15 de jul de 2013

"Os manifestantes jovens são ingênuos, mas espertos", diz prefeito de São Paulo

Haddad atribuiu os protestos a um segmento da sociedade e uma conjunção de fatores econômicos e político
"Como é que poderão garantir tarifa zero sem
uma fonte específica de financiamento?",
questiona o prefeito de São Paulo
Alvo de pedras nos protestos de junho , as vidraças da Prefeitura de São Paulo, no Vale do Anhangabaú, continuam quebradas e protegidas por tapumes de madeira. Estão assim há quase um mês. Mas no quinto andar do imponente prédio construído pelo Conde Francisco Matarazzo, o prefeito Fernando Haddad ainda tenta decifrar o que provocou as manifestações.
Diz que houve uma conjunção de fatores, como um movimento de placas tectônicas, envolvendo o descontentamento de um segmento da sociedade contra o governo, a contestação da classe política e o contágio da economia brasileira pela crise internacional. Pesou também a repressão policial.
"Se as forças de segurança tivessem agido de maneira sóbria, democrática, o movimento não teria ganhado a força que ganhou". Para Haddad, esse foi o fermento do Movimento do Passe Livre.
"Os manifestantes jovens são ingênuos, mas espertos", afirmou o prefeito, em entrevista ao Brasil Econômico. Ingênuos porque não se preocupam com a fonte de financiamento da tarifa zero, e espertos porque se negam a discutir os aspectos técnicos da isenção - que, no caso de São Paulo, pode somar R$ 6 bilhões.
Haddad não descarta a possibilidade de os jovens voltarem às ruas. Mas acredita que, sem os fatores de junho, o movimento não terá a mesma força: "Haverá fragmentação dos protestos".
Agora que a poeira baixou, qual seu balanço sobre a juventude que foi para as ruas?
Acho que ainda estamos no calor dos acontecimentos. Você ainda tem um período de decantação para saber o que vai restar dessa história toda. Eu vejo a mobilização como se fosse o resultado de movimentos de placas tectônicas muito diferentes, que de certa maneira não tinham relação entre si. Foi como camadas se sobrepondo, gerando um tremor, um abalo das estruturas. A América Latina vive ainda um período em que governos mais à esquerda comandam os principais países, com exceção de Chile e Colômbia. Nesses países, os movimentos de protestos são frequentes, basta ver o que acontece em Caracas, Santa Cruz de la Sierra, Buenos Aires...
Era estranho então não termos movimentos assim no Brasil?
Em primeiro lugar, há um segmento da sociedade brasileira que comunga com esses segmentos da sociedade latinoamericana. Quando são alijados do processo político eleitoral, eles se manifestam e se posicionam contrários às políticas vigentes. Em segundo lugar, uma coisa comum ao Brasil e a muitos países emergentes é a contestação da classe política de modo geral. E isso não se aplica só a regimes democráticos ou autoritários, é uma certa contestação do poder constituído mesmo. Uma espécie de combinação do verão latino com a primavera árabe e o inverno europeu.
Como assim?
São "pactuações". É uma coisa de contestação de rua, de busca de canais alternativos e não institucionalizados de protesto, de repúdio aos canais tradicionais, mesmo aqueles que envolvem participação popular. Pois eles nem sempre produzem o resultado esperado pela população. Em terceiro lugar, tem o inverno europeu, que é a crise econômica. Desde 2008 ela vem nos assombrando e a cada etapa incide com mais força aqui. As medidas que o governo vem tomando não têm sido suficientes para debelar a crise econômica.
Então há essa classe média que não vota no partido de esquerda, mas há outra que é um contingente que sofre com a crise?
Esse movimento só se explica com a conjunção de movimentos que se somaram, se sobrepuseram e dialogam com aspectos diferentes da realidade internacional. Todos eles estão na ordem do dia. Por isso é tão difícil decifrar seu caráter ideológico. É curioso notar que houve uma compreensão inconsciente dos próprios manifestantes de que ninguém poderia aparecer como vitorioso, senão o movimento acabaria. Tudo que pudesse personificar ou caracterizar era repudiado, porque a força estava justamente no caráter anônimo e multifacetado das insatisfações somadas.
Houve um quase consenso de que o estopim foi o reajuste das passagens. O senhor concorda?
Eu penso que foi a conjugação disso com a repressão policial. Houve um momento que, se as forças de segurança tivessem agido de maneira sóbria, democrática, o movimento não teria ganhado a força que ganhou. Por isso que digo que são placas tectônicas que dialogaram com muitos imaginários. A questão democrática então surgiu com força por causa da repressão.
O fato de a Copa das Confederações estar ocorrendo naquele momento, contribuiu?
Acredito que sim. Li um artigo que falava de protestos em cidades que sediaram Copa do Mundo e Olimpíada. É um traço comum a esses eventos. Grandes investimentos que nem sempre são percebidos como geradores de bem estar social. Parece que o caldo engrossou com isso.
Que outro fator pode levar a juventude de novo às ruas?
É difícil prever uma conjunção de fatores como os de junho. O que talvez seja uma tendência é a fragmentação dos protestos com pautas mais específicas que passem a ser defendidas por entidades, por lideranças com nome e sobrenome. Que é o que vem acontecendo agora.
Falou-se muito sobre a rede social, que seria uma novidade também como mecanismo para arregimentar pessoas de forma rápida. O poder público tem como lidar com a força da rede?
Eu entendo que os meios de comunicação de massa, a TV aberta, tiveram papel mais fundamental.
Pelo fato de transmitir ao vivo? Seria o caso de não transmitir?
Longe de mim, os canais têm independência. Acredito que havia uma demanda de audiência pela transmissão. Os meios de comunicação de massa repercutiram esse interesse, e ao repercutirem potencializaram muito mais que as redes sociais. Que, na minha opinião, ainda têm um poder menor.
Algumas pessoas questionaram que, ao ceder ao pedido das ruas, os governantes terão dificuldades para realizar futuros reajustes...
Quando se pensou em saúde e educação, se pensou em uma fonte de financiamento, se pensou em um projeto com começo, meio e fim. O estado foi de certa maneira autorizado pela urna a avançar na renda privada e criar um fundo público de financiamento desses serviços, pois eles são remunerados. O que me parece ingênuo desse movimento é que ele se recusa a discutir esse aspecto da questão, o que coloca todos os governadores e prefeitos do país numa sinuca de bico, sobretudo os prefeitos. Como é que poderão garantir tarifa zero sem uma fonte específica de financiamento? Imagina encaixar R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões no orçamento de São Paulo sem prejudicar os investimentos da Prefeitura em outras áreas... É um misto de ingenuidade com esperteza, que efetivamente coloca o poder público numa situação difícil.
O senhor se reuniu com os integrantes do Movimento do Passe Livre, que impressão teve deles?
São ingênuos, mas espertos.
Por quê?
Eles resgataram uma ideia que era do PT nos anos 80, da prefeita Luiza Erundina, que teve a coerência de sugerir a tarifa zero com uma fonte de financiamento específica, no caso o IPTU progressivo. Eles ficam com a parte boa da ideia, sem dizer como os prefeitos vão financiar.
Mais espertos que ingênuos?
Não sei... O que eu sei é que São Paulo, que já não tem muita condição de investir, perdeu mais um pouco. Se não se discutir seriamente a fonte do financiamento para tornar factível a redução ou a tarifa zero, você vai ter um nó político e econômico.
Há demandas mais prioritárias?
A população toda deveria ser consultada, não só os manifestantes. Conheço muita gente que não se manifesta, que não estava nas ruas, e que está dependendo da produção de moradias para sair de áreas de risco, ou da construção de um hospital para ter atendimento.
O senhor esteve em Brasília junto com o governador Geraldo Alckmin para apresentar um projeto de mobilidade. Isso vai além do plano de metas?
É justamente para cumprir o plano de metas. Nós temos 120 quilômetros de corredores e o projeto agrega mais 150. São Paulo precisa parar de planejar o ano seguinte. Tem que pensar em 10 a 15 anos. Nós contratamos projetos para 230 corredores novos, embora até 2016 não seja possível mais do que 150. Temos que ter projetos para, depois, começarmos a pensar a longo prazo.
Daí, a aproximação maior com o governo Geraldo Alckmin neste início de gestão?
A aproximação não é ideológica, é institucional. Tem gente que pensa que São Paulo é grande demais e que, por isso, pode ficar isolada. Minha visão é oposta. O que acontece aqui, repercute no país. Uma cidade que sozinha representa 12% do PIB é um caso raro no planeta. Então você tem que saber da responsabilidade que é gerir essa metrópole para que ela se supere. O alinhamento de políticas públicas com os governos estadual e federal é quase um corolário do tamanho da cidade. O erro que se cometeu esse tempo todo foi de não perceber a grandeza que nos obriga à parceria. Estamos pagando caro por isso.
O senhor vai montar um conselho para analisar as planilhas de custos dos transportes e ao mesmo tempo foi instaurada uma CPI na Câmara Municipal. Qual sua visão sobre isso?
