24 de jul de 2013

País gasta com juros 13 vezes o custo do programa ‘Mais Médicos’

 
Em tese, a política fiscal seria o espaço da solidariedade no capitalismo.
Caberia a ela transferir recursos dos mais ricos para os fundos públicos, destinados a contemplar os mais pobres e o bem comum.
A sonegação praticada pela Globo (R$ 615 milhões) e aquela que teria sido cometida pelo presidente do STF, (Joaquim Barbosa, noticia-se, teria adquirido apartamento de R$ 1 milhão, declarando gasto de R$ 10 reais), são pequenas ilustrações da afronta a esse princípio, facilitadas, no caso, pelo acesso (legal?) a operações em paraísos fiscais
Palavras como ética, transparência, republicanismo, justiça, interesse público soam constrangedoras quando a contraface do emissor é a sonegação.
Sem carga tributária adequada não se constrói uma Nação, mas um ajuntamento conflagrado.
A carga tributária adequada depende do estágio de desenvolvimento da sociedade. Mas não apenas isso. Sua composição é decisiva na incidência regressiva ou redistributiva que provoca.
Um país como o Brasil, com 200 milhões de habitantes e enormes carências estruturais, não pode avançar com uma carga equivalente a da Europa, cuja infraestrutura está consolidada (nos dois casos, a carga média gira em torno de 36%; mas há vários países com infraestrutura madura onde a carga passa de 40%).
O sistema brasileiro avulta, ademais, como um caso pedagógico de regressividade.
Impostos indiretos, embutidos nos preços dos bens de consumo, representam mais de 60% do que se recolhe.
Não importa a renda do consumidor: ganhe um ou 100 salários mínimos por mês, o imposto que paga por litro de leite é o mesmo.
Regressividade é isso: uma engrenagem fiscal feita para taxar mais os pobres do que os ricos.
O imposto sobre o patrimônio, em contrapartida, que incide diretamente sobre os endinheirados, não chega a 3,5% da arrecadação total.
Nem é preciso ir à Suécia para um contraponto.
Na festejada Coréia do Sul, meca da eficiência capitalista, ele é da ordem de 11%; nos EUA passa de 12%.
A taxação direta, no Brasil, recai fortemente sobre os assalariados da classe média (amplo sentido), o que explica, em parte, a revolta com a qualidade dos serviços públicos obtidos em troca.
Cerca de 25% da receita fiscal incide diretamente sobre a renda, assim:
a) a metade sobre o holerite da classe média;
b) a outra metade sobre os ganhos de capitais, que é onde se concentra cada vez mais a riqueza no capitalismo financeiro dos nossos dias.
Bancos, por exemplo, pagam menos impostos no Brasil que o conjunto dos assalariados.
As distorções não param aí.
A receita obtida tampouco se destina automaticamente a reduzir abismos sociais.
Há filtros de classe pelo caminho
A dívida pública é o principal deles.
Ela funciona como uma espécie de reforço na regressividade do sistema fiscal brasileiro.
Assemelha-se a uma coleira, um enforcador que subordina o princípio da solidariedade à primazia rentista.
O mecanismo é ‘autossustentável’.
Vejamos.
Sem espaço político para taxar endinheirados e o seu patrimônio, afinal, o Estado tem que ser mínimo, diz o cuore neoliberal, governos são compelidos cada vez mais a compensar a anemia tributária com endividamento público.
Emprestam e pagam juros por aquilo que deveriam arrecadar.
Do ponto de vista do dinheiro grosso, um belo negócio.
Em vez de impostos adicionais, investimentos em títulos do Tesouro, um porto seguro de renda e liquidez.
O segredo do negócio é a vigilância diuturna da matilha midiática sobre a boa gestão da dívida pública.
O dinheiro grosso investe nisso. Uma legião de consultores dá plantão permanente no telefone para esclarecer e municiar ventríloquos e ventríloquas dos mercados em suas obsequiosas colunas diárias.
Prover a ração bilionária destinada anualmente aos rentistas é o objetivo.
No linguajar técnico, trata-se de fazer cumprir a ‘meta cheia do superávit primário’.
Ou seja, o arrocho sobre o resto.
O corte adicional de R$ 10 bi nos gastos este ano, anunciado agora pelo governo Dilma, tem essa finalidade.
Reconquistar a ‘confiança’ rentista na política fiscal, teoricamente ensombrecida por artifícios contábeis – tolos, mas lícitos — cometidos em 2012.
A gendarmeria sustentada pelos rentistas para proteger seus interesses abriu fogo e fuzilou a administração fiscal, por conta da 'manobra' para fechar as contas em 2012.
Mídia, consultores, professores banqueiros e assemelhados puseram a faca na boca: o Brasil precisa de arrocho efetivo; corte real nas despesas, sem malabarismos contábeis.
E mais juros.
Porque a inflação, diziam, e agora se vê, era um engodo ameaça corroer a renda do capital a juro, finalidade primordial de uma nação, no entender do jornalismo embarcado nos mercados.
O governo aquiesceu em uma ponta e outra.
Não inovou nesse aspecto.
A agenda fiscal brasileira foi sequestrada pelo rentismo há muito tempo.
Discute-se de tudo - carga excessiva, gestão deficiente dos gastos, superávit insuficiente, maquiagens etc.
Menos o custo do próprio rentismo para o país.
Em média, o preço da supremacia financeira sobre a agenda fiscal custa R$ 200 bilhões por ano.
Cerca de 5% do PIB em juros pagos aos detentores de títulos da dívida pública.
Equivale a mais de dez vezes o custo do Bolsa Família que beneficia 13 milhões de famílias, 52 milhões de pessoas.
É quatro vezes mais o que supostamente custaria a implantação da tarifa zero no transporte coletivo das grandes cidades brasileiras.
Treze vezes o que o programa ‘Mais Médicos’ deve investir até 2014 em obras em 16 mil Unidades Básicas de Saúde; na aquisição de equipamentos para 5 mil unidades já existentes; com as reformas em 818 hospitais; para equipar outros 2,5 mil e providenciar melhorias nas instalações de 877 Unidades de Pronto Atendimento.
Repita-se: o dinheiro destinado ao rentismo em um ano daria para ampliar em 13 vezes a escala e a intensidade do programa ‘Mais Médicos’, atacando mais depressa as carências sabidas de infraestrutura e equipamentos de saúde.
Não serve de consolo, mas já foi pior.
No final do governo FHC, gastava-se quase 10% do PIB com juros.
O investimento público direto da União em logística e infraestrutura social era um traço.
Agora, o que a União investe oscila em torno de 1% do PIB (descontado o Minha Casa, Minha Vida).
Muito distante do desejável para uma sociedade que atingiu o ponto de saturação na convivência com serviços públicos insuficientes e de baixa qualidade.
A questão é saber quem vai amarrar o guizo no gato.
Dizer à população que, para cada um real destinado pela União a gerar escolas, hospitais e estradas, outros quatro vão para os bolsos da plutocracia rentista.
Naturalmente, não se trata de um capricho contábil.
A equação fiscal condensa uma correlação de forças.
Hoje ela reflete a supremacia das finanças desreguladas.
Não só aqui, mas em escala planetária, vive-se sob a coação permanente de fluxos voláteis de capitais, capazes de produzir a desestabilização de uma economia quando contrariados.
Inverter o jogo não se resume, assim, a uma mudança nas rubricas de receita/despesa.
Tampouco, porém, a equação pode ser naturalizada como uma fatalidade acima da história.
Aqueles que, a exemplo de Carta Maior, evocam espírito público da parte dos profissionais da medicina, diante da dimensão emergencial do ‘Mais Médicos’, não podem exigir menos da pátria rentista.
Mesmo sabendo de antemão que seu quociente de solidariedade é baixo.
Por certo, inferior a 0,38% dos cheques robustos que emite.
Essa era a alíquota da CPMF, derrubada em 2007, por um mutirão que reuniu a crème de la crème do espírito cidadão entre nós: a coalizão demotucana, os endinheirados e o jogral midiático conservador.
A ver.
Saul Leblon
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Egoísmos exagerados

