20 de ago de 2013

Woody Allen gravará 'Governo neurótico, juventude furiosa' no Rio

Woody Allen gravará Governo neurótico, juventude furiosa no Rio
Roberto Medina abraçou a campanha "Woody Allen in Rio"
PORTO MARAVILHA - O diretor Woody Allen resolveu aproveitar a queima de estoque promovida pelo Eduardo Paes e escolheu o Rio de Janeiro como locação para seu próximo filme. "Será uma releitura de um clássico meu da década de 70. Vai chamar Governo neurótico, juventude furiosa. Interpretarei um governante bonachão que, diante das manifestações, começa a questionar sua imortalidade política e sua herança jucaico-batista", salientou o renomado diretor.
Com cenas gravadas no Leblon, em Laranjeiras e em Paris, a comédia romântica será estrelada por Allen e Diane Keaton, que interpretará uma integrante dos Black Blocs. Com a cara tapada durante todo o filme, Keaton quebra tudo o que vê pela frente, usa drogas e trafica informação para o PT. Seu temperamento é alterado depois que um mágico guardanapo, lançado por Allen, cai sobre sua cabeça.
Alegre e faceiro, Woody Allen cogitou gravar o curta Meia noite na Praça Paris, cujo roteiro girava em torno de um ex-jogador de futebol acima do peso. Perdido pelas cercanias da praça, o personagem é abordado por travestis, que lhe dão um Boa Noite Cinderela e o transportam para uma festa libertina na Lapa dos anos 20.
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O Sistema Venezuelano ou ‘Uma tormenta tropical sobre Salzburgo’

José Antonio Abreu, o criador do El Sistema
Foto: Harvard University
El Sistema (“O Sistema”) é um modelo de ensino musical que foi criado na Venezuela por José Antonio Abreu. Consiste em um projeto de educação musical público gratuito e altamente capilarizado, voltado a crianças e jovens de todas as camadas sociais.
El Sistema é gerido pela Fundación del Estado para el Sistema Nacional de las Orquestas Juveniles e Infantiles de Venezuela (FESNOJIV), órgão estatal venezuelano responsável pela manutenção de mais de 125 orquestras (sendo 30 sinfônicas) e coros juvenis, e pela educação de mais de 400.000 estudantes, em 180 núcleos distribuídos pelo território venezuelano.
Segundo a definição da própria FESNOJIV, “El Sistema visa organizar sistematicamente a educação musical e promover a prática coletiva da música através de orquestras sinfônicas e coros, como meio de organização e desenvolvimento das comunidades”. Evidentemente, a importância do método não se limita a seus excelentes resultados artísticos. A maior parte dos jovens músicos de El Sistema provém das camadas mais carentes da população que, na música, encontra uma via de desenvolvimento intelectual e de ascensão social. El Sistema tem como objetivo principal a proteção social dos jovens mais pobres e também a sua reabilitação, nos casos de envolvimento com práticas criminosas.
Foto: FESNOJIV
A maior parte dos jovens do El Sistema provém das camadas mais carentes da população
Foto: FESNOJIV
José Antonio Abreu, economista e músico, fundou El Sistema em 1975, com o nome de Acción Social para la Música, e tornou-se seu diretor. Desde então, conseguiu desenvolver o projeto com o apoio de instituições governamentais que, ao longo de quase 40 anos, foram ora progressistas, ora conservadoras. O governo de Hugo Chávez foi o mais generoso com El Sistema, chegando a bancar quase inteiramente seu orçamento.
O projeto é ligado ao Ministério da Família, do Esporte e da Saúde, não ao Ministério da Cultura.
Alguns d seus estudantes tornaram-se estrelas internacionais da música erudita, a exemplo dos maestros Gustavo Dudamel, Dietrich Paredes, Christian Vasquez e Diego Matheuz, do contrabaixista da Filarmônica de Berlim Edicson Ruiz, do violista Joen Vazquez, do flautista Pedro Eustache, do violinista e maestro Edward Pulgar e da maestrina Natalia Luis-Bassa.
Em 2004, foi feito um documentário sobre El Sistema, dirigido por Alberto Arvelo, intitulado Tocar y Luchar. O filme obteve vários prêmios, como o de melhor documentário no Cine Las Americas International Film Festival e no Albuquerque Latino Film Festival. Em 2008, foi produzido um outro filme, El Sistema, dirigido por Paul Smaczny e Maria Stodtmeier.
A seguir, traduzimos uma embasbacada matéria de Jesús Ruiz Mantilla para o El País, de Madrid. Trata-se de uma reportagem a respeito de uma excursão que uma das orquestras do El Sistema — a Orquestra Sinfônica Nacional Infantil da Venezuela –  fez ao Festival de Salzburgo, dias trás.
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Tormenta Tropical em Salzburgo
Marina Mahler tem medo de voar. Por isso, até ontem, a neta do grande compositor austríaco Gustav Mahler não pudera confirmar a veracidade das histórias que lhe chegavam da Venezuela. Lá, contaram-lhe, uns meninos de 8 a 14 anos eram capazes de interpretar a Primeira Sinfonia de seu avô. E o faziam com um vigor, um entusiasmo e um senso de estilo que muitos profissionais desejariam para si.
Porém, ontem pela manhã, no Festival de Salzburgo, ela mesma pode assistir o milagre com os olhos marejados. “A música transforma, é verdade. E essas crianças alcançaram e têm em comum com meu avô as emoções necessárias para interpretá-lo”, afirmou Marina.
Ela sabe do que fala. Quando Ruben Rodriguez, de 13 anos, primeiro contrabaixo da Orquestra Sinfônica Nacional Infantil da Venezuela atacou o terceiro movimento da Titan, esta dança doce e assustadora que Mahler compôs com a memória traumática, trazida de sua infância, de um enterro de uma criança, os outros 207 outros músicos da orquestra o acompanharam com inusitada experiência.
Foto: FESNOJIV
Dudamel com a Orquestra Simón Bolívar
Foto: FESNOJIV
Talvez eles saibam como ninguém o significado de uma facada que mata um membro de sua família ou um colega nos bairros em que vivem, na periferia de Caracas, Maracaibo, Barquisimeto, Victoria, Coro, Cumaná, Valência… Locais de onde saíram todos estes presentes e futuros músicos. Os que ontem se apresentaram com Simon Rattle, neste templo da música ocidental e na presença de José Antonio Abreu, são, em sua maioria, de extração social muito pobre.
O que ocorreu nesta edição do Festival de Salzburgo pareceu a todos um fenômeno, diz o chefe do evento, Alexander Pereira, com a concordância de Rattle. “Este é o mais importante evento educacional que vi, não apenas nos últimos anos, mas em toda a minha vida”, comentou o diretor da Filarmônica de Berlim.
E o público concordou, comparecendo em massa às 16 aparições que músicos venezuelanos fizeram este ano em Salzburgo: a primeira com a Orquestra Simon Bolívar, depois, com o Coro de Mãos Brancas — composto por surdos-mudos e portadores de necessidades especiais – e hoje com a atuação da Orquestra Infantil.
O que ocorreu foi, nem mais nem menos, uma avalanche de talento tropical sobre a mais pura tradição europeia — e ainda por cima na cidade de Mozart. Algumas décadas atrás, ninguém poderia imaginar que um fato assim fosse possível. Foi a confirmação de um fenômeno que atrai a atenção mundial: o chamado “O Sistema”.
Foto: Reprodução
O maestro titular da Filarmônica de Berlim, Simon Rattle
Foto: Reprodução
A história do Sistema desde os anos setenta até hoje é a história de um desafio constante, de um desafio lançado contra uma série de convenções e convicções. É um conto com final feliz que envolve ascensão social e fé irrevogável nas pessoas. “Eu não sei se o Sistema pode ser implementado em qualquer país”, diz Rattle. “Eu acho que é mais fácil em locais com fortes raízes musicais. Ele pode funcionar em locais como África do Sul, Venezuela ou Finlândia… Mas, pensando bem, talvez seu êxito seja devido aos esforços de um homem. A África do Sul contou com Mandela; a Venezuela, com Abreu “, assegura o maestro de Liverpool.
É este o campeonato onde joga Abreu. O campeonato dos grandes líderes humanitários, acima de governos e dos buracos negros da história. A partir de agora, acredita Abreu, nenhum país deixará de duvidar da eficácia pedagógica do que foi implantado por ele.
Os resultados sociais são espetaculares. A música dá sentido à vida das crianças, cria uma forte identidade e um orgulho especial, essencial para enfrentar as duras realidades que os cercam. Se isso não fosse o suficiente, a estes resultados sociais se unem os artísticos. Quando uma criança prefere passar horas e horas praticando em um núcleo em vez de sair para a rua, onde o aguarda uma realidade de crimes, armas de fogo e exclusão social, o Sistema se justifica. Como se não bastasse, produz artistas (muitos) de forma natural.
Assim foi sido demonstrado na cidade austríaca. Simon Rattle chama “O Sistema” de “O Vírus”, uma doença contagiosa que toma os meninos e os empurra na direção de suas próprias capacidades individuais e coletivas.
A joia de Abreu é Gustavo Dudamel, joia adotada na Europa pelo próprio Rattle e sobre o qual é colocado o favoritismo para substituir o inglês na Filarmônica de Berlim em 2018. Sobre isso, Rattle é cauteloso: “A Orquestra Filarmônica de Berlim é absolutamente democrática, eles escolhem os regentes de forma soberana”. Mas não é isenta de interesses e ataques como os que ele mesmo recebeu no início de sua gestão por partidários de Daniel Barenboim. Às vezes, os membros do conclave berlinense assemelham-se ao Vaticano. “Sim, mas com a vantagem de que eles são capazes de escolher um papa muito mais jovem”, brinca Rattle.
Foto: Reprodução Filarmônica de Los Angeles
A super estrela Gustavo Dudamel comandando a Orquestra Filarmônica de Los Angeles
Não apenas Dudamel ganhou o mundo. Sem terem completado 30 anos, Diego Mattheuz ou Christian Vasquez já estão fora da órbita de Abreu. E, nesta vitrine de Salzburg, Abreu teve outra surpresa: o maestro Jesus Parra, de 18 anos.
Ontem, Parra estreou a convite de Rattle. Três anos atrás, em Caracas, era um garoto tímido e doce seguia os ensaios do grande Rattle com partituras na mão. Estava ansioso por aprender. Parra regeu com a Orquestra Infantil a Suíte do balé Estância, do compositor argentino Alberto Ginastera, uma celebração da cultura gaúcha com pontos de contato com o nacionalismo do húngaro Bartók.
Parra encarou a partitura com vigor e maturidade, dominando cada um de seus aspectos virtuosos, domando os ares pampeanos, fundindo Argentina e Venezuela e contagiando um público atônito. Foi empolgante. Para se ter uma ideia do entusiasmo, foram 10 minutos de aplausos de uma plateia germânica, que não deixou de fazê-lo até que o último dos músicos deixou o palco.
Para avaliar o sucesso dos venezuelanos em Salzburgo, talvez valha a pena repetir que Marina Mahler tem medo de voar, mas assegurou a este repórter que em pensa superá-lo a fim de entrar num avião para a Venezuela, a fim de conhecer pessoalmente os locais de onde emana a música de ontem que, disse ela, “levaria meu avô às lágrimas”.
Foto: FESNOJIV
Jesus Parra em ação
Foto: FESNOJIV
Traduzido livremente por Milton Ribeiro
No Sul21

