6 de ago de 2013

Plano contra a saúde

O tal Elano Rodrigues Figueiredo, antes 
de içado à ANS, advogava em causas 
contra pagadores de planos
http://www.exercitando.com.br/concursos/wp-content/uploads/2013/03/ANS.jpg 
Até que não fica mal, se considerados os desserviços da ANS aos pagadores de planos de saúde, que sua presidência seja entregue a alguém com histórico de ligação profissional às empresas de planos. Mas, para ganhar o cargo na Agência Nacional de Saúde Suplementar, o tal Elano Rodrigues Figueiredo não precisava tapear os senadores que o sabatinaram, surripiando do currículo pessoal o dado mais significativo, aquela ligação. Mesmo para a ANS sua deficiência moral tornou urgente a demissão pelo governo ou a anulação da sabatina no Senado, para salvar as caras nos dois lugares, já que a sua não o conseguiria.
Os 45 milhões de trouxas pendentes de um plano de saúde sabemos que, agora mesmo, a ANS concedeu às empresas de planos o aumento de 9% nas nossas mensalidades. Ou 50% acima do pico em que a inflação está. E, concomitante com uma coisa e outra, o Fluminense trocou de técnico.
Os planos, vê-se, estavam mesmo precisando que a ANS lhe dessem mais um aumento acima da inflação e, claro, do aumento dos salários e dos vencimentos no serviço público. Necessidade, por exemplo, da Unimed. Como o presidente da Unimed é apaixonado pelo Fluminense, os mais caros jogadores do time não custam ao Fluminense, custam aos cofres da Unimed. Nem o técnico pôde ser o preferido do presidente do clube, foi contratado quem o presidente da Unimed há tempos desejava. O elenco de jogadores é dividido entre os que ganham salários fortunosos e os recebem em dia - o chamado "time da Unimed" - e os que vivem no pendura dos salários atrasados.
Não por acaso, o tal Elano Rodrigues Figueiredo, antes de içado à presidência da ANS, já era diretor da agência, partícipe nas decisões sobre aumentos das mensalidades. E, antes desse cargo, advogava em causas contra pagadores de planos e contra a ANS mesma. Na condição de advogado da Unimed.
Mas como alguém com um histórico desses se torna diretor da agência que deveria regular os planos de saúde, para proteger quem os paga? E como alguém assim é indicado pela Presidência da República à aprovação do Senado e, aí aprovado por unanimidade, é nomeado presidente da agência? E como a Casa Civil da Presidência da República encaminha ao exame do Senado um currículo ilusório? E de onde surgiu ou de quem surgiu a indicação de tal tipo à Presidência da República?
A Agência Nacional de Saúde Suplementar é um caso de polícia, mas para investigar não só a ela: a seu respeito, é evidente que o caso de polícia se estende até à Presidência da República. Para descobrir, também, e informar aos pagadores de planos de saúde, qual é a moralidade administrativa existente em uma agência com metade dos diretores historicamente ligados ao que devem vigiar e controlar.
Janio de Freitas
No fAlha
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Ibope-OAB: 85% querem reforma política

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78% são contra o financiamento privado de campanhas; 90% pedem punições mais rigorosas contra prática de caixa-dois; 56% são a favor do voto em lista, contra 38% favoráveis à maneira atual, no nome do candidato; demandas prioritárias são, pela ordem, saúde, educação e controle de gastos; instituto entrevistou 1.500 pessoas em todo o país de 27 a 30 de julho; pesquisa foi apresentada nesta terça-feira (6) pelo presidente do Conselho Federal, Marcus Vinicius Furtado, e pelo presidente da OAB-Goiás, Henrique Tibúrcio
Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (6) pelo Conselho Federal da OAB revela que 85% dos entrevistados são favoráveis à reforma política e que 92% dos entrevistados são a favor de projeto de lei nesse sentido por iniciativa popular.
A ordem encabeça o Comitê de Reforma Política criado em junho junto a diversas instituições da sociedade civil para coletar em todo o País assinaturas em favor do projeto de lei de iniciativa popular.
A pesquisa foi apresentada pelo presidente do Conselho Federal, Marcus Vinicius Furtado. O presidente da OAB-GO, Henrique Tibúrcio, representou as seccionais da OAB no evento.
Quanto ao financiamento de campanha, 78% dos entrevistados se posicionaram contra a participação de empresas nas campanhas. Noventa por cento opinaram pediram punições mais rigorosas contra a prática de “caixa-dois”.
A pesquisa quis saber, também, qual o melhor modelo para eleger deputados, ficando 56% a favor de mudanças e pela instituição do voto em lista (lista e propostas de candidatos), contra 38% favoráveis à maneira atual, no nome do candidato. Dentre os temas prioritários de propostas, os entrevistados elegeram saúde em primeiro lugar, seguido por educação e controle de gastos do governo.
"Não tenho dúvida de que à medida que aumentar o número de assinaturas o Congresso Nacional sentirá a necessidade de atender a sociedade, com já vem fazendo desde que o povo foi às ruas", afirmou Tibúrcio.
O coordenador do Comitê da Reforma Política em Goiás e secretário-geral da OAB-GO, Julio Meirelles, explica que o projeto de lei proposto pela OAB tem como principais propostas mudanças no financiamento de campanha e no formato da eleição proporcional. "É preciso discutir a eleição dos parlamentares, que sofrem uma grande crise de representatividade", afirmou.
O Ibope entrevistou 1.500 pessoas em todo o país de 27 a 30 de julho. A íntegra da pesquisa está aqui. (pdf)
No 247
Considerações Finais
  • Parcela significativa da população se posiciona como sendo favorável à realização da Reforma Política, acreditando que ela já deve valer para as próximas eleições. Nota-se um desejo de participação popular neste processo, o que é revelado pela favorabilidade da realização da Reforma por meio de Projeto de Lei de Iniciativa Popular.
  • As medidas apresentadas referentes à Reforma Política têm adesão de mais da metade dos entrevistados.
  • Sobre a maneira como é realizado o financiamento das campanhas eleitorais, a população se mostra contrária à permissão de doações a partidos e candidatos realizadas por empresas privadas.
  • Ainda sobre este tema, 8 a cada 10 entrevistados acreditam que deveria haver um limite máximo para o financiamento público de campanhas.
  • A mudança da maneira de eleger os deputados ganha adesão de mais da metade da população, de forma mais expressiva entre os mais jovens e mais escolarizados. Trata-se da medida que tem menor adesão da população dentre as pautas apresentadas.
  • Caso se passasse a eleger propostas em vez de candidatos, o tema que mais receberia votos seria a saúde, citada por cerca de 8 a cada 10 entrevistados. Em segundo lugar, aparece a educação, mencionada por 2/3 da população.
  • Vale apontar a diferença de perfil entre os que mais mencionam estes temas: a saúde é mais citada pelos menos escolarizados e com menor renda familiar, enquanto a educação é vista como sendo mais prioritária para aqueles com maior renda familiar e maior escolaridade.
  • Em relação às manifestações populares que vem ocorrendo nas últimas semanas, a maioria da população é favorável, principalmente os entrevistados das capitais, mais jovens, mais escolarizados e com maior renda familiar. Os dois sentimentos que mais teriam motivado as manifestações seriam a revolta e a sensação de abandono, de acordo com os entrevistados.
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Valor da cesta básica desaba. Preço do tomate cai 41%

