18 de ago de 2013

A garota black bloc na capa da Veja responde à revista

“Emma” aponta os erros na matéria em que foi personagem central.
“Emma”
“Emma, de 25 anos, integrante dos black blocs no Rio”, conforme legenda que identifica o rosto coberto por uma camiseta na capa da Veja, está indignada. E afirmou que irá redigir uma “Carta aberta à Veja”.
Na tarde de sábado, logo após a revista chegar às suas mãos, Emma, acampada no Ocupa Cabral, apoderou-se do celular que fazia transmissão ao vivo pelo TwitCasting e passou mais de uma hora vociferando contra a publicação (vídeo aqui).
Revoltada, demonstrava discordar de A a Z da matéria. Ainda na capa, ela aponta um erro que considera primário ao inseri-la como membro de um grupo. “Black bloc não é grupo e sim uma tática de manifestação. Não tenho como ser integrante de uma coisa que não existe.” A chamada (O bando dos caras tapadas) também desperta ira quanto ao trocadilho que ela diz ser “digno do Zorra Total” e que jornalistas deveriam se envergonhar de trabalhar numa revista como aquela.
Auxiliada por um mascarado que a ajuda a folhear a revista cujas páginas estão rebeldes por causa do vento da praia, Emma vai analisando e xingando trechos preconceituosos e moralistas. Sua revolta (e dos que estão ao redor) aumenta diante do relato sobre consumo de drogas e sexo promíscuo. “Entre um baseado e um gole de vodka, (…) vinho barato e cocaína ! Onde isso?”
Ela segue jogando molotovs na Veja até chegar ao quadro de fundo cinza, parte que considera ter sido feita especialmente para si. Abaixo de uma foto em que aparece lendo História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman, o texto procura atingi-la de modo a reduzir suas insatisfações a desvarios adolescentes. Emma ridiculariza a tentativa da revista de expor intimidades e frases soltas apenas para diminuí-la.
O mascarado também faz seu desabafo: “Isso foi tudo inventado. A grande mídia faz assim, ela conta a história que ela quer. Essa matéria aqui é completamente mentirosa, não é nem falaciosa, é mentirosa mesmo. A intenção é manipular a opinião pública”, diz ele.
Emma aponta a câmera para as barracas: “Olha lá, todo mundo transando e se drogando.” Ela se enfurece com o golpe baixo ao ser chamada de namoradeira e suspeita que gente infiltrada a delatou na passagem em que “fica” com dois acampados num mesmo dia.
As fotos nas quais ela aparece (capa e miolo) são assunto polêmico. Ainda que através de uma elíptica fenda apenas se revelem os olhos azuis, sobrancelhas finas e um pouco do nariz, todos de traços sugestivamente médio-orientais e de ar misterioso, fica evidente que Emma mexe com a curiosidade. Enquanto conta que o fotógrafo se fez passar por membro de agência internacional, Emma recebe um elogio à sua beleza através do chat interativo. “Obrigada, mas a reportagem não mexeu com meu ego. Não adianta nada a foto estar bonita se o conteúdo é escroto”, disse. “Não vendi foto nenhuma, publicaram isso sem minha autorização”. Uma senhora que estava ao lado pergunta se ela pode processar a revista por uso indevido de imagem. “Sim”, responde Emma. Um outro espectador bem humorado diz ter sentido falta de um poster central na revista. “Poster o caralho, já falei para parar com a idolatria. Não vim aqui para mostrar a bunda, vim mostrar o que tenho no cérebro.”
Emma diz ter sido procurada no acampamento por uma repórter da Veja e também pelo Globo. Dá a entender que recusou ambos os convites por não concordar com a grande mídia. Afirmou ter dito à repórter da Veja que não conversaria com ela pois o editor manipularia tudo conforme seu interesse. Contudo, enquanto lia a reportagem, por diversas vezes declarou: “Eu não disse isso, desse jeito.”
Além dos equívocos denunciados por Emma, a matéria afirma que os blacks blocs são um grupo pequeno e não chegariam a duzentos miilitantes. Apenas na frente da Assembleia Legislativa de São Paulo, na semana passada, havia um grupo de aproximadamente cem indivíduos. Comunidades black blocs no Facebook são encontradas em São Paulo, Caxias do Sul, Minas, Ceará, Niterói, Rio de Janeiro. Só a do Rio possui mais de 23 mil “curtidores”.
Também não é verdade quando a revista afirma que black blocs haviam queimado uma catraca durante uma manifestação (o ato é simbólico e religiosamente proporcionado pelo MPL, não teve nada a ver com black blocs) ou quando alega que nenhum McDonald’s ou Starbucks escapem ilesos de protestos em que haja pelo menos um mascarado (na noite de sexta-feira, novamente na Assembleia, nenhuma guerra de spray ou gás ocorreu mesmo na presença de 60 ou 70 black blocs).
Criticando professores universitários admiradores do movimento, a Veja incita a polícia a enquadrar os “arruaceiros” pelo crime de formação de quadrilha, algo ainda não feito, obviamente, por não ser possível juridicamente (como foi dito por um membro dos Advogados Ativistas aqui no Diário).
Na Carta ao Leitor da mesma edição, lê-se que “VEJA sempre se pautou pela busca da informação correta em nome do interesse público.” Ao encerrar sua participação no Twitcasting, Emma diz para a Editora Abril: “A população está vendo o que vocês estão fazendo.”
Mauro Donato
No DCM
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Alckmin processa Ford por trânsito em São Paulo

Pela ineficiência comprovada, o governador processará xampus antiqueda
CONSOLAÇÃO - Após processar a Siemens pelas denúncias de formação de cartel, o CEO Geraldo Alckmin resolveu entrar na Justiça contra diversas empresas que insistem em inviabilizar São Paulo. "Ford, GM e Volks continuam provocando engarrafamentos pela cidade. Pedi indenização", anunciou, enquanto processava o PT, o Passe Livre, os Black Blocs, a Mídia Ninja e Pablo Capilé.
Alckmin, no entanto, garante que os contratos com as empresas processadas permanecem em vigor. "Elas, inclusive, podem participar de novos cartéis. Acabamos de abrir uma licitação para substutuir as viaturas policiais por um moderno trem-bala de borracha", exemplificou, enquanto processava o São Paulo Futebol Clube por humilhar a imagem da cidade.
No jornal da CBN, Carlos Alberto Sardenberg e Merval Pereira fizeram um bolão, valendo uma adega de vinhos alemães, para quem acertasse os nomes das próximas empresas que o governador colocará na Justiça.
No final do dia, Alckmin implementou um rodízio de processos.
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Em Piracicaba vereadores tucanos usam dinheiro público para processar cidadão

João Manoel dos Santos (PTB), presidente da Casa
Foto: Emerson Pigosso/Câmara de Piracicaba
Treze vereadores de Piracicaba (SP) entraram, entre julho e agosto deste ano, com ações de calúnia e difamação e parte deles pediu indenização por danos morais contra dois cidadãos que os criticaram pela rede social Facebook e em uma publicação em jornal da cidade. Deste grupo de parlamentares, apenas dois usaram advogados particulares. O restante é assessorado por servidores da Câmara. Ou seja, pago com dinheiro do contrinuinte
Em junho deste ano, dois vereadores do Legislativo, Dirceu Alves da Silva (PPS) e Laércio Trevisan Júnior (PR), fizeram dois boletins de ocorrência contra três manifestantes por terem recebido ofensas durante a série de protestos que ocorreu no município contra a tarifa do transporte público. Um deles, o então manifestante e professor de inglês André Luís Magrini Tietz, do grupo Reaja Piracicaba, fez declarações contra os vereadores na rede social e agora é processado pelos parlamentares.
Já o outro processado é o advogado Antônio Francisco Pololi por este ter dito, por meio de uma carta publicada em um jornal da cidade, que todos os vereadores tiveram o "rabo preso" com a Prefeitura ao eleger a atual mesa diretora da Casa.
O presidente da Casa João Manoel dos Santos (PTB) é processado pelo Ministério Público Estadual (MPE) sob acusação de usar a estrutura pública para defender interesses tidos pela Promotoria como pessoais em um processo também por calúnia e difamação, como estes que atingem dois moradores de Piracicaba.
Veja quem foi à Justiça usando dinheiro dos cofres públicos:
Os parlamentares Matheus Erler (PSC)
André Bandeira (PSDB)
Pedro Kawai (PSDB)
Pedro Cruz (PSDB)
José Luiz Ribeiro (PDT)
Luiz Antônio Arruda (PV)
Além do próprio João Manoel, movem ação contra Pololi e também acionaram Tietz por entenderem que ele foi ofensivo em comentários contra os parlamentares.
Os vereadores Luiz Antônio Leite, a Madalena (PSDB);
Márcia Pacheco (PSDB); 
Dirceu Alves (PPS);
Carlos Cavalcante (PPS); 
Carlos Gomes, o Capitão Gomes (PP) 
Laércio Trevisan (PR)
Também moveram ações de calúnia e difamação contra o mesmo internauta. Cinco deles pedem R$ 27.120 como indenização. Os outros 10 parlamentares não entraram com ação contra os dois cidadãos.
Somente Trevisan e Dirceu Alves usaram advogados particulares no caso. "Eu decidi por um advogado que é meu familiar e que me dá assistência há 30 anos. Em todas as minhas ações, ele é quem sempre me defende. No entanto, acredito que é um direito dos parlamentares usarem o procurador jurídico da Câmara para estes casos", afirmou Trevisan.
Orientação da Casa
O diretor jurídico da Câmara Robson Soares, advogado, que assina as ações da maioria dos parlamentares, já havia explicado  que o entendimento da Casa é favorável à ação do setor jurídico. "Todo ato que atingir o vereador no exercício do seu mandato, pode e deve ser defendido pelo departamento jurídico", disse.
Tietz afirmou nesta sexta-feira (16) que fez as declarações na época das manifestações contra todos os parlamentares. "Esse é um processo absurdo e que fere a liberdade de expressão, pois o magistrado poderia ficar mais ocupado com coisas importantes do que com uma ação como esta", afirmou. Ele conta ainda que criticou as pessoas e, por isso, elas deveriam ser defendidas por advogados próprios e não do Legislativo.
No Amigos do Presidente Lula
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Descubren biomarcador para diagnóstico precoz del Alzheimer

