4 de ago de 2013

Desigualdade de renda cai em 80% dos municípios do Brasil em uma década

Entre 2000 e 2010, rendimento dos 20% mais pobres cresceu mais rapidamente do que o dos 10% mais ricos em quatro de cada cinco cidades do País; nos dez anos anteriores, a desigualdade medida pelo índice de Gini havia crescido em 58% das cidades
De 2000 a 2010 aconteceu algo inédito no Brasil: em 80% dos municípios, a desigualdade de renda entre seus habitantes diminuiu. O fato é ainda mais relevante porque reverteu uma tendência histórica. Na década anterior, a desigualdade medida pelo índice de Gini aumentara em 58% das cidades brasileiras.
A maior queda da desigualdade aconteceu numa cidadezinha do interior de São Paulo. No extremo oeste, perto de Presidente Prudente, Emilianópolis viu seu índice de Gini cair pela metade, de 0,76 para 0,38 em 2010. A escala varia de zero a 1. Se os 3 mil emilianopolenses ganhassem igual, o índice seria 0. Se um deles concentrasse toda a renda da cidade, o Gini seria 1.
Emilianópolis é um bom exemplo, uma vez que as condições em que se deu a redução da desigualdade são representativas do que aconteceu em outros 4.431 municípios brasileiros. O Gini da cidade crescera nos anos 1990, de 0,43 para 0,76. A reversão na década seguinte ocorreu com o enriquecimento da população em geral: a renda do emilianopolense foi de R$ 373 para R$ 585.
Na maior parte do Brasil foi igual. De 2000 a 2010, o rendimento domiciliar per capita cresceu 63% acima da inflação, na média dos 5.565 municípios. Foi um enriquecimento mais intenso do que nos dez anos anteriores, quando o ganho havia sido de 51%.
Isso é importante porque uma forma perversa de reduzir a desigualdade é via empobrecimento geral. Se os ricos perdem mais do que os pobres, a desigualdade também cai. Foi o que aconteceu em grande parte do Brasil nos anos 1980, por causa da recessão.
Nos dez anos seguintes, o alto desemprego comprometeu o salário dos trabalhadores e a renda voltou a se concentrar no topo da pirâmide. O índice de Gini do País cresceu, e a desigualdade aumentou em 58% dos municípios brasileiros.
Partilha do bolo
É o oposto do que aconteceu em 80% dos municípios do Brasil na década passada. Nos anos 2000, houve redistribuição da renda simultânea ao crescimento. O bolo aumentou para todos, mas a fatia dos pobres cresceu mais, em comparação à dos ricos.
Em quase todo lugar, os ricos não ficaram mais pobres. Ao contrário. Mesmo descontando-se a inflação, o rendimento médio dos 10% mais ricos de cada município cresceu 60%, na média de todos os municípios ao longo da década passada.
A desigualdade caiu porque a renda dos 20% mais pobres de cada município cresceu quase quatro vezes mais rápido do que a dos 10% mais ricos: 217%, na média. A distância que separava o topo da base da pirâmide caiu quase um terço. Ainda é absurdamente grande, mas o movimento está no sentido correto na imensa maioria dos municípios: o da diminuição.
Em 2000, a renda dos 20% mais pobres de cada um dos municípios era, na média, de R$ 58 por pessoa. Os 10% mais ricos ganhavam, também na média municipal, R$ 1.484. A diferença era, portanto, de 26 vezes. Em 2010, a renda dos 20% de baixo chegou a R$ 103, enquanto a dos 10% de cima ia a R$ 1.894. Ou seja, os mais ricos ganham, em média, 18 vezes mais.
Riqueza e pobreza não são conceitos absolutos, mas relativos. Em Emilianópolis, para estar nos 10% do topo da pirâmide de renda, o morador precisa ganhar pelo menos R$ 1.005 por mês. Mas, com essa renda, ele não estaria nem entre os 40% mais ricos de Porto Alegre, Santos, Curitiba e outros dez municípios brasileiros.
Já para estar entre os 20% mais pobres de sua cidade, basta a um emilianopolense ganhar menos do que R$ 250 por mês. Mas se ele morasse em Marajá do Sena, no Maranhão, e ganhasse os mesmos R$ 250, seria elite: estaria entre os 10% mais ricos da cidade. Apesar do nome, Marajá é o município mais pobre do Brasil.
A redução da desigualdade não foi total. Em 16% dos municípios, a distribuição de renda piorou. Principalmente no Norte do Brasil. O maior aumento aconteceu em Abreulândia, no Tocantins. As duas cidades de maior desigualdade entre seus moradores, Itamarati e São Gabriel da Cachoeira, ficam no Amazonas.
Trabalho e Bolsa Família
O aumento da renda obtida no trabalho é o protagonista da queda da desigualdade nos municípios entre 2000 e 2010. Ele é responsável por 58% da redução, segundo o presidente do Ipea, Marcelo Neri. Outros 13% podem ser atribuídos ao Bolsa Família. Os números foram calculados em pesquisa da instituição.
Em outras palavras, o Bolsa Família leva o “Oscar de coadjuvante”, brinca o pesquisador. Mas é um coadjuvante de peso. Sem as políticas de transferência de renda, “a desigualdade teria caído 36% menos”, afirma o estudo. No figurino do protagonista, estão aumentos reais do salário mínimo e formalização do emprego.
Colaborou Diego Rabatone Oliveira
José Roberto de Toledo e Amanda Rossi
No O Estado de S. Paulo
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Globo é condenada por reportagem em Unidade de Conservação do Tocantins

