11 de ago de 2013

Reforma apoiada por 85% pode não sair

http://prosaepolitica.com.br/wp-content/uploads/2013/06/Reforma-Politica.jpg 
O debate sobre a reforma política está murchando, embora pelo menos 85% do brasileiros seja a favor de mudanças profundas em nosso sistema eleitoral. É surpreendente.
Qualquer coisa que agrade a 85% da população de qualquer país - seja uma marca de biscoito, um deputado estilo Tiririca, um programa de TV - costuma ser cobiçada pelas empresas, cortejada pela publicidade, apoiada por artistas e jogadores de futebol. Imagine entrar num clube com 100 pessoas e 85 dizem que você é um cara bacana.
Ninguém precisa de terapia, vamos combinar.
Com a reforma, isso não acontece.
Apesar da popularidade óbvia, ela perde força por um fator conhecido de nossa vida política. Pode representar uma mudança de caráter histórico na construção de nossa democracia e isso assusta muitas pessoas.
Apesar de mudanças recentes ocorridas nos últimos anos, vivemos sob um sistema político destinado a manter e reproduzir uma estrutura de enriquecimento fechado e desigual. As vitórias obtidas até aqui são reais, mas podem ser revertidas com relativa facilidade num sistema político destinado a preservar um mundo antigo. Isso porque, junto como a desigualdade social, que é estrutural, estamos preservando a desigualdade entre cidadãos.
A reforma só perde vigor porque não interessa aos ricos nem aos muito ricos. São poucos, mas muito influentes.
Por isso mesmo podem dar à reforma política o tratamento que se dispensa ao convidado indesejado que apareceu numa festa. Depois de cumprimentá-lo com sorrisos amarelos e tapinhas nas costas, ele vai sendo empurrado para fora de casa sem muita cerimônia. Em voz baixa, convidados se perguntam: "quem teve o mau gosto de trazer essa pessoa aqui?"
Os ricos e muito ricos não querem a reforma por um problema doloroso – para eles.
Depois de governar aquela terra descoberta por Pedro Álvares Cabral há mais ou menos 500 anos, com uns pequenos carnavais populares aqui e ali, descobriu-se uma coisa. Qualquer mudança a ser feita nas regras eleitorais – a começar pelo financiamento de campanha, a base de tudo – irá dificultar ainda mais a vida dos políticos que defendem seus interesses.
Veja só. Pelas regras atuais, um candidato só precisa ser amigo dos ricos e muito ricos para receber uma polpuda ajuda financeira.
Isso sempre foi assim – quando os ricos e muito ricos não proíbem eleições, claro – mas há três pleitos presidenciais eles não conseguem emplacar seu candidato favorito e aquela turma debaixo, que sempre foi tratada a pão, água e, de vez em quando, uma bolachinha, nem dá bola para o que eles dizem ou pensam.
Pelas regras atuais, que permitem o financiamento de campanha, os ricos e muito ricos podem se beneficiar de uma mágica conhecida como multiplicação financeira dos votos. Seus políticos prediletos recebem muito dinheiro, mas tanto dinheiro, que até se tornam artificialmente competitivos. Contratam bons esquemas de marketing, oferecem empregos para cabos eleitorais, ajudam prefeitos que depois irão ajuda-los e assim por diante. Com dinheiro, a minoria social pode até transformar-se em maioria eleitoral.
De seu ponto de vista, os ricos e muito ricos tem razão em se preocupar e colocar a reforma embaixo do tapete.
Se a regra mudar, criando um financiamento exclusivo de campanha, eles serão prejudicados. Isso porque cada partido receberá recursos de acordo com o desempenho eleitoral de seus candidatos. É uma forma simples e coerente: quem tem mais votos recebe mais recursos. Bem ou mal, o que se quer é respeitar a vontade do povo.
Pode-se até criar uma cláusula de barreira, garantindo um mínimo x para toda legenda que tenha um mínimo y de votos.
Mas é claro que, mesmo assim, a democracia não interessa a quem não tem votos.
E é por isso que eles tudo farão para impedir a reforma e criticar quem trabalha por ela, mesmo que tenha apoio da maioria dos brasileiros.
Não acho que ricos e muito ricos estão condenados a padecer para sempre em posição minoritária em nosso sistema político.
Podem ganhar força e até vencer eleições, como se vê no mundo inteiro. Mas para isso seria preciso mudar, e disputar eleições com soluções generosas de progresso econômico e melhora social.
E isso é complicado, numa conjuntura econômica difícil como a atual, quando essa turma só pensa em Estado Mínimo e corte de programas sociais – ideia real escondida por trás de avaliações alarmistas e comprovadamente falsas sobre inflação.
Seria preciso atualizar-se, num país atravessou mudanças brutais nas duas últimas décadas, que deixaram para trás um passado conformista e retrógrado, ancorado na preservação da desigualdade.
Por trás do combate a reforma política, o que se esconde é um programa social, que prega a ampliação descomunal das prerrogativas da minoria. É isso e só isso.
“Voz das ruas”? “Monstro”?
Os ricos e muito ricos já mostraram que podem valer-se de um descontentamento legítimo – com o próprio sistema político – para estimular a baderna, numa fantasia política que só pode vir à rua com muitas máscaras.
Seu jogo é o da irracionalidade.
Eles não suportam sequer imaginar a possibilidade de viver num país onde cada homem vale um voto. É muito para eles.
E é por isso, e só por isso, que tudo farão para impedir a reforma política, mesmo que tenha o apoio de 85% da população.
Não poderia haver demonstração mais enfática de desprezo pela vontade da maioria.
Leia Mais ►

Dez anos sem o Doutor Roberto e o choro de Bonner

O legado do nosso companheiro.
O companheiro  Roberto Marinho
O companheiro Roberto Marinho
Então são dez anos sem o Doutor Roberto Marinho, um homem nas próprias palavras “condenado ao êxito”, completados agora em agosto.
Lembremos sua jornada quase centenária sobre esta terra, contritos, e agradeçamos a ele por:
1)   conspirar contra um governo democrático e abrir as portas para uma ditadura militar que matou, perseguiu e fez do Brasil um campeão mundial de desigualdade;
2)   fazer um pacto com essa ditadura pelo qual em troca de receber uma rede de tevê a apoiaria incondicionalmente;
3)  ocupar o Estado brasileiro, de tal forma que sucessivos governos o brindaram com empréstimos multimilionários a juros maternos ou pagáveis, eventualmente, até com anúncios;
4)  ocupar também o legislativo nacional, de maneira que quando o Brasil se abriu à concorrência internacional a Globo permaneceu protegida por uma reserva de mercado que contraria o capitalismo de que nosso companheiro tanto falava;
5)   criar, na captação de publicidade, uma propina chamada “BV”, pela qual a Globo mantém até hoje acorrentadas as agências de propaganda e com a qual mesmo com audiências cada vez menores a receita da empresa continua a aumentar;
6)  levar ao estado da arte o merchandising, com o qual os brasileiros são estimulados subrepticiamente a tomar cerveja em todas as ocasiões em cenas de novela pelas quais os fabricantes de novelas pagam um dinheiro muito além da propaganda normal;
7)   montar uma programação à base de novelas que ao longo do tempo tanto ajudaram a entorpecer a alma e o espírito crítico de tantos brasileiros;
8)   abduzir o judiciário nacional com relações promíscuas, com as quais a emissora pôde montar um esquema bilionário de sonegação sem risco de pagar por isso;
9)  manter por tantos anos João Havelange e Ricardo Teixeira na CBF por causa das relações especiais, e com isso conseguir coisas como o pior horário de futebol do mundo, ainda hoje mantido por causa da novela;
10)  criar uma cultura de jornalismo da qual derivariam, ao longo do tempo, figuras como Amaral Neto, Alberico Souza Cruz, Merval Pereira, Ali Kamel, William Wack e Arnaldo Jabor.
Por tudo isso, e muito mais, como Galvão e Faustão, Huck e Ana Maria Braga, Saia Justa e Manhattan Connection, Proconsult e Diretas Já,  BBB e Jô Soares, nós lembramos o legado do companheiro Roberto Marinho e lhe rendemos graças.
Paulo Nogueira
No DCM