De que vai ser o colar da Ana Maria Braga?
“A Ana Maria vai usar um vagão de metrô pendurado no pescoço”
— Gilberto Silva
Esse post reproduzido do Blog do Planalto é uma singela homenagem ao Farol de Alexandria, ao Cerra (entalado no propinoduto e pendurado no pescoço do Matarazzo), ao Aécio, ao Eduardo Campriles e à Urubologa, a turma do quanto melhor para a Dilma pior para mim:

Preço da cesta básica cai em 18 capitais no mês de julho

O preço da cesta básica caiu no mês de julho em todas as 18 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A última vez em que houve recuo no preço da cesta básica em todas as capitais pesquisadas foi em maio de 2007, quando o levantamento era realizado em 16 cidades.
De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada nesta terça-feira (6) pelo Dieese, as retrações mais significativas em julho foram registradas em Brasília (-8,86%), Florianópolis (-7,61%), Porto Alegre (-7,06%) e Goiânia (-7,00%). As menores variações ocorreram em Salvador (-0,18%), Vitória (-1,55%) e Manaus (-1,82%).
Em julho, os preços dos produtos alimentícios essenciais mostraram predomínio de queda na maioria das capitais. O tomate, por exemplo, teve redução nas 18 localidades pesquisadas. No Rio, a redução no preço do tomate foi de 40,71%; em Belo Horizonte, de 40,82%; em Porto Alegre, de 45,63%; em Goiânia, de 46,93%; e em Brasília, 56,81%.
O preço do óleo de soja diminuiu, em julho, em 15 localidades. As quedas mais expressivas verificaram-se em Campo Grande (-11,41%), Salvador (-7,24%), Goiânia (-5,66%) e São Paulo (-5,21%). O açúcar apresentou recuo em 12 cidades, os mais significativos em Campo Grande (-7,74%) e Vitória (-7,01%).
O feijão teve queda em seu preço em 12 capitais, as mais expressivas registradas em Goiânia (-9,77%), Recife (-6,93%), Fortaleza (-6,70%) e São Paulo (-6,35%). Onze cidades apresentaram queda no preço do arroz em julho, sendo as mais significativas em Aracaju (-7,08%), Campo Grande (-4,93%) e Florianópolis (-4,58%).
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#SomosTodosNinjas responde a Chico Otávio

http://blogs.ne10.uol.com.br/mundobit/files/2013/07/ninja.png 
Segue o texto do fotógrafo Rafael Vilela, membro do coletivo Fora do Eixo e do Mídia Ninja.
Querem criticar a nova midia, mas não tem o minimo cuidado de pesquisar sobre quem e o que estão falando. E depois ainda querem falar de imparcialidade e apuro jornalístico. Esta é a grande mídia brasileira. Não sei se rio ou se choro.
A matéria do Jornal O Globo, intitulada "Os Ninjam querem verba oficial pra sobreviver" do jornalista Chico Octavio é a prova real de como os grandes veículos de comunicação radicados no Rio de Janeiro e São Paulo perderam a capacidade de conexão com a realidade e as rápidas mudanças que tem vivido a sociedade brasileira.
Comecemos pelos detalhes: Chamar o Fora do Eixo de Ong Paulista, depois de se referir a falas de Pablo Capilé é no mínimo constrangedor. Qualquer formador de opinião, de uma cidade brasileira com mais de 50 mil habitantes sabe que o Fora do Eixo é uma rede de coletivos que surge a partir da experiência exitosa do Espaço Cubo, de Cuiabá, de onde saiu Pablo, depois de viver 31 de seus 34 anos. A rede que iniciou suas atividades no final de 2005, chegou a cidade de São Paulo em 2011, quando já tinha mais de 100 coletivos espalhados por todas as cidades brasileiras e países da América Latina. De forma descuidada, o jornalista evidencia a forma umbilical e egocêntrica que normalmente os fenômenos de periferia são tratados pelo mainstream jornalístico brasileiro. É assim com a Favela, é assim com Lula e é assim com o Fora do Eixo. Onde será que estes jornalistas e editores estiveram nos últimos 10 anos?
A tratar a questão das novas mídias a partir de uma lógica protecionista, o que se vê novamente é uma tentativa descarada de descredibilizar o novo, ao invés de encara-lo como fato. Ao ser tratado como ameaça, justamente porque ajuda a desnudar a ausência de imparcialidade e o papel de mantenedor do status quo estampado em suas manchetes diárias, o jornalismo forjado nas redações do século XX, acaba por abrir espaço para a ampliação ainda maior do fosso entre noticia e a realidade. Não perceber que as novas tecnologias servem justamente para retirar máscaras e ampliar protagonismo e reflexão critica é esquecer dos fatos em nome dos interesses. É abandonar o jornalismo em nome de seu negócio. É assumir um lado, de forma velada e por isso constrangida. Ao contrário, os Ninjas, não tem o que velar, e podem ao invés de acender velas para os velhos e moribundos modelos de jornalismo, festejar a chama viva da transparência que redimensiona toda a discussão. Sim, caro Chico Octavio, Julian Assange é o novo Jimi Hendrix!
Afinal de contas, a matéria é realizada a partir de uma reunião aberta, que durou mais de 3 horas, e contou com mais de 100 pessoas, que discutiram dezenas de temas, entre eles alternativas e formas de sustentabilidade. Ela também foi transmitida ao vivo, com mais milhares de pessoas acompanhando online, e seu conteúdo segue disponível para ser assistido. Armazenado online, ele não vai virar embrulho de peixe ou assoalho de carro. Taí talvez, a grande questão a debatida numa matéria que se propõe discutir as novas mídias e as mudanças na comunicação e no jornalismo no século XXI deveria ser:
Onde você prefere formar sua opinião? Na matéria filtrada pelos interesses de uma grande indústria em decadência, ou a partir do conteúdo integral e transparente disponibilizado pelos próprios agentes do processo?
É amigos, pelo visto a coisa tá ficando estreita e os recibos estão sendo passados. Faça suas escolhas e forme sua opinião! #SomosTodosNinjas
Carlos Carvalho
No Advivo
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Do Tijolaço à Ombudswoman da Folha, em memória de Katharine Graham