Primeiro, eu respeito a independência do Legislativo. Durante os dias em que houve a discussão, eu disse que eles poderiam ajudar a cidade, se debruçar sobre o assunto. Não há problema em relação a isso. Os parlamentares do PT estavam divididos, bem como outras bancadas. O que unificou foi o foco que se estabeleceu, quase que por consenso, de que a Câmara tinha que responder à demanda das ruas. Se havia percepção de problemas nos custos ou no lucro, o papel da Câmara seria contribuir para elucidar a sociedade. O que vamos fazer no Executivo é independente. Nós temos uma controladoria-geral, criada exatamente para isso. Temos procedimentos internos e a participação popular. Embora a intenção seja a mesma da Câmara, acho que a agenda da transparência é a mais importante. Não podemos deixar pairar dúvida sobre o custo dos transportes.
Comenta-se que os partidos políticos estão desgastados já que os manifestantes disseram que não são representados por eles.
A verdade nua e crua é que a reforma política já passou da hora. Todo mundo sabia, desde sempre, que se não fizéssemos a reforma no sistema político, teríamos problema. Obviamente que a dependência do Congresso é total para uma reforma política, mas não houve consenso ainda. Ninguém conseguiu resolver a quadratura do círculo. Como é que aqueles que foram eleitos por um sistema eleitoral vão reformá-lo? Essa é a razão de a assembleia constituinte exclusiva ou um plebiscito serem recolocados na ordem do dia. De onde virá o impulso para essa reforma tão necessária?
Especificamente quanto ao PT, o senhor acha que o partido envelheceu? Há dez anos no poder, perdeu aquele verniz que tinha de coisa nova?
É difícil comparar um partido que está há dez anos no poder central com um partido que nunca tinha assumido o poder. Efetivamente o PT é uma novidade na vida política nacional, e ainda não foi superado. Não apareceu nada que pudesse lhe fazer sombra. Nada como esse tipo de organismo que nasceu das entranhas da sociedade, do movimento social, das universidades. Neste sentido, o PT ainda continua sendo um marco na história da democracia moderna do Brasil. Mas, ao ocupar prefeituras e outros governos você passa por um processo natural de envelhecimento - o que não o impede de se renovar. Curiosamente, em uma conversa que eu tive com o presidente Lula, eu disse que temos que pensar em políticas públicas 3.0. Pois a sociedade já assimilou a 1.0 e 2.0 como conquista. Não atribui valor sequer à paternidade. Acolhe aquilo como seu e começa a discutir dali para frente. Isso é bom. O desafio é: quem já inovou tanto quanto o PT, ainda tem vigor para uma nova rodada de inovação institucional? Não há porque negar essa possibilidade ao partido que sempre tenta se nutrir do que tem de mais avançado no meio social. Veja o posicionamento do PT diante da mobilização. Viveu quase um paradoxo: "Vou para a rua, ou fico em casa"?
Há comentários de que o episódio das manifestações desgastou o senhor no partido, porque sua iniciativa não foi a que o partido esperava. É verdade?
Eu costumo não comentar as declarações anônimas, é difícil pressupor que alguém possa ter dito isso e não ter falado diretamente para mim, tendo a porta aberta aqui. Então, diretamente ninguém me falou. Eles compreenderam que, ao contrário de todos os prefeitos que subiram as tarifas no começo do ano, eu segurei a pedido do governo federal. Eu e o governador seguramos até julho aguardando a medida provisória do PIS e da Cofins para dar um reajuste inferior à inflação acumulada. Todo mundo sabia dessa história.
E com a presidente Dilma, sua relação continua boa?
Com ela mais ainda, melhor impossível. Eu faço tudo muito combinado. Quando atendemos ao pedido do governo federal para postergar o aumento e colaborar para o combate da inflação, tudo isso foi conversado longamente.
Falando além do PT, os partidos que aí estão precisam mudar? Teriam que mostrar outra cara? Nas reuniões em Brasília, vemos pessoas com cabelo branco, lideranças antigas...
Ao mesmo tempo, você pode olhar para a geração entre 40 e 50 anos de idade e vai ver muita gente que despontou. No país inteiro tivemos lideranças que emergiram, mas que hoje estão desgastadas, pois a classe política está desgastada como um todo. Mas surgiram novas lideranças. Houve um sopro de renovação que estava em curso. Poucos estados não viveram uma alternância nos últimos anos.
Então, não haveria necessidade de mudança?
Eu acho que corremos um risco mais grave. É o da chamada seleção adversa. Como está todo mundo na mesma vala, é possível que pessoas de boa fé comecem a pensar duas vezes antes de entrar na política. Fico pensando na minha trajetória de presidente de centro acadêmico, que ia para a rua defender as Diretas Já e o impeachment de Fernando Collor. Fui tomado por aquele espírito de retomada, de esperança e de redemocratização do país. Fico pensando: se aquele jovem atuasse hoje, ele olharia para a política com os mesmos olhos que olhei há 30 anos? Eu fico com medo de que pessoas de bem com 20 anos se recusem a participar da política porque há um pressuposto de um jogo jogado, no qual não há o que ser feito.
Quando um jovem olha para Brasília, o Congresso não funciona e os políticos têm perfil polêmico. Isso não pesa também?
É difícil até para o cidadão que acompanha a vida política discernir quem está do seu lado e quem não está. Até pela qualidade da informação, que circula de maneira assustadora. As coisas são tomadas por verdade, independentemente da credibilidade da fonte. Outro dia recebi um email sobre uma suposta fazenda do filho do presidente Lula e reconheci o prédio da Esalq da USP. Um parente outro dia me perguntou o que eu tinha achado da capa da "Forbes", que trazia o Lula como o homem mais rico do mundo. Era uma montagem da internet e virou capa da "Forbes". Até as pessoas de bem ficam em dúvida. Hoje é difícil você oferecer condições para o cidadão discernir e sanear a vida política. É o voto que saneia. Se o voto não sanear, o que saneará?
E o movimento "volta Lula". Está crescendo ou é só vontade de uns poucos?
O movimento precisa encontrar ressonância no personagem (risos).
O senhor tem contato com Lula frequentemente, isso não passa pela cabeça dele?
Absolutamente! Me lembra muito a discussão do terceiro mandato. Diziam que Lula queria, mas ele era o primeiro a mandar arquivar PEC, projeto etc. Eu presenciei a cena, não é que me contaram. Ele era o maior opositor dessa proposta.
A presidente Dilma caiu de forma aguda nas pesquisas. Se as pesquisas apontarem a possibilidade de derrota, não é possível Lula ceder à pressão?
De novo a pergunta: será que o Lula vai encontrar alguém que seja capaz de ganhar a eleição que não seja ele? É a mesma discussão do terceiro mandato. Me parece muito com a discussão daquele ano.
Então o mais provável é que Dilma seja mesmo a candidata do PT em 2014?
Não há dúvidas sobre isso, na minha opinião.
O senhor também caiu bastante nas pesquisas. É possível se recuperar diante da opinião pública?
Eu já vi muita pesquisa. Eu já vi pesquisa em que eu estava com 3% de intenção de voto. No dia 6 de junho, saiu uma pesquisa dizendo que eu era o prefeito com seis meses mais bem avaliado desde o Jânio Quadros, quando as pesquisas começaram a ser feitas. Pesquisas...(risos) você tem que respeitar, entender e fazer uma leitura.
Desde que o senhor assumiu o mandato, o principal ponto comentado é a renegociação da dívida da cidade. O que avançou neste período?
Retomaram a discussão na Câmara sobre a comissão especial para tratar do assunto. A troca do indexador é absolutamente necessária para os municípios. Há o aceno também de recalcular a dívida pela retroatividade da Selic, o que me parece justo. Como é que um ente federativo vai pagar uma taxa superior à que a União pagou para rolar sua própria dívida? Isso tem o aceno positivo da Fazenda, de que é política e juridicamente certo. Estão falando que a Selic está alta em 8,5%, mas nós pagamos 17% para União. Há um desequilíbrio financeiro do contrato que precisa ser revisto.
É um tema que vai se prolongar? Isso tem prejudicado os investimentos na cidade?
O contrato da dívida nos custa R$ 500 milhões por mês, esse é o custo. Acima da Selic.
Só isso já é maior que o aumento do subsidio dos ônibus.
Mas não impacta o fluxo de caixa, impacta o estoque da dívida. Então, não podemos fazer essa comparação. O recuo da tarifa é fluxo, não tem amanhã, é agora. São Paulo é insolvente em função da dívida. Temos vários nós para desatar e a dívida é um deles. Agora, tem os precatórios e essa questão da tarifa de ônibus, que é uma nova incerteza que se estabeleceu. Essas duas últimas são novas e se sobrepuseram aos problemas de longa data.
O senhor tem ido a Brasília para negociar vários pontos com o Congresso. Há desacerto na articulação política do governo federal com o Congresso?
A relação com o Congresso é complexa. O Brasil é grande, são 513 deputados e 81 senadores. Uma diversidade de perspectiva pragmática e ideológica. É difícil você organizar, mas é possível. O Congresso responde à agenda positiva. Como ministro, não tive nada para reclamar do Congresso. Aprovou todos os projetos de lei encaminhados pelo Ministério da Educação na minha época, e foram dezenas. É absolutamente possível ter uma agenda positiva com o Congresso, mas reconheço que, em função da pluralidade, é difícil.
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Ligações suspeitas entre Globo e Banco Rural, mas ninguém investiga

