2 de set de 2013

Pondé, a dor de barriga e o comunismo

Adoro as segundas-feiras. É o dia em que amanheço com a ousadia sexy de Pondé na Folha e vou dormir com a elegância serena de Gutinho no Roda.
Enfim, trata-se da opinião definitiva pra todo e qualquer assunto.
A coluna de hoje me tocou especialmente. Por isso, gostaria de wandalizar os principais trechos com vocês:
“O PT está usando uma tática de difamação contra os médicos brasileiros igual à usada pelos nazistas contra os judeus: colando neles a imagem de interesseiros e insensíveis ao sofrimento do povo (...) Os médicos brasileiros viraram os "judeus do PT"
Perfeito, querido. Esses criminosos, comandados pela nazi-socialista Dilma de Ferro, estão perseguindo a sofrida classe médica e maculando a boa imagem conquistada junto à população.
"O PT não está nem aí para quem morre de dor de barriga, só quer ganhar eleição"
Perfeito novamente. Esses insensíveis só ganham eleição enchendo a barriga dos eleitores em troca de voto. Quando chegar a dor de barriga, o povo que se vire com os guerrilheiros-curandeiros importados de Cuba.
Assim como os judeus foram o bode expiatório dos nazistas, os médicos brasileiros estão sendo oferecidos como causa do sofrimento da população. Um escândalo.
Se infringir a Lei de Godwin desse cadeia, Pondé estaria condenado à prisão perpétua só pela coluna de hoje. De qualquer forma, o filósofo tem razão: por culpa do governo comunista, restou aos doutores a injusta fama de elitistas. Motivo? Recusa de salário de R$10.000 e a recente hostilização de cubanos. Um escândalo.
“Um médico não pode curar dor de barriga quando faltam gaze, equipamento, pessoal capacitado da área médica, como enfermeiras, assistentes de enfermagem, assistentes sociais, ambulâncias, estradas, leitos, remédios”
Nossa, querido, também não precisa exagerar. Dor de barriga não é um câncer de pulmão em estágio avançado. Dá pra curar sem gaze e equipamentos sim.
"Só o senso comum que nada entende do cotidiano médico pode pensar que a presença de um médico no meio do nada "salva vidas". Isso é coisa de cinema barato"
Só o senso comum pra acreditar nessas idiotices né, Pondé?
“Tudo isso porque nosso governo é comunista como o de Cuba”
E você é nossa Yoani Sanchez, querido. Percorra o mundo e denuncie a crueldade desse regime comunista em que estamos aprisionados. Se ela faz sucesso com aquele cabelo horrendo, imagine você com essa careca charmosa e reluzente.
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Dilma prepara reação dura aos EUA na sede da ONU

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Presidente fará discurso contundente contra a bisbilhotagem patrocinada pelo governo de Barack Obama na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, que ocorre no dia 23 de setembro e, tradicionalmente, é aberta pelo Brasil; Dilma pedirá uma ação multilateral para conter a espionagem internacional, da qual ela e seus ministros foram alvo; encontro de cúpula entre Brasil e Estados Unidos ocorrerá um mês depois, em Washington; Big Brother Obama terá uma oportunidade para se desculpar
A resposta do governo brasileiro à espionagem patrocinada pelo Estados Unidos será dura. E feita em território americano. Ou melhor, das Nações Unidas. Mais precisamente, na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, que ocorrerá no dia 23 de setembro e que, tradicionalmente, é aberta com o discurso que cabe ao representante do Brasil.
Nesta tarde, depois de convocar uma reunião de emergência com diversos ministros para discutir a invasão de comunicações sigilosas da própria presidência da República (leia mais aqui), Dilma definiu que a Assembleia das Nações Unidas será o palco para a resposta que o Brasil dará aos Estados Unidos. Dilma pedirá uma ação multilateral em defesa da privacidade dos governos e dos cidadãos. A escolha da ONU é também acertada por outro motivo. Recentemente, a revista alemã Der Spiegel denunciou que o governo de Barack Obama também espionou a sede das Nações Unidas (leia aqui).
O tom duro que será adotado pela presidente não compromete, na visão de fontes ligadas ao Itamaraty, o encontro de cúpula entre Brasil e Estados Unidos, que será realizado em outubro, quando Dilma será recebida em jantar de gala na Casa Branca, em Washington. Big Brother Obama terá ali uma boa oportunidade para pedir desculpas.
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Médico flagrado com uniforme em musculação é suspenso por 15 dias

Residente do Hospital Mário Gatti, em Campinas, terá desconto no salário.
Profissional usou roupas de centro cirúrgico em academia no mês de agosto.
Médico residente do Mário Gatti flagrado em
academia de Campinas
(Foto: Luddy Ferreira)
O médico residente do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas (SP), flagrado com roupas do centro cirúrgico durante um treino de musculação em agosto, foi punido com 15 dias de suspensão pela Comissão de Residência Médica (Coreme). O profissional foi notificado sobre a infração administrativa na tarde de sexta-feira (30) e só poderá retornar à unidade médica em 15 de setembro. A denúncia foi feita ao G1 por um aluno da academia Smart Fit, no Cambuí, bairro de classe média alta.
Segundo a assessoria de imprensa do Mário Gatti, o médico, que recebe bolsa de residência na área de urologia no valor de R$ 2.976,26, também terá descontado do salário os dias que ficará afastado. A comissão não informou as justificativas do médico apresentadas formalmente, mas afirmou que as explicações não foram suficientes para evitar a punição. Entre as penas possíveis estavam advertência verbal e/ou escrita, punição com suspensão e desconto no salário, até a expulsão.
A comissão avaliou a gravidade da atitude do residente e também se ele já havia sido punido administrativamente, o que não foi confirmado. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, o flagrante foi julgado como um ato administrativo, já que o comportamento do médico no Mário Gatti e nas atividades dele no centro cirúrgico foi apontado como exemplar pelos supervisores e professores.
Médico é flagrado em Campinas com roupa de cirurgia durante musculação (Foto: Luddy Ferreira)
Médico foi flagrado em Campinas com roupa de
cirurgia durante musculação (Foto: Luddy Ferreira)
O hospital garante que todos os profissionais que atuam no centro cirúrgico sabem que o uso do uniforme fora do setor de cirurgias é proibido, já que assinam um termo ao serem contratados, além de serem avisados por meio de comunicados fixados nos corredores da unidade médica. O médico não foi encontrado para comentar o assunto até a publicação.
A Comissão de Residência Médica foi criada para avaliar o relatório com as justificativas do profissional que atua no setor de urologia. Entre os integrantes do grupo estavam os presidentes do Hospital Mário Gatti, Arthur Sarti, e da Coreme, Péricles Mendonça Dias da Motta. A assessoria do hospital reiterou que o médico não tinha cirurgia prevista para aquele dia.
Reclamações
Médico residente do Mário Gatti flagrado em academia de Campinas, SP (Foto: Luddy Ferreira)
Médico residente do Mário Gatti
foi flagrado em aula  de musculação
(Foto: Luddy Ferreira)
O médico residente foi flagrado durante um treino de musculação, com roupas próprias de centro cirúrgico. Segundo o empresário de moda Luddy Ferreira, que registrou imagens, o aluno disse que não houve tempo para trocar a roupa e que ainda realizaria uma cirurgia. "Eu pensei que fosse o Fantástico [Vai Fazer O Quê?], que alguém fosse aparecer e tomar uma atitude. Muita gente ficou incomodada, houve falta de respeito não apenas com os alunos, mas também com os pacientes. É um risco de contaminação para todos", ressaltou o empresário, de 46 anos.
O quadro exibido pela TV Globo, aos domingos, mostra atores desconhecidos que vivem situações desconfortáveis, com o objetivo de revelar as reações espontâneas dos observadores.
Advertência
A assessoria da Smart Fit informou, em nota, que o aluno foi advertido pela conduta contrária às normas gerais disponíveis nas unidades e site da rede de academias. "Vale observar que todos os alunos se comprometem a observar essas normas no momento da matrícula, ao assinar o termo de adesão, justamente para impedir que certas condutas possam causar transtornos aos demais frequentadores e/ou funcionários, prejudicando a harmonia e o objetivo do ambiente. Em caso de reincidência da conduta inadequada, o autor poderá ter o seu plano cancelado”.
No G1
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Charge online - Bessinha - # 1915


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Alvaro Dias se vinga do “caso Índio” e apunhala José Serra