Prezada Suzana Singer,
Como este blog foi citado em sua coluna dominical na Folha, tomo a liberdade de oferecer algumas ponderações sobre o que aqui dissemos sobre o jornal onde a senhora trabalha ter criado a figura do “corrupto sem corruptor” e que isto estaria alimentando os “guerrilheiros cibernéticos” em suas críticas.
Eu procurei corrigir a sua citação, porque o que dissera, sobre o caso Siemens-Alston, é que a Folha criara a “corrupção sem corrupto“, pela relutância em ligar os contratos superfaturados  com os contratantes do Governo de São Paulo, todos tucanos.
Mas, com a calma que nos permite a passagem de algumas horas, vejo que a resposta que dei, apesar de correta, é incompleta.
A senhora também está correta, porque a Folha parece ter inventado a corrupção sem corruptor, como constava de seu texto.
Refiro-me a um tema que, certamente, vai merecer sua crítica interna, honesta e corajosa como é.
Falo do caso da sonegação de impostos pela Globopar, holding das Organizações Globo.
A sonegação e o valor de seu sancionamento pela Receita são fatos, tanto que a Folha, embora com atraso de uma semana, os publicou.
Depois, também com imenso retardo, também veiculou a condenação de Cristina Maris Meinick Ribeiro pelo sumiço criminoso do processo global. Outro fato, não ilação.
Ora, até as pedras sabem que a D. Cristina não terá surrupiado o uma processo de R$ 615 milhões para usar aquele cartapácio como calço para algum armário perneta, não é?
A partir de dois fatos, cuja conexão é mais que evidente, por que o jornal – que dispõe de uma numerosa e competente equipe de repórteres – não apurou?
Por que os promotores do caso não foram ouvidos para explicarem porque não houve a quebra do sigilo fiscal e telefônico de D. Cristina?
Por que a Globo, ao contrário das demais empresas envolvidas, não foi investigada, até porque, apensada ao processo de sonegação, desapareceu com ele uma representação para fins penais?
Nada isso está coberto por sigilo fiscal, faz parte de um processo criminal, público.
Quanto ao que estaria coberto por tal sigilo – e sigilo, pela lei, não cobre atos de crime contra o Fisco – permita que lhe recorde uma história que, ontem, a venda do The Washington Post – comprado na bacia das almas pelo dono da Amazon, num marco simbólico como poucos da decadência e morte da mídia impressa – inevitavelmente evoca.
Dois repórteres só revelaram o maior escândalo da política americana porque tiveram o apoio corajoso de um editor, Ben Bradlee, e a decisão firme da dona do jornal, Katharine Graham, de “bancar” o que os jornalistas apuravam.
Como certamente sabe, Graham não era uma intelectual, apesar de formada em jornalismo. Teve uma vida de dona de casa até o suicídio do marido, Philip Graham, que administrava o jornal da família. No comando do jornal, passou a apoiar seus editores e repórteres.
Em 71, antes de Watergate, portanto,  o jornal foi impedido pela Justiça de publicar os papéis secretos do Pentágono sobre a Guerra do Vietnã.
Graham contou  o que fez:
“Engoli em seco e mandei ir adiante, vamos publicar.”
O The Washington Post foi processado por isso. Mas o jornal – e a liberdade de imprensa – venceram na Suprema Corte americana, porque o interesse público, sim, este é o sagrado.
Com o devido respeito e certo de sua concordância, o papel do jornalista não é publicar press-releases ou decisões judiciais já tomadas.
É, diante de indícios, ousadamente investigar e publicar o que disso resulta.
É certo que não desonra qualquer profissional ser “furado”. É da profissão, ainda mais nestes tempos em que cada cidadão, graças à internet, pode revelar publicamente aquilo que chega ao seu conhecimento.
Mas, igualmente nisso confio que seja o seu pensar, não investigar o que vem a público e é interesse público – tal como são R$ 615 milhões e um crime de supressão de processo fiscal – é omissão, para dizer o mínimo.
D. Cristina Maris Meinick Ribeiro tornou-se, assim, a corrupta sem corruptor, dando razão à sua observação sobre o parco talento da frase atribuída deste blog.
Que não foi essa, mas bem que poderia ter sido.
Como, quem sabe, um dia tenhamos um Katharine Graham no jornalismo brasileiro.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Alckmin: "Eu não vi essa matéria, não li em nenhum lugar. Vou procurar me informar"

