9 de ago de 2013

Torturra e Beatriz Seigner: textos de uma polêmica em rede sobre o Fora do Eixo

As plataformas de redes sociais amanheceram quentes a partir de um relato escrito pela cineasta Beatriz Seigner acerca de práticas do Fora do Eixo. Não é a primeira vez que o grupo é questionado, mas devido à grande exposição a partir da bem sucedida ação do Mídia Ninja, a polêmica ganhou contornos de grande notícia. Fórum publica o texto crítico ao FdE e uma resposta recém publicada por Bruno Torturra, que esteve no Roda Viva junto com Pablo Capilé. A revista também está tentando organizar um debate para a próxima semana com o objetivo de discutir  formas de se organizar em novos modelos numa sociedade de redes. A ideia não é alimentar o pequeno debate, mas contribuir pra que essas divergências contribuam para o crescimento coletivo de projetos culturais sustentáveis e horizontais.

Fora do Fora do Eixo

Por Beatriz Seigner, no Facebook
Conheci um representante da rede Fora do Eixo durante um trajeto de ônibus do Festival de Cinema de Gramado de 2011, onde eu havia sido convidada para exibir meu filme “Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano” e ele havia sido convidado a participar de um debate sobre formas alternativas de distribuição de filmes no Brasil.Meu filme havia sido lançado naquele mesmo ano no circuito comercial de cinemas, em mais de 19 cidades brasileiras, distribuído pela Espaço Filmes, e o rapaz me contava de como o Fora do Eixo estava articulando pela internet os cerca de 1000 cineclubes do programa do governo Cine Mais Cultura, assim como outros cineclubes de pontos de cultura, escolas, universidades, coletivos e pontos de exibição alternativos, que estavam conectados à internet nas cidades mais longínquas do Brasil, para fazerem exibição simultânea de filmes com debate tanto presencialmente, quanto ao vivo, por skype. Eu achei a idéia o máximo. Me disponibilizei, a mim e ao meu filme para participar destas exibições, pois realmente acredito na necessidade de democratizar o acesso aos bens culturais no país, e sei como é angustiante, nestas cidades distantes, viver sem acesso à cultura alternativa e mais diversas artes. Foi então organizado o lançamento do meu filme nos cineclubes associados à rede Fora do Eixo durante o Grito Rock 2012, no qual eu também me disponibilizei a participar de uma tournée de debates no interior de São Paulo, na cidade do Rio de Janeiro, e por skype com outros cineclubes que aderissem à “campanha de exibição”, como eles chamam.
Com relação à remuneração eles me explicaram que aquele ainda era um projeto embrionário, sem recursos próprios, mas que podiam pagá-lo com “Cubo Card”, a moeda solidária deles, que poderia ser trocada por serviços de design, de construção de sites, entre outras coisas. Já adianto aqui que nunca vi nem sequer nenhum centavo deste cubo card, ou a plataforma com ‘menu de serviços’ onde esta moeda é trocada.
E fiquei sabendo que algumas destas exibições com debate presencial no interior de SP seriam patrocinadas pelo SESC – pois o SESC pede a assinatura do artista que vai fazer a performance ou exibir seu filme nos seus contratos, independente do intermediário. E só por eles pedirem isso é que fiquei sabendo que algumas destas exibições tinham sim, patrocinador. Fui descobrir outros patrocinadores nos posters e banners do Grito Rock de cada cidade. Destes eu não recebi um centavo.
No entanto, foi realmente muito animador ver a quantidade de pessoas sedentas por cultura alternativa em todas as cidades de pequeno e médio porte pelas quais passei. Foi também incrível conversar com cinéfilos por skype de cidadezinhas do Acre, Manaus, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Mato Grosso, Goiania, Santa Catarina, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, entre outras cidades. Pelo que eu via, tinha entre 50 a 150 pessoas em cada sessão. Eu perdi a conta de quantos debates e exibições foram feitas, mas o Fora do Eixo havia me prometido como contra-partida uma foto de cada exibição onde fosse visível o número de público destas, e uma tabela com as cidades e quantidades de exibições que foram feitas. Coisa que também nunca recebi.
De qualquer maneira, empolgada com esta quantidade de pessoas que não querem consumir cultura de massa, em todas estas cidades, entrei em contato com colegas cineastas e distribuidores para que também disponibilizassem seus filmes, pois via o potencial de fortalecimento destes pontos de exibição em todos estes lugares, de crescimento do número de cinéfilos, e de pessoas que têm o desejo de desfrutar coletivamente de um filme, ou de outra obra de arte, de discuti-la, pesquisá-la, e se possível debatê-la com seus realizadores. Estava realmente impressionada com a quantidade de pessoas em todas estas cidades sedentas por arte. Se eu tivesse nascido em uma delas, via que seguramente seria uma delas, e mal conseguia imaginar como deve ser insuportável viver em uma cidade onde não há teatro, cinema alternativo, e muitas vezes nem sequer bibliotecas.
A idéia seria então de fazer um projeto para captar recursos para viabilizar estas exibições. Pensamos em algo como cada cineclube ou ponto de exibição que exibisse um filme receberia 100 reais para organizar e divulgar a sessão, e cada cineasta receberia o mesmo valor pelos diretos de exibição de seu filme naquele lugar. E caso houvesse debate presencial receberia mais cerca de mil reais de cachê pelo debate, e por skype ao vivo cerca de 500 reais pelo debate de até 3 horas.
Pensando em rede, se mil cineclubes exibissem um filme, o cineasta poderia receber, no mínimo, 100 mil reais por estas exibições. Eu ainda acho que é um projeto que deve ser realizado. E que esta ligação entre os cineclubes deveria ser feita por uma plataforma pública online do governo, onde ficaria o armazenamento destes filmes para download com senha e crédito paypal para estes pontos de exibição (sejam eles cineclubes, escolas, universidades, pontos de cultura etc).
Assim como também acho que os “Céus das Artes” que estão sendo construídos no país todo deveriam ter salas de cinema separadas dos teatros, com programação diária, constante, aumentando em 15% o parque exibidor brasileiro, e capacitando o governo de fazer políticas de exibição de filmes gratuitas ou com preços populares, em lugares onde simplesmente não há cinemas, muito menos, de arte.
Mas isso já é outra história. Voltemos ao Fora do Eixo.
E quando foi que o projeto degringolou? ou quando foi que me assustei com o Fora do Eixo?
Meu primeiro susto foi quando perguntaram se podiam colocar a logomarca deles no meu filme – para ser uma ‘realização Fora do Eixo’, em seu catálogo. Eu disse que o filme havia sido feito sem nenhum recurso público e que a cota mínima para um patrocinador ter sua logomarca nele era de 50 mil reais. Eles desistiram.
O segundo susto veio justamente na exibição com debate em um SESC do interior de SP, quando recebi o contrato do SESC, e vi que o Fora do Eixo estava recebendo por aquela sessão, em meu nome, e não haviam me consultado sobre aquilo. Assinei o contrato minutos antes da exibição e cobrei do Fora do Eixo aquele valor descrito ali como sendo de meu cachê, coisa que eles me repassaram mais de 9 meses depois, porque os cobrei, publicamente.
O terceiro susto veio quando me levaram para jantar na casa da diretora de marketing da Vale do Rio Doce, no Rio de Janeiro, onde falavam dos números fabulosos (e sempre superfaturados) da quantidade de pessoas que estavam comparecendo às sessões dos filmes, aos festivais de música, e do poder do Fora do Eixo em articular todas aquelas pessoas em todas estas cidades. Falavam do público que compareciam a estas exibições e espetáculos como sendo filiados à eles. Ou como se eles tivessem qualquer poder sobre este público.
Foi aí que conheci pela primeira vez o Pablo Capilé, fundador da marca/rede Fora do Eixo, um pouco antes deste jantar. Até então haviam me dito que a rede era descentralizada, e eu havia acreditado, mas imediatamente quando vi a reverência com que todos o escutam, o obedecem, não o contradizem ou criticam, percebi que ele é o líder daqueles jovens, e que ao redor dele orbitavam aqueles que eles chamam de “cúpula” ou “primeiro escalão” do FdE.
O susto veio, não apenas por conta de perceber esta centralidade de liderança, mas porque o Pablo Capilé dizia que não deveria haver curadoria dos filmes a serem exibidos neste circuito de cineclubes, que se a Xuxa liberasse os filmes dela, eles seguramente fariam campanha para estes filmes serem consumidos pois dariam mais visibilidade ao Fora do Eixo, e trariam mais pessoas para ‘curtir’ as fotos e a rede deles – pessoas estas que ele contabilizaria, para seus patrocinadores tanto no âmbito público, quanto privado. “Olha só quantas pessoas fizemos sair de suas casas”. E que ele era contra pagar cachês aos artistas, pois se pagasse valorizaria a atividade dos mesmos e incentivaria a pessoa ‘lá na ponta’ da rede, como eles dizem, a serem artistas e não ‘DUTO’ como ele precisava. Eu perguntei o que ele queria dizer com “duto”, ele falou sem a menor cerimônia: “duto, os canos por onde passam o esgoto”.
Eu fiquei chocada. Não apenas pela total falta de respeito por aqueles que dedicam a maior quantidades de horas de sua vida para o desenvolvimento da produção artística (e quando eu argumentava isso ele tirava sarro dizendo ‘todo mundo é artista’ ao que eu respondia ‘todo mundo é esportista também – mas quantos têm a vocação e prazer de ficar mais de 8 horas diárias treinando e se aprofundando em determinada forma de expressão? quantas pessoas que jogam uma pelada no fim de semana querem e têm o talento para serem jogadores profissionais?” “mas se pudesse escolher todo mundo seria artista” “não necessariamente, leia as biografias de todos os grandes compositores, escritores, cineastas, coreógrafos, músicos, dançarinos – quero ver quem gostaria de ter aquelas infâncias violentadas, viver na miséria econômicas, passar horas de dedicando-se a coisas consideradas inúteis por outros – vai ver se quem é artista, se pudesse escolher outra forma de vocação se não escolheria ter vontade de ser feliz sendo médico, advogado, empresário, cientista social.”).
Enfim, o fato é que eu acreditava e continuo acreditando que se a pessoa na ponta da rede, seja no Acre ou onde quer que seja, se esta pessoa tiver vontade de passar a maior quantidade de tempo possível praticando qualquer forma de expressão artística, seja encarando páginas em branco, lapidando textos, lapidando filmes, treinando danças, coreografias, teatro, seja praticando um instrumento musical (e quem toca instrumentos musicais sabe a quantidade de horas de prática para se chegar à liberdade de domínio do instrumento e de seu próprio corpo, os tais 99% de suor para 1% de inspiração), quem quer que seja que encontre felicidade nestas horas e horas de prática cotidiana artística deve produzir tais obras e não ser DUTO de coisa alguma.
Pois existem pessoas no mundo que não têm este prazer de produção artística, mas têm prazer em exibir, promover, e compartilhar estas obras. E tá tudo certo. Temos diversos exemplos de pessoas assim: vejam a paixão com que o Leon Cakof e a Renata de Almeida produziam e produzem a Mostra de São Paulo. O pessoal da Mostra de Tiradentes. E de tantas outras. Existe paixão pra tudo. E não, exibidores, programadores, curadores, professores, críticos de cinema ou de arte não são artistas frustrados – mas pessoas cuja a paixão deles é esta: analisar, comentar, debater, ensinar, deflagrar e ampliar o pensamento e a reflexão sobre as diversos âmbitos de atuação humanos. Que bom que tem gente com estas paixões tão complementares!
E o meu choque ao discutir com o Pablo Capilé foi ver que ele não tem paixão alguma pela produção cultural ou artística, que ele diz que ver filmes é “perda de tempo”, que livros, mesmo os clássicos, (que continuam sendo lidos e necessários há séculos), são “tecnologias ultrapassadas”, e que ele simplesmente não cultiva nada daquilo que ele quer representar. Nem ele nem os outros moradores das casas Fora do Eixo (já explico melhor sobre isso).
Ou seja, ele quer fazer shows, exibir filmes, peças de teatro, dança, simplesmente porque estas ações culturais/artísticas juntam muita gente em qualquer lugar, que vão sair nas fotos que eles tiram e mostram aos seus patrocinadores dizendo que mobilizam “tantas mil pessoas” junto ao poder público e privado, e que por tanto, querem mais dinheiro, ou privilégios políticos.
Rapper Criolo, em apresentação de seus shows em B.Horizonte
 (Foto Casa Fora do Eixo Minas)
Vejam que esperto: se Pablo Capilé dizer que vai falar num palanque, não iria aparecer nem meia dúzia de pessoas para ouvi-lo, mas se disserem que o Criolo vai dar um show, aparecem milhares. Ou seja, quem mobiliza é o Criolo, e não ele. Mas depois ele tira as fotos do show do Criolo, e vai na Secretaria da Cultura dizendo que foi ele e sua rede que mobilizou aquelas pessoas. E assim, consequentemente, com todos os artistas que fazem participação em qualquer evento ligado à rede FdE. Acredito que, como eu, a maioria destes artistas não saibam o quanto Pablo Capilé capitaliza em cima deles, e de seus públicos.
Mesmo porque ele diz que as planilhas do orçamento do Fora do Eixo são transparentes e abertas na internet, sendo isso outra grande mentira lavada – tais planilhas não encontram-se na internet, nem sequer os próprios moradores das casas Fora do Eixo as viram, ou sabem onde estão. Em recente entrevista no Roda Viva, Capilé disse que arrecadam entre 3 e 5 milhões de reais por ano. Quanto disso é redistribuído para os artistas que se apresentam na rede?
