30 de jul de 2013

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De médicos e monstros

Oncologista respeitado, Dráuzio Varella tornou público artigo em que critica de modo raso o programa “Mais Médicos” sem fazer nenhum esforço para entender o problema a partir do ponto de vista da população empobrecida
Robert L. Stevenson, autor da obra prima "A Ilha do Tesouro", também nos deixou como herança o livro “O Médico e o Monstro”.
Lançada em 1886, a obra se notabiliza pela descrição minuciosa de uma atmosfera sombria, que prende o leitor a um clima crescente de terror.
A trama conta a história do médico Dr. Jekyll , honesto e virtuoso, que tenta, em suas experiências científicas, dividir sua personalidade boa da influência de sua natureza má.
É dessa dualidade que nasce o pavoroso Mr. Hyde, materialização de suas inclinações perversas, libertado por uma fórmula química elaborada secretamente no laboratório do Dr. Jekyll. Receoso da reprovação social, o bom médico procura manter sua criatura oculta. No início ele alcança seu intento, mas aos poucos vai encontrando dificuldades para retomar sua personalidade primordial.
Com o passar do tempo, e impossibilitado de produzir mais doses de sua fórmula, o médico é dominado pelo monstro. Pouca gente sabe que este enredo foi inspirado por uma história real, a de um marceneiro de Edimburgo, vítima de dupla personalidade.
O que estamos vendo neste momento no Brasil é uma versão moderna da obra de Stevenson. A dupla personalidade das corporações médicas, libertadas pelos interesses mesquinhos e por um alinhamento político de direita, está vindo à luz, revelando o Mr. Hyde que os aventais brancos sempre tentaram ocultar e que, figura grotesca que corre pelos becos escuros da mentira, buscando turvar o debate real sobre a situação da saúde no país.
Da escuridão de suas escolhas mesquinhas, dizem que o governo estaria “responsabilizando os médicos” pela crise e criando "o serviço médico obrigatório" como se atender o povo pudesse ser um castigo. “Não é só pelos R$ 0,20”, mas R$ 0,20, representados aqui pela falta de médicos, foi sim o fator desencadeante da crítica pesada da população à precariedade de nosso sistema de saúde.
Afinal, não se faz saúde pública apenas com médicos, mas também não se faz sem médicos.
Não há postos de saúde de excelência em todos os municípios do país, não há hospitais de alta complexidade ali, mas não se pode esperar que primeiro se construísse essas estruturas para depois se colocar médicos e remédios e então prestar atendimento clínico para evitar ataques cardíacos, prevenir o câncer, a diabetes, a obesidade, os acidentes de trânsito, as doenças pulmonares, os derrames cerebrais, o tabagismo e as doenças pulmonares.
A população, na análise dessas entidades, deve parar de adoecer até que a estrutura de primeiro mundo se erga a seus pés.
Ao engrossar o mantra das corporações médicas e da legião de Mr. Hydes em marcha no país, Dráuzio Varella frustra aqueles que, como eu, esperava dele uma crítica qualificada.
Oncologista respeitado, Dráuzio Varella tornou público artigo em que critica de modo raso o programa “Mais Médicos” sem fazer nenhum esforço para entender o problema a partir do ponto de vista da população empobrecida, adotando de modo acrítico os argumentos das corporações médicas, que negam o apagão médico, indo na contramão das pesquisas sucessivas, como a do Ipea, que o confirmam ser o principal problema da saúde no Brasil a falta de médicos, associada ao péssimo atendimento nos balcões da rede pública de atendimento.
Para Varella, que tem horário cativo na Rede Globo de Televisão, principal veiculo de oposição ao governo Dilma, a presidenta erra e faz uma “simplificação demagógica” ao apregoar como um grande salto na qualidade do atendimento à população a obrigatoriedade de médicos recém-formados prestarem serviços em localidades pobres e remotas.
O crítico, contudo, não apresenta nenhuma ideia melhor para resolver “a simplificação” do governo e desfia seu rosário pessoal de simplificações demagógicas, inúteis seja para esclarecer o debate seja para apresentar alternativas aplicáveis à realidade do país.
A primeira e mais frustrante das simplificações é sua afirmação de que a saúde no Brasil “padece de dois grandes males: falta de dinheiro e gerenciamento incompetente”.
Bem, é provável que Pero Vaz de Caminha, em 1500, já tenha deixado alguma anotação a respeito dos dois grandes males apontados, como revelação, em 2013 por Varella. Mas, diante deste diagnóstico, o que o governo deveria fazer?
Dr. Varella passa ao paciente uma receita em branco. O gigante da divulgação médica no Brasil se apequena ao desviar a atenção de uma proposta concreta (levar médicos a lugares onde não há médicos) apresentando tergiversações, como a falta de dinheiro e de gestão do setor, como se tivesse flagrado um fenômeno recente, como se isso não fizesse parte do diagnóstico feito pelo próprio Ministro Alexandre Padilha e, ainda, como se o governo federal fosse o único ente responsável pela gestão da saúde no país, isentando de responsabilidade, municípios e estados.
Não seria isso uma simplificação demagógica, doutor?
O candidato vitalício a presidente José Serra, agora de mudança para o PPS, ocupou o Ministério da Saúde e não resolveu nenhum dos problemas que hoje seu amigo Varella aponta no Sistema Único de Saúde. A falta de dinheiro e o gerenciamento incompetente passaram pelas mãos de Serra e do PSDB de FHC e Aécio e não se avançou um milímetro. Ao contrário. Ainda na pasta da saúde, respondendo a críticas de incompetência e falta de recursos, Serra cunhou uma frase de rara lucidez: "se todo o orçamento do país fosse aplicado em saúde, ainda assim faltaria dinheiro".
A frase de Serra lúcido quebra ao meio o argumento de Varella ao mostrar que nenhum dinheiro será suficiente para honrar a dívida histórica do país com seus miseráveis. Na contramão do povo, Varella diz que o problema da saúde no Brasil não é prover mais médicos para o atendimento ambulatorial, nas periferias das cidades e no campo, mas ampliar a o derrame de recursos, que ele próprio afirma ter sido incapaz de dar conta de um público de 150 milhões de almas.
Pensando estar indo em linha reta, Varella corre em círculos.
Não sei onde Varella leu que o governo está atribuindo responsabilidade pelos problemas no SUS “à simples falta de médicos”, mas suponho que tenha sido no "Il Popolo d'Italia", a revista Veja, que nunca surpreende seus leitores ao se posicionar sempre e invariavelmente contra tudo o que o governo Dilma faz e que o governo Lula fez.
Varella se deixou contaminar pelo conformismo de sua corporação. Esquece, assim, de explicar que o déficit de leitos hospitalares e o despreparo do SUS para atender à demanda das enfermidades mais graves não começaram com o governo do PT, sendo uma herança histórica que foi agravada nos anos FHC.
A diferença é que agora o problema é encarado e enfrentado com políticas efetivas, o que implica na ampliação dos recursos repassados aos estados e municípios e na construção de uma rede de equipamentos novos, que incluiu a construção e reforma de hospitais, a ativação do SAMU na maioria dos municípios, a compra de equipamentos de diagnóstico por imagem, a universalização do Programa Saúde da Família e a implantação de centenas de Unidades Básicas de Saúde, dentre outras ações.
Varella sabe, mas ignora em seu artigo, que os municípios que terão prioridade para receber os médicos do programa federal foram selecionados de acordo com critérios objetivos: municípios que tem alta vulnerabilidade, capitais ou regiões metropolitanas em que existam áreas com populações em situação de maior vulnerabilidade, municípios com mais de 80 mil habitantes, com os mais baixos níveis de receita pública per capita do país e alta vulnerabilidade social de seus habitantes, e Distritos Sanitários Especiais Indígenas.
O humanista Varella tem uma extensa biografia que mostra que ele é, como Dr. Jekyll , um homem honesto e virtuoso. Ao reproduzir acriticamente os argumentos sombrios das corporações médicas e das empresas privadas que controlam a prestação de serviços médicos, que se aferram à reserva de mercado e fazem política de cerco e aniquilamento contra Dilma, sem oferecer alternativas, Varella deixa que a sombra tristemente pavorosa de Mr. Hyde se projete sobre ele.
Resista, doutor. O médico não pode se deixar dominar pelo monstro.
Chico Cavalcante
No Justiceira de Esquerda
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Propinoduto tucano: Incêndio criminoso destruiu papéis do Metrô em São Paulo

