29 de jul de 2013

A política como dever

 
Em seu discurso no Theatro Municipal, o papa Francisco defendeu o primado da política. Ele não disse, nem lhe era necessário dizer, que só a política assegura a sobrevivência da sociedade humana. Política, entendamos, significa a participação de todos, sob a liderança de homens capazes, na escolha de representantes para elaborar as leis e dirigir o Estado. O pontífice (e pontífice é aquele que projeta e edifica pontes) volta ao princípio basilar da ação política, que é a realização do bem-estar comum da sociedade nacional.
Desde que o homem criou a linguagem, e passou a conviver em grupos maiores, ele exerce os atos políticos, porque política é, ao mesmo tempo, a organização do convívio e a administração dos conflitos.
Os atos políticos estão inseridos na esfera do cotidiano. Eles são um esforço permanente, nunca concluso, para que a Humanidade não pereça. Não é por acaso que o Papa citou o profeta Amós e sua objurgatória contra os opressores. Ele, com o exemplo bíblico, mostra que Deus não aceita a injustiça, não compactua com a glorificação do lucro, obtido com a desalmada exploração do trabalho daqueles que alugam seus braços em troca de salários aviltantes. Ele poderia valer-se de inumeráveis advertências semelhantes, encontráveis em Isaias, na única epístola de Tiago e, praticadas, nos Atos dos Apóstolos.
Deus, em nossa visão temporal e amarrada ao silêncio da matéria, é a palavra que encontramos para identificar o Absoluto, onde se escondem as imperscrutáveis razões da vida. Só a Fé, que obedece à lógica, mas não à ciência, é que dispensa a filosofia pedestre, e dá ao homem a força da esperança.
Teólogos atentos encontraram, nos últimos escritos de Ratzinger, os sinais de debilidade diante das exigências de sua missão. Ele tenta esvaziar a mensagem política da vida de Cristo e nega a história de sua própria Igreja que, para o bem e para o mal, foi, e continua a ser, uma presença política.
Coube à Igreja, na Alta Idade Média, conservar a racionalidade greco-romana, nos territórios do Império invadidos pelos bárbaros, e aos muçulmanos manter o saber antigo em seus livros e nos grupos de sábios - os da famosa Escola de Bagdá.
Ora, essa evidência tão clara é negada pelo papa Bento 16. Em sua interpretação, não foram políticos pervertidos pela luxúria e pela simonia, por exemplo, homens como Rodrigo Bórgia, Giuliano della Rovere e Giovanni de Médici, que sob os nomes de Alexandre VI, Júlio II e Leão X, governaram a Igreja de 1492 a 1513: os anos mais escuros de toda a História do Papado.
Não há outra explicação: o discernimento do Cardeal Ratzinger não era o de um homem em pleno domínio da razão, e a sua escolha para ocupar o trono de Pedro pode ser vista como vitória política do Cardeal Bertone que, associado a Wojtyla, vinha dividindo com o polonês o governo da Igreja.
Há, mesmo na hierarquia brasileira, uma tentativa de reduzir a visita do Papa, de esvaziar a mensagem evangélica, que reclama dos jovens a responsabilidade da reabilitação da política. Embora cauteloso em alguns momentos, Bergoglio deixou muito claro o seu pensamento – ele se encontra ao lado de Leão XIII, de Pio XI e de João XXIII – e bem distante de Pio X, de Pio XII e de João Paulo II.
No Carta Maior
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ONU: Atlas Brasil 2013 mostra redução de disparidades entre norte e sul nas últimas duas décadas

Evolução do IDHM entre 1991 e 2010: grande parte dos municípios saíram da situação de muito baixo desenvolvimento humano, representada em vermelho. Foto: IDHM 2013
O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 mostra que cerca de 74% dos municípios brasileiros (ou 4.122 deles) se encontram nas faixas de Médio e Alto Desenvolvimento Humano, enquanto cerca de 25% deles (ou 1.431 municípios) estão nas faixas de Baixo e Muito Baixo Desenvolvimento Humano. Os dados foram divulgados hoje (29/07), no lançamento do Atlas Brasil 2013, em Brasília, pelo PNUD. As faixas de desenvolvimento humano são calculadas tendo como base o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) dos 5.565 municípios pesquisados pelo Censo de 2010, do IBGE.
Os dados refletem a evolução apresentada pelo IDHM do Brasil nas duas últimas décadas, ao sair da faixa de Muito Baixo (0,493) em 1991 para Alto (0,727) em 2010. Esta evolução sinaliza também que o país está conseguindo, aos poucos, reduzir as disparidades históricas de desenvolvimento humano entre os municípios das regiões Norte e Nordeste e aqueles localizados no Centro-Sul.
Em 1991, pelos recálculos e adaptações feitas no Atlas Brasil 2013 para o novo IDHM, 85,8% dos municípios brasileiros fariam parte do grupo de Muito Baixo Desenvolvimento Humano. Em 2000, esse número teria caído para 70% e, em 2010, despencado para 0,57% (32 municípios). Apesar da evolução neste quadro, a análise por regiões mostra que o Nordeste ainda tem a maioria de seus municípios no grupo de Baixo Desenvolvimento Humano (61,3%, ou 1.099 municípios), enquanto no Norte eles somam 40,1% (180 municípios) nesta categoria. Pelos dados atuais, 0,8% dos municípios do Brasil (44 deles) fazem parte da faixa de Muito Alto Desenvolvimento Humano.
As regiões Sul (64,7%, ou 769 municípios) e Sudeste (52,2% ou 871 municípios) têm uma maioria de municípios concentrada na faixa de Alto Desenvolvimento Humano. No Centro-Oeste (56,9%, ou 265 municípios) e no Norte (50,3, ou 226 municípios), a maioria está no grupo de Médio Desenvolvimento Humano. Ainda segundo o mesmo levantamento, Sul, Sudeste e Centro-Oeste não possuem nenhum município na faixa de Muito Baixo Desenvolvimento Humano. Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste não contam com nenhum município na faixa de Muito Alto Desenvolvimento Humano.
Desempenho por estados
O Distrito Federal é a Unidade da Federação (UF) com o IDHM mais elevado (0,824) e se destaca também como o único do grupo a figurar na faixa de Muito Alto Desenvolvimento Humano. Além disso, o DF tem o maior IDHM Renda (0,863), o maior IDHM Educação (0,742) e o maior IDHM Longevidade (0,873) entre as UFs. Na outra ponta, Alagoas (0,631) e Maranhão (0,639) são os estados com menor IDHM do país.
Na comparação feita entre as UFs, constata-se que a diferença entre o maior e o menor IDHM do grupo recuou 25,5% entre 1991 (0,259) e 2010 (0,193). A maior redução nas disparidades foi encontrada no IDHM Longevidade, onde a diferença caiu 41,6% (de 0,202 em 1991 para 0,118 em 2010). A queda na diferença entre o maior e o menor IDHM Educação foi a segunda maior: 15,9%, de 0,264 (1991) para 0,222 (2010). No IDHM Renda, a queda foi de 11,6% pela mesma comparação, passando de 0,284 (1991) para 0,251 (2010).
A redução na diferença entre os maiores e menores IDHMs dos estados e DF mostra que as Unidades da Federação conseguiram reduzir as desigualdades entre si em termos de desenvolvimento humano.
Apesar disso, os estados do Sul e Sudeste continuam com IDHM e subíndices superiores aos do Brasil – com exceção de Minas Gerais (0,730) que, na dimensão Renda, encontra-se abaixo do IDHM Renda do país (0,739). Todos os estados do Norte e Nordeste têm IDHM e subíndices menores que os do Brasil.
Análise de disparidade entre municípios
A análise de disparidade entre os maiores e menores IDHMs Longevidade, Renda e Educação no âmbito dos municípios mostra distâncias absolutas maiores do que as encontradas na comparação entre estados. Entre os 5.565 municípios comparados, o IDHM Longevidade, assim como nos estados, foi onde houve maior redução: a diferença entre o mais alto e mais baixo município caiu 41,1% entre 1991 e 2010, de 0,377 para 0,222, respectivamente. No IDHM Renda, esta diferença caiu 14,4% no mesmo período (de 0,574 para 0,491). Já para o IDHM Educação, a disparidade entre o mais alto e o mais baixo registrado por municípios apresenta alta de quase 13% em relação ao que se via em 1991 (de 0,547 para 0,618).
Capitais brasileiras
Das capitais brasileiras, apenas cinco delas aparecem entre os 20 municípios de maior IDHM: Florianópolis (3º), Vitória (4º), Brasilia (9º e Belo Horizonte (20º).
O Atlas Brasil 2013 mostra que nenhuma capital brasileira aparece entre os 20 municípios de mais alto IDHM Longevidade. No ranking do IDHM Educação, apenas três delas estão entre as 20 de melhor desempenho: Vitória (4º), com 0,805; seguida de Florianópolis (5º), com 0,800; e mais abaixo por Curitiba (17º), com 0,768. Já no ranking do IDHM Renda para municípios, sete capitais aparecem entre as 20 de maior subíndice: Vitória (3º), com 0,876; Porto Alegre (6º), com 0,867; Brasília (8º), com 0,863; Curitiba (11º), com 0,850; São Paulo (15º), com 0,843; Belo Horizonte (17º), com 0,841; e Rio de Janeiro (18º), com 0,840.
No ONU
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Conozca el manual de Golpe Suave de Gene Sharp

La teoría del filósofo estadounidense consiste en derrocar gobiernos a través de métodos no violentos que sustituyen las bombas y los fusiles por mentiras y boicots
Gene Sharp es un profesor emérito de ciencias políticas de la Universidad de Massachusetts, fundador de la Institución Albert Einstein y es el autor de un polémico ensayo titulado “De la dictadura a la democracia”, el cual provee un análisis político pragmático de la acción no violenta como un método de utilizar el poder en un conflicto.
La obra traducida en más de 30 idiomas consta de 198 métodos para derrocar gobiernos, y se divide en tres grandes fases: la protesta; la no cooperación, y la intervención, las cuales siempre son aplicadas luego de procesos electorales.
En el video se estima que la derecha venezolana, liderada por Henrique Capriles Radonski y el partido político Primero Justicia, implementa el método Sharp al no reconocer los resultados de las elecciones presidenciales del 14 de abril de 2013 y las acciones posteriores.

