6 de jul de 2013

Marina cresce, Joaquim aparece

Duas incógnitas. Ou cartas fora do baralho?
Roseana Sarney
Roseana. Espaço para os derrotados de 2010
Joaquim barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, entrou em férias com um grilo na cuca. Alcançou 15% das intenções de voto para presidente da República. Sem gastar um só centavo, bastou, para ele, soltar o verbo. Foi ele o maior beneficiado com a queda das intenções de voto na presidenta Dilma Rousseff. Marina Silva herdou menos votos, embora se tenha mantido na segunda posição, em alternância com o tucano Aécio Neves. Dilma ainda mantém uma boa distância de Marina. Esta, engalfinhada na tarefa de construir um partido, beneficia-se da memória do eleitor. Em 2010, conseguiu quase 20 milhões de votos no primeiro turno.
Joaquim e Marina são as duas incógnitas da pesquisa do Datafolha, feita no calor da hora das manifestações de rua. Um movimento cujo lema assim pode ser resumido: contra tudo e contra todos. É mais ou menos, também, a expressão substancial do discurso de Marina e Joaquim.
Pesquisa, como se sabe, retrata o momento em que é feita. E o retrato revelado pode ser fugaz. Isso ocorre principalmente quando, como agora, a velocidade das transformações e a inexistência de um fator determinante formam a moldura do cenário de um movimento surpreendente e, essencialmente, restrito aos centros urbanos, dominado em números por militantes da classe média. De certa forma, tornou-se uma anomalia no processo político-eleitoral. Os resultados da pesquisa sustentam isso.
Os votos saídos de Dilma se esparramaram. Aécio Neves herdou um pouco e mesmo o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) levou algum. Votos em branco, nulos ou em nenhum dos nomes apresentados cresceram. Enfim, os votos não migraram para um adversário mais definido em oposição a Dilma.
Joaquim Barbosa deixa o próprio nome circular, fingindo que não deixa. Mas, após o recesso do Judiciário, a partir de 2 de agosto, terá pouco tempo para decidir. Mesmo sem chances de ser bem-sucedido ele prega a inclusão de candidatura avulsa no processo.  O calendário eleitoral é rigoroso para ele e, muito mais, para Marina Silva.
“A exiguidade temporal anda em desfavor da criação dos novos partidos”, alerta o advogado Erick Wilson Pereira, mestre em Direito Constitucional pela PUC-SP e especialista em legislação eleitoral. Em 2012 publicou Manual das Eleições (Ed. Baobá).
“Sem falar nas etapas cartorárias, dificilmente haverá agilidade suficiente para o deferimento do registro de criação do partido pelo Tribunal Superior Eleitoral em 60 dias. E, se mesmo assim houver boa vontade e prioridade no julgamento desse processo que cria o partido capitaneado por Marina Silva, este terá de ocorrer até o dia 4 de outubro, sob pena de prejudicar a migração dos interessados sem perda do respectivo mandato eletivo”, ele afirma.
Marina Silva e Joaquim Barbosa parecem duas cartas fora do baralho.
Recado das ruas
Se nada mais for programado e realizado com expressão política, já se pode dizer que as manifestações pelas ruas do País alcançaram o apogeu e entraram em declínio.
Parece, entretanto, que os políticos, presenças rejeitadas pelos manifestantes, contam com isso e desprezam o recado das ruas.
O vício de 40 anos de Parlamento, deixando a índole à parte, fez Henrique Alves, presidente da Câmara, usar aviões oficiais como se fossem veículos da família prontos a transportar parentes para o jogo do Brasil no Maracanã.
Veja dois outros exemplos semelhantes.
Danem-se as ruas I
Sob o comando de José Sarney, nos últimos 50 anos, o Maranhão oferece maus exemplos aos princípios republicanos.
Uma ação da OAB local bloqueou a candidatura de Samir Jorge Murad para a vaga do quinto constitucional no Tribunal de Justiça do Maranhão. A OAB nacional confirmou.
Samir é irmão de Jorge, que vem a ser marido de Roseana Sarney. Se ele entrasse na lista tríplice, caberia à governadora a escolha. Roseana teria, então, a oportunidade de nomear o cunhado.
Nada mais, considere-se a naturalidade, do que um gesto familiar.
Danem-se as ruas II
O reincidente estado ampliou o alcance político do oportuno Conselho de Gestão das macropolíticas do Maranhão.
É empolgante o nome, mas os fins não justificam os meios.
O Conselho, com 206 membros, talvez estadistas, não é uma instituição nova no estado. Reformatado, deu vaga a todos os aliados de Roseana Sarney derrotados em 2010.
Eles recebem, a cada reunião, um jetom de 5,8 mil reais.
Remuneração capaz de dar inveja aos imortais da Academia Brasileira de Letras.
Força da expressão
Certas “tribos” mais ativas das redes sociais, envolvidas na mobilização das passeatas, são embaladas por um grande sucesso musical dos anos 1970, apogeu da ditadura: Eu Quero É Botar meu Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio (1947-1994), um dos “malditos” da MPB.
Sampaio diz: Eu, por mim, queria isso e aquilo/ Um quilo mais daquilo, um grilo menos nisso/ É disso que eu preciso ou não é nada disso/ Eu quero todo mundo nesse carnaval.
O isso e o aquilo expressam com precisão a agenda dos manifestantes.
Força da pressão
O ministro Gilberto Carvalho agendou para o dia 10 de julho encontro com integrantes das campanhas “Banda Larga É um Direito Seu” e “Para Expressar a Liberdade”.
É um avanço.
A reunião faz parte da abertura do Planalto para os movimentos sociais, por pressão do grito das ruas.
Ouvir é um ato banal do poder. Decidir é outra coisa.
Qual é o remédio?
As manifestações dos médicos brasileiros são as mais contaminadas pelo vírus do corporativismo.
Além do conflito interno que enfrentam com enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas, em torno do “Ato Médico”, travam batalha com o Ministério da Saúde, que pretende contratar médicos estrangeiros para suprir as deficiências do País (tabela).
Essa decisão, nenhuma voz oficial sustenta, é o único remédio para amenizar a tragédia da saúde pública brasileira.
É um esforço para suprir a reação dos médicos brasileiros, que são tomados por urticária quando pensam em servir no interior do Brasil ou na periferia das grandes cidades.
Maurício Dias
No CartaCapital
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Manifestantes que carregaram a bandeira contra a PEC-37 estão se sentindo "traídos" pelo MP