O último dado que tive é que o Criolo recebia cerca de 20 mil reais para um show com eles, enquanto outra banda desconhecida não recebe nem 250 reais, na casa FdE São Paulo.
Mas seria extremamente importante que os patrocinadores destes milhões exigissem o contrato assinado com cada um destes artistas, baseado pelo menos no mínimo sindical de cada uma das áreas, para ter certeza que tais recursos estão sendo repassados, como faz o SESC.
Depois deste choque com o discurso do Pablo Capilé, ainda acompanhei a dinâmica da rede por mais alguns meses (foi cerca de 1 ano que tive contato constante com eles), pois queria ver se este ódio que ele carrega contra as artes e os artistas era algo particular dele, ou se estendia à toda a rede. Para a minha surpresa, me deparei com algo ainda mais assustador: as pessoas que moram e trabalham nas casas do Fora do Eixo simplesmente não têm tempo para desfrutar os filmes, peças de teatro, dança, livros, shows, pois estão 24 horas por dia, 7 dias por semana, trabalhando na campanha de marketing das ações do FdE no facebook, twitter e demais redes sociais.
E como elas vivem e trabalham coletivamente no mesmo espaço, gera-se um frenesi coletivo por produtividade, que, aliado ao fato de todos ali não terem horário de trabalho definido, acreditarem no mantra ‘trabalho é vida’, e não receberem salário, e portanto se sentirem constantemente devedores ao caixa coletivo, da verba que vem da produção de ações que acontecem “na ponta”, em outros coletivos aliados à rede, faz com que simplesmente, na casa Fora do Eixo em São Paulo, não se encontre nenhum indivíduo lendo um livro, vendo uma peça, assistindo a um filme, fazendo qualquer curso, fora da rede. Quem já cruzou com eles em festivais nos quais eles entraram como parceiros sabem do que estou falando: eles não entram para assistir a nenhum filme, nem assistem/participam de nenhum debate que não seja o deles. O que faz com que, depois de um tempo, eles não consigam falar de outra coisa que não sejam eles mesmos.
Sim, soa como seita religiosa.
Eu comecei a questionar esta prática: como vocês querem promover a cultura, se não a cultivam? Ao que me responderam “enquanto o povo brasileiro todo não puder assistir a um filme no cinema, nós também não vamos”. Eu perguntei se eles sabiam que havia mostras gratuitas de filmes, peças de teatro, dança, bibliotecas públicas, universidades públicas onde pode-se assistir a qualquer aula/curso – ao que me responderam que eles não têm tempo para perder com estas coisas.
Pode parecer algo muito minimalista, mas eu acho chocante eles se denominarem o “movimento social da cultura”, e não cultivar nem a produção nem o desfrute das atividades artísticas da cidade onde estão, considerando-se mártires por isso, orgulhando-se de serem chamados de “precariado cognitivo” (sem perceber o tamanho desta ofensa – podemos nos conformar em viver no precariado material, mas cultivar e querer espalhar o precariado de pensamentos, de massa crítica, de sensibilidade cognitiva, é algo muito grave para o desenvolvimento de seres humanos, e consequentemente da humanidade).
Concomitantemente a isso, reparei que aquela massa de pessoas que trabalham 24 horas por dia naquelas campanhas de publicidade das ações da rede FdE, não assinam nenhuma de suas criações: sejam textos, fotos, vídeos, pôsters, sites, ações, produções. Pois assinar aquilo que se diz, aquilo que se mostra, que se faz, ou que se cria, é considerado “egóico” para eles. Toda a produção que fazem é assinada simplesmente com a logomarca do Fora do Eixo, o que faz com que não saibamos quem são aquele exercito de criadores, mas sabemos que estão sob o teto e comando de Pablo Capilé, o fundador da marca.
E que não, a marca do fora do Eixo não está ligada a um CNPJ, nem de ONG, nem de Associação, nem de Cooperativa, nem de nada – pois se estivesse, ele seguramente já estaria sendo processado por trabalho escravo e estelionato de suas criações, por dezenas de pessoas que passaram um período de suas vidas nas casas Fora do Eixo, e saem das mesmas, ao se deparar com estas mesmas questões que exponho aqui, e outras ainda mais obscuras e complexas.
Me explico melhor: existem muitos dissidentes que se aproximam da rede pois vêem nela a possibilidade de viver da criação e circulação artística, de modificar suas cidades e fortalecer o impacto social da arte na população das mesmas, que depois de um tempo trabalhando para eles percebem, tal qual eu percebi, as incongruências do movimento Fora do Eixo. Que aquilo que falam, ou divulgam, não é aquilo que praticam. É a pura cultura da publicidade vazia enraizada nos hábitos diários daquelas pessoas.
E além disso, o que talvez seja mais grave: quem mora nas casas Fora do Eixo, abdicam de salários por meses e anos, e portanto não têm um centavo ou fundo de garantia para sair da rede. Também não adquirem portfólio de produção, uma vez que não assinaram nada do que fizeram lá dentro – nem fotos, nem cartazes, nem sites, nem textos, nem vídeos. E, portanto, acabam se submetendo àquela situação de escravidão (pós)moderna, simplesmente pois não vêem como sobreviver da produção e circulação artística, fora da rede. Muitas destas pessoas são incentivadas pelo próprio Pablo Capilé a abandonar suas faculdades para se dedicarem integralmente ao Fora do Eixo. Quanto menos autonomia intelectual e financeira estas pessoas tiverem, melhor para ele.
E quando algumas destas pessoas conseguem sair, pois têm meios financeiros independentes da rede FdE para isso, ficam com medo de retaliação, pois vêem o poder de intermediação que o Capilé conseguiu junto ao Estado e aos patrocinadores de cultura no país, e temem serem “queimados” com estes. Ou mesmo sofrer agressões físicas. Já três pessoas me contaram ouvir de um dos membros do FdE, ao se desligarem da rede, ameaças tais quais “você está falando de mais, se estivéssemos na década de 70 ou na faixa de gaza você já estaria morto/a.” Como alguns me contaram, “eles funcionam como uma seita religiosa-política, tem gente ali capaz de tudo” na tal ânsia de disputa por cada vez mais hegemonia de pensamento, por popularidade e poder político, capital simbólico e material, de adeptos. Por isso se calam.
Fiquei sabendo de uma menina que produziu o Grito Rock 2012 em Braga, em Portugal, no qual exibiram meu filme. Ela me contou que estava de intercâmbio da universidade lá, e uma amiga dela que havia sido “abduzida pelo Fora do Eixo” entrou em contato perguntando se ela e um amigo não queriam exibir o filme em Braga, produzir o show de uma banda na universidade, fazer a divulgação destas ações nas redes sociais. Ela achou boa a idéia e qual não foi sua surpresa quando viu que em todos os materiais de divulgação do evento que lhe enviaram estava escrito “realização Fora do Eixo”. “Eu nunca fui do Fora do Eixo, não tenho nada a ver com eles, como assim meu nome não saiu em nada? Não vou poder usar estas produções no meu currículo? E pior, eles agora falam que o Fora do Eixo está até em Portugal, e em sei lá quantos países. Isso é simplesmente mentira. Eu não sou, nem nunca fui do Fora do Eixo.”
O que leva a outro ponto grave das falácias do Fora do Eixo: sua falta de precisão numérica. Pablo Capilé, quando vai intermediar recursos junto ao poder público ou privado, para capitalizar a rede FdE, fala números completamente aleatórios “somos mais de 2 mil pessoas em mais de 200 cidades na America Latina”. Cadê a assinatura destas pessoas dizendo que são realmente filiadas à rede? Qualquer associação, cooperativa, partido político, fundação, ONG, ou movimento social tem estes dados. Reais, e não imaginários.
Quando visitei algumas das casas Fora do Eixo, estas pessoas morando e trabalhando lá não chegavam a 10% daquilo que ele diz a rede conter. E estas pessoas são treinadas com a estratégia de marketing da rede, de “englobar” no facebook e twitter alguém que eles consideram estrategicamente importante para o Fora do Eixo, seja um vereador, um intelectual, um artista, um secretário da cultura, e replicam simultaneamente as fotos e textos dos eventos do qual produzem, divulgam, ou simplesmente se aproximam (já vou falar dos outros movimentos sociais que expulsam o Fora do Eixo de suas manifestações – pois eles tiram fotos de si no meio destas ações dos outros e depois vão ao poder público dizer que as representam), ao redor daquelas pessoas estratégicas, política e economicamente para eles, que as adicionaram ao mesmo tempo, criando uma realidade virtual paralela que eles manipulam ao redor desta pessoa. Pois, se esta pessoa ‘englobada’ apertar ‘ocultar’ nas cerca de150 pessoas que trabalham nas casas Fora do Eixo, verá que muito raramente estas informações chegam por outras vias. Ou seja, eles simulam um impacto midiático muito maior de suas ações, apara aqueles que lhes interessam, do que o impacto real das mesmas nas populações e localizações onde aconteceram.
E com isso vão construindo esta realidade falsa, paralela. Controlada por eles, sob liderança do Pablo Capilé.
Dos movimentos sociais que começaram a expulsar os Fora do Eixo de suas manifestações e ações, pois estes, como os melhores mandrakes, ao tentar dominar a comunicação destas, iam depois ao poder público dizer representá-las, estão o movimento do Hip Hop em São Paulo, as Mãe de Maio (que encabeçam o movimento pela desmilitarização da PM aqui), o Cordão da Mentira (que une diversos coletivos e movimentos sociais para a passeata de 1º de Abril, dia do golpe Militar no Brasil, escrachando os lugares e instituições que contribuíram para o mesmo), a Associação de Moradores da Favela do Moinho, o coletivo Zagaia, o Passa-Palavra, o Ocupa Mídia, O Ocupa Sampa, o Ocupa Rio, Ocupa Funarte, entre outros. Até membros do Movimento Passe Livre tem discutido publicamente o assunto dizendo que o Fora do Eixo não os representam, e não podem falar em seu nome.
Sobre a transmissão de protestos e ocupações, são milhares de pessoas em diversos países que transmitem as manifestações no mundo todo, em tempo real, e acredito que os inventores que fizeram os primeiros smartphones conectando vídeo com internet, são realmente tão importantes para a comunicação na atualidade quanto os inventores do telégrafo foram em outra época.
Já o Fora do Eixo, agora denominados de Mídia Ninja, (antes era Mídia Fora do Eixo, mas como são muito expulsos de manifestações resolveram mudar de nome) utilizar os vídeos feitos por centenas de pessoas não ligadas ao Fora do Eixo, editá-los, subí-los no canal sob seu selo, e querer capitalizar em cima disso – sem repassar os recursos para as pessoas que realmente filmaram estes vídeos/fizeram estas fotos e textos – inclusive do PM infiltrado mudando de roupa e atirando o molotov – eu já acho bastante discutível eticamente.
Sobre a questão do anonimato nos textos e fotos, acredito que esta prática acaba fazendo com que eles façam exatamente aquilo que criticam na grande mídia: espalham boatos anônimos, sem o menor comprometimento com a verdade, com a pesquisa, com a acuidade dos dados e fatos.
Mas enfim, acho que a discussão é muito mais profunda do que a Midía Ninja em si, apesar deles também se beneficiarem do trabalho escravo daqueles que vivem nas casas Fora do Eixo.
Acredito com este relato estar dando minha contribuição pública à discussão de o que é o Fora do Eixo, como se financiam e sustentam a rede, quais seus lados bons e seus lados perversos, onde é que enganam as pessoas, dizendo-se transparentes, impunemente.
Contribuição esta que acredito ser meu dever público, uma vez que, ao me encantar com a rede, e haver vislumbrado a possibilidade de interagir com cinéfilos do rincões mais distantes do país, que não têm acesso aos bens culturais produzidos ou circulados por aqui, incentivei outros colegas cineastas a fazerem o mesmo. Já conversei pessoalmente com todos aqueles que pude, explicando tudo aquilo que exponho aqui também. Dos cineastas que soube que também liberaram seus filmes para serem exibidos pela rede, nenhum recebeu qualquer feedback destas exibições, sejam em fotos com o número de pessoas no públicos, seja com a tabela de cidades em que passaram, seja de eventuais patrocínio que os exibidores receberam. E como talvez tenha alguém mais com quem eu não tenha conseguido falar pessoalmente, fica aqui registrado o testemunho público sobre minha experiência com a rede Fora do Eixo, para que outras pessoas possam tomar a decisão de forma mais consciente caso queiram ou não colaborar com ela.
Espero que os patrocinadores da rede tomem também conhecimento de todas estas falácias, e cobrem do Fora do Eixo o número exato de participantes, com assinatura dos mesmos, os contratos e recibo de repasse das verbas que recebem aos autores das obras e espetáculos que eles dizem promover. E que jornalistas que investigam o trabalho escravo moderno se debrucem também sobre estas casas: pois acredito que as pessoas que estão lá e querem sair precisam de condições financeiras e psicológicas para isso.
Espero também que mais pessoas tomem coragem para publicar seus relatos (e sei que tem muita gente que poderia fazer o mesmo, mas que tem medo pelos motivos que expliquei a cima), e assim teremos uma polifonia importante para quebrar a máscara de consenso ao redor do Fora do Eixo.
E que, mesmo vivendo em plena era da cultura da publicidade, exijamos “mais integridade, por favor”, entre aquilo que dizem e aquilo que fazem aqueles que querem trabalhar, circular, exibir, criar, representar, pensar ou lutar pelo direito fundamental do Homem de produção e desfrute da diversidade artística e cultural de todas as épocas, em nosso tempo.