Leia Mais ►

Diego Escosteguy censura gravações

Conforme afirmamos nesta nota, a fonte da reportagem malfeita da revista Época, João Augusto Rezende Henriques, iria desmentir  declarações que foram atribuídas à ele,ficou evidente que, da maneira em que foi publicada, se fosse verdade, seria uma confissão de crimes gravíssimos praticados pelo próprio lobista.
Dito e feito. Na tarde de sábado (10), João Augusto distribuíu nota negando participação na reportagem. Eis a nota:
"Informo que não concedi entrevista à revista Época. O contato que mantive com o repórter da publicação tratava-se meramente de uma conversa informal, cujo convite partiu dele, na qual o repórter apresentou as situações descritas na reportagem. O que não significa que houve concordância com a versão do repórter.

Quanto aos fatos mencionados pelo jornalista, não exerço, e nunca exerci, qualquer interferência nos contratos da área internacional da Petrobras. Não recebi e nunca repassei qualquer recurso para pessoas nem tampouco partidos, sejam eles PT ou PMDB.

De fato, havia sido sondado pelo já falecido deputado Fernando Diniz para assumir um cargo na Petrobras, mas declinei do convite.

Conheci, e conheço várias pessoas da Petrobras porque lá trabalhei durante 23 anos, tendo sido, inclusive, diretor da BR Distribuidora. Não fui responsável por demissões ou indicações para cargos na estrutura da Petrobras.

No mais, o que expôs a publicação são ilações.

João Augusto Henriques"
Diego Escosteguy, jornalista que assina a matéria, resolveu então publicar a gravação, querendo provar que não estava mentido. Foi um vexame. Só publicou alguns trechos (ouça abaixo) deixando dúbios quando as conversas são cortadas, sem mostrar todo o contexto em que foi dita. Inclusive seria importante publicar na íntegra para entender a motivação que João Augusto teria para se autoincriminar se é que fez isso de fato. Ele achou que estava falando em "off"? E estaria usando esse "off" para detonar adversários de Aécio Neves, sem compromisso com a verdade? Diego Escosteguy esconde as informações do leitor, que são importantes, quando se trata de um denúncia sem documentos, apoiada apenas em palavras de quem o próprio Escosteguy deprecia ao tratá-lo como lobista.
Que falta faz a Mídia Ninja, que transmite ao vivo e ainda deixa tudo gravado na íntegra para qualquer internauta que queira ver. Mas esperar o quê do jornalismo da Globo? Se não manipulasse informações ao gosto dos demotucanos não seria a Globo. Que vexame.
Aliás, bateu desespero na Globo. Será só com o propinão tucano ou será também com o escândalo da sonegação da emissora? A TV deu outro vexame. Repercutiu a matéria malfeita da revista no Jornal Nacional, mesmo após ser contestada pela própria fonte. Isso sem conseguir nenhum documento, nem entrevista com João Augusto (pelo contrário, teve a negação em nota). Jornalismo decente acabaria de apurar antes sair espalhando coisas que carecem de consistência. Mas isso é a Globo. Nas eleições de 2010, o Jornal Nacional embarcou na campanha de José Serra e colocou no ar o ex-presidiário Rubney Quicoli para fazer denúncias mirabolantes contra Dilma, sem apresentar qualquer documento, testemunha ou prova.
No Amigos do Presidente Lula

Ouça os trechos da entrevista:
Leia Mais ►

A medíocre medicina cubana

Medicamento cubano se abre paso en 14 países

Foto: Calixto N. Llanes/Juventud Rebelde.
Foto: Calixto N. Llanes/Juventud Rebelde
Alrededor de 14 naciones, entre ellas China y Rusia, están en trámites para aplicar en sus centros hospitalarios el Heberprot-P, medicamento cubano único de su tipo en todo mundo, capaz de evitar amputaciones al estimular el crecimiento de los tejidos y revertir lesiones agudas en los pies de pacientes diabéticos.
El especialista del Grupo de Gestión de la Promoción del habanero Centro de Ingeniería Genética y Biotecnología (CIGB), Erick Hernández, dijo que ese medicamento ha favorecido a más de 200.000 personas en Cuba y el mundo, aquejados con úlceras del pie diabético en estado avanzado y con alto riesgo de amputación.
Venezuela, Ecuador, Argelia, México, Angola y otros 15 países cuentan con el registro sanitario para el uso de este medicamento, agregó Hernández, quien participa en las acciones para extender ese medicamento en los 10 municipios de la central provincia de Ciego de Avila, a unos 425 kilómetros al este de La Habana.
En Cuba existen 348 centros asistenciales y más de un millar de profesionales capacitados en brindar la terapia como parte del Programa Nacional de Atención a Pacientes Diabéticos con lesiones en los pies, mediante el uso de Tecnologías Avanzadas a través del Heberprot-P.
La aplicación del HeberProt-P ha reducido casi cuatro veces los índices de amputación por úlcera de pie diabético, destacó hace unas semanas el presidente para Latinoamérica de la Federación Internacional de Diabetes, Manuel Vera.
Vera puso en relieve las virtudes de ese fármaco, un medicamento inyectable cubano único en el mundo para tratar las ulceras del pie diabético.
En la actualidad el fármaco está registrado en 12 países y antes de 2015 se espera que esté en más de 50 naciones.
La diabetes mellitus afecta en la actualidad a unas 300 millones de personas y en pocos años el número de enfermos puede llegar hasta 450 millones.
Vera dijo que cada año aumenta la cantidad de personas con diabetes mellitus en Cuba, quienes suman ya alrededor de 500.000, cifra que constituye sólo el número de pacientes diagnosticados con la enfermedad, aunque existen otros con altos niveles de glucemia en sangre, propensos a padecerla y con total desconocimiento.
Existe un predominio de este mal en las mujeres, sin embargo el experto señaló que la aparición de ese padecimiento puede ocurrir a cualquier edad y en cualquier sexo por factores negativos de la vida moderna como la obesidad, el sedentarismo, el tabaquismo y los malos hábitos alimenticios.
Por esas razones abogó por los cambios en los estilos de vida de las personas y la incorporación de dietas saludables, en pos de evitar esa enfermedad crónica no trasmisible.
La diabetes es considerada como una pandemia no transmisible, cuyo impacto continuará creciendo en todo el planeta, ante lo cual las úlceras del pie diabético serán una gran complicación.
El HeberProt-P es capaz de producir una cicatrización efectiva en úlceras del pie diabético, debido a su método de aplicación que se basa en la infiltración de un ingrediente farmacéutico activo, el factor de crecimiento epidérmico humano recombinante, aplicado con una aguja en el lecho de la herida.
Las úlceras del pie diabético son complejas, con una evolución sombría debido a que el estado de inflamación crónica del paciente impide la cicatrización.
El enfermo, que en la mayoría de los casos presenta una neuropatía diabética extendida, no siente las lesiones que van creciendo, se infectan, se profundizan y complejizan, ahondó el experto.
Desde el registro nacional de la vacuna en 2006 y su inclusión en el cuadro básico de medicamentos al año siguiente, las autoridades sanitarias de la isla extendieron esta terapia a todas las provincias y a la mayor cantidad de unidades de salud.
De esta manera el paciente con úlcera de pie diabético no tiene que viajar en grandes distancias para recibir la atención.
De acuerdo con la Organización Mundial de la Salud (OMS) unos 300 millones de personas padecen diabetes en el planeta, de las cuales entre 15 y 35 por ciento pueden sufrir la amputación de una de sus extremidades en algún momento de la vida.
En Estados Unidos, donde el tratamiento cuesta unos 70.000 dólares, el 65 por ciento de los diabéticos sufre una amputación.
Cuba tiene una sólida industria de investigación y elaboración de fármacos biotecnológicos, que produce 141 productos, entre ellos diversas vacunas, cuyas ventas aportan a la isla unos 400 millones de dólares anuales.
Además del HeberProt-P, los científicos cubanos han logrado registrar vacunas contra la hepatitis “B” y el “hemophilus influenzae”; una pentavalente que incluye a cinco antígenos y una de estreptoquinasa recombinante, proteína que tiene una acción trombolítica y se usa contra el infarto del miocardio.
Leia Mais ►