alzheimers- 
Especialistas del español Centro de Investigación Biomédica en Red de Enfermedades Neurodegenerativas identificaron en el líquido cefalorraquídeo un posible biomarcador para el diagnóstico precoz del Alzheimer.
El estudio, publicado en la revista Annals of Neurology, precisa que el nuevo biomarcador, una disminución de los niveles de ADN mitocondrial (mtDNA) circulante, puede medirse de forma precisa empleando ensayos de Reacción en Cadena de la Polimerasa (PCR).
Los expertos comprobaron que tanto en el Alzheimer causado por mutaciones génicas como en el esporádico, se produce una disminución de mtDNA circulante en el referido líquido de color transparente que baña el encéfalo y la médula espinal.
Según el artículo, las variaciones en los niveles de concentración de mtDNA aparecen hasta 10 años antes de presentarse los primeros síntomas de la enfermedad y precede a los cambios químicos (de Ab1-42) en el líquido cefalorraquídeo.
Hasta el momento se han aceptado dos biomarcadores para el diagnóstico precoz del Alzheimer, la acumulación de beta-amiloide en el cerebro o el bajo contenido de Ab1-42 en el líquido cefalorraquídeo.
Los científicos sugieren realizar más análisis en animales y ensayos clínicos terapéuticos en personas, para determinar si la reducción de mtDNA circulante refleja un factor etiológico y si puede ser modificado con tratamientos.
No SiBCI
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O Supremo Polegar, Merval?

O artigo de hoje de Merval Pereira em O Globo é um primor de explicitude.
Deixa claro a importância política de que a admissibilidade dos embargos infringentes seja feita “nos dias 4 e 5″ e às vésperas, portanto , “das grandes manifestações que estão sendo convocadas em todo o país para comemorar o Dia da Independência na visão da cidadania”.
À parte o mau português (cidadania, Merval, não é coletivo de cidadãos, mas condição jurídica do cidadão), é pior ainda o senso injurídico e demagógico de  o julgamento se assemelhe ao de um circo romano, onde o polegar do imperador se voltasse para baixo ou para cima pelos gritos da plateia, determinando a vida ou a morte de cristãos ou de gladiadores.
Não sei se Merval está informado, mas a ideia de democracia e de Direito sofreu certa evolução nos dois milênios que nos separam daquela Roma.
É por isso que temos julgamentos, não linchamentos.
Singular, a ideia de democracia de Merval:
“Mesmo que um colegiado como o do STF não deva se vergar diante de pressões de qualquer natureza, apesar de, numa democracia, a voz das ruas ser a expressão da vontade do cidadão, não é razoável imaginar que aqueles 11 juízes que representam o equilíbrio institucional do país não levem em conta a gravidade da decisão que tomarão, especialmente nos dias de hoje, quando a cidadania (sic) clama por Justiça e pela eficiência dos serviços públicos.”
Quantos centenas ou  milhares são “a voz das ruas”? A opinião pública, quantas vezes, é a opinião que se publica?
Poderíamos, a prevalecer o juízo de Merval, nos tornarmos uma imensa assembleia, onde quem levar mais gente para as ruas “ganha”?
Merval Pereira age, assim, como uma espécie de Black Bloc jurídico, que se arroga o direito de  suspender as proteções da lei, as garantias legais, em nome de supostos manifestantes “da cidadania”.
A frase que não é dita, mas é evidente: Ou prendem José Dirceu ou depredamos a dignidade do STF!
Ele repete, com palavras pouco disfarçadas, a acusação de Joaquim Barbosa de que Ricardo Lewandowski estaria patrocinando “chicanas”:
“Nesta retomada do julgamento, o ministro Lewandowski continua com suas longas análises, mesmo para concordar com o relator, fugindo à rapidez com que a maioria de seus pares está votando(…)”
Não entro, como disse antes, na análise jurídica do caso, levianamente.
Até porque esta virou, também na visão de Merval e de outros menos explícitos, uma decisão política, não jurídica.
E se pretende, com isso, transformar o STF num tribunal de opinião, não de leis.
E, portanto, num tribunal de exceção, como os da ditadura, onde os juízes tinham de substituir suas consciências jurídicas pela vontade do regime.
Se ousassem contrariá-la, havia as tropas.
As mesmas que Merval, agora, invoca, com seus capuzes.
Fernando Brito
No Tijolaço
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OMS diz que Bolsa Família reduziu número de mortes de crianças

Relatório Mundial da Saúde 2013
Declaração faz parte do Relatório Mundial da Saúde 2013 divulgado pela organização; documento tem como foco a pesquisa médica para cobertura universal de saúde.
O Relatório Mundial da Saúde 2013 afirmou que o programa brasileiro Bolsa Família ajudou a reduzir o número de mortes de crianças menores de cinco anos.
O documento, preparado pela Organização Mundial da Saúde, tem como foco, este ano, a cobertura universal de saúde. Segundo a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, esse é o mais importante conceito que o serviço de saúde pública tem a oferecer.
Cobertura Universal
Chan afirmou que a cobertura universal é a melhor forma de se solidificar os ganhos no setor da saúde registrados na última década. Para ela, o sistema representa um poderoso equalizador social e a mais alta expressão de justiça.
O relatório mostrou como os países, quando criam um sistema para cobertura universal de saúde, podem usar as pesquisas para determinar que tipos de problemas devem ser combatidos.
Além disso, os governos podem avaliar como deve ser a estrutura do sistema e como medir o progresso de acordo com cada situação específica. A OMS afirma que o investimento em pesquisas tem aumentado, em média, 5% anualmente em países de baixa e média rendas.
Brasil
O documento diz que essa tendência é mais visível em economias emergentes, como é o caso do Brasil, da China e da Índia. Nações, que segundo o documento, abraçaram a causa da cobertura universal de saúde.
O Relatório Mundial da OMS cita ainda o aumento da participação do Brasil na publicação de pesquisas médicas. A China lidera o grupo. Entre 2000 e 2010, as pesquisas feitas por chineses passaram de 5% para 13% do total.
Outro ponto de destaque da publicação da OMS fala sobre o treinamento. No Brasil, médicos, enfermeiros e outros funcionários do setor de saúde que foram treinados, conseguiram mais êxito na identificação da doença.
O índice de acerto no caso brasileiro variou entre 58 e 84% dependendo do tipo de treinamento, longo ou curto.
Profissionais Motivados
A OMS afirma que para ser implementada, a Cobertura Universal de Saúde exige um sistema de saúde sólido e eficiente. Um sistema com disponibilidade de financiamentos, acesso a medicamentos e tecnologias essenciais para os tratamentos e profissionais muito bem treinados e motivados. 
Para atingir esse objetivos, a Organização Mundial da Saúde encoraja os governos e os doadores internacionais a não somente investirem em pesquisas.
Eles devem também apoiar mecanismos para o compartilhamento de informação e dados, fortalecer as instituições e os programas de treinamento e, finalmente, acompanhar de perto o progresso que está sendo registrado e compará-lo às metas estabelecidas para se alcançar o objetivo final.
No ONU
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Como a internet está arrebentando a audiência da Globo

