24 de ago de 2013

Os filhos de Esculápio e Avicena estão chegando

Aos médicos que detestam os excluídos e às entidades de classe e congêneres que continuam vociferando o recado de MOZART
Réquiem –Lacrimosa
E abaixo, o Juramento de Hipócrates que eles continuam ignorando
"Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue:
Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém.
A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."
No Blog do Bourdoukan
Leia Mais ►

Conheço o Serra e seu apetite. Já fomos vizinhos no Palácio...

A insistência de José Serra em candidatar-se na vaga do Aécio não me surpreende.  Nem os meios, às vezes obscuros, que ele usa para chegar a determinados fins.   
Já fui vizinho do José Serra. 
Faz muito tempo, quando Franco Montoro governava São Paulo e o Roberto Gusmão, recém-nomeado Chefe da Casa Civil, convidou-me para ser Assessor de Imprensa do governador. 
Montoro virava o seu primeiro ano (de 1983 para 84) com muitos problemas internos e externos.  
Externos, havia o PT, que dominava a mídia sem precisar de controles institucionais. 
O PT,  e sua mensagem inovadora, conquistara o coração e as mentes dos repórteres. E quem faz o jornal caminhar para esta ou aquela direção, nem sempre é o patrão. 
Ah…sim, outro problema do governo Montoro era o grupo de jornalistas do chamado comitê de imprensa do Palácio dos Bandeirantes. O “comitê” acostumara-se ao estilo malufista de governar.
Montoro era ridicularizado sistematicamente nos jornais. 
Falava em hortas comunitárias, tinha a mania de trocar o nome das pessoas. 
Registrar supostas gafes do governador. Nisso se resumia a cobertura do palácio.
Convite feito, lá fui eu para os altos do Morumbi. A Assessoria de Imprensa ficava no térreo. O gabinete, de onde partiam as decisões, era no primeiro andar. 
Primeira providencia. Instalar minha sala ao lado do governador. Havia um problema. A sala pertencia ao conjunto onde se alojava a Secretaria de Planejamento.  O secretário em questão era o José Serra. 
Comecei a conhecer a teimosia do nosso Secretário de Planejamento (digo “nosso” porque estávamos no mesmo governo) na briga pelo sofá. 
Na sala, cedida por José Serra sob pressão do próprio governador – ele dizia que a sala era uma reserva técnica da secretaria, usada eventualmente – havia um sofá, que simplesmente desapareceu da noite para o dia. 
Através de investigação feita pela minha secretária, o sofá foi localizado numa outra sala do Planejamento. Com certeza, outra reserva técnica.
O segundo enfrentamento Secretária de Imprensa x Planejamento, ocorreria pouco depois. Chego de manhã, vou dar um telefonema… cadê o telefone? 
De novo aciono a secretária, ótima investigadora. Ela descobre o aparelho instalado no gabinete do Serra. Ela fica sabendo que o telefone fora retirado por ordem do próprio Secretário. 
Alegação: a linha era dele. Se a Imprensa quisesse outra aliás, a única que admitia ligações interurbanas, que se virasse. 
Assim, durante semanas o Assessor de Imprensa do governador, para fazer um interurbano, tinha de descer ao térreo, na chamada “sala de imprensa” ou ir ao gabinete de algum outro secretário. 
Isso num ano extremamente rico e ao mesmo tempo de grande tensão política. Foi o ano da campanha das Diretas Já, outra obsessão de Montoro bem mais importante do que hortas comunitárias. 
Montoro sabia que a aprovação das eleições diretas dificilmente passaria no Congresso. 
Sabia também que, nessa hipótese, o candidato da oposição seria Ulysses Guimarães. 
Um nome que os militares não admitiam, e naquele ano, eles ainda tinham força dar um golpezinho a mais. 
Bastaria, por exemplo, um repeteco do Pacote de Abril de Geisel. Fechavam o Congresso, cassavam meia dúzia, mexiam no artigo da Constituição que previa eleições diretas. 
Afinal, uma revoluçãozinha a mais ou a menos...
As Diretas Já, sob a inspiração de Franco Montoro, como que legitimaram a eleição indireta de Tancredo Neves. 
No Natal daquele 1984 - Jose Serra talvez ainda se lembre -  ele recebeu, entre dezenas ou talvez centenas de presentes, um telefonezinho de plástico, embrulhado com um bilhete assinado: “Ao José Serra, com os votos de feliz Natal”. Assinado: Da Secretaria de Imprensa.
 P.S. – Em 1984, Montoro não trocou nomes. Apenas, numa entrevista, chamou o Rei da Suécia, que visitava o palácio, de “Imperador da Suécia”. Uma gafe insignificante se considerarmos o conjunto da obra.
Tão Gomes Pinto 
No 247
Leia Mais ►

Marília cala o PIG

A conta batizada de Marília tem número (18.626), foi movimentada no banco Safdié (atual Leumi) e por ela circularam o equivalente a R$ 64 milhões entre 1998 e 2002; por ela, transitaram recursos ligados ao escândalo das propinas pagas pela Siemens e pela Alstom a governos tucanos; parte do dinheiro, que estava depositada numa conta de Jorge Fagali Neto, ex-secretário do governo FHC, já foi até bloqueada; no entanto, nada do que foi revelado por Istoé ecoou no Jornal Nacional ou nas edições dominicais da Folha e do Estado; blindagem ou cumplicidade?
Leia Mais ►