Efeito PEC-37: Promotor do MP de Goiás se alia a Marconi Perillo para proibir protesto contra o tucano
Manifestantes da cidade Nazário, em Goiás, haviam programado protestar pacificamente nas ruas contra o governador Marconi Perillo (PSDB-GO), que visitou a cidade no dia 4, para fazer campanha eleitoral de sua candidata a prefeita, que disputa eleições suplementares no próximo domingo (7).
Mas o promotor de Justiça que atende a cidade, do alto de seus poderes ilimitados sem a PEC-37 no caminho, intimou os organizadores exigindo o cancelamento do protesto, sob pena de criminalização e detenção.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Goiás, dep. Mauro Rubem (PT), em seu facebook, declarou estranhar o comportamento do Ministério Público por intimidar e reprimir o protesto dos manifestantes, quando esse é um direito assegurado pela Constituição.
No A Nova Via
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Portugal tenta esclarecer sobre o voo do avião presidencial boliviano

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Esclarecimento sobre o voo do avião presidencial da Bolívia
1. Foi concedida autorização de sobrevoo e aterragem ao avião presidencial da Bolívia no dia 28 de junho, às 19h03, para o percurso La Paz-Moscovo e regresso;
2. Essa autorização foi exercida no trajeto La Paz-Moscovo no dia 30 de junho, com aterragem e reabastecimento em Lisboa no mesmo dia;
3. No dia 1 de julho, 2.ª feira, às 16h28, foi comunicado às autoridades da Bolívia que a autorização de sobrevoo e aterragem, solicitada para o percurso de regresso Moscovo/La Paz, estava cancelada por considerações técnicas.
4. Perante o pedido de esclarecimento das autoridades bolivianas, recebido às 19h19 desse dia, foi esclarecido às 21h10 que as considerações de ordem técnica não obstavam ao sobrevoo do espaço aéreo nacional, tendo para tal sido expressamente concedida nova autorização de sobrevoo. Apenas a aterragem não seria possível por considerações técnicas.
5. As autoridades bolivianas continuaram a insistir na aterragem do avião presidencial em Lisboa.
6. Apesar de múltiplos contactos por via diplomática durante o dia 1 e durante o dia 2 de julho, as autoridades bolivianas insistiram inicialmente em submeter junto das autoridades aeronáuticas internacionais um plano de voo que previa a aterragem em Lisboa para reabastecimento, plano que sabiam não seria possível cumprir como, repetidamente, fora em tempo comunicado.
7. Foram tomadas as necessárias medidas junto das autoridades aéreas internacionais para evitar que fosse efectuada uma aterragem não autorizada em Lisboa.
8. Finalmente, ao final da tarde do dia 2 de julho, a Bolívia submeteu um plano de voo junto das autoridades internacionais prevendo apenas o sobrevoo do espaço aéreo nacional, de acordo com a autorização já concedida, e com aterragem em Las Palmas.
9. Após a aterragem do avião presidencial em Viena, as autoridades portuguesas foram hoje, dia 3, informadas de que aquela aeronave vai prosseguir agora a sua viagem de regresso para a Bolívia, efetuando escala para reabastecimento em Las Palmas. Está autorizado hoje, como sempre esteve, o sobrevoo do território nacional.
10. Portugal lamenta qualquer incómodo junto das autoridades bolivianas, mas considera-se totalmente alheio a esse incómodo, visto que foram as autoridades bolivianas que durante quase 24 horas não aceitaram estudar um percurso alternativo e insistiram num procedimento que teria violado a soberania portuguesa.
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Conheça aqui a diferença entre Plebiscito e Referendo


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EUA espionaram milhões de e-mails e ligações de brasileiros

