18 de jul de 2013

Dilma: explicação da PF sobre boatos de fim do Bolsa Família é inconclusiva

http://www.jornaldaparaiba.com.br/polemicapb/site/wp-content/uploads/2013/06/foto1127.jpg 
Brasília – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (18), em Fortaleza, que a explicação da Polícia Federal sobre os boatos do fim do Programa Bolsa Família não é conclusiva e que ninguém sabe o que realmente aconteceu. O mais importante, segundo Dilma, é que as ações do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome continuam sendo cada vez mais aperfeiçoadas para o sucesso do programa. Em maio, boatos sobre o fim do programa provocaram uma corrida às agências da Caixa Econômica Federal em busca do benefício e mais de 900 mil saques foram feitos em um fim de semana.
“A avaliação da Polícia Federal é no sentido de que as mudanças no processo levaram a uma situação de corrida à Caixa. Mas ninguém sabe direito, nem a Polícia Federal conseguiu detectar a causa real. Ela não conseguiu e deixou isso claro na avaliação. O que a investigação acha é que isso poderia ter contribuído, é um dos fatores, mas não é uma explicação conclusiva”, disse a presidenta, após evento na capital cearense.
Dilma participou, nesta tarde, da cerimônia de formatura de cerca de 3 mil alunos qualificados pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) Brasil sem Miséria, que oferece cursos a pessoas inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, em especial para as beneficiárias do Bolsa Família.
Durante o evento, a presidenta reforçou que o Programa Bolsa Família continuará a ser pago enquanto houver pessoas que precisem dele. “Este é o compromisso do meu governo, foi o compromisso do governo do presidente Lula. Somente quem não conhece o Bolsa Família é capaz de criticá-lo”.
De acordo com Dilma, o programa atende a uma parcela da população que antes era excluída e que agora não pode ser ignorada por nenhum governo. “Focamos nos beneficiários do Bolsa Família porque este é o compromisso de um governo que tem responsabilidade com aquela parte da população brasileira que durante muitos anos foi excluída e que agora tem que ser o centro das atenções de qualquer governo que queira ser comprometido com o povo brasileiro.”
Após o evento, a presidenta Dilma Rousseff disse também que sancionará a parte que considera justa do projeto de conversão no qual foi transformado a Medida Provisória (MP) 610, que trata de diversas ações de ajuda a pequenos produtores rurais atingidos pela seca no Semiárido. A MP, aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado, recebeu emendas que estendem os benefícios a produtores rurais de fora do Semiárido.
“Iremos sancionar a parte que nós aceitamos como sendo a justa. É aquela que diz respeito ao Semiárido do Nordeste. Todos os demais acréscimos não são justos”, disse a presidenta após participar da cerimônia de formatura de cerca de 3 mil alunos qualificados pelo Pronatec, que oferece cursos a pessoas inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, em especial para as beneficiárias do Bolsa Família.
“Os agricultores do Semiárido, de fato, não têm como pagar suas dívidas. O que nós estamos facilitando é que eles peguem os recursos agora, se recomponham. Uma parte da dívida vai ser descontada e uma parte transferida para o médio prazo para ser paga”, explicou Dilma.
Danilo Macedo
No Agência Brasil
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Dilma: A rua não pediu a volta aos anos 90

"Quando nós promovemos a ascensão social - e hoje estamos perto de eliminar a pobreza extrema - sabíamos que isso era só o começo para maiores exigências.

Quando criamos um grande contingente de cidadãos com melhores condições de vida e com maior acesso à informação, vimos surgir um cidadão com novas vontades, anseios, desejos, exigências e demandas.

Ninguém, neste último mês de várias manifestações, pediu a volta ao passado.

Pediram, sim, o avanço para um futuro com mais direitos e mais democracia.

Exigiram avanços, e tudo o que ocorreu, floresceu justamente em meio a um processo de mudança que estamos fazendo no Brasil há uma década; entre 2003 e 2013 ocorreu a maior redução da desigualdade dos últimos 50 anos; foi nesta década que criamos um sistema de proteção social que vai nos permitir praticamente superar a extrema pobreza.

Em um mundo que desemprega, criamos quase 20 milhões de empregos com carteira assinada.

Fizemos nestes dez anos o mais urgente e necessário; agora fomos cobrados a fazer mais.

Queremos e devemos fazer mais".  
Presidenta Dilma Rousseff, na reunião dos 10 Anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
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Nus, manifestantes tiram foto na Câmara de Porto Alegre

Em uma imagem que circula nas redes sociais, 22 pessoas aparecem nuas dentro do prédio da Câmara
Segundo um dos manifestantes, o movimento é "libertário" e não é possível repudiar ou repreender a atitude Foto: Reprodução
Segundo um dos manifestantes, o movimento é "libertário" e não é possível repudiar ou repreender a atitude
Minutos depois da assembleia que definiu, na noite de quarta-feira, a desocupação da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (RS), invadida no dia 10 de julho, um grupo de manifestantes, em frente aos quadros dos ex-presidentes da Casa, tirou as roupas para marcar o ato. Em uma imagem que circula nas redes sociais, 22 pessoas aparecem nuas e, acima delas, alguns quadros foram virados de cabeça para baixo, como forma de protesto.
"Há coisas mais importantes para a gente, avaliamos que isso não era muito grave. Não houve consenso (sobre a foto) porque isso sequer foi discutido, mas temos que deixar claro que nos certificamos e não tinha nenhuma criança presente na Câmara", afirmou Daniel, um dos integrantes do ato de ocupação. Segundo ele, o movimento é "libertário" e "não é possível repudiar ou repreender essa atitude".
Manifestantes deixaram a Câmara na manhã desta quinta-feira Foto: Reprodução
Manifestantes deixaram a Câmara na manhã desta quinta-feira
Por volta das 9h desta quinta-feira, os manifestantes deixaram a Casa, conforme acordo firmado em uma audiência de conciliação na noite de ontem com Thiago Duarte (PDT), presidente do Legislativo municipal. A maioria deles ficou em frente ao prédio, enquanto dois grupos acompanhavam a vistoria realizada nas dependências da Câmara e o protocolo dos dois projetos elaborados por eles.
Um é pelo passe livre a desempregados e estudantes, e o outro para abertura das planilhas dos empresários do transporte público. Não houve danos ao patrimônio público. Conforme Duarte, o movimento foi político e "os vereadores que apoiaram quebraram o juramento que foi feito no dia da posse. Ele sinalizou a possibilidade de um processo por quebra de decoro contra vereadores do PT e do Psol, que ajudaram na negociação.
O vereador Carlos Comassetto (PT) rebateu Duarte, dizendo que o presidente da Casa tentou politizar a situação, rompendo o diálogo. A audiência que confirmou a desocupação foi mediada pela juíza Cristina Luíza Marquezan da Silva, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre.
O acordo foi costurado pela promotora Maria Cristina Santos de Luca, representante do Ministério Público, que a todo momento pedia que tanto os manifestantes quanto o presidente da Casa cedessem. Inicialmente, os manifestantes tinham feito seis exigências, que acabaram reduzidas aos dois projetos.
O maior impasse durante a audiência era sobre como seriam protocolados os projetos, já que o presidente da Câmara permanecia irredutível em sua posição de não abrir o setor de protocolo antes da desocupação do prédio. Diante dos apelos dos mediadores, porém, Duarte acabou cedendo.
No Terra
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Dilma afirma que é importante população ser consultada sobre a reforma política

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Deputado Cândido Vaccarezza não nos representa