Fora da Timeline

Por Bruno Torturra, no Facebook
Deprimido, confesso.
É chocante para mim ver tanta gente legal, tanta gente que gosto e admiro, comprando uma versão tão sombria, tão injusta e tão mesquinha sobre o Fora do Eixo e o Pablo Capilé. E, principalmente, desconsiderando a inteligência, o comprometimento e a coragem de centenas de jovens do Brasil todo que enxergaram no coletivismo, na vida compartilhada, uma escapatória, uma vida mais interessante do que a normalidade oferecia.
Centenas de jovens, sobretudo das cidades pequenas e médias do Brasil, lugares que pouquíssima gente que hoje acusa de “seita” o Fora do Eixo pisou. Centenas de jovens que, graças à conexão dos coletivos, à libertação que a cultura digital representou para artistas e comunicadores, viram uma chance de disputar, enfim, espaços, verbas e protagonismos que, antes, eram quase que exclusivos dos grandes centros. Do eixo…
Foi justamente essa libertação, esse comprometimento, essa nova autonomia cultural e política que me atraiu quando, há dois anos e meio, conheci a Casa Fora do Eixo em São Paulo. A turma havia acabado de se mudar para a cidade, e cheguei lá como repórter. Não entendi exatamente e até hoje luto para entender como funciona a economia pulverizada do FdE. Como uma moeda complementar se tornou o verdadeiro lastro de uma rede enorme.
Mas uma coisa era clara, e ainda é para mim: a criação de uma economia paralela, de um sistema de circulação cultural que não se separa da política, que emerge da rede, que tem uma ideologia contaminada pelo empirismo radical não me despertou desconfiança, mas muita curiosidade.
Já naquele tempo, no distante ano de 2011, desafetos e arranca-rabos online tentavam denunciar o FdE e apontar Capilé como um pilantra. A discussão era a mesma: cachês, promessas não cumpridas e conclusões dedutivas de que “algo estava errado naquilo tudo”. Sempre li e escutei essas acusações com paciência e certa perplexidade. E ver tanta gente, tanto artista, logo eles, acusando o FdE de ser simplesmente uma máquina interessada em dinheiro público era bizarro.
O que me chocava no FdE, e ainda choca, é a capacidade deles de realizarem grandes coisas quase sem recurso. De desmonetarizar relações em busca de um modelo de vida mediado por algo que não dinheiro… Isso, antes de ser revolucionário, é muito novo. Feito por gente tão jovem, sem lastro teórico, é ainda mais novo, ainda mais interessante e, necessariamente, cheio de defeitos, precipitações e contradições.
Para mim, que sigo vivendo sozinho, pagando contas com meu caixa nada coletivo, sempre vi a experiência deles como um expansor de consciência. Gente que, na prática, oferece muito mais do que demanda. Um laboratório riquíssimo onde eu era muito mais do que um observador. Eu era muito bem vindo, muito questionado, desafiado, confrontado. E onde eu encontrei companhia e um enorme comprometimento para tocar adiante ideias sobre mídia e ativismo que meus amigos de fora do fora do eixo sempre defenderam, mas nunca estiveram dispostos a colocar na rua. Por que não? Porque “precisam pagar as contas”. Esse desapego à mera viabilidade contábil é que permitiu que o FdE se tornasse uma potência. E isso incomoda, ofende, levanta todo tipo de desconfiança.
Não é fácil assumir a vida que os moradores da Casa Fora do Eixo escolhem. Dividem quartos, roupas, espaço. Abdicam mesmo de tempo livre em nome de construir algo juntos. E acho um profundo desrespeito a eles dizer que aquilo é uma seita, que sofreram lavagem cerebral por Pablo Capilé. O que muitos enxergam como autoritarismo em sua fala, para mim é uma urgência enorme que ele sente. Capilé é uma virtuose da articulação mental, verbal e política. Sua liderança não é imposta, é merecida e conquistada na prática. Ele vive na mesma casa, divide as mesmas roupas, o mesmo dinheiro curto e a mesma rotina atolada. Nunca foi meu chefe, mentor. É, e cada vez mais, meu amigo.
Muito além dele, nunca na vida conheci gente de 19, 20, 21 anos de idade tão inteligente, curiosa e articulada. E Beatriz os acusa de não frequentar cinema… Mas a maioria por ali não completou 25 anos e passa a vida circulando o país, discutindo política, cultura, mídia, pautando o Brasil e conversando, diretamente, com algumas das melhores cabeças da academia, da cultura e da política. Isso não é cinema, Bia. É realidade. Quando comparo com os universitários convencionais que conheço fica claro o abismo. Se isso é uma seita… amén.
No meio tempo, segui amigo de alguns dos maiores detratores do FdE. Inclusive de Beatriz Siegner, que conheci justamente naquele ano, enquanto nós dois nos aproximávamos da rede. Testemunhei alguns dos episódios que ela relata em seu texto. Estive, inclusive, do lado dela quando discordamos juntos de algumas posições de Pablo, Felipe, Talles… justamente sobre a importância do “tempo livre”, “ir ao cinema”, “passear mais”. Sigo discordando – brigando, inclusive – com eles quase todo dia. Mas meu ponto é outro.
Não quero, nem tenho como, destrinchar o texto dela aqui. Mas me ater ao básico: a leitura dela e de muita gente sobre o FdE não revela tanto sobre a rede quanto sobre a própria mentalidade automática à qual o FdE tenta resistir. Onde a “integridade”, como ela cobrou da rede, é medida sobretudo por grana, ego, logotipos. Mais ligada a uma dinâmica econômica do que um real compromisso com a transformação e com a tolerância ao erro, ao vacilo, até ao calote que um processo tão sério como esse pode, e vai, gerar.
Dito isso, volto ao início. Deprimi mesmo. Só quem está no dia a dia dessa construção sabe da bucha que é. De como não sobra tempo, energia, cabeça para lidar com coisas, no fundo, mais gostosas de fazer.
E o pior, não me revolta… me enfraquece mesmo ver o gente em geral passiva, cínica em seu emprego, insatisfeita com o status quo, ao mesmo tempo salivando com a possibilidade de minar um laboratório de algo novo. Ver meus amigos, gente que escolhi gostar, sem provas, sem evidências alguma, preferindo ver conspiração e sujeira. Sem paciência ou abertura, preferindo ver burrice e alienação. Escolhendo o sarcasmo no lugar da reflexão. Cobrando transparência de quem divide tudo. E, de quebra, tentando implodir a imagem do Fora do Eixo e da Mídia Ninja sem oferecer nada em troca. E ainda chamam o texto de Beatriz de corajoso… francamente.
Investiguem, mas não acusem dessa forma. Discordem, mas não agridam simplesmente. Não precisa gostar, não precisa aderir, não precisa defender nem passar pano. Mas vamos ser honestos: há algo muito maior em jogo do que cachês e impressões de uma cineasta.
Vou desplugar aqui. Não contem com respostas minhas aos comentários nessa timeline tão cedo. Quem quiser conversar ao vivo, eu topo. Prefiro. Com um ânimo quase zerado, preciso seguir trabalhando para erguer e organizar o site, a equipe, a proposta de financiamento da Mídia Ninja. E, quando arrumar tempo livre, tentar ver um filme, ler um livro, tomar LSD e falar sobre passarinho em vez de assistir a esse showroom de hidrofobia que minha timeline virou.
Em frente…
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Falta quem pense