A reportagem associa a imagem de uma das cachoeiras da unidade à prática de rafting esportivo.
A reportagem associa a imagem de uma das cachoeiras da unidade à prática de rafting esportivo
A Justiça Federal no Tocantins condenou a emissora Globo e a empresa Quatro Elementos Turismo a repararem o dano causado à Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins pelo uso indevido de imagem durante a veiculação de uma reportagem exibida no programa Esporte Espetacular em abril de 2010, que associa a imagem da cachoeira da fumaça à prática de rafting esportivo, o que é incompatível com os objetivos das estações ecológicas.
A sentença da juíza federal Denise Dias Dutra Drumond acatou a ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal e condenou as empresas ao pagamento de indenização ao Meio Ambiente no valor de 500 mil reais e a reparação do dano por meio da produção de uma reportagem, previamente autorizada, com o tema “Turismo Sustentável na Região do Jalapão”, que deverá ser exibida em horário semelhante e com a mesma duração da anterior.
A reportagem exibida foi feita mesmo com o pedido de autorização negado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal que administra a área. De acordo com o relatório do ICM, a equipe foi avisada sobre o impedimento de realizar gravações com foco na prática de esportes radicais naquela área, tendo em vista que a Instrução Normativa do IBAMA 05/2002 determina que as matérias jornalísticas realizadas em Estações Ecológicas e Reservas Biológicas não deverão fomentar atividades que não sejam de caráter científico e preservacionista.
A Estação Ecológica foi criada para evitar a exploração turística e econômica desordenada. Para isso a legislação proíbe a visitação pública, exceto quando com objetivo educacional ou científico.
“Em outras palavras, a Estação Ecológica tem em seu anonimato um de seus grandes trunfos, pois fica assim protegida da curiosidade leiga e da depredação que a atividade turística em massa e desordenada promove. Logo, a exposição em si mesma da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins como área propícia à prática esportiva, diversa de sua finalidade legal específica, já configura o dano ambiental”, constatou Denise.
Na defesa, as empresas alegaram inexistência de dano ambiental e a Globo Comunicações alegou ofensa a liberdade de imprensa. O argumento foi rebatido pelo juízo federal. Para a magistrada, não se pode permitir abusos no desfrute da liberdade de imprensa e este direito não está imune à obrigação de indenizar caso haja lesão à bem jurídico de terceiros.
Neste link é possível ver a chamada para a matéria condenada pela Justiça.
As informações são da Justiça Federal do Tocantins.
Autos nº: 260-30.2011.4.01.4300
Data da sentença: 19/07/2013
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Você quer saber de onde nascem os bandidos?

 
Toda mãe católica tem o sonho de ver os filhos passando pela preparação da primeira eucaristia (antigamente se dizia “primeira comunhão”) e comungando todo compenetrado, feito gente grande. Toda mãe católica comenta com imenso prazer que o filho já sabe “responder” uma missa inteirinha. E em voz alta. (O problema é que alguns meninos ficavam enrolando, falando baixinho e sempre esperando que o vizinho começasse a resposta.) Pois é, depois de algum tempo fica tudo meio automático e a gente repete até sem pensar no que está respondendo. Também, depois que aprende não esquece mais. Eu mesmo posso levar anos sem participar de uma missa que ainda me lembro de todas as respostas. A consequência disso é que algumas pessoas continuam repetindo frases sem compreender o significado e outros ficam esperando alguém começar a falar para continuar com a resposta.
Uma das respostas que me deixava mais intrigado era quando o padre dizia “O Senhor esteja convosco” e todos respondíamos: “Ele está no meio de nós”. Claro que eu sabia que “Ele” não estava presente em carne e osso, mas não conseguia deixar de dar uma olhadinha para o lado em busca “Dele”.
Um dia desses usei esta expressão meio sem querer e fora do contexto da missa católica. Era um desses tantos eventos para discutir a violência, marginalidade, segurança, da necessidade de mais policiais na cidade, mais viaturas, mais armas, mais rigor na aplicação da pena de prisão e assuntos afins. Estava cansado de ouvir as pessoas defendendo ideias absurdas do tipo “bandido bom é bandido morto”, “devia existir a pena de morte e prisão perpétua” e outros absurdos mais... Era como se “respondessem” uma missa induzidos por respostas prontas e decoradas.
Não sei por que as pessoas, seja aqui ou em outros locais que a televisão mostra, adoram ver os “criminosos” presos, algemados e sendo jogados em um camburão. Em contrapartida, as penas alternativas são sempre motivo de deboche e gozação: “ta vendo aí, não deu em nada! Algumas cestas básicas e o cara não foi preso nem um dia”! É assim, ou não é? A grande mídia se transforma em padre e as pessoas começam a repetir...
Voltando ao assunto “Dele” no meio de nós, depois de me conter, no referido evento, durante um bom tempo, perdi a paciência, o que ocorre muito raramente, e discursei furiosamente:
Vocês se referem a bandidos, marginais, delinquentes e outros adjetivos mais e se esquecem que os bandidos são pessoas humanas e filhos do mesmo Deus de todos nós!
Vocês esquecem que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança!
Vocês esquecem que todos os homens e mulheres são iguais perante a Lei!
Vocês esquecem que nossa República é fundada na cidadania e na dignidade da pessoa humana!
Vocês se transformaram em máquinas que apenas repetem o que a televisão manda!
Vocês pensam que esses tais bandidos nascem das bolhas que pipocam nos esgotos fedidos que cortam as ruas da periferia das cidades?
Vocês pensam que bandidos nascem da fumaça ou da quentura do lixo jogado a céu aberto nas margens das rodovias?
Vocês pensam que bandidos nascem nas varas das tabocas que abundam o lamaçal que se transformou o que um dia foi chamado de riacho?
Vocês pensam que bandidos nascem do fedor que exala das lagoas transformadas em fossa para receber o esgotamento sanitário das cidades?
Vocês pensam que bandidos nascem das cinzas ou do carvão que estão fazendo com as poucas árvores que sobraram da caatinga?
Vocês pensam que bandidos caem do céu com as tempestades de granizo?
Vocês pensam que bandidos chegaram do espaço em uma nave espacial?
Vocês pensam que bandidos saem da terra vindo das profundezas do inferno?
Vocês pensam que bandidos são filhos do demônio?
Não! Não e Não! Chega de mentira! Chega de repetição!
Ora, vocês querem saber de onde nascem os bandidos? Querem?
Os bandidos nascem da falta de carinho dos pais com seus filhos quando ainda são crianças!
Os bandidos nascem da falta de escolas bem equipadas e professores estimulados!
Os bandidos nascem da falta de postos de saúde para cuidar dos filhos de vocês!
Os bandidos nascem da falta de políticas públicas de incentivo à cultura, ao lazer e aos esportes para os filhos de vocês!
Os bandidos nascem da falta de quadras poliesportivas, de centros culturais, de bibliotecas, de cinema e de teatro!
Os bandidos nascem da falta de uma profissão e do desemprego dos filhos de vocês!
Os bandidos nascem da roubalheira do dinheiro público!
Os bandidos germinam nos cofres abarrotados de verba pública desviada!
Os bandidos nascem da violência da polícia contra os filhos de vocês!
Os bandidos nascem do preconceito que a elite alimenta contra os pobres e negros da periferia!
E o pior de tudo: os bandidos nascem da falta de sonhos e da falta de perspectivas para os jovens!
E para terminar, se vocês querem saber mesmo, os bandidos nascem no meio nós e estão no meio de nós! Eles estão no meio de nós! Entenderam?Eles nascem e estão no meio de nós! Nascem e morrem por culpa nossa, nossa culpa! Nascem da nossa falta de pensar! Nós somos seus pais e mães e algozes ao mesmo tempo! Nós os criamos e os matamos!
Então, pergunto a vocês: quem é o bandido pior: o bandido que nasce do descaso do poder público ou bandido travestido de homem público que rouba o dinheiro que seria destinado à construção de escolas, creches, praças e hospitais? Quem é o bandido pior: o que rouba para comprar crack ou quem permite que os jovens deste país, por falta de oportunidades, sejam seduzidos pelas drogas? Quem é o bandido pior: o que não sonha ou quem lhe roubou o sonho? Bandido pior, se vocês querem saber, é quem transforma os jovens desta cidade e deste país em bandidos!
Ora, ora, vocês pensam que vão acabar com a violência matando os bandidos, mas vocês só enxergam os bandidos que nascem do meio de vocês mesmos! Filhos de vocês, primo, sobrinho, filho do amigo de vocês, o amigo de infância... Passam a vida repetindo! Não querem ver os bandidos de verdade! Os ladrões dos sonhos!
Não, gente, não é assim que teremos paz! Não é defendendo a pena de morte ou prisão perpétua e nem fazendo passeata vestido de branco e pedindo paz, mas evitando, sobretudo, que todos os jovens sem sonhos desta cidade e deste país sejam transformados nos bandidos de amanhã! Vamos pensar, vamos refletir, vamos compreender! Vamos todos sonhar juntos por um mundo melhor e vamos fazer desse sonho uma realidade!
Chega! Chega de tanta mentira e hipocrisia!
Um silêncio profundo... alguns tinham os olhos arregalados, outros me olhavam incrédulos e outros como que hipnotizados... Eu também não gostei de me expressar assim, mas é que estou ficando cansado e sem muita paciência!
Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito (Ba.) membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD) e Porta-voz no Brasil do movimento Agentes da Lei Contra a Proibição. (Leap-Brasil)
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Caso Siemens-PSDB chega ao tucano que sabe demais

