28 de ago de 2013

Fuga do senador boliviano: "é tudo um jogo de política interna"

Brasília - Em entrevista à Carta Maior, o ex-secretário-geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães analisa o episódio da fuga do senador boliviano, que acabou provocando a demissão do ministro Antônio Patriota. Para Guimarães, trata-se de "um jogo de política interna". "Essas pessoas acham que o governo do presidente Evo Morales não é sequer democrático, quando ele foi eleito com maioria enorme. São conservadoras e acham que a ascensão dos trabalhadores, dos índios, dos negros nos países da América Latina é algo preocupante para eles".
CM: Qual é o contexto latino-americano em que se dá a fuga do senador para o Brasil?
Samuel Pinheiro Guimarães: É um contexto razoavelmente claro. De um lado você tem governos de esquerda, em diferentes graus e características, que são os governo do Brasil, da Argentina, do Uruguai, da Venezuela, do Equador e da Bolívia. De outro lado você tem governos que podem ser situados como do centro para a direita, como o do Chile, o do Peru que, apesar de ter sido eleito com grandes perspectivas, na realidade se mostrou um governo aliado às teses da direita, e o governo da Colômbia. Não é por coincidência que estes governos se unem ao México para formar a chamada Aliança do Pacífico, que se coloca claramente em oposição ao Mercosul. E isso se reflete no cenário interno brasileiro, onde você tem os partidos de centro-direita que se aliam com esses governos de direita, que se desdobram em elogios ao Chile, à Colômbia, elogiam até o Paraguai. E criticam a Venezuela, o Evo Morales, e aproveitam todas as oportunidades para fazer esse embate. Essa situação atual se coloca neste contexto. O senador Roger Pinto pertence a um partido de direita.
CM: E qual é o papel dele na política boliviana, nessa oposição sistemática ao presidente Evo Morales?
SPG: Ele tem um papel de destaque, acusando o Evo de narcotraficante e assim por diante. Ele responde a processos por corrupção e já foi condenado por um. Então, resolveu criar um fato político. Que eu saiba, não há nenhum outro político boliviano na cadeia. Pelo menos, os jornais não publicam isso. Não vejo nenhum jornalista preso na Bolívia.
CM: Não há um quadro de perseguição política geral naquele país?
SPG: Não vejo isso. Os jornais que normalmente são aliados com estes governos de centro-direita, imediatamente publicariam. Esse senador resolveu pedir asilo ao governo brasileiro para criar um problema político para os governos da Bolívia e do Brasil, que mantêm estreitas relações. Governos que ele, sendo de direita, faz oposição.
CM: Foi um erro do Brasil aceitar o pedido de asilo?
SPG: Eu não vou julgar as posições do Brasil. Quem aceitou o asilo foi o embaixador da época [Marcel Biato]. Essas questões são complexas. Eu não estou na Bolívia para julgá-las. De toda forma, creio ter sido uma medida precipitada, porque isso envolve um julgamento sobre as acuações que pesam contra o senador e sobre o presidente da Bolívia.
CM: Já houve algum episódio similar na política externa brasileira?
SPG: Que eu conheça não. Você tem o asilo territorial, quando a pessoa entra no território e pede asilo, e o diplomático, que é dado nas embaixadas, até nos navios de guerra. Nesse último caso, o mais recente que me lembro é o do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, que tinha sido deposto, vítima de um golpe de estado e se asilou na embaixada brasileira.
Um caso totalmente distinto, até porque, depois, a situação em Honduras se revelou gravíssima, com dezenas de jornalistas assassinados, sem que a grande imprensa aqui se preocupasse em nenhum momento com isso. No caso do senador Roger Pinto, há pessoas que imediatamente passam a criticar o governo do presidente Evo Morales que, no caso, não tem responsabilidade nenhuma, diga-se de passagem. O senador estava na embaixada do Brasil sob os cuidados da embaixada do Brasil. Não estava numa prisão boliviana. Portanto, ele não estava passando por maus-tratos em uma prisão boliviana.
Normalmente, nas embaixadas, os exilados são tratados com toda consideração, com razoável conforto. A ideia de que o exilado não pode tomar banho de sol é algo que depende das decisões do embaixador ou do encarregado, na ausência do embaixador. Não são exigências do governo boliviano. O que a imprensa faz parecer é que o governo boliviano estivesse maltratando o senador Roger. Não é o caso. Aliás, a aparência do senador Roger Pinto é muito boa. Eu me congratulo porque ele apresenta ótimas condições de saúde. Não parece estar em condições de privação. Suponho eu que sempre serviram todas para ele as refeições... a aparência dele não é a de alguém que esteja passando fome.
CM: É pertinente a crítica de que a Bolívia deveria ter concedido um salvo-conduto para o senador?
SPG: O direito de asilo diplomático é uma instituição latino-americana. Não é reconhecida pelo direito internacional, diferente do asilo territorial. E nessa convenção latino-americana [a Convenção de Caracas, de 1954], os países que estão obrigados a seguir suas disposições, são os que assinaram a convenção. A Bolívia não signatária dessa convenção e não tem nenhuma obrigação de segui-la, de dar salvo-conduto. Aliás, nem considera que ele seja um asilado político. Então, não tem porque dar. O senador poderia perfeitamente abrir a porta e sair à rua, nada o impedia. O que se está criando é uma situação de política interna para criar dificuldades para a presidenta, para o Itamaraty, para criticar o Itamaraty por uma razão ou por outra, por ter dado asilo ou por não ter dado asilo.
CM: O senhor acredita que foi uma ação orquestrada pela direita?
SPG: Não, mas acho que a direita sempre aproveita esses momentos. Eu nunca ouvi falar que nenhuma dessas pessoas que defendem o senador estivessem preocupadas, por exemplo, com os presos em Guantánamo, que estão lá há dez anos sem culpa formada e sem advogados. Todas essas pessoas agora extremamente preocupadas com os direitos humanos não emitem uma única opinião em defesa desses presos. Nem vejo elas reivindicarem salvo-conduto para Julian Assange, que está exilado na embaixada do Equador em Londres. É tudo um jogo de política interna. Essas pessoas acham que o governo do presidente Evo Morales não é sequer democrático, quando ele foi eleito com maioria enorme, em eleições supervisionadas, altamente legítimas, tem maioria no congresso e todo apoio da população. Mas essas pessoas são conservadoras e acham que a ascensão dos trabalhadores, dos índios, dos negros nos países da América Latina é algo preocupante para eles.
CM: Há esse tipo de postura de desrespeito aos governos de origem popular no Itamaraty?
SPG: Não, creio que não. Certamente, em toda organização maior você tem pontos de vista diferente. Pessoas de todo tipo de posição política. Eu acho até que o Itamaraty, de uma forma geral, caminhou, nos últimos anos, para uma visão mais esclarecida e consciente da importância da América Latina, até por influência do ex-presidente Lula.
CM: Do Itamaraty do ex-presidente Lula para o da presidenta Dilma, houve perda do protagonismo do Brasil na região?
SPG: O protagonismo de um país depende muito do presidente da república, da ênfase que este presidente dá aos lugares onde vai, que ele prestigia com a sua presença. O Itamaraty é um instrumento do presidente da república. Um instrumento. Faz o dia-a-dia da política, gera as informações, cumpre as determinações do presidente. O presidente Lula conferia prioridade à América do Sul, desde seu discurso de posse. E havia toda uma experiência prévia do Lula, da experiência que ele teve no passado de criar o Foro de São Paulo com os partidos políticos. Tudo isso fez com que ele tivesse relações muito estreitas com muitas lideranças da América do Sul. Ele tinha um interesse muito grande na região, achava que a América do Sul era essencial para a política externa brasileira, sem descuidar das relações com outros países. Mas essas concepções variam, e dependem muito das ações do presidente. Lula ia uma vez a cada três meses na Argentina, na Venezuela, na Bolívia. E isso ia criando um entendimento, uma compreensão política cada vez maior de cada realidade. Isso é muito importante.
CM: A presidenta Dilma se relaciona pouco com a América do Sul?
SPG: Não estou dizendo isso. Estou dizendo que cada um tem o seu estilo. E a situação também mudou um pouco. A crise internacional começa já em 2008, mesmo assim o Brasil cresceu muito. Depois é que seus efeitos foram se instalando sobre a economia brasileira. A presidenta Dilma também dá muita importância a esses temas.
CM: Qual o impacto da morte do Hugo Chávez no quadro geral da região?
SPG: O presidente Chávez e o presidente Lula eram duas pessoas profundamente convencidas da importância da integração latino-americana, da importância da coordenação entre os países, da união no contexto da política internacional. O presidente Maduro tem muitos méritos, mas não é o Chávez. São pessoas diferentes. E não que ele não seja bom. O próprio Chávez julgou que ele seria o mais qualificado para sucedê-lo. E Chávez devia ter lá suas razões.
CM: Como o Lula julgou que a Dilma seria mais qualificada para sucedê-lo...
SPG: Mas as circunstâncias eram diferentes. Um estava morrendo. O outro estava vivo. (risos). Está vivo e espero que continue por muito tempo.
CM: A demissão do Antônio Patriota foi adequada?
SPG: Sim, foi adequada. Não quero dizer que o ministro Patriota conhecesse o caso ou fosse responsável direto pelo que ocorreu, mas a presidenta necessitava tomar uma atitude em relação ao governo da Bolívia. E a demissão do ministro – que é um auxiliar da presidenta – é conveniente. Sou amigo do Patriota, quero deixar isso claro, mas as questões são políticas, não pessoais. A coisa se colocou de uma tal forma que a decisão dela foi acertada porque permite que o novo ministro entre em contato com as autoridades da Bolívia sem ter nenhum passado de nenhuma natureza. Foi uma medida politicamente importante.
CM: Cria-se um precedente preocupante? Qualquer criminoso comum pode pedir asilo em uma embaixada?
SPG: Acho que não cria precedente não porque qualquer cidadão já pode pedir asilo. Depende da embaixada conceder o asilo ou não.
CM: A decisão de conceder asilo é da embaixada? Passa pelo presidente?
SPG: Não necessariamente, porque muitas vezes quando o presidente é comunicado ela já ocorreu de fato.
CM: É tradição da diplomacia brasileira acolher qualquer um que peça asilo?
SPG: Não me lembro de nenhuma recusa. Mas este caso do senador Roger Pinto é complexo porque, mesmo acusado de corrupção, ele é um político de oposição, de forte oposição. Então, as coisas se misturam. De qualquer forma, uma coisa é conceder o asilo e outra é organizar uma fuga.
CM: É possível um diplomata, sozinho, patrocinar uma fuga dessas?
SPG: Eu não sei. O que li nos jornais é que foram carros da embaixada, acompanhados por fuzileiros navais.
CM: Concedido o asilo, o país pode voltar atrás?
SPG: Pode, claro. Pode haver também um pedido de extradição. A decisão é do Executivo, como ocorreu no caso Cesare Battisti. O judiciário pode examinar, mas o próprio judiciário brasileiro chegou a conclusão de que a prerrogativa é do Executivo. E é importante observar que estas questões tem alcance limitado após certo tempo. Ninguém mais fala em caso Battisti, nem fala mais que isso prejudicaria a relação do Brasil com a Itália.
Najla Passos
No Carta Maior
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Depois de Molina, Julian Assange