Metro_Incendio_Papeis 
Nesses tempos de escândalos envolvendo PSDB, Metrô, CPTM, Siemens e Alstom, é importante lembrar como os tucanos tentaram se livrar de parte das provas que os incriminavam. A matéria a seguir é de Bruno Ribeiro, publicada em O Estado de S.Paulo, jornal acima de qualquer suspeita (sic), em 4 de dezembro de 2012.
As 15 mil caixas de documentos que o Metrô de São Paulo perdeu em junho foram queimadas durante um incêndio criminoso. Na ação, um grupo de nove bandidos armados invadiu a empresa que armazenava os papéis e roubou computadores. Antes de deixar a empresa, os ladrões atearam fogo ao depósito.
A perda dos documentos foi noticiada pelo Estado na edição de sábado. Os papéis – contratos assinados entre 1977 e 2011, relatórios sobre falhas técnicas e documentos contábeis – constavam de um edital publicado na sexta-feira pelo Metrô no Diário Oficial Empresarial.
Mas só ontem a assessoria de imprensa da companhia informou a causa do sumiço dos documentos. De acordo com nota enviada pelo Metrô, os papéis perdidos representam 4% de todo o arquivo da empresa – que tem 44 anos – e, conforme já havia sido dito na sexta-feira, parte dos documentos estava microfilmada ou digitalizada, o que reduz o prejuízo.
A companhia garante que nenhum dos contratos queimados ainda estava em andamento – eram todos acordos que já foram encerrados. “Os documentos em suporte papel mais importantes danificados são os documentos técnicos e contratos encerrados que por sua importância estão microfilmados”, diz a nota, sem detalhar o que não estava microfilmado e realmente foi perdido.
Roubo
As 15.399 caixas de documentos estavam em depósito de uma empresa especializada em guardar arquivos em Itu, no interior do Estado, que havia sido contratada pelo Metrô.
Segundo a companhia, no dia do incêndio – 9 de junho – os assaltantes renderam os funcionários da empresa e roubaram dez computadores de uso interno da arquivadora.
Em seguida – segundo a nota, “por razões ainda não conhecidas” –, o grupo espalhou gasolina pelo depósito e ateou fogo ao galpão, que foi totalmente incendiado.
A nota do Metrô diz ainda que também foram perdidos documentos de outras 18 empresas que mantinham contrato com a companhia de arquivos. O Metrô registrou um boletim de ocorrência sobre o caso no 2º Distrito Policial de Itu.
Acidentes
Entre os papéis perdidos no incêndio, havia análises da Comissão Permanente de Segurança (Copese), órgão que apura acidentes da companhia, de incidentes ocorridos entre 2006 e 2009. Havia ainda relatórios de “incidentes notáveis”, como o Metrô chama as panes que paralisam as linhas por muito tempo e exigem a colocação de ônibus para transportar passageiros.
Além de fazer o boletim de ocorrência e publicar o edital sobre a perda dos documentos, o Metrô instaurou auditoria interna sobre o assunto.
No Limpinho & Cheiroso
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Efeito das propinas a políticos tucanos na CPTM: trem descarrila em Pirituba

http://www.estadao.com.br/fotos/trem_1_alex_silva_ae_288.jpg 
Um trem da linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que liga a Estação da Luz ao município de Jundiaí, no interior do estado, descarrilou na tarde de hoje (30) entre as estações Piqueri e Pirituba. O acidente ocorreu por volta das 16h30. O Corpo de Bombeiros informou à Agência Brasil que não há feridos, nem vítimas. (...) Técnicos da empresa estão no local, e a circulação de trens foi interrompida entre as estações Jaraguá e Luz.
É nisso que dá o superfaturamento e as propinas a tucanos, denunciadas pelas multinacionais Siemens e Alstom, em acordos de delação premiada.
O dinheiro público que deveria ser investido em uma rede melhor foi parar nas contas atribuídas a políticos tucanos em paraísos fiscais.
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Dados do IDH por município mostram escala das mudanças no Brasil nos últimos 10 anos

O Brasil viveu uma radical mudança em qualidade de vida, distribuição de renda e educação entre 2000 e 2010. Os desafios pela frente ainda são grandes, mas as conquistas dos últimos anos mostram que o país caminha no rumo certo. Os dados que referendam essas afirmações estão no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, lançado nesta segunda-feira (29), em Brasília, pelo PNUD, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Na semana passada, em Salvador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia falado sobre a importância de reconhecer as conquistas e continuar avançando. “Tem gente querendo fazer com que as pessoas esqueçam o que fizemos nos últimos dez anos”, afirmou Lula no começo de seu discurso em comemoração pelos 10 anos de governo democrático e popular. “Nós temos o direito de reivindicar tudo que falta, mas temos a obrigação de reconhecer tudo que conquistamos”, completou.
O Atlas 2013 mostra que cerca de 74% dos municípios brasileiros (ou 4.122 deles) se encontram nas faixas de Médio e Alto Desenvolvimento Humano. O trabalho pela frente ainda é grande, cerca de 25% deles (ou 1.431 municípios) estão nas faixas de Baixo e Muito Baixo Desenvolvimento Humano. Ainda mais reveladora é a comparação com os dados da série histórica. Em 1991, 99,2% dos municípios brasileiros estavam nas faixas de IDH de Baixo e Muito Baixo desenvolvimento. Em 2000, 71,5% dos municípios, bem mais de dois terços do país, encontrava-se na mesma situação. Dez anos depois, esse número havia baixado para 25,2%, porcentagem menor do que a dos municípios no extremo oposto, de Alto e Muito Alto Desenvolvimento, que faziam 34,7% do país.
Os dados refletem a evolução apresentada pelo IDHM do Brasil nas duas últimas décadas, ao sair da faixa de Muito Baixo (0,493) em 1991 para Alto (0,727) em 2010. Esta evolução sinaliza também que o país está conseguindo, aos poucos, reduzir as disparidades históricas de desenvolvimento humano entre os municípios das regiões Norte e Nordeste e aqueles localizados no Centro-Sul.
Apesar da evolução neste quadro, a análise por regiões mostra que o Nordeste ainda tem a maioria de seus municípios no grupo de Baixo Desenvolvimento Humano (61,3%, ou 1.099 municípios), enquanto no Norte eles somam 40,1% (180 municípios) nesta categoria. Pelos dados atuais, 0,8% dos municípios do Brasil (44 deles) faziam, em 2010, parte da faixa de Muito Alto Desenvolvimento Humano e 33,9% estavam na faixa de Alto Desenvolvimento.
Educação foi o indicador que mais melhorou
O item educação foi o que mais melhorou no acompanhamento do PNUD (128%), mas é também aquele que apresenta menor valor absoluto do IDHM (0,637 em 2010, contra 0,279 em 1991). Pelos dados reajustados, em 1991, apenas três municípios (de um total de 5.565) estavam acima da faixa mais baixa de desenvolvimento humano em educação. Em 2000, a situação havia mudado sensivelmente no Sudeste e no Sul, mas continuava idêntica na maior parte do Brasil. O mapa de 2010 mostra a mudança em todas as regiões do país, puxada principalmente pelo aumento do fluxo escolar de crianças e jovens (156%).
Alguns dados de educação (entre 1991 e 2010):
- População adulta com ensino fundamental concluído passou de 30,1% para 54,9%
- Crianças de 5 a 6 anos frequentando a escola passou de 37,3% para 91,1%
- Jovens de 11 a 13 anos nos anos finais do fundamental passou de 36,8% para 84,9%
- Jovens de 15 a 17 anos com fundamental completo passou de 20% para 57,2%
Porém: 40% dos jovens nesta faixa ainda não têm fundamental completo
- Jovens de 18 a 20 anos com ensino médio completo passou de 13 para 41%
Ou seja: a maioria destes jovens ainda não possui ensino médio completo
No Instituto Lula
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Cuiabano cria programa que permite comunicação de pessoas que não falam e não se movem