Justiça Federeal comprova legalidade do Programa Mais Médicos

O juiz Federal Gustavo Dias de Barcellos, substituto da 1ª vara Federal de Florianópolis/SC, indeferiu antecipação de tutela pleiteada pelo Sindicato dos Médicos de SC contra a MP 621/13, que institui o Programa Mais Médicos.

A entidade de classe pedia que a União se abstivesse de promover a ocupação das vagas ofertadas no âmbito do programa por médicos formados em instituição de educação superior estrangeira com habilitação para exercício da medicina no exterior sem a necessidade de revalidação de seu diploma.

O sindicato alegou que, aceitando médicos intercambistas sem diploma revalidado, o Mais Médicos estaria violando o princípio do concurso público. Também sustentou que a não revalidação do diploma de médico formado no exterior configura exercício ilegal da medicina e viola a autonomia universitária.
Ao analisar o pedido, o juiz Barcellos afirmou que, de acordo com a MP, "o médico intercambista exercerá a medicina exclusivamente no âmbito das atividades de ensino, pesquisa e extensão do Projeto Mais Médicos para o Brasil".
"Tenho como suficiente o esclarecimento oferecido pela União no sentido de que não trata o Programa em questão de oferecer cargos ou empregos, inclusive quanto aos médicos intercambistas, os quais terão inscrição provisória no CRM e desempenharão suas atividades em caráter temporário", disse.
O magistrado ainda considerou que a dispensa da revalidação formal do diploma estrangeiro é elemento alheio à interferência judicial.

No Maria da Penha Neles!
Leia Mais ►

Tim Minchin - Rock n' Roll Nerd

Leia Mais ►

A pedra no caminho

Para o STF, à vista do retorno ao "mensalão", chama-se embargos infringentes
STF
Divergência entre ministros no retorno ao "Mensalão"
José Cruz/ABr
Após o Acórdão de cerca de 8 mil páginas compostas a partir das discutidas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) em torno da Ação Penal 470, batizada popularmente de “mensalão”, surge, como se previa, a controvérsia relativa aos “embargos infringentes”. Isso significa uma pedra no caminho do tribunal, que se reúne a partir do dia 14 para dar continuidade ao julgamento. Uma pedra não no meio, como na poesia de Drummond, mas no fim.
A Corte está dividida. Para alguns cabe o embargo e para outros não cabe. Embargo infringente é um instrumento que permite uma retratação, uma mudança radical na decisão tomada dentro de certas condições. Isso significa a possibilidade de transformar água em vinho. O réu condenado, sem a maioria dos votos, pode vir a ser absolvido. Bom para quem perdeu, por decisão arbitrária, o direito de se defender em uma instância superior.
As cartas estão embaralhadas. O ministro Celso de Mello já se manifestou pelo cabimento dos embargos infringentes. E o ministro Marco Aurélio já se disse contrário a essa possibilidade. Ambos votaram pela condenação dos réus.
O conflito pode ser sintetizado assim, considerando o argumento básico de quem defende os embargos: o regimento interno do Supremo Tribunal Federal, de 1980, considera cabíveis os embargos quando se condena um réu em decisão que conte com, pelo menos, quatro votos vencidos. Por outro lado, quem discorda invoca a Lei nº 8.038, de 1990. Ao dispor sobre o processo no STF e no STJ, essa lei não prevê os embargos infringentes.
Tudo repousa sobre uma definição: ao regular inteiramente a matéria sem mencionar os embargos à Lei nº 8.038, o STF teria revogado o regimento interno? Ou, ao contrário, o silêncio da lei importaria na manutenção do sistema tal como ele é nesse particular? A própria lei prevê a aplicação supletiva do regimento às questões que ela não tratou.
“O debate existente envolve, portanto, conciliação entre o regimento e a lei”, considera um dos ministros do STF. Para além do debate técnico, surge a ponta de uma questão com nítidas características políticas. Há quatro punições enquadradas nessa circunstância. Entre elas uma carta marcada: José Dirceu.
Dirceu foi condenado por corrupção ativa e, também, por formação de quadrilha, cuja pena gira em torno de 2 anos e 11 meses. Os acusadores se apoiaram na duvidosa teoria do domínio do fato do que, propriamente, como exige a lei, no fato.
Há dois juízes novos que não participaram do julgamento: Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso. Caso votem contra a condenação por formação de quadrilha, e considerando que os seis ministros mantenham a punição, o resultado será o empate: 6 a 6. Isso beneficia o réu.
Beneficiaria José Dirceu. Ele cumpriria o restante da pena em regime aberto.
Um desespero para a mídia conservadora, que guia a volúpia daqueles que se contentariam em ver o ex-ministro Dirceu com as algemas nos pulsos pelos erros cometidos. Meu palpite: não verão.
Acelera, Marina, acelera I
O tempo corre contra Marina Silva.
No dia 8 de agosto, no site do Rede Sustentabilidade, partido que ela pretende criar, era anunciada a coleta de 842 mil e 818 assinaturas. Destas, 174 mil e 892 estavam certificadas.
Em um ano de trabalho certificaram um terço das 500 mil assinaturas necessárias, exigidas por lei.
Marina e aliados têm apenas mais 30 dias para certificar os dois terços restantes.
Tarefa dificílima.
Quiçá impossível.
Acelera, Marina, acelera II
Já se fala no retorno dela ao Partido Verde (PV), como alternativa para disputar a Presidência em 2014.
Marina deixou o PV rompida com José Luiz Penna, atual presidente do partido.
Dizem que Penna é um político flexível, capaz de recuar com certa facilidade.
Não se sabe, porém, o tipo de facilidade.
Voltas que Serra dá
José Serra fez um cerco pessoal aos institutos de pesquisa.
Queria saber por que o nome dele não é incluído na lista da disputa presidencial de 2014.
A resposta é simples: o candidato do PSDB é o senador Aécio Neves.
Serra responde a isso com uma pergunta: “E se eu for para outro partido?”
Aí o nome dele será incluído, ouviu de volta.
Calendário político
O calendário político tem três datas importantes nos próximos 50 dias.
Em 14 de agosto, o Supremo Tribunal Federal retoma o julgamento do “mensalão”.
Setembro começa politicamente no dia 7, com a possibilidade de grandes manifestações em todo o País, conforme rolam as conversas virtuais.
No dia 4 de outubro, acabam as possibilidades de fundar partidos ou migrar para outro em razão da eleição de 5 de outubro de 2014. Ou seja, quem ficar de fora até lá não entra mais no jogo.
Coisas do acaso?
Por que razão o Espírito Santo nunca teve representante no Superior Tribunal de Justiça, tampouco no extinto Tribunal Federal de Recursos?
Os capixabas parecem resignados ao papel de primo pobre no Sudeste.
Dinheiro e voto
Por instinto ou sabedoria, o eleitor brasileiro é majoritariamente contra a doação de dinheiro para as campanhas eleitorais.
Essa incerteza surge da pesquisa OAB-Ibope de que a população brasileira mais modesta e moradora da periferia é contra o financiamento das campanhas eleitorais com recursos da iniciativa privada.
Esses segmentos são os mais contrários à doação feita por empresas.
Os mais favoráveis são os mais jovens (de 25 a 34 anos) e com curso superior.
Maurício Dias
No CartaCapital
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1889