O que você precisa saber sobre médicos cubanos

Membro do núcleo de estudos cubanos da Universidade de Brasília, o jornalista Hélio Doyle, que conhece como poucos a realidade do país, expõe argumentos técnicos sobre a vinda de profissionais de saúde; ele diz, por exemplo, que eles já atuaram em regiões remotas do País no passado, sem que houvesse qualquer gritaria; como Cuba é um país socialista, a contratação é feita diretamente junto ao Estado, que tem a preocupação de preservar baixos índices de desigualdade; dos 78 mil doutores cubanos, que têm uma das melhores relações médico/paciente do mundo, 30 mil atuam no exterior o índice de deserção é baixíssimo
:
Profundo conhecedor da realidade de Cuba e membro do núcleo de estudos cubanos da Universidade de Brasília, o jornalista Hélio Doyle produziu diversas análises técnicas, e sem ranço ideológico, sobre a importação de 4 mil profissionais pelo governo brasileiro.
Os textos foram cedidos ao 247 e permitem uma maior compreensão sobre um tema que tem gerado tanto debate. Leia abaixo seus artigos:
O QUE NÃO SE DIZ SOBRE OS MÉDICOS CUBANOS
A grande imprensa brasileira, que nos últimos anos exacerbou, por incompetência e ideologia, a superficialidade que sempre a caracterizou, tem sido coerente ao tratar da vinda de quatro mil médicos cubanos: limita-se a noticiar o fato e reproduzir as críticas das associações corporativas de médicos e dos políticos oposicionistas. Mantém-se fiel à superficialidade que é sua marca, acrescida de forte conteúdo ideológico conservador e de direita.
Não conta, por exemplo, que médicos cubanos já trabalharam no Brasil, atendendo a comunidades pobres e distantes nos estados de Tocantins, Roraima e Amapá. Não houve nenhuma reclamação quanto à qualidade desse atendimento e nenhum problema com o conhecimento restrito da língua portuguesa. Os médicos cubanos tiveram de deixar o Brasil por pressão do corporativismo médico brasileiro – liderado por doutores que gostam de trabalhar em clínicas privadas e nas grandes cidades.
A grande imprensa não conta também que há mais de 30 mil médicos cubanos trabalhando em 69 países da América Latina, da África, da Ásia e da Oceania, lidando com pessoas que falam inglês, francês, português e dialetos locais. Só no Haiti, onde a população fala francês e o dialeto creole, há 1.200 médicos cubanos – que sustentam o sistema de saúde daquele país e, como profissionais com alto nível de educação formal, aprendem rapidamente línguas estrangeiras.
O professor John Kirk, da Universidade Dalhousie, no Canadá, estudou a participação de equipes de saúde de Cuba em vários países e é dele a frase seguinte: “A contribuição de Cuba, como ocorre agora no Haiti, é o maior segredo do mundo. Eles são pouco mencionados, mesmo fazendo muito do trabalho pesado”. Segredo porque a imprensa internacional – especialmente a estadunidense — não gosta de falar do assunto.
Kirk contesta o argumento de que os médicos cubanos que atendem as comunidades pobres em vários países não são eficientes por não dominar as últimas tecnologias médicas: “A abordagem high-tech para as necessidades de saúde em Londres e Toronto é irrelevante para milhões de pessoas no Terceiro Mundo que estão vivendo na pobreza. É fácil ficar de fora e criticar a qualidade, mas se você está vivendo em algum lugar sem médicos, ficaria feliz quando chegasse algum”.
O problema dos que contestam a vinda de médicos estrangeiros e, em especial dos cubanos, é que as pessoas que passam anos ou toda a vida sem ver um médico ficarão muito felizes quando receberem a atenção que os corporativistas do Brasil lhes negam e tentam impedir.
SOCIALISMO E GUERRA FRIA
Duas informações referentes à vinda de médicos cubanos para o Brasil e que podem ser úteis aos que querem ir além do que diz a grande imprensa:
- Cuba é um país socialista e por isso, gostemos ou não, as coisas não funcionam exatamente como em um país capitalista. Como é um país socialista, há a preocupação de manter baixos os índices de desigualdade econômica e social. Por isso nenhuma empresa ou governo estrangeiro contrata trabalhadores cubanos diretamente, em Cuba ou no exterior (nesse caso quando a contratação é resultado de um acordo entre estados). Todos são contratados por empresas estatais que recebem do contratante estrangeiro e pagam os salários aos trabalhadores, sem grande discrepância em relação ao que recebem os que trabalham em empresas ou organismos cubanos. Os médicos que trabalham no exterior recebem mais do que os que trabalham em Cuba. Mas algo como nem muito que seja um desincentivo aos que ficam, nem tão pouco que não incentive os que saem.
- O governo dos Estados Unidos tem um programa especial para atrair médicos cubanos que trabalham no exterior. Eles são procurados por funcionários estadunidenses e lhes são oferecidas inúmeras vantagens para “desertar”, como visto de entrada, passagem gratuita, permissão de trabalho e dispensa de formalidades para exercer a atividade. Os que atuam na América Latina são os mais procurados e uma condição para serem aceitos no programa é que critiquem o sistema político cubano e digam que os médicos no exterior são oprimidos e mantidos quase como escravos. Os que aceitam as ofertas dos Estados Unidos, os que emigram para outros países ou ficam no país que os recebe depois de terminado o contrato representam cerca de 3% dos efetivos. No Brasil, mantida essa média, pode-se esperar que até 120 dos quatro mil médicos cubanos “desertem”.
UM SISTEMA IRREAL
A citação a seguir é do New England Journal of Medicine: “O sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA”.
Menções elogiosas ao sistema de saúde cubano e a seus profissionais são frequentes em publicações especializadas e ditas por autoridades médicas e organizações internacionais, como a Organização Mundial de Saúde, a Organização Panamericana de Saúde e o Unicef. Mas mesmo assim, querendo negar a realidade, médicos e políticos brasileiros insistem em negar o óbvio, chegando ao absurdo de dizer que nossa população está correndo riscos ao ser atendida pelos cubanos.
Para começar, os indicadores de saúde em Cuba são os melhores da América Latina e estão à frente dos de muitos países desenvolvidos. A mortalidade infantil, por exemplo (4,8 por mil), é menor do que a dos Estados Unidos. Aliás, para os que gostam de dizer que Cuba estava melhor antes da revolução de 1959, naquela época era de 60 por mil. A expectativa de vida dos cubanos é também elevada: 78,8 anos.
Outro aliás quanto aos saudosistas: em 1959, Cuba tinha seis mil médicos, sendo que três mil correram para os Estados Unidos quando viram que não haveria mais lugar para o sistema privado de saúde e que os doutores elitistas e da elite perderiam seus privilégios. Hoje tem 78 mil médicos, um para cada 150 habitantes, uma das melhores médias do mundo. Isso permite a Cuba manter mais de 30 mil médicos no exterior. Desde 1962, médicos cubanos já estiveram trabalhando em 102 países.
Em 2012 formaram-se em Cuba 5.315 médicos cubanos em 25 faculdades públicas e 5.694 estrangeiros, que estudam de graça na Escola Latino-americana de Medicina (Elam). A Elam recebe estudantes de 116 países, inclusive dos Estados Unidos, e já formou 24 mil estrangeiros.
Os médicos cubanos se formam após seis anos de graduação, incluindo um de internato, e mais três ou quatro anos de especialização. Os generalistas, que atendem no sistema Médico da Família (um médico e um enfermeiro para 150 a 200 famílias, e que moram na comunidade que atendem) são preparados para atuar em clínica geral, pediatria, ginecologia-obstetrícia e fazer pequenas cirurgias.
Dos quatro mil médicos que vêm para o Brasil, todos têm especialização em medicina de família, 42% já trabalharam em pelo menos dois países e 84% têm mais de 16 anos de atividade. Grande parte já atuou em países de língua portuguesa, na África e em Timor-Leste. Foi em Timor, a propósito, que ocorreu o fato seguinte: o embaixador estadunidense exigiu do então presidente Xanana Gusmão que expulsasse os médicos cubanos. Xanana perguntou quantos médicos dos Estados Unidos havia no Timor-Leste e quantos o país mandaria para substituir os mais de duzentos cubanos que estavam lá. Diante da resposta, de que havia apenas um, que atendia os diplomatas norte-americanos, e que não viria mais nenhum, Xanana, simplesmente, disse que os cubanos ficariam. E estão lá até hoje. Falando português.
OS LIMITES DO CORPORATIVISMO
1 – Sindicatos de trabalhadores existem para defender os interesses das categorias profissionais que representam. São corporativistas por definição.
2 – É natural que esses interesses conflitem com os de seus empregadores, especialmente em questões ligadas à remuneração e condições de trabalho.
3 – Muitas vezes os interesses de uma categoria batem de frente com interesses de outras categorias, e aí cada sindicato defende seus representados, o que também é natural.
4 – Outras vezes os interesses de uma categoria colidem com interesses do país e da sociedade. Essa é uma questão complicada: quem tem legitimidade para definir os interesses nacionais é a população, que só é consultada quando elege seus governantes e representantes. E esses governantes e representantes têm, muitas vezes, sua legitimidade contestada.
A contradição entre interesses corporativos e interesses nacionais e da sociedade, assim, só pode ser resolvida pelos que têm legitimidade para expressar esses interesses nacionais e da sociedade em seu conjunto.
Nos últimos dias, tivemos três bons exemplos de como os interesses corporativos colidem com os da sociedade. São três causas que podem interessar às categorias profissionais, mas violam a legislação e ferem os direitos humanos e sociais:
- O sindicato dos servidores no Legislativo defendeu que funcionários da Câmara e do Senado recebam remunerações que superam o teto salarial que deve vigorar para todos.
- O sindicato dos aeroviários defendeu a tripulação que criou absurdos e desnecessários constrangimentos a uma criança de três anos e a sua família, por causa de uma doença não infecciosa.
- Os sindicatos de médicos são contra o trabalho de médicos estrangeiros no Brasil, mesmo não havendo médicos brasileiros interessados no trabalho que eles vão fazer.
O corporativismo é inevitável, e os interesses corporativos devem ser discutidos e considerados. Não podem é prevalecer quando contrariam interesses e direitos da sociedade: o teto salarial dos servidores tem de ser respeitado, ninguém pode ser submetido a constrangimentos por causa de uma doença e as pessoas têm o direito de receber assistência médica, seja de um brasileiro ou de um estrangeiro.
SISTEMA CUBANO DÁ “DE LAVADA”
As frases a seguir são de um médico cubano radicado no Brasil desde 2000. Insuspeito, pois abandonou Cuba. Formou-se lá e se especializou em epidemiologia e administração da saúde. Trabalhou por dois anos em Angola e veio para Santa Catarina em um acordo da prefeitura de Irati com o governo de Cuba. Dois anos depois resolveu ficar no Brasil, onde vive com a mulher e quatro filhos. Critica o sistema de pagamento aos médicos, dizendo que ficava com 50% do que era pago pela prefeitura. Mesmo tendo “desertado”, não entra na onda dos médicos brasileiros e dos oposionistas de direita que atacam a vinda dos cubanos.
O que o médico cubano Alejandro Santiago Benítez Marín, 51 anos, disse ao portal G1:
“Em dois meses, eu já entendia perfeitamente tudo (diferenças culturais, língua). Fazer medicina é igual em todo o lugar, só muda o endereço”.
“Eu não sou contra que eles venham, não. Os médicos cubanos são muito bons, nossa medicina é a melhor do mundo. Só não concordo com a forma como o governo quer pagar, repassando o dinheiro para Cuba e Cuba vai decidir a quantia que vai repassar. Isso não tem cabimento”.
“Há médicos cubanos fazendo um excelente trabalho no Norte e Nordeste. O Conselho Federal de Medicina tem nos ofendido sem necessidade desde o início, chamando-nos de curandeiros, feiticeiros. Eu sou incapaz de ofender um médico brasileiro, mesmo conhecendo médicos brasileiros que cometem erros, a imprensa publica sempre. Tem médico ruim e bom tanto no Brasil quanto em Cuba. Não temos culpa do que está acontecendo no Brasil e que os médicos de fora têm que vir”.
“Em Cuba é bem mais fácil o atendimento, não tem esta fila que há hoje no SUS, em que há a demora de três meses para a realização de exames simples, como ultrassonografia ou ressonância. Em Cuba este exame é feito no mesmo dia ou na mesma semana. Esta demora faz o diagnóstico médico ter que esperar”.
“O sistema cubano dá ‘de lavada’ no SUS, tanto no atendimento normal quanto de emergência. A especialização nossa é muito boa, tanto que Cuba exporta médicos para mais de 70 países”.
No 247
Leia Mais ►