 Jornal da Record 
 publicado em 14/02/2011 às 22h05 

Multinacionais estariam envolvidas em esquema de propina

A alemã Siemens e a francesa Alstom, empresas que venceram licitações públicas para realizar as obras do metrô paulistano e brasiliense, são suspeitas do pagamento de propinas e favorecimento em esquemas que envolvem offshores sediados no Uruguai e a CPTM paulistana.
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O enigma das pirâmides no Brasil

http://mestredossites.com.br/wp-content/uploads/2013/07/piramides-financeiras.jpg 
O episódio da Telexfree e, mais recentemente, a prisão do dirigente de mais uma pirâmide econômica, a Priples, extrapolam uma simples questão de crime financeiro que deverá ser tratada com rigor pela Polícia Federal.
Se tivermos a oportunidade de participar das reuniões destes grupos, de conversar com os seus participantes, se indagarmos boa parte daqueles que, por diversos motivos, concordam em participar de esquemas financeiros como estes, vamos nos surpreender com os resultados.
A melhoria generalizada das condições de vida, o ingresso de uma grande parte da população — que durante anos permaneceu às margens — do mercado consumidor, revela problemáticas associadas com o crescimento de fraudes financeiras, a adesão a jogos de azar e, principalmente, ao consumismo desenfreado.
A transformação das pessoas em consumidores, o acesso à energia elétrica através do programa Luz para Todos, a disseminação do crédito e das empresas de empréstimo, a internet cada vez mais presente nas pequenas cidades, são fatores que deixaram uma gigantesca parcela da população brasileira diante de um dos elementos mais poderosos do capitalismo: a pressão para o consumo.
Estamos diante de um complicado enigma.
É, sem sombra de dúvida, melhor que todos tenham uma renda mínima. Que seja assegurado o acesso às condições materiais dignas para todos. Entretanto, se este processo não vier acompanhado de uma maior formatação intelectual e a disseminação de uma educação crítica, poderemos produzir uma situação no mínimo desesperadora.
As exigências de portar celulares, roupas, carros e de consumir determinados tipos de bebidas alcoólicas, que não apenas são vistas como de “elite” ou de “rico”, mas que chegam a determinar a aceitação social e a lógica do desejo entre parcelas da população — em especial, os adolescentes — e isto de modo totalmente acrítico, poderá se converter em um impulso de desespero, de querer “virar a mesa” da noite para o dia, de “tirar a sorte grande”, etc.
Destituídas, por uma educação deficiente, de mecanismos críticos de percepção da realidade social, esses consumidores desesperados precisam, e rápido, de dinheiro para poder consumir. Eles já sabem intuitivamente que estudar não vai garantir “subir na vida”.
A situação é ainda mais absurda pois não se trata de ter uma vida econômica média de um europeu ou norte-americano. De ter uma casa simples, um carro econômico e de economizar bastante para poder viajar e comprar coisas mais caras.
Não, os parâmetros de consumo são pautados pela mídia perversa e pelas redes sociais que apresentam padrões de consumo e disputas simbólicas que beiram a guerra sangrenta.
A roupa comprada em determinada grife, a refeição realizada em restaurante recomendado, a presença em determinadas badaladas “prive”, rapidamente ganham a rede por fotos e mensagens e em questão de poucos minutos sabe-se o que deve ser consumido e onde deveríamos estar para “estar bem na fita”.
A vida dos jogadores de futebol e das dançarinas seminuas dos programas de auditório tornou-se o modelo destes novos consumidores. Um padrão econômico, bem o sabemos, impossível de ser atingido pelos meios “normais”, pela formação escolar e pelo trabalho assalariado.
Daí aquele desespero de ter dinheiro rápido e à qualquer custo. Aderir às fraudes das pirâmides financeiras não é somente um problema de falta de cautela pessoal, é consequência de uma condição onde cada vez mais há um descompasso entre as expectativas econômicas de consumo e as condições reais de satisfação.
Leonardo F. Nascimento, doutorando em Sociologia – IESP/UERJ
No Viomundo
http://blog.andersonferro.com.br/wp-content/uploads/2012/06/Como-Nascem-e-Desabam-as-Pir%C3%A2mides-Financeiras.jpg
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Charge online - Bessinha - # 1881

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Hiroshima & Nagasaki

Latuff
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Não nos impressionemos com o discurso catastrofista de FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreve de novo no Estadão nesse fim de semana – estranho que Lula não seja convidado para escrever – , agora chamando as oposições às falas, constrói seu discurso terra arrasada: Lula e o PT não fizeram nada, atrasaram o Brasil, são geiselianos...
Mas na própria imprensa está a resposta: em dez anos, de 2000 a 2010, a desigualdade em 80% dos municípios caiu, revertendo a tendência histórica de aumentar. Na década anterior, a desigualdade medida pelo índice de Gini aumentara em 58% das cidades brasileiras.
Já de 2000 a 2010, o rendimento domiciliar per capita cresceu 63% acima da inflação, na média dos 5.565 municípios. Ou seja, a desigualdade caiu enquanto a renda geral subiu.
Assim, nãos nos impressionemos com o discurso catastrofista e antipetista do ex-presidente, uma tentativa torpe de sequestrar as ruas e construir uma narrativa favorável a seus desígnios eleitorais.
Contradições
Dizer que demos mais dinheiro para os ricos – logo ele, o presidente dos ricos e das elites – é o que as pesquisas dizem dele e de seu partido; falar em corrupção e transparência quando nos governos tucanos de São Paulo, nos vinte anos, um mar de lama corria nas linhas do metrô e dos trens; falar em mensalão – e o mais grave, insinuar, não teve coragem de dizer diretamente que faltaria Lula no processo –, quando os tucanos criaram todo o esquema em Minas Gerais de caixa dois na eleição de Eduardo Azeredo em 1998.
É total e absoluta falta de transparência e propósitos. Sem se esquecer dos governos tucanos em matéria de transportes, saúde e segurança. Esta nem se fale. Em São Paulo, a Polícia Militar só serve para massacrar pobres nas periferias e jovens nas manifestações. Quando se trata de bandidos, fica escondidinha nos quartéis e gabinetes, nem os presídios o governo tucano paulista controla.
FHC melhor faria se aconselhasse seus governadores, empregaria bem seu tempo de ócio.
ZéDirceu
No Justiceira de esquerda
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Mervalices

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Cagaço & Contorcionismo Literário

Leiam, com calma, por favor, este trecho pinçado da sempre interminável coluna de Merval, o imortal, publicada hoje em O Globo:
"O pior dos mundos para a democracia seria ficar provado o que os petistas chapas-brancas já dão como certo nos blogs e noticiários oficiais: que o esquema (de cartel nas licitações de obras do metrô em SP) seria uma espécie de irrigação permanente de dinheiro ilegal para as campanhas eleitorais dos tucanos desde o governo Covas."
Então, se ficar provado que havia um esquema de irrigação permanente de dinheiro ilegal nas campanhas dos tucanos, nos últimos 15 anos, será o pior dos mundos para a DEMOCRACIA??
Então, denunciar um esquema desses é ser "petista chapa-branca"?
Isso, meus caros, demonstra o grau de descolamento da realidade de muitos do colunistas da velha mídia, esta que aponta o dedo para os "chapa-branca" para esconder uma vida toda de adesismo ao que há de pior, mais retrógrado, atrasado e reacionário na política brasileira.
Repito: o Trenzalão Tucano vai levar toda essa gente para o fosso. Inclusive os arrivistas de fardão.
* * *

