27 de ago de 2013

Responda rápido...

...O que Mujica pensou ao ver Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, acomodando Obama confortavelmente numa cadeira?
Leia Mais ►

Uma bofetada na Bolívia

O lamentável caso da ajuda brasileira ao fugitivo boliviano Roger Pinto Molina.
Imagine se a diplomacia equatoriana desse um jeito de tirar Julian Assange da embaixada de Londres e levá-lo a Quito.
É, simplesmente, inimaginável.
Pois foi o que o Brasil fez com a Bolívia. Com a ajuda de um diplomata brasileiro, um fugitivo boliviano que estava refugiado na embaixada nacional em La Paz foi trazido para o Brasil.
O governo de Evo Morales ficou, com toda razão, ofendido.
O fugitivo, o senador Roger Pinto Molina, é o clássico predador de direita sulamericano. Ele é suspeito de envolvimento num massacre em que foram mortos 19 índios. Também é acusado de traficar drogas e acumular uma fortuna com propinas.
Molina é, em suma, o anti-Assange, já que falamos do fundador do Wikileaks.
A iniquidade social abjeta da Bolívia, contra a qual Morales vem bravamente se batendo, se deve a figuras como Molina. Os Molinas espalhados pela América do Sul construíram uma região campeã mundial de desigualdade social. Para que eles erguessem seus palacetes milhões de pessoas foram arremessadas a favelas em todos os países sulamericanos.
Dilma, aparentemente, foi apanhada de surpresa pela chegada de Molina ao Brasil. Na biografia de Molina não existe nada que possa causar boa impressão em alguém com a visão política de Dilma.
Também é presumível que o chanceler Antonio Patriota nada soubesse. Ele com certeza trataria de um assunto tão importante como esse com Dilma. Evo Morales é caro a ela.
A hipótese mais provável é que tenha sido um ato isolado da diplomacia brasileira em La Paz. A responsabilidade tinha que recair mesmo sobre Patriota.
Dilma se livrou rapidamente de Patriota, que vai para a ONU. Foi uma espécie de pedido de desculpa ao governo boliviano.
Mas é pouco, muito pouco, diante da espetacular bofetada que foi a transferência para o solo brasileiro de um homem sobre o qual pesam acusações terríveis.
Paulo Nogueira
No DCM
* * *

FUGA DO SENADOR BOLIVIANO: respostas que ainda precisam ser dadas

- Este senhor (Roger Pinto Molina) não corria risco de morte. Pesavam contra ele acusações graves como, por exemplo, o envolvimento na chacina de Pando. Por que o Brasil resolveu acolher na sua embaixada alguém que é acusado de crimes comuns?
- Nesse período, o senador boliviano sofreu evidente privação do direito de ir e vir. Mas, jamais foi submetido a qualquer mal trato. Muito pelo contrário, até onde se sabe era muito bem tratado pela diplomacia brasileira. Por que, então, a comparação da vida reclusa na embaixada brasileira com os cárceres do DOI-CODI? Por que alegar questão humanitária para retirá-lo da embaixada? Quais são os dados concretos que justificam a preocupação com a saúde do senador Pinto Molina?
- O senador foi retirado da embaixada, com ele se foram dois fuzileiros e os demais diplomatas que lá estavam não perceberam nada? Se perceberam, por que ninguém avisou a chancelaria brasileira?
- Por que o diplomata Eduardo Sabóia decidiu não avisar seus superiores, numa inédita quebra de hierarquia no Itamaraty?
- A imprensa noticiou que, ao chegar em Corumbá, Roger Pinto Molina foi embarcado em um jatinho colocado à disposição pelo senador brasileiro Ricardo Ferrado (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal. Eduardo Sabóia não conseguiu (ou não quis) avisar a chancelaria brasileira, mas conseguiu (ou quis) avisar o senador brasileiro? Por que?
- Quem cedeu o jatinho para o senador brasileiro?
- E, enfim, a questão que me parece mais grave. O senador boliviano é originário de Pando, uma das províncias da Bolívia que integram a chamada “meia lua”. Trata-se de uma região distinta do altiplano boliviano, fronteiriça à estados brasileiros do centro-oeste e norte e com fortes laços econômicos com o Brasil. O agronegócio brasileiro tem enormes interesses naquela região e já patrocinou atos contra o governo boliviano de Evo Moralez. Haveria alguma ligação destes interesses do agronegócio brasileiro na concessão de asilo ao senador boliviano? A fuga do senador boliviano e sua acolhida por parte da elite política brasileira foi patrocinada por esse setor do agronegócio brasileiro com investimentos na meia-lua boliviana?
Por enquanto são perguntas. Apenas perguntas. Mas, as respostas parecem ser fundamentais para entendermos o que realmente ocorreu e quais as suas motivações.
Leia Mais ►

Deputado

Leia Mais ►

A chacina de Unaí

Leia Mais ►

Facebook entrega utilizadores

O Facebook recebeu, nos primeiros seis meses deste ano, mais de 25 mil pedidos de informação sobre cerca de 38 mil dos seus utilizadores em 71 países. Portugal pediu ao gigante norte-americano informações sobre 213 utilizadores
Mais de metade dos pedidos foi feito nos EUA, onde mais de 166 milhões de pessoas estão inscritas nesta rede social.
O anúncio foi feito ontem pelo Facebook, no seu primeiro relatório sobre o tema, o "Global Government Requests Report", em plena polémica sobre o programa de vigilância electrónico secreto das autoridades norte-americanas.
"Dispomos de processos rigorosos para dar resposta a todos pedidos de dados por parte dos governos. Acreditamos que este processo protege os dados das pessoas que utilizam o nosso serviço e obriga os governos a cumprirem requisitos jurídicos bastante elevados em cada pedido individual para obter informações sobre os nossos utilizadores", referiu a rede social.
Os dados do relatório podem ser vistos aqui
Por exemplo, até Junho deste ano Espanha fez 479 pedidos sobre 715 utilizadores ou contas de utilizador, cuja taxa de resposta foi de 51%, enquanto a França solicitou 1,547 pedidos sobre 1,598 contas, com uma taxa de resposta de 39%.
A Alemanha, que obteve 37% das respostas, fez 1,886 pedidos sobre 2,068 contas ou utilizadores.
Em igual período, a Grécia fez 122 pedidos para um total de 141 contas de utilizadores da rede social, com 54% de respostas.
A Rússia fez apenas um pedido neste período, sobre uma determinada conta, mas não obteve resposta do Facebook.
No caso dos Estados Unidos da América, que lideram o número de pedidos, estes oscilaram entre 11.000 e 12.000 no primeiro semestre. Os pedidos de informação visavam entre 20.000 e 21.000 contas de utilizadores, com uma taxa de resposta de 79%.”
Os pedidos do governo do Reino Unido atingiram os 1.975 para 2.337 contas de utilizadores da rede social especificadas, com o Facebook a fornecer resposta a 68% dos pedidos.
"Acreditamos que, embora os governos tenham a grande responsabilidade de manter as pessoas em segurança, é possível fazê-lo com transparência. A transparência do governo e a segurança pública não estão exclusivamente ligadas entre si, salientou o Facebook.
"Podem coexistir em sociedades livres e abertas e contribuem para o nosso fortalecimento. Recomendamos vivamente a todos os governos que sejam mais transparentes relativamente aos seus esforços para assegurar a segurança pública e continuaremos a defender vigorosamente uma maior divulgação de informações", adiantou.
* * *

