27 de jul de 2013

A Guerra de Hitler?

O filme que exibimos abaixo, “A guerra de Hitler? O que Guido Knopp está omitindo” é uma tentativa de estabelecer um relato imparcial dos acontecimentos anteriores ao início do conflito, livre das lentes de contacto do politicamente correto.
O Revisionismo procura corrigir um relato histórico distorcido e politicamente direccionado
Guido Knopp é um historiador e jornalista proveniente do espectro da esquerda. Ele ganhou fama com suas reportagens e opiniões nada imparciais sobre a pessoa de Adolf Hitler e, pelos seus documentários distorcidos da história, ganhou diversos prémios como por exemplo, a Bundesverdienstkreuz e a condecoração do Centro Simon Wiesenthal. (judeu)
Desde 1984, Guido Knopp é responsável direto na emissora pública alemã ZDF pela maioria das séries sobre o Nacional-Socialismo como, por exemplo, “Hitler, um balanço”, “Os ajudantes de Hitler”, “Os guerreiros de Hitler”, e contribui para consolidar junto à nova geração alemã a culpabilidade da Alemanha pela deflagração da Segunda Guerra Mundial. Apesar de ser bastante criticado por não apresentar suas fontes ou provas daquilo que exibe, ele ainda continua recebendo vários elogios de uma classe política alemã que governa um país ainda sem constituição ou tratado de paz.
O filme que exibimos abaixo, “A guerra de Hitler? O que Guido Knopp está omitindo” é uma tentativa de estabelecer um relato imparcial dos acontecimentos anteriores ao início do conflito, livre das lentes de contacto do politicamente correcto. E cada vez mais surgem acções judiciais contra o “historiador”, numa clara indicação de despertar político da população alemã.

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Inaugurado em Balneário Camboriú o maior prédio residencial do Brasil

É alto. De causar frio na barriga e gelar as mãos. Chegar ao topo do maior prédio residencial do país, em Balneário Camboriú, pode ser um exercício de enfrentamento para quem tem medo de altura. Mas não há como negar que a visão é privilegiada a 160 metros do chão.
O gigante Villa Serena, que foi inaugurado neste sábado, na Barra Sul, coroa a tendência da cidade em receber arranha-céus cada vez maiores - e a necessidade do poder público em se adaptar a isso.
A lista dos mais altos prédios brasileiros, feita pelo Skyscrapper Center, que reúne dados de arranha-céus pelo mundo, tem dois edifícios paulistanos à frente do Villa Serena - o Palácio Zarzur, com 170 metros de altura, e o Edifício Itália, com 165. A diferença é que ambos são prédios de escritórios, o que faz com que o edifício catarinense tenha os mais altos apartamentos do país.
A soberania, porém, já nasce ameaçada pelos vizinhos. A mesma lista do Skyscrapper Center aponta dois prédios em fase de construção, em Balneário Camboriú, como os futuros mais altos da América do Sul: Sky Tower e Infinity Coast, com 210 e 240 metros, respectivamente. Ambos da construtora FG, de Francisco Graciola e do filho Jean, uma das empresas que dividem com a Embraed o mercado dos imóveis de luxo na cidade.
- Não estávamos pensando em rankings quando projetamos o Villa Serena. Mas a concorrência é saudável, sem ela a vida seria uma monotonia - diz Rogério Rosa, dono da Embraed.
O diferencial do Villa Serena é oferecer um home club completo para os moradores. A intenção, admite o construtor, foi fazer com que os compradores se sentissem em um hotel de luxo. São 10 mil metros quadrados de área de lazer, com espaços que vão de salão de beleza a salão de festas para 150 pessoas - e por um valor mensal de condomínio que não chega a R$ 500.
Embora tenha moradores fixos, o foco principal do prédio são os turistas. Mesmo antes da entrega oficial, cerca de metade dos 164 apartamentos já foi vendida. Paranaenses e matogrossenses são os maiores compradores, gente disposta a desembolsar em média R$ 2 milhões pelo imóvel. Um bom negócio, na opinião de Rogério Rosa:
- O mercado hoje, para o comprador, está muito favorável. Os preços estão atraentes, e quem investe terá bons resultados a curto prazo. Em três anos, é possível ter 100% de lucro - avalia o construtor.
Novas regras
Em três décadas, Balneário teve a orla tomada por paredões de concreto. Mas foi nos últimos anos que a corrida por fazer mais e melhor se intensificou. Construtoras de imóveis de luxo, como a Embraed, ganharam força e se especializaram para atender a um público que, até então, não investia na cidade.
Secretário de Planejamento do município, Auri Pavoni diz que a maioria dos imóveis lançados em Balneário, hoje, é de alto padrão. Regras do plano diretor, que estabeleceram metragem mínima para os apartamentos, dependendo da localização, ajudam a manter a qualidade dos imóveis. A lei será rediscutida este ano, mas a intenção é manter as restrições.
- Para o poder público, quanto mais metros quadrados tiverem os imóveis, melhor. Pessoas que chegam a esses imóveis não dependem tanto do poder público para questões como saúde e educação, que custam caro - diz Pavoni.
Para reduzir o impacto das grandes construções à cidade, o Conselho da Cidade aprovou exigência de captação de água da chuva e sistema próprio para tratamento de esgoto. O primeiro prédio que adotará o novo padrão obrigatório foi lançado este mês, pela construtora Thá.
O gigante em números
- 160 metros de altura
- 20 mil toneladas de concreto
- 46 pavimentos
- 60 mil metros quadrados
- 164 apartamentos
- 450 trabalhadores atuaram na obra
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Brasil deve resistir aos protestos contra a Olimpíada do Rio, diz prefeito de Londres

Boris Johnson, prefeito de Londres, anda em frente de policial
O prefeito Boris Johnson
Um ano após comandar a Olimpíada de Londres, o prefeito Boris Johnson afirmou que o Brasil não deve se curvar ao pessimismo em relação à Rio 2016.
Ele disse que as autoridades devem "resistir" aos protestos contra os gastos de grandes eventos esportivos. Para Johnson, o desempenho da capital britânica mostrou que quem se opunha aos Jogos estava errado.
Conhecido pelo estilo debochado e com a popularidade turbinada pelos Jogos, ele se tornou o político mais popular do Reino Unido e é cotado para suceder o primeiro-ministro David Cameron.
Um dos principais motivos da onda de protestos no Brasil é o gasto elevado com a organização da Copa e da Olimpíada. O sr. comandou Jogos que custaram £ 9 bilhões (cerca de R$ 31 bilhões). O que pensa disso?
Boris Johnson - Não cabe a mim fazer comentários sobre a política brasileira. Mas, pela minha experiência, posso dizer algo que pode ser útil a quem está organizando os Jogos. Não podem se curvar aos céticos, aos pessimistas.
Não se rendam a quem demonstra atitude hostil contra os Jogos. Estávamos cheios deles em Londres, e provou-se que eles estavam errados. Tenho certeza de que o Brasil vai provar o mesmo.
Números que o sr. apresenta ao falar do legado positivo têm sido questionados...
Não por mim.
...por críticos. Um exemplo é o Westfield Stratford [megashopping vizinho ao Parque Olímpico]. Dizem que ele seria construído de qualquer jeito.
Isso é besteira! Não é verdade! Aquele shopping não teria acontecido [sem a Olimpíada]. Quando uma cidade faz um grande sucesso, produz uma atmosfera de confiança. Muitos investimentos estavam parados há décadas.
O dinheiro está entrando em Londres de uma forma que a gente não via há muito tempo. Não posso provar cada decisão de investimento se deve aos Jogos. Mas posso dizer que parte se deve a eles.
Há um clima geral de confiança. Você não pode negar a recuperação econômica fenomenal do leste de Londres. Isso atrai os investimentos.
O sr. foi acusado de usar os Jogos para se promover. Muitos temem que os políticos brasileiros façam o mesmo.
Nunca sonharia em tirar vantagem das grandes glórias nacionais no esporte [risos]. Não sonharia em fazer isso neste ano. Fiz em 2012.
O que o Rio pode aprender com Londres?
Não quero dar lições. Mas tem que envolver muito o setor privado, trazê-lo para o lado do setor público. Tem que ter muito tempo para planejar e zelar para que cada instalação tenha uso após os Jogos. Estou certo de que já estão fazendo tudo isso.
No fAlha
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O que os coxinhas de jaleco precisam responder

