2 de ago de 2013

Gás lacrimogênio e sparay de pimenta matam o ator Fernando Silva

Morre ator e cantor Fernando Silva. A Globo censurou a razão da morte em sua matéria
Morreu ontem em decorrência do uso abusivo de gás lacrimogênio e spray de pimenta Fernando Silva, ator e cantor, de 34 anos, fundador do Cinema de Guerrilha da Baixada.
clip_image002
Fernando silva dando depoimento no hospital
Veja o vídeo depoimento no final.
A Globo censurou a razão da morte em sua matéria, mas pode ser conferido sem dúvida no vídeo do youtube. Ele acreditava que ia se recuperar e brada que irá voltar para cobrar a saída do Cabral.
É por isso que a frente da casa do Cabral está ocupada há 6 dias e assim continuará até ele cair. Câmaras municipais estão sendo ocupadas pelo país e as manifestações se mantém intensas, como pode ser conferido na mídia ninja.
O direito inalienável do ser humano à expressão de suas idéias está sendo violentamente cerceado no nosso estado e país. Quem está em casa certamente não sabe nem saberá o que está acontecendo.
Sobram opiniões e conforto, faltam participação e cidadania.
Veja a matéria do O Globo 
 clip_image004
No CHEbola
Leia Mais ►

Tarifa do transporte: o que está por trás dela?

