28 de jul de 2013

A Inteligência burra

Por que a polícia não havia previsto as recentes manifestações de rua?
Manifestante
Atividades de investigação e de inteligência se confundem dentro das polícias
Apesar de pequenas gafes e deslizes do policiamento encarregado de protegê-lo no Brasil, o papa Francisco saiu ileso. Nem sempre os erros são pequenos assim. Normalmente são graves e repetitivos, com mortos e feridos, como tem ocorrido nas manifestações de rua, nos últimos dois meses, em várias cidades do País.
Os equívocos são muitos e começam de um ponto banal, como aponta o professor Jorge da Silva. “A polícia brasileira, em geral, confunde as atividades de investigação com as de inteligência. A investigação, como é sabido, visa elucidar os fatos a posteriori e apontar culpados. A inteligência é o armazenamento de informações gerais que circulam na sociedade e no cruzamento e análise dessas informações, com a finalidade de prever acontecimentos futuros”, esclarece o professor, que é doutor em Ciências Sociais e ex-chefe do Estado-Maior da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
“No início, as autoridades demonstraram total desconhecimento do que viria à frente. Minimizaram as manifestações e rotularam os manifestantes de baderneiros e vândalos”, diz.
“Por que as polícias teriam se surpreendido pela ação de grupos ideológicos anarquistas que agiram conforme anunciaram em rede? Como não sabiam? E como não tinham uma estratégia específica para enfrentá-los?”, pergunta Jorge da Silva, surpreso com a surpresa dos serviços de inteligência sobre a existência do movimento anarquista.
“Desconhecem que grupos ideológicos como o Black Bloc, com simpatizantes também no Brasil, agem de forma idêntica, roupa preta, capuzes, máscaras, com a estratégia de infiltrar-se em manifestações e protestos para praticar atos de vandalismo e destruição?”
Ele não consegue evitar o tom de ironia ao falar do “serviço de inteligência” que havia detectado a infiltração de traficantes e milicianos nas manifestações. “Estranha conclusão. O objetivo de traficantes e milicianos é financeiro, é dinheiro. O dos anarquistas é outro. É ideológico, contra as estruturas. A não ser que traficantes e milicianos tenham aderido ao objetivo dos anarquistas de mudar a sociedade.”
No Rio, as hipóteses se misturam aos boatos. Um deles é o de que o vandalismo seria uma orquestração contra o governo com o propósito de desestabilizá-lo.
Para Jorge da Silva há uma perigosa inversão do papel da polícia, ocorrida principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde, “em vez de as polícias serem acionadas para garantir as manifestações e proteger os manifestantes, o foram para reprimi-los com rigor. Deu no que deu”.
Qual seria a forma adequada de ação das polícias? “Parece-me fácil concluir o que se deve fazer. Esse assunto não se resolverá apenas com a força, como sempre foi a tônica na nossa história. Não dá mais.”
Dilma em questão I
Não tem consistência a afirmação de que a queda na popularidade e, principalmente, a avaliação do governo da presidenta Dilma Rousseff seja resultado das manifestações de rua nos meses de junho e julho. As primeiras manifestações retumbantes, de 6 e 7 de junho, em São Paulo, foram feitas pouco antes do campo da pesquisa CNI/Ibope de 8 a 11 daquele mês. Tempo curto para refletir os protestos paulistanos e a data da sondagem de âmbito nacional.
Há uma queda de 8 pontos na avaliação do governo no item “ótimo/bom” em relação à pesquisa de março.
Entre junho e julho, a avaliação do governo despencou de 55% para 31%.
Dilma em questão II
As manifestações e a queda não estão refletidas no juízo feito sobre as políticas públicas do governo federal.
Entre março e julho, os índices de reprovação da saúde, educação e segurança têm pouca variação. A saúde tem sua variação negativa elevada em 4 pontos.
Segurança e educação, ao contrário, têm boa elevação positiva. A primeira cai de 66% para 40% e a segunda baixa de 50% para 37%.
Nesses cinco meses, de março a julho, o único solavanco nesses casos é a reprovação da política de combate à inflação, que entre março e junho subiu de 47% para 57%.
Esse é o sinal mais forte e aparentemente capaz de alterar a opinião.
Política e protestos
Surge, porém, um curioso complicador nessa hipótese.
A pesquisa faz uma pergunta aos entrevistados sobre razões que os levariam a novos movimentos de protesto.
A resposta disparada é por maiores investimentos em saúde, 43%, seguida por “contra a corrupção”, com 35%.
Surpreendentemente, somente 14% dos entrevistados se dispõem a se manifestar “contra os políticos em geral”. O porcentual desaba para apenas 4%, se o objetivo for protesto contra o governo federal e a presidenta. Número igual aos governos estaduais e aos prefeitos.
Contra os partidos, vetados nas manifestações, a mobilização atrai 3% das respostas.
Veja e Juquinha
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Na semana passada, na edição nº 758, foi publicada nesta coluna a notícia sobre o alto índice de reprovação do governador Sérgio Cabral.
A nota fazia referência a um episódio recente, desgastante para ele. O flagrante de um helicóptero oficial transportando sua família para um fim de semana na mansão de Cabral, em Mangaratiba (RJ).
Sugeri, como ilustração, a foto do embarque do cão do governador.
A produção da revista recebeu a seguinte resposta de um funcionário do detentor das fotos: “A Editora Abril informou que não podemos licenciar imagens de Veja para a CartaCapital”.
Por um lado, decisão surpreendente em operações comerciais. Por outro, os leitores deixaram de conhecer Juquinha, o cãozinho tibetano da raça shih-tzu.
Atos e fatos
Recentemente, a presidenta Dilma Rousseff convidou e recebeu, no Planalto, representantes do mundo jurídico para debater as manifestações nas ruas.
Joaquim Barbosa, presidente do STF, falou aos repórteres, por quase uma hora, sobre o encontro aparentemente amigável.
Na segunda-feira 22, JB foi cumprimentar o papa Francisco, no Palácio Guanabara, no Rio, em cerimônia com a presença da presidenta.
Após apertar a mão do papa, ele, ostensivamente, recusou-se a saudar Dilma. Depois emitiu um comunicado desmentindo o que as câmeras mostraram.
Como explicar a desfeita a uma senhora que, além disso, preside a República?
Maurício Dias
No CartaCapital
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Sem concorrência

Moreira Franco, ministro da Secretaria de Aviação Civil, é uma das presenças mais inexplicáveis no governo
As próximas concorrências para concessão de aeroportos a grupos privados - a do Galeão e a de Confins (Belo Horizonte) - estão encaminhadas de modo a não serem concorrências. As regras fixadas satisfazem-se com as aparências.
Na atual etapa do processo licitatório, os editais estão pendentes de parecer do Tribunal de Contas da União, motivo de intenso trabalho de "lobby" para que os quesitos básicos não sofram restrição. Um deles em especial.
É a proibição de que consórcio já vencedor da concessão de um aeroporto concorra a outro. Dizia em entrevista no dia 17 o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, a respeito do edital limitativo: "Nós não queremos o monopólio privado, nem o monopólio público. Ele não é conveniente para o cidadão".
Há outras inconveniências para o cidadão. Uma delas, a invocação de um argumento falso. Já foi feita a concessão de dois aeroportos a um só consórcio. O de Brasília, em fevereiro de 2012, e o de Natal, em agosto de 2011, foram ambos concedidos ao consórcio Inframérica, do qual faz parte a empreiteira Engevix.
Além disso, está por ser provado que a redução de disputantes dificulta mais a formação de monopólio, ou mesmo de oligopólio, do que maior número de competidores tecnicamente habilitados. E monopólio privado nem poderia haver, já feitas concessões de aeroportos a grupos distintos, como os de Viracopos e de Guarulhos.
Confrontado com uma série de reportagens do "Jornal da Band" sobre aeroportos brasileiros, na qual foram referidas estranhezas motivadas pelos editais, um titubeante Moreira Franco disse ao telejornal: "O edital pode mudar. O governo quer competição". O "governo", pode ser; a Secretaria de Aviação Civil, não. Já a elaboração dos elementos para a concorrência do Galeão e de Confins foi entregue à empresa EBP (Estruturadora Brasileira de Projetos), pela secretaria de Moreira Franco, sem concorrência.
Moreira Franco é uma das presenças mais inexplicáveis no governo. E esse inexplicável duplicou com a sua mudança da já imprópria Secretaria de Assuntos Institucionais para a de Aviação Civil. Se a anterior lhe era descabida, da segunda a sua habilitação não está à altura nem de aviãozinho de papel. Bem, nesta haveria muitas e altas concorrências.
De fato, o prontuário de Moreira Franco em assuntos de concorrência é de fartura provavelmente, ele também, sem concorrência. A modalidade de concorrências criada pelo seu governo no Rio, nos anos 80, gerou uma série numerosa de revelações de resultados antecipados nestes textos aqui. Foram várias concorrências para o metrô, outras para edificações como um imenso Palácio da Polícia, um gigantesco complexo de abastecimento de água que até hoje não faz falta, bilhões de dólares em concorrências que Moreira Franco teve de anular, por fraudes.
Todas com participação das maiores empreiteiras, Andrade Gutierrez, Mendes Jr., OAS, Camargo Corrêa, todas -entre elas, claro, a Odebrecht, uma espécie de detentora de exclusividade sobre o Galeão, cujos dois terminais, os tais "novos" e péssimos, as pistas, acessos e tudo mais lhe foram entregues, como sempre, em concorrências ("""""""""""""""": ponha aspas à vontade).
Janio de Freitas
No fAlha
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Charge online - Bessinha - # 1869

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Crescimento da América Latina e do Caribe chegará a 3% em 2013. Brasil deve crescer 2,5%, afirma ONU