Médicos brasileiros em trabalho escravo recebem repasse de cerca de 30%

 Publicado em 25/04/2012 

Médicos protestam contra valores repassados por consulta pelos planos de saúde

Urologista Diogo Mendes, que participa da manifestação
da categoria, que decretou 24 horas de paralisação em
advertência aos planos de saúde.
Os médicos reclamam da falta de diálogo com as operadoras de saúde. "Tem planos que pagam R$ 12 por consulta. Estamos pedindo um reajuste que eleve o valor mínimo para R$ 70. Eles alegam que isso iria onerar o custeio do plano, mas somente cerca de 30% do valor pago pelo usuário é repassado aos médicos" , declarou Otelo Chivo, diretor-secretário do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).
Além do reajuste nos honorários, os médicos reivindicam o fim da interferência das operadoras de planos de saúde na relação com o paciente. " São enviadas planilhas aos médicos com os valores dos procedimentos passados por eles. Os que representam um gasto elevado para a operadora estão sendo descredenciados" , denuncia Chivo. Outra proposta trata da necessidade de estabelecer critérios para descredenciamento de médicos.
No Isaúde
Leia Mais ►

Dra. Maria e Dr. Arthur ao “Dr. Puliça”: Minas é um lugar culto e pacífico

O Dr. João Batista Gomes Soares recebeu, ontem, a melhor das respostas que poderia ser dada à sua histeria policialesca, dizendo que chamaria a polícia para prender, por charlatanismo, os médicos que chegassem do exterior sem o “Revalida”.
A resposta é o casal Arthur e Maria José Silva.
Ela portuguesa, ele brasileiro, médicos aposentados, com 65 e 64 anos, respectivamente.
Conheceram-se em Coimbra, estudantes de medicina.
Coimbra era para onde, no final do século 19, a nobreza brasileira mandava os filhos a estudar Direito, para quem não se recorda.
Trabalharam muito e estão aposentados. Arthur, carioca, quis voltar ao Brasil. Tem um irmão em Belo Horizonte.
Escolheram Minas, além disso, diz Maria José, por ser um lugar “culto e pacífico”.
Justamente o que não tem o comportamento do presidente do CRM mineiro.
Será que o Dr. Arthur e a Dra. Maria José, que trataram de pessoas em Portugal por mais de 30 anos, não servem para tratar dos pobres de Minas Gerais?
Será que o Dr. João Batista vai, com uma tropa de meganhas, surpreendê-los em plena consulta, para lavrar o flagrante de curandeirismo?
O Dr. Arthur lembra, além disso, que a precariedade dos meios materiais, jamais o impediu de atender aos portugueses pobres; portanto isso não o impediria de atender aos mineiros carentes.
Tão diferente do doutor “Puliça” , que vive usando a desculpa da – verdadeira, verdadeira, sim – precariedade para justificar a recusa dos médicos brasileiros de atender à população…
“Quando comecei a trabalhar em Portugal como médico de família… Eu costumo dizer que fui trabalhar em uma garagem transformada em centro de saúde. Portanto, estou habituado a qualquer tipo de trabalho”
Junto com eles chegaram outros dois médicos, os que vão na frente, na foto.
Carlúcio Avelino de Souza, de 40 anos, vai para Rio Pardo de Minas, perto da sua cidade natal, Salinas, no Norte do estado. Nascido em Abadia dos Dourados, no Alto Paranaíba, Sidney Tomás da Cunha, de 45, ficará em BH. Carlúcio e Sidney são graduados na Universidade de Cádiz (Espanha), e trabalhavam em Portugal.
Nenhum deles entende o ódio do Dr. João Batista.
“Não entendo isso, porque temos formação altamente qualificada. Toda a vida tivemos trabalho muito intenso”.
Talvez não entendam porque, exceção à Dra. Maria José, tenham saído do Brasil quando os médicos ganhavam uma miséria, mas muitos deles ainda encaravam sua profissão como algo maior do que uma fonte de renda.
Quanto aos erros, que o Dr. João Batista diz que não vai socorrer, é bom que pense com mais humildade. Erro pode acontecer com todo mundo, até com ele próprio.
Afinal, não foi um erro a aposentadoria do Dr. João Batista ter ficado sustada no Tribunal de Contas da União por irregularidades processuais que alguém cometeu?
Tomara que o doutor tenha tido ajuda e que ninguém o tenha julgado com ódio e precipitação.
Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1907

Leia Mais ►

Democratização da mídia – 5 eixos de luta

A democratização da comunicação há de ser parida. Com dor, com suor, com esforço. Há de ser lutada e, mais do que isso, os debates em torno de como deve ser gerada são fundamentais para que nasça com o mínimo de distorções possíveis, como um passo o mais seguro possível em direção à democracia não apenas neste setor, mas em toda a sociedade.
Entendemos cinco eixos como fundamentais para levar a cabo esse combate, cada um deles com desdobramentos ou sub-eixos que igualmente devem ser desenvolvidos. Esses eixos precisam ser amadurecidos pelo conjunto de militantes, e que não podem ser considerados ou tratados de forma isolada. Dialogam de forma natural e inseparável, e só podem ser individualizados com fins didáticos, para que ações práticas sejam formuladas em cada um desses sentidos. São eles:
1. Fortalecimento dos veículos alternativos enquanto individualidades e enquanto conjunto – avançar em formas de financiamento, produção de conteúdo, qualificação dos materiais produzidos; encontrar pontos de intersecção para fortalecer a unidade, construir coberturas colaborativas e troca constante de conteúdo e divulgação.
2. Fomento à criação de novos veículos – Para uma mídia verdadeiramente combativa não basta a busca pelo fortalecimento dos próprios veículos. É preciso ir além, pensar de forma colaborativa e solidária, e, assim, amparar das mais diversas formas a construção de mais e mais espaços de comunicação alternativa, tanto através de ações diretas (promoção de oficinas e apoio na estruturação de veículos, por exemplo) como através de pressões por leis que garantam o acesso da mídia alternativa a apoio financeiro e logístico do Estado.
3. Atacar o controle dos conglomerados de mídia – é fundamental a compreensão de que não basta fortalecer os meios alternativos, é necessário enfraquecer os grupos empresariais que, via abuso de poder econômico e político, controlam a comunicação no país. Esse ataque pode se dar através de convocação de atos, denúncia de práticas de manipulação e controle, construção de análises que demonstrem a forma de atuação desses conglomerados, sua vocação monopólica e a barreira criada por esse domínio à liberdade de comunicação, expressão e informação.
4. Pressão sobre o Estado – é dever do Estado garantir a liberdade de expressão e cumprir o que determina a Constituição da República. A quase totalidade dos artigos da Carta que versam sobre a Comunicação Social não está regulamentada, o que representa um vácuo legal que acaba criando a possibilidade de abusos e absurdos como o controle de quase toda a informação que circula no país por apenas nove famílias.
5. Expansão do debate sobre o tema à toda a sociedade – o conjunto da população precisa apropriar-se da temática da comunicação, questão central na disputa social em defesa da democracia real. Expandir a consciência de que cada um é um comunicador em potencial e de que todos têm direito a plataformas de expressão é atuar pela emancipação popular e dos indivíduos.
Alexandre Haubrich
No Jornalismo B
Leia Mais ►