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Aliado aos setores mais conservadores do parlamento, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) trai a presidente Dilma e também o Partido dos Trabalhadores; ao empurrar a reforma política para 2018, ele prova ser o homem certo para mudar alguma coisa e deixar tudo como está; "é cabível um deputado rasgar a orientação de sua agremiação e se compor com os que querem derrotá-lá?"
A presidente Dilma Rousseff discursava no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Marcante em sua intervenção era a defesa do plebiscito pela reforma política. Poucas horas antes, um deputado de seu partido, Cândido Vaccarezza (SP), apresentava-se como o coveiro da consulta popular e decretava que nenhuma mudança seria válida antes de 2016 ou 2018.
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O celular dele
O parlamentar paulista, coordenador do grupo de trabalho sobre sistema eleitoral, não afrontou apenas a convocação da chefe de Estado. Violou abertamente resolução da própria agremiação a que pertence desde sua fundação.
Indicado para a função atual pelo presidente da Câmara dos Deputados, o peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN), Vaccarezza atua como um franco-atirador e se associa aos setores mais conservadores do parlamento. Nunca escondeu que, em termos gerais, é um apoiador das regras atuais do jogo político-eleitoral. Essa talvez tenha sido sua principal credencial para o papel que lhe outorgaram. É o homem certo para mudar alguma coisa e deixar tudo como está.
Mas o pior não são suas ideias sobre o funcionamento da democracia. Está no seu direito ter as posições que bem entender e escolher as companhias que preferir. O mal maior que sua atitude produz é contribuir para a desmoralização dos partidos políticos, prato tão ao gosto do reacionarismo pátrio.
Ao formar na troika contra o plebiscito e a reforma política, ladeado por Alves e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado constrange o PT e o faz ficar parecido com as demais legendas. Não é segredo para ninguém que, exceção normalmente feita aos partidos de esquerda, o restante das organizações é regido pela agregação de interesses pessoais e corporativos, cumprindo apenas a missão de legenda eleitoral.
O Partido dos Trabalhadores sempre foi muito cioso de sua disciplina interna, ciente que não há outro caminho para a disputa programática, o combate pela direção do Estado e a construção de hegemonia político-ideológica na sociedade.
Nos primeiros anos de vida, desligou três de seus sete parlamentares de então, em 1985, porque José Eudes, Bete Mendes e Airton Soares anunciaram que, contrariamente à decisão partidária, iriam ao Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves presidente por via indireta. O PT sequer esperou a consumação da indisciplina, para evitar cair na vala comum.
A mesma norma valeu para a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, quando decidiu, por conta e risco, ingressar no governo Itamar Franco, à revelia do que tinham deliberados as instâncias de seu partido. A única diferença é que teve sua filiação suspensa e acabou por se retirar do PT, retornando em seguida e saindo novamente.
No início do governo Lula, houve novo exemplo de seriedade com a concepção de que um partido não é amontoado de pessoas que agem por conta própria. A senadora Heloísa Helena e outros dois parlamentares receberam cartão vermelho por quebrarem a democracia partidária no curso dos debates sobre reforma da previdência.
O caso atual tem igual gravidade, ou até maior, que as demais situações citadas. Pode um parlamentar do mesmo partido fazer o serviço dos que buscam travar a proposta da presidente em um momento de crise tão aguda? É cabível um deputado rasgar a orientação de sua agremiação e se compor com os que querem derrotá-la?
A seu favor, Vaccarezza tem uma questão técnica. Não houve fechamento de questão, no diretório nacional do PT e na bancada, em torno da consulta popular, da Constituinte e da reforma política. Esse é o instrumento estatutário para que sejam impostas as devidas sanções.
Bom aprendiz das afirmativas e negativas que marcam o cretinismo parlamentar, o deputado deu uma no cravo e outra na ferradura. Declarou, em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim, serem "duas coisas diferentes", que não se contrapõem, a sua posição sobre a reforma política e o plebiscito proposto pelo PT e a presidente. Tentou evitar, assim, uma trombada de frente, para comer pelas bordas.
De toda maneira, é triste ver a relação promíscua de ramos petistas com a rosca oligárquica que controla o parlamento. Faz parte dos problemas que arranham a reputação do partido nas ruas. O PT deveria ser capaz de convencer seus parlamentares a andarem na linha. Ou oferecer a porta da rua como serventia da casa. O retorno a uma conduta exemplar faria bem enorme à democracia.
Breno Altman, diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel
No 247
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Protestos contra a vinda do papa Pedro expõem Brasil profundo

D. Pedro Casaldáliga no dia em que foi sagrado como bispo. Foto: arquivo da Prelazia de São Félix.
D. Pedro Casaldáliga no dia em que foi sagrado como bispo. 
Foto: arquivo da Prelazia de São Félix.
Setores da igreja católica e de denominações evangélicas, além de ruralistas, agendaram protestos em todo o país para a próxima segunda (22), quando o papa Pedro Casaldáliga chega ao Rio de Janeiro em sua primeira visita desde que se tornou sumo pontífice.
A eleição da Casaldáliga, que não fazia parte do colégio cardinalício, foi uma surpresa para os que lotavam a praça São Pedro no dia 13 de março. Apesar da código canônico prever que qualquer católico possa ser escolhido por aclamação, nem o mais insano londrino apostaria uma libra na escolha do bispo emérito de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, expoente da Teologia da Libertação.
Essa ala, ligada aos movimentos sociais e a comunidades de base, que denuncia a violência contra os excluídos e marginalizados da sociedade, tem sido perseguida pelos grupos majoritários da igreja. Agora, ascende ao poder. “Não tenho o que dizer. Simplesmente minhas mãos quiserem escrever o nome de Pedro e assim o fiz”, explica um cardeal que não quis se identificar na época do conclave.
Em quatro meses de papado, Pedro criou mais inimigos do que em toda a sua vida de luta contra o trabalho escravo e na defesa dos direitos de indígenas e camponeses na Amazônia.
Devolveu as obras de artes do Museu Vaticano para os seus países de origem e as que foram produzidas por encomenda de seus antecessores vão a leilão pela Sotheby até o final de 2015, quando estima-se que o inventário esteja pronto.
Os recursos oriundos da venda das obras e do ouro das igrejas serão destinados ao combate à fome através da aquisição de terras cultiváveis e sua distribuição aos trabalhadores para a produção de gêneros alimentícios.
O arcebispo emérito de São Paulo Paulo Evaristo Arns fez uma anedota, durante um encontro com seminaristas na semana passada, sobre o boato da venda, por parte de Pedro, de boa parte dos imóveis da igreja. Um dos interlocutores achou estranho a risada longa e sem explicação de Paulo. Especula-se que o papa deva destinar parte do bilionário patrimônio para programas de proteção de comunidades tradicionais.
Em um pronunciamento polêmico, Pedro afirmou que todos os que se valerem de trabalho escravo serão prontamente excomungados.
Em sua primeira encíclica “Nos penitus paenitet” (“Lamentamos Profundamente”, em tradução livre), pede desculpas a todos os que foram perseguidos pela Santa Sé. Convidou lideranças de outras religiões, organizações pelos direitos das mulheres e contra homofobia, entre outras, para o lançamento, em Roma, em maio.
Isso provocou a ira de muita gente ao redor do mundo. O papa Pedro foi declarada persona no grata nos Estados Unidos e seu avião está proibido de pousar na Espanha, Portugal e França.
No Brasil, organizações de produtores rurais afirmam que os atos do pontífice visam “criar o caos e a luta de classes no campo, acabando com uma paz, abençoada pela própria Igreja, que já dura séculos”, mas também “fomentar a insegurança jurídica no campo”. Uma das lideranças desabafou: “Dei até o nome da minha fazenda de Nossa Senhora. E só porque tinha escravos na minha fazenda não vou poder ir pro céu?”
Jovens de correntes mais conservadoras da igreja prometeram marchas durante a visita de Pedro ao Rio de Janeiro. Exigem que o papa renuncie, como fez Bento 16. “Eu não fiz sexo antes do casamento para vir um bispo do meio da selva dizer que isso não é importante? Em que mundo nós estamos?”, afirma Capitu de Assis, 27, de tradicional família bairro moradora do Cosme Velho, bairro da Zona Sul da capital carioca.
“Não queremos um comunista à frente da Santa Igreja. Queremos uma igreja que proteja a família, a tradição e a propriedade”, afirma o paulistano Martim Moreno, 23. “Será que esses esquerdóides malucos não entendem que todos serão iguais na outra vida?”, completa.
A Secretaria Geral da Presidência da República teme repercussões eleitorais no ano que vem por conta do aumento no número de protestos contra a vinda de Pedro. “Os mais conversadores entre os católicos estão migrando para algumas denominações evangélicas neopentecostais”, diz um assessor que trabalha diretamente com o ministro. Segundo eles, desde as primeiras medidas amargas do papa, alguns grupos religiosos têm agitado mais fortemente bandeiras como a discriminação de gênero, a homofobia e a intolerância religiosa para atrair esses fiéis, agora, perdidos.
“A Presidência da República já está a par disso e deve trazer parlamentares ligados a essas denominações para fazer parte da base do governo”, informa o assessor. Um projeto de lei chegou a ser apresentado, nesta segunda (15), no Congresso Nacional a fim de que os crucifixos que decoram os plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, bem como vários órgãos da administração pública direta e indireta fossem retirados, em represália à vinda do papa. No dia seguinte, o autor retirou a proposta.
Na tarde desta terça (16), um grupo de manifestantes contrários à vida do papa fechou a avenida Paulista. De acordo com os organizadores e com a Polícia Militar, eles eram 15 mil pessoas. Conduzido por um padre, que cantava músicas sobre uma arca e animaizinhos que subiam de dois em dois de cima de um carro de som, o protesto trazia cartazes afirmando que “Pedro, você não me representa” e ”Jesus me tira daqui”. Um grupo pequeno que carregava uma faixa com os dizeres “Com as tripas do último rei enforcaremos o último papa” foi afastada com socos e pontapés pela polícia.
“Não somos vândalos. Queremos que as coisas continuem como sempre foram, só isso. É pedir muito?”, reclama, com lágrimas nos olhos, Sinhá Rita, uma das organizadoras do protesto.
Já perto do fim, um pequeno grupo de médicos juntou-se à manifestação.
(Qualquer semelhança apontada entre esta peça de ficção e fatos ou pessoas reais é mera intriga de leitor desocupado.)
Leonardo Sakamoto
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Com liminar, Barbosa atropela o Congresso

Presidente do STF acolhe pedido da Associação Nacional de Procuradores Federais e suspende instalação de cortes em Curitiba, BH, Salvador e Manaus. Procuradores alegam que, em seu artigo 96, a Constituição Federal estabelece que projetos de lei, ou de emendas constitucionais, que tratam da criação ou extinção de tribunais, bem como da administração da Justiça, devem ser propostas ao Congresso pelo Supremo ou por tribunais superiores. A proposta foi iniciativa do próprio Legislativo e alvo de críticas anteriores de Barbosa, que qualificava a a aprovação como "sorrateira"
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, concedeu na noite desta quarta-feira (17/7) liminar para suspender a Emenda Constitucional 73, que cria quatro tribunais regionais federais. A decisão foi concedida na Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada na tarde desta quarta pela Associação Nacional de Procuradores Federais (Anpaf) contra a criação dos TRFs. Com isso, a criação dos tribunais fica suspensa até que seja julgado o mérito da ADI.
Na ação, entre outros argumentos, a Anpaf reclama que a EC 73/2013 padece de vício de iniciativa, pois foi proposta ao Congresso pelo próprio Legislativo. O que os procuradores alegam é que, em seu artigo 96, inciso II, alíneas “a” e “b”, a Constituição Federal estabelece que projetos de lei, ou de emendas constitucionais, que tratam da criação ou extinção de tribunais, bem como da administração da Justiça, devem ser propostas ao Congresso pelo Supremo ou por tribunais superiores.
E foi justamente esse o ponto abordado pelo ministro Joaquim Barbosa em sua liminar. Ele afirma que há indícios que dão respaldo ao argumento do vício de iniciativa, e por isso a questão, eminentemente constitucional, deve ser analisada pelo Plenário do Supremo. O relator da ADI é o ministro Luiz Fux, mas, como havia pedido de liminar e o Supremo está em recesso, a análise cabe ao presidente do tribunal.
O presidente da Anpaf, Rogerio Filomeno Machado, comemorou a decisão desta noite. Disse que “agora é que aparece a oportunidade de apreciar se há a necessidade de novos TRFs ou não”. “Nossa reclamação é que os outros ministros do STF não foram ouvidos na questão, e aí o problema do vício de iniciativa. Agora vamos ter tempo de esperar o retorno dos ministros e apreciar a questão com calma, de maneira mais aprofundada”, afirmou o procurador à revista Consultor Jurídico.