Numa prova de espírito democrático e grandeza política, seria bem oportuno sugerir às mesmas forças que aplaudem a fuga do senador boliviano que reforcem a pressão para que o fundador do Wikileaks possa deixar a Inglaterra
Imagine se um funcionário do governo do Equador organizasse a fuga de Julian Assange da embaixada de Londres para Quito. O governo de David Cameron já teria organizado uma frota para ameaçar o pequeno país sul-americano. O gesto seria considerado uma afronta e um insulto de caráter internacional. Já posso ver autoridades falando em boicote aos produtos do Equador.
Sempre em busca de argumentos para atacar Correa e todos os governantes que podem ser considerados herdeiros de Hugo Chávez, não faltariam colunistas conservadores, no Brasil, para exigir nossa ruptura com aquele país. Ou pelo menos um gesto de agressividade sobre um país de PIB menor do que o nosso - como chamar o embaixador para explicações.
Passando da imaginação para a realidade, foi mais ou menos isso que aconteceu na Bolívia, quando o diplomata Eduardo Sabóia decidiu fugir, clandestinamente, com um senador que se encontrava refugiado na embaixada em La Paz há um ano e meio.
O governo brasileiro tem uma tradição de asilar perseguidos políticos e, apesar de possuir mais de vinte condenações no currículo, existem motivos razoáveis para incluir Roger Molina nessa categoria.
Na última negociação realizada, o governo de Evo Morales concordou em liberar a saída do senador, sem lhe dar o salvo conduto, o que tornaria a saída uma operação arriscada.
Olhando para o caso de uma certa distância, é possível admitir que há prós e contras, em especial quando se encara o problema pelo ângulo humanitário. Vivemos num país que já exilou ditadores de alta periculosidade, como o paraguaio Stroessner.
E é justamente desse ângulo que volto à questão de Julian Assange.
Numa prova de espírito democrático e grandeza política, seria bem oportuno sugerir às mesmas forças que aplaudem a fuga do senador boliviano que reforcem a pressão para que o fundador do Wikileaks possa deixar a Inglaterra para residir em liberdade no país que concordou em lhe dar asilo.
Claro que a oposição faz isso num esforço óbvio para desgastar o governo. É do jogo.
Mas vamos combinar que há nobreza em Assange, uma causa que tem ligação direta com a liberdade de expressão e o direito a informação, tão preciosos em tempos de autoritarismo velado e espionagem.
Comparando um caso com o outro, cabe reparar que os direitos de Assange têm inteiro respaldo pelas tradições internacionais. Sua chegada ao Equador está autorizada pelo governo daquele país, ao contrário do que aconteceu com Roger Molina, que entrou clandestinamente pela fronteira.
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Protógenes quer pedir extradição de senador boliviano

À frente do Grupo Parlamentar Brasil – Bolívia, o Delegado Protógenes pretende entrar com representação no Ministério da Justiça contra Molina.
Deputados e senadores membros do Grupo Parlamentar Brasil – Bolívia devem enviar uma comissão à Bolívia para colher documentos dos processos que correm contra o senador boliviano Roger Pinto Molina. O deputado federal Delegado Protógenes (PCdoB-SP), presidente do grupo parlamentar, explicou que reunindo os documentos, irá pedir a extradição de Molina. “Faremos uma representação junto ao Ministério da Justiça. Já havia falado com Evo Morales sobre o caso do senador, na época em que ele estava refugiado na embaixada brasileira. O presidente disse que se Molina fosse preso político, daria pra resolver. Só que na verdade, ele é traficante de drogas, traficante de armas, desviou dinheiro público…”, disse o deputado se referindo à conversa que teve com o presidente boliviano durante o 19º Foro de São Paulo, que reuniu entidades e líderes de esquerda, no início de agosto.
O caso do senador boliviano ganhou repercussão após ele cruzar a fronteira entre Brasil e Bolívia num carro da embaixada brasileira, no último sábado. Molina estava há mais de um ano abrigado na embaixada do Brasil a pedido de asilo político. Ele responde a mais de 20 processos por corrupção e já foi condenado a um ano.
A operação de fuga teve a participação do diplomata brasileiro Eduardo Saboia, que autorizou a liberação do senador sem antes comunicar as autoridades brasileiras. A ação foi considerada pelo governo brasileiro quebra de hierarquia e acabou causando a derrubada de Antônio Patriota do Ministério das Relações Exteriores. “A atitude do diplomata quebrou várias regras dos direitos internacionais e violou tratados firmados entre Brasil e Bolívia”, destacou Protógenes.
O deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE), um dos membros do Grupo Parlamentar Brasil – Bolívia, destacou que para tentar solucionar o caso do senador boliviano, será preciso analisar quais acordos entre os dois países envolvidos estão em vigor para subsidiar um possível processo de extradição de Molina. “Temos que saber o que diz o tratado bilateral entre Brasil e Bolívia. Outra opção seria o acordo do Mercosul, já que os dois países participam do bloco”, disse.
No Blog do Protógenes
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Cubanos chegam e já diagnosticam a doença do Brasil