Sempre recordo de uma das frases prediletas de Leonel Brizola: “a política ama a traição, mas abomina o traidor”.
A matéria da Folha, hoje, em que o senador Álvaro Dias diz ter sido procurado por José Serra para ser seu candidato a vice-presidente pelo PPS é o prato frio da vingança do tucano paranaense para o “mico” que Serra o fez pagar, nas eleições de 2010, quando o “desconvidou” para dar o lugar a um “pré-coxinha”, o então deputado demo Índio da Costa.
Mas, à parte a falta de pudor de ir dar entrevista sobre o abandono ao abandonador – já está virando moda entre os tucanos espezinhar seu ex-líder -, a matéria revela que o rancor de Serra o vai impulsionando, apesar de tudo, para uma candidatura.
E também quanto é pura e “espontânea” a armação de protestos no Sete de Setembro, nas palavras do ex-talvez-futuro-vice:
“Disse a ele que a hora é de muita prudência e de avaliar o impacto que terão essas manifestações marcadas para o 7 de Setembro. Falei que não tenho prazer em mudar de partido e que a possibilidade de sair do PSDB é muito remota, que a chance maior é de permanecer e disputar novamente o Senado”
Nenhum, senador. Como mostra o editorial de O Globo hoje, a mídia está deixando os black blocs como aquele rapaz, o Paulo Black, na beira do caminho.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Sem lamentos nem desculpas, o que se quer é Justiça

A situação de José Dirceu encontra-se numa fronteira insegura para aqueles que apostam em seu linchamento
A cada dia que passa, cresce a convicção de que os embargos infringentes no julgamento do mensalão podem ser pura formalidade.
O risco é que venham a ser apresentados e rejeitados em bloco, embora o debate real esteja longe de terminado.
Será lamentável, na medida em que há pontos essenciais do julgamento que merecem uma segunda avaliação. Este direito foi assegurado aos mensaleiros-PSDB MG. Dificilmente será negado aos colegas do DEM-DF.
Por que recusar a turma do PT, na forma, muito mais limitada, dos embargos?
Os recursos dos réus do mensalão-PT estão sendo julgados, em pacotes, pelo mesmo tribunal, pelo mesmo presidente que encerrou o julgamento, que também é o mesmo relator.
Enquanto isso, quem for condenado em Minas – quando e se isso acontecer – irá bater às portas da segunda instância, em Brasília, para buscar seus direitos. Terá outros olhos e outros ouvidos para escutar sua história e seus argumentos.
Justíssimo – para eles.
Os réus do mensalão PSDB-MG, acusados pelo mesmo esquema – até as secretárias eram as mesmas - pelo mesmo ministério público, terão direito a dois julgamentos. Mais antigo que o mensalão-PT, a facção mineira anda mais devagar. A partir de Minas, o processo dará, em sua plenitude, o direito universal a uma segunda jurisprudência.
Aos acusados do PT, haverá, na melhor das hipóteses, meia jurisprudência, torta, mais difícil, complicada e sem dúvida tensa. E mesmo isso pode ser negado.
É falso dizer que não há nada para ser reexaminado.
A noção de que houve desvio de recursos públicos, básica para a denúncia do esquema de “compra de votos”, é desmentida em todos os detalhes por uma auditoria do Banco do Brasil – de onde estes recursos teriam sido extraviados.
As conclusões do documento foram confirmadas e repetidas em juízo, pelo auditor-chefe do Banco, que permanece na instituição até hoje. O tribunal não deu uma resposta clara e explícita a essa questão. O assunto sequer foi respondido no julgamento. Tampouco se explicou por que a direção do banco, vítima do desvio, não se queixou de nada nem foi processada por omissão.
A tese de que o PT recebeu empréstimos fraudados do Banco Rural é desmentida por uma investigação da Polícia Federal. A visão de que o esquema financeiro de Delubio Soares e Marcos Valério destinava-se a comprar votos e subornar deputados, em vez de ser uma operação financeira típica de nosso sistema eleitoral, não conseguiu sustentar-se. Não se aponta um único caso concreto de compra de votos. Nenhum.
Havia circulação de dinheiro clandestino, muito dinheiro, mas caberia responder: por que não poderia ser caixa 2 de campanhas eleitorais? Por que tinha de ser compra de parlamentares, suborno?
Se esse dinheiro não veio do Banco do Brasil, como está provado, caberia explicar sua origem. Ninguém tem essa curiosidade? Será que estaria nas empresas que, conforme a CPMI, em seu relatório final, despejaram mais de 200 milhões de reais nos vários mensalões?
As penas de vários réus permitem questionamentos específicos, que deveriam permitir esclarecimentos específicos, como já deixei claro neste espaço e no livro “A Outra História do Mensalão.”
A chantagem em torno do 7 de setembro, que colunistas conservadores praticam abertamente, sem corar, sem preocupar-se com a autonomia do judiciário, cumpre a função de colocar o STF sob pressão para correr com as condenações.
Estimula-se a irracionalidade, cumprindo a profecia de que uma imprensa perversa está condenada a ter leitores perversos.
Na medida em que aparecem erros e falhas do processo, é preciso que sejam examinados e discutidos com serenidade. Fica feio colocar a sujeira embaixo do tapete e alegar que é tudo protelação.
Há poucos meses, foi usada a máscara dos Anonymous das passeatas, para se montar uma farsa contra o Congresso caso os parlamentares não derrubassem a PEC 37, cujo significado ninguém conhecia direito longe do mundo de procuradores, delegados e advogados.
Foi um exemplo de manipulação sem anestesia. Quer-se fazer o mesmo com o Supremo, agora. Resta saber se a mais alta corte irá aceitar isso.
Um dos pontos essenciais da atual fase do julgamento envolve o destino de José Dirceu. Tratado como o maior troféu político da Ação Penal 470, seja pelo PT, seja pelos adversários, Dirceu teve direito a uma biografia vexaminosa, repleta de erros e incongruências, lançada poucas semanas antes dos embargos – e não é difícil entender a razão de tanta pressa.
O problema é que, vista com frieza, a situação de Dirceu encontra-se numa fronteira insegura para aqueles que apostam em seu linchamento, evitando um exame frio das provas. Olha que curioso. Mesmo apontado como o “chefe da quadrilha”, faltou apenas um voto para que o próprio Dirceu fosse inocentado justamente do crime de “formação de quadrilha,” no ano passado. Isso porque a própria ideia de que o PT formou uma quadrilha, tão a gosto de adversários, internos e externos do tribunal, foi perdendo charme e sustentação com o tempo.
Na semana passada, Dirceu obteve 3 votos contra 8 num pedido em que pedia revisão da pena. Não fez maioria. Mas, se tivesse um voto a mais, poderia entrar com novo pedido de embargo e reabrir a discussão. Examinando os critérios usados para condenar Dirceu, Marco Aurélio Mello registrou a incongruência. “Alguma coisa não fecha”, disse, lembrando que em alguns casos as penas foram elevadas em 25% e em outros em 75%.
Dirceu acabou derrotado, num debate onde coube ao ministro Celso de Mello fazer uma intervenção duríssima. Disse que Dirceu foi "autor intelectual, o protagonista" do mensalão. Também afirmou que Dirceu “ concebeu, idealizou, comandou, fez executar, praticou ações criminosas voltadas à permanência de um determinado grupo no poder. Uma estrutura voltada à manipulação fraudulenta do Congresso", afirmou. Celso de Mello disse ainda Dirceu não se mostrou capaz de atuar com "integridade".
Na verdade, Dirceu foi condenado pela teoria do domínio do fato, naquela versão tropical que o procurador geral Roberto Gurgel introduziu no julgamento e que foi repudiada por um de seus criadores.
Pode-se até supor, imaginar e acreditar que Dirceu “concebeu, idealizou, comandou” o esquema. O difícil é provar isso. Denunciado pela teoria do domínio do fato, aquele que seria o principal responsável pelo assassinato de irmã Dorothy, e que tinha contra si testemunhos e fatos muito mais graves do que o rosário de impressões lançadas contra Dirceu, acabou liberado em liminar quando o caso chegou ao Supremo.
Conforme advogados em atividade no julgamento, essa situação delicada, entre a prova em que se acredita, mas não se demonstra, explica o comportamento de Celso de Mello. Sem economizar palavras agressivas contra Dirceu, a intervenção do decano se explica, conforme este raciocínio, como um esforço disciplinador para manter os demais juízes em seus lugares, evitando vacilações e mudanças em relação à decisões anteriores. Por essa razão o ministro não reserva suas colocações para o fim do julgamento, como seria natural no mais velho membro da Corte, mas pede a palavra na fase inicial, quando é possível influenciar os demais.
Verdade ou não, em sua fase atual, já tivemos atitudes surpreendentes.
Um ministro, Luiz Roberto Barroso, mostrou-se capaz de pensar uma coisa e votar em outra, quando julgou o embargo do ex-deputado Bispo Rodrigues.
Na semana passada, quando chegou a vez de votar sobre José Genoíno, Barroso declarou:
“Pessoalmente, lamento condenar um homem que participou da resistência à ditadura no Brasil, num tempo em que isso exigia muitos riscos. Lamento, sobretudo, condenar um homem que leva vida modesta e jamais enriqueceu com a política”, afirmou Barroso, sem dar-se conta de que o lamentável, na verdade, é assistir à confissão de um ministro da mais alta corte de Justiça admitindo publicamente que lamenta seus votos.
Outro ministro, Teori Zavaski, deixou no ar a sugestão de que os recursos contêm alegações que poderiam levar a uma revisão criminal. Ou seja, um novo julgamento. Mas como, no momento, quando os embargos são debatidos, não se faz nada.
No " maior julgamento da história" nenhum juiz se atreve a pedir vistas. Nem os recém-chegados.
Na mesma linha de Barroso, a ministra Carmen Lucia lembrou seu voto no ano passado e explicou: “Ao julgar exatamente o caso de Genoíno fiz a ressalva de que estávamos julgando fatos muitas vezes infelizes e não histórias que são muito dignas.”
Julgamos fatos e não cidadãos?
Por que essa necessidade de abstrair as coisas?
Quem vai para a cadeia são pessoas, e elas têm história.
A história de Genoíno não precisa de elogios nem lamentos.
Eles podem confortar a consciência de quem fala mas humilham quem ouve.
Nestes tempos em que, com 49 anos de atraso, quase meio século (!), a Globo sente necessidade de dizer que se arrepende do apoio ao golpe de 64, chega ser um insulto falar do passado de Genoíno na luta contra a ditadura. .
O lugar de Genoíno não precisa de enfeites nem remendos. Só quem perdeu a alma não consegue imaginar como isso dói.
Com todo respeito que já manifestei pelos conhecimentos jurídicos do ministro Barroso, e que Carmen Lucia também merece, pergunto: José Genoíno, um dos grandes políticos de sua geração, sete mandatos como parlamentar, deve ser elogiado porque “jamais enriqueceu com a política?”
Desculpe a expressão: que preconceito “Casa Grande” é este?
Vamos elogiar Genoíno porque ele não roubou? Era um destino de cearense, de político, de guerrilheiro, de petista?
Ou vamos expor Genoíno a um pelourinho televisivo, bruto, selvagem, indigno, e depois, com dor no coração, olhar para suas feriras e falar de sua “história digna”?
Quer dizer. O cara chega ser torturado em praça pública no Araguaia, como lição para a população não tem a menor dúvida sobre quem mandava naquele país – onde o Supremo se encolheu, engoliu as próprias cassações e até ajudou a ditadura a livrar-se de um adversário como Chico Pinto – e é Genoíno que precisa palavras bondosas para não sentir-se humilhado?
Não, meus amigos.
A Globo precisa explicar porque esperou 49 anos para fazer auto-crítica. Os ministros fazem uso da palavra para falar de seus lamentos.
Genoíno só precisa da lei e da justiça. Tem direitos iguais aos 201 milhões de brasileiros.
Basta ler o relatório entregue pelo delegado Luiz Flavio Zampronha para se descobrir que os empréstimos eram reais, não eram fraudados e colocaram dinheiro de verdade nas contas do PT, que redistribuiu os recursos. Genoíno foi condenado por que não se considerou “razoável” nem “plausível” que não “soubesse” do “esquema.”
Mas essa denuncia sobre os empréstimos, aos poucos, foi sendo escondida e deixada de lado, porque era difícil de sustentar. Mas claro que continua sendo repetida, impunemente, até hoje. Porque, para o cidadão comum, é a “prova”.
Essa turma vai levar 49 anos para se arrepender, de novo?
Não adianta pedir desconto e lembrar que, condenado a uma pena menor, Genoíno terá direito a regime semi-aberto. Não se trata de um premio de consolação nem de uma barganha. O ponto de partida dessa visão é achar que ele merecia ser punido. Está errado. Pune-se, com penas maiores ou menores, quem tem culpa provada, com fatos robustos, inquestionáveis. A menos, claro, que se queira usar Genoíno como exemplo para lembrar, pela segunda vez, quem manda no país.
Ninguém precisa ser lembrando disso. Está na cara.
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Palmério Dória no Contraponto