No Correo del Orinoco
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Passou da hora de desmilitarizar a polícia

Na cabeça da corporação, autoridade é muito mais importante que a legalidade.
rio
A natureza militar da polícia leva a instituição a valorizar mais a autoridade que a legalidade. Desmilitarizar a polícia é uma medida necessária para torná-la mais democrática e menos abusiva. O que tem acontecido em São Paulo e no Rio de Janeiro é um exemplo dos defeitos crônicos da PM.
A questão posta é se essa é a polícia que queremos em uma democracia.
Catorze homens da Rota foram indiciados por crimes sexuais cometidos em janeiro de 2012, durante a reintegração de posse em Pinheirinho. Duas jovens foram obrigadas a fazer sexo oral em policiais, um adolescente foi empalado com um cabo de vassoura e outro morador submetido a tortura com choques elétricos.
Nas manifestações populares recentes, o que se viu foram vários atos de violência. A bala de borracha foi usada indiscriminadamente (inclusive contra profissionais da imprensa), contrariando a orientação da própria corporação, pessoas que estavam se manifestando pacificamente foram surradas com cassetetes, prisões fragorosamente ilegais foram feitas.
No Rio, vídeos levam à suspeita de que policiais militares à paisana teriam se infiltrado nas manifestações para estimular o conflito. Isso sem falar do caso de Amarildo de Souza, o morador da Rocinha desaparecido após ser levado para uma UPP.
Não se pretende aqui cometer contra um policial suspeito o mesmo vício de não se respeitar sua presunção de inocência. Cada um desses fatos precisa ser apurado e os acusados devem ter direito à defesa. Contudo, é importante analisar a corporação e tentar compreender a razão da frequência de tanta ilegalidade cometido por seus membros.
Insista-se, não são episódios isolados. O que se vê é um histórico de abuso e violência institucional, sobretudo contra os moradores da periferia. O que há de novo com relação às manifestações é que as vítimas são, predominantemente, da classe média, o que gera uma reação mais intensa no noticiário do que os absurdos diários contra os pobres.
A natureza militar estimula esse tipo de comportamento porque ela é baseada no princípio da autoridade. Os policiais cumprem as ordens dadas sem qualquer questionamento, ainda que sejam ilegais. Em outras palavras, a autoridade é mais importante que a legalidade.
Em um dos vídeos divulgados sobre a prisão de um jovem, um recruta dizia que ele seria levado para a delegacia e a única coisa que sabia dizer, para fundamentar aquele desatino, era a de que recebia ordens. Levado ao oficial, o preso questionou se seria ilegal portar vinagre, e a única resposta que recebia era a ordem enérgica para que encostasse na parede. Nenhum argumento. Apenas a ideia de que, se a autoridade mandou, “tá mandado”.
Desmilitarizar a polícia não é uma mágica que resolverá todos os problemas da instituição. Mas uma coisa é certa: manter a natureza militar da polícia é renunciar completamente à possibilidade de uma entidade democrática e legalista. 
José Nabuco Filho
No DCM
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Despreparo militar é em todo país

Selvageria em Porto Alegre.

A Brigada Militar perde a razão. E agride um torcedor de muletas.

Não adianta arenas novas com policiais sem o mínimo preparo…


A Brigada de Porto Alegre mostrou.
É fácil demais perder a razão.
Juliano Franczak é figura carimbada nos jogos do Grêmio.
Está sempre vestido de bombachas e chapéu.
Ganhou o óbvio apelido de Gaúcho da Geral.
Frequentador assíduo da nova arena, como era do Olímpico.
Ele estava com o tornozelo inchado.
Efeito de uma cirurgia.
Por isso estava de muletas.
Só que ele resolveu se sentar no alambrado que dá para o fosso do estádio.
E decidiu usar a muleta como mastro da bandeira do Rio Grande do Sul.
Ele estava completamente errado.
Não poderia sentar no alambrado.
E muito menos usar uma bandeira com mastro.
As duas determinações estão mais do que proibidas.
Só que a Brigada Militar errou na dose.
Foi truculenta na retirada do torcedor.
Soldados invadiram a área onde ele estava.
E o arrancaram à força.
Além disso, misturaram selvageria e covardia.
Soldados começaram a dar cacetadas em Juliano.
Com muletas, ele não tinha como se defender.
Foram cenas degradantes.
Elas despertaram a ira da torcida.
E houve um confronto generalizado.
Torcedores gremistas contra a Brigada Militar.
2gazeta5 Selvageria em Porto Alegre. A Brigada Militar perde a razão. E agride um torcedor de muletas. Não adianta arenas novas com policiais sem o mínimo preparo...
Soldados usaram sem piedade cassetetes e spray de pimenta.
Foi caótico.
Enquanto isso, outros brigadianos arrastaram Juliano pelas pernas.
Situação vergonhosa.
Tudo foi filmado.
A cena corre o Brasil.
Advogados estão propondo a Juliano entrar na Justiça.
Processar os policiais.
Ele está com medo.
Tudo é evidente.
Mostra a falta total de preparo de alguns membros da Brigada Militar.
Juliano está longe de ser um santo.
Mas foi revoltante a maneira com que foi tratado.
Não é deste tipo de policiais que o Brasil precisa...
1gazeta13 Selvageria em Porto Alegre. A Brigada Militar perde a razão. E agride um torcedor de muletas. Não adianta arenas novas com policiais sem o mínimo preparo...
No Cosme Rímoli
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Francisco: um Papa que emerge do abismo da opressão

