3 de set de 2013

Memorial da Globo faz pirraça contra blogs!

Eu não queria acreditar que a Globo publicou aquele mea-culpa, esfarrapado e cínico, apenas por causa das denúncias que os blogueiros estão fazendo às suas truculências, de hoje e ontem. Para mim, a razão da Globo pedir desculpas ao Brasil era puramente mercadológica, ligada à abertura de um portal de arquivos contendo suas edições antigas. Mas fiz uma descoberta hoje que me espantou. A Globo realmente está incomodada com a turma da blogosfera.
O portal de memória do Globo tem uma aba intitulada “falsas acusações”. Uma delas é “o caso da bolinha de papel“. Depois de um monte de desculpas esfarrapadas, descritas com uma prolixidade exagerada e suspeita (como de quem tem culpa no cartório), o jornal conclui:
O que dizem, portanto alguns blogues sobre o episódio é pura distorção, pura invenção. É algo injusto com os profissionais da Folha de S. Paulo, em primeiro lugar, com os profissionais da Globo, com os profissionais do Estado de S. Paulo e com os profissionais do SBT. A função dos jornalistas é esclarecer os fatos. É o que o Memória Globo faz aqui.
A linguagem é vulgar, adolescente e partidária. Parece o próprio Serra se defendendo. Em nenhum momento, a Globo admite que deu “apoio editorial” a José Serra, e que a cobertura da “bolinha de papel” teve como objetivo produzir um factóide político que virasse o jogo eleitoral. A Globo não vai falar do caso Rubnei Quicoli, um ex-presidiário boçal que ganhou 8 minutos no Jornal Nacional, às vésperas da eleição presidencial de 2010, para dizer que o BNDES iria lhe emprestar 8 bilhões de reais?
Quer dizer, então, que a poderosa Globo montou um super portal para rebater blogs? Me parece todavia que a Globo cometeu um ato falho; ao usar as expressões “pura invenção” e “pura distorção”, ela se refere em verdade a si mesma.
O texto vacila, sobretudo, no tom irritadiço, desequilibrado; parece até escrito por um blog meia boca de direita. Relaxem, globais! Tomem um cafezinho!
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O desabafo de uma estadunidense sobre o anúncio do Obama de atacar a Síria

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“Quem recebe transferência de renda não deve favor”, afirma Lula em vídeo

“As pessoas que recebem essa transferência de renda não devem favor a ninguém”, afirma o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda parte do vídeo gravado no Instituto Lula, no início de 2013, em que ele relembra a concepção e a execução das políticas sociais do seu governo. “O que fizemos foi distribuir uma parte da riqueza nacional”.


Lula afirma ainda que não é apenas o Bolsa Família que fez com que o Brasil combatesse de forma tão veemente a desigualdade. Ações como a do microcrédito, da compra de alimentos, do aumento do salário mínimo também contribuíram para esse processo.
O ex-presidente ressalta também que os ganhos conquistados pelo povo geram novas demandas. “É a coisa mais natural. A ascensão das pessoas é uma coisa que se busca a vida inteira”. Exatamente por isso, Lula considera que “cada vez mais, precisamos fazer mais políticas sociais”.
As consequências das políticas sociais atingem também os indicadores econômicos. Mais gente tem acesso ao mercado consumidor e faz a roda da economia girar. “Ao invés do pobre ser um problema no Brasil, ele passou a ser a solução”.
“O Brasil finalmente se encontrou consigo mesmo. Nós resolvemos virar uma grande nação e uma grande nação só é reconhecida quando seu povo tem uma boa qualidade de vida”, finaliza Lula.
Assista abaixo à primeira parte do vídeo, em que Lula ressalta que desde o início acreditou que “nós tínhamos condições de eliminar a fome nesse país”:


No Instituto Lula
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Espionagem dos EUA: ou o Brasil fica de pé...Ou se agacha

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É amanhã: # Ato Contra o Propinoduto Tucano e Pelo Transporte Público

4 de setembro é dia de protesto contra o propinoduto tucano, em defesa do transporte público e pela punição dos crimes do cartel de empresas responsáveis pelas grandes obras no país (metrô, estradas e barragens).
Movimentos sociais, organizações de juventude, trabalhadores e usuários do transporte público farão um acerto de contas com as empresas corruptoras!
Conglomerados estrangeiros criaram um esquema para fraudar licitações das obras, reformas e fornecimento de equipamentos para o sistema de metrô e trem em São Paulo.
As empresas Siemens, Alstom, ADtranz, CAF, TTrans e Mitsui combinavam os resultados das disputas, com a intermediação de políticos do PSDB.
Assim, elevavam os preços, aumentando os gastos do Estado para lavar dinheiro que era repassado para políticos tucanos.
Os esquemas em torno do transporte público, somados ao descaso dos governantes, têm como consequências a falta de qualidade no serviço, o alto preço das passagens, a lentidão para expansão do sistema, os acidentes nas linhas de metrô/trem que prejudicam os usuários e nas obras que ameaçam os trabalhadores.
Exigimos:
- Abaixo a corrupção, abertura da caixa preta dos transportes. Prisão dos corruptos e corruptores, expropriação dos bens e devolução do dinheiro para o transporte público.
- Fim das privatizações (direta, concessões e PPP's)
- Passe livre. Redução da tarifa rumo a tarifa zero.
- Fim das terceirizações: manutenção e operação 100% estatal,
- Contratações de mais funcionários para ampliação do horário de funcionamento, metrô 24h nos domingos e feriados.
- Pelo retorno da integração nos terminais e pela integração plena com EMTU, -Gestão do transporte pelos trabalhadores e usuários, sem empresários! -Transparência nos contratos bilionários que envolvem grandes empresas
estrangeiras nas obras do metrô, barragens e hidrelétricas para impedir a formação de cartéis para esquemas de corrupção.
#contraopropinodutotucano
#pelapunicaodoscorruptores
#4deluta
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Celso de Mello defende embargos infringentes

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Faltam 48 horas para a decisão mais importante do STF, na Ação Penal 470; na quinta-feira, os ministros decidirão se réus com pelo menos quatro votos terão direito a um novo recurso, o chamado embargo infringente; no ano passado, no próprio julgamento, o decano Celso de Mello defendeu enfaticamente a necessidade desse tipo de embargo, em respeito ao duplo grau de jurisdição; no entanto, pressionado pela Globo, seus colunistas e alguns ministros, ele estuda mudar de posição, esquecendo o que disse há um ano; o dia D da Ação Penal 470 será também o dia do julgamento de Celso de Mello; assista
Nesta quarta-feira 4, quando for retomada a sessão de julgamento da Ação Penal 470, o ministro Joaquim Barbosa deve colocar em votação os embargos de declaração ainda pendentes, propondo sua rejeição pelo plenário da corte. Na contagem regressiva para o fim do processo, na quinta-feira, ele levantará a questão mais importante de todo o espetáculo: afinal, os embargos infringentes, que permitem nova chance de julgamento a réus com pelo menos quatro votos favoráveis, devem ou não ser aceitos?
Nessa discussão, que atinge réus como o ex-ministro José Dirceu e os deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), a palavra do decano Celso de Mello terá peso especial. Como ministro mais antigo da corte, ele é ouvido e respeitado pelos colegas. No dia 2 de agosto do ano passado, Mello já se manifestou de forma cristalina sobre a admissibilidade desses embargos, que, para ele, são um "recurso ordinário" do STF.
No entanto, o ministro vem sendo pressionado por alguns colegas, como Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, que gostariam de dar o caso por encerrado, e também por veículos de comunicação, especialmente a Globo e seus colunistas, a mudar de posição. À Globo, interessa apresentar o último capítulo na novela na quinta ou sexta-feira, antes do Sete de Setembro, portanto, com a prisão dos réus em cadeia nacional de televisão. Assim, a teledramaturgia teria, sob seus critérios, um final feliz – ainda que, para isso, fosse necessário passar por cima do direito de defesa – permitindo que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, se fortaleça como presidenciável ou dispute o governo de Minas Gerais.
No entanto, o vídeo de Celso de Mello não deixa margem a dúvidas. Sua posição é clara, cristalina, e aponta o embargo infringente como a possibilidade de um duplo grau de jurisdição – o que, até agora, foi negado aos réus da Ação Penal 470, embora seja um direito assegurado por convenções internacionais, das quais o Brasil é signatário.
Dentro de 48 horas, portanto, não apenas os réus terão seu destino selado. Quem também estará sendo julgado, pela História, é o próprio Celso de Mello. Será um juiz, respeitando as próprias palavras ainda tão recentes, ou se deixará levar pela agenda política dos que hoje lhe pressionam?
Abaixo, o vídeo:

No 247
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Entrevista com Palmério Dória

 Transmissão Encerrada  




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CNJ pede exame psiquiátrico para juiz crítico da Justiça de Santa Catarina

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pediu ao TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) exame de sanidade mental do juiz Fernando Cordioli Garcia, 33, crítico do Judiciário catarinense. A Corregedoria do TJ afastou o juiz da comarca de Otacílio Costa (250 km de Florianópolis) sob acusação de "participação político-partidária" e "instabilidade", primeiro passo para exonerá-lo da magistratura. O enfrentamento do juiz com o Judiciário começou no ano passado, mas só foi tornado público nesta semana.
Cordioli enfrenta um processo disciplinar no TJ que pode resultar em sua aposentadoria compulsória. Ele foi afastado provisoriamente do cargo em dezembro, pelo voto de 49 dos 62 desembargadores, depois que 12 queixas chegaram à corregedoria. O juiz recorreu ao CNJ, que devolveu o caso ao TJ-SC sem entrar no mérito das acusações, pedindo apenas o exame de sanidade mental. O processo tem prazo de 180 dias para ser concluído.
No processo, o corregedor Vanderlei Romer afirma que o juiz "dedica-se à atividade político-partidária (...), manifesta-se pelos meios de comunicação (...), não trata com cortesia os colegas, não usa linguagem respeitosa (...) e não guarda reserva sobre dados ou fatos que tomou conhecimento no exercício da atividade jurisdicional". Num parágrafo, diz que o juiz "demonstra instabilidade".
Segundo Romer as queixas contra o juiz partiram "de variados segmentos da sociedade, do Ministério Público, Juiz de Direito, advogados, servidores autoridades políticas, etc". As queixas justificariam a necessidade do afastamento "dada sua (o juiz) expressiva interferência nas políticas públicas".
O desembargador Salim Schaed dos Santos foi voto contrário na sessão do TJ que determinou o afastamento. Ele comparou a atuação de Cordioli com a do ministro Joaquim Barbosa e a da ministra Lúcia Calmon. Disse que Cordioli representa um tipo de juiz moderno, que busca dar celeridade aos processos e que, por isso, às vezes, é incompreendido. Seria da corrente do "ativismo judicial", o juiz fora dos gabinetes.
Entre os queixosos aparece nos autos o ex-prefeito de Otacílio Costa Denilson Padilha (PMDB). Ele acusou o juiz de ajudar a oposição nas eleições de outubro. Padilha perdeu a reeleição.
Só processava "PPP"
O Ministério Público Estadual (MPE) acusou o juiz de desrespeitar seus promotores e usar linguagem ofensiva - em um despacho, Cordioli escreveu que um promotor deveria "se olhar no espelho". Noutro, disse que um promotor engavetava acusações "contra a elite e os coronéis da política da cidade" e só processava "PPP" (pretos, pobres e prostitutas).
Cordioli é juiz desde 2007 e assumiu a comarca de Otacílio Costa em 2010. Ele era citado na imprensa regional como "juiz coragem" porque nos autos dos processos registrava os desvios éticos e profissionais de colegas juízes, promotores, servidores e advogados. Estava prestes a ser promovido, quando foi afastado do cargo.
A Corregedoria do TJ-SC, em um ato sem precedentes contra um dos seus juízes, divulgou na terça (30) as 12 reclamações contra ele. Nesta quinta-feira (02), Cordioli apresentou sua defesa.
"Dizem que sou louco, mas não corrupto"
Cordioli disse, em Florianópolis, que é "vítima de assédio moral de gente que não aceita um juiz como eu" - ele se define como alguém que trabalhava "com independência dos chefes políticos da cidade e contra um MPE duro só com PPP".
O juiz disse que se tornou "o inimigo público do MPE ao denunciar que nos processos em que atuava "os ricos e poderosos raramente eram incomodados, quase sempre ficavam engavetados na Promotoria".
Ele deu um exemplo: "Um empresário poderoso foi processado por crime ambiental quando eu ainda estava na universidade, em 2003. Quando assumi como juiz, descobri tantas fraudes que tive que fazer diligências de surpresa, senão alguém soprava para os réus. O processo foi tirado da minha comarca por vias espúrias e até hoje está parado no Tribunal de Justiça".
Cordioli é solteiro, nascido em Lages. Com frequência, ele fez piadas sobre seu estado mental: "Dizem que sou louco, mas pelo menos não me chamam de corrupto. Sou louco por querer fazer a máquina do Judiciário funcionar".
Ele anda em um carro Ford Fiesta, mas tem um BMW na garagem de casa: "É uma pequena concessão que me fiz. Escolhi um carro de luxo para eles pensarem que também roubo, como eles", diz, sem citar que são "eles".
Leilão de carro de ex-prefeito em praça pública
Em 2012, Cordioli leiloou dois carros do prefeito de Palmeira em praça pública. O dinheiro era para pagar condenação por desvio de dinheiro público. Um terceiro carro, no qual o prefeito tentava viajar para Florianópolis, foi apreendido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) depois que o juiz mandou uma ordem por fax para o posto de patrulha. O prefeito ficou a pé no acostamento.
Quando a polícia pedia a prisão de alguém, o juiz despachava a mão no próprio requerimento, poupando toda burocracia: "É um recurso que está no Código de Processo Penal desde 1940", afirma.
Depois que o MP se recusou a pagar peritos em um processo contra outro ex-prefeito, o juiz pediu auxílio do 10º Batalhão de Engenharia do Exército para avaliar a casa do réu. Um destacamento cercou a casa, fotografou tudo e a avaliou em R$ 500 mil. Em seguida, quando estava prestes a transformar a residência em um abrigo municipal para órfãos, Cordioli foi afastado.
Em um processo ambiental, ordenou à Fundação de Amparo ao Meio Ambiente (Fatma) derrubar a casa de um vereador erguida em área de preservação. Como a ordem judicial não foi cumprida, Cordioli fez o serviço ele mesmo, com a ajuda de um operário.
Descontente em ver condenados a penas alternativas não cumprirem suas sentenças, o juiz exigiu que todos fossem ao quartel da PM às 9 horas dos sábados. Recebia o pessoal de pá na mão e comandava operações tapa-buracos nas ruas de Otacílio Costa.
O juiz andava de bicicleta na cidade
Cordioli visitou um desembargador vestindo jaqueta de couro e com barba por fazer. Nas audiências criminais preliminares ele soltava pessoas que sabia que enfrentariam longas batalhas judiciais por coisas insignificantes.
Defendeu um rico. O homem tinha podado uns pinheiros e a Polícia Ambiental o autuou. O juiz concluiu que a denúncia fora perseguição política e o inocentou sob o argumento de que podar árvores não é crime.
No ano passado, queixou-se de corrupção em Otacílio Costa ao governador Raimundo Colombo (PSD) e pediu intervenção na cidade.
Para vereadores queixosos de postos de saúde sem médico e sem remédios, sugeriu que responsabilizassem o prefeito e os ensinou a como fazer um processo de impeachment.
Sugeriu que uma mulher drogada, mãe de três filhos que já viviam nas ruas, fizesse uma laqueadura.
No Uol - 02/05/2013
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Homem coloca fogo em prédio da Prefeitura de BH

De acordo com as cenas, suspeito entrou na Secretaria Municipal Adjunta de Fiscalização e ateou fogo em vários documentos