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Pai dos BRIC's contesta “pessimismo exagerado”

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Economista inglês Jim O'Neill aposta em crescimento de 4% para o PIB brasileiro este ano; ele foi a voz dissonante no Congresso da BM&F Bovespa; Persio Arida, do BTG Pactual, defendeu doses de desemprego para frear a economia; Gustavo Franco enxerga um 2014 sinistro pela frente; "A avaliação da economia, aqui, sobe e cai muito influenciada pelos eventos que acabaram de acontecer", ensinou O'Neill; humildade, senhores!
Conhecido como pai dos BRIC´s (foi criador do termo que representa o grupo de potências econômicas Brasil, Rússia, Índia e China), o economista inglês Jim O'Neill não só acredita num maior potencial de crescimento do Brasil, em comparação a outros economistas – especialmente brasileiros –, como avalia que existe um "pessimismo exagerado" sobre esse tema. O'Neill vê como erradas as projeções de que o crescimento do País seria de no máximo 2,5%. Com base no desempenho da economia nacional este ano, ele acredita que o PIB ainda pode avançar a uma taxa de até 4%.
O estudioso de países emergentes foi voz a dissonante no 6º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, realizado entre quinta-feira e sábado em Campos do Jordão, interior de São Paulo, pela BM&FBovespa. Ele declarou não haver justificativas objetivas para o pessimismo dos demais economistas participantes do evento. Ao comentar o crescimento brasileiro registrado no segundo trimestre (1,5%), o professor de finanças da Universidade de Columbia indicou que o crescimento de 2013 pode surpreender positivamente, a não ser que haja uma forte desaceleração no segundo semestre.
Em sua apresentação, O'Neill disse que podem ser várias as fontes desse crescimento e ressaltou que a desvalorização do real diante do dólar pode inclusive ser favorável para a melhora da economia, com a inflação mantida sob controle pelo Banco Central. Ele concordou com os colegas do encontro, porém, que o governo deve reduzir sua participação no mercado de crédito, fazendo críticas à equipe econômica, que, segundo ele, quer transformar o Brasil numa China.
Ao comentar sua avaliação sobre o Brasil desde que criou o termo BRIC, disse que ela se mantém a mesma, mas afirmou que, no grupo, é o país cujas expectativas são as que mudam mais rapidamente. "A avaliação aqui sobe e cai muito influenciada pelos eventos que acabaram de acontecer", disse. Ele disse que tiraria o "B" do BRIC apenas depois de excluir o "I". A Índia é o país que possui o pior desempenho no quesito "melhor ambiente de crescimento", avaliado por um indicador que considera 18 quesitos de mais de cem países.
Em meio a brasileiros pessimistas
No mesmo encontro, economistas da era do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso previram turbulências e pediram mais desemprego, conforme noticiou o 247. Para o ex-presidente do Banco Central e do BNDES Persio Arida, por exemplo, a economia brasileira está crescendo acima do seu potencial e deveria ser freada imediatamente. Ele sugeriu uma taxa de desemprego entre 6,5% e 7%, uma medida que atiraria na rua da amargura milhões de brasileiros. No último sábado 31, o também economista tucano Gustavo Franco previu grandes turbulências em 2014, confirmando o pessimismo condenado por O´Neill.
No 247
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Desculpas que a Globo não pediu (e nem vai pedir)

Ao término do mês de agosto e início de setembro, as Organizações Globo publicaram um pedido de desculpas pelo apoio ao golpe civil-militar de 1964. Afirma que errou motivada pela defesa da democracia (?). No editorial, os filhos do Roberto Marinho afirmam que "a democracia é um valor absoluto". Dá para acreditar nisso?
A tevê Globo surgiu em 1965, um ano após o golpe de 1964. Por mais que você acredite em coincidências, essa é demais. Em dois de abril do ano que parou o Brasil no tempo por 20 anos, o título de seu editorial era "ressurge a democracia". A Globo só é "A" Globo por causa do golpe e para provar que suas desculpas são sinceras, os filhos do Roberto Marinho precisam pedir muito mais desculpas. Porque se a "democracia é um valor absoluto", então começa logo desfazendo seu monopólio midiático, para garantir a pluralidade de informação e opinião no Brasil.
Entre as desculpas segue uma pequena lista, que não está em ordem cronológica: desculpas pela tentativa de golpe na eleição do Brizola no Rio de Janeiro em 1982; desculpas por enganar o povo brasileiro ao afirmar que o comício pelas eleições diretas na Praça da Sé nos anos 1980 era uma comemoração ao aniversário de São Paulo; desculpas pela edição do debate entre Lula e Collor na eleição presidencial de 1989; desculpas por sempre apoiar o militarismo imperial europeu e estadunidense no Oriente Médio e em países "não aliados"; desculpas por se omitir diante da presepada das privatizações de FHC e sobre a forma que como comprou sua reeleição no Congresso Nacional – não deixe de ler "O Príncipe da Privataria" – e tem mais.
Desculpas pela proteção aos desvios das elites brasileiras e suas instituições como os bancos privados; desculpas pela tentativa de golpe durante os governos de Lula, principalmente a partir de 2005; desculpas pela bolinha de papel do Serra; desculpas por tentar fazer uma pessoa como José Serra ser presidente do Brasil; desculpas pelo tomate; pela conta de luz; pelo descontrole inflacionário que nunca veio e por fazer seres humanos assistirem e ouvirem "analistas" como Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg e desculpas pelo futuro apoio a Aécio Neves ou Marina Silva na eleição do ano que vem.
Deve desculpas pela atmosférica sonegação de impostos e pelo furto de dinheiro de milhões de brasileiros no seu "Criança Esperança". Segundo o Wikileaks, apenas 10% do arrecadado com as doações tem o destino descrito por seus artistas durante a campanha global.
Deve desculpas por ajudar a conspirar ou apoiar conspirações contra governos democraticamente eleitos nos países vizinhos como Venezuela, Paraguai, Bolívia, Equador e Argentina. Apenas por discordância ideológica ou em defesa das elites locais. Isso não condiz com a afirmação de que "democracia é um valor absoluto".
Como se vê, desculpas não faltam à Globo para ela pedir, nem que seja meia-boca como foi esse editorial sobre o golpe de 1964. Aliás, deve desculpas por ter publicado um pedido de desculpas tão chinfrim como esse.
Cadu Amaral
No 247
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Lula conta processo de criação do Bolsa Família