Não é apenas o Jornal Nacional que perdeu um terço do público na última década.
Salve Jorge foi a pior audiência da história da Globo
Dias atrás circulou na internet um levantamento. Nos últimos dez anos, o Jornal Nacional perdeu um terço da audiência.
Quem ganhou? Não foi a concorrência na tevê.
Foi a internet.
Todos já notaram que a internet está matando a mídia impressa – jornais e revistas.
Mas são poucos os que estão enxergando um pouco adiante: a tevê, tal como a conhecemos, já está também no corredor da morte, sob a ação da internet.
Uma pesquisa da prestigiosa Forrest traz um dado que conta tudo: hoje, os brasileiros gastam três vezes mais tempo na internet do que na tevê.
E, dado o crescimento avassalador da internet, logo serão quatro vezes mais, e cinco, e seis – até o traço.
Não é apenas o Jornal Nacional que emagreceu consideravelmente nestes dez anos em que a internet se consolidou entre os brasileiros.
O Domingão do Faustão, em São Paulo, o mercado que é referência para o mercado publicitário, desabou ao longo dos últimos anos para 10% do Ibope.
Pouco tempo atrás, executivos da Abril entrevistaram estagiários. Foi perguntado a eles: “Quem vê o Faustão?”
Ninguém. Também foi perguntado quem lia a Veja e a Exame, e uma mão misericordiosa se ergueu.
O Fantástico é, hoje, uma ruína dominical. Nos anos 1980, seu apogeu, a audiência passava de 40%. Hoje, está na casa dos 13%, 14%. Outra ruína dominical é a Fórmula 1: perdeu metade do público de 2003 para cá.
O último reduto da Globo, as novelas, seguem o mesmo percurso.
Na década de 1980, Roque Santeiro teve, em seu pior dia, 58% de audiência. No melhor, 95%.
Dez anos atrás, Senhora do Destino teve média de 50%. No ano passado, Salve Jorge ficou em 30%.
Hoje, a Globo é notícia muito menos por sua programação do que por coisas como o esdrúxulo horário do futebol por força da novela e a supersonegação na compra dos direitos da Copa de 2002.
Resta o paradoxo da publicidade.
Mesmo com audiência em dissolução, a Globo continua a faturar absurdamente em publicidade. Mesmo o governo — sistematicamente atacado pelos medalhões da Globo em todas as mídias —  colocou cerca de 6 bilhões de reais em propaganda na empresa nos últimos dez anos.
O milagre-truque se chama Bonificação por Volume, ou BV, uma criação de Roberto Marinho. É uma comissão, ou propina, paga às agências. Quanto mais elas anunciam na Globo, mais ganham. Hoje, muitas agências dependem do BV da Globo.
Mas até quando elas vão anunciar num Faustão, ou num Fantástico? Quando a audiência recuar para um dígito, que anunciante tolerará o emprego de seu dinheiro conveniente apenas para a Globo e para a agência?
Na verdade, surpreende que os anunciantes não tenham se insurgido, ainda, contra o macabro expediente do BV.
Os anunciantes encontram seus consumidores onde? No Fantástico ou na internet?
Ora, já hoje os brasileiros gastam três vezes mais tempo na internet que na tevê.
Ponhamos dez anos na frente, e com a velocidade arrasadora que a internet tomou.
Que será a Globo em 2023?
Estará viva? É possível. Mas não será sombra do que foi um dia e nem do que é hoje.
Paulo Nogueira
No DCM
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Brasileiro namorado de jornalista que denunciou espionagem é detido em Londres

O jornalista que divulgou os documentos vazados por Edward Snowden disse que a detenção do namorado é uma tentativa de intimidação ao seu trabalho
David Miranda (esq.) ficou detido por nove horas em aeroporto de Londres neste domingo
Foto: The Guardian / Reprodução
O brasileiro David Miranda, namorado do jornalista Glenn Greenwald, responsável por publicar uma série de denúncias sobre a espionagem americana, ficou detido por aproximadamente nove horas neste domingo no aeroporto Heathrow, em Londres, enquanto tentava embarcar de volta para o Rio de Janeiro. Segundo o jornal britânico The Guardian, o brasileiro estava retornando de uma viagem à Alemanha e foi parado por oficiais por volta das 8h30 (horário local).
A Scotland Yard informou ao Guardian que a detenção aconteceu com base num artigo da lei antiterrorismo do Reino Unido, uma controversa legislação aplicada em aeroportos e portos que permite prender suspeitos sem mandado judicial e sem permitir que se chame um advogado. O jovem de 28 anos ficou detido por nove horas, o máximo permitido pela lei. Mesmo depois de liberado, Miranda teve todos os seus equipamentos eletrônicos confiscados – telefone celular, laptop, câmera, pen drives, DVD’s e um videogame.
Desde o dia 5 de junho, o jornalista Glenn Greenwald vem publicando uma série de reportagens no jornal britânico para revelar as ações de espionagem da National Security Agency (NSA), a partir de documentos vazados pelo ex-funcionário da CIA Edward Snowden, que está exilado na Rússia.
Na viagem à Europa, Miranda esteve em Berlim visitando Laura Poitras, uma documentarista que trabalha juntamente com Greenwald e o Guardian nos arquivos repassados por Snowden.
"Esse é um ataque profundo à liberdade de imprensa", disse o jornalista sobre o episódio. "Deter meu companheiro por nove horas inteiras e negar-lhe um advogado, e depois tomar grandes quantidades de suas posses, é claramente uma tentativa de mandar um recado de intimidação", afirmou.
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Fraude! Servidora foi “bode expiatório” no sumiço de autuação da Globo

O Ministério Público Federal está desafiado a mostrar que a atribuição a Cristina Maris Meinick Ribeiro do desaparecimento dos autos do processo de sonegação fiscal da Globo não foi uma armação destinada a lançar nas costas de um “bode expiatório” a supressão daqueles documentos.
Porque há provas sólidas disso.
Esse sumiço, na prática, dilatou até a edição do Refis a declaração de inadimplência da Globo com o Fisco e, por conseguinte, a sua condição legal de receber publicidade estatal.
Cristina Maris Meinick Ribeiro, a agente administrativa da Receita Federal condenada a 4 anos e 11 meses de prisão por ter desaparecido com este processo, não poderia tê-lo feito.
Pelo simples motivo de que não poderia ter acesso a um processo deste valor em janeiro de 2007, por estar respondendo, desde 2006, a processo administrativo disciplinar (PAD) grave, investigação que acarretaria até mesmo a cassação de sua aposentadoria.
Há uma prova incontestável de que, na data em que é acusada do sumiço do processo da Globo, Cristina já estava na lista negra da Receita.
diario2Todos já sabiam que ela traficava processos para obter vantagens, portanto, ao  valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública.
É o PAD nº 10070.000868/2006-33 do Ministério da Fazenda, usado como base para o ato que cassou, em 2010 – antes, portanto, da sentença condenatória criminal – a aposentadoria da servidora.
Está reproduzido acima, enquanto ao lado a gente reproduz as datas do crime atribuído a Cristina, meses depois do PAD por improbidade.
Ou seja, na data em que Cristina é acusada de colocar na bolsa o processo de R$ 615 milhões da Globo, ela já não poderia ter acesso a estes documentos, porque é pacífico o afastamento de servidores acusados de locais onde tenham praticado os desvios, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça:
STJ, ‘Habeas Corpus’ nº 7.309: “Ementa: Não constitui hipótese de constrangimento ilegal a proibição de que funcionários envolvidos em sindicância acerca do desaparecimento de processos, e suspensos de suas atividades, continuem a circular no local aonde teriam ocorrido os eventuais ilícitos.”
Traduzindo mais claramente: Cristina já era, no momento em que sumiu o processo da Globo, acusada de sumir com processos e fazer lançamentos falsos nos sistemas da Receita.
Ofende a inteligência de um poste que esta servidora possa pegar e sumir com um processo que, pelo seu valor e seu autuado – a Globo –  pudesse ser tratado como um recibo falso de dentista.
É nos chamar de estúpidos achar que uma funcionária pode levar “para passear” um processo de R$ 615 milhões, e nos chamar de estúpidos ao cubo que uma funcionária que responde a um processo administrativo por improbidade possa fazê-lo.
O sumiço do processo da Globo foi lançado nas costas de Cristina como nas delegacias se manda um criminoso “assinar” outros crimes, para resolver um “problema”.
Ela não podia ter roubado algo a que não poderia ter acesso, a menos que a Receita Federal queria assumir ser uma “casa de mãe joana”, o que não é nem poderia ser.
O nosso Ministério Público Federal, se não é cúmplice de uma escandalosa omissão, o que seria impensável,  está sendo, no mínimo, incapaz de ver o óbvio.
Recusou a quebra do sigilo fiscal e telefônico de Cristina, está nos autos. Recusou a presença da Polícia Federal, está nos autos.
E não viu, ou fez que não viu, que ela já estava sob investigação e processo – ou seja, tinha ciência da investigação – no momento em que teria roubado os autos.
A sua prova é o depoimento de servidores que a reconheceram transportando um volume, mas o que era esse volume não está consignado nos autos.
Poderia ser um pacote de fraldas descartáveis ou um processo. E qualquer processo, não necessariamente o da Globo.
Mas dizer que foi o da Globo resolveu todos os problemas.
O “bode” ficou para ela.
Estou à procura de advogados corajosos para provocar o novo chefe do Ministério Público, Dr. Rodrigo Janot, a elucidar a questão. Não há sigilo fiscal envolvido nisso.
E para, segunda feira, pedir acesso aos autos do Processo Disciplinar, para saber de que Cristina Maris era acusada antes do sumiço do processo da Globo. É preciso esclarecer se o sumiço dos papéis da Globo não foram convenientemente lançados às suas costas para encobrir os verdadeiros culpados.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Joaquim Barbosa está rasgando o código de ética dos magistrados