Entidades médicas falam fino com pastores que fazem 'curas' na TV e falam grosso no atendimento à população
Médico ameça pelo twitter
Médico ameça pelo twitter
 Os representantes de entidades e de conselhos regionais e federal de medicina, em grande parte, estão em pé de guerra com o governo federal por questões mesquinhas e ideológicas do tempo da guerra fria.
Os médicos que se colocam contra a medida governamental de importar profissionais de saúde para áreas distantes e carentes refletem o pior do ser humano, do corporativismo e do capitalismo juntos.
Muitos dos médicos que reclamam das medidas governamentais não vão ser minimamente afetados. São em sua maioria médicos já estabelecidos em grandes centros urbanos e com rendimentos mensais superiores até ao de empresas de porte médio.
Não vão sair dos grandes centros, nada vai mudar na vida deles com o programa Mais Médicos, mas mesmo assim incitam o caos travestidos de um falso ar de defesa da saúde pública.
É certo que há muitos bons médicos que tentam mostrar o desatino dessa atitude corporativista e outros se calam para não se indispor com os colegas.
O certo é que esses conselhos de medicina nunca tiveram gestos de defesa da saúde pública a não ser disfarçados em interesses corporativos como agora. São uma galinha com os pastores que promovem curas milagrosas na TV e um leão com o atendimento à população de regiões distantes dos grandes centros.
Afinal, nessas últimas décadas, o que os conselhos de medicina fizeram para o Brasil?
O que fizeram até hoje contra os pastores que ficam na televisão promovendo as curas milagrosas?
Que punição os conselhos de medicina deram aos médicos que usavam dedos de silicone para burlar o sistema de saúde público?
O que os conselhos de medicina fizeram com os médicos que furtaram equipamentos contra o câncer em Mato Grosso e transferiram para suas clínicas particulares?
E o que fizeram com os médicos que ganhavam sem dar plantão em São Paulo?
Esse são apenas alguns casos recentes. Será que precisa ter reportagem do Fantástico? Quantas vezes os conselhos de medicina pediram investigação sobre o mau atendimento público?
Veja vídeo abaixo:
No Educação Política
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STF rejeita Mandado de Segurança contra Mais Médicos

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O ministro Ricardo Lewandowski, presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal, rejeitou liminarmente Mandado de Segurança impetrado pela Associação Médica Brasileira (AMB) contra o programa Mais Médicos, criado pelo governo federal para levar profissionais brasileiros ou estrangeiros às cidades com alta demanda de profissionais.
Ainda sem analisar o mérito, o ministro apontou que a AMB parece pedir a declaração de inconstitucionalidade da Medida Provisória 621, que criou o Mais Médicos. Entretanto, ele argumentou que o Mandado de Segurança não é o recurso adequada para isso.
Além disso, ele aponta que o STF não costuma analisar o mérito das políticas públicas, principalmente no que diz respeito aos critérios de oportunidade e conveniência. Em sua decisão, ele diz que o Mais Médicos “configura uma política pública da maior importância social”, principalmente por conta da carência de profissionais.
Para Lewandowski está configurado o princípio de periculum in mora inverso ao pedido. Ou seja, o perigo na demora do fato existe, mas é favorável à população. O ministro indica que o Supremo só analisa os requisitos de relevância e urgência em casos de flagrante abuso de poder ou desvio de finalidade, o que não ficou configurado no caso.
Lewandowski determinou que a AMB adote as providências cabíveis para a promoção da citação dos litisconsortes passivos em até 30 dias, sob risco de extinção do processo.
O ministro ainda registra que os profissionais brasileiros terão prioridade no preenchimento das vagas, podendo inclusive escolher as cidades em que preferem exercer a profissão. Além disso, cita ele, o Brasil teve déficit de 54 mil graduados em Medicina entre 2003 e 2011, consequência da abertura de 147 mil postos de trabalho e da formação de 93 mil estudantes.
Ele destaca o baixo número de médicos no país (1,8 para cada mil habitantes), distante do registrado na Argentina, Uruguai, Austrália e países da Europa. O percentual de profissionais formados no exterior (17,6%) também fica longe da Inglaterra, país em que 40% dos médicos terminaram a faculdade em outro país.
A AMB alega que ao não exigir a revalidação do diploma obtido no exterior, o Mais Médicos desrespeita o direito ao livre exercício profissional mediante as qualificações necessárias, como consta do artigo 5º, inciso XIII da Constituição.
O Mandado de Segurança também questiona o artigo 37, inciso II da Constituição, uma vez que o programa permitiria a médicos estrangeiros trabalhar no Brasil sem o devido concurso de títulos ou títulos e prova. Além disso, a categoria aponta que não estão definidos os pressupostos de relevância e urgência, requisitos necessários para a edição de Medida Provisória.
Clique aqui para ler a decisão.
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SUS: A Formação Médica no Brasil a partir da MP 621/2013

 
Trabalho Forçado?
Muito se tem ouvido acerca da inclusão no curso de medicina de um período de treinamento na atenção básica à saúde, urgência e emergência no âmbito do SUS (art. 4º, II, da MP 621/2013), para aqueles que ingressarem nos cursos de medicina a partir de 1º de janeiro de 2015 (art. 4º, caput, da MP 612/2013).
O primeiro grito que se ouviu é de que seria inconstitucional a inclusão de tal segundo ciclo na grade curricular do curso de medicina, porque seria um trabalho forçado.
Com todo o respeito às opiniões dissonantes, mas esse argumento é dos mais pobres. A leitura ao art. 5º, inciso XIII, da Constituição Federal (É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer) já desmistifica essa ideia.
De acordo com a MP 621/2013, só atingirá a condição de médico aquele que passar por esse segundo ciclo. Pode-se até discordar política ou filosoficamente com a inclusão desse segundo ciclo de treinamento no SUS, mas o fato é que não serão médicos que estarão lá. Serão estudantes de medicina que devem alcançar o grau de qualificação necessário nesse período de treinamento para que possam se tornar médicos.
Ademais, a regra é para aqueles que ingressarem na medicina a partir de janeiro de 2015. Trata-se de grade curricular nova que será colocada à disposição do candidato. Ele pode ou não escolher a profissão de médico, levando em consideração o tempo e o conteúdo do curso. A escolha da carreira médica não é compulsória e nenhum serviço forçado será imposto ao acadêmico. Mas ele deverá, nos termos da Constituição Federal, atingir à qualificação profissional que a lei estabelecer para se tornar médico. E a lei vigente, hoje, determina que ele realize o segundo ciclo junto ao SUS.
Piso Vital Mínimo – Discriminação Positiva
O sistema constitucional brasileiro é antropocêntrico. A pessoa humana é o foco inicial do nascimento e desenvolvimento de direitos e obrigações no âmbito da interpretação e declaração de incidência das normas positivadas no sistema pátrio. O sistema educacional e a saúde tem como meta constitucional atender ao ser humano.
Ao ter como objetivo do Estado a garantia do desenvolvimento nacional e a construção de uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º, CF), com respeito à dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, CF) a Constituição Federal revela o seu caráter antropocêntrico. O desenvolvimento nacional, em uma interpretação sistemática da Carta Maior, só pode ser atingido com a elevação do nível de vida dos cidadãos (prova disso é o art. 3.º, III), por meio da promoção do bem de todos ( art. 3.º, IV).
A aplicação do direito deve andar a par dos objetivos da República, até porque qualquer outra interpretação conduz à inconstitucionalidade do ato de concreção das normas aos fatos. O processo de interpretação deve ser, sem exceção, de cima para baixo, isto é, da Constituição Federal em direção à legislação ordinária, jamais o inverso.
A Constituição Federal, no art. 6º, estabelece um piso vital mínimo, qual seja: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”.
Educação e saúde estão inseridas em primeiro lugar no dispositivo. E isso não ocorre à toa. Trata-se de uma opção de hierarquia criada pelo constituinte. Não se constrói uma sociedade livre, justa e solidária, com foco na dignidade da pessoa humana, sem se atender, em primeiro lugar, a tais direitos fundamentais.
A Constituição Federal, no que concerne à saúde não é só antropocêntrica. Ela é DISCRIMINATÓRIA. Ela escolhe um lado. Ela se propõe a CUIDAR, DEFENDER, PROTEGER E INTERVIR em se tratando de questão que envolva a saúde.
É o que ocorre nos artigos:
- 23, II (É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência);
- 24, XII (Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: XII - previdência social, proteção e defesa da saúde);
- 34, III (A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde).
Pasmem os liberais de plantão (há duzentos anos), mas a Carta Constitucional do país é discriminatória. Ela confere privilégios a grupos especiais de pessoas (consumidor, art. 170, V, por exemplo) ou direitos (saúde) na medida em que busca a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Este fenômeno é denominado por Jorge Miranda de discriminação positiva, em que se estabelece uma vantagem fundada a alguém. Tratam-se de “desigualdades de direito em consequência de desigualdades de facto e tendentes à superação destas”
A Saúde na Constituição Federal
A partir do art. 196 há a seção destinada à saúde na Constituição Federal. E o primeiro dispositivo que lá se encontra é o seguinte: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.
A discriminação positiva lá está, de novo, no caput do artigo. O Estado deve promover medidas para melhorar a situação do país. É uma diretiva constitucional. É também o reconhecimento que o país tem muito a caminhar em se tratando de saúde. O texto constitucional reconhece que as coisas não estão – mas estavam piores em 1988 – boas e que merecem melhorias, tudo para adimplir à obrigação de construir uma sociedade livre, justa e solidária, focada na dignidade da pessoa humana.
O texto é bonito. Até mesmo poético. Mas tem o seu lado trágico. Trata-se da Lei Maior de um país dizendo que o Estado em que ela vige está bem longe de oferecer ao seu povo condições ideais de vida.
Mas há que se melhorar. A MP aqui em discussão não resolverá o problema da saúde. Mas é certo que ela encaminhará acadêmicos de medicina para atender quem mais precisa de saúde. E isso é um passo relevante. Isso é adimplir, ainda que em parte, o sistema DISCRIMINATÓRIO do direito à saúde no Brasil.
Os estudantes poderão até não gostar. Achar que já estavam prontos dois anos antes. Mas quem escolhe o conteúdo do curso não são eles. O Estado optou pelos pacientes do SUS, pelo direito à saúde.
Vale lembrar que o treinamento do SUS também está previsto na Constituição Federal, no art. 200, III e V (Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde; V - incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e tecnológico).
A Educação Universitária
A Constituição Federal, no art. 207, determina: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.
O ensino, a pesquisa e a extensão são indissociáveis. Logo, o segundo ciclo previsto pela MP 621/2013 não contém nada de tão novo, estranho ou inconstitucional. Ao contrário, ele está contido em princípio constitucional, eis que é em parte ensino, pesquisa e extensão, desde 1988.
O plano nacional de educação, previsto no art. 214, deve conduzir à formação para o trabalho (inciso IV) e à promoção humanística do País.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9394/1996), no capítulo destinado à educação superior, determina: “Art. 43. A educação superior tem por finalidade: I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua; III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive; IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração; VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição”.
Isto é, a educação superior, dentre outros objetivos, deve estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente e prestar serviços especializados à comunidade. O segundo ciclo do curso de medicina, no SUS, atende exatamente ao objetivo da Constituição Federal e está de pleno acordo com as diretrizes e bases da educação nacional.
Educar, participar e estabelecer com a sociedade uma relação de reciprocidade
O segundo ciclo da MP 621/2013 não poderia estar mais confortável no sistema jurídico nacional. Ele se adapta à Constituição Federal e tem perfeita afinidade com o art. 43, da LDB. O acadêmico terá contato direto com os problemas e dificuldades do exercício da medicina e estabelecerá com a sociedade a necessária relação de reciprocidade.
Do ponto de vista constitucional, político e social parece-nos inquestionável o valor positivo da medida provisória.
A nós parece que a MP 621/2013 abre um debate bastante interessante sobre a grade curricular dos cursos superiores.
Talvez seja o momento de se examinar não só a importância do atendimento à saúde da população como um conteúdo do curso universitário.
A relação de reciprocidade que o estudante universitário tem de estabelecer com a sociedade deve ocorrer em todas as áreas do conhecimento. Os acadêmicos de direito, engenharia, odontologia, para ficar em exemplos onde a reciprocidade social fica evidente, também poderiam ter as grades curriculares modificadas.
A educação não vem em primeiro lugar de forma aleatória no art. 6º, da Constituição Federal. Ela é o motor de uma sociedade. E o acadêmico que tem o mérito pessoal e o privilégio de usufruir da educação superior há que saber que ela deve ser útil não só a quem a recebe, mas à sociedade.
Márcio Mello Casado, advogado, é mestre e doutor pela PUC/SP.
No CartaMaior
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Programa Mais Médicos, o Bolsa Família da saúde?