 
Trata-se de uma questão política. Não é contabilidade: é o poder de a cidade comandar o seu próprio destino
Há um ‘personagem’ que monopoliza a narrativa dos protestos e debates em torno da tarifa do transporte coletivo urbano: a “caixa preta” na qual se ocultam as distorções e gorduras de planilhas controladas pelas empresas do setor.
A planilha misteriosa atravessa os tempos: é a mesma utilizada pelo GEIPOT, ainda na ditadura.
A trajetória adensa as suspeitas e expectativas: uma vez aberta a caixa preta, resolve-se o desafio de baratear e qualificar o transporte coletivo?
Nada mais equivocado.
Os dois principais itens da operação são a mão de obra (entre 45% e 50% do custo total) e os combustíveis (em torno de 20% do total).
Manutenção, reposição, impostos, taxas, depreciação do investimento em novos veículos, garagens complementam o núcleo duro dos custos.
Nada disso está oculto, nem é difícil de medir. Antes dos reajustes, a prefeitura de São Paulo publica essa planilha no Diário Oficial e na internet.
Por aí a margem de manobra é estreita.
A verdadeira caixa preta consiste em destrancar a lógica que ordena a discussão.
Só se supera aquilo que se substitui.
A prefeitura precisa trazer para a cidadania e para as empresas outra lógica, ancorada em dois pilares de discussão: a) o custo total do sistema de ônibus e b) o critério de remuneração das concessionárias ou permissionárias, contratadas para executar o serviço.
Esta é a chave.
Essa ponderação permitirá à cidade e às autoridades avaliarem se o custo total do sistema é remunerado adequadamente ou não.
Um sistema de ônibus urbanos pode e deve ser dimensionado a partir da demanda e da concepção da cidade.
(Esse novo dimensionamento deve incluir os seguintes itens): trajetos, frequências, conforto da viagem, o nível de ocupação dos ônibus --passageiros por metro quadrado, no horário de pico ou de ‘vale’ –, tempo de viagem, tempo de espera no ponto, distância da origem e do destino dos pontos mais próximos, qualidade oferecida nos veículos (ar condicionado; motor traseiro; transmissão automática; piso baixo; nível de ruído interno e externo e outros).
Esse dimensionamento define os chamados capex e opex , respectivamente, os gastos de capital (capital expenditures) e da operação propriamente dita ( operational expenditures).
O conjunto define as condições do serviço a ser contratado. A formatação desse ‘pacote’ é um prerrogativa do planejamento urbano do contratante: a prefeitura, que não pode rebaixar o exercício dessa responsabilidade.
Feito isso, há que se reconhecer um fato crucial: dado um padrão de serviço exigido, seu custo é fixo em relação aos passageiros transportados. Em resumo: não importa quantos passageiros o veículo transportará.
O custo variável por passageiro, embora mensurável, é desprezível em relação ao custo fixo da operação. Um passageiro a mais não custa nada a mais (rigorosamente, custa uma fração infinitesimal do custo).
Os economistas dirão que, na margem, os passageiros custam zero.
O que modifica os custos são as variações significativas do nível de serviço (e consequentemente, dos insumos. Apenas quando acontecem, os custos mudam).
Assim, não tem o menor sentido falar-se em custo ou remuneração por passageiro.
O número de passageiros transportados não é, em si mesmo, o objeto de cálculo do custo do sistema, mas a base do seu dimensionamento.
Há situações correlatas que ajudam a entender essa escala do negócio.
Sistemas de TV a cabo, por exemplo, onde o novo assinante não representa custo, já que a rede está instalada para uma certa capacidade de ligações.
Ou ainda, sistemas de telefonia celular e fixo. Ou o passageiro adicional no avião que vai decolar de qualquer jeito, com lugares vazios.
A receita adicional nestes casos é bem vinda, desde que seja maior do que o custo variável e marginal do passageiro.
No caso do avião, este custo resume-se ao combustível gasto pelo peso do passageiro adicional.
O acréscimo tende a zero, comparado com os custos fixos da viagem.
Por isso, em todos estes negócios, o que importa é maximizar a receita usando o máximo do investimento feito: o custo, para todos os efeitos, é fixo.
O problema da companhia aérea é não transportar poltronas vazias... Razão pela qual existem planos promocionais desses serviços , caso da telefonia, por exemplo. Fale “x” minutos e não pague a mais , etc.
O intuito é ocupar no tempo, inteiramente, a rede operacional, cujo capex (gasto de capital) já foi feito na instalação do sistema e o opex (custo da operação) não cresce por conta da ligação a mais que o usuário completa.
Outro exemplo é o táxi.
Um passageiro entra no táxi. e diz o endereço de destino. A meio caminho encontra um ou mais amigos andando a pé e os convida para entrar no táxi. Esses novos passageiros obviamente não pagam nada por isso, pois não significaram quase nenhum custo adicional, este já calculado quando dos custos registrados no taxímetro.
Decorre daí a pergunta que remete à questão original da tal da lógica que ordena o custo da tarifa em São Paulo: se o custo é fixo, porque remunerar os contratados pela Prefeitura por passageiro, como acontece hoje?
Porque licitar e contratar por um valor de remuneração por passageiro se isso implica que, por exemplo, mais passageiros transportados proporcionam maior receita, e nenhum custo?
A lógica tem que mudar. O problema está nela, não na tal caixa preta.
Pior ainda.
Mantida essa lógica, ocorrem situações absurdas.
Uma hipótese: se o numero de passageiros cai no sistema porque, por exemplo, ele é de péssima qualidade, o que motiva concorrentes clandestinos, o contratante pode incorrer no erro de avaliar que o “custo aumentou” ( porque a fração custo/passageiro se eleva).
Em outras palavras, o contratante é onerado por uma ineficiência do contratado.
O custo unitário por passageiro é uma grandeza falaciosa e leva a esses erros crassos de política pública (e privada também, é forçoso admitir).
Um último exemplo do equívoco embutido na lógica de remuneração por passageiro.
Quando surge o serviço clandestino na linha, com tarifa de R$ 0,80, digamos, ele rouba 10% dos passageiros ( para uma tarifa de R$ 1,00) por exemplo.
Quem faz a conta por passageiro entenderá, erroneamente, que o sistema desequilibrou, pois menos passageiros resultarão em menor receita.
“Racionalmente” o contratante vai ter que reajustar a tarifa para compensar a perda de receita.
Ou, ainda, diminuir os custos reduzindo a frota operante, o que agravará novamente a sua situação, pois os clandestinos ficarão mais competitivos...
Uma espiral típica de “cabeças de planilha” que leva a um ciclo suicida…
Alguns argumentarão que a remuneração por passageiro é um instrumento de controle da prefeitura.
Supostamente, evitaria o descaso com passageiros abandonados nos pontos etc.
Vejamos. Num táxi., é o usuário que controla o trajeto, caso o motorista queira estendê-lo indevidamente. Nos ônibus, é o poder contratante que deve fiscalizar o trajeto, bem como as paradas obrigatórias, o total de passageiros recolhidos etc.
Hoje mais do que nunca, isso pode ser feito instantaneamente, com o aparato tecnológico disponível.
Para resumir: num sistema como o atual, que leve em conta a remuneração também por passageiro, o empresário é levado a baixar seu custo ofertando menos viagens, de modo a lotar um número menor de veículos, o que significará serviço de pior qualidade.
Além disso, dará prioridade às linhas mais rentáveis, ou seja, com alto índice de passageiros por extensão rodada.
Para ser enfático: a linha de ônibus e número de passageiros transportados não deve e não pode ser uma variável sobre a qual o empresário tenha qualquer interferência.
Não lhe diz respeito: quem decide isso é o contratante.
Ademais, é preciso advertir que nem Thatcher ou Pinochet conseguiram resolver os desafios dos sistemas de transportes coletivos à mercado.
Ou seja, não tem cabimento a prefeitura adotar um regime de concessão de linhas e mesmo de áreas ou regiões homogêneas em termos de passageiros por quilômetro.
Dadas as características monopsônicas (inverso de monopólio) desse mercado, cabe-lhe calcular o custo operacional e de capital, pagando, tão somente esse custo. Adicionando-lhe uma margem de lucro competitiva em relação a outras oportunidades de aplicação do capital.
Ponto.
Redefinido o jogo com base nessa lógica, aí sim, o poder concedente, a prefeitura de São Paulo, no caso, conseguirá dimensionar o sistema exclusivamente em função do interesse dos usuários e da cidade.
Livra-se do círculo vicioso que é a discussão a gosto das empresas, baseada no rateio de linha mais ou menos rentável, custo por passageiro etc.
A distorção não se limita à esfera financeira. Ela prejudica todo o planejamento e a ação da prefeitura no sistema de transporte.
Nos corredores de ônibus tal como operam atualmente, ocorre a mesma lógica perversa que descrevemos.
Mantido o equivoco do custo por passageiro, é fácil perceber-se porque eles acabam congestionados pelos próprios ônibus.
A razão é que as empresas vão disputar passageiros ali ferozmente, posto que também são remuneradas pela lotação.
Os corredores, desse modo, distanciam-se ainda mais da sua concepção original: um fluxo livre de um terminal a outro, salvo algumas eventuais exceções.
O corredor deve se mirar no metrô: não existe o caos da ‘ultrapassagem de veículos no metrô’; nenhum passageiro “espera o meu trem” numa estação de metrô. Assim deveria ser o corredor de ônibus.
Ao cancelar a maior licitação de linhas de São Paulo, a prefeitura abriu um espaço redefinir as bases do modelo de transporte que a cidade precisa e que ela vai contratar.
Repita-se, é sua prerrogativa definir as regras do jogo que tornem mais racional e eficiente o sistema de transporte na cidade.
O modelo de contratação e a fórmula de remuneração dos serviços devem ser debatidos de forma transparente com a cidadania.
A contratação por frota com exclusivo pagamento do opex calculado como acima mostrado e remuneração de capital, é de longe o que mais interessa à população.
Absurdos como o inverso, ou seja, frota pública operada pelas empresas, com gigantescos investimentos da Prefeitura/Estado em compra de frota, deixando às empresas o “filé” de terceirizar a mão de obra etc.; ou propostas de estatização completa do sistema, novamente fazendo uma enorme despesa de capital pela Prefeitura, são completamente fora de sentido no momento.
Curioso que essas “sugestões” são aventadas ao mesmo tempo em que o Prefeito diz não ter dinheiro para subsidiar R$0,20 na tarifa, ou diz que a Prefeitura corre o risco de insolvência.
O mais certo é a contratação de frota, como um fretamento.
Se mantido o sistema de concessão, que só tem vantagem para o empresário, é indispensável separar o custo da tarifa cobrada, se cobrada.
É o que prevê o artigo nono e parágrafos da Lei da Mobilidade promulgada pela presidenta Dilma, em janeiro de 2012.
Separa-se ali a tarifa (o opex) do que for a remuneração paga ao concessionário, conforme os custos. Estes devem ser calculados como mencionamos, da tarifa pública cobrada do usuário, desejavelmente subsidiada ou, no limite, zero.
A conjuntura atual tem muita semelhança com a de 1991, para melhor, pois a mobilização das ruas ampliou a margem de manobra da prefeitura.
Naquela oportunidade, os contratos em regime de concessões, que só interessam aos empresários, estavam vencidos como hoje.
A crise do transporte estava escancarada.
Como hoje, a ponto de o Prefeito suspender a concorrência para renovação das concessões.
Em 1991 os contratos de concessão foram substituídos pelos de fretamento, tal como descrito acima, com suas evidentes vantagens para a população.
Foram incorporados mais 2.000 novos ônibus em seis meses de contratos, para uma frota então existente de 8.000!
Um salto, tristemente revertido para o velho sistema de concessões e remuneração por passageiro, no governo de Marta Suplicy.
A irracionalidade dessa escolha é tanta que, por acaso, se a remuneração por passageiros for superior a dos custos do sistema (custo mais lucro), recursos adicionais serão indevidamente transferidos para os contratados. Um caso de enriquecimento ilícito?
Mas o inverso, em tese também pode ocorrer.
Se a remuneração for menor do que custo mais o lucro previamente definido, não se estará contribuindo para que o sistema se degrade, com retirada de ônibus?
No edital ora cancelado, propôs-se fazer a remuneração “50% por custos e 50% por passageiro”, algo que não tem qualquer sentido em termos de remuneração de custos reais.
É forçoso repetir à exaustão: a discussão sobre planilha de custos não deve ser o centro do debate; o que importa é a forma de remuneração dos serviços contratados.
A discussão de uma planilha absolutamente insuspeita, pode ser feita por um Conselho Municipal de Tarifas, com dois ou três representantes da Prefeitura, representantes da FIPE, Dieese, Ministério Público, e outros representantes da sociedade civil, que estabelecerá essa planilha “acima de qualquer suspeita”.
Isso já aconteceu em 1989/1990 no governo municipal de São Paulo.
É hora de mudar, definitivamente, para o fretamento.
O que precisa ser estatizado, definitivamente, é a gestão do sistema.
Ou seja, a Prefeitura deve exercer integralmente sua prerrogativa e o direito de dimensionar linhas tendo em vista os interesses dos usuários e a cidade que se deseja.
Remunerar as empresas contratadas exclusivamente por custos operacionais e adicional de capital é o ponto de partida para se abrir e democratizar a discussão do transporte e da tarifa com a cidade.
A cidadania, através da Prefeitura, precisa exercer o seu poder de mando sobre as linhas. E isso inclui definir a lógica da remuneração pelo serviço prestado aos operadores da malha.
Trata-se de uma questão política. Não é contabilidade: é o poder de a cidade comandar o seu próprio destino.
Mauro Zilbovicius e Lúcio Gregori
No Mobilização BR
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1875