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Quem tiver alguma informação, favor informar a este blog. Procura-se o inquérito ou processo de investigação das operações do Banco Rural com a Globo, consideradas fraudulentas e com evidência de crime contra o sistema financeiro nacional, segundo o ex-procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza.
Em 2006, quando Souza apresentou a famosa denúncia ao ministro Joaquim Barbosa do chamado "mensalão" (ação penal 470), registrou na página 90, uma vistoria do Banco Central junto ao Banco Rural apontando crimes contra o sistema financeiro nacional, envolvendo operações consideradas fraudulentas com algumas empresas. Entre elas a Globo Comunicações e Participações, a Globopar, controladora da TV Globo.
Consta que em 2004 a Globopar não conseguia honrar suas dívidas, e o fundo de investimento W.R. Huff pediu a falência da empresa nos Estados Unidos. Foi necessário um processo de reestruturação da dívida.
Contudo, as páginas 2.869 e 2.870 do acórdão do julgamento da Ação Penal 470 registram que o mesmo padrão de empréstimo feito pelo Banco Rural ao Partido dos Trabalhadores foi feito com a "Globo Comunicações e Participações" – os ministros do STF consideraram as operações entre o banco e o PT "atos fraudulentos de gestão".
Como a Globo não foi incluída como ré na ação penal 470, presumia-se que o doutor Antônio Fernando, por dever de ofício, tenha desmembrado e encaminhado a investigação envolvendo as operações entre a Globo e o Banco Rural para a Procuradoria Regional Federal do Rio de Janeiro, onde fica a sede da emissora.
Porém, passados sete anos, o caso continua envolto em mistério e, sobre ele, não há uma única palavra no site do Ministério Público Federal. O assunto torna-se mais preocupante diante do recente 'sumiço' de um processo de R$ 615 milhões por sonegação de imposto de renda na compra de direitos de transmissão da Copa de 2002 pela TV Globo, com uso de operações em paraísos fiscais.
Causa desconforto saber que a Globo aparece nos autos dos inquéritos relacionados ao "mensalão", com indícios que exigem investigação profunda e que acaba de contratar Felipe Barbosa, filho do ministro Joaquim Barbosa, relator dos processos, para trabalhar na emissora.
Antes da Globo, outra empresa apareceu envolvida nos meandros do caso: o Grupo Tom Brasil, que teve o mesmo filho de Joaquim Barbosa como assessor de imprensa, recebeu R$ 2,5 milhões do dinheiro que os ministros do STF consideraram desviados da Visanet por meio da agência de publicidade de Marcos Valério.
E agora? Pau que bate em Chico baterá em Francisco?
E a velha mídia... Essa página 90 do relatório que resultou na AP 470 permanece no limbo do noticiário da grande mídia até hoje. É mais um vexame do corporativismo dos barões da mídia, na mesma linha que foi a blindagem que a revista Veja obteve na CPI do Cachoeira.
Do Blog da Helena
No Causa-me espécie
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Quem inventou o decreto que autoriza autoridades a voar pela FAB?