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O sucesso delineado na ampla adesão dos municípios ao Programa Mais Médicos deve ser analisado exaustivamente. Talvez represente mais que um alívio pontual no cerco conservador anabolizado pelas manifestações de junho, cujo impacto nos índices de aprovação ao governo tem sido reiterado, em meticuloso rodízio, pelos institutos de pesquisa.
A análise do programa lançado pelo Ministério da Saúde, há cerca de um mês, poderá inspirar uma bem-vinda reconciliação com a dimensão política da luta pelo desenvolvimento, esgarçada nos últimos anos por um certo viés economicista.
Desde 2010, sabia-se que a substituição do ativismo visceral de Lula pela racionalidade administrativa de Dilma implicaria mudanças de ênfase. Que pareciam adequadas, diga-se. O Brasil necessitava consolidar as múltiplas frentes abertas desde 2003, ademais de retificar flancos estruturais que emergiram no processo.
Para listar apenas os da agenda econômica: a valorização cambial desindustrializante, o obsceno custo financeiro, a carência de detalhamento para grandes projetos de infraestrutura etc. A combinação entre a ênfase administrativa do novo governo e a retaguarda política do antecessor parecia perfeita.
Dilma era a chefe de governo. Lula, o chefe político.
A doença do ex-presidente acendeu o farol amarelo. As manifestações de junho piscaram o vermelho. O blend teórico entre o político e o administrativo mostrou sua vulnerabilidade quando submetido à pressão contundente das ruas. A interação entre os canais emperrou na ausência de mecanismos de resposta rápida.
Não só.
A inexistência de quadros intermediários capazes de reunir uma versatilidade dissociada na cúpula fez o resto. Em lugar de criatividade e prontidão, emergiu a face apática de uma equipe pautada pelo engessamento administrativo e o timing burocrático. Um arquipélago desprovido do oceano político capaz de uni-lo.
Não se trata de desdenhar o que é fundamental. O planejamento público de longo prazo, de que sempre se ressentiu a economia brasileira. O governo Dilma veio preencher essa lacuna histórica. O que tem feito com sucesso, em parte.
A emergência política instaurada a partir de junho evidenciaria, no entanto, a insuficiência da especialização quando o relógio político é ajustado pelas ruas.
Uma rotina engessada no labirinto de licitações e licenciamentos, subordinada ao desafio da engenharia financeira, refém de uma enervante sucessão de postergações de prazos e obras, mostrou que um governo não pode se reduzir a um escritório de acompanhamento de projetos.
Não qualquer governo em qualquer época: mas o do Brasil, sob cerco conservador e em meio às turbulências de uma transição de ciclo econômico internacional. Intuitivamente, o Mais Médicos ataca esses flancos.
Seu desenho resgata um modelo de ação engajada cuja cepa remete às premissas da política de segurança alimentar, combate à fome e à miséria, lançada em 2003, com o nome fantasia de Fome Zero. Atacar o emergencial e o estrutural, ao mesmo tempo e com igual intensidade, era o cerne da estratégia contra o intolerável. Fixar prazos críveis e benefícios visíveis no horizonte imediato da sociedade, um ingrediente mobilizador.
Outro: estabelecer metas de apelo popular que colocavam sob pressão instâncias políticas e administrativas, de cuja adesão dependia o sucesso da política. No caso da política de combate fome e à miséria, o carro-chefe foi o benefício do cartão-alimentação (hoje Bolsa Família).
A dimensão estrutural incluía a ampliação do crédito à agricultura familiar, as aquisições diretas do pequeno produtor, o ganho real do salário mínimo, a urbanização das favelas,o Fundeb etc. Mas, sobretudo, o pano de fundo político merece ser resgatado.
Ele envolve uma determinação férrea de libertar a ação pública da morosidade incremental, incompatível com os ponteiros da urgência brasileira. Transferir recursos aos pobres, diretamente, no Brasil de 2003, em meio ao terceiro turno declarado pelo cerco conservador, significava para o governo abrir um atalho de respaldo político indispensável.
Geografia_FomePara o conservadorismo era o anátema. E assim foi tratado. A palavra fome nunca teve trânsito livre num vocabulário político dominado pela conveniência do dinheiro grosso.
Em 1946, quando lançou seu Geografia da fome, o médico, comunista e diplomata, Josué de Castro, foi pressionado a trocar o título do livro por algo mais palatável às vergonhas seculares de nossas elites.
Não o fez. A obra tornar-se-ia um clássico de decifração das estruturas reprodutoras da exclusão condensadas na palavra incômoda.
Quando lançou o Fome Zero, o governo Lula sofreria idêntico constrangimento. A mídia derrotada nas urnas ergueu um cinturão de asfixia em torno do programa, contando com o obsequioso auxílio de parte da academia.
Os argumentos utilizados, então, lembram muito a fuzilaria atual contra o Mais Médicos.
Ineficaz, inconstitucional e eleitoreiro foram alguns mísseis disparados na primeira hora. Esgotada a munição para o abate em pleno voo, recorreu-se ao clássico artifício da sensatez protelatória: “São problemas estruturais, é preciso uma discussão mais profunda.”
A exemplo da fome, quão mais profunda terá de ser a discussão sobre uma notória, documentada e intolerável ausência de atendimento médico nas áreas mais pobres do País? O governo dispõe de números convincentes. E tem alternativas ao boicote esperado. À falta de candidatos para ocupar vazios no interior do País, profissionais serão requisitados no estrangeiro.
Ao carimbo de remendo, a dimensão emergencial do programa responde com iniciativas estruturais: R$15 bilhões de investimentos em obras e equipamentos de saúde; reforma no currículo da medicina, vinculando-o à prestação de serviços ao SUS.
Prazos curtos de implantação atropelam o cerco conservador criando um calendário sensível, capaz de disputar a atenção de uma opinião pública exaurida pelo bombardeio midiático. O Ministério da Saúde deu prazo até a quinta-feira, dia 25, para os prefeitos interessados manifestarem a adesão ao programa. Utilizou rádios no interior para chegar à população e furar a sabotagem dos grandes veículos de comunicação.
Como um prefeito tucano explicaria, à fila no posto de saúde, sua recusa em inscrever a cidade no programa que promete elevar o padrão de atendimento local?
O insustentável se refletiu no perfil suprapartidário das adesões: mais de 40% dos prefeitos do PSDB se juntaram a um programa desdenhado por Aécio e assemelhados. Mas que teve a receptividade inicial de 46% dos municípios brasileiros.
Na sexta-feira, dia 26, o governo divulgará o total de vagas para médicos, conforme as solicitações das prefeituras. A partir da segunda-feira, dia 29, profissionais brasileiros que aderiram ao programa serão chamados a escolher os municípios onde querem atuar. Terão até 3 de agosto para fazê-lo. Quarenta e oito horas depois, as escolhas serão validadas no Diário Oficial da União.
Vagas não preenchidas serão divulgadas no dia 6 de agosto: profissionais estrangeiros serão convidados a preenchê-las até 8 de agosto. Ou seja, apenas 30 dias depois de anunciado, o programa emitirá sinais concretos de mudança na vida de cidades e cidadãos, até então condenados a uma combinação perversa de precariedade e incerteza no acesso a um serviço vital.
A vitória no emergencial amplia o chão firme do governo para ousar em ações de caráter estrutural, a exemplo do financiamento fiscal do setor, bem como da reforma no ensino da medicina. O Mais Médicos tem fôlego para se transformar no Bolsa Família da saúde pública brasileira.
O governo não pode desperdiçar o potencial dessa experiência. Nem as lições que ela encerra para iniciativas em áreas às voltas com desafios de gravidade e apelo similares.
A presidenta Dilma teria muito a ganhar com isso. O País mais ainda.
Saul Leblon
No Limpinho & Cheiroso
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Gurgel e o caso do presidente do STJ que demitiu um estagiário

