8 de set de 2013

Eduardo Campos tenta criar o socialismo de direita

Para viabilizar nome, Campos vai à direita

Governador de PE fecha acordo com os Bornhausen e flerta com DEM; segundo professor, estratégia não é suficiente para torná-lo competitivo
Ao contrário do que aconteceu com o então candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva - que em 2002 se aliou à centro-direita, superou obstáculos e venceu a eleição para a Presidência da República -, só a aliança com esse setor não será suficiente para dar competitividade, na corrida presidencial, ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
A avaliação é do cientista político Fábio Wanderley Reis. "A centro-direita está se aproximando de Campos porque não tem outra perspectiva. Se tivesse, não o apoiaria", disse Reis. "E ainda é uma incógnita a quantidade de votos que poderá transferir para ele."
No mês passado, o deputado Paulo Bornhausen (SC), ex-DEM e ex-PSD, filho do ex-senador Jorge Bornhausen, histórico adversário dos petistas, filiou-se ao PSB e passou a presidir o diretório estadual do partido. Campos abonou a ficha de filiação do parlamentar.
Legenda insignificante até então em Santa Catarina, o PSB espera eleger cinco deputados nas próximas eleições, todos aliados dos Bornhausen, além de dar um reforço expressivo a Eduardo Campos.
DEM
O movimento do DEM na direção de Campos aumentou depois das manifestações de rua de junho. Com elas, a popularidade da presidente Dilma Rousseff despencou 27 pontos porcentuais em três semanas. A queda levou o PT a avaliar que Dilma não mais conseguirá vencer a eleição no primeiro turno e animou a oposição.
Nessa movimentação, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), anunciou que trabalharia para levar o partido a se aliar a Campos. Na quarta-feira, o parlamentar disse que não aguardaria uma posição de seu partido. Anunciou ter tomado a decisão de apoiar a candidatura do governador de Pernambuco. E afirmou que faria um trabalho de formiguinha dentro do partido para conseguir mais adesões ao candidato do PSB.
Adversário histórico de Campos, o ex-governador pernambucano Mendonça Filho (DEM) afirmou que são grandes as possibilidades de seu partido marchar com o presidente do PSB. "O Eduardo Campos está do lado do governo do PT. Mas se ele se candidatar, tomará uma postura de oposição. Não vejo nenhuma dificuldade em trabalhar com ele."
Para Fábio Wanderley Reis, a adesão da centro-direita não garante sucesso para Campos porque a diferença entre ele e Lula é muito grande. "Quando Lula se aliou à centro-direita para conseguir o vice José Alencar (então do PL, hoje PR), já era um candidato conhecido, que tinha disputado três eleições. Campos, pelo contrário, é pouco conhecido", disse. Reis afirmou ainda que não se pode nem dizer que a situação do governador de Pernambuco é tranquila no Nordeste, região ainda dominada pela dupla Lula-Dilma.
Com ajuda ou não, Eduardo Campos tem se movimentado no Sul e no Sudeste depois que a onda de protestos passou. Há uma semana ele esteve no Rio Grande do Sul para encontros políticos e levou sua mensagem a outro partido de centro-direita, o PP, que hoje participa da base da presidente Dilma Rousseff. "O Eduardo Campos tem um discurso moderno, que agrada a todos. Mas as conversações ainda estão no início", disse a senadora Ana Amélia, a maior liderança do PP no Estado.
Enquanto tenta se aproximar dos partidos habitualmente caracterizados como de centro-direita, Campos sofre cobrança dentro de seu próprio partido. O PSB de São Paulo, por exemplo, quer que ele declare até o fim deste mês que é candidato. Isso levaria o PSB a entregar todos os cargos que tem no governo federal.
João Domingos | O Estado de S.Paulo
No SQN
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Os AMX, os Sukhoi e os EUA

Os pilotos da FAB, que majoritariamente prefeririam a compra de jatos russos Sukhoi-35, no lugar de caças norte-americanos F/A 18E (ver comentários em outras matérias sobre defesa nesse blog), devem estar com suas esperanças renovadas, em razão da espionagem direta da NSA (agência nacional de segurança) norte-americana sobre a Presidente Dilma Roussef e outros membros do governo brasileiro. As denúncias praticamente sepultam as chances da Boeing vencer a licitação do Programa F-X2.
O Brasil não foi apenas mais um país entre os muitos espionados pelos EUA, mas o país estrangeiro mais espionado pelos EUA.
Os norte-americanos nos consideram não apenas um adversário potencial, mas - como criador dos BRICS e terceiro credor dos EUA – o seu pior inimigo, a nação mais perigosa do mundo, no contexto geopolítico.
Se os Estados Unidos são capazes, do ponto de vista moral, de espionar até o email dos outros, como o mais vulgar fofoqueiro de escritório ou hacker ladrão de senha de banco e de cartão de crédito, imagine-se o que não fariam com os códigos-fonte dos novos caças brasileiros, e o que não fazem, por meio das empresas (próprias e originárias de outros países da OTAN), que trabalham na indústria de “brasileira” de defesa.
A nova motorização e aviônica dos caças AMX - os primeiros exemplares modernizados foram entregues pela Embraer à FAB essa semana - mostram que, se quisermos, poderemos fabricar aqui mesmo, a partir desse vetor subsônico, aviões intermediários para cuidar da defesa de nossas fronteiras.
Quanto à compra de caças-bombardeios de primeira linha, a aproximação com os russos, com a aquisição dos Sukhoi-35 como fator de dissuasão, nos permitiria entrar de pleno como sócios em bases iguais - com garantia de desenvolvimento e transferência de tecnologia - no Projeto do PAK FA T50, o caça multipropósito de quinta geração que está sendo construído em conjunto por russos e indianos no âmbito dos BRICS.
O PAK-FA está sendo desenvolvido justamente para substituir o Sukhoi SU-35 (sua tecnologia os russos já asseguraram ao Brasil em caso de compra), como o principal caça russo para a primeira metade do século XXI. É um caça-bombardeio polivalente de incrível manobrabilidade (ver vídeo), com um alcance de 5.000 quilômetros, e carga de 10 toneladas de armas.
Enquanto os EUA fazem o que querem com as nossas telecomunicações - criminosamente desnacionalizadas no Governo Fernando Henrique, a ponto de entregar até os BrasilSATs para os mexicanos - a Embraer se aproxima perigosamente da Boeing, em projetos como o do novo transporte militar KC-390, originalmente projetado no Brasil, e concebido inicialmente como um avião regional, sem participação norte-americana.
Considerações de mercado não podem sobrepor-se a interesses estratégicos nacionais, principalmente quando se trata de “sócios” com a credibilidade e caráter de nossos vizinhos do norte.
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Raimundo Pereira no Roda Viva: "Mensalão não existiu!"

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Em petróleo, diferença dos chineses para os americanos não são os olhos puxados