Cortesia é um dos itens exigidos no manual.
Um problema nacional
De tanto ver absurdos no Supremo, me perguntei se não haveria um código de conduta.
Coisas assim me intrigaram: a) Fux ter relações estreitas com um grande escritório de advocacia; b) Joaquim Barbosa pagar uma viagem para uma jornalista do Globo cobrir uma palestra irrelevante sua na Costa Rica. O detalhe é que o avião usado para a boca livre barbosiana foi o da FAB; c) Gilmar Mendes num cargo tão vital mesmo sendo, como disse certa vez Eliane Cantanhêde, “muito tucano”; Ayres Britto tão ligado a jornalistas – dos quais deveria manter distância olímpica, em nome da justiça e do recato — a ponto de escrever o prefácio de um livro de Merval Pereira.
Poderia listar outras coisas, mas vou poupar a paciência do leitor.
Pesquisei, e para relativa surpresa minha descobri que sim, existe um manual de conduta.
Não é ruim, desde que seja seguido.
Dada a atitude destrutiva e desagregadora de JB, tão brutalmente  exposta em sua agressão a Lewandowski, um ponto me chamou a atenção.
Reproduzo-o:
“CORTESIA
O magistrado tem o dever de cortesia para com os colegas, os membros do Ministério Público, os advogados, os servidores, as partes, as testemunhas e todos quantos se relacionem com a administração da Justiça.
Parágrafo único. Impõe-se ao magistrado a utilização de linguagem escorreita, polida, respeitosa e compreensível.”
Ou Joaquim Barbosa desconhece o manual ou o despreza. É um exemplo tenebroso que o presidente da mais alta corte passa aos integrantes do sistema judiciário nacional. Quem não se lembra da forma como ele se dirigiu a um repórter do Estadão que lhe fez uma pergunta diferente das louvaminheiras que jornalistas da Veja e da Globo costumam lhe fazer?
JB vai se assemelhando, cada vez mais, ao alienista de Machado de Assis. Acha que o problema está em todo mundo quando, na verdade, ele é o problema.
Paulo Nogueira
No DCM
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Charge online - Bessinha - # 1898

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Álvaro Dias e o chanceler paraguaio

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) apoiou abertamente o golpe de junho de 2012 no Paraguai, que promoveu o "impeachment sumário" do presidente Fernando Lugo. Ele fez discursos em Brasília, escreveu artigos nos jornalões conservadores e viajou algumas vezes a Assunção para prestar apoio aos golpistas. Fruto de mais este atentado à democracia, o oligárquico Partido Colorado voltou ao poder, com a eleição do contrabandista Horacio Cartes. Nesta semana, o novo presidente tomou posse e anunciou seu "ministério técnico". Entre os escolhidos, um notório fascista será o ministro das Relações Exteriores. Será que o tucano gostou da escolha do chanceler Eládio Loizaga?
Segundo a Comissão da Verdade e Justiça (CVJ) do Paraguai, Eládio Loizaga participou ativamente da Operação Condor, a famosa e sinistra articulação que sequestrou, torturou e assassinou centenas de patriotas no período das ditaduras militares na América Latina. Ele está entre os réus numa ação impetrada no Ministério Público contra membros do Partido Colorado acusados por violações dos direitos humanos. Segundo a ação, o hoje chanceler foi assessor especial do sanguinário ditador Alfredo Stroessner e um dos líderes da Confederação Anticomunista da América Latina (CAL), entidade clandestina ligada à Liga Anticomunista Mundial (WALC, na sigla em inglês).
"Loizaga seria um dos participantes da CAL por meio da juventude do Partido Colorado e teria preparado, com mais cinco membros, uma ata para o XII Congresso Anticomunista Latino-Americano. Entre outras coisas, o grupo definiu a atualização da biografia do então ditador Alfredo Stroessner em português e inglês. De acordo com a CVJ - que funcionou entre 2004 e 2008 e produziu relatório de 368 páginas, além de uma lista de 178 recomendações -, a CAL assessorou militares da região na Operação Condor", revela matéria do jornal Estadão. O tucano Alvaro Dias não tem nada a comentar sobre o tenebroso assunto?
No Blog do Miro
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A explicação

Já se especulou como a História seria outra se Adfolf Hitler tivesse se tratado com seu conterrâneo e contemporâneo Sigmundo Freud, em Viena. Curado dos seus complexos e de suas fobias, Hitler teria abandonado a ideia de dominar o mundo e vivido uma pacata vida de burguês, ou talvez se contentado em dominar só um quarteirão.
O fascismo não passaria de uma breve erupção hormonal italiana e jamais chegaria à Alemanha, ou se chegasse seria sob um líder mais equilibrado.
Também se especula sobre o que aconteceria se, por alguma mágica, o diretor de admissões da Academia de Belas Artes de Viena fosse avisado de que deveria aceitar o pedido de matrícula de um certo Adolf Hitler sem fazer perguntas.
— Mas ele é um pintor medíocre.
— Aceita.
— Mas...
— Aceita!
Não avisaram a Academia das consequências de barrar a entrada de um certo Adolf Hitler e frustrar suas ambições artísticas e deu no que deu.
Falando em Hitler... Ainda não vi esse filme sobre a Hannah Arendt e não sei como é tratada a relação dela com Martin Heidegger, que foi seu professor e amante.
Pelo que sei, ela nunca repudiou ou criticou Heidegger abertamente, mesmo depois da revelação de que ele não fora apenas simpatizante do nazismo, mas atuara, no meio acadêmico, como um ativo agente do regime , inclusive denunciando e perseguindo colegas que não seguiam a mesma linha.
O critico George Steiner escreveu sobre Heidegger e o paradoxo de intelectuais — outro citado por ele é o poeta Ezra Pound — que nos seus escritos defendem ideais clássicos de civilização e civismo (Steiner chega a dizer que Heidegger e Pound são os dois maiores mestres do humanismo do nosso tempo) e ao mesmo tempo se deixam seduzir pelo fascismo, com sua desumanidade evidente.
Qual será a conexão invisível na contradição? O que torna a alta cultura tão incompreensivelmente vulnerável ao apelo da barbárie?
Talvez, tanto no caso do Heidegger fascista como no caso da Hannah Arendt compreensiva, a explicação seja, simplesmente, o amor.
Do Heidegger, não pelo fascismo, mas pelo poder; da Hannah, pela lembrança de uma paixão intelectual e física mais forte do que qualquer julgamento moral.
Luis Fernando Veríssimo
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Promotor em Santa Catarina nega casamento gay e desdenha de noivas

Carta do promotor Henrique Limongi chama união
homoafetiva de 'indisputavelmente anômala'
Foto: Priscila Minkz Zanuzzo / Reprodução

Um promotor de Santa Catarina negou nesta semana a união civil entre duas mulheres, e ainda desdenhou do pedido. Henrique Limongi baseou-se na Constituição, que ainda afirma que a entidade familiar é composta "entre o homem e a mulher", e ignorou a recomendação do Conselho Nacional de Justiça e da Corregedoria-Geral da Justiça de Santa Catarina de reconhecimento do casamento gay como união estável.
Além de negar o pedido, o promotor escreve na carta de reposta que a união de Priscila Minks Zanuzzo e Carmen Abreu de Melo é "indisputavelmente anômala" e que foge aos "mais comezinhos parâmetros de normalidade" - comezinhos significa simples e de fácil entendimento. Limongi ainda menciona "o chamado casamento gay ou, para ser 'politicamente correto', união homoafetiva" (sic) e diz que a Constituição tem "clareza de fustigar a visão" sobre o tema, o que deveria, na escrita do magistrado, "dispensar, assim, fogosos malabarismos exegéticos ou extenuantes ensaios de hermenêutica".
"Quando a gente entrou com pedido, não via a possibilidade de ser negado", conta Priscila, "mas ainda não é lei, então tem a arbitrariedade do promotor e do juiz". Para fazer a união civil, um casal deve pedi-la no cartório, que lavra o pedido e encaminha os documentos ao promotor, que deve habilitar todas as uniões - independente de serem homoafetivas. A decisão do promotor ainda precisa ser validada pela Justiça.
Carmen (esq.) e Priscila estão juntas há 10 anos Foto: Priscila Minkz Zanuzzo / Divulgação
Carmen (esq.) e Priscila estão juntas há 10 anos  
Foto: Priscila Minkz Zanuzzo / Divulgação
"Acredito que o juiz não vai negar", opina Priscila, mas ressalva que, se o magistrado endossar a decisão do promotor, ela e a noiva vão recorrer da decisão.
Juntas há 10 anos, Priscila e Carmen, 29 e 30 anos, decidiram oficializar a união pelo "aspecto legal, de ter os direitos que as outras pessoas têm". Elas planejavam assinar os documentos no cartório dia 23, e no fim de semana realizariam uma festa para os amigos.
"Foi bem horrível receber essa carta, porque não é só a carta dizendo 'olha, segundo a lei, vocês não podem casar'. A carta é cheia de ironias, sarcasmos, colocando negrito 'entre homem e mulher', dá pra sentir um tom bem preconceituoso. Não é só o que está escrito, mas o modo como está escrito", diz Priscila.
Foi por se sentirem ofendidas que as duas publicaram a carta em seus perfis no Facebook, onde reclamam que o magistrado "caçoa" do pedido de união estável. Na rede social, os amigos de outras cidades - de São Paulo, terra natal de Carmen, e do oeste de Santa Catarina, onde Priscila nasceu -, passaram de empolgados com o casamento em Florianópolis para indignados.
"Estou me informando sobre o que é possível fazer contra esse promotor, porque acho que com essa carta ele está fazendo um desserviço, está colocando as convicções pessoais dele na frente de tudo, não só se pautando na lei mas indo além e ofendendo gratuitamente", diz Priscila. "E eu sei que ele já escreveu outra carta semelhante", comenta, em referência a documento divulgado por reportagem da RBS TV sobre um pedido de união homoafetiva que Limongi negou a dois homens em junho. As imagens destacam trechos da carta que, como a enviada às noivas, colocam em negrito e sublinhado que a Constituição cita "homem e mulher" para que a união estável se caracterize como entidade familiar.
Déborah Salves
No Terra
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Senador tucano usa dinheiro público para fazer negócio com empresa do irmão