Estudo econômico 2013 da Cepal sobre a América Latina e Caribe atualiza as estimativas de crescimento.  
Os países da América Latina e do Caribe crescerão em seu conjunto 3% em 2013, taxa similar à registrada no ano passado, afirma Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2013, publicado pela Comissão Econômica da ONU para a América Latina e Caribe (CEPAL), lançado em Santiago do Chile, nesta quarta-feira (24). 
No documento, a CEPAL indica que a queda no crescimento em relação à última estimativa (3,5% em abril passado) deve-se em parte à baixa expansão do Brasil e  do México. Também, vários países que vinham crescendo a taxas elevadas, como Chile, Panamá e Peru, apresentaram uma desaceleração de sua atividade econômica nos últimos meses. 
O relatório acrescenta que a região apresenta algumas debilidades que poderiam afetá-la no curto e longo  prazo diante do atual cenário externo negativo. Entre elas encontram-se uma alta dependência das exportações para a Europa e China, um crescente aumento no déficit na conta corrente – que chegaria a 2% do produto interno bruto (PIB) em 2013, o maior desde 2001 -, sérias restrições fiscais no Caribe, América Central e México, e a vulnerabilidade na América do Sul, surgida a partir de sua dependência dos recursos naturais.
O crescimento econômico continua sendo também muito dependente do consumo, que tem apresentado em 2013 um crescimento menor que o ano anterior, enquanto que a contribuição do investimento ao PIB será modesto e as exportações líquidas terão uma contribuição negativa devido a um maior aumento das importações do que das vendas ao exterior.  Estas últimas registraram uma queda no primeiro semestre de 2013 e enfrentam o provável término do período de expansão nos preços dos produtos básicos.
“O atual cenário revela problemas de sustentabilidade do crescimento na maior parte das economias da região e justifica estabelecer a necessidade de ampliar e diversificar suas fontes de expansão.  Necessitamos um pacto social para aumentar o investimento e a produtividade, e mudar os padrões de produção para crescer com igualdade”, afirmou Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL, durante a apresentação do documento.
O desempenho econômico moderado da região está vinculado com um crescimento estimado da economia mundial de 2,3%, similar ao de 2012. Devido à continua recessão na zona do euro durante 2013, espera-se que os países em desenvolvimento continuem sendo os impulsores do crescimento econômico global, mesmo que se considere que as políticas adotadas pelos Estados Unidos e Japão contribuam para que estas economias se ampliem e também favoreçam um maior crescimento econômico a nível mundial durante o próximo ano.
De acordo com as estimativas da CEPAL, o Paraguai lideraria o crescimento em 2013, com um aumento na taxa do PIB de 12,5%, seguido pelo Panamá (7,5%), Peru (5,9%), Bolívia (5,5%), Nicarágua (5,0%) e o Chile (4,6%). A Argentina cresceria 3,5%, o Brasil 2,5% e o México 2,8%.
O Istmo Centro-americano apresentaria uma expansão de 4,0%, enquanto a América do Sul cresceria 3,1%. O Caribe, no entanto, manteria a tendência ao lento aumento em seu crescimento apresentada nos anos anteriores e chegaria a 2,0%.
Durante o primeiro semestre de 2013 caíram os preços de vários produtos de exportação da região, especialmente os minerais e metais, o petróleo e alguns alimentos, tendência associada à recessão na zona do euro e à desaceleração do crescimento da China.
Para 2013 espera-se uma expansão em torno de 4,0% no valor das exportações, aumento maior  que 1,5%, registrado em 2012, porém ainda muito abaixo das taxas superiores a 20% apresentadas em 2011 e 2010.  As importações, entretanto, cresceriam 6,0% em 2013 (comparado con o aumento de 4,3% de 2012). 
Como consequência do moderado crescimento econômico na região, não é esperado um aumento significativo da demanda de mão de obra durante 2013.  O desemprego caiu modestamente, de 6,9% para 6,7% durante o primeiro trimestre de 2013, enquanto que a inflação regional acumulada nos doze meses a maio de 2013 situou-se em 6,0%, comparada com 5,5% em dezembro de 2012, e com 5,8% nos doze meses a maio de 2012.
Em seu Estudo Econômico 2013 a CEPAL realiza um diagnóstico do crescimento econômico durante as três últimas décadas e apresenta propostas para estimular um aumento do investimento e da produtividade com o fim de alcançar um crescimento mais estável e sustentado no futuro.
Mesmo havendo transformações econômicas profundas na América Latina e no Caribe nesse período, persistem elevados graus de desigualdade e pobreza em vários países.  Também, e apesar da favorável evolução dos termos de troca, a acumulação de capital tem sido insuficiente e a produtividade laboral tem tido um progresso limitado.
Segundo o documento, a contribuição das políticas macroeconômicas – especialmente as políticas fiscais, monetárias e cambiais- o maior crescimento com igualdade no futuro pode ser decisivo.  Por isso, justifica-se um apoio estratégico das políticas macroeconômicas ao investimento para contribuir para a diversificação produtiva daqueles setores que exportam ou competem com as importações (setores comercializáveis).
O Relatório enfatiza a necessidade de contar com uma institucionalidade sólida e o estabelecimento de pactos sociais para favorecer o investimento, incluindo como parte disso, políticas macroeconômicas estabilizadoras e anticíclicas de curto prazo, assim como políticas macroeconômicas de longo prazo, coordenadas  com outras políticas industriais, sociais, laborais e ambientais, para favorecer uma mudança estrutural sustentável e maior produtividade.
No ONU
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Oportunismo do Opportunity

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Quem está bancando a visita do Papa, segundo noticia na Monica Bergamo

Entre varios bancos de varejo (Bradesco, Itaú e Santander) e empresas (Ferrero, Nestlé e McDonald’s), o banco Opportunity tambem “deve ajudar a financiar a vinda do papa Francisco ao Brasi”, segundo noticia hoje na Monica Bergamo. Todos vao para o Céu. Monica revela negociaçao do banco com a Mitra Arquiepiscopal do Rio, órgao responsável pelo patrimônio da Igreja – para o arrendamento de um imóvel no centro da cidade. O Oportuniry poderá ocupá-lo por duas décadas. Em troca, desembolsa agora cerca de R$ 20 milhoes “para ajudar a cobrir as despesas da viagem do santo padre ao país”.
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Alckmin se confessa com o Papa

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Charge online - Bessinha - # 1868

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Mentira grosseira para desviar atenção

Enquanto o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, reconhecia a responsabilidade do Estado por violações dos direitos humanos e infrações ao Direito Internacional Humanitário no prolongado conflito armado naquele país, informação pouco divulgada por aqui, no Rio de Janeiro ocorreu um fato extremamente grave.
Na edição da quarta-feira (25) do jornal O Globo, o repórter Antônio Werneck assinava matéria mentirosa, com chamada de primeira página, revelando que “agente da Abin foi preso em protesto” e com o complemento de sustentação “vândalo chapa-branca”. O jornal da família Marinho, numa demonstração de baixo jornalismo “informava” sobre a prisão do geógrafo e agente da Abin Igor Pouchain Matela junto com a mulher, Carla Hirt.
Mentira grosseira. Carla Hirt foi presa quando fugia da truculência policial sendo agredida, depois de ser ferida por balas de borracha, não tendo jogado pedras em lugar nenhum. O marido, que não estava com ela, foi até a 14a. Delegacia Policial, no Leblon, ao ser avisado pela própria mulher da prisão e agressão por parte de um tenente da PM.
Portanto, ai se esclarece a primeira mentira que tem por visível objetivo induzir o leitor a incriminar a Abin, desviando a atenção do principal, ou seja, de que a PM de Sergio Cabral infiltra agentes P2 nas manifestações, não propriamente para observar, como alegam as autoridades, mas para provocar tumulto. Vídeos postados nas redes sociais não deixam dúvidas.
Carla foi acusada de formação de quadrilha e ter jogado pedras numa agência bancária. Ela foi presa na rua Redentor e a PM notificou que a prisão ocorreu na Visconde de Pirajá. Portanto, uma nova mentira, como várias outras encontradas na matéria do repórter Antônio Werneck. A indicação da Visconde de Pirajá foi para mostrar que ela estava no centro dos acontecimentos no momento da prisão. Se fosse colocada a rua exata ficaria demonstrado que Carla foi presa fora do local onde a PM agia com truculência, por orientação do trio Sérgio Cabral, José Mariano Beltrame e Coronel Enir Costa Filho, comandante da PM.
Que quadrilha os presos poderiam ter formado se nenhum deles se conhecia? Antes da matéria ter sido divulgada, Carla Hirt deu entrada com uma ação no Ministério Público informando ter sido vítima da truculência policial, agredida e baleada, além de acusada falsamente de formação de quadrilha.
Fonte não revelada 
Mas o que também chama a atenção da matéria é o fato dela ter sido divulgada uma semana após os acontecimentos ocorridos na manifestação que começou nas imediações do prédio onde reside o Governador Sérgio Cabral, no bairro do Leblon, dia 18 de julho. Aí que mora também o perigo. A fonte da informação sobre a falsa prisão do agente da Abin, não citada pelo repórter de O Globo, foi o ex-deputado Marcelo Itagiba, do PSDB.
Itagiba não é flor que se cheire, tendo sido citado numa Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa fluminense sobre a ação das milícias como elemento vinculado a esse grupo criminoso que atua com ramificações no aparelho de Estado. Uma pergunta que não quer calar: quem informou Itagiba sobre a ocorrência na delegacia do Leblon? E por que Antônio Werneck não revelou a fonte da sua mentirosa matéria e fez questão de contatar o ex-deputado? Ele é fonte de O Globo?
Baixo jornalismo
Mas se os leitores imaginam que o baixo jornalismo do jornal se limitou ao que foi mencionado até agora, engana-se. Tem mais. A própria matéria desdiz a chamada de primeira página ao revelar no meio do texto que o agente foi autuado por desacato quando chegou à delegacia. Então, por que ter colocado com chamada de primeira página a mentira de que o agente da Abin foi preso no protesto? E por que dar ênfase ao “desacato” e relegar a plano secundário a agressão sofrida por Carla Hirt e também colocá-la no texto como agente da Abin?
Como Igor Matela havia mandado uma carta ao jornal O Globo negando o desacato e informando que ele e Carla Hirt eram alunos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o repórter Antônio Werneck procurou o professor Carlos Wainer, titular do referido instituto, perguntando se “o senhor gostaria de comentar o caso” e se ”conhecia o casal?”.
Vainer respondeu, mas o que disse não foi divulgado pelo jornal: “Carla é geógrafa, professora, brilhante estudante de doutorado em Planejamento Urbano e Regional. Digna e íntegra, como os milhões de jovens que têm ido às ruas manifestar sua inconformidade com a situação do país. Orgulho-me de ser seu professor, No Rio de Janeiro, o direito de manifestação vem sendo violado por uma polícia inepta, brutal e, como agora se sabe, capaz de forjar autuações fraudulentas para criminalizar manifestantes. Sob pretexto de manter a ordem, a polícia instaura o terror a cada nova manifestação pública. É necessário investigar e punir policiais e autoridades que promovem ou acobertam essas violências. Ouvir a mensagem das ruas, recomendou a Presidente Dilma, Querem, no entanto, calá-la”.
Igor Matela garante também que em momento algum deu uma carteirada como agente da Abin, como insinua O Globo. Ao ser enquadrado, a delegada naquele momento, Flávia Monteiro, pediu seus documentos e que revelasse a profissão. Mostrou então a carteira de motorista e disse ser funcionário público. A delegada insistiu perguntando em que repartição, mencionando então a Abin. Igor ingressou na Abin por concurso.
Em suma, como tem acontecido nos últimos tempos, O Globo deu mais prova de baixo jornalismo, que precisa ser denunciado em todos os fóruns, sobretudo nas escolas de comunicação onde são formados os futuros repórteres que ocuparão as redações.
Mário Augusto Jakobskind
No Direto da Redação
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A entrevista de Dilma