O procurador-geral da República escreveu uma das páginas mais vergonhosas do judiciário brasileiro.
Segundo Gurgel, o juiz tirou o crachá do estagiário educadamente
Uma das páginas mais vergonhosas da história jurídica brasileira foi escrita ontem pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Gurgel pediu ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento do processo movido em Brasília em outubro de 2010 por Marco Paulo dos Santos contra o juiz Ari Pargendler, então presidente do STJ.
Marco era estagiário do STJ. No dia 19 de outubro de 2010, ele esperava para sacar dinheiro num dos caixas eletrônicos localizados no STJ.
Pargendler fazia uma operação no mesmo local. O estagiário contou que estava atrás da faixa pintada no chão, que estabelecia a distância entre um usuário e outro.
O relato foi confirmado por duas testemunhas.
Segundo Marco, que é evangélico, Pargendler lhe disse:  ”Quer sair daqui que eu estou fazendo uma transação pessoal?” Marco afirma ter respondido: “Senhor, eu estou atrás da faixa de espera”.
Sempre segundo Marco, o ministro disse para ele se dirigir a outro caixa. Mas somente naquele caixa ele podia fazer a operação desejada.
Aí veio a pior parte.
“Eu sou Ari Pargendler, presidente do STJ, e você está demitido”, disse o magistrado. O estagiário contou que Pargendler perguntou o nome dele e arrancou o crachá que estava em seu pescoço.
Essa história ficou associada inapelavelmente à biografia de Pargendler. Você põe seu nome no Google e lá vem o caso.
Mas, juridicamente, não deu em nada. Evangélico, Marco comentou a interminável demora com que o processo se moveu da seguinte forma: “Isso está nas mãos de Deus.”
Houve racismo? Você deduz. Marco é negro.
Pargendler e seu infame caso
Pargendler e seu infame caso
Logo depois o caso foi encaminhado à Procuradoria Geral, e entraria em cena Gurgel.
De acordo com seu parecer, Pargendler puxou o crachá apenas para ver o nome do estagiário.
“Pelo que se extrai das declarações do noticiante (o estagiário), a conduta do magistrado de puxar o crachá em seu pescoço não teve por objetivo feri-lo ou humilhá-lo, mas apenas o de conhecer a sua identificação”, afirmou Gurgel num parecer encaminhado ao Supremo nesta quinta-feira.
Para Gurgel, Pargendler não ofendeu o estagiário. “No caso, do próprio relato feito pelo noticiante não se extrai da conduta do magistrado a intenção de ofendê-lo de qualquer modo, tendo agido movido pelo sentimento de que o noticiante encontrava-se excessivamente próximo, não mantendo a distância necessária à preservação do sigilo da operação bancária que realizava”, escreveu Gurgel. Para ele, o fato de Pargendler ter demitido o estagiário em razão do episódio “não alcança relevância penal”.
O processo estava com Gurgel desde dezembro de 2010 sem que ele fizesse nada. Havia câmeras de segurança próximas ao caixa, que poderiam ajudar a esclarecer o incidente, mas as imagens não foram requisitadas.
Parjendler não desrespeitou apenas o estagiário. Insultou o Código de Ética dos Magistrados.
Veja o que dizem os artigos 15 e 16 do código: “A integridade de conduta do magistrado fora do âmbito estrito da atividade jurisdicional contribui para uma fundada confiança dos cidadãos na judicatura.”
“O magistrado deve comportar-se na vida privada de modo a dignificar a função, cônscio de que o exercício da atividade jurisdicional impõe restrições e exigências pessoais distintas das acometidas aos cidadãos em geral.”
Dignificar a função.
Bem, pausa para riso.
O processo ainda será examinado pelo STF, mas o arquivamento é dado como certo.
Pargendler se aposentou em agosto de 2012.
Ao presidir pela última vez uma sessão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, ele foi homenageado.
O decano da corte, ministro Cesar Asfor Rocha, falou em nome dos demais ministros.
“Vossa excelência, ao seu modo e do seu jeito, com os recursos da sua inventividade e do seu talento, criou e manteve entre nós o clima que nos propiciou o desenvolvimento equilibrado dos trabalhos da Corte”, disse ele.
O advogado Gerardo Grossi também cumprimentou, da tribuna, o ministro. “Vossa Excelência deixará sua marca perene neste tribunal. Um magistrado sempre cordial, alerta e cioso”, disse.
Este é o nosso Judiciário.
No DCM
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A visita do reformador

João Paulo II também veio ao Brasil, mas papa Francisco toma rumo oposto àquele de Wojtyla 
papa Francisco
Como São Francisco, Bergoglio mira no futuro
AFP
Há quem diga, com alguma ironia, que o argentino é um italiano que fala espanhol e pensa ser inglês. Deve-se a definição ao fato de que são muitos os argentinos de origem peninsular. O papa Bergoglio é filho de italianos, mas certamente não se imagina inglês.
Quando Francisco foi eleito, não fui solitário ao supor que a escolha de um pontífice sul-americano pudesse indicar a especial preocupação do Vaticano em relação a um subcontinente progressivamente governado por forças esquerdistas, ou tidas como tais. Bergoglio está a revelar outra especial preocupação, especialíssima, a da Igreja Católica em relação a si mesma.
Trata-se, transparentemente, de retomar um caminho abandonado em função de uma ação muito mais política, e de política contingente, do que pastoral. Entendam bem, por favor: sempre me revoltaram certos editoriais dos nossos jornalões que, em tempos ditatoriais, pretendiam calar resistentes do porte de Paulo Evaristo Arns, e de muitos altos prelados brasileiros, inconformados com os desmandos do regime. Da mesma forma, sempre deplorei a igreja que prega a resignação de quem transita pelo vale de lágrimas.
São óbvias, de todo modo, as demandas políticas da chamada opção preferencial pelos pobres, obstadas agressivamente pela casa-grande. E logo me ocorre recordar a visita de João Paulo II ao Brasil de 1979. Wojtyla só pensou e fez política, com a dimensão de pontífice medieval, imponente na determinação autoritária e, fosse o caso, na hipocrisia. Na traição à palavra de Cristo, em proveito de um desenho hegemônico que passava pela derrota final do socialismo real. Feroz, inclusive, no propósito bem-sucedido de acabar de vez com a resistência de batina à ditadura brasileira.
Há quem vislumbre alguma semelhança entre Francisco e João XXIII. Não tenho sabedoria para dissertar no tema. É certo, porém, que os editoriais dos jornalões, não somente os nativos, viam em Roncalli, o campônio de Bergamo, um pontífice perigosamente inclinado à esquerda. Há uma curiosa diferença entre João XXIII e João Paulo II, diz respeito a padre Pio di Pietrelcina, venerado como taumaturgo. Wojtyla canonizou Pio em 1999 e o santificou em 2002, enquanto Roncalli, quatro décadas antes, desconfiava do futuro santo, a ponto de determinar uma investigação sobre seus pretensos milagres. Apurou-se que Pio era um embusteiro, capaz de abusar das paroquianas e de provocar em si próprio falsas estigmatas, mãos e pés perfurados pelos cravos da cruz de Cristo, pelo uso de ácidos adquiridos na farmácia.
Têmperas e propósitos opostos. Talvez João Paulo I representasse um risco notável para a igreja pretendida pela Cúria Romana ao ser eleito. Morreu um mês depois, em meio ao sono, de forma misteriosa e, em todo caso, muito mal explicada. Sabe-se que ao deitar tomara uma chávena de chá depois de ler apontamentos sobre as atividades de monsenhor Marcinkus, “banqueiro de Deus” na qualidade de boss do IOR, o Instituto para as Obras da Religião, aprazível recanto financeiro instalado em pleno Vaticano, disposto a dar guarida a dinheiro mafioso. Lavanderia sacra que Bergoglio não aceita e não quer.
Marcinkus, americano de vigoroso aspecto, jogador de tênis e amigo de senhoras esguias, veio ao Brasil em 1979 à testa da comitiva papal e teve papel destacado ao longo da visita. Muitos anos depois, aos 84, morreu como bispo de uma diocese insignificante no interior dos EUA. João Paulo II abandonou-o ao seu destino. Creio que Marcinkus não apreciaria as palavras de Francisco, pronunciadas na quarta-feira passada 24 em Aparecida: “É verdade que hoje mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer”. Francisco traça o perfil de uma humanidade desesperançada. Recomenda, no entanto, o retorno a valores esquecidos, tais como solidariedade, fraternidade, generosidade, sem descurar da alegria.
A presidenta Dilma cuidou de expor, no discurso de acolhida, a sua interpretação das recentes manifestações de rua, que no Rio, aliás, ainda se repetem. É possível que temesse um discurso político do papa, para condenar a desigualdade social. Mas, até quinta 25, Francisco roçou indiretamente a política, nada além disso, e a partir de um enfoque universal, a esclarecer o exemplo buscado do santo poverello d’Assisi, pobrezinho de Assis.
Há situações medievais neste enredo, mas se João Paulo II reeditou o passado, Francisco, o santo, foi de alguma maneira o futuro, como, a seu modo, precursor de Wyclif, de Huss, de Lutero. Desta visita papal emergem duas certezas, sem detrimento de melhores considerações. Primeiro, Bergoglio toma rumo contrário àquele de Wojtyla. Mostra com toda a nitidez estar interessado na restauração da fé em lugar de uma vitória política do momento, no caso a do capitalismo, entendido como o Bem contra o Mal vermelho. Sem esquecer que o empenho a favor dos pobres é a própria busca da igualdade.
A segunda certeza é mais comezinha, de certa forma mais banal: o Brasil, na perspectiva da Copa do Mundo, prova não estar maduro, nos dias de hoje, para ser cenário de eventos grandiosos. Por exemplo, vimos Francisco vítima de congestionamentos de trânsito e desarranjos do metrô que imaginávamos reservados exclusivamente a mortais comuns. 
Mino Carta
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A verdade sobre o Tucanoduto

