os médicos brasileiros – nem os recém-formados como este Dr. “Patrickinho” – não querem trabalhar em locais distantes. Alguns, nem mesmo em lugares próximos e pobres.
E se prestam ao papel de verdadeiros agentes provocadores, para tumultuar o Mais Médicos e desacreditá-lo.
Quem, afinal, está fazendo demagogia com a saúde pública?
Fernando Brito
No Tijolaço
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"Qual foi o delito que a Dilma cometeu?"

Lula reage ao caso de espionagem, repudia ação militar contra a Síria e defende uma governança global para minimizar a supremacia americana
O ex-presidente Lula durante o debate. Ele fez duras
críticas à postura dos Estados Unidos
Em meio a um iminente ataque militar à Síria e a revelação de que os Estados Unidos espionaram autoridades brasileiras, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira 11 o estabelecimento de uma governança global para impedir a supremacia de um único país no planeta. Foi um recado ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, feito em sua fala durante o seminário “A democracia, a paz e a justiça social no Brasil e na África”, da série Diálogos Capitais.
“Precisamos levar a sério a discussão da democracia nesse mundo globalizado. Precisamos discutir a sério uma coisa chamada governança global. Pode, por acaso, o senhor Obama e seu sistema de vigilância ficar bisbilhotando a conversa da nossa presidenta?”
E ironizou: “Antes, era preciso ter dinheiro, pegar passaporte, fazer viagem de avião (para conhecer a realidade de outros países). Hoje qualquer sujeito numa sala em Nova York fica sabendo o que você está fazendo, em plena democracia. Cadê a decisão judicial que permite ouvir? Qual foi o delito que a Dilma cometeu? Sabe-se Deus se eles não estão gravando esse debate aqui.”
O ex-presidente repudiou uma possível ação militar contra a Síria. “Fiquei horrorizado com aquela imagem das crianças mortas (no subúrbio de Damasco). Foi uma coisa que eu gostaria de passar pela terra sem ver. Mas quem foi que disse quem fez aquilo?”
Lula citou o falso argumento dos EUA usado para atacar o Iraque em 2003. Lembrou que, na ocasião, não foram encontradas as armas químicas que motivaram a invasão. E questionou a intervenção americana na soberania de outros países. “Onde é que decidiu-se que deveriam invadir a Líbia?”, disse, em referência à ofensiva que tirou Muamar Kadafi do poder.
E foi além: “Os americanos sozinhos inventaram que o ouro não valia mais nada, que o padrão ia ser dólar, e que só eles iam ter a maquininha de fazer dólar. Quando é que o mundo vai discutir uma moeda mundial?”
Lula fez críticas também ao papel da ONU na condução da crise do Oriente Médio. “Eu não sei se o Ban Ki-moon já foi à Síria. Achei engraçado que vi outro dia no jornal: a ONU vai investigar armas químicas. E tinha a foto dos rebeldes. Quem é que dá as armas deles? Eu acho que, pelo bem da Síria, o (Bashar al) Assad estava bem na hora de ir embora. Mas democraticamente, para não acontecer o que aconteceu no Egito.” Foi aplaudido quando disse não haver hoje uma instância em que os governantes tenham o mesmo peso na tomada de decisões e citou a questão palestina como exemplo. "A mesma ONU que criou o Estado de Israel em 1948 não teve coragem de criar um Estado palestino?"
Piero Locatelli
No CartaCapital
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O julgamento da AP 470

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Acabou a valentia dos catarinas

A bandeira de R$ 58 mil reais

Blumenau decide revogar decreto que exigia Revalida a profissionais estrangeiros do Mais Médicos