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Venezuela y Brasil coordinan líneas de trabajo para el desarrollo industrial

El ministro venezolano Ricardo Menéndez se reunió
con su homológo de Brasil, Fernando Pimentel, para
coordinar una agenda de trabajo productiva
El ministro venezolano para Industrias, Ricardo Menéndez, visitó este lunes la ciudad de Manaos, Brasil, para reunirse con su homólogo Fernando Pimentel, e impulsar el desarrollo de esta área en ambas naciones.
Los altos funcionarios acordaron que trabajarán en base a tres líneas concretas que incluye la matriz de complementariedad norte Brasil – Venezuela; la valoración de la zona industrial de Manaos en atención a las premisas del Plan de la Patria y el desarrollo de parques industriales y zonas económicas.
El ministro Menéndez entabló este encuentro de interés para los dos países hermanos como prueba de continuidad a la agenda de trabajo del presidente Nicolás Maduro, a propósito del ingreso de Venezuela al Mercado Común del Sur, Mercosur y a la presidencia Pro Témpore de este Bloque de Integración Regional,
“Hemos trabajado las líneas que como legado del Comandante Chávez nos ha instruido el Presidente Maduro para el avance industrial de la Patria aprovechando las potencialidades del Mercosur”, expresó Menéndez.
El titular de la cartera venezolana, comunicó que además trabajan en las demandas de consumo del norte de Brasil para incorporarlas al plan de producción industrial venezolano, en el Plan de la Patria y diversificar la base exportadora regional de Venezuela.
Menéndez resaltó la invitación del Presidente Maduro a las instalaciones de empresas en Venezuela, bien sean privadas o de capital mixto, para atender las crecientes demandas venezolanas y potencial exportador del país
La delegación venezolana estuvo constituida por el ministro Menéndez, el Comisionado para asuntos internacionales de la Presidencia, Maximilian Arvelaiz y los viceministros de Industrias: Patricia Febles de la Nueva Dinámica Productiva, Carlos Farías de Industrias Ligeras e Intermedias y Ramón Ernesto Perdomo de Industrias Básicas.
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A contraditória etapa de um continente