http://www.aereo.jor.br/wp-content/uploads/2009/03/e-190-da-fab.jpg 
Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
DECRETO Nº 4.244, DE 22 DE MAIO DE 2002.
Dispõe sobre o transporte aéreo, no País, de autoridades em aeronave do Comando da Aeronáutica.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea "a", da Constituição,
DECRETA:
Art. 1º O Ministério da Defesa, por intermédio do Comando da Aeronáutica, utilizando aeronaves sob sua administração especificamente destinadas a este fim, somente efetuará o transporte aéreo das seguintes autoridades:
I - Vice-Presidente da República;
II - Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal;
III - Ministros de Estado e demais ocupantes de cargo público com prerrogativas de Ministro de Estado; e
IV - Comandantes das Forças Armadas.
IV - Comandantes das Forças Armadas e Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. (Redação dada pelo Decreto nº 7.961, de 2013)
Parágrafo único. O Ministro de Estado da Defesa poderá autorizar o transporte aéreo de outras autoridades, nacionais e estrangeiras, sendo-lhe permitida a delegação desta prerrogativa ao Comandante da Aeronáutica.
Art. 2º Sempre que possível, a aeronave deverá ser compartilhada por mais de uma das autoridades.
Art. 3º Por ocasião da solicitação de aeronave, as autoridades de que trata este Decreto informarão ao Comando da Aeronáutica a situação da viagem e a quantidade de pessoas que eventualmente as acompanharão.
Art. 4º As solicitações de transporte serão atendidas nas situações abaixo relacionadas, observada a seguinte ordem de prioridade:
I - por motivo de segurança e emergência médica;
II - em viagens a serviço; e
III - deslocamentos para o local de residência permanente.
Parágrafo único. No atendimento de situações de mesma prioridade e não havendo possibilidade de compartilhamento, deverá ser observada a seguinte ordem de precedência:
I - Vice-Presidência da República, Presidência do Senado, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal e órgãos essenciais da Presidência da República; e
II - demais autoridades citadas no art. 1o, obedecida a ordem de precedência estabelecida no Decreto no 70.274, de 9 de março de 1972.
Art. 4º-A. As autoridades de que trata o art. 1o, inciso III, poderão optar por transporte comercial nos deslocamentos previstos nos incisos I e III do art. 4o, ficando a cargo do respectivo órgão a despesa decorrente. (Incluído pelo Decreto nº 6.911, de 2009).
Art. 5º O transporte de autoridades civis em desrespeito ao estabelecido neste Decreto configura infração administrativa grave, ficando o responsável sujeito às penalidades administrativas, civis e penais aplicáveis à espécie.
Art. 6º O Ministro de Estado da Defesa e o Comandante da Aeronáutica baixarão as normas complementares necessárias à execução deste Decreto.
Art. 7º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 8º Fica revogado o Decreto no 3.061, de 14 de maio de 1999.
Brasília, 22 de maio de 2002; 181º da Independência e 114º da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
No para leitura
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A poesia do “pelego” Josias de Souza

 
O jornalista Josias de Souza, da Folha, é conhecido por seu ódio aos movimentos sociais e por suas intimas ligações com o alto tucanato. Na semana passada, ele até posou de poeta para atacar o Dia Nacional de Lutas convocado pelas centrais sindicais. Para ele, o protesto “das centrais e seus penduricalhos (UNE, MST, PT, PCdoB, PDT e etecetera)” serviu para mostrar as diferenças entre “a rapaziada e a pelegada”. O jornalista, que evita falar sobre o “mensalão” ou a “privataria” tucanas, afirma que a principal diferença “é a forma como os dois grupos se relacionam com os cofres públicos. Um entra com o bolso. Outro usufrui”. Ele até publica uma “poesia” para desqualificar o sindicalismo.
Vale registrar alguns dos seus versos pobres e venenosos:
*****
A rapaziada é #. A pelegada é $.

A rapaziada é o bolso. A pelegada é imposto sindical.

(...)
A rapaziada é máscara de vingador. A pelegada é cara de pau.