Querido Pe. Francisco
Tens o mesmo nome do Papa, certamente pelas mesmas razões que inspiraram o bispo de Roma a escolher este nome como projeto de igreja, como escreve Leonardo Boff.
O Papa Francisco visita o Brasil e não só a Jornada Mundial da Juventude católica nesse momento. Seu contato com a juventude e com o povo emociona a todos nós. Parece que certas dúvidas quanto para que lado Francisco se dirigisse politicamente não existem mais. Tudo indica que o rumo que ele segue é o mesmo de Jesus, o do povo, o dos oprimidos, não para deixá-los oprimidos, mas juntar-se a eles na luta por uma sociedade justa para todos.
Quando Francisco apareceu na janela do Vaticano após sua eleição muitos se entusiasmaram por ele a partir dali. Amigos meus me perguntaram o que eu pensava dele. Sempre respondi invocando que dois papados conservadores e comprometidos até às raízes dos cabelos com o imperialismo violento e opressor levaram o cristianismo ocidental ao desastre e ao massacre, transformando-o em mercador de religião e serviçal do neoliberalismo. Era necessário que guardássemos paciência.
Nesse período de espera li Leonardo Boff, Frei Betto e outros. O movimento que fizeram em favor do Papa Francisco foi lento e cuidadoso, como convém a pessoas inteligentes, em busca de interpretação de seus compromissos na Argentina e com a linha que adotaria dentro de um Vaticano enlameado por crimes sexuais e financeiros.
Os Papas João Paulo II e Bento XVI apoiaram criminosamente o neoliberalismo e em seu nome perseguiram a Teologia da Libertação e seus mais comprometidos militantes. Essa verdade precisa ser reconhecida e superada pela crítica de boa vontade. Crianças e adolescentes barbarizados por padres, bispos e cardeais são traumatizados para sempre, no fundo, pela opção opressora de seus papas. As alianças do Vaticano com Ronald Reagam para perseguir o socialismo e massacrar teólogos e militantes na América Latina foram satânicas e inclinaram pela força o cristianismo todo para a direita e para a alienação. Nada mais herético e diabólico do que servir ao deus do mercado e ao imperialismo, gerando multidões de miseráveis e pobres na América Latina e, agora, na própria Europa e nos Estados Unidos, com drásticas consequências para os pobres e a classe trabalhadora, sempre a primeira a sofrer com desemprego e redução de renda.
Quando escrevo que os dois papas antecessores arrastaram o cristianismo para o abismo da traição e do afastamento de sua verdadeira fonte – Jesus - não me refiro somente à Igreja Católica Romana, mas a todas as igrejas, inclusive evangélicas e protestantes. Desde os Estados Unidos, a partir do Instituto da Criação, as igrejas abraçaram a teologia da prosperidade e ao conceito de mercado, bem ao estilo neoliberal. Passaram a vender orações, fé, curas, objetos e o céu como caminho de “missão”, abandonando completamente o projeto Jesuino-evangélico. Nesse contexto explica-se as práticas de Edir Macedo, RR Soares, Silas Malafaia, Valdomiro Santiago e outros das mesmas prateleiras mercadológicas neoliberais da religião. Seus pastores são engravatados, televisivos, ricos e alheios ao povo e seus problemas sociais. Torcem para que a economia neoliberal continue a produzir miseráveis e pobres, assim continuam a levantar muito dinheiro com seu mercado de venda de “milagres”, enquanto erigem monstros de riquezas e privilégios, como se fossem banqueiros. Penso que o Papa Francisco joga a ICAR e as igrejas evangélicas, que derivaram para o mercado, a um imenso constrangimento pedagógico. Depois que ele prega a volta para o Jesus do povo e para o povo de Jesus, que vive nas favelas, nos campos, nas drogas, no desemprego, no abandono da saúde etc, como se comportarão os pastores, padres e bispos pops? Como explicarão que Jesus não se interessou pelos pobres e pelo povo numa profunda provocação de transformações sociais e econômicas, destruindo a distância entre ricos e pobres?
Repito: depois que João Paulo II assumiu o papado bispos e cardeais comprometidos com o povo e com a democracia social foram aposentados e afastados cedendo lugar para conservadores e alinhados com os interesses da classe dominante internacional. Conheço bispos e arcebispos que abraçam políticos de direita, corruptos, que odeiam o povo, desde que eles impeçam a ascensão popular e outro projeto mais justo. Nesse clima morreu magoado Dom Helder Câmara, ofendido por João Paulo II. Teólogos foram caçados e expurgados da produção teológica. O ecumenismo reduziu-se a um grupinho de privilegiados que se reúnem para jantares, bebidas e superficialidades, representantes das tais minoritárias e estatisticamente insignificantes igrejas históricas, completamente descarnadas de seu conteúdo social original.
O Papa Francisco não vem do fim do mundo, como ele disse na sacada do Vaticano no dia de sua eleição. O Papa Francisco emerge do abismo de um Continente vitimizado pelo colonialismo que matou milhões de indígenas e negros arrastados da África, feitos brutalmente escravos com a assistência de uma igreja colonialista equivocada. Dos entre choques das ondas das ditaduras e neoliberalismo, que prensaram milhões de crianças, jovens, indígenas, negros, pobres e trabalhadores opressivamente contra as rochas da marginalização, do abandono, do desemprego, das doenças e da morte, levanta-se o Papa Francisco.
Do abismo levanta-se o Papa Francisco. Levanta-se com os pobres, com o povo, com as mulheres, com os indígenas, com os negros, com as crianças, com os jovens e com velhos. É certo que todos não se contentarão em apenas se levantar: quererão avançar para mais vida liberta e plena, como as ruas no Brasil demonstram.
Na quinta-feira me reuni com o vice presidente da Ibrapaz e coordenador do seu Comitê de Lutas Contra o Neoliberalismo, Prof. Laércio Júlio da Silva, e ouvi dele uma frase impressionante: “com a vinda do Papa ficará mais fácil para a luta pela justiça e pela paz, portanto para a Ibrapaz”. Creio nisso também : muitos cristãos encorajam-se para a luta e a comunhão se fortalecerá.
O Papa Francisco emerge do nosso abismo continental latino americano de opressão e conosco caminha para a libertação. O abismo não é lugar para as pessoas, mas é de lá que os lutadores emergem para a liberdade, com muita luta e unidade na ação.
Abraços críticos e fraternos na boa luta pela justiça e pela paz.
Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano. 
No Cartas e Reflexões Proféticas
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Papa condena (Globo) quem manipula os jovens

Tem gente que manipula a ilusão, o inconformismo dos jovens. Quem?
O Papa deu uma entrevista exclusiva a um repórter da GloboNews.
Nada mais natural.
Jamais, em Cracóvia, Guadajalara ou Adis-Abeba, o Papa receberá uma cobertura tão extensa e opressiva de uma emissora comercial, que explora, sob concessão e provisoriamente, um bem público, o espectro eletromagnético.
Muito natural, portanto.
Porém, o Papa deixou muito claro o que a Globo em seus noticiários omitiu.
É preciso ouvir os jovens, disse ele.
Mas, é importante, que não se deixem manipular, que não sejam manipulados.
Assim como se explora o trabalho escravo – continuou – tem gente que manipula a ilusão, o inconformismo dos jovens.
O que foi, exatamente, o que a Globo fez com as manifestações recentes – capturou-as.
Da mesma forma que, agora, a Globo capturou o Papa e o impôs a todos os espectadores de uma tevê aberta, aberta a todos, católicos e não-católicos.
Em tempo: sobre o “engarrafamento” na chegada do Papa que a GloboNews, logo na saída do aeroporto, tratou de transformar num motivo para condenar a Dilma e seu Governo. O próprio Papa na entrevista, se disse um indisciplinado, que não obedece a segurança e quis, desde a escolha do tipo do papamóvel, aproximar-se o povo. Foram ele e seu motorista os responsáveis pelo engarrafamento. O que o zé Cardozo não teve coragem de dizer, desde o primeiro momento, quando a Globo pendurava a Dilma no poste.
Em tempo2: tratar o Papa de “Santo Padre” é uma impropriedade em que incorreram os devotos repórteres da Globo, como o que entrevistou o Papa. “Santo Padre” é uma forma que os católicos podem usar para se referir ao Papa Francisco I. Outros espectadores, não-católicos, não precisam ser submetidos a esse forma de intromissão.
Em tempo3: nesta segunda-feira pós-papalina, o Mau Dia Brasil censurou o Papa. Bem na hora em que ele ia criticar a Globo por manipular os jovens, a tesoura funcionou e a frase foi cortada abruptamente e ficou sem sentido. Ah, esse Gilberto Freire com “i”… Nem o Papa se salva!
Paulo Henrique Amorim
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Aécio, não deixe os nervos reprovarem você em matemática…

Ok, funcionou.
A falta de clareza do Governo Dilma, sua abulia comunicativa e a escolha errada dos canais de contato com a população deixaram terreno para que as manifestações de rua – que começaram com a questão local, o aumento das tarifas de transporte – se generalizassem, com a ajuda luxuosa dos governadores Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral, que mandaram descer o porrete nas pessoas e da mídia, que logo transformou “coxinhas” como o da Veja em heróis da pátria.
E a popularidade de Dilma pagou um preço por isso, seria estúpido negar.
Como pagou um preço pela inapetência de seus auxiliares por qualquer confronto: a Presidenta ligava a tração nas quatro rodas e sua caixa de marchas política – José Eduardo Cardoso, Michel Temer, Aloísio Mercadante e outros – engatavam imediatamente a marcha-à-ré.
Tudo muito bem, tudo muito bom, mas…
Acontece que Aécio Neves continua parado na “Lei Seca” da política, com o porre de Fernando Henrique Cardoso a embararar-lhe os movimentos.
Ao ponto de o insuspeito Estadão dizer, sexta-feira, que “o que se mais comentou no mercado financeiro após as últimas pesquisas de opinião foi o fato de o senador Aécio Neves (MG), possível candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, não ter decolado nas intenções de voto após as manifestações populares de junho, ficando bem atrás até da ex-ministra Marina Silva”.
Aécio, considerado o candidato mais “amigável ao mercado” (eles falam market friendly, bacana, né?) está se saindo uma decepção para a “turma da bufunfa”.
Talvez isso explique porque a tucanagem – e ele, especialmente – esteja tão agitada, a ponto de falar asneira sobre asneira.
O que ele usou como argumento para  dizer  que a presidente Dilma Rousseff “zomba da inteligência dos brasileiros” ao comparar os dados de seu governo com os do ex-presidente do PSDB Fernando Henrique Cardoso é, francamente, coisa de quem faltou às aulas de matemática.
Diz ele, lá no Estadão de hoje:
“Para o tucano, o raciocínio da petista é incorreto porque “trata apenas de números absolutos, ignorando as gigantescas diferenças entre as conjunturas das duas épocas”.
Bom, como a conjuntura mundial é de crise profunda, vamos falar dos números absolutos colocados no pròprio jornal:
“Na entrevista, Dilma afirmou que, em 30 meses de seu governo, foram criados 4,4 milhões de empregos no País, ante 824.394 novos postos de trabalho em todo o primeiro mandato de Fernando Henrique”.
Logo, mesmo desconsiderando que ainda faltam 18 meses para Dilma completar tempo igual, já se criou um número de empregos “apenas” 434% maior.
A segunda comparação feita por Dilma é mais cruel  ainda com a falta de raciocínio matemático de Aécio: a presidenta disse que a meta inflacionária será cumprida pelo décimo ano consecutivo e que FHC a “estourou” em três dos quatro anos de seu segundo governo.  Como inflação é taxa, é percentagem, não há que falar em “números absolutos”…
O senador mineiro, além do mais, não tem do que reclamar. Quem andou se exibindo pendurado no “estorvo” foi ele mesmo, esquecendo que o povo conhece aquela máxima do “dize-me com quem andas e te direi quem és”…
Fernando Brito
No Tijolaço
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Pacto Nacional pela Saúde - Mais Médicos