Leia Mais ►

Dois advogados que não honram o diploma chantageiam o STF

O clamor das ruas jamais foi a favor dos direitos individuais. O movimento de manada quer sangue, vingança. Sempre foi assim, mesmo em democracias maduras. Vide o que ocorreu no período macartista nos EUA. Ou no Brasil da Escola Base e do Bar Bodega.
Por isso mesmo, independentemente de quem seja o réu, qualquer advogado que honre seu diploma sairia em defesa dos direitos individuais contra os movimentos de manada. Advogado que estimula a manada se equipara a tudo o que a OAB combateu na ditadura, nos grandes episódios traumaticos da história do país. Representa o que de pior existe no pensamento anti-jurídico, na luta civilizatória contra o arbítrio.
A Folha encontrou dois advogados para chantagear os Ministros do STF na AP 470. Que ela faça isso, é compreensível: o grande poder da mídia é estimular movimentos de manada. É onde mostra a musculatura e a falta de escrúpulos. No Seminário dos 80 anos da Folha, insurgi-me contra colega que colocava como ponto alto da democracia o fato da pressão da mídia ter permitido que um senador da República fosse algemado em um vôo que o transportava. Respondi que era sinal de selvageria institucional. Ao defender a falta de regras e de direitos a um senador, a colega estava convalidando todos os arbítrios contra os anônimos.
Ao se prestarem ao trabalho mesquinho de alimentar o efeito-manada, os advogados Fernando Leal e Adriana Lacombe Coiro desonram a advocacia e a defesa dos direitos individuais. E Adriana desonra um sobrenome ilustre do meio jurídico.

Decisão favorável aos réus pode implicar custos políticos para novos ministros

FERNANDO LEAL | ADRIANA LACOMBE COIRO
ESPECIAL PARA A FOLHA
http://i1.ytimg.com/vi/mXF0VgCTx8Q/hqdefault.jpg
Fernando Leal
O retorno do julgamento do mensalão é aguardado com grande expectativa. Nesta nova etapa, quais podem ser os custos envolvidos na rediscussão de certas condenações para os ministros, para a imagem do STF e para a sociedade?
Dois novos ministros entram em cena. Como se comportarão Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso? Na hipótese de os embargos infringentes serem admitidos - questão inédita que ainda será discutida no plenário - a participação de ambos será crucial para o desfecho do julgamento. O destino de réus condenados que obtiveram 4 votos favoráveis à absolvição, como José Dirceu e João Paulo Cunha, pode ser revisto.
Barroso e Zavascki votarão logo após relator e revisor, acompanhados de perto por toda a sociedade. Isso influenciará a sua decisão?
Em sua sabatina, Barroso foi categórico: ninguém me pauta. Zavascki, na mesma linha, também já reconheceu que a atividade de um julgador nem sempre deve se orientar pela vontade popular.
Agora em suas cadeiras e diante do processo, uma decisão favorável aos réus implicaria custos políticos para os novos ministros. Seria frontalmente contrária à opinião manifestada nas passeatas das últimas semanas. Para ambos, seria um início de carreira no STF tumultuado. Barroso e Zavascki, porém, são juristas renomados, acostumados a lidar com a opinião pública e suas pressões.
As manifestações instalaram um clima de insatisfação com a política, a corrupção e a impunidade. Espera-se que as condenações sejam confirmadas. Serão as vozes das ruas ecoadas no plenário?
Para a instituição, o que está em jogo também pode ir além dos debates jurídicos. Eventuais reviravoltas no processo poderão afetar o superavit de confiança de que goza o STF perante a sociedade.
Na primeira parte do julgamento, a corte mostrou maturidade para lidar com os reclames do público. Condenou e absolveu nos limites das provas e argumentos. Deixou claro que ouvir não significa necessariamente obedecer.
Se há dúvidas nesta nova fase, a independência da corte e dos novos ministros parece não estar entre elas.
FERNANDO LEAL é professor da FGV Direito Rio
ADRIANA LACOMBE COIRO é pesquisadora da FGV Direito Rio
No Advivo
Leia Mais ►

Dilma sanciona lei que cria o Sistema Nacional de Combate à Tortura

A presidenta Dilma Rousseff sanciona hoje (2) o Projeto de Lei Complementar 11/2013, que cria o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, com o objetivo de enfrentar o crime em delegacias e outros locais onde pessoas são detidas sob custódia do Poder Público. O sistema será formado por conselhos de comunidades, conselhos penitenciários estaduais, corregedorias e ouvidorias de polícia.
“Temos que admitir tristemente que a tortura não ficou restrita ao período da ditadura militar. Ela permanece ocorrendo como prática dentro das delegacias, dos presídios, das estruturas do Estado. O sistema é uma nova possibilidade de o Brasil ter um mecanismo real para chegar nas instituições e verificar, ter peritos com autonomia para dizer o que acontece com o corpo das pessoas, como ele está marcado pela tortura, ou as próprias condições em que as pessoas vivem”, avaliou a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário.
Além do Sistema Nacional, a lei prevê a criação do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, que, segundo Maria do Rosário, será composto por organizações da sociedade civil que lutam contra a tortura.
Além disso, um grupo de peritos federais poderá atuar em penitenciárias, presídios, instituições de longa permanência de idosos, abrigos de crianças e adolescentes, entre outras, para verificar eventuais situações de tortura. “Eles visitarão estes lugares, identificando as situações de tortura e buscando que sejam responsabilizados os agentes da tortura no Brasil”, acrescentou a ministra.
Luana Lourenço
No Agência Brasil
Leia Mais ►

Dilma sanciona a lei que pune empresas corruptoras

O Diário Oficial de hoje publica a sanção da Presidenta Dilma Rousseff às empresas que participam de atos de corrupção envolvendo a administração pública.
Com isso, independente das responsabilidades criminais de seus dirigentes, as empresas passam a ser punidas quando corromperem servidores, oferecerem vantagens,fraudarem documentos, formarem cartel ou viciarem licitação, obtiverem prorrogações irregulares de contratos ou reajustes indevidos ou dificultarem a fiscalização dos órgãos de controle, mesmo que isso se faça através de “laranjas”, “consultorias” ou outras formas indiretas de ação.
A empresa considerada culpada destes atos pagará multa entre 0,1% e 20% do seu faturamento bruto – e nunca inferior ao valor do qual se beneficiou indevidamente – além de ter de ressarcir ao poder público o valor do dano causado por seus atos.
Dilma vetou alguns “furos” da lei aprovada no Congresso, como o que limitava a multa ao valor do contrato – o que poderia torna-la irrisória diante da gravidade do ato de corrupção, se este se desse em pequenas operações – e o que graduava o nível de punição da empresa pelo nível do servidor a quem corrompesse, o que tenderia a fazer o velho truque de jogar a culpa nos pequenos.
Se já tivéssemos uma lei assim – adivinhe por que não tínhamos, se temos lei para tudo? – imagine o que estaria acontecendo com a Globo no caso do processo sumido de sua sonegação fiscal, pelo qual só pagou, até agora, uma servidora modesta da Receita Federal.
Ah, e o melhor é que nem precisa do Ministério Público, que só entra obrigatoriamente no processo para a responsabilização criminal ou para o arresto judicial de bens para garantir o pagamento da pena administrativa.
Charge do Kayser
Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

O que é bom a gente esconde...