Um estudante cuiabano de 23 anos está desenvolvendo um projeto pioneiro no Brasil que permite a comunicação de pessoas mudas, sem qualquer movimento muscular voluntário e que só conseguem mexer os olhos. Guilherme Manfrim Siviero cursa engenharia da computação na Unilins e desenvolve um software acessível que tem o potencial de revolucionar a vida de quem se encontra em uma situação de total isolamento e privação de interação com o mundo.
O projeto foi pensado para vítimas de esclerose lateral amiotrófica, doença neurodegenerativa que ataca neurônios motores e células do sistema nervoso central, mas também pode ser usado por pacientes com sequelas de acidentes e com paralisia cerebral. “A família nunca sabe se a pessoa está com fome, com sede, não sabe nada. Esse é um jeito da pessoa se comunicar”, explica Guilherme.
O cientista Stephen William Hawking tem esclerose lateral amiotrófica.
Uma webcam na mão e uma ideia na cabeça
O trabalho de conclusão de curso desenvolvido pelo estudante em parceria com os colegas Guilherme Buzatto de Souza e Jefferson Douglas de Mello, sob a orientação do professor doutor Carlos Eduardo Formigoni, usa aparelhos “baratos” aliados a uma tecnologia cujo valor é difícil de calcular.
Os estudantes desenvolveram um software utilizando o sistema eye tracking, no qual o usuário controla o computador com os olhos. Eles criaram uma espécie de óculos com uma webcam de alta definição, que capta o movimento ocular e transmite para a tela do computador. Também fizeram um teclado virtual no qual o usuário formula palavras e frases com os olhos para que o computador emita os sons, possibilitado uma conversa.
Para o usuário clicar em algo, basta levar o cursor com os olhos e piscar por dois segundos. Além de usar o teclado virtual para diálogos, o usuário pode navegar pela internet e usar as outras funcionalidades do computador com aparelho como mouse. Mas o foco do projeto é a comunicação. “Muitas dessas pessoas acabam sofrendo depressão por não conseguir se comunicar com ninguém”, sustenta o estudante.
Teclado virtual desenvolvido pelos estudantes
Revolução que cabe no bolso
A revolucionária tecnologia eye tracking já vem sendo usada há tempos em dispositivos semelhantes por empresas estrangeiras. O que torna mais relevante o trabalho desenvolvido pelos três alunos é o potencial barateamento de aparelhos dessa natureza, o que traria uma consequente popularização do dispositivo garantindo acesso para pacientes mais carentes.
Para se ter uma ideia, os valores de computadores eye tracking com essa finalidade desenvolvidos pela líder de mercado no segmento, a empresa sueca Tobii Technology, orbitam entre R$ 40 e R$ 70 mil no Brasil. Enquanto isso, o material necessário para fazer os óculos do trio de estudantes não ultrapassa o valor de R$ 200.
É claro que o preço apresentado só contabiliza o custo material usado na confecção do hardware, sem levar em consideração o trabalho intelectual aplicado na pesquisa e a tecnologia desenvolvida. “As peças são baratas, custam R$ 150, mas a tecnologia que a gente utilizou fica difícil dar um preço agora porque a gente fez muita inovação”, estima Guilherme.
“No começo a gente apanhou muito, achou que não ia conseguir [terminar o projeto] porque não achava nada mesmo. Tivemos que buscar tudo lá fora. Não encontramos nada em português, só livros em inglês e conseguimos ajuda em alguns fóruns, mas agora está praticamente pronto, está muito avançado”, completa o estudante.
Aparelho desenvolvido pela Tobii Technology
Cientista desde criancinha
A escolha pelo trabalho de conclusão de curso acabou sendo por influência de um professor que já desenvolvia algo semelhante na faculdade e indicou o projeto, mas a escolha pelo curso de Engenharia da Computação acabou sendo natural para o jovem nascido em Cuiabá. “Desde guri eu sempre fui meio louco com essas coisas de eletrônica”, resume.
“Guilherme desmontava os brinquedos dele desde criança”, lembra o pai, Nivaldo Siviero. “Ele sempre foi assim, sempre adorou essas coisas”, completa, orgulhoso, ao reencontrar durante as férias o filho que mora longe.
“Teve uma vez que todo mundo ficou impressionado, ele devia ter uns oito anos e construiu um cinema de lego. Eu nem sei explicar direito, mas ele fez uma parede, fez as cadeirinhas e criou um projetor de fotos. Ele era muito pequeno, isso foi uma coisa que me marcou muito”, lembra a irmã mais velha, Letícia Manfrim.
A paixão pelo que faz garantiu não só a entrada na faculdade, mas também a saída, etapa considerada das mais difíceis entre os estudantes de engenharia da computação. O aluno deve terminar o curso neste ano. “Na minha sala entraram 23 pessoas e não vão se formar nem 10”.
Fase final
“Falta só fazer uma calibragem porque o mouse ainda está meio imperfeito, não está 100% ainda. Vamos colocar alguns filtros e até um mês antes a gente quer deixar o projeto 100% porque tem um setor da Prefeitura de Lins que tem pessoas com essa doença e a gente vai tentar implementar lá pra ver se funciona, se é viável ou não”, revela.
Apesar da complexidade do projeto, ele não tomou todo espaço na criativa cabeça de Guilherme. “Meu irmão sempre foi meio nerd, mas ao mesmo tempo saiu, se divertiu, teve banda de rock, depois ele tocou sertanejo, sempre conseguiu conciliar”, conta Letícia. Desta vez, Guilherme concilia o trabalho de conclusão de cursos com projetos paralelos, como um sistema para monitoramento cardíaco, mas isso já é assunto para outra matéria.
Lucas Bólico
No ClicHoje
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É o povo que, pressionando, pode mudar a saúde pública no Brasil

Doutora Ana Costa: “As políticas sociais universalistas são
 incompatíveis com a escolha de um Estado enxuto, que é
a marca do neoliberalismo”
O país, os governos e a classe política foram desnudados pelo povo nas ruas, que denunciou as precárias políticas públicas do Brasil, incluindo as de saúde. Impossível escamotear e, com o problema explicitado, o momento pode ser de mudanças de caminhos e rumos.
Começar por reconhecer que, de fato, as coisas estão muito mal com a saúde, o que não significa que o problema seja com o SUS, um sistema único criado pela Constituição de 88 com arquitetura e princípios adequados para ser universal e de qualidade.
É preciso identificar que, nestes 25 anos, o SUS sobrevive pela paixão e dedicação dos seus defensores e ativistas, particularmente os trabalhadores e gestores que dão conta de transformar suas deficiências orçamentárias em mecanismos de sustentação para uma sobrevivência espetacular.
Aos trancos e barrancos a atenção básica vem expandindo sua cobertura; a emergência antes inexistente é hoje realidade para grande parcela da população. E é no SUS, com toda sua carência, que são tratadas as doenças de alto custo terapêutico.
Mas ainda estamos muito distantes daquele projeto político talhado na 8ª Conferência Nacional de Saúde e que saiu dali para a Assembléia Constituinte. E, mediante a pressão popular, transformou a saúde em direitos universais sob a responsabilidade pública.
É preciso reafirmar que o pacote de medidas do governo, mesmo tangenciando velhas pendências como a formação de profissionais de saúde ou mesmo a interiorização de médicos, não tem potencial de impactar substancialmente sobre o atual caos em que a saúde se encontra.
Para mudanças radicais e definitivas, é preciso identificar, analisar e expor as razões pelas quais o projeto do SUS desandou. E mesmo com muitos problemas, não foi por má gestão, como muitos querem vaticinar.
Para que o estado brasileiro assumisse suas obrigações definidas pela Constituição, o Brasil não poderia ter caído no conto da sereia do neoliberalismo incorporado nos anos noventa e do qual até hoje não se desvencilhou.
As políticas sociais universalistas são incompatíveis com a escolha de um Estado enxuto, com poucas e restritas atribuições que é a marca do neoliberalismo. O SUS teria mais chance de ser viabilizado na sua plenitude se o Brasil tivesse pendido por se transformar em um Estado de bem-estar social.
Nessa opção, os sucessivos governos vêem assumindo cada vez mais a eleição pelo mercado, alegando que o custo da saúde é alto e que o sistema é mal gerenciado. Com isso, vem crescendo o setor privado da saúde no país, mesmo em desobediência aos preceitos Constitucionais.
Renúncia fiscal e benefícios tributários são apenas algumas das facilidades aliadas a uma regulação enviesada praticada pela ANS [Agência Nacional de Saúde Suplementar], que, de forma tendenciosa, favorece o mercado.
A agência reguladora das prestadoras de serviços de saúde sob a forma de planos privados tem sido sistematicamente dirigida por quadros do setor regulado.
Ao tempo em que hoje 30% da população aderiu aos planos privados, os recursos públicos destinados para o SUS mínguam a míseros 300 dólares per capita/ano, constrangendo o sistema a uma péssima avaliação e satisfação popular.
A fórmula perfeita foi encontrada para o sucesso de um projeto anti-SUS, antidireito à saúde, antidireitos sociais, e, de sobra, as empresas da saúde comparecem nos processos eleitorais com polpudas contribuições que, ao fim e ao cabo, não resultam gratuitas. Um ciclo pernicioso que somente poderá ser revertido com a força e o poder popular.
Nesta mudança, primeiro é necessário convencer a sociedade e o Estado brasileiro de que a saúde é investimento, e não gasto, como os setores da economia tradicionalmente a tratam. Hoje, o PIB setorial conta com a participação de menos de 40% dos recursos públicos e a grande parcela vem do bolso das famílias. Como assim?
O sentido ético e político dessa inversão para investimentos confere outra lógica aos governos quanto ao tratamento e às decisões destinadas ao setor público da saúde e ao SUS, que precisa de outro tratamento para ser consolidado e se transformar naquilo que a população aspira.
Ana Costa, médica e presidente do Centro de Estudos Brasileiros em Saúde (Cebes)
No Blog da Saúde
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"Se não voltar em Dilma, vai votar em quem?"

