13 de ago de 2013

Alckmin, o demagogo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), está usando de má fé, ou realmente acredita que o povo é burro? Nessa terça feira (13), para fazer teatro para as câmeras de TV e aparecer no Jornal Nacional, ele anunciou em entrevista coletiva que vai processar a multinacional alemã Siemens por formação de cartel, apesar de manter os contratos com a empresa. Apesar disso, Alckmin afirmou que os contratos atuais com a Siemens estão mantidos.
Agora? Por que Alckmin não processou ou mandou processar em 1998?
Por que não processou quando a Folha registrou em 2006, um vídeo em cartório, mostrando que o resultado de licitação do metrô de São Paulo já era conhecido seis meses antes?
A licitação foi aberta em outubro de 2008, quando o governador de São Paulo era José Serra (PSDB) - ele deixou o cargo no início de abril de 2010 para disputar a Presidência da República. Em seu lugar ficou seu vice, o tucano Alberto Goldman.
O que o governador de São Paulo anunciou hoje o MP Paulista já anunciou em 2008
O Ministério Público Estadual anunciou em 2008 que estava investigando quatro grandes contratos entre a Siemens e o governo José Serra e Geraldo Alckmin (PSDB). Não investigou. O MP engavetou o caso e não pediu o sequestro do dinheiro de propina...
Vamos relembrar o governador Geraldo Alckmin. Veja o vídeo de 2008:
As investigações sobre o propinão tucano, denunciada pela Siemens, apontaram que já existiam esquemas de corrupção nos processos de fornecimento de equipamentos em 1998, na gestão do governador Mário Covas (PSDB). Inaugurada em 2002, a licitação da primeira fase da Linha 5 do Metrô, já teria sido alvo do cartel.
As obras começaram em 1998. Outra obra iniciada na gestão Covas foi a extensão da Linha 2, que terminou em 2010.
O Estado de São Paulo é governado pelo PSDB desde 1995. Até 2008 firmou 139 contratos com a Alstom no valor de mais de R$ 5 bilhões. Em 2008 o Wall Street Journal revelou que a Alstom estava sendo investigada na França e na Suíça por ter pago propinas em vários países.
Prescrição
A punição dos envolvidos por improbidade administrativa pode ser comprometida pelo fato de que o delito prescreve em cinco anos - venceu no ano passado.
A justiça suíça diz que, as autoridades devem buscar ressarcimento dos valores superfaturados apresentados pelo cartel. Portanto, não é ideia de Alckmin cobrar devolução do dinheiro da propina.
Ao fazer a delação, a Siemens se livrou de punições pela participação no cartel e de pagamento de multa.
Duas perguntas para o governador tucano:
E os vinte milhões de dólares recebidos pelo PSDB da Alstom em propinas também serão devolvidos ao Estado? E seus beneficiários, seja lá quem forem, terão seus nomes revelados e processados por corrupção? Mesmo porque a propina é anterior à formação dos cartéis.
No Amigos do Presidente Lula
Leia Mais ►

Circo Tucano

Agora, falando sério.
Quem, pelas pedras pisadas do cais, deu essa ideia de jerico ao governador Geraldo Alckmin? Em que mundo vivem os tucanos de São Paulo, ainda crentes da possibilidade de enganar um país inteiro com uma maluquice dessas? Não aprenderam NADA com o episódio da bolinha de papel de José Serra? Nada, nada?
A meu ver, a única explicação para uma saída indecente e patética como essa – o suspeito de ser corrupto processar o corruptor que está colaborando com a Justiça – é a plena confiança que essas lideranças do PSDB têm na submissão e na cumplicidade dessa velha e carcomida mídia nacional. Não tem outra explicação.
Quando li essa informação na coluna de Mônica Bergamo, a quem admiro como ótima jornalista que é, juro que pensei que era mais uma sacanagem de José Simão. Mas não era.
A notícia de que Alckmin, um dos principais suspeitos de ter montado e se beneficiado do esquema de propinas da Siemens, irá processar a empresa alemã foi dada de forma séria, como se isso fosse possível, como se fôssemos, todos nós, idiotas ligados aos tubos da Matrix.
Eu compreendo os conservadores, essas pessoas que têm uma visão individualista do mundo, das relações sociais, que imaginam ser o liberalismo econômico a única saída para o pleno desenvolvimento social. A vida seria insuportável se todos pensassem da mesma forma – e eu não teria com quem quebrar o pau aqui no Facebook. A direita deve ter seu encanto, senão não teria tanta gente com ódio do Bolsa Família e com tanta saudade da ditadura militar.
Mas eu acho que, agora, essa discussão deve se sobrepor ao posicionamento político de cada um.
O grupo político que arrota austeridade, choques de gestão e aponta o dedo na cara de mensaleiros e petralhas é este que, agora, está sob a mira da Justiça suíça e do Ministério Público de São Paulo, embora deste último não se deva esperar muita coisa contra os tucanos.
Este grupo político, há quase duas décadas no governo de São Paulo, inclui, além de Geraldo Alckmin, o falecido Mário Covas e o vivíssimo José Serra.
A história de Covas, é uma pena, não merecia essa mácula, mas o fato é que o esquema da Siemens começou com ele. É pouco provável que ele não soubesse do que estava acontecendo, ainda mais porque o negócio, ao que tudo indica, era tocado por um assessor direto dele, Robson Marinho.
Alckmin, este que quer processar a Siemens, deu andamento e tamanho ao esquema. Serra foi o feliz herdeiro que, segundo e-mails trocados por executivos da empresa alemã, costurava os acordos para modernizar a formação do cartel.
Não tenho dúvidas de que jornalões e alguns jornalistas dessa triste mídia brasileira irão, apesar do ridículo, endossar essa estratégia de Alckmin para manter o mínimo de dignidade eleitoral dos tucanos, para manter viva a esperança de derrotar Dilma Rousseff, de qualquer maneira, em 2014.
O Jornal Nacional fez esse serviço, em 2010, quando inventou que Serra, além da bolinha de papel, havia levado na careca um petardo de rolo de fita crepe de 100 quilos.
Mas e as pessoas decentes, de boa fé, estas que foram à rua bradar contra a corrupção quando o gigante acordou?
O que farão essas pessoas?
Vão se deixar cair, novamente, no conto da bolinha de papel?
Vão compactuar com mais essa palhaçada apenas para manter alimentado o bicho conservador e antipetista que têm na barriga?
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1892