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Se Robson Marinho contar o que sabe, elo entre cartel no metrô paulista e gestões do PSDB pode se fechar; ex-chefe da Casa Civil de Mario Covas, atual deputado federal já tem US$ 3 milhões identificados em contas secretas na Suíça; suspeita é origem na Alstom; chefão entre os tucanos, Marinho já foi presidente da Assembleia e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (foto); na Siemens, escândalo derruba presidente no Brasil Peter Loscher; governador Geraldo Alckmin virou alvo das ruas; investigação chega ao paraíso fiscal de Liechtenstein
Os tucanos de São Paulo tem mais um homem-bomba – e dos graúdos. Robson Marinho, o deputado federal que está ligado a contas secretas na Suíça com cerca de US$ 3 milhões em depósitos, é esse personagem. Poderoso desde os tempos em que os atuais social-democratas paulistas se aninhavam no PMDB, Marinho foi chefe da Casa Civil do governo Mario Covas, em 2000, presidiu a Assembléia Legislativa e foi conselheiro do Tribunal de Contas dos Estado.
De estilo tonitruante, passou a ser uma figura queimada no partido desde que o Ministério Público obteve de autoridades da Suíça, este ano, a confirmação da existência de suas contas no exterior. Agora, espera-se no MP a chegada de novas informações, vindas do Principado de Liechtenstein, vizinho à Suíça, de forma a rastrear o trânsito de grandes recursos no circuito de empresas e bancos do paraíso fiscal. O alimentador desse esquema seria a multinacional Alstom, que teria feito sua amarração com os tucanos a partir do governo Covas e antes mesmo da Siemens.
Na multinacional alemã, o presidente no Brasil, Peter Loscher, foi afastado do cargo, numa responsabilização indireta sobre a gestão que teria participado de um cartel formado por 15 empresas, todas participantes de um esquema de pagamento de propinas para participar de obras do metrô paulista. Durante o último governo de Geraldo Alckmin, empreiteiros paulistas não escondiam sua irritação com o que consideravam extremas dificuldades para a participação de empresas nacionais nas obras do sistema de trens.
"Que devolvam o dinheiro"
As provas que podem chegar da Europa podem deixar a situação de Marinho insustentável dentro do partido. Foi para ele, interpretam integrantes do partido, que José Serra deu o recado sobre levar responsáveis pelo recebimento de propinas a devolver o dinheiro aos cofres públicos. A investigação formal contra Marinho é a que está mais próxima de chegar a esse desfecho.
O problema, para os tucanos, é que Marinho é dono de toda a memória dos bastidores do primeiro governo Covas e seus subsequentes. Por ele, no Gabinete Civil do Palácio dos Bandeirantes, passaram todas as articulações políticas, com as respectivas trocas de promessas, que arquitetaram seguidas vitórias do partido nas eleições estaduais. No Tribunal de Contas, familiarizou-se com os processos mais importantes das administrações estaduais, ciente de como foram produzidas muitas sentenças. Sacrificar Marinho para estacar o sangramento político provocado pelo escândalo pode parecer fácil, mas tende a ser um drama para os tucanos. Ele é o homem que sabe demais.
Famosos por fazerem campanhas políticas faustosas em São Paulo, a suspeita é que os recursos obtidos com propinas em torno das obras do metrô tenham servido não apenas para o enriquecimento pessoal dos beneficiados pelo esquema, mas também para a formação de um caixa dois único para o financiamento de disputas eleitorais.
No 247
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Uma manchete diversionista