OAB vai ao STF contra abuso do próprio STF

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De maneira "sorrateira", o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, se valeu do recesso parlamentar para derrubar, com uma canetada, a criação de quatro novos tribunais regionais federais, que havia sido aprovada por deputados e senadores; para restaurar a legalidade e a separação entre os poderes, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinícius Furtado, pedirá ao plenário do STF que não homologue a liminar do seu presidente
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, afirmou que o Conselho Federal da entidade vai defender que o Plenário do Supremo Tribunal Federal não homologue a liminar concedida nesta quarta-feira (17/7) pelo presidente da corte, ministro Joaquim Barbosa e que suspendeu a Emenda Constitucional 73/2013 que trata da criação de quatro novos Tribunais Regionais Federais no país. Segundo Furtado Coêlho, que sempre defendeu a criação dos novos tribunais, "a Justiça mais perto do cidadão é sempre melhor para a sociedade".
A liminar foi concedida na Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pela Associação Nacional de Procuradores Federais (Anpaf). Na ação, entre outros argumentos, a Anpaf reclama que a Emenda Constitucional 73/2013 padece de vício de iniciativa, pois foi proposta ao Congresso pelo próprio Legislativo.
Na liminar o ministro Joaquim Barbosa, que já havia se manifestado anteriormente contrário aos novos TRFs, acolhe a argumentação. Para o ministro há indícios que dão respaldo ao argumento do vício de iniciativa, e por isso a questão, eminentemente constitucional, deve ser analisada pelo Plenário do Supremo.
O presidente da Anpaf, Rogerio Filomeno Machado, comemorou a decisão desta noite. Disse que “agora é que aparece a oportunidade de apreciar se há a necessidade de novos TRFs ou não”. “Nossa reclamação é que os outros ministros do STF não foram ouvidos na questão, e aí o problema do vício de iniciativa. Agora vamos ter tempo de esperar o retorno dos ministros e apreciar a questão com calma, de maneira mais aprofundada”, afirmou.
Falta de urgência 
Em nota, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) afirmou que causa estranheza e perplexidade a decisão do ministro Joaquim Barbosa pois não havia urgência para a apreciação da matéria. Assinada pelo presidente da associação, Nino Toldo, a nota diz que a análise poderia ter acontecido em agosto, pois os novos tribunais devem ser instalados somente em dezembro.
A entidade estranhou também o modo como a liminar foi concedida. A ADI foi ajuízada na tarde desta quarta-feira (17/7) e poucas horas depois o ministro concedeu a liminar. “É de se estranhar, também, o fato de que, embora a EC 73 tenha sido promulgada há mais de um mês, somente ontem, no último dia de trabalho ordinário do Congresso Nacional, a ação tenha sido ajuizada, tendo sido despachada em poucas horas, quando estava em plantão o ministro Joaquim Barbosa, que publicamente se manifestara contrário aos novos tribunais, inclusive em reunião com os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado”, diz a Ajufe.
No 247
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O que significa orégano

Você eu não sei, mas eu estou preocupadíssimo com a revelação de que os americanos têm monitorado tudo que é dito e escrito no Brasil nos últimos anos. Ouvem nossos telefonemas, leem nossos e-mails e provavelmente examinam o nosso lixo, atrás de indícios da nossa periculosidade.
O que me preocupa é que esta informação, depois de coletada e classificada, é analisada talvez pelas mesmas pessoas que nunca duvidaram que o Saddam Hussein tivesse armas de destruição em massa e nunca estranharam que os sequestradores daqueles aviões que derrubaram as torres, no onze de nove, não se interessassem pelas aulas de aterrissagem nos seus cursos de aviação.
Quer dizer, que garantia nós temos que não se enganarão de novo, e verão ameaças à segurança americana nas nossas comunicações mais inocentes?
Um simples telefonema entre namorados (“desliga você”, “não, desliga você”) pode ser interpretado como parte de um plano para sabotar centrais elétricas. Um pedido para troca de bujão de gás, uma evidente referência cifrada à explosão da Casa Branca.
O fato é que tenho tentado recapitular todos os meus telefonemas e e-mails nos últimos anos, com medo de que um deles, mal interpretado, acabe provocando minha aniquilação por um drone.
Ou então me vejo chegando nos Estados Unidos, sendo barrado por um agente da imigração e levado para uma sala sem janelas, onde sou cercado por outros agentes, provavelmente da CIA, que me pedem explicações sobre um telefonema, obviamente em código, que fiz antes de viajar. Reconheço minha voz na gravação.
— O que quer dizer “à calabresa”, Mr. Veríssimo? — pergunta um dos agentes.
Estou confuso. Não consigo pensar. Calabresa, calabresa...
— Alguma referência à máfia? Uma ligação da organização terrorista, à qual o senhor evidentemente pertence, com a Camorra, visando a um atentado aqui nos Estados Unidos? O senhor veio se encontrar com a máfia americana para acertar os detalhes do complô. É isso, Mr. Veríssimo?
— Não, não. Eu...
— Notamos que, mais de uma vez na gravação, o senhor diz “sem orégano, sem orégano”. Deduzimos que há uma divergência dentro do complô entre vocês e a máfia, uns a favor de se usar “orégano” no atentado, outros contra. O que, exatamente, significa “orégano”?
Finalmente, me dou conta.
— Orégano significa orégano. Eu estava pedindo uma...
— Por favor, não faça pouco da nossa inteligência, Mr. Veríssimo. Não gastamos milhões de dólares para ouvir que orégano significa orégano.
Luís Fernando Veríssimo
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O anão do orçamento pirou

 
O tucano Sérgio Guerra delirou.
Para Guerra, a sociedade não deposita mais esperanças no PT. “Acho que o tempo do PT passou. Ele pode ter 30%, 20%, 35% mas ele passou. Não tem mais a esperança do povo que em determinado momento ele teve. O povo espera outra coisa, outros candidatos e outros partidos”.
Fala sério sonegador safado! Só na cabeça de Sérgio Anão do Orçamento Guerra o tempo pode ter passado para um partido que, a despeito de ser linchado todos os dias pelo PiG e seus leitores idiotizados, ainda é o mais preferido dos brasileiros, com 22% da preferência, enquanto só 5% preferem os tucanos corrutos.
O tempo passou para o PSDB, partido que representa o retorno da era neoliberal, que representa a roubalheira do patrimônio público, partido que tem o maior número de ficha suja, que grande parte daqueles que praticam trabalho escravo é filiado a ele, que só gosta da massa cheirosa.
Sérgio Guerra, ao invés de ficar preocupado com o PT, deve se preocupar com Aécio Neves e José Serra, que estão brigando para ver quem vai ser o candidato escolhido para ser derrotado por Dilma na eleição de 2014.
Cala a boca, anão do orçamento!
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Extra! Extra! Globo fecha acordo milionário com ex-funcionário