Getúlio Vargas: 59 anos do suicídio do ex-presidente

Eu vi
Vi um homem chorar porque lhe negram o direito de usar três letras do alfabeto para fins políticos. Vi uma mulher beber champanha(*) porque lhe deram esse direito negado ao outro.
Vi um homem rasgar o papel em que estavam escritas as três letras, que ele tanto amava. Como já vi amantes rasgarem retratos de suas amadas, na impossibilidade de rasgarem as próprias amadas.
Vi homicídios que não se praticaram mas que foram autênticos homicídios: o gesto no ar, sem conseqüência, testemunhava a intenção. Vi o poder dos dedos. Mesmo sem puxar o gatilho, mesmo sem gatilho a puxar, eles consumaram a morte em pensamento.
Vi a paixão em todas as suas cores. Envolta em diferentes vestes, adornada de complementos distintos, era o mesmo núcleo desesperado, a carne viva.
E vi danças festejando a derrota do adversário, e cantos e fogos. Vi o sentido ambíguo de toda festa. Há sempre uma antifesta ao lado, que não se faz sentir, e dói para dentro.
A política, vi as impurezas da política recobrindo sua pureza teórica. Ou o contrário... Se ela é jogo, como pode ser pura... Se ela visa o bem geral, por que se nutre de combinações e até de fraudes.
Vi os discursos...
Carlos Drummond de Andrade
(Publicado no Jornal do Brasil, 15/05/80 - Caderno B - Pg. 1)
(*) O projeto de reorganizar o PTB, empreendido por Brizola ainda no exílio, preocupou a ditadura militar. Em maio de 1980, o general Golbery do Couto e Silva, o bruxo do regime, articulando manobra no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tira a sigla das mãos de Brizola e a entrega a Yvete Vargas, uma sobrinha distante de Getúlio, recém cooptada pelos militares. Ao ser informado da decisão, Brizola, em lágrimas, rasga uma folha de papel onde estavam as letras PTB e funda o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Ivete comemorou sua "vitória" abrindo uma garrafa de champanha. (FC)
No Histórias da Esquerda
Leia Mais ►

O sucesso de Milionário e José Rico

Leia Mais ►

Propinoduto tucano: criminosos e cúmplices

Duas coisas chamam a atenção nessa história:
1) A reportagem de Claudio Dantas Sequeiras e Pedro Marcondes de Moura é devastadora. Não há mais como esconder o envolvimento absoluto das principais lideranças do PSDB num crime que se estendeu - a ainda se estende - por quase duas décadas. Para um partido que se fixou, ainda que inutilmente, no escândalo do mensalão do PT para usar o bate-estaca da mídia contra o governo, a revelação desta conta no Multi Commercial Bank, em Genebra, encerrou de vez essa farsa. Alckmin, Serra e Covas, in memoriam, devem explicações à Justiça e ao País. Ao tentar esconder este fato cristalino da sociedade, o setor tristemente golpista e decadente da mídia vinculada aos tucanos age de forma criminosa;
2) A pusilanimidade dos ministérios públicos estadual e federal de São Paulo, suspeitos de terem prevaricado todos estes anos, mostra que o lobby pela falecida PEC 37 não era nem tão imoral, nem muito menos impertinente. Depois dessa e de outras matérias da IstoÉ sobre o tema, se promotores e procuradores não tomarem a iniciativa de abrir um processo contra os tucanos, deixaram de ser apenas irresponsáveis para se tornarem cúmplices.
Leia Mais ►

O conselho de um médico para o seu Conselho

Falo (e escrevo) como médico, que sou: o senhor Roberto d’Ávila (presidente do CFM) tem perdido a chance de se manter calado.
Primeiro, porque a função de “combater” o programa Mais Médicos, se é que deveria ser feito, seria por um órgão de classe, como os sindicatos dos médicos, e não pelo Conselho Federal de Medicina, que deveria zelar unicamente pela prática médica, da ação ética dos seus filiados. E não o faz, com o necessário rigor.
Em segundo lugar, porque, em mais de uma oportunidade, tem externado posições horrorosas acerca do problema. Dia desses vi uma entrevista dele, na televisão, onde ele dizia que os médicos brasileiros não haviam se inscrito no programa porque não conseguiram preencher a inscrição(?!)
Quer dizer, ou ele é cínico ou nos chamou, a todos nós, de imbecis.
Em terceiro lugar, poderia se perguntar a ele, enquanto presidente do CFM porque nunca este órgão se preocupou, em toda a sua existência, de elaborar testes de avaliações para médicos, formados no Brasil ou no exterior?
Por qual razão um indivíduo forma-se numa faculdade qualquer desse nosso país e, no dia seguinte, de posse de um registro nos CRMs, pode atender a todo cidadão, sem dar provas nenhuma de sua capacitação?
Por que o CFM reluta em aplicar nos médicos recém-formados, uma avaliação, como faz, por exemplo, a OAB? Por que nossas associações não tomam nenhuma medida prática para que todo o nosso país, as nossas crianças, nossos idosos, nossas mulheres, tenham direito à atenção médica?
Por que não foi criada ainda a Ordem dos Médicos do Brasil, que se encarregaria da autorização para todo médico para iniciar suas atividades?
Sim, pois eles exigem, agora, o tal exame Revalida, que foi criado pelo MEC somente em 2011.
Antes dessa data, que atitude o CFM e os CRMs, repito, tomaram para garantir a boa prática médica?
Nós, médicos brasileiros, por nossas entidades, estamos perdendo boa oportunidade de não nos “queimarmos” com o restante da sociedade brasileira.
Dr. Fernando Cesário
PS do Tijolaço: A questão que o Dr. Fernando levanta ao final de seu texto é muito séria. Não apenas porque os médicos merecem a confiança da população, em especial a mais pobre e carente, como, sobretudo, eles precisam dela como ferramenta terapêutica. É essencial que o médico tenha o respeito e a confiança do paciente e da coletividade, no caso da medicina de família e comunidade, encontrando a acolhida e o acatamento necessário para que sua orientação seja absorvida e seguida. Não é apenas o caso do merecido respeito profissional, é uma questão  de saúde.
Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Número de médicos não segue avanço de infraestrutura

 Publicado em 14 de julho de 2013 

Nos últimos cinco anos, a infraestrutura de saúde no Brasil cresceu em ritmo mais acelerado do que o número de médicos que atendem a população. No período, o total de equipamentos de saúde registrados pelo governo federal teve alta de 72,3%. O número de leitos hospitalares subiu 17,3% e o de estabelecimentos de saúde, 44,5% no Brasil. A oferta de médicos, porém, cresceu apenas 13,4% - ou seja, menos do que os principais índices de infraestrutura de saúde.
Os dados dizem respeito às redes pública e privada e foram compilados pela reportagem com base no sistema DataSUS, banco de dados oficial do Ministério da Saúde que contém as informações de todos os estabelecimentos registrados no órgão, como hospitais, consultórios, clínicas e postos de saúde. Entre os equipamentos relacionados no levantamento, constam qualquer tipo de aparelho de saúde existente nos locais, como raio X e endoscópio.
Os números do DataSUS mostram que, de fato, os equipamentos de saúde continuam concentrados nos Estados mais ricos - São Paulo, por exemplo, tem três vezes mais equipamentos por habitante do que o Maranhão. Entretanto, os locais onde houve o maior crescimento nos equipamentos de saúde registrados pelo DataSUS foram os Estados do Norte - Roraima, Rondônia, Acre e Pará mais do que dobraram a quantidade de aparelhos desde 2008.
As entidades médicas, no entanto, defendem que não há falta de profissionais. O principal problema, segundo os representantes de classe, é a falta de uma carreira estruturada para os médicos na rede pública, além da necessidade de melhoria nas condições de trabalho nos locais mais remotos.
Críticas
Cid Célio Jayme Carvalhaes, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), afirmou que o aumento numérico verificado não significa uma infraestrutura mais desenvolvida nessas regiões. "Um dos principais problemas, que vale tanto para número de médicos quanto para a estrutura, é a distribuição desigual", disse. "Os hospitais entre a região da Avenida Paulista até o Jabaquara têm mais tomógrafos do que a França inteira. Enquanto isso, em alguns bairros na zona leste da cidade não há nenhum."
O dirigente, um dos líderes do protesto realizado por associações médicas que reuniu cerca de 5 mil em São Paulo no dia 3, manteve a posição da entidade de que o problema não é a carência de médicos. "Quase um terço dos médicos do País está em São Paulo, e isso não garante a qualidade de atendimento no Estado", afirmou Carvalhaes.
Para o dirigente, a grande diferença entre o crescimento no número de equipamentos disponíveis e o de novos profissionais não sugere que haja um excedente de estrutura parada. "O aumento impressionante no número de equipamentos revela apenas uma maior exploração comercial em lugares onde já há atendimento."
Estadão
No Blog do Mário
Leia Mais ►