http://diversidadeconvergente.files.wordpress.com/2013/07/vergonha1.jpg 
Mandar médicos para lugares abandonados não é uma solução perfeita, mas a alternativa é o inferno atual
O mais espantoso na mobilização dos médicos contra o plano do governo  de contratar 12 000 profissionais para trabalhar em regiões pobres do país não é seu caráter egoísta.
Vivemos num mundo de ambições individuais exacerbadas e muita vontade de enriquecer. Adam Smith, um dos pioneiros no estudo do capitalismo, dizia já no século XVIII que o progresso de uma sociedade era fruto da soma de seus egoísmos individuais.
O problema é o caráter distorcido do debate. Os egoísmos não podem ser ilimitados nem beneficiar um lado só, pois podem criar patologias morais e sociais.
Resumindo um pouco o problema:  os médicos querem que uma imensa parcela de brasileiros continue pagando as dores de um sistema de saúde desigual e ineficiente – na esperança de que os doutores possam proteger as carreiras e manter o modo de vida. Nascido e criado numa família de médicos em várias gerações, sou um admirador desses profissionais e respeito uma opção de vida que envolve uma inegável capacidade de dedicação a pessoas em situação de risco.
O debate não é este, porém.
O principal argumento das entidades médicas nada mais é do que uma forma de desviar a discussão para ganhar tempo e, com simpatia dos meios de comunicação e ajuda do STF, impedir uma medida que, sem resolver todos os problemas da saúde do país, pode  trazer diversos benefícios palpáveis para a maioria da população – sem que se possa apontar uma única contraindicação.
Diz-se que não adianta contratar médicos sem melhorar a infraestrutura da saúde pública. É certo que é preciso construir novos hospitais, adquirir equipamentos e também reforçar equipes de apoio. Mas toda pessoa que já foi a um consultório num quartinho de periferia com uma criança doente no colo –  pode ser na novela ou na vida real - sabe a diferença entre encontrar um médico, recém-formado, gaguejante, e uma porta fechada.
O governo quer mandar médicos para lugares abandonados por nossos doutores. Detalhe: no pleno exercício de suas sempre compreensíveis ambições individuais e gozando de absoluta liberdade individual, os  médicos não estão lá, nunca foram para lá e a maioria não pretende colocar os pés por ali. Não querem estes empregos – considerados ruins e sem perspectiva de ascensão - que o Estado oferece e que tanta gente necessita que sejam preenchidos.
Para convencer uma parcela a mudar de ideia, o governo oferece um salário bom, de R$ 10 000, e tem a garantia de que as prefeituras vão garantir hospedagem e comida. Nada menos que 2.500 prefeitos já deixaram claro que não apenas apoiam o programa mas exigem que seja encaminhado o quanto antes.
Não é uma solução perfeita mas a alternativa é o inferno atual como perspectiva. Com a saúde da população numa posição de dependência cada vez maior dos   movimentos do mercado dos egoísmos, o país não só tem poucos médicos, mas eles estão mal distribuídos. Os cálculos mais otimistas das próprias entidades médicas dizem que seria preciso esperar dez anos para que o país tenha – na  média - o número adequado de médicos para a população. Os pessimistas falam em 20 e até 30 anos.
Por trás desses números, estamos falando de homens, mulheres e, especialmente, de crianças. São vidas humanas que poderiam ser salvas, todos os dias, pela presença de um médico – capaz de diagnosticar uma diarreia, um câncer a tempo de ser tratado, uma gripe que pode se transformar em pneumonia. Vamos esperar no mínimo dez anos para, teoricamente, ter uma situação um pouco melhor? Quantas milhares de mortes sem necessidade teremos até lá?
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Sérgio Cabral, o policial infiltrado e o “DOI-Codi particular”

Vídeo sugerido pelo Igor Felippe: seria um flagrante de policial infiltrado na manifestação do Rio de Janeiro para justificar repressão
Cabral e seu DOI-CODI particular: o CEIV
Uma das funções mais chatas do advogado é se manter atualizado sobre as novas leis. Cada nova lei é uma possibilidade potencial de enriquecimento do advogado. Dentro desse espírito empreendedor, estava lendo o Diário Oficial do Estado do Rio de hoje e logo de cara me deparo com uma monstruosidade: o Decreto 44.302/2013, que cria a CEIV, Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas.
Em outras oportunidades já argumentei que direito de greve e de protesto não é bagunça, e que o direito de manifestação não pode impedir o direito de ir e vir de outras pessoas, além disso, é evidente que o vandalismo deve ser ferozmente coibido e qualquer crime deve ser sempre punido, realizado ou não em manifestações. Mas esse CEIV passa de todos os limites razoáveis impostos pela democracia: cria um DOI-CODI fluminense em plena democracia.
Para quem não sabe, o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) era um órgão de investigação do exército destinado a suprimir quaisquer manifestações e tentativas de questionar a ditadura militar, sendo responsável pelo sumiço e morte de várias pessoas. Parece ser clara a inspiração do Governador no DOI-CODI para a criação da CEIV. O art. 1o tem mais conteúdo administrativo e não vem ao caso, mas os arts.  2o e 3o são verdadeiras monstruosidades antidemocráticas, e merecem comentários próprios. Vejamos:
Art. 2º. Caberá à CEIV tomar todas as providências necessárias à realização da investigação da prática de atos de vandalismo, podendo requisitar informações, realizar diligências e praticar quaisquer atos necessários à instrução de procedimentos criminais com a finalidade de punição de atos ilícitos praticados no âmbito de manifestações públicas.
O que seriam “todas as providências necessárias à realização da investigação”? Tortura? Sequestro? Essa redação é típica de ato de exceção. A realização de investigação criminal é privativa de delegado, expansível no máximo para o Ministério Público (com controvérsias, diga-se), e, em casos excepcionais, para CPIs, sempre com autorização constitucional. A Constituição veda que o poder executivo, fora da polícia judiciária, investigue crimes. Investigação de crimes por órgãos do poder executivo fora da polícia judiciária é típico de regimes fascistas, onde se usa desse expediente para fins políticos de perseguição de minorias e oposicionistas. Qualquer crime praticado em manifestações públicas deve ser investigado e punido como se tivesse sido praticado fora da manifestação. O fato de ter sido cometido em manifestação política não qualifica e nem desqualifica o crime.
Art. 3º. As solicitações e determinações da CEIV encaminhadas a todos os órgãos públicos e privados no âmbito do Estado do Rio de Janeiro terão prioridade absoluta em relação a quaisquer outras atividades da sua competência ou atribuição.
Parágrafo Único – As empresas Operadoras de Telefonia e Provedores de Internet terão prazo máximo de 24 horas para atendimento dos pedidos de informações da CEIV.
Esse artigo é o fim da democracia. De acordo com esse decreto, fica revogado o direito de sigilo do cidadão fluminense. Entidades privadas como bancos e operadoras de telefonia estariam obrigadas a entregar toda e qualquer informação nossa ao CEIV. Essa medida é tão ilegal que até mesmo a polícia, para investigar crimes, precisa de autorização judicial para poder quebrar o sigilo fiscal, bancário, telefônico e de dados dos cidadãos. E ainda assim os juízes só podem conceder autorização se a autoridade policial demonstrar que essa quebra é fundamental para as investigações. Sigilos só podem ser quebrados em última instância, mas não para o Governador Cabral e sua CEIV.
E o que é mais revoltante: crimes investigados por essa CEIV têm prioridade sobre qualquer outra investigação. Vamos por isso em perspectiva: se amanhã uma criança for estuprada e assassinada no Leblon, esse crime deixará de ser prioridade para os órgãos de investigação frente à quebra de uma vidraça de uma loja no próprio Leblon ocorrida durante uma manifestação. Essa é uma completa inversão de valores. Todos os crimes devem ser investigados e seus agentes presos e condenados, sem priorizar qualquer um deles, mas se tiver que se priorizar alguma investigação, por qualquer motivo, obviamente que os crimes contra a vida devem ter prioridade.
Por tudo isso, é flagrantemente inconstitucional esse decreto expedido pelo Duce carioca, e este articulista pugna que todos os crimes sejam investigados e os criminosos encontrados e penalizados, sem distinção de preferência política e com respeito aos direitos individuais básicos, sem uso do aparelho estatal para fins de perseguição política.
Bernardo Santoro, Diretor do Instituto Liberal, no ILBlog, sugerido pelo Sidnei Oliveira Jr., no Facebook
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Papa é um Feliciano com mais poder e apoio da Globo