A rapaziada é viral. A pelegada é bactéria.

A rapaziada é chapa quente. A pelegada é chapa branca.

(...)

A rapaziada é sociedade civil. A pelegada é sociedade organizada.

A rapaziada é banco de praça. A pelegada é BNDES.

A rapaziada é a corrida. A pelegada é o taxímetro.

A rapaziada é asfalto. A pelegada é carro de som.
(...)

A rapaziada é explosão. A pelegada é flatulência.

A rapaziada é o público. A pelegada é a coisa pública.

(...)

A rapaziada é pressão popular. A pelegada é lobby.

A rapaziada é farinha pouca. A pelegada é meu pirão primeiro.

(...)

A rapaziada é namoro. A pelegada é tédio conjugal.

A rapaziada é grito. A pelegada é resmungo.

(...)

A rapaziada é abaixo a corrupção. A pelegada é a perspectiva de inquérito.

A rapaziada é mistério. A pelegada é indício.

A rapaziada é a alma do negócio. A pelegada é o segredo.

A rapaziada é novidade. A pelegada é o mesmo.

(...)

A rapaziada é impessoal. A pelegada é departamento de pessoal.

A rapaziada é decifra-me. A pelegada é devoro-te.
*****

No livro “O jornalismo canalha: A promíscua relação entre a mídia e o poder” (Editora Casa Amarela), o jornalista José Arbex Jr. fala do ódio da mídia aos movimentos sociais, em especial ao MST. Num dos capítulos, ele denuncia que vários jornalistas “aceitam fazer o papel dos escribas do poder... Muito poderia ser escrito sobre as razões que determinam tal comportamento – do triunfo momentâneo do pensamento neoliberal, para o qual o mercado é a lei inexorável da existência, ao puro e simples oportunismo de carreiristas que sabem o que devem escrever e falar para ‘se darem bem’ na profissão”. Entre outros casos deprimentes, ele cita o “poeta” Josias de Souza.
O livro relata um episódio envolvendo diretamente o jornalista da Folha. Para atacar o MST, Josias de Souza “utilizou recursos” e seguiu “orientações do Incra” durante o triste reinado de FHC. A denúncia foi comprovada na época e o “pelego” foi desmascarado. Mesmo assim, ele não perdeu a pose e continua fazendo seu joguinho sujo a serviço da famiglia Frias e dos interesses do capital. Ele detesta “as centrais sindicais e os seus penduricalhos (UNE, MST, PT, PCdoB, PDT)” e, por isso, tentou pegar carona nos protestos juvenis de junho para atacar e estigmatizar os movimentos sociais organizados. Sua “poesia”, porém, não engana mais ninguém!
Altamiro Borges
No Justiceira de Esquerda
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Reforma política: uma nova proposta, um novo Brasil

Uma reforma política é o desejo de todos os brasileiros. Pensando nisso, o Partido dos Trabalhadores elaborou um projeto de iniciativa popular para coletar 1,5 milhão de assinaturas a fim de promover essa mudança. A população foi às ruas e nosso projeto fortaleceu a proposta do governo Dilma de transformar a estrutura da política brasileira.

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1º Ato contra o monopólio na mídia

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Marilena Chauí - Democracia e Sociedade Autoritária

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PT na TV

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E se a Veja der o tom no ensino nas escolas da Abril?

A divisão de Educação da Abril tem um problema estratégico.
A família Civita na abertura da Abril Educação ao mercado de ações, em 2011
A família Civita na abertura da Abril Educação ao mercado de ações, em 2011
Um leitor do Diário recentemente fez o seguinte comentário: “Jamais deixaria um filho meu estudar numa escola da Abril.”
Ele lera a notícia de mais uma compra de escola pela Abril, num movimento estratégico vital para a empresa. Com os negócios minguando aceleradamente nas revistas que fizeram sua fortuna, a Abril desloca-se para a área de educação.
O ponto do leitor: ele não queria que seus filhos fossem alcançados pela visão de mundo da Veja – não apenas conservadora mas distorcida e frequentemente cínica.
Na preocupação do leitor está um ponto que pode acabar atrapalhando o futuro da Abril na educação. Não são poucos os pais que definitivamente não gostariam que seus filhos fossem ‘educados’ indiretamente pela Veja.
É compreensível.
Imagine que seu filho vá ter uma aula sobre os protestos, com vistas ao vestibular.
A Veja elegeu, como símbolo das manifestações, Maycon Freitas, um extremista que diz em sua página no Facebook que ‘bandido bom é bandido morto’ e que rejeita agressivamente qualquer coisa parecida com direitos humanos.
Freitas recebeu as Páginas Amarelas, e foi apresentado como a “voz que emergiu das ruas”.
Ele evidentemente tinha pegado carona na capacidade mobilizadora do MPL, mas segundo a Veja ele comandou multidões nos protestos do Rio.
Para ver a realidade, basta checar o que aconteceu quando o MPL saiu de cena e Freitas fez convocações frenéticas para uma “Marcha das Famílias contra o Comunismo”.
Compareceram 36 pessoas, segundo cálculos confiáveis.
Parece anedótico, mas que pai gostaria que seu filho corresse o risco de aprender a realidade dos protestos segundo a Veja?
Numa escola da Abril, esta é uma possibilidade real.
Lembremos que até alguns anos atrás, antes de girar freneticamente para a direita, a Veja era uma leitura quase obrigatória para jovens interessados em atualidades para as provas de vestibular.
O mundo paralelo da Veja está no papel e na internet.
Também a respeito dos protestos, o site publicou textos que poucos pais gostariam que chegassem às crianças.
Dois deles merecem destaque.
Num, o professor Marco Antônio Villa dizia que os garotos do MPL eram “sociologicamente irrelevantes”. Num artigo com 16 pontos sobre os protestos, então em seu início, Villa errou simplesmente todos.
Mesmo assim, ele permanece errando no site da Veja – e nos programas da Globonews — sem que isso pareça trazer qualquer problema para ele, num caso notável de impunidade por razões ideológicas.
Num outro texto do site da Veja, o ex-publicitário Neil Ferreira conclamava a polícia a “passar fogo” nos manifestantes. Terror se combate com terror, escreveu Neil.
A força da Veja na Abril é enorme. Não é fantasiosa, assim, a hipótese de que o conteúdo da revista acabe contaminando o ensino nas escolas da Abril.
Imagine que Reinaldo Azevedo seja convidado a falar sobre política. Ou que algum de seus livros seja recomendado aos alunos.
(O site da Veja mereceria um teste da nova geração dos Civitas, aliás: o envio — mediante um pseudônimo, claro – de um comentário que não bata com a opinião dos blogueiros.  Não apenas são censurados como o autor é instado a ir para a ‘esgotosfera’. Isso mesmo quando o comentário é civilizado e não comete senão o pecado de não dizer amém.)
Estrategicamente, a Abril tem um problema em sua divisão de educação, dada a imagem fortemente negativa da Veja.
Ou a casa trabalha intensamente para melhorar essa imagem, e para isso é necessário um jornalismo na Veja que impeça absurdos como a transformação de fanfarrões como Maycon Freitas em heróis, ou as ambições na área da educação dificilmente serão preenchidas.
Talvez este problema já tenha sido captado na Abril.
Se não foi, é porque as coisas estão realmente complicadas.
Paulo Nogueira
No DCM
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Rede social popular na América Latina bate metas de audiência