Estudantes criam sistema de choques para evitar o Facebook

 
Dois estudantes do MIT criam sistema de choques para evitar o Facebook. Ideia surgiu porque ambos desperdiçavam mais de 50 horas por semana na rede social
O problema é conhecido de muitos dos que trabalham em frente a um computador: as visitas mais do que frequentes ao Facebook, ao Twitter ou ao e-mail podem ter efeitos devastadores na produtividade. Preocupados com o número de vezes que iam ao Facebook, dois investigadores do MIT criaram um sistema que dá pequenos choques quando o utilizador visita muitas vezes aquela rede social.
Apropriadamente chamado Pavlov Poke, o sistema pode ser adaptado a outros sites para além do Facebook e está sucintamente descrito nesta página.
Essencialmente, uma aplicação detecta quando o utilizador visita repetidamente um site e activa um circuito que dá um pequeno choque na mão do utilizador, através de placas metálicas colocadas numa peça de apoio ao teclado do computador.
“O choque não é perigoso (achamos nós), mas é definitivamente mau o suficiente para chamar a atenção”, escreveu Robert Morris, um dos estudantes. “Funcionou? Não temos a certeza. Para ser verdadeiramente eficaz, provavelmente são precisas muitas exposições aos choques. Infelizmente, achámos que os choques eram tão aversivos que removemos o dispositivo pouco depois de o termos instalado”.
A dupla inventou também uma alternativa menos dolorosa, recorrendo a um site da Amazon chamado Mechanical Turk, onde é possível colocar vários tipos de tarefas que podem ser escolhidas e feitas por outras pessoas mediante um pagamento.
Neste caso, em vez do choque, quando o Facebook era usado demasiadas vezes, o sistema colocava automaticamente uma tarefa no Mechanical Turk para que alguém ligasse para o celular do utilizador a gritar por este estar na rede social.
“É claro que isto é suposto ser uma piada”, nota Morris num vídeo em que exibem o funcionamento do dispositivo.
A ideia surgiu porque os dois investigadores descobriram que, juntos, desperdiçavam mais de 50 horas por semana no Facebook quando tinham as respectivas teses de doutoramento para escrever. A página não especifica quanto tempo gastaram a desenvolver o Pavlov Poke.
Leia Mais ►

Vergonhosa agressão aos médicos cubanos

O colunista Janio de Freitas fez mais uma vez jus ao papel de decano e foi premonitório. Em coluna escrita ontem (26/08), prognosticou:
Dos argumentos polêmicos contra a vinda de médicos do exterior, dirigentes corporativos da classe médica brasileira passaram a um histerismo gaiato e primário e já estão em atitudes fronteiriças de crimes, com a incitação aos médicos a "não socorrerem erros" que, imaginam, os estrangeiros cometerão.
As reações corporativas dos médicos, se a princípio compreensíveis ou mesmo eventualmente justificadas, logo adotaram uma agressividade acima do tom, aproximaram-se da insensibilidade social, e agora, com o ódio de classe à flor da pele e o racismo indisfarçado, situam-se perigosamente para algo entre o grotesco e o ilegal.
Pois o que se viu nas últimas 24 horas, no aeroporto de Fortaleza e nas redes sociais, foi uma escalada de falta de bom senso e de civilidade, com a insanidade e o descontrole dando vazão a ódios de classe e de raça, dirigidos de forma equivocada a alvos inocentes, em um episódio constrangedor para a imagem do país e que certamente envergonharia a maioria dos brasileiros.
Quem acompanha este blog sabe das críticas que faço ao modo como o governo Dilma implementou o programa Mais Médicos, não só valendo-se da costumeira ausência de diálogo, mas de despistes, recuos e desmentidos de última hora – enfim, com procedimentos pouco transparentes que estão longe de ser o que se espera de uma coalizão de centro-esquerda em uma democracia que se quer consolidada. Portanto – e na contramão da maior parte dos blogueiros e colunistas - tenho claro que parte do ônus pelo clima bélico que se seguiu à chegada dos médicos cubanos deve ser atribuída ao governo federal. Isso posto, nada justifica a agressão direta e preconceituosa contra profissionais estrangeiros que vêm ao nosso país exercer seu nobre métier. Os médicos brasileiros justa ou injustamente indignados têm todo o direito de protestar, mas na Justiça, nas mobilizações pacíficas e nas urnas, jamais com um violento ataque à honra pessoal e coletiva de seus pares cubanos, como visto no lamentável episódio cearense [foto] e na página pessoal no Facebook de uma jornalista preconceituosa, que não acredita que gente, segundo ela, "com cara de empregada" possa exercer a medicina.
Com os protestantes tachando os cubanos de "escravos" e declarando não acreditar que eles, "com cara de empregada doméstica", sejam capaz de exercer a medicina, cai por terra, uma vez mais, o mito do pais cordial e sem racismo – e antes que venham falar que isso se deve a uma manifestação restrita a uma elite, lamento informar que as elites também são parte do país.
Para Renato Rovai, colunista e editor da Fórum, o episódio do ataque aos médicos cubanos em Fortaleza transcende o seu sentido imediato e insere no âmbito de uma discussão maior. Referindo-se à mesma foto que encima este post e lembando que os médicos que protestam e suas associações não são apenas contra a vinda dos médicos cubanos, mas contra a criação de novos cursos superiores de medicina, ele observa:
Ou seja, a foto que está ilustrando este post é significativa para pensar o país que queremos. Se queremos um Brasil da inclusão, onde seja algo normal ser atendido por médicos negros que não sejam cubanos. Se queremos um Brasil onde estrangeiros sejam recebidos com respeito. Se queremos um Brasil onde saúde seja um direito de todos. Ou se preferimos viver num país de brancos de jalecos brancos que exigem ser chamado de doutores exatamente porque se acham acima daqueles que deveriam tratar com respeito e dignidade.
Seja como for, após esses lamentáveis episódios com tonalidades racistas e classistas, a razão que eventualmente a categoria dos médicos poderia ter vai para segundo plano, ante os danos irremediáveis que tais episódios causam para sua imagem pública. No xadrez do marketing público, o jogo mudou: ou os médicos e suas associações vêm a público condenar tais agressões e desautorizá-las, desvencilhando-as de suas táticas e lutas e atribuindo a uma iniciativa isolada, ou será praticamente impossível livrarem-se da pecha de classistas e racistas que já lhes vinha sido atribuída e que os ataques aos médicos cubanos corroboram.
Se, ao contrário, o clima mantiver a fervura e as agressões persistirem, é quase certo que o caso exacerbará os limites dos embates públicos e adentrará na seara policial, o que seria um preocupante indício da falta de preparo para o exercício da democracia, mesmo no seio de uma classe profissional supostamente bem educada.
Leia Mais ►