 
- "Se você não votar em Dilma, vai votar em quem?" - A pergunta, em tom passivo agressivo, costuma ser dirigido a quem quer que, sem identificar-se com o conservadorismo, dê mostras de estar desiludido com o atual governo e com o estágio de setores essenciais como Educação, Saúde, Meio Ambiente e Transportes após mais de uma década de administração petista.
Vem, de ordinário, acompanhada de duas listas: uma contrapõe os números da economia e de indicadores sociais ao final do governo FHC e após uma década de petismo; a outra desqualifica minuciosamente os prováveis opositores a Dilma nas eleições do ano que vem, culminando com o realçar de qualidades da atual mandatária, das óbvias às inauditas, passando pelas menos evidentes.
Distorções metodológicas
Como a primeira lista exaustivamente demonstra, não restam dúvidas de que, em termos de economia – e, sobretudo, de conquistas sociais por esta proporcionada – os petistas batem de goleada os tucanos. Isso, no entanto, não impede a constatação de algumas distorções relativas à lista.
As duas primeiras são de cunho histórico e metodológico: comparar os oito anos dos tucanos com os 10 anos e meio dos petistas denota descritério, posto que o tempo disponível aos primeiros para consolidar melhorias seria, dessa forma, cerca de 30% do que o disponível aos últimos. A comparação justa e cabível no caso seria entre a presidência de FHC e a de Lula, ambas de dois mandatos de igual duração. Neste caso, igualmente, a supremacia desta ante aquela em virtualmente todos os quesitos de economia social mostra-se pronunciada.
Deriva diretamente de tal descritério a segunda e mais grave distorção inerente às listas petistas de convencimento: ao comparar o legado de FHC com o de Lula e Dilma indistintamente e em bloco, impede-se que o eleitor tenha uma correta dimensão das falhas e acertos do governo da atual mandatária. Pois, com o perdão pela obviedade, o antecessor imediato desta não é o sociólogo de triste memória, mas, para o bem ou para o mal, Lula, o arquiteto do "novo Brasil" que aí está. Desnecessário assinalar que se trata de uma omissão deliberada, pois não só a candidata petista tende a sair muito mal na foto na contraposição a seu mentor e sucessor imediato, mas tal comparação daria ao público em geral, de forma didática, a dimensão de sua problemática administração e a explicação das razões de fundo para as manifestações populares deflagradas a partir de junho.
Meras desqualificações
Quanto à segunda lista que é volta e meia apresentada aos eleitores desencantados, novos ou antigos, ela prima pela desqualificação dos opositores ao petismo. Trata-se de uma arte que o PT sempre cultivou, mas que atingiu novos patamares com a assimilação, nos últimos anos, dos métodos do jornalismo neocon de Veja e similares, os quais implicam na ausência de limites ou bom senso e na concepção do opositor - e dos críticos do partido, mesmo se eventuais - como inimigo.
Independentemente de quem sejam os concorrentes, trata-se de um método abjeto. Se esta avaliação talvez pareça menos evidente quando o opositor em questão é, digamos, um Aécio Neves, advindo de um partido com um histórico de enfrentamento feroz com o petismo - incluindo vários golpes baixos -, ela mostra-se rigorosamente justa quando se observa o tratamento ora dispensado pelo partido e seus militantes a figuras que até ontem eram, na condição de aliados ou mesmo estrelas petistas, pelos próprios exaltadas, como, respectivamente, o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB/PE) ou Marina Silva (sem partido), ex-senadora do Acre pelo próprio PT.
De exemplar à execrada
O caso da acriana é particularmente exemplar como evidência da memória curta, da volubilidade de critérios e da lógica "quem não está conosco está contra nós" do petismo em sua fase ultrapragmática. Quadro formador do petismo e por este formado, Marina foi durante décadas saudada como uma personalidade política especial dentro do partido: expoente amazônico e seu maior expert em políticas ambientais, compôs, durante décadas, uma espécie de arquétipo feminino de Lula, na origem humilde, na ascensão intra partidária a partir das bases, no reconhecimento internacional.
Esse era o status de Marina Silva até 2008, quando, após cinco anos de uma atuação sem precedentes, saudada e premiada nacional e internacionalmente, como ministra do Meio-Ambiente do governo Lula, pede demissão ao final de uma série de conflitos com a chefe da Casa Civil e gerentona do progressismo a qualquer custo, a hoje presidente Dilma Rousseff.
Do dia para a noite, a proeminente aliada vira persona non grata nas hostes petistas, desertando a fúria por ter ousado primeiro enfrentar, depois rejeitar um projeto político baseado na relativização da ética para alianças partidárias e em um modelo arcaico de desenvolvimentismo na área econômica. Com o lançamento de sua candidatura à Presidência em 2010, pelo PV, consuma sua transformação, aos olhos petistas, em um ser pestilento, repositório de tudo que há de repulsivo e condenável na política nacional.
- "Ela é crente!" - brada o petista típico, listas nas mãos, como se se referisse a um assassino de bebês, como se professar uma religião fosse impedimento ao exercício da Presidência, como se o próprio governo Dilma não fosse o playgound do neopentecostalismo, determinando vetos presidenciais contra kits educativos, patrocinando um vergonhoso atraso nas questões relativas a comportamento e a gêneros sexuais, zombando da cidadania e dos Direitos Humanos ao deixar, por desinteresse, um representante do atraso como Marco Feliciano presidir a comissão legislativa relativa ao tema.
Jovens eleitores x anacronismos
Em pleno 2013, a quem os petistas pensam que enganam com tais estratégias discursivas, com tais discrepâncias entre discurso e prática, com uma concepção de política em que o gozo da ética e da legitimidade pertence exclusivamente aos membros do partido, e os que a eles se opõem, na opinião pública ou na arena eleitoral, são concebidos como inimigos aos quais se destina a desqualificação e o extermínio?
Os protestos nas ruas, a despeito de sua virulência e espontaneidade, não parecem estar servindo de alerta – e isso se dá em grande parte graças à mitomania do partido, viciada em livrar-se das críticas atribuindo-as exclusivamente à má vontade da mídia, e que tem sido internamente bem-sucedida em atribuir as manifestações a novos bodes expiatórios, como o Facebook e até misteriosos organismos internacionais. Mas o fato inconteste é que, nas próximas eleições, jovens entre 18 e 25 anos devem vir a ter um papel decisivo. Para eles, que tinham entre 6 e 13 anos quando FHC transferiu o poder a Lula e passaram toda a vida sob o o governo do PT, as listas de convencimento petistas, com suas comparações maravilhosas, tendem a ser não apenas anacrônicas, mas contraproducentes: anseiam pelo novo, mas lhes é oferecido uma mirada no retrovisor, focada em um passado que sequer viveram.
- "Não votar em Dilma é votar na direita" – conclui o petista típico, em uma oração que resume de forma cabal a pobreza binária de seu raciocínio, a (por si questionável) arrogância exclusivista na qual se baseia e a escassez de alternativas as quais sua visão autocentrada deixa de enxergar.
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Teste de 3G decepciona e 'Proteste' lança campanha