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Consulta Pública sobre Reforma Política - Resultados


Se você participou na Consulta Pública sobre Reforma Política, acompanhe os resultados:

Secretário-geral apresenta resultados da consulta pública sobre #reformapolítica

Após 16 dias de mobilização, mais de 180 mil votos e 242 propostas cadastradas, os resultados da consulta pública sobre #reformapolítica realizada pelo Gabinete Digital foram sistematizados em um relatório, entregue pelo secretário-geral de Governo, Vinícius Wu, ao governador Tarso Genro no fim da tarde desta segunda-feira (22).
Wu apresentou os resultados e apontou tendências identificadas ao término do processo de participação. Entre elas, a eliminação de “privilégios” aos parlamentares e a busca por mais e melhores mecanismos de participação e transparência. “Esse tipo de experiência através da consulta pública pelo poder público ainda é uma novidade e consideramos um resultado muito positivo”, afirmou.
A consulta consistiu em duas perguntas. A primeira propôs o questionamento sobre a forma como deve ser encaminhada a reforma política no país. A segunda buscou colher propostas e hierarquizá-las com base num sistema de votação por pares. Assim, foi gerado um “ranking” com as dez propostas priorizadas pela população. Ideias semelhantes foram agrupadas no relatório final.
Os resultados devem servir de insumo para o processo em condução pelo Congresso Nacional, que criou um Grupo de Trabalho para discutir o tema da Reforma Política. Mas o debate deve continuar. O Gabinete Digital prepara, para setembro, um seminário sobre Crise da Representação e Renovação da Democracia no século XXI. A intenção é promover um amplo debate sobre as perspectivas para a renovação das instituições democráticas no Brasil e no Mundo, na esteira das mobilizações que tomaram as ruas do país no último mês.
Confira os resultados:
Questão 1. “Como deve ser feita a reforma política no Brasil?
80% dos participantes preferem que a reforma política seja conduzida por uma constituinte exclusiva
20% acreditam que a reforma política deve ser conduzida pelo atual Congresso
Questão 2. “Na sua opinião, quais devem ser as prioridades da reforma política?”
1. Fim do voto secreto no Congresso Nacional e demais instâncias legislativas
2. Impedimento do uso da renúncia como artifício para escapar dos processos de cassação
3. Fim do foro privilegiado e da imunidade parlamentar
4. Redução do número de deputados federais, estaduais e vereadores
5. Afastamento do cargo para pessoas sob investigação por crime de improbidade e corrupção. Tipificação da corrupção enquanto crime hediondo.
6. Ampliação dos canais diretos de participação da população. Maior participação popular em todos os níveis, através de instrumentos como plebiscitos, referendos e uso de novas tecnologias. Democracia deliberativa em todo o Brasil, com discussões municipais, regionais e estaduais sobre temáticas de interesse público.
7. Maior transparência nos gastos governamentais. Prestação de contas disponível na internet. Criação de instrumentos de transparência e controle social sobre os partidos.
8. Adoção do “Recall”, possibilitando ao eleitor que abrevie o mandato do político que não corresponder às expectativas e não cumprir seu programa de governo. Fiscalização permanente do cumprimento de metas e propostas.
9. Fim das emendas de parlamentares ao orçamento da União.
10. Priorização nos Parlamentos para votações de Projetos de Lei de Iniciativa Popular, bem como agilizar e capacitar os cidadãos para isso. Adoção de petições pela internet para apresentação de projetos de lei de iniciativa popular.
Clique aqui para baixar o relatório completo.
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Imprensa boicota os grandes eventos no Brasil por finalidade política