Para o economista argentino Claudio Katz, o neodesenvolvimentismo adotado por alguns países latino-americanos não significa uma ruptura como o modelo neoliberal
Com o olhar sobre uma América Latina em permanente disputa econômica, política e cultural entre grandes grupos internacionais capitalistas, burguesias regionais e governos de esquerda, o economista argentino Claudio Katz afirma que o neodesenvolvimentismo adotado por alguns países não rompeu com o neoliberalismo.
O professor da Universidade de Buenos Aires acredita que o Brasil deixou de lado somente algumas medidas neoliberais mais rígidas. “Lula e Dilma fomentaram apenas políticas que se afastaram do neoliberalismo ortodoxo”, comenta.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Katz analisou as políticas econômicas e a participação de Brasil e Argentina em busca de uma verdadeira integração do continente.
“Tanto Brasil quanto Argentina têm uma ambiguidade entre seus interesses econômicos; dúvidas se aprofundam em suas relações econômicas com os países do Mercosul ou outros mercados pelo mundo”, diz.
Ademais, Katz chama atenção para os investimentos na América Latina advindos do capital financeiro internacional para exploração dos recursos naturais, sobretudo, no setor agromineral.
“Esse é o principal perigo estratégico que tem o continente hoje. A crise atual do capitalismo é uma crise de reestruturação neoliberal. Onde a América Latina tem totalmente pré-determinadas suas funções no mercado mundial, como abastecedora de matéria-prima”, alerta.
Abaixo, confira a entrevista na qual o economista também fala sobre a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), bases estadunidenses no continente e as características atuais das elites regionais.
Em disputa
Existem projetos em disputa no continente. Um exemplo foi o projeto da ALCA [Acordo de Livre Comércio das Américas], que hoje em dia continua com os Tratados de Livre Comércio (TLC). A ideia de que a ALCA foi derrotada é certa enquanto projeto, mas houve uma contraofensiva estadunidense que conseguiu tecer acordos econômicos de livre comércio consolidada com a NAFTA, no México, além de TLCs firmados com Colômbia, Peru, Chile e vários países da América Central. Obama, ademais, concebeu uma estratégia da Aliança do Pacífico, que articula todos os países que formaram Tratados de Livre Comércio com os Estados Unidos, Canadá e países asiáticos.
Em segundo lugar, temos ainda um projeto de integração muito frágil no Mercosul, que tem se consolidado como tentativa de integração nos últimos dez anos, principalmente em torno da Argentina e do Brasil. Porém, tanto Brasil quanto Argentina têm uma ambiguidade entre seus interesses econômicos, principalmente. Dúvidas se aprofundam em meio a suas relações econômicas com os demais países do Mercosul ou outros mercados pelo mundo.
Uma potência regional tem que pensar aonde vai concentrar seus recursos, e vemos, nos últimos dez anos, que não houve avanço na região puxado pelo Brasil, que não ajudou na criação do Banco do Sul. O país não participa de nenhum debate sério sobre a criação de moeda comum no continente e está ausente na discussão de um projeto financeiro regional de manejo comum para uma reserva econômica.
Por outro lado, o que mais teve progresso foi a ideia da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA). Essa sim é um concepção de integração econômica muito densa fomentado pela Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Equador, entre outros.
É no bloco desses países, aliás, que estão as ideias mais fortes de integração, como a moeda de Sucre, a ideia de um fundo de troca entre os países, e a formação do Banco do Sul. E, naturalmente, esses processos de integração têm muita fragilidade porque depende muito do petróleo venezuelano para avançar.
Cenário Político
Se tem registrado uma mudança muito grande no cenário político em relação à década passada na América Latina, pois se constituiu uma força política que fez declinar a Organização dos Estados Americanos (OEA) e levantou a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) e o MERCOSUL. Isso sim são fatores muito contundentes na geopolítica sul-americana. Realizar reuniões entre países latinos sem a presença dos Estados Unidos é inédito. Ter a Venezuela com presença no Mercosul é fato simbólico inimaginável há uma década.
Ou seja, em um plano geopolítico existe uma mudança. Entretanto, ainda não sabemos se esse ritmo de conquistas geopolíticas se converterá em ganhos econômicos para o continente.
Uma das funções da ALBA é fazer com que ambos se cruzem positivamente: avanço geopolítico e a economia. Porém, sem uma força social desde baixo, eu não acredito que vai avançar para além do que já existe.
Unasul
Também dentro da Unasul existe um conflito, uma disputa porque a instituição não só tem países com TLC, como tem também um problema geopolítico mais complicado. Por exemplo, a Colômbia com as bases militares estadunidenses. Portanto, dentro da Unasul temos a intervenção militar estadunidense por meio do Exército da Colômbia.
Recolonização
Esse é o principal perigo estratégico que tem o continente hoje. A crise atual do capitalismo é uma crise de reestruturação neoliberal, na qual a América Latina tem totalmente pré-determinadas suas funções no mercado mundial, como abastecedora de matéria-prima.
Os capitais estrangeiros que entram no continente, atualmente, vão direto ao setor extrativista, aos recursos naturais. Uma situação que traz um grande perigo para a região, que tem sua história marcada por uma inserção periférica, que sempre dependeu da oscilação da necessidade da matéria-prima pelos países centrais.
Assim, quando mudam os ciclos econômicos, os efeitos são nefastos para a população. Lamentavelmente, não existe uma consciência sobre isso, pois de novo há um espírito de satisfação por essa posição e um suposto pensamento de que esse ciclo de exploração dos recursos naturais pode durar para sempre.
Isso é uma velha mitologia exportadora liberal da América Latina, que volta a circular, como se não tivéssemos tido esses ciclos de exploração no século passado.
Desindustrialização
Diante desse contexto de tentativa de recolonização do continente, se está criando uma brecha em términos industrial muito grande entre América Latina e Ásia, justamente entre duas regiões que participavam com condições periféricas. A Coreia do Sul é mais industrializada, se comparar, com qualquer país latino-americano.
O que se torna mais grave é a enorme associação de grupos capitalistas latino-americanos nesses processos.
As oligarquias exportadoras dos recursos naturais do final do século 19 não existem mais. O modelo atual é composto por empresas capitalistas brasileiras, argentinas e mexicanas que atuam com muito mais perversidade, pois trabalham visando a exploração de um recurso até a destruição plena.
Provavelmente, é o setor que mais enriqueceu nos últimos anos estando vinculado ao agronegócio. O pior é que muito deles atuam dentro dos projetos da Unasul e Mercosul.
Burguesia regional
Existem mudanças estruturais na burguesia regional. Já desapareceu o papel da velha oligarquia como existia antes. Antigamente, uma pessoa era dona de uma grande extensão de terra improdutiva e ficava praticamente ausente nessa propriedade sem investir na mesma.
A principal mudança estrutural é que a velha burguesia industrial brasileira, argentina e mexicana, muito centrada na produção de bens para o mercado interno, também tem declinado.
Uma nova burguesia está totalmente focada na exportação associada ao capital estrangeiro, e trabalha com horizontes regionais e internacionais. As grandes companhias brasileiras e argentinas são transnacionais multilatinas.
Essa é uma característica muito nociva à classe trabalhadora porque o lucro dessas empresas é pensado por meio do lucro do salário comparado. Ou seja, quando o salário no Brasil sobe muito, elas colocam seus negócios no Paraguai, como acontece agora.
Eu não gosto de chamá-los de burguesia lúmpen. Não me parece adequado porque gera uma imagem desconexa. Lúmpen é a burguesia do narcotráfico que existe à margem do Estado. Essa burguesia regional, pelo contrário, são estruturas que atuam com a base do Estado.
Portanto, são classes capitalistas menos nacionais e divorciadas de seus povos, e mais associadas ao capital estrangeiro.
Neoliberalismo ou Neodesenvolvimentismo?
O que temos visto na América Latina é o ingresso de países em processos diferenciados do neoliberalismo por conta de rebeliões populares. Parte da população do continente se revoltou justamente contra o tripé da base neoliberal: flexibilização nos direitos trabalhistas, abertura comercial e privatizações.
Portanto, houve mudanças contra essas características mais centrais do neoliberalismo e os Estados recuperaram fundos e recursos financeiros que utilizam politicamente para o assistencialismo.
Agora, essa mudança é muito complicada, e não se trata de um abandono do neoliberalismo por alternativa de mesmo nível com uma política econômica coerente e definida.
O neodesenvolvimentismo no momento não está competindo com o neoliberalismo em sentido de um programa econômico sólido.
Ademais, não é uma ruptura radical com o neoliberalismo, pois não altera a característica de redistribuição de renda.
FHC e Lula: neodesenvolvimentismo não rompeu com o neoliberalismo
Foto: J. Freitas/ABr
Essa é a grande diferença de políticas econômicas redistributivas reais, como as ocorridas na Venezuela, onde sim houve uma ruptura com o sistema neoliberal, porque passou a ter verdadeiramente uma redistribuição dos ingressos econômicos do país.
Dessa forma, muitas das tradicionais políticas neoliberais seguem no Brasil e seguem na Argentina. A política financeira no Brasil, ou a política de mineração na Argentina são neoliberais clássicas.
O neodesenvolvimentismo, portanto, é uma tentativa de maior regulação de Estados na economia, o que se diferencia do neoliberalismo. Porém, a discussão é: para quem vai servir? Para que grupos?
Por fim, penso que a Argentina tem uma tentativa de política neodesenvolvimentista, o Brasil não, porque Lula e Dilma fomentaram apenas políticas que se afastaram do neoliberalismo ortodoxo.
Já a Argentina tomou duas medidas: nacionalizou os fundos de pensão e nacionalizou a principal empresa petroleira. São duas ações que indicam mudanças significativas e marcou um tipo de ruptura, algo que não ocorreu no Brasil.
Márcio Zonta
No Brasil de Fato
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Marina, quatro anos depois