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Os planos de saúde deitam e rolam. Entenda o motivo

No jargão dos planos de saúde, sinistro é a perda financeira a cada demanda de um cliente doente. Já a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi tomada pelo sinistro no sentido popular do termo — ou seja, aquilo que é pernicioso.
Dois ex-executivos de planos de saúde — um serviu à maior operadora do país e outro, à empresa líder no Nordeste — acabam de ser nomeados diretores da ANS.
Desde sua criação, há 13 anos, a agência foi capturada pelo mercado que ela deveria fiscalizar. As medidas sugeridas para coibir o conflito de interesses na ANS — frise-se, um órgão público sustentado com recursos públicos — sempre foram contestadas sob o argumento de que tais pessoas “entendem do setor”.
Assim, a agência instalou em suas entranhas uma porta giratória, engrenagem que destina cargos a ex-funcionários de operadoras que depois retornam ao setor privado.
A atuação frouxa da ANS, baseada no lucro máximo e na responsabilidade mínima das operadoras, tem a ver com essa contaminação. Impunes e protegidos pela fiscalização leniente, os planos de saúde ao fim restringem atendimentos e entregam emergências lotadas e filas de espera para consultas, exames e cirurgias.
As empresas deixaram de vender planos individuais, pois têm o aval da ANS para comercializar planos coletivos a partir de duas pessoas, com imposição de reajustes abusivos e rescisão unilateral de contrato sempre que os usuários passam a ter problemas de saúde dispendiosos. Sob o olhar complacente da ANS, dão calote no SUS, pois não fazem o ressarcimento quando seus clientes são atendidos em hospitais públicos.
Os planos de saúde doam recursos para candidatos em tempo de eleição que, depois de eleitos, devolvem a mão amiga com favores e cargos. Há coincidências que merecem explicação.
Em 2010, as operadoras ajudaram na eleição de 38 deputados federais, três senadores, além de quatro governadores e da própria presidente da República. Da empresa que doou legalmente R$ 1 milhão para a campanha de Dilma Rousseff, saiu o nome que presidiu a ANS até 2012.
O plano de saúde que doou R$ 100 mil à campanha de um aliado — o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral — emplacou um diretor da agência que, aliás, acaba de ser reconduzido ao cargo.
Em 1997, o texto do que viria a ser a lei nº 9.656/98, que regula o setor, foi praticamente escrito por lobistas dos planos.
Em 2003, na CPI dos Planos de Saúde, as empresas impediram investigações.
Em 2011, um plano de saúde cedeu jatinho para o então presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), em viagem particular.
Quase mil empresas de planos de saúde que atendem 48 milhões de brasileiros faturaram R$ 93 bilhões em 2012.
Com tal poder econômico, barram propostas de ampliação de coberturas, fecham contratos com ministérios e estatais para venda de planos ao funcionalismo público, definem leis que lhes garantem isenções tributárias. E se beneficiam da “dupla porta” (o atendimento diferenciado de seus conveniados em hospitais do SUS) e da renúncia fiscal de pessoas físicas e jurídicas, que abatem do Imposto de Renda os gastos com planos privados.
Agora as operadoras bateram às portas do governo federal, pedindo mais subsídios públicos em troca da ampliação da oferta de planos populares de baixo preço — mas cobertura pífia.
No momento em que os brasileiros foram às ruas protestar contra a precariedade dos serviços essenciais, num rasgo de improviso os problemas da saúde foram reduzidos à falta de médicos. O que falta é dotar o SUS de mais recursos, aplicar a ficha limpa na ocupação de cargos e eliminar a promiscuidade entre interesses públicos e privados na saúde, chaga renitente no país.
Mário Scheffer, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP); Lígia Bahia, professora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro
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A entrevista de Dilma: a resposta está na foto