Nesta primeira parte do vídeo, Lula diz que partiu da noção de que o problema não era só a falta da produção de alimentos, mas também a escassez de dinheiro para comprar os alimentos. Sobre a criação de programas sociais como Bolsa Família, o ex-presidente afirma que enfrentou muito preconceito de pessoas que defendiam que os programas sociais eram esmolas e que os beneficiários iriam querer viver às custas do Estado.
A necessidade de um cadastro completo e eficiente também é destacada pelo ex-presidente como essencial. Para ele, sem isso se correria o risco de o dinheiro não chegar às mãos das pessoas que precisam, de intermediários desviarem dinheiro ou de incluir nomes de pessoas que não precisavam do benefício.
Lula lembra ainda que o projeto de segurança alimentar e combate à fome foi criado no Instituto Cidadania, que depois da sua saída da Presidência, deu origem ao Instituto Lula.
Na segunda parte do vídeo, que será divulgada nesta terça-fera (3), Lula fala dos resultados dessas políticas e da necessidade de melhoria constante na vida das pessoas.

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STF invade a Câmara dos Deputados

E suspende efeitos da votação que manteve o mandato de Natan Donadon

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso concedeu nesta segunda-feira liminar (decisão provisória) que suspende a sessão da Câmara da última quarta-feira (28) que rejeitou a cassação do mandato do deputado Natan Donadon (PMDB-RO).
A liminar tem validade até que seja analisado pelo Plenário do STF o mandado de segurança impetrado pelo PSDB, no qual se pede a anulação da votação.
Na liminar, o ministro afirma que a Constituição prevê, como regra geral, que cabe a cada uma das Casas do Congresso Nacional, respectivamente, a decisão sobre a perda do mandato de Deputado ou Senador que sofrer condenação criminal transitada em julgado. "Esta regra geral, no entanto, não se aplica em caso de condenação em regime inicial fechado, por tempo superior ao prazo remanescente do mandato parlamentar. Em tal situação, a perda do mandato se dá automaticamente, por força da impossibilidade jurídica e física de seu exercício."
Em conclusão, Luís Barroso afirma: "Considero, ademais, haver periculum in mora (perigo na demora) pela gravidade moral e institucional de se manterem os efeitos de uma decisão política que, desconsiderando uma impossibilidade fática e jurídica, chancela a existência de um deputado presidiário, cumprindo pena de mais de 13 (treze) anos, em regime inicial fechado. A indignação cívica, a perplexidade jurídica, o abalo às instituições e o constrangimento que tal situação gera para os Poderes constituídos legitimam a atuação imediata do Judiciário."
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Entrevista com o ministro da Saúde Alexandre Padilha

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Ássédio na CBN de Curitiba

Mariana Ceccon, ex-estagiária da rádio CBN Curitiba, acusa o jornalista Airton Cordeiro de assédio sexual. A OAB PR está dando apoio à estudante
“Eu estou morrendo de tesão em você e ainda vou te montar, você vai ver."
Nojento, absolutamente nojento, em qualquer circunstância.
Fica pior ainda quando não existe qualquer interesse da parte que seria "montada".
É inimaginável pensar que, além de não haver qualquer reciprocidade, quem verbalizou a frase acima é seu chefe, com o triplo da sua idade, e falou tamanho absurdo durante o expediente.
Mariana Ceccon, então estagiária da rádio CBN em Curitiba, ouviu a agressão vinda do jornalista Airton Cordeiro, com quem trabalhava. Ela decidiu não deixar o assunto passar em branco; Airton já fazia comentários machistas, desrespeitosos e preconceituosos há algumas semanas. A estudante levou o assunto a outros funcionários da CBN. Com a falta de atitude da direção da empresa, José Wille, diretor de jornalismo, Marcos Tosi, chefe de reportagem e Álvaro Borba, âncora, pediram demissão. Os colegas chegaram a fazer uma greve. Na última terça-feira (27), Mariana também se desligou da rádio.
O caso tomou proporções enormes nas redes sociais. Mariana escreveu uma dolorosa carta em que relata os pormenores do acontecido. Dolorosa e corajosa: "E, por fim, é hora de tornar público porque é uma tentativa de me sentir menos humilhada e envergonhada. Está na hora de encarar as coisas de frente e assumir de uma vez por todas que sim isto aconteceu comigo. Aconteceu com várias mulheres e passar adiante a lição de que assédio sexual não é sobre sexo. É sobre poder".
Afastado da CBN em 18 de julho, o jornalista Airton Cordeiro, casado há cinquenta anos, disse ao G1 que vai processar a ex-estagiária. "Tenho pena dessa moça. A cartinha dela foi uma baixaria sem tamanho. Ela foi extremamente infeliz ao escrever esse texto".
Mariana foi infeliz, na verdade, todas as vezes em que teve que ouvir os impropérios ditos por Cordeiro. Ela relata como se sentiu em uma das ocasiões:
"Ele falou isso e eu não fiz nada. Não respondi nada. Por muito tempo eu fiquei me sentindo um lixo por causa disso. Quando tomei coragem de contar, todo mundo me dizia: “Nossa se fosse comigo eu tinha enfiado a mão na cara... Nossa e você não falou nada?”. Não, eu não falei nada. Eu sempre imaginei que se algo desse tipo acontecesse comigo eu enfiaria a mão na cara do sujeito. Mas não enfiei. Fui só vomitar. Não posso descrever ao certo o sentimento. Você se sente tão humilhado, tão lixo humano, que não arranja força alguma para responder. Você tem vontade de se esconder e se sente suja. Não quer falar pra ninguém".
A reação (ou não-reação, para alguns) de Mariana é muito comum. As mulheres são educadas para acharem que têm culpa quando são assediadas. Repensam a roupa que estão usando, se deram "brecha" para o comentário tosco. O assédio no trabalho é assustador, mas comentários abusivos são ouvidos nas ruas, com a desculpa de que são elogios, simples paquera (como se você fosse sair correndo atrás de um carro porque o motorista falou "vou chupar você todinha". Muito elogioso...).
No ambiente profissional, a situação se complica porque há muito em jogo. Incontáveis mulheres não denunciam os casos, nunca, porque precisam daquele salário e porque desconfiarão dela. É bastante comum que o assédio venha de homens bem mais velhos, com muito tempo de casa, ficando ainda mais difícil apontar a agressão. Pior: muita gente sabe que o abuso acontece, mas diminui a importância dele, como se fosse apenas uma brincadeira. Não é. É sério. Seríssimo. Destrói autoestima e atrapalha a carreira de muitas mulheres.
Justamente pela seriedade do assunto, Mariana recolheu forças e procurou a polícia. Registrou boletim de ocorrência e agora está sendo acompanhada pela Comissão de Estudos à Violência de Gênero da OAB Paraná, bem como pela Secretaria Municipal da Mulher de Curitiba.
Mariana diz estar recebendo muito apoio, fundamental para que ela siga em frente. Nem todas as mulheres assediadas contam com isso - e é preciso mudar este panorama. Se você conhece algum caso de assédio no trabalho, contra homens ou mulheres, denuncie. Não deixe o agressor continuar impune. Faça como Mariana.
Nádia Lapa
No CartaCapital
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Indústria farmacêutica expande diagnósticos e inventa novas doenças