http://news.bbcimg.co.uk/media/images/49004000/jpg/_49004365_stan1.jpg 
Homofobia, machismo, apego ao dinheiro, religião interferindo no Estado. Os motivos que inspiram o “Fora Feliciano” se aplicam ao papa. Com o agravante de que ele é bem mais poderoso
Os evangélicos estão sendo injustiçados. O tsunami de críticas que atingiu Marco Feliciano, Silas Malafaia e demais líderes evangélicos fundamentalistas se aplica ao papa Francisco e à Igreja Católica. Explico: as mesmas bandeiras conservadoras levantadas pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos do Congresso estão no centro da atuação da igreja católica há séculos. E o argentino Mario Bergoglio, agora chamado de Francisco, comunga destes ideais e não se mostra disposto a alterá-los. Pelo contrário.
Vamos por partes:
Primeiro, a homofobia
Muito se reclamou da atuação de Feliciano contra os direitos fundamentais dos homossexuais. A coleção de frases e a atuação do pastor não deixam dúvidas quanto à sua posição. Como é sabido, a igreja católica igualmente condena a homossexualidade, e considera pecado o amor da população LGBT.
O próprio Francisco, pessoalmente, demonstra preocupação com o que chama de “lobby gay” no Vaticano. Conforme revelou o site católico Reflexión y Liberación, o pontífice afirmou o seguinte em uma audiência recente com a diretoria da Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosos: “Na Cúria há gente santa de verdade. Mas também há uma corrente de corrupção, é verdade. Fala-se de lobby gay, e é verdade, ele está aí… temos que ver o que podemos fazer”.
Segundo, os direitos da mulher
Em entrevista para o livro “Religiões e política”, o deputado do PSC-SP afirmou o seguinte: “Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo; [assim] você destrói a família, cria-se uma sociedade só com homossexuais, e essa sociedade tende a desaparecer, porque ela não gera filhos”.
A igreja católica sempre tratou a mulher de forma diferenciada. A começar pelo fato de que elas não podem ser ordenadas. Aos homens (padres) cabe orientar os fiéis, ditar os rumos da igreja e do mundo. Às freiras cabem tarefas como cuidar dos enfermos e necessitados e, por exemplo, cozinhar, lavar e passar para o “homem simples de fala mansa” que está entre nós.
Mais: estão sendo distribuídas 2 milhões de cópias de um Manual de Bioética durante a visita do papa ao Brasil, sendo quase a metade da tiragem a versão em português, segundo informações da Confederação Nacional de Bispos Brasileiros. De suas 72 páginas, praticamente a metade traz pilhas de informações “científicas” e julgamentos morais contra o aborto. O restante divide-se entre a condenação de pesquisas com células-tronco, a condenação da inseminação artificial e a condenação da eutanásia.
O direito sobre o próprio corpo, uma questão que o movimento feminista do mundo todo considera vital desde a década de 1960, é classificado como “crime” em diversos pontos do texto. De acordo com o manual, mesmo em caso de estupro ou de inviabilidade do feto, a interrupção da gravidez não pode ser sequer aventada: “O direito de matar o próprio filho não pode ser fonte de liberdade nem de realização pessoal”. Todos os métodos contraceptivos, pílula e DIU inclusive, são considerados abortivos e criminosos.
Em terceiro lugar, o apego ao dinheiro
Causou espécie um vídeo que circulou recentemente, no qual o pastor Marco Feliciano pedia a senha de um cartão de crédito para um fiel, dizendo que, caso a senha não fosse revelada, “o milagre não viria”. Costuma ser igualmente criticada a cobrança do dízimo por parte de igrejas evangélicas –como se a igreja católica não o fizesse.
Tudo isso, contudo, é esmola perto do patrimônio misterioso e incalculável da igreja católica. A revista Exame fez uma reportagem bastante reveladora sobre o Banco do Vaticano. Entre diversos casos de lavagem de dinheiro, escândalos sexuais, corrupção e má administração relatados pela publicação, destaco uma informação: o banco gere cerca de 6 bilhões de euros em ativos. Vou repetir: 6 bilhões de euros.
Isso sem contar as milhares de propriedades da igreja católica ao redor do globo todo. Não sou um estudioso do cristianismo, mas acredito que valores como ajuda ao próximo, desapego e amparo aos pobres não combinam com a acumulação de fortunas dessa grandeza. Mesmo que o chefe da instituição prefira andar num fiat “sem luxo” e dormir num “quarto simples”.
Em quarto lugar, a promiscuidade com o poder público
papa francisco globo
Fiel chora de emoção no Jornal Nacional ajoelhada
diante de microfone da Globo (Reprodução)
Muito se critica Feliciano e a bancada evangélica por usarem o poder público que detêm para obter vantagens para suas instituições. O que afronta o conceito de estado laico. O catolicismo faz o mesmo.
O amplo uso de estruturas e verbas públicas durante a visita de Francisco; o mesmo lobby para isenções fiscais e outras benesses financeiras; a mesma submissão dos governantes (de Dilma ao vereador de Pindamonhangaba). Mais: há crucifixos em repartições públicas (desrespeitando os evangélicos, inclusive) e mensagens religiosas nas notas de dinheiro, que são um símbolo nacional. E por aí vai.
(Parênteses: pedofilia)
Aqui não há o paralelo com Feliciano, mas vale lembrar das inúmeras acusações de abuso sexual contra padres no mundo inteiro, muitas cometidas contra menores e encobertas pelo Vaticano. A situação é tão grave que a ONU pediu, agora no começo de julho, esclarecimentos sobre os crimes cometidos por padres em todo mundo. Como o vaticano é membro das Nações Unidas e tem a falta de transparência como uma de suas marcas, a ONU quer saber o que a Igreja Católica têm feito de efetivo contra os criminosos que foram descobertos em suas fileiras.
Por fim, o apoio da mídia
Aqui, uma das maiores injustiças com Marco Feliciano. O pastor é hostilizado por todos, TV Globo inclusa. Suas posições, conforme demonstrado, são irmãs siamesas das defendidas por Francisco e pela religião que comanda. E dos dogmas vindos de Roma ninguém reclama.
Pior: a maior TV do país (bem como quase todos os outros veículos de imprensa) ajoelha-se ao mandatário da tv católica. E não acredito ser esta uma decisão baseada somente pela audiência. A missa de domingo está na grade da Globo há décadas –atualmente é celebrada ao vivo pelo Padre Marcelo. E a emissora, apenas recentemente, de olho na perda de audiência e de dinheiro, começou um flerte institucional com os evangélicos, inaugurado com o festival de músicas gospel Promessas.
Pare finalizar, deixo vocês com algumas frases do primeiro bloco do Jornal Nacional desta segunda-feira. Tentem imaginar Marco Feliciano ou qualquer outro líder evangélico sendo tratado desta forma pelo noticioso visto por quase metade da população brasileira toda noite:
“De papamóvel, fez um passeio que vai ficar na memória dos fieis”
“Distribuiu simpatia”
“Mais perto do povo, do jeito que o papa Francisco gosta”
Fiel: “Foi um presente de Deus, eu consegui estar perto dele e pude constatar que ele realmente é esse pastor humilde, amigo do povo e que veio pra resgatar mais fieis pra igreja católica”
“Deixou uma legião de fieis encantados”
“Santo, abençoado, humilde… os elogios vão brotando”
Fiel: “Ele é gente como a gente”
“A cada esquina ele faz novos amigos”
“Os gritos pareciam saídos de um show de rock”
“Se fosse só isso, já valeria a pena, e o papa Francisco acabou de chegar”.
Lino Bocchini, jornalista de CartaCapital
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ONU vê com entusiasmo o Programa ‘Mais Médicos’”

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Programa Mais Médicos é coerente com recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde
A Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil informou que está acompanhando do debates nacionais sobre como fortalecer a atenção básica e primária de saúde no Brasil. A OPAS/OMS vem trabalhando com atores nacionais para dar seus aportes e vê com entusiasmo o recente pronunciamento do Governo brasileiro sobre o Programa “Mais Médicos”.
Segundo a OPAS/OMS, essas últimas medidas guardam coerência com resoluções e recomendações da Organização sobre cobertura universal em saúde, fortalecimento da atenção básica e primária no setor saúde equidade na atenção à saúde da população. O Programa também está direcionado a construir uma maior equidade nos benefícios que toda a população recebe do Sistema Único de Saúde (SUS).
O Brasil apresenta uma média de médicos com relação a sua população menor que a média regional e a de países com sistemas de referência, tanto nas Américas como em outras regiões do mundo. Para a Organização, são corretas as medidas de levar médicos, em curto prazo, para comunidades afastadas e de criar, em médio prazo, novas faculdades de medicina e ampliar a matrícula de estudantes de regiões mais deficientes, assim como o numero de residências médicas. Países que têm os mesmos problemas e preocupações do Brasil estão colhendo resultados da implementação dessas medidas.
A OPAS/OMS afirma que, em longo prazo, a prática dos graduandos em medicina, por dois anos no sistema público de saúde, deve garantir, juntamente com o crescimento do sistema e outras medidas, maior equidade no SUS.
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Por que os coxinhas de jaleco não querem concorrência de fora?

Em hospital do Gama - DF, o médico se recusou a levantar da cadeira para atender uma paciente com crise de hipertensão. Pacientes tiveram que empurrar o banco com a mulher para dentro do consultório.
Segundo testemunha que nos encaminhou a denúncia, foram quase 20 minutos de conversa para convencer o médico.
O Doutor em "E daí? Não é minha mãe"
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25 verdades de Raúl Castro sobre Cuba