Eles desembarcaram há apenas quatro dias.
Ainda nem começaram a trabalhar. Mas alguma coisa de essencial já foi diagnosticada entre nós, apenas com a sua presença.
Uma foto estampada na Folha de S. Paulo desta 3ª feira sintetiza a radiografia que essa visita adicionou ao diagnóstico da doença brasileira.
Um médico negro avança altivo pelo corredor polonês que espreme a sua passagem na chegada a Fortaleza, 2ª feira.
O funil do constrangimento é formado por jovens de jaleco da mesma cor alva da pele.
Uivam, vaiam, ofendem o recém-chegado.
Recitam um texto inoculado diuturnamente em sua mente pelas cantanhêdes, os gasparis e assemelhados.
Centuriões de um conservadorismo rasteiro, mas incessante.
É força de justiça creditar a esse pelotão a paternidade da linhagem, capaz de cometer o que a foto cristalizou para a memória destes tempos.
“Escravo!” “Escravo!” “Escravo!”.
Ecoa a falange cevada no pastejo da semi-informação, do preconceito e das tardes em shopping center.
Foi programada para cumprir esse papel, entre outros, de consequências até mais letais para a democracia e a civilização entre nós.
Um desembarque que em outros países seria motivo de festas, homenagens e bandas de música.
Aqui é emoldurado pelo espetáculo deprimente de uma classe média desprovida de discernimento sobre o país em que vive, o mundo que a cerca e as urgências da sociedade que lhe custeou o estudo.
Para que agora sabotasse a assistência cubana aos seus segmentos mais vulneráveis, aos quais ela se recusa a atender.
Os alvos da fúria deixaram família, rotinas e camaradagem para morar e socorrer habitantes de localidades das quais nunca ouviram falar.
Mas que a maioria dos brasileiros também sequer desconfia que existam.
Com o agravante de que ali talvez jamais pousem seus pés. Coisa que os cubanos farão. Por três anos.
E que graças a eles, agora saberemos que existem.
Se o governo for safo – espera-se que seja – fará do Mais Médico uma ponte de conexão de nós com nós mesmos.
O futuro da democracia agradecerá.
Os pilares dessa ponte, de qualquer forma, são os que transitam agora altivos diante da recepção que indigna o Brasil aos olhos do mundo.
Perfis médicos ainda improváveis entre nós, apesar do Prouni e das cotas satanizadas pela mesma cepa mental adestrada em compor corredores e funis.
Nem sempre físicos, como agora.
Mas permanentemente intolerantes, na defesa da exclusão e do privilégio.
Formados em uma ilha do Caribe desguarnecida de recursos, por uma escola de medicina que contorna a tecnologia cara, apurando a excelência do exame clínico – aquele em que o médico demora uma hora ou mais com o paciente, rastreando o seu metabolismo – eles passarão a cuidar da gente brasileira pobre e anônima. (Leia a excelente entrevista de Najla Passos com a doutora Ceramides Carbonell sobre a formação de um médico em Cuba).
Campos Alegres de Lourdes, Mansidão, Carinhanha, beira do São Francisco, Cocos, Sítio do Quinto, Souto Soares... Quem conhece esse Brasil?
É para lá que eles vão. E para mais 3.500 outras localidades.
Um Brasil esquecido, em muitos casos, mantido na soleira da porta, do lado de fora do mercado e da cidadania.
Que sempre esteve aí. Mas que agora, pasmem, terá um sujeito interessado em ouvir o que sua agente tem a dizer, esforçando-se por entender pronúncias que até nós, os locais, muitas vezes teríamos dificuldade de discernir.
O ‘doutor de Cuba’ de fala estrangeira e jeito parecido com a gente vai examinar, apalpar dores, curar vermes, prescrever cuidados, encaminhar cirurgias, ouvir e confortar.
Com remédios, atenção e esperança.
Houve um tempo em que essas expedições a um Brasil distante do mar eram feitas por brasileiros, e de classe média.
Protagonistas de um relato épico, de nacionalismo não raro ingênuo. Mas que aproximava e treinava o olhar do país sobre ele mesmo.
Coisa que a hiper-conexão disponível agora poderia fazer até melhor.
Não fosse a determinação superior de afastar e dissimular, o que muitas vezes se alcança destacando o pitoresco.
Em detrimento do principal: as questões do nosso tempo, do nosso desenvolvimento, as escolhas que elas nos cobram. E os interesses que as bloqueiam.
Tivemos a Coluna Prestes, nos anos 20.
Os irmãos Villas Boas, apoiados por malucos como Darcy Ribeiro e entusiastas como Antonio Calado, fizeram isso nos anos 40/50 e início dos 60, quando foi criado o Parque Nacional do Xingu.
Trouxeram a boca do sertão para mais perto do olhar litorâneo e urbano.
Desbastavam distancias a facão.
Na raça, traziam horizontes, aproximavam rios, tribos, desafios e, de alguma forma, semeavam um espírito de pertencimento a algo maior que a linha do mar e a calçada de Copacabana.
A utopia geográfica, se por um lado borrava os conflitos de classe, ao mesmo tempo colidia com o país real que os esperava em cada socavão, de trincas sociais, fundiárias, étnicas e econômicas avessas à neblina da glamorização.
Paschoal Carlos Magno, a UNE e o CPC, o Centro Popular de Cultura, fariam o mesmo nos anos 60, antes do golpe militar.
As famosas ‘Caravanas do CPC’ rasgaram o mapa do sertão, a exemplo do que fizeram as Caravanas da Cidadania, de Lula, nos anos 80.
Desceriam o São Francisco nas gaiolas lendárias para garimpar e irradiar a cultura popular em lugares onde agora, possivelmente, um doutor cubano irá se instalar.
Caso de Carinhanha, um dos mais belos entardeceres do São Francisco.
Onde foi que a seta do tempo se quebrou?
Por que já não seduz a grande aventura de nossa própria construção terceirizada, por décadas, aos mercados autoregulados?
Uma leitora de Carta Maior, Odette Carvalho de Lima Seabra, resume em comentário enviado ao site o núcleo duro do problema.
“ A geração dos nossos jovens doutores”, escreve, “ jamais compreenderá de que se trata. Foram criados nos shopping centers. A escola secundária limitadíssima no seu alcance humanístico os fez também vítimas sem que o saibam que são. Uma revolução que durou vinte anos e cujo sentido era o de esvaziar de sentido a vida de todos nós deixou no seu rescaldo, esse bando de jovens, como são os nossos doutores, muito alienados. É tempo de aprender com os cubanos”, conclui Odette.
Colocado nos seus devidos termos, o impasse readquire a clareza histórica de que se ressente a busca de soluções.
Entre indignado e estupefato, o conservadorismo nega aos visitantes cubanos outra referência de exercício da medicina que não a dos valores argentários.
Ética médica, solidariedade, internacionalismo e humanismo formam uma constelação incompreensível a quem divide o mundo entre consumidores e escravos.
À esquerda, no entanto, cabe também evitar simplificações.
Se quiser enxergar a real abrangência das tarefas em curso, é preciso admitir que não estamos diante de uma batalha entre anjos e demônios.
Os médicos do Caribe não nascem bonzinhos. Tampouco endemoninhados, os dos trópicos.
Eles são formados assim. Por instituições.
A escola, por certo, mas a mídia, sem dúvida, que a completa pelo resto da vida.
É vital que o governo, lideranças sociais e os intelectuais compreendam o fundamental em jogo.
Se quisermos colher frutos duradouros com o ‘Mais Médicos’, o passo seguinte do programa terá que ser a reforma universitária brasileira.
Que reaproxime universidade e a juventude das grandes tarefas coletivas do nosso tempo.
As diferenças entre a formação do cubano hostilizado na chegada a Fortaleza, e aqueles que o ofendiam não são apenas de ordem técnica.
Mas, sobretudo, de discernimento diante do mundo.
A ponto de um não achar estranho sair de seu país para ajudar um outro.
Nem considerar despropositado que parte de seu ganho se transforme em fundo público de reinvestimento.
O oposto das convicções dos que o agraciavam com o corolário de sua própria servidão.
Esse talvez seja o aspecto mais chocante da visita que acaba de chegar.
E, sobretudo, o mais instrutivo.
Ela escancara a doença social que corrói o nosso metabolismo. E adverte para as limitações que irradia.
Na sociedade que estamos construindo.
Na mentalidade que vai se sedimentando. No risco que ela incide sobre o todo.
Para que o ‘Mais Médicos’ um dia possa ser dispensável, o Brasil precisa se tornar ele próprio um grande ‘Mais Solidariedade’.
Como faz Cuba desde 1959, com todos os seus erros, acertos e percalços.
Saul Leblon
No Blog das Frases
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Faltou energia em oito estados do Nordeste