Às vezes, para não dizer o essencial, a imprensa precisa dizer alguma coisa. Parece ser esse o sentido da manchete da Folha de S. Paulo na edição de sexta-feira (2/8): “Governo paulista deu aval a cartel do metrô, diz Siemens” – é o que anuncia o título principal do jornal, no alto da primeira página.
A reportagem é a primeira manifestação relevante de um dos três diários de circulação nacional sobre a confirmação do esquema de propinas que, durante pelo menos quinze anos, condicionou as contratações de obras e compras de equipamentos para o sistema do metrô e dos trens metropolitanos na capital paulista.
A escolha editorial pode induzir o leitor desatento a concluir que o jornal decidiu finalmente encarar a fartura de evidências sobre um estado permanente de corrupção no governo de São Paulo, cujas consequências podem ser claramente percebidas na insuficiência das linhas de transporte sobre trilhos, no atraso de obras e no custo excessivo do sistema, que acaba repercutindo no preço das tarifas por décadas à frente.
Pelo que se lê na Folha, tudo não passou de um ajuste feito por assessores de um governador que já faleceu, Mário Covas, num contexto em que o acordo entre concorrentes seria a maneira mais prática de resolver rapidamente a disputa entre as empresas candidatas ao contrato.
Em geral, o leitor se distrai com a narrativa e deixa escapar o discurso subliminar presente no texto jornalístico. Então, vejamos: no caso da manchete da Folha, a narrativa nos diz que os documentos apresentados a autoridades brasileiras pela empresa alemã Siemens afirmam que o governo de São Paulo, no tempo de Mário Covas, autorizou a formação de um cartel de multinacionais e empresas brasileiras para cumprir a licitação referente a obras do metrô.
Segundo a reportagem, o conluio teria começado em 2000 e prosseguido nas gestões de Geraldo Alckmin, que era vice de Covas, e de seu sucessor, José Serra. O cartel passou a dominar todos os projetos de metrô e trens metropolitanos, gerando custos sempre maiores.
Em apenas uma licitação, para manutenção de equipamentos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, foi possível aumentar os preços em 30%, segundo depoimento de um executivo da empresa alemã. Mas, para o governo de São Paulo, a licitação viciada era a melhor solução, por “dar tranquilidade na concorrência”.
Santa inocência!
Uma das táticas mais corriqueiras na prática jornalística, quando não se quer alimentar polêmicas em torno de determinado assunto, é antecipar uma versão moderada do tema, delimitando a priori certas condições para sua interpretação. Essa adesão condicional quase sempre anula a atenção crítica dos leitores, dando a entender que o veículo não está se omitindo ou tentando encobrir alguns eventos, que preferia não ver transformados em escândalo.
Esse parece ser o caso da abordagem que faz a Folha ao esquema de  pagamento de propinas que está ligado ao caso do cartel.
O cartel, que agora é admitido oficialmente, funciona há mais de treze anos, tempo citado pelo jornal – porque, na verdade, o acerto entre o governo paulista e seus fornecedores começou pelo menos em 1998, conforme se pode apreender em reportagens anteriores, publicadas quando outra empresa do cartel, a francesa Alstom, foi acusada de pagar propinas a políticos do PSDB.
Não há como relativizar as responsabilidades de todos os governadores do período – a tese do domínio de fato, afirmada pelo Supremo Tribunal Federal no ano passado, há de se aplicar democraticamente, ou não?
A Folha diz que procurou ouvir o ex-governador José Serra, mas ele “não foi localizado”. O atual governador, Geraldo Alckmin, responde que tudo não passou de um acerto entre as empresas concorrentes, sem participação de funcionários do governo – e de repente o senso crítico do jornal fica obnubilado pelas palavras mágicas do chefe do governo paulista.
Então, estamos combinados: o governo de São Paulo faz uma sucessão de licitações para comprar trens e sistemas de controle de tráfego, tratar da manutenção dos equipamentos, durante quinze anos, e nunca desconfia que os preços são acertados previamente entre os fornecedores?
O jornal que se considera o mais aguerrido do Brasil, cujos repórteres, em outras ocasiões, se dispõem a vasculhar o lixo de agentes públicos, aceita candidamente essa ingenuidade toda.
Não passa pela cabeça dos editores mandar investigar se a mesma bondade com o dinheiro público não se estendeu também para as obras de túneis, instalação de trilhos, construção de estações, como tem sido diligente e devidamente feito no caso dos estádios que estão sendo construídos para a Copa de 2014.
Como diria o parceiro do Batman: “Santa inocência!”
Luciano Martins Costa
No OI
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Impressora japonesa não usa tinta e papel pode ser reutilizado até 1000 vezes

A máquina utiliza apenas o calor para transmitir as informações digitais para o papel
“A empresa japonesa Sanwa Newtec desenvolveu uma impressora sustentável. O equipamento não utiliza tinta para fazer as impressões e as folhas especiais usadas pela tecnologia podem ser reaproveitadas até mil vezes, tornando o impacto do uso extremamente baixo, em relação aos modelos tradicionais.
A PrePeat, como foi chamada a impressora, oferece resultados semelhantes aos tradicionais, cuja impressão depende de cartuchos de tinta ou tambores de toner. No lugar destes itens a máquina utiliza apenas o calor para transmitir as informações digitais para o papel. Por causa disso, as impressões são sempre em preto e branco, no entanto, variam em sua tonalidade.
Além do benefício ambiental, com a poupança de recursos naturais e materiais, a impressora também propicia mais higiene aos ambientes de trabalho, pois evita acidentes com tintas e o pó liberado pelos equipamentos que utilizam toner.
Por ser uma impressora especial, é de se esperar que as folhas utilizadas também sejam incomuns. De fato são. Segundo a empresa, as folhas não são feitas de celulose, que é o material mais comum, e sim de uma película de PET. Assim, a PrePeat utiliza um sistema de calor controlado que é capaz de escurecer ou clarear o papel. Para manter os detalhes da impressão, o cabeçote funciona como uma agulha térmica.
A impressora ainda não está à venda no Brasil, mas a empresa a está comercializando por 500 mil yenes, o equivalente a pouco mais de R$10.200. O papel especial também é um pouco caro, com cada pacote de mil folhas custando seis mil reais. No entanto, o valor é justificado pela vida útil do material, que pode ser reaproveitado para as impressões por até mil vezes.”
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Charge online - Bessinha - # 1878

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Do Filho do Lula

No Amoral Nato o Blogodita

O carro do filho do Lula:
 

O iate do filho do Lula:

A casa do filho do Lula:

O avião do filho do Lula:

O terno do filho do Lula:

A churrasqueira do filho do Lula:

A tulipa de chopp do filho do Lula:

A bola de futebol do filho do Lula:

O hambúrguer do filho do Lula:

O palito de dentes do filho do Lula:
No CAf
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Corrupção no metrô paulistano

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 sexta-feira, 29 de outubro de 2010 