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Como de costume, o presidente cubano, Raúl Castro, se mostrou muito crítico durante sua intervenção, no dia 7 de julho de 2013, diante do Parlamento local. Firma-se, uma vez mais, em seu papel de primeiro dissidente do país.
1. Com a legalização do dólar em 1993, depois da grave crise econômica que atingiu Cuba após o desmoronamento do bloco soviético, estabeleceu-se um sistema de dualidade monetária no país. Em 2002, além do peso cubano e do dólar, introduziu-se o peso conversível (CUC) na ilha. De 2002 a 2004, circularam três moedas em Cuba até o desaparecimento do dólar, em 2004. Agora, o peso cubano convive com o peso conversível, com uma diferença de valor de 1 a 24. Essa dupla moeda é fonte de desigualdade na nação, na medida em que a maioria dos cubanos recebe seu salário em pesos cubanos, e não em CUC, reservados ao setor turístico. Raúl Castro está consciente dessa realidade. Segundo ele, “o fenômeno da dualidade monetária se constitui como um dos obstáculos mais importantes para o progresso da nação”.
2. O presidente cubano é um ferrenho detrator da indolência e incompetência que, às vezes, caracterizam os cubanos, e enfatiza “a necessidade de uma luta enérgica e sem trégua contra os maus hábitos e os erros que, nas mais diversas esferas, acometem diariamente muitos cidadãos, inclusive militantes”.
3. A crise econômica que engendrou o Período Especial, iniciado em 1991, teve um impacto sumariamente negativo nos valores da sociedade cubana, que agora é menos solidária e mais egoísta. “Percebemos, com pesar, […] o crescente deterioramento dos valores morais e cívicos, como a honestidade, a decência, a vergonha, o decoro, a honradez e a sensibilidade ante os problemas dos demais”.
4. Raúl Castro fustiga os recorrentes roubos cometidos contra o Estado, que se tornaram normais: “Uma parte da sociedade passou a ver como normal o roubo contra o Estado”.
5. O presidente denuncia as “construções ilegais, além de serem em lugares indevidos”, assim como a “ocupação não autorizada de casas”.
6. O reino da “impunidade” favorece “a comercialização ilícita de bens e serviços em Cuba e afeta amplamente a economia nacional e os recursos do Estado”.
7. Um importante número de funcionários cubanos não cumpre os horários nos centros de trabalho, pelos quais recebem um salário, o que impacta negativamente a produtividade do país e afeta o bom funcionamento dos serviços públicos.
8. “O furto e o abate ilegal de gado” são um fenômeno em plena expansão, assim como “a captura de espécies marinhas em perigo de extinção”, “a destruição de recursos florestais, incluindo o magnífico Jardim Botânico de Havana”.
9. “O estoque de produtos deficitários e sua revenda a preços superiores” se tornou uma atividade lucrativa em Cuba, onde pessoas sem escrúpulos se aproveitam das dificuldades e vicissitudes cotidianas da população para se dedicarem à especulação.
10. O desenvolvimento de jogos ilegais está em pleno auge na ilha e implica somas consequentes.
11. A corrupção é uma realidade endêmica em Cuba e inúmeros funcionários aceitam “subornos e prebendas”.
12. Certa categoria da população se dedica ao “assédio ao turismo”, o que pode representar um grave perigo para a economia do país, dependente desse setor, que representa a terceira fonte de renda da nação.
13. Raúl Castro lamenta as violações do “dever cidadão” e os atentados contra a vida em comunidade. Fustiga o vandalismo diurno e noturno, o fato de pichar paredes ou colocar dejetos nas vias públicas, o consumo de álcool em lugares públicos, dirigir veículos em estado de embriaguez, assim como a destruição de bens públicos, fatos cada vez mais recorrentes na sociedade.
14. As violações das regras elementares de higiene, como a criação de porcos em plena cidade, colocam em risco a saúde da população.
15. A fraude no pagamento da passagem de transporte público também é um fenômeno preocupante, acompanhado do roubo dos bilhetes da venda de passagens pelos próprios “trabalhadores do setor”.
16. Apesar de meio século de Revolução e da elaboração de um sistema social baseado na solidariedade e na ajuda aos mais vulneráveis, o presidente cubano constata que “são ignoradas as mais elementares normas de cavalheirismo e respeito aos idosos, mulheres gestantes, mais com filhos pequenos e deficientes físicos”.
17. O mais grave, segundo ele, é que “tudo isso acontece sob nossos narizes, sem incitar a repulsa e o enfrentamento por parte dos cidadãos”.
18. A educação é uma das grandes conquistas do processo revolucionário cubano e um dos pilares da coesão social. No entanto, esse setor não está isento de críticas. Raúl Castro denuncia a implicação de alguns professores e familiares em casos de fraude acadêmica, com consequências nefastas para a sociedade. “Sabe-se que a casa e a escola constituem o sagrado binômio da formação do indivíduo em função da sociedade e esses atos já representam não apenas um dano social, mas graves rachaduras de caráter familiar e escolar […] A família e a escola devem ensinar às crianças o respeito às regras da sociedade”.
19. Raúl Castro admite que, ainda que a prevenção e o trabalho político tenham sido privilegiados para resolver os problemas em detrimento da força coercitiva da lei, convém “reconhecer que, nem sempre, o resultado foi eficiente”.
20. O presidente cubano reconhece que a praga da “corrupção administrativa” chega a todos os quadros, inclusive a alguns altos dirigentes.
21. “Retrocedemos em cultura e civismo cidadãos”, enfatiza Raúl Castro.
22. “Tenho a amarga sensação de que somos uma sociedade cada vez mais instruída, mas não necessariamente mais culta.”
23. O presidente cubano fustiga “a falta de exigência, de ordem e disciplina”, “a ausência de sistematização no trabalho em diferentes níveis de direção e falta de respeito, em primeiro lugar, por parte das entidades estatais da institucionalidade vigente”.
24. “Como é possível exigir, então, que a população respeite as regras vigentes, se o próprio Estado não respeita a lei?”, pergunta Raúl Castro.
25. Como de costume, Raúl Castro se mostrou direto, incisivo e implacável com os membros de seu próprio governo. “Ao mesmo tempo, os dirigentes, desde a instâncias nacionais, até a base, devem abandonar a passividade e a inércia em sua conduta; devem deixar de olhar para o outro lado, quando o problema está aqui, para não vê-lo.”
Salim Lamrani
No Solidários
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Explicações e dúvidas sobre o apartamento de Joaquim Barbosa

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1. A compra por pessoa jurídica (PJ) interessa a quem pretende passar o imóvel mais adiante, sem pagar Imposto de Renda. Em vez de vender o imóvel, vende as cotas da  PJ proprietária. Muitos investidores fazem isso, inclusive por questões de herança, para passar imóveis para herdeiros sem pagamento de taxas e tributos. Adquirindo através da PJ, a rigor Joaquim Barbosa estaria recorrendo a um expediente comum de planejamento tributário, perfeitamente legítimo.
2. O que não fica claro é a informação de que o pagamento foi simbólico, de US$ 10,00. Aí não bate. A corretora recebeu os quatrocentos e tantos mil dólares e o pagamento veio de algum lugar. Se foram recursos de Barbosa no Brasil, certamente ele terá como apresentar os documentos da remessa de dólares, que precisa necessariamente de registro no Banco Central. Se recursos que acumulou lá fora (em trabalhos internacionais, no período em que morou no exterior etc.), também não terá a menor dificuldade em comprovar a origem. O importante é que haja uma origem legítima para os recursos e uma explicação legítima para o valor simbólico de US$ 10,00.
3. Por seu histórico, de nunca ter se envolvido em operações suspeitas, Joaquim Barbosa fica com o benefício da dúvida. Agora, é aguardar suas explicações. E não há hipótese para Barbosa se negar a explicar a operação, assim como, na qualidade de mais graduado servidor público do país, não abrir sua declaração de renda.
No Advivo
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Globo bate em quem cobra suas dívidas?

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Em defesa do governador Ricardo Coutinho, PSB da Paraíba bateu duro na emissora dos Marinho; segundo o partido, ele só foi atacado por ter cobrado uma dívida de R$ 7 milhões no estado; "a verdade prevalecerá", diz a nota, referente ao programa Jampa Digital; confira
No momento em que é acusada de sonegação fiscal na aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, a Globo sofre outro revés. Uma nota do PSB da Paraíba em defesa do governador Ricardo Coutinho acusa a emissora de só ter atacado o político pelo fato de ele ter cobrado uma dívida de R$ 7 milhões da empresa. Nos noticiários da TV Globo, Coutinho aparece como um dos favorecidos, em 2010, com verbas do programa Jampa Digital, de internet livre no Estado.
Leia abaixo matéria do portal Paraíba Hoje a respeito e a íntegra da nota do PSB:
PBHoje - Os diretórios do PSB estadual e municipal de João Pessoa emitiram nota conjunta no final da tarde de segunda-feira (22), em defesa do governador Ricardo Coutinho, citado em matérias da TV Globo, Cabo Branco, de João Pessoa, e Folha de São Paulo, desse final de semana, como tendo sido favorecido com verbas do projeto de internet Jampa Digital, na campanha eleitoral de 2010, quando o atual governador disputou o governo da Paraíba.
A Nota:
O QUE ESTÁ ESCONDIDO NOS ATAQUES DA GLOBO CONTRA O COMPANHEIRO RICARDO COUTINHO
A história da Globo na política brasileira é um péssimo exemplo de imprensa amarrada ao poder e de nenhum compromisso com a democracia. Em março de 1994, Leonel Brizola ganhou na justiça o direito de veicular no Jornal Nacional uma carta na qual afirmava que "não conheço a Globo como exemplo de liberdade de imprensa".
Nas eleições de 2010 ocorreram manipulações de pesquisas eleitorais. A Paraíba toda deve se lembrar que o Ibope, contratado pela TV Cabo Branco, em nenhum momento colocou a possibilidade da vitória de Ricardo. Ao contrário, dizia que Maranhão ganharia no 1º turno. O que é estranho é que o grupo empresarial comandado pelo empresário Eduardo Carlos tinha uma dívida de mais R$ 7 milhões que foi perdoada no final do Governo Maranhão. Foi Ricardo, já como governador, que teve a coragem de cobrar o que era do povo.
Agora, a TV Globo (leia-se TV Cabo Branco e TV Paraíba) tenta fazer com Ricardo Coutinho o mesmo que fez com Brizola. O interessante é que a Folha de São Paulo adere à iniciativa da Globo para atingir Eduardo Campos, presidente nacional do PSB e virtual candidato à Presidência da República.
O PSB não aceita! A população não pode ficar à mercê de uma rede de TV cujo passado e presente nada têm a ver com a luta democrática das forças populares e com a luta pelo socialismo.
O Ministério Público é o caminho de uma investigação clara, democrática e objetiva. Nada temos a temer.
A verdade vencerá!
Partido Socialista Brasileiro
José Edvaldo Rosas
Presidente do Diretório Estadual - PB
Ronaldo Barbosa Ferreira
Presidente do Diretório Municipal de João Pessoa
No 247
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O silêncio cúmplice e suicida dos concorrentes da Globo