Reproduzo, abaixo, a entrevista da Presidenta Dilma Rosseff a Mônica Bergamo, na Folha de domingo.
Em outros tempos, teria sido uma ótima entrevista, mostrando uma governante segura, focada e consciente dos rumos de seu Governo e capaz na administração.
Além disso, uma pessoa serena, capaz de suportar as provocações pueiris da entrevistadora – como saber o nome dos ministros e de tê-los feito chorar, com broncas, coisas de uma Ana Maria Braga  nem tão”cult” – e de responder de maneira rápida e cortante, sem ser grosseira.
A entrevista é longa – durou três horas, mesmo estando Dilma sob forte gripe – e só isso já se constitui num erro, porque dilui o essencial e  reduz a eficácia da comunicação.
Nos dias que estamos vivendo, a peça que resultou da entrevista é insuficiente e não responde ao que o país precisa, de fato, saber de sua governante.
Não toca na principal questão do Brasil, hoje: a ofensiva aberta que existe contra seu Governo e, sobretudo, contra o projeto de desenvolvimento do qual ela representa a continuidade.
Entrevistas, a gente sabe, servem para a gente dizer o que quer e precisa dizer, não para ficar restrito ao que se pergunta.
A presidenta rebate, uma a uma, as críticas que se menciona a seu governo e a seu comportamento pessoal, é verdade.
Mas não ajuda a revelar o porquê destas criticas, o que elas representam e o que as faz serem um coro constante na mídia.
Ou seja, não ajuda a entender o que, de fato, se passa.
Porque o mais importante problema brasileiro, hoje, é a perda de referências.
Referências, como se sabe, são – na Física e nas sociedades humanas – o que nos permite entender a posição e o sentido e direção dos movimentos.
A chave para entender o que se passa está, curiosamente, numa foto que a própria Presidenta tem em sua mesa: quatro crianças pobres de olhos fixos em um televisor.
Se Dilma deu a esta foto um importância especial, ao ponto de colocá-la em sua mesa de trabalho, não deve esquecer o que ela transmite.
É ali que se dá a batalha. E é ali que ela tem de ser travada. E pessoalmente.
Leia a entrevista, na íntegra:
As manifestações deixaram jornalistas, sociólogos e governantes perplexos. E a senhora, ficou espantada?
Dilma Rousseff - No discurso que fiz na comemoração dos dez anos do PT, em SP [em maio], eu já dizia que ninguém, ninguém, quando conquista direitos, quer voltar para trás. Democracia gera desejo de mais democracia. Inclusão social exige mais inclusão. Quando a gente, nesses dez anos [de governo do PT], cria condições para milhões de brasileiros ascenderem, eles vão exigir mais. Tivemos uma inclusão quantitativa. Esta aceleração não se deu na qualidade dos serviços públicos. Agora temos de responder também aceleradamente a essas questões.
Mas a senhora não ficou assustada com os protestos?
Não. Como as coisas aconteceram de forma muito rápida, eu acho que todo mundo teve inicialmente uma reação emocional muito forte com a violência [policial], principalmente com a imagem daquela jornalista da Folha [Giuliana Vallone] com o olho furado [por uma bala de borracha]. Foi chocante. Eu tenho neurose com olho. Já aguentei várias coisas na vida. Não sei se aguentaria a cegueira.
Se não fosse presidente, teria ido numa passeata?
Com 65 anos, eu não iria [risos]. Fui a muita passeata, até os 30, 40 anos. Depois disso, você olha o mundo de outro jeito. Sabe que manifestações são muito importantes, mas cada um dá a sua contribuição onde é mais capaz.
O prefeito Fernando Haddad diz que, conhecendo o perfil conservador do Brasil, muitos se preocupam com o rumo que tudo pode tomar.
Eu não acho que o Brasil tem perfil conservador. O povo é lúcido e faz as mudanças de forma constante e cautelosa. Tem um lado de avanço e um lado de conservação. Já me deram o seguinte exemplo: é como um elefante, que vai levantando uma perna de cada vez [risos]. Mas é uma pernona que vai e “poing”, coloca lá na frente. Aí levanta a outra. Não galopa como um cavalo. Aí uma pessoa disse: “É, mas tem hora em que ele vira um urso bailarino”. Você pode achar que contém a mudança em limites conservadores. Não é verdade. Tem hora em que o povo brasileiro aposta. E aposta pesado.
A senhora teve uma queda grande nas pesquisas.
Não comento pesquisa. Nem quando sobe nem quando desce [puxa a pálpebra inferior com o dedo]. Eu presto atenção. E sei perfeitamente que tudo o que sobe desce, e tudo o que desce sobe.
Mas isso fez ressurgir o movimento “Volta, Lula” em 2014.
Querida, olha, vou te falar uma coisa: eu e o Lula somos indissociáveis. Então esse tipo de coisa, entre nós, não gruda, não cola. Agora, falar volta Lula e tal… Eu acho que o Lula não vai voltar porque ele não foi. Ele não saiu. Ele disse outro dia: “Vou morrer fazendo política. Podem fazer o que quiser. Vou estar velhinho e fazendo política”.
Para a Presidência ele não volta nunca mais?
Isso eu não sei, querida. Isso eu não sei.
Ao menos não em 2014.
Esses problemas de sucessão, eu não discuto. Quem não é presidente é que tem que ficar discutindo isso. Agora, eu sou presidente, vou discutir? Eu, não.
Mas o Lula lançou a senhora.
Ele pode lançar, uai.
O fato de usarem o Lula para criticá-la não a incomoda?
Querida, não me incomoda nem um pouquinho. Eu tenho uma relação com o Lula que tá por cima de todas essas pessoas. Não passa por elas, entendeu? Eu tô misturada com o governo dele total. Nós ficamos juntos todos os santos dias, do dia 21 de junho de 2005 [quando ela assumiu a Casa Civil] até ele sair do governo. Temos uma relação de compreensão imediata sobre uma porção de coisas.
Mas ele teria criticado suas reações às manifestações.
Minha querida, ele vivia me criticando. Isso não é novo [risos]. E eu criticava ele. Quer dizer, ele era presidente. Eu não criticava. Eu me queixava, lamentava [risos].
Como a senhora vê um empresário como Emílio Odebrecht falar que quer que o Lula volte com Eduardo Campos de vice?
Uai, ótimo para ele. Vivemos numa democracia. Se ele disse isso, é porque ele quer isso 
Folha – Sua principal proposta em reação às manifestações foi a realização de um plebiscito para fazer a reforma política. A crítica à senhora é que ninguém nas passeatas pedia isso.
Dilma Rousseff - Pois acho que tá todo mundo pedindo reforma política. As manifestações podiam não ter ainda um amadurecimento político, mas uma parte tem a ver com representatividade, valores, o que diz respeito ao sistema político. Ao fato de que os interesses se movem conforme o financiamento das campanhas. Não dá para cuidar de transparência sem discutir o sistema. “O gigante despertou”, diziam nos protestos -o que mostra o inconformismo com a nossa forma de representação.
O Congresso Nacional fará reforma contra ele mesmo?
Querida, por isso que eu queria um plebiscito. A consulta popular era a baliza que daria legitimidade à reforma.
Mas a senhora concorda que o plebiscito não sai?
Eu não concordo com nada, minha querida. Eu penso que é importante sair. E não sei ainda se não sai. Eu acho que é inexorável. Se você não escutar a voz das ruas, terá novos problemas.
E a saúde? Os profissionais da área dizem que o Mais Médicos é uma maquiagem porque o país tem uma estrutura precária de atendimento.
É? Pois é. Acontece que botamos dinheiro em estrutura. Jornais e TVs mostram que há equipamentos sem uso. Como você explica que 700 municípios não têm nenhum médico? E que 1.900 têm menos de um médico por 3.000 habitantes? Uma coisa é certa: eu, com médico, me viro. Sem médico, eu não me viro.
O PMDB engrossou o coro dos que defendem o enxugamento de ministérios.
Dilma Rousseff – Não estou cogitando isso. Não acho que reduza custos. As medidas de redução de custeio, nós tomamos. Todas. E sabe o que acontece? Vão querer cortar os de Direitos Humanos, Igualdade Racial, Política para as Mulheres. São pastas sem a máquina de outros. Mas são fundamentais. Política de cotas, por exemplo: só fizemos porque tem gente que fica ali, ó, exigindo.
A senhora sabe falar o nome de seus 39 ministros?
De todos. E todos eles ficam atrás de mim [risos]. Eu acho fantástico vocês [jornalistas] acharem que, nesse mundo de mídias, o despacho seja apenas presencial. Os ministros passam o tempo inteirinho me mandando e-mail, telefonando, conversando.
O ministro Guido Mantega está garantido no cargo?
O Guido está onde sempre esteve: no Ministério da Fazenda. E vocês podem me matar, mas eu não vou falar de reforma ministerial.
O desemprego em junho subiu pela primeira vez em quatro anos, na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Querida, o desemprego… [Consulta papéis.] Olha aqui, ó. É fantástico. Tem dó de mim, né? Como não podem falar de inflação, porque o IPCA-15 [prévia do índice oficial] deu 0,07% neste mês… E nós temos acompanhamento diário da inflação, tá? Hoje deu menos 0,02%. Tá? Ela [inflação] é cadente, assim, ó [aponta o braço para baixo].
E o emprego?
Houve uma variação. Foi de 5,9% para 6%. É a margem da margem da margem. Foram gerados 123.836 empregos celetistas. Em todo o primeiro mandato do Fernando Henrique Cardoso foram gerados 824.394 empregos. Eu, em 30 meses, gerei 4,4 milhões. Você vai me desculpar. Com a inflação, também… Alguém já disse quanto é que caiu o preço do tomate? Ou só comentaram quando o tomate aumentou? [Pede para uma assessora checar os números. Ela informa que o tomate está custando R$ 4,50 o quilo.] Eu não sou dona de casa, não posso mais ir no supermercado e não sei o preço do tomate hoje. Mas sei a estatística do tomate. Teve uma queda, se não me engano, de 16%. Eu ia naquele supermercado ali, ó [aponta a janela]. Não posso mais.
A senhora acha que os críticos do governo exageram?
Eu propus cinco pactos [depois das manifestações]. E eu tenho um sexto, sabe? Que é o pacto com a verdade. Não é admissível o que se faz hoje no Brasil. Você tem uma situação internacional extremamente delicada. Os EUA se recuperam, mas lentamente. Nós temos um ajuste visível na China. O Fed [Banco Central dos EUA] indicou que deixaria o expansionismo monetário, o que provocou a desvalorização de moedas em todo o mundo. E o país, nessa conjuntura, mantém a estabilidade. Cumpriremos a meta de inflação pelo décimo ano consecutivo. Sabe em quantos anos o Fernando Henrique não cumpriu a meta? Em três dos quatro anos dele [em que a meta vigorou].
A inflação subiu por vários meses no período de um ano.
Nós tivemos a quebra na produção agrícola americana, que afetou os mercados de commodities alimentares. Tivemos uma seca forte no Nordeste e também no sul.
A crítica é que a senhora relaxou no controle da inflação para manter o crescimento.
Ah, é? Tá bom. E como é que ela tá negativa agora?
Há dúvidas também em relação à política fiscal.
A relação dívida líquida sobre PIB nunca foi tão baixa. A dívida bruta está caindo. O deficit da Previdência é 1% do PIB. As despesas com pessoal, de 4,2%, as menores em dez anos. Como é que afrouxei o fiscal? Quero falar do futuro. De agosto até o início do ano que vem, faremos várias concessões, rodovias, ferrovias, aeroportos e portos, o que vai contribuir para a ampliação dos investimentos e para melhorar a competitividade da economia.
Mas o Brasil cresce pouco.
O mundo cresce pouco. Nós não somos uma ilha. Você não está com aquele vento a favor que estava, não. Nós estamos crescendo com vendaval na nossa cara.
O modelo de crescimento pelo consumo não se esgotou?
É uma tolice meridiana falar que o país não cresce puxado pelo consumo. Os EUA crescem puxados pelo consumo e pelo investimento. Nós temos que aumentar a taxa de investimento no Brasil. Aí eu concordo. Tanto que tomamos medidas fundamentais para que isso ocorra. Reduzimos os juros. Desoneramos as folhas de pagamento. Reduzimos a tarifa de energia. E fizemos um programa ousado de formação profissional, o Pronatec.
Os investimentos estão lentos e isso é creditado ao governo. Os empresários reclamam que a senhora não tem diálogo.
Eu? Veja a agenda de qualquer tempo da minha vida. Participei de todos os leilões, do período Lula e do meu. Entendo que eles [empresários] queiram conversar comigo, como faziam sistematicamente. Mas sou presidente. Eu não posso mais discutir taxa interna de retorno.
É outra crítica: o governo interfere, quer definir até a taxa.
É da vida o empresário pedir mais, o governo pedir menos. Aí ganha no meio. O Tribunal de Contas da União exige a definição de uma taxa de retorno. E o governo tem de ter sensibilidade para perceber quando está errado.
A senhora teria características que não contribuiriam para que projetos deslanchem. Seria centralizadora, autoritária.
Não, eu não sou isso, não. Agora, eu sei, como toda mulher, que, se você não acompanha as coisas prioritárias, tem um risco grande de elas não saírem. É que nem filho. Você ajuda até um momento, depois deixa voar.
A senhora já fez ministros chorarem com suas broncas?
Ah, que ministros choram o quê! Aquela história do [ex-presidente da Petrobras José Sergio] Gabrielli? Um dia escreveram que ele era pretensioso e autoritário. No dia seguinte, que eu tinha brigado e que ele chorou no banheiro. A gente ligava pra ele: “Eu queria falar com o autoritário chorão”. Ô, querida, você conhece o Gabrielli? Ah, pelo amor de Deus.
A senhora não é dura demais?
Ah, querida, eu exijo bastante. O que exijo de mim, exijo de todo mundo.
Isso não inibe ministros?
Não tenho visto eles inibidos, não. Nenhum projeto de governo sai da cabeça de uma pessoa só. Não funciona assim. Se funcionasse, eu tava feita. Não trabalharia tanto.
Uma das questões que Lula encaminhou no fim do governo foi o da regulamentação da radiodifusão no país. A senhora enterrou esse assunto?
Não. Agora, o que eu e Lula jamais aceitaremos é que se mexa na liberdade de expressão. Vou te dizer o seguinte: não sou a favor da regulação do conteúdo. Sou a favor da regulação do negócio.
O que acha de o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, ser chamado por críticos de “ministro do Plim-Plim”?
É um equívoco, uma incompreensão. Essa discussão [da regulação] está sempre posta. O [ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social] Franklin [Martins] deixou um legado importante. E agora vai ter mais discussão. A regulação em algum momento terá de ser feita. Mas ela não é igual ao que se pensou há três anos. É algo complexo, até o que deve ser regulado terá de ser discutido.
Por quê?
Hoje o que está em questão não é mais empresa jornalística versus telecomunicações, TV versus jornais. Hoje tem a internet. Tem um problema sério, nos EUA, no Brasil, para jornais escritos, revistas. Vai haver problema de concorrência da internet, da plataforma IP, em TV.
Temos de discutir. Eu não tenho todas as respostas. Todo mundo terá de participar. O Google hoje atrai mais publicidade que mídias que até há pouco eram as segundas colocadas. A vida é dura. E não é só para o governo. [Dilma pede que a conversa seja encerrada, alegando cansaço]. Gente, preciso ir. Estou tontinha da silva [risos].
Ia perguntar sobre seus prováveis adversários em 2014, Aécio Neves e Marina Silva.
[Em tom de brincadeira] Não fica triste, mas sobre isso eu não ia responder, não.
Fernando Brito
No Tijolaço
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"Não sejamos ingênuos. Quem está ganhando é o Centrão"