Após apagão, energia retorna em capitais do Nordeste. Oito estados sofreram com falta de energia elétrica
Apagão atingiu oito estados do Nordeste nesta quarta-feira
A assessoria do Operador Nacional do Sistema (ONS) informou, às 16h30 desta quarta-feira, que a energia de sete capitais do Nordeste havia sido restabelecida. A assessoria da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) disse que a luz voltou em alguns bairros do Recife. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a carga para a Região Nordeste caiu de 10 mil megawatts para 1 mil megawatts às 15h de hoje.
Às 15h03, uma interrupção no fornecimento de energia atingiu cidades de oito Estados da Região Nordeste. Foi registrada falta de energia no Piauí, em Alagoas, no Ceará, em Sergipe, na Bahia, na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. De acordo com a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), o desligamento de energia foi considerado de grande porte e a empresa vai apurar as causas do blecaute. O ONS também está investigando as causas do desligamento.
Em Pernambuco e no Piauí, faltou energia em todos os municípios. Na região metropolitana do Recife, o metrô foi afetado. A Companhia Elétrica do Estado de Pernambuco (Celpe) distribui energia para 3,2 milhões de clientes, em 184 municípios. Segundo a assessoria da empresa, o problema não foi em seu sistema. No Piauí, o apagão causou transtornos principalmente nos hospitais e no trânsito.
Em Alagoas foi registrada queda de energia em vários bairros de Maceió e também de Arapiraca. No Rio Grande do Norte, a queda de energia apagou todos os semáforos da capital, Natal. No Ceará, faltava luz nas cidades de Maracanaú, Quixiadá, Caucaia e Sobral, entre outras.
Na Bahia, os municípios de Feira de Santana, Campo Formoso, Vitória da Conquista e Camaçari foram atingidos.
Novo apagão
É a segunda vez que o Piauí sofre apagão neste ano. Em janeiro, a capital e outras 32 cidades do Estado sofreram um “apaguinho”, horas antes da visita da presidente Dilma Rousseff. A direção da Eletrobras do Piauí divulgou nota afirmando que tem responsabilidade na interrupção do fornecimento de energia. “A causa está sendo diagnosticada pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) que deverá se posicionar sobre essa falta de energia”, disse a nota.
“O que sabemos é que o problema não partiu da gerência do Piauí. Por volta das 16h, algumas linhas já estavam sendo alimentadas”, disse o gerente da Chesf, Airton Feitosa. O assessor da presidência da Eletrobras no Piauí, Marcelino Machado, confirmou que os 224 municípios do Estado estão sem energia e que a empresa faz levantamento dos prejuízos. “Cem por cento do Piauí ficou no escuro. O que fomos informados é que a falha atingiu todo o Nordeste e o problema seria na rede básica de transmissão”, disse Machado.
O endereço eletrônico da Chesf saiu do ar e permanecia inacessível às 17h10.
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Justiça Eleitoral manda tirar site de Joaquim Barbosa do ar

A corregedora-geral da Justiça Eleitoral, Laurita Vaz, determinou a retirada do ar do site www.joaquimbarbosapresidente.com.br, atendendo a um pedido do Ministério Público Eleitoral, que estava no ar desde outubro passado. Para a corregedora, a página na internet representa prática de propaganda eleitoral antecipada.
A decisão tomada na sexta-feira, mas só hoje foi divulgada, embora a página já esteja fora do ar.
O site foi criado pela Trato Comunicação e Editora, de propriedade do vereador Átila Alexandre Nunes, quinto mandatário da família do deputado Átila Nunes, que se elegeu em 1960, com os votos das comunidades umbandistas. De lá pra cá, o filão religioso elegeu sua mulher, Bambina, seu filho Átila, seu neto Átila também. Quando este morreu, ano passado, o irmão Átila Alexandre, elegeu-se.
Candidato ou não, o que só se saberá em abril do ano que vem, a propaganda é ilegal . “Infere-se, em princípio, da imagem do sítio eletrônico trazida aos autos propaganda eleitoral em favor da candidatura do ministro Joaquim Barbosa, para Presidência nas eleições de 2014″, afirmou Laurita Vaz.
Mas a ministra deu ainda um “cutucada”no Ministério Público, por ter se mantido parado diante da ilegalidade, cometida há quase um ano. “Impressiona ainda alusão na inicial da representação a que o conteúdo irregular do sítio eletrônico está sendo veiculado desde outubro de 2012″, disse a ministra, para frisar o seu estranhamento com a demora do MP.
Fernando Brito
No CHEbola
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Marvin Gaye

Hoje o álbum LET´S GET IT ON, de Marvin Gaye, completa 40 anos!

Nilva de Souza
No Advivo
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Logran comunicación cerebral entre dos personas por Internet

Momento de la comunicación cerebral a distancia.
Imagen tomada de Russia Today
Científicos de la Universidad de Washington, Estados Unidos, han conseguido por primera vez que los cerebros de dos personas se comunicaran a distancia.
Los expertos estadounidenses lograron controlar a distancia el movimiento de las manos de un colega a través de señales enviadas por internet, usando grabaciones eléctricas del cerebro y una estimulación magnética. “Internet permite conectar computadoras, pero ahora también puede conectar cerebros”, afirmó Andrea Stocco, quien movió su dedo sobre un teclado a partir de una señal mandada por el cerebro de un colega que se encontraba en otra parte del campus universitario.
La singularidad del innovador experimento reside en que es la primera vez que la comunicación a distancia se concreta entre dos seres humanos, luego de más de diez años de investigaciones y pruebas. Previamente, científicos de la Universidad de Duke realizaron el mismo experimento entre dos ratas y, posteriormente, expertos de Harvard lograron establecer contacto cerebral entre una rata y un humano.
“Fue emocionante y extraño ver cómo una acción pensada en mi cerebro se traducía en una acción simultánea en otro cerebro”, declaró Rajesh Rao, el experto de la Universidad de Washington que envió la señal cerebral a su colega. No obstante, afirman que el próximo desafío será lograr una conversación más directa y equitativa entre ambos cerebros, y no solamente mandar un mensaje de emisor a receptor.
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A fuga do Pinto