Leia Mais ►

Propina da Alstom ajudou a bancar reeleição de FHC

:
Os R$ 3 milhões arrecadados por Andrea Matarazzo foram usados na contabilidade paralela do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na disputa presidencial de 1998; planilha com o caixa dois foi montada pelo ex-tesoureiro de campanha Luiz Carlos Bresser Pereira, que confirmou o papel de Matarazzo na arrecadação extraoficial; informações fazem parte de denúncias publicadas por (pasmem) a revista Veja e a Folha de S. Paulo; áulicos do PSDB, como Reinaldo Azevedo, se esforçam para dizer que Matarazzo não tinha o "domínio do fato"; para FHC, PT e PSDB não são "farinha do mesmo saco"
O arquivo digital de publicações como Folha de S. Paulo e a própria Veja permite juntar os pontos e conectar as propinas pagas pela Alstom no Brasil ao caixa dois da campanha presidencial do PSDB em 1998, que reelegeu Fernando Henrique Cardoso. Nessa trama, um dos personagens centrais é o vereador Andrea Matarazzo, que foi recentemente indiciado pela Polícia Federal, mas alega inocência e vem sendo ardorosamente defendido por áulicos do PSDB, como o blogueiro Reinaldo Azevedo.
Matarazzo desponta nesse jogo numa reportagem da Folha de S. Paulo de 12 de novembro de 2000, assinada pelos jornalistas Wladimir Gramacho e Andrea Michael. "Documento revela doações não registradas para a campanha de FHC", diz o título do texto, que foi uma das manchetes principais da Folha naquele dia (leia aqui a íntegra).
Segundo a reportagem, pelo menos R$ 10,1 milhões não foram declarados ao Tribunal Superior Eleitoral. E as informações vinham de uma planilha feita pelo ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, que foi o tesoureiro das duas campanhas presidenciais de FHC.
Dos R$ 10,1 milhões, a maior parte, segundo a planilha de Bresser Pereira, havia sido arrecadada por Matarazzo. Eis o que diz a reportagem:
A maior doação não declarada ao TSE, de R$ 3 milhões, é atribuída pela planilha ao hoje ministro Andrea Matarazzo, da Secretaria de Comunicação da Presidência. Dinheiro sem procedência nem destino conhecidos, de acordo com o documento.

"Não pode ser. Não conheço a planilha. Não tenho idéia. Muito menos valores desse tamanho", reagiu Matarazzo. "Eu não fui arrecadador. Não me ponha como arrecadador. Fiz alguns jantares com empresários. E só", rebateu o ministro.

Seus colegas de campanha dizem coisa diferente. "O Andrea também foi (arrecadador), no começo", lembra Bresser. "Havia uma certa competição, talvez em função da vontade dele de ir para Brasília", conta o publicitário Luiz Fernando Furquim, outro coletor.
Ou seja: embora Matarazzo tenha negado agir como arrecadador, seu papel nesse trabalho de levantar recursos foi confirmado pelo próprio Bresser Pereira e pelo publicitário Luiz Fernando Furquim.
Diante da gravidade da denúncia da Folha, a própria Veja decidiu repercutir o caso. E o fez numa reportagem do jornalista Alexandre Oltramari, de 22 de novembro de 2000.
No texto "O caixa dois de volta à luz", Veja não fez contorcionismos retóricos para negar o caixa dois na campanha de FHC – uma vez que o próprio tesoureiro de campanha, Bresser Pereira, o confirmara. O que Veja fez foi afirmar que outros partidos, como o PT, subestimaram os seus gastos (leia aqui a íntegra).
A reportagem de Oltramari não poupa Andrea Matarazzo, acusado de mentir à revista. Eis um trecho da reportagem, a partir do subtítulo autoexplicativo "Que teve, teve":
Que teve, teve – Num primeiro momento, os tucanos, atingidos pela denúncia, ensaiaram uma versão de que a planilha do caixa dois podia não ser verdadeira. Após receber um telefonema de Fernando Henrique, no qual o presidente demonstrava preocupação com a notícia, Bresser Pereira tentou explicar-se. Admitiu ser o dono da planilha e contou que seu irmão, Sérgio Luiz, o ajudou no trabalho, porém afirmou que ela foi alterada. "Eu montei uma planilha, mas abandonei o sistema depois de dois meses porque não funcionava", disse o ex-ministro. "Não houve gastos nem receitas que não foram contabilizados. Não sei explicar de onde saiu isso." A ordem no Planalto era para que ninguém no governo comentasse o assunto. No apartamento de Bresser, em São Paulo, os empregados avisavam aos jornalistas que ele viajara para os Estados Unidos. O ministro Andrea Matarazzo, que aparece na lista do "por fora" com uma doação de 3 milhões de reais, mandou seus assessores dizer que tinha ido para a fazenda e estava "incomunicável". Puro teatro. Nem Bresser havia embarcado para os Estados Unidos nem Matarazzo estava "incomunicável".
No final da semana, ninguém tinha mais dúvida de que a planilha revelava o caixa dois da campanha. Além de Bresser Pereira, outras duas pessoas tinham acesso à contabilidade da campanha de Fernando Henrique: o ex-presidente dos Correios Egydio Bianchi e Adroaldo Wolf. Em conversa com VEJA, um deles admitiu que a campanha, de fato, usou a contabilidade paralela. "Que teve uma contabilidade paralela, eu não tenho dúvida. O que eu não sei é se desviaram o dinheiro ou se não declararam para proteger a identidade do doador", diz um dos tesoureiros. Na quarta-feira passada, falando de seu apartamento em São Paulo, Bresser desabafou: "Não posso ser responsabilizado por tudo que ocorreu de alto a baixo na campanha", disse. "Se alguém recebeu dinheiro e não registrou, como eu posso saber?" Entre os tucanos, o nome de Egydio Bianchi, que entrou no governo pelas mãos do ex-ministro Sergio Motta, circulava como o principal suspeito de ter vazado as planilhas com o caixa dois da campanha. Demitido dos Correios há quatro meses pelo ministro Pimenta da Veiga, das Comunicações, Bianchi saiu atirando. Chegou a ter um encontro com Fernando Henrique no qual torpedeou a administração de Pimenta da Veiga e prometeu entregar um dossiê com acusações.
Em 2008, depois que eclodiu o escândalo internacional das propinas da Alstom, pela primeira vez, a imprensa brasileira associou a multincional francesa a doações de campanha para o PSDB. Isso foi feito na reportagem "Caixa dois de FHC citava empresas da Alstom", de José Ernesto Credendio, Mario Cesar Carvalho e Andrea Michael (leia aqui a íntegra). Leia aqui um trecho:
Duas empresas do grupo francês Alstom são citadas nas planilhas eletrônicas do comitê financeiro do PSDB que deveriam abastecer o caixa dois da campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, em 1998. As empresas são a Cegelec e a ABB.
As planilhas, tornadas públicas em 2000, atribuem ao atual secretário de Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), então secretário de Energia do Estado, a missão de buscar recursos junto a empresas. As estatais de energia eram os principais clientes da Alstom no governo de São Paulo. 
Porém, não era atribuída à Cegelec e à ABB nenhuma meta de arrecadação. A planilha também não informa se elas deram dinheiro ao PSDB. Em 1998, Matarazzo acumulou o cargo de secretário com o de presidente da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), justamente uma das principais clientes da Alstom.
Memorandos internos trocados em 1997 entre diretores da Alstom, na França, apreendidos por promotores da Suíça, dizem que seriam pagas "comissões" para obter negócios com o governo paulista.
Num desses memorandos, um diretor da Cegelec em Paris diz estar disposto a pagar 7,5% para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo.
A Alstom comprou a Cegelec justamente naquele ano.
Os papéis citam que a comissão seria dividida entre "as finanças do partido", "o tribunal de contas" e "a Secretaria de Energia". A Eletropaulo era subordinada até abril de 1998 à pasta dirigida por Matarazzo.
Por essas e outras razões, Andrea Matarazzo foi indiciado pela Polícia Federal, que usou, inclusive, a teoria do domínio do fato para incriminá-lo. Os indícios são mais do que veementes e conectam as propinas da Alstom ao caixa dois da campanha de FHC, que foi admitido pelo próprio tesoureiro Bresser Pereira.
No entanto, num post publicado ontem, o blogueiro Reinaldo Azevedo dá mais um piti em defesa de Matarazzo (leia aqui). Puro desespero.
No 247
Leia Mais ►