Sim. Existe ‘controle’ da mídia no Brasil

Em debate sobre “A mídia e a corrupção”, realizado durante o seminário “Corrupção: diálogos interdisciplinares”, promovido pelo tradicional Centro Acadêmico Afonso Pena (CAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, na quarta-feira (21/8), respondi a uma pergunta de futura advogada preocupada em saber se as normas e princípios da Constituição de 1988 permitiam o “controle” sobre a mídia no Brasil.
Respondi de imediato: não; claro que não. As normas e princípios da Constituição de 1988 impedem claramente que haja “controle” do Estado sobre a mídia. Não há possibilidade de volta à censura estatal nem de qualquer ameaça do Estado à liberdade de expressão ou à liberdade da imprensa.
Embutido na pergunta, tudo indica, estava o conhecido mantra da grande mídia brasileira e de seus eloquentes porta-vozes que identificam qualquer manifestação sobre regulação, independentemente de sua origem, como tentativa autoritária de “controlar” a mídia por intermédio do Estado ou, em outras palavras, volta à censura estatal, atentado à liberdade de expressão e à liberdade da imprensa (tratadas, aliás, como se fossem a mesma coisa).
Resposta errada
O debate continuou, outras perguntas foram feitas e me dei conta de que havia cometido um erro grave. Minha resposta assumia como verdadeiro o falso pressuposto contido no mantra da grande mídia de que somente o Estado pode “controlar” a mídia.
Solicitei, então, ao mediador do debate que, por favor, me permitisse corrigir uma resposta incorreta.
Sim. Apesar das normas e princípios da Constituição de 1988 é possível que exista “controle” sobre a mídia. Na verdade, esse “controle” vem sendo exercido diariamente. Todavia, não pelo Estado, mas pelos oligopólios privados de mídia.
São esses oligopólios que – contrariando as normas e princípios da Constituição em vigor – “controlam” a mídia e ameaçam a liberdade de expressão e a liberdade da imprensa ao impedir o acesso das vozes da maioria da população brasileira ao espaço de debate público cuja mediação, apesar das TICs, monopolizam.
Constituição não regulamentada
Esse “controle” da mídia pelos oligopólios privados se sustenta de diferentes formas. Uma delas é o poderoso (e bem remunerado) lobby que nos últimos 25 anos tem pressionado continuamente deputados e senadores e impedido que normas e princípios da Constituição de 1988 relativas à comunicação social sejam regulamentados. Sem serem regulamentados, não são cumpridos.
É por isso que, apesar de a Constituição rezar que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio” (parágrafo 5º do artigo 220), apenas uns poucos grupos privados controlam os meios de comunicação diretamente ou indiretamente através de “redes” de afiliadas cuja “formação” não obedece a qualquer regulação.
É por isso que, apesar de a Constituição rezar que “os Deputados e Senadores não poderão firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes” (alínea ‘a’ do inciso I do artigo 54), muitos deles mantêm vínculos com empresas privadas concessionárias do serviço público de radiodifusão, numa viciosa circularidade que inviabiliza a aprovação de projetos que regulem as normas e princípios constitucionais sobre a comunicação social no Congresso Nacional.
É por isso que, apesar de a Constituição rezar que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão devem atender “aos princípios de preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei; respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família” (artigo 221), o que se escuta nas emissoras de rádio e se vê na televisão, salvo raras exceções, é exatamente o oposto.
É por isso que, apesar de a Constituição rezar que as outorgas e renovações de concessões, permissões e autorizações para o serviço público de radiodifusão sonora e de sons e imagens devem “observar o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal” (artigo 223), a imensa maioria das concessões, permissões e autorizações de radiodifusão no país continua a ser explorada por empresas privadas.
O paradoxo do Estado financiador do “controle” privado
No Brasil, os “critérios técnicos” adotados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR) para distribuição dos recursos oficiais de publicidade se baseiam na diretriz “comercial” que considera “a audiência de cada veículo [como] o balizador de negociação e de distribuição de investimentos. A programação de recursos deve ser proporcional ao tamanho e ao perfil da audiência de cada veículo” (ver “Transparência e a desconcentração na publicidade do governo federal“).
Como já argumentei no Observatório da Imprensa (ver “Publicidade oficial: Quais critérios adotar?“), o artigo 1º da Constituição de 1988 reza que um dos fundamentos da democracia brasileira é o pluralismo político (inciso V) e, logo em seguida, o artigo 5º garante que é livre a manifestação do pensamento (inciso IV). Essa garantia é confirmada no caput do artigo 220, que impede a existência de qualquer restrição à manifestação do pensamento, à expressão e à informação.
Por outro lado, o inciso I, do artigo 2º do Decreto nº 6.555/2008, que “dispõe sobre as ações de comunicação do Poder Executivo Federal”, determina que “no desenvolvimento e na execução das ações de comunicação (...), serão observadas as seguintes diretrizes, de acordo com as características de cada ação: afirmação dos valores e princípios da Constituição”.
Decorre, portanto, que a responsabilidade primeira da negociação e distribuição de qualquer investimento oficial – inclusive, por óbvio, aqueles de publicidade – deveria ser a proteção e garantia do pluralismo político e da liberdade de expressão.
Da mesma forma, considerando apenas que “a programação de recursos deve ser proporcional ao tamanho e ao perfil da audiência de cada veículo”, a Secom-PR descumpre também os princípios gerais da atividade econômica definidos no “Título VII – Da Ordem Econômica e Financeira” da Constituição.
Na verdade, contrariam-se os incisos IV (livre concorrência), VII (redução das desigualdades regionais e sociais) e IX (tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte) do artigo 170, e o parágrafo 4º (repressão ao abuso de poder econômico, com vistas à eliminação da concorrência e aumento arbitrário dos lucros) do artigo 173.
A Secom-PR – vale dizer, o Estado brasileiro –, paradoxalmente, tem sido um dos principais financiadores do “controle” que os oligopólios privados exercem sobre a mídia no Brasil.
Inversão da realidade
Ao difundir a noção de que o Estado brasileiro é o único agente capaz de exercer o “controle da mídia” e, ainda mais, ao empunhar como exclusivamente suas as bandeiras da liberdade de expressão e da liberdade da imprensa, os oligopólios privados de mídia constroem publicamente a imagem daqueles que pelejam para que mais vozes tenham acesso ao debate público como se fossem os inimigos da liberdade e pretendessem fazer exatamente o que, de fato, já é feito por eles, os oligopólios privados – isto é, o “controle” da mídia.
Com o desmesurado poder de que desfrutam, conseguem fazer prevalecer publicamente uma inversão do que de fato acontece (o processo de “inversão da realidade”, como se sabe, foi identificado, nomeado e explicado faz mais de 150 anos).
O debate na Faculdade de Direito da UFMG me ofereceu a oportunidade de argumentar, ainda uma vez mais, que, apesar das normas e princípios da Constituição de 1988, existe, sim, “controle” da mídia no Brasil. E ele tem sido exercido exatamente por aqueles que se apresentam como defensores exclusivos da liberdade de expressão e da liberdade: os oligopólios privados de mídia.
Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado), pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros livros
No OI
Leia Mais ►