Bandidos são atacados e PM os defende

:
"Aqui não é vandalismo, Aqui é ideologia. Todo mundo veio do trabalho para cá. Vandalismo é a fila do SUS. Vandalismo é dirigir bêbado, dirigir e matar", disse um dos participantes do protesto, que acontece em São Paulo; os manifestantes queimaram o exemplar de "Veja", que estampou em sua capa da semana passada uma reportagem sobre o movimento "black bloc" no mundo; pedras foram jogadas contra o prédio da Abril
Um grupo de aproximadamente 200 manifestantes adeptos da tática "black bloc" lançam pedras contra a Editora Abril, em protesto em frente à sede da empresa, em São Paulo. A polícia respondeu com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. No início da manifestação, ainda no Largo da Batata, o grupo queimou a revista Veja, que estampou em sua capa da semana passada uma reportagem sobre o movimento "black bloc" no mundo.
Em frente ao prédio da editora, o confronto começou quando uma pedra foi lançada contra jornalistas que acompanhavam o ato. Outras pedras atingiram carros da Polícia Militar e um portão do prédio. A PM usou bombas para dispersar o grupo, que, durante a fuga, apedrejou a loja Castelatto, na marginal Pinheiros. Um participante do protesto foi detido na avenida Frederico Herman Jr. Um cinegrafista foi agredido por um policial militar. O jovem detido tinha um frasco de álcool na mochila. A PM suspeita que ele seja o manifestantes que tentou atear fogo em um Fiat Idea, estacionado na avenida Frederico Herman Jr.
A manifestação começou com a participação de 50 pessoas, todas encapuzadas, que ocuparam uma faixa da avenida Faria Lima, de onde partiram em protesto rumo à Editora Abril. Cerca de 90 policiais militares acompanhavam a manifestação. "Aqui não é vandalismo, Aqui é ideologia. Todo mundo veio do trabalho para cá. Vandalismo é a fila do SUS. Vandalismo é dirigir bêbado, dirigir e matar", disse um dos participantes do protesto. 
No 247
Leia Mais ►

Propinoduto tucano: passagem obrigatória pela Casa Civil

Leia Mais ►

O que é jornalismo corajoso

E o que é o jornalismo falsamente corajoso.
Ela defendeu corajosamente JB, aspas
Muitas vezes leio o seguinte comentário num texto de articulistas da grande mídia: “Como você foi corajoso!”
Quase sempre a alegada coragem é uma pancada no governo.
Pois então eu gostaria de discutir o que é coragem no jornalismo contemporâneo.
Bater no governo, em democracias, não traz risco nenhum. Portanto, não implica, também, bravura.
Uma coisa seria criticar Pinochet. Outra é criticar Dilma.
Muitos jornalistas construíram reputação de corajosos batendo em presidentes, ou ministros, sem risco nenhum.
“Você viu como Fulano bateu no Mantega? Que coragem!”
Há uma única situação de real coragem no jornalismo tal qual conhecemos hoje: criticar alguém de quem o dono goste. Ou elogiar alguém de quem ele não goste.
O resto é silêncio, como escreveu Shakespeare.
Faça o teste. Veja, por exemplo, se Jabor atacou algum amigo da Globo. Ou Merval. Ou Míriam Leitão. Ou tantos outros.
A esse alinhamento automático com os donos dei o nome, há algumas semanas, de verdadeiro “jornalismo chapa branca”.
É a independência mascarada.  E a liberdade de dizer sim aos patrões: os bravos colunistas são livres desde que reproduzam os interesses das corporações para as quais trabalham. A esse fenômeno Noam Chomsky deu o nome de “liberdade para dizer sim”.
Embora aqui e ali discordem, as grandes empresas jornalísticas têm interesses econômicos comuns, no geral.
Todas elas desejam a permanência de seus privilégios. Querem a reserva de mercado que condenam em outros setores, por exemplo.
Querem que o papel que utilizam continue isento de imposto. Querem uma legislação tributária frágil o bastante para que sonegar seja um ato banal e impune.
A Globo está no meio de um escândalo fiscal espetacular. Há, no caso, uma mistura de trapaça descarada e esperteza detectada.
Para não pagar imposto, como todos sabemos, a Globo tratou a compra dos direitos da Copa de 2002 como se fosse um investimento no exterior. Por muito menos que isso o presidente do Bayern de Munique está prestes a ser preso. E Berlusconi, na Itália, só escapa das grades por ser septuagenário.
Descoberto o golpe, a Globo foi multada. Em dinheiro de 2006, a empresa devia mais de 600 milhões de reais à Receita Federal.
Para coroar o episódio, uma funcionária da Receita foi presa por tentar fazer sumir a documentação do caso.
Se ela obtivesse sucesso, a Globo estaria livre de uma dívida superior a 600 milhões de reais.
Parece inacreditável, mas é verdade.
Que jornalista da grande mídia tratou do assunto? Descontemos a turma da Globo, por razões óbvias.
Mas e a Folha, com seu autoalardeado espírito combativo e rabo preso com ninguém?
Apenas para efeito de especulação, imaginenos que a News International, de Murdoch, fizesse algo parecido no Reino Unido.
As publicações de Murdoch talvez tentassem minimizar o caso, mas a concorrência disputaria avidamente cada furo sobre o assunto para estampar na manchete.
E a opinião pública estaria num estado de torrencial indignação, como quando se descobriu que um tabloide de Murdoch invadira o celular de uma garota de 13 anos sequestrada e morta.
São as virtudes da concorrência: eu me calo conforme minha conveniência, mas meu concorrente me investiga, e o interesse público é protegido.
O que ocorreu no Brasil no caso da Globo?
Num determinado momento, cheguei a falar, pelo Facebook, com o editor executivo da Folha, Sérgio Dávila. “Escuta, vocês não vão dar nada?”
A Folha deu uma matéria que pode ser classificada como miserável.
Depois, o assunto sumiu fo jornal, como se tivesse sido resolvido. Também Dávila sumiu: deixou de responder a minhas mensagens no Facebook.
Se algum colunista da Folha – Clóvis Rossi, Eliane Cantanhêde ou quem seja – tivesse tratado do assunto mereceria palmas pela coragem.
Mas todos eles sabem que não devem escrever aquilo que seus patrões não querem que seja escrito.
O que terá acontecido no caso da Folha, o leitor pode se perguntar. Trabalhei 25 anos em grandes corporações, e posso imaginar. Um telefonema trocado entre donos resolve tudo.
É possível que, com alguma delicadeza, alguém da Globo tenha lembrado alguém da Folha que a Globo poderia publicar histórias que a Folha não gostaria de ver publicadas.
Uma breve conversa telefônica e o interesse público desaparece sob o peso dos interesses privados.
Coragem, para retomar o tema deste texto, é sair da zona de conforto dos artigos que você sabe que seus patrões irão aplaudir.
Dias atrás, Míriam Leitão defendeu Joaquim Barbosa de um ataque – inusualmente corajoso, aliás – de Noblat. (Noblat é experiente o bastante para saber que mais um prova de independência dessas e sua vida na Globo fica dramaticamente ameaçada.)
Míriam sabia que os Marinhos ficariam felizes com sua defesa de JB. Logo, coragem só teria havido se ela reforçasse os pontos levantados por Noblat contra as grosserias de JB.
O que Míriam fez é um exemplo acabado  de “jornalismo chapa branca”. Mas, como numa ação de merchandising, o leitor pode ser enganado e achar que ela demonstrou grande coragem.
Em junho, Jabor fez uma ação memorável de jornalismo chapa branca. Atacou ferozmente os protestos, por dar como certo que os Marinhos eram contra.
Quando ele viu que não, voltou pateticamente atrás. Chapa branquíssima.
A internet ajudou a desmascarar o novo jornalismo chapa branca.
Com o crescimento das audiências na internet e a queda das audiências na mídia tradicional, em breve o jornalismo digital será forte o bastante para exigir esclarecimentos cabais como o caso de sonegação da Globo.
O interesse público agradecerá.
Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Trabalho igual pagamento desigual

Experimento realizado com dois macacos que recebem pagamentos desigual por seu trabalho. Veja como eles reagem.

