4 de jul de 2013

Tarso: “Crise é grave e exige Constituinte para Reforma Política”

Uma das poucas vozes entre as lideranças políticas do país a advertir para o risco de uma tentativa de “restauração” conservadora, após a explosão das ruas, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), voltou a defender a necessidade de uma câmara constituinte exclusiva para a Reforma Política e lançou, por meio do Gabinete Digital do governo gaúcho, uma consulta popular para receber contribuições da população sobre esse tema. Para ele, país vive crise grave e é preciso "devolver a efetividade e a legitimidade da política, devolvendo-a ao povo, que é a fonte constituinte originária".
Porto Alegre - Os últimos dias registraram uma sensível diminuição das manifestações de rua e evidenciaram a crescente resistência, no Congresso Nacional, à proposta de realização de um plebiscito para uma ampla e profunda Reforma Política no país. Sobre a ideia de uma Constituinte exclusiva, então, que chegou a ser defendida pela presidenta Dilma Rousseff, quase nem se fala mais. O governo federal também parece ter recuado nesses temas.
Na terça-feira (2), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que “o Executivo não trabalhará no Congresso Nacional pela inclusão ou exclusão de temas do plebiscito”. Segundo Cardozo, o Palácio do Planalto também não pretende influenciar a discussão sobre o modelo de consulta popular que será adotado, seja via plebiscito ou referendo. O ministro disse ainda que o governo “apenas apresentou sugestões para a reforma política, mas agora é tarefa do Legislativo escolher o melhor para o futuro do país”.
Neste contexto, representantes dos movimentos que participaram dos protestos de rua, de sindicatos e partidos estão realizando uma série de reuniões por todo o país para discutir o que fazer. A tentativa de uma rápida restauração da “normalidade” por parte dos setores conservadores no Congresso e em diferentes governos é evidente. Parece evidente também que sem alguma forma de organização, articulação em nível nacional e definição de uma estratégia mínima de ação, por parte desses movimentos, as chances da agenda conservadora prevalecer é grande.
Uma das poucas vozes entre as lideranças políticas do país que vem advertindo para o risco dessa tentativa de “restauração” conservadora, após a explosão das ruas, é a do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT). Nesta quarta-feira, Tarso voltou a defender a necessidade de uma câmara constituinte exclusiva e lançou, por meio do Gabinete Digital do governo gaúcho, uma consulta popular para receber contribuições da população sobre a proposta de Reforma Política. O lançamento da consulta ocorreu em uma cerimônia no Palácio Piratini, com a presença do governador e de convidados presenciais e online. O governo do RS pretende recolher contribuições da população e montar uma lista de prioridades que será encaminhada ao Congresso Nacional. Tarso Genro quer entregar esse documento à bancada federal do Rio Grande do Sul, ainda neste mês de julho.
A consulta estará disponível até 17 de julho, no site do Gabinete Digital, e será constituída de duas perguntas. Na primeira, a escolha é se a reforma política deve ser feita pelo atual Congresso ou através de uma Câmara Constituinte exclusiva. A segunda questão buscará identificar quais as prioridades de mudanças no sistema político brasileiro e permitirá que a população opte por aquelas propostas que considera mais prioritárias.
“É preciso devolver o poder constituinte ao povo”
No ato de lançamento da consulta, Tarso Genro voltou a defender a necessidade de devolver o poder constituinte ao povo e advertiu: o país vive uma crise política grave. “Há um grande conjunto de propostas na rua sem uma unidade mínima entre os manifestantes. Quem é contra tudo, pode ser contra nada também. É preciso devolver a efetividade da política e para isso é preciso devolver a política ao povo, que é a fonte constituinte originária. Há também uma crise de representação que afeta diariamente os representantes políticos. Isso pode levar a uma crise da República”.
Tarso acredita que as mobilizações de rua precisam apontar agora para um movimento de pressão sobre o Congresso Nacional: “O Parlamento que está aí perdeu a confiança da população. Para que não entremos em uma crise ainda mais grave daqui um ou dois anos, temos que devolver o poder constituinte ao povo para que ele reestabeleça a efetividade e a dignidade política. O Congresso precisa ser pressionado, não para fazer uma reforma política fajuta, mas para aprovar uma emenda constitucional que institua uma câmara constituinte”.
Para Tarso, o futuro dos partidos políticos vai depender de seu funcionamento na crise atual e como vão incorporar esse sistema de redes na formação de sua própria opinião política e para ouvir o que elas dizem.
Claudir Nespolo, presidente da CUT-RS, concordou com a avaliação do governador e reconheceu que há um abalo profundo entre o Estado brasileiro e a sociedade. “Quem não conseguir compreender isso, não vai achar os caminhos para superar essa crise. O povo está de saco cheio com os privilégios, o toma-lá-dá-cá nos parlamentos, a formação de maiorias para governar que desconstituem os programas, auxílio-moradia para juízes e desembargadores, 15º salário, férias de 60 dias. O Congresso Nacional está cada vez mais distante do dia-a-dia da população. Um exemplo disso é que ninguém percebeu no Congresso a dimensão do problema do transporte coletivo”.
“Há uma contrarreforma em curso”
Já o cientista político Benedito Tadeu Cesar defendeu a incorporação das novas tecnologias comunicacionais ao debate sobre a Reforma Política, que, para ele, é a mãe de todas as reformas que precisam ser feitas no Brasil. “O Congresso Nacional é muito conservador e tentará impedir mesmo esse plebiscito, que é uma proposta muito tímida”, advertiu. A Islândia fez uma Constituição em 2011, por meio de um fórum eleito por sorteio e que recebeu sugestões da população pela internet, citou como exemplo o professor da UFRGS.
Na mesma direção, a cientista política Vanessa Marx chamou a atenção para o fato que nem todos os movimentos sociais estão defendendo a Reforma Política em sua agenda de lutas. Mas diversas organizações vêm defendendo essa bandeira desde 2004, pelo menos. E a Reforma Política não se limita a uma reforma eleitoral, afirmou, incorporando temas mais amplos como o controle social dos partidos políticos.
Para Marco Aurélio Ruediger, professor de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as autoridades brasileiras, em geral, se espantaram e se omitiram diante das manifestações de rua das últimas semanas. Ruediger citou o governador Tarso Genro, como uma exceção entre os governantes brasileiros por ter tomado iniciativas que tentaram dialogar com quem estava na rua. “O grande tema desse processo é a questão da confiança e da legitimidade. As pessoas não querem cidadania pela metade”.
Ruediger acredita que existe um movimento de contrarreforma que vai contra os interesses expressos nas ruas e isso deve trazer as ruas de volta.
Marco Aurélio Weissheimer
No Ronaldo Livreiro
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O cinismo do presidente da Câmara, que foi de avião da FAB ao Maracanã