Dilma enquadra o diplomata irresponsável. Nada de papinho de Doi-Codi, guri


Nada como quando a Presidenta Dilma Rousseff larga de mão o pessoal do “copidesqui cervical” e fala, ela mesma, sobre os assuntos.
Provocada sobre as declarações do diplomata Eduardo Saboia que, sem ordens e sem autorização do governo boliviano, montou um comboio com militares brasileiros – um detalhe que nossa imprensa mal noticia – para tirar o senador Roger Pinto Molina do país vizinho, alegando que a nossa embaixada parecia o “Doi-Codi”, Dilma disparou:
“Não há nenhuma similaridade. E eu estive no DOI-Codi. Eu sei o que é o DOI-Codi. E asseguro a vocês: é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira lá em La Paz, como é distante o céu do inferno. Literalmente, isso”
A Presidenta afirmou que Saboia ”não poderia colocar em risco a vida de uma pessoa que estava sob sua guarda”:
InfografiaFolha
“Lamento profundamente que um asilado brasileiro tenha sido submetido à insegurança que esse foi. Porque um Estado democrático e civilizado, a primeira coisa que faz é proteger a vida, sem qualquer outra consideração. Protegemos a vida, a segurança, e garantimos o conforto ao asilado.”
“Se nada aconteceu (com o senador) não é a questão, poderia ter acontecido”, declarou a presidente.”Um governo não negocia vidas, um governo age para proteger a vida. Não estamos em situação de exceção.”
De fato, se a gente verificar o que a Follha apresentava sobre as condições em que estava Molina, parecem ser “ligeiramente diferentes” de uma cela do Doi-Codi.
Televisão, notebook, bicicleta ergométrica, figobar, tablet…
Claro que ficar retido, seja onde for, nunca é o melhor dos mundos. Mas o senhor Molina não desconsiderava que, lá fora, 20 processos judiciais o esperavam.
Ah, mas Saboia é um herói….O que diria a mídia brasileira se um dos réus do chamado mensalão pedisse asilo na Embaixada americana e um diplomata gringo organizasse uma escolta de marines para tirá-lo do país?
Fernando Brito< No Tijolaço
Leia Mais ►

Como se desmonta uma farsa de jaleco

Está rodando na internet uma farsa apelativa.
O Dr. Rogério Augusto Perillo, que acha que as pessoas são burras, postou uma foto segurando um cartaz dizendo que “não faltam médicos” e denunciando ter sido demitido pelo prefeito da cidade de Trindade, próxima a Goiânia, “para dar lugar a um médico cubano”.
Com a repercussão nas redes, o prefeito teria “reconsiderado” a decisão e mandado readmitir Rogério.
Conversa.
Rogério é amigo e correligionário do prefeito da cidade, Jânio Darrot, do PSDB, com quem aparece sorridente na foto postada há 15 dias.
E, pelo sobrenome Perillo, você deve imaginar de quem ele é parente.
Claro, do governador Marconi Perillo, também do PSDB, aquele que escapou, sabe-se lá como, dos escândalo Demóstenes-Cachoeira.
A página de Rogério Perillo no Facebook é um misto de carolice, antipetismo, anticomunismo e baixarias que me poupo de reproduzir.
Ele, aliás, tentou fazer uma inscrição no “Mais Médicos” para ajudar a “melar” o programa, dizendo que o sistema não aceitava o CPF.
Captura de tela 2013-08-27 às 13.22.48Ele tem o direito de ser um idiota, ninguém lhe negará.
Como tem o direito de ser integrante do PSDB e apoiador da candidatura Aécio Neves.
Gosto, mesmo sendo duvidoso, não se discute.
Tem mesmo o direito de ser um mau caráter.
Mas ele não tem o direito de construir uma mentira na rede, para ser reproduzida por incautos, de boa fé, ou mesmo imbecis, de má-fé.
Não tem o direito de manipular para combater o direito de outros brasileiros, não tão “bem-nascidos” quanto ele.
Infeliz do povo que vai ser tratado com critérios éticos como o do Dr. Rogério.
Se Goiás é o curral dos Perillo, não é difícil saber como tratam o seu povo.
Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

O porquê de médicos cubanos

 
A reportagem do SBT Brasil mostra os médicos que assinam o ponto e vão embora sem prestar qualquer atendimento à população em hospital público do interior do Rio de Janeiro. Eles recebem por cem horas semanais, mas não permanecem nem dez minutos no hospital. Em junho, a reportagem do SBT tinha flagrado prática similar na maternidade pública Leonor Mendes de Barros, na zona leste de São Paulo. Veja mais notícias sobre a saúde pública no Brasil.
Reportagem: Fábio Diamante
Produção: Fábio Serapião e Cristian Mendes
Imagens: Ronaldo Dias
Edição de imagens: Edivaldo Carvalho
Edição de texto: Carla Deboni
Leia Mais ►

O incêndio do Parque Yosemite, na Califórnia

Leia Mais ►

Jornalista Micheline Borges mostra seu racismo e ignorância

Micheline Borges, uma jornalista potiguar, causou revolta nas redes sociais ao expressar sua opinião sobre os médicos cubanos que estão chegando ao Brasil para trabalhar no programa “Mais Médicos”.
“Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma cara de empregada doméstica”, afirmou a repórter.
Em outro trecho, ela reclama da imagem dos profissionais cubanos. “Médico, geralmente, tem postura, tem cara de médico, se impõe a partir da aparência”.
A jornalista chega a questionar se os médicos de fato são profissionalizados, por conta da aparência deles, e questionou se eles serão capazes de tratar dengue ou febre amarela. Micheline Borges termina desejando que “Deus proteja o nosso povo.”
A jornalista deletou sua conta no Facebook após a repercussão negativa de suas declarações. O tom preconceituoso do texto fez com que quase mil pessoas compartilhassem a imagem na rede social, com tons ofensivos, acusando Micheline de racismo.
No Tudo em Cima
Leia Mais ►

A qualidade da Saúde em Cuba

Trecho do documentário Sicko, de Michael Moore, que mostra a desigualdade e injustiças de um sistema de saúde privado nos EUA. Assista-o aqui, na íntegra.