http://novobloglimpinhoecheiroso.files.wordpress.com/2013/05/palmerio_doria08_livro_capa.jpg?w=225&h=300 
O município do Rio de Janeiro, segundo dados do IBGE de 2010, tem quase 6,5 milhões de habitantes. Vieram à Cidade Maravilhosa para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) cerca de dois milhões de pessoas — dados não oficiais —, o que, sobremaneira, vai sobrecarregar a infraestrutura da cidade, que, evidentemente, é a mais preparada do Brasil para receber megaeventos, a exemplo do Rock in Rio, da JMJ, da Copa de 1950, dos Jogos Panamericanos, da Copa das Confederações, do Carnaval, dos Jogos Militares, da Rio/Eco 92, da Rio+20, das Olimpíadas, dos Reveillons, que chegam a atrair três milhões de pessoas, e de tantos outros incontáveis eventos que os cariocas estão acostumados a ser seus anfitriões.
Eis que surge novamente a imprensa de mercado para transformar qualquer problema de estrutura em uma tragédia ou caos, palavra esta predileta da imprensa de negócios privados, incansável em sua cruzada que visa, sobretudo, transformar definitivamente o Brasil em um País incompetente, completamente atrasado e que não tem condições para receber, administrar e coordenar grandes eventos nacionais e internacionais, o que, também definitivamente, não é a verdade, porque a imprensa alienígena e colonizada mente, dissimula e distorce os fatos e as realidades. A imprensa corporativa age, sistematicamente, contra o Brasil e a emancipação do povo brasileiro.
Não restam dúvidas que o Brasil está a caminhar para o seu desenvolvimento e, consequentemente, avançar no que é relativo à sua infraestrutura e ao estado de bem-estar social. São visíveis essas questões principalmente nos últimos 11 anos, quando os políticos trabalhistas assumiram o poder. Existem muitas coisas ainda para fazer e realizar neste País? Certamente que sim. Contudo, sabe-se que vivemos o pleno emprego, com a taxa de desemprego em 5% enquanto na Europa as taxas flutuam entre 10% e 40%, sendo que os jovens são as principais vítimas da irresponsabilidade dos governantes e da classe empresarial, que implementaram, em termos mundiais, o neoliberalismo, pensamento econômico e ideológico de rapinagem e pirataria, imposto ao mundo em meados da década de 1970 e com maior ênfase a partir de 1989, com o Consenso de Washington.
No Brasil, os governos militares, por intermédio de Eugênio Gudin, Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen e Delfim Netto abraçaram essa nefasta teoria econômica, que continuou a ter seguidores nos governos de Fernando Collor (1990/1992) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995/2003), o FHC, conhecido também como o Neoliberal I, dirigente que vendeu o patrimônio público brasileiro e quebrou o Brasil três vezes, porque foi três vezes ao FMI pedir esmolas de joelhos e com o pires nas mãos, além de se submeter aos ditames dos interesses comerciais e geopolíticos dos Estados Unidos, ao ponto de o ministro tucano das Relações Exteriores, Celso Lafer, certa vez tirar os sapatos no aeroporto de Nova York, a mando de um subalterno membro da segurança local.
A questão primordial é que a imprensa hegemônica boicota e sabota todo e qualquer evento que aconteça no Brasil, porque o que interessa aos proprietários e porta-vozes do sistema de capital é causar má impressão e negatividade ao País perante a comunidade internacional e também ao público interno e dessa forma preparar o caminho para que a oposição partidária de direita possa, efetivamente, chegar com chances de vencer o pleito eleitoral para presidente da República em 2014. Isto é fato. Ponto. Por isto e por causa disto qualquer problema, mesmo se for a espera por parte das pessoas para se locomover de ônibus ou de metrô se torna, para a imprensa golpista, um caos.
Agora vamos aos fatos. O Rio de Janeiro recebe quase dois milhões de pessoas e a imprensa comercial e privada não quer que haja filas, não somente na área de transportes, bem como em restaurantes, além de atendimento ao público por parte da prefeitura e do governo do estado, no que tange a resolver problemas de toda ordem, desde os simples furtos como também questões no que é relativo à rede hoteleira, às pensões e aos albergues. Obviamente que problemas vão acontecer quando uma cidade, mesmo sendo o Rio de Janeiro, torna-se anfitriã de cerca de dois milhões de pessoas.
Aliás, qualquer cidade do mundo, inclusive as do considerado mundo desenvolvido passariam por perrengues e situações difíceis quanto à logística e a mobilidade urbana. Por seu turno, considero que fazer críticas é normal e justo quando o autor da crítica a faça para melhorar as coisas. Entretanto, não é o que se vê. Percebe-se, sem sombra de dúvida, que as críticas são açodadas e superdimensionadas, porque o propósito é desqualificar, desmoralizar e dar uma pecha de incompetência ao poder público, ao povo brasileiro que elege os seus representantes e principalmente ao Brasil, País sede dos principais megaeventos do mundo nesta década, e que, evidentemente, subiu, e muito, de patamar, no que diz respeito à sua força econômica e importância politica em termos planetários.
Além do mais, quem é a pessoa ou o cidadão, independente de sua condição social, ideológica e partidária, que não percebe que vivemos o recrudescimento político que chegou, por enquanto, ao seu ápice nas manifestações de junho quando os filhos da classe média tomaram ferozmente as ruas e protestaram, segundo eles, de forma "apolítica" e "apartidária" "contra tudo o que está aí", frase sub-reptícia tão repercutida pela imprensa de direita e que significa Lula, Dilma e PT. Ponto. Só faltou aos vorazes de classe média afirmar mesmo com as provas das filmagens das televisões que as manifestações foram pacíficas, como quiseram fazer crer os repórteres, os comentaristas e os colunistas da imprensa burguesa mesmo com as imagens a mostrar o contrário. Cara de pau para essa gente é pouco. As caras deles são de aço, e inoxidável.
Mesmo assim não há trégua. A campanha midiática conservadora que poderia e pode ser chamada de "O Brasil é uma porcaria!" não tem fim até que um governo de direita, da direita e para a direita volte a ocupar o Palácio do Planalto e, por conseguinte, dar continuidade ao seu programa de governo e projeto de país, ou seja, nenhum, pois é de conhecimento público e notório que a direita não dá nada. Ao contrário, a direita toma e se puder deixa o povo à míngua, porque os conservadores não têm compromisso com a Nação brasileira e muito menos com o seu desenvolvimento social e econômico, porque nem emprego o nobre trabalhador brasileiro tinha quanto mais poder cobrar melhorias ou querer mais, como demonstrou a classe média, que está empregada, recebe salários e consome, o que não ocorria nos governos conservadores de Fernando Collor e principalmente no governo de FHC — o Neoliberal I — vendilhão da Pátria e traidor do Brasil.
Enquanto isso, a mídia manipuladora e imperialista continua o seu périplo edificado pelo seu indelével complexo de vira-lata e de desprezo pelo Brasil, a superdimensionar qualquer problema, pois portadora de fins políticos e caixa de ressonância dos interesses privados dos grandes capitalistas, conhecidos também como tubarões. Contudo, 2014 vem aí, e o candidato do PT vai ter de mostrar na propaganda eleitoral gratuita, no rádio e na televisão, as ações sociais, as obras de infraestrutura, os programas e os projetos, e rebater, duramente, acusações infundadas, muitas delas simplesmente mentirosas. As classes média e alta querem a volta da direita ao poder.
A classe média cansou de ganhar dinheiro, de estar empregada, de ter acesso ao consumo de bens duráveis, como carros, elétricos-eletrônicos e casas e apartamentos. Cansou de lotar os supermercados a qualquer hora do dia e da noite, de viajar a hora que quiser de avião, de frequentar como nunca frequentou os bons restaurantes e de ter o acesso facilitado aos empréstimos consignados, bem como de viajar para o exterior e deixar na Europa e nos Estados Unidos bilhões de dólares, o que fez, inclusive, alguns desses países facilitarem a entrada dos brasileiros, porque o dinheiro que eles deixam em suas terras falidas é muito importante para combater a crise que os países desenvolvidos enfrentam desde 2008.
Todavia, milhões de brasileiros veem todos os dias nos meios de comunicação privados e concessionários de autorização pública para funcionar a novela sem fim cujo nome é "O Brasil é uma porcaria!". A imprensa não mostra o Brasil real, as conquistas sociais do povo, as obras construídas e que estão a ser construídas, as reformas e a recuperação das rodovias, a luta pela volta do sistema ferroviário, a recuperação da indústria naval brasileira, a construção, as reformas e a recuperação dos portos e dos aeroportos, a construção de universidades públicas e de escolas técnicas, a inclusão dos filhos das famílias humildes ao estudo universitário e técnico.
Por sua vez, os programas sociais recuperaram a autoestima dos brasileiros pobres, bem como fomentaram as economias de seus municípios e de suas regiões, a resultar em um ciclo formidável de desenvolvimento e de busca por melhores condições de vida, pois é exatamente essas coisas que os trabalhistas e os socialistas querem, apesar da obtusidade política e ideológica e do reacionarismo da classe média e de seus filhos, que foram às ruas exigir mais, o que é correto e legítimo, mas haveremos de julgar e reconhecer que o Brasil e os seu povo avançaram muito e conquistaram coisas que até então nunca tinham sido experimentadas e permitidas neste País até então edificado para poucos privilegiados e dominado economicamente e politicamente por uma das mais perversas elites que se tem notícia no mundo. Os ricos, a casa grande que escravizaram seres humanos por cerca de 400 anos — um recorde mundial.
As manifestações demonstraram que o brasileiro quer mais. Ponto. E o que já foi feito não pode ser esquecido, relegado a um segundo plano ou negado por questões políticas e ideológicas como o faz a imprensa dominante e que hoje enfrenta reações e questionamentos na internet, que não deixa os meios de comunicação controlados por meia dúzia de magnatas midiáticos — os barões da imprensa — distorçam as realidades e manipulem os fatos em prol de seus interesses financeiros e de classe social.
Considero que faltam muitos avanços sociais para o Brasil se tornar um País desenvolvido. Porém, reconheço que o Brasil é outro, e se tornou terra para bem se viver. O poderoso País sul-americano é o destino de milhares de imigrantes que aportam nessas terras historicamente sempre abertas a todos, principalmente no Nordeste, o que torna incontestável que o País mudou para melhor, pois o Nordeste sempre foi uma região pobre, e, com a ascensão dos trabalhistas e dos socialistas ao poder, os nordestinos passaram a ter mais investimentos, bem como ficaram libertos do voto de cabresto com a extinção dos currais eleitorais, o que, irrefragavelmente, irritou profundamente as oligarquias dos noves estados daquela região, além de mexer com o mau humor dos barões da imprensa, aliados históricos que são dos coronéis do Nordeste.
Contudo, a imprensa continua a insistir com a sua insensatez, intransigência e perversidade. Continua a mentir e a difundir boatos no que concerne, por exemplo, à Prefeitura do Rio ter investido R$ 11 milhões com o evento do Papa, que não aconteceu em Guaratiba por causa do mau tempo e que foi transferido para Copacabana. A Cúria do Rio desmentiu os boatos da imprensa, bem como o prefeito Eduardo Paes, no RJ TV, jornal de meio-dia da Rede Globo de Televisão, empresa golpista, manipuladora e que distorce a verdade porque resolveu boicotar e sabotar todos os eventos que acontecem no Brasil, porque tais atividades têm acontecido neste País em um tempo que os mandatários são o ex-presidente Lula, a presidenta Dilma Rousseff, e, no caso, o prefeito Eduardo Paes, aliado dos petistas.
Além disso, Paes disse que a imprensa exagera quando cobra rapidez e agilidade para que os peregrinos se deslocassem de Copacabana ao fim do evento religioso. Estiveram presentes nas areias da Princesinha do Mar 1,5 milhão de fiéis católicos. Paes disse à repórter da Globo: "Há um exagero quererem cobrar rapidez para que os fiéis se deslocassem. São 1,5 milhão de pessoas, e, evidentemente, terá fila e lentidão para pegar o transporte público. Não se evacua 1,5 milhão de pessoas com facilidade. A festa para o Papa está linda. O que estiver ruim vamos melhorar".
Rapidamente a repórter mudou de assunto e disse: "Vamos falar agora de coisas mais amenas..." É dose para mamute. Ninguém aguenta uma imprensa tão reacionária e mentirosa. Por isso, volto a falar: o Brasil tem de efetivar o marco regulatório para as mídias, conforme reza a Constituição. Não é possível uma empresa, dentre muitas que fazem a mesma coisa, pautar a vida brasileira, distorcer e direcionar as informações e fazer campanha oposicionista direta, sem trégua e água, durante anos a fio ao tempo em que os políticos e os partidos que estão no poder, a exemplo de Dilma Rousseff, só podem apesentar seus resultados administrativos, além de poder se defender somente na televisão aberta em tempos de horário eleitoral. É o fim da picada esse processo draconiano e casuístico.
O Papa Francisco conhece a imprensa sul-americana. O Pontífice é argentino. O líder católico vivenciou a ditadura militar argentina, uma das mais violentas da história da humanidade. Francisco sabe que o sistema midiático privado pertence a famílias politicamente conservadoras e que foram cúmplices ativos das desumanidades colocadas em prática por esses regimes autoritários, que dominaram o cenário político na América do Sul. Um exemplo retumbante é o Grupo Clarín, que é as Organizações(?) Globo do país portenho, foi useiro e vezeiro em apoiar a ditadura militar, bem como encobrir e amenizar os crimes dos generais presidentes.
Não há como remediar as atividades e a conduta desses empresários midiáticos, os mais atrasados politicamente e socialmente dentre os empresários de qualquer setor de atividade econômica. Essas pessoas lutam contra os interesses de seus povos, especificamente os do Brasil. São golpistas em toda a sua essência e não medem consequências para terem seus desejos e planos concretizados.
Não se brinca com essa gente e nem com os seus empregados, que trabalham diuturnamente, muitos deles a peso de ouro, para difundir, repercutir e irradiar o pensamento das elites donas dos meios de produção e os planos de seus patrões. O Papa sabe dos esqueletos guardados no guarda-roupa da imprensa de mercado. A mídia boicota os grandes eventos no Brasil por finalidade política. E os maiores eventos tem a influência de Lula. O caos é a imprensa. É isso aí.
Davis Sena Filho
No 247
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Terror midiático naufraga diante da realidade