Sabe-se que o valor da ação foi calculado em um milhão e cem mil reais, mas os termos do acordo - que acaba de ser fechado - ainda não foram divulgados. Sem uma sentença terminativa, a emissora não corre por ora o risco de, por analogia, (súmula vinculante), sofrer uma enxurrada de ações semelhantes.
Na primeira instância a juíza não quis nem ouvir todas as testemunhas, por suspeição. Eram elas: Mariano Boni (então chefe de redação em São Paulo), Teresa Garcia (editora-chefe do Jornal Hoje, à época), Rosane Baptista (coordenadora do Jornal Nacional, também em São Paulo) e um funcionário do R.H., de nome Valdir.
A empresa negava o vínculo de emprego e dizia que o jornalista tinha total autonomia, e que podia decidir sobre a melhor forma de conduzir as pautas e até mesmo recusá-las (guarde bem este trecho para o relato que farei abaixo).
O julgamento em segunda instância durou apenas nove meses, um recorde para a justiça do trabalho. No entanto, quando o processo subiu para o TST, a Globo Participações conseguiu fazê-lo voltar para 69ª Vara do Trabalho de São Paulo, para que mais uma das testemunhas fosse ouvida, criando-se assim condições para um acordo, já que Dorneles passou a suspeitar se teria ou não sucesso pela via judicial.
O jornalista cobrava direitos trabalhistas sonegados a ele, depois que viu-se obrigado a trocar a condição de "celetista" pela figura do P.J., pequeno empresário prestador de serviços, em 1988. O cálculo baseou-se nos 20 anos de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço devidos e nos 5 anos (limite máximo a ser reclamado) de todos os outros encargos trabalhistas.
Quem é esse peregrino?
Carlos Dornelles é um dos repórteres-grife da televisão brasileira. Depois de passar pela Folha da Manhã, Zero Hora e RBS-TV, em Porto Alegre, Dodô, como é carinhosamente chamado pelos colegas mais íntimos, veio para São Paulo, em 1983, onde sua carreira ganhou novo fôlego.
Gaúcho de Cachoeira do Sul, de 1988 a 1990 foi correspondente internacional da Globo, baseado no escritório de Londres e, de 1991 a 1992, ocupou vaga no escritório de Nova Iorque. Em 2008, sem a renovação do contrato, aceitou convite para trabalhar como repórter especial do Jornal da Record, na emissora concorrente, onde está até hoje.
Autor de três livros e ganhador dos principais prêmios de jornalismo, Dorneles é admirado por todos que tiveram o privilégio de trabalhar ao lado dele, principalmente "o pessoal da rua", que vê no colega uma figura simples, humana e modesta, bem diferente da maioria dos repórteres de televisão brasileira, encantados pela representação que sua imagem ganha diante da telinha.
Ético ou Turrão?
Fui editor de várias reportagens do Dodô enquanto servi ao Jornal Nacional, de 2004 a 2008. E sou testemunha do que precipitou a saída dele da emissora.
Dorneles não aceitava que seu texto fosse modificado, mudando-se o sentido do que ele tinha apurado. Isso aconteceu em pelo menos duas ocasiões, quando Ali Kamel tentou manipular o conteúdo de suas matérias. Em ambos os casos o colega, um exemplo raro de coragem e desprendimento, recusou-se a gravar o texto e foi embora para casa.
Em outra ocasião, foi chamado num plantão de sábado para "repercutir" uma matéria de capa da Veja, bem ao gosto da política editorial imposta por Ali Kamel. Novamente recusou-se a fazer uma reportagem de assunto sobre o qual não havia feito apuração.
No auge da crise da campanha eleitoral de 2006, instado por um estudante de jornalismo, numa palestra no Rio Grande do Sul, Dorneles disse que os barões da mídia deveriam todos ser investigados. A declaração, bombástica, veio num momento delicado, em que a emissora era acusada de esconder a queda de um avião para noticiar o "dinheiro na cueca" dos "aloprados do PT".
Passadas as eleições, sem eleger seu candidato, Geraldo Alckmin, a emissora começou o expurgo. Dorneles foi aprisionado na geladeira do Globo Rural, e deu-se por satisfeito, porque voltaria a ter liberdade para trabalhar, sem ter que se ocupar com o tipo de jornalismo que Ali Kamel e seus comparsas passaram a flertar.
Há outros processos em curso, de menor monta. Para a emissora - que está sendo investigada por crimes de deixariam Al Capone de "cabelos em pé", o tratamento dado a um dos principais jornalistas do país, a quem chama na ação de "litigante de má fé", dá bem a dimensão do tipo de empresários com quem estamos lidando.
Portanto, seu fosse você, leitor, tiraria as crianças da frente dos infantis, das novelas e, até, da Copa do Mundo, porque eles não valem "uma marmita azêda".
Marco Aurélio Melo
No DoLaDoDeLá
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Deputado Jorge Bittar critica projeto que regionaliza TV e sugere mudanças

Deputado federal Jorge Bitar (PT-RJ) 
O deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ) foi relator da Lei 12.845/2011 que abriu os canais de televisão pagos à produção nacional e, como conseqüência ampliou o mercado dos profissionais de audiovisual. No entanto, ele discorda da forma como foi aprovado e do conteúdo do anteprojeto de Lei que trata da regionalização da programação da televisão aberta, embora considere o tema fundamental para a democratização dos meios de comunicação e o fortalecimento da cultura brasileira.
O anteprojeto de lei do deputado federal Sérgio Sveiter (PSD-RJ), com relatoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), foi aprovado no dia 11 de julho de 2013, por unanimidade pela Comissão Mista de Consolidação de Leis e Dispositivos Constitucionais, formada por seis deputados e seis senadores, numa votação que durou cinco minutos. O texto também prevê cotas de horários para a produção regional e independente nas emissoras de televisão não pagas, variando de acordo com o público atingido. Mas a propaganda político-eleitoral e os comunicados do governo podem ser descontados dessa cota. Bittar discorda tanto dessas propostas quanto da rapidez com que foram aprovadas.
“São insuficientes porque o que dão com uma mão, tiram com a outra. Além disso, não determinam quem vai fiscalizar o cumprimento da lei”, disse ele ao site do Sesc Casa da Gávea, no início desta semana. Segundo o deputado, o anteprojeto não levou em conta propostas interessantes que vêm sendo discutidas há mais de 20 anos. O anteprojeto de Lei está pronto para ser votado em plenário na Câmara e no Senado, mas ainda há tempo de mudança. “Não dá para votar sem a participação da sociedade e as instituições envolvidas no assunto já estão atentas para influir nessa decisão.”
Eis um resumo de sua conversa com o Sesc Casa da Gávea:
Sesc Casa da Gávea – Qual a diferença entre a Lei 12.845/2001 e a regulamentação do Artigo 221 da Constituição Federal?
Deputado Jorge Bittar – A primeira trata da programação das emissoras de televisão pagas ou por assinatura. Determina que todas elas, brasileiras ou estrangeiras, tenham uma porcentagem de sua programação feita no Brasil, metade produzida por terceiros. Ou seja, devem abrir espaço para a produção audiovisual independente e regional. A Lei foi aprovada em 2011 e já dobrou o número de produtoras em atuação, além de ter ampliado o mercado de trabalho de roteiristas, diretores, atores e técnicos. Atualmente, essa cota é de três horas semanais para dezenas de canais de filmes, documentários e animação, além da obrigatoriedade de, em todos os pacotes, constar pelo menos um terço da oferta de canais de programadoras nacionais, até o limite de 12 canais, com conteúdo brasileiro.
Já a proposta de regulamentação do Artigo 221 da Constituição Federal diz respeito programação da televisão aberta, que o público não paga para receber. As tevês pagas são muitas, brasileiras e estrangeiras, transmitidas por satélite ou a cabo e as operadoras são obrigadas a oferecer também os canais regionais ou locais. A programação da tevê aberta é centralizada e é retransmitida por afiliadas regionais, nas quais quase não há produção local, a não ser de jornalismo. A única exceção é a RBS, do Rio Grande do Sul. As outras têm apenas a captação local de publicidade, pouca ou nenhuma produção local e ou independente.
Como o inciso II do Artigo 221 da Constituição determina que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão devem atender à “promoção da cultural nacional e regional e ao estímulo à produção independente que objetive sua divulgação”, surgiram várias propostas desde 1988, mas as discussões não foram adiante. Agora surge este anteprojeto que não levou em conta esta discussão a discussão anterior e foi aprovado sem debate com os partidos e a sociedade.
Casa da Gávea – Qual o problema da proposta para as tevês abertas?
Jorge Bittar – São vários problemas. Primeiro o prazo de cinco anos para entrar em vigor é demasiado longo. Outro problema é que, embora estabeleça uma cota de horas para a produção regional e independente, determina que os pronunciamentos do governo em cadeia nacional, propaganda político-eleitoral ou exibição de filmes brasileiros podem ser contabilizados como programação regional, entram na cota. Se o objetivo é fortalecer a cultura regional, estes dispositivos são insuficientes porque o que dão com uma mão, tiram com a outra. Além disso, não determinam quem vai fiscalizar o cumprimento da lei. Esta tarefa deve caber à Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancine).
A lei para as tevês por assinatura prevê esta fiscalização pela Ancine e não só isso: determina um reforço de R$ 900 milhões no fundo setorial da Agência dos quais 30% devem ser destinados, obrigatoriamente, à produção as regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. O anteprojeto das tevês abertas não fala sobre esse aspecto da regionalização. Pelo contrário, se uma emissora da região Norte exibir um filme produzido no Rio de Janeiro estará cumprindo a cota de programação regional e independente.
Casa da Gávea – Aprovado o anteprojeto, o que se pode fazer para mudá-lo?
Jorge Bittar – Agora o anteprojeto vai a plenário na Câmara e no Senado Federal, mas não tão cedo porque haverá o recesso e há outras matérias a serem apreciadas. É preciso tempo para amadurecer o debate. E inaceitável que um tema tão importante para a democracia e a cultura seja aprovado por uma pequena comissão de deputados e senadores, sem qualquer debate com a sociedade e ignorando todo o debate anterior. Só para se ter uma idéia, a Lei 12.485/2011 foi debatida durante mais de quatro anos na Câmara e no Senado, com intensa participação de representações da sociedade. Não é à toa que a produção audiovisual brasileira está bombando. Não dá para votar sem a participação da sociedade e as instituições envolvidas no assunto já estão atentas para influir nessa decisão.
Beatriz Coelho Silva
No Casa da Gávea
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O PIB cresce 4% ao ano