Há quatro anos, no dia 19 de agosto de 2009, Marina Silva deixou o PT.
É cedo ainda, do ponto de vista de tempo histórico, para sentenças definitivas.
Por ora, cabe dizer, como já disse uma vez Carta Maior, que a agenda ambiental do PT não ganhou com a saída de Marina Silva.
E Marina ainda precisa provar que a ruptura fortaleceu a agenda ambiental no país.
Neste domingo, Marina concedeu entrevista à Folha.
Entrevista magra, possivelmente descarnada pela edição do jornal.
Mas generosa o suficiente para ressaltar seu time de economistas.
Entre os quais avultam medalhões neoliberais, como Eduardo Giannetti da Fonseca, do conservador Insper, e André Lara Resende, formulador tucano do Plano Real, que hoje se dedica a buscar uma ponte entre o arrocho ortodoxo e a agenda verde do não crescimento.
Na edição da 2ª feira, nada menos que dois colunistas do diário da família Frias cobriram de elogios a presidenciável que mais cresceu com os protestos de junho.
Aspas para trechos das colunas de Vinicius Mota e Valdo Cruz, desta 2ª feira:
Marina Silva deu mostras de ter amadurecido na entrevista publicada ontem nesta Folha. O discurso da ordem não se restringiu à crítica dos protestos violentos (...) Na eleição de 2010, Marina já acenava à chamada ortodoxia econômica, no meio de um palavreado confuso e contraditório. Parece que a fase de dúvidas passou. Sem entrar no mérito da convicção da ex-ministra, há boas razões práticas para abraçar a causa (liberal)”. (VM)
Por mais que o petismo diga que Marina Silva não mete medo, a candidata verde passou a preocupar, sim, os responsáveis pela missão de reconduzir Dilma Rousseff a um segundo mandato. Seus recentes movimentos na direção de economistas como André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, deixaram desconfiados estrategistas da dona do Planalto”. (VC)
A inflexão saudada pelo entusiasmo conservador reflete a dificuldade histórica de uma agenda ‘neutra’ sobreviver na luta política, mesmo sendo ela a versátil bandeira verde.
Que agrega desde rótulos espertos de detergentes de limpeza, a militantes sinceros da resistência à destruição da natureza.
Carta Maior não menospreza a gravidade da questão ambiental submetida à hegemonia predatória e imediatista dos mercados desregulados.
Mas tem insistido em que o ambientalismo precisa decidir se quer ser um rótulo, uma tecnologia ou cerrar fileiras na luta por uma nova sociedade.
Quer ser um guia de boas maneiras para o engodo do 'capitalismo sustentável'? Ou um projeto alternativo à lógica desenfreada da exploração da natureza e do trabalho?
A 'Rede' de Marina nasceu como um flerte com a trama evanescente da 'terceira via’.
Nem de esquerda, nem de direita. Nem situação, nem oposição.
Há um tipo de neutralidade que só enxerga os erros da esquerda.
E costuma rejuvenescer o cardápio da direita, sempre que esta se ressente de atrativos para retomar a disputa pelo poder.
Não será propriamente inédito se vier a ocorrer de novo.
A bandeira do 'não crescimento' evolui nessa direção.
Não por acaso, é empunhada agora por Lara Resende – cuja fortuna pós-Real, a exemplo da de outros sábios banqueiros do PSDB, permite-lhe dedicar-se a cavalos de corrida e a divagações antidesenvolvimentistas.
Elide-se nessa poeira de sofisticação a essência predatória do sistema de produção de mercadorias.
Não crescimento em si é o que estamos assistindo há cinco anos, na maior crise do capitalismo desde 1929.
Nada na experiência histórica sugere que a qualidade da vida no planeta melhora quando o sistema congela, a ponto de dispensar o ecoliberalismo de responder a perguntas como: não crescimento para quem, como e a que custo?
Em vez de respostas, o que subsiste à passagem do tropel modernoso é a pertinência das perguntas históricas dirigidas às velhas utopias centristas.
Quem decidirá o quê e quanto a sociedade vai produzir, ou deixar de produzir?
Que tipo de Estado é necessário para viabilizar o planejamento de uma suficiência bem distribuída?
Quais critérios definirão o rateio sustentável dos recursos entre nações e dentro de cada nação?
Como serão superadas as desigualdades históricas acumuladas até o presente?
São perguntas quase rudimentares.
Mas suficientes para evidenciar que a tese do não crescimento responde aos desequilíbrios sociais e ambientais, tanto quanto a panaceia do crescimento é sinônimo de justiça social.
E que as duas protagonizam fugas da questão essencial do nosso tempo.
A democracia.
Quem e como se fará o controle de um Estado capaz, aí sim, de ordenar a sociedade e a produção num rumo sustentável?
Distinguir entre 'consumismo' e sociedade justa e extrair consequências práticas disso é mais que obrigação do ambientalismo consequente.
E da esquerda autêntica também.
Nunca é demais reiterar aquilo que desespera o conservadorismo: a década de governos do PT tirou 50 milhões de brasileiros da miséria.
Isso mudou a ossatura política do país.
Talvez de forma irreversível, no que diz respeito à plasticidade da produção e da demanda.
Mas esse novo protagonista, como fica cada vez mais evidente, ainda é um personagem inconcluso da nossa história.
Sua identidade política está em disputa na luta impiedosa dos dias que correm.
É disso que se trata quando se busca sofregamente eviscerar em praça pública o PT e suas principais lideranças.
Não o PT, o aparelho: mas o risco de a sua criação histórica evoluir a ponto de arrastar o próprio criador.
O caricato Joaquim Barbosa é a bigorna estridente encarregada de dar suporte às marretadas dos que sabem exatamente o risco que representa essa mutação.
O conjunto explica a ‘dosimetria’ hipócrita da mídia.
Ou será que a destinação de espaço - e a contundência — na cobertura do suposto mensalão, pode ser comparada ao empenho editorial e investigativo destinado agora ao escândalo do metrô tucano?
Colunistas da indignação seletiva, súbito, recolhem-se como roedores às tocas da conveniência.
Mas, e Marina e sua Rede, que papel cumprem ao fazer vista grossa desse divisor escancarado da disputa política atual?
Não há na pergunta a intenção de ofender, mas a exortação a refletir.
A arguição de fundo indaga o que o projeto da Rede entende por sociedade sustentável e justa.
Não se avoque condescendência com quem está começando.
Marina, mais que ninguém conhece os antecedentes dessa história.
Nos anos 70, Chico Mendes (1944-1988), associado às pastorais da terra, vinculou então, pioneiramente, a defesa da floresta à luta contra a miséria e a opressão.
Rompeu-se ali uma tradição preservacionista europeia, branca, elitista e excludente.
No limite, ela preconizava o ostracismo de populações pobres para salvar paisagens.
A ecologia do não-crescimento tem suas raízes aí.
Desde o estirão percorrido por Chico Mendes, o aprofundamento estratégico da interação entre desenvolvimento, justiça social e sociedade sustentável ficou a dever dentro do PT.
Mas em que mesmo avança Marina Silva, quatro anos depois da ruptura com o partido?
Pode-se chamar de ‘amadurecimento’, como o faz a Folha, o ensaio de adesão a um neoliberalismo, cujo empenho específico em evitar que a humanidade seja jogada a um ponto de não retorno no século 21, foi empurrá-la à maior crise do capitalismo desde 1929?
Nada justifica que o tema ambiental continue engavetado na prateleira dos desafios remotos da esquerda.
O colapso financeiro e a multiplicação de eventos climáticos extremos evidenciam a exaustão econômica, social e civilizacional de uma época.
Mas há uma determinação clara do conjunto.
A supremacia do capital financeiro, elidida, astutamente, nas reflexões dos banqueiros do não-crescimento.
É ela que condiciona o cálculo econômico do nosso tempo, com a ganância intrínseca a uma lógica dissociada de compromisso com o mundo real.
Taxas de retorno incompatíveis com a exploração sustentável dos recursos naturais – de ciclo mais lento e mais longo – tornaram-se o paradigma de um regime global de extorsão de lucros.
A voragem do capital fictício encontra na ganância dos acionistas um roteador à altura.
Seu padrão de retorno torna incompatível o convívio entre produção e direitos sociais.
Entre a exploração de matérias-primas e a regeneração dos sistemas naturais.
O conjunto sugere que a dissociação entre socialismo democrático e ambientalismo consequente configura-se uma contradição nos seus próprios termos.
A atrofia de um desarma e derrota o outro.
Significa também que a assimilação da agenda ambiental pelo neoliberalismo, antes de configurar uma alternativa ao teor destrutivo do capital nos dias que correm, reforça o sopro da barbárie que já respira entre nós.
Quatro anos depois, Marina oscila à beira desse precipício, enquanto o jornalismo isento grita: 'Pula! Pula! Pula!
A ver.
Saul Leblon
No Carta Maior
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O desfile golpista