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Programas oficiais como Bolsa-família, Enem e Mais Médicos, o regime de pleno emprego e o controle da inflação já foram, um a um, dinamitados, antecipadamente, pela mídia tradicional; ao que se pode ler nos últimos meses em revistas como Veja, Exame e Época, fracasso de todas as principais iniciativas do governo Dilma, sem exceção, era líquido e certo; na vida real, porém, quadro é outro: inflação de junho foi de 0,07%, Mais Médicos bateu metas, Enem superou recordes, Bolsa-família é copiado mundialmente e estádios que Veja previu para 2038 já foram entregues e estão em uso; até aposta em que se cantaria o Hino Nacional de costas, na Copa das Confederações, deu errado, assim como a do apagão de energia; mídia vai se emendar?
Um a um, todos os principais programas lançados pela presidente Dilma Rousseff foram dinamitados, desde logo e sem piedade, pela imprensa tradicional. A vida real, no entanto, mostrou, com o tempo, que todas, repita-se, to-das as sinistras previsões multiplicadas pela mídia não pagaram as apostas. Em outras palavras, o escrito não valeu. Acompanhe:
INFLAÇÃO DISPARADA 
O terrorismo midiático com forte viés ideológico previu, no início do ano, uma disparada sem freios da inflação, com uma capa da revista Veja, em janeiro, mostrando Dilma, em montagem grosseira, pisando no tomate. Na Rede Globo, Ana Maria Braga, quem não se lembra?, exibiu um colar em que os legumes vermelhos faziam as vezes de pérolas. Em junho, no entanto, a variação do Índice de Preços aos Consumidor (IPC) foi de ínfimos 0,07% e, para julho, todas as previsões convergem para uma deflação. Até o presidenciável José Serra, em teleconferência esta semana, admitiu que o índice inflacionário fechará o ano dentro da meta prevista pelo BC. O assunto, assim, saiu da pauta.
APAGÃO ENERGÉTICO 
Antes da aposta na alta dos preços, não houve noticiário de jornal ou colunista que não tivesse cravado, na virada do ano, um iminente apagão de energia elétrica no País. Nesse campo, a ênfase mais especial partiu no jornal Folha de S. Paulo e sua articulista Eliane Cantanhêde. As defesas feitas pela presidente em pessoa e o ministro Edson Lobão, das Minas e Energia, foram ironizadas e desprezadas.
LUZ MAIS CARA 
O propalado colapso no sistema de energia, porém, não se deu, e o Brasil continuou com suas luzes acesas, apesar do obscurantismo da mídia tradicional. Mais ainda, o igualmente combatido plano federal de barateamento das contas de luz para todos os consumidores do País, indiscriminadamente, por meio de subsídios oficiais, deu certo – e, hoje, o que se paga pela energia é mais de 10% menos do que o custo no início do ano.
FRACASSO DO ENEM 
A aposta pelo caos energético foi sucedida, este ano, pela cravada geral na imprensa de que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seria um retumbante fracasso. Desta feita, foi o jornal O Estado de S. Paulo quem mais aplicadamente bateu o bumbo da derrota governamental. O que se viu quando foram contadas oficialmente as inscrições do Enem de 2013, entretanto, foi um recorde espetacular, com mais de 7,8 milhões de adesões espontâneas da classe estudantil. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, outro que não encontrava repercussão para suas previsões de sucesso, acertara em cheio.
BOLSA-FAMÍLIA INÚTIL 
Hoje um sucesso mundial, exportado para diferentes países, o Bolsa-Família, dinamizado no atual governo, que o levou para mais de 10 milhões de lares no País, foi ironizado, escrachado e combatido de todas as formas. O fato, gostem os barões da mídia ou não, é que ele sobreviveu, proliferou e modernizou-se com o passar dos anos, tornando-se o ponto de alavancagem para que 40 milhões de brasileiros, nos últimos anos, superassem sua situação de pobreza extrema.
MAIS MÉDICOS DERROTADO 
Nesta sexta-feira 26, quando o programa Mais Médicos, que visa situar profissionais de Medicina nos rincões do Brasil, com salários de até R$ 10 mil para os que aceitarem o desafio, encerrou suas inscrições, mais do mesmo. Atacado por todos os flancos, o Mais Médicos obteve 18,4 mil inscrições de interessados em participar, além da adesão de mais de 3,5 mil municípios, ou 63% do total das cidades brasileiras. Um sucesso que a mídia tradicional, outra vez, não apenas não soube adiantar ao público, como o colocou no rumo errado de que, assim como os já citados anteriormente aqui, não haveria chance de dar certo. O problema, sobre esse noticiário, é que a primeira etapa do programa superou, sim, até as previsões mais otimistas – e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pode respirar aliviado.
DESEMPREGO GALOPANTE 
Para usar a expressão repetida pelo papa Francisco, a mídia tradicional, agora, "bota fé" na escalada de desemprego, depois que os dados de junho mostraram, pela primeira vez desde 2009, uma interrupção no crescimento do mercado de trabalho. O ministro Guido Mantega, da Fazenda, que, de resto, já foi retirado de seu cargo diversas vezes no noticiário recente, não apenas está lá, como garantindo que o derrotismo espalhado pelos jornais não irá triunfar. Ele assegurou que todos os indicadores do governo apontam para a manutenção da taxa de desemprego em torno do nível atual de 6% até o final do ano – e, como das vezes anteriores, suas palavras são questionadas fortemente, como se, ao mesmo desta vez, e num ponto estratégico para o governo, a mídia queria receber o prêmio de sua aposta.
ESTÁDIOS PARA 2038 
Num cúmulo de erro matemático, só explicado pela distorção ideológica produtora de parcialidade, a revista Veja, carro-chefe da Editora Abril, chegou a assegurar em uma de suas capas de 2012 que os novos estádios de futebol planejados para a Copa do Mundo só ficariam prontos, isso mesmo, em 2038! Hoje, à parte a discussão sobre custos e fiscalização no emprego de recursos, o que se sabe, a olhos vistos, é que todos os estádios prometidos, sem exceção, ou já estão prontos, e em pleno funcionamento, ou em vias de serem entregues. Um dos antecessores do papa Francisco já admitiu que nem mais os papas são infalíveis, mas Veja, apesar de todos os seus erros mal intencionados, continua vendendo a sua infalibilidade. Mas quem acredita ainda nisso?
HINO NACIONAL DE COSTAS 
O jogo de 'quanto pior, melhor' praticado pela imprensa, que no passado tinha a imparcialidade como um de seus dogmas, levou a mídia a vender ao público a certeza de que o público que lotou a Arena Fonte Nova, na Bahia, para ver a estréia do Brasil contra o Japão, na Copa das Confederações, em junho, iria cantar o Hino Nacional de costas para o campo. O que houve na real, no entanto, foram mais de 40 mil pessoas emocionando os jogadores em campo com suas vozes a plenos pulmões, mão no peito, respeitando o símbolo nacional em todos os seus versos. De frente e com a cabeça erguida. De quebra, a desacreditada, pela mesma mídia, Seleção Brasileira de Futebol, venceu de forma invicta e espetacular o torneio – levando dezenas de jornalistas-torcedores a rasgarem suas inúteis apostas na derrota.
ACREDITE SE QUISER 
Jogando em previsões sinistras e, ao não vê-las se realizarem, perdendo verticalmente em credibilidade, a mídia tradicional, nos dois últimos anos, está muito mais confundindo os leitores do que informando-os sobre o que, de fato, está acontecendo. Fosse de outra forma, os casos registrados acima não poderia ser narrados. Mas podem, porque verdadeiros.
Uma previsão séria, diante desse quadro passado, é a de que, sem a menor dúvida, a mídia que insistir na leitura da realidade pelo caleidoscópio da ideologia irá continuar, cada vez mais, confundindo e desinformando. Acredita quem quiser no que lá está escrito.
No 247
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Balde de água fria: O Estadão começa a admitir que o “mensalão” não existiu