– Existe um número muito maior de pessoas saudáveis do que de pessoas doentes no mundo e é importante, para a indústria farmacêutica, fazer com que as pessoas que são totalmente saudáveis pensem que são doentes. Existem muitas maneiras de se fazer isso. Uma delas é mudar o padrão do que se caracteriza como doença. Outra é criar novas doenças.
Parece teoria conspiratória. Mas a declaração da médica e professora Adriane Fugh-Berman é baseada em anos de pesquisa a respeito das práticas da indústria farmacêutica e da facilidade com que ela manipula os médicos, usados não apenas para vender remédios, mas também para promover doenças. No momento, ela está pesquisando algo que descobriu faz pouco tempo. Representantes de fabricantes de material cirúrgico muitas vezes são vistos dentro de salas de operação “ajudando” os cirurgiões. “Que relacionamento é esse?”, quer saber a pesquisadora.
Adriane Fugh-Berman é formada pela escola de medicina da Universidade Georgetown com especialização em medicina familiar. Militou em uma organização voltada à saúde da mulher e ouviu muitos desaforos de médicos, há duas décadas, quando reclamava que não existiam estudos comprovando a necessidade de tratamentos hormonais para mulheres na menopausa. Existia, isso sim, risco — como mais tarde ficou comprovado. O tratamento hormonal aumentou em muito os casos de câncer de mama e a prática mudou. Antes disso, ela ouviu muitas críticas em conferências e seminários médicos.
Quando embarcou no estudo e no programa de educação a respeito da relação dos médicos com a indústria farmacêutica, ela esperava uma reação ainda pior. Professora adjunta do Departamento de Farmacologia e Fisiologia da Georgetown, ela recebeu uma verba para estruturar o programa voltado para a educação dos médicos e para expor as práticas de marketing da indústria, os métodos que ela emprega para influenciar a prescrição de medicamentos. Tarefa espinhosa.
Filha de um casal ativo nos anos sessenta, nos protestos contra a guerra do Vietnã, a médica e professora Adriane Fugh-Berman abraçou a oportunidade e criou um blog bem sucedido, com informações e denúncias de gente que trabalhou na indústria farmacêutica e aprendeu as técnicas empregadas para conquistar e influenciar os médicos. Nos últimos dez anos, ela viu resultados do trabalho nos Estados Unidos. Mas alerta que a indústria farmacêutica vê o Brasil, a China e a Índia como os principais mercados para a expansão da venda de remédios.
Fugh-Berman escreveu vários artigos mostrando que a indústria seleciona profissionais ainda em formação, nos chamados Cursos de Educação Continuada (CME). Vendedores bem preparados identificam possíveis formadores de opinião nos centros médicos das universidades: médicos, enfermeiros e assistentes. Eles são paparicados.
Recebem presentes, atenção, são convidados para jantar. Depois de uma checagem, são escolhidos os que poderão falar em nome da indústria e servir aos propósitos mercadológicos. Enquanto falam o que a indústria quer ouvir e divulgam, no setor, a visão das empresas, continuam recebendo todos os privilégios. Assim, as farmacêuticas vão comprando acesso aos profissionais que podem prescrever e promover remédios.
Viomundo – Como, quando e por que você lançou o blog Pharmedout, da Universidade Georgetown, do qual é diretora?
AFB – Originalmente, fomos financiados com dinheiro de uma punição. A Warner Lambert, que era uma subsidiária da Pfizer, foi processada pelos 50 estados americanos mais o Distrito de Columbia por causa da propaganda de um composto que aqui nos EUA se chama Gabapentin.
É um remédio para convulsões, para epilepsia, que estava sendo vendido e promovido como sendo um remédio para depressão e bipolaridade, dor muscular, tudo…
Houve um acordo na justiça a respeito da propaganda ilegal desse remédio. [Nota do Viomundo: Em 2004, a Pfizer foi obrigada a pagar US$ 430 milhões pela propaganda fraudulenta do remédio, vendido com o nome de Neurontin].
Os procuradores estaduais decidiram usar parte do [dinheiro do] acordo para financiar esforços de educação de médicos e do público a respeito das propagandas da indústria farmacêutica. Acho que eles financiaram 26 centros médicos universitários para criar modelos educativos.
Nós recebemos financiamento por dois anos e tivemos melhores resultados do que os outros projetos e somos o único projeto que continua sobrevivendo. Ao menos dos que não existiam antes disso. Existem uns dois que já funcionavam antes.
Eu venho de um ativismo na área de saúde. Trabalhei com um grupo chamado Rede de Saúde da Mulher que não recebe dinheiro algum da indústria e já tinha experiência com essa história de tentar promover mudança social sem ter orçamento…
Produzimos vídeos com gente que trabalhou na indústria, escrevemos análises de artigos acadêmicos, divulgamos material educacional na internet e não recebemos mais dinheiro desde 2008.
Viomundo – Como estão sobrevivendo?
AFB – Estamos sobrevivendo de doações individuais e organizamos uma conferência todo ano. Pedimos algum dinheiro para a escola e cobramos uma taxa de inscrição, apesar de deixarmos todo mundo que não tem dinheiro entrar de graça porque tem muitos estudantes e eles não pagam nada, por exemplo.
Levantamos um pouquinho de dinheiro com a conferência e algumas doações da escola. Por exemplo, a verba para estudar a relação entre cirurgiões e representantes dos fabricantes de material cirúrgico que ficam dentro da sala de operações ajudando os cirurgiões e ninguém sabe nada a respeito dessas relações e como começaram.
Ganhamos um dinheiro do departamento de filosofia da Georgetown para essa pesquisa. Mas a maior parte da nossa verba vem de contribuições individuais. Temos apenas um funcionário remunerado. Eu não ganho nada do projeto e temos voluntários. Quando o dinheiro acabou, em 2008, ninguém saiu. Todo mundo ficou no projeto. E continuaram fazendo trabalho voluntário nos últimos cinco anos.
Viomundo – Em um de seus artigos você  diz que a indústria farmacêutica promove doenças e não apenas a venda de remédios. Você pode explicar e dar exemplos do que está  falando?
AFB – Existe um número maior de pessoas saudáveis do que de pessoas doentes no mundo e é importante para a indústria fazer com que as pessoas que são totalmente saudáveis pensem que são doentes. Existem muitas maneiras de se fazer isso.
Uma delas é mudar o padrão do que caracteriza uma doença. Essa é uma área muito vasta e interessante. O padrão para diagnóstico de pressão alta e diabetes e colesterol alto caiu ao longo dos anos.
Viomundo – Para incluir mais gente nessas categorias de doentes?
AFB – Exatamente. Quando eu estava na escola de medicina, uma pressão de 12 por 8 era considerada perfeita. Era o alvo. E agora é considerada pré-hipertensão.
Viomundo – Como aconteceu essa mudança?
AFB – Existem comitês que fazem as recomendações para essas mudanças e eles estão cheios de gente que recebe dinheiro das grandes empresas farmacêuticas.
Por exemplo, o Programa Nacional de Educação sobre o Colesterol é supostamente independente e assessora o governo a respeito da maneira de administrar o colesterol.
O comitê que decidiu reduzir as metas tinha uma única pessoa com menos de três conflitos de interesse com os fabricantes de remédios de colesterol. Não sei nem se era zero, mas menos de três!
Obviamente, qualquer pessoa tomando decisões a respeito de remédios para um hospital ou um país não deve ter nenhum conflito de interesse com nenhum fabricante de remédios.
Outra forma de fazer com que pessoas saudáveis pensem que são doentes é expandir a categoria da doença ou até mesmo criar doenças.
Por exemplo, restless leg syndrome (síndrome da perna que não para). É uma doença real, neurológica, raríssima.
Mas foi redefinida de forma que se você está agitado durante a noite, pode ser diagnosticado com essa doença.
Outro exemplo é a doença da ansiedade social. É bom notar que a psiquiatria é a profissão mais suscetível a diagnósticos questionáveis porque todos os diagnósticos são subjetivos.
Dependem muito da cultura e não existe nenhuma prova, nenhum exame para comprovar a existência da doença. Por isso é um alvo.
Uma das categorias que talvez tenha sido criada é essa doença da ansiedade social que antes chamávamos de vergonha.
Outra que foi criada é osteopenia, ou baixa massa óssea, que agora é considerada precursora da osteoporose e a osteoporose é apenas um fator de risco. Não é uma doença, é uma indicação de risco para quedas e fratura de ossos.
Então a osteoporose é um fator de risco para um fator de risco de uma doença. E a osteopenia é um fator de risco para um fator de risco para um fator de risco.
Nicotina para sempre, mas não no cigarro
Viomundo – E eu aposto que existe um remédio para isso…
AFB – Claro. E os remédios mais usados podem aumentar o risco de fraturas se forem tomados por mais de cinco anos!
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) também seria um exemplo de algo que provavelmente existe, mas agora qualquer criança que não se comporta na sala de aula é diagnosticada com TDAH e medicada.
Outra coisa que foi inventada é TDAH em adultos. Antes só existia em crianças. Agora também existe em adultos e assim podem continuar tomando remédios o resto da vida.
Existe também um esforço para classificar o vício em nicotina como uma doença porque as empresas que vendem produtos para ajudar a parar de fumar… as empresas de seguro de saúde só cobrem os gastos com esses produtos por dois meses porque eles devem te ajudar a parar de fumar. Depois de dois meses você parou de fumar e pronto.
Mas existe um movimento das empresas que fabricam esses produtos para classificar esse vício como uma doença para que os seguros cubram o custo do uso desses produtos pelo resto da vida.
Assim, eles tentam provar para os fumantes que eles não podem parar e que é melhor substituir o cigarro por um desses produtos. Talvez seja melhor mesmo usar um substituto da nicotina do que fumar, mas quem está tomando essa decisão são as empresas farmacêuticas que usam formadores de opinião na comunidade médica. E essas decisões não são baseadas em Ciência.
São tomadas apenas porque empresas biomédicas poderosas garantem que as opiniões que são favoráveis a elas calem as opiniões contrárias.
Metads das pessoas que consegue eliminar o cigarro com sucesso simplesmente param de fumar. E a indústria farmacêutica odeia isso. Quer fazer com que as pessoas acreditem que necessitam da ajuda dela. E que não podem parar sozinhas ou talvez não possam nunca parar.
É um recado horrível não somente para os consumidores, mas para os profissionais de saúde dizer: “Seus pacientes não conseguem parar de fumar”. Porque isso é o que você tenta primeiro. Se isso não funcionar, então você usa um substituto. Mas alguns desses produtos também têm efeitos adversos.
Viomundo – Você diria que no fim do dia o dinheiro é a causa de todos esses problemas? A ganância? 
AFB – Acho que o mais importante é separar a indústria farmacêutica da educação, da regulamentação e das decisões a respeito de que remédios e tratamentos devem ser cobertos.
Não se pode permitir que a indústria se envolva com a educação, que influencie a regulamentação e participe dos comitês que decidem que remédios são cobertos.
Eles podem apresentar argumentos e, se tiverem informações, podem apresentar para o comitê. Mas as pessoas que participam desses comitês não podem ter conflitos de interesse.
E uma das armadilhas é o seguinte conceito: “Eu não tenho conflito de interesses com essas empresas em particular”. Se estou avaliando um remédio, talvez eu tenha uma relação com a empresa B, mas estamos avaliando um produto da empresa A. Então não é um conflito de interesse.
Isso é uma tremenda armadilha por vários motivos. Um deles é que promover um remédio é muito mais do que divulgar os benefícios daquela droga. Pode ser também divulgar informações negativas a respeito de outros remédios. Divulgar informações negativas a respeito de dietas e exercícios. E não está mencionando o remédio da empresa com a qual tem relações.
O que muita gente não sabe e é muito importante é que a promoção de um remédio às vezes começa dez anos antes dele chegar ao mercado. Essa droga pode nem ter sido testada em humanos ainda, mas a empresa já está tentando plantar a semente na cabeça dos médicos de que a doença é um grande problema, que não é brincadeira.
“TDAH destrói vidas. Síndrome da ansiedade social destrói vidas. É uma epidemia trágica. Muito mais séria e abrangente do que você pensa”.
Isso começa anos antes. Pessoas são pagas para falar sobre isso. Quando a droga chega ao mercado você diz “graças a Deus surgiu um remédio para essa doença incurável da qual ouço falar há anos!”.
Viomundo – Por que a população em geral e os médicos, em particular, caem nessa armadilha tão facilmente e com tanta frequência?
AFB – Olha, é mais difícil enganar a população do que os médicos. É muito fácil enganar os médicos. Por vários motivos. Ao menos nos EUA, os médicos, em geral, vêm das classes mais altas da sociedade. Nunca venderam nada. Não têm vendedores na família. Não têm familiaridade com técnica de vendas.
Às vezes conversamos com estudantes que têm vendedores na família e eles identificam claramente as técnicas de vendas. Os médicos não reconhecem. Não apenas vêm das classes mais altas, mas também são ingênuos.
Aparentemente, nos Estados Unidos, e não sei se isso se aplica também ao Brasil, os médicos são mais suscetíveis a golpes financeiros. Eles são inteligentes. São muito bons nas provas de múltipla escolha. Mas não têm esperteza. São crédulos. Para mim foi muito interessante descobrir isso.
Viomundo – Isso não é apenas uma maneira de desculpá-los facilmente? Eles não deveriam ter mais responsabilidade sobre o que estão fazendo?
AFB – Mas eles não são expostos… Ok, nós fazemos uma apresentação chamada “Porque o almoço é importante” e trabalhamos nela com muito cuidado. Usamos psicologia social para ajudar os médicos a perceber esses truques. Uma das coisas que fizemos na apresentação foi, numa das primeiras vezes que a testamos, espalhei pessoas na plateia para anotar os comentários que os médicos faziam. Pegamos os comentários mais comuns e transformamos em slides. Depois usamos esses slides com outras plateias e teve um efeito impressionante.
Um deles, por exemplo, dizia: “Você está errado, os representantes das indústrias farmacêuticas são meus amigos!” ou “eu sou muito inteligente para ser comprado por uma fatia de pizza e você está sugerindo isso!”
Pusemos esses comentários nos slides e depois explicamos porque estavam errados. Os médicos ficaram chocados. Realmente chocados! Porque mostramos o que estavam pensando. Foi muito eficaz.
As pessoas saíram das nossas apresentações jurando que jamais receberiam um representante da indústria novamente. Nunca iriam a um jantar pago pela indústria novamente. Ninguém gosta de ser enganado e quando você descobre que está sendo enganado você fica com raiva. E eles não estavam com raiva de nós e sim dos fabricantes de remédios.
A grande maioria dos médicos quer fazer o melhor para seus pacientes. Existem alguns que fazem qualquer coisa por dinheiro. Mas eles são a minoria. A maioria quer fazer o melhor para os pacientes. Mas eles não se dão conta de que as fontes das informações que recebem são contaminadas, que estão sendo manipulados pela indústria de diversas maneiras.
Que a indústria controla a informação sobre remédios apresentados em encontros médicos, em publicações médicas, em toda fonte de informação da qual eles dependem. E não gostam quando descobrem isso.
Viomundo – Como é possível mudar tudo isso se a indústria controla a pesquisa e o desenvolvimento de novos remédios, os testes em humanos, tem um dos maiores lobbies no Congresso e assim controla as leis escritas a respeito dela. Como escapar dessa situação?
AFB – Acho que é preciso promover mudanças em várias frentes. Algumas coisas mudaram um bocado, nos EUA, nos últimos cinco a dez anos. Ainda existe muito a fazer, mas acho que boa parte é expor os problemas.
Trabalhos como o da ProPublica divulgando na internet os pagamentos para médicos, de forma simples e acessível. A divulgação obrigatória [do que os médicos recebem da indústria] é importante. Mas não é suficiente.
Algumas mudanças tem que vir da profissão médica mesmo. Ela tem que recusar a relação com a indústria em nível individual ou no nível das sociedades médicas que aceitam dinheiro da indústria. As sociedades médicas têm que parar de receber dinheiro.
Os médicos têm que recusar presentes e temos que tirar todas as pessoas que tenham qualquer conflito de interesse com a indústria farmacêutica dos órgãos decisórios sobre riscos e benefícios de remédios.
Tem que haver reformas legislativas também. Você mencionou a pesquisa, que é muito importante. Nos EUA, há 30 anos, o Instituto Nacional de Saúde financiava 70% de todas as pesquisas biomédicas. Agora, é a indústria que financia 70% das pesquisas biomédicas. Isso é um problema.
Precisamos de mais financiamento do governo. Testes financiados pelo governo às vezes descobrem que remédios antigos são melhores do que os novos. A indústria nunca vai financiar esse tipo de estudo. A indústria financia vários estudos e só publica aqueles dos quais gosta, o que faz sentido de um ponto de vista de negócios.
Viomundo – Sim. Mas não faz o menor sentido para a minha saúde.
AFB – Exato. Existe um movimento internacional para obrigar as empresas a divulgarem as informações de testes em humanos. Se não publicarem, têm que disponibilizar os dados para que outros pesquisadores possam publicá-los, o que é ótimo!
Isso vem do ativismo da comunidade da saúde. Mas algo tem que ser feito pela comunidade médica. Quando vamos à comunidade médica com nossas apresentações, quando explicamos a eles, em geral reagem bem.
Eles vão eliminar essas relações se acharem que são ruins para os pacientes. Então, parte da solução é a educação e também divulgação obrigatória, exposição, legislação, regulamentação… são várias frentes.
Heloisa Villela, de Nova York
No Viomundo
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O jornalismo e a internet