Ao se calarem diante do comportamento predador da emissora, as empresas de mídia deixaram crescer um monstro que as sufoca.
Otavio Frias e uma assessora de imprensa no lançamento de uma peça sua
Otavio Frias e uma assessora de imprensa no lançamento de uma peça sua
Sonegação é um problema sério numa economia.
Para os cofres públicos, significa dinheiro a menos para construir escolas, portos, hospitais, estradas etc.
Para o mercado, é uma agressão à concorrência justa: quem sonega tem vantagem competitiva sobre quem paga impostos. Sobram mais recursos para investir, por exemplo.
Por tudo isso, o caso Globo é espantoso: como a empresa pôde se safar impunemente, durante tanto tempo, sendo uma sonegadora serial?
Uma informação que está circulando freneticamente na internet hoje é quase inacreditável.
Documentos obtidos pelo Hoje em Dia, jornal de Belo Horizonte, mostram que nos últimos dois anos a Globo foi notificada 776 vezes pela Receita Federal por sonegação fiscal.
Os papeis mostram também que, ao contrário do que a Globo afirmou recentemente em nota, não foi quitada a dívida de 600 milhões de reais com a Receita relativa ao caso da trapaça contábil na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.
Segundo o Hoje em Dia, a papelada comprova ainda que o Ministério Público Federal, ao ser avisado sobre operações irregulares da Globo nas Ilhas Virgens Britânicas, “prevaricou muito”.
Ao invés de solicitar investigação à Polícia Federal, [o MP] preferiu emitir um parecer que atesta não ter ocorrido nenhum ato ilícito nas transações nas Ilhas Virgens”, afirma o Hoje em Dia. “Um inquérito criminal contra os irmãos Marinho chegou a ser instaurado, mas também sumiu das dependências da Receita Federal.”
Não há nada que a Globo não pareça fazer para sonegar. Dias atrás, por exemplo, soube-se que o jornalista Carlos Dornelles conseguiu levantar uma cifra calculada em 1 milhão de reais num acordo judicial com a Globo.
Dornelles acionou a empresa por causa de uma prática comum ali: pegar jornalistas, sobretudo os mais bem pagos, e transformá-los contabilmente em PJs com o único objetivo de sonegar.
Dornelles tinha sido transformado em PJ em seus últimos anos de Globo embora fizesse o mesmo que fazia quando era contratado pela CLT.
Nos protestos, a Globo foi um dos maiores alvos
Nos protestos, a Globo foi um dos maiores alvos
O que leva a Globo a ser tão deletéria?
A certeza da impunidade é um dos pontos centrais para entender essa questão. Essa certeza deriva de muitas coisas, como os laços que a empresa mantém com altas patentes do Judiciário.
E também da omissão cúmplice dos concorrentes da Globo, que acabam esmagados por ela, numa competição injusta e desigual, sem fazer nada.
Nenhuma grande empresa jornalística se mobilizou para investigar o caso da Copa de 2002, por exemplo.
O blog O Cafezinho publicou uma denúncia que era nitroglicerina pura: o flagrante que a Receita dera na Globo. Estava tudo documentado. Mas a mídia nada fez.
Podemos imaginar que parte do silêncio se deve a que a Globo saiba informações pouco edificantes das demais empresas de mídia, e poderia publicá-las sob pressão.
Mas mesmo assim. Nada fazer – e é o que tem acontecido desde que a Globo é a Globo – acabou transformando a emissora no monstro monopolista que é.
Os problemas para a Globo só apareceram pela ação da mídia digital, não controlada – graças a Deus — pelos irmãos Marinhos.
Uma vez publicadas as malfeitorias da Globo, é difícil acreditar que o regime de vida boa na contravenção possa perdurar.
Quando a posteridade estudar o caso Globo, terá dificuldade em compreender certas coisas.
Sendo a emissora não nociva perante seus concorrentes, deixando-lhes apenas migalhas, como eles puderam ficar imobilizados, mesmo sob o risco de revelações complicadas?
A competição não se limitou a silenciar. Deu uma cobertura para a Globo sem limites – ao ponto de irritar os leitores.
Poucos meses atrás, a Folha publicou a carta de um leitor indignado com o espaço dedicado na Ilustrada às novelas.
A revista Veja dedica regularmente grandes reportagens a novelas da Globo, e o BBB é um assunto de toda a mídia nacional.
O resultado disso foi, sempre, apenas alimentar uma companhia de caráter predador.
Sonegação pode ser, às vezes, a saída desesperada e arriscada de uma empresa em dificuldades.
Este está longe de ser o caso.
Recentemente, a revista Exame publicou o resultado da Globo em 2012. “No acumulado de 2012, a companhia lucrou 2,9 bilhões de reais – um aumento de 35,9% ante o resultado do ano anterior”, escreveu a Exame.
A receita líquida da empresa também avançou 32,4% em 2012 e chegou a 12,6 bilhões de reais.
Por que, então, sonegar?
Olhe o patrimônio dos acionistas. Segundo a Forbes, os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho têm, cada um, uma fortuna avaliada em quase 9 bilhões de dólares.
O caso pertence à patologia humana e corporativa.
A Globo fez uma imensa farra no Brasil – até que apareceu uma coisa chamada internet em seu caminho.
Paulo Nogueira
No DCM
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O ataque à lei de atendimento às vítimas de violência sexual