A polícia divulgou nesta terça-feira (3) imagens do momento em que um prédio da Prefeitura de Belo Horizonte, na rua Tupis com Espírito Santo, no centro da capital, foi incendiado por um desconhecido. As cenas comprovam que o incêndio foi mesmo criminoso.
De acordo com o circuito interno de segurança do prédio, o homem - que ainda não identificado - entrou no 6º andar do imóvel, onde funciona a Secretaria Municipal Adjunta de Fiscalização, e ateou fogo em uma das salas. O crime foi registrado no último sábado (31), por volta das 10h55. Ninguém se feriu.
Segundo o Corpo de Bombeiros, havia bastante fumaça no prédio, mas as chamas não se alastraram para outras salas. O fogo foi controlado rapidamente e ninguém ficou ferido. As chamas destruíram documentos, mesas, divisórias, armários e uma das portas. O teto da sala também foi danificado. O local foi periciado nessa segunda-feira (2).
A princípio, os bombeiros levantaram a hipótese de o incêndio ter sido provocado por um curto circuito no painel de fusíveis, que fica dentro do escritório. No entanto, após analisar as imagens do circuito interno de segurança do prédio, constatou-se que o incêndio tinha sido criminoso.
As cenas mostram o suspeito com um galão de produto inflamável dentro de uma sacola. Ele vestia bermuda, camisa e usava um boné preto. O homem se aproximou de uma das portas, provocou as chamas e fugiu em seguida.
Em nota, a prefeitura informou que "uma das gerências de fiscalização integrada foi atingida pelo fogo, e alguns documentos foram queimados. No entanto, não houve prejuízo aos processos gerados pelas ações de fiscalização, uma vez que os documentos são digitalizados e o local queimado era usado como arquivo de ações já encerradas".
Ainda em nota, o órgão afirmou que "a Polícia Civil está investigando o caso, com o apoio da Guarda Municipal, que está avaliando imagens das câmeras do Programa Olho Vivo, a fim de identificar os responsáveis pelo ato".
Mábila Soares
No O Tempo
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Doutor Garcia: como trabalha o médico de família em Cuba