Porque as lições de Hannah Arendt também valem para o Brasil
Hannah Arendt
Independente. A busca incessante e corajosa da verdade factual
 Certo dia alguém perguntou a Hannah Arendt, a pensadora judia, se gostava do seu povo. “Não – respondeu –, gosto é dos meus amigos judeus.” Tratava-se de uma cidadã muito corajosa, pela ousadia de conduzir sua inteligência pelos caminhos da independência.
O pensamento de Hannah Arendt sempre me atraiu e foi dela que furtei a expressão “verdade factual”, cuja busca é fundamento do jornalismo. Nem bom, nem mau, jornalismo, e ponto. Digo, aquele que a mídia nativa não costuma praticar.
Entra em cartaz um filme de Margarethe von Trotta, a cineasta alemã, intitulado Hannah Arendt. E lá vou eu, devidamente imantado. Conta um largo e decisivo episódio da vida da escritora. O serviço secreto israelense invade a Argentina e sequestra o criminoso nazista Adolf Eichmann, que para lá fugiu logo após a guerra.
Hannah é convidada pela New Yorker a acompanhar o julgamento do criminoso, que Israel instaura em Jerusalém, e a escrever a respeito. Penas iluminadas saíram-se bem em ocasiões similares. Por exemplo, John dos Passos quando da morte de Rodolfo Valentino. A profundidade das observações enriquece a reportagem, mas não tentem explicar o conceito aos editores dos nossos jornalões e revistões.
A escritora aceita a tarefa insólita, e viaja a Jerusalém, onde a esperam velhos e queridos amigos. Von Trotta insere na sua filmagem trechos do documentário realizado durante o processo, e sabe escolhê-los, de sorte a expor a personalidade do réu a bem da fluência do enredo.
Passa-se um tempo antes que Hannah, de volta a Nova York, onde vive e leciona, passe à escrita. Uma demorada reflexão obriga-a a um penoso exercício de espeleologia interior, à caça do verdadeiro rosto de Eichmann. Quem é ele? Um homem que não pensa, conclui a filósofa-repórter, algo assim como um autômato. E esta é verdade factual.
Burocrata zeloso, Eichmann incumbe-se da inexorável pontualidade dos trens que carregam dezenas de milhares de judeus para os fornos crematórios, assim como faria se em lugar de seres humanos houvesse gado, ou cães raivosos. Ele executa ordens sem inquirir a sua consciência a respeito de coisa alguma, com obediência robótica à vontade do Führer. Desta investigação alma adentro de um criminoso exemplar nasceria uma das obras mais notáveis de Hannah Arendt, A Banalidade do Mal.
A nação judia entendeu que uma das suas cabeças privilegiadas defendia Eichmann, e mesmo os amigos mais queridos, e os diretores da universidade onde lecionava, a condenaram sem recurso. Eles também não pensavam. Outro filósofo disse “penso, logo existo”.  No entanto, que significa pensar? Tudo se reduziria apenas e tão somente à consciência da existência? Donde, à percepção do efêmero, colhida pelo ser pré-histórico, talvez em meio a uma clareira remota iluminada pela lua, ao erguer os olhos e se inteirar pela primeira vez do céu estrelado.
Hannah apontou também as responsabilidades das lideranças judias, que, entre outras coisas, não haviam hesitado em violar as fronteiras argentinas e em evitar um processo internacional como a Justiça recomendava. Com isso, piorou muito a sua situação aos olhos judeus. Impecável, de verdadeiro jornalista, foi o comportamento do diretor da New Yorker. Até seus colaboradores mais próximos se empenharam para impedir a publicação dos textos da “enviada especial”. Ele foi até o fim e os estampou sem arrependimentos.
O homem é um bicho imperfeito, muito imperfeito, a gente sabe. Dispõe dos instrumentos para pensar, mas a maioria não sabe usá-los. A maioria felizmente não é de criminosos nazistas, mas é incapaz de fugas do clichê, do chavão, do lugar-comum, da frase feita. Deste ponto de vista, a sociedade emergente do Brasil é imbatível, ipsis litteris repete incansável as passagens mais candentes dos textos de jornalões e revistões enquanto os jornalistas aderem automaticamente às crenças dos seus patrões. Na terra da casa-grande e da senzala, a maioria vive ainda no limbo e os senhores jogam ao lixo o patrimônio Brasil. O mundo atravessa dias decadentes, é inegável. O País, contudo, bate recordes nestas areias movediças
Mino Carta
No CartaCapital
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Tim Minchin - Tony the fish

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Charge online - Bessinha - # 1885

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Cadê Amarildo?

Vídeo mostra Amarildo momentos antes de desaparecer na Rocinha

No Caiu na Rede Brasil
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Funcionário da Unifesp que discutiu com PMs é assassinado com 8 tiros

unifesp quem matou ricardo
DCE da Unifesp denuncia que assassinato de Ricardo Ferreira Gama, funcionário da universidade, pode ter sido retaliação da PM por discussão ocorrida dias antes
O auxiliar de limpeza terceirizado que trabalhava na Unifesp (Universidade Federal Paulista), na Baixada Santista (SP), Ricardo Ferreira Gama, de 30 anos, foi assassinado por quatro homens encapuzados dois dias depois de ter sido agredido por policiais militares durante abordagem. O crime ocorreu no dia 2 de agosto. A polícia disse que está apurando o caso.
No dia 31 de julho, os policiais estavam apurando uma denúncia sobre tráfico de drogas na região. Ricardo estava no intervalo do serviço e, segundo o DCE (Diretório Central dos Estudantes da Unifesp), respondeu “a uma ofensa” e “foi agredido pela polícia” diante do prédio da universidade. Cerca de 50 alunos da universidade testemunharam o fato. Ricardo foi levado ao 1º DP de Santos.
Chegando na delegacia, os estudantes foram informados de que ele tinha sido levado ao 4º DP e, de lá, os policiais haviam levado o rapaz até o Pronto Socorro vizinho à Santa Casa de Santos, no Jabaquara.
Os alunos, então, foram avisados pelos policiais que Ricardo tinha sido liberado, e que “estava tudo resolvido”. Segundo os PMs, Ricardo não fez o Boletim de Ocorrência porque “admitiu que não foi agredido”.
As testemunhas quiseram então abrir um boletim de ocorrência, mas foram intimidadas pelos próprios policiais que agrediram Ricardo. Assustadas com as ameaças, elas foram embora sem registrar a ocorrência.
No dia seguinte, de volta ao trabalho, Ricardo disse que foi procurado em sua casa pelos mesmos policiais. De acordo com os alunos, Ricardo avisou que os policiais disseram que, caso a denúncia continuasse sendo levada adiante, eles “iam resolver de outro jeito”.
Ainda segundo os estudantes, na noite do dia primeiro de agosto, viaturas com policiais não fardados rondaram a Unifesp, e pessoas não identificadas estiveram no campus sondando funcionários em busca de supostos vídeos que as testemunhas teriam feito das agressões do dia anterior. Ainda disseram que, se eles denunciassem, “seria pior”.
Mesmo sem registrar qualquer ocorrência e sem ter publicado vídeo algum, na madrugada de quinta (1) para sexta-feira (02) quatro homens encapuzados executaram Ricardo na frente de sua casa com oito tiros.