Leia Mais ►

O fator Lula nas eleições de 2014

Lula é amado ou odiado, suscita esperanças ou temores. Ele representa o momento mais importante da história recente do Brasil, personifica o governo de maior apoio popular da história do país. E, por isso mesmo, provoca sentimentos de ódio e pânico na direita brasileira.
O fenômeno Lula já foi objeto de varias análises – jornalísticas, sociológicas, políticas. Algumas – principalmente jornalísticas, com pretensões políticas – remetem à crise de 2005. São apocalípticas, com frases – feitas para a orelha e a contracapa dos livros – do tipo “Terminou o governo Lula”. Ficam pros sebos ou pra reciclagem de papel, sem pena nem glória.
Outras, mais recentes, tiveram que incorporar o sucesso do governo Lula. Alguns livros, feitos para desqualificar o Lula, modificaram o título para tentar pegar carona no sucesso do governo, ficando sem público, nem vendas.
Análises sociológicas mais recentes tentam abarcar o fenômeno do “lulismo”, com visões descritivas, que apontam para aspectos reais da realidade, mas sem explicações para sua natureza e, sobretudo, deixando escapar a dimensão política da liderança do Lula. Animam debates, figuram em bibliografias, mas não dão conta da globalidade do fenômeno.
Porque, para captar o Lula presidente, é preciso, antes de tudo, situar o momento histórico em que ele assume e no qual ele monta a arquitetura que torna possível o seu governo. Tudo parecia apontar para um fracasso. Propostas históricas do PT propunham transformações estruturais no país, sem levar em conta as modificações regressivas havidas no mundo nas décadas anteriores e que se refletiam na América Latina através da proliferação de governos neoliberais. Que, por sua vez, haviam tido forte impacto nas nossas sociedades e Estados – inclusive no Brasil.
A criatividade do Lula esteve, antes de tudo, em incorporar o consenso da estabilidade monetária, sem centrar sua política nesse aspecto. Lula tirou as consequências do fracasso do governo FHC, deslocando a centralidade para as políticas sociais. A prioridade do social foi o fio condutor entre as propostas históricas do PT e o governo Lula.
Lula teve que buscar as condições de imposição dessa prioridade sem ter maioria parlamentar, em um contexto externo – regional e mundial – dominado pelo neoliberalismo e em uma sociedade e um Estado impactados pelos efeitos de uma década neoliberal.
O governo Lula se caracterizou pelos passos na superação do neoliberalismo, no marco do contexto de hegemonia neoliberal e de predominância das forças conservadoras no âmbito partidário. A obra política maior do Lula foi a arquitetura que permitiu um governo que privilegiou as políticas sociais de caráter redistributivo, as alianças Sul-Sul e de integração regional e o resgate do papel do Estado como indutor do crescimento econômico e garantia da universalização dos direitos sociais.
Daí seu caráter ambíguo e contraditório, “conciliador”. Apoiando-se na correlação de forças que herdou, Lula construiu as condições de um governo que aponta para a superação do neoliberalismo. De governos que promoveram processos de exclusão social, de subordinação da soberania nacional, de subordinação radical do Estado ao mercado, Lula soube construir um governo que foi capaz de promover a centralidade das políticas de inclusão social, uma política externa soberana e o resgate do Estado do ponto de vista econômico e social.
Não por acaso, então, o fator Lula é a variável determinante da política brasileira e dos destinos futuros do país. De forma natural, Dilma disse que o Lula nunca saiu. Porque as orientações fundamentais do seu governo permanecem. E a oposição chega a argumentar contra a proposta de um plebiscito, pelo medo do espaço midiático que o Lula assumiria.
O discurso do Lula no Foro de São Paulo demonstra como ele se recicla, incorpora os novos dados da realidade, está antenado com os novos movimentos da realidade, sem perder de vista a perspectiva política estratégica que orienta sua ação. Aproximando-se de completar 40 anos de carreira política, o Lula se afirma como o grande dirigente estratégico, que revela os avanços, assim como os nós que o projeto iniciado por seu governo ainda não desatou.
Emir Sader
No Carta Maior
Leia Mais ►

O custo diz tudo

Na confusão noticiosa de várias licitações, em dois ou três governos paulistas, para diferentes contratações de obras, vagões, locomotivas e serviços diversos, por ora só há certeza em um ponto. E pela razão de que é claro por si mesmo: nenhuma empresa desgastaria o seu nome internacional expondo documentos e fatos inverdadeiros em que tivesse papel ilegal e imoral.
A outra preliminar, diante do tão demorado início de uma investigação em torno do metrô paulista, já é de conhecimento público e histórico. Afinal de contas, nunca faltou a percepção de que esse metrô, como o do Rio e o tal metrô de Brasília, veio ligar os cofres do Estado a muitos destinos não declarados.
A propósito dessa característica fundamental do metrô, uma lembrança aqui publicada há poucos dias levou a outra. Citado pela ajuda que me deu para desmascarar a empreiteira Mendes Jr., que negava uma fraude no governo Quércia aqui revelada, o jornalista Leão Serva me relembrou a revelação que se seguiu. Uma demonstração que ninguém teve números ou argumento com que contestar. E que nem por isso foi capaz de tirar da sua comprometida ou comprometedora imobilidade o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e o Ministério Público estadual.
Comparadas as duas obras, o custo de um quilômetro do metrô paulistano era três vezes o custo de um quilômetro do túnel sob o Canal da Mancha, ligando o continente europeu à Inglaterra - a chamada "Obra do Século".
O custo. Não há mais fácil indicador. O fornecedor de vagões, por exemplo, não fornece só para o Brasil. E não há dificuldade em levantar os preços que pratica com outros clientes. O mesmo para os serviços e fornecimentos em geral. Para obras existem até os departamentos estaduais e municipais acompanhadores de todos os preços de materiais e de engenharia, desde o metro cúbico de areia aos serviços mais especializados. A comparação entre os valores levantados e os valores contratados diz tudo.
O que foi exposto nestes dias, sobre algumas das licitações do Metrô e da CPTM, é bastante lógico e verossímil. Nem seria liberado por empresa envolvida se não o fosse, por deixá-la mal. Mas só fará pleno sentido quando ou se entrar no que representou para os cofres públicos. Fosse o destinado a empresas, fosse o repassado por elas a outro destino.
Poder Usurpado
Presidente da Câmara, o peemedebista Henrique Alves pretende levar depois de amanhã (13) à votação um assunto de muita gravidade. É o projeto que obriga o governo a liberar todas as verbas incluídas no Orçamento para finalidades indicadas por cada parlamentar. No Orçamento deste ano há R$ 30 bilhões nesse caso.
A pretexto de impedir liberações desequilibradas entre os partidos, esse projeto puxado pelo próprio Henrique Alves tem, a rigor, finalidades eleitoreiras. E em muitos casos, como sugerem verbas inscritas em anos anteriores, de corrupção mesmo.
Mas a própria existência dessas verbas de iniciativa parlamentar, chamadas de emendas parlamentares, merecia ser discutida fora do Congresso. Ou seja, longe dos interessados.
Ao Congresso compete legislar. Em matéria orçamentária, isso significa concordar no todo, em parte ou nada, com os itens e respectiva verba inscritos no projeto apresentado pelo governo para o Orçamento anual. Definir tarefas administrativas é finalidade dos governos e, na partilha dos Poderes, atribuição do Executivo. Aos congressistas, como alegados representantes da população, em nome dela cabe autorizar o Orçamento. Dando-lhe, como Legislativo, fundamentação legal.
As "emendas parlamentares" não são emendas de coisa alguma. São inclusões, no Orçamento, de finalidades e gastos de interesse dos parlamentares. Usurpação de atribuição do Executivo, o federal, o estadual e o municipal. 
Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Tucanos e Globopar, tudo a ver...