O Facepopular bateu todas as metas de audiência e fechou para novas inscrições até semana que vem
Começou pela Argentina a construção de uma nova rede social para o continente, o com objetivo de fazer frente ao Facebook e se tornar a principal ferramenta de interação social na América do Sul. O Facepopular, em que “face” não significa rosto, mas “Frente Alternativa Contra o Establishment”, tem uma posição crítica em relação ao establishment Facebook, que seria controlado pela máquina norte-americana de espionagem, para roubar o perfil dos usuários.
A rede social, que espera ser um competidor direto do Facebook, conta com servidores localizados na Argentina e seu lançamento, esta semana, coincide com os planos de criação da mega rede de fibra ótica que a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), da qual o Brasil faz parte, está desenvolvendo para toda a região. O Facepopular é o produto-estrela da Red Popular, grupo de mídia que reúne rádio, TV e sites na internet, cujo objetivo é servir de plataforma de integração tecnológica para os países da Unasul e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, Celac, da qual o Brasil também é membro.
E seus criadores são otimistas: esperam que o Facepopular se torne a rede social mais predominante na América Latina no prazo de um ano.
Em termos conceituais, o Facepopular tem muitas aplicações, opções e botões semelhantes ao Facebook. Mas há também diferenças.
Em vez de emoticons (caracteres tipográficos que expressam emoções), há “EmoPerones” e seus usuários podem enviar uma “Evita”, um “Perón” ou até um “Bolívar”, em alusão aos ícones da política latino-americana.
Os hambúrgueres, por sua vez, serão substituídos por choripanes, sanduíches argentinos feitos com chouriço.
Outra diferença em relação ao site é que o Facepopular não tem limite de amigos.
Também contará com um botão de “Não Curtir” e com uma seção denominada “O indesejável da semana”.
Em sua declaração de princípios, seus idealizadores dizem que o objetivo do Facepopular é “gerar um canal de comunicação e interação comunitária sem as arbitrariedades e modelos de imposição de outras redes sociais desenhadas e operadas fora da América Latina por corporações multinacionais”.
“É uma rede latino-americana, para hispanófonos, pensada e concebida segundo nossos próprios parâmetros e padrões”, diz em sua página na web.
Programa-espião
O lançamento da rede popular é mais um ato de protesto contra o escândalo de espionagem dos Estados Unidos, que teriam violado milhões de mensagens de e-mail em vários países, inclusive no Brasil.
– Esperamos superar a marca dos 100 mil usuários no final de semana. Vamos incorporar um quarto servidor porque não vamos dar conta – disse Pablo Lenz, um dos fundadores da rede social, em entrevista à televisão local, na manhã deste sábado. Um recado, no entanto, na página para o ingresso na rede, agradece “aos participantes desta fase” e informa que novas inscrições serão aceitas nos próximos dias, indicando que as metas de audiência foram cumpridas, momentaneamente.
Diante das várias semelhanças com o Facebook, que vão desde a tipografia até as mais variadas funções, a agência britânica de notícias BBC contactou a rede social para saber sua opinião a respeito do lançamento do Facepopular e se haviam comentários sobre direitos autorais.
“Estamos analisando. Não temos comentários a fazer neste momento”, respondeu à BBC Alberto Arébalos, chefe de comunicações para América Latina do Facebook por e-mail.
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O Patriciado e a Plebe

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Elio Gáspari, Eugenio Bucci e Merval Pereira manifestaram-se recentemente contrários à proposta de plebiscito formulada pelo governo Dilma. Para eles, a iniciativa de reformar a estrutura política do país não guarda qualquer aderência com as inquietações recentes expressas nas ruas. Alckmin, Aécio, Ronaldo Caiado, Serra e Gilmar Mendes, entre outros, pensam assim também. 
A palavra plebiscito costuma provocar urticária na sensível epiderme conservadora por conta do recorte político claramente embutido em sua etimologia. A história da palavra marca o encontro de dois termos latinos (plebs e scitum) que podem ser traduzidos como o ‘decreto da plebe', a ordenação social definida por ela, digamos assim. 
Outro entendimento deriva da  junção do latim, plebs scit . E, neste caso, a colisão com a visão histórica do patriciado de todas as épocas é ainda mais inflamável: ‘a plebe sabe', dardeja a etimologia. Os centuriões da ordem, de todas as ordens, se arrepiam: se a plebe, o estamento intermediário na Roma antiga, sabe, em breve  os escravos evocarão também esse direito. 
A questão crucial em todas as travessias de ciclo histórico é a reforma do poder: 'quem sabe' definir melhor o passo seguinte da sociedade. Elio Gáspari, nos anos 80, acreditava que quem sabia era o coronel  Heitor Ferreira de Aquino. O porta-recados da ditadura, e secretário do general Golbery (segundo na hierarquia da ditadura Geisel), despachava regularmente com o então diretor-adjunto da revista 'Veja'. Não raro, na véspera do fechamento, a voz da secretária  ecoava pressurosa  pelos corredores da semanal dos Civitas: ‘Eeeliiiooo, o Heitor, o Heitor!  E lá ia o atual crítico do plebiscito beber direto na fonte de quem sabia, na sua concepção de sabedoria. Heitor, uma espécie de faz-tudo de Golbery, de fato sabia. Muito. Um lado da história. Mas não toda ela. Sobretudo, não sabia o lado da rua. O da plebe que a seus olhos, a exemplo do patriciado atual,  estava alheia às questões do poder e da estrutura política. Até que em 1983 surgiu o ‘Diretas Já!' e , em 1988, uma Constituinte esticou o perímetro da cidadania a limites até hoje não digeridos pelo patriciado que, pelo visto, rechaça viver a experiência novamente. 
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O que os parlamentares propuseram no lugar do plebiscito?