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O título deste texto não é uma piada, nem uma projeção, nem mesmo a expressão de um desejo. É apenas a constatação de um fato: os últimos números publicados para o Índice de Atividade do Banco Central, o IBC-BR, que pode ser considerado uma aproximação em base mensal para o PIB trimestral do IBGE, indicam claramente que no segundo trimestre de 2013 a economia brasileira estava crescendo ao ritmo de 4% ao ano.
Mas espere um momento! Não foram esses números que repercutiram de forma tão negativa na imprensa, sugerindo até que estamos novamente a caminho da recessão? Basta olhar os títulos de algumas das matérias publicadas: Indicador do BC mostra país na rota da recessão; Economia tem maior retração desde 2008; Cada vez mais difícil decolar; Bancos oficiais já prevêem crescimento abaixo de 2%; IBC-BR reforça sinais da lenta perda de gás da economia em 2013; Pibinho de inverno.
É no mínimo temerário extrair qualquer sinal de direção de movimento com base na observação de um único mês
Na realidade, a única coisa que fica clara aqui é que a mídia especializada e a grande maioria dos analistas da economia parecem sofrer atualmente de um pessimismo obsessivo. De fato a leitura que foi feita dos números do BC configura um caso clássico do que a psicologia cognitiva denomina de viés de confirmação (confirmation bias), que ocorre quando as pessoas só são sensibilizadas por informações que pareçam confirmar suas crenças ou hipóteses, ignorando qualquer evidência em sentido contrário.
Todo esse pessimismo foi produzido apenas pela observação de que a variação percentual de maio sobre abril do IBC-BR com ajuste sazonal foi de menos 1,4%. Acontece, porém, que essa série de variação mensal tem muito ruído. É no mínimo temerário extrair qualquer sinal de direção de movimento com base na observação de um único mês. Além disso, quando usamos dados mensais a introdução do ajustamento sazonal não aumenta muito o poder informativo de uma observação isolada. No dado mensal o padrão de sazonalidade pode variar muito ao longo do tempo em resposta a uma serie de fatores, como feriados, greves, paralisações ou mudanças institucionais. Sabemos que não existe técnica perfeita de ajuste sazonal, mas com dados mensais as dificuldades ficam ainda maiores.
Se quisermos ter uma ideia precisa do que está acontecendo com uma economia, o caminho mais seguro é trabalhar com variações em doze meses. Mesmo assim uma observação mensal isolada tem que ser vista com cautela. Por exemplo, a variação em doze meses do IBC-BR até maio de 2013 (portanto sobre maio de 2012) foi de 2,28%, mostrando sem dúvida uma desaceleração importante em relação à variação em doze meses de 7,3% até abril. Note-se, porém, que esse excepcional resultado de abril foi simplesmente ignorado tanto pela imprensa como pela maioria dos analistas de economia. Por outro lado, a variação em doze meses de maio significou aceleração em relação às variações de 1,16% até março e de 0,44% até fevereiro. Que direção de movimento estaria sendo sinalizada aqui?
Existe amplo consenso de que a forma mais segura para se analisar o movimento do PIB é usar dados trimestrais. Não é por outra razão que contas nacionais em toda parte são sempre elaboradas em base trimestral, como acontece também com o nosso IBGE. O que então pode ser concluído quando os dados do IBC-BR são transformados por média para uma base trimestral? Se compararmos o trimestre composto pelos meses de março a maio de 2013 com o mesmo período de 2012 obtemos uma variação de 3,74%. Podemos notar também que ao longo do ano essa variação em doze meses calculada para grupos sucessivos de três meses só aumentou: 1,55% até janeiro. 1,71% até fevereiro, 2,86% até março, 3,5% até abril e 3,74% até maio.
Para calcular a variação em doze meses do segundo trimestre de 2013 precisaremos ter também uma estimativa para o IBC-BR de junho. Para ser bem conservador, vamos admitir que o número de junho fique 2,5% abaixo do número de maio, repetindo um comportamento observado em 2012. Isto significa um número de junho 5,6% abaixo do de abril. Nesse caso a variação em doze meses para o PIB do segundo trimestre será de 3,95%. Ou seja, parece grande a probabilidade de que a taxa de crescimento em quatro trimestres do PIB do segundo trimestre fique muito próxima de 4%.
Se isso for também confirmado pelo IBGE (e é difícil imaginar porque não seria), poderemos estar falando de uma variação trimestral na serie com ajuste sazonal do PIB superior a 1%, talvez até próxima de 1,5%. Vai ser bem mais difícil sustentar o pessimismo quando esses números forem publicados em agosto. Ainda assim, é importante insistir de imediato numa leitura mais precisa dos dados da economia. Afinal ninguém pode razoavelmente desejar que o pessimismo de hoje venha a afetar negativamente decisões empresariais de produzir e investir, comprometendo nosso crescimento futuro.
Francisco Lafaiete Lopes – PhD por Harvard, sócio da consultoria Macrométrica e ex-presidente do Banco Central (BC).
No Valor
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Como ludibriar o leitor

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Uma das vantagens que os jornais supostamente oferecem em relação aos outros meios de informação é o sistema de organização das notícias: elas são distribuídas por seções temáticas, quase sempre agrupadas em cadernos específicos, facilitando a busca do leitor por seus assuntos preferidos.
O fato de esse pacote de informações se renovar diariamente reforça a percepção de uma ordem e uma correlação entre os acontecimentos, o que também funciona para passar ao leitor a confiança de que a cada dia ele está recebendo o que há de mais atual, e que com isso estaria adquirindo um conhecimento objetivo sobre a realidade que lhe interessa.
Por isso, quando a imprensa quebra esse elo, a consequência pode ser desastrosa.
Por exemplo, no domingo passado, o Globo publicou como sendo recente o resultado de uma pesquisa sobre credibilidade da imprensa que havia sido divulgada pela agência de Relações Públicas Edelman quatro meses antes. O estudo, feito anualmente há uma década, dizia que a mídia é a entidade mais confiável para os brasileiros, com 66% de aprovação, contra 64% das empresas, 59% das ONGs e 33% do governo.
O resultado, divulgado no primeiro trimestre deste ano, se refere a levantamento feito no ano anterior, ou seja, é um retrato desatualizado da realidade. Portanto, se apresentado como atual, é uma mentira. E por que razão o jornal carioca venderia aos seus leitores, como se fosse fresco, esse peixe congelado?
Os leitores atentos haverão de perceber que essa publicação, que foi imediatamente reproduzida por outros veículos noticiosos, passa a impressão de que a credibilidade da imprensa aumentou justamente quando caía a reputação de outras instituições, todas atingidas pela onda de protestos que ocorreram a partir de maio, ou seja, dois meses depois de distribuída pela Edelman a pesquisa referente a 2012.
Mas existe outro aspecto a ser considerado nessa questão. A publicação da pesquisa defasada sobre a credibilidade da imprensa foi feita em meio a uma série de outros levantamentos que mostram a queda da popularidade do atual governo.
Produzidos no calor dos protestos que paralisaram as grandes cidades brasileiras, esses estudos foram sendo levados ao público numa cronologia regular, a partir do início de junho, como se fossem resultados de consultas sequenciais, o que pode produzir em muitas pessoas a impressão de que o governo está rolando ribanceira abaixo.
Jogo perigoso
Essa técnica de manipulação é muito conhecida entre os marqueteiros e jornalistas, e costuma ser praticada em períodos eleitorais. Se serve para registrar as mudanças de humor de eleitores em meio às emoções produzidas pela propaganda dos candidatos, esse tipo de cobertura produz distorções fundamentais na percepção de outros contextos que devem ser vistos no longo prazo, como a avaliação da eficiência de um governo.
Funciona assim: o Datafolha produz uma pesquisa, constatando que a presidente Dilma Rousseff sofreu a primeira queda em sua alta taxa de popularidade, perdendo 8 pontos na aprovação popular, mas ainda venceria uma eleição em primeiro turno. Em seguida, os jornais reproduzem a pesquisa destacando declarações de líderes da oposição vinculando o governo às manifestações de rua e prevendo novas quedas de popularidade. Na sequência, nova pesquisa, desta vez com uma queda de 27 pontos porcentuais.
A notícia original, dada pela Folha de S. Paulo, usa o verbo “despencar”, que é repetido por todos os outros veículos, como num túnel de ecos. Novamente, repetem-se as “análises” com base em declarações de políticos da oposição, que vinculam os indicadores aos protestos que se multiplicam nas ruas.
Interessante observar que a mesma sequência de constatações é feita por outra série de pesquisas, estas produzidas para a Confederação Nacional do Transporte, mostrando tendência semelhante. No entanto, os jornais publicam esses resultados, com diferenças de poucos dias em relação aos levantamentos do Datafolha, como se fossem novas prospecções, quando são, na verdade, novas tomadas do mesmo contexto.
Dessa forma, passa-se para o leitor a impressão de que a aprovação do governo está “despencando”, para usar a palavra preferida dos jornais. No entanto, o que está “despencando” é a confiança dos brasileiros no processo democrático.
O fato mais relevante dessas pesquisas, que está sendo omitido pela imprensa, é a declaração de intenção no voto nulo ou em branco. Na última pesquisa do CNT/DMA, a presidente Dilma aparece com mais intenções de voto espontâneo do que o ex-presidente Lula da Silva e o dobro das intenções dirigidas aos possíveis candidatos Marina Silva e Aécio Neves. Na pesquisa estimulada, ela ainda venceria as eleições em dois turnos.
Além disso, a imprensa está escamoteando um dado fundamental nessa pesquisa, a mais recente: na pergunta sobre que partido o entrevistado quer ver na Presidência da República a partir de 2015, a resposta espontânea mostra que 22,1% apontam o PT, apenas 5,6% preferem o PSDB e 2,1% citam o PMDB.
No conjunto dos levantamentos, vistos desde o início de junho, o retrato mostra que o que caiu foi a confiança no processo político: mais de 50% dos brasileiros estariam dispostos a se abster em 2014. Com a redução do total dos votos válidos, ficaria mais fácil influenciar o resultado das urnas – e essa possibilidade parece estar no horizonte estratégico da mídia tradicional.
Mas esse é um jogo muito perigoso.
Luciano Martins Costa
No OI
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Tucano da Paraíba emprega namorada, sogra e cunhado no setor público