Decisão foi tomada em reunião na manhã desta quarta-feira
O prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes, em reunião com a secretária de Saúde Maria Regina Soar, e com o procurador-geral do município, Newton Janke, decidiu, na manhã desta quarta-feira, revogar o decreto assinado no fim de agosto que exigia que médicos estrangeiros que viessem a Blumenau pelo programam Mais Médicos tivessem que fazer o Revalida.
A procuradoria vai elaborar os documentos necessários para que o prefeito assine a revogação ainda nesta quarta-feira. O Ministério da Saúde, que havia suspendido o município do programa por conta do decreto na última sexta-feira, será comunicado da decisão.
Blumenau foi selecionada para receber um médico formado no Brasil e outros cinco profissionais que se graduaram no exterior. Entretanto, devido ao decreto, nem mesmo o médico brasileiro veio ao município.
O mesmo aconteceu em Florianópolis
Suspensa temporariamente pelo governo federal do programa Mais Médicos, Florianópolis anunciou nesta terça-feira (10) que cancelou, por ora, os efeitos do decreto municipal que proibia a contratação de médicos estrangeiros na cidade sem revalidação do diploma.
Por causa dessa lei, instituída em agosto, o município foi suspenso do Mais Médicos pelo Ministério da Saúde, que entendeu que as regras do programa haviam sido descumpridas. Os médicos com diploma estrangeiro que integram o programa não precisam passar pela prova, chamada de Revalida.
Apesar da decisão de hoje, a prefeitura de Florianópolis entrou com um recurso no ministério para reverter a suspensão do governo federal.
O município entende que "não há incompatibilidade" entre o decreto e as regras do programa, e diz que irá aguardar o andamento do recurso para então decidir se deixa o Mais Médicos em definitivo ou se anula o decreto.
Nenhum dos oito médicos que se inscreveram para trabalhar em Florianópolis foi enviado para a cidade.
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PIB do Rio Grande do Sul tem crescimento recorde de 15% no trimestre

Foram desmentidos os pessimistas de sempre, aqueles que, contra as evidências, diziam que o Rio Grande estaria acabado", afirma o deputado Daniel Bordignon
A Fundação de Economia e Estatística do estado anunciou, nesta quarta-feira (11), o crescimento de 15% do PIB do Rio Grande do Sul no segundo trimestre de 2013, em relação ao mesmo período do ano passado. Acompanharam a exposição de dados os secretários do Planejamento e da Agricultura, João Motta e Luiz Fernando Mainardi, e o presidente da Comissão de Economia da Assembleia, deputado Daniel Bordignon. A indústria, que vinha em queda há três trimestes, cresceu 4,6%. A agropecuária beneficiou-se de uma supersafra de soja e cresceu 60,1%.
Bordignon destacou que "o Rio Grande cresce, conforme previsto, mais que o país. Os setores produtivos têm aproveitado as circunstâncias e investido muito para o crescimento sustentável de todas as áreas. Foram desmentidos os pessimistas de sempre, aqueles que, contra as evidências, diziam que o Rio Grande estaria acabado. Esses, terão que se penitenciar de tudo o que escreveram e disseram contra o estado".
Nos primeiros seis meses do ano, o PIB teve uma expansão de 8,9%, em relação ao primeiro semestre de 2012. Com o trimestral de 111,7%, a agropecuária impulsionou os dados positivos.
O governador Tarso Genro, que cumpre agenda em Brasília, disse que o Estado teve um desempenho semelhante à economia da China. "É um 'Pibão' chinês. Um crescimento muito bom. Isto demonstra que a diversidade da economia gaúcha (agronecócio, agricultura familiar, indústria e serviços) é que dá pujança ao Estado", afirmou. "E vai se confirmar aquilo que eu já tenho dito: este ano, nós vamos crescer mais que o dobro do crescimento do Brasil".
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Charge online - Bessinha - # 1924

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“Um mundo sem fome: estratégias de superação da miséria”

 Transmissão encerrada  

Lula debate democracia e combate à fome‏ a ativista liberiana e Nobel da Paz, Leymah Gbowee:


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Jornalista que atacou médicas cubanas é processada