Rodolfo Garcia, 50 anos, conhece bem a realidade dos sistemas de saúde pública de Cuba e Brasil, dois dos países em que já exerceu a medicina. Instrutor do curso destinado aos cubanos que irão atuar no programa Mais Médicos, ele está de volta ao Brasil com expectativas positivas de ajudar a melhorar o acesso da população carente à saúde. “Voltei porque me apaixonei pelo povo brasileiro”, afirmou à Carta Maior.
Brasília – Um ano antes de Brasil, Cuba e a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) firmarem o polêmico contrato que permitiu a vinda dos cubanos para atuar no programa Mais Médicos, eles já se preparavam para enfrentar os desafios da saúde pública brasileira. Um dos instrutores do curso de formação que englobou ensino da língua portuguesa e realidade da saúde no Brasil foi o cubano Rodolfo Garcia, 50 anos, conhecedor dos sistemas de saúde dos dois países.
Com 26 anos de prática médica, uma especialização, três mestrados e um doutoramento recém-iniciado, Garcia trabalhou no Brasil de 2002 a 2005 e, agora, está de volta. Em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, atuou a frente do Programa de Saúde da Família (PSF). Se orgulha de ter melhorado a qualidade de vida de muitos idosos. “Tenho muitas saudades dos meus velhinhos de lá”, disse à reportagem de Carta Maior, com lágrimas escorrendo pela face. “Me apaixonei pelo povo brasileiro. E por isso voltei”.
Ciente de que em um país continental como o Brasil os desafios da saúde pública são muito maiores do que na pequena ilha onde vive, ele aponta como a experiência cubana poderá ajudar, disseca o funcionamento do sistema de saúde baseado em prevenção, lista as doenças transmissíveis já erradicadas da ilha e explica porque, em Cuba, os pacientes não morrem na fila de espera por um leito. Ele também fala sobre suas expectativas quanto ao Mais Médicos. “Com a vontade política que estou vendo agora, vai no caminho certo”.
Em que circunstâncias você veio trabalhar no Brasil, na década passada?
Primeiramente, eu vim para o Amapá, como consultor de atenção básica, na frente de um grupo de 40 médicos, que viriam em seguida. Fiquei uns três ou quatro meses, mas não deu certo, porque causa da briga dos médicos de lá. Então, prestei um exame de proficiência em língua portuguesa, fui aprovado, e segui para o Sul do Pará, em Conceição do Araguaia, onde trabalhei com duas equipes de Programa de Saúde da Família (PSF). Depois passei rapidamente por Tocantins, mas foi em Conceição do Araguaia que fiquei mais tempo. E foi muito legal.
Me relacionei muito bem com as enfermeiras, com a equipe e com a Secretaria de Saúde da cidade. Nós fizemos muita coisa boa na reorganização da atenção básica às grávidas, às crianças, aos adolescentes, com planejamento familiar. Mas a ação de maior impacto, em parceria com organizações da sociedade civil, foi desenvolvida com um grupo de idosos. Eu tenho fotos, revistas e jornais da época, que divulgaram tudo. O projeto se chamava Agita Conceição. Nós começamos com poucos idosos, mas depois o projeto foi crescendo muito. Nós chegamos a fazer desfile de moda com pessoas de mais de 80 anos.
Então, era mais do que um programa de atenção à saúde, nos moldes que conhecemos aqui?
Acontece que em Cuba, a medicina familiar tem outro conceito, um conceito muito social. Você olha a pessoa na consulta, depois você visita a pessoa na casa dela, conhece os problemas da família e tentar ajudar de algum jeito. Muitas vezes, as pessoas da terceira idade não são bem atendidas pela família. Então, nós tentamos integrá-las. Em Conceição do Araguaia, nós fazíamos academia pela manhã, depois alguma atividade cultural, com muito apoio das organizações de massa da região, da secretaria municipal de saúde, das equipes de PSF. Nós íamos com os velhinhos à praia, fazíamos almoços coletivos, atividades esportivas. Era muito, muito, muito legal. Eu tenho muitas saudades da equipe, do pessoal da Secretaria de Saúde e dos meus velhinhos.
A barreira da língua não atrapalhava o atendimento aos pacientes?
Eu me entendia muito bem com eles. E tenho certeza que ocorrerá o mesmo com os colegas que estão chegando. Antes de vir para o Brasil, eu fiz um pequeno curso de um mês. Depois, já no Brasil, estudei mais. E toda a turma que está chegando agora já fez algumas aulas. E o curso de acolhimento do Programa Mais Médicos está reforçando a fala portuguesa dos médicos cubanos. Todos já conseguem entender tudo. E mais de 80% já estão falando muito bem. E nós chegamos ao Brasil há poucos dias.
Você acredita que este programa vai ajudar a melhorar a saúde pública brasileira?
Esse programa vai dar certo por causa da concepção da medicina preventiva. Em Cuba, o médico geralmente mora onde moram seus pacientes. Aqui também vai morar pertinho. A troca de experiências, a troca de sentimentos, a humanização da saúde que nós temos, a forma com que nós fomos formados vai ajudar a fazer acontecer. O médico vai acompanhar cada uma das famílias, com enfermeiros, auxiliares de enfermaria e agentes comunitários de saúde. O médico se converte em mais um membro das famílias.
É assim que trabalhamos lá. Fazemos um diagnóstico da situação de saúde e, além disso, uma discriminação das pessoas mais carentes, as que mais precisam, que passam a ter prioridade. Então, o médico conhece a problemática. É uma missão muito integradora das condições sociais, higiênicos e epidemiológicas da região, das condições familiares, de mortalidade, das causas principais porque as pessoas ficam doentes e dos fatores de risco que condicionam isso. É uma medicina cem por centro trabalhada na prevenção, e não depois que o paciente fica doente. É trabalhar para que a pessoa não fique doente.
A diferença do sistema de saúde cubano tem a ver com a formação dos médicos, com essa visão mais integrada do paciente com seu meio?
Eu tenho trabalhado em vários países e tenho visto vários sistemas. A medicina cubana é preventiva, como eu falava. Nós olhamos muito para os fatores de risco, para evitar que a pessoa fique doente. É o princípio fundamental. Nós trabalhamos na prevenção e, se mesmo assim a pessoa fica doente, trabalhamos com a prevenção de outras doenças, tanto transmissíveis como não transmissíveis, para evitar as complicações. Além disso, trabalhamos com a reabilitação das pessoas que já ficaram doentes e ficaram com algum grau de incapacitação.
Foi o que fizemos com os idosos de Conceição de Araguaia, além de aproveitarmos a oportunidade para falar da alimentação, dos possíveis fatores de risco, dos problemas ou possibilidade que têm essas pessoas da terceira idade de sofrerem quedas, depressão... E tentamos de todo jeito apoiá-los. Eu fico muito emocionado quando falo porque tenho muitas saudades dos meus velhinhos de lá [lágrimas escorrem pela face].
Conceição do Araguaia é uma cidade pequena? É pobre?
Fica no Sul do Pará, na fronteira com Tocantins. É uma cidade pequena, é pobre, mas não muito. Mas uma coisa que pude observar é que lá as pessoas são felizes. Eu quero mandar um beijo muito grande e um abraço muito grande para todos os meus amigos que ficaram lá. Quero muito revê-los e ter notícias de todos.
Qual a sua especialidade médica?
Eu sou especialista em Medicina e Atenção à Saúde, mestre em saúde mental, mestre em doença infecciosa e mestre em biossegurança. Atualmente, trabalho em um instituto de pesquisa. Sou professor e sou pesquisador. E comecei agora o doutorado. Passei minha vida toda estudando.
Você é casado? Tem filhos?
Tenho um filho que se formou agora em engenharia mecânica. Sou divorciado e deixei em Conceição do Araguaia uma menina muito legal... quero mandar um beijo para ela!
Então você viveu uma história de amor com uma brasileira. Não teve vontade de desertar e ficar no país?
Eu sou muito apegado à família, a Cuba. Então, o coração ficou dividido. Foi muito difícil, mas sou cubano e volto sempre para Cuba. Eu posso trabalhar no Brasil dois, três, quatro, cinco anos, mas depois quero voltar para Cuba, sempre. Esta é a realidade.
Quanto ganha um médico em Cuba? Os salários que vocês receberão no Brasil, ainda que menores do que os pagos aos médicos de outras nacionalidades, são atrativos?
O salário varia um pouco: algo entre 500 e 900 pesos cubanos. Se você converter para dólares, dá uns US$ 30, muito pouquinho. Mas você tem que levar em conta que nós não pagamos seguro, saúde e educação. Eletricidade, água e gás, é tudo bem pouquinho. Então, temos muita coisa garantida. A verdade é que o salário tinha que melhorar um pouco, mas ter muitas coisas asseguradas para nós e nossas famílias é melhor do que ganhar um grande salário e não ter nada disso.
Mas eu quero deixar claro que não vim ao Brasil ganhar dinheiro. Vim por solidariedade. Eu falo isso e ninguém compreende. Nossa turma toda fala uma, duas, três, dez vezes, e as pessoas não compreendem que não viemos aqui para ganhar dinheiro. Viemos para ajudar, por solidariedade. Nós viemos aqui melhorar as condições de saúde das pessoas mais carentes do Brasil. Dar um pouco de carinho, um pouco de afeto, de acordo com a formação que recebemos em Cuba.
Em geral, é difícil para o brasileiro entender isso. Mas o povo de Conceição do Araguaia com que o senhor conviveu compreendia essa relação diferente que o cubano tem com a prática médica?
Ah, o povo não queria me deixar voltar para o meu país. “O doutor não pode voltar para Cuba”, diziam. Eles fizeram muitas coisas lindas pra mim e fiquei muito emocionado, fiquei apaixonado pelas pessoas do Brasil. Eu conheci muitas pessoas boas no Brasil. E por isso eu voltei. Por essa experiência anterior tão boa. A diferença é que, agora, sou um profissional com mais 10 anos de experiência.
Nesse meio tempo, você trabalhou só em Cuba ou foi a outras missões internacionais?
Eu estive na África, por 2,5 anos, em Burkina Faso, um pequeno país no oeste africano [região do deserto do Saara]. É muito difícil trabalhar lá pelas condições climáticas: a poeira e a temperatura muito alta, de até 52 graus. E muitas doenças, muitas doenças mesmo. Mas a gente vai trabalhando, trabalhando, se tornando uma melhor pessoa, um melhor profissional. A gente vai acumulando experiências para melhor servir.
Como está sendo essa nova e recente experiência no Brasil?
O curso de acolhimento é de muita qualidade. Tem professores muito bem formados. Antes de vir para o Brasil, como eu já estive aqui, formei parte da turma que está vindo. Faz 11 meses que venho entrando no site do Ministério da Saúde do Brasil para aprender tudo sobre atenção básica e repassar para eles. Então, a turma já vem bem formada e agora está recapitulando tudo aqui. Os professores estão muito contentes, porque estudamos tudo previamente. Dei um curso de 11 meses, de português e doenças mais frequentes que aparecem no Brasil.
E quais são as doenças comuns no Brasil que vocês não têm em Cuba, em função da excelência do sistema de saúde e da vigilância epidemiológica?
Em Cuba, temos muitos médicos. A cobertura do sistema de saúde é de cem por cento Essa é uma coisa muito boa, porque se pode fazer um diagnóstico de saúde baseado na realidade que se tem no país. No Brasil, há muita carência de médicos no norte e nordeste. São muitos municípios que não tem médico nenhum. O Ministério da Saúde conhece a situação, mas a coisa mais detalhada só se vai conhecer a medida que for dando cobertura nessas regiões. Em Cuba, não há doenças transmissíveis, como malária, mal de chagas, leishmaniose, acidentes ofídicos [acidentes por animais peçonhentos, como cobras e escorpiões].
E a Dengue?
Dengue tem em toda a América Central, mas cuba é um centro de referência para a Organização Pan-americana de Saúde (Opas). Antes dos nós virmos para o Brasil, houve um congresso internacional no Centro de Medicina Tropical sobre dengue. Lá é muito bem controlado porque há muita vontade política. Todo mundo fica em cima do problema: os médicos, os agentes de vetores, como chamamos lá. A direção do país coloca à disposição da saúde todos os recursos para regular a dengue. E aí a doença se controla muito rápido.
Outro problema grave que temos no Brasil é a longa espera na fila por um leito no sistema de saúde pública, que, muitas vezes, resulta em mortes de pacientes. Isso também acontece em Cuba?
Não. Já superamos isso. Há muito tempo não ocorre um caso desses. Temos os médicos de família. Além disso, tem a policlínica, que integra os consultórios. Esse é o nível primário. Depois, tem o nível secundário, formado pelos hospitais ginecológicos, pediátricos e de clínica geral. Além disso, tem os institutos de cardiologia, de nevrologia, o terceiro nível. Então, as pessoas que precisam vão transitar por todo esse sistema, sempre acompanhadas pelo médico da família. Pela organização, nós temos um sistema de saúde de primeiro mundo.
O que falta para o Brasil atingir esse nível de excelência, para ter uma medicina preventiva forte?
É preciso lembrar que o problema em Cuba é mais fácil de controlar, porque é uma pequena ilha. Já o Brasil é quase um continente. As coisas aqui são um pouco mais complicadas. Mas a vontade política que estou vendo agora vai no caminho certo. O Brasil precisa de mais médicos e precisa reconhecer que viemos por um contrato tripartite (Opas, Brasil e Cuba) para trabalhar em parceria com os colegas brasileiros. Não viemos tirar o trabalho de ninguém, o salário de ninguém. Nós vamos trabalhar nas regiões mais carentes, onde não há médicos.
Najla Passos
No Carta Maior
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Hoje às 19h O Príncipe da Privataria

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Banqueiros na cadeia: polícia prende ex-donos do Nacional