Por causa da web, vivemos a era de ouro do discurso econômico. Há desinformação, mas também muita qualidade
"Vivemos em uma era de ouro do discurso econômico
no jornalismo. Há muita coisa ruim por aí, mas a
quantidade de coisa boa é surpreendente"
Um um artigo online para a revista New York, o comentarista Jonathan Chait zombou de Robert Samuelson por sua recente coluna no Washington Post em que lamentou a ascensão da internet. Não quero reforçar isso, mas esta é uma ocasião para dizer algo sobre minhas próprias percepções de como a web mudou o jornalismo.
Hoje, obviamente, a internet causa grandes problemas comerciais para as organizações noticiosas. E esse é um problema real. Alguém tem de fazer as reportagens básicas, o que significa que alguém tem de pagar as contas. Mas esse terá de ser o tema de outra postagem um dia desses.
Quero falar sobre o efeito da internet na qualidade da reportagem, que, acredito, tem sido extremamente positivo.
Analistas como Samuelson parecem ter saudade de uma época em que homens sábios, empoleirados em suas plataformas nas grandes organizações noticiosas, separavam a verdade da mentira e produziam opiniões sólidas para as massas. O problema é que essa era nunca existiu. Eu li muita reportagem econômica na era pré-internet, e de modo geral era péssima. Em parte isso se explicava por que os repórteres e os analistas muitas vezes sabiam pouco sobre economia.
Na verdade, havia uma espécie de preconceito contra empregar repórteres muito experientes, sob a alegação de que não seriam capazes de se comunicar com o leitorado. Em parte era porque não havia um mecanismo eficaz para verificar fatos e interpretações: um repórter ou analista podia dizer algo que todo mundo que conhecia o assunto percebia que estava errado, mas não tinha meios de expressar seus argumentos em tempo real.
Deixe-me dar um exemplo. Alguns anos atrás, Samuelson refutou a importância de John Maynard Keynes em uma coluna, pois as condições haviam mudado. Hoje em dia temos muita dívida, enquanto, segundo Samuelson, “quando Keynes escreveu a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, em meados dos anos 1930, os governos dos países mais ricos eram relativamente pequenos e suas dívidas, modestas”.
Meu palpite é que ,na era pré-internet, uma afirmação como essa simplesmente teria ficado ali. Os economistas se queixariam dela na sala do café, mas ficaria nisso. Neste caso, porém, toda a econoblogosfera imediatamente atacou, apontando que a proporção entre dívida e PIB na Grã-Bretanha nos anos 1930 era na verdade muito maior que hoje. (A política do New York Times, aliás, teria exigido uma correção formal. Ora, bem.)
A questão é que, em oposição à imagem idealizada da maneira como as coisas eram, na verdade os jornalistas reais se beneficiam da capacidade de os jornalistas tarimbados divulgarem seu conhecimento rapidamente.
Há muita desinformação na web, é verdade, mas é pior que a desinformação que os indivíduos costumavam obter de outras fontes? Não acho.
A internet também teve outro efeito positivo mais sutil: os jornais hoje têm uma ideia muito melhor do que realmente interessa a seus leitores. Naqueles não tão bons velhos tempos, minha sensação é de que a diretoria acreditava que as coisas de interesse de quem estava dentro do círculo também interessavam ao público mais amplo. Os repórteres e analistas que cultivavam contatos e relatavam sem respirar as últimas reviravoltas no escândalo do senador Bomfog eram considerados astros. Mas hoje temos verdadeira métrica. As listas de mais vistas e mais comentadas são altamente imperfeitas, e você certamente não gostaria que elas ditassem toda a direção do jornal. Senão, o NYT seria totalmente dedicado a artigos sobre comida e como aplicar técnicas de adestramento animal em seu marido. Mas a disponibilidade dessa métrica abalou a insularidade da indústria, e isso é totalmente bom.
Finalmente, deixe-me dizer apenas que, pondo de lado as organizações de notícias, a verdade é que vivemos em uma era de ouro do discurso econômico. Sim, há muita coisa ruim por aí, parte dela de indivíduos com grande reputação, mas a relação frouxa entre as reputações e a qualidade da análise é algo que ainda estamos aprendendo. E a quantidade de coisa boa, material entregue em tempo real, em blogs abertos a qualquer cidadão disposto a ler, e não nas páginas de jornais econômicos com alguns milhares de leitores no máximo, é surpreendente. Quando se trata de análise econômica útil, esses são os bons velhos tempos.
Paul Krugman
No CartaCapital
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No Ceará, médicos só vão a hospital de jatinho