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O ex-técnico da CIA Edward Snowden, que denunciou um gigantesco esquema de espionagem liderado pela Agência Nacional de Segurança dos EUA.
Brasil aparece como alvo na vigilância de dados e é o mais monitorado na América Latina.
Na última década, pessoas residentes ou em trânsito no Brasil, assim como empresas instaladas no País, se tornaram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency – NSA, na sigla em inglês). Não há números precisos, mas em janeiro passado o Brasil ficou pouco atrás dos Estados Unidos, que teve 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens espionados.
Eles foram coletados por Edward Joseph Snowden, técnico em redes de computação que nos últimos quatro anos trabalhou em programas da NSA entre cerca de 54 mil funcionários de empresas privadas subcontratadas – como a Booz Allen Hamilton e a Dell Corporation.
No mês passado, esse norte-americano da Carolina do Norte decidiu delatar as operações de vigilância de comunicações realizadas pela NSA dentro e fora dos Estados Unidos. Snowden se tornou responsável por um dos maiores vazamentos de segredos da História norte-americana, que abalou a credibilidade do governo Barack Obama.
Os documentos da NSA são eloquentes. O Brasil, com extensas redes públicas e privadas digitalizadas, operadas por grandes companhias de telecomunicações e de internet, aparece destacado em mapas da agência norte-americana como alvo prioritário no tráfego de telefonia e dados (origem e destino), ao lado de nações como China, Rússia, Irã e Paquistão. É incerto o número de pessoas e empresas espionadas no Brasil. Mas há evidências de que o volume de dados capturados pelo sistema de filtragem nas redes locais de telefonia e internet é constante e em grande escala.
Criada há 61 anos, na Guerra Fria, a NSA tem como tarefa espionar comunicações de outros países, decifrando códigos governamentais. Dedica-se, também, a desenvolver sistemas de criptografia para o governo.
A agência passou por transformações na era George W. Bush, sobretudo depois dos ataques terroristas em Nova Iorque e Washington, em setembro de 2001. Tornou-se líder em tecnologia de inteligência aplicada em radares e satélites para coleta de dados em sistemas de telecomunicações, na internet pública e em redes digitais privadas.
O governo Obama optou por reforçá-la. Multiplicou-lhe o orçamento, que é secreto como os de outras 14 agências norte-americanas de espionagem. Juntas, elas gastaram US$75 bilhões no ano passado, estima a Federação dos Cientistas Norte-americanos, organização não governamental especializada em assuntos de segurança.
Outro programa amplia ação
A NSA tem 35,2 mil funcionários, segundo documentos. Eles informam também que a agência mantém “parcerias estratégicas” para “apoiar missões” com mais de 80 das “maiores corporações globais” (nos setores de telecomunicações, provedores de internet, infraestrutura de redes, equipamentos, sistemas operacionais e aplicativos, entre outros).
Para facilitar sua ação global, a agência mantém parcerias com as maiores empresas de internet norte-americanas. No último 6 de junho, o jornal The Guardian informou que o software Prism permite à NSA acesso aos e-mails, conversas online e chamadas de voz de clientes de empresas como Facebook, Google, Microsoft e YouTube.
No entanto, esse programa não permite o acesso da agência a todo o universo de comunicações. Grandes volumes de tráfego de telefonemas e de dados na internet ocorrem fora do alcance da NSA e seus parceiros no uso do Prism. Para ampliar seu raio de ação, e construir o sistema de espionagem global que deseja, a agência desenvolveu outros programas com parceiros corporativos capazes de lhe fornecer acesso às comunicações internacionais.
Um deles é o Fairview, que viabilizou a coleta de dados em redes de comunicação no mundo todo. É usado pela NSA, numa parceria com uma grande empresa de telefonia dos EUA. Ela, por sua vez, mantém relações de negócios com outros serviços de telecomunicações, no Brasil e no mundo. Como resultado de suas relações com empresas não norte-americanas, essa operadora dos EUA tem acesso às redes de comunicações locais, incluindo as brasileiras.
Ou seja, por meio de uma aliança corporativa, a NSA acaba tendo acesso aos sistemas de comunicação fora das fronteiras norte-americanas. O documento descreve o sistema da seguinte forma: “Os parceiros operam nos EUA, mas não têm acesso a informações que transitam nas redes de uma nação, e, por relacionamentos corporativos, fornecem acesso exclusivo às outras [empresas de telecomunicações e provedores de serviços de internet].”
Companhias de telecomunicações no Brasil têm esta parceria que dá acesso à empresa norte-americana. O que não fica claro é qual a empresa norte-americana que tem sido usada pela NSA como uma espécie de “ponte”. Também não está claro se as empresas brasileiras estão cientes de como sua parceria com a empresa dos EUA vem sendo utilizada.
Certo mesmo é que a NSA usa o programa Fairview para acessar diretamente o sistema brasileiro de telecomunicações. E é este acesso que lhe permite recolher registros detalhados de telefonemas e e-mails de milhões de pessoas, empresas e instituições.
Para espionar comunicações de um residente ou uma empresa instalada nos Estados Unidos, a NSA precisa de autorização judicial emitida por um tribunal especial (a Corte de Vigilância de Inteligência Estrangeira), composto de 11 juízes que se reúnem em segredo. Foi nessa instância, por exemplo, que a agência obteve autorização para acesso durante 90 dias aos registros telefônicos de quase 100 milhões de usuários da Verizon, a maior operadora de telefonia do país. Houve uma extensão do pedido a todas as operadoras norte-americanas – com renovação permanente.
Fora das fronteiras norte-americanas, o jogo é diferente. Vigiar pessoas, empresas e instituições estrangeiras é missão da NSA, definida em ordem presidencial (número 12333) há três décadas.
Na prática, as fronteiras políticas e jurídicas acabam relativizadas pelos sistemas de coleta, processamento, armazenamento e distribuição das informações. São os mesmos aplicados tanto nos EUA quanto no resto do mundo.
Todo tipo de informação armazenada
Desde 2008, por exemplo, o governo monitora com autorização judicial hábitos de navegação na internet dentro do território norte-americano. Para tanto, exibiu com êxito um argumento no tribunal especial: o estudo da rotina online de “alvos” domésticos proporcionaria vigilância privilegiada sobre a prática online cotidiana de estrangeiros. Assim, uma pessoa ou empresa “de interesse” residente no Brasil pode ter todas suas ligações telefônicas e correspondências eletrônicas – enviadas ou recebidas – sob vigilância constante. A agência armazena todo tipo de registros (número discado, tronco e ramal usados, duração, data, hora, local, endereço do remetente e do destinatário, bem como endereços de IP – assim como sites visitados). E faz o mesmo com quem estiver na outra ponta da linha, ou em outra tela de computador.
Começa aí a vigilância progressiva pela rede de relacionamento de cada interlocutor telefônico ou destinatário da correspondência eletrônica (e-mail, fax, SMS, vídeos, podcasts etc.). A interferência é sempre imperceptível: “Servimos em silêncio”, explica a inscrição numa placa de mármore exposta na sede da NSA em Washington.
Espionagem nesse nível, e em escala global, era apenas uma suspeita até o mês passado, quando começaram a ser divulgados os milhares de documentos internos da agência coletados por Snowden dentro da NSA. Desde então, convive-se com a reafirmação de algumas certezas. Uma delas é a do fim da era da privacidade, em qualquer tempo e em qualquer lugar. Principalmente em países como o Brasil, onde o “grampo” já foi até política de Estado na ditadura militar.
No Blog do Saraiva
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Um servílio

Há muito tempo existiu em São Paulo um centroavante chamado Servílio. Não me lembro em que times ele jogou, sei que chegou à seleção brasileira. E do Servílio se dizia que ele jogava sem a bola. Nunca ficou muito claro o que significava aquilo, jogar sem a bola. Talvez, com seu posicionamento ou sua movimentação, ou até mesmo com a ameaça do que faria se tivesse a bola, Servílio ajudasse a abrir ou assustar defesas.
Não era um jogador espetacular como outros do seu tempo (ele foi contemporâneo de Pelé e de Rivelino) e tocou na bola um número suficiente de vezes para ser goleador. Mas, de acordo com a crônica esportiva da época, o grande mérito de Servílio era aquele poder meio misterioso de jogar bola longe da bola.
E Servílio ficou como um protótipo do jogador que atua para o time e não para o público, que o público muitas vezes nem enxerga em campo. Sua função estava no seu nome: Servílio, para servir aos outros.
Pensei no Servílio ouvindo e lendo os repetidos elogios para Neymar, Fred e etc. depois da vitória brasileira na Copa das Confederações. Elogios merecidos, mas quase sempre incompletos. Não incluíam o Oscar. E Oscar é dos jogadores mais importantes da nascente seleção do Felipão. No jogo contra a Espanha, os três gols do Brasil tiveram a sua participação.
Ele é um anti-Servílio na permanente disposição para receber a bola em qualquer lado do campo, mas é um autêntico Servílio na predisposição para servir ao time, muitas vezes se autoapagando, preferindo o passe preciso e a progressão consequente à jogada de efeito.
Seu pouco físico e sua cara de órfão abandonado do Dickens podem explicar sua invisibilidade para o público e a crítica, mas pelo menos o Felipão já deve saber que o ataque para a Copa de verdade tem que ser organizado à sua volta.
Quanto ao resto, estamos bem. Luiz Gustavo — outro neosservílio — foi a melhor surpresa do esquema do Felipão. E aquela bola que o David Luiz tirou de cima da linha do gol num ângulo impossível mostrou que os deuses da física estão do nosso lado. Ajuda.
PAPO VOVÔ
A Lucinda sentou nas minhas costas e eu sugeri que ela usasse minha careca como um tambor. Resposta dela: “Essa é a coisa mais ridícula que eu já ouvi na minha vida.” Não sei quantas coisas ridículas ela já ouviu na sua vida curta, mas minha sugestão bateu todas.
Luís Fernando Veríssimo
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Como Capone, Globo pode cair por “crime menor”: sonegar imposto