Jornalista Micheline Borges vai responder a um processo por danos morais na Justiça em razão das críticas postadas no Facebook à aparência das médicas cubanas contratadas para atuar no interior do País
micheline borges médicas cubanas
Micheline excluiu seus perfis das redes sociais
depois de postar o comentário acima
(Reprodução – Facebook)
Com base em uma ação movida por uma ex-empregada doméstica, a jornalista potiguar Micheline Borges vai responder a um processo por danos morais na Justiça em razão das críticas postadas no Facebook à aparência das médicas cubanas contratadas para atuar no interior do País por meio do programa Mais Médicos. Em sua página da rede social, Borges manifestou receio sobre a capacidade das profissionais estrangeiras porque, segundo ela, teriam “cara de empregada doméstica”. No post, publicado em 28 de agosto, após a chegada dos médicos estrangeiros ao País, a jornalista disse que não gostaria de ser tratada por pessoas “descabeladas, de chinelos e sem lavar a cara”; segundo ela, o médico deveria ter “cara de médico” e “se impor pela aparência”.
Quem assina a ação é a presidente do Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos (Sindidoméstica) da Grande São Paulo, Eliana Gomes de Menezes, que diz representar “todas as empregadas domésticas do Brasil, haja visto ter sido empregada doméstica e faxineira, conhecedora de todos os rótulos e preconceitos contra esta classe trabalhadora”. Segundo ela, “Micheline Borges menospreza a potencialidade das médicas cubanas e trata com desprezo e discriminação as nossas empregadas domésticas”.
O valor da indenização requerida é de 27 mil reais. O processo foi distribuído na 1ª Vara do Juizado Especial Cível de Vergueiro, na capital paulista.
A ação tem a assessoria jurídica da Federação das Empregadas e Trabalhadores Domésticos do Estado de São Paulo, da qual o sindicato é afiliado. No documento, a dirigente cita um artigo do jurista Luiz Flávio Gomes, segundo quem “a declaração foi feita com base na ‘cara’ das médicas, caras negras ou pardas escuras, caras essas que os arianos (como Hitler) discriminam como feias ou malvadas”.
“A Federação das Empregadas e Trabalhadores Domésticos do Estado de São Paulo e sindicatos filiados não admitem que preconceitos, discriminações, descasos, maus tratos, injustiças, continuem tão arraigadas na mentalidade dos cidadãos brasileiros”, escreveu. “É imprescindível absorver as mudanças e notar que o Brasil não é feito de brancos, negros, amarelos, vermelhos, mas sim, da miscigenação de todos esses povos. O país desenvolveu em tantos aspectos desde seu descobrimento, mas a sociedade não conseguiu acompanhar esses avanços.”
Segundo Camila Ferrari, assistente jurídica da federação, ainda não foi definido se a jornalista será ouvida em São Paulo ou se o processo será encaminhado para o Rio Grande do Norte, onde foi postada a ofensa.
A repercussão do comentário levou a jornalista a excluir o seu perfil das redes sociais e a se desculpar. “Foi um comentário infeliz, foi mal interpretado, era para ser uma brincadeira, por isso peço desculpa para as empregadas domésticas”, escreveu Micheline.
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Charge online - Bessinha - # 1923

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Chile rinde homenaje a Salvador Allende a 40 años del golpe de Estado