Depois de semanas de protestos, Henrique Eduardo Alves levou a noiva e parentes à final da Copa das Confederações.
Alves e Renan
Alves e Renan
Deu na Folha: o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, do PMDB-RN, pegou um avião da FAB para levar a noiva, parentes, enteados e um filho à final da Copa das Confederações no Maracanã. O jato buscou a galera em Natal na sexta e voltou no domingo. Ele encomendou a aeronave para 14 pessoas.
Segundo um decreto de 2002, esse tipo de requisição pode ser feito por motivo de “segurança e emergência médica, viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência permanente”. Alves alegou que tinha um encontro com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o que foi desmentido por Paes.
A cara de pau do peemedebista simboliza de maneira cristalina a crise de representatividade política que o Brasil está vivendo. Só um cínicou, um maluco ou um completo desavisado poderiam ignorar tudo o que aconteceu no país nas últimas semanas para fazer isso. É como se ele dissesse: “vocês são uns otários por achar que algo mudaria. Veja o meu exemplo”.
Alves está em seu décimo primeiro mandato consecutivo como deputado. Mais um e ele bate um recorde. Não é um homem pobre. Poderia pagar pelas passagens. Deveria pagar por elas. Preferiu fazer de outro jeito porque está acostumado. Está dentro da lei — e ele encontrará maneiras de dizer que é legal.
Ao assumir a presidência da Câmara, ele afirmou que pretende resgatar a autoestima dos parlamentares, alvo de “críticas absurdas, descabidas. Nessa casa só tem parlamentar abençoado”. Está sendo investigado pelo Ministério Público Federal por repassar 357 mil reais de dinheiro público para duas empresas de aluguel de veículo suspeitas.
Ele não viu os protestos? Se viu, não achou que eram com ele?
O passeio para o Rio de Janeiro é mais uma prova de que gente como Henrique Eduardo Alves tem de ser posta para fora da Câmara, à maneira de um tumor. Talvez uma manifestação em frente à sua casa seja mais convincente.
No Diário do Centro do Mundo