Quem são os organizadores de um protesto contra Dilma Rousseff no Dia da Independência
Bolsonaro. O problema é que parte dos organizadores da
manifestação anda com problemas na Justiça e no MP
As manifestações de junho começaram com a defesa do transporte público gratuito e de qualidade por militantes do Movimento Passe Livre (MPL), mas depois tomaram rumos novos e uma proporção inesperada. Aglutinados pelas redes sociais da internet, milhares de jovens foram às ruas contra “tudo isso que está aí”, sobretudo os partidos políticos. Nas mesmas redes sociais há quem tente articular outra explosão de protestos, agora no Dia da Independência. Não se sabe se o plano vai funcionar, mas uma coisa é certa: ao contrário dos acontecimentos de junho, o movimento nada tem de apartidário.
O alvo da “Operação Sete de Setembro” é a presidenta Dilma Rousseff. O caráter político-ideológico da “operação” fica claro quando se identificam alguns de seus fomentadores pela internet. Entre os mais ativos consta uma ONG simpatizante de uma conhecida família de extrema-direita do Rio de Janeiro, os Bolsonaro. E um personagem ligado ao presidente da Assembleia Legislativa e do PSDB paranaenses, Valdir Rossoni. É uma patota e tanto. Envolvidos em algumas denúncias de corrupção, não surpreenderia se eles mesmos virassem alvo de protestos.
A ONG em questão é a Brazil No Corrupt – Mãos Limpas, sediada no Rio. Seus principais integrantes são dois bacharéis em Direito, Ricardo Pinto da Fonseca e seu filho, Fábio Pinto da Fonseca. Há cinco anos eles brigam nos tribunais contra a Ordem dos Advogados do Brasil na tentativa de acabar com a exigência de uma prova para obter o registro de advogado. Os dois foram reprovados no exame da OAB. Em sua página na internet e no Twitter, a ONG promove a “Operação Sete de Setembro” e a campanha Eu não voto em Dilma: Eleição 2014, Brasil sem PT.
Um dos principais parceiros da entidade nas redes sociais é o deputado estadual fluminense Flávio Bolsonaro, do PP. Pelo Twitter, ele compartilha informações, opiniões e iniciativas da ONG. A dobradinha extrapola o mundo ­virtual. Bolsonaro comanda na Assembleia do Rio uma frente para acabar com a prova da OAB. Em Brasília, a ONG conseguiu um neoaliado, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que encampou a ideia de extinguir o exame.
Filho do deputado federal Jair Bolsonaro, Flávio tem as mesmas posições do pai, célebre representante da extrema-direita nacional. Os Bolsonaro são contra o casamento gay, as cotas raciais nas universidades e os índios. Defendem a pena de morte e a tortura. Chamam Dilma de “terrorista” por ter ela enfrentado a ditadura da qual eles sentem saudade. “Naquele tempo havia segurança, havia saúde, educação de qualidade, havia respeito. Hoje em dia, a pessoa só tem o direito de quê? De votar. E ainda vota mal”, declarou o Bolsonaro mais jovem não faz muito tempo.
A ONG adota posturas parecidas com aquela dos parlamentares. Em sua página na internet, um vídeo batiza de “comissão da veadagem” alguns dos críticos da indicação do pastor Marco Feliciano para o comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Divulga ainda um vídeo de ­teor racista contra nordestinos, no qual o potencial candidato do PT ao governo do Rio, o senador Lindbergh Farias, nascido na Paraíba, é chamado de... “paraibano”.
A agressividade no trato com os semelhantes custou aos Fonseca uma denúncia à Justiça elaborada pelo Ministério Público Federal no ano passado. Pai e filho foram acusados de caluniar o juiz federal Fabio Tenenblat. Em 2009 e 2010, ambos entraram na Justiça com ­duas ações populares contra o exame da OAB e o então presidente da entidade no Rio, Wadih Damous. A segunda ação parou nas mãos de Tenenblat, que a arquivou em julho de 2011. Na sentença, o juiz acusa os autores de “litigância de má-fé”, pelo fato de manterem outra ação semelhante. “O dolo, a deslealdade processual e a tentativa de ludibriar o Poder Judiciário são evidentes”, anotou.
Na apelação levada ao juiz para tentar reabrir o caso, os Fonseca e seu advogado, José Felicio Gonçalves e Souza, acusaram Tenenblat de favorecer a OAB “por tráfico de influência ou por desconhecimento”, o que “demonstra claramente sua parcialidade e má-fé como magistrado”. Em maio de 2012, os três foram denunciados pela procuradora Ana Paula Ribeiro Rodrigues por crime contra a honra. Em novembro, um acordo suspendeu o processo por dois anos. Os acusados foram obrigados a se retratar publicamente, a se apresentar à Justiça de tempos em tempos e a pedir autorização sempre que pretenderem deixar o Rio por mais de 30 dias. Também levaram uma multa. Se descumprirem o acordo, o processo será retomado.
Rossoni
Ari Cristiano Nogueira, outro ativo incentivador nas redes sociais da “Operação Sete de Setembro”, também está na mira do Ministério Público. Morador de Curitiba, é investigado por promotores estaduais por supostamente ser funcionário fantasma do gabinete do deputado Rossoni.
Nogueira é um ativo militante na internet sob o pseudônimo Ary Kara. Por meio do Twitter, foi o primeiro a circular, em meados de julho, a notícia de que Dilma teria recebido na eleição de 2010 uma doação de 510 reais de uma ex-beneficiária do Bolsa Família, chamado por ele de “bolsa preguiça”. Dias depois, a doação, registrada na prestação de contas de Dilma entregue à Justiça eleitoral, virou notícia nos meios de comunicação. O Ministério do Desenvolvimento Social acionou a doa­dora, Sebastiana da Mata, para saber se a contribuição era dela mesmo. Ela negou.
Por Twitter e Facebook Nogueira é um dos difusores da convocação para o “maior protesto da história do Brasil”, em 7 de setembro. Sua página no Twitter é ilustrada com o dizer “Partido Anti Petralha”, forma depreciativa de se referir aos militantes petistas bastante difundida na rede de computadores. No Orkut, define-se como “conservador de direita” e manifesta preferência pelo PSDB. Até junho de 2012, era assessor do presidente do partido no Paraná, como contratado na Assembleia. Deixou o gabinete para trabalhar na campanha à reeleição do então prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, que concluía o mandato herdado em 2010 do atual governador do Paraná, o tucano Beto Richa.
Em 2010, uma série de denúncias levou o MP estadual a abrir um inquérito para apurar uma lista com mais de mil supostos funcionários fantasmas na Assembleia. Nogueira a integrava. Desde então, alguns suspeitos foram denunciados e julgados. O caso de “Ary Kara” segue em aberto. O promotor Rodrigo Chemim aguarda uma autorização judicial para quebrar o sigilo bancário do investigado. Espera ainda por respostas de empresas de segurança onde Nogueira teria trabalhado, enquanto deveria dar expediente no Parlamento estadual.
Rossoni, antigo patrão de Nogueira, foi investigado pelo Ministério Público por uso de caixa 2 na eleição de 2010, pois parte dos gastos de sua campanha não estava comprovada. Ao julgar o caso em agosto do ano seguinte, o Tribunal Regional Eleitoral reconheceu a existência de despesas de pagamento sem a devida comprovação, mas os valores foram considerados baixos e o deputado acabou absolvido por 4 votos a 2.
Reeleito à presidência da Assembleia, o tucano foi recentemente acusado de receber benefícios de empresas donas de contratos de rodovias privatizadas no Paraná. Durante mais de dois anos, o parlamentar conseguiu barrar a criação de uma CPI do Pedágio no estado. Perdeu, porém, a guerra. A comissão parlamentar de inquérito foi instalada no mês passado.
André Barrocal
No CartaCapital
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Sérgio Cabral e o PSDB - Stand up comedy

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Você sabe quais são os pontos extremos do Brasil? Sabe mesmo?

Ponto mais Setentrional: Nascente do rio Ailã (Uiramatã - RR)
Ponto mais Meridional: Arroio Chuí (Santa Vitória do Palmar - RS)
Ponto mais Oriental: Ponta do Seixas (Cabo Branco - João Pessoa - PB)
Ponto mais Ocidental: Nascente do rio Moa (Mâncio Lima - AC)

Onde está o Oiapoque?
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Brasil em números 2013: dados e análise sobre o país

Trazendo a análise de 24 professores-pesquisadores sobre os temas que apresenta, foi lançada a edição 2013 do livro Brasil em números/Brazil in figures, publicação anual bilíngue do IBGE, ilustrada, neste ano, com imagens de obras de arte do acervo do Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM-BA, parceiro do IBGE no trabalho. O livro, de 392 páginas, reúne informações sobre o território nacional, características demográficas e socioeconômicas da população, Contas Nacionais, atividades agropecuárias, industriais, comerciais e de serviços, finanças, comércio exterior, ciência e tecnologia e estatísticas básicas do governo. Inclui dados comparativos do Brasil com outros países e, pela primeira vez, dedica um capítulo ao tema do meio ambiente.
São, ao todo, 23 temas desenvolvidos a partir das informações mais recentes das estatísticas do IBGE e, em alguns setores, também de fontes externas, a exemplo dos Ministérios de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, Previdência Social, Saúde e Turismo, além da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Banco Central do Brasil, Tribunal Superior Eleitoral e Agência Nacional de Aviação Civil. Os dados do IBGE são oriundos das seguintes pesquisas: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, Pesquisa Industrial Mensal, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (INPC-IPCA), Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, Pesquisa Anual de Comércio, Contas Regionais do Brasil e Sistema de Contas Nacionais. O conjunto de dados está distribuído por 87 tabelas e 61 gráficos, mais alguns mapas e um quadro.
O lançamento de Brasil em números/Brazil em figures (volume 21) aconteceu no Palácio da Aclamação, construção histórica tombada pelo Instituto de Patrimônio Artístico-Cultural da Bahia, no Campo Grande, no centro de Salvador. A apresentação do trabalho pelo IBGE foi precedida pela exposição de alguns autores da análise crítica dos temas abordados: Prof. Dr. Moacir Tinoco, da Universidade Católica da Bahia, Profa. Dra. Cláudia Sá de Andrade e Prof. Dr. Washington José de Souza Filho, ambos da Universidade Federal da Bahia.
A publicação pode ser acessada pelo link http://biblioteca.ibge.gov.br/d_detalhes.php?id=72
O livro também pode ser adquirido na Loja Virtual do IBGE:
http://loja.ibge.gov.br/informacoes-gerais/brasil-em-numeros-brazil-in-figures-2013.html
Acadêmicos fazem reflexão sobre a obra
Os textos críticos de introdução aos capítulos do livro são assinados por especialistas nas áreas elencadas. Todos os autores desses artigos são profissionais atuantes, vinculados a instituições de renome no campo acadêmico, universidades e centros de pesquisa de várias regiões do país. Sua participação aprofunda e dissemina a reflexão sobre a conjuntura brasileira nas mais diversas áreas de conhecimento.
A seguir, a relação de temas e respectivos articulistas do Brasil em números 2013: Uma breve história do Brasil - Oswaldo Munteal Filho (UERJ-Centro de Ciências Sociais, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas/FGV), Território - Claudia Robbi Sluter (UFPR-Departamento de Geomática, População - Ricardo Ojima (UFRN-Departamento de Demografia e Ciências Atuariais), Habitação - Tomas Antonio Moreira (PUC-Campinas,Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologia), Saúde - Anthony Érico da Gama Guimarães (FIOCRUZ-Departamento de Ciências do Movimento Humano), Previdências Social - José Antonio Savaris (TRF-PR-Escola de Magistratura Federal), Educação - Cláudia Maria Mendes Gontijo (UFES-Departamento de Educação), Trabalho - Claudia Sá Malbouisson de Andrade (UFBA-Departamento de Economia), Participação Política - João Feres Júnior (IESP/UERJ-Instituto de Estudos Sociais e Políticos), Preços - José Cézar Castanhar (FGV-RJ-Departamento de Economia), Contas Nacionais - José Luís da Costa Oreiro (UNB -Departamento de Economia), Agropecuária - Mauro Eduardo del Grossi (UNB-Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural), Indústria - Mario Sérgio Salerno (USP-Produção Politécnica), Energia - Carlos Barreira Martinez (UFMG-Departamento de Engenharia Hidráulica e Recursos Hídricos), Comércio - Luis Claudio Kubota (IPEA-DF -Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Transportes - Archimedes Azevedo Raia Junior (UFSCAR-Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia), Turismo - Rita de Cássia Ariza da Cruz (USP-Departamento de Geografia), Comunicações - Washington José de Souza Filho (UFBA-Faculdade de Comunicação), Finanças - Jose Roberto Ferreira Savoia ( USP-Finanças), Comércio Exterior - Álvaro Barrantes Hidalgo (UFPE-Faculdade de Economia), Ciência e Tecnologia - José Henrique de Lima Correa Dieguez Barreiro (MCT-Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação/Secretaria de Política de Informática), Governo - Aleksandra Pereira dos Santos (MJ – Ministério da Justiça/Coordenação Geral de Recursos Humanos), Meio Ambiente - Moacir Santos Tinoco (PUC-BA-Centro de Tecnologia e Conservação Animal).
Arte e Cultura enriquecem a informação estatística
Marcando o viés cultural do trabalho, a obra “Cabeças”, conjunto de esculturas em ferro fundido, do artista plástico Caetano Dias (Feira de Santana -BA, 1959), é a primeira das 24 imagens cedidas pelo MAM-BA para o livro. Assinam essas obras de arte: Lênio Braga, Calazanas Neto, Sante Scaldaferri, José Guimarães, Renina Katz, Rubem Valentim, Vauluízo Bezerra, Paulo Pereira, Almandrade, Mestre Didi, José de Dome, Yuri Sarmento, Juarez Paraíso, Florival Oliveira, Jenner Augusto, Agnaldo dos Santos, além de Caetano Dias. Os autores são originários de lugares diversos da Bahia e ainda de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Sergipe. Acima, reprodução do óleo sobre tela “O tutor”, de Sante Scladaferri (Salvador – BA, 1928).
No IBGE
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Brasil no tolerará situaciones como la invasión a Irak en 2003