Escrevi sobre isso em maio, mas como a Folha publica hoje que o “Leilão  (do campo de Libra) faz Petrobras buscar acerto com a China”, acho útil voltar ao assunto e explicar porque, com tanta certeza, se antecipou aqui que haveria um acordo entre a estatal brasileira e os chineses, através da Sinopec que, aliás, já tem um acordo de cooperação com a Petrobras desde 2009, firmado quando da viagem de Lula a Pequim.
Qual é, para o Brasil, a vantagem da Petrobras se consorciar com os chineses, em lugar dos americanos ou ingleses? Não dá no mesmo? A sociedade não é igual, inclusive nos riscos sobre a nossa soberania sobre a maior reserva de petróleo entre as descobertas recentemente no mundo?
Não.
Para entender isso, é preciso entender o que cada um quer, quando vem para cá. Todos têm interesses, todos querem vantagens.
Mas, quais?
Para as multinacionais – embora tenha, pelas dimensões um valor especial – Libra é mais um negócio. Mais lucrativo, pela escala, menos lucrativo, pelas condições da concessão. O barril de petróleo de Libra, para eles, vale tanto quanto qualquer outro barril de petróleo extraìdo pelo mundo afora.
Para os chineses, o interesse - embora também participem do mercado de óleo – tem outra natureza: a estratégica.
A China, que tem reservas de petróleo semelhantes às do Brasil (antes do pré-sal) em volume, tem quase o quádruplo de consumo. Suas necessidades de importação são imensas e dependem em mais da metade do Oriente Médio, por mais que tentem diversificar com compras na África, na Venezuela e no Equador (com estes dois últimos, acaba de emprestar US$ 5,2 bilhões para que aumentem suas produções).
Ora, qualquer leitor de jornal sabe que o Oriente Médio., além de instável, é área sob o controle geopolítico norte-americano. E que, se os EUA não hesitam em usar armas por aquele petróleo, menos ainda hesitarão, se necessário, em usar aquele petróleo como arma.
Por isso, ter acordos de fornecimento seguro, hoje e no futuro, com sistemas de preços médios que previnam picos e que garantam seus planos de suprimento energético – para a indústria e para o crescente consumo em eletricidade e combustìvel automotor – é muito mais importante para os chineses que o mercado do dia a dia do petróleo.
E nós, o que temos a ver com isso?
Temos é que os chineses estão dispostos a pagar por essa segurança de fornecimento.
Muito mais que participar dos lucros econômicos com o petróleo de Libra, lhes interessa ter a garantia de poder comprá-lo. Seu primeiro objetivo é assegurar o seu abastecimento, não os ganhos de capital.
O aporte de capital que se dispõem a fazer, de bom grado aceitam amortizar em compras futuras. Ou seja, colocar dinheiro para extrair petróleo em troca de comprar petróleo, claro que com cláusulas que assegurem preços medianamente estáveis.
Ainda assim, o negócio não terá as características descritas pela Folha. Os chineses não terão – e nem querem ter – controle sobre o consórcio vencedor, e é por isso que haverá, provavelmente, a entrada da estatal norueguesa Statoil no grupo, para criar um sistema de freios e contrapesos.
Em qualquer condição, a brasileira será a empresa-líder do consórcio, com algo na faixa de 40 a 60% do seu capital, embora com parcela menor no desembolso da fatia do bônus que a ele couber e no fluxo de investimentos pré-produção – de cinco a oito anos para se dar em escala significativa.
No bolo total, contando com os 30% que, pela lei, serão obrigatoriamente seus, a Petrobras deverá ter perto de dois terços do controle de Libra (30% mais metade dos outros 70%, 35%, o que perfaz 65%).
Esse é o lance que as multinacionais terão de cobrir para superar os chineses e, de qualquer forma, sem ter o controle operacional do campo.
Mas precisamos de estrangeiros para que, se a Petrobras não apenas possui a tecnologia para explorar o pré-sal como é a lider mundial nestes conhecimentos?
Precisamos não por isso, mas porque a exploração do campo de Libra, durante os 35 anos de concessão por partilha, vai exigir entre 70 e 110 bihões de dólares, dois terços deles na primeira década de implantação e desenvolvimento. Dificilmente conseguiríamos reunir sozinhos tudo isso rapidamente, e isso atrasaria a apropriação, pelo país, de um imenso valor em óleo. E isso pode ocorrer sem que tenhamos de entregar nosso controle sobre o petróleo e a maior parte dos lucros com sua comercialização.
O script do leilão de Libra está cuidadosamente desenhado pela Petrobras, a quem os 30% “natos” deram um imenso poder de barganha. Por isso, que ninguém se supreeenda se alguma multinacional vier pegar uma pequena fatia de um consórcio pluriestatal liderado pela Petrobras.
Cinco por cento, quando se trata de algo em torno de 10 bilhões de barris de petróleo, é algo capaz de arregalar os olhos de qualquer um.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Arthur Chioro: “Que os médicos fiquem como funcionários”

Arthur Chioro, secretário da Saúde de São Bernardo Campo e presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems-SP)
A prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, pleiteou 33 médicos ao programa Mais Médicos, lançado pelo governo federal em julho.
Por enquanto estão previstos quatro nesta fase inicial. A primeira profissional, Kátia Regina Marquinis, 39 anos, já começou a trabalhar. Com residência em cardiologia e oftalmologia, ela vai atuar como médica generalista em uma das equipes de Saúde da Família na Unidade Básica de Saúde (UBS) Batistini.
A partir do dia 16, devem chegar os outros dois médicos que estão fazendo curso de capacitação. Um mexicano de Guadalaraja e uma brasileira formada na Espanha.
“Para nós, pelo menos, começou tudo bem”, diz, animado Arthur Chioro, secretário da Saúde de SBC. “A nossa primeira médica foi recebida com festa pela comunidade.”
Não é o que está acontecendo em muitos municípios. Há médicos brasileiros selecionados desistindo de tomar posse. Seria um boicote?
“Há municípios em que os médicos deram início na terça, na quarta. E eles têm até este domingo, dia 8, para iniciar as atividades. A partir daí, serão considerados desistentes. Como as unidades básicas de saúde não funcionam aos sábados e domingos, o dia D será segunda-feira”, avalia Chioro. “Mas os dados estão dentro das expectativas, não há nada de anormal.”
Chioro é presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems/SP).
“Boicote? Pode também estar havendo algum, mas ainda não dá para fechar o diagnóstico ”, observa. “Num país que tem emprego pleno na área médica, não é estranho que as pessoas desistam. Quem tem o diploma validado está recebendo a toda hora ofertas de trabalho, porque está todo mundo contratando não só na área pública, no setor privado também.”
Chioro está à frente da Secretaria da Saúde de São Bernardo desde 2009. Ele pegou a cidade com apenas oito equipes de Saúde da Família. Hoje tem 100. Mas a cidade planeja chegar a 150 equipes. Em cada uma há um médico. Ao todo, trabalhando na rede municipal de São Bernardo, há cerca de 1.360 médicos.
“Eu não tenho nenhuma dificuldade para colocar médico no centro da cidade ou nas unidades básicas de saúde que ficam à beira da Anchieta e Imigrantes”, expõe Chioro. “Agora, mais na periferia, onde a falta de médicos cruza com a pobreza, como na Vila São Pedro, no Bairro Santa Cruz, que fica depois da represa Billings e só se chega lá de balsa, eu não consigo. Tanto que os três primeiros profissionais já designados, estou colocando nos locais mais complicados.”
Os médicos que estão indo trabalhar em São Bernardo mediante o programa Mais Médicos receberão R$ 10 mil (pagos pelo Ministério da Saúde), auxílio moradia e alimentação (a cargo das prefeituras).
“Os que vierem para cá não vão se arrepender”, garante Chioro. “Eles vão trabalhar em unidades com excelente infraestrutura e bem equipadas e nós vamos fazer o melhor, para que depois fiquem como nossos funcionários.”
A expectativa é que os estrangeiros e os brasileiros formados no exterior façam a revalidação e depois continuem trabalhando em São Bernardo, aí como funcionários, mesmo, e não como bolsistas.
“Emergencialmente, é admissível que venham como bolsistas”, diz Chioro. “Agora, se quisermos efetivamente fortalecer o sistema público de saúde, será preciso formar médicos em número adequados às necessidades do SUS e criar rapidamente o plano de carreira no SUS para os profissionais de saúde e não apenas para os médicos.”
Em São Bernardo do Campo, diferentemente do que ocorre na maioria dos municípios brasileiros, os médicos são contratados pela CLT, têm direito a Fundo de Garantia, vale alimentação. O salário é de R$ 14.600,00 para 40 horas semanais para o médico de família.
Conceição Lemes
No Viomundo
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Mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos

A roupa branca no varal era o único indício da religião da filha de santo, que, até 2010, morava no Morro do Amor, no Complexo do Lins. Iniciada no candomblé em 2005, ela logo soube que deveria esconder sua fé: os traficantes da favela, frequentadores de igrejas evangélicas, não toleravam a “macumba”. Terreiros, roupas brancas e adereços que denunciassem a crença já haviam sido proibidos, há pelo menos cinco anos, em todo o morro. Por isso, ela saía da favela rumo a seu terreiro, na Zona Oeste, sempre com roupas comuns. O vestido branco ia na bolsa. Um dia, por descuido, deixou a “roupa de santo” no varal. Na semana seguinte, saía da favela, expulsa pelos bandidos, para não mais voltar.
— Não dava mais para suportar as ameaças. Lá, ser do candomblé é proibido. Não existem mais terreiros e quem pratica a religião, o faz de modo clandestino — conta a filha de santo, que se mudou para a Zona Oeste.
A situação da mulher não é um ponto fora da curva: já há registros na Associação de Proteção dos Amigos e Adeptos do Culto Afro Brasileiro e Espírita de pelo menos 40 pais e mães de santo expulsos de favelas da Zona Norte pelo tráfico. Em alguns locais, como no Lins e na Serrinha, em Madureira, além do fechamento dos terreiros também foi determinada a proibição do uso de colares afro e roupas brancas. De acordo com quatro pais de santo ouvidos pelo EXTRA, que passaram pela situação, o motivo das expulsões é o mesmo: a conversão dos chefes do tráfico a denominações evangélicas.
Atabaques proibidos na Pavuna
A intolerância religiosa não é exclusividade de uma facção criminosa. Distante 13km do Lins e ocupada por um grupo rival, o Parque Colúmbia, na Pavuna, convive com a mesma realidade: a expulsão dos terreiros, acompanhados de perto pelo crescimento de igrejas evangélicas. Desinformada sobre as “regras locais”, uma mãe de santo tentou fundar, ali, seu terreiro. Logo, recebeu a visita do presidente da associação de moradores que a alertou: atabaques e despachos eram proibidos ali.
—Tive que sair fugida, porque tentei permanecer, só com consultas. Eles não gostaram — afirma.
A situação já é do conhecimento de pelo menos um órgão do governo: o Conselho Estadual de Direitos do Negro (Cedine), empossado pelo próprio governador. O presidente do órgão, Roberto dos Santos, admite que já foram encaminhadas denúncias ao Cedine:
— Já temos informações desse tipo. Mas a intolerância armada só pode ser vencida com a chegada do estado a esses locais, com as UPPs.
O deputado estadual Átila Nunes (PSL) fez um pedido formal, na última sexta-feira, para que a Secretaria de Segurança investigue os casos.
— Não se trata de disputa religiosa mas, sim, econômica. Líderes evangélicos não querem perder parte de seus rebanhos para outras religiões, e fazem a cabeça dos bandidos — afirma.
Nas favelas, os ‘guerreiros de Deus’
Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, chefe do tráfico no Morro do Dendê, ostenta, no antebraço direito, a tatuagem com o nome de Jesus Cristo. Pela casa, Bíblias por todos os lados. Já em seus domínios, reina o preconceito: enquanto os muros da favela foram preenchidos por dizeres bíblicos, os dez terreiros que funcionavam no local deixaram de existir.
Guarabu passou a frequentar a Assembleia de Deus Ministério Monte Sinai em 2006 e se converteu. A partir daí, quem andasse de branco pela favela era “convidado a sair”. Os pais de santo que ainda vivem no local não praticam mais a religião.
A situação se repete na Serrinha, ocupada pela mesma facção. No último dia 22, bandidos passaram a madrugada cobrindo imagens de santos nos muros da favela. Sobre a tinta fresca, agora lê-se: “Só Jesus salva”.
O babalaô Ivanir dos Santos, representante da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), criada justamente após casos de intolerância contra religiões afro-brasileiras em 2006, afirma que os casos serão discutido pelo grupo, que vai pressionar o governo e o Ministério Público para que a segurança do locais seja garantida e os responsáveis pelo ato sejam punidos. “Essas pessoas são criminosas e devem ser punidas. Cercear a fé é crime”, diz o pai de santo.
Lei mais severa
Desde novembro de 2008, a Polícia Civil considera como crimes inafiançáveis invasões a templos e agressões a religiosos de qualquer credo a Lei Caó. A partir de então, passou a vigorar no sistema das delegacias do estado a Lei 7.716/89, que determina que crimes de intolerância religiosa passem a ser respondidos em Varas Criminais e não mais nos Juizados Especiais. Atualmente, o crime não prescreve e a pena vai de um a três anos de detenção.
Filha de santo, que foi expulsa do Lins: ‘Não suportava mais fingir ser o que não era’.
— Me iniciei no candomblé em 2005. A partir de minha iniciação, comecei a ter problemas com os traficantes do Complexo do Lins. Quando cheguei à favela de cabeça raspada, por conta da iniciação, eles viravam o rosto quando eu passava. Com o tempo, as demostrações de intolerância aumentaram. Quando saía da favela vestida de branco, para ir ao terreiro que frequento, eles reclamavam. Um dia, um deles veio até a minha casa e disse que eu estava proibida de circular pela favela com aquelas “roupas do demônio”. As ameaças chegaram ao ponto de proibirem que eu pendurasse as roupas brancas no varal. Se eu desrespeitasse, seria expulsa de lá. No fim de 2010, dei um basta nisso. Não suportava mais fingir ser o que eu não era e saí de lá.
Mãe de santo há 30 anos, expulsa da Pavuna: ‘Disseram que quem mandava ali era o ‘Exército de Jesus”.
— Comprei, em 2009, um terreno no Parque Colúmbia, na Pavuna. No local,. não havia nada. Mas eu queria fundar um terreiro ali e comecei a construir. No início, só fazia consulta, jogava búzios e recebia pessoas. Não fazia festas nem sessões. Não andava de branco pelas ruas nem tocava atabaque, para não chamar a atenção. Um dia, o presidente da associação de moradores foi até o local e disse que o tráfico havia ordenado que eu parasse com a “macumba”. Ali, quem mandava na época era a facção de Acari. Já era mais de santo há 30 anos e não acreditei naquilo. Fui até a boca de fumo tentar argumentar. Dei de cara com vários bandidos com fuzis, que disseram que ali quem mandava era o “Exército de Jesus”. Disse que tinha acabado de comprar o terreno e que não iria incomodar ninguém. Dias depois, cheguei ao terreiro e vi uma placa escrito “Vende-se” na porta — eles tomaram o terreno e o puseram a venda. Não podia fazer nada. Vendi o terreno o mais rapidamente possível por R$ 2 mil e fui arrumar outro lugar.
No Extra
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EUA e Reino Unido ‘derrotaram’ criptografia na internet

Agência Nacional de Segurança Nacional (NSA) e sua correlata britânica, o GCHQ, decifraram uma grande parte dos códigos criptografados na internet que protegem a privacidade de e-mails, registros bancários e médicos de centenas de milhões de pessoas. As agências celebraram o feito em tom triunfalista assinalando em suas mensagens que “derrotaram a segurança e privacidade da rede”.
Londres – Com a visita oficial da presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos por um fio, com as queixas de Brasil e México a Barack Obama na cúpula do G20 e com o pano de fundo de uma investigação do Parlamento Europeu, o jornal The Guardian voltou a colocar o dedo na ferida publicando novas revelações sobre as agências de espionagem eletrônica dos Estados Unidos e Reino Unido. Segundo o matutino britânico, a Agência Nacional de Segurança Nacional (NSA) e sua correlata britânica, o GCHQ, decifraram uma grande parte dos códigos criptografados na internet que protegem a privacidade de e-mails, registros bancários e médicos de centenas de milhões de pessoas. As agências celebraram o feito em tom triunfalista assinalando em suas mensagens que “derrotaram a segurança e privacidade da rede”.
Os documentos entregues ao The Guardian pelo ex-analista de inteligência da CIA, Edward Snowden, revelam que um programa criado há dez anos pela NSA conseguiu em 2010 a decodificação de material criptografado que tornou uma vasta quantidade de dados acessíveis e manuseáveis. O nome do programa é Bullrun em homenagem a uma famosa batalha da guerra civil dos Estados Unidos, enquanto que o programa britânico do GCHQ é Edgehill, primeira batalha da guerra civil inglesa do século 17. Se cabem o simbolismo e a interpretação, poderia se dizer que para ambas as agências a espionagem eletrônica é uma questão bélica e a guerra contra o processo de criptografia é uma espécie de “mãe de todas as batalhas”.
A NSA está gastando cerca de 250 milhões de dólares anuais em outro programa que permite trabalhar com as grandes empresas tecnológicas para obter “uma influência oculta” sobre o desenho de seus produtos com a construção de “portas traseiras” no software para obter acesso á informação antes que seja criptografada e enviada pela internet. Este programa é dez vezes mais caro que o Prisma, revelado também por Snowden e pelo The Guardian em junho deste ano, que permite à agência estadunidense acessar milhões de e-mails e chats ao vivo.
Desde 2011, os Estados Unidos gastaram 800 milhões de dólares nesta colaboração com as empresas tecnológicas. O nome das empresas que trabalham em parceria com a NSA é considerado “top secret” nos documentos estadunidenses, mas nos britânicos se revela que, desde 2010, o GCHQ vem desenvolvendo métodos de ingresso no Hotmail, Google, Yahoo e Facebook.
Essa série de revelações do The Guardian causou uma interminável tormenta política. Em uma entrevista concedida em São Petersburgo, Rússia, no marco da cúpula do G20, Dilma Rousseff comentou que o presidente Barack Obama “assumiu responsabilidade direta e pessoal pela investigação das denúncias de espionagem” e se comprometeu “a responder ao governo brasileiro até quarta-feira o que ocorreu”. No último domingo, Glenn Greenwald, o jornalista do Guardian que revelou as informações vazadas por Edward Snowden, indicou que houve espionagem eletrônica da NSA contra Dilma e o presidente mexicano Enrique Peña Nieto, que também espera explicações de Obama.
Enquanto isso, o parlamento europeu iniciou quinta-feira sua investigação sobre a espionagem da NSA a cidadãos europeus e aos governos e instituições da União Europeia. Na quinta, os parlamentares receberam um pedido por vídeo conferência do editor-chefe do Guardian, Alan Rusbridger, para que a liberdade de imprensa seja protegida. “O jornalismo está profundamente ameaçado pela vigilância massiva”, assinalou Rusbridger.
Marcelo Justo, de Londres
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
No Carta Maior
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Criador do PNBL afirma que Bernardo acabou com programa