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Justiça decreta prisão de Marcos Magalhães Pinto e de outros personagens envolvidos nas fraudes do banco, como o contador Clarimundo Sant' anna (foto); Nacional foi incorporado pelo Unibanco no governo FHC
A Justiça decretou a prisão do ex-banqueiro Marcos Magalhães Pinto, que foi presidente do Banco Nacional. Filho de Magalhães Pinto, ex-governador de Minas, Marcos comandou um banco que foi um dos maiores do País, mas sucumbiu na década de 90, quando estourou um escândalo sobre fraudes contábeis na instituição.
O Nacional foi um dos primeiros alvos do Proer, um programa lançado no governo FHC para socorrer bancos falidos depois do Plano Real. A parte boa do Nacional, segregada, foi vendida ao Unibanco, da família Moreira Salles, que depois se uniu ao Itaú.
Além de Marcos Magalhães Pinto, também foram presos o executivo Arnoldo Oliveira e o contador Clarimundo Santana, apontado como responsável pela montagem do esquema de fraudes, que envolvia milhares de contas-fantasma.
No 247
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O dia em que a Globo piscou

Na sexta-feira passada, as Organizações Globo surpreenderam o país com uma autocrítica de seu apoio à ditadura militar.
Soou artificial.
Um dia antes, manifestantes jogaram merda em sua sede, em São Paulo. Nas redes sociais, com exceção da revista Veja, não existe organização capaz de despertar tanto amor e ódio.
* * *
Para entender essa demonstração de fraqueza da Globo, é preciso analisar o atual estágio da mídia brasileira.
O mercado da Internet está sendo disputado por três grupos: a mídia convencional, as empresas de telefonia e as grandes redes sociais, como Google e Facebook.
Antes, mídia vendia publicidade; telefonia vendia pulsos; redes sociais vendiam sonhos. Agora, as redes sociais vendem publicidade, ligações telefônicas e filmes sob demanda. Nos EUA, já dominam completamente a publicidade nacional (dos grandes produtos) e os classificados.
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No ano passado, o Google se tornou-se o segundo faturamento em publicidade do país, atrás apenas da Globo, e à frente da Abril e demais grupos de mídia, com R$ 2,5 bilhões. Este ano, deverá crescer R$ 1 bi.
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Tanto grupos da velha mídia como empresas de telefonia têm razão ao pleitear isonomia com grupos de fora – que não pagam impostos no Brasil nem contribuições às quais são obrigadas TVs a cabo.
Para estabelecer a isonomia, haveria a necessidade de um novo ordenamento jurídico. O caminho seria a Lei dos Meios – proposta há anos pelo então Secretário de Comunicações do governo federal Franklin Martins.
No entanto, demonizou-se a Lei dos Meios, como se fosse um instrumento para calar a mídia. Agora, necessita-se de uma mudança legal que defina os novos marcos das comunicações. E a Globo quedou-se só.
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Dias atrás, um interlocutor de João Roberto Marinho – um dos herdeiros da Globo – ouviu dele manifestação de surpresa com o ódio que a empresa desperta, o desassossego com a crise dos aliados - seus três maiores aliados, Folha, Abril e Estadão, perdem fôlego a cada dia que passa -, o desconforto com a competição das redes sociais.
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De fato, as empresas de telecomunicações contam com o lobby escancarado do Ministro Paulo Bernardo.
Já a Globo enfrenta o momento mais delicado de sua história sem dispor do antigo poder de definir as leis a seu talante e estando cada vez mais isolada.
É por aí que se entendem as mudanças.
Nos últimos tempos, a Globo trocou seu lobista em Brasília – Evandro Guimarães, competente porém herdeiro dos tempos do “eu sou o senhor do universo”- por outro, mais político. Nomeou para cargo de direção uma executiva incumbida de começar a enxugar a estrutura de custos para adaptar-se aos novos tempos.
Provavelmente seu noticiário começará a se tornar menos tendencioso e poderá até a voltar a praticar jornalismo de primeira, crítico porém plural. Ouvintes da CBN, telespectadores do Jornal Nacional e da Globo News voltarão a saborear comentaristas equilibrados, com bom senso, criticando, sim, mas sem prever mais o fim do mundo e a invasão do país pelas forças de Fidel Castro.
Seja qual for a mudança, continuará poderosa. Mas os tempos de poder absoluto não mais voltarão. Nos próximos anos, terá que fazer algo impensável para quem se considerava um império: sair do pedestal, legitimar-se novamente, montar redes de aliados.
Luis Nassif
No GGN
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Planalto em alerta: Dia da Pátria pode ser de guerra

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Presidência da República recebe informes das áreas de segurança; previstas hostilidades entre grupos como o dos Anonymous e o dos Black Blocs contra militantes do PT que saírem às ruas; falta de bandeiras claras para protestos no 7 de setembro acentua inclinação para o vandalismo; desta vez, grupos de esquerda suspeitam que manifestações serão guiadas por adversários à direita; dirigente petista Valter Pomar convoca militância para dar resposta "forte e clara" aos protestos organizados por "direitistas em geral"; Palácio do Planalto monta esquema especial de segurança; vai adiantar?
As manifestações previstas para acontecer no dia Sete de Setembro podem se tornar um grande confronto entre grupos que têm organizado protestos nas redes sociais, como o do Anonymous e do Black Blocs, e militantes do PT. Foi o que detectou a área de segurança da presidência da República, por meio de monitoramento em redes como Facebook e Twitter, onde conseguiu perceber ameaças de radicalização por esses manifestantes.
Dois momentos do dia serão cruciais, de acordo com o estudo elaborado pelo governo federal: pela manhã, durante o desfile militar da Esplanada dos Ministérios, com a presença da presidente Dilma Rousseff, e durante o jogo entre Brasil e Austrália, também em Brasília, no Estádio Mané Garrincha, às 16h15. Conforme divulgou a Folha de S.Paulo nesta segunda-feira, o Planalto já mandou reforçar a segurança no desfile, antecipando atos de vandalismo.
O grupo Black Blocs, conhecido por destruir estabelecimentos que simbolizem o capitalismo, como agências bancárias, tem organizado para o feriado da Independência protestos em todo o País nas redes sociais. Já o Anonymous, famosos por utilizarem a máscara do personagem "V", popularizado pelo filme V de Vingança, convoca para o que chama de "o maior protesto da história do Brasil" – assista vídeo com a divulgação da pauta de reivindicações.


PT convoca militância
Como resposta, os militantes do PT também devem sair às ruas. No vídeo abaixo, o dirigente petista Valter Pomar convoca uma manifestação no mesmo dia a fim de dar uma resposta aos protestos do Anonymous, por exemplo, que pedirão a prisão imediata dos réus condenados na Ação Penal 470, do STF. Pomar chama os organizadores dos atos de "grupo de torturadores aposentados, vivandeiras, viúvas da ditadura militar, direitistas em geral, cavernícolas em particular" e pede aos petistas para que deem uma resposta "muito forte e clara" a "essa gente".