 
Depois da Folha, a notícia da sonegação de impostos da Globo na negociação do imposto devido no negócio da aquisição dos direitos de transmissão da Copa de 2002 chegou à TV, com a reportagem exibida no Jornal da Record desta sexta-feira, que reproduzo no final do post.
Mais um mérito do caro amigo Miguel do Rosário, com seu blog O Cafezinho – amanhã tenho ótimas notícias sobre isso – que obteve a informação e, o mais importante, teve a coragem de publicá-la.
Mérito ainda maior para a internet que, mesmo asfixiado pelo poder econômico, com a ajuda luxuosa da Helena Chagas, que acha mais republicano dar anúncios para a “Caras” que para publicações progressistas, permitiu romper o círculo de silêncio que se faz sobre os negócios obscuros da Globo.
Mas vamos aos fatos.
A primeira informação importante é: onde está o processo que consta como “em trânsito” desde 2006?
Em que “engarrafamento” está parado há seis anos?
Foi pago, como diz a Globo ou é uma das dívidas que está sendo contestada no Conselho de Contribuintes ou na Justiça, como também diz a Globo?
Uma coisa ou outra.
E, ambas, fáceis de serem verificadas, porque a empresa é concessionária de serviços públicos e, portanto
A segunda é que o Deputado Protógenes Queiroz quer abrir uma CPI da Soneglobo de Televisão.
Deputado, o senhor não sabe com o que está mexendo.
A Globo não praticou uma sonegação.
A Globo é uma fraude desde seu nascedouro.
Desde o contrato assinado em 1962 com a Time-Life, quando a legislação brasileira impedia sociedade de concessionárias de radiodifusão com empresas estrangeiras, a Globo transgride a lei.
Até hoje ninguém sabe, ninguém viu – e quem viu tem medo de falar, menos Leonel Brizola  - do que carregavam seus malotes, elevados à condição de malas diplomáticas.
Nem do caso Proconsult, nem do caso NEC, nem do financiamento ao Projac.
A Globo é intocável.
Não como Elliot Ness, o agente do FBI.
Mas como Al Capone.
Capone, porém, como se sabe, viu seu império desmoronar por uma simples fraude ao Imposto de Renda americano.
Quem sabe a história esteja nos brindando com uma fina ironia, ao repetir aquela história?
No Tijolaço
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CPI para investigar a Rede Globo por sonegação de impostos

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Para reinventar a democracia

Os dois argumentos principais contra o plebiscito para reforma política transitam entre o cinismo e a demofobia. O primeiro deles é que, nas ruas, poucos pediram alteração do sistema institucional - apesar do apoio de 68% dos eleitores, detectado por pesquisas como a do Datafolha, à proposta da presidente Dilma Rousseff.
O segundo alega que sobra complexidade técnica e falta tempo para que o povo se pronuncie acerca do tema antes de 2014, sugerindo que deveria ser deixado para os conciliábulos do Parlamento. Na melhor das hipóteses, depois de fechado o pacote, os eleitores seriam chamados a referendá-lo.
Ambos os raciocínios afundam na mesma areia movediça ao desconsiderarem que a cultura da qual emanam múltiplos movimentos e reivindicações é fruto da ruptura entre a vontade popular e as instituições políticas.
Quando acenou para a abertura de processo constituinte, por meio de consulta à cidadania, a chefe de Estado não se limitou a bandeiras desfraldadas nas manifestações. De forma audaciosa, exigiu a refundação política da República, calibrada pelo protagonismo direto dos cidadãos.
Mesmo que a ideia original tenha sido modificada, o plebiscito sobre reforma política é caminho que vai além de ouvir as ruas, pois a essas devolve o poder originário previsto na Constituição. Sem esse passo, qualquer outra iniciativa será parte do surrado axioma de que algo deve mudar para tudo permanecer como está.
Essa ferramenta pode liquidar o ordenamento autoritário, herança da transição conservadora à democracia. Salvo em processos eleitorais, a cidadania possui canais pobres de participação, apesar da sofisticada rede de organização da sociedade.
As atuais regras eleitorais - com financiamento empresarial, proibição de doações sindicais e voto uninominal - facilitam a influência de grupos econômicos, diluem o confronto político-ideológico entre projetos e preservam históricas relações de clientelismo, tão preciosas ao poder de coronéis rurais e urbanos.
A interdição de contribuições empresariais e a implementação do voto em lista certamente constituiriam golpe duro contra essa faceta da ordem política. Aparte limpeza nos modos e costumes, tal reforma tenderia a transformar o voto nas eleições parlamentares em opção mais clara quanto a programas e partidos.
O avanço poderia ser maior, contudo, se houvesse decisão de ir à raiz do problema, ampliando o território da soberania popular. A possibilidade de convocar plebiscitos impositivos por iniciativa dos próprios cidadãos, por exemplo, desde que apoiada por percentual mínimo de eleitores, estenderia as fronteiras democráticas.
Apenas o Parlamento, atualmente, detém essa prerrogativa. Ainda assim, seus resultados estão sujeitos à confirmação de deputados e senadores. Se o presidente da República também pudesse convocar plebiscitos, muitas das mazelas que caracterizam as negociações entre Poderes estariam fulminadas. Decide, em última instância, a cidadania soberana.
Ares frescos seriam igualmente lufados se houvesse recurso ao voto popular para o impedimento de governantes e parlamentares. Os norte-americanos chamam isso de recall, os venezuelanos também o aplicam e tem se mostrado eficaz mecanismo de controle do eleitorado sobre seus representantes.
O fato é que a rebelião popular e juvenil iniciada em junho desnudou a putrefação e o emperramento do sistema político. As ruas lutam por mais democracia para reposicionar o Estado. O plebiscito se apresenta como passo indispensável para varrer entulhos oligárquicos.
Breno Altman, jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista "Samuel"
No fAlha
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Dilma, abre os olhos