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Aqui ó, Vacarezza
Surfando na onda da Rede Globo que fez de tudo para desqualificar qualquer consulta popular e, assim, impedir qualquer caminho institucional para as demandas difusas que pipocavam nas ruas se expressassem formalmente, nosso Congresso Nacional simplesmente avança no atraso. Liderados por Cândido Vacarezza, do PT de São Paulo e conhecido das páginas de jornais sobre suas campanhas eleitorais passadas (ver aqui e aqui), a Câmara Federal está se preparando para votar proposta que acaba com recibos de doação eleitoral e permite candidatos com contas de campanha rejeitadas pela justiça possam se candidatar em 2014.
Só faltam jogar brioches para o povo.

Deputados querem afrouxar controles sobre doações de campanhas

Márcio Falcão
Depois de rejeitar a proposta de reforma política feita pela presidente Dilma Rousseff para responder aos protestos de junho, deputados federais trabalham para aprovar nesta semana mudanças na legislação eleitoral que afrouxam os controles existentes sobre doações de campanha.
Projeto de lei preparado por um grupo de trabalho composto por representantes de vários partidos acaba com os recibos para doações eleitorais e permite que políticos com contas de campanha rejeitadas pela Justiça Eleitoral voltem a se candidatar nas eleições do ano que vem.
Atualmente, os candidatos devem dar recibos às pessoas e às empresas que financiam suas campanhas, e esses comprovantes devem ser submetidos à análise da Justiça.
O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), relator do projeto de lei, afirmou que, sem os recibos, a fiscalização poderá ser feita com registros da movimentação bancária das campanhas, onde os doadores seriam identificados.
Segundo ele, a ideia é tornar a fiscalização mais eficiente. "Com o número de candidatos que temos atualmente, não há controle", disse. "Estamos melhorando isso ao permitir que o controle ocorra de forma eletrônica."
Para a procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, a medida é preocupante. "Isso pode dificultar o controle da prestação de contas", disse. "No nosso entendimento, é mais uma dificuldade para cruzar os dados de quem fez a doação e o beneficiário."
No caso dos políticos com contas de campanha rejeitadas pela Justiça Eleitoral, o projeto permite que voltem a se candidatar se tiverem apresentado suas prestações de contas dentro do prazo legal.
No ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral chegou a barrar candidatos com contas rejeitadas, mas a questão dividiu o tribunal e a decisão foi revista pelos ministros depois. Pressionados por partidos políticos, eles concluíram que a lei não exige dos candidatos a quitação eleitoral.
No início deste ano, a Procuradoria-Geral da República questionou o entendimento do TSE e pediu que os ministros voltem a examinar o tema. Para o Ministério Público, o registro de candidaturas de políticos com contas rejeitadas fere a Constituição.
"Isso é gravíssimo e representaria o liberou geral", disse Sandra Cureau. Vaccarezza discorda. "O cidadão que teve sua conta rejeitada por dolo é processado por outro artigo da mesma lei e vai ser pego de qualquer jeito", disse.
O projeto também permite que o dinheiro do Fundo Partidário seja usado para pagar multas impostas a partidos políticos que cometerem irregularidades. A legislação atual não prevê o uso do dinheiro com essa finalidade.
O Fundo Partidário é constituído por recursos públicos, do Orçamento Geral da União. Neste ano, ele deverá repassar R$ 294 milhões aos 30 partidos políticos do país.
Vaccarezza disse que só vai manter em seu parecer mudanças que forem apoiadas por todos os partidos. Ele deve concluir hoje seu relatório.
Alguns líderes partidários querem votar o projeto até quarta-feira, quando as duas Casas do Congresso devem entrar em recesso. Se passar na Câmara, o projeto segue para discussão no Senado.
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Projeto de regionalização da TV em debate no Congresso não atende aos anseios da sociedade

No último dia 11, dia de mobilizações em todo país em defesa dos direitos dos trabalhadores e contra o monopólio das comunicações, uma Comissão Especial do Congresso Nacional aprovou em 5 minutos um projeto para regulamentar o artigo 221 da Constituição que define critérios para a regionalização da produção cultural, artística e jornalística nas emissoras de rádio e TV.
Sem nenhum debate público com a sociedade, a Comissão Mista de Consolidação de Leis e de Dispositivos Constitucionais, formada por 6 deputados e 6 senadores, aprovou por unanimidade proposta do deputado Sergio Zveiter (PSD/RJ), relatado pelo Senador Romero Jucá (PMDB-RR), que beneficia claramente as grandes emissoras de rádio e TV em detrimento da necessidade de regionalizar os conteúdos produzidos das emissoras.
O projeto aprovado estabelece cotas irrelevantes de programação regionais, como a definição de 14 horas semanais para localidades com mais de 5 milhões de habitantes - sendo apenas metade de produção local. Cidades menores teriam cotas ainda mais ínfimas. O deputado Sergio Zveiter ainda propõe que a propaganda político-partidária, além de comunicados oficiais, sejam descontados nos horários garantidos para exibição de programação regional. Pior, a proposta beneficia as grandes emissoras ao permitir a destinação de recursos do Fundo Nacional de Cultura para produção de programas, inclusive religiosos. 
Esta proposta é um atentado contra a diversidade e pluralidade nos meios de comunicação, fortalecendo o cenário de concentração que impede a liberdade de expressão da maioria da população brasileira.
O projeto contraria, ainda, a tendência de fortalecimento das cotas de produção independente e regional, garantida na aprovação da nova lei de TV por Assinatura (Lei n 12485/11), que vem nos últimos dois anos modificando expressivamente o cenário de produção audiovisual no país. O projeto também ignora uma proposta apresentada pela deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) em 1991, aprovado há 10 anos na Câmara, que segue encostado no Senado Federal.
A regionalização da programação da rádio e TV, além do incentivo a produção independente, sempre esteve na pauta do movimento pela democratização da comunicação. É por isso que a regionalização da produção é um dos eixos centrais do Projeto de Lei de iniciativa popular da Mídia Democrática, lançado pela campanha "Para Expressar a Liberdade", uma iniciativa do FNDC. O projeto propõe uma garantia de 30% de produção local mínima diária para as emissoras, sendo que 10% da produção em horário nobre seria destinada a produções independentes.
É fundamental que o Congresso Nacional realize esse debate de forma ampla, ouvindo todos os setores envolvidos, para regulamentar o que a Constituição exige.
O FNDC além de ser contra o conteúdo das mudanças aprovadas sem debate pelo Senado, também alerta para a ausência de discussão com os quais temas fulcrais para a democracia estão sendo analisados por esta Comissão Especial sobre a Regulamentação da Constituição Federal. Regulamentar a Constituição não é algo que possa ser feito por 12 parlamentares sem um amplo debate público, porque pode trazer sérios prejuízos à democracia e alterar na prática os princípios estabelecidos pela Carta Magna.
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Periodista afirma que Snowden tiene información para destruir al Gobierno de EE.UU.