Folha - As manifestações deixaram jornalistas, sociólogos e governantes perplexos. E a senhora, ficou espantada?
Dilma Rousseff - No discurso que fiz na comemoração dos dez anos do PT, em SP [em maio], eu já dizia que ninguém, ninguém, quando conquista direitos, quer voltar para trás. Democracia gera desejo de mais democracia. Inclusão social exige mais inclusão. Quando a gente, nesses dez anos [de governo do PT], cria condições para milhões de brasileiros ascenderem, eles vão exigir mais. Tivemos uma inclusão quantitativa. Esta aceleração não se deu na qualidade dos serviços públicos. Agora temos de responder também aceleradamente a essas questões.
Mas a senhora não ficou assustada com os protestos?
Não. Como as coisas aconteceram de forma muito rápida, eu acho que todo mundo teve inicialmente uma reação emocional muito forte com a violência [policial], principalmente com a imagem daquela jornalista da Folha [Giuliana Vallone] com o olho furado [por uma bala de borracha]. Foi chocante. Eu tenho neurose com olho. Já aguentei várias coisas na vida. Não sei se aguentaria a cegueira.
Se não fosse presidente, teria ido numa passeata?
Com 65 anos, eu não iria [risos]. Fui a muita passeata, até os 30, 40 anos. Depois disso, você olha o mundo de outro jeito. Sabe que manifestações são muito importantes, mas cada um dá a sua contribuição onde é mais capaz.
O prefeito Fernando Haddad diz que, conhecendo o perfil conservador do Brasil, muitos se preocupam com o rumo que tudo pode tomar.
Eu não acho que o Brasil tem perfil conservador. O povo é lúcido e faz as mudanças de forma constante e cautelosa. Tem um lado de avanço e um lado de conservação. Já me deram o seguinte exemplo: é como um elefante, que vai levantando uma perna de cada vez [risos]. Mas é uma pernona que vai e "poing", coloca lá na frente. Aí levanta a outra. Não galopa como um cavalo. Aí uma pessoa disse: "É, mas tem hora em que ele vira um urso bailarino". Você pode achar que contém a mudança em limites conservadores. Não é verdade. Tem hora em que o povo brasileiro aposta. E aposta pesado.
A senhora teve uma queda grande nas pesquisas.
Não comento pesquisa. Nem quando sobe nem quando desce [puxa a pálpebra inferior com o dedo]. Eu presto atenção. E sei perfeitamente que tudo o que sobe desce, e tudo o que desce sobe.
Mas isso fez ressurgir o movimento "Volta, Lula" em 2014.
Querida, olha, vou te falar uma coisa: eu e o Lula somos indissociáveis. Então esse tipo de coisa, entre nós, não gruda, não cola. Agora, falar volta Lula e tal... Eu acho que o Lula não vai voltar porque ele não foi. Ele não saiu. Ele disse outro dia: "Vou morrer fazendo política. Podem fazer o que quiser. Vou estar velhinho e fazendo política".
Para a Presidência ele não volta nunca mais?
Isso eu não sei, querida. Isso eu não sei.
Ao menos não em 2014.
Esses problemas de sucessão, eu não discuto. Quem não é presidente é que tem que ficar discutindo isso. Agora, eu sou presidente, vou discutir? Eu, não.
Mas o Lula lançou a senhora.
Ele pode lançar, uai.
O fato de usarem o Lula para criticá-la não a incomoda?
Querida, não me incomoda nem um pouquinho. Eu tenho uma relação com o Lula que tá por cima de todas essas pessoas. Não passa por elas, entendeu? Eu tô misturada com o governo dele total. Nós ficamos juntos todos os santos dias, do dia 21 de junho de 2005 [quando ela assumiu a Casa Civil] até ele sair do governo. Temos uma relação de compreensão imediata sobre uma porção de coisas.
Mas ele teria criticado suas reações às manifestações.
Minha querida, ele vivia me criticando. Isso não é novo [risos]. E eu criticava ele. Quer dizer, ele era presidente. Eu não criticava. Eu me queixava, lamentava [risos].
Como a senhora vê um empresário como Emílio Odebrecht falar que quer que o Lula volte com Eduardo Campos de vice?
Uai, ótimo para ele. Vivemos numa democracia. Se ele disse isso, é porque ele quer isso.
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Nelson Mandela fue operado y continúa en estado crítico

 
La Presidencia sudafricana emitió un comunicado este domingo en el que informó que el estado de salud de Nelson Mandela sigue siendo crítico aunque mejora lentamente, sin ofrecer detalles sobre la operación a la que fue sometido el pasado viernes.
El líder en la lucha contra el Apartheid fue sometido a “un procedimiento quirúrgico para desbloquear un tubo de diálisis” el viernes justo antes de cumplir su séptima semana ingresado en un hospital de Pretoria, según la cadena de televisión estadounidense CBS. Dicha cadena televisiva agregó que la operación fue de importancia menor.
El portavoz de la presidencia sudafricana, Mac Maharaj, no confirmó la operación a Mandela, sino que se limitó a decir que el expresidente sudafricano “está crítico, estable, pero hay alguna mejora”.
El premio Nobel de la paz del año 1993 respira con ayuda de una máquina y fue sometido a diálisis pocas semanas después de ser hospitalizado por una infección pulmonar el pasado 8 de junio, luego de una recaída a causa de esa infección pulmonar. El 23 de junio, la Presidencia había anunciado que estaba en estado "crítico".
Madiba cumplió 95 años de edad el pasado jueves rodeado de sus familiares en el hospital.
Elegido en 1994 como primer presidente negro de Sudáfrica, Mandela lideró de forma modélica una delicada transición del apartheid a la actual democracia no racial. Durante sus años en prisión en las cárceles de este sistema racial contrajo la infección pulmonar que actualmente padece.
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Guerra aos direitos do povo

A mais nova campanha contra os direitos do povo envolve uma luta mais antiga - contra o Bolsa Família.
A partir de uma nota de jornal, criou-se um alvoroço em torno de  Sebastiana da Rocha, cidadã de Cuiabá. Em 2010, dizem os registros do TSE, ela doou R$ 510 para a campanha de Dilma Rousseff. Como o benefício de Sebastiana é de R$ 528, logo renasceu a mais antiga suspeita contra o programa – de que ela estaria sendo usada para transferir dinheiro para a candidata do governo. Divulgada a notícia, o assunto chegou às rádios e já se fala até em abrir uma investigação. É bom que tudo seja bem apurado e não reste nenhuma dúvida a respeito.
Cabe, no entanto, reparar num ponto essencial.
Os mesmos registros do TSE informam que a doação de Sebastiana tem um valor “estimado” em R$ 510. Quando o tribunal registra um valor “estimado”  isso quer dizer que não se usou dinheiro – nem cheque, nem transferência bancária - para a doação. Foi uma prestação de serviços. Advogados contribuem para campanhas políticas oferecendo serviços aos candidatos. Empresários de comunicação usam suas gráficas como panfletos – e registram o serviço. Outras empresas emprestam funcionários – e assim por diante. 
O mesmo vale para o cidadão comum, como Sebastiana. Não há registro, no TSE, de qual serviço a beneficiária prestou. No PT de Cuiabá, um dirigente afirmou que não se recordava de uma militante com esse nome.
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No registro do TSE, a doação de Sebastiana é definida por valor estimado -- típico de quem presta serviço (Clique aqui para ampliar a imagem)
Em busca de uma visão jurídica, fui atrás de dois advogados especialistas em direito eleitoral. Um deles, de Brasília, preferiu conversar sem dar entrevista. Informado sobre os detalhes do caso, concluiu: “É tão estranho fazer um escândalo em torno de R$ 500 que só existem duas possibilidades. Ou é tudo verdade e não vejo problema algum. Ou os adversários plantaram uma doação para fazer um escândalo depois”.