Governador do Rio Grande do Sul está preocupado com o que considera ser uma interpretação ingênua por parte de setores da esquerda a respeito das consequências políticas de todo o processo de manifestações até aqui. "O que está ocorrendo agora é um debate sobre a correlação de forças no plano da política, para a aplicação dos princípios que inspiraram a Constituição de 88. E quem está ganhando é o “centrão”, adverte.
"O que está ocorrendo agora é um debate sobre a correlação de forças no plano da política"
O que está ocorrendo agora é um debate sobre a 
correlação de forças no plano da política”
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, foi um dos poucos governantes e líderes políticos brasileiros que colocou a cara para bater durante as manifestações de rua que sacudiram o país em junho e julho deste ano. No calor dos protestos, promoveu reuniões, entrevistas coletivas, audiências públicas, convidou os jovens manifestantes para debater e ouviu diretamente, sem nenhum filtro, críticas destes à atuação das forças de segurança e de outros problemas relacionados a políticas e serviços públicos.
Dentro do PT, suas iniciativas acabaram tendo projeção nacional, diante do ruidoso silêncio que se ouvia então. Foi um dos primeiros a defender a necessidade de uma Constituinte exclusiva para fazer a Reforma Política, proposta que mais tarde seria abraçada pela presidenta Dilma Rousseff e, rapidamente, bombardeada pelo “Centrão” político que comanda o Congresso Nacional e tem crescente poder, inclusive dentro do PT.
Agora, Tarso Genro está preocupado com o que considera ser uma interpretação ingênua por parte de setores da esquerda a respeito das consequências políticas de todo o processo de manifestações até aqui. O desdobramento do debate sobre a Reforma Política no Congresso, a subordinação do PT à lógica Vaccarezza, e a tentativa de desconstituição das conquistas sociais dos últimos 10 anos são alguns dos fatos apontados por Tarso para analisar a conjuntura atual.
“O que está ocorrendo agora não é mais um debate sobre normas mais ou menos democráticas, mas um debate sobre a correlação de forças no plano da política, para a aplicação dos princípios que inspiraram a Constituição de 88. E quem está ganhando é o “centrão”, resume.
Tarso Genro expõe as suas preocupações a respeito do atual momento político no país e sobre as leituras que vêm sendo feitas sobre as manifestações de rua e suas consequências:
“A ingenuidade de uma parte da esquerda meio pollyana”
O que me pasma é uma certa ingenuidade de uma parte da esquerda meio “pollyana”, a respeito das manifestações do início de julho, pela qual confundem as autênticas manifestações dos estudantes e de certos novos movimentos sociais - que aliás já estão na cena pública há mais de duas décadas - com a instrumentalização que a mídia oposicionista fez do próprio movimento, direcionando-o para dois níveis: primeiro, desgastando as funções públicas do Estado, principalmente nas áreas da saúde e do transporte público das grandes regiões metropolitanas e, segundo, pretendendo “apagar” da memória popular, de forma totalitária, as grande conquistas dos governos do Presidente Lula, seguidas pelo governo atual da Presidenta Dilma, na base do “gigante acordou”, que tanto deleitou as classes médias mais conservadoras. Tudo isso veio combinado com um ataque aos partidos e aos políticos em geral, que atingem a própria democracia, que certamente na visão destes conservadores deve ser substituída por um processo “limpo”, de manejos tecnocráticos, feito por gerentes do capital financeiro.
A histórica campanha da grande mídia contra o Estado
Na verdade, ocorreram dois movimentos neste processo: um movimento tipicamente eleitoreiro da grande mídia, seguido por algumas redes sociais, preparando o ambiente eleitoral para o próximo ano, e um autêntico movimento popular, insatisfeito pelas limitações das conquistas até agora obtidas, cujo seguimento e aprofundamento, agora, só pode ser dado por novos processos de participação popular direta, inclusive para reformar o atrasado sistema político brasileiro, que já é um emperramento para que se aprofundem as conquistas sociais até agora obtidas.
Dou o exemplo da saúde pública. Quem não sabe que o SUS faz dezenas de milhões de atendimentos às populações mais pobres e que é uma das grandes conquistas do povo trabalhador do país, que salva milhões e milhões de vidas em cada ano? Pois bem, dezenas de reportagens “contra” este sistema público foram feitas precisamente no momento em que os planos privados, que eram apontados como a grande saída pelos neoliberais, entraram numa crise profunda, que ficou totalmente subsumida nos noticiários, pois o “problema”, para esta mídia, era o Estado, não o mundo privado.
Há luta ideológica sobre a saúde pública
Ambos, certamente, estavam e estão subfinanciados e o nosso SUS precisa ser muito melhorado. Mas o que foi escondido - nestes ataques ao sistema de saúde pública no Brasil - é que ele é, predominantemente, bom para o povo e que o privatismo não resolveu a questão nem para a classe média que paga religiosamente os seus planos. A direita, na verdade, se propôs a uma luta ideológica, sobre a questão da saúde no Brasil, manipulando a informação, e a esquerda e os governos se recusaram a fazê-la.
As lideranças de esquerda em geral, com algumas exceções honrosas, manifestaram-se “encantadas” com os movimentos, como se eles fossem uniformemente “autênticos”, não manipulados, o que não é verdade. Basta ver que quando eles saíram da domesticação induzida passaram a ser depreciados.
A falência do sistema político atual
O que preocupa não é mais simplesmente a eleição do ano próximo, pois acredito que a Presidenta vai recuperar o seu prestígio, porque o governo tem bala na agulha. O que me preocupa é o grau de governabilidade que qualquer governo terá, no próximo período, em função da falência do sistema político atual, que estimula as alianças fisiológicas que tornam os governos reféns de maiorias artificiais e, em função da incapacidade dos estados e municípios - sejam eles quais forem - de responder às demandas populares por melhor saúde, melhor educação, melhor transporte, em função de duas coisas: as desonerações que sacrificam as nossas arrecadações, através da redução dos valores do Fundo de Participação dos Estados e dos Fundo de Participação dos Municípios, e em função das dívidas do Estados, que não param de crescer e impedem que se obtenha novos financiamentos para obras de infra-estrutura, por exemplo.
A tarefa estratégica para um governo de esquerda
Reagir contra a “desindustrialização” do país e reforçar a capacidade de resposta dos Estados e Municípios - principalmente os que governam com participação popular - no próximo período é, na minha opinião, a principal tarefa estratégica de um governo democrático de esquerda, pois ,como parece que não haverá reforma política nem reforma tributária, a estabilidade política dos governos só pode ser moldada através de “remendos” no pacto federativo, mais no âmbito da política do que âmbito de reformas na legalidade vigente.
“Quem está ganhando é o centrão”
Que me perdoem os estetas da democracia formal, mas o que está ocorrendo agora não é mais um debate sobre “normas” mais ou menos, democráticas, mas um debate sobre a correlação de forças no plano da política, para a aplicação dos princípios que inspiraram a Constituição de 88. E quem está ganhando é o “centrão”, ou seja, as mudanças que eles toleram já chegaram ao seu limite. Agora, para eles, é conservar e acalmar a plebe. Para nós deve ser mais igualdade, o que significa reforma tributária, reforma política, democratização dos meios de comunicação e mais combate às desigualdades sociais e regionais. Que tal encarar um imposto sobre as grandes fortunas e um bom CPMF, para Transportes e Saúde?
Marco Weissheimer
No Sul21
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Charge online - Bessinha - # 1871

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Fundação Sarney é alvo de investigação

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EUA proíbem divulgar latinos que fizeram Escola do Terror