Leia Mais ►

Fuga de senador foi ação orquestrada, diz deputado do PT

Brasília – A fuga do senador boliviano que custou o cargo ao ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, não foi obra individual de um destemido diplomada brasileiro, mas uma ação organizada pela direita com apoio de setores conservadores do Itamaraty, que mantêm estreitos laços em questões políticas e econômicas, como o boicote aos governos socialistas e a defesa intransigente do agronegócio.
A avaliação é do deputado Cláudio Puty (PT-PA), que participou de uma missão oficial à Bolívia, em março, onde conheceu os três principais personagens envolvidos na trama: o então embaixador do Brasil na Bolívia, Marcel Biato, que patrocinou a aceitação brasileira ao pedido de asilo político do senador, o diplomata brasileiro Eduardo Sabóia, que afirma ter organizado sozinho a fuga do político, e o próprio senador oposicionista Roger Pinto, que viveu 545 dias na embaixada brasileira na Bolívia.
“Esta foi uma ação sem precedente na história da diplomacia brasileira. Como pode um diplomata patrocinar a fuga de um criminoso comum, à revelia do governo brasileiro, escondido do governo boliviano e com o apoio explícito da direita brasileira, que já o aguardava na fronteira do país?”, questiona Puty.
Para ele, é inadmissível que o Brasil, que não aceitou o pedido de asilo político do ex-agente da CIA, Edward Snowden, corra o risco de colocar em xeque as relações com um país amigo para ajudar um criminoso comum como Roger Pinto. “Pelo que consta, o Brasil não reconhece a Bolívia como um governo de exceção. Portanto, essa ação foi um atentado à soberania boliviana que precisa ser punida exemplarmente”, acrescentou.
Missão oficial
O deputado foi à Bolívia acompanhado de outros quatro colegas que, como ele, atuavam na CPI do Trabalho Escravo. Em visita à embaixada brasileira em La Paz, se surpreenderam com a presença de Roger Pinto. “Ele usava a embaixada como escritório particular para fazer oposição ao governo de Evo Morales. Recebia colegas do partido e concedia entrevista livremente”, relembra.
Puty ficou muito impressionado também com a postura de Biato e Sabóia que, a despeito das excelentes relações bilaterais entre Brasil e Bolívia, tratavam aquele país com total desrespeito. “Eles falavam sobre a Bolívia, os bolivianos e o Evo com tanto preconceito que o jantar de recepção à nossa delegação terminou em bate-boca”, recorda ele, ressaltando a cumplicidade ideológica entre diplomatas e senador.
Para o deputado, a aceitação do pedido de asilo político, patrocinada por Biato, foi um erro que, desde então, tem gerado desconforto na relação Brasil e Bolívia. Pressionado, o Brasil decidiu transferir Biato para a Suécia, em junho passado. Saboia, então, passou a responder como embaixador em exercício.
Voz do agronegócio
Proprietário de terras na fronteira com o Acre, Roger Pinto é o principal porta-voz do agronegócio no país. Governou o departamento de Pando, quando acumulou processos por desvios de verba, favorecimento a jogos ilegais e venda de terra pública para estrangeiros. Depois, elegeu-se senador pela Convergência Nacional e passou a líder um bloco de partidos conservadores no parlamento.
Desde que ingressou na carreira política, teve um aumento 290% em seu patrimônio avaliado, hoje, em US$ 1 milhão. Condenado por dano econômico ao país mais pobre da América do Sul, pediu asilo político ao Brasil, em maio de 2011. Em junho, teve a solicitação acatada pelo Itamaraty e se dirigiu à embaixada brasileira em La Paz, onde permaneceu por 545 dias, até a fuga para o Brasil.
De acordo com o portal do Governo da Bolívia, além da condenação, o senador responde a quatro processos por corrupção, além de outros dez por crimes comuns: calúnia, difamação e desacato à autoridade. O governo boliviano garantiu que o episódio não irá afetar as relações da Bolívia com o Brasil, mas o Ministério Público do país já estuda pedir a extradição de Roger Pinto.
Fuga espetacular
Roger Pinto deixou La Paz em carro oficial da embaixada brasileira, na companhia de Saboia. Atravessou a Bolívia e despistou a imigração até cruzar a fronteira. Em Corumbá (MS), foi recebido pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que o acompanhou até Brasília, de avião.
À imprensa, Saboia afirmou ter tramado sozinho a operação, motivado por questões humanitárias, já que o senador sofre de problemas renais e apresentava quadro de depressão, devido à privação de liberdade e ao afastamento da família, que vive no Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro demonstrou surpresa, prometeu apurar o caso e convocou Sabóia para prestar esclarecimentos nesta segunda (26). Em nota divulgada no domingo (25), afirmou que abrirá inquérito e tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis.
Na noite desta segunda (26), a presidenta Dilma comunicou a demissão do ministro Antônio Patriota. No lugar dele, assume Luiz Alberto Figueiredo Machado. Diplomata de carreira, ele foi o negociador-chefe da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e atuava com representante do Brasil na ONU.
Najla Passos
No Carta Maior
Leia Mais ►

Rico pode tudo?

Leia Mais ►

Como vai ficar a internet para o usuário sem a neutralidade da rede

Leia Mais ►

Muita diplomacia e bom relacionamento com traficante e corrupto

Hoje todo mundo sabe que Eduardo Saboia não serve para agente penitenciário. Claro, ele não só albergou como ajudou um criminoso fugir. Qualquer agente penitenciário ficaria envergonhado de ter um colega destes. Tendo em vista que o fugitivo havia sido condenado por tráfico de cocaína e corrupção, a pergunta que não quer calar: Eduardo Saboia soprou a “carreira” ou só a fuga recompen$a?

‘Eu não tenho vocação para agente penitenciário’, afirma Eduardo Saboia

Diplomata que trouxe senador boliviano ao Brasil diz que político vivia praticamente em cárcere privado na missão
27 de agosto de 2013 | 2h 02
Lisandra Paraguassu – O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA – O diplomata Eduardo Saboia, responsável por tirar de La Paz o senador boliviano Roger Pinto Molina, revelou ao Estado estar contrariado com a reação do Itamaraty a sua decisão e sentia que era vítima de um jogo de "faz de conta" entre autoridades brasileiras e bolivianas. Na sua avaliação, o senador estava em cárcere privado na embaixada "Eu não tenho vocação para agente penitenciário", disse. A seguir, trechos da entrevista.
A decisão de tirar o senador de La Paz foi sua? 
EDUARDO SABOIA – A decisão foi minha. Havia uma situação de violação de direitos humanos. A situação foi se deteriorando, ele falava em suicídio, pedia para que o tirassem dali. Na quinta-feira, o advogado dele foi lá conversar comigo. Na sexta-feira, levou um laudo mostrando que ele podia se suicidar. Podia ser manipulação, mas não tinha como saber. Eu decidi que tinha de fazer alguma coisa.
O seu nome foi colocado na nota divulgada pelo ministério o responsabilizando, ainda que indiretamente, pelo caso.
EDUARDO SABOIA – Eu não gostei. Foi um prejulgamento. Por isso, tomei a liberdade de me defender.
Espera alguma punição ?
EDUARDO SABOIA – Entrego a Deus. Recebi muito apoio de colegas.
A viagem foi muito difícil?
EDUARDO SABOIA – Foi difícil, mas o pior está sendo agora. Claro, teve estresse, foi difícil, mas o que me dói mais é sofrer essa crítica do Itamaraty. Eu não quero afrontar ninguém. Pode não ter sido a melhor solução, mas fiz o que entendi que precisava fazer.
Por que o senhor decidiu tirar o senador de La Paz? 
EDUARDO SABOIA – Quando o advogado me levou o laudo, eu decidi que íamos resolver. Ele foi no carro ao meu lado. Não teve viagem em porta-malas, não teve nada. Ele estava no carro. Passamos por seis controles e deu tudo certo. Quando chegamos ao Brasil, avisei o embaixador Marcel Biato e ele avisou o ministro Patriota. Não avisei antes porque não podia.
O que o levou a tomar a decisão na sexta-feira?
EDUARDO SABOIA – Foi aumentando o desespero. Eu tinha, de um lado, um advogado no Brasil dizendo que o governo brasileiro é irresponsável, entrando com um habeas corpus no STF. Depois, o advogado dele aqui na Bolívia, pressionando porque ele estava doente. E eu tinha outros assuntos para tratar, a mudança do embaixador, a situação dos corintianos, estava chegando no limite. Quem está no campo de batalha precisa tomar decisões.
Dizia-se em Brasília que as negociações continuavam.
EDUARDO SABOIA – Era um faz de conta. Não dá. Você via as negativas públicas do salvo-conduto. Ouvi de pessoas do Itamaraty, eu tenho os e-mails do pessoal dizendo: "Eles fingem que negociam e a gente finge que acredita". Era melhor, então, cancelar o asilo.
A situação era muito ruim?
EDUARDO SABOIA – Era um desgaste, um risco não só para ele, mas para a embaixada. Você não sabe o ambiente que é ter um preso do seu lado. Eu me sentia um agente do DOI-Codi. Estava demais, muita pressão. Eu não tenho vocação para agente penitenciário.
* * *