Leia Mais ►

Planos de saúde levam 30% do dinheiro público da Saúde

Médico sanitarista Nelson Rodrigues dos Santos
O médico sanitarista Nelson Rodrigues dos Santos, da Unicamp, afirmou que planos e seguradoras de saúde, empresas particulares, levam 30% do orçamento do Ministério da Saúde, deixando o Sistema Único de Saúde (SUS) subfinanciado e em condições precárias para médicos e pacientes.
Em entrevista ao Cebes (Centro Brasileiro de Estudos da Saúde), Santos afirma que a partir de 1990 o governo federal passou a co-financiar planos para os servidores federais, dos poderes executivo, legislativo e judiciário. ”Então, essa visão economicista tradicional está implantando um novo sistema público em nosso país: subfinanciado e somente para os pobres. Traduzindo em números, a estimativa da soma dos subsídios federais aos planos e seguradoras de saúde correspondem a mais de 30% por orçamento do Ministério da Saúde”, afirmou.
Para ele, esse fenômeno levou as centrais sindicais e os próprios sindicatos a também pleitearem os planos privados a seus filiados, enfraquecendo ainda mais a pressão social por um sistema de saúde público e de qualidade.
Nelson Rodrigues ressalta que a população não tem informação de que ela pode ter acesso a um bom sistema público de saúde. “A população brasileira não tem a informação que existem sistemas públicos em outros países que são preferidos por 90% da população. Então, não é só um sonho de que é possível ter um bom sistema público de saúde. Ele existe na prática em dezenas de países”, disse ao Cebes.
Para o médico sanitarista, mesmo que o governo coloque no sistema público 10% das receitas da união, esse percentual seria inferior ao gasto per capita de países como a Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai. “Um estudo da Organização Mundial da Saúde mostra que a média do gasto com saúde pública em 15 países com sistemas de saúde pública, funcionando bem, é de 2,5 mil dólares públicos, per capita por ano. No Brasil gastamos 385 dólares públicos. Para termos um bom sistema não estamos olhando nem para os 2,5 mil, mas sim para 1 mil dólares. Se tivermos a vitória do Saúde+10 vamos para R$ 550. Dou esses números para mostrar como o governo não cumpre a Constituição na área da Saúde”, afirmou à entidade.
CartaCampinas
No Jader Resende
Leia Mais ►

Por que Alckmin não deveria comprar lotes de revistas e jornais amigos

É uma ação entre amigos na qual quem entra com o dinheiro é o contribuinte.
Na Era Digital, que estudante vai ler a Veja, a Folha ou o Estadão?
A internet está agitada neste final de semana por conta de uma compra de alguns milhares de assinaturas da Veja, da Folha e do Estadão pelo governo do Estado de São Paulo.
É dinheiro público,  extraído do orçamento da educação. As publicações supostamente vão ser lidas pelos alunos das escolas públicas de São Paulo, e isso os ajudará em sua formação.
Isso mitigaria, pelo menos em parte, o problema de a compra haver sido feita sem licitação.
Mas não é exatamente isso.
O que ocorreu é a chamada ação entre amigos, em que as partes – empresas jornalísticas e políticos —  trocam favores usando o dinheiro do contribuinte.
É uma prática velha, e que graças à internet vai sendo cada vez mais exposta aos brasileiros.
Vivi, na editora Globo, uma situação exemplar.
Era 2007, e eu acabara de ser contratado para ser diretor editorial das revistas da Globo.
A principal delas, a Época, era singularmente gentil com um governador  da região norte.
Esse governador, fiquei sabendo depois, comprava grandes lotes de livros da Globo, o que vinha ajudando substancialmente a editora a dar lucros.
Demos, na revista, uma denúncia contra ele. Instalou-se uma confusão. Ele foi a São Paulo para falar comigo e com o então diretor geral da editora, Juan Ocerin.
A conversa não poderia ter sido pior. Ele foi grosseiro, e eu disse que não admitia que uma visita falasse naquele tom ali, numa sala ao lado da redação da Época.
Ele saiu da sala com uma ameaça. “Vou conversar com o João Roberto”. João Roberto era e é João Roberto Marinho, o filho do meio de Roberto Marinho, aquele que é o editor de fato das Organizações Globo.
Não sei se falou.
Antes de ir embora, ele se avistou com o diretor de publicidade da editora, que era seu interlocutor nas negociações de compras de lotes de livros.
Nova confusão. Desta vez, o resultado foi uma conversa a três: Ocerin, eu e o diretor de publicidade.
Em alguns minutos, depois de palavras ríspidas, eu disse ao diretor de publicidade que jamais voltaria a falar com ele.
E de fato não voltei.
Foi contratado um novo diretor de publicidade, e ele me disse que várias vezes Ocerin se queixou dele por não ter o acesso mágico àquele governador para que aportasse dinheiro na editora em momentos de seca.
O que se fazia na editora Globo é uma coisa parecida com a compra de lotes de publicações por Alckmin.
Ninguém fala, mas está entendido que o governo espera alguma simpatia na cobertura editorial.
Do ponto de vista estritamente lógico, alguém consegue imaginar jovens estudantes lendo a Veja, a Folha ou o Estadão, para apreciar os artigos de Dora Kramer, Maílson da Nóbrega e Pondé?
É uma geração digital, divorciada por completo da mídia impressa.
Para testar a motivação real da compra, verifique se alguma escola particular gasta milhões de reais para adquirir a Veja, a Folha ou o Estado.
É, repito, uma ação entre amigos.
Mas quem paga a conta é o contribuinte.
Captura de Tela 2013-08-24 às 11.52.09
Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Alckmin torra R$ 3,8 milhões da educação para calar o PIG

Não foi só a revista Veja que teve 5.200 assinaturas feitas pelo governo Alckmin (PSDB-SP) na calada da noite.
O governo tucano usou verba da educação para comprar um total de 15.600 assinaturas, dos jornais "Folha de São Paulo" e "O Estado de São Paulo", além da citada revista Veja.
Foram 5.200 assinaturas de cada publicação, por seis meses, totalizando o valor de R$ 3.778.840,00 os três contratos.
Como desculpa para meter a mão nas verbas da educação, as assinaturas foram destinadas às escolas da Rede Estadual de Ensino, em um projeto chamado "sala de leitura". Porém muitos educadores questionam a prioridade do uso destas verbas, e o melhor uso se direcionado a laboratórios digitais e bibliotecas multimídia, com muito mais diversidade informativa e conteúdo educativo mais rico disponível na internet.
A que interesses você acha que mais atende estas assinaturas?
1 ( ) Aos barões da mídia, donos dos jornalões e revistas, que compensam a queda de vendas e assinaturas avulsas com as compras governamentais paulistas;
2 ( ) Ao governador Alckmin, que ganha a gratidão dos barões da mídia, e é blindado no noticiário destas publicações;
3 ( ) Aos corruptos tucanos que receberam o propinão da Siemens e da Alstom, e os jornais e revistas não fazem jornalismo investigativo, se limitando a publicar só o que já é fato consumado em investigações oficiais;
4 ( ) Ao PSDB que acredita que o noticiário do PIG (Partido da Imprensa Golpista) tem o poder de fazer lavagem cerebral nas cabeças juvenis dos estudantes, para eles se tornarem neoliberais reacionários lendo esta velha mídia.
5 ( ) Todas as anteriores.
Em tempo: antigamente os jornalões e revistas costumavam enviar exemplares de graça para as bibliotecas públicas. Não era apenas uma cortesia por generosidade. Era estratégia de marketing para formar público leitor, afinal estudantes, quando se tornavam profissionais, acabam assinando os jornais e revistas que adquiram o hábito de ler nas bibliotecas.
Leia Mais ►