Jatinho de Henrique Alves foi também para tomar uísque com Aécio

O vôo de jatinho da FAB do deputado Henrique Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, no sábado (29), não foi para encontrar-se apenas com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB-RJ). O almoço a três contou com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), em encontro regado a uísque, segundo o jornalista Jorge Moreno.
Como Aécio é da oposição e Alves da base governista, o almoço ganha ares conspiratórios, já que Alves tentou esconder o fato.
O uso de aviões da FAB por autoridades é para quando houver motivo de segurança em viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência permanente.
O deputado disse que "solicitou" o avião porque tinha encontro com o prefeito Eduardo Paes (PMDB) no sábado. Porém, na agenda de Alves divulgada no site da Câmara não constava nenhum compromisso oficial no fim de semana. A agenda oficial de Paes também não trazia o encontro com Alves.
O deputado disse que pagará o custo da passagem de 7 parentes a quem deu carona de Natal para o Rio, no valor de R$ 9.700,00. Porém o valor muito inferior ao fretamento de um jatinho, cujos valores de mercado seriam a partir de R$ 150 mil. O deputado precisa ressarcir os cofres públicos com esse valor.
Resta saber quem teria pago a conta do uísque. Seria Aécio com a verba do Senado? Ou seria na conta da rádio Arco-Íris de Aécio para abater no Imposto de Renda? Seria Paes com a verba da prefeitura do Rio? Seria Alves com a verba da Câmara?
Em tempo: Alves é um dos donos da TV Cabugi, afiliada da Rede Globo.
Assaltão a assessor de Alves levou R$ 100 mil em dinheiro
O jornal Correio Braziliense noticiou que no último dia 13, por volta das 13h30, em Brasília, o secretário parlamentar de Henrique Alves (PMDB-RN), o assessor Wellington Ferreira da Costa, foi assaltado, quando dirigia seu carro. Um veículo com dois homens que se identificaram como policiais civis fechou e levaram maleta com R$100 mil, além de celular, tablet e ou outros pertences.
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Charge online - Bessinha - # 1846

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Vergonha! Globo sonega de telespectadores protesto na sua porta.


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Jornalismo de Tarô

http://www.clubedotaro.com.br/site/imagens/h/tarot-val.jpg 
Ou como compensar a falta de fontes com clarividência, telepatia e interlocutores fantasmas.
Mas vamos às cartas:
O MAGO
"Segundo a Folha apurou, Lula, em conversas com interlocutores, também disse que defendeu mudança nas principais áreas do governo, como articulação política e equipe econômica."
A PAPISA
"Dilma chegou a indicar, segundo petistas próximos a Lula, que iria analisar a possibilidade de mudar a equipe ministerial durante o recesso do Congresso, em julho."
O DIABO
"Recentemente, Lula queixou-se a interlocutores que a presidente é 'teimosa' e não queria "fazer ajustes" no governo, considerados por ele necessários para reverter o clima de pessimismo na área econômica e política."
A RODA DA FORTUNA
"Petistas ligados ao ex-presidente disseram à Folha, porém, que a sugestão era, inclusive, o governo fazer uma redução de 39 para cerca de 30 ministérios e assumir um discurso de maior rigor fiscal."
O LOUCO
"Lula fez também, recentemente, críticas à estratégia política do Planalto, depois negadas oficialmente por ele. Na semana passada, reservadamente, ele classificou de "barbeiragem" a articulação do governo para a instalação de constituinte exclusiva para a reforma política."
O ENFORCADO
"Oficialmente, a assessoria de Lula diz que o ex-presidente não tratou desse tipo de assunto com Dilma, afirmando que 'é atribuição da presidente definir ministério'."

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Cremesp paga táxi e hora extra para funcionários irem a ato de médicos na Paulista