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Canciller de Brasil abordará denuncia de espionaje de EE.UU. con John Kerry


 

El Canciller de Brasil, Antonio Patriota, sostendrá una reunión con el secretario de Estado de Estados Unidos (EE.UU.), John Kerry, el próximo martes para abordar las denuncias sobre espionaje practicadas por ese país en territorio brasileño.
La reunión ente los altos funcionarios se llevará a cabo en Brasil, donde el asunto del espionaje, "es un tema que no puede dejar de estar en la agenda bilateral Brasil-Estados Unidos", dijo el ministro de Relaciones Exteriores a medios de prensa.
Patriota, que participó de un almuerzo con empresarios en Río de Janeiro, reiteró que el viaje de la presidenta Dilma Rousseff a EE.UU. sigue agendado para octubre.
"El viaje se mantiene y continuaremos desarrollando un diálogo específico con Estados Unidos sobre el tema de las denuncias de espionaje por el canal apropiado. Esperamos avanzar antes del viaje. Tenemos algunos meses por delante", agregó Patriota.
Basado en documentos filtrados por el exconsultor de inteligencia Edward Snowden, el diario O Globo informó hace un mes que Brasil formó parte de una red de 16 bases de espionaje operadas por la Agencia Nacional de Seguridad (NSA, en inglés) de Estados Unidos, que intervinieron millones de llamadas telefónicas y correos electrónicos.
El último martes, el columnista del diario británico "The Guardian", Glenn Greenwald, dijo en el Senado brasileño que recibió hasta 20 mil documentos de Snowden relacionados con espionaje.
Recientemente el Canciller se declaró "alentado” por la "disposición al diálogo" de EE.UU. ante las denuncias de espionaje en el país, publicadas en el diario O Globo.
"El Gobierno estadounidense está demostrando disposición al diálogo, lo que considero alentador, a pesar de que tenemos que profundizar las discusiones".
Kerry se reunirá con Patriota en Brasilia el martes próximo, en su primera visita al gigante sudamericano desde que asumió su cargo en febrero, en reemplazo de Hillary Clinton.
Ambos cancilleres "examinarán los principales temas de la agenda bilateral, regional y mundial", precisó la Cancillería brasileña en un comunicado.
Estados Unidos es el segundo socio comercial de Brasil, detrás de China. En los últimos cinco años, el flujo comercial aumentó 11,3 por ciento, de 53 mil 100 millones de dólares a 59 mil 100 millones.
Fue también en 2012 el primer inversor extranjero en Brasil, con una IED (inversión extranjera directa) por 104 mil millones de dólares.
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Collor envia 16 perguntas a Gurgel sobre 16,4 mil grampos

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E pede a lista completa de autorizações judiciais para a realização de escutas; senador quer saber quem grampeia, onde, como e por que; com o fim do seu mandato marcado para a sexta-feira 15, procurador Roberto Gurgel deverá continuar a dar explicações sobre sua atuação à frente da PGR mesmo depois de deixar o cargo


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Desdobramento de denúncias no metrô em SP resgatam 'conexão Serra-Arruda'

O novo capítulo das denúncias de formação de cartel para obras de construção e ampliação do metrô e dos trens de São Paulo, envolvendo os principais nomes do PSDB, resgata a conhecida “conexão Serra-Arruda”, que ganhou repercussão em entre 2008 e 2009.
E-mails de ex-executivos da Siemens, em poder do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), sugerem que o ex-governador de São Paulo, José Serra, e José Roberto Arruda – cassado do Governo do Distrito Federal (GDF) em 2010 pelo “mensalão do DEM” – tinham conhecimento do esquema das empresas no setor metroferroviário.
A proximidade entre Serra e Arruda ia além dos planos de candidatura tucana ao Planalto, em 2010, que tinha o ex-político do DEM cotado como vice de Serra. Em 2009, Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, prestou depoimento à Polícia Federal em que revelou que, em 2008, a empresa de informática CTIS Tecnologia S/A mandou via Sedex o valor de R$ 65 mil em dinheiro à secretaria, explicando que R$ 25,3 mil deveriam ir para as mãos de Arruda. Os pagamentos, de acordo com o ex-secretário, eram referentes a pagamentos de propinas para manter contratos com o GDF.
A mesma empresa também recebeu dinheiro do governo de São Paulo, na época administrado por José Serra. A empresa era responsável pelo Consórcio Educat, que venceu edital para alugar 100 mil microcomputadores ao governo. O contrato firmado entre a empresa, no valor de R$ 400 milhões, e a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) previa a locação de computadores ao custo de R$ 4 mil por unidade para uso no projeto “Computador na Escola”.
A CTIS faturou R$ 457 milhões em 2008 e mais R$ 609 milhões em 2009. A maior parte desses recursos (80%) vinham dos cofres públicos do governo de São Paulo. A empresa também mantinha contratos com a Secretaria de Fazenda do governo do Distrito Federal e com a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília).
Gontijo e Paulo Preto
Outro nome em comum entre Serra e Arruda é o do empreiteiro José Celso Gontijo. Em 2010, durante a campanha presidencial, Serra recebeu a doação de R$ 8,2 milhões, feita por Ana Maria Baeta Valadares Gontijo, esposa do empreiteiro. O valor supera o limite legal de doações de 10% do ganho anual de pessoas físicas, o que chamou a atenção da Receita Federal. O nome de Gontijo, que já estava relacionado ao “mensalão do DEM”, por ter sido flagrado em vídeos entregando maços de dinheiro para abastecer o esquema, também aparece como sendo proprietário da empresa Call Tecnologia e Serviços LTDA.
Segundo a Polícia Federal, a empresa era uma espécie de financiadora do esquema, chegando a repassar aos beneficiados, entre 2000 e 2010, o valor total de R$ 109.347.709,17 (cento e nove milhões, trezentos e quarenta e sete mil, setecentos e nove reais e dezessete centavos). Um dos beneficiários do pagamento de propinas era Paulo Vieira de Souza, mais conhecido como “Paulo Preto”. Ele era o ex-captador de recursos para as campanhas eleitorais de Serra, em São Paulo.
A partir de 2006, a empresa Call Tecnologia – também conhecida como Call Contact Center –, de propriedade de José Celso Gontijo, passou a administrar as chamadas para os serviços dispostos pela prefeitura de São Paulo, durante a gestão de José Serra. A empresa chegou a receber, mensalmente, R$ 1,2 milhão – totalizando cerca de R$ 30 milhões por dois anos de serviço. O contrato entre a prefeitura e a empresa foi prorrogado na gestão de Gilberto Kassab. Em 2009, a empresa fechou novo contrato, mas com o governo de São Paulo, na época administrado por Serra, que estava prestes a se lançar candidato à Presidência da República. No ano seguinte, o tucano recebeu os R$ 8,25 milhões da mulher de Gontijo.
A empresa Call Tecnologia continua prestando serviços para o governo de São Paulo, agora sob a administração de Geraldo Alckmin (PSDB). Dados do Diário Oficial do Estado do dia 4 de julho de 2013 mostram que a empresa continua recebendo pagamentos no valor mensal de R$ 192.922,80. O pagamento informado, referente ao mês de junho, é contabilizado como sendo a 63a. parcela, o que somaria o valor repassado pelo Estado, até o momento, de R$ 12.154.136,4 (doze milhões, cento e cinquenta e quatro mil, cento e trinta e seis reais e quatro centavos).
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O Brasil como república imperfeita

O Brasil é um país republicano, em parte. Em parte ainda menor, um país constitucionalizado. É trivial denunciar comportamentos de governantes que escapam às mínimas exigências de uma república efetivamente enraizada. Mais difícil é encontrar críticas ao colega de profissão. Autocrítica, então, é conceito mofado da cultura brasileira. Para todo mundo, agir republicanamente é problema do governo e do Estado, não dos cidadãos. Aliás, uma restrição freqüente ao governo consiste exatamente em responsabilizá-lo pela falta de republicanismo da população.
Diversos capítulos constitucionais relativos a direitos sociais, econômicos e políticos não valem em enorme porção do território nacional. O direito de ir e vir, por exemplo, depende da boa vontade de chefes de quadrilhas, e me refiro não apenas aos bandos de traficantes urbanos controladores de áreas periféricas, mas igualmente aos grandes proprietários e empresários por essa imensidão afora que abusam do trabalho infantil ou mantêm em regime de semi-escravidão seus trabalhadores assalariados. Trata-se de um retrato enviesado esse que revela um Brasil reclamando a ausência do governo em áreas sensíveis da população. Faltam hospitais e escolas, sem dúvida, fato notório, mas inexistem também as condições que permitem a qualquer cidadão brasileiro o usufruto do direito constitucional de ir e vir. Para milhões, passeatas são um luxo accessível a urbanitas, independente de sua posição na escala de renda.
Até recentemente, o direito de livre expressão de pensamento não ultrapassava a materialidade dos compêndios de direito e dos exemplares impressos da Constituição de 88. Na prática, ele se limitava à liberdade de subir em um banquinho e arengar aos passantes. Sua eficácia era igual a zero. Com a concentração oligopólica dos meios de comunicação, a oportunidade de concorrer ao apoio da opinião pública, via expressão de argumentos e idéias, desapareceu. São poucos os comentaristas e cronistas a dispor dos meios de persuasão social, ao abrigo de contraditas e concorrência. Assim se gera um conjunto de celebridades, altamente narcisistas, que exploram até a exaustão o direito de dizer o que bem entendem sobre o que bem entendem. A taxa de sandices a disposição do público é formidável, sem que, também de forma eficaz, se mostre a esse mesmo público que os filósofos, pensadores, cronistas do quotidiano, analistas de política e sociólogos de algibeira não passam em muitos casos de charlatães. No melhor dos casos, inconscientes do que o são.
No Brasil de hoje o direito eficaz de livre expressão está subjugado ao inacreditável regime de apropriação de uma concessão pública, operado por minúsculo número de entidades privadas que controlam TVs, rádios, jornais e revistas. Acreditar que, no Brasil, prevaleça o direito de livre expressão equivale a entregar-se a uma servidão voluntária. O poder corruptor do sistema é imenso, fascinando os mais diversos segmentos da sociedade. Poucos são os políticos que resistem ao fascínio de dez segundos de televisão. Para nada dizer dos membros do Executivo, da burocracia e do poder judiciário.
Este é o aspecto mais relevante dos novos meios de conexão: a quebra material do oligopólio que usufruiu até agora o direito constitucional de livre manifestação do pensamento. É mérito da tecnologia em si, assim como os devidos à imprensa escrita e ao rádio. Nada impede que, tal como ocorreu com as inovações anteriores, estas sejam postas a serviço do mal – e com freqüência o são. Crucial foi o aparecimento de meios materiais que viabilizam o usufruto do direito de livre expressão, mesmo que ainda sem músculos suficientes para se sobrepor aos meios de comunicação privadamente seqüestrados.
Ademais de tornar materialmente factível o direito constitucional de livre expressão, as redes sociais dão oportunidade a que se concretize outra característica das democracias constitucionais: o direito de ajustar, coletivamente, a agenda púbica governamental às preferências, digamos, instantâneas da população. Nada a ver com democracia instantânea. Trata-se da criação de um canal de comunicação que opera em ritmo veloz, trazendo informações sobre fatos e preferências que clamam por atenção. A partir daí, trata-se de política normal, formando-se os prós e os contra ao longo do debate instituído.
O sociólogo Adalberto Cardoso, em arguto comentário sobre os idos de junho, apontava para o aspecto sociológico e político das movimentações: a revelação de que organizar a ação coletiva – um sério problema para todos que desejam obter ouvidos públicos – tornou-se bem menos cara, por assim dizer, favorecendo a participação de quem o desejar, como requer a democracia. Outra vez, o que se fará com o dom tecnológico há de depender de quem o saboreie.
Agora os governos estarão a braços com dois problemas: o de implantar a república em todo o território nacional e o de universalizar o direito de eficaz livre expressão da vontade desses repúblicos.
Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político
No O Cafezinho
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MRV é condenada a pagar R$ 6,7 milhões por infrações trabalhistas e trabalho escravo