Alberto Rollo, advogado eleitoral de São Paulo, falou no mesmo tom. “Por mim, dona Sebastiana está absolvida”. Rollo questiona a suspeita: “Não se pode falar em fraude eleitoral, porque uma doação neste valor é perfeitamente lícita em seu caso. Não se pode falar em fraude ao programa Bolsa Família, a menos que se prove que a beneficiária não era uma pessoa hipossuficiente,” acrescenta, empregando o termo técnico para cidadãos carentes.

Mas é claro que o debate não é jurídico. O esforço para denunciar o Bolsa-Família é tão antigo quando o programa. Quando o ministro Patrus Ananias se preparava para lançar o programa, foi informado de que os jornalistas estavam preparando denúncias sobre irregularidades encontradas na distribuição de benefícios. Patrus se reuniu com Luiz Gushiken, na época responsável pela Secom, para discutir o que fazer. Gushiken conta o que se decidiu: “Resolvemos não fazer nada. Mesmo que houvesse alguma denúncia verdadeira, o que é sempre possível, o programa fora bem feito e iria atingir a meta de proteger a população mais pobre”. Quando me deu um depoimento recente sobre este episódio, Gushiken dava boas risadas: “As emissoras de TV pensavam que iam nos prejudicar fazendo denúncias contra o governo. Não perceberam que o povo aprovou o programa, porque recebia benefícios, e sabia que as denúncias eram pontuais. Vinculando o Bolsa Família ao governo, acabaram nos ajudando”.

Histórias como a de dona Sebastiana não são uma novidade. Outros casos apareceram na internet, em maio. Todos haviam ocorrido em Goiás. Um deles envolvia uma beneficiária que ajudou com R$ 320  a campanha de um vereador em Pirenópolis, em Goiás. Outro envolvia uma doação – desta vez em espécie - de R$ 1.000 para um diretório municipal de Uruaçu, também em Goiás. Num terceiro caso, em Itaberaí, a doação foi de R$ 800. Nenhum desses casos envolvia políticos do PT, o que talvez ajude a explicar porque tiveram pouca repercussão. O primeiro beneficiou um candidato do PPS, o antigo PCB, hoje na oposição. O segundo chegou ao PMN, que até pouco atrás debatia uma fusão com os ex-comunistas. O outro caso envolvia um candidato do PP.

É claro que todos estes casos podem ser explicados e esclarecidos. Mas vamos combinar que é um interesse grande demais para quantias muito pequenas. Até porque seu caráter é irrisório. Quem se der ao trabalho de somar os casos conhecidos de brasileiros que abriram mão dos benefícios quando conseguiram atingir uma vida melhor  irá encontrar um número infinitamente maior do que de denúncias apuradas e comprovadas.

O Bolsa Família incomoda porque seu valor é muito maior do que os R$ 500 da dona Sebastiana ou os R$ 320 de uma beneficiária de Goiás.

Capaz de afastar 40 milhões de famílias da miséria mais dura, este programa é uma forma do Estado cumprir seu dever de proteger quem não tem proteção.

Num universo que elimina conquistas sociais, representa um esforço para implantar as bases de um Estado de bem-estar social. É tão bem sucedido que depois de um combate sem trégua, o PSDB baixou a guarda e diz que o governo Lula roubou a ideia.

Paulo Moreira Leite
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Fifa perde disputa e TV aberta europeia ganha Copa

http://p2.trrsf.com.br/image/fget/cf/407/305/images.terra.com/2013/03/21/esportes-fut-fifa-blatter.JPG 
Os britânicos apaixonados pelo futebol poderão continuar assistindo à Copa do Mundo e a outros grandes jogos internacionais gratuitamente, depois de uma decisão do supremo tribunal da União Europeia (UE) que representa um duro golpe para os principais órgãos que governam o esporte. O Tribunal de Justiça da União Europeia confirmou ontem (18/7) uma decisão que dá ao Reino Unido e à Bélgica o direito de proibir os canais de TV pagos de adquirirem direitos exclusivos de transmissão de jogos de futebol considerados de “grande importância para a sociedade”.
As entidades que organizam a Copa do Mundo e os campeonatos europeus de futebol tinham contestado uma decisão anterior da Comissão Europeia, o braço executivo da UE, sobre o assunto e ambas alertaram que a decisão de ontem prejudicaria suas lucrativas receitas com a transmissão de jogos. “Essa decisão não só distorce a concorrência num mercado livre, mas também reduz a possibilidade de geração de uma renda que pode ser distribuída para o esporte amador via pagamentos de solidariedade”, comunicou a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa).
A Fifa, Federação Internacional de Futebol, comunicou que a decisão limitaria sua capacidade de oferecer novos serviços aos aficionados do futebol e “também pode ter um impacto sobre a capacidade da Fifa de gerar receita” com a Copa do Mundo, parte da qual é empregada nas categorias de base. A Fifa informou que vai investir cerca de US$ 2,7 bilhões entre 2011 e 2014 para ajudar a organizar campeonatos, construir campos de futebol e financiar cursos e associações locais.
BBC e ITV confirmaram transmissão gratuita
A decisão pode ter uma influência sobre a forma como outros países transmitem eventos esportivos e culturais importantes. Uma porta-voz da Comissão disse que seis outros países da UE tinham elaborado listas semelhantes de eventos que queriam reservar para a televisão gratuita. Entre esses países estariam Alemanha, Áustria, Finlândia, França, Irlanda e Itália. O futebol é de longe o maior esporte de espectadores na Europa, o que significa que também é um grande negócio – a Fifa deve gerar receitas de US$ 3,8 bilhões no período que antecede a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, dos quais 60% virão da venda de direitos de transmissão, segundo um documento da entidade examinado pelo The Wall Street Journal. A Fifa e a Uefa não quiseram quantificar a proporção das receitas futuras que elas poderiam perder com a sentença de ontem.
Ressaltando o valor dos direitos de transmissão de futebol ao vivo, em junho passado a Premier League, a principal liga de futebol do Reino Unido, levantou mais de 3 bilhões de libras (US$ 4,6 bilhões) com a venda dos direitos de transmissão de jogos por um período de três anos para a BT Group e a British Sky Broadcasting (BSkyB), que têm serviços de TV por assinatura. A quantia representa um aumento de 1,25 bilhão de libras em relação ao acordo anterior de transmissão, informou a Premier League por meio de comunicado.
A BSkyB não quis comentar a decisão judicial de ontem. O maior acionista da BSkyB é a 21st Century Fox, com uma participação de 39,1%. A 21st Century Fox e a News Corp, dona do Wall Street Journal, eram até o fim de junho parte da mesma empresa. As emissoras britânicas BBC e ITV já informaram que vão transmitir a próxima Copa do Mundo gratuitamente.
“Erros” não tiveram influência no desfecho do caso
A decisão do tribunal de Justiça encerra um processo que vem desde antes da última Copa, em 2010. O Reino Unido e a Bélgica tinham apresentado à Comissão Europeia uma lista de jogos que consideram importantes para a sociedade e que devem, portanto, ser transmitidos gratuitamente, incluindo todos os jogos da fase final da Copa. A lista do Reino Unido também incluía todos os jogos da fase final do Campeonato Europeu, organizado pela Uefa.
A comissão aprovou esses pedidos por considerá-los em conformidade com as regras da UE, que permitem aos países-membros proibir a transmissão exclusiva de eventos que julgam ser de grande importância para a sociedade. Mas a Fifa e a Uefa contestaram a decisão, argumentando que nem todos esses jogos podem ser considerados importantes para o público geral. Um tribunal europeu de instância inferior rejeitou o caso em fevereiro de 2011. A Fifa e a Uefa recorreram. Ontem, o Tribunal de Justiça da UE rejeitou os recursos “em sua totalidade”.
O tribunal afirmou que, enquanto o Reino Unido e Bélgica deveriam ter explicado por que todos os jogos desses campeonatos eram de importância nacional, esses “erros” não tiveram qualquer influência no desfecho do caso. Segundo o tribunal, todos os jogos de última fase dos dois campeonatos “realmente atraíram atenção suficiente do público para constituir um evento de grande importância”.
O Reino Unido e a Bélgica são os únicos países que incluíram todos os jogos da Copa do Mundo na lista, disse a porta-voz da comissão.
Tom Fairless e Art Patnaude
No Wall Street Journal, de Bruxelas
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Fascismo em nome de Deus