http://www.bancoruralnoticias.com.br/wp-content/uploads/2012/12/banco-rural.jpg
Muitos já tem conhecimento que a Globopar, empresa holding da Rede Globo, pegou empréstimo junto ao Banco Rural nos mesmos moldes do PT e que estes empréstimos foram considerados fraudulentos, sendo que no mensalão a AP 470, só os petistas estão sendo julgados e a Globopar foi preservada e isso é muito estranho.
Muitos já sabem que o Banco Rural está sob intervenção.
O que poucas pessoas sabem é que o dinheiro para o empréstimo que o Banco Rural fez para à Globopar foi captado no exterior... tchan!!!
E é aqui que a coisa começa a se complicar e junta TUCANOS, Banco Rural e Globopar.
A Globo estava quebrada, o Banco Rural captou dinheiro no exterior emprestou para a Globo e até hoje a Globo não teria liquidado a operação de empréstimo.
E não liquidou por um motivo muito simples, TUDO INDICA, segundo fonte que pede para ser preservada, que o dinheiro foi captado no exterior junto a tucanos de alta plumagem que tinham dinheiro em paraísos "VIRGENS".
Estaria aí o motivo de tanta "UNIÃO" entre os tucanos e a Rede Globo que insiste em preservá-los mesmo diante da avalanche de comprovações do propinoduto do TRENSALÃO.
Os tucanos e a Globo contaram para suas impunidades com a prestimosa contribuição da PGR/MPF e do JB que colocaram a operação de empréstimo (acima relatada) no SIGILOSO GAVETÃO, o inquérito 2474, e tudo mais que pudesse desviar o foco do PT e petistas, o alvo a ser atacado. LEMBRANDO que é neste GAVETÃO, o inquérito 2474, que dormitou por longo tempo os documentos que inocentam Pizzolato e que desmontam a tese central da acusação.
A "fonte" que pede para ser preservada irá disponibilizar documentos comprovando as informações que estamos divulgando em primeira mão.
AGUARDEM QUE VEM CHUMBO GROSSO POR AÍ.
Slider
No DoLaDoDeLá
Leia Mais ►

Dilma inaugura Aeromóvel em Porto Alegre

Leia Mais ►

Todos perdem

O resultado mais relevante das últimas pesquisas de opinião é a forte piora da imagem do sistema político. Despencou a avaliação das instituições e dos atores políticos.
Quem comemorou aquelas feitas logo após o início dos protestos e manifestações por acreditar que seus adversários é que pagariam, se enganou. Todos perderam.
Ainda em junho, os mais felizes eram os antilulopetistas. Depois de sofrer durante anos com pesquisas favoráveis ao governo, acharam ter chegado a hora da desforra. Quando começaram a ser divulgados números que revelavam a queda na popularidade de Dilma, soltaram foguetes.
E quando ficou claro que, em consequência, ela perdia intenções de voto, pareceu que suas preces haviam sido atendidas. Foi até engraçado ouvir o que disseram os porta-vozes da oposição e ler o que escreveram os colunistas mais afoitos. Estavam esfuziantes.
Hoje o tom é menos comemorativo. Fora os comentaristas da ultradireita, até os patrões da indústria da comunicação mostram preocupação. As lideranças oposicionistas sérias não dão um pio.
Seria um grave equívoco dizer “Benfeito!”, como se essa queda generalizada fosse o justo preço que “os políticos” estariam pagando por seus erros. Como se o Executivo, Legislativo e Judiciário merecessem ser mal avaliados. Como se a presidenta da República, os governadores, os prefeitos, os senadores, os deputados, os vereadores e os magistrados fossem todos (ou praticamente todos, o que dá no mesmo) incapazes, corruptos e mal-intencionados.
Erro igual seria acreditar que alguns são poupados. O sentimento do “Ninguém me representa!” não preserva quem quer que seja. Aqueles que não caíram hoje cairão amanhã, a menos que essa desconfiança difusa e despropositada seja corrigida.
O paradoxo de situações como a que vivemos neste momento é que, para se defender, cada personagem do sistema político é levado a acusar os outros. Conhecedor de sua pequena credibilidade, tenta derrubar os demais. E acaba por contribuir para o descrédito geral.
No futuro, todos morrem.
Em recente pesquisa do instituto Vox Populi, perguntamos contra quem foram os protestos de junho. Para 72%, contra o governo Dilma Rousseff. Para 69%, contra o governador do estado do entrevistado (a pesquisa foi feita em todos, à exceção de Roraima). Para 58%, contra o prefeito de sua cidade (as entrevistas foram aplicadas em 179 municípios, a maioria de cidades médias e pequenas, onde não houve manifestações). Para 77%, contra os senadores e deputados. E 65% acreditam que o PT foi o alvo. Um pouco menos, 52%, afirmaram ser contra o PSDB.
Se incluíssemos aqueles que acham terem sido os protestos ao menos em parte contra esses alvos, chegamos perto de quase consensos.
Ao se analisar o conjunto de pesquisas disponíveis, vê-se que esse clima de opinião afeta as percepções do presente e atinge as expectativas. Tudo ficou pior. Os cidadãos estão menos satisfeitos com o Brasil, menos confiantes de que estejamos na direção correta. Passaram a ver com mais pessimismo o futuro. Aumentou a proporção daqueles que não acreditam que sua vida vai melhorar.
Os candidatos “políticos” perderam. Só os que são (ou posam de) apolíticos cresceram do início de junho para cá.
A avaliação positiva de Dilma, Aécio Neves e Eduardo Campos como candidatos diminuiu. Quem mais sofreu foi, naturalmente, a presidenta, pois era quem mais tinha por onde cair e é a figura emblemática do sistema político. Em sua companhia minguaram Aécio e Campos.
Enquanto isso, Marina Silva e Joaquim Barbosa subiram. Ou seja, estão bem apenas as candidaturas da incerteza.
A isso chegamos depois de um ano de incessante bombardeio contra o governo e o sistema político. É difícil lembrar um período comparável, seja em termos da intensidade, seja da extensão do desgaste a que foram submetidos. A articulação entre as lideranças da oposição civil, dos partidos oposicionistas e da indústria de comunicação, com suas redes de tevê e rádio, seus veículos na internet, seus jornais e revistas, nunca havia sido tão ativa.
Seu alvo era o governo e a intenção de impedir a reeleição de Dilma. Julgavam-se capazes de precisão cirúrgica, de atingir apenas o inimigo. As pesquisas mostram que erraram. Terminaram por atingir muito mais que o lulopetismo.
No fim das contas, perdemos todos.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do instituto Vox Populi
Leia Mais ►

De boas...