Denúncias sobre Metrô não tocam no principal, a “modernização” até agora fracassada


O cartaz que os Metroviários de São Paulo distribuiram convocando para a manifestação de quarta-feira me chamou a atenção.
Apenas a ponta do iceberg, menciona o título.
Como assim?
Fui conversar com alguém do ramo: Paulo Pasin, secretário-geral do Sindicato dos Metroviários e presidente da Fenametro, a Federação Nacional dos Metroviários.
Segundo ele, as denúncias que chegaram ao Cade, o Conselho de Defesa Econômica, através da Siemens, a gigante alemã — de que teria havido formação de cartel pelas empresas do setor, com consequente elevação dos preços pagos pelo governo paulista — apenas tangenciam o problema principal, que envolve decisões equivocadas e mesmo temerárias para os passageiros.
Trata-se da tentativa de modernização do sistema de controle do Metrô paulistano, que passaria de uma tecnologia considerada mais antiga — ATC — para o chamado CBTC, communications-based train control, controle de trens baseado em comunicação. O resultado final do processo possibilitaria, em tese, colocar 20% a mais de trens rodando nas linhas existentes, reduzindo o sufoco diário dos passageiros paulistanos.
Em sistemas originalmente construídos com o CBTC, os trens podem operar muito mais próximos uns dos outros, com segurança. O desafio é pegar um sistema antigo e adequá-lo.
Isso exige várias reformas e adequações nos trens, plataformas e no sistema de controle.
O contrato para a mudança do sistema foi fechado com a francesa Alstom, em 2008, no valor de R$ 780 milhões.
O prazo para implantação era de 36 meses. Embora a francesa faça propaganda do serviço prestado em São Paulo como se tivesse sido bem sucedido, Pasin diz que todos os testes realizados até agora, na linha 2, em horários não comerciais, fracassaram. Dentre outros motivos, por acusar em testes “trens fantasmas”, que somem no sistema, um óbvio risco de segurança.
 
O fracasso chama atenção para outro contrato, de R$ 1,8 bilhão, para a reforma dos trens. Paulo admite que a reforma era necessária, visto que os trens rodam há 35 anos. Porém, como deveriam ser adequados para compatibilidade com o CBTC, os custos subiram de tal forma que teria valido a pena comprar trens novos.
Foram R$ 1,8 bilhão pela reforma de 98 vagões, envolvendo as empresas Siemens, Iesa, Bombardier, MPE, Tejofran, Temoinsa, Alstom e Siemens. Segundo Paulo Pasin, este valor representaria, à época do fechamento do contrato, cerca de R$ 18 milhões por unidade, quase o valor de um vagão novinho em folha (cerca de R$ 21 milhões). Importante notar que um trem novo tem 10 anos de garantia; um reformado tem apenas dois anos.
Detalhe importante: segundo Paulo Pasin, até hoje, em todo o planeta, nunca foi bem sucedida uma operação de mudança do sistema antigo, o ATC, para o CBTC.
Ele acredita que a expansão do Metrô paulistano sofreu com a decisão, que considera equivocada. Já os fornecedores do Metrô não perderam nada, uma vez que um trem reformado significa a garantia de um mercado substancial de peças de reposição.
Paulo Pasin lembra que a implantação do CBTC também exige a instalação de portas de plataformas. O contrato original, de R$ 72 milhões, previa a instalação de 48 portas em 18 estações. Em seguida, houve a redução do contrato para a implantação de apenas 24 portas em 10 estações. Porém, o valor do contrato foi reduzido em apenas 1%!
O fato, segundo Paulo Pasin, é que o programa de modernização do Metrô paulistano deveria estar concluído em 2011. Porém, gastou-se o dinheiro, estamos em 2013 e não houve o aumento previsto, de 20%, na circulação dos trens. Siemens e Alstom se deram bem. O passageiro paulistano, que pagou a conta, não.
Clique abaixo para ouvir a íntegra da importante entrevista (Paulo Pasin cometeu um equívoco, que corrigiu posteriormente; o preço de um vagão novo do Metrô é de R$ 21 milhões e o preço pago pela reforma foi de cerca de R$ 18 milhões):



Sindicato dos Metroviários com Movimento Passe Livre
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
Leia Mais ►

Janio de Freitas: como as fraudes do metrô poderiam ser evitadas

Leia Mais ►

A linguagem que veio das ruas

http://www.newsrondonia.com.br/imagensNoticias/image/jornalismo.jpg 
A análise da mídia requer atenção a detalhes da narrativa, como as escolhas de ícones e a sua distribuição no tempo e no espaço de cada mensagem, de acordo com o meio em que se aplica. Na rotina, as intenções que se escondem sob a falsa objetividade do texto jornalístico podem ser identificadas nos módulos de informação que são destacados nas manchetes e no alto da páginas de jornais, nas capas de revistas e nas “chamadas” reiteradas dos telejornais.
Em todos os casos, os temas sobre os quais a imprensa quer chamar mais atenção ganham mais centímetros por coluna na mídia impressa e mais segundos preciosos na televisão, comumente acrescentando-se personagens e comentários de especialistas, cuja credibilidade é bancada pelo próprio veículo.
Eventualmente, as coisas da vida, como uma doença ou a falta de preparo intelectual ou psicológico, reduzem o valor de um ou outro desses analistas, como no caso de uma protagonista onipresente no rádio e na TV, que costumava ser convocada para falar de tudo, e acabou se atrapalhando num dia em que, tendo ingerido uma quantidade maior de bebida alcoólica, colocou no ar a voz pastosa dos embriagados.
Esse modelo de jornalismo está em recesso, por algumas razões que exigem um pouco mais de esforço do observador. Quase todas essas razões têm relação direta com o conjunto de elementos presentes nas manifestações que paralisaram muitas das grandes cidades brasileiras no mês de junho.
O fato de milhares de cidadãos, na maioria jovens, haver denunciado a falta de representatividade do sistema partidário e a falta de credibilidade das instituições republicanas, de alguma forma levou a imprensa a se distanciar um pouco do objeto central de suas pautas – a política partidária – e abrir o olhar para outros aspectos da vida social. Assim é que proliferam reportagens sobre transporte público, assunto que ganhou centralidade após os protestos liderados pelo Movimento Passe Livre.
Por outro lado, a questão das multiparcialidades, colocada em debate com a grande evidência dada ao coletivo Mídia Ninja a partir dos mesmos eventos que tomaram as ruas, induz os jornalistas a reflexões sobre a bipolaridade que marca o debate político nos últimos anos.
Não por acaso, esse é um dos temas anunciados na primeira página do Estado de S.Paulo na edição de segunda-feira (12/8), sobre um artigo que analisa resultados de pesquisa eleitoral que mostra a recuperação da popularidade da presidente da República.
Detalhes da narrativa
A diluição da bipolaridade entre PT e PSDB, que transformou todos os debates em briga de torcidas, tem uma relação direta com a explicitação de uma complexidade na qual os analistas se veem obrigados e constatar, por exemplo, os limites da mídia tradicional na cobertura de eventos de massa.
De outra parte, torna-se obrigatório compreender como funcionam os coletivos de mídia, que por sua vez nascem dos coletivos de produção cultural, que por seu lado são resultado de políticas públicas que contornaram o campo dominado pela indústria hegemônica de entretenimento e informação.
Entre os detalhes dessa mudança, registre-se a inclusão da expressão “coletivo” na narrativa jornalística tradicional. Por exemplo, em reportagem publicada domingo (11/8) pelo Estado, sobre projeto da prefeitura paulistana de regularizar a situação de imóveis ocupados por movimentos de sem-teto no centro de São Paulo, há espaço para o registro de uma experiência social de convivência num prédio de treze andares tomado por 170 famílias desde outubro de 2012.
No texto do jornal, há referências à gestão coletiva do imóvel, que reúne famílias sem casa, prostitutas, imigrantes do Haiti, estudantes de arquitetura, intelectuais e ativistas de movimentos sociais (ver aqui). O prédio tem internet coletiva, creche, cozinha comunitária, hortas nas sacadas, biblioteca, sala de cinema, e um conjunto de regras que prioriza o bem-estar coletivo.
Ler no vetusto diário paulista um texto que se refere a “coletivos culturais”, “produtores independentes” e “moradia popular” sem o velho ranço reacionário que caracteriza tradicionalmente a imprensa, é um desses detalhes a ser registrado.
Nos debates que se prolongam nas redes sociais sobre problemas na ação do coletivo Fora do Eixo, que deu origem ao grupo denominado Mídia Ninja,o foco das análises críticas de alguns intelectuais são os desvios. No entanto, até a mídia tradicional começa a ver as possibilidades de uma nova forma de vida comunitária e produção de cultura que não precisa de referências bibliográficas para acontecer.
Luciano Martins Costa
No OI
Leia Mais ►