Herdeiro de monstros não pode se dizer “Pró-Vida”
 Há manhãs em que fico revoltado ao ler os jornais.
Aconteceu segunda-feira passada quando vi a manchete de "O Globo": "Pressão religiosa", com o subtítulo: "À espera do papa, Dilma enfrenta lobby para vetar o projeto para vítimas de estupro que Igreja associa a aborto".
Esse projeto de lei, que tramita desde 1999, acaba de ser aprovado em plenário pela Câmara e pelo Senado e encaminhado à Presidência da República, que tem até 1º de agosto para sancioná-lo.
Se não houver veto, todos os hospitais públicos serão obrigados a atender em caráter emergencial e multidisciplinar as vítimas de violência sexual.
Na verdade, o direito à assistência em casos de estupro está previsto na Constituição. O SUS dispõe de protocolos aprovados pelo Ministério da Saúde especificamente para esse tipo de crime, que recomendam antibióticos para evitar doenças sexualmente transmissíveis, antivirais contra o HIV, cuidados ginecológicos e assistência psicológica e social.
O problema é que os hospitais públicos e muitos de meus colegas, médicos, simplesmente se omitem nesses casos, de forma que o atendimento acaba restrito às unidades especializadas, quase nunca acessíveis às mulheres pobres.
O Hospital Pérola Byington é uma das poucas unidades da Secretaria da Saúde de São Paulo encarregadas dessa função. Lá, desde a fundação do Ambulatório de Violência Sexual, em 1994, foram admitidas 27 mil crianças, adolescentes e mulheres adultas.
Em média, procuram o hospital diariamente 15 vítimas de estupro, número que provavelmente representa 10% do total de ocorrências, porque antes há que enfrentar as humilhações das delegacias para lavrar o boletim de ocorrência.
As que não desistem ainda precisam passar pelo Instituto Médico Legal, para só então chegar ao ambulatório do SUS, calvário que em quase todas as cidades exige percorrer dezenas de quilômetros, porque faltam serviços especializados mesmo em municípios grandes. No Pérola Byington, no Estado mais rico da federação, mais da metade das pacientes vem da Grande São Paulo e de municípios do interior.
Em entrevista à jornalista Juliana Conte, o médico Jefferson Drezzet, coordenador desse ambulatório, afirmou: "Mesmo estando claro que o atendimento imediato é medida legítima, na prática ele não acontece. Criar uma lei que garanta às mulheres um direito já adquirido é apenas reconhecer que, embora as normas do SUS já existam, o acesso a elas só será assegurado por meio de uma força maior. Precisar de lei que obrigue os serviços de saúde a cumprir suas funções é uma tristeza".
Agora, vamos ao ponto crucial: um dos artigos do projeto determina que a rede pública precisa garantir, além do tratamento de lesões físicas e o apoio psicológico, também a "profilaxia da gravidez". Segundo a deputada Iara Bernardi, autora do projeto de lei, essa expressão significa assegurar acesso a medicamentos como a pílula do dia seguinte. A palavra aborto sequer é mencionada.
Na semana passada, o secretário-geral da Presidência recebeu em audiência um grupo de padres e leigos de um movimento intitulado Pró-Vida, que se opõe ao projeto por considerá-lo favorável ao aborto.
Pró-Vida é o movimento que teve mais de 19 milhões de panfletos apreendidos pela Polícia Federal, na eleição de 2010, por associar à aprovação do aborto a então candidata Dilma Rousseff.
Na audiência, o documento entregue pelo vice-presidente do movimento foi enfático: "As consequências chegarão à militância pró-vida causando grande atrito e desgaste para Vossa Excelência, senhora presidente, que prometeu em sua campanha eleitoral nada fazer para instaurar o aborto em nosso país".
Quem são, e quantos são, esses arautos da moral e dos bons costumes? De onde lhes vem a autoridade para ameaçar em público a presidente da República?
Um Estado laico tem direito de submeter a sociedade inteira a uma minoria de fanáticos decididos a impor suas idiossincrasias e intolerâncias em nome de Deus? Em que documento está registrada a palavra do Criador que os nomeia detentores exclusivos da verdade? Quanto sofrimento humano será necessário para aplacar-lhes a insensibilidade social e a sanha punitiva?
Dráuzio Varella
No fAlha
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Citrosuco é autuada por trabalho escravo e pode perder direitos econômicos

Flagrante de escravidão de uma das três maiores indústrias de suco de laranja no Brasil pode levar à cassação do registro de ICMS. Empresa já foi indiciada por prática lesiva à economia
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São Paulo – “Confiança, franqueza e amizade como base das relações internas e externas” não pareciam ser os valores que havia no vínculo entre a Citrosuco e um grupo de 26 dos seus empregados da colheita de laranja, resgatados de regime de trabalho análogo ao de escravo no último 2 de julho. A frase que abre a reportagem, slogan na página da internet da companhia, destoa da situação verificada pela vistoria realizada por dois auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e um procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) em dois laranjais da empresa, no interior de São Paulo. O contingente foi encontrado e libertado após uma denúncia recebida pelo MPT.
A fiscalização constatou que as 26 vítimas sofriam restrições à liberdade de ir e vir e estavam sujeitas a condições degradantes de trabalho e vida nas propriedades Fazenda Água Sumida, em Botucatu, e Fazenda Graminha, em São Manoel, cidades na região centro-sul paulista. A Citrosuco foi multada pelo MTE e ainda pode responder a processo na Justiça, além de sofrer outras sanções administrativas, como a entrada na “lista suja” do trabalho escravo ou a perda dos direitos econômicos. Ao todo foram lavrados 25 autos de infração contra a empresa.
O MPT sinaliza que, pelo flagrante de escravidão, deve entrar com uma ação civil pública para processar a companhia na Justiça do Trabalho. Caso condenada em segunda instância, a Citrosuco pode ter o registro no Imposto de Circulação de Bens de Mercadoria e Serviço (ICMS) cassado junto à Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo, com base na lei nº 14.946/2013, conhecida como “lei paulista contra a escravidão”. “Uma empresa desse porte não pode, de forma alguma, fazer esse tipo de contratação, em regime de trabalho escravo”, justifica o procurador do MPT presente na fiscalização, Fernando Maturana.
Na prática, a lei paulista prevê que pessoas físicas ou jurídicas condenadas pelo uso de mão de obra escrava fiquem impedidas de exercer o mesmo ramo de atividade econômica por um período de dez anos. A empresa pode tornar-se a primeira a ser enquadrada na nova legislação do Estado. Esta não é primeira vez, contudo, que a gigante produtora de suco de laranja enfrenta problemas com o Poder Judiciário ou ações administrativas por parte do Poder Executivo. A Citrosuco afirma que “em relação à fiscalização realizada pela Delegacia Regional do Trabalho a empresa está avaliando as medidas cabíveis a serem tomadas”.
Mercado concentrado
A empresa é a divisão responsável pela fabricação de laranja e derivados do Grupo Fischer, um dos maiores conglomerados do setor de frutas e sucos cítricos que atuam no mercado brasileiro. A corporação ainda se divide entre a Fischer S/A e a Companhia Brasileira de Offshore (CBO), ramo de navegação e apoio a plataformas marítimas. Juntamente de Cutrale e Louis Dreyfus, a Citrosuco suco integra um restrito coletivo de apenas três grandes produtoras de suco de laranja no Brasil.
Em 2006, o trio foi alvo da “Operação Fanta”, deflagrada pelo Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP) e a Polícia Federal (PF), para investigar o crime de formação de cartel. No Conselho de Administração Econômica (Cade), autarquia vinculada ao Ministério da Justiça que tem por objetivo zelar pela livre concorrência, o grupo de empresas também responde a processo administrativo por prática lesiva à ordem econômica. Ainda durante o começo deste ano, as três companhias também foram condenadas a pagar, juntas, R$ 400 milhões pela Justiça do Trabalho, devido a problemas de terceirização de mão de obra no setor.
Segundo informações do próprio Grupo Fischer, a Citrosuco exporta mercadorias para mais de 90 países. Em 2011, além disso, a empresa anunciou, com outra então gigante do setor, a Citrovita, que pertencia ao Grupo Votorantin, a intenção de se fundir e formar uma única empresa. A fusão, aprovada pelo Cade no final daquele ano, desde que cumpridas certas exigências, reduziu o número de indústrias atuando no setor, então em quatro, para apenas três.
Flagrante de escravidão
Escravidão
Interior do alojamento onde residiam os trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão, em fazenda da Citrosuco
Segundo Renan Barbosa Amorim, auditor fiscal do MTE que coordenou a fiscalização nos dois laranjais da Citrosuco, o grupo de 26 trabalhadores resgatados da escravidão havia sido aliciado no município de Ipirá, interior da Bahia, por uma funcionária administrativa da companhia, responsável pela formação das turmas de trabalho. Também participou da ação o auditor Fernando da Silva. Saído do sertão baiano no último 2 de maio, os migrantes chegaram a São Paulo com a promessa de receberem bons salários, um alojamento custeado pelo empregador, para residirem durante o ofício temporário, e condições dignas de serviço.
No período em que permaneceram no Estado, as vítimas, porém, acumularam dívidas, receberam uma quantia abaixo do piso mínimo paulista, estiveram impedidas de romper o vínculo trabalhista e sobreviveram em uma casa sem quaisquer condições de habitabilidade. “A fiscalização entendeu que faz parte do procedimento padrão da empresa o uso de um preposto dela para trazer pessoas de fora e formar turmas de trabalho na colheita da laranja”, explica o fiscal Renan Amorim. Conforme o MTE, todos os 26 resgatados eram registrados pela Citrosuco. Após acordo firmado entre empresa e MPT, em 11 de julho, os trabalhadores retornaram ao município de origem, com o recebimento das verbas rescisórias e o custo da viagem pago pelo empregador.
Para o procurador do MPT Fernando Maturana, a Citrosuco fez a receptação daqueles trabalhadores de modo a tirar “vantagem econômica”. A conduta da empresa pode ser interpretada através da “teoria da cegueira deliberada”, quando um acusado de certo crime nega participação por não estar diretamente envolvido, mas, ainda assim, tira daquela prática algum tipo de benefício. “A Citrosuco precisa daquela mão de obra mais barata para tirar vantagem econômica e fecha os olhos para a forma como é feito o aliciamento. Chamou muito a atenção a forma como eles entregam a contratação de trabalhadores a um preposto.”
Os trabalhadores, assim que chegaram à região de Botucatu, receberam a indicação de uma casa em que poderiam ficar, durante o período em que estivessem em São Paulo para realizar o serviço, e cujo aluguel seria custeado pela empresa. De acordo com a fiscalização, a residência, no entanto, não dispunha de banheiros e era pequena demais para um grupo de 26 pessoas. Segundo os fiscais, a Citrosuco se negou a bancar a permanência em outro local que não aquele indicado primeiramente, mesmo depois de os trabalhadores terem passado a procurar por outra forma de residência.
As próprias vítimas passaram a custear seu alojamento em outro local, que era somente um pouco maior e não estava em condições tão melhores quanto o anterior. Hoje, segundo o auditor do Ministério do Trabalho, a casa em que o grupo residia é utilizada pela proprietária para a criação de galinhas e outros animais. A situação do local serviu como base para caracterizar a condição degradante do trabalho desempenhado pelo grupo de resgatados.
Com o aval de um funcionário, a empresa, além disso, indicou aos 26 trabalhadores o mercado de um terceiro envolvido no caso, no qual o grupo escravizado deveria abrir uma conta para comprar seus alimentos. Nas fiscalizações de trabalho escravo no campo, essa cadeia de compra de mantimentos em local determinado pelo empregador é conhecido como “sistema de cantina”.
Normalmente, as pessoas escravizadas acabam por somar dívidas com o estabelecimento de tal forma que ficam presas ao local até saldarem o valor que devem. O grupo de 26 escravos chegou a acumular um débito de mais de R$ 15 mil com o comércio.
“Os trabalhadores chegaram a dizer que passaram fome, no momento em que houve a denúncia e também quando a fiscalização chegou ao local, porque não tinham mais como pagar as dívidas no mercado e comprar a própria comida”, detalha o auditor Renan Amorim. O fiscal do Ministério do Trabalho reforça que o caso de trabalho escravo caracterizou-se mais por uma forma de “violência indireta”, não tanto explícita, levando-se em conta as condições degradantes e a restrição da liberdade do grupo escravizado. O grupo esteve preso não só pelas dívidas acumuladas, mas também porque reteve suas carteiras de trabalho. “Isso impedia, por exemplo, que eles deixassem o local para procurar outro emprego”, acrescenta.
No momento em que a fiscalização chegou ao local, contudo, o grupo não desempenhava qualquer tipo de serviço. De acordo com os fiscais, não foi possível, portanto, verificar outras infrações cometidas pela Citrosuco, como o fornecimento ou não de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) ou o treinamento para o manuseio de ferramentas e agrotóxicos que os trabalhadores poderiam vir a precisar.
O fato de os 26 empregados da Citrosuco estarem ou não realizando qualquer atividade não diminui o flagrante de escravidão, conforme explicam os auditores do MTE, já que, de toda a forma, os trabalhadores mantinham vínculo e se viam obrigados a estarem à disposição da empresa, até o momento em que foram resgatados.
No RBA
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As vidas cruzadas de Amarildo e Sérgio Cabral