Leia Mais ►

Caso Siemens desmoraliza de vez a mídia engajada

:
O editorial de Veja desta semana, do jornalista Eurípedes Alcântara, é um monumento ao cinismo. Nele, o diretor da revista afirma: "Há indícios, mas não provas". No texto, diz que "ao escândalo Siemens no Brasil faltam evidências sólidas" e diz que "tanto quanto as autoridades, os repórteres de Veja as estão buscando" (pausa para gargalhada). Antes dele, Merval Pereira havia lamentado a corrupção no PSDB e Reinaldo Azevedo afirmou que a teoria do domínio do fato não poderia ser aplicada a tucanos como Andrea Matarazzo. Essa cautela, evidentemente, jamais existiu em relação aos adversários políticos dessa mesma imprensa, que eram criminalizados ainda enquanto réus. O que demonstra que a ética se transformou, no Brasil, em instrumento de guerra política e comercial
Nunca foi tão fácil enxergar o cinismo, a desfaçatez e a hipocrisia da imprensa brasileira. Bastou que um escândalo atingisse seus aliados políticos tradicionais, para que essa postura viesse à tona. Do escândalo Siemens, emerge uma mídia que opera com dois sistemas métricos distintos: um para os amigos, outro para os adversários.
De todas as peças produzidas até agora, a mais cara de pau é o editorial de Veja, assinado por Eurípedes Alcântara. "Há indícios, mas não provas", diz o diretor de Veja. No mundo da Editora Abril, os olhos estão fechados para os emails da Siemens e da Alstom que falam em licitações combinadas e até em propinas para grão-tucanos como Robson Marinho, ex-secretário da Casa Civil, e Andrea Matarazzo, figura próxima a Mario Covas, José Serra e Fernando Henrique Cardoso.
No mundo de Veja, não existem provas, apenas indícios, mas há três anos a imprensa noticiou o bloqueio de uma conta na Suíça atribuída a Robson Marinho, braço direito de Mario Covas, cujos recursos seriam provenientes da Alstom (leia aqui reportagem do Estado de S. Paulo). Documentos agora revelados – e ignorados por Veja – falam que a propina da Alstom cobriria RM (Robson Marinho), o partido (o PSDB) e a Secretaria de Energia (ocupada, à época, por Matarazzo).
Como Eurípedes sabe que empresta sua pena a um argumento indefensável, ele praticamente dá um piti, no seu editorial. "A esta altura, porém, não há como esquecer que o PR, o PTB, o PMDB e, claro, o PT acostumaram o Brasil a um padrão de escândalos tão abundantes em provas e com enredo tão ousado quanto primário que é impossível ser igualado. São dólares na cueca, mansão cheia de prostitutas em Brasília, Land Rover, jatinhos, governo paralelo montado em quartos de hotel, balcão de negócios dentro do Palácio do Planalto, filme de corrupto embolsando dinheiro, confissão, drama, condenação à prisão pelo STF – só não tem arrependimento".
O que ele não afirma é que o padrão do metrô supera toda a sua descrição. Mais sofisticados, os tucanos operaram com empresas internacionais, indicaram a elas que empresas deveriam ser subcontratadas e, em alguns casos, como parece ser o de Robson Marinho, apontaram as contas no exterior que deveriam receber os recursos.
Diante das evidências, cai por terra o argumento de que a imprensa brasileira representa "os olhos e ouvidos da ação". Veja, por exemplo, é claramente caolha. Só enxerga o lado que interessa. Mas não está só. Antes dela, o colunista Merval Pereira lamentou a corrupção tucana e se apressou em inocentar o ex-governador José Serra (leia aqui). Reinaldo Azevedo deu um chilique e afirmou que a teoria do domínio do fato, usada pela Polícia Federal para indiciar Andrea Matarazzo e pelo Supremo Tribunal Federal para condenar José Dirceu, não poderia ser aplicada ao político tucano (leia aqui).
Ora, se a mesma cautela fosse aplicada aos adversários dessa mesma imprensa, o julgamento mais emblemático dos últimos anos teria transcorrido de forma bem menos turbulenta. No entanto, se para os amigos as provas podem ser transformadas em indícios, para os adversários os indícios também podem ser convertidos em provas. Além disso, essa mesma imprensa que faz da ética seu cavalo de batalha se julga no direito de colocar a faca no pescoço de juízes – como Veja faz nesta semana em relação a Ricardo Lewandowski (leia aqui) – para defender seus interesses políticos, que, na prática, são interesses comerciais.
Pobres dos juízes e procuradores que se deixam manipular por uma imprensa partidária, seletiva, autoritária e, agora, totalmente desmoralizada.
PS: o editorial de Eurípedes termina com a piada do ano. "Ao escândalo Siemens faltam evidências sólidas. Tanto quanto as autoridades, os repórteres de Veja as estão buscando".
Podem rir à vontade.
No 247
Leia Mais ►

Cadê o protesto agora?

Leia Mais ►

Ariano Suassuna

Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1888

Leia Mais ►

Uma faxina na Justiça - 11 de agosto

Leia Mais ►

Dia do Advogado - 11 de agosto


http://copiandoecolando.files.wordpress.com/2010/08/julgamento.jpg
- Pois é me divorciei...
- Foi complicado?
- Muito...
- Por que?
- Por causa dos meninos...
- Me conte!
- Seguinte, é que o juiz disse que as crianças deviam morar com quem ficasse com a maior parte dos bens...
- Sei e elas ficaram com você ou com sua ex-mulher?
- Não, ficaram com o advogado!
* * *
Um aluno do curso de direito estava fazendo fazendo prova oral da disciplina mais difícil do curso:
- O que é uma fraude?
- É o que o senhor, professor, está fazendo!
O professor, revoltado:
- Ora ora, ousado você. Explique-se!
- Segundo o Código Penal: "Comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para prejudicá-lo!"
* * *
O padre precisava com urgência de dinheiro para as obras assistenciais da paróquia e resolve ligar para o advogado famoso da região, homem rico, porém muito pão-duro.
- Muito bem - responde o advogado, após ouvir o discurso do pároco - o senhor parece conhecer muito bem meu patrimônio e minha renda, mas com certeza desconhece outros detalhes da minha vida. O senhor sabe, por acaso, o valor do tratamento de minha filha excepcional? - Pergunta o advogado. 
- Hmmm, não, não sei... - responde o padre, constrangido. 
- E o senhor sabe, por acaso que eu tenho também um filho cego e tetraplégico? - Prossegue o advogado. 
O padre não consegue nem falar, tamanho o constrangimento. 
- E o senhor sabe também - continua o advogado, já muito irritado - que o marido da minha irmã morreu num acidente de trânsito deixando-a com três filhos e sem um tostão? 
- Desculpe, realmente não sabia... - diz o padre, morrendo de vergonha. 
- E você acha que se eu não dou um tostão para eles, vou dar para suas obras?
* * *
Enterrado em dívidas, aquele advogado resolve se suicidar. Vai no meio da rua, joga um litro de gasolina sobre o corpo e quando vai atear fogo, uma mulher o segura pelo braço. 
- Não faça isso não, seu moço! - Diz ela, comovida com a dramática situação. - Se o problema é dinheiro, a gente vai dar um jeito! Ela pega uma sacolinha e começa a abordar os carros pedindo auxílio. Vinte minutos depois ela volta com a sacolinha quase cheia. 
- Quanto você conseguiu? - Pergunta o advogado, ansioso. 
E ela: - Não muita coisa! Uns quinze isqueiros e 6 caixas de fósforos!
* * *
A filha de um advogado não aparecia em casa havia mais de 5 anos. Na sua volta, seu pai deu a maior bronca: 
- Onde você estava durante esse tempo todo, desgraçada?! - Por que não escreveu sequer uma notinha dizendo como estava? - Por que não telefonou? - Vagabunda! - Não sabe como a sua mãe tem sofrido por sua causa! 
A garota, chorando: 
- Pai....Virei prostituta... 
- O QUÊ?!? - Fora daqui, sem vergonha, ordinária, desqualificada, vergonha da família, não quero te ver nunca mais!!! 
- Tá bom, papai. Como o Sr. quiser... - Eu somente voltei aqui para dar este casaco de pele e as escrituras da minha mansão do Morumbi para a mamãe. Uma caderneta de poupança no valor de 5 milhões para o meu irmãozinho e, para você, paizinho, este Rolex de ouro puro, o BMW 0km que está na porta e um titulo vitalício do melhor clube da cidade. Além disso, um convite a todos para passarem o Reveillon a bordo do meu iate em Búzios, e... 
- Filhinha, você disse que tinha virado o que, mesmo? 
- Prostituta, papai. 
- Aaaaahhh, booommmm! Que susto você me deu, menina!... Eu tinha entendido "Professora substituta" !!! Vem cá, dá um abraço no papai...
* * *
Após o depoimento da testemunha da defesa, o advogado de acusação lhe diz:
- Devo parabenizá-la pela sua inteligência! 
- Obrigada! - a testemunha diz - Eu só não retribuo a gentileza, porque estou sob juramento!
Leia Mais ►