No 247
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Esqueçam o que escrevi, diriam os jornais

O livro “O Príncipe da Privataria”, de Palmério Dória, lançado na semana passada, tem a qualidade de ser memória. Dez anos passados do final dos governos de Fernando Henrique Cardoso, um processo do chamado Mensalão que tomou oito anos de generosos espaços da mídia tradicional e uma viuvez inconsolável da elite brasileira – alijada do principal poder institucional, o Executivo, por falta de votos populares –, jogaram para debaixo do tapete a memória do que foi o processo de privatização brasileira e a violenta concentração de riqueza nacional que disso resultou.
Foi quase como se a mídia tradicional brasileira e a elite “moderna” que ingressou no capitalismo financeiro internacional na era Collor-Fernando Henrique Cardoso tivessem tirado as palavras da boca do próprio FHC. “Esqueçam o que eu escrevi”, teriam dito jornais e emissoras brasileiras, se perguntadas por que subtraíram de si próprios o mérito de ter, pelo menos, jogado luzes sobre a pesada articulação do governo tucano para dar mais quatro anos de mandato a Fernando Henrique, e sobre os interesses que se acumulavam por trás de um processo de privatização que, no mínimo, e para não dizer outra coisa, foi viciado.
Na ponta do lápis, a aprovação da reeleição a R$ 200 por cabeça (denunciada pela Folha, com três confissões de venda documentadas em gravações obtidas pelo jornalista Fernando Rodrigues, e uma previsão de que, no total, pelo menos 150 parlamentares venderam também o seu voto) e os prejuízos de uma privatização que concentrou pesadamente renda privada no país, além de desnacionalizar setores estratégicos para o crescimento brasileiro, resultam em valores muito, mas muito mais expressivos do que o escândalo do Mensalão, que os jornais (com a ajuda de declarações e frases feitas de ministros do Supremo Tribunal Federal) cansam em dizer que foi o maior escândalo de corrupção da história do país.
Nos dois casos – do governo Fernando Henrique e no escândalo maior do governo Lula, o Mensalão – os jornais denunciaram. A diferença para os dois períodos, todavia, foi a forma como a mídia enxergou os desmandos. No caso da compra de votos para a reeleição, jornais e tevês consideraram satisfatória a ação da Câmara, que cassou o mandado de três parlamentares que confessaram, para o gravador oculto do jornalista Fernando Rodrigues, terem recebido dinheiro para votar a emenda da reeleição. Os escândalos relativos à privatização foram divulgados muito mais como denúncias de arapongagem – escutas ilegais feitas por inimigos do programa de doação do patrimônio público a consórcios formados com dinheiro do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, fundos de previdência das estatais e capital estrangeiro (em menor volume, mas com direito a controle acionário), do que propriamente indícios de ilícitos do governo.
O fato de os jornais, revistas e tevês simplesmente terem apagado de suas memórias edições desses períodos não chega, portanto, a ser uma contradição. Ideologicamente, nunca houve uma proximidade política tão grande entre os meios de comunicação e um governo eleito democraticamente no país. O projeto tucano era também o projeto de modernização acalentado pela mídia tradicional: uma economia aberta ao capital estrangeiro, desregulada, obedecendo à máxima liberal de que o mercado é o melhor governo para os dinheiros. Nos editoriais da época, os jornais centenários brasileiros expressam a comunhão, com o governo, dos ideais de um Brasil moderno, neoliberal, fundado na ordem que já havia ganhado o mundo e subvertido o Estado de Bem-Estar social europeu, que foi o modelo mais longevo de capitalismo com justiça social do mundo (talvez tenha sido este um golpe mais duro para a esquerda democrática do mundo do que propriamente a queda do Muro de Berlim).
Com ressalvas para denúncias de desvios que foram colocados na categoria de “pontuais”, jamais como “sistêmicos” – como se repisa no caso dos escândalos dos governos petistas – a imprensa embarcou no discurso a favor de “reformas estruturais” que, ao fim e ao cabo, representavam extinguir conquistas sociais e garantias de soberania da Constituição de 1988. No final dos governos FHC, os editoriais lamentaram não a corrupção sistêmica, mas o fato de o Congresso (e não o governo) não ter cedido ao Executivo e aprovado as demais reformas, que consistiam em reformar a Previdência e reduzir garantias do trabalho. Enfim, acabar com a herança getulista, como havia prometido FHC.
Quando se tira a história debaixo do tapete, conclui-se também que os oito anos de governos FHC, mais os tantos anos que sobraram do governo Collor – que sofreu o impeachment em 1991 – e os anos em que o governo Itamar Franco esteve dominado por intelectuais ligados a FHC e Serra e economistas da PUC do Rio, usaram todos os recursos disponíveis na atrasada política tradicional com o propósito declarado de “mudar” o país. Qualquer oposição era jurássica e estava exposta ao ridículo: a elite “moderna” desprezava o que considerava ser subdesenvolvimento cultural das esquerdas.
O jogo mais pesado foi feito para aprovar a reeleição de Fernando Henrique, parte de um projeto político verbalizado pelo então ministro Sérgio Motta de manter os tucanos no poder por 20 anos. A compra de votos foi generalizada no período, segundo farto material produzido pela mídia tradicional. Não houve ação da Polícia Federal, do Ministério Público ou da Justiça contra as fartas evidências de que a aprovação da reeleição foi uma fraude, proporcionada por mais de 150 votos comprados a R$ 200 mil cada um, segundo reitera a fonte de Fernando Rodrigues à época, agora entrevistado por Palmério Dória para o “Príncipe da Privataria”.
Da mesma forma, os indícios de vícios graves na formação dos consórcios que viriam a comprar o sistema estatal de telefonia, fatiado pelo governo tucano, nunca foram objeto de uma preocupação mais séria por parte do Ministério Público, ou jamais sofreram a contestação de um Supremo Tribunal Federal que, na era petista, imiscuiu-se em todos os assuntos relativos aos demais poderes da República.
Em 1994, consolidou-se um bloco hegemônico em torno de um governo. MP, STF, polícias – todos tinham chefe. Era FHC, mas o principal partido político não era o PSDB, e sim os jornais – assim como hoje eles se constituem no principal partido de oposição. O que aconteceu de 2002 para cá é que a unidade em torno do governo não existe mais, mas a hegemonia das outras instituições se impõe sobre os poderes instituídos pelo voto. O bloco hegemônico é o mesmo, exceto pelo governo e pelo Congresso, que dependem do voto popular. A unidade se faz em torno da mídia – que nega o que escreveu na última década do milênio. Dois pesos e duas medidas viraram uso corriqueiro por este bloco. Por isso é tão simples cunhar frases do tipo “nunca houve um governo tão corrupto” para qualquer um posterior ao período tucano, que vai de 1995 a 2002. E por isso esta simplificação não pode ser pedagógica: não reconhecer que há uma corrupção estrutural no sistema político é uma forma de mantê-lo inalterado. E, quando um presidente do bloco hegemônico for eleito, poderá usar esse sistema político atrasado, com o pretexto de “modernizar” o país, pagando o preço que ele cobrar.
Maria Inês Nassif
No Carta Maior
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A força dos interesses

Ser amistoso em retribuição a atos 
inamistosos é, no mínimo, subserviência
- e não parece próprio de Dilma
Na estreita margem de reação ao seu alcance, a mais (ou única) eficaz resposta do governo brasileiro ao dos Estados Unidos é pôr em suspenso a visita da presidente Dilma Rousseff a Barack Obama, marcada para o próximo mês. E confirmá-la ou sustá-la a depender do que o governo americano faça com a exigência de explicação escrita que lhe fez ontem o governo brasileiro, sobre a violação das comunicações oficiais e pessoais até da presidente brasileira.
Assuntos importantes podem haver, mas não assuntos graves para negociações de Dilma e Obama. A visita foi prevista, portanto, sobretudo como um gesto amistoso. Mas ser amistoso em retribuição a atos inamistosos é, no mínimo, subserviência. O que não parece próprio de Dilma Rousseff e, de uns poucos anos para cá, deixou de ser a atitude brasileira com os Estados Unidos.
A interceptação das comunicações da Presidência não é só uma transgressão das normais internacionais de convivências soberanas, praticada pelo governo americano contra o brasileiro. São ações inamistosas dos Estados Unidos. De duas ordens.
Uma, sub-reptícia, de violação de direitos e de sigilos brasileiros protegidos pelo direito internacional e por tratados de que os dois países são signatários. Outra, a depreciação da soberania brasileira, se não for a negação mesma.
Neste segundo aspecto, a visão de um país sob condições neocoloniais ficou explicitada outra vez, diretamente, ao ministro da Justiça brasileiro, José Eduardo Cardozo, quando levou a Washington, na semana passada, uma proposta de acordo para meios honestos e legais de coleta americana de informações no Brasil (sem embaraços, desde que autorizada judicialmente, como exige a Constituição do Brasil).
O governo americano recusou a proposta com um argumento dado como definitivo e apresentado de modo que o ministro descreveu como "peremptório": os Estados Unidos agem com base na sua legislação interna e consideram-se cumprindo uma missão internacional. As leis que regem a conduta americana no Brasil, como na violação do sigilo das comunicações presidenciais e quaisquer outras, são as leis americanas, não a Constituição brasileira e seu corpo de leis. E pronto.
Com a sugestão a Washington, o Brasil cumpriu o papel de diplomacia respeitável, mas, a rigor, mesmo o acordo seria inócuo: os Estados Unidos não são confiáveis. Vale lembrar, a propósito, um ensinamento, tão pouco aproveitado no jornalismo, dado por John Foster Dulles, o mais proeminente secretário de Estado americano desde a Segunda Guerra Mundial: "Os Estados Unidos não têm amigos, têm interesses".
E força. Da qual abusam segundo seus interesses. "Se o Congresso aprovar, a ação dos EUA na Síria ocorrerá mesmo que o Conselho da Segurança da ONU seja contrário" - é uma resolução destes dias. A desproporção de forças militares reflete-se sobre os organismos internacionais de regulação e julgamento, o que sinaliza, por antecipação, as escassas perspectivas dos recursos a cortes internacionais insinuados pelos ministros Cardozo e Luiz Alberto Figueiredo, o estreante de Relações Exteriores.
A menos que se constitua um movimento de países com alguma dose de representatividade, algo bastante problemático. E dependente, quem sabe, dos arquivos e da disposição de Edward Snowden de divulgar violações graves em outros países, como fez com seu coadjuvante Glenn Greenwald nestas revelações sobre o furto americano de sigilos da Presidência brasileira.
Se o Brasil não tem meios para dar a resposta à altura, será muito pedagógico que ao menos se mantenha ereto - como se mostra até aqui. 
Janio de Freitas
No fAlha
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Danilo Gentili destila preconceito contra o Nordeste e Cuba