 Publicado em 24/08/2012 

 
O Estado de S.Paulo é o primeiro jornal a admitir oficialmente, ainda que de maneira discreta, que pode não ter havido um “mensalão”, ou seja, que o dinheiro supostamente desviado do erário pode ter sido usado para pagar campanhas eleitorais de candidatos que se aliaram à chapa do ex-presidente Lula em seu primeiro mandato, e não para compra de votos.
Assim, o leitor começa sutilmente a ser dirigido para a tese de que os fatos sob julgamento no Supremo Tribunal Federal teriam relação com a prática do “caixa 2”, e não com o pagamento sistemático de propina para que parlamentares apoiassem as iniciativas do governo no Congresso.
O editorial de sexta-feira, dia 24, do jornalão paulista não poderia ser mais claro, ainda que escrito em forma de elipse, ao se referir a “pagamentos prometidos pelo PT a políticos de outras legendas ainda na campanha presidencial, em troca de apoio a seu candidato”.
O jornal admite que os empréstimos milionários obtidos pelo publicitário Marcos Valério poderiam ser destinados a pagar esses compromissos de campanha, e não para remunerar parlamentares pelos seus votos em favor do governo, tese que deu origem ao nome “mensalão”.
Volume de verbas
Evidentemente, ainda assim, comprovados esses fatos no final do julgamento em curso, trata-se de crime cujos autores deverão ser apontados na sentença final dos ministros do STF.
Claro que, comprovados os desvios de dinheiro do Banco do Brasil e de outras fontes, para o esquema de Valério e daí para parlamentares e outros agentes envolvidos nas campanhas eleitorais, ainda assim estaremos diante de um crime grave, que revela a fragilidade do sistema eleitoral no Brasil.
No entanto, o voto do ministro revisor, Ricardo Lewandowski, em sua segunda apreciação das “fatias” em que foi dividido o processo pelo relator, deixa claro que o Supremo Tribunal Federal não vai decidir, necessariamente, conforme a receita que vem sendo prescrita pela imprensa há sete anos.
O editorial do Estadão afirma que o “mensalão” – expressão que deixa de ter sentido se for comprovada a hipótese que o próprio jornal acaba de admitir – “foi a ponta de um iceberg de proporções ainda por medir”.
Errado: é relativamente fácil medir esse iceberg – ele tem exatamente o tamanho do total das verbas usadas em cada campanha eleitoral, porque todo dinheiro doado a candidatos acaba revertendo em benefício para o grande doador, especialmente o de “caixa 2”, se o candidato for eleito.
E isso é história antiga: já no ano de 1952, segundo relatou a revista Época e comentou este observador na primeira semana de junho passado (ver Um retrato do Brasil), as 600 páginas do relatório de uma CPI que investigou o desvio de dinheiro do Banco do Brasil para campanhas eleitorais desapareceram da Câmara dos Deputados, no Rio. A CPI acusava o então ministro da Fazenda, Horácio Lafer, e o presidente do Banco do Brasil na ocasião, Ricardo Jaffet, além de empresários, políticos e militares, de formarem uma quadrilha que desviava recursos do banco estatal para campanhas eleitorais.
O processo desapareceu, ninguém foi punido e Lafer e Jaffet viraram nomes de avenidas.
“Caixa 2” é a regra
A impunidade histórica não pode, porém, justificar qualquer tentativa de minimizar a gravidade dos crimes envolvendo dinheiro de campanha, e o escândalo produzido em torno do caso que está sob julgamento no STF deveria ajudar a formar na sociedade uma consciência em torno da responsabilidade do voto de cada um.
Com relação à imprensa, quanto mais rápida e engajadamente ela se aproximar da verdade maior será sua contribuição para que o sistema eleitoral seja aperfeiçoado.
Assim, se há evidências de que o presente caso não se referiu ao pagamento de propinas mensais em troca de votos no Parlamento, como começa a admitir o Estadão, será maior a credibilidade das informações trazidas pela imprensa quanto mais claramente ela se abrir a outras possibilidades.
Mas os sinais são outros: o voto do ministro revisor, Ricardo Lewandowski, inocentando o deputado federal João Paulo Cunha (PT/SP), caiu como um balde de água fria sobre os jornais. As reações foram diversas: desde a do colunista de O Globo, que acusou o ministro de votar “sem nexo”, até as do Estadão e da Folha, que oferecem uma seleção especialmente agressiva de cartas de leitores contra o ministro revisor, o comportamento dos jornais é semelhante ao de crianças que não podem ser contrariadas.
Imagine-se, então, qual será o tom das edições se a Suprema Corte condenar apenas um ou outro operador do sistema, deixando claro que todo esse escândalo é parte da rotina de todas as eleições, e que o “caixa 2” é a regra nos comitês de campanha de todos os partidos.
Luciano Martins Costa
No Limpinho & Cheiroso
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Como identificar uma pessoa burra

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A burrice existe e independe de nível de instrução, orientação ideológica e classe social; está presente em todos os segmentos com variações entre os indivíduos. Se tivesse de defini-la em uma frase, diria que é a incapacidade de avaliar os fenômenos sociais em conjunto, articulando-os em suas dimensões históricas e sociológicas, sem ceder a tentações deterministas. Coloquei “burro” no título apenas para torná-lo mais compreensível, mas seria menos coloquial substituí-lo por “parvo”, cujo substantivo “parvoíce” é um termo que denota pequenez, limitação, tolice, puerilidade – tirando o foco do sentido excessivamente pejorativo de “burrice”, embora o adjetivo “burro” carregue o sentido de pouca inteligência, estupidez. Esses adjetivos qualificam bem o brasileiro (avaliando genericamente) pelo que escreve em redes sociais, comentários em portais de notícias na internet ou como se comporta entre as “tribos” sociais.
Variando intelectualmente entre ser pedante, ingênuo, imaturo, desinformado, limítrofe e intolerante, o brasileiro preocupa-se mais em falar do que ouvir, em querer provar que sabe do que aprender, em repetir comportamentos do que refletir sobre eles, em repetir chavões e lugares-comuns do que exceder o banal. Pensando nisso, no decurso de uma viagem e tomando por base essas observações, experiências pessoais e leituras, escrevi a lista a seguir com quarenta tópicos sobre o perfil de tais pessoas. Não estão organizados em ordem de importância, mas articulados de forma mais ou menos coerente entre si. Então, uma pessoa burra:
1. Critica autores e livros que não leu.
2. Critica teorias que não conhece ou das quais apenas ouviu falar.
3. Usa termos como “petralhas”, “esquerdopata”, “ditadura gay”, “alienação”.
4. Acredita no comunismo.
5. É militante de partido político.
6. Fuma maconha.
7. É hippie.
8. Usa termos como “burguesia” e “classe operária” para referir-se a conjunturas atuais.
9. Acredita que intelectuais devem ter engajamento político-partidário.
10. Acredita em “cultura alternativa”.
11. Acredita que PT e PSDB (como FHC e Lula) representam dois projetos políticos antagônicos.
12. Usa expressões do tipo: “fatos são fatos”, “religião, futebol e política não se discute”, “políticos são todos ladrões”, “cotas para negros são discriminação contra o branco”, “homossexualismo é contra a natureza”.
13. Acredita que programas sociais de transferência direta de renda como o Bolsa Família são para “sustentar vagabundos”.
14. Acredita que quem não assiste a novelas e ao BBB é, por este motivo, mais inteligente do que quem assiste.
15. Acredita que os programas supracitados e a Rede Globo alienam as pessoas.
16. É seguidor ou admirador de Reinaldo de Azevedo, Olavo de Carvalho, Diogo Mainardi.
17. É “anti-“ qualquer coisa. (Ex.: anticapitalista, anticomunista, antiteísta, etc.)
18. Acredita que os Estados Unidos são alguma espécie de “império do mal”.
19. Acredita que os jornais Folha de São Paulo, o Globo e Estadão são esquerdistas.
20. Acredita que o Foro de São Paulo é uma entidade terrorista.
21. Acredita que a educação redime uma sociedade.
22. Acredita que o mercado e a sociedade de consumo são maus e que o capitalismo é um sistema inerentemente mal.
23. É monomaníaco.
24. Curte páginas com título “Orgulho hetero” no Facebook.
25. Acredita que Nietzsche foi precursor do nazismo.
26. Acredita que Fascismo e Nazismo eram regimes de esquerda.
27. Acredita que o PT é um partido totalitário.
28. É membro de torcida organizada.
29. Acredita que homossexualidade é doença e seus “portadores” também são pedófilos.
30. Acredita que o homem nunca esteve na Lua.
31. Acredita que sociedades secretas conspiram por uma ditadura mundial.
32. Acredita que o ateísmo é superior à fé religiosa.
33. Acredita que ciência e religião são sempre e necessariamente antagônicas.
34. Acredita que a existência de feriados religiosos fere a laicidade do estado.
35. Acredita que religiões são irracionais.
36. Acredita que a ciência é objetiva, política e ideologicamente neutra.
37. Acredita que pessoas religiosas são necessariamente menos inteligentes do que ateus e agnósticos.
38. Acredita na rígida correspondência empírica entre ateísmo & liberdade versus religião & opressão.
39. Acredita que todas as narrativas da Bíblia são literais e remetem a fatos históricos.
40. Acredita que valores morais são atemporais e universais.
Bertone Souza
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