Veja

Leia Mais ►

A blindagem tucana

Repercussão da Corrupção Tucano na velha mídia
Ainda é cedo para procurar equivalências entre o esquema financeiro que deu origem ao mensalão petista e o esquema que está por trás dos negócios sombrios que envolvem duas décadas de gestão tucana em São Paulo. 
O que já se pode assegurar é que em matéria de autoproteção o esquema tucano mostrou-se muito mais eficiente. 
A blindagem tucana era tão bem sucedida que só foi vencida por uma multinacional alemã, a Siemens, que tomou a decisão de pedir um acordo de leniência junto as autoridades brasileiras, confessando duas décadas de práticas condenáveis, apresentando nomes, cargos e endereços.
Foi essa iniciativa, que envolve uma das maiores empresas do mundo, que mudou a história.
As primeiras denuncias sobre o propinoduto tucano remetem a 1998 e, como se vê, jamais foram apuradas nem investigadas como se deveria. Adormeceram em inquéritos que não esclareceram todas as provas e indícios. A imprensa nunca mostrou o mesmo apetite para explicar o que acontecia.
Se há algo realmente novo a ser apurado hoje consiste em perguntar por que havia tantos indícios e pouco se apurou, ao contrário do que se fez no mensalão petista.
Num país que hoje debate até erros e possíveis abusos ocorridos no julgamento do mensalão, que traiam a vontade de punir de qualquer maneira, ninguém irá acusar o procurador Antônio Carlos Fernandes, nem seu sucessor Roberto Gurgel nem o relator Joaquim Barbosa de fazer corpo mole, certo? 
A recíproca não é verdadeira. 
Mesmo reportagens pioneiras sobre o propinoduto, como a de Gilberto Nascimento, que em 2009 mostrou tanta coisa que hoje deixa tanta gente boquiaberta em relação ao PSDB paulista, não causaram ruído nem preocupação. Neste período, denuncias parciais sobre o caso entravam e saíam dos jornais, de forma esporádica e superficial. 
A situação se modificou quando ISTOÉ permaneceu duas semanas consecutivas nas bancas, com duas capas dedicadas ao assunto. As reportagens de Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sergio Pardellas trouxeram revelações importantíssimas e consolidadas sobre as entranhas do cartel de empresas que administrava o esquema. 
ISTOÉ faz muito bem em lembrar, na edição que acaba de chega às bancas, a existência de dezenas de inquéritos e investigações iniciadas e encerradas sem maiores consequências. A revista mostra que ninguém pode alegar que não sabia de nada. 
O dado político é simples. Se o mensalão petista tivesse sido apurado e investigado no mesmo ritmo do propinoduto tucano, que levou quinze anos para ganhar a estatura atual, apenas em 2020 teríamos uma CPI para ouvir as denúncias de Roberto Jefferson. Em vez de ser retirado à força da Casa Civil, José Dirceu quem sabe tivesse sido promovido a candidato presidencial, em 2010, e em 2013, como sonhavam tantos petistas, pudesse estar sentado na cadeira de Dilma Rousseff. Ou talvez Lula tivesse escolhido Antonio Palocci como sucessor. 
Em qualquer caso, a palavra mensalão ainda não faria parte do vocabulário dos brasileiros. Joaquim Barbosa até poderia ter virado ministro do Supremo – afinal, desde a posse Lula queria ter um ministro negro no STF – mas dificilmente teria acumulado tanta popularidade em função de um julgamento que talvez só fosse ocorrer, quem sabe, em 2027. 
Seguindo nessa pequena ficção científica, também seria curioso perguntar quais, entre os líderes do PSDB, teria sido levado ao banco dos réus. 
Teriam direito a um julgamento isento ou teríamos aplicado a teoria do domínio do fato? Ou, a exemplo do mensalão PSDB-MG, teriam sido todos levados a um tribunal de primeira instância?
Basta colocar rostos e nomes nos dois escândalos para compreender que nunca teriam o mesmo desfecho, certo? 
Até agora, nem a Assembléia Legislativa nem o Congresso conseguiram assinaturas para abrir uma CPI. É um recorde, quando se lembra que, entre 2005 e 2006, funcionavam três CPIs para tratar do mensalão. 
O governador Geraldo Alckmin decidiu montar uma comissão para acompanhar as investigações. Imagine se Lula tivesse feito a mesma coisa, em 2005. No mínimo teria sido acusado de usar o “aparelho petista” para influenciar os trabalhos do Congresso e da Justiça, certo? 
A semelhança entre os escândalos não se encontra nos personagens, nem em seus compromissos políticos. 
A semelhança reside no caráter do Estado brasileiro, na sua fraqueza para se proteger de interesses privados que procuram alugar e controlar o poder político. É um drama que está na origem do mensalão petista e ajuda a entender a prolongada e impune existência do propinoduto tucano. 
Depois de ensinar que a história ocorre uma vez como tragédia e uma segunda, como farsa, Karl Marx nos lembrou que os homens não atuam sob condições ideais, que aprendem nos livros de boas maneiras nem nos cursos de civismo, mas atuam sob condições dadas, que herdaram de seus antepassados. 
O discurso moralista gosta de atribuir a corrupção à falta de escrúpulos de nossos políticos, o que é uma visão ingênua e perigosa. 
Não há dúvida de que pessoas inescrupulosas existem e podem enriquecer com o dinheiro dos esquemas políticos. (Também há pessoas inescrupulosas na iniciativa privada, na próxima esquina, no ultimo botequim aberto na madrugada e até em aniversário de criança, vamos combinar). 
Mas o dinheiro dos partidos, que circulou nos dois casos, é fruto da natureza distorcida e abrutalhada de nosso regime político, onde a democracia foi acompanhada por uma libertinagem de alta tolerância nas regras financeiras, sob medida para que o Estado pudesse ser capturado e alugado pelas potencias privadas. 
Numa sociologia rápida, pode-se dizer que, com o fim da ditadura militar, a turma do alto da pirâmide passou a utilizar o sistema privado de financiamento de campanha como um contrapeso para enfrentar demandas populares. 
Num regime democrático, a questão social não pode ser um caso de cadeira de dragão no DOI-CODI, não é mesmo? Tenta-se, então, amaciar o pessoal de cima. 
É por isso, e não por outra coisa, que sempre se tratou com palavras de horror fingido todo esforço para regulamentar verbas de campanha e mesmo para impedir que eleitores de R$ 1 bilhão de votos pudessem se impor sobre um regime que, no papel, prevê a regra de que 1 homem = 1 voto. 

Neste aspecto, as confissões dos executivos da Siemens contém ensinamentos uteis a todos.
Um dos mais preciosos é o diário de um gerente, que detalha as negociações para a construção da linha 5 do metrô paulista. Fica claro, ali, que as empresas privadas são senhoras da situação. Negociam acordos, partilham obras, serviços e, é claro, verbas. Interessado no metrô, uma obra mais do que necessária, tanto para a população como para seus planos políticos, o governo – o titular, na época, era Mário Covas – está reduzido a impotência absoluta. 
Não tem força política para impor aquilo que a lei manda, que é a concorrência impessoal e absoluta entre as partes. Não lhe passa pela cabeça denunciar suas práticas à Justiça e inviabilizar seu governo.