A MRV Engenharia, uma das principais empreiteiras do país, está sendo obrigada a pagar R$ 6,72 milhões por infrações que incluem o flagrante de 63 trabalhadores em condições análogas às de escravo nas obras de um condomínio residencial em Americana, interior de São Paulo, em fevereiro de 2011. A construção, que estava sendo executada por uma empresa terceirizada, recebeu financiamento do programa federal “Minha Casa, Minha Vida”. A decisão, de primeira instância, é da juíza do Trabalho Natália Scassiotta Neves Antoniassi e, à ela, cabe recurso. A reportagem é de Stefano Wrobleski, da Repórter Brasil, com informações deste blog:
Fachada da obra da MRV pelo programa "Minha Casa, Minha Vida" em Contagem (MG) onde fiscalização constatou condições de trabalho degradantes (Foto: MTE)
Fachada da obra da MRV pelo programa “Minha Casa, Minha Vida” em Contagem (MG) onde fiscalização constatou condições de trabalho degradantes (Foto: MTE)
De acordo com a sentença, do valor total a que a MRV foi condenada, R$ 4 milhões são por danos morais resultantes do uso de mão de obra escrava. A empresa também terá que pagar R$ 100 mil por dificultar o andamento do processo e da fiscalização.
Além disso, outros R$ 2,62 milhões são decorrentes da multa pelo descumprimento de uma liminar deferida em janeiro de 2012. A decisão responsabilizou a MRV por diversas irregularidades com relação à segurança e saúde do trabalho, além de outras obrigações trabalhistas em duas obras em Americana. A empresa recebeu um prazo de 30 dias para regularizar a situação. Como não o fez, passou a pagar multa de R$ 10 mil por dia. Em novembro de 2012, uma perícia comprovou que a regularização dos problemas apontados pela liminar havia sido feita.
Em nota à imprensa, a MRV declarou que a terceirização de mão de obra é um tema “controverso” e que a empresa já obteve “ganho de causa em processos similares”. Ela informou ainda que está “negociando a assinatura de Acordo sobre Terceirização com o MPT [Ministério Público do Trabalho]” e que deve recorrer da decisão, ao mesmo tempo em que “dará continuidade às negociações com o MPT”.
Através do programa “Minha Casa, Minha Vida”, os bancos públicos Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil financiam casas para famílias com renda mensal de até R$ 5 mil. Na sentença, a juíza considerou “no mínimo irônico imaginar que trabalhadores análogos a escravos financiam a moradia de casas populares e que o Estado efetua regiamente os pagamentos referentes a esses contratos”. Além disso, a juíza também autorizou que o Ministério Público do Trabalho envie ofício ao Ministério das Cidades e às Superintendências Regionais e Nacionais da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para que se tome ciência da decisão. “O numerário público não pode, mesmo por via indireta, sustentar a manutenção de trabalho escravo”, argumentou.
Trabalho escravo - Além desse caso, a MRV foi flagrada em outras três ocasiões se beneficiando com trabalho escravo. Em 2011, três meses depois do flagrante em Americana, cinco trabalhadores foram libertados em obra da empresa Bauru, também no interior de São Paulo.  No mesmo ano, uma fiscalização em Curitiba (PR) flagrou 11 empregados em condições análogas às de escravo. Em abril deste ano, a construtora foi denunciada mais uma vez por manter seis trabalhadores nessas condições em Contagem, zona metropolitana de Belo Horizonte (MG). No período, a empresa foi incluída por duas ocasiões na “lista suja” do trabalho escravo, mas conseguiu, através de liminar na Justiça, sua retirada.
Na decisão em que determinou o pagamento de R$ 6,7 milhões pela MRV Engenharia, a juíza do trabalho Natália Scassiotta Neves Antoniassi disse ser “frustrante saber que em pleno século XXI tramita pelo Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional visando a extinção do trabalho escravo – a PEC 438/2001”. “Há 12 anos essa PEC sequer foi votada por nossos representantes das casas legislativas, e o principal motivo são os empecilhos colocados pela bancada ruralista, categoria que, segundo relatório da OIT sobre trabalho escravo, é a que mais adota essa prática”, disse. A PEC prevê o confisco de propriedades rurais e urbanas onde tenha sido flagrado trabalho escravo contemporâneo e o seu destino à reforma agrária ou ao uso social urbano.
Histórico - A MRV foi incluída na “lista suja” do trabalho escravo pela primeira vez em 31 de julho de 2012 por conta dos flagrantes nas obras dos condomínios Parque Borghesi, em Bauru, e Residencial Beach Park, em Americana. Às 10h18 do dia 01 de agosto, as ações da MRV chegaram a cair 6,18% na Bolsa de Valores de São Paulo. Depois recuperaram-se um pouco e fecharam em queda de 3,86%. Quando ela obteve decisão liminar favorável e deixou a relação, suas ações recuperaram-se.
Em dezembro, a empresa foi novamente inserida nesse cadastro de empregadores flagrados explorando pessoas em situação análoga a de escravos, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O motivo foi o flagrante na construção do edifício Cosmopolitan, em Curitiba (PR).
A “lista suja” tem sido um dos principais instrumentos no combate a esse crime, através da pressão da opinião pública e da repressão econômica. Após a inclusão do nome do infrator, instituições federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste e o BNDES suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também estão proibidos de conceder crédito rural aos relacionados na lista por determinação do Conselho Monetário Nacional. Quem é nela inserido também é submetido a restrições comerciais e outros tipo de bloqueio de negócios por parte dos cerca de 400 signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo – que representam 30% do PIB brasileiro.
O avanço no setor de construção de habitação popular garantiu o crescimento e conquistas. A empresa terminou 2011 como a construtora com maior lucro das Américas, segundo a Economatica, e alcançou o posto de terceira maior construtora brasileira no ranking da ITC, ambas consultorias empresariais que fazem levantamentos sobre o setor. De olho em novos investimentos do governo federal em programas de moradia, o presidente e fundador da MRV, Rubens Menin Teixeira de Souza, defendeu a revisão de valores do programa Minha Casa Minha Vida. Rubens é um dos seis brasileiros incluídos, em 2012, na lista de bilionários organizado revista Forbes.
A ascensão da MRV, porém, tem sido marcada por percalços. Além dos flagrantes de escravidão, a empresa enfrenta questionamentos também relacionados ao que o Ministério Público do Trabalho classifica como exploração irregular sistemática de mão de obra nos canteiros. No primeiro semestre o MPT fez representação inédita acusando a empresa de “dumping social” à Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE/MJ) solicitando abertura de um procedimento administrativo para apuração do conjunto de infrações que envolvem a empresa no âmbito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
No Blog do Sakamoto
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Cantanhêde “paz e amor” é sinal de Datafolha “cheirosa”?

Não sei se a coluna de hoje de Eliane Cantanhêde foi motivada por alguma “inside information” da pesquisa Datafolha programada pra sair este final de semana.
Mas que tem toda a pinta, tem.
A colunista da “massa cheirosa” já se sai com explicações para uma eventual recuperação de prestígio para Dilma Roussef.
Afinal, a Presidenta:
  1. “não sai da TV, do rádio, dos jornais, da internet, ocupando todos os espaços que a oposição não tem como disputar” (meu Deus, como alguém consegue dizer uma coisas destas, sendo a mídia brasileira o que é, a verdadeira oposição, como admitiu, não faz muito, a presidente da Associação de Jornais, da mesma Folha da Cantanhêde!);
  2. “As guerras da presidente parecem bem marqueteiras: são polêmicas e geram reações, mas têm ressonância na maioria da população – ou do eleitorado –, que aprova um plebiscito, a reforma política, os royalties para a educação e a queda de braço com os médicos para que mais municípios sejam atendidos.”;
  3. “Dilma também passou a conversar (dizem que está até aprendendo a ouvir) com o PMDB e os partidos aliados. “
  4. “Ela até liberou uma bolada para os parlamentares”;
  5. “começa a ser interrompida a sequência, que parecia interminável, de notícias ruins na economia.“;
  6. “os protestos das ruas refluíram de um lado e a rede da internet recrudesceu de outro, querendo arrancar o sangue dos tucanos no escândalo da Siemens.”
Cantanhêde termina sua coluna dizendo que “não se sabe o que acontecerá com os ventos e com Dilma nas próximas pesquisas, mas a mudança de clima na política já dá para sentir”.
Dá sim, sobretudo quando uma colunista tão tucana e parcial começa a admitir que as coisas não vão tão bem para os adeptos do “quanto pior, melhor”.
Fernando Brito
No Tijolaço
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PT lidera com folga a lista dos parlamentares mais influentes do Diap em 2013