Rogério Santanna diz que desde sua demissão Telebras passou a atuar como uma auxiliar das teles, que têm respaldo do governo na decisão de não fazer nada
Santana, em foto de 2010, quando assumiu a Telebras com
objetivo de tocar o PNBL, foi dispensado no ano seguinte
Antonio Cruz/ABr
São Paulo – Um dos mentores do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) no final do governo Lula, Rogério Santanna não aceita a ideia de que o projeto esteja enfraquecido: "O PNBL acabou", decreta, acusando o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, de entregar a iniciativa nas mãos das teles.
Após discutir a formulação do programa como secretário de Logística e Tecnologia do Ministério do Planejamento, Santanna foi alçado em maio de 2010 à presidência da Telebras, estatal que passou por um processo de (quase) fortalecimento para dar conta do propósito ao qual estava destinada no PNBL: levar a banda larga onde o mercado não tivesse interesse, inclusive concorrendo no fornecimento direto ao consumidor.
Mas, já com Bernardo no comando das Comunicações, e Dilma, no do Planalto, a demissão de Santanna, em maio de 2011, enviou um recado: "Sinalizou para todo mundo, operadoras e sociedade, que o programa tal qual foi concebido no governo do presidente Lula não seria executado."
Dali por diante, a decisão foi de que a Telebras não concorreria mais diretamente, e seria, pelo contrário, uma parceira das teles na tarefa de construir estrutura. A solução apresentada por Bernardo foi de que as empresas apresentassem um pacote com custo de R$ 35 a uma velocidade de um megabyte.
Passados dois anos, a reportagem da RBA tentou assinar a internet do PNBL através das operadoras e não conseguiu. Entre os problemas, apresentação de critérios diferentes dos propostos pelo Ministério das Comunicações, como o de ser beneficiário do Bolsa Família para acessar o serviço, desconhecimento da existência do programa e oferecimento dos chamados "combos". Além disso, em muitas cidades informadas como beneficiadas pelo programa não é possível adquirir o pacote, pois as empresas, e a própria Telebras, desmentem a lista do ministério, afirmando que ainda não há PNBL nestes locais.
Como o senhor avalia essa situação a que o programa chegou, em que as pessoas sequer conseguem contratar o serviço?
Não existe esse serviço prestado. Você vai ter que se esforçar muito para achar alguém que conseguiu comprar. As operadoras escondem isso no seu site. Só procurando muito para encontrar. Porque isso concorre com os programas que eles vendem. Além disso, eles criaram uma oferta extremamente raquítica, com limitações de acesso, que se você acessar a página da operadora praticamente acaba com a sua franquia.
Elas conseguiram piorar tanto o serviço que a pior oferta da operadora já é melhor. Assim não adianta o sujeito comprar uma banda larga pelo PNBL. É mais ou menos assim: aumentou o tamanho da torneira e trocou a caixa d'água por um balde. Quer dizer, não adiantou nada. Na primeira consulta você já consumiu a franquia e vai ter que pagar mais ou usar um serviço mais lento.
Então o PNBL ficou somente no papel?
Não, o PNBL acabou. Você pode perceber também que a candidata Dilma, que depois se elege presidenta, na campanha dela em nenhum momento ela se comprometeu com a democratização da banda larga. Ela se comprometeu com banda larga nas escolas, mas na fala dela não aparece o programa. É só olhar o programa eleitoral dela para perceber que é uma ausência, talvez premeditada, de não querer se comprometer publicamente porque não ia fazer. Como não está mesmo fazendo.
E colocou o ministro Paulo Bernardo para prestar esse serviço para as operadoras que desde o inicio, quando assumiu, no fim do governo do presidente Lula e fim do governo da presidente Dilma, declarou-se o ministro das Teles, pelo Twitter. E está indo muito bem no papel.
A que o senhor atribui esse desmonte do programa?
Acho que a minha saída na direção da Telebras sinalizou para todo mundo, operadoras e sociedade, que o programa tal qual foi concebido no governo do presidente Lula não seria executado. Veja o seguinte: o programa proposto pelo presidente Lula estava muito longe de ser um programa sequer socialista. Era um programa para levar o capitalismo onde não há.
Houve uma inflexão muito grande do atual governo da presidenta Dilma em direção a um programa mais próximo dos interesses das empresas de telecomunicação. Isto é, não fazer nada. A gente está vendo que a opção de fazer a banda larga com as operadoras, como já era sabido, não funciona. E isso não é a primeira vez que acontece. Já aconteceu com programas anteriores, como o Computador para Todos, que pretendia ampliar a aquisição de PCs e o acesso à internet. Este também ninguém nunca conseguiu contratar.
O PNBL tornou-se um grande monopólio privado que tem um péssimo nível de serviço. Este é exatamente o interesse das operadoras: trazer o modelo da telefonia para a internet, que é uma coisa em que eles vêm trabalhando muito. Esse é o derradeiro esforço. Acho que uma das coisas que demonstra a mudança completa de direção do governo é o Marco Civil da Internet. Ele foi construído pelo governo. Fez consulta pública. Construiu uma lei de forma exemplar no governo do presidente Lula e, depois, empacou.
O Ministério das Comunicações divulga o programa como um sucesso. Porém ao ser questionado sobre os problemas encontrados, informa que fiscalização é competência da Anatel.
A Anatel, infelizmente, é uma agência capturada pelos interesses das operadoras. Em qualquer agência séria se trabalha para apoiar as reivindicações dos cidadãos. E os projetos são plenamente transparentes. O que vemos aqui no Brasil é exatamente o inverso. Se percebe que a agência está sempre protegendo os interesses dos regulados, e não do cidadão. É uma situação absurda de captura que é inaceitável. Já o ministério não tem estrutura de fiscalização. Ficou no limbo.
Tem uma regrinha básica de agências de regulação que diz o seguinte: toda agência reguladora que não for odiada por seus regulados não merece existir. Então o que nós estamos vendo aqui é uma leniência e uma convivência da agência com todos os interesses das operadoras. Ao ponto de as operadoras, em público, reivindicarem que a agência passe a regular a internet no Brasil, já que ela lhes serve muito bem.
A Telebras não poderia atuar onde o mercado não quer?
Hoje a Telebras é uma via auxiliar dos interesses das operadoras. Pode-se ver claramente o esforço de ligar os estádios da Copa das Confederações à tecnologia 4G — que é mais eficiente na transmissão de dados e tem maior velocidade. Isso era uma atribuição exclusiva da Oi, que era quem tinha um contrato com a Fifa.
Quem teve que fazer isso e arcar com os investimentos, cujo retorno é difícil de ser mensurado, foi ninguém mais que a Telebras. A estatal teve que atuar fora da sua definição para ficar compatível com os interesses da Oi. Não tinha nenhum motivo para a Telebras fazer esse investimento.
Mas o grande problema é que o governo não tem mais interesse. É muito importante perceber o seguinte: Orçamento. Quer saber o planejamento estratégico do governo? É só olhar o orçamento. Onde está colocado o dinheiro e onde ele foi executado. É o que é importante para o governo. E lá não está a banda larga. Podemos observar cada dia um orçamento mais minguado e a baixa execução dada a ele.
Rodrigo Gomes
No RBA
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Propinão tucano pode superar R$ 1 bilhão

Segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado, este foi o valor operado pelas empresas Siemens e Alston Amparado em levantamento feito por técnicos da Assembleia Legislativa paulista junto ao Tribunal de Contas do Estado, o líder do PT Luiz Claudio Marcolino diz que na cabeça do todo o esquema de fornecimento e manutenção operado nas empresas paulistas estão a Siemens e a Alstom. “Pelos documentos que recebemos a propina e o superfaturamento variam de 8% a 30%. Era para subornar autoridades e, com isso, comprar licitações e prolongar contratos”, afirma.
Os negócios capitaneados, segundo afirma, pelo consórcio Siemens/Alstom, com participação de outras multinacionais (entre elas as espanholas CAF e Temoinsa, a canadense Bombardier, a sueco-suíça ABB e a japonesa Mitsui) com o governo paulista nas gestões de Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB), Mário Covas (PSDB), José Serra (PSDB) e Geraldo Alckmin (PSDB) envolveram quase R$ 40 bilhões em valores atuais. Nas contas de Marcolino, o suposto esquema de propina teria movimentado entre R$ 320 milhões a R$ 1,2 bilhão.
O PT quer abrir duas CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito), uma em São Paulo e a outra, mista, no Congresso. O líder do PT diz que abancada encaminhou em 2008 denúncias sobre o esquema. Uma das representações, com fartura de informações, focava especificamente as atividades do empresário José Amaro Pinto Ramos. No roteiro da investigação estão personagens ligados aos tucanos: Jorge Fegali Neto, ex-secretário estadual de Transporte em cuja conta o Ministério Público da Suíça encontrou e bloqueou R$ 7,5 milhões; Robson Marinho, ex-chefe de Casa Civil; Luiz Carlos Frayze David, ex-presidente do Metrô e atual conselheiro da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa); Benedito Dantas Chiarardia, ex-diretor da Dersa; José Luiz Alqueres, ex-presidente da Alstom e da Light; José Sidnei Colombo Martini, diretor da Alstom e da francesa Cegelec em 1999 e depois da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP); e Claudio de Senna Frederico, ex-secretário de Transporte.
A lista do PT inclui ainda o atual presidente da CPTM, Mário Manuel Seabra Rodrigues Bandeira; o diretor de manutenção da companhia, José Luiz Lavorente; e o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernando Ribeiro Fernandes. Em números redondos e corrigidos até junho deste ano, os 618 contratos sob investigação totalizam R$ 39.968.165.575,45.
Esse montante está dividido por período de governo, entre 1990 e 2013, com os respectivos valores desembolsados pelo governo.
No governo Fleury (1990-1994) foram 95 contratos, num total de R$ 3.380.711.014,16;
No primeiro governo de Mário Covas (1995-1998), 114 contratos, num total de R$ 3.350.163.179,84; segundo governo Covas (1999-2000), 28 contratos de R$ 1.709.815.512,98;
No primeiro governo de Geraldo Alckmin, 223 contratos, num total de R$ 8.258.324,747,75;
No governo de José Serra, 110 contratos, num total de R$ 5.471.546.386,28;
No atual governo de Alckmin, que começou em 2011, são 48 contratos num total de R$ 5.566.439.362,67.
Foram listadas no levantamento 20 empresas para as quais o consórcio executou serviços de construção ou manutenção. Os gastos mais relevantes foram feitos no Metrô, que firmou 77 contratos no valor total de R$ 18.334.839.189,98 e a CPTM, com 101 contratos e gastos de R$ 14.524.498.310,39.
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Justiça do Rio proíbe governadores mascarados