Convém entender que a maioria dos manifestantes de junho lê e ouve a mídia nativa, grande e infatigável acusadora do governo
Dilma Rousseff
Pergunta. Presidenta, o ministro Paulo Bernado milita mesmo no PT?
A presidenta Dilma cai na preferência popular e, segundo a última pesquisa Datafolha, hoje não se reelegeria no primeiro turno. Consequência da onda de protestos que rolou nas ruas do País? Certo é que a pesquisa em questão foi realizada enquanto os movimentos galopavam.
Na segunda-feira 1º de julho, no decorrer de uma reunião do governo, a presidenta anunciou a decisão de manter contato mais estreito com a mídia por meio de entrevistas coletivas. Reação compreensível, medida acertada. Tal é a forma correta de fazer conhecer realizações e propósitos governistas e de aprofundar a compreensão da personalidade presidencial. Dilma se expõe e se habilita a ganhar com isso.
Nada pior, pelo contrário, do que entrevistas de ministros nas páginas deste ou daquele jornalão ou revistão, ou pelos vídeos de nossa medíocre televisão. Exemplar, deste ponto de vista, o súbito comparecimento do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, nas páginas amarelas de Veja, para endossar as próprias teses da revista, defensora de uma pretensa liberdade de imprensa de fato jamais ameaçada. Faço questão de sublinhar mais uma vez: “Temos de acabar – disse o ministro – com a obsessão do PT de censurar a mídia”.
Volto ao assunto porque nem mesmo o PT reagiu à flechada ministerial. Enquanto isso, em entrevista ao blog de Luiz Carlos Azenha, valente e raro praticante do jornalismo honesto, Helena Chagas, ministra-chefe da Secom, faz uma confusa alusão a CartaCapital, sem ficar claro se alguém lamentaria a publicidade do governo dada, ou não dada, a esta publicação. De todo modo, a senhora Chagas insiste em acentuar que são os critérios técnicos a orientar a distribuição dessa publicidade. Fundamental é a audiência, afirma, para que o anúncio governista atinja o maior número possível de cidadãos. Já escrevi em outras ocasiões, e repito: se The Economist fosse brasileira, ficaria com um quinto da publicidade de Veja. Às vezes, ouso insinuar, a qualidade jornalística pesa mais que a quantidade de informações distorcidas. Ou de mentiras.
Pergunto aos meus desalentados botões: adianta falar das realizações do governo nos anúncios que sustentam quem diuturnamente ofende e denigre o anunciante? Embora inimigos do óbvio, bem como desalentados, não deixam de responder que teríamos, no mesmo espaço e ao mesmo tempo, tese e antítese, a afirmação do governo e seu pronto e feroz desmentido, a peremptória e agressiva negação de quanto afirma o anúncio governista. Seria interessante, em todo caso, avaliar até que ponto a mídia nativa influenciou as manifestações recentes. Observadores e altamente confiáveis me dizem que, passado o momento da revolta da periferia  precipitada pelo aumento das passagens de ônibus, as passeatas contaram com a presença majoritária de representantes da chamada classe média. Sim, estes leem a imprensa e ligam na Globo.
Já se justificou afirmar que, a despeito do empenho concentrado e maciço da mídia nativa no sentido de dificultar a vida da presidenta e do seu partido, Dilma ganharia com folga no primeiro turno do pleito de 2014. Patético soava o esforço midiático, embora o alvo da agressão, com generosidade samaritana, sempre se prontificasse a abastecer regiamente os cofres desta que é o verdadeiro partido de oposição. A perspectiva mudou. É a enxurrada do leite derramado.
Há quem diga que as passeatas de junho oxigenam a política brasileira. A verificar como e por quê. Por ora, quem está em dificuldade são os franco favoritos de escassos meses atrás, ou dias até.
Mino Carta
No CartaCapital
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Acidente com Boeing 777 no aeroporto de São Francisco (vídeo)

O avião pertence à companhia Asiana Airlines, da Coreia do Sul, e transporta 290 passageiros. Alguns já foram retirados do aparelho.
Um Boeing 777 da companhia aérea Asiana Airlines teve hoje (6) um acidente quando pousava no Aeroporto de São Francisco, nos Estados Unidos. Não há relatos imediatos de vítimas, de acordo com os meios de comunicação norte-americanos. O vôo 214 saiu de Seul, na Coreia do Sul.
No momento do acidente haviam poucas nuvens no céu, de acordo com o Serviço de Tempo Nacional dos Estados Unidos. O aeroporto fica a cerca de 19,31 quilômetros do centro de São Francisco. A Asiana Airlines é uma das duas maiores companhias aéreas da Coreia do Sul ao lado da Korean Air.
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Luis Fernando Verissimo "O inimigo é tudo, inclusive a ideologia"