Embora essa questão Brasil-Bolívia esteja longe do fim, é preciso “situar” quem é quem no episódio nada diplomático. E que não pode atingir Brasil e Bolívia. Só os protagonistas da FUGA devem ser responsabilizados.
São muitos os personagens pessoais (além de dois países) nesse caso que envolve tanta gente importante. Assim, é necessário examinar a participação de cada um. O que vou fazer por ordem de entrada em cena.
SENADOR (DA BOLÍVIA) ROGER PINTO MOLINA
Tudo começou com ele. Processado pelo governo da Bolívia, em mais de 20 processos e já condenado em um por corrupção, entrou no edifício onde fica a Embaixada do Brasil, em 28 de maio de 2012, pediu asilo. Em 8 de junho do mesmo 2012 o governo brasileiro decide conceder o asilo, com base na Constituição brasileira.
A Bolívia, diretamente pelo presidente Evo Morales, protestou, o Brasil não levou em consideração. Em mais de 450 dias, nada foi feito, a Bolívia insistindo em não conceder o salvo-conduto, o Brasil deixando que ele ficasse na Embaixada. Sem tentar um acordo, possível e aconselhável, não teria havido a fuga tão estranha e inexplicável, mas cheia de “patrocinadores”.
EDUARDO SABOIA, UM DIPLOMATA BRASILEIRO
Faccioso, fastidioso e fantasioso, entra em cena. Encarregado de Negócios, age com total desenvoltura. Começa revelando um fato que aconteceu realmente, mas não podia ser contado publicamente: “Estou como Encarregado de Negócios, respondendo pela Embaixada, porque EVO MORALES EXIGIU DO BRASIL A TRANSFERÊNCIA DO EMBAIXADOR, mandado para a Suécia”.
Foi o artífice de quase tudo, abertamente, fora os que agiram, mas não ostensivamente, e também serão examinados. O senador fugiu, como se sabe, em dois carros oficiais, com a placa do Brasil, tudo providenciado. E com fatos silenciosos e silenciados, até agora, mas estridentes e até retumbantes.
CUMPRINDO O PLANEJADO COM O SENADOR FERRAÇO
Eduardo Saboia telefonou na véspera da fuga, para o senador Ferraço, presidente da Comissão de Relações Exteriores. Este agiu logo, e por notável coincidência, sendo do Espírito Santo e trabalhando em Brasília, “estava em Mato Grosso do Sul, na fronteira”, assim que o fugitivo chegou.
(Como já contei, falou antes com Renan Calheiros, que não se comprometeu, mas era mais um a saber antes do fato ser consumado. E quem acredita que um senador como Renan, que adora “blasonar”, que palavra, iria ficar calado, não contaria, “em sigilo”, para alguém?)
O TELEFONEMA PARA CELSO AMORIM, MAQUIAVÉLICO
Diplomata há quase 25 anos, conhece bem o Itamaraty. Sabia que o ex-chanceler e agora ministro da Defesa, e o então ministro Patriota, são inimigos e não é de hoje. Como no projeto de fuga estavam dois policiais federais (por que razão?), decidiu comunicar o fato ao ministro da Defesa.
Ora, apenas dois policiais federais, por que revelar tudo ao ministro da Defesa? Se queria “autorização”, por que não falou com o ministro da Justiça, a quem os policiais federais são subordinados? Elementar, precisava envolver o ex-chanceler na sonata e fuga.
UM DIPLOMATA FALASTRÃO
Corto para o encarregado de Negócios, já no Brasil, depois da fuga (o desenrolar dela será contado quando aparecer cada personagem, na ordem em que surgem), e as diversas e contraditórias versões.
1 – Ainda no aeroporto: “Salvei um ser humano, que PENSAVA até em suicídio”. Como ele conhecia o pensamento do preso que não recebia visitas?
2 – “O que me comoveu e me motivou foi SALVAR um PERSEGUIDO, como foi PERSEGUIDA no passado a nossa presidente”. Um diplomata, com vocação para voluntário da Cruz Vermelha. Mas não parou por aí, entrou pelo caminho da ameaça e da intimidação.
TENTANDO BLEFAR PARA A COMISSÃO DE SINDICÂNCIA
Não acreditava que fosse haver sindicância. Logo que ela foi criada, mudou de tom: “Sei que vão tentar jogar toda a culpa em cima de mim, mas pratiquei apenas um ato humanitário”. E nessa linha espantosa, a confissão: “OUVI A VOZ DE DEUS”.
Tendo sido chamado ao Itamaraty, “sentindo” o clima e o espanto com tudo o que praticou, foi ainda mais estarrecedor, incluindo a ele mesmo nas mais diversas infrações criminais e antidiplomáticas: “Sei me defender muito bem, tenho documentos extraordinários, que poderei revelar”.
E reafirmando, mas também mostrando o próprio medo: “Não me atingirão, voltarei para o meu cargo na Bolívia”. (Não sei e ninguém sabe em quanto tempo, mas o futuro de Eduardo Saboia será desvendado pela Comissão de Sindicância.)
CELSO AMORIM, BOM ARTICULADOR DE SI MESMO
Foi um dos mais longos ministros do Exterior. Nada brilhante, mas bom articulador de si mesmo. Tinha a proteção do presidente Lula, até a última viagem, quando na véspera, sem aviso, foi cortado da delegação, Lula colocou Mantega em seu lugar.
Logo seria demitido, nem deveria ter feito a “carreira” que fez, pois há dezenas de anos, no início, foi envolvido em escândalos tremendos como presidente da Embrafilme.
Um sortista completo, Amorim saiu do ostracismo para ser ministro da Defesa. Nem acreditou quando foi nomeado. E agora, tranquilo, o diplomata da fuga coloca seu nome na aventura, o ex-chanceler passa a interlocutor e intermediário da própria Dona Dilma.
PATRIOTA, EX-CHANCELER, SABE TUDO SOBRE A ONU
É respeitado no Itamaraty, da geração dele mesmo, do embaixador Figueiredo (seu substituto), do embaixador Roberto Azevedo, que foi eleito para a OMC (Organização Mundial do Comércio), e outros que também se destacam.
Patriota não recebeu “compensação” por ter deixado o cargo. Tendo sido embaixador do Brasil em Washington e ministro do Exteror, seria péssimo “jogá-lo” num lugar qualquer. Não foi bom ministro, mas sabe tudo sobre a ONU, seu novo posto,
DONA DILMA FICOU SABENDO COMO?
Ainda não é certo quando ela soube do fato espantoso. No sábado, quando começou? Assim que a “comitiva” com o fugitivo chegou a Corumbá? Falam que Celso Amorim telefonou contando. Que era o que o encarregado de Negócios queria.
Também dizem que soube diretamente por um telefonema do senador Renan. Este, tendo sabido do fato como mostrei, acompanhou o caso, facílimo com os meios de que dispõe. Concretizado tudo, contou para Dona Dilma, falou como se fala entre parceiros: Você me deve uma”.
O INTRANSIGENTE EVO MORALES
Tudo começa e termina com ele. Foi intransigente com o senador asilado. Embora este não seja personagem para ser citado, podia ter conversado com o ministro Patriota ou até com Dona Dilma. É impossível JUSTIFICAR esse fato inacreditável: um fugitivo, sem vigilância externa, percorrer 1,6 mil quilômetros de território da Bolívia, em carro oficial do Brasil (três carros, dois com placa oficial) sem que despertasse a menor suspeita, perseguição ou uma parada para verificação?
Um criminoso ou apenas um perseguido, vá lá, faz tudo isso e percorre um trajeto enorme, volta para o Brasil na maior tranquilidade? Quem vai acreditar nisso? O que ainda não se sabe com segurança: autoridades da Bolívia (até mesmo do Ministério do Exterior) teriam sabido com antecedência do que aconteceria. FICARAM EM SILÊNCIO. Os fatos confirmam a versão. Razoável e possível, dentro do “carteado” chamado de diplomacia.
“TUDO NOS UNE, NADA NOS SEPARA
Embora a frase seja do presidente da Argentina, Saens Peña (grande figura), em 1922, quando veio ao Brasil para o centenário da Independência, pode servir também para identificar as relações Brasil-Bolívia. Em 1957, o Brasil serviu à Bolívia, mas também obteve os objetivos desejados.
Nesse ano, a Petrobras praticamente só existia no papel, precisávamos de gás, que a Bolívia tinha em quantidade. Juscelino fez contato com a Bolívia, foram assinados os importantes Acordos de Roboré. JK indicou para cuidar do assunto, Roberto Campos, então presidente do BNDE (Não tinha o S de Social, hoje tem o S, mas continua sem Social).
Roberto Campos decidiu que os Estados Unidos deveriam participar do acordo de compra e venda, que era apenas entre Brasil e Bolívia. Eles protestaram, JK decidiu imediatamente: “O acordo é só entre Brasil e Bolívia”. Ótimo para os dois países.
E evidente que o caso Roger Pinto tem que ser investigado, não ficar como se não tivesse acontecido nada. Mas por que Brasil e Bolívia têm que ser atingidos de forma preconceituosa e mesquinha? O que não serve aos dois países, ainda se pode conversar e com sucesso.
Helio Fernandes
No Tribuna da Imprensa
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Aécio quer mudar o "Mais Médicos" para "Mais Corruptos"

Aécio defende importação de corruptos estrangeiros, mas é contra médicos cubanos

Para presidente do PSDB, trazer ao Brasil um parlamentar acusado de envolvimento em massacre de indígenas e da venda de terras públicas para particulares é uma questão humanitária
Aécio repete José Serra em 2010 e diz que Itamaraty
pratica política externa "ideológica"
Moreira Mariz/Ag. Senado
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), defendeu a importação de corruptos estrangeiros para o Brasil. O senador tucano emitiu nota em defesa do seu colega no parlamento boliviano, o também senador Roger Pinto Molina, que havia se refugiado na embaixada brasileira em La Paz. Alvo de mais de 20 processos na Justiça boliviana, incluindo casos graves de corrupção, Molina tem na ficha a participação em um massacre de indígenas, com a morte de 11 agricultores no estado em que governava, em 2008, venda irregular de terras do Estado para particulares, desmatamento criminoso, sumiço de verbas públicas sem prestar contas e outros delitos. Por isso, estava impedido de deixar o país.
Em um dos processos, Molina já foi condenado a um ano de prisão, em primeira instância, por causar um rombo nos cofres públicos de cerca de US$ 1,6 milhão, de acordo com a denúncia da promotoria.
Molina alegou perseguição política e refugiou-se na embaixada brasileira há mais de um ano. O governo boliviano não concedeu salvo-conduto, ordem necessária para ele sair do país, e o Brasil ainda avaliava se concederia asilo político em definitivo ou não. O diplomata brasileiro Eduardo Saboia, sem ordens superiores, quebrando a hierarquia do Itamaraty, deu fuga em carro da embaixada até o Brasil, agindo na contramão dos acordos internacionais. O fato provocou a demissão do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. A presidenta Dilma Rousseff ficou bastante irritada com a crise e a confusão provocadas pelo diplomata indisciplinado que violou regras internacionais.
“A questão central é o que o governo brasileiro nesses cerca de 450 dias não se empenhou para que houvesse por parte do governo boliviano aquilo que dele se esperava: o salvo-conduto. Em não havendo, o diplomata tomou a decisão correta, que foi de preservar a vida do senador, trazendo-o para o Brasil. E aqui ele deve receber o asilo formal e, obviamente, ter as garantias de vida dadas pelo governo do Brasil”, disse ontem o tucano, provável adversário de Dilma Rousseff no próximo ano.
O senador Aécio Neves, em campanha de oposição, quis se aproveitar da crise para desferir críticas. Acabou defendendo a importação de supostos políticos corruptos estrangeiros para o Brasil.
“O que foi feito pelo diplomata brasileiro sediado na Bolívia foi um gesto humanitário, que me faz lembrar gestos de outros diplomatas brasileiros que, no tempo de Hitler, contrariaram ordens superiores do próprio Itamaraty para que inúmeros refugiados do nazismo viessem para o Brasil. Hoje, são reconhecidos como heróis, até pelo governo do PT. Uma decisão extremamente equivocada mostra o governo brasileiro, que tinha uma tradição secular de respeito aos direitos humanos, se curvando a um alinhamento ideológico”, continuou.
Assim, o senador mostra sua completa falta de sintonia com os anseios populares. Recentemente, atacou a contratação de médicos estrangeiros pelo Ministério da Saúde para atender no SUS.
Do que o Brasil precisa e o que o povo quer? Mais médicos, como está fazendo o governo federal, ou "mais corruptos", como defende o presidente do PSDB.
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Requião diz que Folha mente e pede pressa no Direito de Resposta