Na explicação, em letras bem pequenas, se lê:
"Na indústria, produção surpreende e volta a crescer.
Analistas já admitem que economia brasileira poderá
ter expansão maior em 2013"

(Obs.: Desde o fim do período mercantilista, que teve seu apogeu nos séculos 17 e 18, sabe-se que déficits ou superávits comerciais, por si sós, não determinam a saúde da economia - mas, pelo visto, a Míriam Leitão não sabe disso).
No Sala Fério
Leia Mais ►

Berlusconi foi condenado por fazer o mesmo que para a Globo não deu em nada

A Justiça brasileira não é, infelizmente, igual à italiana.
Berlusconi foi acusado de pagar sexo com esta garota quando ela era menor, mas foi condenado por sonegação
Berlusconi foi acusado de pagar sexo com esta garota quando ela era menor, mas foi condenado por sonegação
O réu era considerado “intocável”.
Mas foi pego numa sonegação que envolvia a compra de direitos de transmissão para seu império de tevê e o uso de paraíso fiscal.
E na última instância, o Supremo, a condenação foi mantida.
Não há mais recurso.
Num Brasil mais avançado, esta poderia e deveria ser a história da Globo e sua espetacular trapaça fiscal por conta da Copa de 2002.
Mas isso fica, talvez, para o futuro.
Por ora, é o que a Itália fez punir exemplarmente o ex-premiê Silvio Berlusconi.
O Cavalieri, como ele é conhecido, foi sentenciado a quatro anos de prisão. Por causa da idade, 76 anos, ele provavelmente receberá atenuantes. Na Itália, há restrições legais a cadeia a partir dos 70 anos.
Berlusconi provavelmente ficará em prisão domiciliar, e fará trabalhos comunitários.
Por trás de tudo, está o combate que a Itália está dando à sonegação, ou, como alguns preferem, “planejamento tributário”.
A evasão vem sangrando os cofres públicos, e a sociedade italiana está indignada. Não quer mais cortes no orçamento do governo que castiguem os 99% e preservem o 1% que pratica predação fiscal.
Nestes mesmos dias, a prisão parece ser o destino dos dois donos da grife Dolce & Gabbana, também ele condenados por ter fraudado a Receita italiana por meio de uma empresa de fachada montada num paraíso fiscal.
Poucos meses atrás, na Alemanha, onde se trava a mesma luta por impedir sonegação, o presidente do Bayern foi denunciado por ter uma conta secreta na Suíça.
Ele só não foi preso imediatamente porque pagou uma fiança de 5 milhões de euros para responder ao processo em liberdade.
“A Alemanha não pode funcionar se as pessoas acharem que podem sonegar e sair impunes”, disse uma autoridade alemã.
O Brasil também.
Mas, mesmo com evidências escandalosas, a Globo segue absolutamente impune em sua trapaça.
A Globo noticia a punição de Berlusconi por algo parecido com o que ela mesma fez
A Globo noticia a punição de Berlusconi por algo parecido com o que ela mesma fez
É “intocável”, como parecia Berlusconi. Seus donos e jornalistas confraternizam com os juízes que poderiam fazer com ela o que os italianos fizeram com Berlusconi na Itália. O presidente do Supremo cava um emprego nela para seu filho.
A mensagem para os brasileiros não poderia ser pior: justiça para quem?
No dia em que a empresa for exemplarmente punida, o Brasil dará um passo gigantesco no combate à sonegação e na consolidação de um verdadeira democracia em que todos são iguais perante a lei em vez de uns serem mais iguais que outros, como escreveu Orwell.
Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Ao vivo às 19h: Lula na abertura do Foro de São Paulo




Leia Mais ►

Porto Alegre de Brinquedo

Leia Mais ►

Cientistas dizem estar perto de criar exame de sangue para Alzheimer

Exame de sangue (arquivo/Getty)
Fragmentos de código genético parecem diferentes no sangue de
pacientes com Alzheimer
Cientistas alemães afirmam que acreditam estar próximos de criar um novo exame de sangue para diagnosticar o mal de Alzheimer.
Ainda não há um exame definitivo para a doença, e os médicos atualmente contam apenas com testes de cognição e exames de imagens do cérebro para identificar o problema.
Um dos grandes desafios relacionados à doença é identicar novas formas de conseguir um diagnóstico precoce.
Com isso, espera-se que, no futuro, talvez até anos antes dos primeiros sintomas, os tratamentos possam começar antes que grandes partes do cérebro sejam comprometidas. Mas, para isso, novos exames serão necessários.
A nova técnica, divulgada na revista especializada Genome Biology, apontou diferenças nos minúsculos fragmentos de material genético flutuando no sangue que poderiam ser usados para identificar pacientes com a doença.
Até o momento, apenas 202 pessoas passaram por este exame, mas a precisão neste grupo foi de 93%.
Níveis diferentes
A equipe da Universidade de Saarland, na Alemanha, analisou 140 microRNAs ̶ fragmentos de código genético ̶ em pacientes com Alzheimer e em pessoas saudáveis.
Eles encontraram 12 microRNAs no sangue que estavam presentes em níveis diferentes nas pessoas que tinham Alzheimer. Estas amostras se transformaram na base do exame.
Os primeiros testes do exame mostraram que ele "conseguiu diferenciar com grande precisão de diagnóstico os pacientes com Alzheimer e as pessoas saudáveis".
No entanto, mais pesquisas são necessárias para melhorar a precisão do exame e verificar se é possível usá-lo em hospitais.
Eric Karran, da organização de caridade britânica especializada em Alzheimer, a Alzheimer Research UK, afirmou que o novo exame dos cientistas alemães pode representar uma nova abordagem para estudar as mudanças no sangue de pacientes com a doença e também indica que o microRNA tenha influência nos quadros de Alzheimer.
No entanto, para Karran, ainda serão necessários alguns anos para se chegar ao ponto de diagnosticar a doença com um simples exame de sangue.
"Um exame de sangue para ajudar a detectar o Alzheimer pode ser uma adição útil ao arsenal de diagnóstico de um médico, mas este exame deve ser muito bem corroborado antes de ser considerado para o uso."
"Precisamos ver se essas descobertas são confirmadas em amostras maiores, e é preciso mais trabalho para melhorar a habilidade do exame de diferenciar Alzheimer de outras doenças neurológicas", acrescentou.
Leia Mais ►

E Deus criou o gay

O papa Francisco curva-se à vontade divina, ou por outra à verdade dos fatos, se quiserem à normalidade 
papa francisco
Inspirador? O papa que nos surpreende a cada dia ouviu a lição de Martini