:
Governo Cid Gomes (PSB) não consegue contratar profissionais que morem em Sobral, terceira maior do Estado, e paga táxi aéreo de Fortaleza até quatro dias por semana para médicos. "O médico impõe condições, a estrada até lá é horrível. Sem avião, o pessoal não vai", tentou justificar o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, José Maria Pontes, o mesmo que liderou o lamentável protesto contra a chegada de cubanos do Programa Mais Médicos
O hospital regional de Sobral, que custou R$ 227 milhões ao governo do Ceará e foi inaugurado com um show de R$ 650 mil de Ivete Sangalo, precisa ‘importar’ médicos de Fortaleza para funcionar.
O governo Cid Gomes (PSB) não conseguiu contratar profissionais que morem na cidade, terceira maior do Ceará, e desde então paga táxi aéreo para médicos atenderem no local.
Aviões saem de Fortaleza até quatro dias por semana levando médicos para Sobral, (a 232 km de distância). Segundo a Folha, a administração diz que o custo dos voos gira em torno de R$ 3 mil semanais para dois médicos por dia, três a quatro vezes por semana.
"O médico impõe condições, a estrada até lá é horrível. Sem avião, o pessoal não vai", disse o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, José Maria Pontes.
Pontes foi o responsável pelo protesto contra médicos cubanos do Programa Mais Médicos de Dilma Rousseff, ocorrido na terça-feira (27) em Fortaleza e que envergonhou o país (Leia aqui). “A vaia, na verdade, foi para aquelas pessoas que tiveram a ideia absurda de trazer esses médicos para cá, inclusive com trabalho escravo sem nenhum compromisso a não ser com o compromisso ideológico do Partido dos Trabalhadores”, disse ele sobre o episódio.
No 247
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Glenn Greenwald, a espionagem de Dilma e o Fantástico

O que o autor de um furo mundial, ativista e crítico da ligação da mídia tradicional com o poder, está fazendo num programa tão ruim?
 
O jornalista Glenn Greenwald deu um dos furos mais importantes do mundo nos últimos anos. Greenwald publicou as denúncias acerca do esquema de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. Suas conversas com o ex-consultor da CIA Edward Snowden renderam matérias no jornal inglês The Guardian, em que Greenwald é colunista, e em seu blog. Depois que seu companheiro David Miranda foi retido por mais de nove horas em Londres, voltando ao Brasil após encontrar Snowden, ele prometeu mais informações bombásticas.
Uma dessas histórias foi parar no Fantástico. Os EUA espionam Dilma. Uma longa reportagem, em que Greenwald foi um dos autores, mostra que ligações de Dilma foram interceptadas por programas americanos.
Greenwald é ex-advogado. Um idealista. Tem posições liberais claras. É corajoso e costuma estar do lado certo das grandes questões (e das pequenas também).
Por seu ativismo, costuma ser hostilizado por jornalistas da mídia tradicional, que se referem a ele, eventualmente, como “blogueiro” (você precisa ser um idiota rematado para achar que “blogueiro” é ofensa, mas isso é conversa para outra hora).
Greenwald não costuma pegar leve com essa turma. Já disse que o futuro do jornalismo está na Internet e que a televisão não é tão forte quanto antes. “É verdade que o Guardian, de maneira geral, e eu, em particular, somos outsiders, não membros da grande mídia estabelecida. Parte dessa hostilidade é amargura pessoal. Mas parte disso é o que eu tenho criticado neles: eles são muito mais servis do poder político do que vigilantes dele, e o que provoca raiva não é a corrupção daqueles que estão no poder (eles não ligam para isso), mas daqueles que expõem essa corrupção, especialmente quando aqueles que trazem transparência vêm de fora de seus círculos incestuosos. Eles são apenas cortejadores fazendo o que sempre fizeram. É assim que mantêm seu status.”
Seja quem for que tenha feito o contato com Greenwald para usar seu material na Globo, marcou um gol. Agora, é de se perguntar: Greenwald sabe no que se meteu? Assiste o ‘Fantástico’? Já viu o quadro “Medida Certa”? Provavelmente, sim. Desde 2000, ele passa pelo menos oito meses do ano no Rio de Janeiro. Fala português. Ele e David Mirand têm uma vida aqui.
Suas novas revelações sobre a NSA e Dilma foram ao ar num programa que mistura dieta de subcelebridades, pegadinhas travestidas de utilidade pública, crianças com câncer e um humorista que perdeu a graça. Se Glenn Greenwald está sendo sincero ao criticar a mídia tradicional, seu servilismo ao poder, a maneira como as notícias são manipuladas — e não há por que duvidar de sua sinceridade –, causa alguma estranheza vê-lo numa organização e num programa que simbolizam tudo isso. Ou então esse alto padrão ético vale apenas para o mundo civilizado, e não para essa adorável bagunça selvagem que é o Brasil, olerê-olará.
Kiko Nogueira
No DCM
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O Dr.”Puliça”, do CRM-MG, vira Dr. “Manicure”!