Depois de empregar a namorada e a sogra na prefeitura e Câmara de Campina Grande, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) conseguiu mais um “serviço” para a família
cássio cunha lima emprega família
Ele (Foto: ABr)
Após conseguir vitória em Campina Grande elegendo Romero Rodrigues (PSDB) para prefeito, o senador tucano Cássio Cunha Lima embarcou numa encruzilhada pouco discreta de agrados a pessoas muito próximas e queridas.
Primeiro, emplacou a sogra, Iolanda Alves de Azevedo, como assessora especial do gabinete do prefeito de Campina Grande. A nomeação de Iolanda aconteceu no dia primeiro de maio, um feriado, e data em que se comemora o “Dia do Trabalhador”. O salário de Iolanda é de R$ 3,5 mil.
A namorada do senador, Jacilene Azevedo, também ganhou emprego. Ela ocupa um cargo na Câmara de Vereadores de Campina Grande.
Agora, o senador empregou seu cunhado, Jackson Azevedo, no cargo de supervisor da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), da cidade de Campina Grande.
Cássio, conhecido por falar grosso no plenário do Senado Federal, tem bastante influência na mídia local e goza de excelente relação com os barões da imprensa do estado da Paraíba.
Veja abaixo a nomeação da sogra:
iolanda alves cassio cunha lima
Blindado no estado, mas com telhado de vidro
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) foi cassado pelo TSE quando era governador do Estado da Paraíba pela prática de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2006. O atual senador foi condenado, à época, por distribuir 35 mil cheques a cidadãos carentes durante a campanha eleitoral daquele ano.
Apesar de uma carreira política instável e manchada por uma cassação de mandato na instância máxima da justiça eleitoral, Cássio goza de idolatria na Paraíba e mantém firme seus currais eleitorais, a exemplo de outros quadros, como Fernando Collor, José Sarney e Jader Barbalho, também Senadores da República.
Pensão vitalícia como ex-governador
Mesmo com o mandato de governador cassado, Cássio figura na lista dos oito ex-governadores que recebem aposentadoria vitalícia do Estado. Além dele, seis ex-primeiras-dama também recebem o benefício. O pagamento não é ilegal, de acordo com as leis estaduais, mas mostra o quanto as pensões são controversas.
A Ordem dos Advogados do Brasil da Paraíba (OAB-PB), seguindo recomendação da entidade nacional, afirma que o benefício contraria a Constituição de 1988. Segundo a OAB, o pagamento das pensões fere principalmente os princípios constitucionais de moralidade e da isonomia.
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Sérgio Amadeu: “Vamos votar o Marco Civil com neutralidade e sem censura privada”

Membro do Comitê Gestor da Internet responde ao deputado Alessandro Molon sobre polêmica envolvendo a proposta de retirada de conteúdo da internet sem ordem judicial
O deputado Alessandro Molon escreveu que o parágrafo 2 do artigo 15 do Marco Civil “não altera em nada o que já é feito atualmente na internet em relação a conteúdo protegido por direito autoral” (http://revistaforum.com.br/blog/2013/07/marco-civil-pela-neutralidade-privacidade-e-liberdade/). Então, como o texto nada altera, peço que seja retirado para que não seja mal interpretado pela indústria do copyright e por aqueles que querem barrar o compartilhamento legítimo de bens culturais.
O Marco Civil da Internet não nasceu no Congresso Nacional. É fruto de mais de 2 mil contribuições realizadas pela sociedade civil na plataforma da cultura digital (http://culturadigital.br/marcocivil/ ), em duas rodadas de debates.
A proposta de remoção de conteúdos sem ordem judicial foi apresentada naquela ocasião e retirada depois de receber muitas críticas nos debates que ocorreram de modo amplo e transparente.
 A presidenta Dilma enviou o Marco Civil para o Congresso Nacional aceitando praticamente todas as propostas da sociedade civil.
 O deputado Alessandro Molon, relator do projeto do Marco Civil, se empenhou nitidamente para melhorá-lo e para aprová-lo rapidamente. Todavia, com todo respeito e admiração que tenho pelo deputado, discordo de sua resposta à minha acusação de que o parágrafo 2 do artigo 15 foi inserido a pedido da Globo.
Segundo o deputado Molon, a inserção foi um pedido da Ministra Marta Suplicy. Sempre ouvi isso e nunca tinha recebido uma confirmação formal e pública. Mas a troco de que a Ministra queria aquela redação? O deputado Molon nunca ouviu que Marta Suplicy fez esta solicitação depois de um pedido da Rede Globo e de especialistas em direito autoral que queriam retomar a ideia do notice and take down em sua versão mais branda do notice-notice, independentemente das diferenças, ambas representam a remoção de conteúdo sem ordem judicial?
Outro ponto importante que me surpreende. Tenho certeza de que o deputado Molon não aceita qualquer pedido de mudança no projeto de lei. Só aceita aqueles com os quais concorda ou que integram um acordo. Tenho certeza de que o deputado Molon não é favorável à retirada de fotos, blogs e imagens sem julgamento quando supostamente violarem o direito autoral. Então por que aceitou esse pedido?
O deputado Alessandro Molon pode retirar o parágrafo 2 e retomar o espítito original do projeto garantindo a liberdade de expressão, a neutralidade da rede e a privacidade, sem a possibilidade de abrir espaço para a remoção de conteúdos sem ordem judicial.
Sérgio Amadeu da Silveira, doutor em ciência política, é professor da Universidade Federal do ABC e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil
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A ética dos idiotas

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Carapuças para brindar

A maioria dos conselheiros do governo é 
formada por patronos da criticada 
difusão do 'pessimismo'
http://2.bp.blogspot.com/-aYDFy86LAQI/TsQaW2zOAAI/AAAAAAAAATU/v3jZd8BT770/s200/carapuc3a7a.jpgSeria uma reunião muito especial, por marcar os dez anos do Conselho de Desenvolvimento. Mas marcar por quê? Lula encheu aquela boa ideia com tantas "figuras de destaque", empresários em abundância, que as centenas apenas formaram um auditório em que se igualam o tamanho e a inutilidade. A reunião foi especial, no entanto. Uma espécie de celebração pelo avesso.
Sempre a principal oradora, como Lula em seu tempo, Dilma Rousseff foi aguda na defesa do governo contra o que chamou de afirmações inverdadeiras sobre a inflação e sobre a situação econômica em geral. Ei-la, em duas frases de conclusão crítica:
"A informação parcial, da forma como é explorada, confunde a opinião púbica." E: "A informação parcial visa a criar um ambiente de pessimismo".
Poderia completar, mas não o fez, talvez por entender que o óbvio é desnecessário, ao fim da primeira ou da segunda frase: "Com objetivos eleitorais". Nas frases, aliás, "parcial" é um bom duplo sentido, tanto para passar como referência a uma parte, como para apontar parcialidade, tendenciosidade intencional. Sutileza incomum em Brasília.
A carapuça podia ajustar-se muito bem aos meios de comunicação, que nunca superaram sua nostalgia dos tempos neoliberais - o que, por sinal, só permanece no Brasil. Mas o que deu caráter especial à situação foi o fato de que justamente a maioria dos ali presentes, conselheiros do desenvolvimento e do governo, é formada por patronos da criticada difusão do "pessimismo" e da "informação que confunde a opinião pública". O conselho orienta mais o que, na opinião de Dilma, desorienta.
De outra parte, no governo ninguém pediu demissão depois da fala presidencial. Se o propagado sobre a inflação e a economia falseia a verdade e perturba o país, é dever do governo prestar esclarecimento permanente à opinião pública. O governo tem dispositivos específicos para tal obrigação, no topo do qual estão um cargo e um dos 39 títulos de ministro. Apesar disso, este governo tem a peculiaridade de não se comunicar, nem diante do que considera perturbador e pernicioso. É como se dissesse: os interessados que aproveitem.
Não se pode criticar a ministra Helena Chagas porque não se tem ideia do que faz. Nem vale a pena ressaltar a inacreditável inexistência, já a meio do terceiro ano de governo, de uma política de comunicação da Presidência e, secundariamente, das extensões da administração. Jamais me constou, ao menos, uma iniciativa que desse sinal da ação esperável, em todo governo, da função tão necessária e às vezes até decisiva da comunicação. E o que fica por conta da marquetice dá, sempre, nas aparições provincianas e nos discursos ainda piores.
Como nos aniversários infantis, nos dez anos do chamado Conselhão houve farta distribuição de presentes. Carapuças.
ANEDÓTICA
Celulares são um serviço privado e lucrativo. A menos que estivesse a soldo das empresas de telefonia, a exigência de que inscritos no Bolsa Família tenham celulares, para fornecer o número ao governo, é uma das ideias mais desatinadas já surgidas entre os nossos desatinos anedóticos.
Nem se precisa considerar a desinteligência de exigir celular de quem recebe o Bolsa Família para sobreviver. Só por demonstrar a ignorância de que não há base legal para exigir a posse de celular, a quem quer que seja, Tereza Campello atesta total falta de condições para ser ministra - uma dos 39.
Janio de Freitas
No fAlha
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Carta de Lula em homenagem aos 95 anos de Nelson Mandela

Em 2008, o então presidente Lula se encontrou com Nelson Mandela em Moçambique
Foto: Ricardo Stuckert/PR

São Paulo, 18 de julho de 2013
Querido irmão Madiba,


É com enorme alegria e muita emoção que escrevo esta cartinha para cumprimentá-lo por seus 95 anos. Estou seguro de que não o faço apenas em meu nome, mas também dos milhões e milhões de brasileiros que tanto o admiram.