Em um mundo órfão de grandes lideranças, ocorre-me de súbito a figura do papa Francisco. Tem jeito para exceção. CartaCapital já o definiu como renovador e reformador. A se confirmar a rota tomada neste começo de pontificado, logo nos defrontaremos com um estadista.
Sou católico não praticante desde os meus 11 anos de idade, após ter desempenhado com competência, faço questão de sublinhar, a complexa tarefa de coroinha em missas faladas em latim na Igreja de San Rocco, em San Remo, a serviço de Don Borfiga, o pároco, santo homem no altar do templo miúdo e gracioso no alto de uma subida íngreme. Eu vestia uma batina vermelha e um roquete saído da agulha de crochê da minha avó materna, e pisava degraus de mármore com leveza bailarina ao transferir o missal de um lado a outro. Ao cabo da função, ao ganhar a sacristia, dizia “prosit” com alguma solenidade, para enlevo do bom pároco.
Logo passaria a figurar na categoria dos agnósticos e nem por isso deixei de me aproximar de belos personagens eclesiásticos e de admirar outros a lhes conhecer a vida e a obra. O papa João XXIII, digamos, ou o cardeal Carlo Maria Martini, capaz, antes de morrer, de denunciar o atraso da Igreja Católica em relação aos temas éticos, à família, à sexualidade, à juventude.
É o pensamento de Martini que Bergoglio parece compartilhar de várias formas. A visita ao Brasil ofereceu ao papa Francisco a oportunidade de provar seu carisma e a qualidade dos seus propósitos. Ao cabo, ainda no avião que o levava de volta a Roma, deu uma entrevista especialmente reveladora aos jornalistas companheiros de viagem. Entrevista subversiva, porque subverte aquilo que soava como doutrina da Igreja e agora abre o caminho para reformas profundas.
A começar pela questão do homossexualismo. “É preciso distinguir – diz o pontífice – entre o fato de que uma pessoa é gay e o fato de que se organiza um lobby a favor. Lobby nunca é bom. Mas se uma pessoa é gay e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?” E sobre o banco do Vaticano, o Instituto para as Obras da Religião, tornado lavanderia mafiosa, admite não ter ainda uma solução final. Não exclui a possibilidade de fechá-lo de vez, mas, se não for assim, terá de caracterizar-se por transparência e honestidade.
O pontífice aponta erros e pecados cometidos pela Igreja, a presença de monsenhores que merecem a cadeia, a corrupção reinante em setores da Cúria, inferior moral e intelectualmente ao nível de outros tempos. Faz o elogio da misericórdia a respeito dos divorciados e lembra que os ortodoxos permitem uma segunda união matrimonial como se fosse bom exemplo. Será este um assunto no próximo outubro para a reunião com os oito cardeais chamados a compor uma espécie de conselho consultivo, também nascido de uma ideia defendida pelo cardeal Martini, colegiado de sábios para assessorar o papa. Que reconhece, assim, sua falibilidade.
Declarações deste naipe prometem uma guinada de certa forma revolucionária. Há quem enxergue em Bergoglio um ator consumado e um político astuto. Nada disso o diminui, mesmo porque é de clareza cegante a necessidade de uma mudança radical dentro da Igreja Católica, atolada em escândalos e tramoias, permitidos, quando não incentivados no caso do IOR, por João Paulo II. Os mesmos escândalos e tramoias que levaram Bento XVI a renunciar com uma insólita confissão de impotência. Bergoglio indica ter as sobras de energia e as ideias claras e corajosas de que careceu seu predecessor.
Há uma frase-chave nas pregas das falas de Francisco, “temos de nos acostumar a ser normais”, pronunciada em seguida à informação de que carrega na mesma bolsa o breviário e o barbeador, pois tem o hábito de usá-los diariamente. A entrega à normalidade significa aceitação da verdade inexorável dos fatos. Só para focalizar um fato específico: se há homos e héteros, um católico não poderá deixar de atribuí-lo à vontade do criador. Se quiserem, escrevo Criador, com “c” grande. Avisei, porém: sou agnóstico. •
P.S: recomendo a leitura da coluna de Wálter Fanganiello Maierovitch que aprofunda a análise deste começo do pontificado de Francisco.
Mino Carta
No Carta Maior
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1874


Leia Mais ►

Covas, Cerra e Alckmin: enforcados no propinoduto

Siemens apresentou documentos nos quais afirma que o governo tucano de SP soube e deu aval à formação de um cartel.

Saiu na Folha:

Siemens diz que governo de São Paulo deu aval a cartel no metrô

CATIA SEABRA
FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO
A multinacional alemã Siemens apresentou às autoridades brasileiras documentos nos quais afirma que o governo de São Paulo soube e deu aval à formação de um cartel para licitações de obras do metrô no Estado.
A negociação com representantes do Estado, segundo a Siemens, está registrada em “diários” apresentados pela empresa ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
No mês passado, a gigante da engenharia delatou ao órgão a existência de um cartel – do qual fazia parte – para compra de equipamento ferroviário, além de construção e manutenção de linhas de trens e metrô em São Paulo e no Distrito Federal.
Em troca, a empresa assinou um acordo de leniência que pode lhe garantir imunidade caso o cartel seja confirmado e punido.
A formação do cartel para a linha 5 do metrô de São Paulo, de acordo com a Siemens, se deu no ano de 2000, quando o Estado era governado pelo tucano Mário Covas, morto no ano seguinte.
Segundo o Cade, o conluio se estendeu ao governo de seu sucessor, Geraldo Alckmin (2001-2006), e ao primeiro ano de José Serra, em 2007.
Secretário de transportes no governo Covas, entre 1995 e 2001, Cláudio de Senna Frederico afirmou que não teve conhecimento da formação de cartel, mas não o descartou. “Não me lembro de ter acontecido uma licitação, de fato, competitiva”, disse.
(…)
* * *

Propinoduto Tucano

Olha, esse esquema começou com Mário Covas, se estendeu por Geraldo Alckmin e foi coroado por José Serra.
Configura, portanto, uma formação de quadrilha tucana com provas, documentos e depoimentos.
Eu quero ver agora como é que o Ministério Público, o STF e seus gigantes da ética, que pretendem encarcerar José Genoíno por ter assinado empréstimos que foram pagos, vão se comportar diante de um escândalo de 425 milhões de reais.
Curioso perceber que a matéria da Folha de S.Paulo não cita o nome do PSDB!
Simplesmente, Covas, Alckmin e Serra passaram a ser tratados como governadores avulsos, como se não fossem três das mais importantes lideranças da história da PSDB.
Aliás, o termo "tucano" só aparece, no fim do texto, para designar o falecido Mário Covas, como se a designação da sigla tivesse morrido com ele - quiça declarada, a partir de então, extinta também, como o dodô e o periquito-do-paraíso.
Aí, leio na dita reportagem:
"O governo Alckmin diz que, se confirmado o cartel, pedirá a punição dos envolvidos. Serra não foi localizado."
Aí, Assaltam-me dúvidas:
1) Quem é "o governo Alckmin"? O governador? A primeira-dama? A Sadesp? O Palmeiras? A Opus Dei?
2) Vai pedir a punição a quem? Ao papa Francisco? A polícia e o Ministério Público precisam que esta entidade, "o governo Alckmin", peça a punição para punir os envolvidos?
3) José Serra não foi localizado pela Folha de S.Paulo??
Hahahahahaha!
Leia Mais ►