No topo, flagrante da reunião de representantes dos movimentos de mulheres e da Bancada Feminina na Câmara dos Deputados. Abaixo, Guacira Cesar de Oliveira e Angela Freitas, que denunciam guerra de desinformação contra o PLC 3/2013 por parte dos setores conservadores.
Fotos:Cfemea e Amara Barroso
Está nas mãos da presidenta Dilma Rousseff para sanção o projeto de lei 60/99, de  autoria da deputada federal Iara Bernardi (PT-SP), aprovado unanimemente no Senado e Câmara dos Deputados sob a referência PLC 3/2013.
Ele dispõe sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual.
É erro pensar que essa lei altera as normas que hoje regulam o atendimento à saúde das mulheres e adolescentes vítimas de violência sexual”, afirma Guacira Cesar de Oliveira. “Porém, representa reforço legal importante  às orientações a esse tipo de atendimento, que já constam da Norma Técnica de Atenção aos Agravos da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes, do Ministério da Saúde.”
Essa norma vigora desde 1999, e é resultado de amplo consenso nas áreas médica, movimentos de saúde e de mulheres. Em 2005, ela foi aprimorada e ampliada.
Apesar disso tudo, movimentos religiosos querem que a presidenta Dilma vete o projeto, alguns parcialmente, outros na íntegra.
Na quinta-feira passada, 18 de julho, representantes de movimentos de mulheres e da Bancada Feminina na Câmara dos Deputados — Erika Kokay (PT-DF), Jô Morais (PCdoB-MG), Janete Pietá (PT-SP) e Iara Bernardi (PT-SP) –, reuniram-se com Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, e Eleonora Menicucci, ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
Também estavam presentes representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SDH).
“Nós, assim como as deputadas, dissemos às ministras que somos a favor da sanção integral do PLC 3/2013”, frisa Guacira de Oliveira, representante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) na reunião. “É inconcebível qualquer veto. Seria retrocedermos ao século passado.”
Guacira Cesar de Oliveira é socióloga, integra o colegiado do Cfemea. Segue o restante da nossa entrevista. Angela Freitas, representante da AMB no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro (Cedim-RJ), participou da conversa. Aproveitei para ouvi-la sobre a nota divulgada pela AMB, pedindo à presidenta Dilma que sancione integralmente o PLC 3/2013.
Viomundo – O que a ministra Gleisi disse para vocês?
Também estavam presentes representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SDH).
“Nós, assim como as deputadas, dissemos às ministras que somos a favor da sanção integral do PLC 3/2013”, frisa Guacira de Oliveira, representante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) na reunião. “É inconcebível qualquer veto. Seria retrocedermos ao século passado.”
Guacira Cesar de Oliveira é socióloga, integra o colegiado do Cfemea. Segue o restante da nossa entrevista. Angela Freitas, representante da AMB no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro (Cedim-RJ), participou da conversa. Aproveitei para ouvi-la sobre a nota divulgada pela AMB, pedindo à presidenta Dilma que sancione integralmente o PLC 3/2013.
Viomundo – O que a ministra Gleisi disse para vocês?
Guacira de Oliveira  – Logo de início, a ministra Gleisi informou que já havia recebido dois grupos religiosos que reivindicam veto  ao projeto, um integrado por  evangélicos e um grupo católico.
Ela nos disse que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) propõe veto parcial de dois itens: o que trata da prevenção da gravidez e o que dispõe a respeito da informação às vítimas de violência sexual sobre seus direitos legais. Disse também que estão recebendo milhares de cartas, para vetar o projeto de grupos radicais católicos, evangélicos e espíritas, num volume semelhante ao que chegou em relação ao ato médico.
Viomundo – E a ministra Eleonora?
Guacira de Oliveira — Disse que aquela reunião atendia à manifestação do movimento de mulheres e da Bancada Feminina encaminhada à presidenta Dilma a favor da sanção integral do PLC 3/2013. Esclareceu também que havia recebido manifestações no mesmo sentido do Conselho Federal de Medicina, Conselho de Enfermagem, Associação Brasileira de Saúde Comunitária, Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Associação Brasileira de Enfermagem e Conselho Federal de Psicologia.
Viomundo – O deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) e outros fundamentalistas religiosos dizem que esse projeto é para legalizar o aborto.
Guacira de Oliveira – É mentira! Estão promovendo guerra desinformação, que é nociva à cidadania.
O PLC 3/2013 dispõe exclusivamente sobre a atenção às vítimas (homens e mulheres) da violência sexual. Nada além!!! É  preciso lembrar que grande parte dessas vítimas é adolescente.
Aliás, na reunião com as ministras, mostramos que, desde 1940, é legal o aborto no Brasil em caso de estupro e risco de vida. E que, desde 1991, temos serviços para o atendimento às vítimas de violência sexual. E ainda que, desde 1999, temos a Norma Técnica sobre a Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual.
O PLC 03/2013 não altera absolutamente nada do que já está nessa Norma Técnica de 1999, nem no que dispõe o Decreto Presidencial 7.958, de 13/3/2013, que estabelece diretrizes para o atendimento às vítimas. Ademais, a interrupção da gravidez em caso de violência sexual é direito das mulheres e meninas.
Viomundo – Por outro lado, a violência sexual vem aumentando no Brasil.
Guacira de Oliveira – Exatamente. E as vítimas desconhecem onde podem ser atendidas. Quase ninguém sabe que serviço oferece atendimento às vítimas de violência sexual.
Segundo pesquisa de opinião realizada por Católicas pelo Direito de Decidir, 96% d@s brasileir@s não têm informação sobre a quem ou qual serviço público se deve recorrer em caso de violência sexual.
Viomundo – O que significará eventual veto parcial ou total?
Guacira de Oliveira – Contraria a nossa reivindicação. Mais que isso. É o mesmo que chocar ovos de serpente. As serpentes do atraso, dos anti-direitos já garantidos, que têm de ser enfrentadas, se não quisermos que mais mulheres e meninas continuem morrendo estupidamente. É preciso lembrar que o atendimento imediato a um caso de estupro, com a prescrição da pílula do dia seguinte, que não é abortiva, previne uma gravidez indesejada, evitando assim o aborto.
Viomundo — A Articulação de Mulheres Brasileiras lançou nota apelando à  Dilma que sancione o PLC 3/2013, que foi aprovado por unanimidade pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Agora, alguns parlamentares dizem ter aprovado o projeto sem saber o que significava.
Angela Freitas – É um absurdo! Em nossa nota, deixamos claro: quem é representante do povo e vota qualquer coisa sem saber do que se trata não tem responsabilidade para exercer mandato público. E eu acrescento: a população deve ficar atenta a esse tipo de parlamentar, para não reelegê-los.
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovaram por unanimidade o PLC 3/2013. É em respeito a uma decisão unânime do Congresso que a presidenta deve sancionar a lei. E em respeito ao compromisso do Estado brasileiro com a democracia.
Viomundo – O que significa essa demanda de segmentos conservadores dos evangélicos, espíritas, católicos?
Angela Freitas -- Não é democrática, é autoritária, atenta contra o Estado Laico, faz soprar ventos tenebrosos de um Estado teocrático.
Viomundo – Uma das alegações desses segmentos é que as mulheres iriam inventar que foram estupradas para conseguir interromper a gravidez legalmente. O que acha desse argumento?
Angela Freitas – Tremenda desfaçatez! Um descaso com a honestidade das mulheres. É achar que, por princípio, elas são desonestas e mentirosas. Descaso também diante do saber de profissionais de saúde, que conversam com essas mulheres e as examinam.
O aborto legal não é algo que se obtém com facilidade. O atendimento é feito por uma equipe multiprofissional e que não é ignorante. É composta por pessoal da medicina, enfermagem, assistência social, psicologia. Enfim, é essa equipe que, em conjunto, constrói a definição sobre como proceder. E se a mulher estiver inventando, será detectado. É preciso dar essa oportunidade à mulher, e não condená-la a priori.
Viomundo – Que avanço o PLC 3/2013 vai possibilitar?
Angela Freitas – É o de ter uma norma federal, com status de lei federal, e não somente de norma técnica ou decreto, para garantir a efetivação dos direitos das vítimas a cuidados e proteção. Os serviços não poderão fazer alegações de ocasião para negar o atendimento devido.
Dessa maneira, também será possível se enfrentar melhor os obstáculos judiciais que os antiabortistas vêm impondo às vítimas de violência sexual, quando decidem realizar um aborto.
A sanção do PLC está em sintonia com as manifestações de rua pela laicidade do Estado, evidente nos protestos contra o projeto da cura gay e o Estatuto do Nascituro, entre outros absurdos fundamentalistas em tramitação no Congresso Nacional.
A presidenta Dilma contará com o apoio dos movimentos de mulheres, feminista e de saúde da mulher para a sanção da lei. A Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e a Associação Brasileira de Enfermagem também defendem a sanção já!
Carta enviada à presidenta Dilma Rousseff com cópia a ministros
Brasil, 16 de Julho de 2013.
À Exma Sra.
Presidenta da República
Dilma Rousseff
C/C para:
Gilberto Carvalho – Ministro Chefe da Secretaria Geral da PR
Eleonora Menicucci – Ministra da SPM
Alexandre Padilha – Ministro da Saúde
Gleisi Hoffman – Ministra Chefe da Casa Civil da PR
Senhora Presidenta,
As organizações e pessoas abaixo assinadas dirigem-se a Vossa Excelência para apelar com veemência pela sanção do projeto de lei 60/99 de autoria da ex-deputada Iara Bernardi, recentemente aprovado na Câmara e no Senado Federal sob a referência de PLC 3/2013.
Esta lei, embora não traga qualquer alteração nas regras que hoje regem o atendimento à saúde de mulheres e adolescentes vítimas de violência, representa um reforço legal precioso para as orientações que regem este atendimento, traduzidas na Norma Técnica de Atenção aos Agravos da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes, do Ministério da Saúde, fruto de amplo consenso na área médica e entre os movimentos de mulheres. Esta Norma Técnica vigora desde 1999 e foi revisada, aprimorada e ampliada em 2005 e 2011.
Presidenta Dilma, em respeito aos direitos das mulheres e adolescentes vítimas de violência, em resposta positiva às carências reveladas pelo recém-aprovado Relatório da CPI da Violência contra as Mulheres, de modo a superar as barreiras que se interpõem ao atendimento legal e seguro às vítimas de violência sexual, em harmonia com o Código Penal Brasileiro, em consonância com a Constituição Brasileira e em nome da Justiça para todas as mulheres reivindicamos que Vossa Excelência sancione o PLC 3/2013.
Assinaturas institucionais
ABEP – Associação Brasileira de Estudos Populacionais
ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids
ALAP – Associação Latino-Americana de População
AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras
AMMIGA – Associação de Mulheres de Itinga/ Lauro de Freitas-BA
AMNB – Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras
Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero/ DF
Associação de Defesa dos Direitos Trabalho e Desenvolvimento das Mulheres de Mato Grosso
Articulação de Mulheres do Amapá
Articulação de Mulheres do Amazonas
Articulação de Mulheres do Mato Grosso do Sul
Articulação de Mulheres Brasileiras do Rio de Janeiro
Associação Casa da Mulher Catarina/ SC
Associação Cultural Tarsila do Amaral
Associação Ilê Mulher/RS
Associação Lésbica Feminista Coturno de Vênus/ DF
Ateliê de Mulher/SP
Casa da Mulher 08 de Março/ Palmas/TO
Católicas pelo Direito de Decidir
Centro de Documentação e Informação Coisa de Mulher/RJ
Centro de Informação Mulher/SP
Centro da Mulher 08 de Março/PB
CFEMEA – Centro Feminista de Assessoria e Pesquisa
CEDEPLAR – UFMG
CEPIA – Cidadania Estudo Pesquisa Informação e Ação
Coletivo Alumiá: Gênero e Cidadania
Coletivo Feminino Plural/RS
Coletivo Feminista GEMDAC/PI
Coletivo  Leila Diniz/RN
Coletivo de Mulheres Ana Montenegro
Coletivo de Mulheres do Calafate/ Salvador-BA
Comissão de Cidadania e Reprodução – CCR
Comitê Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher – CLADEM Brasil
Comitê Estadual de Mortalidade Materna de Pernambuco
CONAMI – Conselho Nacional de Mulheres Indígenas
Confederação das Mulheres do Brasil – CMB
Consulta Popular
Criola
Cunhã Coletivo Feminista/PB
Diretoria de Mulheres da União Nacional dos Estudantes – UNE
Elas Fundo de Investimento Social
Entre Nós – Assessoria, Pesquisa e Educação em Gênero e Raça/Região Metropolitana de São Paulo
Espaço Mulher/PR
FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
Fé-minina – Movimento de Mulheres de Santo André
Fórum Cearense de Mulheres
Fórum Estadual de Mulheres do Rio Grande do Norte
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense
Fórum de Mulheres de Manaus
Fórum de Mulheres do Distrito Federal
Fórum de Mulheres do Espírito Santo
Fórum de Mulheres de Mato Grosso
Fórum de Mulheres Maranhenses
Fórum de Mulheres de Imperatriz/MA
Fórum de Mulheres da Paraíba
Fórum de Mulheres de Pernambuco
Fórum de Mulheres Piauienses
Fórum Goiano de Mulheres
Fórum sobre Feminismo e Direitos Humanos de Campina Grande/ PB
Forum Popular de Mulheres do Paraná
Fundação SEADE
Grupo Curumim/PE
Ilê Mulher/RS
IMAIS – Instituto Mulher pela Atenção Integral à Saúde e Direitos Humanos/ BA
Instituto Equit – Gênero, Economia e Cidadania Global
Instituto AMMA Psique e Negritude
Instituto Patrícia Galvão
Liga Brasileira de Lésbicas – LBL
MAMA – Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia
MMM – Marcha Mundial de Mulheres
Marcha das Vadias de João Pessoa/ PB
Marcha das Vadias de Campina Grande/PB
Marcha das Vadias do DF
Maria, Maria/SP
Movimento do Graal no Brasil/MG
Mulheres do Levante Popular da Juventude
MUSA – Programa Integrado em Gênero e Saúde do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia
NEPO – Núcleo de Estudos de População da UNICAMP
Núcleo de Mulheres de Roraima
Observatório da Mulher/ SP
Oficina Mulher – Grupo Feminista Autônomo/GO
Programa em Gênero, Sexualidade e Saúde/ IMS-UERJ
Promotoras Legais Populares de Guarulhos
Promotoras Legais Populares de Mauá
Promotoras Legais Populares de São Paulo
Rede de Articulação de Mulheres de Mato Grosso
Rede Médica pelo Direito de Decidir- Global Doctors For Choice/ Brasil
Relatoria de Saúde da Plataforma DHESCA – Brasil
Rede de Mulheres em Articulação da Paraíba
Rede de Mulheres Negras do Paraná – PR
Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
Redeh – Rede de Desenvolvimento Humano
Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT
Secretaria da Mulher Trabalhadora – SINDSEP/DF
Secretaria de Política para Mulheres de Santo André
SNMT\CUT
SOF – Sempre Viva Organização Feminista
SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia
União Brasileira de Mulheres – SC
União Brasileira de Mulheres/UBM
União de Mulheres de São Paulo
Assinaturas pessoais
Albertina de Oliveira Costa – Socióloga
Alcides Carneiro – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
Alejandra Silva – ALAP
Alicia Bercovich – ALAP
Ana Maria Goldani – ALAP
Annyeli Damião Nascimento – IBGE/ENCE
Arlete Moysés Rodrigues – Professora Livre-docente/UNICAMP
Carlos Roberto Arieira – IBGE
Carmen Hein de Campos- advogada feminista
Celso Cardoso Simões – IBGE
Cintia S. Agostinho – IBGE
Clair Castilhos – Farmacêutica – Bioquímica/Sanitarista
Duval Fernandes – PUC/MG
Eline Jonas -  União Brasileira de Mulheres/UBM
Fátima Pacheco Jordão – Socióloga/IPG
Flávio Henrique M. de A. Freire – UFRN
Gloria Rabay  - Nipam – UFPB
Jaison Luis Cervi – IBGE
Jorge Rodriguez Vignoli – ALAP
Marcia Bandeira de Mello Leite Arieira – IBGE
Marcus Vinicius Oliveira Palheta – ENCE
Marilda Lemos – UniSALESIANO Araçatuba/SP
Maria do Espirito Santo Tavares dos Santos - Conselheira Titular do Conselho Nacional de Saúde/ Membro da Comissão de Violência contra a Mulher da SES/RJ/ Coordenadora da CISMU – Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher do CNS
Maria Luiza Heilborn – Antropóloga/IMS/UERG
Maria Mary Ferreira - Fórum Maranhense de Mulheres e Grupo de Estudos Mulher, Política e Poder/UFMA
Marta Maria A. Azevedo – Nepo/UNICAMP
Rayane Noronha Oliveira – Rede Feminista DF
Regina Maria Barbosa – Nepo/UNICAMP
Renata Jardim – Coletivo Feminino Plural – Comdim/Porto Alegre
Rogério Fernandez – Assoc. Latina Americana de População
Solange Rocha - NEPPS UFPE/ Gender at Work
Suzana Cavenaghi – ALAP/ABEP
Suzana Kalckmann – Pesquisadora do Instituto de Saúde
Tania Lago – Médica sanitarista do Instituto de Saúde
Telia Negrão – Comitê Internacional da Campanha Women Won´t Wait (Mulheres não esperam)/ Fórum de Mulheres de Porto Alegre
Zora Yonara Torres Costa – Rede Feminista de Saúde
Manifestações institucionais contra sanções ao PLC 03/2013 devem ser enviadas para:
Presidente Dilma Rousseff: gabinetepessoal@presidencia.gov.br
Ministra Gleisi Hoffmann:  casacivil@presidencia.gob.br
Gilberto Carvalho:rosalina@presidencia.gov.br
Ministro da Saude: ministro@saude.gov.br
SPM: spmulheres@spmulheres.gov.br e/ou linda.goulart@spmulheres.gov.br
Conceição Lemes
No Viomundo
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Solano Trindade, o poeta negro