 
Na vigésima edição da publicação do Diap e entre os 100 “cabeças” do Congresso estão 26 parlamentares do PT, sendo 17 deputados e nove senadores
Mais uma vez a Bancada do Partido dos Trabalhadores lidera, com folga, a lista dos parlamentares mais influentes e em ascensão no Congresso Nacional, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Esta é a vigésima edição da publicação do Diap e entre os 100 “cabeças” do Congresso estão 26 parlamentares do PT, sendo 17 deputados e nove senadores.
Em segundo lugar entre os partidos com o maior número de parlamentares entre os 100 mais influentes está o PMDB, com dez senadores e seis deputados, à frente do PSDB, com cinco senadores e sete deputados.
Para o líder do PT na Câmara, deputado José Guimarães (CE), o levantamento atesta a qualidade da atuação parlamentar e o compromisso do PT com a democracia e a sociedade brasileira. “Esse reconhecimento, com a liderança disparada na pesquisa do Diap, mostra que a Bancada do PT é exemplo de uma atuação exitosa, competente e comprometida com os interesses do País”, comemorou o líder.
Entre os 50 parlamentares “em ascensão”, 14 pertencem ao PT, doze deputados e duas deputadas.
O Diap informou que usou “critérios qualitativos e quantitativos que incluem aspectos posicionais (institucionais), reputacionais e decisionais” para compor a lista, que também distingue os atributos e habilidades pelas quais se destacam os parlamentares: debatedores, articuladores/organizadores, formuladores, negociadores e formadores de opinião. O órgão também considera que as classificações “não são excludentes. Assim, um parlamentar pode, além de sua habilidade principal, possuir outras secundárias”.
Além do líder Guimarães, os outros deputados petistas incluídos na lista dos 100 “cabeças” do Congresso em 2013 são: Alessandro Molon (RJ), Amauri Teixeira (BA), André Vargas (PR), Arlindo Chinaglia (SP), Cândido Vaccarezza (SP), Carlos Zarattini (SP), Cláudio Puty (PA), Dr. Rosinha (PR), Fernando Ferro (PE), Henrique Fontana (RS), Marco Maia (RS), Nelson Pellegrino (BA), Odair Cunha (MG), Paulo Teixeira (SP), Ricardo Berzoini (SP) e Vicentinho (SP).
Os senadores petistas incluídos na lista são: Delcídio Amaral (MS), Eduardo Suplicy (SP), Humberto Costa (PE), Jorge Viana (AC), José Pimentel (CE), Lindberg Farias (RJ), Paulo Paim (RS), Walter Pinheiro (BA) e Wellington Dias (PI).
Os deputados e deputadas em ascensão do PT são: Afonso Florence (BA), Décio Lima (SC), Erika Kokay (DF), Fátima Bezerra (RN), Jorge Bittar (RJ), José Mentor (SP), Márcio Macedo (SE), Miguel Corrêa (MG), Newton Lima (SP), Paulo Pimenta (RS), Policarpo (DF), Reginaldo Lopes (MG), Rogério Carvalho (SE) e Waldenor Pereira (BA).
No Ilharga
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Propinoduto tucanalha na arca

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Alstom confirma que abasteceu a Lista de Furnas

 
Justiça da Suíça informa que recursos teriam chegado ao País por offshores para financiar políticos em troca de contratos no setor energético
A Alstom destinou mais de US$ 20 milhões em propinas ao Brasil e parte do dinheiro foi parar em cofres de partidos políticos. A constatação faz parte da investigação realizada pela Justiça Suíça e foi obtida com exclusividade pelo “Estado de São Paulo”. Ontem, o jornal revelou como dez pessoas, entre elas os ex-secretários Jorge Fagali Neto e Andrea Matarazzo, foram indiciados pela Polícia Federal por causa do esquema de corrupção da empresa francesa, desmantelado pela apuração na Suíça.
Dinheiro supostamente pago pela Alstom teria sido destinado a Eletrobras e Furnas, pagou US$ 20 milhões em propina a partidos do Brasil, diz Justiça da Suíça.
A investigação mostra que informes internos da Alstom revelam o esquema para ganhar contratos públicos no Brasil nos anos 1990. Neles, a empresa francesa indica o pagamento de propinas para financiar partidos.
A constatação da Justiça de Berna é de que há "evidências claras de suborno" e até uma "tabela oficial" de propina no Brasil. O dinheiro foi destinado a diversos projetos de energia no Brasil, envolvendo Furnas, Eletropaulo, a Usina de Itá e outros empreendimentos.
Um dos depoimentos que marcam o caso é o de um colaborador do esquema, Michel Cabane, confirmando que a "Alstom e a Cegelec (subsidiária da Alstom) estavam trabalhando juntas para organizar uma cadeia de pagamentos para tomadores de decisão no Brasil". Havia até mesmo uma lista de nomes de brasileiros na empresa.
A Justiça suíça teve acesso a um comunicado interno da Alstom, de 21 de outubro de 1997. Nele, o então diretor da Cegelec, Andre Botto escreveu que o dinheiro era propina. "Isso é uma política de poder pela remuneração", afirmou. "Ela é uma “negociated” via o ex-secretário do governador (RM). Ela cobre - as finanças do partido - o Tribunal de Contas (do Estado) e a Secretaria de Energia."
A meta era cometer o que os suíços ironizaram como "um crime perfeito". Parte do dinheiro iria para os políticos, parte para o tribunal e parte para o secretário de Energia que daria os contratos.
A Justiça suíça não citou partido, mas indicou que a participação política estava sempre presente. Naquele momento, o Estado de São Paulo era governado pelo PSDB.
RM seria Robson Marinho, conselheiro do TCE, que, depois de coordenar a campanha de Mário Covas em 1994, foi chefe da Casa Civil entre 1995 e 1997. O Ministério Público suíço revelou cada uma das transferências às contas de Marinho no banco Safdie em Genebra. O dinheiro chegaria via uma offshore uruguaia, a MCA.
Quem também é citado é Romeu Pinto Junior, indiciado como uma das pessoas que teriam organizado o pagamento de propinas por meio da MCA.
A investigação revela que, em media, 7,5% do valor dos contratos eram destinados ao pagamento de propinas. "De acordo com essas declarações, 7,5% e 1,13% dos contratos iam para a MCA, 3,1% para a Taltos e 0,6% para a Andros, 1,5% para a Splendore." Essas eram empresas fictícias criadas.
Outra empresa era a brasileira Alcalasser, pela qual teriam passado mais de 50 milhões. Em depoimento a autoridades francesas, o ex-diretor financeiro da Cegelec, Michel Mignot, confirma que a Alcalasser foi criada para pagar propinas. "Ela servia para as comissões", respondeu à Justiça. Seu superior, Yves Barbier de La Serre, ex-secretário-geral da Cegelec, também confirmou a "caixa preta".
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Tucanos da Siemens e Alstom - Globo acha o povo bobo