Fábio Gomes, gerente operacional do Cremesp, enviou o seguinte email, na tarde de ontem, para a lista de funcionários da entidade:
Senhores chefes, gerentes e funcionários,
Em virtude da mobilização geral dos médicos agendada para hoje (dia 3 de julho), às 16h00, na Associação Médica Brasileira (Rua São Carlos do Pinhal, 324), convocamos os funcionários interessados em ajudar na realização desta atividade extraordinária.
Os interessados deverão procurar os funcionários da Seção de Eventos que estão alocados em frente da Sede da AMB até às 16h00. Será concedida a utilização de boletos de taxi até a AMB.
Trajeto: O ponto de encontro será na Associação Médica Brasileira (Rua São Carlos do Pinhal, 324), de onde a passeata sairá, às 16h, rumo ao gabinete de representação da presidência da República, na avenida Paulista, 2163 ( esquina com rua Augusta; prédio do Banco do Brasil).
Solicitamos às chefias que dispensem os funcionários interessados em participar desta atividade extraordinária, bem como para disponibilizar boletos de táxi aos funcionários participantes.
As papeletas de horas extraordinárias pela participação deste evento deverão ser encaminhadas à Seção de Eventos.
Ou seja, a entidade pagou táxi, dispensou seus funcionários mais cedo e ainda se dispôs a remunerar com hora extra quem participasse da atividade. Fábio Gomes diz textualmente no comunicado da convocação que “as papeletas de horas extraordinárias pela participação deste evento deverão ser encaminhadas à Seção de Eventos”.
Muitos dos que participaram do evento carregando cartazes, xingando Lula e Dilma e os médicos cubanos na noite de ontem na Avenida Paulista não eram nem médicos e nem médicas. Mas funcionários das entidades representativas do setor. Você pode ter visto na Avenida Paulista escriturários, telefonistas, secretárias, administradores, motoristas usando jalecos brancos e/ou carregando cartazes.
O blogue procurou a assessoria de imprensa do Cremesp questionando se a entidade incentivou de alguma forma o ato dos médicos na noite de ontem. A assessora informou que, por decisão em assembléia, o Cremesp apoiou a manifestação. Indagada se isso significava que funcionários da entidade foram liberados e receberam horas extras para participar do ato, a assessora disse que não tinha essa informação.
A atitude do Cremesp pode não ser ilegal, mas no mínimo é bastante questionável.
Vale registrar que a Rede Globo realizou ontem uma empolgada cobertura do evento. Não falou que a manifestação ao parar a Paulista afetou o atendimento nos hospitais da região e nem que atrapalhou a circulação de ambulâncias. E mais do que isso, no Jornal da Globo os cartazes atacando Lula e Dilma foram a estrela da reportagem e ainda se registrou que haviam 5 mil médicos na manifestação. Estiva na Paulista e vi o ato. Com muita generosidade, não havia 2 mil pessoas ali. E agora, como se sabe, boa parte não era nem médico e nem estudante de medicina.
O debate sobre a saúde no Brasil não pode ser exclusivo de uma única categoria. Há muitos problemas no setor, mas um deles é  sim a forma como boa parte da classe médica brasileira se acostumou a atender apenas em áreas centrais. Além disso, é preciso moralizar o setor. Muitos administradores  dizem que têm que fazer vistas grossas para o uso de artimanhas por médicos que são contratados para prestar uma quantidade de horas de serviço e não cumprem nem 1/3 do combinado. Os que tentam enfrentar esses esquemas, são chantageados exatamente porque faltam médicos no Brasil.
Criar novas universidades nesta área é a melhor solução, mas demanda tempo. E as pessoas que estão doentes hoje não podem esperar. Por isso, abrir o país para receber mais profissionais desse segmento é uma iniciativa razoável. Outra, seria criar cursos de especialização para outros profissionais de saúde brasileiros em clínica geral. Exatamente o oposto do que os médicos querem. Eles defendem o Ato Médico, que impede até que um paciente tome uma vacina de uma campanha do governo se não passar antes por um médico. E que limitará a ação, por exemplo, de psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas, entre outros profissionais da saúde. O Ato Médico acaba de ser aprovado por pressão dos médicos no Congresso por pressão dos médicos.
Não faz muito tempo, um esquema de uso de dedos de silicone foi utilizado por médicos de Ferraz de Vasconcelos para garantir a presença de médicos ausentes. O “incentivo” que o Cremesp deu aos seus funcionários para serem médicos por uma noite na Paulista é diferente do dedo de silicone. Mas ao mesmo tempo é a mesma coisa. É falsificar a verdade de uma manifestação.
Veja abaixo o vídeo da Record com a denúncia do uso de dedos de silicone.