Revista Forbes: Lula e Lulinha não são bilionários e vice de Marina é o único político no ranking

Nesta sexta-feira, 23, a revista Forbes publicou um texto, assinado pelo colaborador Ricardo Geromel, que na sua apresentação “afirma que cobre bilionários e tudo relacionado ao Brasil”. Na nota, intitulada Is Lula, Brazil’s Former President, A Billionaire? (Lula, ex-presidente do Brasil, é um bilionário?), Geromel explica a metodologia da revista para elaborar o seu ranking de bilionários e aborda as insinuações de que Lula e seu filho, Lulinha, seriam bilionários.
“Depois de ter explicado a nossa metodologia, gostaria de destacar que, embora existam alguns bilionários que são políticos, Lula não é um deles. Caso contrário, ele teria, obviamente, que estar presente na lista anual da Forbes. Alguns exemplos de políticos que são bilionários: Sebastian Piñera, presidente do Chile, US$ 2,5 bilhões; e Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, US$ 27 bilhões”, escreveu Geromel.
“Depois de deixar o cargo de presidente do Brasil, Lula recebeu cerca de US $ 100.000 para um discurso de 50 minutos, da LG, em 2011. Ele também deu palestras para a Microsoft e para a Tetra Pak, e foi pago pelas maiores empresas de construção do Brasil, como a Odebrecht, para viajar por seis nações da África e dar palestras para os executivos locais. No entanto, não há evidência que sugere que Lula esteja perto de se tornar um bilionário”, esclarece o colaborador da Forbes. A assessoria o ex-presidente tem informado que parte desses recursos teriam sido destinados ao Instituto Lula e não a ele pessoa física.
Apesar dos insinuações que circulam em redes sociais de que Lulinha, filho de Lula, teria comprado um jato de US$ 50 milhões e que seria um dos donos do Grupo JBS-Friboi, o texto publicado pela Forbes afirma que nenhum dos rumores sobre a riqueza da família do ex-presidente são baseados em fatos reais.
Boatos que circulam nas redes sociais afirmam que Lulinha comprou um jato de US$ 50 milhões. Compra para bilionário não? Coisa que a Forbes afirma que o filho do ex-presidente não é
“O filho de Lula, Fábio Luis Lula da Silva, apelidado de Lulinha, não se tornou (ainda) um bilionário também. Recentemente, Lula negou publicamente os rumores de que Lulinha é dono de um jato de US$ 50 milhões e que é um dos donos do JBS, o maior produtor mundial de carne bovina, por venda, com capital de mercado em US$ 10 bilhões. Antes que seu pai fosse eleito presidente do Brasil, Lulinha trabalhou como estagiário em um zoológico. Em 2004, um ano após a primeira eleição de Lula, Lulinha lançou a Gamecorp, empresa que produziu conteúdo para TV e internet. Em 2005, a Gamecorp recebeu mais de US$ 2,3 milhões da Telemar, hoje conhecida como Oi. Mesmo que o próprio Lula tenha afirmado que seu filho era o “Ronaldinho do mundo dos negócios”, a Gamecorp não foi muito bem e suas perdas já somaram mais de US$ 4 milhões. Tem havido uma série de rumores sobre a riqueza da família de Lula, mas nada baseado em fatos reais”, diz o texto.
Geromel ainda enfatiza que o único brasileiro presente na lista de bilionários da Forbes que lida com política “em tempo integral” é Guilherme Leal, que fez fortuna com a Natura, famosa empresa do setor de cosméticos. Leal foi candidato pelo PV à vice-presidência da República em 2010. Entretanto, antes de oficializar sua candidatura se desligou da Natura.
Por fim, o colaborador da Forbes comenta sobre a ajuda que o governo brasileiro tem dado a bilionários através do BNDES, como o empresário Eike Batista, e afirma que dicas sobre novos bilionários, políticos ou não, são sempre bem-vindas.
Só para constar, Forbes é uma revista liberal dos EUA.
No Blog do Rovai
Leia Mais ►

Marina sai do páreo, Serra entra

Parece definida a situação de Marina Silva em relação à eleição presidencial de 2014. Como não há mais tempo hábil para cumprir as exigências legais para a Rede Sustentabilidade formalizar o registro junto ao TSE, ela não tem opção. Fica fora da competição ou, até o dia 4 de outubro, põe o pé no estribo do primeiro bonde que passar. No entanto, Marina tornou proibido falar em “plano B”.
Não há espaço para ela no PSOL. Não há como retornar ao PV, com o qual rompeu após disputar a eleição de 2010 e “arrancar” quase 20 milhões de votos. Talvez ela seja bem recebida no PPS, que tem como preferência, no entnato, a adesão de José Serra, caso ele decida dar adeus ao PSDB.
Sem Marina Silva no páreo, a situação, em tese, favorece Dilma, com a popularidade em recuperação. As precoces pesquisas indicam que, neste caso, se a eleição fosse hoje, ela venceria no primeiro turno se os adversários fossem Aécio Neves e Eduardo Campos.
O quadro de candidatos ainda está tão indefinido quanto o da economia. Um fator predominante na eleição de 2014.
Para onde escoaria a votação de Marina, considerando que é um voto de forte conteúdo antipartidário? Ela reproduziria a decisão de não apoiar ninguém, como fez no segundo turno de 2010? Até quando ela vai evitar o jogo político? Talvez quando a bem-aventurada Marina entender, como já foi dito, que a política é uma atividade para pecadores.
Além de perder a corrida contra o tempo, Marina engasgou com as mais de 800 mil assinaturas coletadas em um ano. Era preciso, no entanto, certificar em cartório. Somente 250 mil foram reconhecidas oficialmente. A metade do que a legislação exige para a formação de partido. Esse número expressa o mínimo exigido pela legislação: 0,5% dos votos dados na última eleição para a Câmara dos Deputados, não computados os brancos e nulos. Isso corresponde a exatamente 491.656 assinaturas certificadas em cartório de, pelo menos, nove estados.
Marina acusou a lentidão dos cartórios. Foi vítima da burocracia que, quando não falha, tarda. Em gesto de desespero, propôs ao TSE entregar mais de 600 mil sem conferência para obter, em confiança, o registro do partido. Ela pede o impossível: que o tribunal abra uma exceção.
Mas eis que, de São Paulo, chegaram notícias ruins. A Justiça Eleitoral identificou indícios de fraude na coleta de assinaturas para a criação do partido. O Ministério Público Eleitoral e a polícia foram mobilizados em alguns municípios paulistas.
Somente o registro perante o TSE garante a participação no processo eleitoral. Marina não cumpriu as exigências preliminares para chegar a essa etapa que, em geral, consome cerca de 30 dias. Basta conferir o calendário. O tempo passou.
Andante Mosso
No PSOL, quem forçava a coligação com Marina Silva já está de malas prontas. É o caso, entre outros, dos vereadores Heloisa Helena (AL) e Jefferson Moura (RJ). “Dialogar, sim, coligar não”, reafirma o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
Maurício Dias
No CartaCapital
Leia Mais ►

"Em vez Havana, que tal Einstein e Sírio Libanes?