 
A SOA Watch, organização que vigia e denuncia irregularidades na antiga Escola das Américas (SOA em inglês), atualmente denominada Instituto de Cooperação e Segurança do Hemisfério Ocidental (WHINSEC em Inglês), liberou um comunicado informando que o governo dos Estados Unidos recorreu da decisão da juiza Plyllis J. Hamilton, que obrigava a WHINSEC a divulgar o nome dos soldados latino-americanos que receberam treinamento nas suas instalações.
Segundo a SOA Watch só a decisão de apresentar apelação e já “desmascara” o discurso do presidente Obama, que afirmava que seria o governo mais transparente da história. O comunicado afirma que a SOA Watch e as organizações de Direitos humanos seguirão lutando contra a negativa do governo de fornecer informações e contra o segredo que rodeia a Escola.
“O Pentágono sabe que a entrega dos nomes dos que recebem treinamento na academia militar levaria a mais revelações das atrocidades que se são cometidas. O pentágono está lutando para manter essa informação em segredo”, afirmou o fundador da SOA Watch, o padre Roy Bourgeois.
Torturas, extorsão e execução
Em 1996 a Escola das Américas ganhou destaque quando o Pentágono publicou manuais de treinamentos usados na academia militar que recomendavam aos soldados aplicar tortura, extorsão e execução. Centos de alunos da antiga SOA foram acusados de violações aos direitos humanos e na formação de esquadrões da morte.
Entre os alunos que frequentaram a Escola das Américas estão 11 ditadores, entre eles Jorge Videla da Argentina, Hugo Banzer da Bolívia, o general Ríos Montt da Guatemala. Graduados da SOA lideraram o golpe de Estado na Venezuela em 2002 e o golpe de Estado em Honduras em 2009; outros seguem participando do comando das forças armadas na Colômbia, México e em outros países da América Latina.
O caso agora vai para a Corte de Apelações do Nono Circuito, um tribunal federal dos EEUU, com jurisdição de apelação sobre o Distrito Norte de Califórnia. A SOA Watch pedirá à Corte a defensa do valor da transparência e o direito do público a conhecer a lista de soldados que recebem treinamento do Exército dos Estados Unidos.
Dia 9 de agosto serão realizados jejuns e ações em comemoração aos 30 anos da primeira ação contra o treinamento de soldados latino-americanos em território estadunidense.
No GGN
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Charge online - Besinha - # 1870


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Mensagem do Papa Francisco para a presidenta Dilma Rousseff

http://www.gaudiumpress.org/resource/view?id=90672&size=2
“Excelentíssima Senhora Dilma Rousseff, Presidenta da República Federativa do Brasil, ao deixar o espaço brasileiro, renovo a minha sincera gratidão pelo acolhimento generoso que me reservou e pela solicitude do Governo em assegurar uma tranquila realização dessa minha primeira visita ao Brasil. Faço votos de que a Jornada Mundial da Juventude possa reavivar os valores cristãos no coração dos jovens, contribuindo na construção de uma nação mais justa e fraterna e invocando a materna proteção de Nossa Senhora Aparecida, em cujo os pés depositei a vida de cada brasileiro. Envio uma propiciadora benção apostólica.
Francisco, o Papa.”
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Com a palavra, o Papa Francisco

Com a tranquilidade e a isenção de quem não se filia a nenhuma igreja, qualquer que seja o significado que se queira dar ao termo, pretendo somar minhas palavras às tantas que já se proferiram em função da vinda do Papa ao Brasil para a “Jornada Mundial da Juventude”.
O novo Pontífice é, inegavelmente, um papa diferente, que marca sua presença, no pouco tempo em que chefia os católicos do mundo, por características de simplicidade, informalidade e simpatia. Não se pode discutir isso, como não se pode deixar de perceber que nele se depositam grandes esperanças no sentido de que a Igreja por ele comandada possa reencontrar-se com as suas origens. Mas para que as esperanças venham a se tornar realidade é preciso transformar palavras em ações.
O Papa Francisco assumiu em meio a uma forte crítica aos desmandos de muitos dos cardeais, bispos e padres , envolvidos em desconfortáveis episódios de pedofilia ou em tenebrosas transações financeiras. Tudo indica que a inusitada renúncia do seu antecessor tenha sido motivada pela necessidade premente de colocar ordem na casa católica, sob pena de ver-se a Igreja envolvida em uma avassaladora onda de descrédito talvez nunca presenciada nos tempos mais recentes.   
O desapego do novo Papa às coisas materiais é um belo símbolo para essa reorganização. Seu desejo de, sempre que possível, estabelecer ligação direta com o povo é mesmo o que todos desejam ver em alguém da sua representatividade. Não sendo um dos seus fiéis, nem por isso deixo de perceber como será importante que essas posturas e ações individuais sirvam de motivação para muitos católicos (e não católicos) que andam por aí.
Francisco tem textos irrepreensíveis quando condena, por exemplo, o endeusamento que se faz das estatísticas e do marketing.  Creio que, nessa crítica, ele demonstra reconhecer que ambos prestam desserviço à verdade, seja através dos sofismas que se criam com os números, seja por meio das mentiras que se semeiam com as palavras.
O Papa não desdenha a importância do Estado como elemento relevante na construção de práticas sociais mais justas, para uma sociedade que ele entende como partícipe de uma civilização “consumista, hedonista e narcisista”, notabilizada pelo processo de exclusão que leva  pessoas a serem descartáveis.   
Em recente pronunciamento, afirmou o Papa: “Criamos novos ídolos. O culto ao bezerro dourado de antigamente encontrou uma imagem nova e insensível no culto ao dinheiro e na ditadura de uma economia que não tem rosto e carece de qualquer objetivo verdadeiramente humano”. E , mais adiante, acrescentou: “O desequilíbrio resulta de ideologias que preservam a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira, e assim negam o direito do controle aos Estados, que estão por sua vez encarregados de zelarem pelo bem comum”.  Irretocável !
Externando seu posicionamento sobre a globalização, diz o Papa que ela é “essencialmente imperialista e instrumentalmente liberal, mas não é humana. Em última instância, é uma maneira de escravizar os povos”.  Falando sobre sistemas econômicos, ele diz:  "Todos pensam que a Igreja é contra o comunismo; mas é tão contra esse sistema quanto ao do liberalismo econômico de hoje, selvagem. Isso também não é cristianismo, não podemos aceitá-lo. Temos que buscar a igualdade de oportunidades e de direitos, lutar por benefícios sociais, aposentadoria digna, férias, descanso, liberdade de associação. Todas essas questões dizem respeito à justiça social".
São palavras bem claras. O que se espera, agora, é que não se percam, que não sejam levadas pelo vento do esquecimento, que se transformem em algo capaz de influir nos destinos dos homens. A Igreja do Papa Francisco tem muitos débitos para com a Humanidade. A história nos revela momentos em que talvez tivesse sido melhor que ela não existisse.
Cabe ao Papa um papel relevante no momento por que passa a sociedade humana, repleta de injustiças e indignidades. Ele pode – e deve – dar respostas práticas à altura de suas apreciadas atitudes e palavras. Pode – e deve – oxigenar sua Igreja com a execração definitiva dos que a tem enxovalhado nos últimos tempos, inclusive no tocante ao metafórico “culto ao bezerro de ouro de antigamente”. Pode - e deve – exigir dos seus fiéis participação integral no sentido da construção de uma sociedade justa, digna, humana, liberta dos mesquinhos interesses egoístas.
Falou-se muito , e ainda se fala, de uma participação dúbia do Papa Francisco por ocasião da ditadura argentina, quando, ao que  dizem os seus críticos, teria tido comportamentos no mínimo omissos diante da repressão. E alguns estudiosos das coisas do Vaticano consideram-no de perfil conservador em relação a aspectos doutrinários  da própria Igreja – como o aborto, a eutanásia, o casamento gay, o celibato dos padres ou o divórcio, por exemplo.
É, pois, esperar para ver. O momento  é único para a renovação da Igreja. Seu Papa está com a palavra. Mas o que os homens de bem – religiosos ou não  - realmente desejam é que ela corresponda aos posicionamentos trancritos acima, como instrumento de reflexão sobre os verdadeiros males da socidade humana de hoje. Ouvimos pouco sobre isso em sua visita ao Brasil.  Falar contra a corrupção virou moda e é um mantra tão óbvio  em nosso país que os próprios  corruptos e fraudadores se autoelegem paladinos da moralidade.  É só acompanhar as recentes matérias da midia alternativa – a que não frauda nem manipula – para perceber como as falcatruas respingam para todo lado...
Se a voz do Papa será ou não efetivamente direcionada para a verdadeira opção pelos miseráveis, pobres e famintos do mundo, pelos explorados e excluídos do planeta, é o que todos saberemos nos próximos tempos.
Rodolpho Motta Lima
No Direto da Redação
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Itamaraty, Folha e Estado reagem à fúria de Barbosa