El 11 de septiembre de 1973, Allende fue víctima del golpe de Estado de Pinochet
El pueblo chileno rendirá un nuevo y sincero homenaje al líder socialista Salvador Allende, este miércoles cuando se cumplen 40 años del golpe de Estado que provocó su derrocamiento y desaparición física y que, además, dio paso a la dictadura del general Augusto Pinochet, un régimen militar represivo que se extendió durante 17 años, hasta 1990.
Decenas de miles de chilenos peregrinarán hasta el monumento de Salvador Allende, ubicado frente al Palacio de La Moneda, para llevarle a su presidente una ofrenda floral. Igualmente, otros tantos se concentrarán en la puerta de la casa de Gobierno, conocida como Morandé 80, por la que fue extraído cadáver de Allende, y que posteriormente Pinochet tapió.
Al igual que en años anteriores, organizaciones de derechos humanos, políticas, sindicales y sociales, también depositarán ofrendas florales ante la estatua del Presidente, enclavada en una esquina de la Plaza de la Constitución, desde junio de 2000.
Agrupaciones de Familiares de Detenidos Desaparecidos, de Ejecutados Políticos, la Central Unitaria de Trabajadores, el Colegio de Profesores y los partidos Socialista, Comunista e Izquierda Ciudadana; forman parte de los convocantes de esta movilización que rendirá tributo a Allende, en conmemoración de la fecha de su muerte, cuando La Moneda fue bombardeada.
Por otro lado, la Asamblea Coordinadora de Estudiantes Secundarios (ACES) realizó un llamado nacional a ocupar las escuelas, como un acto en memoria de los miles de estudiantes asesinados y desaparecidos durante los 17 años de dictadura.
En ese sentido, Eloísa González, una de las voceras de la ACES, explicó que con la toma de los centros educativos buscan “levantar los proyectos educacionales aplastados por la asonada golpista”.
Los actos con motivo de la conmemoración del cuadragésimo aniversario del golpe comenzaron el pasado domingo, cuando más de 30 mil personas marcharon hasta el Cementerio General para rendir tributo a Allende, una movilización que fue atacada por las fuerzas policiales.
De igual manera, el pasado lunes el pacto opositor Nueva Mayoría, encabezado por la expresidenta Michelle Bachelet (2006-2010), y el actual Gobierno de Sebastián Piñera, realizaron actos conmemorativos de los sucesos de aquel 11 de septiembre.
Más Justicia y menos Impunidad
Para horas de la noche de este miércoles se espera que en barrios de la capital, Santiago, se coloquen barricadas y tengan lugar otras acciones de protesta, que tradicionalmente devienen en enfrentamientos con las fuerzas especiales de la policía de Carabineros.
El pueblo chileno reclama justicia y exige al Gobierno que cese la impunidad y se revele la verdad sobre el rosario de crímenes cometidos por los agentes de Pinochet durante los 17 años de dictadura, ya que centenares de cuerpos sin vida nunca fueron hallados.
El informe Retting, de la Comisión Verdad y Reconciliación emitido en 1991, reconoció dos mil 279 muertes en manos de las fuerzas castrenses de Pinochet, contabilizando solamente ejecuciones y desapariciones. Asimismo, agrega que al menos 307 jóvenes menores de 20 años murieron en acciones ejercidas por agentes del Estado.
Por su parte, la Comisión Valech, denominada así en honor al exobispo de Santiago, Sergio Valech (1927-2010), presentó su reporte en 2004 y registró más de 30 mil víctimas, de las cuales más de 28 mil fueron producto de detenciones ilegales, tortura, ejecuciones y desapariciones. Las muertes sumaron más de tres mil.
La presidenta de la Agrupación de Familiares de Detenidos Desaparecidos (AFDD), Lorena Pizarro expresó que, 40 años después, “aún están las heridas de la dictadura. Reclamamos justicia, el esclarecimientos de los crímenes y sus autores. Queremos la verdad y saber dónde están los cuerpos de las personas asesinadas y desaparecidas", enfatizó.
La AFFD expone que el pueblo chileno anhela un nuevo comienzo y recordó que “los derechos constitucionales durante el Gobierno de Allende, como el acceso a la educación y a la salud, forman la columna vertebral de las demandas ciudadanas de hoy".
En 1973, el objetivo del golpe de Estado de Pinochet - respaldado por Estados Unidos - fue impedir el avance del Gobierno socialista de Allende, quien desde que asumió el poder -el 4 de noviembre de 1970- aplicó una serie de políticas de igualdad en beneficio de todos los habitantes del país.
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Quarenta anos depois