A demissão não basta. É preciso extraditar

:
A presidente Dilma agiu rápido, ao demitir o chanceler Antonio Patriota, após a surpreendente fuga de Roger Pinto Molina, com a ajuda de um diplomata brasileiro; a decisão, no entanto, não é suficiente para recolocar o Brasil no trilho da ordem internacional; será preciso também extraditar o boliviano, que responde a vinte processos na Bolívia, por corrupção e até por narcotráfico
Perante a Justiça boliviana, um país com o qual o Brasil mantém relações diplomáticas, o senador Roger Pinto Molina tem diversas contas a acertar. É réu em cerca de vinte processos e responde a acusações de corrupção e até narcotráfico. Como diretor da Zona Franca de Cobija, foi acusado de desviar US$ 1,6 milhão, de acordo com um relatório de promotores bolivianos. Como governador do estado de Pando, foi também denunciado por corrupção.
Molina, que se diz um perseguido político, fugiu da Bolívia com a ajuda ilegal de um diplomata brasileiro, Eduardo Saboia, que desafiou a hierarquia do Itamaraty e feriu todas as normas internacionais – uma atitude que causou a demissão de seu chefe, o chanceler Antonio Patriota (leia mais aqui). A fuga contou ainda com o apoio do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e de um misterioso empresário que emprestou um jatinho à dupla (leia mais aqui).
Diante da crise aberta pela "operação Argo" liderada pelo senador Ferraço, a presidente Dilma agiu rápido. Demitiu o chanceler Patriota, que se mostrou incapaz de vigiar seu próprio quintal e de monitorar uma situação delicada para as relações do Brasil com seus vizinhos sul-americanos.
No entanto, não é o bastante. A fuga de Molina, que não tinha salvo-conduto para deixar a embaixada brasileira em La Paz, causou indignação na Bolívia. "Na nota diplomática nós expressamos nossa profunda preocupação com a transgressão do princípio de reciprocidade e cortesia internacional. Por nenhum motivo o senhor Pinto poderia deixar o país sem o salvo-conduto", disse o chanceler boliviano David Choquehuanca. Segundo ele, é necessário ter uma explicação oficial do Brasil sobre o tema porque "foram violadas normas nacionais e internacionais”.
"O amparo da imunidade diplomática não pode transgredir normas nacionais e internacionais facilitando neste caso a fuga, a saída irregular do país do senador Pinto. Pode ser um precedente ruim (...) se é que nós, amparados pela imunidade diplomática, vamos permitir esses atos ilegais", prosseguiu o chanceler boliviano.
É evidente que se Pinto Molina fosse um senador norte-americano refugiado na embaixada brasileira em Washington para não responder a acusações de corrupção, o senador Ferraço e o diplomata Saboia não teriam tido a mesma coragem. Da mesma forma, é evidente que o australiano Julian Assange não sairá da embaixada equatoriana em Londres, se não tiver um salvo-conduto. Nem o presidente equatoriano Rafael Correa teria coragem para patrocinar a fuga do fundador do Wikileaks.
Diante da transgressão cometida pelo diplomata Saboia e pelo senador Ferraço, que ainda se julgou no direito de fazer juízos de valor sobre a diplomacia brasileira e suas relações com os vizinhos, só resta uma saída: extraditar o senador Roger Pinto Molina, que, aliás, parecia bem distante de um quadro de depressão nas primeiras entrevistas que concedeu no Brasil.
O pedido de extradição deve ser formulado pelo governo boliviano nos próximos dias. É o que informa a Agência Brasil. Leia abaixo:

Ministério Público da Bolívia diz que analisa pedir extradição de Roger Pinto Molina

Luciano Nascimento
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Ministério Público da Bolívia estuda pedir a extradição do senador Roger Pinto Molina, disse hoje (25) o procurador-geral interino da Bolívia, Roberto Ramirez. De acordo com a Agencia Boliviana de Información (ABI), agência de informações da Bolívia, Ramirez disse que "como Ministério Público, estamos, atualmente, analisando tudo o que se refere à normativa internacional e à normativa nacional para ver quais são as opções". Molina responde a vários processos na Bolívia por suspeita de corrupção.
O senador boliviano, que é opositor do presidente Evo Morales, ficou abrigado por 15 meses na embaixada brasileira na Bolívia desde que pediu asilo político ao Brasil. O salvo-conduto era negado pelas autoridades bolivianas que alegam que o parlamentar responde a processos judiciais no país. No sábado (24), o parlamentar deixou a embaixada com o auxílio da representação diplomática brasileira. O boliviano chegou nesse domingo ao país por Corumbá (MS), onde se encontrou com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Os dois voaram em seguida para Brasília.
O embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiniano Talavera, pediu explicações ao Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, sobre a retirada do senador boliviano da representação diplomática brasileira em La Paz e a viagem dele a Brasília.
Em nota, o Itamaraty, informou que abrirá um inquerito para apurar as circunstâncias da entrada no Brasil do senador boliviano. O diplomata Eduardo Saboia, apontado como principal responsável pela retirada do senador foi chamado para prestar informações a respeito do ocorrido.
* * *

E se José Dirceu se abrigar numa embaixada?