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"Os médicos cubanos"

Em meio a essa polêmica sobre a necessidade que o Ministério da Saúde vê de trazer 6 mil médicos estrangeiros para o Brasil, surgiram pessoas que duvidaram da qualidade da formação dos médicos cubanos.
Com a notícia espetacular divulgada ontem pelo Tulio Milman, de que o presidente do Sindicato Médico do RS, Paulo de Argollo Mendes, tem dois filhos médicos que se formaram em Cuba, não cabe mais qualquer dúvida sobre a idoneidade e eficiência dos cursos de Medicina em Cuba.
O doutor Argollo, conhecedor como é da problemática médica, não ia mandar para estudar e formar-se em Cuba dois de seus filhos em vão. Se os mandou, é porque em Cuba a formação médica é melhor até que a do Brasil.
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Ora, cabe até uma reflexão amena: se o doutor Argollo tem o direito líquido e legítimo de manter em sua casa dois filhos que são formados em Cuba, por que o povo brasileiro não teria o direito de usufruir do atendimento de 6 mil médicos cubanos?
Os direitos do presidente do Simers e do povo brasileiro são idênticos. O doutor Argollo obrigatoriamente terá de compartilhar com o povo brasileiro esse privilégio de abrigar em seu lar nada menos do que dois médicos formados em Cuba.
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Por sinal, recebi ontem um telefonema de um assessor do Ministério da Saúde em Brasília. Ele me disse que essa pretensão do ministério de importar 6 mil médicos vem exatamente ao encontro de um dos slogans preferidos das entidades médicas gaúchas, divulgado com insistência na Rádio Gaúcha: “Não se faz saúde sem médicos”.
Vejam, então, que as entidades médicas gaúchas e o Ministério da Saúde estão perfeitamente sintonizados em suas intenções e ideias sobre a questão da falta de médicos na maioria esmagadora dos municípios brasileiros. Estão pensando por telepatia.
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Tenho notado, no meio que percorro, uma absoluta indiferença dos médicos com quem converso na Capital para com essa polêmica da importação dos médicos pelo governo.
É claro que nossos médicos acompanham a polêmica, mas demonstram indiferença, acreditando que, mesmo que sejam importados os médicos, em nada afetarão a carreira dos médicos daqui.
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Derivando para o terreno do folclore popular, imagino uma pessoa que necessite de tratamento médico de urgência e telefone para uma unidade de atendimento: “Por favor, estou tendo fortes dores no tórax e no abdômen. Os senhores podiam mandar aqui para minha casa, imediatamente, um médico, mas gostaria que fosse formado em Cuba, tenho mais confiança nos que vieram da ilha de Fidel”.
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Ou então outro telefonema: “É da Urgecor? Preciso imediatamente de um médico aqui em casa, acho que estou tendo um infarto. Mas me façam um favor: não me mandem médico formado em Cuba. Quero médico genuinamente nacional”.
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Agora, ponha-se no meu lugar: conhecendo a experiência do doutor Argollo e a competência extrema dos médicos Nédio Steffen, Jorge Gross, Matias Kronfeld, Luiz Lavinsky e Sady Selaimen, que me atendem diariamente, se eu não os tivesse à disposição, iria querer um médico cubano.
Paulo Santana
No Zero Hora
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Protestos seguem um roteiro: quem são os autores?