Após os resultados decepcionantes em teste realizado com o celular 3G nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a PROTESTE Associação de Consumidores decidiu lançar a campanha: Em busca do 3G Perdido.
O objetivo da campanha é que os brasileiros relatem pelo site www.embuscado3gperdido.com.br os problemas que enfrentam porque, além da má cobertura, as operadoras também não entregam a velocidade prometida com os planos 3G. O levantamento mostra que é muito difícil ter uma conexão de alta velocidade fora das principais cidades.
Técnicos da PROTESTE percorreram, de 4 de março a 25 de abril, cinco mil quilômetros passando por 12 estados, e comprovaram que há muitos trechos com conexões precárias ou até mesmo inexistentes. Navegar na internet móvel em alta velocidade, só mesmo nas capitais ou em algumas das regiões metropolitanas. Longe dessas áreas, quando a conexão é possível, dificilmente é rápida.
Nenhuma das quatro grandes operadoras de telefonia móvel – Claro, Oi, TIM e Vivo – cobre mais de 51% dos trechos percorridos, sendo que a região Sul é a menos coberta por qualquer tipo de sinal.  No pior cenário, no Sul, o cliente TIM não se conectou à rede em 80% das vezes. No melhor, no Nordeste, com a Vivo, a internet móvel funcionou em 68% dos casos.
Cobertura 3G por Operadora
A cobertura da Claro é a pior entre as avaliadas. Em São Paulo, por exemplo, 62% das tentativas de acessar a rede 3G foram sem sucesso. Em média, mais da metade das vezes que se é tentado usar o 3G da Claro, há problemas e não há conexão. A Claro também apresentou baixos registros fora da região metropolitana de São Paulo e baixas taxas de downloads no Nordeste.
A Oi apresentou resultado ruim no Nordeste. Apenas em poucos pontos dos quase 2000 km rodados, a operadora obteve boa conexão. Salvador, Maceió, Recife, João Pessoa e Fortaleza possuem conexão 3G capada em 1mb/s. Nas estradas, a recepção é ruim e por muitas vezes não há recepção nenhuma e quando tem é lenta demais – o que representa que não é 3G.
Também não foi encontrado nenhum sinal da Oi na cidade de Sorocaba (SP).E a conexão nas estradas paulistas ficou aquém do esperado.
A TIM apresentou sinal fraco no litoral paulista e nas cidades de Foz do Iguaçu e Florianópolis. A conexão também foi lenta em Belo Horizonte (RJ), Paraty (RJ) e nas cidades de Sorocaba e Campinas (SP). 
A Vivo deixou a desejar no Sul, com más taxas de download. E também apresentou problemas nas estradas paulistas.
No geral, o resultado é muito ruim para todas as operadoras. Há muitas regiões sem cobertura nenhuma e mais ainda com cobertura de baixa qualidade.
Apesar da falta de qualidade, as operadoras cobram um valor alto para o teórico acesso 3G. As diferenças entre os planos básicos e os mesmos planos com 3G podem chegar a R$ 100,00 no caso da Claro e da Oi. Ou seja, a operadora com a pior cobertura, a Claro, é a que cobra mais caro pelo “serviço”.
Para uma conexão 3G de boa qualidade, é necessária velocidade mínima de 1Mbit/s de download e 500kbit/s. Sem essa velocidade o acesso é muito lento. A Claro, pior operadora avaliada, demonstrou cobertura 3G (velocidade rápida) em apenas 33% das medições e nenhum sinal em 57% das medições. A melhor foi a Vivo, com 51% de cobertura 3G e 23% das medições sem cobertura. Mesmo a Vivo ainda está muito distante do bom.
Como foi feito o teste
A análise de qualidade da rede 3G englobou a avaliação da cobertura em relação ao número de vezes em que foi tentado fazer o registro de velocidade. Foram levados em conta três aspectos: download, upload e latência. As redes avaliadas foram a 3G (HSPA, HSPA+) e a GSM (EDGE e GPRS), em todas as operadoras.
Baseando-se nos resultados da velocidade de download e upload, todo resultado maior do que 400 kbit/s foram considerados 3G. Qualquer outra rede mostrada pelo aplicativo (HSDPA, HSPA+, etc...) também foi considerada como 3G.
Durante as viagens, os sinais foram captados pelo aplicativo Speedtest da “Ookla Speedtest”. E o mesmo telefone foi usado para todas as operadoras: o Samsung Galaxy SII LTE.
De acordo com a Resolução nº 575, de 28 de Outubro de 2011 as operadoras devem oferecer 98% de tentativas com sucesso de acesso a Internet. O nosso teste revelou que nenhuma operadora oferece essa cobertura.
http://culturadigital.br/marcocivil/files/2010/05/proteste.png
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O desserviço que ateus prestam ao ateísmo

Apoiar a quebra de imagens sacras e promover o “desbatismo” não ajudam a causa dos descrentes.
"Desbatismo" na Praça da Sé, em São Paulo
“Desbatismo” na Praça da Sé, em São Paulo
Uma das manifestações que aconteceram durante a visita de Francisco foi organizada pela ATEA, Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos. Membros da entidade foram para a frente de algumas igrejas e usaram um secador de cabelos para os voluntários se “desbatizarem”. No final, a pessoa ganhava um certificado de “desbatismo”.
O protesto teve adesão baixa. Não emplacou. Daniel Sottomaior, presidente da ATEA, perdeu uma oportunidade de elevar o nível do debate. Sua bandeira principal era o volume de gastos públicos com a visita de Francisco. Mas, no meio disso, embutiu-se um discurso agressivo e fanático. Ateus não podem gozar de sua descrença de outra maneira? Têm de partir para o enfrentamento? É obrigatório apoiar gente que quebra imagens?
A ATEA chegou a propor um salvo conduto para seus simpatizantes durante a Jornada Mundial da Juventude. O que queriam com isso, não se sabe. Mas ficou a impressão de molecagem. “Respeito os ateus porque vivemos num estado laico e pluralista. Mas fazer o ‘desbatismo’ com secador de cabelo é infantilismo e ridículo”, disse Leonardo Boff.
Sottomaior já se manifestou de maneira estranha em outras ocasiões: “Verdade seja dita: a crucificação de Feliciano (ops…) foi uma enorme injustiça. É verdade, ele é homofóbico de carteirinha, camiseta e diploma, tem posições claramente contrárias aos direitos humanos, deseja interferir nas políticas de saúde pública e quer fazer todos os brasileiros rezarem por sua cartilha religiosa. Quer dizer: é igualzinho ao papa. Feliciano é até mais liberal: apoia o ordenamento de mulheres e o casamento de sacerdotes. A diferença é que ele não torrou centenas de milhões de reais de dinheiro dos contribuintes, nem usa vestido em público.”
Defender Feliciano para atacar a Igreja não ajuda a causa. O papa disse que não cabe a ele julgar os gays (também falou a favor de ateus que fazem o bem). Há uma discussão aí. Quanto ao dinheiro do contribuinte, o pastor deputado sofreu denúncias do uso da máquina pública em seu cargo.
Ninguém é forçado a crer em Jesus, na Virgem Maria ou em milhares de santos. Quem foi ver o papa em Copacabana estava lá de livre e espontânea vontade e, eventualmente, não é um estúpido e nem está queimando bruxas em fogueiras.
Se ateus querem convencer alguém de alguma coisa, um bom começo, talvez, seja descartar o Pensamento Único e estimular a crítica. O grande filósofo Bertrand Russell, ateu, afirmava que quem tinha de provar a existência de Deus eram os crentes, e não os descrentes do contrário. Russell também é autor da máxima: “O grande problema do mundo é que os tolos e fanáticos são cheios de certezas, enquanto os sábios são cheios de dúvidas”.
Que tal propor o diálogo e a dúvida? É irônico que quem esteja fazendo isso, agora, seja um papa.
Kiko Nogueira
No DCM
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CNN y sus (per)versiones sobre Cuba