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Aprovação de Dilma sobe para 41% em pesquisas do Planalto

Joel Rodrigues/FRAME: BRASÍLIA, DF - 27.08.2013: DILMA/SENADO/RELATÓRIO/CPMI/DF - A presidente Dilma Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), participam de sessão solene para entrega do Re
Na semana passada, pesquisa Ibope/Estado mostrou que a taxa de ótimo/bom do governo cresceu de 31% para 38% desde 12 de julho. Ao mesmo tempo, as opiniões de que o governo é ruim ou péssimo caíram de 31% para 24%
Pesquisas que chegaram ao PT e ao Palácio do Planalto mostraram que a avaliação de Dilma Rousseff atingiu 41% de ótimo e bom. A informação é de Vera Magalhães, do Painel, da Folha.
Na sexta-feira passada, dia 23, pesquisa Ibope/Estado mostrava que a taxa de ótimo/bom do governo cresceu de 31% para 38% desde 12 de julho. Ao mesmo tempo, as opiniões de que o governo é ruim ou péssimo caíram de 31% para 24%. A avaliação de que o governo é "regular" permaneceu em 37%. Apenas 1% não soube ou não quis responder.
Em comparação com os números divulgados pelo Datafolha há duas semanas, a aprovação ao governo foi de 36% para 38%. A pesquisa Ibope-Estado foi feita entre os dias 15 e 19 de agosto. Foram 2.002 entrevistas face a face, feitas na residência dos entrevistados. A pesquisa foi feita em 143 municípios de todas as regiões do Brasil. Sua margem de erro máxima é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, num intervalo de confiança de 95%.
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Más de un millón de cucarachas se escapan de una granja en China

Más de un millón de cucarachas han escapado de la granja china que las criaba para la producción de medicinas tradicionales chinas, de acuerdo con el diario cantonés ‘Nuevo Expreso’.
Los insectos escaparon el pasado día 20 de una granja de la localidad de Dafeng, en la provincia oriental de Jiangsu, cuando un desconocido destrozó el invernadero en el se hallaban.
El propietario de la granja, Wang Pengsheng, de 38 años, indicó que decidió invertir en las cucarachas el año pasado al conocer que por cada kilogramo de insecto adulto, cuyos extractos, según los practicantes de la medicina tradicional china, cuentan con propiedades curativas contra algunas enfermedades y reforzar el sistema inmunológico.
Wang gastó más de 200.000 yuanes (más de 32.000 dólares) en comprar un centenar de kilos de huevos de cucaracha, según explicó al diario. “Pero la recompensa es buena, es normal ganar más de 1.000 yuanes por kilo (163 dólares” de insecto adulto, puntualizó. Para el momento en el que se destruyó el invernadero, el granjero calcula que debía contar con cerca de 1,5 millones de cucarachas.
Según Wang, la cifra de un millón de insectos fugados y que buscaron refugio en los campos de maíz cercanos es “conservadora”. Las autoridades han abierto una investigación sobre el incidente y buscan al responsable del destrozo, señala el diario.
No SIBCI
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A culpa dos jornalistas nesse show de horrores sobre os médicos cubanos

Parte dos jornalistas passou dias dizendo o que quis sobre a vinda dos médicos cubanos, sem se preocupar em checar informações ou as consequências de suas ações.
São escravos, vêm em aviões negreiros, são incompetentes, indolentes e teve até quem disse que as médicas pareciam “empregadas domésticas” (o fantástico é que a tosca em questão achou que estava ofendendo as doutoras mas, no fundo, rasgava preconceito contra uma suposta aparência de trabalhadoras domésticas).
Muito jornalista também deu voz de forma passiva e servil ao corporativismo médico desmiolado, ou seja, ouviu e transmitiu aberrações sem questionar. Que é a função primordial dele.
Isso alimentou um bando de filhos das classes média e alta, com formação política zero, conhecimento histórico inexistente, pouco senso crítico e zero de autocrítica. Que depois de bem “fundamentados”, levaram seus jalecos brancos para a porta de aeroportos a fim de repetirem o que ouviram.
Em suma, todo e toda jornalista que ajudou a inflar o monstro da xenofobia e do preconceito neste caso ou ao longo dos anos ou se omitiu diante disso tem uma parcela de culpa nesse show de horrores e de vergonha alheia.
Não somos nós que vamos a público tentar agredir estrangeiros. Da mesma forma que não é a mão de pastores ou deputados que seguram a faca, o revólver ou a lâmpada fluorescente que atacam homossexuais. Mas somos nós que, muitas vezes, na busca por audiência ou para encaixar um fato em nossa visão de mundo, tornamos a agressão banal, quase uma necessidade para restabelecer a ordem das coisas.
Parabéns colegas, a gente é o máximo.
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Queremos médicos suecos!

Ou, no mínimo, canadenses. Sim, porque o gigante acordou e está bastante exigente. Os brasileiros de bem e os conselhos médicos já ergueram suas vozes contra a importação de cubanos, que serão forçados a trabalhar em regime de semi-escravidão em solo brasileiro. Aliás, a ilha de Fidel tem sistematicamente exportado seus escravos de jaleco para países pobres como Haiti, Venezuela, Paquistão, Guatemala e Honduras. Mas nós precisamos de médicos padrão Fifa!
Esses pobrezinhos aceitam trabalhar sem nenhuma estrutura, sem remédios, em lugares inóspitos e com baixos salários, e por isso – só por isso! - preencheram as vagas recusadas pelos doutores brasileiros. Nossa classe médica está certíssima na recusa, pois a possibilidade de se trabalhar num consultório acarpetado e refrigerado existe, e é, sem dúvidas, muito mais sedutora para nossos meninos recém-formados em medicina.
Imagine que dos R$10.000 mensais oferecidos pelo programa Mais Médicos, apenas R$4.000 ficarão com os médicubanos, o resto irá para o governo de Raul Castro. Governo esse, aliás, que os aprisionou por 6 anos em senzalas disfarçadas de universidades e lhes impôs o estudo de uma medicina atrasadíssima, bolivariana, calcada mais na prevenção de doenças do que na utilização dos modernos medicamentos oferecidos pela pujante indústria farmacêutica.
No último sábado, desembarcaram das caravelas no aeroporto de Recife os primeiros trabalhadores cubanos, causando revolta em muitos brasileiros.
Fingindo-se solidária e feliz com os grilhões modernos, a cubana Natasha Romero Sanchez, 44, fez declarações estranhas para muitos médicos brasileiros:
Foto: Matheus Britto/AImagem/Futura Press
"Viemos para ajudar, colaborar, complementar com os médicos brasileiros"
"O salário é suficiente”
"Nós nos formamos com base na solidariedade e no humanismo"
"Não viemos mudar nenhum sistema social, viemos aprender com nossos colegas e poder ajudar o povo pobre com carência de atenção médica primária adequada"
Nelson Rodrigues, 45, ainda afirmou:
"Somos médicos por vocação, não nos interessa um salário, fazemos por amor"
Nos comentários da notícia postada no Facebook, os amigos internautas esnobaram as declarações dos cubanos:

Obviamente alguma coisa está errada e os brasileiros de bem estão percebendo. Quem, em sã consciência, largaria sua família pra ajudar uma população carente de outro país apenas por solidariedade, amor, hospedagem, alimentação e 4000 dilmas? Impossível! O Brasil precisa eleger sua nova Princesa Isabel e voltar às ruas contra essa escravidão moderna.
#AcordaDeNovoBrazil
No Jornalismo Wando
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Ameaça de morte aos médicos cubanos

Caso apareça um médico cubano morto essa Cintia Oliveira deve ser a primeira suspeita!!!
Ela prega a morte, o assassinato, o extermínio dos médicos cubanos!!!
A página no facebook foi removida: https://www.facebook.com/oliveiralince

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"Seremos escravos da saúde e dos doentes"