Serra diz que vazamento de licitação do metrô é 'fato extremamente secundário'
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, chamou hoje de "fato extremamente secundário" o vazamento do resultado da licitação da linha 5 (Lilás) do metrô, revelado anteontem pela Folha.
"Vamos fazer uma investigação para ver se houve acordo entre as empresas, nada mais. É um fato extremamente secundário, não tem maior importância", disse o tucano, que fez campanha em Montes Claros, no norte de Minas.
Questionado sobre sua posição contrária a investigar o governo paulista, que chefiou até abril, sobre o vazamento, Serra procurou desviar o foco com ataques ao governo federal.
"Porque nesse caso o governo federal já estaria condenado", disse.
Ele continuou: "O governo federal reuniu empreiteiras que iriam fazer Belo Monte [hidrelétrica no Pará], ficou negociando, ofertando, atraindo, debatendo pelo jornal e depois fez a concorrência. A mesma coisa com muitos outros projetos".
O candidato também buscou desviar atenção para escândalos com pessoas ligadas a Dilma Rousseff (PT).
Serra fez críticas ao presidente Lula pelo que chamou de "incentivo" a ataques como o que o tucano sofreu no Rio, quando foi alvo de objetos jogados em sua cabeça. O presidente tem constantemente feito piadas sobre o ocorrido.
"O Lula estimulou, deu respaldo à violência que é praticada nas ruas através dessas graças que faz", disse.
O presidenciável fez carreata pelas ruas da cidade mineira, que fica numa das regiões mais pobres do Estado, reuniu-se com lideranças e cabos eleitorais e visitou a eleitora Helena Maria Cardoso, 52, que tinha no primeiro turno uma Casa de Marina, comitê voluntário pró-Marina Silva (PV), e agora promete votar em Serra.
No discurso para lideranças, o tucano prometeu "seguir o padrão de integridade e honestidade do Itamar Franco e do Fernando Henrique [Cardoso]".
Procurando colar DNA tucano ao Bolsa Família, Serra disse que foi Marconi Perillo (PSDB), então governador de Goiás, quem sugeriu a Lula juntar os programas sociais e criar o Bolsa Família.
"O Lula reconheceu publicamente, está gravado", disse o candidato.
Serra voltou a prometer a criação do 13º para o programa, o salário mínimo de R$ 600 e o reajuste de 10% para aposentados e pensionistas.
ALIADOS
O ex-governador e senador eleito Aécio Neves (PSDB), que acompanhou o aliado, pediu às lideranças presentes que votem em Serra para a "vitória ser completa", já que no Estado venceram Antonio Anastasia (PSDB) para o governo, Itamar Franco (PPS) e Aécio para senador, mas Dilma ganhou no primeiro turno.
O norte de Minas foi uma das regiões que deram mais votos para a petista, assim como o Triângulo Mineiro, visitado pelo tucano hoje mais cedo.
Ao discursar, Anastasia pediu que Serra fosse votado por ter sido o único presidenciável a visitar a cidade durante a campanha. Mas, na verdade, Dilma fez campanha na cidade em 20 de julho.
Justiça dá 48 horas para Metrô apresentar envelopes sobre licitação
O PT recorreu à Justiça para responsabilizar o governo do Estado de São Paulo por eventuais fraudes na licitação da linha 5 (lilás) do metrô, suspensa anteontem depois que a Folha revelou conhecer os consórcios vencedores dos lotes 3 a 8 com seis meses de antecedência.
No dia 21, data em que o resultado da concorrência foi oficialmente proclamado, o deputado estadual Vanderlei Siraque ingressou com ação popular na 9ª Vara da Fazenda Pública na qual contesta o edital, elaborado em 2008, ainda na gestão Serra.
Para o petista, o texto seria restritivo e estimularia o conluio entre as empresas participantes do processo.
Nesta quinta-feira, o Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar a licitação. O inquérito, feito a pedido do governo de São Paulo, ficará sob responsabilidade do promotor Luiz Fernando Rodrigues Pinto Junior.
Siraque também levou o caso ao conhecimento da Corregedoria-Geral do Estado, que agora é responsável pelas investigações administrativas do caso no âmbito do Palácio dos Bandeirantes.
“O edital de pré-classificação tem uma cláusula ilegal, que encarece o valor final da obra e favorece acertos entre as empresas”, disse o deputado, referindo-se à vedação de participação de empresas em mais de um lote.
Ontem, a juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti concedeu liminar para que o Metrô apresente, em 48 horas, todos os envelopes, até mesmo os que não foram abertos.
Em sua decisão, a juíza diz que aguardará a manifestação do governo para se pronunciar sobre a legalidade dos atos ligados à licitação.
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Irmão do presidente do Metrô, na gestão Serra, teve US$ 10 milhões bloqueados na Suíça

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 quarta-feira, 27 de outubro de 2010  

O escândalo de corrupção na licitação do Metrô de São Paulo, de certa forma, era anunciado, para quem acompanha a escalada de abafamento e impunidade da corrupção tucana em São Paulo.
Em 2009, o ex-secretário estadual de transportes metropolitanos, Jorge Fagali Neto, teve uma conta na Suíça com pedido de bloqueio pela Justiça de São Paulo, devido ao rastreamento do dinheiro de propinas da Alstom, por contratos com o Metrô.
Até o Jornal Nacional, da TV Globo foi obrigado a noticiar o sequestro das contas, mas escondeu que o irmão do titular das contas é o atual presidente do Metrô, desde a gestão José Serra no governo paulista.
Mesmo assim, com esse pedido de sequestro dessa conta milionária na Suíça, o então governador José Serra manteve José Jorge Fagali na presidência do Metrô, o irmão de Jorge Fagali Neto.
Por que José Serra abafou a corrupção no Metrô, no escândalo da Alstom?
Por que impediu que CPI's na Assembléia Legislativa investigasse?
Por que não fez uma rigorosa auditoria no Metrô?
Um irmão de alguém com 10 milhões de dólares bloqueados na Suíça, vindos de propinas justamente dos contratos com o Metrô, não deveria ser considerado impedido eticamente, para dirigir a empresa? E sem condições para mandar investigar internamente um escândalo destes contra seu próprio irmão?
Que rabo preso tem José Serra com estes escândalos, para não apurar e não afastar as pessoas? São perguntas inquietantes que a nação brasileira quer saber.
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Outra fraude no governo do tucano Serra

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 terça-feira, 26 de outubro de 2010 