Fofão está proibido de andar pela Rio Branco
THEATRO MUNICIPAL - Para evitar atos de vandalismo na administração pública, a Justiça carioca proibiu políticos estaduais e municipais de usarem máscaras no rosto e guardanapos na cabeça. "É uma medida preventiva para que os responsáveis por barbaridades como a privatização do Maracanã e a peruca de Eike Batista possam ser identificados e punidos", explicou Adoniram Petrônio Bulhões da Costa & Silva, advogado da OAB.
Em paralelo, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que punirá civil e criminalmente os transeuntes que circulem pela cidade usando barba, óculos escuros estilo mosca ou capuz. "Também avaliaremos casos de pessoas que cobrem o rosto quando bocejam", completou o promotor Décio Alonso Gomes.
Em sessão extraordinária da CPI dos ônibus, o vereador Domingos Brazão subiu no plenário da Alerj para cantar uma versão contemporânea de Máscara Negra, grande sucesso de Zé Keti. "Quanto riso / Quanta alegria / Mais de mil palhaços no salão / Eliomar está chorando / Pelo fim da CPI / No meio da multidão".
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Os fantasmas

Armas químicas são produtos do engenho humano, como qualquer outra arma. São mais repugnantes porque associamos química à vida e não à morte, apesar de todos os venenos que ela produz. Mas o universo moralmente neutro e sem remorsos em que elas são desenvolvidas e usadas é o mesmo.
Mikhail Kalashnikov criou o mais usado fuzil automático do mundo, o AK-14. Não sei se já morreu, mas vivia uma aposentadoria tranquila nos Urais, cercado pelas filhas. Fora a surdez, resultado dos anos testando armas, não ficou com nenhuma sequela do seu trabalho. Certamente nenhum remorso. Orgulhava-se do que tinha feito pela pátria.
A simplicidade e a eficiência do AK-14 foram responsáveis pela sua adoção universal depois do aparecimento do primeiro protótipo, e ele chegou a ser o produto mais exportado da União Soviética. Se foi usado em guerras sujas, massacres e assassinatos em todo o mundo, inclusive na Rússia, isso não era da conta de Mikhail, que só fez o seu trabalho. Nenhum fantasma shakesperiano perturbou o seu sono nos Urais, como os fantasmas que visitaram Ricardo III antes da sua batalha final para lhe dizer “Desespere e morra”.
J.Robert Oppenheimer foi visitado por milhares de fantasmas. Depois do triunfo do programa do qual ele era o diretor científico, com as explosões atômicas bem sucedidas em Hiroshima e Nagasaki, ele festejou alegremente com sua equipe. Depois teve uma crise de consciência e uma transformação.
Ele e a equipe não tinham apenas feito seu trabalho e criado uma arma eficientíssima, com brilhantismo. Tinham dado à luz um monstro inédito no mundo e provocado a mais radical intervenção da ciência na vida humana desde que esta existia. Isto e os mortos assombraram o resto da vida de Oppenheimer. Ele se opôs à construção da bomba de hidrogênio e foi considerado um pouco penitente e filosófico demais para continuar à frente do programa nuclear americano, sendo substituído pelo mais pragmático Edward Teller. “Let me sit heavy in thy soul”, que eu pese na sua alma, diziam os fantasmas vingativos de Ricardo. O maior feito da ciência na História pesou na alma de Oppenheimer até o fim.
Sarah Winchester conseguiu driblar os fantasmas. Ela era a viúva de William Winchester, filho do fabricante do fuzil Winchester, “o rifle que conquistou o Oeste”. Além de usado para eliminar coiotes, índios e outros entraves à ocupação do Oeste bravio, o Winchester – uma arma tão revolucionária, na sua época, quanto a máquina de matar de Kalashnikov – chegou ao mercado pouco antes de começar a Guerra da Secessão americana, que fez a fortuna da família.
Sarah e William tiveram uma filha, Annie, que morreu ainda bebê, começando o que Sarah identificou como uma danação sobre a sua família. Pouco depois, William também morreu, de tuberculose, confirmando para Sarah que o nome Winchester vinha carregado de pragas e maus presságios. Aconselhada por uma amiga, procurou uma médium que lhe disse que os espíritos de todos os mortos pelos rifles Winchester eram os culpados pela maldição. Eles tinham levado sua filhinha e seu marido como retribuição, e a única maneira de Sarah fugir dos espíritos seria comprar uma casa e aumentá-la continuamente.
Construir novas peças, puxados, andares, anexos, terraços, alas – sem parar. No dia em que parasse a construção, segundo a médium, Sarah também morreria. Os espíritos chegariam a ela e também a levariam. Sarah comprou uma casa em San Jose, na Califórnia, e pôs-se a aumentá-la. As obras duraram, sem interrupção, até o dia da sua morte e a casa – que ainda existe, e hoje é uma atração turística em San Jose – chegou a ter sete andares, antes de ser parcialmente demolida por um terremoto, que Sarah atribuiu aos espíritos enraivecidos.
Sarah era sua própria arquiteta. Construiu corredores que levam a lugar nenhum, escadas para o nada, portas que dão no espaço e dezenas de quartos. Dormia num quarto diferente à cada noite, para enganar os espíritos. Pode-se imaginar uma horda variada de fantasmas abatidos pelo Winchester – soldados, bandidos, índios, mexicanos, tantos quanto os fantasmas de Hiroshima e Nagasaki – perdida no casarão atrás de Sarah, que conseguiu ludibriá-los até os 85 anos, quando morreu.
Luís Fernando Veríssimo
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O mico do Globo em 1964

O Globo descobrira que uma respeitada (e independente, pelo visto) enciclopédia norte-americana inserira o verbete O Globo ao lado dos seguintes dizeres: jornal conservador, subsidiado pelos Estados Unidos.
Roberto Marinho se enfureceu com a revelação da verdade…
Matéria publicada na primeira página da edição do dia 19 de março de 1964, véspera da grande Marcha pela Família, realizada em São Paulo
Miguel do Rosário
No Tijolaço
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“Globo admitiu erro; Folha nunca fez algo parecido”

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Avaliação é da ombudsman da Folha de S.Paulo, Suzana Singer; na coluna deste domingo, ela elogia a atitude das Organizações Globo, que "surpreenderam" ao publicar um editorial pelo qual reconhecem que apoiar o golpe militar de 1964 foi um erro; "É a primeira vez que se vê tamanho ato de contrição na imprensa brasileira", diz; já o veículo da família Frias "nunca fez algo parecido"
A ombudsman da Folha de S.Paulo, Suzana Singer, faz uma dura crítica, em sua coluna deste domingo 8, ao fato de o jornal nunca ter feito algo parecido com o que fez a Globo, ao admitir que errou ao apoiar a ditadura. Na avaliação da jornalista, as Organizações Globo "surpreenderam" ao publicar um editorial – na internet e na TV – afirmando que "à luz da história, (...) não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original".
Ela elogia a atitude da empresa de comunicação, que não praticou uma "reação esperada" diante das manifestações de rua que gritavam: "A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura!". O mais comum de um grande órgão de imprensa, nesse caso, seria, segundo ela, ignorar a provocação, desmenti-la ou tentar justificar-se. "É a primeira vez que se vê tamanho ato de contrição na imprensa brasileira. Trata-se do principal conglomerado de mídia assumindo um erro editorial - não de informação - sobre um momento decisivo da história recente do país", avalia.
"A Folha", continua Suzana Singer, "o jornal mais aberto a críticas e o único, entre os grandes, que mantém um ombudsman, nunca fez algo parecido". Ao tentar se justificar pelo termo "ditabranda", em 2009, o jornal "publicou apenas uma nota em que dizia que o uso da expressão em editorial tinha sido um erro". Mas, na opinião da ombudsman, o posicionamento do veículo da família Frias – cujo título era "Folha avalia que errou, mas reitera críticas" – mostrava que o jornal estava "fazendo a correção meio a contragosto". Sobre o editorial da Globo, "é um primeiro passo no longo caminho para a transparência", afirma.
Recentemente, (o estúdio da TV Globo em São Paulo foi invadido por laser), o prédio da emissora foi alvo de protestos no Rio, onde o movimento Levante Popular da Juventude jogou esterco nas paredes da empresa, e neste 7 de setembro, em Brasília, onde o prédio foi depredado. Na sexta-feira, o grupo hacker Anonymous invadiu a conta do jornal O Globo no Twitter em defesa da mídia democrática. Os ativistas cobraram "a democratização da mídia que participou do golpe de 64 e apoiou a ditadura".
Leia a análise do 247 Apoio da Globo em 64 foi comércio, não ideologia. E abaixo, a íntegra da coluna de Suzana Singer:

Fantasmas do passado

Em autocrítica inédita na imprensa, "O Globo" admite que foi um erro ter apoiado o golpe de 64
Diante dos gritos "A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura!", que se ouvem nos protestos de rua, a reação esperada de um grande órgão de imprensa seria: 1) ignorar a provocação; 2) desmenti-la; 3) tentar justificar-se.
No domingo passado, as Organizações Globo surpreenderam ao não fazerem nada disso. O jornal "O Globo" publicou um editorial no qual reconhece que o apoio dado ao golpe militar de 1964 foi um erro.
"De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura", admite o jornal. O editorial cita o contexto da época -Guerra Fria, radicalização do governo João Goulart e a promessa dos militares de que seria uma "intervenção passageira" - para justificar o apoio dado ao golpe, chamado por muito tempo de "revolução".
O "Globo" fez questão de sublinhar que, ao concordar com a intervenção militar, estava "ao lado de outros grandes jornais, como 'O Estado de S. Paulo', Folha, 'Jornal do Brasil' e o 'Correio da Manhã'". De fato, dos grandes periódicos, só a "Última Hora", de Samuel Wainer, ficou ao lado de João Goulart.
Só que o "Globo" deu apoio à ditadura praticamente até o fim, o que o jornal admite, embora ressalve que "sempre cobrou (...) o restabelecimento, no menor prazo possível, da normalidade democrática".
"'O Globo' não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país. À luz da história, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original", diz o texto divulgado na internet e na TV.
É a primeira vez que se vê tamanho ato de contrição na imprensa brasileira. Trata-se do principal conglomerado de mídia assumindo um erro editorial - não de informação - sobre um momento decisivo da história recente do país.
A Globo tinha ensaiado algo semelhante ao incluir no livro "Jornal Nacional, a notícia faz história" (2004) avaliações que pretendiam refutar duas acusações que pesam sobre a emissora: a de que fez uma cobertura pífia dos comícios que pediam as Diretas-Já e a de que favoreceu Collor na edição do debate presidencial com Lula em 1989.
A diferença é que nesses casos havia mais explicações visando afastar imputações de má-fé do que admissão de erros, num tom muito diferente do assumido agora.
A Folha, o jornal mais aberto a críticas e o único, entre os grandes, que mantém um ombudsman, nunca fez algo parecido.
Por ocasião da polêmica em torno do termo "ditabranda", em 2009, publicou apenas uma nota em que dizia que o uso da expressão em editorial tinha sido um erro. "O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis", dizia a nota, cujo título -" Folha avalia que errou, mas reitera críticas"- mostrava que o jornal estava fazendo a correção meio a contragosto.
O estrondoso mea-culpa global, que ocupou quase três minutos do "Jornal Nacional", foi impulsionado pelos protestos de junho. O texto que introduz o editorial "1964" assume isso, ao dizer que "governo e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas".
Não importa tanto se há interesses outros nessa autocrítica, feita às vésperas dos 50 anos do golpe, ou se havia muito mais para ser dito. O principal é perceber que se está dando uma satisfação ao público, que hoje, graças às redes sociais, tem uma capacidade inédita de expressão - e de pressão.
É um primeiro passo no longo caminho para a transparência, que passa pelo respeito ao "outro lado", pela obsessão com o equilíbrio, pelo reconhecimento rápido dos erros cometidos e por canais que permitam uma crítica constante.
Quem sabe "o futuro já começou", como diz o slogan de fim de ano da emissora.
No 247
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Jornal não 'concordou' com o golpe, promoveu-o

Um primeiro e essencial desacordo com o texto de autoindulgência publicado no O Globo de 1º de setembro (leia aqui) diz respeito a uma falácia quanto à participação do jornal no movimento que levou ao golpe de Estado de 1964. Está escrito que o O Globo “concordou com a intervenção dos militares”. Não é verdade. Embora outros tivessem muito mais prestígio e influência – como, por exemplo, o Jornal do Brasil, o Correio da Manhã e o O Jornal, no Rio de Janeiro, e o O Estado de S. Paulo, na Pauliceia –, o jornal da Rua Irineu Marinho foi um dos incentivadores do movimento golpista. Não “concordou”. Promoveu.
Registra Carlos Chagas no precioso O Brasil sem retoque: A História contada por jornais e jornalistas, 1808-1964, vol. II, página 1.052, que no início de 1964 Roberto Marinho passa a frequentar a casa do general Humberto de Alencar Castelo Branco, então chefe do Estado-Maior do Exército, assim como faziam outros conspiradores, nomeadamente os deputados udenistas Bilac Pinto e Aliomar Baleeiro.
Castelo era historicamente um oficial legalista. Relutou muito em se incorporar ao movimento conspiratório, que tinha no proprietário do O Estado de S. Paulo, Júlio de Mesquita Filho, um de seus mais influentes chefes civis. É relativamente conhecido o documento com diretivas para um governo ditatorial escrito por Mesquita. Chagas cita-o longamente.
Cabe um parêntese. Ironias da história, a família Mesquita, do Estadão, jornal que em seu tempo de glória era incomparavelmente mais importante do que o O Globo, jamais chegou aos pés de Roberto Marinho em matéria de aptidão para negócios. O O Globo era fichinha em 64, mas com o advento e o sucesso da TV Globo, Marinho se tornaria muito mais poderoso e influente dos que os Mesquitas, situação que os descendentes de ambas as famílias houveram por bem preservar.
A bajulação
Um discurso de Castelo na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, em 20 de janeiro de 1964, faz recair sobre o general a admiração do Estadão, que passa a elogiar com frequência “sua liderança militar e seu passado” (Chagas). Castelo, homem até então avesso aos holofotes, anima-se com o sucesso e adere à conspiração.
O Estadão, portanto, não apenas narra a política, faz política. O mesmo se diga de toda a imprensa engajada no golpismo, amplamente majoritária no país. O Globo não estava sozinho ao apoiar o golpe. Ou melhor: ao promover o golpe.
Hoje também a mídia jornalística faz política, em parte na tentativa vã de substituir uma oposição partidária desfibrada e/ou inepta.
Quando Castelo é eleito indiretamente presidente da República, com os votos tanto da UDN como do PSD (exceção solitária no PSD: Tancredo Neves; Juscelino Kubitschek e Ulysses Guimarães votaram a favor da designação do general), o Globo não noticia, regozija-se, como se vê na capa do dia 15 de abril. Mais do que isso: fala em nome da nação.
Leva a massa, não é levado
Voltemos ao documento do Globo de domingo (1/9). No mesmo parágrafo, mais uma manobra narrativa: “Fez o mesmo (‘concordar’ com a intervenção dos militares) parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais”.
Parece o “todo mundo faz” de Lula em 2005. Quer dizer que, se parcela importante da população for às ruas agora pedindo a pena de morte, o jornal poderá (moralmente falando) aderir à turba? Não, não poderá.
Mas o ponto aqui é outro: não existe mobilização de massas na rua sem algum tipo de comunicação. Hoje serão as redes sociais, na época eram os meios ditos agora convencionais. Para que se tenha ideia de como a mobilização de apoio popular ao golpe foi importante, veja-se (tanto quanto possível, porque a imagem é péssima) como o Estado de S. Paulo deu, em 20 de março de 1964, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade realizada na capital paulista (mais informações aqui).
O raciocínio empregado no texto do Globo está, novamente, invertido. O jornal não foi induzido pelas massas a “concordar” com a intervenção dos militares golpistas. O jornal participou ativamente da convocação do apoio à derrubada do governo de João Goulart. E comemorou, com direito a ponto de exclamação, a versão carioca da Marcha com Deus.
Veremos em novos tópicos como o Globo fabricou uma narrativa que briga com os fatos.
Mauro Malin
No OI
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Uma rede para os Brics