Brasil à frente do Reino Unido em investimento privado em pesquisa

Ranking aponta que a Coreia do Sul é o País que mais recebe dinheiro das empresas para pesquisa nas universidades
Unicamp é a única brasileira em ranking de
universidades jovens; confira a lista
Um novo ranking internacional, elaborado pelo Times Higher Educations (THE), aponta que as universidades da Coreia do Sul são as que mais atraem investimento privado para pesquisas acadêmicas. O índice de Inovação Acadêmica Mundial calculou que as indústrias investem o equivalente a cerca de US$ 100 mil em cada acadêmico coreano para que faça pesquisas e inovações tecnológicas. O Brasil está em 23º lugar na lista de 30 países que mais recebem dinheiro das empresas, à frente de nações como Reino Unido, Itália e Israel.
O Brasil também é o único País da América Latina a aparecer no ranking, divulgado nesta segunda-feira. A estimativa é que as empresas investem cerca de US$ 14,9 mil por pesquisador brasileiro. O ranking, elaborado a partir dos dados coletados sobre as melhores universidades do mundo, aponta Singapura em segundo lugar, com uma média de US$ 84,5 mil por cada acadêmico, com a Holanda em terceiro (US$ 72,8 mil) e África do Sul em quarto (US$ 64,4 mil).
Segundo os organizadores do ranking, a grande surpresa foi a posição dos Estados Unidos, que aparece apenas em 14º. A indústria colabora cerca de quatro vezes menos para as pesquisas acadêmicas dos americanos (US$ 25,8 mil) do que para os coreanos. Situação pior enfrentam o Reino Unido e a Irlanda - que contam com instituições de ensino centenárias e de prestígio internacional. Em 26º lugar, o Reino Unido atrai US$ 13,3 mil por pesquisador da indústria, enquanto acadêmicos irlandeses aparecem na 30ª posição, recebendo apenas US$ 8,3 mil por suas pesquisas.
Os organizadores do ranking apontam que nos últimos anos, o mundo tornou-se entusiasta de novas tecnológicas com o avanço da ciência da computação na Ásia. O Times Higher Educations cita como exemplo de colaboração entre o setor acadêmico e a indústria, a parceria entre o Instituto de Ciência e Tecnologia da Coreia (Kist, na sigla em inglês) com a Samsung para desenvolver o primeiro robô humanoide, que deve estar presente, até 2020, em todos os lares coreanos.
Posição País Investimento por pesquisador 
Coreia do Sul US$ 97,9
Singapura US$ 84,5
Holanda US$ 72,8
África do Sul US$ 64,4
Bélgica US$ 63,7
Taiwan US$ 53,9
China US$ 50,5
Suécia US$ 46,60
Dinamarca US$ 43,6
10º Índia US$ 36,9
11º Rússia US$ 36,4
12º Turquia US$ 31
13º Canadá US$ 27,2
14º Estados Unidos US$ 25,8
15º Austrália US$ 25,6
16º Japão US$ 24,9
17º Finlândia US$ 24,5
18º Nova Zelândia US$ 22,3
19º França US$ 21
20º Hong Kong US$ 20
21º Alemanha US$ 19,4
22º Suíça US$ 17,6
23º Brasil US$ 14,9
24º Itália US$ 14,4
25º Israel US$ 13,6
26º Reino Unido US$ 13,3
27º Áustria US$ 11,3
28º Noruega US$ 9,1
29º Portugal US$ 8,6
30º Irlanda US$ 8,3
No Terra
Leia Mais ►

Para salvar a Globo, Bernardo quer taxar internautas

Bernardo e a Globo, um caso de amor e tanto
Governo quer taxar serviços como Netflix e Totalmovie
Feira e congresso de TV por assinatura da América Latina foi marcada por discurso pedindo isonomia de tratamento aos serviços de distribuição OTT
São Paulo – O primeiro dia da ABTA 2013, maior feira e congresso de TV por assinatura da América Latina, que acontece essa semana em São Paulo, foi marcado pelo discurso uníssono do setor ao pedir isonomia de tratamento aos serviços de distribuição de conteúdo over-the-top (OTT), como Netflix e Totalmovie.
O presidente da Net Serviços, José Felix, ressaltou o que classificou como “assimetria tributária incrível” e “quase concorrência desleal”. “Tem empresa que nem sede no Brasil tem, não pagam impostos, sequer se dão ao trabalho de traduzir o site para o português e ganham muito dinheiro. Acabou o sonho da Internet livre, é um negócio de bilhões centrado em quatro ou cinco, talvez menos, e em um único país, vendendo aqui no Brasil o mesmo (conteúdo) que vendemos e acho um absurdo e concorrência desleal”, disparou Felix.
O ministro das Comunicações conhece não de hoje as críticas dos players tradicionais e concorda: “O setor (de TV paga) reclama e tem razão. Elas (OTTs) prestam serviço no Brasil e não têm o ônus da prestação como as cotas de conteúdos nacionais nem pagam impostos. O dinheiro vai direto pra lá (EUA), somos como um paraíso fiscal”, reconhece o ministro. Paulo Bernardo acredita que, uma vez que prestam um serviço remunerado aqui no País, essas empresas possam ser tributadas. “Não é simples nem rápido, mas França e Alemanha já estão discutindo uma forma de tributar esse serviço e vamos fazer o mesmo aqui, vamos discutir”, garante.
“Evidente que temos que dar isonomia para todos os tipos de serviço”, afirmou o presidente da João Rezende a este noticiário. “Se eu tiver uma empresa prestando serviços de assinatura pela Internet, vamos ter de criar mecanismos para atender à regulação da Lei 12.485/2011 (que regula o Serviço de Acesso Condicionado [SeAC] e trata da obrigação de conteúdo local nos canais), mas também atentar à tributação referente ao mercado brasileiro”, explica.
A ideia da agência é pautada na regulamentação do serviço de DTH. “Na operação de satélite, a Anatel já exige que as empresas tenham um representante local para responder por efeito de tributação, acho que isso vai pelo mesmo caminho”, diz.
“Podemos obrigar as OTTs a ter um representante legal, com todos os deveres e direitos de uma situação de TV a cabo, por exemplo”. A questão é que a operação DTH é feita como um serviço de acesso condicionado, diferente do meio pelo qual operam os OTTs, a Internet, que é serviço de valor agregado e não está na seara de regulação da Anatel.
“Isso é um debate que está no Marco Civil, porque nós regulamos redes. Precisa pensar na questão do direito autoral, produção de conteúdo. Se o Marco Civil mudar essa discussão, pode ser que a agência passe a discutir isso”, declara Rezende.
PS do Viomundo: TV a cabo é laranja. Internet (Netflix) é banana. Na hora de salvar a Globo, vale até mesmo confundir laranja com banana. A competição desleal da Netflix seria, em tese, com eventuais operadores brasileiros que oferecessem o mesmo serviço, via internet. Mas, para salvar a tv por assinatura da Globo, o ministro Paulo Bernardo faz qualquer coisa. Para salvar a Globo, é capaz de taxar os leitores do Viomundo que pulam para cá quando o filme da Netflix tá chato. Ou alguém acredita que o cara vai abandonar as opções da Netflix para sentar diante da TV e encarar aquele cardápio de filmes ruins com hora marcada? Resultado: Bernardo vai taxar, a Netflix vai repassar e você vai pagar. E olha que gostamos de falar mal da Netflix. Como, aliás, de tudo.
Letícia Cordeiro, Bruno do Amaral e Fernando Laute, da Tela Viva
No Viomundo
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1891