O que é jornalismo chapa branca

É a defesa de privilégios da “plutocracia predadora”, para usar a grande expressão de Pulitzer.
Eliane Cantanhede, da Folha
Eliane Cantanhede, da Folha: não é o modelo Pulitzer de bom jornalismo
O que é um bom jornalista, segundo talvez o maior deles, Joseph Pulitzer, o editor que há mais de um século simplesmente inventou a manchete e a primeira página como as conhecemos hoje?
Ele sempre é contra os privilégios e os injustamente privilegiados, disse Pulitzer.
Isso porque privilégios vão sempre dar em iniquidade, ao destruir a meritocracia e favorecer um pequeno grupo de “plutocratas”, para usar uma expressão de Pulitzer na descrição do bom jornalista.
O bom jornalista também não deve esquecer nunca os pobres, disse Pulitzer, numa frase que lembra o papa.
Os princípios de Pulitzer ajudam a refletir melhor sobre um debate jornalístico que se trava no Brasil de hoje: o que é jornalismo chapa-branca?
Examinemos os jornalistas das corporações jornalísticas. Sobretudo os articulistas políticos, de Merval Pereira a Dora Kramer, de Arnaldo Jabor a Eliane Cantanhêde, e daí por diante.
Eles combatem privilégios ou ajudam a mantê-los?
Vejamos alguns exemplos de privilégios.
Nos anos 1990, o Brasil se abriu à concorrência estrangeira e as empresas nacionais foram submetidas à competição das estrangeiras.
A mídia bradou por isso.
Mas o que os brasileiros não souberam é que, para as empresas jornalísticas, jamais foi tocado o privilégio do mercado protegido.
Nos subterrâneos, com o grau de intimidação que o jornalismo traz, elas conseguiram manter o que pode ser chamado de mamata.
Os argumentos foram infantis, como demonstrou um artigo relativamente recente do advogado Luís Roberto Barroso dos dias em que ele cuidava dos interesses lobísticos da Globo, antes de ir para o STF.
A reserva, escreveu Barroso no Globo, protege o “patrimônio cultural” que são as novelas e impede que os brasileiros sejam repentinamente assaltados pela “pregação maoísta” de uma tevê chinesa que se instalasse no Brasil.
Não era piada. Barroso não escreveu aquilo para que o leitor risse.
Algum jornalista das grandes corporações criticou, uma única vez, o privilégio da reserva de mercado da mídia? Tocou, ao menos, no assunto? Notificou seus leitores?
Recentemente, a Globo foi pilhada numa fraude fiscal na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.
(Aliás: o que não deve ter acontecido na compra dos direitos de 2006 e de 2010, ainda com a presença do amigo global Ricardo Teixeira na Fifa? Mas de novo: algum jornalista investigou?)
Documentos da Receita, vazados num blog, o Cafezinho, provaram a trapaça, da qual resultou uma dívida da Globo perante a Receita de 615 milhões de reais em dinheiro de 2006.
Para usar os princípios de Pulitzer, é um tipo de jornalismo que defende privilégios e esquece o interesse público.
Também se soube que uma funcionária da Receita tentou simplesmente fazer desaparecer os documentos que comprovam o crime de sonegação.
Merval e Ayres Britto: jornalista chapa branca
Merval e Ayres Britto: jornalista chapa branca
Imagine o frenesi que tomaria conta da Inglaterra, para efeito de exercício especulativo, se fosse noticiado que uma funcionária da Receita tivesse tentado dar sumiço a uma dívida da News International, de Rupert Murdoch.
Algum jornalista das grandes corporações brasileiras defendeu o interesse público?
Ou a “plutocracia predadora” – mais uma expressão de Pulitzer – foi protegida pelo silêncio?
Onde, na sonegação da Globo, a combatividade da Folha, o jornal “sem rabo preso”? Onde a indignação dos Lacerdas de hoje?
Jornalismo chapa branca, no Brasil de 2013, pode ser definido assim: a defesa, pelas palavras ou pelo silêncio, da “plutocracia predadora”. E o consequente abandono do interesse público.
O resto é mistificação.
Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Você acreditou?