“Aprendam a lição... (porque) muito mais cedo do que tarde, se abrirão novamente as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.. Tenho a certeza que meu sacrifício não será em vão.”
Salvador Allende, às 9,30 horas da manhã do dia 11 de setembro de 1973.
O golpe militar, a morte de Salvador Allende e o fim do governo da Unidade Popular, na manhã nublada, fria e melancólica de Santiago do Chile, daquele 11 de setembro de 1973, foi um momento trágico da história política da esquerda latino-americana, e foi também um momento de mudança irreversível do pensamento crítico e progressista do continente.
Nos anos 60, e até o início da década de 70, do século passado, América Latina viveu um momento de intensa criatividade intelectual e política. Foi o período áureo da revolução cubana e de sua influência sobre os movimentos de luta armada do continente, em particular, no Brasil, Uruguai e Argentina, e um pouco mais tarde, na América Central. Foi o tempo do reformismo militar de Velasco Alvarado, no Peru, e de Juan Jose Torres, na Bolívia; da volta do peronismo e da e da vitória de Juan Domingos Peron, na Argentina; da primeira experiência reformista democrata-cristã, na Venezuela, e acima de tudo, do “reformismo cepalino”, de Eduardo Frei, e do “socialismo democrático”, de Salvador Allende, no Chile. Tendo como pano de fundo, como desafio político e intelectual, o “milagre econômico” do regime militar brasileiro. Neste período, Santiago transformou-se no ponto de encontro de intelectuais de todo mundo, e virou o epicentro do que talvez tenha sido o período mais criativo da história políticas e intelectual latino-americana, do século XX. Revolucionários e reformistas, democrata-cristãos, socialistas, comunistas e radicais, tecnocratas e intelectuais, líderes sindicais, sacerdotes, artistas e estudantes discutiam – a todas as horas e em todos os cantos da cidade – sobre a revolução e o socialismo, mas também, sobre o desenvolvimento e subdesenvolvimento, industrialização e reforma agrária, imperialismo e dependência, democracia e reformas sociais, e sobre a própria especificidade histórica do capitalismo latino-americano.
Por que Santiago? Porque o Chile foi o único país do continente onde se tentou – de fato – combinar democracia com socialismo, nacionalizações com capitalismo privado, e desenvolvimentismo com reforma agrária, durante o período da Frente Popular, entre 1938 e 1947, e durante o governo da Unidade Popular, entre 1970 e 1973, mas também, de certa forma, durante o governo democrata-cristão, de Eduardo Frei, entre 1964 e 1970. Na década de 1930, os socialistas e comunistas chilenos formaram uma Frente Popular com o Partido Radical, venceram as eleições presidenciais de 1938, e depois foram reeleitos mais três vezes, antes de serem separados pela intervenção norte-americana, no início da Guerra Fria, em 1947. Os governos da Frente Popular chilena, sob a liderança do Partido Radical, colocaram sua ênfase nos programas de universalização da educação e da saúde publica, mas também na infraestrutura, no planejamento e na proteção do mercado interno e da indústria. Mas foi só em 1970, que o governo da Unidade Popular propôs explicitamente um projeto de “transição democrática para o socialismo”, como estratégia de desenvolvimento e sem destruição da economia capitalista. Antes de Allende, os democrata-cristão “chilenizaram” o cobre, e começaram a reforma agrária, mas o governo da UP acelerou a reforma agrária e radicalizou a nacionalização das empresas estrangeiras produtoras de cobre, e foi além disto, ao propor criar um “núcleo industrial estratégico”, de propriedade estatal, que deveria ser o líder da economia capitalista e o embrião da futura economia socialista. Este foi, aliás, o pomo de discórdia que dividiu a esquerda durante todo o governo da Unidade Popular, chegando até o ponto da ruptura, entre os que queriam limitar as estatizações industriais aos setores estratégicos da economia, e os que queriam estendê-las, até originar um novo “modo de produção”, sobre a hegemonia estatal. Pois bem, este projeto absolutamente original de “transição democrática para o socialismo”, do governo da Unidade Popular foi interrompido pelo golpe militar do general Pinochet, com apoio decisivo dos EUA e do governo militar brasileiro.
Mas como previu Salvador Allende, no seu último discurso, “muito mais cedo do que tarde”, o Partido Socialista voltou ao governo do Chile, em 1989, aliado com os democrata-cristãos. Só que naquele momento, os comunistas chilenos haviam sido dizimados, e os socialistas já haviam aderido ao consenso neoliberal, hegemônico durante a década de 90, e haviam deixado de lado os seus sonhos socialistas. Uma década depois, entretanto, no início do século XXI, a esquerda avançou muito mais e conquistou o governo de quase todos os países da América do Sul. E nesta hora, um grande numero de jovens das décadas de 60 e 70, que escutaram as últimas palavras de Allende, no Palacio de la Moneda, foram chamados a governar. Por todo lado, em vários pontos da América do Sul, a esquerda voltou a discutir sobre o socialismo, o desenvolvimentismo, a igualdade e as novas estratégias de transformação social, para o século XXI. Mas depois de uma década, a esquerda latino-americana se deu conta que a palavra “socialismo’ hoje tem conotações absolutamente diferentes nas Montanhas Andinas, nas Grandes Metrópoles, nos pequenos povoados, ou nos vastos campos ocupados pelo sucesso exportador do agrobusiness; que o “desenvolvimentismo” se transformou num projeto anódino e tecnocrático, desprovido de qualquer horizonte utópico; que defender a “indústria” ou a “re-industrialização”, virou um lugar comum da imprensa, que pode significar qualquer coisa segundo o economista de turno; e o “reformismo social” foi dissolvido num conjunto de políticas e programas desconexos originários do Banco Mundial, mais preocupado com o seu “custo-efetividade” do que com a luta pela igualdade social.
Somando e subtraindo, hoje, exatamente quarenta anos depois da morte de Salvador Allende, o balanço é muito claro e desafiador: a geração de esquerda dos anos 60 e 70 chegou finalmente ao poder, mas já não tem mais do seu lado a força do sonho e da utopia que levou Salvador Allende à resistência, ao silêncio e à morte, naquela manhã violenta e inesquecível do dia 11 de setembro de 1973, na cidade nublada, fria e melancólica de Santiago do Chile.
José Luís Fiori
No Carta Maior
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