Leia Mais ►

A ética da jabuticaba: Siemens e Alstom patrocinam o Ethos

O nosso país não é uma maravilha…
A Siemens e a Alstom, duas campeãs mundiais no pagamento de suborno (clique aqui e aqui para ver o currículo global de suborno de cada uma) patrocinam, no Brasil, ninguém menos que o Instituto Ethos, uma organização que tem como objetivo, diz ela, combater “a utilização do tráfico de influência e o oferecimento ou o recebimento de suborno ou propina por parte de qualquer pessoa ou entidade pública ou privada”.
E o Ethos, convidado pelo Governador Geraldo Alckmin, vai integrar a “Comissão Pró-Transparência” do escândalo do metrô e dos trens paulistas superfaturados com a Siemens e a Alstom!
Jabuticabas, por favor!
O vice-presidente do Ethos, Paulo Itacarambi, disse não haver conflito de interesses no fato de ser patrocinado pelas duas empresas. E disse à Folha que recebe ‘apenas” R$ 18 mil e R$ 14 mil ao ano da Alston e da Siemens, respectivamente.
alstomethosNão é verdade.
Só a Siemens destinou US$ 3 milhões para um dos projetos do Ethos, os “Jogos Limpos”. Não foi o Banco Mundial que selecionou os projetos aos quais seria destinado dinheiro das sanções sofridas pela empresa por corrupção. O Banco Mundial apenas acompanha, com direito de veto, a escolha dos programas.
A Alstom também não é uma mera sócia contribuinte. Foi, ao lado da Siemens e de outras empresas, a patrocinadora, pasmem da edição de uma revista sobre responsabilidade das empresas em relação às eleições
Aliás, como organizador do Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção, o Ethos também não sabia das condenações da Siemens e da Alstom por distribuírem propina a rodo, mundo afora e das denúncias aqui e convidou as raposas para tomarem conta do galinheiro?
Parece que o pessoal do Ethos é tão desentendido como o Alckmin, que não sabia de nada e se deparou com 45 investigações do Ministério Público Estadual.
A ética da jabuticaba lembra aquela história do mafioso que mandava matar e levava flores ao enterro.
Aqui, roubam e com um trocado deste dinheiro financiam as ONGs da “honestidade”.
E ainda é dedutível no Imposto de Renda!
Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Um assunto também nosso

http://www.brasil247.com/images/cache/1000x357/crop/images%7Ca%7C73%7Ca73976a8e7e72f95d8f18de9db962930ed3b205f.jpg 
Nada mais incerto do que o direito aplicado pelos magistrados. Não fosse assim, a mesma lei aplicada ao mesmo fato não levaria a divergências tão perturbadoras como os seis votos contra cinco, cinco quatro quatro, sete contra três, dos escores à maneira esportiva no Supremo Tribunal Federal. E outras divergências mais altas nos escores de aparente vôlei do Superior Tribunal de Justiça. Nem se veria a escalada de perde-ganha das instâncias que tanto se confirmam como se reprovam, à medida que os processos as percorrem.
Ainda bem que não são os juízes a se ocuparem das nossas doenças.
Promete-se para a segunda fase do julgamento do mensalão, que começa amanhã, uma partida, perdão, um confronto de particular interesse. Por mais de um motivo.
Ficou para o final desta retomada do assunto mensalão, chamado na nobreza judiciária de ação 470, a discussão sobre uma figura jurídica que recebeu o deplorável nome de "embargo infringente".
Trata-se de um recurso da defesa para repetição de determinado julgamento em razão do apertado escore quando votado (no mensalão há escores de 5 a 4). O regimento interno do Supremo mantém esse recurso que vem de longe. Uma lei de 1990, sobre a tramitação dos processos no Supremo e no STJ, não o cita. Ou seja, não o autoriza explicitamente, nem o veda explicitamente.
O interesse ultimamente atribuído ao Fla-Flu, digo, à discussão no STF sobre a possibilidade ou não do tal embargo, é que sua aceitação viabiliza o abrandamento de penas de alguns réus do mensalão, livrando-os do encarceramento. Mas o outro interesse é de alcance geral.
O que não é vedado em lei e não fere direito de outrem, permitido está - assim tem sido ensinado, secularmente, para o exercício da cidadania. É este princípio fundador que será reafirmado ou renegado, conforme o Supremo decida que não estar vedado em lei torna admissível ou significa inadmissibilidade.
Cá dos baixios do meu desconhecimento, tenho a convicção de que o Supremo, sob as aparências do assunto mensalão e do tema jurídico, dirá algo com respeito a todos nós. Das leis que temos e dos direitos que supomos ter. Da cidadania que temos e da cidadania ainda maior que queremos. 
Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Embargos Infringentes no Supremo Tribunal Federal