Escritor gaúcho diz que as manifestações populares são positivas porque "estão pedindo tudo que a gente quer", mas teme pelos nostálgicos da ditadura
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TECNOLOGIA
Embora seja adepto do e-mail, o escritor diz que marcharia contra o telefone celular
As incertezas sobre o cenário político pós–manifestações populares não chegam a tirar o sono do escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, mas o têm angustiado. “A desmoralização da política e dos políticos deve preocupar a todos, porque a falência da política é a falência da democracia”, afirma. Um dos maiores cronistas do Brasil e criador de notáveis personagens, como Dora Avante e o Analista de Bagé, ele mantém há cinco décadas um olhar crítico sobre o País e, aos 76 anos, seu senso de humor permanece intacto. Verissimo afirma que, se fosse às passeatas, não deixaria de reivindicar “carona da FAB para todo mundo” e que carregaria um cartaz com a inscrição “Pra que lado fica a Bastilha?” Depois de ter passado 24 dias internado num hospital com infecção generalizada, no fim do ano passado, e outros três com dores no peito, em março, Verissimo divide com Lucia, sua mulher há mais de 30 anos, a rotina de escrever semanalmente para três jornais. Em outubro, deve chegar às livrarias “Os Últimos Quartetos de Beethoven”, pela editora Objetiva, com dez contos, alguns inéditos. Na quinta-feira 4, o escritor conversou por e–mail com a IstoÉ.
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"Se eu fosse a uma passeata, levaria o seguinte
cartaz: ‘Pra que lado fica a Bastilha?’”
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“Infelizmente aquele ímpeto anticorrupção do início
do governo (de Dilma Rousseff) não se sustentou"
O que o sr. pensa sobre a onda de manifestações que se espalhou pelo Brasil?
─ No fundo, o que se vê nas ruas é uma crítica, nem sempre consciente, ao capitalismo brasileiro. Estão pedindo o fim do lucro desmedido com serviços públicos como o transporte, o fim do poder corruptor do dinheiro, mais saúde e educação subsidiadas pelo Estado. Eu nunca tinha visto tantos socialistas juntos. Será curioso ver como essa massa vai votar.
O que ficará de junho de 2013 para a história?
─ Ainda não se sabe se foi só um espasmo ou se o movimento terá consequências permanentes. Muitas das reivindicações são irrealistas. Aquele cartaz que pedia a volta da tomada para dois pinos não era sério, mas dava uma boa ideia disso.
Esse tipo de movimento, que nasce da internet sem uma cara, um líder, é positivo?
─ Essas manifestações espontâneas são positivas na medida em que, afinal, estão pedindo tudo que a gente quer. São perigosas porque substituem a política e podem ser manejadas, inclusive pelos nostálgicos da ditadura.
Durante muito tempo, a ditadura militar foi o inimigo a ser combatido. Quem é o inimigo dos jovens de agora?
─ Pois é, o inimigo é um sistema que não funciona, o que é muito vago. Se você quiser ser específico, pode dizer que a rua está fazendo a crítica ao capitalismo brasileiro que o PT fazia quando era oposição, antes de se deixar  cooptar. Mas isso é um diagnóstico ideológico e o movimento parece ser contra tudo. O inimigo é tudo, inclusive a ideologia.
A colocação de uma agenda conservadora (como o fim dos partidos, a redução da maioridade penal e a volta da ditadura militar) por parte dos manifestantes é algo que o preocupa? O que explica esse tipo de “reivindicação”?
─ A desmoralização da política e dos políticos deve preocupar a todos, porque a falência da política é a falência da democracia. A conclusão de que o que não está funcionando é a própria democracia é perigosa. O que falta é mais democracia. Mais liberdade, igualdade e fraternidade, o trio maravilha.
Os protestos no Brasil se assemelham a algo que o sr. já viu?
─ A analogia óbvia é com o Maio de 68, na França, que também era contra um tudo indefinido. Tem gente que diz que o que houve em Paris, naquela primavera, foi só uma queima de hormônios. Já o Cohn–Bendit disse que 68 foi o preâmbulo de 81, quando a esquerda chegou ao poder na França. Resta ver qual será o 81 do nosso 68.
Se o sr. pudesse fazer cinco cartazes para levar a uma passeata, quais pautas escolheria? O que estaria escrito neles?
“Vergonha!”, “Pra que lado fica a Bastilha?”, “Carona da FAB para todo mundo”, “E o mensalão do PSDB?” e “Pela volta da tomada pra dois pinos”.
O sr. consegue imaginar algum de seus personagens nessas manifestações?
─ A Dora Avante e seu grupo de pressão, as Socialaites Socialistas, marchariam contra a falsificação de má qualidade das bolsas Vuitton no Brasil.
Dada a reação do Congresso aos gritos da rua, o sr. acredita que políticos assustados produzam melhor?
─ O diabo é que as manifestações acabam um dia e o medo também. Mas não se deve supervalorizar o poder persuasório de manifestações. Amanhã um milhão de evangélicos marcham contra gays ou contra o diabo e eu espero que a consequência política disso seja zero.
Como o sr. avalia o governo de Dilma Rousseff? Gosta dela?
─ Infelizmente aquele ímpeto anticorrupção do início do seu governo não se sustentou. Mas, falando do PT no poder em geral, qualquer governo que consegue distribuir renda e diminuir a pobreza tem no mínimo a minha simpatia.
Como é sua relação com a internet e a tecnologia?
─ Uso o computador como uma máquina de escrever com memória, uso bastante o Google, que  fornece erudição instantânea, e não poderia mais viver sem o e-mail. Mas não frequento muito a internet. E participaria de qualquer passeata contra o telefone celular.
Dos textos atribuídos ao sr. que circulam na internet, há algum que o incomode mais ou que tenha captado sua atenção tanto positiva quanto negativamente?
─ Nenhum incomoda porque não há o que fazer para impedi-los. Alguns são bons, e neste caso eu aceito os elogios, inclusive para não desiludir as pessoas. Teve um, chamado “Quase”, que correu o mundo e foi até publicado num livro em francês. Uma sra me disse que não gostava do que eu escrevia, até ler o “Quase”. Agradeci, emocionado. Outro texto, sobre uma diarreia no aeroporto, também fez muito sucesso.
Depois da atuação do Brasil na Copa das Confederações, o sr. está confiante na Seleção Brasileira para o Mundial do ano que vem? O sr. gosta do Felipão?
─ O Felipão não é um tático, é um motivador, e o melhor que se pode dizer desta seleção é que está bem motivada, com quatro ou cinco talentos que se destacam. Acho que não faremos feio.
E o que pensa do Brasil enquanto sede do evento?
─ Quem gosta de futebol, como eu, fica numa situação difícil. Claro que o Brasil não podia gastar o que está gastando para sediar a Copa, mas, ao mesmo tempo, a perspectiva de ter bom futebol internacional em casa é animadora. O que fazer com os estádios que ficarão ociosos depois da Copa? Não tenho a menor ideia. Podem ficar como monumentos à insânia.
O sr. ainda vê televisão? Há algo que lhe agrade na tevê aberta?
─ Vejo filmes, futebol e o “Jornal Nacional”. 
E na internet? O sr. costuma ver vídeos no YouTube?
─ A melhor novidade da tevê brasileira está na internet: é o “Porta dos Fundos”. Não vejo YouTube, não tenho Facebook e todos os Twitters com meu nome são falsos.
Quais autores o sr. costuma acompanhar?
─ Dos brasileiros, o Milton Hatoum; dos estrangeiros, o John le Carré e o Roberto Calasso, além da releitura de favoritos mortos.
Além das crônicas para os jornais, o sr. está trabalhando em algum livro novo?
─ Deve sair em outubro, pela Objetiva, um livro de contos, alguns inéditos, outros já publicados na imprensa. São dez contos, entre longos e curtos, e o título é “Os Últimos Quartetos de Beethoven”.
Que tipo de situação ainda o inspira?
─ Para quem escreve com regularidade, qualquer assunto é assunto. Eu sempre digo que a minha musa inspiradora é o prazo de entrega. E a crônica, sendo um gênero indefinido, comporta essa variedade de assuntos e de estilos.
Já se acostumou ao novo acordo ortográfico ou comete alguns erros comuns, como acentuar ideia ou colocar trema?
─ Meu computador cuida disso para mim. Ele acompanhou a reforma ortográfica, sabe tudo a respeito e não me deixa errar. Eu só não entendi ainda por que “três” continua de chapeuzinho. 
O livro “Cinquenta Tons de Cinza” foi o maior fenômeno literário do ano passado. O que o sr. pensa dessa literatura feminina quase pornográfica?
─ Se entendi bem, o sexo nesse livro é sadomasoquista. Como diria o Freud, o  que essas mulheres estão querendo? Não pretendo descobrir.
Fora as inúmeras homenagens que recebe, o sr. tem vida social noturna?
─ Um programa perfeito é ir ao cinema, sessão das seis, depois ir jantar num bom restaurante. Nada de muito excitante.
O que a velhice lhe trouxe de positivo e de negativo?
─ De negativo, a proximidade da morte, a consciência da nossa finitude e do absurdo da existência. De positivo, o lugar reservado para idosos nos estacionamentos.
Sua timidez ainda o coloca em situações embaraçosas?
─ Já me resignei à timidez e sei que agora não vou mudar, mas melhorei muito com a idade. Já faço até palestra. Mas com o Isordil à mão.
Sobre o período em que o sr. esteve internado num hospital no ano passado, o que ficou daquele susto?
─ Tive alucinações durante o período em que fiquei na UTI, o que só me levou a admirar ainda mais o funcionamento e o poder do nosso cérebro, uma coisa ao mesmo tempo fascinante  e assustadora.
Atualmente, qual é sua maior preocupação? Há algo que lhe tire o sono?
─ Essa coisa meio incerta no ar, essa indefinição sobre o que está por trás da revolta e o rumo que ela vai tomar... Não vou dizer que me tira o sono, tenho dormido bem. A preocupação começa ao acordar.
No IstoÉ
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Veja propõe seu plebiscicto e mostra seu radicalismo