Desde que nos conhecemos em Cuba, mais de vinte anos atrás, cada reencontro com você foi uma nova lição de humildade e de comprometimento com a sorte dos famintos, dos desfavorecidos, dos perseguidos, dos silenciados.

 Festejar seu aniversário é uma forma de relembrar os exemplos que você deixou para todos e de celebrar a firmeza e a coragem com que você sepultou para sempre o regime racista da África do Sul, uma nódoa que a Humanidade arrastou por quase meio século.


Aqui no Brasil estamos todos torcendo para que o destino nos permita comemorar seus aniversários ainda por muitos e muitos anos.


O melhor presente que posso lhe oferecer neste dia, querido Madiba, é reafirmar meus compromissos com a nossa África e com a luta para que cada dia mais ela seja um continente rico, democrático, soberano e livre da fome.

 Receba o abraço saudoso do



Luiz Inácio Lula da Silva
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Rede Globo tem prédio atacado em manifestação no Rio

Globo acreditou que poderia ficar imune aos protestos e manipular politicamente para seus propósitos, percebe agora que ela também é "vidraça" e que as pedras também são arremessadas contra o monopólio midiático!
Um prédio administrativo da Rede Globo experimentou um dia de fúria de manifestantes nas ruas do Rio no bairro do Leblon. O fato ocorreu à noite, a tempo de ser noticiado no Jornal da Globo, mas a emissora escondeu a notícia.
No final da tarde uma primeira manifestação ocorria perto da residência do governador Sérgio Cabral (PMDB), na esquina da avenida Delfim Moreira com a rua Aristides Espínola, no Leblon. Outra, ocorria com moradores da Rocinha, na Gávea, que protestavam por causa do desaparecimento de um morador da comunidade. O grupo formado por cerca de 100 manifestantes, de acordo com a Polícia Militar, chegou a fechar a autoestrada Lagoa-Barra por alguns minutos.
Depois, eles seguiram em passeata até o Leblon, onde se juntaram ao grupo que estava nas proximidades do prédio onde mora o governador. De acordo com a PM, cerca de 700 pessoas estavam no local de forma pacífica, fechando a avenida Delfim Moreira. Depois saíram em passeata pelas ruas do Leblon. Em algum momento, o confronto começou. A polícia sotou bombas de gás lacrimogêneo e tiros de borracha para dispersar.
Alguns manifestantes fizeram barricadas com lixo em chamas, materiais de obra, placas de trânsito. Uma minoria depredou lojas e bancos. No caminho, apedrejaram um prédio administrativo da Rede Globo. Coquetéis molotov foram lançados e a porta do prédio foi arrombada. Seguranças lançaram água de extintores no grupo que tentava forçar a entrada no local. Um carro do SBT foi pichado.
No Aldeia Gaulesa
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Imparcialidade

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Charge online - Bessinha - # 1859

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Como os Estados Unidos espionaram o Brasil