“A leitura dos seus versos deu-me confiança no poeta que é capaz de escrever Poema do Homem e O Canto dos Palmares. Há nesses versos uma força natural e uma voz individual, rica e ardente, que se confunde com a voz coletiva.”
Carlos Drumond de Andrade, em carta a Solano, 02/12/1944

Ele foi operário, comerciário, funcionário público, jornalista, poeta, cineasta, pintor, homem de teatro e um dos maiores animadores culturais brasileiros do seu tempo. Foi premiado no exterior e elogiado por celebridades como Carlos Drummond, Darcy Ribeiro, Otto Maria Carpeaux, Sérgio Milliet e tantos outros. Esse negro (e pobre) escritor recifense está hoje esquecido nos círculos culturais, apesar de tudo o que fez pela cultura brasileira, pelo resgate da arte popular e pela independência da cultura negra. Esquecido justamente porque fez dos seus versos, como de toda sua arte, “uma arma, um toque de clarim, que desperta as energias, levanta os corações, combate por um mundo melhor.”, nas palavras do sociólogo francês Roger Bastides. Este artista simples e contundente, genial e pobre, crítico e negro ainda não foi digerido por nossa inteligentsia. Nós, brancos, porque na universidade somos todos brancos, reverenciamos agora este negro poeta negro.
“Ainda sou poeta
meu poema
levanta os meus irmãos.
Minhas amadas
se preparam para a luta,
os tambores
não são mais pacíficos
até as palmeiras
têm amor à liberdade”.
(trecho do poema “Canto dos Palmares”)
O palco é Recife, 1908, apenas vinte anos após a abolição da escravidão. Ali, no humilde bairro de São José, no dia 24 de julho, enquanto seu pai batia sola e sua mana pisava milho no pilão para o angu das manhãs, nascia, co´a alma batizada pelos tambores, atabaques, gonguês e agogôs, o negro Francisco Solano Trindade.
Considerado por vários críticos o criador da poesia assumidamente negra no Brasil, Solano Trindade nasceu imerso na cultura popular pernambucana, fortemente marcada pelas raízes negras. Desde criança acompanhava seu pai, o sapateiro e cômico Manuel Abílio, nas danças do Pastoril e do Bumba-meu-boi e lia, a pedido de sua mãe Emerenciana, quituteira e operária, novelas, literatura de cordel e poesia romântica. O primeiro encontro sistemático de Solano com a poesia surgiu quando freqüentava a igreja presbiteriana. Logo, seus primeiros versos tratavam de assuntos religiosos. Algum tempo depois, rompeu com a acomodação da igreja em relação aos problemas sociais citando uma passagem do evangelho de João: “quem não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”.
A década de 1930 no Brasil é marcada por uma releitura da questão racial brasileira, especialmente depois que Gilberto Freyre lança seu “Casa Grande & Senzala”. Intelectuais brancos tendem a valorizar a contribuição cultural dos descendentes africanos. Com esse cenário montado, em 1934, Solano, que desde cedo buscava compreender sua identidade e raízes, organiza o I e II Congressos Afro-Brasileiros no Recife e em Salvador. Funda ainda o Centro Cultural Afro-Brasileiro e a Frente Negra Pernambucana, uma extensão da Frente Negra Brasileira. Por essa mesma época publica os seus “Poemas Negros”.