Ele
O senador Cícero Lucena (PSDB-PB) utiliza recursos do Senado para financiar um negócio de família. Com a Cota para o Exercício de Atividade Parlamentar (Ceaps), mais conhecida como verba indenizatória, alugou do próprio irmão, com preço mais alto que os de mercado, uma picape de luxo. Por mês, pagou R$ 7,2 mil por uma Mitsubishi Pajero de propriedade de Pedro Lindolfo de Lucena, dono de locadora em João Pessoa.
A situação afronta as regras do Senado. O Ato do 1º secretário 10/2011, que disciplina a cota dos parlamentares, diz que não se admitirá o uso da verba pública, de R$ 15 mil mensais, para ressarcir despesas com "empresa ou entidade da qual o proprietário ou detentor seja o senador ou parente seu até o terceiro grau". 
A primeira nota do aluguel foi apresentada em novembro do ano passado. De lá para cá, a locadora emitiu sete notas fiscais - todas com o valor de R$ 7,2 mil -, que o Senado mantém em sigilo, embora a Lei de Acesso à Informação o proíba. 
Lucena optou pela Mitsubishi Pajero preta, 4x4, aberta na traseira para transporte de carga, ano/modelo 2009. O veículo está em nome de Pedro Lindolfo, que é sócio da Z Veículos, filial da bandeira internacional Avis na capital paraibana. 
Nos sete meses, o aluguel do veículo soma R$ 50,4 mil. Procurado, o gabinete do senador não entrou em detalhes sobre os questionamentos. Em nota, disse apenas que devolverá aos cofres públicos o dinheiro pago ao irmão. 
Apesar da proibição expressa em relação a empresas de parentes, não há fiscalização sobre o uso da verba indenizatória. Segundo ato interno, o Senado só verifica "aspectos relativos às regularidades fiscal e contábil das notas apresentadas pelos senadores, não compreendendo qualquer avaliação quanto à observância de normas eleitorais, tipicidade ou ilicitudes". Na prática, a Casa se fia na palavra do senador, que apenas assina documento comprometendo-se a usar a verba de acordo com o previsto. 
Lucena pagou um preço camarada ao irmão. Em três locadoras de João Pessoa, consultadas, o aluguel sai mais barato. O maior valor cobrado pela Pajero foi de R$ 5,2 mil mensais e o menor, de R$ 5 mil. A locação só chega a R$ 7 mil mensais quando a picape é fechada, ou seja, sem a traseira aberta para transporte de carga, o que não é o caso do veículo alugado por Lucena. A consulta nas locadoras foi por modelos mais recentes. Os senadores têm direito a R$ 15 mil por mês para despesas com aluguel de escritório político, aquisição de material de consumo, combustível, divulgação parlamentar, entre outros, além de um valor, que varia entre R$ 6 mil e R$ 29,2 mil por estado, para passagens aéreas. 
Preso 
Empresário da construção civil, Lucena foi governador da Paraíba entre março e dezembro de 1994. Também exerceu mandato de prefeito de João Pessoa entre janeiro de 1997 e dezembro 2004. Em 2005, ficou preso por dois dias, em decorrência da Operação Confraria, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. 
Segundo o inquérito da PF, Lucena e mais sete pessoas participaram de um esquema de desvio de recursos públicos entre 1996 e 2003 na Paraíba, com fraudes em licitações de convênios para implantação de saneamento, obras de urbanização e serviços de infraestrutura em vários bairros da capital. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
R$ 7,2 mil
Valor mensal da cota parlamentar utilizada por Cícero Lucena para alugar a Pajero do irmão.
No Amigos do Presidente Lula
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A Folha só pensa naquilo

Na semana em que mais de 600 morreram no Egito, o julgamento do mensalão recomeçou e o dólar bateu recordes, a Folha anunciou a criação do blog "X de Sexo".
Não dá para viver só de desgraças, não é? Sem dúvida, mas basta dar uma olhada na última invenção do jornal para concluir que se trata, numa avaliação bastante gentil, de um tremendo equívoco.
(A partir daqui, a coluna é para maiores de 18 anos).
"Fui chupada de um jeito maravilhoso (...) Ele desceu bem aos pouquinhos até meu quadril, lambendo minhas coxas, a virilha, se aproximando daquele ponto com pulso próprio. Ao chegar lá, sua língua começou a dirigir os movimentos de meu corpo molhado, propiciando rápidos e rítmicos golpinhos com ela. Circundou meu clitóris com maciez, me beijou os lábios, chupando-os de baixo para cima. (...)"
O extrato é do post de estreia do blog, intitulado "Dia de festa". Não foi pinçado para provar que se trata de um "pornô de butique com pseudoqualidade literária". O site é todo assim, uma tentativa de obter uns dez tons de cinza.
O segundo texto, sobre uma mulher "suando" embaixo do chuveiro de tanto se masturbar, também abusa dos detalhes anatômicos na tentativa de excitar a audiência: "a barriga soluçava, o abdômen apertava (...) as pernas esticavam, o peito se estufava, e eu gemi baixinho um aaaa com a boca meio apertada".
O blog é ilustrado com fotografias que parecem sobras daqueles ensaios de mulheres nuas, pretensamente ousados e sofisticados. Não são nem uma coisa nem outra.
Nem dá para louvar a coragem das autoras do blog, assinado por Ana e Lia, porque são pseudônimos. Ou seja, a descrição de como se deve fazer sexo oral em uma mulher pode ter sido escrita por um redator barbudo e malcheiroso que, àquela hora do dia, deveria estar fazendo um título melhor para "Mundo".
A Folha não publica textos apócrifos, mas abriu uma exceção nesse caso, segundo a Secretaria de Redação, para preservar a "privacidade das autoras".
O "X de Sexo", na avaliação do jornal, não é "pornográfico" e foi criado para "ajudar a compor a diversidade temática de blogs e colunas abrigados no F5, site de amenidades e entretenimento".
"Não é jornalismo, mas é informação", afirma a Secretaria de Redação. Informação? O blog não tem qualquer tipo de aconselhamento sexual, noticiário sobre o assunto, discussão de temas considerados tabus ou qualidade literária.
"Parece que o blog não foi feito para quebrar paradigmas, para ajudar as pessoas a sofrerem menos com o sexo. Os posts falam de um modelo ideal, tudo perfeito, coisa de cinema", diz Lola Benvenutti, 21, formada em letras pela Universidade Federal de São Carlos, garota de programa e blogueira.
Nem vale a pena discutir os limites entre jornalismo e entretenimento. Já que o assunto é sexo, sejamos explícitos: o blog, como todo o F5, é uma tentativa despudorada de aumentar a audiência na rede. Esse "topa tudo por pageviews" só faz mal à marca Folha.
RICO POR UMAS HORAS
André Garcia Martines, 74, acordou na terça-feira passada, como sempre, "duro, desgraçado, aposentado". Fez o café, arrumou a mesa para a mulher e a filha, pegou o jornal e... achou que tinha ficado rico.
O ex-funcionário do Tribunal de Justiça conferiu o resultado da Lotofácil na "FolhaCorrida", última página de "Cotidiano". Tinha acertado 15 números, o que lhe daria um prêmio de R$ 231 mil.
Começou a fazer planos. "Fiquei emocionado. Daria para ajudar a quitar os apartamentos das minhas filhas, ajeitar a minha casa, cuidar da mulher. O resto iria para a poupança", conta o sr. André.
Na casa lotérica perto de sua casa, no Ipiranga, a alegria acabou. A Folha tinha publicado o resultado do concurso anterior: em vez de trazer o sorteio de segunda-feira, repetiu o de sábado. O sr. André não tinha direito a nada.
"Pedi desculpas para a minha mulher e para a minha filha, porque elas começaram a sonhar com coisas que não posso bancar", diz.
A assinatura do jornal foi um presente da filha -ela lê a "Veja", e a mãe, a "Caras". O erro da loteria deixou-o revoltado. "Não me interessa se foi falha de quem escreveu, se o revisor estava dormindo. Eu me senti ridículo."
O relato do sr. André prova que pequenos erros no jornal podem provocar grandes aborrecimentos. 
Suzana Singer
No fAlha
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Edgar Vasques

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Eternit é processada em R$ 1 bilhão por contaminação com amianto