Entre as diferentes hipóteses de resposta à espionagem da presidente da República e de seus ministros e assessores, aventa-se a possibilidade — segundo afirmam os meios de comunicação, teria sido suspenso o envio da delegação precursora — do cancelamento da viagem de Dilma Rousseff aos EUA, no mês que vem.
Pensando fria e estrategicamente, esta pode não ser a opção mais adequada para enfrentar o problema. Ao deixar de comparecer a uma visita de Estado, mesmo que em previsível gesto de protesto, o Brasil estaria abdicando de mostrar ao mundo que procura ter com os Estados Unidos uma relação à altura.
Estaríamos, guardadas as devidas proporções e circunstâncias, agindo como o governo golpista de Federico Franco, que, ao tentar — de maneira inócua — reagir contra a suspensão do Paraguai do Mercosul por quebra de suas salvaguardas democráticas, resolveu votar contra a vitoriosa eleição de representantes brasileiros na OMC e na Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Muito mais efetivo seria se, no âmbito dos Brics, Dilma obtivesse de nossos parceiros russos, chineses, indianos e sul-africanos, o compromisso de se trabalhar, coordenada e aceleradamente, no desenvolvimento de uma Bricsnet.
Uma rede de internet para o grupo, alternativa e paralela à que foi criada pelos Estados Unidos e que permanece sob estrito controle dos norte-americanos. Um sistema que contasse com avançados programas criptográficos que embaralhassem a informação entre origem e destino, impedindo que ela fosse decifrada pelas agências de inteligência dos EUA.
Segundo o analista geopolítico Eric Drauster, entrevistado pela edição espanhola do Russia Today esta semana, o grande alvo da espionagem norte-americana — e isso está claro no caso brasileiro — são os Brics, como a única aliança capaz de rivalizar com o bloco EUA-União Europeia nos planos político, estratégico e econômico nos próximos anos, e essa mesma premissa vale para o campo das redes globais de comunicação instantânea.
A China possui, hoje, tecnologia de ponta na área de telecomunicações, a ponto de a Huawei ter sido impedida de trabalhar nos EUA, pelo Congresso dos Estados Unidos, sob a suspeita — olhem só quem está falando — de que seus equipamentos fossem usados para espionar os norte-americanos.
A Índia, com centenas de milhares de programadores formados, todos os anos, nas mais avançadas linguagens da engenharia da computação, dispõe de um verdadeiro exército para o desenvolvimento de softwares e chaves criptográficas virtualmente imunes à bisbilhotice da CIA ou da NSA.
Juntos, Rússia, China, Índia, Brasil e África do Sul poderiam, se quisessem, em menos de um ano, espalhar uma rede de cabos submarinos da Bricsnet unindo seus respectivos continentes sem que esses equipamentos passassem, como acontece hoje, pelo território dos EUA.
"O grande alvo da espionagem norte-americana — e isso está claro no caso brasileiro — são os Brics"
Uma rede de satélites de comunicação da Bricsnet também poderia ser desenvolvida e lançada em curto espaço de tempo — quem sabe, como o primeiro projeto a ser financiado pelo banco de infraestrutura dos Brics — nos moldes de outros programas já existentes, como o Cbers, o Programa de Satélites China-Brasil de Recursos Terrestres.
Uma aliança na Bricsnet entre desenvolvedores indianos e a manufatura chinesa, com a colaboração de russos, brasileiros e sul-africanos, seria praticamente imbatível no desenvolvimento e venda, para os países emergentes — só o Grupo Brics representa mais de 40% da população do mundo — de novos serviços de e-mail, redes sociais, navegadores, sistemas de exibição e distribuição de vídeos e música, sistemas operacionais para tablets e telefones inteligentes, tudo desenvolvido à margem das empresas ocidentais que hoje colaboram, prestimosamente, com os serviços de espionagem dos Estados Unidos.
A presidente Dilma poderia, sim, fazer sua visita de Estado aos Estados Unidos. É importante que ela escute as explicações — se houver e forem dadas — do presidente Barack Obama, que pode ter lá seus problemas com a área de inteligência, como temos aqui, de vez em quando, com a nossa.
"O Grupo Brics representa mais de 40% da população do mundo"
Mas é muito mais importante, ainda, que ela discurse no jardim da Casa Branca, dizendo na cara dos norte-americanos, e diretamente ao próprio presidente Barack Obama, que a nenhum país foi dado o direito de tutelar os outros em assuntos de segurança. Que o Brasil, assim como outros grandes países, não delegou a ninguém a licença de defendê-lo no mundo. Que somos uma nação soberana que não aceita ser monitorada, sob nenhum pretexto, por quem que seja.
E que a comunicação entre países e entre pessoas não pode — em defesa justamente da liberdade e da democracia — ficar, sob nenhuma hipótese, a cargo de um único estado, por mais que esse estado acredite em mandato divino ou destino manifesto.
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Com os cumprimentos da democracia estadunidense...

  Napalm contra os vietnamitas
      
 ...e da democracia Israelense
 Bombas de Fósforo contra os palestinos
E contra os libaneses bombas de urânio

Tudo arma proibida.
E a Síria é que vai pagar o pato?
Enquanto essa mídia corrupta e servil insistir que Estados Unidos e Israel são democracias, pouca coisa vai mudar.
Mas com certeza vai mudar.
Ou alguém duvida?
No Blog do Bourdoukan
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Um dia único

Manifestações do Sete de Setembro não incluem nada sobre nacionalidade, soberania e independência
Um Sete de Setembro único em 190 celebrados.
Manifestações públicas de insatisfação houve muitas desde 1823, incontáveis em tantas cidades, fossem de sentido mais político ou mais social. Mas as referências oficiais a manifestações prometidas para este Sete de Setembro encobriram a verdadeira razão das medidas preventivas extraordinárias. Não foram manifestações que as motivaram.
Foi o temor, ou a convicção mesmo, de ataques depredadores indiscriminados, de grandes proporções e com ameaças pessoais implícitas, em várias capitais e cidades de porte maior. Uma ação de violência pública que nenhum Sete de Setembro pretextou jamais.
Mesmo as celebrações da dita Independência durante a paranoica ditadura militar não precisaram prevenir além de manifestações individuais e grupais com cartazes e coros, não ataques físicos. Prevenção, aliás, que nunca funcionou, levando às habituais reações de pancadaria e prisão.
Curiosa também, neste ano, é a completa desconexão entre os simbolismos pespegados no Sete de Setembro e as convocações para ocupá-lo sem nelas incluir, sequer remotamente, algo da ideia de nacionalidade, ou de soberania, de independência mesmo.
Pelo visto, não faria diferença se, em vez do Sete de Setembro, a celebração mais próxima fosse o Natal. Ou Finados.
ESPIONAGEM
Ainda que Barack Obama cumpra o prometido a Dilma Rousseff, de remeter-lhe até quarta-feira as considerações devidas sobre a violação das comunicações reservadas da presidente, uma informação fundamental não virá: o governo brasileiro não sabe o que foi captado pelos americanos. Nunca saberá. Nem ao menos sabe desde quando as comunicações da Presidência brasileira eram interceptadas pela espionagem americana.
Um obscuro episódio ganha, no entanto, uma hipótese luminosa com a revelação, por Edward Snowden e pelo jornalista Glenn Greenwald, dessa espionagem. É a bem sucedida intermediação, a pedido de Obama, feita pelo então presidente Lula e pelo turco Tayyip Erdogan no caso do enriquecimento iraniano de urânio, com fins imaginadamente militares. Obtida pelos dois a desejada concessão do Irã para conversações e inspeções, Obama, surpreendentemente, desconheceu-a. Sem uma palavra a Lula e Erdogan.
A rasteira diplomática e a grosseria pessoal nunca tiveram explicação. Agora a espionagem violadora de telefones e e-mails dos governos brasileiro e turco, entre outros, comprovada mas de início ignorado, suscitou uma hipótese: o governo americano captou alguma coisa que tomou, certa ou erradamente, como razão para sustar as operações com Lula e Erdogan.
ESTRANHEZA
Na sessão de quarta-feira do Supremo Tribunal Federal, ficou revelada uma omissão muito esquisita no acórdão que reúne o que se passou no julgamento do mensalão, até às sentenças. O valor do peculato de que o procurador-geral da República acusou o deputado João Paulo Cunha, na denúncia, não foi transcrito no acórdão. Na denúncia, porém, era claro e preciso: R$ 536.440,55.
Sem a definição de tal valor no acórdão, o acusado não teria como restituí-lo aos cofres públicos, o que lhe abriria a possibilidade de passar da condenação em prisão fechada para a condenação em regime semiaberto.
Elaborador do acórdão, o ministro Joaquim Barbosa tentou ainda evitar a citação da importância. A maioria a incluiu.
Janio de Freitas
No fAlha
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Irã defenderá a Síria com todo o seu poder