Lama quase no bico

"O objetivo principal dos integrantes do Ministério Público Estadual (MPE) é apurar o suposto enriquecimento ilícito de agentes públicos e improbidade administrativa ocorrida antes e durante a execução dos contratos".
"Agentes públicos"?
Hahahahahaha! O UOL e o Estadão tucanaram os tucanos!
Imagine se os governadores envolvidos não fossem Covas, Alckmin e Serra, mas Lula, Dirceu e Genoíno.
"Agentes públicos" virariam "quadrilha petista" em meio tempo.
Esse Trensalão vai levar essa velha mídia para o fosso junto com seus patrocinadores.
 * * *

Eis que Merval mudou...

Merval Pereira afirmou hoje que lamenta as denúncias contra o PSDB: "É uma pena se ficar comprovado o desvio de dinheiro (na ordem de 577 milhões de reais, ao longo de 15 anos) por parte de governos paulistas".
Sim, Merval, é uma pena. Não para o partido, mas para o Estado de São Paulo.
Mas, ao contrário do "antigo" Merval, que pré-julgava e pré-condenava, concordo com o "novo" Merval que é melhor esperar as apurações. É melhor mesmo. Tomar como certo algo que está em investigação é tão estúpido como acreditar numa capa da Veja (que aliás, só dedicou cinco linhas ao caso, na coluna do Radar...).
Portanto, gente assanhada, segura sua onda! Não é bom repetir os erros que tanto criticamos. Há fortes indícios, mas é preciso esperar as conclusões. E, se houver acusados, os julgamentos. E, se houver culpados, as condenações.
Também não acreditem muito em "domínio do fato". Não. Não é certo que Covas, Serra e Alckimin tenham enchido os bolsos, mesmo se ficar comprovado o tucanoduto. Mas voltemos ao nobre jornalista.
Merval realmente mudou. Um dia tinha que mudar. Afinal, as pessoas devem aprender com seus erros. E ele sabe do que está falando, afinal foi o repórter que incriminou o líder comunitário, que apareceu ao lado de Leonel Brizola. Na época, o rapaz foi chamado de traficante - o que custou ao Globo um dos poucos duplos direitos de resposta em primeira página na história da imprensa brasileira.
A propósito: o nobre jornalista tem um consolo. O tucanoduto pode ser nove vezes maior do que o montante atribuído ao mensalão. Mas ainda não chegou à quantia sonegada pela Rede Globo: 650 milhões. Está perto. Mas a Globo continua líder.
Parece mesmo imbatível.
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Abril: jornalismo a serviço dos próprios negócios

http://2.bp.blogspot.com/_27zNySxzM7I/TCU5lhhIObI/AAAAAAAABN0/cN993-7o3PI/s320/jornalista.jpg 
Em setembro do ano passado, a Veja dedicou matéria extensa ao dono do grupo Ometz. O empresário paranaense Flávio Augusto foi incensado como um gênio do setor de cursos de idioma (Wise up, You Move, Lexical, etc.). Quatro meses depois, a Abril fecharia a compra do grupo. É evidente que as negociações já estavam em curso. A matéria era uma campanha publicitária apenas.
Traduzindo: a Abril pôs jornalistas para trabalhar para negócios da empresa. Isso não é novidade, mas nem por isso é menos grave do ponto de vista ético. Nos anos 80, uma greve de jornalistas do Washington Post serviu para mostrar aos patrões que os profissionais de redação não estavam ali para fazerem "informes publicitários". É que tinham sido escalado, sem qualquer aviso, para cobrir a inauguração de um clube, que, depois se descobriu, pertenceria aos proprietários do jornal.
Observação 1. Um detalhe chama a atenção: em junho circulou um vídeo de uma suposta organização ou movimento denominado "Change Brazil", que pretendia "sujar o nome do Brasil no exterior" (nas palavras de Silvio Roberto Maia Junior, o apresentador!). O vídeo, em inglês, pedia ajuda internacional "contra o regime de opressão vivido no país".
Pois é. O vídeo foi gravado possivelmente nos estúdios do grupo Ometz (há um padrão, um design visual típico da Mindsetfilms, e o locutor é professor da rede!). Como se pode ver, era uma campanha da Abril, na verdade. Porque a Ometz já pertencia aos Civitas.
Observação II. Anglo, PH, SER - produtora de apostilados para ENEM e ensino básico, Maxi, sistema de ensino, são alguns dos empreendimentos da Abril Educação. Que está sendo processada por embolsar 650 mil reais e não cumprir um contrato com a Secretaria de Educação de São Paulo, no governo Kassab. Em resumo: o setor de negócios muda; mas o padrão ético não.
Weden Alves
No SQN
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Mais um escândalo tucano