O grito das ruas em busca de respostas sobre o destino de um pedreiro.
Cadê?
Cadê?
O destino do governador Sérgio Cabral se cruzou com o de um pedreiro.
No último dia 14, Amarildo de Souza, morador da Rocinha, desapareceu depois de ser levado por policiais para uma UPP. Implantadas pelo secretário José Mariano Beltrame, as Unidades de Polícia Pacificadora eram a solução para o crime no Rio. Três anos mais tarde, a polícia continua a polícia e a possível candidatura de Beltrame a governador ficou para as calendas.
Cadê o Amarildo?
Da favela, essa pergunta passou a ser gritada pelos manifestantes acampados na frente da casa de Cabral. Do acampamento, foi para a cidade.
A mulher dele, Elisabete Gomes da Silva, não crê na possibilidade de seu marido ser encontrado com vida. “Tenho certeza de que meu marido está morto. Já procuramos em todos os lugares e nada”, disse.
O governo ofereceu proteção e apoio. Mas ela tem consciência de que isso é, basicamente, uma ficção.
“Não recebi nenhuma ameaça, mas estou com medo de que, quando a poeira baixar, os policiais possam fazer uma maldade contra mim e minha família. Não estou dormindo nem na minha casa, com medo de chegar à noite e me matarem”, afirmou.
Amarildo ganhava 300 reais por mês numa obra em Copacabana. Tem seis filhos. Seu apelido, “Boi”, se devia ao fato de ser forte e capaz de carregar nos ombros quem precisasse descer ao asfalto. Voltava de uma pescaria quando foi abordado por quatro PMs. Na 15ª DP, após a “averiguação”, teria sido liberado.
Não faz sentido. Ele era conhecido na comunidade. “Dávamos bom dia, boa tarde. Os policiais passavam na minha porta”, diz Elizabete. A Polícia Civil está investigando uma suposta rixa entre Amarildo e um soldado da UPP. Os quatro homens estão afastados e podem passar por uma “reciclagem”.
Histórias como a de Amarildo são antigas e frequentes na periferia e têm um desfecho parecido. Desta vez, porém, o pedido de justiça de uma mulher ecoou na montanha de insatisfação das ruas, está sendo ouvido e repetido.
Amarildo pode estar morto. Mas assombrará Sérgio Cabral por um bom tempo.
Kiko Nogueira
No DCM
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Gilmar Dantas defende limites nas manifestações

Foto:Carlos/STF: Ministro Gilmar Mendes proferiu voto declararando inconstitucional a deliberação legislativa até agora adotada pelo Congresso Nacional.Foto:Carlos/STF (13/06/2013)
Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes diz que parar marginais e estradas não é constitucional; "Vamos ter de definir onde se pode fazer (a manifestação) e ter a compreensão de todos os lados", comentou, acrescentando que o Supremo talvez possa contribuir nessa discussão.
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O chilique de Feliciano com o papa é mais uma medida de sua mesquinhez

O pastor deputado reclama da cobertura da visita de Francisco.
PAPA MARCOS FELICIANO
“O papa é político, eu também. Assim como eu, o papa condena casamento de pessoas do mesmo sexo, a descriminalização das drogas e o aborto. Mas, no caso dele, a mídia aplaude. Por que o papa é tratado como popstar, ovacionado, e eu, tão atacado?”
Segundo o jornalista Lauro Jardim, da Veja, esse foi o tom de um desabafo do pastor deputado Marco Feliciano. O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara ainda teria dito o seguinte: “Onde estava a TV Globo, que não mostrou as manifestações contrárias ao papa, o beijaço etc? Isso é discriminação religiosa contra mim, contra o pastor Silas Malafia e outros”.
Feliciano pode achar que está na mesma liga de Bergoglio, mas é a antítese dele. Vaidoso, falastrão, preconceituoso. Ainda que a agenda conservadora de ambos tenha muitos pontos em comum, há um abismo na maneira como cada um deles atua. Francisco tenta ganhar fieis com uma retórica simples, dando um exemplo de austeridade. Bate na tecla da desigualdade. Incomoda. Ainda que você discorde, ele eleva o debate.
Feliciano se orgulha de ser rico, de seu cabelo lambuzado de gel, de suas roupas, de sua ignorância, de vomitar verbetes da Bíblia que não entendeu. Seu discurso odioso não tenta incluir e encurtar distâncias, mas fomentar o fanatismo em nome de uma guerra santa.
A cobertura da visita de Francisco é exagerada e, eventualmente, ridícula. Patrícia Poeta posando de beata é duro de engolir. O G1 deu uma matéria sobre o preço que cobravam para usar o banheiro perto de Francisco (5 reais).
Mas, se houve um efeito benéfico no tour de Francisco, foi o de tirar os holofotes de Feliciano. 
Amém.
Kiko Nogueira
No DCM
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Uno de los creadores de Facepopular aclara que es falso que sus servidores se encuentren en EE.UU.