A administração estado-unidense lançou o processo de obtenção da aprovação do Congresso para um ataque contra a Síria. O comité de negócios estrangeiros do Senado votou pela resolução de apoio à ação planeada. O próximo passo é levar a moção ao plenário do Senado e a seguir à Câmara dos Deputados para receber apoio bipartidário. Deste modo Washington está a tentar fazer com que a decisão de atacar a Síria pareça legítima, ainda que esteja a contornar o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A previsão de que a guerra se espalhará para abarcar todo o Médio Oriente caso os Estados Unidos ataquem a Síria está a tornar-se verdadeira. Como era de supor, o primeiro ator externo a ser envolvido é o Irã. O alistamento está em curso, jovens iranianos estão desejosos de envergar o uniforme e defender a Síria. O número de voluntários é de aproximadamente 100 mil. Eles enviaram uma carta ao presidente da Síria a pedirem sua permissão para serem posicionados na área das Alturas do Golan... Eles querem que o seu governo providencie uma ponte aérea para a Síria através do espaço aéreo iraquiano. O Iraque é o país com maior população xiita; é alta a probabilidade de que milhares de xiitas venham a juntar-se aos voluntários iranianos. Se Obama queria que as brigas inter-religiosas no Oriente Médio se transformassem numa carnificina de âmbito universal, agora ele pode conseguir isso, ou, para ser mais exato, ele pode provocar o seu arranque na Síria com o lançamento dos mísseis Tomahawk contra este país.
É a Síria que está à vista, mas o alvo principal é a República Islâmica do Irã. A política do recém-eleito presidente Rouhani está voltada para a normalização das relações com o Ocidente e a travar o isolamento internacional. Isto provoca preocupação entre os círculos dirigentes dos Estados Unidos e Israel. Desde há muito os americanos têm estado a culpar o Irã por todas as perturbações no Médio Oriente, mesmo quando era claro que o Irã nada tinha a ver com o que aconteceu. Pode soar como um paradoxo, mas a disponibilidade de Teerã para começar as conversações sobre o programa nuclear foi percebida pela administração Obama como uma ameaça aos seus interesses. De acordo com a lógica da Casa Branca, os EUA podem perder o seu principal argumento na confrontação com Teerã. Portanto as sanções dos EUA não instilarão mais medo. A Europa já está a enviar sinais não ambíguos a demonstrar que espera um progresso real a ser alcançado nas conversações. Os EUA não têm laços comerciais e veem as sanções como uma alavanca eficaz no impasse ao passo que os europeus enfrentam perdas de muitos milhares de milhões.
O argumento da "ameaça nuclear iraniana" tornou-se uma obsessão para Washington após a saída de Ahmadinejad. Ele cumpre plenamente a intenção de encontrar um pretexto para a guerra. A fase síria da operação militar está para arrancar em breve.
O Irã não precisa de guerra. Os iranianos, ao invés, querem que Obama pondere seriamente as consequências de tal ação deixando-o saber que não há nenhuma maneira para que possa ocultar-se por trás do Congresso. O ministro iraniano dos Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif said, disse: "O sr. Obama não pode interpretar e mudar o direito internacional com base na sua própria vontade". E acrescentou que "Só o Conselho de Segurança da ONU, sob circunstâncias especiais, pode autorizar uma ação coletiva, e isso será sob o Capítulo 7 da Carta da ONU, e esta questão precisa da aprovação do Conselho de Segurança". De um modo geral isso coincide com a posição da Rússia.
Teerã não vê intriga no fato de que o Congresso acabará finalmente por sancionar a guerra contra a Síria, apenas está curiosa por ver como os legisladores dos EUA farão isso sob o pretexto de "punir" a Síria por utilizar armas químicas enquanto contornam a questão iraniana. Os membros do Congresso inevitavelmente considerarão o "fator iraniano". Ao apelar pela guerra contra a Síria, o secretário de Estado John Kerry tenta convencer os legisladores de que, se nenhuma ação for tomada contra a Síria, é mais provável que o Irã avance no seu programa nuclear. Kerry não discute sobre a disponibilidade de ligação direta entre os eventos na Síria e o programa nuclear iraniano, ele simplesmente declara a posição da Casa Branca. O secretário da Defesa Chuck Hagel diz que não efetuar ação contra a Síria minará a capacidade de Washington para conter os esforços nucleares iranianos. O Congresso dos EUA está sob forte influência do lobby judeu e os argumentos funcionam porque, sendo hostil à Síria, Israel sempre teve o Irã em mente. Onde exatamente é desenhada a "linha vermelha" representa uma questão de importância menor para os políticos israelenses. Alguns republicanos no Congresso não só apoiam a ação contra a Síria como clamam por uma intervenção de maior escala dizendo que um ataque limitado não será suficiente para assustar seriamente o Irã. Um ataque contra a Síria é provável que faça Teerã incremente a sua segurança, incluindo a aquisição de armas nucleares como um dissuasor universal... Isto é uma advertência razoável à qual não se presta atenção. Tendo o Irã em vista, uma provocação militar contra a Síria destina-se também a aumentar o desacordo nas fileiras da liderança iraniana. Washington espera que políticos voltados para a guerra venham a prevalecer e o governo iraniano terá de ceder e abandonar abordagens equilibradas à questão. Na verdade, apenas há poucos meses tais ameaças abertas de Washington teriam alimentado uma tempestade de respostas, o antigo presidente Ahmadinejad costumava dar o tom. Agora o Irã parece estar extremamente contido. Falando a Obama na sua ausência, o ministro da Defesa do Irã, Brig. Gen. Hossein Dehghan, utiliza linguagem diplomática adequada e insiste em que todos os problemas deveriam ser resolvidos por meios políticos.
Contudo, a contenção pública do novo governo iraniano não deveria dar ilusões aos americanos. Não é com burocratas do governo que eles terão de tratar casos comecem ações de combate, mas sim com as forças armadas da República Iraniana - o garante da retaliação no caso de o país ser atacado.
O chefe dos assessores do Irã, Hassan Firouzabadi, foi citado a declarar que se os EUA atacarem a Síria, Israel será atacado. Não é casual que voluntários iranianos que estão a ir defender a Síria, não tenham interesse em serem posicionados nas áreas adjacentes às fronteiras com a Turquia ou Jordânia. Não, eles querem estar nas Alturas do Golan - a linha da fronteira síria-israelense disputada desde há muito. Um ataque potencial feito pelo Irã contra Israel em retaliação pelo ataque dos EUA à Síria é o pior cenário de todos; este será o caso em que é impossível evitar uma guerra em grande escala no Oriente Médio. Ao invés de tomar uma decisão para recuar de uma ação militar contra a Síria, Obama está a empurrar o Irão contra a parede ao encenar provocações incessantes. Como esta, por exemplo: o recente teste de demonstração israelense como preparação para o ataque retaliatório iraniano.
Nikolai Bobkin
No Irã News
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Hospitais de luxo custam mais que o “Mais Médicos”

Os quase seis mil médicos formados no exterior – brasileiros, cubanos e de outras nacionalidades – custarão ao Brasil, se colocarmos aí uns 50% além de seus salários como custo administrativo, algo como R$ 90 milhões por mês ou R$ 1,18 bilhão por ano, para darem assistência a cerca de 10 milhões de brasileiros, se considerarmos a média de 1,8 médicos por mil habitantes hoje registrada no país.
Muito dinheiro?
Pois a Folha anuncia que a ampliação da rede hospitalar de luxo no Rio de Janeiro – em hospitais “voltados para o público de renda alta, com serviços de hotelaria cinco estrelas e alta tecnologia, estão sendo alvo de investimentos que somarão R$ 1,2 bilhão em unidades a serem construídas ou reformadas até 2017. Serão três novos empreendimentos com esse perfil — um deles um complexo hospitalar– fora a expansão de outros dois”.
Mas o que tem a ver uma coisa com a outra, se um programa é público, com dinheiro do Estado e outro é privado, com investimento de particulares, entre eles grandes grupos médico-empresariais  norte-americanos, como o Esho,  e nacionais, com participação de bancos de investimento?
Simples.
Tudo isso vai ser pago com dinheiro de impostos. Porque os investidores vão recuperar o que vão aplicar e muito mais como retorno e seus clientes-pacientes vão descontar tudo o que lhes pagarem no seu imposto de renda a pagar.
Isto é, tudo sai – deixando de entrar – do dinheiro público.
Agora some o que vai ser investido no Rio com o que está sendo investido em São Paulo, Belo Horizonte e outras capitais e cidades com poder aquisitivo para estes “hospitotéis”? Dava para bancar todo o Mais Médicos e sobrava.
Mas isso não escandaliza nossos médicos. Não aparece um a sugerir que, para obter mais recursos para a saúde pública, é preciso rediscutir os limites da renúncia fiscal para despesas médicas (imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas, excluídas as isenções em medicamentos e hospitais filantrópicos).
Só isso representa, hoje,  cerca de R$ 13 bilhões por ano, mais do que se gastará com o “Mais Médicos” nos três anos dos contratos.
Não é hora da sociedade discutir se continuará pagando indiscriminadamente despesas médicas realizadas com valores muito acima do necessário, por contemplarem atendimentos luxuosos? Será que não deve haver limite de dedução fixo e percentual sobre a renda, como existe com os fundos de previdência privada?
Mas o elitismo da sociedade brasileira é tão forte que mexer com isso vai ser recebido pela mídia e pelos médicos  como um atentado à Saúde.
Embora um atentado à Saúde pública seja transferir uma montanha de dinheiro para financiar os negócios privados de luxo na saúde, enquanto a rede pública vive à míngua de pessoal de recursos para melhorar.
Fernando Brito
No Tijolaço
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