Resultado de licitação do metrô de São Paulo já era conhecido seis meses antes
Ricardo Feltrin
De São Paulo
A Folha soube seis meses antes da divulgação do resultado quem seriam os vencedores da licitação para concorrência dos lotes de 3 a 8 da linha 5 (Lilás) do metrô.
O resultado só foi divulgado na última quinta-feira, mas o jornal já havia registrado o nome dos ganhadores em vídeo e em cartório nos dias 20 e 23 de abril deste ano, respectivamente.
A licitação foi aberta em outubro de 2008, quando o governador de São Paulo era José Serra (PSDB) – ele deixou o cargo no início de abril deste ano para disputar a Presidência da República. Em seu lugar ficou seu vice, o tucano Alberto Goldman.
O resultado da licitação foi conhecido previamente pela Folha apesar de o Metrô ter suspendido o processo em abril e mandado todas as empresas refazerem suas propostas. A suspensão do processo licitatório ocorreu três dias depois do registro dos vencedores em cartório.
O Metrô, estatal do governo paulista, afirma que vai investigar o caso. Os consórcios também negam irregularidades ou “acertos”.
O valor dos lotes de 2 a 8 passa de R$ 4 bilhões. A linha 5 do metrô irá do Largo 13 à Chácara Klabin, num total de 20 km de trilhos, e será conectada com as linhas 1 (Azul) e 2 (Verde), além do corredor São Paulo-Diadema da EMTU.
Vídeo e Cartório
A Folha obteve os resultados da licitação no dia 20 de abril, quando gravou um vídeo anunciando o nome dos vencedores.
Três dias depois, em 23 de abril, a reportagem também registrou no 2º Cartório de Notas, em SP, o nome dos consórcios que venceriam o restante da licitação e com qual lote cada um ficaria.
O documento em cartório informa o nome das vencedoras dos lotes 3, 4, 5, 6, 7 e 8. Também acabou por acertar o nome do vencedor do lote 2, o consórcio Galvão/ Serveng, cuja proposta acabaria sendo rejeitada em 26 abril. A seguir, o Metrô decidiu que não só a Galvão/Serveng, mas todas as empresas (17 consórcios) que estavam na concorrência deveriam refazer suas propostas.
A justificativa do Metrô para a medida, publicada em seu site oficial, informava que a rejeição se devia à necessidade de “reformulação dos preços dentro das condições originais de licitação”.
Em maio e junho as empreiteiras prepararam novas propostas para a licitação. Elas foram novamente entregues em julho.
No dia 24 de agosto, a direção do Metrô publicou no “Diário Oficial” um novo edital anunciando o nome das empreiteiras qualificadas a concorrer às obras, tendo discriminado quais poderiam concorrer a quais lotes.

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Corrupção, que alívio...

Tive uma experiência paralela de como as coisas se passavam e continuaram a ser nas obras do metrô
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A revelação, feita pela Siemens, de um cartel de empresas para corrupção em serviços na obra do metrô paulistano, traz, além de outros possíveis sentimentos, um alívio para muitos. São as pessoas entre as quais é recorrente, há tantos anos, a referência à corrupção nessa obra - sem sequer vislumbre de denúncia ou de investigação dos que deveriam fazê-las.
Vem de longe. Do começo. No remoto e mal esquecido governo de Orestes Quércia, tive uma experiência paralela de como as coisas se passavam e continuaram a ser.
Muito feliz com o que o metrô em São Paulo proporcionava, Quércia quis fazer mais um, este na Campinas de suas origens. À época administrada pelo braço direito de Lula no PT e no sindicalismo, Jacob Bittar, e nem por isso Quércia teve problema. Um acordo resolveu o conveniente. As condições para a obra é que se mostraram problemáticas. Em termos, porque logo foi sugerida a solução do metrô de superfície - de qualquer modo, uma boa obra nos sentidos mais interessantes.
Feita a alegada licitação, a Folha demonstrou a publicação antecipada do seu resultado. Quércia negou o conluio, claro, e ironizou o anúncio classificado com a antecipação. Viria então a ser exibido, pelo governo e pela empreiteira dada como vencedora, um anúncio publicado na própria Folha, com o nome de outra empreiteira, como comprovação de que publiquei diferentes resultados.
Ocorreu-me que talvez houvesse ainda a papeleta de entrada desse anúncio, onde o responsável tivesse deixado alguma indicação sua. A ajuda de meu colega (e amigo) Leão Serva, então na Folha, foi preciosa. Conseguiu encontrar a papeleta. Nela, um nome e telefone.
Demorei muito até conseguir que atendessem a uma das ligações. É que o sujeito do nome e seus companheiros estavam ocupados. Era trabalhador de uma obra. Da empreiteira Mendes Jr.. A mesma que vencera a alegada licitação. A contrarrevelação estava desmoralizada.
Os fatos foram noticiados em pormenores pela Folha. Nenhuma dúvida de pé. Passamos a esperar, apenas, o inquérito, e a consequente anulação da obra, pelo Ministério Público de São Paulo. Os que sobrevivemos ainda, estamos esperando até hoje.
Lula disse à Folha, dias depois, em defesa de Jacob Bittar, que a publicação da fraude "foi feita para prejudicar eleitoralmente o PT". Jacob Bittar não tardou muito a dar as costas a Lula e ao PT, e aderir integral e explicitamente a Quércia, bandeando-se para o PDT. Fui processado por Orestes Quércia, que perdeu em quantas instâncias judiciais desejou.
Toninho Costa Santos, então vice-prefeito petista, foi dado por muitos dos envolvidos, e por muitos outros, como origem da revelação de fraude. Mais tarde eleito prefeito, foi assassinado, sem que a polícia paulista fosse capaz, ou por algum outro motivo, de dizer algo convincente sobre autor ou mandante do crime. Às vezes me ocorre a suspeita de que o íntegro Toninho começou a morrer na época daquela fraude, quando muitos passaram a vê-lo como incorruptível, e portanto perigoso, na sua carreira de ético entre interesses e interessados de todos os tipos.
Janio de Freitas
No fAlha
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Comando Sul - Como operam os Estados Unidos na América Latina