Empresa também é acusada de omissão de socorro no maior processo coletivo por danos morais do país
Ex-funcionários. João Batista Momi (à direita) , Elizer João de Souza (à esquerda) e Doracy Maggion trabalharam na Eternit e hoje lutam por reparação Foto: Marcos Alves / Marcos Alves
Ex-funcionários. João Batista Momi (à direita) , Elizer João de Souza (à esquerda) e Doracy Maggion trabalharam na Eternit e hoje lutam por reparação Marcos Alves / Marcos Alves
BRASÍLIA — O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública na 9ª Vara do Trabalho, em São Paulo, contra a Eternit, pedindo R$ 1 bilhão por dano moral coletivo. É o maior valor pedido pelo MPT numa ação por danos morais. Os procuradores acusam a empresa de ser a responsável pela contaminação de centenas de empregados da unidade de Osasco (SP) que ficaram expostos ao amianto e de não dar assistência médica devida a eles. A fábrica funcionou por 50 anos e fechou suas atividades em 1993.
O amianto é usado na fabricação de telhas e caixas d’água. É um produto cancerígeno e que causa graves problemas respiratórios. A asbestose, doença causada pela inalação do amianto, é também conhecida como geradora do “pulmão de pedra”.
Na ação, ajuizada no fim de julho, o MPT exige que a Eternit convoque os antigos empregados para exames periódicos em anúncios nas maiores redes de TV, com inserções diárias em horário nobre — entre 12h e 13h e 20h30m e 21h30m — durante duas semanas. Os procuradores querem também que essa convocação se dê nos principais jornais, num espaço que ocupe um quarto da página. Uma espécie de recall de vítimas do amianto.
Doença demora a aparecer
O MPT solicita à Justiça do Trabalho que determine à empresa a realização de exames periódicos durante os 30 anos subsequentes ao encerramento das atividades. E que amplie os exames, incluindo, por exemplo, diagnóstico de neoplasia maligna do estômago e neoplasia maligna da laringe, além de pagar atendimento psicológico, medicamentos e fisioterapia.
A contaminação na unidade da Eternit em Osasco — por onde passaram cerca de dez mil trabalhadores durante seu funcionamento — levou ex-funcionários a criarem, há 17 anos, a Associação Brasileira de Expostos ao Amianto (Abrea). A entidade briga por direitos das vítimas e busca indenizações na Justiça.
O presidente da Abrea, Eliezer João de Souza, de 72 anos, foi contaminado pelo amianto. Ele relata que as vítimas só descobrem que estão com algum problema muitos anos depois de deixarem o emprego, pois a doença leva até 40 anos para se manifestar:
— Não temos o número exato de quantos colegas morreram contaminados pelo amianto. A doença só aparece tempos depois. Foi muita gente.
Ivo dos Santos, 76 anos, outro ex-funcionário da Eternit, contraiu a asbestose. Ele trabalhou durante 32 anos na empresa, entre 1952 a 1985. E descobriu em 1986 que estava doente. Ele contou que aspirava o pó do amianto.
— Quando me aposentei não sabia de nada. Tenho dificuldade em respirar. O pulmão da gente vai endurecendo. Teve gente que só descobriu quando foi tentar outro emprego e o exame médico admissional apontou o problema. — disse Ivo dos Santos.
João Batista Momi tem 83 anos e trabalhou durante 32 na Eternit. Também portador da asbestose, Batista anotou num caderno o nome de cada ex-companheiro de trabalho que morreu. De 1996 para cá, já registrou 98 mortes e diz que boa parte foi vítima do amianto.
— Não tenho certeza se todos foram por causa do amianto, porque muitos se mudaram para o interior. Mas a grande maioria dessa lista morreu disso sim — disse.
Evandro Éboli
No O Globo
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Quem quer, apura

O desejo de esclarecer as licitações e compras do metrô paulistano e da CPTM, reiterado pelo governador Geraldo Alckmin, dispõe de caminhos muito mais simples, rápidos e eficientes do que os processos judiciais por ele anunciados. Estes, além de lançarem dúvida sobre a veracidade do desejo, com sua preferência pelo método confuso, e lerdo, correspondem demais a utilidades reeleitoreiras.
Não é preciso esperar pelos documentos já colhidos na investigação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e tão reclamados à toa pelo governador. Ao que se saiba, também o governo paulista não é dado a repassar aos investigados por sua polícia as pistas e provas obtidas em investigações ainda sigilosas.
As licitações, contratações e compras foram feitas pelo governo paulista. É só abrir os seus respectivos arquivos e surgirá uma profusão de documentos com indícios, esclarecimentos, mesmo com provas em um ou em outro sentido, coisas que talvez nem o Cade já tenha. O governo paulista não se deu a esse trabalho simples para embasar as informações esperadas pela opinião pública, até agora só servida de palavrório requentado.
De fácil acesso nos arquivos está um outro indicador, sempre enrolado em meias explicações pelo governantes e, no caso paulista, parte essencial. São os acréscimos de preço apelidados de reajustes, que só em casos raros refletem motivos justos e não pretextos, convenientes à melhoria do preço feito para vencer. E não menos convenientes a mais participações de terceiros, quartos e outros.
Na beira do cadafalso estão governos paulistas e o PSDB. Cabe então ao governador Geraldo Alckmin abrir o jogo, mostrar o que se passou conforme a documentação em posse do governo paulista, caso queira deixar mais do que a impressão de tergiversar e fazer gestos ilusórios como resguardo eleitoreiro.
OS SUPER
A determinação do Tribunal de Contas da União para corte do supersalários na Câmara deve atingir não 1.100 funcionários, mas 1.677, mais cerca de 50%, conforme levantamento do repórter Vinicius Sassine no "Globo". No Senado, a informação recebida pelo TCU relaciona 464 beneficiados também por vencimentos acima do teto de R$ 28 mil recebido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal.
O TCU não cobra a devolução do excedente descabido. Quer apenas vê-lo cortado, afinal. Mas se bem que os beneficiários, os detentores de supersalários, não pagaram a si mesmos. E a responsabilização de quem autorizou reiteradamente os pagamentos de notória ilegalidade? Ah, essa violaria a norma da impunidade quando se trata de dinheiro público. Norma, no geral, tabu no Congresso.
MANIFESTANTES
As estimativas ficaram entre uns 150 e, com otimismo, uns 200, 220 jovens, que outro otimismo chamou a todos de estudantes. Sentados em esquina da avenida Rio Branco, levaram a um engarrafamento que parou o centro do Rio por mais de cinco horas e estendeu engarrafamentos pela cidade por várias horas, a depender da região. Ensanduichados nos ônibus e ensardinhados nas vans, aqueles por quem foi feita, com a participação dos próprios, a luta contra o aumento das passagens e em defesa dos usuários.
Os sentados na Rio Branco manifestaram também alguma coisa. Fica por sua conta identificá-la, a seu gosto e ideia.
Janio de Freitas
No fAlha
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As 15 representações encaminhadas pela bancada do PT-SP contra governos tucanos