En caso de que Snowden muera será revelada toda la información que posee.
El periodista del diario The Guardian, Gleen Greenwald, confidente de Edward Snowden, aseguró que el exagente estadounidense tiene suficiente información como para causar más daño al Gobierno de su país”. El periodista insistió en que de morir será difundida toda la información que posee.
El periodista británico del diario The Guardian, Gleen Greenwald, afirmó esta semana que el exagente de la Agencia Central de Inteligencia (CIA) “Snowden cuenta con suficiente información como para causar más daño al Gobierno estadounidense”.
Greenwald, quien se encuentra en Río de Janeiro (sureste de Brasil) vigilado por los servicios de inteligencia de EE.UU., aseguró que Snowden quiere “dejar al descubierto programas informáticos que personas del mundo entero utilizan sin saber a qué están exponiéndose y sin haber aceptado conscientemente ceder sus derechos a la privacidad”.
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Gleen Greenwald
El periodista insistió que el exagente de seguridad ha preparado su propia “póliza de seguro”, en caso de que el Gobierno norteamericano intente matarlo, por el “peligro” que representa para su país.
“El Gobierno estadounidense debe estar de rodillas todos los días rogando que nada le ocurra a Snowden, porque si algo le llega a suceder, toda la información sería revelada y esa sería su peor pesadilla”, enfatizó Greenwald.
Snowden ya ha distribuido su archivo completo a varias personas del mundo para que ante cualquier cosa que le pasara, los materiales sean difundidos, aseguró el periodista.
Violación de DD.HH.
Este sábado, la alta comisionada de la Organización de Naciones Unidas (ONU) para los Derechos Humanos, Navi Pillay, se pronunció por primera vez sobre el caso de Edward Snowden y subrayó que los programas de vigilancia de EE.UU. revelados por el extécnico de la CIA "violan los Derechos Humanos".
Según Pillay, las filtraciones de Snowden, que permanece en la zona de tránsito en un aeropuerto moscovita desde el mes pasado, revelaron violaciones masivas del derecho a la intimidad, algo que plantea una serie de cuestiones importantes sobre las que los Estados no pueden hacer la vista gorda.
"Los programas de vigilancia sin garantías adecuadas de la protección del derecho a la intimidad amenazan con tener un impacto negativo en el disfrute de los derechos humanos y las libertades fundamentales", aseveró.
La alta comisionada concluyó que "la gente debe tener la confianza de que sus contactos personales no estarán sujetos a un escrutinio indebido por parte del Estado" e instó a todos los países a que respeten el derecho de Edward Snowden a solicitar asilo.
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RBS autuada pela Receita Federal por sonegação e evasão de divisas. Dívida chega a R$ 290 milhões

Uma devassa feita pela Receita Federal na RBS Participações S/A e algumas empresas coligadas, em 2002, apontou uma série de irregularidades: suspeita de sonegação de impostos, pagamentos sub-faturados de impostos sobre operações de crédito, de transferência de juros, não pagamento de PIS e aumento de capital sem informação à Receita Federal (para não pagar mais imposto de renda).
A RBS Administração e Cobrança Ltda. surge quase sempre como originária dos chamados mútuos para as demais empresas do grupo, que são operações de triangulação de dinheiro entre elas. Ela foi autuada pela Receita Federal, em junho de 2002, em R$ 263.551.297,86. Especialmente por ter, em três exercícios, procedimentos fiscais em desacordo com as leis do país.
Em função da dívida do grupo com o Fisco, a Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre chegou a emitir o que se chama de “averbação de gravame” sobre a alienação, transferência ou oneração de quaisquer dos bens ou direitos da empresa, medida tomada para prevenir danos ao Erário Federal. Em outras palavras, arrolou os bens da empresa, que não pode ser negociada enquanto não saldar a dívida.
Em setembro de 2002, a RBS Participações tinha uma dívida para com a Receita Federal de R$ 17,5 milhões. A DR Empresa de Distribuição e Recepção Ltda. (a NET) tinha uma dívida de R$ 7,8 milhões e a RBS Administração e Cobrança Ltda. uma dívida de R$ 263,5 milhões. Apenas estas três empresas do Grupo RBS deviam ao Fisco quase R$ 290 milhões.
Estas e outras “curiosidades” sobre os procedimentos contábeis do conglomerado mafiomidiático mais poderoso do Sul do país estão em uma edição especial da finada revista Porém, de Porto Alegre, dedicada a desmascarar todas as mutretas, negociatas, trambiques, maracutaias, trapaças, velhacarias, logros e sem-vergonhices do Grupo RBS e seus prepostos.
Para quem ainda não sabe, a conglomerado mafiomidiático RBS opera 20 emissoras de televisão (afiliadas à Rede Globo), 21 emissoras de rádio e oito jornais diários em dois estados brasileiros (RS e SC).
Em 11 de fevereiro de 2011, este Cloaca News revelou que o empresário gaúcho Nelson Pacheco Sirotsky, capo dei capi do Grupo RBS, e seu sócio Carlos Eduardo Schneider Melzer foram denunciados, em Ação Penal movida pelo Ministério Público Federal, como incursos no artigo 21, § único, da Lei 7492/86. Trata-se da Lei dos Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. O caso estava na Justiça Federal da 4ª Região (1ª Vara Criminal de Porto Alegre).
No dia 17/2, após a repercussão do caso, as informações sobre o litígio, que estavam abertas à visitação no Portal da Justiça Federal da 4ª Região, foram curiosa e misteriosamente ocultadas do conhecimento público. 
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