:
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores, comandado pelo embaixador Antonio Patriota, nega que a chancelaria tenha conduta racista; Folha de S. Paulo, de Otávio Frias Filho, reafirma o teor de sua reportagem sobre o imóvel de R$ 1 milhão de Joaquim Barbosa em Miami, comprado por meio de uma offshore, e afirma que o presidente do STF ainda "não está acostumado ao cargo, que o expõe ao escrutínio público"; Estado de S. Paulo, que teve o jornalista Felipe Recondo (foto) agredido pela segunda vez por Barbosa na entrevista concedida ao Globo afirma que o pedido de desculpas feito à época pelo presidente do STF foi "no mínimo insincero"; presidente do STF começa a se queimar
Não passou despercebida a entrevista que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, concedeu à jornalista Miriam Leitão, do Globo. Nela, disse que não será candidato à presidência da República em 2014 e sugeriu que o Brasil ainda não está pronto para ele (leia mais aqui).
Na mesma entrevista, ele também insinuou práticas racistas no Itamaraty, onde não foi aprovado numa entrevista, quando tentou ingressar na carreira diplomática – não se sabe o motivo de sua reprovação, mas diplomacia não é exatamente o ponto forte do ministro.
"Recorda-se, por oportuno, que o Itamaraty mantém programa de ação afirmativa a Bolsa Prêmio Vocação Para a Diplomacia, instituída com a finalidade de proporcionar maior igualdade de oportunidades de acesso à carreira de diplomata e de acentuar a diversidade nos quadros da diplomacia brasileira", diz a nota do Itamaraty. "Lançado em 2002, o programa já concedeu 526 bolsas para 319 bolsistas afrodescendentes. Dezenove ex-bolsistas foram aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata e integrados ao Serviço Exterior Brasileiro. As bolsas concedidas têm atualmente o valor anual de R$ 25.000,00 e devem ser utilizadas na compra de materiais de estudo e no pagamento de cursos preparatórios. Esse programa tem melhorado, de forma concreta e decisiva, as possibilidades de ingresso na carreira diplomática por candidatos afrodescendentes", conclui o texto.
Ao falar a Miriam Leitão, Barbosa agrediu pela segunda vez o jornalista Felipe Recondo, do Estado de S. Paulo, que já havia sido atacado em março deste ano quando apurava reportagem sobre mordomias do Judiciário (leia mais aqui). Na entrevista deste domingo, ele afirma que Recondo é um "personagem menor", em conflito de interesses no tribunal. Barbosa fez a afirmação porque a esposa do jornalista trabalha no próprio STF e, portanto, segundo sua lógica, ele não poderia apurar histórias relacionadas à corte. Pelo mesmo critério, Barbosa está agora impedido de julgar a Globo ou mesmo de aceitar prêmios da emissora ou conceder entrevistas a Miriam Leitão, uma vez que seu filho, Felipe Barbosa, foi contratado pela empresa dos Marinho.
Sobre a segunda agressão a Recondo, o Estadão, comandado por Francisco Mesquita Neto, também reagiu afirmando que o ministro foi "no mínimo insincero" ao pedir desculpas. À época da agressão, Barbosa soltou uma nota se desculpando diante da péssima repercussão que sua atitude destemperada gerou.
Por último, a Folha de S. Paulo também respondeu ao presidente do STF. Em nota, o jornal afirmou "que o presidente do STF não desmente nem corrige nenhuma das informações publicadas" e que "o ministro Joaquim Barbosa ainda não está acostumado ao cargo, que o expõe ao escrutínio público e reduz sua privacidade."
A Folha publicou a primeira reportagem sobre o apartamento de R$ 1 milhão de Joaquim Barbosa, comprado por meio de uma empresa offshore na Flórida (leia mais aqui). Barbosa considera o caso "invasão de privacidade".
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JB não está preparado nem para ser presidente de sua empresa fantasma

Numa entrevista ao Globo,
Joaquim Barbosa consegue
dizer que o Brasil não está
preparado para um negro na
presidência
E então Joaquim Barbosa diz, ao amigo Globo, que o Brasil não está preparado para um presidente negro.
O certo é: Joaquim Barbosa não está preparado para ser presidente.
Quanto mais fala, mais JB revela não ter noção das coisas.
Diz, num tom que denota orgulho, ter “amigos fraternais” entre os jornalistas. Isto é uma aberração ética, um caso de torrencial conflito de interesses, e ele simplesmente não se dá conta disso.
O autor da entrevista é Míriam Leitão. Os jovens jornalistas devem ler atenciosamente para ver como não se entrevista alguém.
Míriam é dócil, cúmplice, superficial, tola e desinformada; enfim, tem todos os defeitos que um entrevistador poderia ter. Combativa ela é com as pessoas que se colocam no caminho da família Marinho, pôde se ver.
A entrevista publicada pelo Globo – a quem JB deu carona num avião da FAB numa boca livre na Costa Rica – coincide com uma fala de extraordinária relevância do presidente da Associação dos Juízes Federais, Nino Toldo.
Toldo disse que JB é um “fora da lei” por causa da nebulosa compra de um imóvel em Miami, para a qual ele inventou uma empresa de fachada com a finalidade de sonegar impostos.
Toldo defendeu uma “apuração rigorosa” da operação, que foi revelada pela Folha.
Para o Globo, JB disse que o “imóvel é modesto” – talvez pelos padrões dos Marinhos, seus amigos. E acusou a Folha de discriminá-lo.
Ora, nenhuma explicação foi fornecida sobre a compra suspeita – e, verdade, nem lhe foi cobrada pelo dócil Globo.
Jogada no meio da entrevista você tem a informação de que JB – o homem que levou 7,5 anos para fazer um curso de 5 e mais 4 ou 5 para fazer um doutorado de 3 na França – levou bomba no Itamaraty.
Mas a culpa da bomba, naturalmente, não foi dele. Foi do Itamaraty, que o sacaneou na prova oral.
Pausa para rir.
O Itamaraty já se manifestou. Falou do incentivo a afrodescendentes, e se JB não foi um dos objetos do incentivo você pode avaliar seu desempenho nas provas.
Sem querer, o Globo revela uma alma complexada e vingativa.
Todos os diplomatas do Itamaraty, segundo o reprovado, gostariam de estar no seu lugar.
Verdade?
Ora, um magistrad0 que vai passar para a história como uma calamidade nacional, como o maior erro de Lula, como um “fora da lei” – será que tanta gente assim gostaria de estar em seu lugar?
Na verdade, JB não está preparado para ser presidente de nada. Nem do STF e nem da empresa fantasma que ele montou em Miami para fugir abjetamente de impostos.
Paulo Nogueira
No 247
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Barbosa poderia ser destituído por uso indevido de apartamento funcional

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O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa), descumpriu o Decreto nº 980/1993 (que regula a cessão de uso dos imóveis residenciais de propriedade da União, situados no Distrito Federal) ao utilizar a moradia funcional para abrir a Assas JB Corp, OffShore utilizada para a aquisição de um apartamento em Miami, EUA (Estados Unidos).
O Jornal GGN enviou questões à CGU (Controladoria Geral da União) em relação ao caso Joaquim Barbosa, indagando sobre o parecer do órgão em relação a funcionários públicos que utilizassem apartamento funcional como sede de empresa atuando fora do país.
GGN - Conforme conversamos por telefone gostaria de saber se existe alguma ilegalidade no uso de um apartamento funcional como sede de uma empresa fora do país.
CGU - O Decreto nº 980/1993 (que regula a cessão de uso dos imóveis residenciais de propriedade da União, situados no Distrito Federal) não prevê o uso de imóvel funcional para outros fins, que não o de moradia. De acordo com o texto da norma, o permissionário tem, entre seus deveres, o de destinar o imóvel a fins exclusivamente residenciais; e o de não transferir, integral ou parcialmente, os direitos de uso do imóvel.
Vale frisar ainda, apenas a título de cautela, que aos servidores públicos federal regidos pela Lei nº 8.112 (inciso X do art. 117), de 1990, é proibido “participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário”.
GGN - Caso seja considerado ilegal, qual seriam as punições previstas para esse tipo de utilização?
As penas podem ser de advertência, suspensão ou demissão/destituição, conforme previsto na Lei nº 8.112/1990, a depender da apuração.
GGN - Já houve algum caso anterior similar?
No âmbito da CGU, não foi apurado nenhum caso similar.
Outro artigo da mesma lei permite, como medida cautelar e para evitar que o servidor não influa na apuração da irregularidade, determinar o afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, sem prejuízo da remuneração.
Como Barbosa é Ministro do STF, qualquer ação visando responsabilizá-lo terá que passar pela Procuradoria Geral da República e pelo STF. Ou seja, pares julgando pares.
Entenda o caso
Conforme foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, abriu a OffShore Assas JB Corp para obter benefícios fiscais na compra de um pequeno apartamento de alto padrão em Miami.
A advogada de Joaquim Barbosa em Miami, Diane Nobile, confirmou à reportagem que a empresa foi aberta quatro dias antes da compra do imóvel. Segundo Diane esse tipo de operação é frequente na compra de imóveis por parte de estrangeiros nos EUA, pois reduz a carga tributária que incide sobre uma futura herança.
Outro ponto confirmado por Diane, é que a Assas JB Corp tem como sede um endereço em Brasília, o que é permitido pela legislação local.
A reportagem comprovou que o endereço utilizado por Joaquim Barbosa para a criação da OffShore é uma moradia funcional, cedida pela Secretaria de Patrimônio da União ao STF, cujo uso deve ser exclusivamente residencial.
Questionado sobre o caso, o STF respondeu que “os esclarecimentos sobre o tema foram feitos pelo presidente do Tribunal, que não tem nada a acrescentar ao que já foi dito”.
Cabem agora algumas explicações:
Por que o presidente do Supremo Tribunal Federal utilizou a moradia funcional para estabelecer sua empresa em Miami?
O Ministério Público Federal abrirá uma investigação sobre o uso do apartamento funcional cedido a Joaquim Barbosa?
No GGN
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