O Julgamento da Ação Penal Originária procede nos termos definidos na Lei nº 8.038, de 28 de maio de 1990, mas especificamente nos termos dos artigos 1º ao 12.
Especificamente no artigo 12 está estabelecido: “o tribunal procederá o julgamento na forma determinada pelo regimento interno”.
Não há, portanto, que se falar, nos termos apregoados pelo ministro-presidente do STF, Joaquim Barbosa, em revogação do Regimento Interno do STF, porquanto a própria lei estabelece a necessidade de sê-lo observado.
Demais disso, tratando-se de recurso de natureza interna, a competência para determinar as suas regras de aplicabilidade é própria do STF, e, por isso, somente ao seu Próprio Regimento Interno seriam concretizadas as condições de sua realização/utilização.
Assim, como norma de caráter integrativo, haja vista a lei 8.038/90 ser silente quanto à condição para propositura dos embargos infringentes, o Regimento Interno do STF estabelece em seu artigo 333, inciso I, o cabimento desses embargos quando a decisão não for unânime do PLENÁRIO que julgar procedente a ação penal (cabe observar que a competência se aplica de forma direta, inclusive valendo para as ações originárias do próprio órgão, como no casa da AP 470).
O único requisito determinado, de natureza objetiva, para cabimento deste recurso é a existência de, no mínimo, 4 votos divergentes (conforme, inclusive, manifestou-se o Decano do STF, ministro Celso de Mello, por ocasião dos debates do julgamento da Ação Penal nº 470).
É preciso entender, a partir da dúvida quanto ao entendimento do cabimento ou não dos embargos infringentes em ação penal originária, como ocorre na Ação Penal 470, em que tanto o Supremo Tribunal Federal – considerando as manifestações contrárias proferidas pelos ministros Joaquim Barbosa e Celso de Mello, quanto na doutrina – porquanto os ex-ministros Carlos Veloso e Ellen Gracie, também divergem – esta entendo o não cabimento, aquele manifestando-se pela plena aceitação do recurso, que matérias dessa ordem nunca foram enfrentadas no âmbito do colegiado da Corte Suprema no que se refere a tal possibilidade em matéria originária do próprio STF.
Aliás, considerando a necessidade de se pacificar o entendimento de forma colegiada, merece, ante a impossibilidade de restarem violadas as garantias constitucionais do direito de defesa, de liberdades individuais, e do devido processo legal, o imediato enfrentamento, em caráter preliminar, pelo pleno do STF, quanto à possibilidade, ou não, de ser utilizado o recurso como meio de defesa apto a assegurar a garantia da ampla defesa a todo e quaisquer réus.
Nesta senda, a aplicação do enunciado na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (antiga LICC) quanto à regulamentação de normas, no que se refere à questão de lei posterior revogar a anterior, como apressadamente fazem crer alguns, somente se aplicaria, caso a regulamentação ocorresse de forma absoluta nos seus estreitos limites legais, o que não ocorre no caso, como se observa, inclusive, do retratado no artigo 12, da lei nº 8.038/90, que remete ao cabimento do julgamento de embargos infringentes nos termos dos regimentos internos.
Por fim, considerando a edição de 44 emendas regimentais posteriores a promulgação da lei que institui normas procedimentais para os processos que especifica, perante o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal e haver este órgão de cúpula do Poder Judiciário não realizado quaisquer alterações quanto à possibilidade de artigos referentes ao cabimento do Embargos Infringentes (seção I do capítulo VI do Título XI) não seria uma decisão monocrática e casuística, construída sobre uma interpretação restritiva e voluntarista, apta a desconstituir o lastro de direito e garantias fundamentais estabelecidos no estado democrático de direito.
A pergunta que surge dessa questão é a seguinte: é o STF o tribunal dos direitos fundamentais ou marcará sua história pela afronta ao direito de defesa e ao devido processo legal?
Nesse sentido, faz parte de uma tradição que garante aos réus a plena garantia de seus direitos que os Embargos Infringentes sejam conjugados como plena manifestação de suas garantias constitucionais.
Quanto aos Embargos Infringentes seguem as seguintes considerações:
1) O art. 333, inciso I, do Regimento Interno do STF, diz que cabem embargos infringentes à decisão não unânime do Plenário ou da Turma que julgar procedente a ação penal.
2) Já o parágrafo único do mesmo art. 333 estabelece que: “o cabimento dos embargos, em decisão do Plenário, depende da existência, no mínimo, de quatro votos divergentes”.
Assim, diz o Regimento Interno do STF que, para serem admitidos embargos infringentes, é preciso que, numa ação penal, quatro votos divirjam de condenação em ação penal.
A discussão sobre o cabimento de Embargos Infringentes em ação penal repousa em interpretação à lei 8.038/1990.
É que a lei 8038/90 regulamentou o trâmite da ação penal originária (que tramita inicialmente em tribunais superiores) nos tribunais superiores.
Há uma corrente que entende que a lei 8038/90 revogou a previsão dos embargos infringentes em ações penais nos tribunais superiores, tendo, portanto, revogado os dispositivos do regimento interno do STF que preveem os embargos infringentes.
Ao contrário, os Embargos Infringentes expressam a concretização dos direitos fundamentais dos acusados. Eis as razões:
I) O art. 12 da lei 8038/90 estabelece que, “finda a instrução, o Tribunal procederá ao julgamento, na forma determinada pelo regimento interno”.
Desse modo, a lei 8038/90 prevê que cabe ao regimento interno do STF disciplinar a existência dos embargos infringentes e o modo que tramitarão.
II) Tanto assim o é que, embora a lei 8.038 seja de 1990, jamais o STF revogou a existência dos embargos infringentes nas ações penais em curso no Tribunal.
III) O Regimento Interno do STF é de 27 de outubro de 1980 e já sofreu 48 (quarenta e oito) emendas.
A última delas data de 03 de abril de 2012.
Em duas delas, nas emendas regimentais 36 (de 02 de dezembro de 2009) e 47 (de 24 de fevereiro de 2012), o STF manteve os Embargos Infringentes em seu Regimento Interno.
IV) Nessas duas emendas (36 e 47) já compunham o STF os Ministros Celso Melo, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia e Dias Toffoli.
professor Luiz Moreira
No Conversa Afiada
Leia Mais ►

Merval entrega os pontos…

A coluna do “triplê” de lorde, literato e jurista Merval Pereira, hoje, em O Globo, é uma rendição.
Sabe que voltou ao STF um clima em que o julgamento sereno e vinculado a provas não vai ser dominado pela mídia, que se limitará a um “mais ou menos” contido resmungo contra a revisão do que fora “pautado” por ela para acontecer no julgamento do chamado “mensalão”.
Contido, porque a imensa maioria da corte que examinará os recursos é formada pelos mesmos magistrados de antes, o que vai dificultar a tentação midiática de atribuir aos novos ministros a revisão das decisões.
Além do mais, já não há mais clima na corte para os procedimentos grosseiros e abusados de seu presidente, Joaquim Barbosa.
Afinal, o senhor vestal sabe que, se provocar e fizer ir ao paroxismo gente respeitável, pode levar para casa alguma observação irrespondível, ainda que contida e indireta,  sobre sua condição de empresário offshore.
Merval o sabe e hoje admite que Barbosa será fragorosamente derrotado na sua intenção de impedir a revisão legalmente prevista para as decisões do STF.
E sua jurisprudência mervalina já profere o “voto” vencido, não convencido:
“Já escrevi aqui que, num sistema de Justiça equilibrado, com um esquema penitenciário sem distorções como aquelas que temos no Brasil, não haveria nenhum problema em que as penas do ex-ministro José Dirceu e de outros fossem reduzidas numa eventual revisão de julgamento sobre o crime de formação de quadrilha, ou lavagem de dinheiro, por exemplo.
De qualquer maneira, a condenação dos réus do mensalão já está dada. Só aceitar uma pena que o coloque em regime fechado, como a que está condenado, seria apenas uma vingança política. Mas a triste realidade brasileira é que a transformação da condenação em regime semiaberto significa na prática uma manobra para que o réu de colarinho branco acabe escapando da cadeia, pois não existem no país prisões albergues suficientes.”
Anotem esta frase, que será muito útil para comentar os editoriais e colunas que virão durante o julgamento dos recursos:
Só aceitar uma pena que o coloque em regime fechado, como a que está condenado, seria apenas uma vingança política.”
Merval locuta, causa finita. Publique-se, registre-se, intime-se. PS. Mas nem tudo está perdido. O caso permitiu ao acadêmico, finalmente, escrever um segundo livro, também uma “recortagem” de seus artigos. Mas este vendeu mais.
Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