É simplesmente vergonhosa a omissão do Ministério Público Federal no caso Siemens-tucanos. Na última semana, a bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) divulgou todas as representações protocoladas pelos parlamentares da nossa Bancada entre 2008 e 2010.
Faço questão de publicá-las aqui, indicando a página do PT-ALESP onde foram divulgadas. Ao todo foram 15 representações protocoladas entre 2008 e 2010. A matéria frisa que "passados cinco anos, ninguém foi responsabilizado" e lembra que "atos de improbidade administrativa caducam em cinco anos, não sendo mais aplicável punição.
Confiram:
01. 19/06/2008 – MPF Rodrigo de Grandis - irregularidades em contratos de estatais paulistas com a Alstom e pagamento de propina pela Alstom a José Amaro Pinto Ramos, lobista ligado a tucanos / lavagem de dinheiro/ Estadão 18/06/2008 – Jornalista Eduardo Reina - PR/SP-SEPJ 004726/2008 - 10.02.2011 – Representação 1.34.001-003352/2008-39 encaminhada à Justiça Federal em 24/06/2008 recebeu o número 000.7986.86.2008.4.03.6181 – 6º Vara Criminal – aos 10.01.2011 encaminhado ao MPF para manifestação. (está sob sigilo)
02. 24/06/2008 - MPE Silvio Marques - Aditamento ao Inquérito 204/2008 na Procuradoria de Justiça da Cidadania (tel 3017.7869) comunicando protocolo da representação ao MPF de 19/06/2008 denunciando irregularidades nos contratos de estatais paulistas com a Alstom (está sob sigilo)
03. 27/06/2008 – MPE Silvio Marques - representação contra Claudio Luiz Petrechen Mendes pela prática de crime de falso testemunho em depoimento dado ao MP no qual omitiu a sociedade em duas empresas, a Inter empresarial Comercial importação e Exportação Ltda. e Tecpar Engenharia e Participações Ltda, por indícios de prestação de serviços fictícios a empresas do conglomerado Alstom. (“Propina iria para “partido no poder” Jornalista Eduardo Reina – Estadão 20/06/2013) (está sob sigilo)
04. 30/06/2008 - MPF Rodrigo de Grandis - comunica o protocolo da representação ao MPE contra Claudio Luiz Petrechen Mendes pela prática de crime de falso testemunho em depoimento dado ao MP no qual omitiu a sociedade em duas empresas, a Inter empresarial Comercial importação e Exportação Ltda. e Tecpar Engenharia e Participações Ltda por indícios de prestação de serviços fictícios a empresas do conglomerado Alstom. 10.02.2011 – Anexado à Representação 1.34.001-003352/2008-39 (item 3 deste relatório) encaminhada à Justiça Federal em 24/06/2008 recebeu o número 000.7986.86.2008.4.03.6181 – 6º Vara Criminal – aos 10.01.2011 encaminhado ao MPF para manifestação. (está sob sigilo)
05. 18/07/2008 – MPF Rodrigo de Grandis - irregularidades em contratos de estatais paulistas com a Alstom e Siemens. Indícios de utilização de consultorias internacionais para lavagem de dinheiro visando o pagamento de propinas e subornos a diversas autoridades no Brasil (está sob sigilo)
06. 22/07/2008 – MPE Silvio Marques - irregularidades envolvendo o contrato firmado entre o Metrô e a empresa CMW Equipamentos S/A (atualmente Alstom) TC 23179/026/94, que teve inúmeras irregulares e prorrogações de prazo contratual que fizeram com que o contrato assinado em 1994 vigorasse por mais de 10 anos, contrariando disposição expressa da lei 8666/93, que fixa o limite de duração do contrato em 60 meses. 000003030 - IC 397/2008 6ª. PJ – PPS –Silvio Marques – Oficial Isaura (está sob sigilo)
07. 22/07/2008 – MPE Silvio Marques - irregularidades envolvendo o aditamento ao contrato firmado entre o Metrô e a empresa Mafersa S.A. para aquisição de trens (pelo Termo Aditivo 11 a Alstom, que era subcontratada da Mafersa, adquiriu desta os direitos e obrigações decorrentes do contrato firmado) julgado irregular pelo TCE - TC 014593/026/92 uma vez que o Metrô, aproveitando-se de um contrato praticamente exaurido, alterou o objeto, sob a justificativa de atualizações tecnológicas, alterou os preços e substituiu a empresa contratada pela Alstom, quando, na verdade, deveria ter realizado nova licitação. (está sob sigilo)
08. 05/08/2008 – MPF Adriana Zawada Melo – representação contra a Siemens (pelas mesmas irregularidades envolvendo a Alstom), mencionando prisões de vários funcionários da Siemens decorrentes de investigações criminais ocorridas em diversos países pela prática de atos de corrupção envolvendo o suborno de diversas autoridades, e em depoimento a promotores de Munique, Reinhard Siekaczek, ex-diretor da Siemens, afirmou que tinha conhecimento de pagamentos para autoridades de outros países e que o Brasil seria um deles. Sendo assim, a representação solicita investigação dos contratos da Siemens com diversas empresas, CPTM, METRO, CESP, CPFL, DER, dentre outras. ANDAMENTO 06.08.2010 – ESTÁ SOB SIGILO 10.02.2011 – 10.02.2011 – instaurada representação 1.34.001.004673/2008-51 encaminhada para o MPE aos 15/01/2009 (está sob sigilo)
09. 28/08/2008 – MPF Rodrigo de Grandis – representação contra as empresas Alstom e Siemens pela prática de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a diversas autoridades no Brasil. (está sob sigilo)
10. 03/09/2008 – MPE Silvio Marques – aditamento à representação de 22/07/2008, contra a Mafersa, informado que o contrato foi julgado irregular pelo TCE, e noticiando que os escritórios da Alstom na Suiça, responsáveis pela contabilidade, haviam sofrido busca e apreensão de documentos e equipamentos. (está sob sigilo)
11. 16/07/2009 – MPF Rodrigo de Grandis – aditamento à representação de 19/06/2008 informando acerca do bloqueio de bens do Conselheiro do TCE/SP Robson Marinho, suspeito de ajudar a Alstom a conseguir contrato de R$ 110 milhões em 1998, quando já era Conselheiro do TCE, após ter sido Chefe da Casa Civil no Governo Mário Covas e tesoureiro da Campanha de Mário Covas em 1994. (está sob sigilo)
12. 17/09/2009 – MPE Silvio Marques – mesmo teor da representação enviada ao MPF 05/08/2008, contra a Siemens (pelas mesmas irregularidades envolvendo a Alstom), mencionando prisões de vários funcionários da Siemens decorrentes de investigações criminais ocorridas em diversos países pela prática de atos de corrupção envolvendo o suborno de diversas autoridades e, em depoimento a promotores de Munique, Reinhard Siekaczek, ex-diretor da Siemens, afirmou que tinha conhecimento de pagamentos para autoridades de outros países e que o Brasil seria um deles. Sendo assim, a representação solicita investigação dos contratos da Siemens com diversas empresas, CPTM, METRO, CESP, CPFL, DER, dentre outras.
13. 27/07/2009 – MPE Silvio Marques – aditamento à representação de 19/06/2008 informando acerca do bloqueio de bens do Conselheiro do TCE/SP Robson Marinho, suspeito de ajudar a Alstom a conseguir contrato de R$ 110 milhões em 1998, quando já era Conselheiro do TCE, após ter sido Chefe da Casa Civil no Governo Mário Covas e tesoureiro da Campanha de Mário Covas em 1994. (está sob sigilo)
14. 27/10/2010 – MPE e MPF – representação denunciando fraude na licitação da linha 5 – Lilás do Metrô. Está na Sub-procuradoria Geral de Justiça acompanhando a Ação Popular que corre pela 9ª Vara da Fazenda 0039554-31.2010.8.26.0053
15. 21/05/2010 – MPE - Aditamento Alston – IC 397/2008 – 6º PJ – desde 06/04/2009 para elaboração de laudo técnico (informação de 15/10/2012) (está sob sigilo).
Violência contra manifestantes
Aproveito, também, para recomendar a leitura da matéria "PT requer sindicância para apurar ação da Tropa de Choque na Assembleia", que denuncia a violência policial contra os deputados e cidadãos que tentaram acompanhar a sessão plenária na última quarta-feira (14.08) na Casa. Segundo o deputado Luiz Claudio Marcolino, líder do PT na ALESP, o partido vai requerer uma investigação para esclarecer a distinção feita entre os "convidados a assistir a sessão da discussão de uma proposta de emenda constitucional (constante da pauta) e os cidadãos que vieram participar dos protestos contra a corrupção tucana no Metrô e na CPTM".
No Blog do Zé
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Eles querem tirar uma lasca do Brasil

O capital parasita – leia-se, rentistas, especuladores e a república dos acionistas sem pátria – acha que chegou a hora de tirar uma lasca do Brasil.
Um pedaço do pré-sal, talvez. Ou um naco das reservas em dólar. Quem sabe um escalpo extra da população para atingir ‘a meta cheia’ do superávit fiscal.
Os preparativos para o assalto começaram há algumas semanas; deixaram os rastros de sempre nas manchetes nada sutis do jornalismo ‘especializado’.
A interpretação que a mídia e consultorias oferecem para o salto do dólar nesta 6ª feira, quando a moeda norte-americana avançou 2% e beirou R$ 2,40, inclui-se nesse esforço de achacar a nação por asfixia.
O jornal Valor Econômico foi originalmente um veículo conservador com apego à exatidão útil aos mercados.
Rasgou a fantasia este ano; hoje é mais um clarim estridente dessa ordem unida de achacadores.
Para se credenciar, limou a redação da competência heterodoxa de que dispunha e despediu a seriedade.
Ajustou-se.
Agora é o porta-voz dos administradores de carteiras.
Uma gente sôfrega que se move por impulsos irrefletidos em relação ao próximo e ao distante; sejam eles a sorte da economia ou os destinos da sociedade.
É desse circuito algo reptiliano que saltou o bote desfechado esta semana contra o pré-sal.
Coube ao Valor atribuir ao governo aquilo que a ganância parasitária pleiteia: abdicar dos 30% cativos da Petrobrás no pré-sal.
Um balão de assalto.
A república dos acionistas gostaria de ‘realizar’ depressa o valor potencial das maiores reservas de petróleo descobertas no planeta nos últimos 30 anos.
O nome do atalho é petroleiras internacionais.
O método: remeter in bruto o óleo, sem refino.
E gerar caixa. Somas elevadas.
A república dos acionistas ganharia duas vezes.
Se a Petrobrás deixa de gastar como investidor universal da exploração, com pelo menos 30% em cada poço, como manda a lei, sobra mais para distribuir dividendos aos detentores das carteiras.
Que ganhariam de novo se o petróleo fosse bombeado direto para fora do país, sem alimentar impulsos industrializantes, sem expandir polos tecnológicos, sem engatar cadeias de equipamentos com elevados índices de nacionalização e prazos mais largos.
Entre os favorecidos nessa elipse do interesse nacional, figura a família Marinho, dona do jornal Valor, juntamente com os Frias, e um dos maiores acionistas da Petrobras.
Transitamos, como se vê, no campo da injeção de interesses direto na veia do noticiário.
Nesta 6ª feira foi a vez do ataque especulativo contra o câmbio.
O chamado ‘over shoot’ do dólar – uma desvalorização abrupta e pronunciada - vem sendo urdido em ladainha, há várias semanas, pelo mesmo noticiário especializado .
A esperança, confessa, é que o ajuste cambial - que o país precisaria fazer para devolver competitividade a sua indústria e refrear o déficit externo - desembeste. E ocupe o lugar do tomate no jogral do ‘descontrole dos preços’ , lubrificando a defesa do choque redentor dos juros .
O conjunto atenderia ainda à determinante política do mutirão conservador, que consiste em decretar o necrológio do governo Dilma, com injeção de algum oxigênio às candidaturas anêmicas da oposição tucana.
Fatos.
As moedas emergentes – todas elas – perderam valor no mundo nesta 6ª feira.
Motivo: a expectativa de uma mudança de ciclo econômico mundial, com a recuperação dos EUA.
O BC norte-americano pode apertar um pouco menos o espirrador de liquidez por lá, se a recuperação, de fato, acelerar o passo de forma consistente (hipótese ainda controversa).
Se isso acontecer, os juros norte-americanos tendem escalar níveis capazes de gerar uma fuga de investidores do resto do mundo, Brasil inclusive.
Os juros futuros dos títulos do Tesouro dos EUA flexionaram nessa direção na 6ª feira.
Mas não há fuga de investidores do Brasil, por enquanto.
Nem há razões para tal. Ao contrário.
A brasileira foi uma da raras economias ocidentais cujo consumo de massa se manteve em expansão durante a crise. Ademais de ser dotada de um robusto pacote de investimentos pesados. E de um fiador de futuro composto de bilhões de barris de petróleo.
O que fez a ganancia infecciosa nesta 6ª feira foi aproveitar a onda externa e ‘antecipar’ o cenário de uma fuga, precificando-o nas cotações do dólar.
O que eles querem?
Querem que o Brasil atue para apagar o fogo da avidez, dando um pedaço das reservas de US$ 380 bi à fome descabida aos mercados especulativos.
É agora ou nunca.
A verdade é que o mote do descontrole econômico, alardeado como a contra-face ‘estrutural’ dos protestos de junho, não pegou.
Fanhosas apresentadoras de refogados na TV foram para o sacrifício, pendurando legumes no pescoço.
O ridículo lhes cai bem, mas não prosperou: em julho, houve deflação de alimentos.
O custo da cesta básica caiu em 18 capitais. A indústria cresceu. O PIB se arrasta, mas estamos longe do alarmismo inscrito no noticiário.
A popularidade da Presidenta Dilma desenhou uma inflexão de alta em agosto. Segundo o Datafolha, ela vence qualquer adversário no 2º turno.
O conservadorismo, ao contrário, mimado pela mídia, não tem nenhum candidato de fôlego.
Seu núcleo duro foi atropelado pelas revelações de corrupção sistêmica no metrô de São Paulo.
Se é para tirar uma lasca do país, há que ser agora, na turbulência que o ajuste de ciclo internacional provoca nos portfólios especulativos.
Depois pode ficar tarde.
Um jornalismo rudimentar no conteúdo, ressalvadas as exceções de praxe, mas prestativo na abordagem, reveste esse assalto com uma camada de verniz naval de legitimidade incontrastável.
A crise mundial açoitou impiedosamente a sabedoria excretada dessa endogamia entre o circuito do dinheiro especulativo e o noticiário conservador.
Para dizê-lo de forma educada, a pauta dos mercados autorregulados revelou-se uma fraude datada e vencida. De um mundo que trincou e aderna, desde setembro de 2008.
Todavia, só se supera aquilo que se substitui.
E nada se colocou em seu lugar.
Ao que parece, o governo continua a acreditar que vencerá a luta pelo desenvolvimento armado de ferramentas exclusivas do paiol economicista.
Deixa, assim, o campo livre para o mercado fazer política.
Tirando uma lasca do Brasil, em benefício dos interesses particularistas. Que a mídia equipara aos de toda a sociedade.
Saul Leblon
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Serra “fritará” Aécio?