Danilo Gentili
Foto: Julia Chequer/R7
Para o “humorista” Danilo Gentili, o Nordeste é um lugar sem energia elétrica, sem água e sem comida. E papel higiênico – sugeriu o “intelectual” Roger (ex-Ultraje a Rigor) – também é uma preocupação da população nordestina.
Segundo Gentili, os médicos cubanos que vão trabalhar no Nordeste, através do programa Mais Médicos, “estão se sentindo em casa”.
Tudo isso dito em pouco mais de 30 segundos e com ar de seriedade. Isto é, de piada pretensamente engraçada – piada que não se pretende engraçada não se leva a sério.
Danilo Gentile e Roger: uma dupla perfeita!
Utilizando preconceitos que nos anos 1960 já seriam considerados ofensivos, por debocharem da miséria humana e do sofrimento de milhões de pessoas, hoje, diante de uma realidade completamente distinta, que não guarda qualquer afinidade com a piada, Danilo Gentili soa não apenas como um dos incontáveis imbecis que habitam cidades do Sul e Sudeste.
Ele soa como alguém cujo “talento” depende da existência de imbecis como ele para se alimentarem continuamente do preconceito, da discriminação e da ignorância.
Nenhuma raiva do Gentili. Apenas asco – como tenho de qualquer pessoa preconceituosa e racista – e tristeza por constatar que ainda há muita gente que se identifica com esse tipo de “humor”.
E o Roger… ahh, o Roger… desse eu só tenho pena…
No Conexão Brasília Maranhão
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Lanzamientos en el Mediterráneo refuerzan las expectativas de un ataque contra Siria

Los lanzamientos de misiles en el Mediterráneo, detectados esta mañana por Rusia y reivindicados luego por Israel como parte de un ensayo conjunto con EEUU, reforzaron las expectativas de un inminente ataque a Siria en respuesta al uso de armas químicas que Occidente incrimina al régimen de Bashar Asad.
“Es un elemento de presión e intimidación, una demostración de que los estadounidenses están preparando una intervención”, declaró a RIA Novosti el diputado ruso Franz Klintsévich, subjefe del comité parlamentario para la defensa y miembro del partido oficialista Rusia Unida.
Para el legislador, “se trata de un tiro de prueba, un síntoma de que habrá una operación terrestre que podría comenzar con ataques aéreos, con armas de alta precisión”.
El contralmirante Viachelav Apanasenko, exmiembro de la delegación rusa que en 1988 negoció con los estadounidenses las restricciones sobre fuerzas nucleares estratégicas de emplazamiento naval, opina que los cohetes fueron lanzados hoy desde un submarino estadounidense.
“Si se confirma que se han lanzado desde un submarino estratégico de la Armada estadounidense, habrá que convocar una reunión extraordinaria del Consejo de Seguridad de la ONU para que representantes de Washington respondan a la comunidad internacional sobre los motivos de su actuación”, dijo el experto.
Tales acciones, a su juicio, “ponen en peligro a la población de países vecinos, así como buques mercantes y de guerra que se encuentran en el Mediterráneo”.
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As aventuras do careca: Fábula de um país imaginário

 Publicado em 3 de setembro de 2010 

- Rapaz, eu te falei que esse negócio dos nossos jornais não darem uma linha sobre a história era burrada. A imprensa inteira fazendo o maior auê e a gente dando manchete sobre o aumento da poluição em BH? Foi bandeira demais. Os caras só seguiram a pista.
- Eu disse ao Alvim. Era só repetir a ladainha “o aparelhamento da Receita, o Estado policial, patati patatá”. Mas não. Ficaram no silêncio, deu no que deu. Ficou óbvio demais.
- Uso do cachimbo deixa a boca torta.
- Pois é.
- O negócio já estava agourado lá atrás, quando o Ecim bateu na namorada. Pô, tá achando que Copacabana é Barão de Cocais? Lá vaza mesmo. A moça lá da Folha que é dona da boate contou, mas não deu nome nenhum.
- Quem deu?
- Aquele jornalista lá, do futebol.
- Por que o cara fez isso?
- Ele vive afogado em processos, o Ric o odeia.
- O Rick o está processando também?
- Não, sua besta, esse é outro Ric, o do futebol!
- Ah, sei. Mas o que tem a ver?
- É que o Ric é chapa do Ecim.
- Isso aí foi antes ou depois daquele recado do careca, o pó pará?
- Depois. O Ecim já sabia que o chumbo era grosso. Mas aí o Ecim já estava com a galera nossa aqui, já tinha chamado o Yruama. Quando o careca descobriu que o Rick estava processando o Yruama, endoidou. Ele é feio e desengoçado, burro ele não é. Mas aí Inês já era morta, tinha que continuar com a ladainha de que era o partido dos barbudos. Como réu, o Yruama tinha acesso aos autos. Imagina, o Yruama, repórter, macaco velho, com aquela papelada toda. O sujeito até salivou. Um franguinho assado no colo.
- O que tem na papelada?
- Toda a história de Lilliput nos anos 90. Como venderam tudo, as negociatas, tudim, tudim. O careca entrou em pânico.
- O lance é que o careca tentando fingir de indignado não convence nem minha vovozinha. É mais fácil ele aprender a dançar forró que se fingir ultrajado. Aí fodeu mesmo.
- Mas o plano não era incriminar o partido dos barbudos com o material do Yruama, aproveitando que era sigiloso?
- Tentaram. Foram lá em Brasília com aquele delegado. O sargentão estava lá também. Não conseguiram nem um aloprado pra arrastar.
- Mas a Óia não deu a matéria assim mesmo, dizendo que era o partido dos barbudos?
- Os caras foram lá, mas a história era tão fantasiosa que nem o Quaresma achou que dava pra vender.
- Mas a matéria saiu.
- Saiu, porque ali sacumé. Até o cruzamento da mandioca com o rinoceronte eles já inventaram.
- E aí, o que rolou?
- A matéria saiu na internet num sábado. Veio o domingo e nada de repercussão. Veio a segunda, nada. Não sei o que rolou na segunda, mas na terça A Esfera entrou solando, publicou matéria repercutindo. O rapaz da Folha até contou que eles nem iam pegar essa história, era vexame demais, mas como A Esfera já tinha publicado, eles tinham que seguir.
- Nem com a matéria eles conseguiram algum bobo do partido dos barbudos pra pegar um dado sigiloso e depois ser incriminado?
- Nem um. Filhos da puta. Os barbudos estão ficando espertos.
- Como é que eles descobrem a relação disso tudo aí com a cidade do Visconde?
- Internet, meu filho. Lilliput em 2010 não é Lilliput em 1989. Não sei quem foi, mas às 15 h o trem já estava pegando fogo na internet.
- Qual foi a besta quadrada que saiu da reunião dizendo “a internet já descobriu que foi o Ecim”?
- Não sei quem foi, mas vazou isso também.
- Como é que está Ecim?
- Ecim está tranquilo. Agora, o careca está em pânico.
- E o nosso esquemão aqui?
- Complicado. Descobriram as matérias clandestinas feitas à noite aqui, pra não sair no jornal e vazar pra outros.
- Como descobriram? Porra, estamos no oitavo andar!
- A meia dúzia de quarteirões do Ecim. Eu já te falei, Lilliput em 2010 não é Lilliput em 1989.
- Como se chama este bairro aqui?
- Bairro da Serra.
- Avenida Getúlio Vargas no bairro da Serra?
- Eu sei, pode rir.
- E o careca agora?
- Ficou doidão. Não pode revelar o esquema, começou a brigar com os blogs.
- Blogs?
- É uma turma suja que escreve na Internet.
- O cara quer governar Lilliput e está brigando com os blogs?
- Desespero, mô fio. O Ecim é que é esperto. O careca odeia o Ecim até mais que ele odeia o barbudão. Do barbudão ele tem é inveja.
- E o barbudão?
- Estava lá em Porto Alegre quando vazou tudo. Sendo beijado pelo povo, aquela nojeira.
- Tem perigo disso sair na imprensa?
- Tem não. Morrem de medo, rabo preso, sacumé. O lance é que dá na mesma, está todo mundo migrando pra internet.
- O Yruama está se cuidando?
- Aquele ali é doido de pedra. Você sabe, ele voltou pra Minas depois que levou aquele tiro em Brasília.
- Nosso esquemão aqui sobrevive?
- Claro. Minas é tranquilo.
- Então a mulher vai ganhar mesmo?
- De lavada.
- E o careca?
- Se fodeu.
- Acho que é até melhor pra nós.
- Com certeza.
- O careca ficou sozinho então?
- Ficou sozinho.
Idelber Avelar
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Fim do voto secreto é o suicídio do parlamento