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A frase foi dita pelo médico cubano Juan Delgado, de 49 anos, que foi vaiado e hostilizado por médicos do Ceará, numa imagem que envergonhou o Brasil e, postada no 247, foi compartilhada por 185 mil pessoas; ao desembarcar no Brasil, foi chamado de "escravo" e se disse "impressionado" com a manifestação. "Isso não é certo, não somos escravos. Os médicos brasileiros deveriam fazer o mesmo que nós: ir aos lugares mais pobres para prestar assistência"; que sirva de lição aos médicos que agiram com selvageria em Fortaleza e também a seus detratores na mídia brasileira; Conselho Federal de Medicina ainda não condenou agressão, que descamba para xenofobia e racismo
O médico cubano Juan Delgado, de 49 anos, retratado numa imagem do fotógrafo Jarbas Oliveira, em que era vaiado por médicas brasileiras, se disse "impressionado" com a manifestação ocorrida em Fortaleza e deu uma lição em seus agressores. "Me impressionou a manifestação. Diziam que somos escravos, que fôssemos embora do Brasil. Não sei por que diziam isso, não vamos tirar seus postos de trabalho", afirmou ele.
De fato, Delgado e os demais estrangeiros que chegaram ao Brasil irão trabalhar em 701 municípios que não atraíram o interesse de nenhum médico brasileiro, a despeito das bolsas de R$ 10 mil oferecidas pelo governo federal.
Negro, e formado por uma universidade pública de Cuba, Delgado questionou várias vezes o fato de ter sido chamado de "escravo" pelos brasileiros. Ele se disse um homem livre, que veio por vontade própria ao Brasil e disse ainda ter atuado em outras missões humanitárias, em países como o Haiti.
Sobre a escravidão, ele disse algo que poderia ser lembrado pelas próximas gerações de médicos no Brasil. "Isso não é certo, não somos escravos. Seremos escravos da saúde, dos pacientes doentes, de quem estaremos ao lado todo o tempo necessário", afirmou, em depoimento ao jornalista Aguirre Talento, da Folha. "Os médicos brasileiros deveriam fazer o mesmo que nós: ir aos lugares mais pobres prestar assistência".
Ele afirmou ainda que a atuação dos estrangeiros não será simples. "O trabalho vai ser difícil porque vamos a lugares onde nunca esteve um médico e a população vai precisar muito de nossa ajuda", disse. Sobre o desconhecimento da língua portuguesa, disse que não será um empecilho e afirmou que a população brasileira "aceitará muito bem os cubanos".
Responsável pelo corredor polonês armado contra os cubanos, o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, José Maria Pontes, disse que as vaias não eram dirigidas contra os profissionais estrangeiros, mas sim aos gestores do programa Mais Médicos. Um vídeo (assista aqui), no entanto, deixa claro que médicos cubanos, como Juan Delgado, foram cercados e chamados de "escravos" por uma turba selvagem e enfurecida de médicos cearenses. Até agora, o Conselho Federal de Medicina ainda não soltou nenhuma nota condenando o que ocorreu em Fortaleza.
Postada ontem com indignação pelo 247, a imagem da vaia dirigida a Juan Delgado havia sido compartilhada por 185 mil pessoas no Facebook – uma marca histórica e um fenômeno raro na história da internet (saiba mais aqui). O que demonstra o estrago que a classe médica tem feito à própria imagem com os atos de xenofobia e até racismo contra médicos estrangeiros, sobretudo cubanos, que vêm sendo incitados por parte da chamada grande imprensa brasileira (saiba mais em "Eles são responsáveis pelo corredor polonês?")
No 247
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Dilma: "É um imenso preconceito contra os cubanos"

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Presidente lembra em entrevista a rádios de Minas Gerais que "é importante dizer que os médicos estrangeiros, não só cubanos, vêm ao Brasil para trabalhar onde médicos brasileiros formados aqui não querem trabalhar"; secretário adjunto de Gestão do Trabalho diz que remuneração dos médicos cubanos ficará entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, paga pelo governo do país após repasse do Brasil à Organização Panamericana de Saúde e, desta, para Cuba; Federação Nacional dos Médicos (Fenam) solicitou à Procuradoria-Geral do Trabalho investigação da relação de trabalho dos profissionais que atuarão pelo Mais Médicos.
Brasília - A presidenta Dilma Rousseff criticou hoje (28) os que têm preconceito contra a presença dos médicos cubanos no Brasil. Em entrevista a rádios de Minas Gerais, ela ressaltou que há também médicos de outros países, além de Cuba. A presidenta reiterou que os estrangeiros estão no Brasil para desempenhar o trabalho que os médicos brasileiros não querem fazer.
"É um imenso preconceito sendo externado contra os cubanos. É importante dizer que os médicos estrangeiros, não só cubanos, vêm ao Brasil para trabalhar onde médicos brasileiros formados aqui não querem trabalhar", disse ela.
Ontem (27), a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) solicitou à Procuradoria-Geral do Trabalho investigação da relação de trabalho dos profissionais que atuarão pelo Mais Médicos. A entidade alega que o fato de os médicos não revalidarem os diplomas vai causar restrição de locomoção, o que, segundo a entidade, é uma das características do trabalho escravo.
Pelas regras do governo, todos os profissionais do Mais Médicos receberão uma "bolsa formação" pelo serviço nas regiões carentes. Não haverá contrato de trabalho. O Ministério da Saúde é favorável à concessão de pagamento por intermédio de bolsa porque os médicos farão uma especialização na atenção básica ao longo dos três anos de atuação no programa.
No caso dos médicos cubanos, eles atuarão no Brasil em regime diferente dos que se inscreveram individualmente no Mais Médicos. O Ministério da Saúde brasileiro firmou acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para que a entidade internacional buscasse parcerias para a vinda de médicos para o país. Pelo acordo, a Opas fez acordo com Cuba, prevendo inicialmente a vinda de 4 mil médicos cubanos. Os primeiros 400 profissionais desse acordo a chegarem no país vão atuar em parte das 701 cidades que não receberam inscrições individuais de médicos.
No acordo, os repasses financeiros serão feitos do Ministério da Saúde para a Opas. A entidade repassará as quantias ao governo cubando, que pagará os médicos. Inicialmente nem a Opas nem o Ministério da Saúde souberam especificar quanto dos R$ 10 mil pagos por médico será repassado para os profissionais, porém, o secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Fernando Menezes, disse depois que a remuneração ficaria entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil.
Renata Giraldi e Danilo Macedo
No Agência Brasil
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Eles são responsáveis pelo corredor polonês?

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Não foi por explosão espontânea que os médicos cearenses chamaram seus colegas cubanos de "escravos, escravos!"; o ódio, a violência e o preconceito demonstrados na noite da segunda-feira 26 foram atitudes disseminadas, a partir do conforto das redações da mídia tradicional, por três colunistas: Reinaldo Azedo, Eliane Cantanhêde e Augusto Nunes; assim como não existiria o nazismo sem o Mein Kampf, de Hitler, o corredor polonês de Fortaleza não ocorreria sem os jornalistas que gravaram no imaginário dos médicos o rebaixamento completo dos cubanos
O que move o mundo são as ideias. Para frente ou para trás. A instalação do nazismo, na Alemanha dos anos 1930, foi precedida pela publicação do ideário de Adolf Hitler, o livro Mein Kempf. Na China comunista, Mao Tsé-Tung tinha o seu Livro Vermelho, de leitura obrigatória nas escolas. De ambos nasceram ideologias totalitárias, cegas aos direitos humanos, avessas à diversidade, pregadoras da violência.
Hoje, no Brasil, o conjunto dos ideais disseminados por alguns dos mais conhecidos colunistas da mídia tradicional aponta para um caminho análogo, sem volta, de interdição do debate, aviltamento do adversário, exclusão do diferente. Corteja o totalitarismo já superado pela sociedade brasileira.
"Escravos, escravos!". A palavra de ordem dos médicos cearenses contra seus colegas cubanos, que se preparavam para receber as primeiras noções sobre que Brasil é esse que eles vieram apoiar, não foi gritada por acaso. Essa figura foi gravada no imaginário coletivo dos médicos cearenses – e pode estar se multiplicando em outras regiões brasileiras – por três, em particular, colunistas adulados na mídia tradicional.
Do conforto de suas redações, Reinaldo Azevedo, primeiro, classificou em Veja os médicos cubanos, cujo trabalho é elogiado em todo o mundo no qual eles atuam em programas do tipo Mais Médicos, da Finlândia à África, de "escravos". Na Folha, a decana Eliane Cantanhêde disse que os profissionais viajariam em "aviões negreiros". Augusto Nunes, para não ficar atrás, escreveu em seu blog que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se tornou uma "princesa Isabel às avessas". Todos, sem exceção, com a mesma imagem de degradação do ser humano.
Não ocorreu à trinca de colunistas circunscrever suas diatribes ao irmãos Castro, Fidel e Raúl, ou a Karl Marx e Frederic Engels, os grande teóricos do comunismo. Não. Eles pularam na jugular de cada um e de todos os médicos cubanos que atenderam, sob supervisão da Organização Panamericana de Saúde, ao chamamento oficial do governo brasileiro.
Na leitura de Azevedo, Eliane e Nunes, depreende-se que eles são "escravos" porque merecem. Vivem em Cuba porque são covardes para enfrentar a sua ditadura. Isso de um lado. Noutra hipótese, felizes, percorrem o mundo para agirem como arautos do socialismo, espiões à luz do dia, propagandistas de uma ideologia ultrapassada. Nenhuma linha sobre o trabalho que os médicos cubanos desempenharam no Haiti pós terremoto que devastou o país em 2010, classificado de "maravilhoso" por seus colegas de primeiro mundo (finlandeses). Nada sobre a ação pacificadora na África, na década de 1970. Nenhuma referência ao mundialmente exemplar programa de medicina da família executado dentro da própria Cuba, que por este tipo de expediente tem um Índice de Desenvolvimento Humano maior que o do Brasil. Zero.
Igualmente, os três colunistas não comentaram sobre os médicos de outros países – Espanha, Portugal, Argentina, Itália – que igualmente aceitaram a proposta do governo brasileiro para preencher vagas que os médicos brasileiros recusaram – com salários de R$ 10 mil por mês. Afinal, por que entrar em questões mais complexas para análise, se o mais importante é se divertir pela humilhação aos cubanos?
Sabe-se que, por este tipo de posicionamento rasteiro, a mídia tradicional está se afogando pela soma de dívidas demais e leitores de menos. Mas guarda-se ainda, é claro, um tipo de influência muito útil os momentos mais intensos de polaridade ideológica. Nessas horas, diante de programas como o Mais Médicos, que, efetivamente, podem mudar para melhor o padrão de atendimento de saúde nos rincões do País. Os mesmos rincões que não recebem médicos desde seu desbravamento.
Os três colunistas poderiam usar seus espaços para discutir, porque, afinal, a chamada classe médica jamais, em tempo algum, como um todo, voltou seus esforços para o Brasil real. A orientação da medicina brasileira é cobrar, e caro, pelo menor atendimento. Os médicos querem os grandes hospitais, jamais os pequenos pronto-socorros. Podia-se alegar, até aqui, que faltava incentivo para o avanço pelas artérias do País, mas agora não há mais. A remuneração oferecida pelo governo superou todas as expectativas. O programa Mais Médicos, por outro lado, nada mais é que uma cópia escarrada do que já existe em diferentes partes do mundo, notadamente nos países mais avançados, como Inglaterra e Alemanha. Lá como cá foi preciso importar profissionais para superar carências. O que fazer, então, para dizer que o Mais Médicos não presta?
Ocorreu aos três colunistas chamarem os cubanos – esquecendo-se de todos os outros – de escravos. Uma distorção não apenas da situação que eles vivem em Cuba, mas uma covardia contra cada um e todos os integrantes do grupo recém-chegado. A opção foi criar um clima hostil, de guerra, de oposição total e completa à presença deles aqui. Viraram a mira de seus canhões para os mais fracos e indefesos.
Após chamar os profissionais de escravos, restará aos colunistas continuar o linchamento moral sobre eles. Poderiam, como Gandhi ou Luther King, atuarem pela conciliação entre o homens, mas se inspiraram em Hitler e Mao para disseminar o ódio. O resultado foi visto no Ceará.