 
María del Carmen Ramón, periodista cubana y autora del documental "CNN y sus (per)versiones sobre Cuba", por el cual fue galardonada con el Premio Nacional de Periodismo 26 de Julio, en la categoría documental de televisión: "En cincuenta minutos de duración, intenté acercarme a la forma en que una televisora como CNN en español construía la realidad de mi país. Preguntas como ¿qué se dice sobre Cuba en CNN en español?, ¿quiénes participan en la legitimación de ese discurso? ¿en quiénes se apoyan para ello?, ¿qué futuro le presentan a Cuba?, condujeron el acercamiento a la primera televisora norteamericana en contar con una corresponsalía en La Habana y ayudaron a comprender la importancia de crear hoy medios de comunicación que se opongan a la información hegemónica y alejada del verdadero sentir de los pueblos del continente." 
No ISLAmía
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Blogos Fera - uma nova revista

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Mais Médicos: 4.657 profissionais concluem cadastro no programa

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Entrega de documentos de brasileiros no primeiro mês de seleção se encerrou neste domingo (28). Do total de 18.450 médicos inscritos, 7.278 permanecem com CRMs inválidos
O Programa Mais Médicos para o Brasil encerrou seu primeiro mês de seleção com 4.657 médicos cadastrados até meia-noite deste domingo (28), prazo final para entrega de documentos e correções na inscrição. Desse total, 3.891 possuem registro profissional válido no Brasil e 766 têm diplomas do exterior.
“A disposição destes médicos em participar do programa e atender nos municípios do interior e na periferia das grandes cidades é fundamental para conseguirmos melhorar o atendimento prestado à população”, avalia o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Apesar da possibilidade de correção de inconsistências e apresentação de documentos ao longo deste fim de semana, 7.278 médicos mantêm registros de CRM (Conselho Regional de Medicina) inválidos. Na última sexta-feira, este grupo chegava a 8.307.
Outro dado que chamou a atenção do Ministério da Saúde foi o baixo número de médicos residentes que confirmou seu interesse em ir ao Mais Médicos. Dos 1.270 profissionais deste perfil que haviam se inscrito, apenas 31confirmaram interesse, ao entregar todos os documentos solicitados e declarar que desistiriam de participar das especializações que estão cursando.
Estas inconsistências foram identificadas por filtros estabelecidos pelo Ministério da Saúde após  denúncias de que haveria tentativas de boicote ao programa. “Estes mecanismos protegeram os médicos que de fato tinham interesse em atender a população e em se especializar em Atenção Básica, com acompanhamento de uma universidade federal”, diz Padilha.
Acionada pelo Ministério da Saúde há três semanas, a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar denúncias que circularam nas redes sociais para postergar o início do trabalho dos participantes do Mais Médicos.
Os médicos inscritos com documentos pendentes e com informações inconsistentes terão oportunidade de fazer as correções e concluir seu cadastro na próxima seleção do programa, que será aberta no dia 15 de agosto, inclusive com a possibilidade de entrada de novos profissionais.
CRONOGRAMA
O período para os médicos com cadastro finalizado selecionarem seis opções de municípios onde desejam atuar terminou neste domingo (28). Em 1º de agosto será divulgada a relação de médicos com CRM válido no Brasil e a indicação da cidade designada a cada profissional. Os profissionais com diploma brasileiro terão de homologar a participação e assinar um termo de compromisso até três de agosto. Dois dias depois, as escolhas serão publicadas no Diário Oficial da União.
Já os estrangeiros têm até 8 de agosto para entregar a documentação, pois só poderão ocupar as vagas não preenchidas pelos médicos formados no Brasil.
MUNICÍPIOS
O Mais Médicos para o Brasil conta com a adesão de 3.511 municípios, que equivalem a 63% do total de prefeituras no Brasil e a 92% das consideradas prioritárias para o programa. Juntas, estas cidades apresentaram demanda e capacidade para terem 15.460 médicos atuando na atenção básica.
Entre as cidades, 92% já acessaram recursos federais para melhorar a infraestrutura das suas unidades básicas de saúde e 90% participam de ações do Ministério da Saúde para melhorar a qualidade do atendimento prestado.
“O fato de termos, em menos de um mês, mais da metade das prefeituras de todo o País inscritas no programa demonstra o tamanho da carência por médicos e a adesão das prefeituras à estratégia do Governo Federal para enfrentar este problema”, opina Padilha.
Segundo o ministro, os dados de adesão apontam, inclusive, que houve aumento da necessidade de médicos no país. “Não só faltam médicos na atenção básica como cresceu a carência por esse profissional desde o início do ano para cá. Pela chamada do Provab realizada no início do ano, tínhamos 9 mil vagas não atendidas. Em 15 dias de inscrições no programa, os municípios mostram que há mais de 15 mil”, reforça.
A região Norte teve a maior participação de seus municípios (73%), seguida de Sul (68%), Nordeste (66%), Centro-Oeste (60%) e Sudeste (55%). Entre os estados, destacam-se o Amazonas (97%), Amapá (94%), Acre (86%), Rondônia (85%), Ceará (82%), Roraima (80%), Bahia (76%), Piauí (74%), Pará (73%), Paraná (72%) e Espírito Santo (71%).
Todos os profissionais serão avaliados e supervisionados por universidades federais. Nesta primeira etapa, 41 instituições, de todas as regiões do País, se inscreveram no Mais Médicos.
SOBRE O PROGRAMA
Lançado pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, no dia 8 de julho, o Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), com objetivo de acelerar os investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde e ampliar o número de médicos nas regiões carentes do país, como os municípios do interior e as periferias das grandes cidades.
Os médicos do programa receberão bolsa federal de R$ 10 mil, paga pelo Ministério da Saúde, mais ajuda de custo, e farão especialização em Atenção Básica durante os três anos do programa.
O Governo Federal está investindo, até 2014, R$ 15 bilhões na expansão e na melhora da rede pública de saúde de todo o Brasil. Deste montante, R$ 7,4 bilhões já estão contratados para construção de 818 hospitais, 601 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs 24h) e de 16 mil unidades básicas. Outros R$ 5,5 bilhões serão usados na construção, reforma e ampliação de unidades básicas e UPAs, além de R$ 2 bilhões para 14 hospitais universitários.
Camila Rabelo
No Agência Saúde
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Veículos de comunicação são condenados a pagar mais de R$ 8 milhões a jornalistas

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Jornalistas cearenses aguardam a definição dos valores de indenização
 O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) venceu processos judiciais movidos contra oito veículos de comunicação de Fortaleza, que violaram os direitos trabalhistas nos últimos dez anos. Ao todo, as empresas terão que ressarcir 221 jornalistas em valores que somam milhões de reais.
Veículos como a TV Verdes Mares, TV Diário, TV Jangadeiro, TV Cidade, Rede TV, Rádio Verdes Mares, Jornal O Povo e Rádio O Povo foram condenados por irregularidades trabalhistas, como falta de pagamento de horas extras e diferenças salariais, segundo informações do Sindjorce.
Os jornalistas aguardam a conclusão dos cálculos dos valores a serem recebidos. “Não há mais dúvida sobre a existência do direito. O que ainda pode se discutir são os valores e o prazo de execução das sentenças propriamente dita. No debate sobre os cálculos, ainda é cabível recurso aos tribunais, por ambas as partes, o que pode resultar em certa demora no processo”, explicou o assessor jurídico do Sindjorce, Carlos Chagas.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) está fazendo os cálculos. De acordo a entidade, as TV e a Rádio Verdes Mares e a TV Diário, do Sistema Verdes Mares de Comunicação, terão que pagar mais de R$ 8 milhões a um grupo de 58 jornalistas, sendo o menor valor de R$ 49.685,54 e o maior de R$ 350.525,08. “Os valores variam por profissional, em função das particularidades de cada um: se recebe apenas o piso, se tem cargo de chefia”, esclareceu o economista Ediran Teixeira.
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Ações trabalhistas tramitam há anos na Justiça (Imagem: Reprodução/Sindjorce)
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“Medicina cubana ensina a atender o povo com qualidade e humanismo”, afirma militante