Leia Mais ►

Em 30 anos, NE tem maior ganho na esperança de vida: 12,95 anos

A região Nordeste, que tinha a esperança de vida ao nascer mais baixa em 1980 (58,25 anos) teve, em 30 anos, um incremento de 12,95 anos nesse indicador, chegando, em 2010, a 71,20 anos, ligeiramente acima da região Norte, que anteriormente estava à sua frente (de 60,75 para 70,76 anos). Essa inversão se deveu principalmente ao aumento de 14,14 anos na esperança de vida das mulheres nordestinas, que foi de 61,27 anos para 75,41, enquanto que a das mulheres da região Norte aumentou 10,62 anos, de 63,74 para 74,36 anos.
Esse é um dos destaques da publicação “Tábuas de Mortalidade por Sexo e Idade – Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação – 2010”, que o IBGE lança hoje (2/8/2013). Ela traz comparações com os indicadores das tábuas de 1980, apresentando um panorama das mudanças nos níveis e padrões de mortalidade no período de 30 anos.
Em 2010, entre as unidades da Federação, a menor esperança de vida ao nascer para ambos os sexos foi registrada no Maranhão, 68,69 anos. Em 1980, Alagoas detinha essa posição, com 55,69 anos, mas passou a 69,20 anos em 2010. Essa mudança se deveu principalmente ao aumento de 15,13 anos na expectativa de vida das mulheres alagoanas, que passou de 58,84 para 73,97 anos, enquanto que o Maranhão passou a ter a menor esperança de vida feminina no país, 72,77 anos. Entretanto, Alagoas manteve em 2010 a mais baixa expectativa de vida masculina (64,60 anos), marca que já tinha em 1980 (52,73 anos).
As mulheres alagoanas vivem em média 9,37 anos a mais do que os homens, consequência de ser o estado que apresentou a maior sobremortalidade masculina no grupo de 20 a 24 anos, 7,4 vezes.
Entre as regiões, o Nordeste manteve a maior taxa de mortalidade infantil, apesar de também ter registrado a maior queda entre 1980 (97,1 mortos para cada mil nascidos vivos) e 2010 (23,0%). A região Sul, que já tinha a menor taxa em 1980 (46.0%) manteve a posição em 2010, com 10,1%.
Entre as unidades da Federação, em 2010, a menor taxa de mortalidade infantil estava em Santa Catarina (9,2%) e a maior, em Alagoas (30,2%). A maior queda na taxa no período foi registrada na Paraíba, de 117,1% para 22,9%.
A menor taxa de mortalidade na infância (probabilidade de um recém-nascido não completar os cinco anos de idade) também foi observada em Santa Catarina, 11,2 óbitos de menores de cinco anos para mil nascidos vivos, enquanto a maior foi registrada em Alagoas, 33,2%.
As Tábuas de Mortalidade usam dados dos resultados do Censo Demográfico 2010, das estatísticas de óbitos provenientes do Registro Civil e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde para o ano de 2010. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/tabuas_abreviadas_mortalidade/2010/default.shtm.
Nordeste teve o maior incremento regional na esperança de vida ao nascer
A esperança de vida ao nascer, que em 1980 era de 62,52 anos, passou a 73,76 anos em 2010. O acréscimo de 11,24 anos representa um aumento anual médio de quatro meses e 15 dias. Foi observada uma redução na diferença regional ao longo desses 30 anos. O Nordeste, que tinha a esperança de vida mais baixa em 1980 (58,25 anos) teve um incremento de 12,95 anos no período, chegando a 71,20 anos, ligeiramente acima da região Norte, que anteriormente estava à sua frente (de 60,75 para 70,76 anos). Essa inversão se deve principalmente ao aumento de 14,14 anos na esperança de vida das mulheres nordestinas, que passou de 61,27 anos para 75,41, enquanto que a das mulheres da região Norte aumentou 10,62 anos, de 63,74 para 74,36 anos. A esperança de vida masculina no Nordeste (de 55,40 para 67,15 anos) também aumentou mais do que no Norte (de 58,18 para 67,57 anos), com menor evidência do que a feminina (9,39 contra 11,75 anos).
A região Sul permaneceu em primeiro lugar na esperança ao nascer regional, passando de 66,01 anos em 1980 para 75,84 anos em 2010, um incremento de 9,83 anos (o menor em termos regionais no período). No Sudeste a esperança de vida ao nascer passou de 64,82 para 75,40 anos e, no Centro-Oeste, de 62,85 para 73,64 anos.
Esperança de vida das alagoanas coloca seu estado à frente do Maranhão em 2010
Entre as unidades da Federação, a menor esperança de vida ao nascer para ambos os sexos em 2010 foi registrada no Maranhão, 68,69 anos. Em 1980, Alagoas detinha essa posição, com 55,69 anos, mas passou a 69,20 anos em 2010. Essa mudança se deveu principalmente ao aumento de 15,13 anos na expectativa de vida das mulheres alagoanas, que passou de 58,84 para 73,97 anos, enquanto que o Maranhão passou a ter a menor esperança de vida feminina no país, 72,77 anos. Entretanto, Alagoas manteve em 2010 a mais baixa expectativa ao nascer masculina (64,60 anos), marca que já tinha em 1980 (52,73 anos).
O maior acréscimo na esperança de vida no período de 30 anos foi registrado no Rio Grande do Norte, 15,85 anos para ambos os sexos, 14,65 para homens e 17,03 para as mulheres.
Já a maior expectativa de vida para ambos os sexos em 1980 era a do Rio Grande do Sul (67,83 anos) e passou a ser de Santa Catarina em 2010 (76,80 anos), estado que também apresentou as maiores esperanças de vida masculina (73,73 anos) e feminina (79,90 anos) em 2010.
Em Alagoas, homens de 20 anos têm 7,4 vezes mais chances de não chegar aos 25 anos do que mulheres
A diferença entre as esperanças de vida ao nascer das mulheres e dos homens foi de 7,17 anos em 2010. Em 1980, essa diferença era de 6,07 anos. A sobremortalidade masculina ficou evidente em todas as faixas etárias em 2010, com pico no grupo de 20 a 24 anos: a probabilidade de um homem de 20 anos não chegar aos 25 era 4,4 vezes maior do que esta mesma probabilidade para a população feminina.
Em 2010, a maior diferença das expectativas de vida ao nascer entre homens e mulheres foi encontrada em Alagoas. As mulheres alagoanas vivem em média 9,37 anos a mais do que os homens, consequência de Alagoas ser o estado que apresentou a maior sobremortalidade masculina no grupo de 20 a 24 anos, 7,4 vezes a mortalidade de mulheres na mesma faixa etária. Em 1980, essa diferença era de 1,7 vez, uma das mais baixas do país. Naquele ano, a maior sobremortalidade masculina nesse grupo etário havia sido foi registada no Rio de Janeiro (3,0 vezes).
Mortalidade infantil caiu de 69,1% em 1980 para 16,7% em 2010
Em 1980, ocorriam no Brasil 69,1 óbitos de crianças menores de um ano de idade para cada mil nascidos vivos; chegando a 16,7 óbitos 30 anos depois. Neste período deixaram de morrer 52 crianças menores de um ano de vida para mil nascidos vivos, representando um declínio nos níveis de mortalidade infantil de 75,8%.
Entre os fatores que contribuíram para essa mudança, destacam-se: o aumento da escolaridade feminina, a elevação do percentual de domicílios com saneamento básico adequado (esgotamento sanitário, água potável e coleta de lixo), a diminuição da desnutrição infanto-juvenil e um maior acesso da população aos serviços de saúde, proporcionando uma relativa melhoria na qualidade do atendimento pré-natal e durante os primeiros anos de vida dos nascidos vivos. Também são notáveis as ações diretamente realizadas no intuito de reduzir a mortalidade infantil: campanhas de vacinação em massa, atenção ao pré-natal, incentivo ao aleitamento materno, entre outras.
Nordeste tem a maior queda na mortalidade infantil, de 97,1% para 23,0%
Entre as regiões, o Nordeste manteve a maior taxa de mortalidade infantil, apesar de também ter registrado a maior queda entre 1980 (97,1%) e 2010 (23,0%). A região Sul, que já tinha a menor taxa em 1980 (46,0%) manteve a posição em 2010, com 10,1%. Entre os estados, foram observadas grandes variações. Em 2010, a menor taxa de mortalidade infantil era em Santa Catarina (9,2%) e a maior em Alagoas (30,2%). A maior queda na taxa no período foi registrada na Paraíba, de 117,1% para 22,9%.
Santa Catarina tem a menor taxa de mortalidade na infância, 11,2%
O mesmo comportamento da taxa de mortalidade infantil foi observado na mortalidade da infância (de crianças até cinco anos de idade). Em 2010, a taxa de mortalidade na infância foi de 19,4%, redução de 64,6% em relação a 1980, quando o valor era de 84,0%.
A menor taxa de mortalidade na infância foi observada em Santa Catarina, 11,2 óbitos de menores de cinco anos para mil nascidos vivos, enquanto a maior foi registrada em Alagoas, 33,2%. Entre 1980 e 2010, a maior redução foi observada na Paraíba, onde 128,7 crianças menores de cinco anos deixaram de falecer para cada mil nascidos vivos, passando de 155,0% para 26,3% nesse período de 30 anos.
No IBGE
Leia Mais ►

Desemprego onde?

026_CARAS_LAVADAS_FINAL2.jpg
No IstoÉ
Leia Mais ►

Organização alerta: 95% dos feridos em confronto policial, transportados pela polícia, morrem no trajeto