Obama consolidou a militarização da USAID, uma agência que opera na região sob a fachada de ajuda humanitária. É dirigida por Mark Feierstein, especialista em contrainformação.
As revelações resultantes dos documentos que Edward Snowden divulgou acerca do sistema de espionagem global montado pelos EUA são mais uma peça para a compreensão do colossal sistema de ingerência na vida interna de países soberanos que o imperialismo organizou. Na América Latina, e no chamado Terceiro Mundo em geral, a USAID é outra peça fundamental dessa engrenagem.
Um ex funcionário da CIA revelou um perigoso programa de espionagem e intervenção política na região. Quem são e como trabalham para desestabilizar os governos populares da Unasur. Edward Snowden não é um herói, mas a humanidade deve-lhe um enorme favor. Os documentos que o ex funcionário da CIA filtrou para o mundo demonstram o que até agora a política global sabia mas não se atrevia a denunciar: que os Estados Unidos não pouparão crimes para continuarem sendo o que são. Um império voraz.
Nós, habitantes de América latina, poderíamos presumir que não necessitávamos de Snowden para o saber. Nesta região, os Estados Unidos promoveram golpes, ditaduras genocidas, políticas económicas predatórias e elites financeiras mafiosas com o evidente objectivo de rapinar os seus recursos naturais, materiais e humanos. A intervenção foi tão vasta e letal que na diplomacia regional ainda se troca uma velha piada: “¿Sabe por que é que nos Estados Unidos não há golpes de Estado? Porque ali os Estados Unidos não têm embaixada”.
Apesar das evidências históricas em vários países de Latinoamérica como a Argentina, abunda quem acredite que a intervenção estado-unidense em assuntos domésticos é pura ficção. O equívoco foi alimentado por formadores de opinião aliados ou cooptados pela diplomacia estado-unidense, como revelaram os telegramas difundidos por Wikileaks, onde abundam referências aos vínculos entre "A Embaixada" e o sistema tradicional de media que no nosso país é dirigido pelo grupo multimédias Clarín. Um detalhe: referir-se à sede diplomática estado-unidense como “A Embaixada” explicita até que ponto se naturalizou os EUA como farol político. Mas não são as sedes diplomáticas as únicas que perpetram as actividades intervencionistas dos EUA na região. O país do Norte conta com uma complexa rede de organismos que, com fachadas várias, foram e são utilizados para tarefas sujas que vão desde a espionagem e a formação de quadros dirigentes dependentes até à desestabilização de governos e economias com o seu consequente custo político e social.
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Uma das organizações mais activas é a United States Agency International Development (USAID), um organismo que os EUA criaram com a proclamada intenção de desenvolver tarefas humanitárias nos países do Terceiro Mundo. A sua origem remonta à Aliança para o Progresso, criada em 13 de Março de 1961 pelos mesmos funcionários que vários anos antes tinham dado à luz o Plano Marshall com a intenção de colocar o seu país à cabeça da reconstrução da Europa do pós-guerra. A Aliança fracassou pouco depois de nascer uma vez que os países da região rejeitaram as condições da “revolução pacífica e democrática” que os EUA pretendiam impor em troca dos 20.000 milhões que prometiam investir. Mas antes de ser cancelada, em Novembro de 1961, foi fundada a USAID, uma de sus agencias que, formalmente, devia veicular parte dos investimentos em programas de desenvolvimento humanitário, fachada que se mantém até hoje.
A fantasia filantrópica permitiu-lhe forjar, através de generosos contributos financeiros, uma rede de fundações e ONGs destinadas a difundir os benefícios do alinhamento com os EUA e a sua “american way of life” mediante propaganda e programas de formação. Mas essa é apenas a face amável da sua tarefa. Ligeiramente maquilhado, o verdadeiro rosto da agencia é mais hostil: intervir nos processos políticos da região com o pretexto de proteger a segurança nacional do seu país.
A militarização dos objectivos da USAID culminou em 2010 quando o presidente Barack Obama incluiu o general Jeam Smith – um estratega militar que esteve na OTAN – no Conselho de Segurança, apenas com a função de acompanhar os programas de “assistência social” que a agencia tinha em andamento. E como director adjunto foi nomeado Mark Feierstein, cuja folha de serviços encaixava nos desafios que os EUA antevêm na região: perito em guerras de quarta geração – ou campanhas de desinformação –, e proprietário de Greenbarg Quinlan Rosler, uma empresa que proporciona orientação estratégica sobre campanhas eleitorais, debates, programação e investigação.
Alérgico aos governos populares que se estendem pela América latina, Feierstein comprovou a eficácia do seu método como assessor de Gonzalo Sánchez de Lozada durante a campanha que o depositou na presidência de Bolívia. Goñi, como o chamavam na sua pátria, foi o paroxismo da colonização política que os EUA derramaram sobre os países do Sul nos anos noventa. Criado, educado e formado em solo estado-unidense, Sánchez de Lozada voltou à sua terra de nascimento para ser presidente pela mão de Feierstein. Durou no cargo pouco mais de um ano: o chamado “Massacre do Gás”, em 2003, onde morreram mais de sessenta pessoas, ejectou-o do poder e devolveu-o aos EUA, onde vive como fugitivo da Justiça boliviana amparado pelo governo que colocou o seu amigo Feierstein à frente da USAID.
As correrias do seu director não são a única coisa que liga a agencia à Bolívia. No passado 1 de Maio, o presidente Evo Morales não sabia que o escândalo Snowden o levaria a protagonizar uma vergonhosa detenção na Europa (ver nota aparte). Mas sabia aquilo de que a USAID era capaz. Por isso, nessa jornada emblemática onde os trabalhadores celebram o seu dia, o presidente anunciou que expulsava a agencia de solo boliviano por “ingerência política” e “conspiração”. Dias depois, o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, detalhou: “Não se trata de uma inocente agencia de cooperação filantrópica dos Estados Unidos para com a Bolívia e o mundo. A agencia estado-unidense serviu para legitimar as ditaduras entre 1964 e 1982, para promover o neoliberalismo entre 1985 e 2005, e para além disso é um factor externo que alimenta a instabilidade no país desde 2006”.
Um dos factos que chamou a atenção do governo boliviano foi a materialização, em 2007, de um convénio entre o prefeito de Pando Leopoldo Fernández e a USAID para levar por diante “programas sociais” em Bolpedra, Cobija e El Porvenir. O apoio logístico esteve a cargo do Comando Sul e a cobertura institucional da Iniciativa de Conservação da Bacia Amazónica. Outro episodio que motivou a expulsão foi a activa participação da agencia estado-unidense, via Wildlife Conservation Society (Sociedade de Conservação da Vida Selvagem), na disputa violenta entre os povoadores de Caranavi e Palos Blancos pela localização de uma fábrica processadora de frutas em Janeiro de 2010, a poucos dias de Evo Morales assumir o seu primeiro mandato no Estado Plurinacional.
A utilização de fundações e ONGs para terceirizar operações é uma prática habitual da USAID. Na Argentina, por exemplo, há uma dezena de fundações que operam por conta e ordem da agencia estado-unidense. Que os movimentos sejam mais sigilosos não implica que sejam menos potentes. Um exemplo: entre el 8 e 12 de Abril deste ano, a USAID financiou uma cimeira da direita internacional. Organizada pela Fundación Libertad – o tentáculo predilecto da agencia no nosso país –, acorreram ao encontro o Nobel Mario Vargas Llosa e o seu filho Álvaro – adversários dos governos populares que habitam a região –; José María Aznar – ex-presidente espanhol que apoiou a invasão do Iraque –; o pinochetista Joaquín Lavín; Marcel Granier, presidente da emissora venezuelana RCTV que apoiou e impulsionou o golpe contra Hugo Chávez em 2002, e a cubana anticastrista Yoani Sánchez, que à última hora desistiu da visita.