Numa reportagem de capa que acusa as autoridades em Brasília de agir como extraterrestres, a revista da Editora Abril elabora dez questões que poderiam ser submetidas à população; entre elas, Veja sugere que quem recebe o Bolsa-Família deve ser impedido de votar; em outra, que seja fechada a embaixada do Brasil em Cuba; revista condena ainda financiamento público de campanha e voto em lista e pede a redução da maioridade penal; o plebiscito de Veja, ao menos, revela sua agenda política, que é bem mais conservadora do que o plebiscito encaminhado por Michel Temer e José Eduardo Cardozo ao presidente do Congresso, Renan Calheiros
Qual seria o plebiscito dos sonhos da Editora Abril, que, embora enfrente dificuldades na área editorial, começa a se tornar um dos maiores grupos de educação do País? Essa "consulta popular" está nas páginas de Veja desta semana e revela, entre outras coisas, que a Abril deseduca. Numa das questões, por exemplo, a revista sugere que os beneficiários do Bolsa-Família devem ser impedidos de votar.
A capa acusa as autoridades, em Brasília, de agir como extraterrestres, mas é a própria revista que revela falta de sintonia com a sociedade, ao propor, por exemplo, que o Brasil feche sua embaixada em Cuba.
Abaixo, as dez questões do "plebiscito de Veja":
1) Os brasileiros trabalham cinco meses do ano só para pagar impostos e agora o governo quer que paguemos também todas as campanhas eleitorais dos políticos. Você concorda?
(Nota do 247: ao apresentar dessa forma o tema do financiamento público de campanha, Veja omite que o financiamento privado é mais caro para a sociedade, uma vez que gera a corrupção e distorce as prioridades da agenda pública)
2) Se bem gasto, o dinheiro dos impostos seria mais do que suficiente para prover de educação, saúde e segurança os brasileiros. No entanto, a população tem de pagar uma segunda vez por escolas privadas, médicos e seguranças. Você concorda?
(Nota do 247: ontem, a Abril anunciou a aquisição, por R$ 106 milhões, de um grupo de escolas privadas)
3) Você concorda em proibir o uso de jatinhos da FAB por políticos e, com o dinheiro economizado, investir na melhoria do transporte coletivo urbano e na saúde?
4) Aos 16 anos, um(a) brasileiro(a) já pode votar e se casar. Caso ele(a) cometa crimes bárbaros, deve ser julgado(a) como se fosse uma criança?
5) Você concorda que Brasília deveria abandonar a galáxia distante onde vive e voltar para o Brasil?
6) Você concorda que deveria acabar a alegação de "réu primário" uma vez que isso beneficia quem mata pela primeira vez, mesmo que de maneira cruel e sem chance para a vítima?
7) Você aceita ceder aos caciques dos partidos políticos seu direito de escolher o candidato em quem votar?
(Nota do 247: ao apresentar dessa maneira o sistema de voto em lista, Veja omite que a medida fortalece partidos políticos e reduz o espaço para aventureiros, como Tiriricas)
8) Você concorda que deveriam ser fechadas as embaixadas brasileiras na Coreia do Norte, Cuba, Azerbaijão, Mali, Timor-Leste, Guiné Equatorial, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, Botsuana, Nepal, Barbados e em outros países sem a menor expressão, e o dinheiro gasto com elas investido nos hospitais públicos no Brasil?
(Nota do 247: a pergunta revela que escolha do quase fascista Maycon Freitas como "a voz que emergiu das ruas", na semana passada, não se deu por acaso)
9) Você concorda que quem recebe dinheiro do governo federal poderia ter o direito de se declarar impedido de votar por óbvio conflito de interesses?
(Nota do 247: o alvo, explicitado por Veja na reportagem, são os 13 milhões de beneficiários do Bolsa-Família, que "poderão levar em o benefício em conta na hora de votar")
10) O governo tem 39 ministérios e nenhum deles resolveu sequer um problema relevante do Brasil. Você fecharia a maioria deles?
Diante de todas essas perguntas, pode até ser que Brasília esteja repleta de extraterrestres. Mas o fato é que os editores de Veja também habitam um universo paralelo.
No 247
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Gilberto Gil critica torcida 'esbranquiçada' em Copas e propõe cotas de ingressos

 
Em uma entrevista coletiva que tinha como objetivo divulgar o lançamento de sua biografia, "Gilberto Bem Perto", mas que acabou enveredando para assuntos variados, o cantor Gilberto Gil criticou, na tarde desta quinta-feira, em Paraty (RJ), a falta de acesso da população negra e pobre às partidas da Copa das Confederações e da Copa-2014, no Brasil, por conta do alto preço dos ingressos.
"Tem de haver uma mobilização autopromovida pelas favelas, pelas periferias, para suprir a carência que esses grandes eventos globais acabam impondo ao Brasil, que é a filtragem pelo preço dos ingressos", disse o ex-ministro da Cultura, que afirmou ter ido ao Maracanã no último domingo, para a final entre Brasil e Espanha.
"Fiquei na tribuna de honra, ao lado do [Joseph] Blatter [presidente da Fifa], do Zagallo, Ivete Sangalo, Jorge Ben Jor. Quando cheguei em casa, vi pela TV que o lugar onde os jogadores correram para abraçar a torcida não tinha o matiz racial brasileiro, era esbranquiçado. Isso no Maracanã, onde as pessoas da Mangueira costumavam descer para ver os jogos."
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FHC: 96 meses de governo; 95 ministros