As fitas grampeadas, 38 fitas, ainda que explosivas, são apenas parte dessa história. O grampo é motivo e consequência. O grampo é, a um só tempo, gerador e espelho da degradação e da absoluta desproteção a que estão entregue os cidadãos. Os enredos que antecedem e se completam com a fitalhada grampeada, as conexões e personagens remetem aos porões do Brasil".
Estas eram as linhas quase iniciais de “Os porões do Brasil”, a primeira de uma série de oito reportagens que publiquei na revista CartaCapital entre março de 1999 e abril de 2004. Nestas reportagens, histórias, documentos, nomes, fatos sobre como agiam no Brasil os Serviços de Inteligência – de espionagem, em bom português – dos Estados Unidos.
Agiam quase sempre em constante parceria com a Polícia Federal daqueles tempos, dos anos 90 e dos dois primeiros anos do século XXI. Tempos em que uma Polícia Federal com baixo orçamento era refém do dinheiro e do poder de penetração da CIA, DEA, FBI, algumas das muitas agências dos EUA que então atuavam no país.
Essa primeira reportagem produziu efeitos. O diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, foi demitido pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Até que a reportagem mostrasse o contrário, supunha-se que existiam grampos com o teor de conversas do presidente Fernando Henrique. Conversas grampeadas em meio às negociações com o governo dos EUA para a compra do sistema de radares para a Amazônia. Negócio de US$ 1,4 bilhão que produziria um escândalo que se tornou conhecido como "O Caso Sivam". Conversas grampedas pela PF em consórcio com a CIA.
A reportagem – que à época teve acesso a 12 horas de conversas, o conteúdo de 38 fitas grampeadas dentro da PF, inclusive na sala do diretor – mostrou que as tais fitas, que existiram, já não existiam. Por motivo de economia, naqueles tempos de baixo orçamento da Polícia Federal, fitas do Caso Sivam haviam sido apagadas; para serem reutilizadas.
Apagaram as fitas, mas o teor dos diálogos havia sido reconstruído a partir de anotações dos agentes. E essa era a espada sobre a cabeça do governo FHC: o que havia nos grampos do Caso Sivam? Provado que já não existiam vozes, só reconstituições das conversas – em papel – caiu o diretor da Polícia, que se acreditava ser o guardião das tais fitas.
A apuração para essa reportagem durou um ano e, em meio à investigação, surgiria o mais importante: numa PF dividida de cima a baixo, em vários em grupos de poder, atuavam serviços secretos dos Estados Unidos; em especial a CIA, com ligações no gabinete do diretor, e a DEA, à época ligada à DRE-PF, a Divisão de Repressão a Entorpecentes.
A ligação da DRE com a DEA, como então reconheceram alguns dos seus integrantes, dava-se por motivos de ordem prática. Com orçamento medíocre, para suas operações mais sensíveis ou de maior porte a PF dependia do socorro, inclusive e principalmente financeiro, da agência de combate às drogas dos EUA.
Mais grave, o escopo de atuação da CIA. A Central de Inteligência atuava em "regime de informação compartilhada" com um setor de ponta da Polícia Federal. Situado no Setor Policial Sul, ao final da Asa Sul, em Brasília, o Centro de dados Operacionais, CDO.
Base eletrônica, o CDO nasceu como "doação" da CIA, via Departamento de Estado, ainda no governo José Sarney. Desde os tijolos até a primeira dezena de carros, outra doação; essa feita via uma base norte-americana no Paraguai, tudo com o DNA da CIA. A partir daí, essa história começou a ser contada.
Nos links que se seguem, as 78 páginas das oito reportagens publicadas entre 3 de março de 1999 e 21 de abril de 2004. Reportagens nas quais é relatada a desabrida ingerência dos serviços de espionagem dos EUA e a submissão brasileira à época. Narrativas com documentos, nomes, histórias, datas, fatos…
Edição 92: Na capa “Os Porões do Brasil” a reportagem intitulada “Casos de Polícia”. Ali, a história de como o presidente Fernando Henrique se tornara um refém de supostas fitas do Caso Sivam. Como as fitas tinham sido apagadas e só existiam transcrições, já não havia o suposto perigo de conversas apimentadas ainda existirem.
O diretor da Polícia Federal, Vicente Chelotti, foi demitido dias depois da publicação da reportagem. E num box, às páginas 28 e 29, essa história começava a ser contada com o título “O SIVAM, A CIA E OS TRAPALHÕES”. Mas não apenas. Revelações de como também a DEA operava à sombra da Polícia Federal.
Edição 97: A 12 de Maio de 99, pouco mais de dois meses depois, a segunda reportagem: “CIA e DEA pintam e bordam no Brasil”. Na capa, o cartão de visitas do então Chefe da CIA em Brasília, Craig Peters Osth, que se apresentava como “Conselheiro da Embaixada dos Estados Unidos da América”.
Disfarce habitual, mas em vão. A reportagem já tinha a história. O CDO, dentro de instalações da PF, era uma base operada no regime de “informação compartilhada”. Nessa reportagem, o roteiro de como a CIA operava no Brasil.
Quem foram os chefes no CDO. Onde, antes, a CIA estava ancorada na PF. Quais foram, ao menos alguns, os delegados e agentes que, em Washington, durante treinamento da CIA, submeteram-se aos testes do detector de mentiras.
A CIA, via CDO, chegara a manter 15 escritórios no Brasil. Enquanto a reportagem era feita, os escritórios eram quatro: em Brasília, Belém, Cuiabá e Porto Velho. Um dos chefes da agência no país havia sido Blocker, seguido por Jimmy e, nos tempestuosos dias do SIVAM, Bramson Brian.
Na reportagem, internamente intitulada “Mundo das Sombras”, entrevista com Craig Peters Osth que, candidamente, negou ser o chefe da CIA. Inútil. Não havia “Conselheiro” estrangeiro em Brasília que não conhecesse o chefe da CIA.
O CDO, divulgada escancaradamente sua existência e DNA, mudaria de nome. Se tornaria o SOIP. Com a continuidade dos relatos seria chamado de COIE.
Edição 98: Duas semanas depois, a 26 de maio, a terceira reportagem de capa. Nesta, o então Chefe da Missão Diplomática, o titular da representação naquele momento em que o cargo de embaixador estava vago, surgia bradando: “Temos o dinheiro, as regras são nossas”.
Palavras de Jame Derham. Craig Peters Osth, entrevistado na reportagem anterior, em seguida havia sido chamado de volta aos Estados Unidos. Queixumes chegaram ao Palácio do Planalto. Numa festa, entre embaixadores, James Derham desabafou:
- Quem manda é quem tem dinheiro, e quem tem dinheiro somos nós. A gente se vincular à Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) para combater as drogas é uma bobagem. O Brasil não tem dinheiro para isso.
Donde, o título interno da reportagem: “Bwana não góstar”.
Derham atacou também o chefe da Senad, Wálter Maierovitch:
- Esse juiz não vai fazer nada porque a secretaria não tem dinheiro. Nós temos o dinheiro, as regras são nossas.
Maierovitch, à época, depois de dura interpelação pediu ainda que Mister Derham deixasse o Palácio do Planalto, onde se dera o entrevero.  Em documento protocolado, o chefe da Senad relatou o fato ao general Alberto Cardoso, chefe da Casa Militar.
À reportagem, Maierovitch diria:
- Todos os agentes da CIA e da DEA devem apresentar-se à Senad. Não tenho como comprovar se agem irregularmente ou não. Cooperação, sim. Invasão de soberania e cooptação, não.
Por opor-se às tese e ações dos serviços secretos e do governo dos EUA quanto ao combate às drogas e espionagens, Wálter Maierovitch seria derrubado da Senad mais adiante. Sem o apoio do presidente Fernando Henrique, que não queria embaraços na sua relação com o presidente Bill Clinton.
Edição 122: Quase um ano depois, a 10 de Maio de 2000, uma longa entrevista: “Um Espião Abre a Boca”. Um brasileiro, contratado pela DEA como informante – o que era e é ilegal – revelou com detalhes, em 10 páginas, como a Drug Enforcement Administration , a DEA, operava à margem da lei no Brasil.
“Amadeu”, codinome, descreveu a relação de subserviência que a Polícia Federal então mantinha com a DEA. Entregou nomes, documentos, datas, histórias, esmiuçou como a agência contratava dezenas de informantes- sem poder fazê-lo-, como pagava as contas da PF, quem eram os chefes…
Getúlio Bezerra, então chefe da DRE, em entrevista, admitiu: “Ideal seria não depender”. Mas dependiam.
Edição 185: As provas seriam exibidas quase dois anos depois, na edição de 17 de abril de 2002, cuja capa informava: “A Prova: como os EUA pagam contas da Polícia Federal”.
Na reportagem intitulada “Relações Carnais”, as provas de tudo que havia sido relevado naqueles anos. Via contas CC-5, a embaixada dos EUA depositava dinheiro nas contas de delegados da Polícia Federal.
Dinheiro para pagar operações, entre os anos de 1996 e 1999, quando CIA e DEA atuavam desabridamente dentro da PF. Naquele período, pagamentos de R$ 2 milhões. O dinheiro entrava via CC-5 e Citibank.
Novamente entrevistado, Getúlio Bezerra, o chefe da DRE da PF, admitiu: há quase 20 anos a DEA depositava dinheiro para operações em contas nominais de delegados da PF. Disse ainda:
- A gente não é soberbo que não possa receber, e não estamos limitados a isso. Temos certa independência.
Edição 283: Mais dois anos, 24 de Março de 2004. Em 17 páginas de entrevista, o homem que deixava a chefia do FBI no Brasil contou tudo. O escritório do FBI era oficial, nada clandestino. Mas as informações de Carlos Costa eram explosivas. Título na capa: "Os EUA grampearam o Alvorada".
Carlos Costa, então um dos 39 chefes do FBI espalhados pelo mundo e, portanto, com acesso a documentos reservados no mais alto grau, revelava:
- Documento secreto algum falava em armas de destruição em massa, Bush e Blair queriam a guerra… Jamais li documento secreto que indicasse a existência de armas de destruição em massa no Iraque. O que li assegurava o contrário… Rumsfeld esteve com Saddam em 20 de dezembro de 82, entregamos a ele (Saddam) as técnicas do Antraz.
Mas muito mais Carlos Costa contou sobre o Brasil, referindo-se aos anos 90 e início dos anos 2000. Admitiu que serviços secretos dos EUA haviam grampeado o Itamaraty e Palácio da Alvorada. Disse, com todas as letras: “A Vossa Polícia Federal é nossa, trabalha para nós a anos (…) Foi comprada por alguns milhões de dólares”.
Afirmou também que existiam programas para “influenciar” a imprensa, a mídia. E o que seria “influenciar”? Comprar, se necessário? Resposta:
- Seja lá o que for necessário. Virar a opinião pública a nosso favor.
Costa contou também como se forçava a barra, como havia uma “obsessão” em relação a Tríplice Fronteira e o terrorismo:
- Aquilo ali é um lugar que por si só é fora da lei… terroristas nunca foram detectados, e investigamos muito, até porque o Brasil perguntou a nós: “Vocês sabem onde estão os terroristas?”. O que tem é muita retórica…
Informou ainda Carlos Costa:
- Há quem envie dinheiro para o Hezbollah desde o Brasil, da Tríplice Fronteira? É certo que há, mas o Hezbollah é um partido político legal que tem seu braço armado, terrorista. Bem, em Detroit, em New York, nós temos cidadãos americanos que mandam dinheiro para o Hezbollah, para orfanatos, hospitais, mas o destino final é tão incerto quando parte do dinheiro do Brasil…
O objetivo era claro. Os Estados Unidos, no vácuo do 11 de setembro, aproveitavam para forçar a criação de uma ampla base de Inteligência no Cone Sul.
Ao longo das 17 páginas, o chefe do FBI no Brasil revelou:
- O FBI ordenou, depois do 11 de setembro, mas me recusei a “monitorar” (grampear) mesquitas, xeques e líderes muçulmanos no Brasil.
Carlos Costa se recusou, mas o fato é que o FBI ordenou espionagem ilegal no Brasil.
Edição 284: Na edição seguinte, de 31 de março de 2004, “A Lista dos Espiões Americanos no Brasil”. O “Conselheiro de Assuntos Regionais", Jack. G. Ferraro, era na verdade o chefe da CIA, lotado na embaixada em Brasília.
Thomas Harold Lloyd, o “Primeiro Secretário”, era da NAS e Mark Kenyon Edmondson, “Adido para Combate às Drogas”, era da DEA, assim como fora Pat Healy à época das primeiras reportagens, em 1999.
O sucessor de Carlos Costa no FBI foi Donald Gleg, e o “Adido” Julio Velez era o homem da US Customs…
Edição 287: Em 21 de abril daquele mesmo 2004, a última daquela série de reportagens: “Dois Delegados da PF Revelam a História da CIA no Brasil”.
Ao longo de 10 páginas, os delegados José Roberto Pereira e Rômulo Berrêdo não apenas confirmam tudo o que havia sido publicado nos cinco anos anteriores. José Roberto, que dentro da PF enfrentara a CIA ainda em 1997, revela em detalhes a dimensão da ingerência dos EUA. E da submissão do Brasil.
Em meio a um relato coalhado de informações e minúcias, o delegado diz com todas as palavras:
- Uma elite dentro da Polícia Federal trabalhava para a CIA e se orgulhava disso (…) Todo mundo sabia. Não concordávamos…
- O presidente Fernando Henrique sabia que tinha falado e temia, pois não sabia que a fita não estava mais gravada…
O delegado Rômulo Fish de Bêrredo Menezes havia sido Corregedor na Polícia Federal. Num relatório radiografou a promiscuidade entre a PP e a CIA, desde 1988, e afirmou:
- O CDO (CIA) gasta dinheiro dos EUA e, do meu ponto de vista, não existe um acordo legal. Isso é muito grave…
- O CDO, hoje COIE, (neste 2013 abriga a DAT, Divisão Antiterrorismo) foi construído com dinheiro americano e isso está no meu relatório… todos se dizem “Adidos” e “Conselheiros”…
Disse ainda o delegado Bêrredo em relação ao diretor da PF à época da entrevista, Paulo Lacerda:
- Paulo Lacerda, eu, pessoalmente, o tenho em altíssima consideração. Ele herdou isso, uma coisa que vem desde 1988, não é simples de resolver, mas eu sei que ele vai tentar resolver da melhor forma…
Na gestão de Paulo Lacerda, que tinha Márcio Thomaz Bastos como ministro da Justiça, o orçamento da Polícia Federal multiplicou-se. Tempos de mais de 5 mil operações contra crimes do colarinho branco, de portas fechadas para operações ilegais de serviços estrangeiros; ao menos de operações ilegais em consórcio e com beneplácito da Polícia do Estado.
Exemplo: numa dessas operações o então primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, enviou um Hércules C-130 para o Amazonas.
Desembarcados em Manaus, onze agentes do serviço secreto da França, à frente o terceiro homem na hierarquia de Villepin, o diplomata Pierre Henri Guignard. A missão secreta era executar uma operação de resgate na selva brasileira, tendo como base o município de São Paulo de Olivença.
Operação de resgate da senadora franco-colombiana Íngrid Betancourt, amiga de Villepin, então prisioneira das FARC. Operação de resgate que deveria se dar em território brasileiro.
No domingo, 13 de julho de 2003, descoberta a operação secreta, o Hércules C-130 e os agentes secretos franceses receberam um “convite” do governo brasileiro: tinham que deixar o país imediatamente. E assim foi feito, apressada e pontualmente às 13 horas.
Também o “convite” para deixar o Brasil imediatamente foi reservado. Essa história começaria a ser contada uma semana depois. Mas essa é outra história desse mundo de espiões e espionagem.
Bob Fernandes
No Terra Magazine
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