 
Empresas apontam direcionamento em edital do Instituto de Pesos e Medidas que prevê gastos de até R$ 62,5 milhões para compra de móveis; órgão diz que processo é legal
Está em curso no Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo (Ipem), autarquia do governo paulista, uma controversa licitação para aquisição de mobiliário pela qual o órgão se propõe a pagar até R$ 62,5 milhões, dos quais apenas R$ 1 milhão se refere a móveis para o próprio Ipem. Duas das maiores empresas do setor de mobiliário corporativo apresentaram impugnações ao edital, no qual veem direcionamento para uma concorrente. A associação de empresas do setor também questionou o edital, alegando que ele contém restrições que impedem a ampla concorrência.
Em avaliação preliminar, o Ministério Público de Contas do Estado argumenta que "o detalhamento das especificações técnicas exigidas no edital pode indicar eventual direcionamento". Vai ser instaurado um procedimento para apurar possíveis irregularidades.
O valor que o Ipem está disposto a pagar pelo mobiliário corresponde a cerca de metade de seu orçamento para 2013, de R$ 129 milhões. A autarquia, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça, segundo o governo, também vai adquirir móveis para outros 18 órgãos estaduais, entre eles alguns com orçamento muito superior ao do Ipem, como a Secretaria de Educação - ao serem alertadas pelo Ipem da abertura de licitação, os órgãos decidiram embarcar junto.
Ao contrário de licitações similares feitas anteriormente por outros órgãos do governo, o edital não especifica que a licitação não é apenas para o Ipem.
Um detalhe do edital desperta a suspeita de que a concorrência está dirigida: é que o item 12, dos 80 diferentes tipos de objetos que serão adquiridos leva a seguinte inscrição: "MESA GABINETE (linha Z) - 2.400 X 2.800 X 730 mm".
Linha Z, apontam as concorrentes Giroflex e Artline, é uma das linhas de mobiliário da empresa Marelli Móveis, justamente a que está vencendo o pregão. Ela ofertou o menor valor até agora, R$ 53 milhões, somados os dois lotes da concorrência.
O item 12 é o único que tem alguma especificação do tipo "linha Z". Os demais apenas levam a descrição do objeto, como "divisória de mesa" e "mesa de reunião oval", com as respectivas medidas.
Em decisão administrativa, o superintendente do Ipem, Alexandre Modonezi, rejeitou a impugnação alegando que "o fato de constar Linha Z no edital é uma mera casualidade, pois como se usou 'Z', poderia ter sido exemplificado com 'X', 'Y'... o que de forma alguma tem o propósito de direcionamento".
Certificação
A Associação Brasileira do Mobiliário Corporativo (Abramco) impugnou o edital por considerar que a exigência de que o fornecedor tenha certificações ambientais baseadas em duas normas específicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) "restringe a competitividade do certame". Nove empresas do setor possuem a certificação. A Abramco tem 15 associados, entre eles a Giroflex.
"Nunca vi essa solicitação em outros processos", afirma Maurício Pereira, diretor da Abramco e empresário do setor. Ele diz estranhar o volume da compra e o dizer "linha Z". "Minha empresa nem participou por estranhar o que acontece."
O TCE rejeitou o pedido da Abramco de que o edital fosse suspenso afirmando não haver ilegalidade na exigência.
Volume
Com 700 funcionários na ativa, o Ipem vai comprar 4,5 mil cadeiras giratórias, 1,1 mil suportes para CPU, 4 mil gaveteiros volantes, 4 mil armários e 300 sofás. A prática de comprar para outros órgãos é defendida pelo argumento de que permite que o governo compre por menores preços devido à escala. É permitida pelo Tribunal de Contas do Estado, desde que os demais adiram à licitação antes que o edital vá à praça.
Porém, integrantes do TCE disseram à reportagem do jornal Estadão estranhar que uma licitação desse vulto, que envolve 19 órgãos estaduais, seja feita por uma pequena autarquia como o Ipem, e não pelo próprio governo.
Apuração
O procurador de contas Thiago Pinheiro Lima afirmou, em nota, que o órgão "irá instaurar procedimento para apurar as irregularidades noticiadas no registro de preços".
Segundo Pinheiro Lima, "em juízo preliminar, o quantitativo descrito no edital comparado com a estrutura e orçamento do Instituto requer maiores esclarecimentos" pelo Ipem.
O procurador também questionará a modalidade de registro de preços, geralmente utilizada apenas para compra de produtos cujas quantidades podem variar ao longo do período de um ano, como alimentos da merenda escolar, por exemplo.
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Condenação, sem julgamento

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Charge online - Bessinha - # 1880

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Esquema Siemens também operou em administração de tucano mineiro