 Relembrando  
Fernando Henrique Cardoso ficou 96 meses no poder - (1995/1998 e 1999/2002). Neste período teve 95 ministros
Confira todos os nomes que passaram pela Esplanada:
A
Adib Jatene
Ministro da Saúde
Ailton Barcelos Fernandes 
Ministro da Indústria, Comércio e Turismo
Alberto Mendes Cardoso
Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional
Alcides José Saldanha (D)
Ministro dos Transportes
Alcides Lopes Tápias
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
Alderico Jefferson da Silva Lima (E)
Ministro dos Transportes
Aloysio Nunes
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência
e Ministro da Justiça
Antônio de Almendra Freitas Neto
Ministro Extraordinário das Reformas Institucionais
Antônio Anastasia
Ministro do Trabalho
Antônio Kandir
Ministro do Planejamento
Arlindo Porto
Ministro da Agricultura e Abastecimento
Arthur Virgílio Neto
Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência
B
Bresser Pereira
Ministro de Reforma do Estado
e Ministro da Ciência e Tecnologia
C
Caio Cibella de Carvalho
Ministro do Esporte e Turismo
Carlos Albuquerque 
Ministro da Saúde
Carlos Melles
Ministro do Esporte e Turismo
Caspar Erich Stemmer
Ministro da Ciência e Tecnologia
Celso Lafer
Ministério das Relações Exteriores
Cláudia Costin
Ministra da Administração Federal e Reforma do Estado
Clóvis de Barros Carvalho
Ministro-chefe da Casa Civil
e Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil
D
Daniel Andrade Ribeiro de Oliveira
Ministro do Trabalho
Dorothea Werneck 
Ministra da Indústria e Comércio
E
Eduardo Jorge Caldas Pereira
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência
Edward Joaquim Amadeo Swaelen
Ministro do Trabalho
Élcio Álvares
Ministro da Defesa
Eliseu Padilha
Ministro dos Transportes
Enio Antônio Marques Pereira
Ministro da Agricultura e Abastecimento
Euclides Scalco
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência
F
Fernando Bezerra
Ministro da Integração Nacional
Francisco Dornelles
Ministro da Indústria e Comércio
e Ministro do Trabalho
Francisco Luiz Sibut Gomide
Ministro de Minas e Energia
Francisco Turra
Ministério da Agricultura e do Abastecimento
Francisco Weffort
Ministro da Cultura
G
Geraldo Magela da Cruz Quintão
Advogado-Geral da União
e Ministério da Defesa
Gilmar Mendes
Advogado-Geral da União
Gleuber Vieira
Ministro do Exército
Guilherme Gomes Dias
Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão
Gustavo Krause
Ministro do Desenvolvimento Urbano e do Meio Ambiente
H
Hélio Vitor Ramos Filho
Ministro de Minas e Energia
I
Iris Rezende
Ministro da Justiça
J
João Henrique de Almeida Sousa
Ministro dos Transportes
José Abrão
Ministério do Desenvolvimento Agrário
José Botafogo Gonçalves
Ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
e Ministro do Turismo
José Carlos Carvalho
Ministro do Meio Ambiente
José Carlos Dias
Ministro da Justiça
José Cechin
Ministros da Previdência Social
José Eduardo de Andrade Vieira
Ministro da Agricultura
José Gregori
Ministro da Justiça
José Israel Vargas
Ministro da Ciência e Tecnologia
José de Jesus Filho (E)
Ministro da Justiça
José Jorge de Vasconcelos Lima
Ministro das Minas e Energia
José Otávio Germano
Secretário-Nacional do Esporte

José Serra
Ministro do Planejamento e Orçamento
e Ministro da Saúde
Juarez Martinho Quadros do Nascimento
Ministro das Comunicações
L

Lélio Viana Lobo
Ministro da Aeronáutica
Luciano Barbosa
Ministro da Integração Nacional
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Ministro das Comunicações
Luiz Felipe Lampreia
Ministro das Relações Exteriores
M
Pedro Malan
Ministro da Fazenda
Marcus Vinícius Pratini de Moraes
Ministro da Agricultura e Abastecimento
Martus Tavares
Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão
Mauro César Rodrigues Pereira
Ministro da Marinha
Mauro José Miranda Gandra
Ministro da Aeronáutica
Miguel Reale Júnior
Ministro da Justiça
Milton Seligman
Ministro da Justiça
N
Barjas Negri
Ministro da Saúde
Nelson Jobim
Ministro da Justiça
Ney Suassuna
Ministro da Integração Nacional
O
Odacir Klein
Ministro dos Transportes
Orlando Muniz
Ministro do Desenvolvimento Agrário
P
Paulo Jobim Filho
Ministro do Trabalho e Emprego
Paulo Renato Souza
Ministro da Educação
Paulo de Tarso Almeida Paiva
Ministro do Trabalho 
e Ministro do Planejamento
Paulo de Tarso Ramos Ribeiro
Ministro da Justiça
Pedro Parente
Ministro-chefe da Casa Civil
Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão
e Ministro de Minas e Energia
Pelé
Ministro do Esporte
Pimenta da Veiga
Ministro das Comunicações
R
Rafael Greca
Ministro de Esporte e Turismo
Raimundo Mendes de Brito
Ministro de Minas e Energia
Ramez Tebet
Ministro da Integração Nacional
Raul Jungmann
Ministro do Desenvolvimento Agrário
Renan Calheiros
Ministro da Justiça
Roberto Brant
Ministro da Previdência Social
Rodolpho Tourinho Neto
Ministro de Minas e Energia
Ronaldo Sardenberg
Ministro da Ciência e Tecnologia
S
Sarney Filho
Ministro do Meio Ambiente
Sérgio Gitirana Florêncio Chagasteles (D)
Ministro da Marinha
Sérgio Motta
Ministro das Comunicações
Sérgio Silva do Amaral
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
W
Waldeck Ornelas
Ministro da Previdência Social
Waldemar Nicolau Canellas Junior
Ministro da Marinha
Walter Werner Bräuer
Ministro da Aeronáutica
Washington Thadeu de Mello
Ministro da Agricultura
Z
Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena
Ministro do Exército
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