O debate sobre a chegada de médicos cubanos é vergonhoso.
Do ponto de vista da saúde pública, temos um quadro conhecido. Faltam médicos em milhares de cidades brasileiras, nenhum doutor formado no país tem interesse em trabalhar nesses lugares pobres, distantes, sem charme algum – nem aqueles que se formam em universidades públicas sentem algum impulso ético de retribuir alguma coisa ao país que lhes deu ensino, formação e futuro de graça.
Respeitando o direito individual de cada pessoa resolver seu destino, o governo Dilma decidiu procurar médicos estrangeiros. Não poderia haver atitude mais democrática, com respeito às decisões de cada cidadão.
O ministério da Saúde conseguiu atrair médicos de Portugal, Espanha, Argentina, Uruguai. Mas continua pouco. Então, o governo resolveu fazer o que já havia anunciado: trazer médicos de Cuba.
Como era de prever, a reação já começou.
E como eu sempre disse neste espaço, o conservadorismo brasileiro não consegue esconder sua submissão aos compromissos nostálgicos da Guerra Fria, base de um anti-comunismo primitivo no plano ideológico e selvagem no plano dos métodos. É uma turma que formou-se nesta escola, transmitiu a herança de pai para filho e para netos. Formou jovens despreparados para a realidade do país, embora tenham grande intimidade com Londres e Nova York.
Hoje, eles repetem o passado como se estivessem falando de algo que tem futuro.
Foi em nome desse anticomunismo que o país enfrentou 21 anos de treva da ditadura. E é em nome dele, mais uma vez, que se procura boicotar a chegada dos médicos cubanos com o argumento de que o Brasil estará ajudando a sobrevivência do regime de Fidel Castro. Os jornais, no pré-64, eram boicotados pelas grandes agencias de publicidade norte-americanas caso recusassem a pressão americana favorável a expulsão de Cuba da OEA. Juarez Bahia, que dirigiu o Correio da Manhã, já contou isso.
Vamos combinar uma coisa.
Se for para reduzir economia à política, cabe perguntar a quem adora mercadorias baratas da China Comunista: qual o efeito de ampliar o comércio entre os dois países? Por algum critério – político, geopolítico, estético, patético – qual país e qual regime pode criar problemas para o Brasil, no médio, curto ou longo prazo?
Sejamos sérios. Não sou nem nunca fui um fã incondicional do regime de Fidel. Já escrevi sobre suas falhas e imperfeições. Mas sei reconhecer que sua vitória marcou uma derrota do império norte-americano e compreendo sua importância como afirmação da soberania na América Latina.
Creio que os problemas dos cidadãos cubanos, que são reais, devem ser resolvidos por eles mesmos.
Como alguém já lembrou: se for para falar em causas humanitárias para proibir a entrada de médicos cubanos, por que aceitar milhares de bolivianos que hoje tocam pedaços inteiros da mais chique industria de confecção do país?
Denunciar o governo cubano de terceirizar seus médicos é apenas ridículo, num momento em que uma parcela do empresariado brasileiro quer uma carona na CLT e liberar a terceirização em todos os ramos da economia. Neste aspecto, temos a farsa dentro da farsa. Quem é radicalmente a favor da terceirização dos assalariados brasileiros quer impedir a chegada, em massa, de terceirizados cubanos. Dizem que são escravos e, é claro, vamos ver como são os trabalhadores nas fazendas de seus amigos.
Falar em democracia é um truque velho demais. Não custa lembrar que se fez isso em 64, com apoio dos mesmos jornais que 49 anos depois condenam a chegada dos cubanos, erguendo o argumento absurdo de que eles virão fazer doutrinação revolucionária por aqui. Será que esse povo não lê jornais?
Fidel Castro ainda tinha barbas escuras quando parou de falar em revolução. E seu irmão está fazendo reformas que seriam pura heresia há cinco anos.
O problema, nós sabemos, não é este. É material e mental.
Nossos conservadores não acharam um novo marqueteiro para arrumar seu discurso para os dias de hoje. São contra os médicos cubanos mas oferecem o que: médicos do Sírio Libanês, do Einstein, do Santa Catarina?
Não. Oferecem a morte sem necessidade, as pragas bíblicas. Por isso não tem propostas alternativas, nem sugestões que possam ser discutidas. Nem se preocupam. Ficam irresponsavelmente mudos. É criminoso. Querem deixar tudo como está. Seus médicos seguem ganhando o que podem e cada vez mais. Está bem. Mas por que impedir quem não querem receber nem atender?
Sem alternativa, os pobres e muito pobres serão empurrados para grandes arapucas de saúde. Jamais serão atendidos, nem examinados. Mas deixarão seu pouco e suado dinheiro nos cofres de tratantes sem escrúpulos.
Em seu mundo ideal, tudo permanece igual ao que era antes. Mas não. Vivemos tempos em que os mais pobres e menos protegidos não aceitam sua condição como uma condenação eterna, com a qual devem se conformar em silêncio. Lutam, brigam, participam. E conseguem vitórias, como todas as estatísticas de todos os pesquisadores reconhecem. Os médicos, apenas, não são a maravilha curativa. Mas representam um passo, uma chance para quem não têm nenhuma. Por isso são tão importantes para quem não tem o número daquele doutor com formação internacional no celular.
O problema real é que a turma de cima não suporta qualquer melhoria que os debaixo possam conquistar. Receberam o Bolsa-Família como se fosse um programa de corrupção dos mais humildes. Anunciaram que as leis trabalhistas eram um entrave ao crescimento econômico e tiveram de engolir a maior recuperação da carteira de trabalho de nossa história. Não precisamos de outros exemplos.
Em 2013, estão recebendo um primeiro projeto de melhoria na saúde pública em anos com a mesma raiva, o mesmo egoísmo.
Temem que o Brasil esteja mudando, para se tornar um país capaz de deixar o atraso maior, insuportavel, para trás. O risco é mesmo este: a poeira da história, aquele avanço que, lento, incompleto, com progressos e recuos, deixa o pior cada vez mais distante.
E é por essa razão, só por essa, que se tenta impedir a chegada dos médicos cubanos e se tentará impedir qualquer melhoria numa área em que a vida e a morte se encontram o tempo inteiro.
Essa presença será boa para o povo. Como já foi útil em outros momentos do Brasil, quando médicos cubanos foram trazidos com autorização de José Serra, ministro da Saúde do governo de FHC, e ninguém falou que eles iriam preparar uma guerrilha comunista. Graças aos médicos cubanos, a saúde pública da Venezuela tornou-se uma das melhores do Continente, informa a Organização Mundial de Saúde. Também foram úteis em Cuba.
Os inimigos dessas iniciativas temem qualquer progresso. Sabem que os médicos cubanos irão para o lugar onde a morte não encontra obstáculo, onde a doença leva quem poderia ser salvo com uma aspirina, um cobertor, um copo de água com açúcar. Por isso incomodam tanto. Só oferecem ameaça a quem nada tem a oferecer aos brasileiros além de seu egoísmo".
Leia Mais ►

O maior escândalo da História Natural?

Mais uma denúncia da IstoÉ hoje (sobre a descoberta de conta tucana na Suíça) que não merecerá espaço no Jornal Nacional, nem matéria de César Tralli, com figurinhas em pirâmide encabeçada por uma interrogação no topo. 
William Bonner não levantará as sobrancelhas, nem Patricia Poeta finalizará a matéria com cara de velório, porque simplesmente não haverá matéria. 
Não presenciaremos ainda nenhuma intervenção melodramática de Alexandre Garcia na manhã de segunda-feira. Ora, nem os editorais da Globo, da Folha e do Estadão tocarão no assunto, nem Época nem Veja repercutirão o caso. 
Os indignados vão ficar sossegados, quietinhos. Os moralistas se recolherão a seu refúgio de canalhas. Não haverá nenhuma reportagem com as ongs Transparência e Contas Abertas, e o movimento Anti-Corrupção não invadirá as redes. Não haverá discursos apaixonados de Pedro Simon, reproduzidos nos jornais. 
As manchetes de segunda-feira nem tocarão no assunto, que merecerá, no máximo, uma nota, tipo rolha, como se fosse um jogo entre Olaria e Campo Grande. 
Clóvis Rossi e Eliane Cantanhêde, Dora Kramer e Miriam Leitão não vão prever o fim do PSDB em suas colunas. Arnaldo Jabor não vai se espantar. 
Os coadjuvantes Pannunzio e Boris Casoy da coadjuvante Band não vão se espantar. 
Não. Não haverá nada de muito relevante no Cartel G.A.F.E (Globlo, Abril, Folha, Estadão) da Mídia e suas guardas auxiliares na mídia ou nas redes. 
Se o "mensalão" tivesse mesmo sido o "maior escândalo da história", como denominar um esquema de desvio de recursos públicos nove vezes maior?
Quem sabe, o maior "Escândalo da História Natural". Sim. Talvez seja este o motivo. Nem arqueologia nem geologia são pautas interessantes para nossa "grande" imprensa.
Weden Alves
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1906

Leia Mais ►

Em 1 minuto na Internet

Leia Mais ►