 
Empresário acusou a ECT de superfaturamento de R$ 48 milhões em licitação promovida no governo FHC tendo como ministro Pimenta da Veiga
Em meio ao escândalo do chamado propinoduto tucano, denunciado pela Siemens, empresas fornecedoras de equipamentos e de serviços em trens e metrô nas gestões Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin que superfaturaram R$ 577 milhões, o equivalente a 30% a mais do que os governos pagariam se não houvesse esquema, outros casos envolvendo a empresa igualmente estão sendo investigados, mas ainda permanecem ofuscados.
Até 2005, repousou em uma gaveta do empresário catarinense Edson Maurício Brockveld um envelope lacrado de papel pardo. Em uma das faces do invólucro estão registradas cinco assinaturas de membros da Comissão Especial de Licitação dos Correios. Dentro, segundo ele, está à prova de que a corrupção na ECT começou, ou tinha prosseguimento, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso.
Dono da Brockveld Equipamentos e Indústria Ltda., o empresário esperou até 2005, ocasião da CPMI dos Correios para abrir publicamente o envelope. Seu objetivo era provar ter sido preterido em uma concorrência, em 2000, em favor de duas empresas estrangeiras, a alemã Siemens e a francesa Alstom, ambas com propostas supostamente superfaturadas.
Brockveld alega ter calculado em R$ 48 milhões o contrato de compra de equipamentos de movimentação e triagem de carga interna oferecido à ECT. A dupla vencedora cobrou quase o dobro. De quebra, diz o empresário, as escolhidas passaram a gerenciar outros três contratos no valor de US$ 100 milhões (R$ 230 milhões).
Em 22 de dezembro de 1999, a ECT abriu a concorrência internacional 016/99 para compra e manipulação de equipamentos de sistemas de movimentação e triagem interna de carga. Interessado no negócio, Edson Brockveld conta que, nos dois anos anteriores à licitação, desenvolveu, junto ao setor de engenharia dos Correios, diversos equipamentos e realizou testes em parceria com as empresas Portec e Buschman, ambas dos Estados Unidos.
Segundo ele, a pedido da diretoria da ECT, a Brockveld Equipamentos chegou a trazer engenheiros americanos para fazer as demonstrações e, assim, ganhar a confiança da direção da estatal. O presidente da empresa era Hassan Gebrin, ligado aos grupos políticos do então governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), e do ex-senador e ex-governador também do Distrito Federal José Roberto Arruda (PFL-DF).
A indicação havia sido avalizada pelo então ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Para garantir uma boa posição no processo licitatório, a Brockveld fez um consórcio com a japonesa NEC, uma das gigantes mundiais do setor de tecnologia de ponta. Pelo acordo, cada empresa seria responsável por um setor.
A empresa brasileira cuidaria do maquinário de movimentação postal e a NEC dos equipamentos de comunicação e segurança. Dois dias antes da licitação, no entanto, sem nenhum sinal prévio, conta Edson, o então diretor da NEC no Brasil, Marcos Sakamoto, informou à Brockveld que não poderia participar da licitação.
Alegou, segundo o empresário catarinense, atender a um pedido da direção da Siemens, que não queria a participação das duas empresas na licitação. No dia da abertura das propostas, Edson Brockveld diz ter sido diretamente convidado pelas empresas Mannesmann Dematic Rapistan, Siemens e Alstom a não participar da concorrência da ECT, pois estaria tudo certo que as duas últimas seriam as vencedoras da licitação.
Brockveld alega ter ignorado a oferta e participado, assim mesmo, do processo. No dia da licitação, o edital previa que fossem abertos os envelopes relativos à habilitação técnica e comercial. Porém, ao ser constatado que a Brockveld Equipamentos iria participar da licitação, e pelo fato de os concorrentes não saberem se a empresa estava ou não com os documentos em ordem, foi feita uma proposta à ECT de emissão de um parecer único da proposta técnica e de habilitação, em desacordo com o estabelecido no edital de licitação.
Feito isso, a Brockveld e a Mannesmann acabaram sumariamente inabilitadas tecnicamente. A Mannesmann imediatamente recorreu, mas teve o pedido indeferido. Ambas receberam, lacrados, os envelopes com as propostas de volta. Siemens e Alstom foram às escolhidas. Detalhe: a empresa francesa embolsou US$ 15 milhões e deu o cano na ECT, por este motivo foi processada pelos Correios e substituída em seguida, pela NEC.
Logo depois, a direção da Brockveld foi procurada pelas empresas vencedoras. Teriam pedido para que ela não entrasse com recurso administrativo. Em troca, os executivos da Siemens e da Alstom dariam parte do projeto para a perdedora. Ou seja, comprariam da empresa brasileira os equipamentos previstos no contrato.
Com a Alstom, o acordo foi assinado na noite do dia 23 de fevereiro de 2000. A empresa foi representada, segundo Edson Brockveld, por um diretor chamado Jean Bernard Devraignes. A Siemens, no entanto, esperou a data-limite para entrada de recurso, 24 de fevereiro de 2000, para assinar o acordo, em Brasília.
Naquele dia, para ter certeza de que tudo sairia conforme combinado, Hélcio Aunhão, diretor da Siemens, foi ao aeroporto da capital federal encontrar com Brockveld, então disposto a entrar com o recurso administrativo contra o resultado da licitação, o que nunca aconteceu. Depois de assinados os contratos, no entanto, as empresas vencedoras não honraram os acordos.
Edson Brockveld, então, esperou o momento certo de se vingar. A crise desencadeada a partir das denúncias de corrupção, justamente nos Correios, lhe pareceu à oportunidade ideal. O empresário foi ao Congresso Nacional para entregar toda a documentação sobre o caso a então senadora, hoje ministra Ideli Salvatti.
Disse a ela ter tomado a iniciativa de denunciar o caso cinco anos depois porque, impedido de participar da licitação e traído por empresas internacionais, achava que a CPMI dos Correios iria se interessar pelo caso. Por isso havia decidido ir pessoalmente ao Senado. Ele disse à senadora que, em princípio, não teria interesse em entrar em briga judicial contra a ECT, mas pretendia acionar a Siemens e a Alstom por quebra de contrato.
O diretor-regional de Vendas da Siemens no Brasil, Hélcio Aunhão, negou, na Sub-relatoria de Contratos da CPMI dos Correios, as acusações de que a empresa teria feito conluio com a Alston para que a Brockveld se retirasse da licitação do sistema de triagem interna de cargas dos Correios.
Aunhão confirmou ter assinado termos de intenção de compra de alguns equipamentos com a Brockveld, transação que, segundo Edson Maurício, serviria para compensar a empresa que se retirou, mas disse que a compra não foi realizada porque a empresa fornecedora não teria cumprido as condições estipuladas no contrato.
O sub-relator, então deputado federal, hoje Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, afirmou na audiência que a CPMI iria solicitar ao Ministério Público o aprofundamento da investigação sobre o caso.
O Ministério Público brasileiro obteve de autoridades da Suíça, este ano, a confirmação da existência de contas do operador do esquema junto ao Metrô de São Paulo, Roberto Marinho, no exterior. Agora, espera-se no MP a chegada de novas informações, vindas do Principado de Liechtenstein, vizinho à Suíça, de forma a rastrear o trânsito de grandes recursos no circuito de empresas e bancos do paraíso fiscal.
Segundo as autoridades o alimentador desse esquema seria a multinacional Alstom, que teria feito “acordo”, com os tucanos antes mesmo da Siemens e em relação ao Metrô de São Paulo, ou seja, no período que ocorreu às irregularidades no Correios, quando Pimenta da Veiga era Ministro das Comunicações de FHC.
Na multinacional alemã, o presidente no Brasil, Peter Loscher, foi afastado do cargo, numa responsabilização indireta sobre a gestão que teria participado de um cartel formado por 15 empresas, todas participantes de um esquema de pagamento de propinas aos tucanos.
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PF indiciou Matarazzo por propina da Alstom

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Francesa confessou distribuição de US$ 6,8 milhões, entre 1998 e 2001, a governos do PSDB. Segundo o procurador Rodrigo de Grandis, a mensagem que incriminaria o vereador de São Paulo no esquema se refere a um contrato de R$ 72 milhões, assinado em 1998 quando era secretário de Mario Covas e do vice-governador Geraldo Alckmin, para fornecimento de equipamentos para a EPTE. Serrista vai responder por suspeita de corrupção passiva. Alstom é uma das empresas acusadas pela alemã Siemens de participar de um cartel criado por grupos interessados em licitações do metrô e da CPTM
A Polícia Federal indiciou o vereador de São Paulo Andrea Matarazzo (PSDB) por suspeita de corrupção passiva, por acreditar que recebeu propina do grupo francês Alstom quando foi secretário estadual de Energia, em 1998.
No relatório final do inquérito, baseado em informações obtidas pelo Ministério Público da Suíça, o delegado Milton Fornazari Junior cita como evidência para indiciar Matarazzo uma troca de mensagens de 1997 em que executivos da Alstom discutiriam o pagamento de vantagens para o PSDB, a Secretaria de Energia e o Tribunal de Contas.
Na Suíça, a Alstom pagou à Justiça US$ 43,5 milhões para suspender o processo no qual era acusada de corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil. No decorrer do processo, executivos confessaram ter distribuído propinas de US$ 6,5 milhões a gente da administração estadual de São Paulo, em troca de um contrato de US$ 45 milhões para a expansão do metro, entre 1998 e 2001.
Segundo o procurador Rodrigo de Grandis, a mensagem que incriminaria Matarazzo se refere a um contrato de R$ 72 milhões para fornecimento de equipamentos para a EPTE, empresa que era controlada pelo Estado e que mais tarde foi privatizada. Matarazzo foi secretário por oito meses em 1998, quando o contrato da Alstom foi assinado.
A PF também indiciou dois executivos da Alstom no Brasil e dois ex-dirigentes da EPTE que participaram das negociações, Eduardo José Bernini e Henrique Fingermann.
A Alstom é uma das empresas acusadas pela alemã Siemens de participar de um cartel criado por grupos interessados em licitações do metrô e da CPTM.
No 247
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Sobre a história política do Estado de São Paulo