Canciller Antonio Patriota sostiene que intervención
en Irak no debe repetirse.
El canciller de la nación suramericana advirtió que la idea debe ser "no desestabilizar ni empeorar una situación", esto en alusión a la crisis que vivió el país árabe tras la intervención militar de Estados Unidos, que generó en cuatro años más de dos millones de desplazados.
El canciller de Brasil, Antonio Patriota, señaló este lunes que su país no tolerará que surjan en el panorama internacional situaciones como la invasión a Irak, haciendo alusión a la intervención militar que Estados Unidos hizo en esta nación en el año 2003.
El titular de Exteriores brasileño hizo estas declaraciones en un homenaje ofrecido a su compatriota, Sergio Vieira de Mello, exrepresentante especial de la Organización de las Naciones Unidas (ONU) en Irak, quien perdió la vida en un atentado en Bagdad hace diez años atrás.
Además de cuestionar la intervención militar estadounidense en Irak, Patriota destacó la visión multilateral que tenía Vieira de Mello que defendía el principio de "no demonizar al otro".
''Antes del surgimiento del mundo multipolar, Vieira de Mello ya era multipolar. Nunca incurrió en la tendencia de ser norte-atlántico-centrista, o de creer más en lo que se lee en la prensa estadounidense, inglesa, europea, siempre cultivó una variedad de fuentes para informarse, para tener la adecuada comprensión de un problema; es un aspecto de su universalismo", dijo el canciller brasileño.
En relación con Irak, Patriota consideró que “la primera obligación debe ser no empeorar, no desestabilizar más la situación”. El titular de Exteriores recordó que luego del derrocamiento de Sadam Husein en 2003, Irak poseía 360 mil desplazados y refugiados y en 2007 esta cifra aumentó a 2,3 millones de personas.
''Son números que aterrorizan, sin hablar de las más de 100 mil víctimas civiles directas e indirectas de la intervención militar, según estimaciones modestas", añadió.
Unas 300 personas asistieron al homenaje que se le realizó a Sergio Vieira de Mello en una sala del Jardín Botánico de la ciudad de Río de Janeiro, y entre los asistentes se encontraba la subsecretaria general de la ONU para Asuntos Humanitarios, Valerie Amos.
El 19 de agosto de 2003, un terrorista suicida detonó un camión cargado de explosivos cerca del Hotel Canal, en Bagdad, que albergaba las oficinas de la ONU, dejando 22 muertos, entre ellos Vieira de Mello, de 55 años, y 200 heridos.
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“Fantástico” e a decadência da Globo

Saiu nesta terça-feira (20) na coluna Outro Canal, da jornalista Keila Jimenez:
"Fantástico" faz 40 e vê a concorrência encostar
No mês em que completa 40 anos no ar, o "Fantástico", da Globo, enfrenta uma de suas piores fases em audiência. O dominical, que vem passando por reformas, registrou em agosto, até o dia 18, média de 19 pontos. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo.
Desde o final de 2012, o programa vinha mantendo audiência na casa dos 20 pontos, com alguns períodos de melhora. O quadro se agrava uma vez que seu principal concorrente, o "Domingo Especular", da Record, vem crescendo em Ibope e aproximando-se. Em janeiro, a média de audiência do "Fantástico" foi de 20 pontos, ante 9,4 do dominical da Record. Em junho, a atração da Globo marcou 19,7 pontos, ante 11,1 pontos da concorrente.
Em agosto, o "Domingo Espetacular", que aposta em casos policiais e confusões envolvendo artistas, ganhou mais fôlego. A atração vem registrando até agora média de 14,6 pontos. No último domingo, ao explorar o suposto caso de traição envolvendo o marido da dançarina Scheila Carvalho, o dominical da Record marcou 15 pontos, ante 18 pontos do "Fantástico" na faixa horária. Trata-se da menor diferença de Ibope já registrada entre as atrações.
A informação da colunista da Folha revela duas coisas. Em primeiro lugar que a baixaria continua tomando conta da televisão brasileira. Em segundo, que o declínio da TV Globo parece irreversível. Na semana passada, o jornalista Ricardo Feltrin, do UOL, já havia divulgado outro dado espantoso. A audiência média do Jornal Nacional caiu de 39,2 pontos, em 2000, para 26,3% em 2013 – uma queda de 33%, que se acentuou ainda mais nos últimos dois anos.
A decadência do império global tem vários motivos – como o avanço da internet e a perda de credibilidade da emissora. Mas, apesar do declínio, os três filhos de Roberto Marinho seguem ganhando fortunas, figurando entre os maiores bilionários do país na lista da Forbes, e metendo medo nos poderes da República. A queda acentuada de audiência dos seus programas ainda não se refletiu na retração da publicidade – inclusive a do governo Dilma.
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McDia Esperança

A classe média brasileira tem dois momentos muito específicos durante o ano para expurgar o pouco que lhe resta de culpa pequeno burguesa.
Ambos ocorrem, curiosamente, no mês de agosto, e são patrocinados por duas corporações bilionárias.
O primeiro, é este Criança Esperança, um mosaico sentimentalóide de mensagens edificantes que se intercala ao que, normalmente, se tem de pior no showbusiness nacional.
A ideia é convencer o telespectador de que, além de dar audiência à TV Globo e aturar Xuxa, aos 50 anos, falando com voz de bebê, ele deve também contribuir para o futuro de crianças sobre as quais ele nada sabe - e sequer tem certeza que existem de verdade.
Estamos falando de uma campanha nacional feita por uma empresa que, sabe-se agora, sonegou 600 milhões de reais em impostos no Brasil. Esses mesmos impostos usados para infraestrutura, construções de escolas e saneamento básico, coisas que, estas sim, trazem esperança às crianças da vida real, do Brasil real, do mundo real.
O outro momento é o Mac Dia Feliz, quando milhares de crianças se entregam alegremente às 504 calorias do gorduroso Big Mac para salvar crianças com câncer, embora ao custo de elas mesmos sofrerem os males da obesidade infantil.
Nesse mesmo dia, milhares de adolescentes bem nascidos se apresentam como voluntários nas portas dos McDonald's país afora para trabalhar de graça para uma das maiores e mais ricas corporações do planeta. São os mesmos adolescentes que acham lindo trabalhar de garçom em Orlando, mas um horror fazer o mesmo serviço no Brasil, onde terão que se misturar com pobres locais que, ainda por cima, são monoglotas.
Então, por que ao invés de montar esses aparatos monumentais de marketing, TV Globo e McDonald's, simplesmente, não fazem uma doação anual para as crianças sem esperança do Brasil, com ou sem câncer?
Resposta: porque eles precisam que você participe dessa propaganda disfarçada de solidariedade, seu bobão.
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Feliciano fez marketing para o Porta dos Fundos