O seminário abundou em críticas contra os processos emancipadores da região. E os intervenientes, sem subtilezas, pediram para acabar com os governos populares em curso para os substituir por outros mais “modernos”, de acordo com os conceitos de “democracia” que os EUA impuseram como doutrina global. Não foi, é certo, uma posição original. Cinco anos atrás, no mesmo cenário embebido em prosperidade sojeira, tinha-se realizado um seminário semelhante, com o próprio Vargas Llosa como animador principal.
Aquele seminário contou com vários “peritos” alinhados com as políticas do Consenso de Washington como o jornalista de La Nación Carlos Pagni, o ex candidato presidencial Ricardo López Murphy, e Mauricio Macri, regente do Pro e da Fundación Pensar, co-organizadora do evento.
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Estas fundações, como outras similares que operam na região, contam com o aval financeiro do National Endowment for Democracy (NED, Fundação Nacional para a Democracia), financiada oficialmente pelo Congresso norte-americano. Mas a vinculação não se esgota nas contribuições. Nos anos oitenta, muito antes de ser director da USAID, o inefável Feierstein trabalhou para a NED em Nicarágua. O seu objectivo: evitar o triunfo do sandinista Daniel Ortega. Conseguiu-o patrocinando a candidatura de Violeta Chamorro.
As operações da dupla USAID-NED na América latina foram reveladas por Wikileaks, o sitio que difundiu milhões de telegramas internos do Departamento de Estado. Num deles, o ex embaixador estado-unidense em Venezuela, William Brownfield, revelou como o seu país alimentou a oposição a Hugo Chávez com ideias e milhões. O telegrama, enviado da embaixada dos EUA em Caracas em Novembro de 2006, detalhava como dezenas de organizações não-governamentais recebiam financiamento do governo norte-americano por intermédio da USAID e do Escritório de Iniciativas de Transição (Office of Transition Initiatives – OTI –). Este operacional incluiu “mais de 300 organizações da sociedade civil venezuelana”, que iam desde defensores dos deficientes até programas educativos.
Na aparência, esses programas tinham objectivos humanitários, mas foi o próprio embaixador Brownfield quem detalhou os objectivos reais desses investimentos: “A infiltração na base política de Chávez… a divisão do chavismo… a protecção dos interesses vitais dos EUA… e o isolamento internacional de Chávez”.
Brownfield escreveu que o “objectivo estratégico” de desenvolver “organizações da sociedade civil alinhadas com a oposição representa a maior parte do trabalho da USAID/OTI na Venezuela”. A confissão dos próprios….
Numa excepção ao seu modus operandi, no Paraguai a agencia realizou o trabalho sujo sem intermediários. Investiu 65 milhões de dólares no projecto “Umbral”, um programa que incluiu a elaboração de um Manual Policial, o que le permitiu ganhar posições numa instituição que viria a ser chave no devir político do país. Foi a policia, com uma brutal e injustificada repressão rural, quem serviu de bandeja a justificação para derrubar o presidente Fernando Lugo. Já o tinha predito o ministro da Corte argentina Raúl Zaffaroni: sepultado o partido militar, são as forças de segurança quem exercerá o papel de força de choque dos poderes fácticos da região interessados em interromper processos políticos que contrariem os seus interesses.
As operações da agencia revelam que a verdadeira ameaça para a consolidação do processo político da região não é a espionagem, mas as decisões que os EUA tomem a partir dessa informação. Como ficou demonstrado no Iraque – onde o Pentágono utilizou informação falsa para justificar a invasão –, nem sequer é necessário que os dados sejam fiáveis. Basta que a CIA ou algum organismo similar avalie que algum país de América latina representa uma ameaça para a segurança nacional estado-unidense para que se avance com ataques preventivos contra essa nação. A ofensiva pode ser brutal, como no Iraque, ou mais sofisticada, executando tarefas que desestabilizem um governo popular. Uma conspiração que nunca descansa.
Todos sob a lupa
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A partir das revelações de Edward Snowden, o ex empregado da Agencia Central de Inteligência (CIA) e da Agencia de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, foi levantado um véu que confirma a rede de espionagem do governo de Barack Obama. Tudo começou quando ofereceu a The Guardian e The Washington Post a publicação de documentos e informação confidencial. Prosseguiu com o episodio do sequestro do presidente Evo Morales quando da sua visita à Rússia, onde se supunha que estava Snowden, quando não lhe foi permitido usar o espaço aéreo de Espanha, Itália, Portugal e França por se suspeitar que Snowden estava escondido no seu avião. O facto mereceu o repudio de todos os mandatários da Unasur que se reuniram de forma urgente em Bolívia, para brindar o seu apoio a Evo. Enquanto Snowden procurava asilo político e com os Estados Unidos procurando caçá-lo por todo o planeta, voltou há poucos dias a revelar novos documentos, que desta vez foram publicados no diário brasileiro O Globo. Ficou a conhecer-se que a rede de espionagem dos Estados Unidos se expandiu por toda América latina, operando fortemente no Brasil, México e Colômbia, mas com uma rigorosa vigilância em países como a Argentina, Venezuela, Equador, Chile, Peru e Panamá. Os dados confirmam a espionagem via satélite de comunicações telefónicas, correios electrónicos e conversações online, até pelo menos Março de este ano. A monitorização realizava-se através de programas de software: o Prism (Prisma) que permite o acesso a e-mails, conversações online e chamadas de voz de utilizadores de Google, Microsoft e Facebook e o Boundless Informant (Informante Sem Limites), que permitiam violar todo o género de comunicações internacionais, faxes, e-mails, entre outros. Os temas mais controlados pelos espias foram o petróleo e acções militares em Venezuela, energia e drogas em México, a cartografia dos movimentos das FARC em Colômbia, para além da agonia e morte de Hugo Chávez.
A presidente Cristina Fernández de Kirchner manifestou a sua preocupação no acto de 9 de Julho em Tucumán e sublinhou: “Causa calafrios quando nos damos conta de que nos estão espiando a todos através dos seus serviços de informações. Mais do que revelações, são confirmações do que tínhamos acerca do que estava a acontecer”. De caminho, aproveitou para lançar um alerta: “Os governantes dos povos da América do Sul, que temos combatido nesta década acompanhados por milhões de compatriotas, temos o dever de reparar no que se está a passar e de unir as nossas forças”. Na sexta-feira reúnem-se os representantes do Mercosur e a Presidente espera “um forte pronunciamento e pedido de explicações” ao governo de Obama.
No Veintitres
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Derecha brasileña protesta frente a sede del XIX Foro de Sao Paulo

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Sobre médicos e monstros

Governo tucano de São Paulo promete investigar Coríntio Mariano Neto, diretor do hospital público que, segundo funcionários, sabia de todo o esquema dos médicos que fraudavam a presença.
O mesmo diretor foi obrigado, em 2006, a indenizar três enfermeiras após chamá-las de "negra", "gorda" e "porcas".
Veja também: Médicos batem ponto sem trabalhar em hospital público de SP
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