http://2.bp.blogspot.com/-3zUTCdorCpE/UPhrzkMN-OI/AAAAAAAAFeg/p64GBGMw54E/s400/otavio-frias-de-oliveira.jpg 
A historia de São Paulo é canhestra. A capitania hereditária cá instalada pelos portugueses quase naufragou por causa da Confederação dos Tamoios. Durante séculos, a província de São Paulo foi a mais atrasada, miserável e despovoada do país. 
Nenhum grande episódio da historia do Brasil ocorreu aqui. O ciclo da cana-de-açúcar foi no nordeste, o do ouro em Minas Gerais e o da borracha na região norte. O ciclo do café começou no Rio de Janeiro e lentamente se espalhou por São Paulo. 
Os paulistas nada fizeram em favor da independência. A principal rebelião republicana ocorreu em Minas Gerais. Todos os grandes levantes populares durante a Colônia e Império ocorreram nas regiões norte, nordeste e sul. Antes de ser o túmulo do samba, São Paulo já era o túmulo da política. 
É verdade que em São Paulo ocorreu a primeira greve geral do Brasil. Porém quem a comandou foram os imigrantes, porque os paulistas sempre foram cordeiros nas mãos de seus patrões. Quando inventou o Jeca Tatu (aquele capial ignorante, subnutrido, enfermiço e que não entendia nada de política), Monteiro Lobato estava certamente pensando nos paulistas que conheceu no interior de São Paulo (cuja rotina modorrenta ele descreveu no seu livro Cidades Mortas).
Quando foi que ocorreu algo em São Paulo? Em 1932. Mas a rebelião paulista foi coisa da elite paulistana e não do povão, que sempre foi tratado a pão, água e chicote antes, durante e depois da guerra. A versão oficial inventada pelos traidores do Brasil diz que os paulistas queriam uma nova constituição. Esta é a mentira mais deslavada que existe na Historia do Brasil. A elite paulista nunca gostou de constituições, tanto que foi à guerra porque adorava aquele ladrão chamado Washington Luís (que governou o estado distribuindo favores e bilhetinhos para os amigos dele e decidia tudo no Automóvel Clube de São Paulo) e não perdoou Getúlio Vargas por ter deposto o tal.
A elite paulista continuou não gostando muito de constituições. Tanto que apoiou o golpe de 1964 e financiou o DOI-CODI, onde os pobres foram martirizados pelo Ustra e outros. O DOPS paulista é responsável pelos episódios mais infames da Historia brasileira do século XX. 
São Paulo é um estado tão bárbaro que não tem Justiça. O julgamento do Massacre do Carandiru demonstrou isto: os policiais que assassinaram mais de 100 presidiários foram processados e condenados, mas o governador que comandava a Policia Militar e autorizou a invasão do presidio prestou depoimento como testemunha quando deveria ser réu (teoria do domínio do fato). Esta semana Alckimin foi acusado de estar no centro de um pavoroso caso de roubalheira no Metrô e o Tribunal de Justiça, ao invés de manter sua independência do Executivo, resolveu entregar ao governador o "Colar do Mérito Judiciário" (a cerimonia ocorrerá amanhã). É assim que funciona a isenta Justiça paulista: num dia ela condena soldados para inocentar o ex-governador que comandou um assassinato coletivo, no outro premia com uma comenda um governador ladrão que será julgado por desviar centenas de milhões do Metrô. 
A comenda que será conferida a Alckimin amanhã (hoje), no auge de uma crise, funciona como uma senha. No fundo o TJSP está dizendo que Alckimin é paulista e imune a qualquer punição federal com base no processo iniciado pelo CADE. É o velho sonho de 1932 que está vivo e sendo alimentado pela elite paulista. Getúlio Vargas venceu aquela guerra, mas poupou a capital paulista. Desta vez São Paulo será poupada? Espero que não.
Fabio de Oliveira Ribeiro
No Advivo
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Charge online - Bessinha - # 1879

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A música dos protestos em Portugal

A banda "Deolinda" é hoje uma das mais populares e premiadas de Portugal. A música "Que parva que eu sou", lançada em 2011, logo se tornou um hino dos jovens que lutam contra o desemprego e por uma vida digna. O grupo será uma das atrações da belíssima Festa do Avante, o jornal do Partido Comunista Português (PCP), no início de setembro. Confira a seguir a combativa letra:
Que Parva Que Eu Sou

Sou da geração sem remuneração.
E não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou.

Porque isto está mal e vai continuar,
Já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou.

[Refrão]
E fico a pensar:
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
É preciso estudar.

Sou da geração "casinha dos pais".
Se já tenho tudo, p'ra quê querer mais?
Que parva que eu sou.

Filhos, maridos, estou sempre a adiar,
E ainda me falta o carro pagar.
Que parva que eu sou.

[Refrão]
E fico a pensar:
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
É preciso estudar.

Sou da geração "vou queixar-me p'ra quê?",
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou.

Sou da geração "eu já não posso mais!",
E esta situação dura há tempo demais,
E parva eu não sou!

[Refrão]
E fico a pensar:
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
É preciso estudar.

Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
É preciso estudar.

Para o leitor e amigo Itárcio José de Souza!
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