O deputado federal e pastor Marco Feliciano criticou um vídeo publicado no YouTube pelo grupo humorístico Porta dos Fundos, que mostra a reação de um médico e um grupo de pessoas ao encontrar uma suposta imagem de Jesus Cristo na vagina de uma mulher, durante um exame ginecológico.
Intitulada “Oh, Meu Deus!”, a polêmica peça de humor é descrita por seus produtores como “um vídeo sobre fé e como ela costuma aparecer nos lugares mais imprevisíveis, quentes e úmidos da nossa ginecologia”, e mostra uma moça, interpretada pela atriz Clarice Falcão, durante uma consulta com um ginecologista quando o médico “descobre” uma imagem de Jesus Cristo em sua vagina.
Após descobrir a suposta imagem, o médico, interpretado por Luis Lobianco, chama outras pessoas para ver a imagem, provocando uma peregrinação para ver as partes íntimas da paciente. O vídeo termina com várias pessoas cantando músicas religiosas diante das partes íntimas da moça.
Através do Twitter, Feliciano criticou o vídeo, classificado por ele como “podre”, e iniciando uma campanha para que o conteúdo seja retirado do ar.
- Assim caminha a humanidade… Vídeo podre! Ajudem a denunciar para retirá-lo do ar – declarou Feliciano na rede social, indicando o link para o vídeo e pedindo para que seus seguidores na rede social denunciem o conteúdo, para que ele seja retirado do ar.
Em suas diretrizes, o YouTube reprova a publicação de vídeos com “sexo e nudez”, com “apologia ao ódio” e com conteúdo “chocante e repugnante”. Até o fechamento dessa matéria o vídeo já teve mais de 656 mil visualizações, com cerca de 49 mil avaliações positivas e mais de 8 mil avaliações negativas.
O deputado federal e ativista gay Jean Wyllys criticou o comentário de Marco Feliciano sobre o vídeo, classificando as críticas feitas pelo pastor como “fundamentalismo religioso”.
- O fundamentalismo religioso (ou a má fé) é uma ameaça às artes e à diversidade cultural – afirmou Wyllys.
O humorista Fábio Porchat, um dos fundadores do “Portas dos Fundos”, também comentou a crítica feita por Feliciano, afirmando que isso só beneficia o grupo humorístico, produzindo “uma grande jogada de marketing” para o vídeo.
- Isso só dá mais visibilidade para o nosso vídeo. Sem querer, o Feliciano produziu uma grande jogada de marketing pra gente. Agora, todo mundo quer assistir à esquete para ver o que ela tem. Ele tem todo o direito de não ter gostado, mas, para nós, o vídeo não ofende ninguém. Somos cinco pessoas aprovando todos os textos, por isso é difícil algo ofensivo passar – comenta Porchat, ao jornal O Globo.
- Estamos dando risada da situação e esperando para ver qual será o próximo passo do Feliciano. Se ele entrar com um processo contra o canal, vamos acionar advogado para cuidar disso. Não há nada mais para ser feito – completou o humorista, ressaltando que “religião é sempre um assunto polêmico”, mas que se um vídeo “está engraçado”, será publicado sem censura pelo grupo.
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Cartel Alstom/Siemens - Parte - 3

Cartel Alstom/Siemens uma briga no ninho tucano

A disputa entre Aécio e Serra pela hegemonia nas multinacionais de energia e transporte sobre trilhos transformou-se em escândalo internacional
Embora a imprensa nacional nas últimas semanas venha dando maior destaque apenas ao acordo de leniência celebrado entre a multinacional Siemens e o CADE em relação às irregularidades cometidas no setor de transporte sobre trilhos no Estado de São Paulo e Distrito Federal, desde 2008 o Ministério Público vem investigando sem maiores consequências além desta irregularidade, a atuação da Siemens e Alstom junto às concessionárias de energia pertencentes aos Estados e ao Governo Federal.
Mercado praticamente cativo da Siemens e Alstom, onde os investimentos sempre ultrapassam a cifra do bilhão, vem sendo desde a criação do PSDB sua principal fonte de financiamento, uma vez que detentoras de tecnologia, suas imposições são aceitas nas diversas concorrências sem questionamentos pelas grandes construtoras nacionais que dominam a construção pesada.
Até a disputa entre Aécio e Serra, a atuação da Siemens e Alstom no Brasil á nível estadual e federal em favor do PSDB era tranquila, mesmo no governo do PT fazia-se vista grossa e até mesmo colaborava-se para que o esquema fosse mantido a exemplo do ocorrido na empresa Furnas pertencente ao Governo Federal.
A coluna Painel do jornal “Folha de S. Paulo” noticiou em 29 de janeiro de 2003:
“Aécio Neves (PSDB-MG) conseguiu com Lula manter o afilhado Dimas Toledo na Diretoria de Planejamento e Engenharia de Furnas. O pai do governador mineiro, Aécio Ferreira da Cunha, continuará no Conselho de Administração da empresa”.
Hoje após a descoberta da “Lista de Furnas”, sabe-se com maior clareza o verdadeiro motivo da solicitação de Aécio Neves a Lula pela permanência de Dimas Fabiano.
Exemplo desta harmonia foi à indicação por Aécio Neves em 2006 de José Luiz Alquéres, ex-presidente da Eletrobras no governo Itamar Franco para presidir a então adquirida Light, antes ele havia presidido a Alstom, justamente no período em que a empresa é acusada de fazer negócios escusos com o governo tucano de São Paulo.
A revista “Isto é Dinheiro” noticiou em 21 de maio de 2008:
“Mais de 2,5 mil paginas de contratos de metrô de São Paulo ocupam a mesa do promotor Silvio Marques. O promotor investiga se a multinacional Alstom pagou US$ 6,8 milhões em propina para vencer licitações de US$ 45 milhões do metrô de São Paulo, entre 1998 e 2006”.
“Nesta época, Alquéres foi presidente da Alstom. No comando da Alstom, Alquéres não perdeu uma licitação, atraindo a atenção e a inveja dos concorrentes, que diziam que o ponto forte da Alstom era o “fator político”. Conseguiu contratos para construir as turbinas de Itaipu e Tucuruí, as termoelétricas do Rio, Paraná, Bahia e São Paulo. Colocou o País entre os cinco mais importantes da Alstom francesa, com crescimento de 40% ao ano. Em 2006, ele acertou sua saída. Foi para a Light com a promessa de não se desligar totalmente da empresa francesa”.
Mas porque Aécio recuou da indicação de 2006 e colocou Alquéres na mira, como registrava em outubro de 2009, o colunista Lauro Jardim, da “Veja”:
“Aécio Neves irá trocar toda a atual diretoria, comandada por José Luiz Alquéres, cujo contrato termina no fim do ano. Aos mais próximos, Aécio tem falado que montará ”uma diretoria estritamente profissional, sem indicações políticas”.
Uai, mas a troco de que uma empresa totalmente privada, a única parcela de controle estatal era da própria Cemig, tinha indicações políticas na direção?
Será que era Alquéres ou será que era Ronnie Vaz Moreira, ex-presidente da Globopar e ex-diretor financeiro da Petrobras do Governo FHC?”
Uma pista disso seria a informação publicada pela “Folha de S. Paulo” sobre um amigo que viria prestigiar a posse de Alquéres na Associação Comercial do Rio de Janeiro, mas acabou não podendo?
“O governador José Serra (PSDB-SP), que deveria ter comparecido à posse de Alquéres, cancelou a viagem ao Rio alegando forte gripe”.
De qualquer forma, ambos saíram bem aquinhoados pelo consumidor de energia do Rio de Janeiro: Alquéres levou uma “bolsa-pontapé” de R$ 45 milhões e Moreira outros R$ 25 milhões, segundo o mesmo Lauro Jardim, explicando que isso seria pela valorização das ações da Light.
Alquéres ainda patrocinaria, na Associação Comercial do Rio, um inesquecível encontro de Serra com os empresários”.
No final de 2011, a concessionária de energia CEMIG anunciava um plano de modernização de suas usinas, que receberiam investimentos de R$1,8 bilhão.
A Alstom era líder do consórcio, que incluía Orteng e Camargo Corrêa, selecionado pela Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) para renovar a usina de São Simão, a mais potente unidade da Cemig, localizada no rio Paranaíba, entre os estados de Goiás e Minas Gerais. O consórcio seria responsável por reformar os equipamentos de geração e transmissão.
A Alstom seria responsável pela reforma de turbinas e geradores, reguladores de velocidade, e pela substituição do sistema de excitação. A empresa também ficará encarregada pela supervisão e comissionamento e pelo fornecimento de transformadores e instrumentação. A Orteng responsável pela engenharia, integração e fornecimento de equipamentos auxiliares elétricos, assim como sua supervisão de montagem e comissionamento. A Camargo Corrêa será responsável pela reforma de equipamentos hidromecânicos, assim como sua desmontagem e montagem.
O Brasil tem um importante mercado a ser explorado na reforma de usinas hidrelétricas. Junto com os investimentos em novas usinas, precisamos reforçar a capacidade das plantas que já temos e que poderiam produzir mais energia usando sistemas e produtos atualizados”, afirmou na época Philippe Delleur, Presidente da Alstom Brasil responsável por quase 40% do mercado de geração do País.
Para alguns detentores de informações privilegiadas pouco antes de vir a público as investigações sobre a formação de Cartel da Siemens/Alstom, o Conselho de Administração da Cemig se antecipou autorizando o cancelamento do programa de modernização da UHE São Simão. A medida foi autorizada em reunião realizada no dia 23 de janeiro, cuja ata foi publicada em (05/02) no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Os conselheiros da Cemig também cancelaram os projetos de intervenções das usinas Volta Grande (95MW) e Salto Grande (102MW). Segundo a decisão do Conselho de Administração, os contratos vigentes foram rescindidos e os editais de licitação revogados.
Embora seja assunto proibido na imprensa brasileira, no exterior é de amplo conhecimento que as duas multinacionais, após á descoberta das irregularidades pelas autoridades de seus países de origem e preocupados com os rumos da briga entre o grupo de Serra e Aécio, contrariando inclusive seus ex-dirigentes, optaram por celebrar o acordo de leniência com o CADE, assim como colaborar com as investigações em andamento no Brasil.
Mesmo diante das inúmeras provas e da confissão das empresas envolvidas, esperar que Aécio e Serra sejam punidos é pura ingenuidade, principalmente após o parecer do ex-procurador geral da República Roberto Gurgel, absolvendo Aécio de acusações igualmente comprovadas.
Documentos que fundamentam a matéria:
Marco Aurélio Carone