 
Matias Reynolds, uno de los fundadores de la red Facepopular ha publicado sus aclaraciones a las versiones de que la misma sirve a Estados Unidos y otras afirmaciones. Aquí aparece el original.
El camino es difícil y los palos en la rueda no van a faltar. Cuando estos 6 locos decidimos emprender este proyecto, sabíamos que íbamos a ser blanco de muchas injurias, pero el compromiso moral y las ganas de aportar nuestro grano de arena hacia la independencia y conformación de la Patria Grande fue mucho más fuerte.
Es por eso que hemos decidido aclarar ciertas cuestiones sensibles que andan circulando en Internet y por supuesto que la fundamentaremos. Este es, nuestro derecho a réplica.
1) La RED POPULAR y sus propuestas: FACEPOPULAR, LATVPOPULAR, LARADIOPOPULAR, WEBPOPULAR y CHASKY son un grupo de medios ideados y concebidos por 6 militantes de diferentes áreas y niveles de participación. Juan Carlos Romero Lopez, Matías Reynolds, Jorge Schussheim, Ezequiel Cadailhon, Ines Alavarez Gelvez Heffes y Fernando Cuestas Garzón.
FACEPOPULAR: red social
CHASKY: red de microblogging
LATVPOPULAR: emisora de TV en línea
LARADIOPOPULAR: emisora de radio en línea
WEBPOPULAR: periódico en línea
2) Los Servidores Dedicados de RED POPULAR (y por consiguiente de FACEPOPULAR), desde el inicio y actualmente, se encuentran en un Datacenter en Argentina, con proyección a replicarse en otros países de America del Sur y Central. Es FALSO que dichos servidores se encuentren en Estados Unidos. Solo basta con rastrear el dominio para darse cuenta, ir a http://www.geoiptool.com/es/?IP=facepopular.net
3) FACEPOPULAR, una red social colaborativa, participativa y con orientación regional, es financiada pura y exclusivamente por sus 6 fundadores.
4) La competencia a Facebook.
FACEPOPULAR no tiene como objeto ser la competencia de ninguna red social corporativa al servicio del espionaje imperialista. FACEPOPULAR se presenta como una herramienta alternativa, administrada por compañeros o camaradas. FACEPOPULAR ve a sus usuarios como personas, no como objetos comerciales o potenciales clientes.
4) Software libre. RED POPULAR apoya el software libre y colaborativo. Por tal motivo todo el sistema está corriendo en GNU Linux, con aplicaciones de Código Abierto (Open Source), en las que se pueden destacar el mismo sistema base (Debian), los servidores web y módulos necesarios (apache/nginx/PHP), los servidores de bases de datos (MySQL). Así mismo, aspira a que cuando (y si llega a ser real) Huayra Linux libere una distribución "servidor" podamos usarla.
PHPFox (www.phpfox.com). Esta aplicación de Licencia Propietaria es el Script utilizado momentáneamente para contener la enorme demanda de usuarios y por cuestión de tiempos. Se deja expresamente claro que se está trabajando en una plataforma colaborativa que por el momento está en fase de desarrollo y avanzando.
5) Dominios .NET
Todos los servicios propuestos por RED POPULAR tienen TLD ".NET".
Los TLD (sigla traducida: Dominio de Nivel Superior) son las terminaciones o sufijos que se escriben al final de los nombres de los dominios.
Hay dos tipos de TLD
Dominios de Nivel Superior Globales (GTLD), creados para ser usados por los usuarios de Internet en general.
.biz Sitios de Organizaciones de Negocios
.com Sitios Comerciales
.edu Sitios Educativos
.gov Sitios de Organismos Gubernamentales
.info Sitios de Apertura Libre de Dominios de Nivel Superior TLD
.int Sitios de Organizaciones Internacionales
.mil Sitios de Dependencias Militares Oficiales de los Estados
.name Sitios Personales
.net Sitios de Sistemas y Redes
.org Sitios de Organizaciones
Los Dominios de Nivel Superior de Código de País (CCTDL)
.ar Argentina
.cl Chile
.uy Uruguay
.es España
.us Estados Unidos
Por lo tanto, rotundamente FALSO e INEXACTO que el TLD ".NET" pertenezca a Estados Unidos. ¿Por qué no .NET.AR? simple, porque aspiramos a una red regional, ".AR" nos limitaría solo a Argentina. El tráfico de la red no se establece por el dominio, se establece por donde se encuentran los servidores dedicados.
Los dominios redpopular.net, facepopular.net, lawebpopular.net, laradiopopular.net, latvpopular.net y elchaski.net tienen oculto los contactos para preservar la identidad, los telefonos y las direcciones de email de los registrantes.
6) Derechos de Autor y Marcas Registradas.
RED POPULAR y todas sus propuestas cuentan con los Derechos de Autor correspondientes en la Oficina de Derechos de Autor, perteneciente al Ministerio de Justicia y Derechos HUmanos de la Nación Argentina. Así mismo, las patentes correspondientes están siendo tramitadas en el INPI (Instituto Nacional de la Propiedad Industrial) en su oficina de la Administración Nacional de Patentes.
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Omertà!

Simples, porque os grupos mafiomidiáticos protegem seus comparsas. Tradição com origem na máfia sicilianda, terra mater da expressão omertà, ou lei do silêncio que também significa proteção.

Por que Alckmin é tão blindado pela mídia?

 :
Nas duas últimas semanas, a revista Istoé dedicou capas ao escândalo do metrô de São Paulo. Na primeira, obteve o depoimento de um ex-funcionário da Siemens, que revelou como era paga a propina nos governos tucanos. Na mais recente, revela o superfaturamento de R$ 425 milhões. Sabe quantos segundos esse assunto mereceu no Jornal Nacional? Ou quantas linhas ganhou no Estado de S. Paulo ou mesmo na Folha, a primeira a revelar o caso Siemens? Zero. Por que será?
Duas semanas atrás, no dia 14 de julho, a Folha de S. Paulo revelou ao País o chamado "caso Siemens". De acordo com a reportagem, a empresa denunciou um cartel na venda de equipamentos ao metrô, do qual ela própria fazia parte, e aceitou um acordo de delação premiada, para reduzir suas penalidades (leia mais aqui). Nos dias que se seguiram, a Folha, curiosamente, tirou seu time de campo e praticamente não voltou ao assunto.
No fim de semana passado, a revista Istoé, da Editora Três, dedicou sua primeira capa ao tema. A publicação obteve o depoimento de um ex-funcionário da Siemens, que revelou até o nome da empresa que recolhia a propina, chamada MGE, que dizia agir em nome dos governos tucanos (leia aqui).
A contrapartida da propina, naturalmente, era a possibilidade de vender os equipamentos a um preço mais alto. Neste fim de semana, a nova capa de Istoé sobre o tema aponta superfaturamentos de até R$ 425 milhões no metrô de São Paulo (o suficiente para vários mensalões) (leia aqui).
Dito isso, algumas questões intrigantes:
1) por que a Folha não voltou ao assunto?
2) por que jornais concorrentes, como Estado ou Globo, não decidiram apurar o caso Siemens?
3) por que o Jornal Nacional não dedicou nenhum mísero segundo ao tema?
Cada veículo de comunicação adota seus próprios critérios. Mas o fato é que Geraldo Alckmin, ao menos junto à chamada "grande imprensa", conseguiu se blindar. Por que será?
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Alckmin torra R$ 87 milhões em propaganda inútil da Sabesp

esgoto.jpg
Enquanto políticos fazem propaganda de saneamento,
parte da população convive com esgotos a céu aberto
Apesar das recentes manifestações de rua exigindo melhoras dos serviços públicos, contra tarifas e pedágios altos e contra a corrupção, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) parece gostar de viver perigosamente, a ponto de desafiar a insatisfação popular.
A Sabesp, sob controle do governador, concluiu recentemente um processo de licitação para gastar R$ 87 milhões em campanha publicitária – no mercado, comenta-se que o gasto anual da empresa deverá alcançar os R$ 120 milhões.
O problema é que a empresa tem clientela cativa e é monopólio na sua área de concessão. Ou seja, simplesmente não precisa anunciar como se fosse uma empresa de refrigerantes. Anúncios da Sabesp são inúteis para vender seu produto: água e esgoto tratados. Logo, não há despesa mais provocadora de protestos do que esta. Seria muito mais útil e necessário usar essa verba para reduzir a conta de água ou investir mais na própria rede de abastecimento de água e de tratamento de esgoto pela companhia.
O fato lembra o que fez seu antecessor, José Serra. Em 2009, ano pré-eleitoral, como agora, Serra fez uma maciça campanha publicitária na TV, com tamanho desprezo pelo dinheiro do contribuinte paulista que sequer restringiu a propaganda a emissoras do estado de São Paulo.
Fez muito mais, espalhando a campanha por praticamente todo o território nacional. O telespectador do Amapá que consome água da Caesa (Companhia de Água e Esgoto do Amapá) e está escandalosamente fora da área de concessão da Sabesp assistiu propaganda da empresa paulista.
Em 2009, o caso despertou a atenção do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) como possível propaganda antecipada de José Serra às eleições de 2010. Como Serra ainda não era oficialmente candidato à presidência na época, o TRE-RJ não pôde abrir processo por crime eleitoral. Teria cabido, talvez, ao Ministério Público paulista um inquérito por improbidade administrativa.
Agora Alckmin está a ponto de repetir o feito. Desta vez é improvável que gaste o dinheiro em rede nacional, já que seu horizonte político é reeleger-se no próprio estado de São Paulo.
A conta de propaganda da Sabesp é dividida entre três agências e, curiosamente, entre os vencedores está a Duda Propaganda, agência de Duda Mendonça, publicitário reputadíssimo, sem dúvida, inclusive em campanhas eleitorais.
Como se não bastasse tudo isso, um colunista da velha mídia, Lauro Jardim, anunciou os vencedores da licitação antes de o resultado ser conhecido, dando a entender que o processo de licitação poderia estar viciado.
Logo, portanto, a juventude que tomou as ruas da capital paulista para protestar contra a corrupção, daqui a pouco deverá expor sua ira contra o governador e a Sabesp. Será?
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O poder do Papa

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Os Papas já tiveram o poder de reis. A história da Europa é, em grande parte, a história desta divisão de poder, e da luta entre os dois absolutismos, o dos Papas e o dos monarcas. O Geoffrey Barraclough (historiador favorito do Paulo Francis quando este ainda era de esquerda e escrevia no “Pasquim”) tinha uma tese segundo a qual a rivalidade de Roma com os reis explicava a superioridade da Europa sobre as sociedades orientais, que já eram civilizadas quando a Europa ainda era terra de bárbaros, mas governadas por dinastias antigas, rígidas e incontestadas, e por isso paradas no tempo.
Na Europa, quem não quisesse se submeter a uma monarquia tinha a opção de se submeter à Igreja. A troca era de um império teocrático por outro, claro, mas criou-se o hábito de dissidência e de pensamento dialético, prólogo para o desenvolvimento científico que viria depois, apesar do obscurantismo da Igreja. E a opção determinou que a Europa não fosse um império monolítico, e sim uma coleção de pequenos Estados.
Acima de tudo, o pluralismo reforçou a independência e a importância das cidades comerciais — Milão, Palermo, Gênova, Veneza, Marselha, Barcelona, Antuérpia, Southampton, Lisboa, as cidades da liga hanseática (o primeiro ensaio de um mercado comum europeu) etc. —, cuja competição impulsionaria as descobertas e a expansão colonial. Tudo isto porque os Papas eram iguais aos reis, inclusive na pretensão de representarem a vontade de Deus na Terra, com exclusividade.
Dizem que certa vez Stalin reagiu à notícia de que o Vaticano o teria reprovado, por alguma razão, com a pergunta desdenhosa: “E quantas divisões tem o Papa?” Desde que perdeu seu poder que rivalizava com o dos reis, o Papa só tem a seu dispor a Guarda Suíça, e assim mesmo para fins decorativos. Mas o Vaticano é o grande exemplo de um Estado cuja potência não se mede com armas — pelo menos não com armas convencionais.
Atualmente, a julgar pela recepção que ele teve no Brasil, o arsenal do Vaticano se resume ao sorriso simpático de um homem. A Igreja não tem mais a relevância política e histórica que teve antigamente e sacrificou muito da sua autoridade moral com posições retrógradas e escândalos financeiros e sexuais. Mas a emoção das multidões que ele mobilizou serviria como uma resposta ao Stalin.
Luis Fernando Veríssimo
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O papa e a corrupção... no Vaticano!