 Protestos seguem um roteiro: quem são os autores?
Caminhoneiros protestaram na Castello Branco (SP) por 15 horas
Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo
Com o esvaziamento das manifestações nas ruas e praças das cidades, os protestos tomaram o rumo das estradas e caminhoneiros bloquearam ontem 22 rodovias em nove Estados, fechando inclusive o acesso ao porto de Santos, que só foi liberado na manhã desta terça-feira.
Desde o dia 6 de junho, quando dois mil manifestantes do Movimento Passe Livre protestaram na avenida Paulista, em São Paulo, contra o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus, os protestos se espalharam por todo o pais e foram multiplicando sua pauta de reivindicações, que foi da PEC 37 ao combate à corrupção, dos gastos com a Copa à melhoria nos serviços públicos, atacando todos os governos, políticos e partidos.
Depois de três semanas, os protestos urbanos perderam o folego e foram para as estradas. O Movimento Brasil Caminheiros, liderado há 14 anos pelo empresário Nélio Botelho, que em 1999 fechou as principais rodovias do país e provocou até desabastecimento em algumas cidades, apresenta agora as mesmas reivindicações daquele tempo: redução do preço dos pedágios e do óleo diesel, entre outras benfeitorias para a categoria.
Mesmo depois que o governo de São Paulo suspendeu a cobrança de pedágio para caminhões sem carga, razão primeira do protesto, o movimento decidiu que continuará nas estradas até quinta-feira, infernizando a vida de quem precisa viajar.
É no mínimo estranho que os caminhoneiros de Nélio Botelho voltem aos bloqueios justamente agora que a situação estava começando a se normalizar nas cidades, depois que a maior parte das reivindicações do povo nas ruas foi atendida rapidamente pelos três poderes.
Na mesma hora em que as estradas eram fechadas, apenas 100 gatos pingados apareceram ontem no mesmo Largo da Batata, em São Paulo, que reuniu 65 mil pessoas do Movimento Passe Livre no último dia 17 de junho, desta vez para protestar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-SP).
No início da noite, 40 pessoas saíram às ruas de Florianópolis para pedir mais ética na politica; 200 manifestantes pediram o fim da corrupção em Manaus; mais 200 saíram em Maceió contra a contratação de médicos estrangeiros; outros 80 fecharam a PR-116 em Fortaleza, pedindo sinalização e uma passarela; com pedidos variados, 60 protestaram em Foz do Iguaçu, o mesmo número que saiu às ruas em Santos para pedir a integração das tarifas de balsas e ônibus; só em Vitória o número chegou a 1.000 para pedir o fim da cobrança de pedágio.
Geradas nas redes sociais e amplificadas pela cobertura generosa da grande mídia, inclusive durante transmissões esportivas e em programas de auditório, as manifestações de protesto parecem seguir um roteiro para que não parem nunca mais, encadeando uma pauta na outra. Certamente não se trata da obra de um único e criativo pauteiro. Pode ser tudo uma grande coincidência, mas não custa perguntar quem podem ser seus autores e quais seriam seus reais objetivos, já que até hoje tudo nos é apresentado como algo espontâneo, que brota de uma difusa insatisfação popular não registrada pelas pesquisas nem pelos agentes da Abin.
Em seu artigo de hoje no "Observatório da Imprensa", sob o título "A história ainda não foi contada, falta o narrador", Alberto Dines deixa uma pergunta no ar:
"No sábado, 6 de julho, o vulcão completará um mês de atividade ininterrupta. Hora de perguntar: alguém já contou esta história ─ como começou, mudou e o que ainda vai acontecer?".
Em busca de respostas, Dines constata: "Estamos observando os escombros, identificando vítimas, avaliando efeitos, conscientes da dimensão do ocorrido, testemunhas mais ou menos informadas. Poucos, no entanto, sabem com exatidão por que a cratera adormecida, de repente, começou a cuspir fogo".
Talvez só os historiadores do futuro, daqui a muitos anos, nos contem como foi construído e desenvolvido este roteiro.
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Dublê da Globo é dublê de líder da Veja

O Blog ContextoLivre publica e a gente foi conferir. E achou muito mais.
Maycon Freitas, o entrevistado das Páginas Amarelas da Veja desta semana, como “representante” dos manifestantes da onda de protestos que tomou as ruas, presta serviços como dublê a Rede Globo de Televisão.
A Veja, é claro, nem se importou que Maycon tenha quase o dobro da idade da maioria dos manifestantes, mas o transformou num grande ativista cibernético.
revApresentado como “a voz que emergiu das ruas”, Maycon é apresentado como líder de uma comunidade no Facebook , a União Contra a Corrupção, onde se publica ou republica coisas como essa imagem aí do lado, dizendo que os médicos cubanos (cadê?) são guerrilheiros disfarçados e que um golpe comunista está em marcha. É mentira, a página é mantida por Marcello Cristiano Reis, um advogado paulista.
Se tivesse ido olhar o perfil de Maycon no Facebook veria que, antes de virar “celebridade”, suas últimas postagens foram em janeiro, com pérolas do tipo:
“Mulher que diz que homem é tudo igual. É porque nunca soube fazer a diferença na vida de um.”, ou
“No carnaval as mina pira , em novembro as mina ”pari”. “No carnaval os mano come, em novembro os mano some.”
Antes, em 2002, a vida estava boa para Maycon, como você pode ver nas fotos do líder de massas em Cancún, no México, num turismo “padrão FIFA” de deixar a gente com inveja. Como está sofrendo o revoltado Maycon!
VIDADURA
Ah, essa internet…
Ah, essa Veja…
PS. Até de um mistificador como o Maycon a gente respeita a privacidade. Todas as fotos são públicas no seu Facebook, não necessitam de compartilhamento.
Fernando Brito
No Tijolaço
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A mentira foi desmascarada. O líder que a Veja criou, é funcionário da Globo.

 Atualizado para inclusão do vídeo abaixo  

Notícias da Tucanada

Dica de Jbmartins
Rei Lux
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