http://www.meionorte.com/imagens/2012/07/07/NOT-pm-e-suspeito-morrem-em-confronto-apos-tentativa-de-assalto1341659426.jpg 
São Paulo – Quase a totalidade (95%) das pessoas feridas em confronto com a polícia paulista e que foram transportadas por policiais civis ou militares, entre 2 de janeiro e 31 de dezembro de 2012, morreram no trajeto ou no hospital. Das 379 pessoas removidas, segundo os registros do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), 360 morreram. A análise foi feita pela organização não governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) e expressa a preocupação da entidade sobre a responsabilização de policiais que cometem execuções extrajudiciais. A HRW envia hoje (29) uma carta sobre o assunto às autoridades de segurança pública do estado.
A organização alerta que "os esforços legítimos para inibir a criminalidade foram prejudicados por policiais que forjavam 'resistências seguidas de morte' e alteravam as cenas dos crimes para minar o trabalho de perícia", assinala o documento. Para o levantamento, foram analisados casos de mortes causadas por ação policial e foram entrevistadas autoridades policiais, promotores de Justiça, agentes, especialistas no tema, representantes da sociedade civil e parentes de vítimas.
Apesar da redução de aproximadamente 34% das mortes causadas por ação policial durante os seis primeiros meses de 2013, na comparação com o mesmo período do ano passado, a média de mortes, na avaliação da organização, permanece elevada, com seis mortes por semana. "Falsos registros de ocorrências policiais e outras formas de acobertamento são problemas sérios no estado", alerta a entidade.
A HRW analisou 22 casos de morte em decorrência de intervenção policial, ocorridos entre os anos de 2010 e 2012. "As provas disponíveis lançam sérias dúvidas sobre o uso legítimo da força letal", aponta. De acordo com a carta, as mortes causadas pelo Batalhão da Tropa de Choque, Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) despertam particular preocupação, tendo em vista que 247 pessoas foram mortas e 12 ficaram feridas em casos registrados como resistência seguida de morte ou de lesão corporal. Em contrapartida, nenhum soldado do batalhão foi morto nesses episódios.
Em um dos casos, um policial da Rota disse ter atirado em Caio Bruno Paiva em uma ocorrência de resistência no bairro Itaim Paulista, extremo leste da capital, em novembro de 2011. Uma testemunha declarou, em depoimento formal à Ouvidoria da Polícia, que o policial atirou em Paiva à queima-roupa enquanto ele declarava sua inocência. A HRW destaca também que relatos feitos por testemunhas à imprensa dão conta de que o policial atirou no ar enquanto chamava o Comando de Operações da Polícia Militar (Copom). Para a entidade, as evidências sugerem que um policial teria forjado um tiroteio.
Outro caso relatado na carta ocorreu em julho do ano passado, quando dois homens foram mortos a tiros em um caso registrado como "resistência seguida de morte". César Dias de Oliveira e Ricardo Tavares da Silva foram levados para o Hospital Municipal Antônio Giglio, no centro de Osasco, na Grande São Paulo. Testemunhas, entretanto, disseram em depoimento que não houve troca de tiros e que Oliveira foi colocado em uma viatura policial ferido na perna e suplicando por sua vida. Ao chegar ao hospital, ele tinha sido alvejado por dois tiros no peito, segundo o laudo necroscópico.
A organização considera um avanço a resolução da Secretaria de Segurança Pública, de janeiro de 2013, que estabelece um novo procedimento para ocorrência policiais relativas a homicídios. A norma determina que os policiais que primeiro atenderem a ocorrência devem acionar,  imediatamente, a equipe do resgate ou serviço local de emergência e comunicar o Copom, além de preservar o local até a chegada da perícia para que nada seja alterado. Também houve mudança no termo utilizado para registrar casos com participação de policiais como “morte decorrente de intervenção policial”, em vez de “resistência seguida de morte”.
Entre as recomendações emitidas às autoridades, a organização destaca a necessidade de responsabilizar os policiais infratores. Para tanto, pede a punição dos policiais que removerem vítimas em circunstâncias não explicitamente previstas. À Polícia Judiciária, a HRW sugere que seja feita a investigação integral das suspeitas de homicídios cometidos por policiais e que haja mais agilidade na notificação desses casos ao Ministério Público. Sugere também que os promotores estaduais sejam estimulados a monitorar rigorosamente as investigações feitas pela polícia nos casos em que há morte decorrente de intervenção da própria polícia.
A Secretaria de Segurança Pública foi procurada pela Agência Brasil para comentar as críticas da organização não governamental, mas até o momento da publicação da matéria não retornou o contato.
Camila Maciel
No Agência Brasil
Leia Mais ►

A mão que balança o berço da violência

Propósito de Olavo de Carvalho é semear intolerância e ódio contra ideias, organizações e vozes do campo progressista
http://filmfanatic.org/reviews/wp-content/uploads/2008/03/nosferatu-schreck.jpg 
O senhor Olavo de Carvalho faz parte de uma turma bem conhecida. A dos trânsfugas, com suas mentes atormentadas e rancores insones. Talvez seja o lobo mais boçal da alcateia, mas não está sozinho. Do mesmo clube fazem parte Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Marcelo Madureira e um punhado de outros. Foram todos, na juventude, militantes de esquerda. Hoje são a vanguarda do liberal-fascismo.
O único propósito deste filósofo de bordel é semear intolerância e ódio contra ideias, organizações e vozes do campo progressista. A expressão, no caso, não tem o objetivo de rebaixar os frequentadores de lupanários e suas abnegadas profissionais. Apenas identifica um tipo clássico de charlatão, capaz de dissertar sobre vários assuntos sem conhecer qualquer um deles, para gáudio dos porcos que se refestelam com pérolas de conhecimento rasteiro.
Sua primeira resposta ao artigo em que foi citado, aliás, é bastante reveladora de personalidade e padrão intelectual. “Fico no bordel olhando a sua mãe balançar as banhas diante dos clientes, e aproveito para meditar o grande mistério do parto anal”, escreveu o energúmeno. Não é uma gracinha? Tratado como professor e guru por seus áulicos, a verdade é que não passa de um embusteiro.
Figuras desse quilate normalmente deveriam estar relegadas ao ostracismo. O degenerado Carvalho, porém, é representativo de valores e métodos das forças de direita. Mentiroso contumaz, atua como menestrel a animar suas hordas contra a democracia e a esquerda.
Calça-frouxa, seu dedo não aperta o gatilho, mas vocifera mantras que estimulam a violência e exaltam gangues fascistas como as que atacaram integrantes do Foro de São Paulo na noite de ontem. Por essa razão, Opera Mundi decidiu publicar, com destaque, sua resposta. Nada mais daninho a um vampiro de corações e mentes, afinal, que a luz do dia.
O alvo da ocasião é uma entidade que, desde a fundação, realiza todas as suas reuniões de forma pública, abertas à cobertura de imprensa e até às provocações de mequetrefes. Os integrantes são partidos que lideraram revoluções populares, foram levados aos governos de seus países pelas urnas ou estão na oposição a administrações conservadoras. As agremiações mais antigas estiveram à frente, heroicamente, da resistência dos povos da região contra ditaduras que provocam nostalgia na canalha fascista.
O degenerado Carvalho tem saudades dos tempos da tortura e do desaparecimento, das prisões e assassinatos. Suas infâmias pueris para criminalizar o Foro de São Paulo evidenciam seus pendores, mas também denunciam desespero diante do avanço das correntes progressistas por toda a América Latina. Contorce-se de ódio. Os cães sempre ladram quando passa a caravana.
Quem age na sombra e na penumbra, sem dar qualquer satisfação sobre como se financiam ou se organizam, são as quadrilhas do submundo reacionário, aquelas que se embevecem com a retórica dos vira-casacas e saem às ruas para atos de agressão covarde. Navegam na cultura política gerada pela máquina de comunicação do pensamento conservador, dedicada a estereótipos e amálgamas contra a esquerda.
O degenerado Carvalho não vale meia aspirina vencida, mas é parte de uma súcia a qual já passa da hora de ser combatida sem contemporização. Essa patota dedica-se a agredir reputações, inventar histórias e disseminar cizânia, açulando os porões da sociedade e do Estado. Destruir o ovo da serpente é indispensável para impedir que a violência fascista se propague em nossa vida política.
O filósofo tem o direito democrático de continuar sua cantilena no bordel que bem desejar e o aceitar. Mas toda vez que levantar sua voz para incitar o crime, ou gente de sua laia o fizer, a resposta deve ser pronta e imediata. Nunca é tarde para a devida dedetização ideológica dos vermes e insetos que funcionam como arma biológica do reacionarismo.
Breno Altman é jornalista, diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel
Leia Mais ►