O Uruguai e a lei da maconha

O Uruguai está prestes a aprovar a legalização da maconha. Será o primeiro país a dar esse passo. Difícil dizer se dará certo ou mesmo se é a medida correta. Certo é que o Uruguai volta a ser uma nação de vanguarda. A chamada guerra total às drogas vem fracassando em toda parte. A virada de jogo em relação ao combate às drogas já ganhou a adesão de personalidades como o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso. Há aspectos paradoxais que chamam a atenção nessa polêmica entre campos de convencidos que não pretendem mudar de posição.
Há quem encha a cara de uísque antes de falar sobre o assunto.
Por que os adversários mais persistentes da liberação da maconha não se empenham da mesma maneira na proibição do álcool? Será que consideram, no fundo, o álcool menos pernicioso? Será que acham mais difícil alguém se tornar dependente do álcool? Será que acreditam na possibilidade do “consumo social” de álcool e não no uso moderado e recreativo de maconha? Ou não querem prejudicar um mercado estabelecido e gerador de empregos? Ou, contraditoriamente, com base no fracasso da Lei Seca americana, sabem que a proibição seria uma guerra perdida que produziria corrupção, violência e clandestinidade? Ou apenas querem beber em paz? Afinal, vício é sempre o vício do outro, dependente é sempre o outro, vulnerável e perigoso é sempre esse outro.
Especialistas discutem sobre os reais males provocados pelo consumo continuado da maconha. Os males provocados pelo consumo contínuo de álcool são conhecidos. Por que o tratamento diferente em relação a essas duas drogas? Alguém duvida dos terríveis estragos produzidos pelo alcoolismo? Há, no que se refere ao consumo de drogas, uma postura moral, ou moralista, raramente admitida. Fala-se, quase sempre, em proteger os usuários de si mesmos e desses produtos devastadores. Existe verdade nisso. Há mais. Há também essa postura moral que pretende determinar como deve ser o comportamento do outro. Faz parte do jogo social. Até que ponto, contudo, tem-se esse direito sobre o outro? Até que ponto, principalmente, essa metodologia é eficaz?
As sociedades não costumam ser coerentes. Se fossem, teriam de proibir tudo ou nada, salvo se for possível apresentar explicações muitos convincentes sobre os danos específicos de certas drogas ditas mais pesadas. A maconha é mais pesada que o álcool? Ou se proíbe o álcool ou se libera a maconha. Outra hipótese: será que as sociedades tentam proibir o máximo, mas deixam alguma droga de escape para as pessoas com medo de uma explosão por falta de mecanismos de evasão? Tornar-se dependente de algo não pode ser visto como algo inteligente. A dependência é doença e produz muito sofrimento. Tentar evitar que mais pessoas caiam nessa armadilha faz parte das obrigações de todo mundo e particularmente do Estado. A questão é: de que modo? Com que instrumentos legais?
Numa sociedade aberta tudo é discutível. Há quem garanta que tomar um bom vinho é algo de bom gosto e pode ser feito pela maioria das pessoas sem levar ao alcoolismo. Há também quem garanta que se pode fumar um “baseado” de vez em quando sem correr o risco de chegar à dependência. Tudo seria questão de moderação. E, assim como no álcool alguns acabam doentes, o mesmo se daria com a maconha. Nos dois casos, a informação, o esclarecimento e a crítica aos excessos seriam a saída.
Uma coisa é indiscutível: a repressão não tem funcionado. Não elimina a vontade dos consumidores, não diminuiu o número de interessados e não indica a superação do enorme problema.
É só uma modalidade simplória de abordagem da questão.
O simples se torna mais convincente quando consegue ser simplório.
É uma lei da metafísica social.
Leia Mais ►