Em tempos de privatização acelerada, novidade que o PSDB ajudava a trazer ao país na época, junto com controles de gastos que proibiam qualquer gasto maior, não se cogita a possibilidade de entregar um investimento tão grandioso ao Estado. 
Nessa situação o governo é forçado a ceder ao cartel de falsos concorrentes e adversários de araque, sob o risco de enfrentar ações judiciais, protestos e investigações que irão paralisar os investimentos.

É assim que o governador, chamado de “cliente” no diário, manda dizer que quer que “eles se entendam”. O “cliente” também avisa que após o acordo entre os concorrentes, irá recusar reclamações e queixas futuras. 
Num artigo sobre o caso, a colunista Maria Cristina Fernandes, do Valor, recorda que, com o passar dos anos, os governos petistas também instalaram no ministério dos Transportes – armazém de gastos de vulto - partidos com “notória especialização nos contratos da política.” 
Essa situação cinzenta tem uma finalidade. Quer-se impedir o surgimento de novos entraves a investimentos necessários ao país. 
Bobagem querer enxergar o que se passa nos bastidores com olhares simplórios do simples moralismo. 
O país necessita de investimentos para criar empregos e se desenvolver. As obras de infraestrutura, como metrô, se destinam a superar uma omissão histórica. 
A questão e envolve a definição de regras que permitam a democracia brasileira recuperar sua soberania, mantendo o dinheiro dos interesses privados longe da política e dos políticos. Seu lugar é a economia e não o Estado. 
Nós sabemos que a necessidade de uma reforma política é apoiada por 85% dos brasileiros. Ela pode proibir o uso de dinheiro privado no financiamento político, cortando o laço material que se encontra na origem de tudo. Um escândalo de tal proporção pode ser de grande utilidade neste debate.
Paulo Moreira Leite, via Facebook
No PIG Imprensa Golpista
Leia Mais ►

Reportagem exemplar de como mostrar o crime e absolver o criminoso

E se isso tudo tivesse acontecido nos governos Lula ou Dilma, qual teria sido o tratamento? No mínimo, com certeza não iriam esconder o acusado.

E-mails sugerem que planos da CPTM vazaram a empresas

Mensagens apontam que houve favorecimento em quatro concorrências.
Cade investiga suposta formação de cartel em licitações do transporte.
arte_cartel_siemens_metro_sp (Foto: Editoria de Arte / G1)Mensagens trocadas por ex-executivos da multinacional alemã Siemens, e às quais o Jornal Nacional teve acesso, sugerem que empresas souberam com antecedência de planos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em quatro concorrências. Os documentos fazem parte da denúncia enviada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ao Ministério Público de São Paulo, sobre a suposta formação de cartel em concorrências do Metrô e da CPTM entre 1998 e 2007, durante governos do PSDB.
O processo de licitações citado nas mensagens começou em 2004, no segundo mandato do atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. De acordo com reportagem do Jornal Nacional, os e-mails sugerem que as empresas discutiram a partilha do Programa Boa Viagem para recuperação, reforma e modernização dos trens.
Em 24 de novembro de 2004, dois dias antes da divulgação da licitação, o funcionário da Siemens Marco Missawa afirmou: "as diferentes reformas devem ser dadas a vários fornecedores. A CPTM tem por objetivo principal dar o pacote completo para quatro fornecedores grandes (Alstom, Siemens, Bombardier e TTrans). No momento, são realizadas reuniões com as quatro firmas acima mencionadas para assegurar as condições mais importantes para que a concorrência ocorra sem problemas". Em outro trecho da mensagem, o executivo sugere que as empresas negociam prazos com a Companhia. "Paralelamente, continuamos o desenvolvimento dos prazos da licitação com as três firmas e a CPTM".
Seis dias depois do primeiro e-mail, em 30 de novembro, Peter Golitz, também executivo da Siemens, comentou em outra mensagem eletrônica o anúncio no Diário Oficial de que mais dados sobre a concorrência estariam disponíveis a partir de 3 de dezembro. "Isso já nos havia sido informado com antecedência pelos nossos conhecidos na CPTM (em nossas visitas a Presidente Altino e em nosso churrasco de confraternização)", dizia a mensagem. Presidente Altino é onde funciona uma das oficinas da companhia de trens.
Golitz se mostrou preocupado com o pouco tempo que tinha para preparar a documentação da concorrência. "Lembrando que teremos todos os documentos para providenciar durante o período de festas, o que nos deixa poucos dias úteis para isso.”
Material encontrado no computador do executivo da Siemens mostra que entre as tarefas a serem feitas, em conjunto com consultores, estava pedir o adiamento de duas a quatro semanas para a entrega da proposta à CPTM. No dia 3 de dezembro, a Companhia publicou no Diário Oficial o aviso de que a licitação seria adiada por uma semana. O edital também foi atrasado. Segundo relatório do Cade, ao final do processo da licitação do Projeto Boa Viagem, as empresas que aparecem nas mensagens dos executivos foram contempladas.
Golitz é um dos executivos que assinaram o acordo de leniência com o Cade, ou seja, em troca de não serem processados criminalmente, eles aceitaram colaborar com as investigações.
Outro lado
A CPTM afirmou que "não houve qualquer orientação para que empregados ou diretores participassem ou promovessem reuniões ou conversas para tratar de assuntos relacionados a editais de licitação”. Segundo a companhia, todas as informações foram passadas em audiências publicas e por meio da publicação de editais. Sobre as mensagens que sugerem que houve adiamento da licitação para beneficiar o suposto cartel, a Companhia disse que a única alteração de data foi por conta do processo licitatório e de procedimentos legais.
A Siemens, a Alstom e a Bombardier reafirmam que cooperam integramente com as autoridades, mas como a investigação ainda está em andamento, não podem se manifestar publicamente sobre as denúncias. A TTrans não foi encontrada para comentar o assunto.
O PSDB tem reafirmado nos últimos dias que não compactua com a corrupção e não tolera desmandos dessa natureza.
Entenda o caso
O Cade investiga a suposta formação de cartel para licitações do Metrô de São Paulo e do Distrito Federal na esfera de ilícitos econômicos. Segundo reportagem do jornal "Folha de S. Paulo", a Siemens entregou documentos nos quais afirma que o governo de São Paulo sabia e deu aval à formação de um cartel que envolveria 18 empresas.
Nesta semana, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito para investigar, na esfera criminal, possíveis envolvidos no suposto cartel. Os executivos das empresas envolvidas poderão ser responsabilizados por formação de cartel e fraude a licitações. Já os agentes públicos só poderão ser denunciados por fraudes a licitações, já que o cartel envolve apenas empresas.
Além da esfera criminal e econômica, o MP já havia anunciado apurações na esfera cível. Desde 2008, a Promotoria de Justiça da Cidadania da capital investiga em 45 inquéritos sobre possíveis irregularidades em licitações do Metrô e CPTM.
Os executivos da Siemens não poderão ser denunciados desde que colaborem com as autoridades, informou o MP-SP. Já os possíveis agentes públicos envolvidos poderão ser acusados por "qualquer facilitação na elaboração de editais, no direcionamento, no cancelamento de habilitações".
Para acompanhar as investigações, o governador Geraldo Alckmin criou uma comissão externa chamada Movimento TranSParência. Segundo o governo, a comissão terá independência e acesso a contratos e documentos para identificar e apontar possíveis problemas.





























No Ficha Corrida
Leia Mais ►