Leia também: Cartel Alstom/Siemens - Parte - 1 Cartel Alstom/Siemens - Parte - 2
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Cartel Alstom/Siemens - Parte 2

Caso Renova. Aécio tenta apagar rastro de R$4.5 bilhões

Investigações colocam em evidência a utilização de R$ 4,5 bilhões do patrimônio mineiro para financiar implantação na Bahia de fábrica da Alstom
Diante do escândalo do Cartel Alstom/Siemens, começa a naufragar o projeto megalomaníaco de Poder desenvolvido pelo grupo de Aécio Neves que não encontrou limite de atuação na área de energia, ao utilizar-se do Patrimônio Público do Estado de Minas Gerais para elegê-lo presidente da República em 2014.
Alstom e Siemens, réus confessos no escândalo do Metrô e transporte sobre trilhos em São Paulo, tradicionais e principais financiadoras do PSDB paulista, cooptadas através de seus ex-dirigentes a integrar o projeto político de Aécio Neves através do esquema montado pela CEMIG, estão sendo vasculhadas pelo CADE e Ministério Público.
Evidente que se encontram na CEMIG as maiores irregularidades envolvendo a prática de Cartel, porém a cooptação dos dirigentes das multinacionais visando evitar maiores fiscalizações ocorreram através de tentáculos no denominado “Burgo dos Neves”, formado por empresas subsidiarias integrais da CEMIG e da Light.
Diante do vazamento seletivo de participação apenas no esquema de corrupção montado na área de transporte sobre trilhos pela Alstom/Siemens em São Paulo e DF, o governador paulista Geraldo Alkimin e o ex José Serra, cientes da armadilha e contrariados com o abandono dos companheiros do PSDB nacional mandou um recado direto a Aécio Neves ao informar que o Cartel não atuou só em São Paulo, no Metrô, sua atuação estendeu-se também para as empresas de energia de diversos Estados, recomendando que sejam também elas investigadas.
Na matéria, “Parte I: Cartel Siemens/Alstom nasceu em Minas Gerais”, abordamos a até então pouco explicável indicação pelo ex-governador hoje senador Aécio Neves do ex-presidente da Alstom José Luiz Alquéres, investigado pela prática de Cartel pelo CADE, para presidir a Light, empresa adquirida pela CEMIG.
Repetindo á prática adotada na CEMIG, foi através da Light, para evitar rastro, que Aécio promoveu uma série de aquisições, sendo uma delas a empresa Renova especializada em energia eólica. Como em relação a outras empresas, através da Renova alianças e acordos comerciais foram celebrados apenas no intuito de gerar caixa para sua campanha, poder na política e economia dos demais Estados da Federação e a “boa vontade” das grandes corporações multinacionais.
Novojornal noticiou o fato em dezembro de 2012 na matéria; “CEMIG: Consumidor mineiro financia "Império da Energia", mostrando que a CEMIG vinha há anos criando empresas denominadas subsidiarias integrais utilizando seu crédito, receita e patrimônio sem levar em conta os riscos e a viabilidade econômica das mesmas.
Anteriormente em julho de 2012 o Governo de Minas anunciava; “com investimento de R$ 1,2 bilhão fora inaugurado, no Sudoeste da Bahia, o Complexo Eólico Alto Sertão I, um empreendimento da Renova Energia, empresa do Grupo Cemig especializada na geração de energia renovável. Considerado o maior do gênero na América Latina, o complexo eólico irá gerar 294 MW de energia, o que representa um incremento de 29,4% na matriz eólica do país, atualmente na ordem de 1 GW.
Localizado nos municípios baianos de Caetité, Guanambi e Igaporã é composto por 14 parques, que tiveram sua energia comercializada para a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). São 184 aerogeradores de 1,6 MW e cada parque irar gerar até 30 MW. A energia gerada pelo Complexo Alto Sertão I é suficiente para garantir o consumo de uma cidade com 540 mil residências ou cerca de 2,16 milhões de habitantes, considerando quatro pessoas por residência”.
Ao mesmo tempo que em julho de 2012 o Governo de Minas anunciava o investimento de R$ 1,2 bilhão na Renova, o jornal "Brasil Econômico" noticiava;
“Uma das principais parcerias do setor energético no Brasil foi anunciada nesta quarta-feira pela Renova Energia e a francesa Alstom. As companhias assinaram a carta de intenções durante evento para clientes e fornecedores em São Paulo”.
"A parceria consolida a nossa posição de liderança nesse segmento e vai gerar desenvolvimento para a região, disse ao Brasil Econômico, Marcos Costa, presidente da Alstom Brasil e vice-presidente de Global Power Sales na América Latina”.
“Jerôme Pécresse, presidente mundial do setor de energias renováveis da Alstom, afirmou que a parceria coloca a companhia em uma posição diferenciada no mercado de energia na América Latina. "Esta é uma parceria ambiciosa, o maior acordo onshore da Alstom para a área eólica mundialmente. Nossa intenção é que seja um relacionamento duradouro."
“A previsão é de que os aerogeradores comecem a ser entregues a partir de 2015, processo previsto para ser concluído entre três e quatro anos. Para a Renova, a parceria trará vantagens competitivas e financeiras, já que os geradores da Alstom sairão da fábrica a alguns quilômetros dali, o que significa menor custo com logística, maior rapidez na entrega e na manutenção”.
Em fevereiro de 2013 a revista "Veja" noticiou: “Renova fecha acordo de € 1 bi com Alstom e faz aposta alta em eólicas”. A matéria informava ainda que; “mesmo sem linhas de transmissão suficientes para fazer com que a energia saia dos parques eólicos, empresa fecha contrato incomum no setor: a compra de maquinário antes mesmo que haja demanda”.
“A notícia não só surpreende pelo volume do investimento (o maior anunciado pela Renova até hoje), que dimensiona o tamanho da aposta da empresa no setor eólico brasileiro, como também é uma prática incomum no mercado de energia, geralmente as empresas só contratam maquinários para atender a demanda já vendida. O acordo com a Alstom contempla também a prestação de serviços de operação e manutenção, mas não impede que, para outros projetos, a Renova contrate outros fornecedores ou que a Alstom venda para outras companhias de energia os maquinários”.
Á exemplo da ferrovia do Aço, obra bilionária construída no período do Golpe Civil Militar de 1964, sinônimo de desperdício de dinheiro público, o Complexo Eólico Alto Sertão está sendo construído a um custo de R$4,5 bilhões para gerar energia mesmo sem a existência de linhas de transmissão para venda do produzido.
Fontes do mercado de energia já haviam denunciado que a aquisição de parte do capital da Renova ocorrido coincidentemente após a saída de Alqueres da Light, ocasião que recebeu uma indenização de R$ 30 milhões, visou apenas dar a empresa garantias para celebração de financiamentos bilionários inclusive perante o BNDES para compra sem qualquer licitação de equipamentos da francesa Alstom, uma vez que Renova é uma empresa privada.
Até a compra da participação acionaria pela Light os geradores de energia do parque eólico da empresa Renova eram da marca GE sendo substituídos pelos da Alstom, viabilizando a construção de uma fábrica da multinacional francesa em Camaçari na Bahia. Segundo as mesmas fontes a comprovação de que a lucratividade da empresa Renova passou a ser uma questão secundária, para não gerar desconfiança e repercussão, a principal cláusula do acordo de acionistas celebrado entre Renova e Light, foi à retirada de suas ações da Bolsa de Valores.
Diante das investigações e da proporção que ganhou o escândalo do Cartel Alstom/Siemens o grupo de Aécio tenta agora apagar o rastro de R$ 4,5 bilhões criado com garantias do patrimônio público do Estado de Minas Gerais para em tese beneficiar apenas a Alstom.
Documento que fundamenta a matéria:
Marco Aurélio Carone
No Novo Jornal

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