A saúde no Brasil tem sido tema de grandes debates nas últimas semanas, provocados tanto pelas manifestações das ruas, que exigem melhoras e mais investimentos na área, quanto pelas propostas recentes do governo em trazer médicos de outros países para trabalhar em regiões mais carentes.
Essas propostas, assim como a obrigação dos estudantes de universidades públicas em cumprir dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS), tem sido alvo de fortes críticas das associações de médicos, que afirmam que essas não seriam as soluções para os problemas.
A Página do MST conversou com Augusto César e Andreia Campigotto, ambos militantes do Movimento e formados em medicina em Cuba, sobre o tema.
Nascido em Chapecó e com 25 anos de vida, Augusto César ainda não exerce a profissão. Está estudando para fazer a prova de revalidação do diploma cubano e, assim, poder atuar no Brasil. Quando conseguir seu registro, pretende trabalhar na área rural, atendendo os Sem Terra e os assentados da Reforma Agrária.
Andreia Campigotto tem 28 anos e nasceu em Nova Ronda Alta (RS). Trabalha em Cajazeiras, no sertão paraibano, como residente em medicina da família em uma unidade básica de saúde, que atende uma comunidade de 4 mil pessoas.
Formato
O curso de medicina cubano dura seis anos. Para estudantes de outros países, ele se inicia na Escola Latinoamericana de Medicina, localizada em Havana. Depois de um período inicial de dois anos, os estudantes são enviados para as diversas universidades do país. Augusto e Andreia foram para a universidade da província de Camagüey.
O curso de medicina cubano não se difere muito do brasileiro, do ponto de vista curricular.
“Os dois primeiros anos trabalham com as ciências médicas. Estudamos fisiologia humana, anatomia humana e desde o primeiro ano temos contato com os postos de saúde. Quando somos distribuídos para as universidades, vivenciamos o sistema público de saúde. Comparado com o Brasil, o nível teórico é igual, mas o nível de prática é maior", afirma Augusto.
“Um estudo do governo federal mostra a compatibilidade curricular dos cursos de medicina de 90% entre Brasil e Cuba. Então, não há grandes diferenças teóricas", conta Andreia.
A diferença principal entre os dois cursos está na concepção de medicina e de saúde na formação dos médicos. “O curso brasileiro é voltado para as altas especialidades. Tem essa lógica de que você faz medicina, entra numa residência e se especializa. Já em Cuba o curso se volta à atenção primária de saúde, para entendermos a lógica de prevenção das doenças e o tratamento das enfermidades que as comunidades possam vir a ter”, diz Augusto.
Em contrapartida, “saúde” e “medicina” no Brasil são sinônimos de pedidos de exames e tratamento com diversos medicamentos, calcados em sua maioria na alta tecnologia. Com isso, a medicina preventiva fica em segundo plano, alimentando uma indústria baseada na exigência destes procedimentos.

“No Brasil, temos uma limitação na formação do profissional, pois ela é voltada ao modelo hospitalacêntrico, que pensa só na doença e no tratamento. Em Cuba isso já foi superado. Lá eles formam profissionais para tratar e cuidar com qualidade, humanismo e amor cada paciente; aprendemos de verdade a lidar com a saúde do ser humano”, analisa Andreia.
Ela destaca que os médicos formados na ilha são capazes de atender a população sem utilizar somente a alta tecnologia, condição que não necessariamente limita um atendimento com qualidade à população que mais carece.
“É mais barato fazer promoção e prevenção de saúde. No entanto, isso rompe com a ditadura do dinheiro. Com isso, os médicos aguardam o paciente ficar doente para pedir um monte de exames e dar um monte de medicamentos”, afirma Augusto
De acordo com ele, essa estrutura fortalece o complexo médico-industrial, que se favorece sempre que há alguém internado ou que precise tomar algum medicamento.
“Não negamos a necessidade de medicamentos e equipamentos, porque precisamos dar atenção a esse tipo de paciente. Mas não precisamos esperar que todas as pessoas fiquem doentes para começar a trabalhar a questão da saúde”, acredita Augusto.
José Coutinho Júnior
No Página do MST
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Como Dilma fugiu da Ley de Medios

O PLIP trata de conteúdo, sim. E quer ampliar a liberdade de expressão
 
O Conversa Afiada entrevistou por telefone, nesta segunda-feira (29), Pedro Ekman, do Coletivo Intervozes, do Coletivo Brasil de Comunicação Social e da coordenação executiva do FNDC, Fórum Nacional pela Democratização, um órgão de entidades que lutam pela Ley de Medios.
Ekman fez parte do grupo dos que redigiram um Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Ley de Medios.
Ekman criticou a entrevista “toma lá dá cá da Presidenta na Folha” e defendeu o PLIP que, também, regulamenta artigos da Constituição de 88 que tratam das Comunicações.
Clique aqui para ler a ação do professor Comparato para processar o Congresso por não regulamentar esses artigos da Constituição.
Segundo Ekman, o projeto é uma construção de entidades de todo o país e, ao contrário do que declarou a presidenta Dilma em entrevista à Folha, a regulação da mídia exige, sim, a regulação do conteúdo.
As assinaturas de adesão ao PLIP podem ser feitas no site paraexpressaaliberdade.org – http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/index.php/quem-somos/documentos.
No dia 22 de agosto, o FNDC vai promover o lançamento oficial da campanha no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Veja os principais trechos da entrevista em texto, e a integra da conversa em áudio:
PHA – Eu vou ler para você uma pergunta e uma resposta de uma entrevista que a Folha de São Paulo fez com a presidenta Dilma Rousseff.
A pergunta é: ”uma das questões que o presidente Lula encaminhou no seu governo foi a regulamentação de radiodifusão no País. A senhora enterrou esse assunto?”
Resposta da presidenta: ”Não. Agora, o que eu e o Lula jamais aceitaríamos é que se mexa na liberdade de expressão. Eu vou te dizer o seguinte: não sou a favor da regulamentação do conteúdo. Eu sou a favor da regulação do negócio.”
Pergunta: o PLIP trata da regulação do conteúdo?
Pedro Ekman: Essa resposta da presidente está errada. Porque, na verdade, sim, ela enterrou o projeto de lei de regulamentação da comunicação que foi deixado pelo presidente Lula.
A gente está tentando retomar o debate com o Ministério das Comunicações e com a Presidência da República a respeito da regulação.
Ela se defende dizendo que não é a favor da regulação de conteúdo, mas isso demonstra, no mínimo, um desconhecimento da pauta. Regulamentar conteúdo não é censura nem é determinar o que as pessoas tem que dizer. Regulamentar é criar regras para a veiculação de conteúdo no Brasil.
A classificação indicativa (por idade) que existe hoje, por exemplo, é uma regulamentação de conteúdo. Ela diz em que horário determinados conteúdos podem passar em função das idades.
A Constituição diz que tem de estimular a produção nacional, regional e independente.
Você escrever uma lei que diz qual é a cota de produção regional e independente em cada Estado, por exemplo, para cada emissora, para cada detentor de concessão pública [concessão de radiodifusão] é uma forma de regulamentar conteúdo sem censurar, e, na verdade, promover a diversidade e a pluralidade de ideias em circulação.
O projeto de lei, sim, regulamenta conteúdo. Mas, está longe de ser censura, ou de dizer o que as pessoas tem que dizer – que é o de que os grandes meios de comunicação acusam toda e qualquer iniciativa para regulação da mídia.
PHA - No primeiro trecho da resposta ela diz: ”eu e o Lula jamais aceitaríamos que se mexa na liberdade de expressão”. O projeto de lei de iniciativa popular trata da liberdade de expressão?
Pedro Ekman: Trata. Ela, o Lula, e a gente também não quer atacar a liberdade de expressão. Nós queremos ampliar a liberdade de expressão.
O projeto de lei visa distribuir, fazer uma reforma agrária da liberdade de expressão.
Hoje, a comunicação é muito concentrada em poucos meios de comunicação. Cinco grupos econômicos detêm quase toda a comunicação de massa que é feita no País.
O que a gente quer é ampliar o número de vozes, o número de organizações e de pessoas que possam ter essa capacidade de comunicação no Brasil.
A liberdade de expressão não pode ser para quem tem dinheiro, apenas. Ela tem que ser para todos, para as comunidades, tem que ser uma comunicação de acesso público, ela tem que ser para muito mais gente.
O projeto de lei de iniciativa popular amplia a liberdade de expressão quando faz uma reforma agrária do ar.
Os meios de comunicação que existem hoje tem que continuar a existir e tem que continuar atuando como atuam, mas,por que só eles? Por que não outros meios, também? Nós queremos poder escolher entre outros meios que existem.
A presidente também diz muito que o controle que tem que existir para a comunicação é o uso do controle remoto.
O problema é que hoje você zapeia a TV, mexe no controle remoto, muda de um canal para o outro com programações muito parecidas. Às vezes, a gente quer escolher um canal que não existe.
Não existe porque não tem espaço para existir. Nós queremos abrir esse espaço para que novas vozes possam falar. Nós queremos escolher não só o que consumir de comunicação, mas o que produzir de comunicação. E ter espaço para que essa comunicação seja ouvida e vista por muita gente.
Clique aqui para ouvir a integra da entrevista.
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Como os franceses se livraram do jornalismo que assassina a reputação