Reaça-mor, Nêumanne vê Mais Médicos como "esmolinha" para os Castro

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Um dos jornalistas mais reacionários do País, José Nêumanne, colunista do Estado de S. Paulo, publicou artigo em que trata os médicos cubanos como incompetentes e afirma ser "temeridade" permitir que os pobres (hoje sem médicos) sejam tratados por eles
No 247
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50 anos após Luther King, Fortaleza imita Little Rock

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Em 1957, na cidade Little Rock, em Arkansas, nove estudantes negros tiveram que ser escoltados por tropas do exército para assistir aulas numa escola para brancos, depois que os Estados Unidos eliminaram todas as leis que ainda permitiam a segregação racial; seis anos depois, em Washington, Marthin Luther King Jr. pronunciou seu discurso histórico, em Washington, quando disse "eu tenho um sonho"; na última-segunda-feira, em Fortaleza, médicos como o cubano Juan Delgado foram hostilizados aos gritos de "escravos, escravos" e algumas de suas colegas foram comparadas a empregadas domésticas; quando o Brasil se tornará uma nação digna, onde todos sejam iguais?
Há exatos 50 anos, no dia 28 de agosto de 1963, Martin Luther King Jr., o maior ativista na luta pelos direitos em todos os tempos, fez seu mais célebre discurso, no Lincoln Memorial, em Washington. A frase "I have a dream" ("eu tenho um sonho") para sempre ecoará como uma obra-prima da retórica política. "Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!", disse Luther King Jr., na data histórica (confira a íntegra do discurso).
Seis anos antes, na cidade de Little Rock, no Arkansas, um estado marcado pelo racismo e pelo passado escravocrata, o presidente Dwight Eisenhower enviou tropas militares para garantir a segurança de nove estudantes negras que haviam sido admitidas em uma escola para brancos. Naquele ano, em 1957, os Estados Unidos haviam abolido todas as leis que ainda permitiam a segregação racial e os estudantes protegidos por militares ficaram conhecidos como "os nove de Little Rock" (leia mais aqui).
Mesmo escoltados, no entanto, estudantes negros eram hostilizados por brancos que combatiam as políticas de igualdade e ação afirmativa, como numa foto que ainda paira como uma mancha na história dos Estados Unidos.

Cinquenta anos depois do histórico discurso de Martin Luther King Jr., a cena indigna de Little Rock foi repetida em Fortaleza, capital do Ceará, quando uma turba de médicos tomados por um instante de selvageria armou um corredor polonês contra médicos cubanos e passou a gritar "escravos, escravos" (assista ao vídeo impressionante).
Postada no 247, a imagem do cubano Juan Delgado sendo hostilizado por duas médicas brasileiras, captada pelo fotógrafo Jarbas Oliveira, registra, com precisão, o espírito de um tempo. Um tempo mesquinho, egoísta, em que doutores brasileiros, que se negam a atender brasileiros em regiões remotas, hostilizam quem se dispõe a fazer esse trabalho. Uma obra-prima que, certamente, dará ao fotógrafo os prêmios mais importantes de sua atividade neste ano. E que, de tão marcante, já foi compartilhada por mais de 200 mil pessoas no Facebook – um marco na internet brasileira.
Dos mais de 2 mil comentários postados na matéria de ontem (saiba mais aqui), mais de 90% demonstraram indignação e vergonha alheia com a atitude dos médicos cearenses. Alguns questionaram o fato de o 247 ter descrito na matéria que Juan Delgado é um médico negro. Simples. Ser chamado de "escravo" é uma ofensa para qualquer ser humano. Mas uma ofensa que repercute ainda mais na alma de pessoas cujos ancestrais foram efetivamente escravizados.
Ao comentar as agressões, o próprio Delgado se disse impressionado com a manifestação e disse ser um homem livre, que veio ao Brasil para ajudar – segundo ele, para ser "escravo da saúde e dos doentes" (leia mais aqui). Exemplos de preconceito, no entanto, se espalharam pela internet, como no Facebook da jornalista Micheline Borges, que disse que médicas cubanas se parecem com "domésticas" (leia aqui).
No Brasil, ainda não apareceu um Martin Luther King Jr. capaz de dizer uma frase simples e poderosa. Simplesmente "eu tenho um sonho". Um sonho banhado por igualdade e tolerância.
Assista, abaixo, ao discurso de Luther King Jr., que completa 50 anos hoje:
No 247
I have a dream (Legendado)
O discurso, realizado no dia 28 de agosto de 1963 nos degraus do Lincoln Memorial em Washington, D.C. como parte da Marcha de Washington por Empregos e Liberdade, foi um momento decisivo na história do Movimento Americano pelos Direitos Civis. Feito em frente a uma platéia de mais de duzentos mil pessoas que apoiavam a causa, o discurso é considerado um dos maiores na história e foi eleito o melhor discurso estadunidense do século XX numa pesquisa feita no ano de 1999. De acordo com o congressista John Lewis, que também fez um discurso naquele mesmo dia como o presidente do Comitê Estudantil da Não-Violência, "o Dr. King tinha o poder, a habilidade e a capacidade de transformar aqueles degraus no Lincoln Memorial em um púlpito moderno. Falando do jeito que fez, ele conseguiu educar, inspirar e informar [não apenas] as pessoas que ali estavam, mas também pessoas em todo os EUA e outras gerações que nem sequer haviam nascido."
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“Mais Médicos”: Juízo da 5ª Vara Federal de BH indefere liminar ao CRM/MG

Presidente do CRM-MG em manifestação contra
o  Mais Médicos, em julho deste ano
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais ajuizou ação civil pública contra a União, para que seja desobrigado de efetuar o registro provisório dos médicos intercambistas que aderirem ao Programa Mais Médicos para o Brasil, sem a comprovação documental da revalidação dos diplomas emitidos por universidades estrangeiras, bem como apresentação de certificado CELPE/BRAS para os estrangeiros.
O juiz titular da 5ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, João Batista Ribeiro, indeferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela ao CRM, por considerar que negar o registro aos médicos intercambistas “causaria à Administração o perigo da demora inverso, sob o aspecto de deixar ao desamparo cidadãos hipossuficientes das camadas mais pobres de nossa sociedade.
No Portal TRF1
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