Estátua de Solano Trindade em Recife-PE
POEMA AUTOBIOGRÁFICO

“Quando eu nasci,
Meu pai batia sola,
Minha mana pisava milho no pilão,
Para o angu das manhãs…
Portanto eu venho da massa,
Eu sou um trabalhador…

Ouvi o ritmo das máquinas,
E o borbulhar das caldeiras…
Obedeci ao chamado das sirenes…
Morei num mucambo do “”Bode”",
E hoje moro num barraco na Saúde…

Não mudei nada…”
Na década de 1940, depois de deixar o Recife, Solano fixa residência no Rio de Janeiro. Na cidade maravilhosa, frequentava o Café Vermelhinho onde se reuniam intelectuais, políticos e artistas. Ali era amigo de pessoas como o Barão de Itararé e Santa Rosa. Em meio a essa efervescência cultural, Solano funda o comitê Democrático Afro-Brasileiro, o Teatro Folclórico Brasileiro, lança, no auditório da UNE, a Orquestra Afro-Brasileira e cria o Teatro Experimental do Negro (TEN). Durante a estréia no Rio, em maio de 1945, o TEN sofreu violentos ataques dos conservadores. Em editorial, o jornal O Globo chegou a afirmar que se tratava de “um grupo palmarista tentando criar um problema artificial no País” referindo-se ao racismo que segundo o jornal não existia no Brasil. Para Darcy Ribeiro o TEN foi “um núcleo ativo de conscientização dos negros, para assumirem orgulhosamente sua identidade e lutar contra a discriminação”.
“A minha poesia continuará com o estilo do nosso populário, buscando no negro o ritmo, no povo em geral as reivindicações sociais e políticas e nas mulheres, em particular, o amor. Deixem-me amar a tudo e a todos”. (Solano)
Mais tarde (1950), Solano concretizou um dos seus grandes sonhos, fundando, com apoio do sociólogo Edson Carneiro, o Teatro Popular Brasileiro (TPB), cujo elenco era formado por operários, domésticas, comerciários e estudantes. O TPB apresentava espetáculos de batuques, congadas, caboclinhos, capoeira, coco e outras manifestações populares, viajando por toda a Europa. Em 1955 criou o Brasiliana, grupo de dança brasileira que bateu recorde de apresentações no exterior. Realizou ainda em Praga o documentário “Brasil Dança”.
Núcleo de Teatro Experimental do Negro-SP (1951) / Diretor Solano Trindade
OLORUM ÈKE **

“Olorum Ekê
Olorum Ekê
Eu sou poeta do povo
Olorum Ekê

A minha bandeira
É de cor de sangue
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Da cor da revolução
Olorum Ekê

Meus avós foram escravos
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Eu ainda escravo sou
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Os meus filhos não serão
Olorum Ekê
Olorum Ekê”

** Olorum Ekê: “povo do Santo forte”, termo Iorubá.
De volta ao Brasil, Solano vem a São Paulo e é convidado pelo escultor Assis para apresentar-se no Embu. Leva todo o seu grupo. Dormem no barracão de Assis nos finais de semana, quando mostram sua arte para multidões. Solano apaixona-se pelo Embu, muda-se para lá e sua casa torna-se uma núcleo artístico. É a atividade de Solano e do escultor Assis que faz surgir a feira de artesanato e revoluciona o local, fazendo do Embu “das Artes”, como passou a ser conhecido, um centro de cultura popular. Depois que Embu passou a ser atração mais turístico-comercial que artística, deixa a cidade e vai viver na capital paulista.
Como ator, trabalhou nos filmes “Agulha no Palheiro”, “Mistérios da Ilha de Vênus”, “Santo Milagroso” e “A hora e a vez de Augusto Matraga” e mais: foi co-produtor do filme “Magia Verde”, premiado em Cannes. No teatro, foi Solano Trindade quem primeiro encenou (1956) a peça “Orfeu da Conceição”, de Vinícuis de Morais, depois transformada em filme pelo francês Marcel Cammus com o nome de “Orfeu Negro”.
Solano construía, de forma indissociável sua vida política e sua veia artística. Possuía a felicidade dos homens que se dedicam a uma grande obra e se confundem com ela. Essa era sua ética, sua vida, sua luta, mais do que uma estética. Filiado ao Partido Comunista, Solano Trindade promovia reuniões da célula Tiradentes na sua própria casa. Durante a perseguição aos “vermelhos”, empreendida pelo governo Dutra, invadem sua casa. A polícia vira o colchão, à procura de armas. Exemplares de seus livros são apreendidos e o “Poemas de uma Vida Simples” é tirado de circulação. A filha Raquel lembra: “Papai jamais esconderia armas. Sua luta era feita com idéias”. Preso, por causa do poema “Tem gente com fome”, Solano não se abala. Raquel e a mãe, Margarida, percorrem as cadeias até encontrá-lo. Quando sai, Solano parece fortalecido. Embora tenha olhos tristonhos, seu otimismo é contagiante, nasce do seu amor pela arte e pela vida. Continua escrevendo, fazendo teatro e espalhando sonhos e esperanças por onde passa. Em 1964, um dos seus quatro filhos (Francisco) é assassinado numa prisão da didatura militar.
NEM SÓ DE POESIA VIVE O POETA **

“Nem só de poesia vive o poeta
há o “fim do mês”
o agasalho
a farmácia
a pinga
o tempo ruim, com chuva
alguém nos olhando
policialescamente
De vez em quando
um pouco de poesia
uma conta atrasada
um cobrador exigente
um trabalho mal pago
uma fome
um discurso à moda Ruy
E às vezes uma mulher fazendo carinho
Hoje a lua não é mais dos poetas
Hoje a lua é dos astronautas.”

** poema inédito até 2008, quando foi revelado por sua filha Raquel.
No início da década de 70, após o esvaziamento do Teatro Popular Brasileiro, Solano como sempre pobre e agora doente passa por vários hospitais. No dia 20 de fevereiro de 1974, o poeta morre como indigente, num hospital no Rio de Janeiro. Sua obra é reconhecida por poucos assim como sua morte, a ponto de sua produção sequer passar pelos portões das universidades, como acontece aqui na Unicamp. A literatura negra não tem “espaço” para estar nas salas de nosso instituto de letras: quantos negros temos no IEL? Quantos se interessariam? Em toda a Unicamp existe um único livro de Solano (no Instituto de Artes!)… doado pela própria filha, Raquel.
O reconhecimento de Solano vem mesmo do povo com quem lutou, vem do povo para quem se entregou. Em 1976, foi tema da escola de samba Vai-Vai, com enredo elaborado por sua filha. Os versos do samba ainda ecoam: “Canta meu povo, vamos cantar em homenagem ao poeta popular Vai-Vai é povo, está na rua saudoso poeta, a noite é sua.” Um das poucas tentativas de trazer de volta o nome de Solano Trindade para o grande público ocorreu entre 1975, quando o poema “Tem Gente com Fome” iria integrar o disco dos Secos & Molhados. Mas, como explicou João Ricardo (que musicou o poema), problemas com a censura impediram a gravação. Só na década de 80, Ney Matogrosso gravaria a canção.
A poesia de Solano o marcou. Orgulhava-se ser chamado de “poeta negro”. Foi comparado a importantes escritores como o cubano Nicolas Guilhén – de quem foi amigo – e o americano Langston Hughes. A fala poética de Solano Trindade, que não se afasta do realismo ingênuo e da solidão da vida cotidiana do povo, é sempre dominada pela intuição e fascinada pelo delírio da alma coletiva que canta com ternura e nobreza. Sua poesia enreda-se, quase sempre de maneira direta a um tema essencial: o anseio de liberdade tão próprio de sua etnia e tão latente em sua classe social, onde o poeta assume sem indiferença a sua circunstância em relação ao mundo.
As palavras escritas num poema à filha Raquel se tornariam proféticas: “Estou conservado no ritmo do meu povo. Me tornei cantiga determinadamente e nunca terei tempo para morrer.”
GRAVATA COLORIDA

“Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada…”

Raquel, Unicamp e Urucungos

Em 1988, Raquel Trindade foi convidada para lecionar na Unicamp, mesmo não tendo diploma universitário. Os conhecimentos transmitidos pelo pai ilustre e a luta contra a discriminação racial bastaram para que ela desse aulas de folclore, teatro negro e sincretismo religioso. “Quando cheguei lá”, conta Raquel “só tinha um negro na turma de graduação. Aí eu pedi à Universidade para que fosse criado um curso de extensão para que eu pudesse ensinar folclore à comunidade negra e às outras graduações”.
Na primeira turma de extensão universitária houve 170 inscritos para ouvir sobre folclore nacional e cultura negra. Para Raquel, samba precisa ser ensinado, sim. “Há coisas que as pessoas precisam saber. Precisa falar dos escravos de Campinas, da Fazenda Barão Geraldo, da Santa Genebra, Rio das Pedras. Lá, os escravos faziam rodas de samba de bumbo nas horas vagas. Precisa contar a história da dança, também. Nas Escolas Lavapés e Vai-Vai, o samba era dançado mais nos quadris do que nos pés. O samba de agora é todo copiado do Rio de Janeiro”.
A partir da procura pelo curso que passou a ministrar na Unicamp, a folclorista teve a idéia de criar o grupo Urucungos, puítas e quinjengues. Esses são nomes de instrumentos bantos que foram trazidos pelos escravos para São Paulo. “O Urucungo é composto de negros da comunidade, de funcionários da Unicamp, alunos e professores”. A maior parte das danças do grupo foram pesquisadas e criadas por Raquel. O grupo existe até hoje. Raquel parou de lecionar na Unicamp pois não agüentou o preconceito academicista que exigia saberes “diplomados” e “certificados”.
“Tem gente com fome” de Solano lido por sua filha Raquel

O VENTO FORTE DO LEVANTE quer reconstruir caminhos e descaminhos daquele que consideramos um dos maiores poetas brasileiros. Homem de palavras, idéias e ação. Solano Trindade não se curvou diante da opressão de cor, de classe e de cultura. Morou em Caxias, andou no Trem sujo da Leopoldina que tem um freio de ar todo autoritário, assim como os motivos que levaram Vargas a ordenar sua prisão.

No eu passarin
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