Ruas e redes sociais rompem a blindagem

Leia Mais ►

Críticos erraram de novo

 
O presidente Lula teria 51% de votos, diz o DataFolha, e Fernando Rodrigues sublinha: só Lula venceria no primeiro turno.
Lula deixou o Planalto em janeiro de 2011. Passa boa parte de sua agenda fora do País, recusa a maioria dos pedidos de entrevista. Perseguido por notícias falsas sobre a saúde, amplificadas por um interesse político que ignora pareceres médicos, desconhecendo todo e qualquer escrúpulo moral na esperança desgastar e diminuir o ex-presidente, Lula seria eleito presidente – no primeiro turno.
Este aspecto faz dele um personagem único.
Seus 51% são uma proeza, reforçada pelo fato de que ele nega qualquer plano de disputar a sucessão. Não é candidato, diz que não é e não gosta que falem do assunto nem em tom de brincadeira. Fui testemunha disso.
Mas seu nome sobrevive na memória do eleitor e, de certa forma, em artimanhas de adversários.
Na falta de ideia melhor para abrir caminho para um concorrente de oposição, os meios de comunicação parecem ter estabelecido um namoro provisório com o ex-presidente. Obviamente não querem que Lula seja candidato e fariam um escândalo apocalíptico se ele viesse a anunciar a decisão. Voltariam a falar de chavismo – daí a importância de lembrar do câncer – e outras coisas mais.
Mas cultivam e alimentam essa possibilidade, hoje, porque este é um meio de enfraquecer Dilma, a candidata real do bloco político que chegou ao Planalto em 2003.
Imagino até que a presidente teria alguns pontinhos a mais na pesquisa se não houvesse um número razoável de eleitores que, preferindo Lula, torcendo por ele, evitam cravar o nome Dilma nas pesquisas de intenção de voto. Eleitores são inteligentíssimos.
Mas há novidades no ar das pesquisas.
O DataFolha lembra que Dilma Rousseff cresceu seis pontos e continua à frente das pesquisas para 2014. Ninguém sabe até onde a presidente pode avançar, mas está na cara que ela se encontra em recuperação. Inverteu a curva. Mais um motivo para os adversários lembrarem o Volta, Lula.
Diante dos números de Dilma, pergunto até quando nossos observadores políticos irão fingir que, novamente, não foram capazes de enxergar o óbvio em suas diversas manifestações.
Considerando o DataFolha de hoje, é divertido lembrar que as diversas compilações de nossos sábios, que procuravam mostrar respostas supostamente erradas, erráticas, distorcidas, irracionais, que o Planalto teria oferecido às manifestações.
Os números mostram que foi preciso cultivar um grau elevadíssimo de má vontade com o adversário para não perceber a relação entre os protestos contra “os políticos” e a proposta de reforma política elaborada pelo Planalto.
Claro que sempre se quis transformar protestos gerais contra instituições num ataque a Dilma, num “ fora Dilma “ – mas a política ensina que nunca é demais desconfiar de análises convenientes demais aos próprios interesses. É uma versão atualizada do ditado que diz que quando a esmola é demais, o santo deve desconfiar.
O saldo está aí. O Ibope informa que 85% da população quer a reforma. Virou uma proposta com mais aprovação do que a presidente. A reforma pode nem sair, mas é fácil perceber quem ganhou e quem perdeu no debate. E quem vai se desgastar toda vez que abrir a boca para falar mal dela.
No campo social, o programa de levar médicos para áreas carentes deixou de ser um problema para virar uma solução depois que o governo desistiu de falar que queria aumentar o número de médicos no País e, ao mesmo tempo, elevar em dois anos o prazo para que possam ser formados nas universidades.
Quando abandonou essa ideia dupla, o Planalto deixou o debate no foco necessário, que é o atendimento urgente a quem não tem a quem pedir socorro quando o filho está com dor de barriga, a mulher está em trabalho de parto e o marido foi atropelado.
Depois de tratar o protesto das entidades médicas como se fosse um movimento baseado no altruísmo, os meios de comunicação já exibem outra posição. Editorial do Globo alerta que o corporativismo dos médicos não pode sobrepor-se às necessidades da população.
Na economia, nem é bom comentar. Os leitores deste blog já foram lembrados, há meses, que a inflação estava em queda. Caiu todos os meses, a cada levantamento do IBGE.
A inflação também estava caindo quando os protestos de junho começaram. Mesmo assim, um numero razoável de observadores culpava “a alta dos preços” pelo comportamento da população, num exercício retórico que permitia sustentar que o governo federal era o principal responsável pelas vidraças quebradas, pelos pneus incendiados e pelo Itamaraty invadido.
Sabemos que o esforço para apresentar a inflação como um dragão fora de controle obedece a finalidades políticas e não econômicas. Desse ponto de vista, os números não têm importância.
O que importa é uma interpretação capaz de pressionar o governo pela mudança nas opções feitas por Dilma para tentar manter algum nível de crescimento num cenário internacional horroroso.
O que se quer é que ela siga elevando os juros. O resultado inevitável será mudar a faixa do emprego, que permanece no melhor patamar da história. Depois que se obtiveram desonerações bilionárias, pretende-se denunciar que as contas do governo ficaram ruins e que será preciso fazer cortes em investimentos e na área social.
Parece absurdo e até brincadeira, mas não é.
É política. No curto prazo, o plano é inviabilizar a reeleição de Dilma com um conjunto de medidas impopulares.
No longo prazo, o que se quer é retomar o controle da economia, recuperando ideias de austeridade e Estado mínimo em vigor na Europa e nos Estados Unidos de hoje. Por isso o coro sobre o dragão da inflação irá se manter, mesmo que ela continue baixa.
O desempenho sofrível dos adversários declarados de Dilma demonstra sua falta de contato com a vida real dos eleitores.
Aécio perdeu pontos, na última pesquisa, depois de aderir, justamente, à crítica de que o governo não controla gastos nem impede a alta da inflação. Caiu nos protestos e não conseguiu oferecer nenhuma resposta que lhe permita reerguer-se.
Com o propinoduto tucano, que deverá ocupar as atenções do mundo político nos próximos meses, a candidatura de Aécio pode perder mais musculatura.
Até porque já enfrenta outro grande escândalo tucano, o mensalão PSDB-MG, que ocorreu justamente em seu Estado.
Será possível criminalizar o adversário nesta situação e fazer silêncio sobre a principal fortaleza tucana?
Bem avaliado em Pernambuco, Eduardo Campos ainda não atravessou a fronteira que lhe permitiria ser competitivo no plano nacional, diz o levantamento.
Marina Silva cresceu e seria hoje a adversária de Dilma num segundo turno. Convém reparar que, a cada levantamento, Marina reforça a convicção de que não disputa o Planalto – mas é candidata a mito.
Não ouve, não fala e não vê. Não tem propostas para economia, nem se sabe se é a favor ou contra o Mais Médicos, a Reforma Política ou lá o que seja.
Diz que não é candidata de oposição nem de situação, recurso bisonho para agradar a todos, mas que pode ser de alto risco num país polarizado.
Para decepção de tantos aliados tão charmosos que surgiram em seu caminho, Marina está com dificuldade de formar seu partido político. Apoios prometidos não vieram e alianças quase consolidadas foram desfeitas.
Sou a favor de uma campanha com confronto de ideias e discussão de propostas. Com 20% dos votos em 2010, Marina Silva fala em nome de uma parcela real de brasileiros e sua candidatura é legítima.
Mas a opção por construir-se como uma candidata acima de tudo e de todos pode ter um preço. O maior deles é a dificuldade para articular aliados e parceiros para organizar o melhor instrumento já criado pelas democracias para defender ideais e projetos – um partido político.
Só espero que, se não aparecer peixe em sua rede, os amigos que Marina acumulou desde que deixou o governo Lula não apareçam mais uma vez para apresentá-la como vítima da truculência adversária, pedindo para mudar regras no meio do jogo.
Isso não seria bom para ninguém, certo?
Leia Mais ►

Álvaro Dias quer esclarecer caso Petrobras; mas não Siemens

Senador do PSDB protocolou requerimento para que o lobista João Augusto Henriques possa esclarecer denúncia publicada pela revista Época, sobre um suposto esquema de desvio na estatal que financiaria campanhas políticas; ao receber a sugestão do petista Humberto Costa para convocar Adilson Primo, ex-presidente da Siemens no Brasil, que possivelmente sabe muita coisa sobre o escândalo do Metrô em São Paulo, Alvaro Dias respondeu, porém, que está satisfeito com as providências adotadas pelo governo paulista sobre o caso
Agência Senado - Em pronunciamento nesta segunda-feira (12), o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que protocolou requerimento para que o ex-diretor da BR Distribuidora João Augusto Henriques possa esclarecer denúncia publicada pela revista Época sobre a existência de um suposto esquema de corrupção na Petrobras, o qual teria favorecido parlamentares, partidos políticos e campanhas eleitorais. Protocolado na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), o requerimento é subscrito pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).
- Se estas denúncias forem confirmadas, o mensalão está mais presente do que nunca na administração federal, como consequência deste sistema promíscuo instalado em Brasília há 12 anos, com o objetivo de cooptar forças políticas, especialmente partidos, para consolidar uma ampla base de apoio ao governo do PT. Trata-se de um sistema que instala um balcão de negócios para lotear os cargos públicos, e se torna a matriz de governos incompetentes, abertos à corrupção – afirmou.
Alvaro Dias disse que o desmonte atual da estatal petrolífera é decorrente do declínio apontado pela oposição já em 2009, quando foi proposta a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. O senador observou que as denúncias, "que se renovam, circulavam no ambiente da comissão, e o trabalho imposto pelo Executivo para impedir que a comissão investigasse apenas confirmavas as suspeitas".
Uma seleção de denúncias de irregularidades, prosseguiu, justificava a instalação da CPI da Petrobras, "que se transformou em uma verdadeira farsa, e investigar era impossível", disse Álvaro Dias. A oposição retirou-se da comissão e protocolou 18 representações junto ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, algumas das quais deram origem a inquéritos, a exemplo do caso da refinaria Getulio Vargas, em Araucária, no Paraná, ainda não concluído.
Em aparte, o senador Humberto Costa (PT-PE) disse que o fato de existirem denúncias não significa que as acusações sejam verdadeiras. Ele também recomendou que Álvaro Dias estendesse a convocação a Adilson Primo, ex-presidente da Siemens no Brasil e hoje secretario da Prefeitura de Itajubá (MG), "que sabe muitas coisas sobre escândalo que supostamente envolveria empresas multinacionais e agentes públicos do governo de São Paulo".
Em resposta, Alvaro Dias disse está satisfeito com as providencias adotadas pelo governo paulista para tratar da questão, e com as investigações da Polícia Federal e o Ministério Público Estadual sobre o caso, que envolve o fornecimento de trens para o metrô.
No Justiceira de Esquerda
Leia Mais ►

Tremsalão Tucano

Leia Mais ►

Fidel Alejandro Castro Ruz - 87 anos

http://lamanchaobrera.es/wp-content/uploads/2013/06/592103-fidel-castro-quits-after-a-half-century.jpg
Leia Mais ►

Serra e Alckmin inauguram placar da transparência no centro de São Paulo

Leia Mais ►