 
Num primeiro momento, a mídia oposicionista estanhou a ausência de críticas políticas nos sermões do papa Francisco no Brasil. Já nesta sexta-feira (26), ela soltou rojões com as suas genéricas referências à corrupção durante a visita à favela Varginha (RJ). O alvo, segundo alguns “calunistas”, foi a presidenta Dilma. O repórter Fabiano Maisonnave, conhecido por suas coberturas antichavistas quando era correspondente da Folha na Venezuela, enfatizou: “Num discurso de forte conteúdo social e recheado de mensagens políticas, o papa Francisco encorajou ontem os jovens a lutar contra a corrupção”. Os telejornais, principalmente os da TV Globo, também elogiaram o “recado papal”.
O discurso do papa Francisco nem foi tão “forte” assim! “Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício... Nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem”, afirmou. Para o jornalão da famiglia Frias, porém, “o discurso do papa foi interpretado como uma alusão à onda de protestos iniciada no país em junho”. Haja imaginação e vontade!
A postura mais cautelosa do papa nem podia ser diferente, apesar dos apelos midiáticos. Afinal, ele assumiu o Vaticano num período de grave crise da Igreja Católica, inclusive com inúmeras denúncias de corrupção. No início de julho, por exemplo, dois diretores do Banco do Vaticano, Paolo Cipriani e Massimo Tulli, pediram demissão após a prisão do monsenhor Nunzio Scarano, acusado pelo desvio de milhões de euros da instituição. O escândalo financeiro da Santa Sé continua sob a investigação da polícia italiana por lavagem de dinheiro e remessa ilegal de 20 milhões de euros (cerca de R$ 57 milhões) em dinheiro da Suíça para a Itália.
Monsenhor Nunzio Scarano já foi apelidado pela imprensa italiana de “Dom 500”, numa referência à nota de € 500 que seria a sua preferida. Antes de viajar ao Brasil, o papa Francisco anunciou a decisão de auditar as contas do Banco do Vaticano, cujo nome oficial é IOR (Instituto para Obras da Religião). Em 2012, a poderosa instituição financeira declarou possuir € 7,1 bilhões (R$ 20,18 bilhões) em ativos e ter obtido um lucro de € 86,6 milhões (R$ 246,16 milhões). Antes da prisão, Scarano chefiava o departamento conhecido pelo curioso nome de Administração do Patrimônio da Sé Católica. Antes deles, outros religiosos também foram denunciados por atos ilícitos no Vaticano. 
Como se observa, a corrupção não é uma chaga que corrói o Brasil – apesar da abordagem seletiva e manipuladora da mídia oposicionista. Ela atinge a própria Santa Sé, o que recomenda cautela ao papa nos seus sermões!
Altamiro Borges
No Justiceira de Esquerda
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Dilma foi apedrejada por conhecer história

Ela sabia que espanhois estiveram no Brasil antes de Cabral e pagou o preço disso.
Dilma sabia o que seus detratores ignoravam
Dilma sabia o que seus detratores ignoravam
Lula disse, estes dias, que Dilma apanha da mídia ainda mais que ele.
É difícil discordar, mesmo considerando que Lula apanhou e apanha muito.
Um episódio recente é ilustrativo.
Numa visita ao Ceará, Dilma disse que o Brasil se iniciara ali.
Em alguns blogues conservadores, Dilma foi ridicularizada pelo alegado erro. Burra, ignorante, dois neurônios – a lista de insultos foi enorme.
Mas o fato é que ela estava muito mais equipada e informada que seus detratores.
Historiadores admitem, hoje, que antes de Cabral navegadores espanhois estiveram no Brasil.
Um deles era Vicente Yañez Pinzón.
Reproduzimos abaixo trechos de um bom artigo sobre este assunto publicado há poucos meses pela revista História e republicado pelo Guia do Estudante, ambos da Abril.
“Em 1498, para apressar a exploração do Novo Mundo, os soberanos espanhóis decidiram permitir que empreendedores particulares montassem viagens ao outro lado do Atlântico.
Ao saber da notícia, um navegante da cidade de Palos de la Frontera animou-se em organizar sua expedição.  (…)
Juntando seus recursos e alguns empréstimos, montou uma expedição com 4 caravelas e partiu para o Novo Mundo em novembro de 1499. Seu nome era Vicente Yañez Pinzón.
Pinzon chegou ao Brasil antes de Cabral
Pinzon chegou ao Brasil antes de Cabral
A pequena esquadra de Pinzón tornou-se a primeira expedição espanhola a cruzar a linha do Equador. (…) Meio perdidos, levados pelo vento e com a ajuda de uma tempestade, eles avistaram terra e desembarcaram no Brasil em 26 de janeiro.
(…) Historiadores defendem que o tal cabo fosse a Ponta de Mucuripe, em Fortaleza. Essa é uma das poucas controvérsias que existem acerca da viagem de Pinzón, pois sua existência e seus passos são muito bem registrados.”
Por saber o que seus detratores não sabiam, Dilma foi chamada de “anta”, “presidanta”, “dois neurônios” e por aí vai por aquela classe média tão bem descrita por Marilena Chauí.
É gente que não lê livros, não se ilustra, é dominada por preconceitos e é coberta por um maciço véu de ignorância.
Com todos estes atributos, enxergam nos outros o que eles próprios são.
No DCM
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Dilma: "Eu e Lula somos indissociáveis"

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Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, a presidente Dilma Rousseff garante que o ex-presidente Lula não voltará em 2014, porque nunca saiu de seu governo; ela também bateu duro na oposição: "Cumpriremos a meta de inflação pelo décimo ano consecutivo. Sabe em quantos o Fernando Henrique não cumpriu a meta? Em três dos quatro anos dele"; sobre especulações, ela afirma que Guido Mantega não sai do governo e diz que não reduzirá o número de ministérios; até do tomate ela falou: "teve queda de 16%"; sobre a mídia, a presidente propõe a regulamentação do setor, aborda a crise dos veículos impressos diante da internet e fala até da necessidade de um "pacto com a verdade"
Numa de suas raras entrevistas, concedida à jornalista Monica Bergamo, a presidente Dilma Rousseff, falou sobre vários temas. Da sucessão presidencial, em 2014, ao lobby do tomate, passando pelos boatos sobre a redução do número de ministérios e a substituição de Guido Mantega, na Fazenda.
Os principais trechos da entrevista, que será publicada amanhã na Folha de S. Paulo, você confere agora. Leia abaixo os principais pontos abordados pela presidente:
Redução de ministérios
"Não acho que reduza custos. As medidas de redução de custeio, nós tomamos. Todas. E sabe o que acontece? Vão querer cortar os de Direitos Humanos, Igualdade Racial, Política para as Mulheres. São pastas sem a máquina de outros. Mas são fundamentais."
Guido Mantega
"O Guido está onde sempre esteve: no Ministério da Fazenda. E vocês podem me matar, mas eu não vou falar de reforma ministerial."
Inflação
"O IPCA deu 0,07% neste mês... E nós temos acompanhamento diário da inflação, tá? Hoje, deu menos de 0,02%, tá? Ela é cadente"
Emprego
"Houve uma variação. Foi de 5,9% para 6%. É a margem da margem da margem (...) Em todo o primeiro mandato do Fernando Henrique Cardoso foram gerados 824.394 empregos. Eu, em 30 meses, gerei 4,4 milhões. Você vai me desculpar."
Lobby do tomate
"Eu não sou dona de casa, não posso mais ir ao supermercado e não sei o preço do tomate. Mas sei a estatística do tomate. Teve uma queda, se não me engano, de 16%."
Críticas da mídia
"Eu propus cinco pactos. E eu tenho um sexto, sabe? Que é o pacto com a verdade. Não é admissível o que se faz hoje no Brasil (...) O país, nessa conjuntura (referindo-se à crise internacional) mantém a estabilidade. Cumpriremos a meta de inflação pelo décimo ano consecutivo. Sabe em quantos o Fernando Henrique não cumpriu a meta? Em três dos quatro anos dele [o regime foi implantado no segundo mandato de FHC]"
Política fiscal
"A relação dívida líquida sobre o PIB nunca foi tão baixa (...) Como é que eu afrouxei o fiscal?"
Crescimento baixo
"O mundo cresce pouco. Nós não somos uma ilha. Você não está com aquele vento a favor que estava, não."
Reclamações dos empresários sobre retorno das concessões
"É da vida o empresário pedir mais, o governo pedir menos. Aí ganha no meio"
Estilo "duro demais" da presidente
"Ah, querida, eu exijo bastante. O que exijo de mim, exijo de todo mundo".
Regulamentação da mídia
"O que eu e Lula jamais aceitaremos é que se mexa na liberdade de expressão. Vou te dizer o seguinte: não sou a favor da regulação do conteúdo. Sou a favor da regulação do negócio."
Sobre Franklin Martins e Paulo Bernardo
Franklin deixou um legado importante. E vai ter mais discussão. A regulação em algum momento terá de ser feita. Mas ela não é igual ao que se pensou há três anos (...) Hoje, o que está em questão não é mais empresa jornalística versus telecomunicações, TV versus jornais. Hoje tem a internet. Tem um problema sério, nos EUA, no Brasil, para jornais escritos, revistas. Vai haver problema de concorrência da internet."
Sobre o Volta, Lula
"Eu e Lula somos indissocioáveis. Lula não vai voltar porque não saiu."
Sobre os adversários em 2014
"Não fica triste, mas sobre isso eu não ia responder não."
No 247
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