Há mais de dez anos, os partidos políticos, à frente o PT, que formam a coalizão para fortalecer a base política e partidária do Governo trabalhista no Congresso Nacional, bem como no que diz respeito ao controle administrativo dos ministérios tem sido acusados e denunciados, sistematicamente, pela mídia burguesa de todo o tipo de corrupção, sendo que incontáveis vezes as acusações se perderam por si próprias, porque, na verdade, não passavam de ilações e maledicências, que tinham a força de um tiro nas águas de um rio ou lago.
Entretanto, tais acusações infundadas e denúncias vazias causaram grandes transtornos e prejuízos profissionais, políticos e pessoais a muitas pessoas, que tiveram suas vidas devassadas e que moralmente sofreram com toda ordem de escárnio, deboche, e humilhação, ao tempo em que a imprensa de mercado se negava a dar o mesmo espaço nas diferentes mídias que tal sistema privado de comunicação controla aos políticos, às autoridades e a muitos dos assessores para poderem ao menos dar explicações ou se defender.
Ministros caíram, a exemplo de Orlando Silva, dos Esportes, e Carlos Lupi, do Trabalho, dentre outros, bem como a chefe da Casa Civil da presidenta Dilma Rousseff, Erenice Guerra, que desde os tempos do presidente trabalhista, Luiz Inácio Lula da Silva, sofria com as acusações de uma imprensa irresponsável, facciosa e indiscutivelmente partidária e ideologicamente de direita, que, indisposta a ouvi-la, a combateu sistematicamente, até que Dilma a afastasse do cargo para que a ministra pudesse se defender no Judiciário e, consequentemente, dar uma resposta à sociedade brasileira quanto às acusações.
Erenice foi acusada, em reportagem da revista Veja, que depois foi repercutida pelos jornais Estadão, Folha de S. Paulo e O Globo, além do Jornal Nacional, de montar, no Palácio do Planalto, uma central de propinas que cobrava de empresários 6% para fazer os projetos tramitar com celeridade. O filho de Erenice, Israel Guerra, era apresentado pela imprensa corporativa como "consultor de negócios".
Depois de dois anos afastada do Palácio do Planalto, Erenice Guerra teve seu processo arquivado pelo Tribunal Regional Federal. As acusações de a ministra ter cometido tráfico de influência e seu filho ser considerado lobista foram consideradas improcedentes. O juiz da 10ª Vara Federal, Vallisney de Souza Oliveira, afirmou em sua decisão não haver nenhuma prova contra a ex-Chefe da Casa Civil. O advogado criminalista, Mário de Oliveira Filho, disse na época que as provas que foram exibidas na investigação levaram à conclusão de que a ex-ministra não praticou crime nenhum. E enfatizou: "Eram acusações absolutamente infundadas, sem nenhum lastro de prova real e concreta contra ela".
Caso semelhante e tão grave quanto aos episódios citados aconteceu com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT. O bicheiro, "diretor e pauteiro" de revista, Carlinhos Cachoeira, acumpliciado com a Veja do senhor Robert Civita e do jornalista Policarpo Jr., também conhecido pela alcunha de "Caneta", tentaram derrubar o mandatário brasiliense, ao incluí-lo em questões sobre corrupção, tráfico de influência e de ter formalizado negócios com o bicheiro parceiro do senador cassado do DEM de Goiás, Demóstenes Torres, além de ter influência no governo do tucano Marconi Perillo, político goiano que depôs na CPMI do Cachoeira e que até hoje é investigado pelo Ministério Público.
Agnelo também depôs na CPMI, abriu o verbo, mostrou provas contundentes de que nunca se envolveu com o Cachoeira, "pauteiro" da Veja, bem como seu governo não participou de quaisquer tratativas, negócios ou acordos com tal personalidade, que ficou presa no presídio da Papuda em Brasília. Após sua emblemática participação na CPMI, Agnelo foi esquecido pela imprensa de negócios privados, que precisava de um bode expiatório, de preferência do PT, para se contrapor à lama, ao lamaçal em que ficaram atolados o governador Perillo, Carlinhos Cachoeira, a Veja e seu diretor, Caneta, além de Demóstenes Torres, até então considerado pela imprensa, de razão lacerdista, o arauto da família, da moral e dos bons costumes e quiçá da posteridade. Pois é... Não deu para concluir o golpe de joão-sem-braço, e o petista Agnelo saiu fortalecido ao tempo que a imprensa golpista teve de engoli-lo.
Esses fatos que aqui narro nesta tribuna do Brasil 247 representam uma porcentagem ínfima em razão do que os donos do sistema midiático privado fazem e realizam para desestabilizar politicamente as instituições republicanas e desqualificar e desmoralizar os mandatários legitimamente e legalmente eleitos pelo povo brasileiro, ainda mais quando a autoridade a ser combatida atua no campo da esquerda.
A imprensa alienígena e de caráter entreguista tergiversa, dissimula e distorce a verdade, os fatos e os acontecimentos. O faz em nome da liberdade de expressão e de imprensa, como forma de enganar os ingênuos, os desavisados, os ignaros, bem como se alia àqueles que se tornam seus cúmplices, pois eles sabem, até mesmo instintivamente, que a imprensa comercial combate os trabalhistas e a esquerda em geral.
Por causa disso compram o "barulho", os interesses da imprensa burguesa, por serem ideologicamente conservadores, a exemplo da classe média coxinha, que certamente compreende o que faz quando sai às ruas de forma "apolítica" e "apartidária", quebra e queima tudo o que está à sua frente, porque são contra "tudo o que está aí", frase assertiva que significa Lula, Dilma, PT, esquerda e trabalhistas.
Além disso, as manifestações desses indivíduos foram consideradas "pacíficas", palavra-chave usada pelos jornalistas da imprensa de negócios privados para amenizar a violência de quem cometeu violência e crimes, porque simplesmente para a mídia imperialista tais movimentos podem beneficiar os interesses políticos da oposição tucana, e, evidentemente, de seus patrões, proprietários, inclusive, de concessões públicas de meios de comunicação, como rádio e televisão.
A verdade é a seguinte: concessão pública de comunicação sem fiscalização é doação. A Constituição de 1988 regulamenta os meios de comunicação, mas até hoje artigos importantes da Carta Magna sobre esse assunto não foram regulamentados. E deu no que deu: empresários bilionários que não respeitam a ordem constitucional e que, mesmo a disfarçar seus caráteres golpistas por intermédio de opiniões de seus empregados escribas, odeiam a democracia e o estado democrático de direito. As seis famílias que controlam os meios de comunicação privados admiram mesmo o sistema de ditadura, se possível militar, como ocorreu no tempo de 1964 a 1985.
Eis que para o desgosto e preocupação dos barões da imprensa as multinacionais Siemens e Alstom resolvem fazer denúncias, pois enfrentam dificuldades judiciais em seus países de origem — a Alemanha e a França, bem como nos Estados Unidos. As denúncias de formação de cartéis para vencer licitações das obras do metrô de São Paulo atingiram os governadores Mário Covas (falecido), José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB. Os valores envolvidos são gigantescos (R$ 425 milhões) e mexem com o imaginário popular.
Os tucanos negam, como era de se esperar; e o governador Alckmin responde às acusações como se tivesse ensaiado na frente do espelho o que dizer para a grande imprensa, que, durante cerca de dez dias após as denúncias, resolveu dar o ar da graça e veicular alguma coisa sobre mais outro escândalo de políticos do PSDB, mas sempre dando voz ativa aos tucanos para eles darem explicações, bem como se defender, como o faz diariamente o governador Geraldo Alckmin, o ex-governador José Serra, o vereador Andrea Matarazzo, dentre outros que integram ou integraram os governos paulistas controlados pelo PSDB há 20 anos.
Aliás, a Rede Globo, diferentemente da Folha de S. Paulo, que, para a surpresa de muitos leitores tem colocado o dedo na ferida aberta, que atinge os interesses políticos da imprensa de mercado e do PSDB, tem buscado dar evidência negativa ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia vinculada ao Ministério da Justiça, que investiga a formação de cartel em licitações para a aquisição de equipamentos, construção e manutenção de linhas de metrôs e trens em São Paulo.
Para amenizar e distorcer as evidências noticiosas que pegam os tucanos com as mãos nas botijas, a Globo e jornais, a exemplo do Estadão, citam o Distrito Federal, onde o governador é do PT, para causar confusão ao público, bem como desqualificar as investigações do Cade e da Polícia Federal, ao repercutir e dar credibilidade às acusações de que o Cade se transformou na polícia política do PT, como já afirmaram, "espertamente", alguns jornalistas da imprensa alienígena e políticos ligados ao PSDB. Um absurdo e maledicência as acusações tucanas, porque o Cade é órgão do estado brasileiro, independente, e que investigou inúmeros casos ligados aos petistas, que estão não poder ao tempo de 11 anos.
Geraldo Alckmin solicitou ao Cade acesso aos processos, o que foi negado pelo órgão, evidentemente. A questão das denúncias da Siemens e da Alstom não se equivale a uma disputa política como quer fazer crer setores conservadores da imprensa privada e os políticos, empresários, secretários de estado e técnicos envolvidos com supostas corrupções e malfeitos conduzidos e efetivados por autoridades do PSDB.
A teoria conspiratória em que o PT é o conspirador é uma farsa, um embuste e que não vai colar, porque até a questão do Distrito Federal já foi "esquecida" pela imprensa dos barões, que correu atrás para tentar esvaziar mais um escândalo tucano, mas percebeu rapidamente que os malfeitos ocorridos no DF são relativos aos governos de Joaquim Roriz, senador que renunciou ao mandato para não ser cassado, e José Roberto Arruda, governador cassado, que ficou preso durante meses. Agnelo Queiroz, do PT, não teve quaisquer envolvimentos com a Alstom e a Siemens, tanto é verdade que as ilações contra ele pararam e seu nome saiu das manchetes.
O Ministério Público de São Paulo está a apurar os envolvidos nesse escândalo de R$ 425 milhões, de acordo com o Cade e o MP. Investiga-se supostos enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro público de autoridades paulistas. Os contratos firmados entre as multinacionais e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e o Metrô são da ordem de R$ 1,925 bilhão, ou seja, quase R$ 2 bilhões. Se a concorrência não fosse de cartas marcadas, os custos das obras e de manutenção seriam 30% menores, segundo os números repassados pela Siemens e também repercutidos pela "grande" imprensa.
O prejuízo para São Paulo e o contribuinte é de R$ 557 milhões, segundo documentos da empresa alemã. Enquanto isso, São Paulo e a capital oferecem um dos piores serviços de transportes do Brasil, com pouca oferta, sem competição empresarial e com os veículos (trens e metrô) abarrotados de cidadãos paulistas, paulistanos e brasileiros, que são carregados pior do que gado.
Até agora não se ouviu ainda com vigor o bordão "Vem pra rua"! E muito menos se leu ou se ouviu algum "especialista" de prateleira da Globo News, das televisões abertas ou jornalistas, comentaristas, colunistas e blogueiros a apagar o incêndio, que é esse escândalo, com gasolina. E foi, sem sombra de dúvida, que tais jornalistas e "especialistas" fizeram quando da ocupação das ruas pela classe média coxinha oportunista, que saiu às ruas a babar de ódio para contestar "tudo o que está aí", ou seja, a Dilma, o Lula, o PT e o governo trabalhista.
A verdade é que a quadrilha dos trilhos está a ser desvendada, porque a Siemens e a Alstom delataram autoridades dos sucessivos governos tucanos de São Paulo. Aliás, é salutar lembrar ou não esquecer: essas duas multinacionais também respondem a acusações, denúncias e são alvos de investigações em seus países de origem e nos Estados Unidos. Além disso, O Estadão revelou que o MP sabe que agentes públicos receberam subornos, que foram depositados em três empresas de offshore sediadas no Uruguai.
Contudo, insisto, a televisão aberta e principalmente a Globo tocam no assunto de forma tímida, o que, inegavelmente, não foi a postura jornalística que tiveram, por exemplo, com o PT, o Lula, a Dilma e principalmente com os petistas José Dirceu e José Genoíno nos últimos 11 anos. Não há termos de comparação; e até mesmo aqueles cidadãos que se tornam hidrofóbicos quando escutam ou leem as palavras socialista, trabalhista e petista hão de perceber que a imprensa de mercado tem lado, tem cor, tem ideologia, toma partido e combate a esquerda desde tempos idos,
Agem dessa forma sem ao menos se preocuparem em fazer jornalismo para toda a sociedade. Não se importam em ouvir os lados envolvidos, com o intuito de dar voz ativa a quem é alvo de denúncias, acusações e até mesmo de covardias, sendo que muitas delas previamente calculadas, pois tem o propósito de desconstruir aqueles que os donos do sistema midiático privado consideram os inimigos a serem derrotados ou destruídos.
Hoje, por exemplo, o Jornal Hoje, da TV Globo, cujos âncoras são os jornalistas Evaristo Costa e Sandra Annenberg, não tocou no assunto sobre a delação da Siemens e da Alscom ao Cade, que deixou as autoridades paulistas e tucanas em situação dificílima, pois acusadas de corrupção, que chega ao montante de R$ 425 milhões. É muito dinheiro em um só caso, que isto fique claro. O Jornal Hoje se dedicou a casos escabrosos relativos a crimes de sangue e roubo, a exemplo dos casos do garoto que supostamente matou quatro membros de sua família, sendo que dois são policiais; da menina Isabela Nardoni, morta pelo pai e madrasta, que estão presos há cinco anos; do Amarildo, que sumiu da Rocinha e policiais são acusados e investigados pelo sumiço; além do famoso caso do Trem Pagador, que teve como um de seus protagonistas o ladrão Ronald Biggs, que morou décadas no Brasil e roubou, em 1963, £$ 2,6 milhões.
Como se observa a Globo é um caso perdido de desfaçatez, incongruência, incoerência e péssimo jornalismo. Quer dizer que um escândalo dessa envergadura, que envolve duas multinacionais poderosas e europeias, políticos do PSDB paulista, que estão, indubitavelmente, entre os mais poderosos do País, além de liderarem a oposição aos governos trabalhistas, bem como atuam o poderoso Ministério Público de São Paulo e o Cade, do Ministério da Justiça, não é para a Globo assunto de pauta, relevante para a Nação e importante por causa dos indivíduos citados, dos valores monetários e das instituições envolvidas?
Então, a Globo (patrões, diretores e editores) em seu tradicional vespertino, o Jornal Hoje, "esquece" tal pauta ou faz política, às claras, na maior insensatez possível e, consequentemente, esconde um elefante debaixo da mesa e acha que ninguém vê e percebe o jornalismo partidário e ideológico que essa televisão de concessão pública apresenta para o povo brasileiro? A realidade é que essa empresa privada vive em um mundo surreal, onde ela determina que seus interesses e de seus aliados estão acima dos interesses do Brasil e dos 200 milhões de brasileiros que lutam dia a dia para terem acesso a uma vida de melhor qualidade.
O que é a Globo? Um estado dentro do estado nacional? Como pode uma empresa privada fazer a vez da oposição e mesmo assim as autoridades constituídas não fazem nada a respeito disso? Artigos da Constituição de 1988 até hoje não foram regulamentados e que dispõem sobre o marco regulatório foram "esquecidos" por quem tem a obrigação constitucional de regulamentá-los, como o Governo Federal e a sua bancada no Congresso Nacional. A Siemens e a Alstom querem se livrar de seus processos em diversos países e de inúmeros esqueletos guardados em seus armários. E vários desses esqueletos tem os DNA e as digitais dos tucanos, apesar dos rodeios e subterfúgios das Organizações(?) Globo e da imprensa em geral. A Globo acha o povo bobo. É isso aí.
Davis Sena Filho
No 247
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