:
O que dirão políticos da oposição, como Aloysio Nunes (PSDB-SP), Agripino Maia (DEM-RN) e Pedro Taques (PDT-MT), que empenharam solidariedade ao boliviano Roger Pinto Molina? Será que defenderão que o governo brasileiro dê o salvo-conduto para que o réu mais notório da Ação Penal 470 possa deixar o País? Assim como o político boliviano, Dirceu se vê como alvo de perseguição política. Pela lógica da oposição, se vier a ser resgatado por um senador da Venezuela, de Cuba ou mesmo da Bolívia, será necessário aplaudir esse ato de coragem
Um exercício hipotético daria um nó na oposição brasileira. Imaginem que, numa viagem a Brasília, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, decidisse fazer um pequeno giro pelo Setor de Embaixadas. E que, por exemplo, se refugiasse na representação de países com os quais mantém boas relações, como, por exemplo, Venezuela, Cuba e a própria Bolívia.
Na condição de asilado, Dirceu estaria em território estrangeiro. E, portanto, não poderia ser preso. Réu mais notório da Ação Penal 470, o ex-ministro da Casa Civil se vê como alvo de uma perseguição política. Não por um governo, como alega o boliviano Roger Pinto Molina, que se diz perseguido por Evo Morales, mas pelo poder real, representado pela aliança entre impérios midiáticos e setores conservadores da sociedade brasileira. Se vier a ser preso, Dirceu continuará a dizer que foi alvo de uma condenação política, imposta por um tribunal de exceção.
Eis que surge, então, a hipótese da embaixada – uma alternativa ruim, mas nem tão desagradável como a eventual vida num presídio. Como o Brasil reagiria se um senador de outro país repetisse a ação de Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que pediu um jatinho emprestado a um empresário amigo para resgatar um político de outro país que responde a diversos processos? Será que os políticos da oposição, como fizeram Aloysio Nunes (PSDB-SP), Pedro Taques (PDT-MT) e Agripino Maia (DEM-RN) (leia aqui), editorialistas de jornais, caso do Estadão (leia aqui), e colunistas da grande imprensa, como fez Eliane Cantanhêde, defenderiam o gesto humanitário?
No 247
Leia Mais ►

Médicos cearenses cometem suícidio de imagem

Médicos cubanos são hostilizados em aula inaugural em Fortaleza
Os 95 médicos estrangeiros que iniciaram nesta segunda-feira (26) o treinamento do programa Mais Médicos em Fortaleza foram hostilizados por cerca de 50 profissionais cearenses da área que faziam uma manifestação na entrada da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE), no Meireles. O alvo do protesto era o grupo de 79 médicos de Cuba que farão o curso. Na saída, os estrangeiros e as autoridades foram vaiadas, xingadas e provocadas pelos manifestantes.
Com início do protesto, as portas da ESP-CE foram fechadas. Apenas os participantes do evento e a imprensa puderam entrar. A atitude revoltou os médicos cearenses, que batiam nos vidros da entrada do local. “Estão nos tratando como marginais”, disse o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), José Maria Pontes. Com palavras de ordem, o grupo exigia que os estrangeiros fizessem o Revalida, exame destinado aos médicos que obtiveram diploma no exterior e querem atuar no Brasil.
Após a solenidade de abertura do treinamento, todas as saídas da escola foram cercadas, impedindo a saída dos participantes por cerca de uma hora. A Polícia Militar solicitou que os médicos cearenses liberassem a saída. O presidente do sindicato pediu para os colegas formarem um corredor para vaiar os cubanos e as autoridades. “Os médicos não são violentos. Vaia não é violência e eles vão receber a maior vaia da vida deles”, disse José Maria Pontes.
Quando as portas abriram, além da gritaria houve insultos aos estrangeiros, acusados de virem ao Brasil para fazer um trabalho escravo. O secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, foi o mais vaiado e recebeu ofensas pessoais de alguns médicos cearenses.
Veja o vídeo do momento da saída dos médicos cubanos:
Outras 15 pessoas foram ao local com bandeiras de Cuba e do Movimento dos Sem Terra (MST) em apoio aos cubanos. Quando questionados sobre qual movimento representavam, um deles disse: “somos de todos os movimentos. Somos a favor de Cuba. Podem falar mal de todo mundo, menos de Cuba”. Houve um momento de tensão entre eles e alguns médicos. Após a troca de insultos, os dois grupos se separaram.
Presidente do Simec diz que governo oficializa o trabalho escravo; médico cubano nega
Segundo José Maria Pontes, os médicos cubanos não estão preparados para atender os brasileiros porque aquele país realiza uma “produção industrial” de profissionais. Pontes disse ainda que os colegas de Cuba não podem trabalhar no país de origem. “Todas as pessoas formadas na ELAM, Escola Latino-americana de Medicina, não podem exercer a medicina em Cuba”, afirmou. Entretanto, durante a solenidade de acolhimento, a superintendente da ESP-CE, Ivana Barreto, afirmou que todos os médicos do programa possuem mais de 10 anos de experiência.
O presidente do Simec acusou o governo federal de estar oficializando o trabalho escravo, pois “a pessoa vem com uma bolsa, não tem direito trabalhista, não tem direito a Fundo de Garantia, férias, hora extra, nada”. Durante a saída, os manifestantes também chamaram os cubanos de escravos aos gritos. José Maria Pontes chegou a afirmar que os profissionais de Cuba não poderiam dar entrevista.
O médico cubano Juan Hernandez negou a acusação de estar realizando um trabalho escravo. Com 24 anos de experiência, o especialista em medicina familiar disse que não estava no país para ganhar muito dinheiro. “Estamos aqui para fazer solidariedade, melhorar as condições de vida da população e melhorar os indicadores de saúde do povo brasileiro”, disse.
Leia Mais ►

O percurso

Dos argumentos polêmicos contra a vinda de médicos do exterior, dirigentes corporativos da classe médica brasileira passaram a um histerismo gaiato e primário e já estão em atitudes fronteiriças de crimes, com a incitação aos médicos a “não socorrerem erros” que, imaginam, os estrangeiros cometerão. Sem trocadilho: trata-se de um processo nitidamente doentio.
A vinda de médicos cubanos anexou à reação corporativa a sua utilização ideológica pelos comentaristas conservadores. Já se acumulam bastantes indicações, aliás, de que também as exasperações de vários dos dirigentes corporativos da classe médica não são apenas corporativas. Seu recheio é ideológico, ainda tão nostálgico da guerra fria que não consegue disfarçar-se o suficiente, assim como se dá com os comentaristas. Quanto a isso, nada de novo, portanto. Nem de importante.
Mas, em tanta e tão descomposta reação em nome da classe médica, como ficam os carentes da atenção de um médico nas lonjuras onde nem um só foi jamais visto? Esses numerosos conselhos de medicina, essas inúmeras associações de médicos, esses incontáveis dirigentes corporativos nada têm a dizer que não seja contra o preenchimento estrangeiro dos buracos de sofrimento deixados por brasileiros pelo Brasil afora?
Não têm nem uma palavra proponente, alguma preliminar de plano, uma iniciativa viável, para intercalar nas reações vociferadas à vinda de estrangeiros? Não, não têm. Nunca tiveram, desde que as urgências da saúde pública voltaram a ser um problema de consciência nacional, perdida com as primeiras décadas do século passado.
O nível tão baixo em que está a ação dos dirigentes corporativos não é justo com a classe médica. As referências, digamos, domésticas a esse episódio parecem largamente favoráveis à vinda dos estrangeiros. E, nelas, os criticados por suas reações são “os médicos”, assim generalizados.
GARANTIAS
Em artigo na Folha do dia 23, o jornalista Mário Chimanovitch define ironicamente como "almas sensíveis" e "almas bem-intencionadas" os jornalistas que repudiam as práticas do Estado, qualquer Estado, como as reveladas por Snowden, Assange e o recém-condenado Manning. Acha ele que a liberdade de informação não pode "se sobrepor ao direito do Estado de garantir a segurança do seu território e de seus cidadãos diante da ameaça letal, onipresente, do terrorismo islâmico inspirado em organizações como a Al Qaeda" (...).
Nada do divulgado pelos três implicou "ameaça letal" nem alimentou terrorismo. Mas Chimanovitch indaga, já explicitada sua resposta: "Que direitos, enfim, foram outorgados ao jornalista para que ele, como senhor absoluto da verdade, se empenhe em burlar os mecanismos do país onde trabalha ou que se configura em alvo de suas 'investigações', para expor dados que fatalmente vão comprometer medidas e pessoas empenhadas na proteção de seres humanos e bens nacionais?"
O jornalista a que Chimanovitch se refere não é menos "senhor absoluto da verdade" do que ele próprio mostra considerar-se, embora não tenha "alma sensível" nem "alma bem-intencionada".
Mesmo tal carência não impede de saber, porém, que na Alemanha nazista não era possível publicar nada sobre campos de concentração e outros crimes do Estado e do governo, a título de "garantir a segurança do seu território e de seus cidadãos diante da ameaça letal" de ciganos, homossexuais, deficientes físicos e, mais do que todos, judeus.
Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Forças de Israel matam um funcionário da ONU e ferem outro na Cisjordânia