Ficou conhecido na internet o caso da jornalista do Rio Grande do Norte que disse que as médicas cubanas tinham “cara de empregada doméstica”.
“Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma Cara de empregada doméstica. Será que São médicas Mesmo? Afe que terrível. Médico, geralmente, tem postura, tem cara de médico, se impõe a partir da aparência…Coitada da nossa população.
Bom, a moça é só uma preconceituosa, mas, ao menos pediu desculpas e disse que fez um cometário infeliz. Não resolve, mas é menos do que faz o presidente do CRM de Minas, o Dr. João Batista Gomes Soares, a quem temos ironizado aqui como “Dr. Puliça”, pela sua disposição, já barrada pela Justiça, de chamar a polícia para prender os médicos estrangeiros que estivessem atendendo lá onde seus colegas não querem ir.
Hoje, no Estado de Minas, o Dr. João diz que os médicos cubanos “não têm postura” por terem chegado com bandeiras do Brasil e de Cuba e, depois de um aprofundado exame pelas fotografias, usa o argumento de que uma das médicas tinha…unhas grandes!!!!
“A filmagem dos cubanos chegando ao aeroporto parece mais o time do River Plate quando veio jogar em BH. Não é comportamento compatível com um profissional de nível superior. Não é preconceito, mas postura.Como acreditar em um profissional que chega balançando bandeirinha? Vi uma doutora com unha enorme. Como vai apalpar uma barriga?”
Vejam a que ponto vai esse senhor: agora ele faz exame de postura e de manicure!
Atenção, médicos mineiros: vocês não podem carregar bandeirinhas, nem mesmo em dia de Cruzeiro e Atlético, porque segurar bandeirinha não é compatível com ter nível superior e abala sua credibilidade!
Atenção médicas mineiras, cortem suas unhas, já. Se estiverem mais compridinhas, mesmo que limpas, bem tratadas e com a devida assepsia, seu registros podem ser cassados se apalparem uma barriga, embora, ao que eu saiba, palpação não seja feita com as unhas.
O Dr. “Puliça” é isso, um energúmeno.
PS. Mantenham a linha nos comentários, por favor, para não ajudarem uma figura deste naipe.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Por que será que tucanos não são investigados?

:
Governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) nomeou Carla Elias Rosa, mulher do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, para trabalhar no Palácio dos Bandeirantes. Procurador está no comando do Ministério Público, que tem entre suas prerrogativas investigar denúncias que envolvam o governo. Primeiras denúncias do propinoduto remetem à gestão de Mario Covas, em 1998, mas cartel que superfaturava em até 20% contratos metroferroviários com o governo do Estado só começou a ser investigado após delação ao Cade da multinacional alemã Siemens. Governador diz não ver "qualquer conflito ético"
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nomeou Carla Elias Rosa, mulher do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, para trabalhar no Palácio dos Bandeirantes. Elias Rosa está à frente do Ministério Público de São Paulo, que tem como função investigar denúncias que envolvam o governo. Alckmin diz não ver nenhum conflito ético, mas desde que o caso do propinoduto foi revelado, fica cada vez mais evidente a blindagem tucana no Estado.
Recentemente, as três gestões do PSDB no governo de São Paulo – Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, se tornaram alvo de suspeitas de envolvimento em esquema de cartel montado para superfaturar em até 20% contratos de trem e metrô no Estado. As primeiras denúncias sobre o propinoduto tucano remetem a 1998. No entanto, a blindagem só foi vencida por uma multinacional alemã, a Siemens, que tomou a decisão de pedir um acordo de leniência junto ao Cade, confessando duas décadas de práticas condenáveis.
Leia a nota de Mônica Bergamo, da Folha:
Diário Oficial
O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) nomeou Carla Elias Rosa, mulher do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, para trabalhar no Palácio dos Bandeirantes. Ela integrará a assessoria jurídica do governo, na Casa Civil.
Oficial 2
Elias Rosa lidera o Ministério Público de SP, que tem entre suas prerrogativas investigar denúncias que envolvam o governo.
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"É uma assessoria jurídica técnica, e não política. Do Estado, e não do governador. Ela não teve aumento de salário. É procuradora desde 1987", diz Márcio Elias Rosa. Carla é funcionária de carreira da PGE (Procuradoria-Geral do Estado), que defende o Estado em ações judiciais.
Conhecimento
Questionado se haveria problema ético na nomeação, em função da relação conjugal de Carla, o governo Alckmin afirmou que a indagação revela "profundo desconhecimento sobre o funcionamento" da PGE. Não há "qualquer conflito ético". A assessoria é órgão complementar da PGE, onde ela já trabalhava. "Eventual ação do procurador-geral de Justiça [o marido de Carla] contra o governador não tramita na assessoria jurídica do governo", diz a nota.
No 247
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Mint Press afirma que ataque en Siria fue perpetrado por mercenarios

Dale Gavlak y Yahya Ababneh revelan que las armas químicas
fueron administradas por Arabia Saudita a los rebeldes
y que explotaron por error
Los periodistas Dale Gavlak y Yahya Ababneh, que escriben para la agencia MintPress, con base en las entrevistas realizadas en días pasados en el barrio Ghouta, y en otras zonas de la ciudad de Damasco (capital siria) aseguraron que el ataque perpetrado con armas químicas el pasado 21 de agosto estaban en manos de los mercenarios sirios y procedían de Arabia Saudí.
En el suceso perdieron la vida al menos mil 300 personas.
Las fuentes consultadas por el periodista Gavlak aseguran que se produjo “un accidente” cuando fueron erróneamente manipuladas.
Abu Abdel-Moneim, un residente en Ghouta y padre de un rebelde, afirmó que su hijo falleció junto a otros 12 combatientes en el interior de un túnel, que era utilizado como almacén de armas recibidas de manos de un yihadista saudí, Abu Ayesha, comandante de un batallón insurgente.
El padre explicó que las armas que custodiaba su hijo tenían “una estructura de tubo”, y otras eran como “una enorme botella de gas”.
El mencionado túnel estalló el mismo día en que se efectuó el ataque con armas químicas, que la Inteligencia de Estados Unidos atribuye al Ejército del presidente de Siria, Bashar Al-Assad.
También fue entrevistada una combatienete denominada como "K", quien señaló que “no nos dijeron qué tipo de armas eran, ni cómo usarlas”.
A través de una conversación con Ababneh, quien está en Siria, manifestó que “no sabíamos ni nos podíamos imaginar que eran armas químicas”.
En ese sentido, agregó que “cuando el príncipe Bandar (jefe de la Inteligencia saudí) entrega esas armas debería hacerlo a quienes saben cómo usarlas”.
En otras declaraciones, un conocido líder rebelde del barrio de Ghouta, a quien se denomina “J”, declaró a Gavlak que “desgraciadamente algunos de nuestros combatientes manipularon erróneamente esas armas, y dieron lugar a las explosiones”.
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Médicos, os judeus do PT. A boçalidade não tem limite

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Depois da tese da escravidão, a nova teoria que desponta nas páginas da Folha foi levantada pelo "filósofo" Luiz Felipe Pondé, mais um expoente da nova direita; segundo ele, assim como os judeus foram o bode expiatório dos nazistas, os médicos ocupam esse papel no governo petista; seu artigo é um amontoado de preconceito e desinformação, mas, segundo sua lógica, o ministro Alexandre Padilha deve ser uma espécie de Hitler dos trópicos
Até agora, o ataque em massa da elite brasileira ao programa Mais Médicos tem-se mostrado um retumbante fracasso. Começou com a ação organizada de colunistas da velha mídia, como Eliane Cantanhêde, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, à vinda de "escravos cubanos". Mas a reação selvagem de um grupo de médicos cearenses no desembarque de profissionais de Cuba – classificada como "abominável" pelo ex-presidente Lula – colocou esse grupo na defensiva. Além disso, a população aprova o programa e o Mais Médicos é hoje o principal fator de recuperação da popularidade da presidente Dilma Rousseff.
O tiro da direita se voltou contra os próprios conservadores, mas a oposição ao Mais Médicos ainda não recolheu sua artilharia. Nesta segunda-feira, a Folha publica um artigo que talvez entre para a história como uma das peças mais infames já impressas nas rotativas do grupo editorial da família Frias. O "filósofo" Luiz Felipe Pondé afirma que os médicos são "os judeus do PT". Estariam sofrendo campanha difamatória e sendo transformados em bodes expiatórios – assim como Hitler fez na Alemanha nazista.
Na verdade, o que o governo ofereceu aos médicos brasileiros foi uma bolsa de R$ 10 mil por mês a quem se dispusesse em trabalhar em regiões remotas, que, hoje, não têm profissionais de saúde. Como, em 701 municípios, não há nenhum médico interessado, foi necessário dar início a esta fase do Mais Médicos com profissionais estrangeiros. 
Pela lógica de Pondé, os rincões e as periferias do Brasil são campos de concentração. E o ministro Alexandre Padilha, da Saúde, deve ser uma espécie de Hitler dos trópicos. Seu artigo é um amontoado de desinformação e preconceito. E chega às raias da boçalidade.
No 247
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