Alguém gostaria de convocar o fantasma de Cristiano Machado
Entre Serra e Aécio, a velha pendenga
A política mineira é marcada por vários traumas. Um deles deu origem à expressão “cristianização”, derivada do nome de Cristiano Machado (1893-1953), que se lançou, em 1950, candidato à Presidência pelo PSD. Foi “cristianizado” porque o partido apoiou Getúlio Vargas, do PTB. Nos dias de hoje “cristianizar” é “fritar”.
Em duas eleições presidenciais (2006 e 2010), o mineiro Aécio Neves, neto de Tancredo, foi “fritado” por candidaturas paulistas (José Serra e Geraldo Alckmin), estado que controla o PSDB.
Mais jovem naquelas ocasiões, optou por esperar sua oportunidade. Finalmente parecia ter conseguido fixar o nome dele dentro do partido. Engano. Sofre todo o tempo sabotagem de José Serra e dos “serristas”.
Aécio previa isso. Assim, continuou cauteloso, mesmo tendo sido elevado à condição de presidente do partido. Ele sente que não pisa em terra firme. Por isso, nunca se declarou abertamente “o candidato a presidente” pelo PSDB.
“Se tiver mais de um candidato, as prévias se justificam. O PSDB tem um único candidato e está unido em torno dele. Não há possibilidade de esse clima de divisão contaminar a candidatura de Aécio”, insiste Sérgio Guerra, presidente do Instituto Teotônio Vilela, notório adversário de Serra.
Ah, se fosse assim! Serrista de carteirinha, o senador Álvaro Dias (PR) lamenta não terem havido os debates e as prévias. Aí, sim, “o nome de Aécio teria se fortalecido”.
Esse pessoal não é fácil. Não é de se excluir que Serra possa ganhar uma prévia no partido. Sem dúvida ainda é o preferido de muitos eleitores e filiados, eternamente certos do seu “melhor preparo”.
Serra nunca se fingiu de morto. Ele circulava pelas sombras e conversava pelas noites atento a tudo o que acontecia no mundo político. Continuou a acalentar o sonho “da vida inteira”, como já disse, de chegar ao cume do poder mesmo após duas derrotas. Em 2002, perdeu para Lula e, em 2010, para Dilma.
A oportunidade para Serra ressurgir “dos mortos”, veio com os números das intenções de voto na mais recente pesquisa Datafolha. Como parecia aos institutos que ele estivesse fora da corrida, Serra pediu pessoalmente a inclusão do seu nome às intenções de voto dos eleitores.
Com a queda de 17% para 13% das intenções de voto, a candidatura de Aécio sofreu. Serra alcançou 14%. A rigor, embora com alto índice de rejeição, o nome dele sempre oscilou em torno desse patamar. Essa é uma das provas da preferência do eleitor tucano.
O acerto o levou a uma avaliação forte, tão sutil quanto presunçosa, sobre a diferença entre ele e Aécio na moldura de candidaturas possíveis: “Pode ter uma linha de que precisamos ter gente que saiba fazer acontecer. Claro que eu me identifico não como ator, mas como observador e analista”.
Resta saber como os eleitores de Minas Gerais reagiriam à derrota interna de Aécio e como os de São Paulo se comportariam com o veto à aspiração de Serra.
Certo é que, ao fim e ao cabo, alguém pretende “fritar” alguém.
Querer não é poder...
Sem perder o tom da serenidade, o ministro Luís Roberto Barroso realinha com objetividade o Supremo Tribunal Federal à Constituição. Diz ele:“Penso que o Congresso, diante da condenação de um parlamentar por crime grave, deveria decidir pela perda do mandato dele.
E seria natural que a sociedade brasileira cobrasse isso.
Mas não acho que o STF possa ou deva impor a sua vontade em uma matéria na qual existe norma expressa na Constituição dizendo que a decisão é do Congresso.
Viver em um Estado de Direito significa fazer tudo o que eu posso, e não tudo o que eu quero”.
Barroso botou o pé no freio da judicialização da política.
... Ou é?
Cercado por um batalhão de repórteres na quinta-feira 15, o ministro Gilmar Mendes antes de entrar para a segunda sessão de votação dos embargos declaratórios, voltou a agitar a bandeira do conflito com o Legislativo, em torno dos deputados punidos no caso do “mensalão”, mas que não perderam o mandato imediatamente. Diz ele: “O Congresso está discutindo esse tema porque a solução que se está tomando não é certamente a melhor”.
Ele não vai gostar de ouvir a voz do ministro Barroso.
Centavos para Jango I
O Superior Tribunal de Justiça restabeleceu a indenização decorrente da anistia política ao ex-presidente João Goulart, morto no exílio (1976).
A decisão devolve à ex-primeira-dama Maria Thereza uma indenização decorrente da anistia política que recebia desde 2009.
“O direito, desfez-se o malfeito”, diz com certa ironia Cezar Britto, advogado da viúva de Goulart.
Centavos para Jango II
Maria Thereza recebia duas parcelas de natureza jurídica e fundamentos distintos. A primeira delas da pensão especial, como viúva de ex-presidente, no valor de R$ 26.723,13. E a segunda, de R$ 6.521,62, da anistia política concedida a Jango.
As duas parcelas foram pagas durante mais de três anos.
De repente, porém, sem qualquer comunicação, passou-se a abater ilegalmente o valor da anistia política em razão do teto do serviço público.
Houve momentos em que, após os descontos, o valor da indenização efetivamente paga à viúva correspondia a R$ 0,01. Exatamente: 1 centavo.
Memória de Ayres Britto
Não se sabe como Carlos Ayres Britto, ministro aposentado do STF, definiria hoje a deposição do presidente João Goulart, em 1964.
Em 1977, no entanto, exaltou o fato como “Revolução Democrática de 31 de março de 1964” (Recorte), em texto sobre “O problema da vigência dos atos complementares posteriores à edição do AI-5”.
A reverência à ditadura é de fazer corar até mesmo um frade de pedra.
Principalmente para quem, na presidência do STF, assumia com orgulho provinciano o papel de guardião da Constituição.
Mauricio Dias
No CartaCapital
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