Uma mulher insultada mudou sensacionalmente, há 100 anos, o caráter da imprensa francesa.
O episódio, na ilustração de um jornal da época
O episódio, na ilustração de um jornal da época
Os franceses se livraram de um tipo de jornalismo que assassina reputações de uma maneira drástica.
Em 1914, pouco antes da Guerra, o jornal conservador Fígaro vinha massacrando o ministro da Fazenda, Joseph Caillaux, de esquerda. Caillaux, para o jornal, era pacifista demais num momento em que a Alemanha flexionava seus músculos.
O Fígaro conseguira uma correspondência íntima de Caillaux dirigida a uma mulher da sociedade parisiense, Henriette.
Eram cartas em que se misturavam lascívia e inconfidências políticas, e datavam da época em que Caillaux e Henriette mantinham um caso clandestino.
Quando o Fígaro obteve as cartas, Caillaux e Henriette já eram marido e mulher, depois de cada qual se divorciar para viver plenamente seu amor.
O editor do Figaro, Gaston Colmette, era o jornalista mais poderoso da França.
Henriette queria que Joseph o desafiasse para um duelo para preservar a honra e a carreira. Mas depois teve uma segunda ideia.
Dirigiu-se à sede do jornal e pediu para ser recebida por Calmette, num final de dia. Um amigo de Calmette lhe recomendou que não a recebesse, dadas as circunstâncias da campanha movida contra o marido dela.
Mas Calmette era um francês, e respondeu que não poderia deixar de atender uma mulher sozinha.
Henriette tinha um véu na mão.
“Você sabe para que eu vim aqui, não?”, disse ela, segundo testemunhos. E então, sem perda de tempo, Henriette mostrou o que carregava embrulhado no lenço: uma Browning automática. Descarregou-a em Calmette. Quatro tiros acertaram seu peito, e o mataram em poucos minutos.
A polícia não tardou a aparecer. Os policiais iam levar Henriette a uma delegacia na viatura que estava estacionada na frente da sede do Figaro.
“Não toquem em mim”, disse ela. “Je suis une dame.” Ela foi para a polícia em seu próprio carro.
"Je suis una damme"
“Je suis una dame”
Poucas semanas depois, num julgamento que chacoalhou a França e a Europa, e obscureceu entre os franceses os acontecimentos que logo levariam à Primeira Guerra Mundial, o caso foi examinado por um júri composto apenas de homens.
Henriette acabou inocentada. Agira, o júri decidiu, em legítima defesa da honra, e sob intensa emoção.
A opinião pública, no julgamento, se inclinou por Madame Caillaux – que na prisão era atendida por duas de suas empregadas – e não pelo jornalista morto, ou pela causa deste.
Houve entre os franceses um consenso de que Calmette e o Figaro tinham cometido um abuso intolerável de poder, e o veredito refletiu isso.
Acabou assim espetacularmente, pelas mãos de Madame Caillaux, une damme, o jornalismo que assassinava reputações na França.
O Brasil viveu um caso de alguma similaridade algumas décadas depois.
O Calmette brasileiro era o “Corvo”, o jornalista e político Carlos Lacerda, que se lançou a uma campanha selvagem que levaria Getúlio Vargas ao suicídio, em 1954.
É um exercício fascinante imaginar o que teria ocorrido se Vargas tivesse a seu lado uma Madama Caillaux.
Mas não tinha.
Lacerda foi vítima de um atentado em que saiu apenas com um pé ferido. O mandante, segundo a polícia, foi o chefe da guarda pessoal de Getúlio. Sob a pressão da imprensa, Getúlio poucos dias depois se mataria.
Madama Caillaux, na Paris de 1914, acabou de uma só vez com Calmette e com um tipo de jornalismo que os franceses julgaram destrutivo e nocivo ao interesse público.
Lacerda pôde seguir, revigorado, sua carreira deletéria. Anos depois, seria protagonista no assassinato do caráter do presidente João Goulart, no começo dos anos 1960.
O Corvo seria o nome essencial para justificar, pela imprensa, a instalação de uma ditadura militar que, sob o pretexto infame de impedir o “triunfo do comunismo”, mataria milhares de brasileiros e faria do Brasil um campeão mundial da desigualdade social.
Henriette, com seu gesto extremo e desesperado, forçou a França a avaliar o jornalismo que se fazia então.
O Brasil jamais passou por este tipo de avaliação, e isso explica em grande parte o jornalismo sem limites que vigora entre nós ainda hoje, um século depois de os franceses terem imposto limites imprescindíveis ao interesse público.
Paulo Nogueira
No DCM
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A funcionária que sumiu com fraude da Globo

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E se fosse ao contrário...

Estudantes fazem vídeo invertendo os papéis femininos e masculinos na propaganda


As canadenses Sarah Zelinski, Kayla Hatzel e Dylan Lambi-Raine quiseram expor os estereótipos na publicidade.
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Veredicto de soldado Manning en EE.UU. será conocido este martes

La coronel Denise Lind, quien preside el consejo de guerra de Estados Unidos contra el soldado Manning anunció que el veredicto del proceso que se le lleva al militar por el caso WikiLeaks se conocerá este martes a las 13H00 locales (18H00 GMT).
Este martes se conocerá el veredicto del proceso contra el
soldado Bradley Manning, acusado de filtrar documentos a WikiLeaks
La jueza que lleva el caso del soldado Bradley Manning, quien está acusado de filtrar información clasificada de Estados Unidos (EE.UU.) al portal WikiLeaks, indicó que se conocerá el veredicto del proceso que se le hace al militar este martes, informaron este lunes fuentes oficiales.
La coronel Denise Lind, quien preside el consejo de guerra de Estados Unidos contra el soldado Manning dio la información de la jueza y detalló que el anuncio se dará a la 13H00 locales (18H00 GMT).
El dictamen se leerá en el juzgado militar en la base militar Fuerte Meade, a las afueras de la ciudad de Baltimore (noreste).
Desde el viernes pasado, Lind ha estado deliberando sobre el caso de Manning luego de que finalizaran los alegatos finales de la defensa y la parte acusadora tras siete semanas de audiencias.
Para dar el veredicto, la jueza deberá considerar si encuentra culpable a Manning de ayudar al enemigo, además de otras veintena de cargos. El cargo de "ayuda al enemigo" podría acarrear al soldado la cadena perpetua.
Manning está acusado de pasar cientos de miles de informes militares de campaña del Medio Oriente, así como también delicados cables diplomáticos de Estados Unidos a WikiLeaks, entre noviembre de 2009 y mayo de 2010, cuando trabajaba como analista de inteligencia en Irak.
La fuga de los documentos militares hizo públicas las muertes de civiles, mientras que los cables diplomáticos expuestos desataron una tormenta de fuego por la divulgación de observaciones particulares hechas por algunos jefes de Estado y altos funcionarios estadounidenses.
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Projeto de Democratização da Justiça... na Argentina

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