Soldados israelenses inspecionam um veículo em Azzun Atma através da barreira na Cisjordânia.
Foto: IRIN/Tom Spender
Baleado no peito, funcionário da ONU de 34 anos foi morto nesta segunda-feira (26) durante uma operação no campo de refugiados de Kalandia, na Cisjordânia, que deixou mais três vítimas e 20 feridos. Homem assassinado deixa quatro filhos.
A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) lamentou nesta segunda-feira (26) a morte de um de seus funcionários que trabalhava em uma operação no campo de refugiados de Kalandia, na Cisjordânia.
Segundo relatou a agência da ONU, o funcionário, de 34 anos e pai de quatro crianças, “estava a caminho do trabalho quando foi baleado no peito pelas forças israelenses. “Ele não estava envolvido em nenhuma atividade violenta”, afirmou a UNRWA em comunicado.
Durante a incursão no campo de refugiados nesta segunda-feira (26) outras três pessoas foram mortas e 20 ficaram feridas. De acordo com o comunicado, outro funcionário da agência também foi baleado na perna durante a mesma operação, mas está em condição estável. A UNRWA iniciou uma investigação sobre os casos.
“A UNRWA condena o assassinato de seu funcionário e pede para que as partes envolvidas ajam com contenção e em conformidade com as suas obrigações ao direito internacional”, acrescentou o comunicado.
No ONU
Leia Mais ►

Pela 1ª vez no Brasil, Marcha Mundial das Mulheres promete inovação

Pela primeira vez o Brasil receberá a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), que será realizada a partir desta segunda-feira até sábado, no Memorial da América Latina, em São Paulo. A nona edição do encontro internacional promoverá uma série de debates a respeito da importância feminina no mundo e a organização do evento no País promete inovar quanto aos temas. Serão 1,6 mil mulheres envolvidas na luta pela erradicação da pobreza e da violência contra o sexo feminino vindas de 45 países diferentes.
A coordenadora mundial do encontro, a brasileira Miriam Nobre, explicou o que o Brasil pode trazer de novo para a marcha. “As pessoas têm curiosidade sobre o processo na América Latina, com governos populares, etc. É super simbólico fazer esse encontro aqui e começamos hoje com uma discussão sobre o movimento latino. Precisamos construir uma ação internacional que faça frente e precisávamos que o próprio encontro fosse inovador”, afirmou Miriam.
A MMM começou em Quebec, no Canadá, em 1995, e as líderes decidiram que o evento fosse rotativo. Com isso, o Brasil foi eleito para receber o encontro este ano e o mandato do País se encerra no fim de 2013. Nesta edição, a liderança elegerá uma nova nação para o décimo encontro.
Um dos temas inovadores será a respeito da chamada “militarização”. Miriam Nobre explica que, apesar de muitos imaginarem que isso não existe no Brasil, o assunto está mais vivo do que nunca. “Vamos tentando fazer um processo de, ao mesmo tempo que reconhecemos as situações são particulares nos países, existem muitas similaridades. A militarização não é muito comum para nós, mas percebemos na Colômbia a forma como as companheiras usam a estratégia de ‘enamoramento’. Elas eram usadas como informantes e donas de casa, e nisso perde-se a confiança. Esse fato também acontece no Brasil. Esse tema, que não estava na nossa agenda, foi incorporado”, lembrou Miriam.
“É importante acentuar a luta contra a militarização crescente. Organizamos missões para visitar lugares de conflito na Colômbia, por exemplo. Estamos reagindo à militarização contra essa forma dos EUA de montar bases em todos os países do mundo. Perceba, os gastos militares nunca são cortados”, completou a coordenadora.
Uma das conferências mais aguardadas do evento acontece nesta segunda às 14h. “Acumulação por despossessão, trabalho, natureza, corpo das mulheres e desmilitarização” será o tema abordado por Malalaia Joya, do Afeganistão, um dos símbolos do feminismo no mundo. Eleita deputada, ela é conhecida como “a mulher mais corajosa do Afeganistão” por ter denunciado crimes de guerra e foi eleita pela revista Time uma das 100 pessoais mais influentes do mundo.
“O que fizemos como preparação é que estamos propondo um olhar sob a conjuntura atual. As respostas que têm sido dadas têm um processo de aparamento da natureza, territórios e do corpo das mulheres como uma forma do capitalismo se relançar. É um processo de ofensiva que vem com a militarização. Propusemos às companheiras como se dá esse processo e quais são as resistências. E como essas resistências geram alternativas que inspiram o mundo”, disse Miriam.
Leia Mais ►

"Médico Cubanos" provocam fígado e alma do Brasil

Leia Mais ►

Presidente Maduro: temos mais provas de conspirações da direita

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que há cada vez mais evidências de conspiração empreendida pela direita internacional para assassiná-lo, que foram obtidas pelas investigações realizadas pelas agências de inteligência venezuelanas. '' Toda a evidência que tem sido mostrado nos dias de hoje, os coloca numa situação muito suspeita Há um estranho nervosismo que tentam transformá-lo em uma piada ", disse Maduro para repórteres.

Leia Mais ►

Brasil voltará a ter Política Externa?

Patriota sai e Luiz Alberto Figueiredo assume Ministério das Relações Exteriores

Heloisa Cristaldo
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A presidenta Dilma Rousseff aceitou o pedido de demissão do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. O representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), embaixador Luiz Alberto Figueiredo irá assumir o cargo.
Em nota à imprensa, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a indicação de Patriota para a Missão do Brasil na ONU e agradeceu a atuação do ex-ministro “nos mais de dois anos que permaneceu no cargo”.
Nesta tarde, a presidenta se reuniu com Antonio Patriota, no Palácio do Planalto, por cerca de 50 minutos.
A saída de Patriota ocorreu após o senador boliviano Roger Pinto Molina, que ficou abrigado por 15 meses na embaixada brasileira na Bolívia, ter vindo para o Brasil.
De onde saiu aquele Encarregado de Negócios Eduardo Saboia ?
Encarregado de quê, de quem ?
Paulo Henrique Amorim
Leia Mais ►