:
Conquista democrática, o voto secreto existe desde a Grécia Antiga, quando os atenienses decidiam se determinado cidadão deveria ser enviado ao ostracismo; ele foi preservado nas democracias modernas para garantir a independência dos parlamentares diante da pressão dos poderes econômico e sobretudo midiático; sem o voto secreto, como querem o Globo, o Estado de S. Paulo e colunistas como Eliane Cantanhêde, a democracia brasileira seria substituída por uma espécie de Globocracia, Mervalocracia ou Elianecracia; será que os deputados irão oferecer a eles o próprio pescoço?
Os meios de comunicação tradicionais e sua tropa de colunistas já têm uma nova bandeira: o fim do voto secreto no parlamento brasileiro, especialmente nas processos de cassação de parlamentares. Essa bandeira foi hasteada pelo Globo e pelo Estado de S. Paulo em suas manchetes, assim como pela colunista Eliane Cantanhêde. O motivo é a não cassação do deputado Natan Donadon, que, segundo Eliane, representaria o suicídio do parlamento brasileiro?
Será mesmo? Presente em praticamente todas as democracias modernas, o voto secreto é uma conquista democrática, que protege o parlamento de pressões ilegítimas – especialmente aquela exercida pelos meios de comunicação, que, além de interesses comerciais, também têm uma agenda política. Nasceu na Grécia Antiga, quando os atenienses decidiam que cidadãos deveriam ser enviados ao ostracismo.
Uma monografia interessante escrita por Eduardo Meireles de Souza (leia aqui) aborda o tema com profundidade – e não com a superficialidade típica dos meios de comunicação e de seus colunistas. "A concepção do voto secreto não é algo tão inovador quanto parece e remonta à Antigüidade. Na Grécia Antiga, conhecida como “berço da democracia”, o voto secreto era utilizado em Atenas, a fim de decidir um processo conhecido como ostracismo, juízo pelo qual os atenienses exilavam por dez anos um cidadão cuja presença era considerada perigosa à manutenção do regime democrático", diz ele.
O sistema foi mantido nas democracias modernas por várias razões. Entre elas, algumas listas por Eduardo Meireles de Souza:
De acordo com estudo realizado pela Comissão de Assuntos Constitucionais do Parlamento Europeu, algumas das principais justificativas utilizadas em prol do voto secreto nos parlamentos são:
· a outorga de maior independência aos parlamentares liberando-os da disciplina partidária pois, ao menos em casos excepcionais, garantiria um poder de decisão objetivo e consciente diante das pressões sofridas;
· a garantia de deliberar livremente, como faz o eleitor, considerando que ao votar este também toma uma decisão orientada para o bem comum; e,
· a preservação da autonomia do mandato, ao permitir que o parlamentar vote de modo distinto ao da posição de um determinado grupo.
Sem o voto secreto, a democracia brasileira, já fragilizada, seria progressivamente substituída por um novo regime político. Globocracia, talvez. Ou, quem sabe, Mervalocracia. Elianecracia... Ou alguém duvida que parlamentares que não seguissem sua cartilha seriam publicamente execrados? O julgamento da Ação Penal 470, em a mídia tradicional colocou a faca no pescoço de vários ministros do Supremo Tribunal Federal – e continua colocando – está aí para não deixar dúvida alguma sobre as intenções de um grupo de pressão poderoso, mas que não foi eleito e, portanto, não tem legitimidade.
Em sua coluna desta sexta-feira, Eliane Cantanhêde, afirma que o parlamento cometeu suicídio ao não cassar Natan Donadon. Suicídio, na verdade, seria eliminar o voto secreto e transferir o poder representativo conferido pelo povo aos barões midiáticos e a seus atiradores. Será que os parlamentares vão oferecer a eles o próprio pescoço?
Abaixo, a coluna de Eliane:
Suicídio
BRASÍLIA - Ninguém trata tão mal os políticos quanto os próprios políticos. Nem mesmo o mais ácido crítico teria tanta eficácia quanto Suas Excelências ao corroer a imagem de deputados, de senadores e, pior, do Congresso Nacional.
Há inúmeros adjetivos, além de expressões impublicáveis, para definir a decisão de quarta-feira à noite, absolvendo o presidiário Natan Donadon da cassação de mandato, mas um só basta: é inacreditável.
Os parlamentares que votaram a favor de Donadon, abstiveram-se ou ausentaram-se sem bons motivos deixam uma dúvida. Se eles são colegas de Donadon na corporação Congresso ou deveriam ser na corporação Papuda, onde o parlamentar-presidiário está preso, com uma condenação de mais de 13 anos por formação de quadrilha e desvio de dinheiro público, o popular roubo.
Para tentar contornar o clima de enterro da instituição, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, saca uma solução heterodoxa e sem respaldo no regimento, declarando o afastamento de Donadon e a convocação de seu suplente, Amir Lando. Está criada a seguinte situação: Donadon não é deputado, mas é; Lando é deputado, mas não é.
E, numa tentativa patética de reduzir as labaredas na opinião pública, o presidente do Senado, Renan Calheiros, desfralda uma "saída célere" anunciando a votação da PEC 18, que determina a perda automática de mandato, sem votação do Legislativo, em caso de condenação por improbidade administrativa e crime contra a administração pública.
Ah! Todos, claro, berram pelos salões, corredores e comissões contra o instituto do voto secreto para a cassação de parlamentares. Quem quiser se igualar a condenados, que vote pelo menos às claras.
Agora, porém, tudo isso é secundário, porque Inês é morta e Donadon está bem vivo. Mas, se alguém acha que isso pode ajudar Genoino, João Paulo Cunha e Costa Neto, está muito enganado. Ou será que não?
No 247
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Charge online - Bessinha - # 1916

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